Ir para conteúdo
  • Cadastre-se

Pesquisar na Comunidade

Mostrando resultados para as tags ''travessia do litoral brasileiro''.



Mais opções de pesquisa

  • Pesquisar por Tags

    Digite tags separadas por vírgulas
  • Pesquisar por Autor

Tipo de Conteúdo


Mochileiros.com

  • Perguntas e Respostas
    • Perguntas e Respostas
    • Destinos
  • Companhia para Viajar
    • Companhia para Viajar
  • Relatos de Viagem
    • Relatos de Viagem
  • Equipamentos
    • Equipamentos
  • Trilhas e Travessias
    • Trilhas e Trekking
  • Viajar sem dinheiro
    • Viajar sem dinheiro
  • Viagem de Carro
    • Viagem de carro
  • Viagem de Moto
    • Viagem de moto
  • Cicloturismo
    • Cicloturismo
  • Outros Fóruns
    • Outros Fóruns
  • Promoções
    • Voos Baratos

Categorias

  • América do Norte
  • América do Sul
  • Ásia
  • Brasil
  • Europa
  • Oceania
  • Oriente Médio

Encontrar resultados em...

Encontrar resultados que...


Data de Criação

  • Início

    FIM


Data de Atualização

  • Início

    FIM


Filtrar pelo número de...

