Olá viajante!
Bora viajar?
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Há pouco mais de um mês realizei minha primeira viagem à Europa junto com a minha namorada, e irei compartilhar com vocês a experiência que tive, e minha impressão os lugares que visitei.
Bem, é o mínimo que posso fazer depois de toda a ajuda que obtive dos usuários deste Fórum, que ao longo dos últimos meses me deram dicas e solucionaram dezenas de dúvidas a respeito da viagem. Espero que meu relato sirva para que viajantes iniciantes tenham uma base na hora de planejar sua viagem.
PLANEJAMENTO
Pra mim o planejamento é o mais importante da viagem. E é também o mais difícil e trabalhoso. Prepara-se para “perder” dias pesquisando voos, hotéis e montando seu roteiro. Apesar de todo o trabalho, é tudo muito satisfatório. Como sou extremamente metódico, tentei planejar nos mínimos detalhes cada etapa da viagem, como vocês poderão notar a seguir. Claro que é impossível seguir um roteiro ao pé-da-letra, mas ter uma base, inclusive um planejamento financeiro, é essencial para que possa curtir a viagem numa boa, sem preocupações adicionais. É importante também sempre ter um “Plano B” pro caso de algo sair do roteiro.
Nunca havia realizado uma viagem internacional, então precisei tirar o passaporte junto com minha namorada. Como não é necessário visto para a entrada na Europa (pelo menos nos países que visitei), nem circular entre os países (devido o tratado de Schengen), esta etapa foi rapidamente finalizada.
Tivemos a idéia de viajar à Europa um ano antes da viagem. Nos meses seguintes realizei algumas pesquisas e comprei o guia da publifolha sobre a Europa (que recomendo a todos, tem resumos das principais cidades do continente, com muitas fotos). Li a respeito dos principais países do continente, para poder decidir onde iríamos. As opções são muitas, mas teríamos que levar em conta fatores diversos como preço e logística.
Sempre tive vontade de conhecer a parte central da Europa. Pra mim seria essencial visitar Paris e algumas cidades da Itália. E, no caminho entre esses destinos, queria visitar algum pelo menos algum país da Europa oriental, e se possível sul da Alemanha e Austria. Portugal e Espanha não são essenciais para mim, pelo menos numa primeira visita. Um dia quem sabe, pretendemos visitar Barcelona e Lisboa. Sempre tive grande interesse em Londres, mas seria uma contra-mão para nós, levando-se em conta que queríamos começar a viagem por Paris. Chegou a passar pela minha cabeça irmos para a Ucrânia assistir a final da Eurocopa (1º de julho), mas o gasto seria grande e iria modificar muito o nosso roteiro. Além disso, minha namorada não curte muito (pra não dizer nada) futebol rsrs.
Assim, com esse primeiro esboço do roteiro, precisávamos decidir duas questões: Como e quando ir?
A primeira resposta acabou não sendo uma opção: teríamos que ir em julho para combinar meu período de férias com as férias da minha namorada. Sim, sabíamos que Julho é alta estação, que tudo é mais caro e cheio, mas era isso ou adiar a viagem.
Como ir foi um pouco mais trabalhoso de decidir. Não temos experiências com as companhias internacionais, então basicamente pesquisamos preços e opiniões sobre as principais cias aéreas. A Tam foi logo descartada por apresentar preço pelo menos 50% maior que as concorrentes mais baratas. As mais baratas que encontramos foram TAP, Swiss, Klm e Iberia. Klm necessitava entrada via Amsterdam, o que nos faria perder tempo, e pela Ibéria a imigração seria através da Espanha, e como ouvi falar de brasileiros que tiveram problemas na entrada por lá, decidimos descartá-la também.
