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  1. Trekking realizado nos dias 21, 22 e 23 de julho de 2012 entre a estação ferroviária de Jaboticaba localizada em Bento Gonçalves até a estação ferroviária de Feitor Faé em Vila Flores, com a extensão de 34 km de linha férrea percorridos por mim Rafael Spiekermann e por meu amigo Rodrigo Bruxel. Primeiro dia 21/07 Saímos de ônibus as 14:15 da rodoviária de Lajeado e chegamos em Bento Gonçalves as 16:10, como pretendíamos apenas acampar na estação de Jaboticaba no sábado para podermos começar a travessia domingo de manha bem cedo resolvemos dar uma volta por Bento para conhecer um pouco da cidade e tomar uma cerveja bem gelada em um bar. Após conhecermos um pouco da cidade e de degustarmos duas saborosas budweissers no bar do Perera fomos até o supermercado pois o rodrigo ainda não havia comprado todos os mantimento necessários em função do tempo, sendo que ele trabalhou no sábado de manhã. Após comprarmos os mantimentos faltantes fomos em busca de um taxi para nos levar até a estação de Jabuticaba, sendo que ela fica a 22 km do centro da cidade, encontramos um taxista que nos fez um preço de 70 reais, após pechincharmos um pouco conseguimos baixar para 60 o que ainda nos soou salgado porém era o preço e não tínhamos outra opção, pois não existe ônibus que vai até la. O taxista era um italiano muito louco indignado com o pensamento das mulheres locais, que voava nas curvas da serra e não parava de conversar. De tanto conversar o taxista acabou pegando a estrada errada e começou a subir os morros do vale do rio das Antas, chegou um ponto que eu e o Rodrigo começamos a ficar preocupados e pensamos que seriamos assaltados, mas apesar de louco ele era gente boa, fez o retorno e com algumas dicas nossas acabou encontrando a estrada da estação. Quando chegamos já estava escuro e no taxímetro marcava quase cem reais, pagamos 60 para ele como foi o combinado, ele não se estressou muito, nos desejou boa sorte e foi embora. Na estação de Jaboticaba moram algumas pessoas, conversamos com elas e pedimos permissão para acampar ali, a permissão foi concedida e montamos acampamento debaixo da marquise da estação, após alguns minutos escutamos de longe a buzina do trem ele veio se aproximando lentamente e passou por nós foi o primeiro dos 4 trens que vimos passar, após isso jantamos e fomos durmir. Segundo dia 22/07 Acordamos as 6:15, tomamos um bom café, desmontamos o acampamento, arrumamos as mochilas e pé no trilho, andamos um pouco e chegamos ao famoso túnel em Y , seguindo reto se tem a ferrovia TPS, pegando se a direita tem se a abandonada ferrovia do vinho. Após o túnel chegamos a um viaduto sobre o Rio das Antas, a paisagem ali e muito bonita, se observa muito bem o vale criado pelo rio durante os milhares de anos, logo após o viaduto fica a Usina Hidrelétrica Monte Claro, fomos até a Usina para dar uma olhada mais de perto, batemos umas fotos lá, até que de repente ouvimos o trem, corremos até os trilhos a tempo de vê-lo passar, ele carregava quase só tanques de combustível. Seguimos caminho, atravessamos um túnel e após o túnel encontramos dois pescadores que moram na região, eles falaram do perigo de acampar na estação de jabuticaba sendo que ali moravam algumas pessoas que tinha o habito de furtar objetos alheios, nos despedimos deles e seguimos caminhos sempre acompanhados por belas paisagens e pelo Rio das Antas, de repente escutamos o som de uma cachoeira, descemos o barranco e la estava ela, uma pequena porem bela cachoeira, tiramos fotos, bebemos agua e pé no trilho. A maioria da área faz parte da APP da Usina Monte Claro, por isso a mata esta muito bem preservada e a agua das vertentes e riachos que descem dos morros e extremamente cristalina, durante o trajeto não faltou agua para nos, sendo que sempre enchíamos o cantil em vertentes ou riachos, deve se levar em consideração que fomos no inverno e após um período de chuvas, o quadro pode se reverter no verão durante os períodos de estiagem. Seguimos caminho e chegamos a um pequeno viaduto, embaixo dele existe uma linda cachoeira, de um tamanho bastante razoável, descemos uma trilha em meio ao mato e chegamos até ela, quando chegamos nela, ouvimos o trem, passou então o terceiro trem, aproveitei para filmar o trem e a cachoeira. Durante o trajeto não fizemos parada para o almoço, apenas pequenas paradas para descanso e para um lanche. Após a cachoeira botamos o pé no trilho e seguimos caminho, sempre acompanhados pelo Rio das Antas e pela mata muito bem preservada, andamos alguns km e então chegamos em torno das 4 horas a estação de Coronel Salgado, totalmente abandonada e depredada, tínhamos andado até ali 18 km, fizemos um lanche, o rodrigo fez uns ajustes na bota afim de evitar uma bolha que estava começando a surgir e após isso