Data de Registro

  • Início

    FIM


Grupo


Sobre mim


Lugares que já visitei


Próximo Destino


Tópicos que recomendo


Ocupação

Encontrado 3 registros

  1. Dando continuidade à minha primeira caminhada (https://www.mochileiros.com/topic/55152-60-dias-a-pé-pelo-litoral-brasileiro/), me vi na mesma situação que a anterior (saí do emprego + férias da faculdade) e não pensei duas vezes antes de continuar de onde tinha parado. Parti em dezembro até a Paraíba, passei uns dias e logo depois do natal, fui pro Rio Grande do Norte onde dei continuidade de onde tinha parado. 1º DIA 26.12.2018, chegando na rodoviária da calorenta e ensolarada Natal, almocei bem baratinho por 8$ e peguei um coletivo com destino a Praia da Redinha. Chegando lá comprei água e uns lanches e parti pro mar pra dar uns mergulhos. Dessa praia temos uma bela vista da ponte Newton Navarro e de toda Capital potiguar, a água é verdinha e com aquela temperatura característica nordestina. Olhando a frente também é possível avistar o final da praia que já marca o início de Genipabu. Parti por volta das 15h com a maré baixinha e com trecho não muito vazio, com bastante casas. Rapidamente cheguei em Genipabu que é verdadeiro cartão postal, com dunas, maré baixa, algumas pedras e turistas por todo canto, hora de buggy hora de dromedário. Parti pra água pra dar mais uns mergulhos no mar calmo e depois subi a duna pra conhecer, esperei o sol se pôr e armei a rede no meio de uma moita. A noite foi sofrível com muito vento e com a falta de costume de dormir em rede e preparar comida nessas condições. Andei uns 8km. Genipabu-RN: 2º DIA Pra minha sorte a noite não choveu e assim que clareou levantei, comi alguma besteira e desci a duna pra começar a andança. Logo nos coqueiros dos restaurantes ao lado da duna consegui 2 cocos, os primeiros dessa viagem. Segui calmamente deixando Genipabu pra trás e uns 40 minutos depois surge a primeira barra pra atravessar, a do Rio Ceará-Mirim, que atravessei com água na cintura. Logo a frente próximo a Pitangui parei em umas das inúmeras casas abandonadas/vazias ou sei lá o que, e armei minha rede pra dar uma descansada. Minha ideia foi começar caminhando bem pouco pra tentar evitar as bolhas (funcionou!). Com as coxas assadas e os pés ardendo um pouco dei uma boa descansada (leia-se cochilada), enquanto os buggys passavam pra lá e pra cá. A orla de Pitangui é ligeiramente mais humilde, almocei um PF no restaurante da Maria por 10$ e segui, peguei mais 2 cocos antes de passar por uma lagoa com barracas vazias as margens da praia. Genipabu estava sempre a vista quando olhava pra trás, mais um pouco de caminhada vem Jacumã e mais belas praias surgem, um pouco mais a frente quase colado vem Muriú, cheguei já escurecendo e não achei um bom canto pra dormir, acabei armando a rede num quintal de uma casa que parecia vazia, ainda sem ritmo nenhum, apenas lanchei antes de dormir. Caminhei uns 18km. Sentido Jacumã-RN: 3º DIA Levantei cedinho e fui até a rua principal comprar meu café, depois de comer e chupar uns cajus que achei no caminho, parti na maré baixa e com mar agitado. Depois que acabam as casas vem uns 3km sem nada além de uma coqueiral bem ralo e uma faixa de areia bem extensa, ao fim da praia vem umas pedras e a barra do Rio Maxaranguape, que atravessei com água na coxa, do outro lado peguei a sombra de um quiosque vazio e descansei até o almoço. Única movimentação eram de poucas famílias se banhando no rio e pescadores trabalhando em seus barcos atracados. Almocei no mercado central por 10$ e voltei a descansar na orla que não tem nada de luxuosa. Da minha rede já conseguia avistar mais a frente a Árvore do Amor e o Farol de São Roque. Parti umas 15:30 com sol mais ameno e maré baixando, a esquerda a areia forma quase uma pequena falésia que esconde as casas por trás dela, uma dessas casas estava vazia e foi na varanda dela que armei minha rede pra dormir, antes ainda dei uma boa mergulhada, o dia foi bem tranquilo caminhando apenas uns 9km pra compensar o dia anterior. Sentido Maxaranguape-RN: 4º DIA No primeiro claro já levantei, comi e parti. Ao fim da praia vem uma falésia mais consistente e algumas pedras na areia, na praia seguinte a uns 200m vem a Árvore do Amor, que são duas gameleiras, árvore típica de lá, que parecem estar se abraçando. 300m depois vem o Farol de São Roque, que representa o ponto brasileiro mais próximo do continente africano. Ao fim da praia vem mais pedras e sempre um velho conhecido das praias, o lixo. Na praia seguinte já dá pra avistar a Praia de Caraúbas e mais distante Maracajaú. A caminhada segue tranquila com areia firme e maré baixa, as praias seguintes são muito bonitas, sempre com pedras, falésias e um formato bem curvado. Parei rapidamente em Caraúbas pra um lanche e continuei andando, um pouco a frente vem a Lagoa Peracabu, com muitas barracas e as típicas redes na água, que daqui pra frente são bem comuns. O trânsito de quadricículos e buggys é frenético entre a lagoa e Maracajaú. Ao final da praia surge um visual incrível com águas claríssimas e uma pequena lagoa formada pela maré. Cheguei em Maracajaú com a maré subindo e areia um pouco fofa, sem muita opção pra almoçar, acabei comendo um peixe por 18$ no restaurante Tereza Pança e descansei por lá o resto da tarde, alternando banhos de mar e chuveiro. Maracajaú não é muito grande, mas o que chamou mesmo atenção foi uma iguana gigante que circulava tranquilamente entre os moradores pela rua. Ao final das casas, encontrei uma abandonada parcialmente engolida pela areia e armei por lá minha rede, ainda consegui 3 cocos no coqueiral que tinha nos fundos, jantei e dormi muito bem aquela noite. Andei uns 14km. Maracajaú-RN: 5º DIA Saí cedo e comecei a andar aproveitando a sombra de uma imensa nuvem, mais a frente tem mais casas abandonadas boa pra um pernoite. A nuvem não durou muito e logo o sol brotou, com a maré ainda muito boa pra andar rapidamente alcançei o fim da praia, depois vem um retão de praia que ao final tem algumas pedras e uma bela vista do percurso que tem pela frente, daqui dá pra ver também a primeira grande sequência de parque eólico, que é bastante comum dali pra frente. A primeira praia é bem curvada, com bastante pescador puxando rede, depois de uma duna mediana começa Pititinga, descansei um pouco por lá e segui. Ao fim das casas, tem uma lagoa com algumas barracas, ainda vazia pelo horário, e uns coqueiros baixos espalhados, peguei 4 cocos e dei mais uma descansada. A praia dali pra frente é uma reta bem deserta, 3km a frente vem o Rio Tatu que tava bem rasinho sem problemas pra passar, um pouco mais a frente vem Zumbi, que já estava no clima de réveillon com suas ruas desordenadas. Almocei um frango na brasa com o melhor suco de graviola da viagem por 12$, depois fui mergulhar e descansar na praia que tinha muito quadricículo e a água com uma cor impecável. No fim da tarde fui até o final das casas e achei uma abandonada onde armei minha rede na varanda. O vento foi insano a noite toda e não consegui dormir muito bem, caminhei uns 13km nesse dia. Zumbi-RN: 6º DIA Pra compensar a noite mal dormida levantei um pouco mais tarde e a praia já tinha banhista caminhando. Amanheceu um pouco nublado, o que sempre ajuda na hora da caminhada, ainda na maré baixa logo cheguei no fim da praia onde tem muitas pedras e falésias, esse cenário segue praticamente até Rio do Fogo sempre com alguns catadores de marisco nas pedras. Faltando uns 2km pra chegar no centro um bugueiro me ofereceu uma carona até a cidade que gentilmente recusei, preferi ficar descansando embaixo de uma boa sombra de frente pro mar. Rio do Fogo tava com um trânsito insuportável de fim de ano, almocei um peixe num restaurante pela praia enquanto me molhava no mar e no chuveiro. Saí no fim da tarde com a maré alta, tive que ir descalço pra facilitar, peguei 2 cocos numa pequena duna antes de chegar em uma pequena vila, se não me engano se chama Perobinha de Touros. Mais à frente vem um hotel luxuoso com seguranças devidamente armados que me observavam enquanto andava. Mais pra frente achei 2 barracas de pescador onde armei a rede, porém devido aos fortes ventos, acabei inaugurando a barraca e dormindo nela, e foi como eu temia, muito abafado e quente. Realmente calor e corpo salgado não combinam com barraca de camping. Andei uns 10km. Sentido Rio do Fogo-RN: 7º DIA Acordei as 5h e me arrumei logo pra sair, a areia já estava bem durinha e a maré baixando. Caminhada bem tranquila e depois que passa por um imenso hotel em construção vem Carnaubinha, que é um lugar bem pequeno com a orla repleta de casas alugadas, algumas ainda em festa pela virada do ano. Quase colado em Carnaubinha vem Touros, que é bem maior e estava com a praia lotada do pessoal que passou a virada do ano ali. Fui até o centro comprar pão e estava saindo uma procissão da igreja, muita gente indo embora da festa e mais gente ainda já chegando pra aproveitar o feriado, achei uma sombra onde comi e descansei até o almoço. Almocei um frango na brasa por 10$ e vazei dali por volta das 14h, a praia entupida de gente me fazia lembrar Copacabana em dia de feriado, deixei toda a muvuca e lixo pra trás e segui andando embaixo do sol escaldante na maré alta, falei comigo mesmo que nunca mais andaria na maré daquele jeito. Apesar do trecho deserto sempre surgia