Assim sobraram TAP e Swiss, que tinham os melhores preços. Ouvi muitos elogios da Swiss. Apesar disso, optamos pela TAP pq conseguimos um voo com saída de Recife pelo menos preço, com a vantagem de um tempo menor de viagem (aprox. 7h) em relação à saída de São Paulo. Como nasci em Recife, e tenho família por lá, esse foi um fator a mais para a escolha. Comprei os trechos Belém-Recife e Recife-Belém pela TAM, e o trecho intercontinental pela TAP (Recife-Paris / Roma-Recife). Ir e voltar de cidades diferentes, apesar de um pouco mais caro, nos faria poupar tempo de ter que retornar para a cidade de origem (Paris). E para uma viagem curta como a nossa, cada segundo é precioso. A passagem para cada um saiu por R$ 2.900,00 (ida e volta).
O próximo passo é decidir que tipo de viagem faríamos. Poderíamos ir no estilo mochileiros, viajando de trem nos horários mais baratos, comendo em lanchonetes e hospedando-se em albergues. Sempre ouvi elogios dos albergues e trens da europa, mas decidimos fazer uma viagem mais “intermediárias”. Não teríamos luxos, mas também não seria um mochilão. Assim, hospedamo-nos em hotéis (geralmente 3 estrelas), jantamos sempre em restaurantes de preços moderamos, e escolhemos os deslocamentos entre as cidades com base no menor tempo a se gastar e não no preço das passagens (em vez de viajar em trens noturnos, usamos avião, por exemplo).
Hora de montar o itinerário da viagem e fechar as cidades que iríamos visitar. Montei um mapa de roteiros (Anexo 1) que nos ajudou bastante na escolha. Nele, montei várias possibilidades de roteiros, e com base nisso passei a pesquisar a disponibilidade e preços de trens e aviões para o deslocamento, pq nem sempre há a possibilidade de fazer o trecho que queremos. Por exemplo, a priori, queríamos fazer o trecho Berlim-Praga-Viena, e só depois entrar na Itália. O trecho Berlim-Praga conseguiria comprar no site da DB Bahn, mas não conseguiria comprar o trecho de trem Praga-Viena na internet (e combinamos que iríamos sair do Brasil com todas as passagens já compradas), pois os sites das empresas de trem da Rep. Tcheca e da Áustria não emitiam os bilhetes on-line, sendo necessário contato telefônico para finalizar a compra. Havia a opção de comprar através do site http://www.raileurope.com.br, mas não era possível imprimir o ticket de casa, sendo necessário aguardar um envio internacional para a passagem chegar na sua casa. Só que pesquisei informações da empresa, e li um pronunciamento desta no site ReclameAqui, onde alega que, se o usuário não receber a passagem a tempo (antes da viagem), eles não se responsabilizam pela perda, sendo necessária a realização de uma nova compra. Não tinha tempo nem dinheiro pra correr esse risco. Assim, Viena foi trocada por Veneza.
Já falei muito a respeito da compra de passagens, então vou sintetizar nossas escolhas. O roteiro final ficou assim:
Dia 1 – Recife/Paris (TAP)
Dia 2 – Paris
Dia 3 – Paris
Dia 4 – Paris
Dia 5 – Paris
Dia 6 – Paris/Berlim (avião; Lufthansa)
Dia 7 – Berlim/Potsdam/Berlim (linha urbana de trem)
Dia 8 – Berlim
Dia 9 – Berlim/Praga (trem; DB Bahn)
Dia 10 – Praga
Dia 11 – Praga/Veneza (avião; WizzAir)
Dia 12 – Veneza
Dia 13 – Veneza/Florença/Pisa/Florença (trem; Trenitalia)
Dia 14 – Florença
Dia 15 – Florença/Roma (trem; Trenitalia)
Dia 16 – Roma
Dia 17 – Roma
Dia 18 – Roma
Dia 19 – Roma/Recife (TAP)
Escolhemos e compramos passagens de trens e avião. Agora é hora de escolher os hotéis. Mesmo com muito receio (devido inúmeras reclamações) escolhemos a decolar.com, simplesmente pela possibilidade de parcelar em 6x s/ juros as compras. Se comprássemos diretamente nos sites dos hotéis, ou através de sites especializados internacionais, teria que pagar em Dólares, ou seja, pagaria em apenas uma parcela, e ainda teria que pagar os 6% de IOF. Escolhemos os hotéis muito mais com base na logística (sempre ficamos em hotéis próximos a estações de metrô, se possível centrais) e facilidades (todos já com café-da-manhã incluso, e com acesso à internet). No final das contas, não tivemos nenhum problema com a decolar (inclusive fizeram rapidamente um re-embolso de uma cobrança indevida no meu cartão), e os hotéis atenderam à expectativa (uns mais outros menos). Certamente comprarei de novo com eles.