seguimos o trilho, após andar um pouco e atravessar um pequeno túnel chegamos a famosa vila abandonada da 4 seção porém havia somente duas ruinas, entramos em uma estrada a esquerda, ela estava fechada por um portão que parecia ter sido feito recentemente pois estava bem pintado, ficamos meio assim em entrar porém o espirito de aventura falou mais alto e queríamos encontrar também a cachoeira da 4 seção, pulamos o portão e subimos a estrada de terra muito bem conservada e logo encontramos a cachoeira, em seguida apareceram duas senhoras e um guri, ficamos meio assim por achar que era propriedade particular, mas as senhoras falaram que não, comentaram que a área da cachoeira era publica e que ate poderiamos acampar ali. Acampamos ali mesmo, o lugar é perfeito, montamos as barracas dentro de uma pequena gruta formada no paredão de arenito e basalto, além de ser bacana aquilo nos protegeria bem em caso de chuva, pois eram previstas algumas pancadas. Após montarmos o acampamento, tomamos um banho de gelar a alma na piscina construída na cachoeira, estava muito frio mesmo, tive a sensação de estar pegando fogo, mas depois do banho me senti renovado. Após isto fizemos uma fogueira, já que tem bastante lenha seca por la, jantamos , ficamos jogando conversa fora e fomos dormir. Terceiro dia 23/07 Acordamos cedo e botamos o pé no trilho atravessamos um pequeno viaduto e logo após encontramos a verdadeira vila abandonada, ruinas de varias casas abandonadas, um lugarzinho bem sinistro, um lugar bacana para se filmar um filme de terror, apos a vila existe um pequeno túnel, o atravessamos e após isso, começa a se observar a presença de algumas estradas laterais e algumas casas, e é incrível que no momento que se nota uma maior presença humana as paisagem começam a ficar menos belas, a mata preservada e substituída por capoeira e inço, após a vila abandonada a beleza da travessia diminui. Seguimos caminho fazendo sempre pequena paradas para lanche, e chegamos em um ponto onde haviam vários pés de bergamota, pensamos em pegar mas não pegamos , foi então que avistamos a Barragem de Vila Flores e uma pequena descida no barranco, descemos o barranco e conseguimos ver bem o lago e a barragem, tiramos algumas fotos e subimos. Neste ponto as fontes de agua começam a dimunuir, então entre os pés de bergamota avistamos uma casa e resolvemos ir la pedir agua, para completar o cantil, chegando na casa fomos recebidos de forma hostil por um sujeito desconfiado que cuidava da casa para o seu patrão, ele falou que não gostava de “desaforo” nos trilhos e que volta e meia passava alguém fazendo bagunça nos trilhos, e que também pegavam bergamotas, disse que se visse alguém roubando bergamotas ou fazendo “desaforo” nos trilhos ele atirava com sua espingarda e não se importava de matar a pessoa, contou um caso de um vizinho que matou um rapaz que havia roubado uma laranja, falamos a ele que estávamos caminhando de boa nos trilhos e deixou nós pegarmos agua nos despedimos e fomos embora, eu suspeito que o trilho que desce ate o rio onde da pra observar a barragem seja dele, pois la embaixo tem um pequeno porto de caicos, acredito que se ele nos visse la não iria ficar muito feliz. Seguimos o trilho e de longe escutamos o trem, esse era o quarto e o ultimo trem que vimos, após o trem passar prosseguimos, atravessamos um viaduto, nessa ponto do trajeto, já existem varias casas e estradas laterais, andamos mais um pouco e chegamos a estação de Feitor Faé. Da estação de Coronel Salgado até Feitor Faé são 16 km. A estação de Feitor Faé esta bem conservada, la encontramos um trabalhador da ALL conversamos um pouco com ele , ele contou como funcionam as manutenções, um pouco da vida de trabalhador dos trilho e também do descaso da ALL em relação a conservação dos trilho. Após isto seguimos por uma estrada de chão lateral aos trilhos, e subimos um puxado morro por onde a estrada passa, pois so no topo do morro se tem sinal de celular, ligamos para o taxi de Vila Flores (na cidade existe apenas um taxista), ele nos buscou e nos deixou na rodoviária, da saída dos trilhos na estação Feitor Faé ate o centro de Vila Flores são uns 11km. Pegamos um ônibus ate Bento, la tomamos umas geladas Budweisers no bar do Perera que acabou simpatizando com nós, contamos a ele como foi toda a travessia e depois pegamos o ônibus rumo a Lajeado. Achei o trajeto muito bacana,possui varias coisas laterais ao trilho para serem exploradas, para mim esta travessia não perde em nada para a Ferrovia do Trigo. Estação de Jaboticaba Tunel em Y Vale do Rio das Antas Cachoeira Estação Coronel Salgado Acampamento 2 dia Cachoeira 4 seção Vila abandonada PCH Jararaca https://www.mochileiros.com/upload/galeria/fotos/20120725212500.JPG Trem da ALL Estação Feitor Faé
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