alguma família pelo caminho, definitivamente era o dia mundial de ir à praia. Ao final da praia tem o Farol do Calcanhar, que tem esse nome por estar posicionado no “esquina” do Brasil, com 62m é o segundo maior farol de concreto do país e um dos maiores do mundo desse tipo, a partir daqui a caminhada deixa de seguir pro norte e passa a ser pro oeste. Logo a frente vem um restaurante e depois vem o marco do km0 da BR-101, chupei muito caju enquanto tirava foto das placas. Armei a rede numa espécie de coreto de um casarão abandonado onde assisti de camarote a lua cheia surgindo de dentro do mar. Dormi muito bem depois de andar 14km e compensei a noite mal dormida do dia anterior. km 0 BR-101-RN 8º DIA Acordei com o sol nascendo mas antes de sair ainda peguei 6 cajus pra completar o café e saí sem pressa esperando a maré melhorar. Uns 15 minutos dali tem um lugar chamado Cajueiro, que ainda estava amanhecendo, passei direto e uns 40 minutos depois vem uma bela praia que parece um lugarejo, mas é só uma praia de pescador, todas as cabanas existentes são pra guardar o material de pesca deles. Daqui pra frente começa um climão de deserto com solo mais avermelhado e com dunas realçam o cenário. Ao fim dessa praia começa uma sequência de falésias e pedras que só dá pra passar na maré baixa. Quando cheguei em São José uma família colombiana me ofereceu carona e aceitei, fui de carona de buggy até São Miguel do Gostoso, onde descansei numa sombra até a hora do almoço. São Miguel estava na ressaca do réveillon, na praia ainda estavam desmontando as estruturas da festa. A praia tem uma faixa de areia enorme, e na orla tem um banheiro público onde tomei uma bela ducha. Consegui almoçar por 12$ mas no geral lá é um lugar caro repleto de pousadas e restaurantes chiques. Deixei o local com o sol cozinhando e areia já ficando fofa. Ao chegar em um coqueiral baixinho bebi um coco e quando fui abri-lo arrebentei o dedo, pude então entender porque algumas pessoas chamam cortes feios de buceta. Mais a diante começa uma sequência de pedras diferente, elas se posicionam bem onde as ondas quebram te dando apenas duas opções: andar por cima delas ou por fora na areia fofa, elas se estendem por 1,5km. Mais à frente tem mais alguns coqueiros baixos, não me rendi e mesmo com o dedo arrebentado e com minha faca já quebrada, ainda bebi 3. Ao final vem a Praia de Tourinhos, pequena, bem curvada com água clarinha e muito mais bela que a vizinha famosa São Miguel, praia cheia e com algumas barracas, armei minha rede em um quiosque fechado. Nesse dia me desloquei 23km, sendo 8km de carona e 15km andados. Praia de Tourinhos-RN 9º DIA A noite foi bem clara com lua cheia e dormi muito bem, acordei cedo mas fiquei dando um tempo pra maré baixar, enquanto isso observava os turistas. Eles chegam tiram fotos, armam tripé, correm pra tirar uma foto sentado na areia como se tivessem contemplando o mar e voltam correndo pra ver como ficou a foto, porém não ficam sequer 10 segundos contemplando o mar de fato, ou então tiram fotos fazendo poses de yoga... não aguentei ficar assistindo aquilo e vazei dali. A 500m dali tem o Suspiro da Baleia, uma pedra que quando a onda bate jorra água pra cima como uma baleia, passei na maré inadequada e não vi nada acontecer. Essa primeira praia toda segue com a estradinha paralela, ao final dela começa um enorme parque eólico. Duas belas praias a frente vem uma pequena vilinha só com cabana de pescador, um pouco adiante mais uma sequência de pedras, que eu já tava aprendendo a andar sobre elas, com bastante cuidado, elas se estendem até a Praia do Marco. Tava difícil a caminhada pois foi a primeira manhã sem vento, mas por volta das 8h cheguei na Praia do Marco, uma belíssima praia de aguas claras e calmas, com algumas dunas e praticamente sem turismo. Aqui tem o primeiro marco do Brasil, e alguns estudiosos ainda defendem que o Brasil foi descoberto por lá, polêmicas à parte, descansei num restaurante até o almoço e comi um peixe cozido por 12$. A Tarde fui embora mas a calmaria do lugar dava até vontade de ficar por lá mais tmepo. Caminhar no sol da tarde é foda, dá muita sede, ainda mais naquele climão de deserto com mar. Com a maré baixa, algumas praias a frente cheguei em Enxu Queimado, que é muito pequena, típica vila pesqueira, fiquei pela praça descansando, a noite fiz um lanche no pequeno centro e armei a rede em um quiosque fechado. Andei 17km. Praia do Marco-RN 10º DIA Fiquei a manhã toda ainda em Enxu Queimado, almocei por 12$ uma carne de bode no que parece ser o único restaurante do lugar e parti depois do almoço com maré baixa. A primeira praia logo acaba e surge outra bem comprida, totalmente deserta que vai beirando o parque eólico. Pelo caminho no meio do nada tem umas barracas de pescador muito boas pra dormir, ao logo da praia não dá pra ver muito bem o que existe terra a dentro pois os morros de areia encobrem a vista. Lá pela terceira praia dá pra ver o imenso deserto que tem, ao fim da praia começam umas pedras que vão lentamente virando falésias. Na quarta praia resolvi parar armei minha rede numa pequena vegetação ao lado de um cata-vento, deixei a barraca armada caso chovesse, mas dormi na rede mesmo ao som das hélices girando, embaixo do céu estrelado. Esse trecho tem boas praias que são quase particulares, não tem banhista num raio de quilômetros, nessa tarde andei por 8km. Saindo de Enxu Queimado-RN: 11º DIA Parti não tão cedo esperando a maré baixar mais, as 2 primeiras praias são bem parecidas, são curtas e com muitas pedras que são vencidas facilmente. No início da terceira praia apenas uma casa de pescador e um mar lindo de cor verdinha, daqui já é possível avistar o farol bem distante. Mais adiante vem uns viveiros (eu acho) com cheiro terrível de esgoto, uma ou outra habitação pelo caminho e uma família vindo na direção contrária. Ao final da imensa praia tem o Farol de Santo Alberto e o início de mais uma bela praia, a Praia do Farol, que tem apenas uns restaurantes, pousadas e algumas famílias se banhando, depois vem uma bela duna e o centro de Caiçara do Norte, que é considerada a que tem o maior número de barcos pesqueiros do Brasil, em proporção ao tamanho do município, que deve ser verdade pois a praia é lotada de barcos e as ruas cheias de peixarias. Almocei por 12$ no restaurante da Maria, um dos poucos da cidade e fiquei o resto da tarde mergulhando e assistindo ao vai e vem das jangadas e barcos, embalados pelo vento furioso que veio de tarde. Jantei um espetinho de carne e dormi pelo centro mesmo, numa peixaria detonada pela maré. Andei 11km. Caiçara do Norte-RN: 12º DIA Como no dia anterior esperei pra sair depois do almoço pra pegar a maré boa, almocei no mesmo lugar e fui embora depois do almoço pra encarar o que seria um dos maiores trechos sem nada pelo caminho. Uma sequência de cabanas de pesca marca o final da cidade, a partir daí é só praia deserta, duna e muito vento. Vão surgindo dunas maiores e limpas, sem vegetação, e após uma longa praia voltam os cata-ventos do parque eólico. O vento em certos momentos me fazia andar torto, ele batia forte pelas costas e ficava o tempo todo balançando minha mochila. Tentei andar um trecho descalço pisando somente na lâmina d’água, mas não compensou, depois a sola do pé ficou pegando fogo e voltei pro chinelo pela areia seca. Nesse dia só passaram por mim dois vaqueiros que estavam seguindo pro interior das dunas pra buscar os bois que estavam pastando por lá. Vez ou outra passava alguma moto ou carro aproveitando a maré baixa, mas no geral é uma caminhada solitária pela praia deserta. Parei no que parece ser o meio do caminho, onde tem umas instalações do parque eólico, armei a rede nunca casa sem telhado e dormi sob o céu muito estrelado porém, sem lua. Andei 14km. Sentido Galinhos-RN: 13º DIA Apesar de não ter chovido a noite, acordei com a rede toda úmida do sereno, me arrumei rápido e parti já com a areia firme, e sem nenhum vento. Numa caminhada constante, em menos de uma hora, chego no final dos cata-ventos, e uns 50 minutos depois vem um lugar chamado Galos, lá tem poucas casas e uma bela praia. No final dessa praia vem Galinhos, um pouco maior e com outra praia bem bonita. Passei o resto d amanhã mergulhando nas águas claras e descansando na sombra, a essa hora o sol já estava castigando e a praia não parava de encher, afinal era um domingo ensolarado. Em Galinhos só se chega de balsa, carro 4x4 ou moto, sendo as duas últimas opções pela praia em maré baixa. É uma cidade pequena bem simpática, infelizmente devido seu isolamento é tudo bem caro, almocei a comida mais cara de toda viagem, uma frango parmegiana sem graça por 22$. Descansei o resto da tarde na praia onde ficava o vai e vem dos “uber-jegue” rsrs, boa parte da cidade não tem calçamento então existe esse serviço regulado de transporte de charrete, praticamente destinado a quem vem de fora a passeio. Jantei um espetinho que custou o olho da cara e dormi numa barraca uns 500m depois do centro em direção ao farol. Andei 12km. Galinhos-RN: 14º DIA Depois de Galinhos começa uma espécie de delta, com uma grande sequência de barras, que se estende até Porto do Mangue, aqui eu planejei meu primeiro trecho de transporte. Cheguei cedo pra pegar a balsa das 07:30, é preciso chegar cedo pra garantir uma senha de acesso, a balsa até Guamaré é