DICA: Nunca acredite nas fotos dos sites oficiais dos hotéis ou mesmo da decolar e do booking.com. Recomendo a utilização do site http://www.tripadvisor.com para escolha de hotéis (apenas para escolha; você pode comprar em outro lugar). Nele você encontra fotos reais dos viajantes, além de relatos de turistas de todo o mundo.
Finalmente, a questão da imigração. Faz-se muito “terrorismo” com viajantes de primeira viagem: é obrigatória a comprovação de um seguro-saúde e acidente de pelo menos 30.000 euros, além de comprovantes de renda suficiente para passar o período da viagem, hospedagem, passagens, etc. Apesar de na imigração não terem pedido nenhum documento, recomendo que sigam as regras conforme é exigido. Assim, levei comprovantes de renda, todas as passagens e vauchers impressos, seguro-saúde... enfim, levei até cópia da minha CTPS e Aviso de férias do trabalho rsrs.
DICA: É muito importante se ter um “Plano B”. Fiz um “backup” de nossos documentos, da seguinte maneira: entreguei aos meus pais cópias de todos os documentos que levamos, pra caso fosse necessário. Digitalizei todos os documentos, passagens, etc, e enviei para o meu e-mail e o da minha namorada. Assim, se perdêssemos, bastava imprimir novamente. E por fim, levei em mãos os endereços das embaixadas/consulados brasileiros nas cidades que visitamos.
O seguro-saúde que utilizei foi o TravelCard que fiz na CVC pelo preço de R$ 188,32 por pessoa. Porém, não posso dar minha opinião a repeito, pois não precisei utilizá-lo na viagem. Mas de qualquer forma, achei um preço bem acessível.
Por fim, montamos o roteiro a ser cumprido em casa cidade (Anexo 2). Claro, com a prática vemos que é impossível segui-lo 100%. Mas é importante ter uma ideia de onde iremos em cada dia, e se possível, saber o preço que pagaremos e quanto tempo passaremos por lá. Pra isso utilizamos o livro da publifolha que já comentei, além de pocket guias das principais cidades. O Google Street View foi muito importante para termos noção das redondezas dos hotéis e atrações que visitaríamos, assim não ficamos tão perdidos quando chegamos por lá (sabíamos sempre que direção seguir). Também baixei aplicativos da TripAdvisor com mapas e guias offline de cada cidade. Durante a viagem, fizemos alguns cortes necessários no roteiro, por questão de tempo, mas conseguimos realizar pelo menos uns 80% do que planejamos.
DICA: Sempre que possível, compre com antecedência entrada para os lugares mais concorridos. A fila para a Torre Eiffel, por exemplo, ultrapassa uma hora. Mas existe a possibilidade de agendamento de visita através do site oficial da atração. Não conseguimos disponibilidade de data para a torre Eiffel, mas conseguimos comprar tickets para o museu Uffizi em Florença, compramos o Roma Pass, e ainda agendamos visita no Reichtag.
Por fim, com base em todas essas informações, monte uma planilha estimada de gastos diários (a minha segue no Anexo 3). Mesmo que não a siga inteiramente, pelo menos terá uma ideia da quantidade de dinheiro que precisará levar em espécie (ou disponível em cartões de crédito e travel card).
Anexos.zip
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