gratuita, todos vão sentados, a viagem é lenta mas bem tranquilinha, chegando lá não me informei direito sobre os transportes até Macau e acabei indo nos carros alternativos que fazem lotada, paguei 15$ até Macau. Fiquei na rodoviária e de lá peguei um ônibus por 5$ até Pendências, lá eu me dirigi até a saída da cidade e fiquei esperando algum transporte ou carona. Carros de passeio passavam fingindo que nem me enxergavam, mas quando passou um caminhão caçamba, bastou eu acenar que o coroa parou na hora e me perguntou se queria carona, e assim fomos até Porto do Mangue, pelo caminho estradinha horrorosa, muita seca e muita carcaça de boi morto. Chegando na cidade, fui logo almoçar no único restaurante do mercado público, comida farta e barata. Descansei me abasteci de água e segui com o sol mais fraco, basta ir beirando a orla até o mangue e seguir margeando até o mar. A extensa faixa de areia é a maior de todas até aqui, tão grande que se perde de vista, alguns trechos repletos de conchinhas. Durante o percurso, apenas uma ou outra moto passava aproveitando a maré baixa e areia firme, da praia é possível ver as dunas do Parque de Dunas de Rosado, com suas dunas brancas e avermelhadas, resultado dos sedimentos que vem das falésias, no horizonte a frente tem mais parque eólico. Cheguei na pequena Rosado no fim da tarde, com a praia e barracas desertas, fiquei descansando e batendo papo com um pescador, e armei minha rede em uma dessas barracas vazias. Me desloquei 114km, sendo 5km de barco, 98km de estrada e 11km a pé. Orla de Porto do Mangue-RN: 15º DIA A noite foi terrível, acordei no meio da madrugada vomitando toda minha janta (miojo com sardinha era o que jantava na maioria das noites), levantei assim que clareou, o mesmo pescador do dia anterior já estava por lá, me despedi e segui. A estrada segue paralela à praia até Ponta do Mel, por coincidência, o velho que me deu carona de caminhão passou e deu uma buzinada. O sol seguia encoberto pelas nuvens e corria uma brisa agradável, pelo caminho só dunas e alguns casarões pelo caminho. No fim da primeira praia vem Pedra Grande, um lugarejo minúsculo, ao final da segunda praia surge um farol meio escondido, dali pra frente já é Ponta do Mel. Descansei o resto da manhã em um dos diversos bares da orla que estavam fechados, consegui achar um restaurante pra comer por 12$ com direito a suco da fruta e armei a rede pra descansar a tarde. O vento soprava quente, o sol tava rasgando e a terra avermelhada me fazia pensar que estava no meio de algum deserto. A praia seguinte é bem curvada, com mais dunas e cata-ventos, foram 10km de muito calor, maré baixa e pernas começando a ficar doloridas, ao final da praia vem um restaurante, muitas pedras, falésias e conchinhas. Tem uns bares abandonados na altura do cemitério, fiquei por lá e armei a rede logo cedo pra descansar mais. Andei 18km. Rosado-RN: 16º DIA Dormi bem demais, dei uma boa descansada, acordei sem pressa e fui embora. A primeira praia que surge é a principal do lugar, Cristóvão, somente com alguns barcos e pescadores na água, pela orla as casas são bem distantes, todas grandes e com varandas. A manhã toda foi de nuvens com o sol saindo de vez em quando e bem abafada, daqui já dá para ver todo o caminho restante até o Ceará. Ao fim da primeira praia tem umas pedras e uns 3km depois um pequeno lugarejo, e bem mais a frente vem Baixa Grande, outro lugar bem pequeno apenas com casas de veraneio que estavam 90% vazias, parecendo uma cidade fantasma. Seguindo a dica de um morador, fui por trás das casas pra passar pelo mangue e cruzar a barra com água na coxa, a praia depois dessa barra é típica de pescador também vazia. Depois de um trecho de praia deserta chega Upanema, a essa altura o sol já tinha saído por completo e castigava, eu estava seco de sede e parei num bar pra pedir um pouco de água e seguir até Areia Branca. Entrei em uma rua que dava acesso ao centro e um mototáxi me deu uma carona me fazendo poupar uns kms. Almocei numa churrascaria por 10$, matei minha fome e sede e como precisava lavar roupa, fiquei na Pousada Central por 50$. Andei 21km. Cristovão-RN: 17º DIA Lavei as roupas pela manhã, peguei a balsa e atravessei o Rio Mossoró ou Rio Apodi por 3$, a balsa deixa no município de Grossos a 4km da praia, estendi as roupas ainda molhadas e fiquei aguardando o sol pra secá-las. Com as roupas secas e com fome tentei uma carona até a barra do rio, mas foi uma tarefa difícil, quando você pede carona parece que ganha o super poder de ficar invisível, mas não desisti e consegui uma caroninha de carroça puxada por um burro rsrs. Foi desconfortável e lento mas cheguei na barra e matei minha fome com um PF de 15$. Chegando na praia ela estava com uma cor azulada muito bonita, com poucas crianças dali mesmo tomando banho. Passando as casas vem uma reta que se estende até Tibau, pelo caminho é comum avistar muitos grupos de cavalos andando livremente pela praia deserta e também alguns playboys de quadrículo. Cheguei em Tibau no fim da tarde, a praia estava lotada de turistas, todos uniformizados com suas ridículas blusas UV manga longa, que me olhavam meio torto ao cruzar a orla repleta de mansões. No final da praia fica a divisa de estados, mas a cidade continua do lado cearense, tomei uma bela ducha em um restaurante e armei a rede já no escuro numa varanda de uma casa vazia. Apesar da noite com muito vento, eu estava com muito ânimo por chegar no Ceará, esse dia andei 19km. Sentido Tibau-RN: 18º DIA Parti cedo de Tibau, demora um pouco até a praia ficar sem casas. Precisava chegar em São Luís-MA em até 25 dias, então estabeleci uma média de 18km por dia pra conseguir chegar a tempo. Depois que somem as casas não demora muito pra chegar em Tremembé, lugar minúsculo, com alguns restaurantes e poucas pousadas, lugar onde a tranquilidade reina. Parei na barraca do Juarez que ainda estava abrindo, dei uns mergulhos no mar quentinho e descansei até a hora do almoço. Fiquei batendo papo com o pessoal gente boa da barraca e ainda almocei uma moqueca de arraia que saiu de graça. Parti de tarde, com maré baixando e areia firme, surge mais um lugar bem pequeno chamado Quitéria, e o mar vai ficando com cara de manguezal, as casas se estendem até quase o final da praia. Chegando na barra tem um mangue enorme que afunda até o peito além do rio que não tem como passar, por sorte encontrei 3 biólogos que estudavam os passarinhos maçaricos do local, e me deram uma carona até o outro lado. Ainda percorri toda a Praia de Requenguela até o final das casas pra achar um local pra dormir, armei a rede numa cabana de pescador, muito vento a noite e uma chuva rápida que me fez trocar a rede de lugar. Andei 21km. Sol nascendo em Tibau-RN: 19º DIA Parti com o céu um pouco nublado e com a praia ainda cheia de algas, que estavam se estendendo desde Quitéria. Ao final da praia se acabam as casas e tem início uma sequência de falésias. A primeira praia é pequena e deserta, a segunda tem alguns casarões, é a bela praia de Picos, a terceira é Peroba, praia cercada pelas falésias e a mais bela da região, com alguns casarões e casas de pescador, depois vem a quarta praia, a Redonda, um pouco mais extensa e mais simples, com alguns restaurantes e chalés ao longo da orla. Descansei ali o resto da manhã, almocei um belo peixe e fiquei mergulhando na Barraca da Boneca. Parti a tarde na maré alta mas parei na sombra da falésia ao fim da praia pra descansar mais. Aqui as dunas e falésias alternam cores brancas e avermelhadas, a praia seguinte é bem pequena e ao final dela não há saída, tive que continuar por cima do morro, valeu a pena a subida pois a paisagem vista de lá é única. Mais a frente tem uma descida por uma duna gigante e muito íngreme que dá acesso a Ponta Grossa, que é uma praia bem reservada com alguns chalés. Uns metros adiante é preciso cruzar um mangue grande com um cheiro terrivelmente podre com água até a coxa, basta ir margeando as ondas que logo chega na praia seguinte. Parei logo numa cabana de pescador e armei minha rede por ali mesmo um pouco antes de Retiro Grande. Foram 17km andados. Peroba-CE ? Picos-CE ? não lembro... : 20º DIA Parti cedo, 1km a frente termina a praia, Retiro Grande fica acima das falésias. A praia seguinte é um cenário do paraíso, praia bem curvada, com apenas uma mansão, um belo mar e falésias a perder de vista. Uma manhã bem ensolarada porém com um vento fresco e areia boa pra caminhar. Uns kms a frente tem um pequeno lugarejo de pescador, depois vem Fontainha, também bem pequena com casas de pescador e algumas de veraneio, passei direto por ela. Às vezes eu me esquecia em que dia da semana estava, mas bastava ver o transito irresponsável e intenso de buggys e hilux que já entendia que era domingo. As falésias vão deixando o vermelho de lado e passam a ficar mais clarinhas e começam a surgir fontes de água doce, algumas delas infelizmente cheias de lixo. Chegando em Lagoa do Mato só tinha um restaurante na praia, acabei seguindo em frente só parei pra almoçar em Quixaba, que tava lotada, fui até o centro onde descansei e almocei uma “leve” panelada cearense (dobradinha). Só uns 30 minutos a frente fica Marjolândia, que estava igualmente lotada, andei mais e parei depois da praia numa cabana vazia, armei a rede, descansei o resto da tarde e fiquei ali mesmo pra dormir. Andei 21,5km. Partindo de Retiro Grande-CE: 21º DIA A tarde anterior teve um belo pôr do sol e o dia começou com um nascer do sol espetacular. Enquanto me arrumava para sair um pescador já chegou me oferecendo um burrinho (garrafa pequena) do elixir cearense, a famosa Ypioca, nem eram 6h e o cara já tava dando um talento na cachaça rsrs. Me despedi e segui a caminhada, bem perto dali tem um resort abandonado, meio cenário de filme de terror mas um bom local pra dormir. No fim dessa praia tem algumas pedras que marcam o início de Cano Quebrada. Com a praia ainda vazia, passei pelas falésias pintadas e subi a escadaria até o centro, providenciei meu café da manhã. O centro é todo turístico e voltado para o consumo, aquilo me deu arrepios e vazei o quanto antes. Não sei porque mas tinha nas minhas anotações que deveria contornar de Canoa Quebrada até Parajuru, talvez devido alguns rios e barras que teria pela frente, analisando hoje acho que me precipitei e acabei deixando de conhecer uns 25km do paraíso, enfim, fica pra uma próxima. Peguei uma típica Topic até Aracati por 3$ e depois outra de 6,50$ até Parajuru. Em plena segunda feira encontrei um mar azul com uma praia belíssima e vazia, que não deixa e desejar em nada a nenhum dos litorais famosos do nordeste, local ainda desconhecido do turismo da moda, que espero que continue assim, isso acabou me dando a impressão de que ali era um dos grandes achados da viagem. Parei em uma barraca onde fiquei o resto da manhã descansando na rede, e mergulhando nas piscinas formadas na maré baixa. Almocei uma carne de sol com um bom suco por 15$ e continuei a descansar. Parti umas 15h com a maré já subindo mas com areia ainda boa pra caminhar, o dia inteiro sem nenhuma nuvem no céu. Quando voltei a andar foi preciso desviar de duas casas onde as ondas já batiam nos muros, na praia seguinte tem diversas barracas de palha vazias pra dormir, muitas construções destruídas pela maré, muito lixo e um parque eólico que se estende pela praia sem fim, uns 6km tem umas barracas de pescadores vazias onde dormi, teve mais um belo pôr do sol e tive uma boa noite de sono. Me desloquei 53km sendo 40km de transporte e 13km andando. Parajuru-CE: 22º DIA Levantei cedo e parti enquanto chegavam os primeiros pescadores preparavam o material pra entrar no mar. A Prainha do Canto Verde é uma vila pesqueira bem pequena, passei direto por ela, a praia continua numa reta longa, com mar agitado e presença de lixo na areia. 8km a frente tem a Lagoa do Pequiri, com águas claras e barracas com rede na água, era terça e o lugar tava vazio, parei pra mergulhar e dar uma boa descansada. Logo 1km a frente se acaba a praia e começa outra com belas falésias brancas que vão até Barra do Sucatinga, lugar bonito demais, onde se formam piscinas na maré baixa, mas o lugar é mais conhecido mesmo por ter sido cenário das gravações da primeira versão do programa “No Limite”. Almocei peixe na barraca do Belarmino por 15$ e descansei enquanto já avistava no horizonte a Praia de Uruaú. A tarde antes de partir ainda roubei 4 cocos pelos quintais, a maré ainda não estava totalmente alta mas a areia já estava ruim pra caminhar. Em Uruaú só tem casarão e hotel, sequer tem barco de pescador por perto, passei direto, ao fim das casas tem uma lagoa que serve de parada para os passeios turísticos, lotada de farofa também passei direto. Ao final da praia começam as falésias e as bicas de água doce, em uma delas parei pra banhar e uma onda molhou a mochila e deu um banho na minha máquina fotográfica que quase me deixou na mão o resto da viagem. Parei na Praia do Diogo, na barraca Dodô do Mar, não demorou 15 minutos e o dono me chegou com 4 pastéis e uma garrafa de água geladinha, mostrando o quão gente fina é o cearense. Comprei uma cocacola e dormi na rede ali mesmo. Andei 22km. Sentido Morro Branco-CE: 23º DIA Parti cedinho, os mosquitos me perturbaram a noite mas deu pra dormir. Maré baixando, caminhada bem fácil e com uma brisa agradável, ao final da primeira praia foi preciso contornar umas casas devido as ondas. Mais a frente surgem várias bicas de água doce pelas falésias, em um momento é preciso ir andando bem devagar entre pedras que surgem na areia, depois dessas pedras já é o centro de Morro Branco, daqui até Barra Nova só tem casarão de luxo, muitas delas até vazias. Barra Nova é bem bonito, atravessei a extensa barra do Rio Choró sem problemas e descansei até o almoço, comi um farto PF de peixe e fui pra uma barraca as margens do rio pra descansar, não demorou muito e já encostou um pescador e o salva vidas local pra bater papo, aprendi mais sobre a relação lua x maré, e sobre kitesurf. Saí com a maré subindo e sol castigando, ao fim da praia tem a barra do Rio Malcozinhado, aqui já é a famosa Águas Belas do Ceará, rio e praias lotadas de banhista e kitesurf. Fiquei do outro lado e logo surgiu uma balsa que me atravessou de graça, o lugar é bem pequeno. Tomei uma ducha numa barraca e lanchei no centro a noite, voltei até as barracas onde armei minha rede as margens do rio. Andei 20km. Águas Belas-CE: 24º DIA Levantei cedo com o céu totalmente nublado e parti com a maré já baixando. Apenas 3km de Águas Belas já vem o centro de Caponga, com sua orla totalmente tomada por jangadas e pescadores. Depois de dar uma reforçada no café da manhã segui com um leve chuvisco caindo, é preciso contornar algumas casas parcialmente destruídas pelas ondas até sair numa praia que segue reto. Areia durinha clima fresco, logo vem a Praia do Balbino com alguns barcos, restaurantes fechados e poucas casas, a praia aqui tem algumas pedras que parecem lama, troncos e raízes pela areia, como se ali fosse um antigo mangue que vai até Batoque, a praia seguinte com cenário semelhante a anterior. Depois vem mais uma reta extensa e bem deserta até chegar em Barro Preto, nesse trecho uma vegetação com alguns lagos seguem junto a praia, que estava com mar agitado desde Caponga. Depois das primeiras casas de Barro Preto surgem algumas pedras e uma belíssima praia, no final dela tem uma duna que marca o início de Iguape. A essa altura o sol já tinha saído um pouco tímido e o mar estava com cor impecável, almocei um PF por 10$, armei a rede pela orla e fiquei o resto do dia descansando, dormi numa varanda das inúmeras casas abandonadas pela orla, dormi muito mal, caí 3 vezes após a corda que amarrava a rede se arrebentar, e acabei armando a barraca, na madrugada choveu algumas vezes. Caminhei 19,5km. "Caponga do Peixe-CE": 25º DIA Parti logo no amanhecer ainda um pouco nublado mas antes de sair do centro já dei de cara com um manguezal intransponível desaguando na praia, voltei até o centro e peguei um ônibus até Fortaleza por 7,50$, de lá peguei outro até Caucaia por 3,20$ onde fiquei até o almoço, um delicioso PF com churrasco de 10$. Depois do almoço peguei mais um ônibus de 2,50$ que me levou até Cumbuco, a essa altura o sol já brilhava forte. A praia é lotada de turista, hotéis e restaurantes, olhando pra trás da pra ver boa parte de Fortaleza e a frente, no fim da praia, o enorme Terminal Marítimo de Pecém. As águas de cumbuco estavam com tons de marrons e verde mais ao fundo, ao longo da praia só tem um coqueiral meio ralo, e no fim dela uma lagoinha com algumas barracas vazias. Passei pelo terminal, onde um pescador pegava um peixão jogando rede de mão, segui pela areia fofa e grossa até a orla de Pecém, que tava lotada de jogos de futebol, não me agradei do local pra dormi e continuei seguindo em frente. Depois que passa o centro, vem um pequeno manguezal e após ele muitas pousadas e casarões, já estava quase escurecendo, minhas costas estavam moídas de dor quando achei o que parecia ser uma pousada parcialmente engolida pela areia, armei minha rede nela ao lado de uma sinuca, as tomadas estavam até funcionando só faltou um chuveiro rsrs. Percorri 93km sendo 82km de ônibus e 11km andando. Cumbuco-CE: 26º DIA Dormi muito bem, parti sem pressa depois de carregar meus eletrônicos, com maré ainda um pouco alta, algumas nuvens com sol e pouco vento. Um bicho do pé que surgiu no meu dedão já começava a incomodar mas não comprometia a caminhada. Esse primeiro trecho não tem nada, só areia sem fim e mais um parque eólico que vai até Taíba. Surgem os primeiros casarões, e algumas ondas medianas bem disputadas pelos surfistas, mesmo ainda sendo bem cedo. Após contornar algumas pedras vem a belíssima praia do centro, com água na cor do paraíso, no centro tem um comércio bem barato onde tomei mais um café da manhã, voltei a praia e armei minha rede na sombra de uma casa fechada, onde rolava uma discreta boca de fumo. Descansei até a hora do almoço, comi uma galinha ensopada por 10$ e voltei a praia. Depois do centro vem mais 2 praias, uma mais bela que a outra com pedras formando pequenas piscinas, resumindo, Taíba é perfeita, é um lugar barato, com praias lindas porém bem menos agitada que outros destinos, e torço pra que continue assim. A frequência das casas vão diminuindo até na Lagoa da Barra, que tem algumas barracas boas pra pernoite todas vazias, na lagoa mesmo só havia a galera do kitesurf. Alguns rios que tinham em minhas anotações estavam tão ralos que nem localizei, pelo caminho de vez em quando surge um coqueiral, depois vem 2 casas isoladas, mais umas barracas de pescador, algumas peças metálicas gigantes vindas do terminal encalhadas na praia e muito chão depois vem o Bar do Kite, são uns restaurantes isolados na praia onde é o point do kitesurf, que tava lotada de gringo, parei pra uns mergulhos e uma chuveirada, andei mais um pouco e parei pra dormir numas barracas de pescador, a noite os mesmos surgiram pra alimentar os gatos com peixe e como sempre, me deixaram muito a vontade pra descansar e ainda insistiram pra que eu aceitasse um pouco do pescado deles. Andei 24km. Taíba-CE: 27º DIA Choveu algumas vezes na madrugada e amanheceu meio nublado, fui embora e logo a frente vem um terminal da Petrobrás com alguns restaurantes. Depois do píer, vem uma praia linda onde as ondas batem direto do paredão das dunas, as praias seguintes são uma mais bela que a outra, água esverdeada/azulada impecável. Segue nesse ritmo até a Praia do Farol, no centro, onde tomei um café enquanto descansava e observava todo o percurso dali pra gente. 9h da manhã e o sol ainda brigava pra sair, já havia chovido 2 vezes, cada chuva com menos de 1 minuto de duração, as 10h o sol saiu pra valer. Passei a manhã mergulhando e pegando as mangas que caíam na areia, tomei umas duchas nas bicas de água doce e almocei um PF de 10$. A tarde segui meio contrariado, pois Paracuru é um lugar digno de se passar 1 semana de férias somente ali. Saindo do centro vem outra sequência de praias lindas que vão até a barra do Rio Curu, que apesar da maré baixa não secou completamente formando 3 rios menores para atravessar com água no estomago. 2km a frente no meio do deserto de areia tem uma barraquinha de pescador com rede armada e tudo, dei uma parada pra descansar e botar a máquina pra secar novamente no sol. Decidi que ia andar 1h e descansar 10 minutos sempre, isso funcionou e amenizou as dores nas costas. Continuei pela praia deserta apenas com alguns coqueiros velhos até o final da praia, achei outra barraca de pescador já com rede, um balanço e até uma mesa improvisada, pernoitei ali mesmo depois de andar 17km. Paracuru-CE: 28º DIA Dormi muito bem, e parti pra Lagoinha logo cedo, logo ao fim da praia vem umas pedras e surgem as primeiras casas, nas pedras eu pude ver o mesmo Suspiro da Baleia que não consegui ver em Tourinhos, trata-se da onda batendo por baixo das pedras que faz com que jorre água por um buraco, fazendo um barulho e esguicho bem parecido com da baleia, minha câmera tava dando problema e não consegui registrar. Lagoinha é bem bonita, com uma bela praia cheia de bicas de água doce e muito casarão, além de um hotel gigantesco sendo construído. Seguindo em frente só tem kms de praia deserta e coqueiral ralo, parei em um deles pra descanso e o destino tratou de colocar justo ali um ganho de pegar coco e arranquei 1 pra beber. A frente vem o Rio Trairi, que atravessei com água na coxa, do outro lado tem algumas barracas mas todas fechadas, depois vem um pequeno lugar chamado Canabrava, e volta o deserto, pelo caminho apenas os jegues (contei mais de 25) pastando livremente. Depois vem Guajirú, lotada de mansões, hotéis e muita construção, a maré baixa deixava a praia com centenas de metros. Guajirú é lugar de barão, com tudo caro, mas consegui um PF por 15$ na rua de trás. Descansei o resto da tarde na rede que armei num restaurante fechado, fiquei o olhando o mar azulado enquanto bebia 3 cocos roubados de um quintal. No fim da tarde segui pra Flecheiras que fica a menos de 20 minutos, por lá as mansões se multiplicam e surgem os playboys com seus quadricículos. Dormi no 2º andar de uma casa abandonada na orla. Andei 22km. Guajiru-CE ? : 29º DIA Acordei quase as 7h com o tempo bem nublado, fui até o centro tomar um café. Na orla ficam as mansões e hotéis, nas rua paralelas vem as casas mais simples, comi na praça do centro junto com umas mangas que achei pelo caminho. O resto da manhã foi só chuva com raios, fiquei passando o tempo junto com o pessoal que aluga quadricículo na praia. Na hora de almoçar, tem que cruzar a rodovia, pois lá tem um centrinho onde turista não frequente, tudo com preço justo, comi um PF de 10$ mas um cara do quadricículo, o Rubens, fez questão de pagar meu almoço. Voltamos pra praia e fiquei no aguardo do sol pra poder dar uns mergulhos, como ele não saiu completamente fui assim mesmo, dei uma mergulhada nas piscinas naturais de Flecheiras e parti depois das 16h. Flecheiras vem ganhando fama de paraíso (e realmente é), e aumentando consideravelmente o turismo por lá, aos poucos vai deixando de ser uma vila pesqueira pra se tornar mais um destino da moda. Parti na maré baixa e com clima fresco, caminhada sem dificuldade até Emboaca, que é bem pequena, segui adiante sempre com a estrada paralela a praia, ambas vazias, apenas os jegues e eu. Vendo que não tinha nenhum lugar legal pra dormir embiquei pra dentro das dunas pra ver e avistei uma casa de longe que aprecia abandonada próximo a um coqueiral no meio das belas dunas e de um parque eólico, estava longe mas fui até lá e não deu outra, estava vazia e armei minha rede dentro dela. Dormi muito bem depois de andar apenas 9km. Flecheiras-CE: 30º DIA 24.01.2018, meu aniversário de 31 anos. Acordei cedo, não achei nenhum coco e fui embora. Praia boa pra caminha tempo fresco e maré baixa e em torno de 1h já estava em Mundaú. Na praça ao lado da rio peguei 1 coco e depois fui pro outro lado da duna dar uns mergulhos, chupar mais manga e descansar o corpo que tava bem dolorido. Mundaú é lindo demais, tem umas dunas bem grandes e o rio tem uma água verde incrível. Fiquei nesse ritmo o resto da manhã toda, enquanto os turistas faziam os típicos passeios de buggy. Almocei no centro e voltei, atravessei o rio na balsa por 2$ e continuei a descansar do outro lado. Parti na maré baixa e com a praia deserta, pelo caminho um pescador me ofereceu uma carona mas recusei. Cheguei em Baleia, outro belo lugar repleto de piscinas naturais e bons lugares pra pernoitar, mas acabei indo pra uma cabana de pescador meia boca. Durante a madrugada choveu 2 vezes e me molhei todo, essa foi a pior noite de todas. Andei 16km. Mundaú-CE: 31º DIA Levantei logo cedo pra arrumar as coisas molhadas, enquanto os barqueiros chegavam pra pegar os materiais na barraca, como de costume todos me deixaram bem à vontade pra ficar o quanto quisesse. Deixei a bela Baleia pra trás e parti com a maré subindo e o céu bem nublado, caminhada razoável com o corpo muito dolorido, pelo caminho apenas algum pescador ou outro e muitas jangadas entrando no mar, moradores circulando de moto também era comum. Pouco tempo depois chega Apiques, que se resume a uma fileira de casas com um cemitério no final, bem no meio da praia, dei uma descansada rápida e segui até o próximo lugarejo, os Caetanos de Cima, colado nele vem os Caetanos de Baixo, ambos bem calmos e vazios sem nada de comércio, com muito coqueiro baixo, porém com os donos de vigia rsrs, acabou que pedi informação pra um morador e o mesmo me convidou pra almoçar na sua própria casa, não recusei, comi um dos melhores peixes de todos, pescado na noite anterior, insisti com ele e paguei 15$ pelo almoço. Passei o resto do dia na rede da bodega dele descansando e tentando secar a máquina que devido a umidade deu pane novamente. O sol só ameaçou sair umas 14h, parti umas 15h, achei um coco seco que fui comendo pelo caminho até que em algum trecho de praia deserta um cara passou de quadricículo me ofereceu carona e aceitei, fui até onde começa a primeira casa de Icaraí, onde tem umas armadilhas de peixe parecidas com um cercado de madeira, dormi num barraco abandonado ao lado de uma mansão, dormi logo cedo exausto. Andei uns 20km e fui uns 5km de carona. Fiquei sem máquina esse dia. Lua cheia nascendo do mar, km 0 BR-101-RN: 32º DIA Parti sem pressa e com o céu um pouco melhor que o dia anterior, mesmo sem sol o mar aqui é absurdamente bonito, muito verdinho e com muito recifes e algumas piscinas. No centro de Icaraí a praia é bem curvada com muitos coqueiros, pousadas e mansões, caminhada fácil até chegar uma sequência de pedras no final da praia onde tem mais um cemitério a beira mar, mais um pouco adiante já começa Moitas, lugar pequeno demais com quase nada na orla, fiquei numa barraca na praia botando a máquina no sol, descansando e dando uns mergulhos, almocei o melhor peixe de toda a viagem, um verdadeiro banquete por 15$, com direito a típica “cambica” cearense, prato típico de lá. Fiquei boa parte da tarde descansando e mergulhando no mar verdinho até partir por volta das 15h. Depois de uns 800m do centro é preciso entrar nas trilhas até sair no local da travessia, basta seguir a marca dos pneus na areia, pelo caminho ainda roubei 2 cocos de um restaurante vazio. Pra atravessar um dos braços do enorme Rio Aracatiaçu, tem que pagar 5$ que só leva até o outro lado, então é preciso atravessar um longo trecho na lama do manguezal até sair num estradinha e ir direto. Pelo caminho ainda pulei uma cerca pra pegar umas frutas, saldo: 3 cocos, 3 cajus e 2 mangas. Depois de passar por alguns postes eólicos é só pegar a direita na bifurcação que sai em Morro dos Patos, outro lugar minúsculo com uma vista paradisíaca. Segui beirando o lago até sair na praia sempre com a presença dos jegues, no meio da praia deserta surgem 3 barracas de pescador vazias, dormi em uma delas depois de andar 20km. Morro dos Patos-CE: 33º DIA Levantei como de costume umas 5:30 com tudo ainda nublado e um leve chuvisco. Rapidamente cheguei em Torrões, onde atravessei outro braço do Rio Aracatiaçu com 2 pescadores que estavam chegando do mar, daqui eu resolvi logo fazer mais um contorno da sequência de barras que vinha adiante e acabei pegando um carro tipo pau de arara até Itarema por 5$, depois outro por 8$ até Acaraú, andei até o fim da cidade e peguei uma van por 3$ até Cruz, almocei no mercado popular por 8$, depois de não conseguir nenhuma carona, voltei pra rodoviária pra descansar e pegar o único ônibus pra Aranaú por 2$, que só sairia as 22h. Ao longo do dia muita chuva forte, dia totalmente perdido. Chegando em Aranaú fui direto até a praia onde dormi num restaurante fechado, dormi pouco, porém bem. Percorri 44km de transporte e 5km a pé. Fiquei sem máquina esse dia. Carona de charrete em Grossos-RN: 34º DIA Levantei cedo, comi e parti com céu tampado de nuvem mas sem nenhuma chuva. A primeira parte da praia é um mangue seco seguido de um parque eólico desativado, pois a água do mar já está encostando neles. Pela praia só alguns pescadores, o mar nessa manhã estava uma verdadeira piscina, com muito curral pra pegar peixe, e as jangadas já começam a dar lugar aos primeiros barcos com motor. Quando se acabam os cataventos começam alguns coqueiros e pequenas dunas, a praia continua com uma faixa de areia extensa e sempre dá pra avistar porcos e jegues circulando, a esquerda mais distante vão surgindo algumas dunas maiores. Muito chão depois se chega em Barrinha, que só tinha algumas barracas vazias, mais um chão a frente vem Preá, na primeira barraca que passei tava repleta de turista, escondi a mochila dei uma disfarçada e fui lá dentro nas piscinas tomar uma ducha no chuveiro. Era um dia de domingo e a praia estava insuportável, acabei almoçando um PF por 15$ e fui descansar na guarita do Parque Nacional, fiquei por lá até a polícia me convidar pra sair, fiquei o resto da tarde batendo papo com Reginaldo, um viajante pernambucano que vive em Preá a alguns anos, tomei 3 cocos na casa onde ele toma conta e no fim da tarde me dirigi até uma barraca na praia onde dormi. O trânsito irresponsável e legalizado dos carros, a maioria turístico, dão nojo e me deixaram uma má impressão do lugar. A rota Preá x Jericoacoara pela praia tem trânsito constante de veículos de deixar qualquer cidade grande com inveja. Andei 23km. Preá-CE: 35º DIA Depois de comer alguma coisa parti rumo a Jijoca de Jericocoara, pra isso é preciso embicar pra dentro do parque e seguir toda vida pra sudoeste que fatalmente vai sair na Lagoa do Paraíso. Boa parte do Parque Nacional é enorme pasto com algum gado e jegues pastando, pequenas lagoas secas e o resto é duna, depois de passar pelo limite das dunas é só seguir por dentro da vegetação que sai na lagoa, depois é só ir beirando uns 6km até chegar no centro de Jijoca, pelo caminho os funcionários já começavam a passar vassoura retirando pequenas algas pra limpar a água pros visitantes mais fresquinhos. No final da lagoa chupei muita manga e me informei sobre algum camping, descobri o Camping do Tião, talvez o mais famoso ou mesmo o único, paguei 20$ pela diária e fui direto lavar minhas roupas. Almocei um peixe de 20$ farto porém caro pro meu bolso, armei barraca e passei o resto da tarde chupando mais manga, tomando banho e deitando nas redes da lagoa que estava deserta em plena segunda feira, a noite fiz um lanche no centro e dormi todo quebrado no chão duro da barraca. Andei 12km. Lagoa do Paraíso, Jijoca-CE: 36º DIA Saí bem sem pressa lá pelas 9:30 em direção a Vila de Jericocoara, diferente dos dias anteriores o sol saiu pra valer, quando cheguei na altura das dunas o calor já judiava demais. Pra fazer o caminho da volta, chegando nas dunas basta seguir pra noroeste em direção aos morros mais alaranjados, lá onde fica a Pedra Furada. Durante o percurso muito sobe e desce cansativo e várias paradas pra descanso, chegando na praia tem mais 1 km até a Pedra, que pra variar estava cheia de turista em fila pra tirar foto. Com a maré enchendo é preciso contornar os paredões por cima até chegar no centro, almocei por 18$ pensando que estava pagando pouco mas na rua paralela à principal tem vários restaurantes a 10$, fiquei triste como se tivesse perdido dinheiro. O resto da tarde foi só mergulho no mar e chuveirada nos hotéis rsrs. No fim da tarde segui em frente, turistas e moradores já começavam a caminhada pra Duna do Pôr do Sol, sendo que os moradores estavam voltando do trabalho e seguiam até o povoado de Mangue Seco. Logo depois da duna vem uma lagoa cheia de kitesurf, e a praia aqui é bem curta e naturalmente uma divisa entre a lagoa e o mar, um cara voltava do trabalho de buggy e me deu uma carona até a altura de Mangue Seco, fiquei ali mesmo numa barraca quase engolida pela areia, mas com mesas e cadeiras de plástico, o dono surgiu e já foi mandando eu passar a noite nela. Assisti um pôr do sol particular e espetacular ao mesmo tempo que já nascia uma imensa lua cheia. Andei um 18mk e peguei 3km de buggy. Jericoacoara-CE: 37º DIA Levantei as 5:30, e parti depois de comer. Pra bela, sol tímido e céu limpo, pequenas dunas pela praia e paralelo a ela corre sempre um mangue. Até Guriú foram uns 5km, atravessei de carona na balsa e segui. Guriú é muito pequena, as ruas são de areia e mal tem comércio. Segui pela orla que tem um daqueles projetos de cavalo marinho e muita barraca, todas praticamente dentro do manguezal. Quando acaba o mangue voltam as pequenas dunas, pelo caminho somente algumas pessoas catando marisco nas pedras. Praia enorme na maré baixa, mar verdinho e sol rasgando com nuvens de vez em quando passando pra fazer uma sombra e aliviar por uns instantes. Quando surgem os primeiros coqueiros, já é Tatajuba, um lugar bem pequeno que se resume a calmaria do paraíso, descoberto apenas pela galera do kitesurf e gringos. É preciso atravessar a barra que parece um mangue com água/lama no joelho pra chegar nas barracas, almocei na orla um PF bem farto de galinha por apenas 10$. O resto da tarde passei deitado na rede do restaurante sentindo o vento e assistindo o movimento das marés. Quando parti, o sol já rasgava e o mar não formava onda nos primeiros kms, a água só vai subindo gradativamente conforme a maré vai enchendo, depois surgem dunas e vegetação, aqui as ondas já quebram nas dunas e é preciso fazer uns contornos por fora. Acabei achando um coqueiral de altura mediana e peguei 6 cocos, do lado tinha um quartinho com porquinhos e umas lacraias, acabei optando por armar a rede nela a ter que dormir na barraca. Antes ainda teve mais um pôr do sol fantástico simultâneo com lua cheia. Andei 26km. Lua cheia nascendo nos coqueiros, sentido Camocim-CE: 38º DIA Parti umas 6h entupido de água de coco, maré baixando, tempo nublado e sem vento. Com as ondas ainda batendo nas árvores, é preciso fazer alguns contornos por dentro do mangue. Quando acaba a vegetação vem uma enorme reta de praia deserta até a barra do Rio Coreaú. A travessia de balsa custou 3$, aqui as embarcações maiores do tipo traineira já são mais comum. Fui pela calçada de Camocim até chegar no Farol do Trapíá, lá começa a praia com uma faixa de areia absurdamente grande. Caminhada boa com sol já dando as caras e aquele climão de deserto dando sensação de estar em outro planeta, somente raros catadores de marisco apareciam. Ao final da primeira praia, começa mais uma e a terceira é Maceió, lugar que se resume a uma rua com coqueiros, dunas, praia, somente 1 mercadinho e muito lote a venda. Cheguei por volta de 12h na merda de fome e sede e almocei um PF de peixe por 10$. Dei uma chuveirada e armei minha rede num restaurante vazio na praia pra descansar. Quando parti, a paisagem volta a ficar deserta, o sol fritava e a maré já começava a subir lentamente sem formar ondas, mais a frente vem um lugar minúsculo chamado Barrinha, somente umas 10 casas e três restaurantes. Aqui a maré sobre de um jeito que forma uma baita lagoa e até mesmo uma ilha. Depois de Barrinha volta o deserto de areia sem fim, sem chance nenhuma de achar um bom lugar pra dormir, acabei armando a barraca ao lado de uma moita e passei uma noite sem muito desconforto. Andei 29km. Sentido Praia de Maceió-CE: 39º DIA Parti umas 6:30, céu nublado com sol saindo aos poucos maré baixando e areia boa pra caminhar. Logo começa um parque eólico e depois vem umas casinhas de pescador, colado nelas vem Xavier, vila ainda menor que Barrinha com apenas 1 casa que vendia alguns suprimentos, nem pra da chamar de mercadinho rs. Kms depois vem a Barra dos Remédios, que tem o título de a “5º praia deserta mais bela do Brasil”, depois de tanto andar por praias vazias essa fama não faz sentido nenhum pra mim, mas ainda assim é um belo lugar. Atravessei de balsa por 5$, parei numa barraca do outro lado pra dar uma descansada e esperar passar uma chuva passageira. O bicho do pé que doía no meu dedo sumiu por conta própria. Desde Jericoacoara é bem nítida a percepção de estar andando de leste para oeste numa linha reta perfeita. Mais adiante vem o vilarejo Praia Nova, com poucas casas desalinhadas e quase engolidas pela areia, muitos moradores já se mudaram de lá, em breve essa vila vai sumir, uma pena pois deu pra perceber que aqui a simplicidade e paz reinam. Vivem da pesca, só vão pescar quando precisam, no tempo livre famílias inteiras brincam tranquilamente pela praia, com crianças pequenas correndo a centenas de metros dos pais, não há celulares nem muro separando as casas, coisas que foram comuns um dia mas que precisei andar até aqui pra lembrar que ainda existem. Muita areia depois vem umas cabanas de pescador, as nuvens faziam sombra mas quando o sol vinha descontava. Somente 12h cheguei em Curimãs, lugar pequeno e bonito, almocei um PF de 10$ na barraca da Neide, que fica bem ao lado de um rio represado que forma um piscinão de água doce. Descansei de tarde e segui com sol mais fraco, depois de muita areia e uma chuva fina, cheguei em 2 barracas isoladas no meio da praia, o céu ficou preto de chuva e esfriou um pouco, dormi aqui mesmo depois de andar 28km. Praia Nova-CE: 40º DIA Dormi muito bem e acordei com o tempo ainda fechado sem previsão de melhora, andei pouco mais de 2km e cheguei em Bitupitá, o último lugar do Ceará, daqui é preciso faz um contorno pra vencer o delta dos rios Timonha e Ubatuba. Peguei uma van por 7$ até Barroquinha, daqui só consegui um ônibus pra Parnaíba as 15h, por 12$, cheguei já escurecendo e como não havia mais transporte pra Luís Correia, acabei dormindo num pulgueiro lotado de ciganos em frente a rodoviária por 30$. Fiquei sem máquina esse dia. Tatajuba-CE: 41º DIA Depois de comer tudo que tinha direito no café grátis, segui pra Luís Correia de Topic por 3$. Foi um domingo de praia vazia e tempo totalmente fechado, com chuva a todo momento, pela praia rolava um futebol, uma roda de capoeira, algumas excursões mas pouca gente mesmo dentro d’água, a orla é repleta de quiosques padronizados (preços baratos pra uma orla), casarões pra alugar e hotéis, a maioria vazio, porém é uma orla meio largada onde o lixo ainda tem presença forte, até garrafas de champanhe da virada do ano ainda tinham na areia. Depois de ir até a barra do Rio Parnaíba e ver que não ia conseguir barco barato pra atravessar, voltei até um restaurante vazio e passei o resto do domingo. Almocei um PF por 15$ e continuei na praia, dormi no restaurante da praia mesmo. Fiquei sem máquina esse dia. Em algum lugar sentido Morro dos Patos-CE: 42º DIA Acordei cedo e voltei pra Parnaíba, a ideia era pegar transporte até Pedra do Sal e talvez andar um pouco mais até a divisa do Maranhão, mas o tempo chuvoso dos 2 últimos dias me desanimaram e encerrei minha caminhada em 05.02.2018. Fiquei sem máquina esse dia. Pedra Furada-CE: Ainda continuei viajando, mas dessa vez me locomovendo de transporte. De Parnaíba parti até São Luís e de lá fui pra Santo Amaro do Maranhão onde passei o carnaval com a namorada, pra minha sorte foram todos os dias de muito sol e depois voltou a chover pra valer naquela região, tem sido um dos anos mais chuvosos e com lagoas cheias, o que não ocorreu nos anos anteriores. De São Luís peguei um trem de passageiros da Vale do Rio Doce e fui até o Pará visitar familiares, ainda voltaria ao Maranhão pra viajar mais uma semana mas tive que retornar ao RJ por motivos de força maior. A segunda caminhada foi tão boa quanto a primeira e menos sofrida, dessa vez eu fui ligeiramente mais equipado, com fogareiro a gás e barraca pra usar caso não tivesse lugar bom pra rede. Levei 2 cartuchos de gás e usei um + metade do outro, cozinhei minha janta uns 85% dos dias, sempre um miojo e depois que vomitei passei a usar mais arroz. Quanto a barraca continuo com a mesma impressão de que não combina com o calor da praia, mas foi útil quando precisei dela. Não tive bolhas dessa vez, comecei aumentando as distâncias andadas aos poucos e sempre parando pra descansar. Atravessei o litoral do nordeste no auge da zica e chicungunha em 2015 e passei pelo RN em plena crise da segurança pública e greve da polícia em 2018, mas nada disso me atrapalhou, essa parte do litoral brasileiro é linda demais, recomendo a quem tiver vontade de conhecer seja andando, de bike, ou qualquer outra coisa, que faça o quanto antes, pois as casas só aumentam e as praias diminuem. Boa caminhada a todos !
  2. A vontade de sair caminhando por lugares onde nunca andei sempre esteve presente, e foi no final de 2015 que vi a possibilidade de fazer algo novo. Muito influenciado pelos relatos do Divanei (Costa dos Coqueiros: http://www.mochileiros.com/post558641.html#p558641 ) e do Jorge Soto (Costa dos Coqueiros : http://www.mochileiros.com/de-arembepe-a-mangue-seco-se-a-pe-t11941.html e Costa do Descobrimento: http://www.mochileiros.com/de-porto-seguro-ate-prado-a-pe-t12168-15.html ), decidi andar por esses lados também, porém com um diferencial, recém desempregado, ainda recebendo auxílio desemprego e de férias da faculdade, eu tinha tudo que precisava: dinheiro e outra coisa que os dois não tiveram... TEMPO! Como meu próximo compromisso era somente com a faculdade em março, decidi sair andando pela costa até onde conseguisse. Comecei pelo litoral do Espírito Santo porque eu possuía uns pontos de cartão de crédito prestes a vencer e optei por trocar por uma passagem área. Como a quantia de pontos era insignificante, só havia disponível pra mim trechos curtos, exatamente como RJ-ES. 1º DIA No tão esperado dia 15 de dezembro de 2015, parti pro aeroporto e enquanto o ônibus se arrastava no meio de um engarrafamento, minha consciência torcia pra que eu não chegasse a tempo e voltasse pra casa. Mas nada disso se concretizou eu peguei o tal avião pra Vitória, de lá tomei um coletivo direto pra rodoviária da empresa Águia Branca. Minha ideia inicial era ir até Linhares e depois descer para o litoral, mas depois da cagada que aconteceu no Rio Doce, decidi iniciar a caminhada em São Mateus. Demorei umas 3 horas pra poder chegar ao meu destino e quando passei por Linhares pude ver a péssima aparência que se encontrava o rio. Chegando na rodoviária de São Mateus, imediatamente peguei uma condução que me levou até a praia de Guriri, lá comprei um pacotinho de biscoito e uma água gelada e já caminhei em direção à praia. Era um fim de tarde agradável, por volta das 17h e em pleno horário de verão, bastante gente caminhando e voltando da praia nessa hora, o lugar já respirava o clima de férias de final de ano. Seguindo pela orla em poucos minutos passei por um parque aquático aparentemente desativado e a partir daí as residências vão se acabando, cada vez menos famílias nas areais e eu já pensando onde poderia dormir. O mar estava com ondas pequenas, a areia íngreme e fofa, depois vinha uma restinga bem rala cortada por uma estrada de barro, que leva a alguns vilarejos. Eu ainda não fazia ideia de como identificar uma maré alta ou baixa e segui andando no final das ondas onde a areia era ligeiramente mais firme. Algumas pequenas estruturas feitas com umas palhas de coqueiro que eu não entendia muito bem o significado, apareciam pelo caminho e já me faziam pensar se dava pra aproveitar como um possível abrigo. O sol já se despedindo também já me obrigava a pensar em achar um lugar pra passar a noite. Eu sabia que o começo seria o mais difícil em relação a tudo, em especial a minha dormida, pois não havia levado barraca por considerar muito quente pra uma praia, levei uma rede de polyester e um tecido de nylon para fazer uma cobertura pra chuva. Quando avistei uma cabana improvisada com uma cobertura precária com placas de madeira e lonas, não tive dúvidas que iria dormir ali embaixo e tratei de me alojar rapidamente. O vento era constante, o que me fez desistir de improvisar uma janta com o fogareiro. Sem muita fome, comi os biscoitos que havia comprado em Guriri e deitei meio sem jeito na areia forrada com meu nylon até pegar no sono. Anoiteceu com um céu impecável e muito estrelado, mas lá no meio da madrugada caiu um sereno no meu rosto e eu tive que me posicionar melhor embaixo do meu barraco. 2º DIA Meio sem sono acordei logo na primeira clareada que o céu deu. Guardei o saco de dormir e meu nylon, nem me lembro o que comi, abandonei meu par de tênis que seria inútil dali pra frente, e segui rumo ao norte. Pra minha sorte, umas nuvens bem densas cobriram o sol por bastante tempo, quando ele surgiu apareceu rasgando. O cenário ainda era o mesmo com a maré ainda ruim pra caminhar. Andava algumas centenas de metros e subia até a pequena estrada de barro pra tentar visualizar alguma coisa, não via nada adiante então descia de volta pra areia, sempre margeando pelo final das ondas. A meta dessa manhã era chegar até Conceição da barra. Um tempo depois do início da caminhada, avistei um pescador deitado na sombra do seu barco esperando um colega chegar pra iniciar sua pescaria. Perguntei se faltava muito e ele disse que mais uns 30 minutos eu chegaria. Continuei andando e duvidando do cara, porque a praia se perdia no horizonte e não conseguia ver nada, porém o cara estava certo, com aproximadamente 30 minutos de caminhada me deparo com o enorme rio Cricaré e Conceição da Barra bem do na outra margem. Os barcos passavam próximos a outra margem e não me viam, fiquei esperando passar algum barco próximo a mim pra tentar a travessia. Uma cara passou por mim de quadricíclo e disse que esperasse, pois de vez em quando aparecia alguém. Achei a sombra de uma barraca e sentei pra esperar. Cansei de esperar e comecei a acenar pros barcos menores do outro lado, pra minha sorte umas mulheres me viram acenando e avisaram a dois barqueiros que vieram ao meu encontro e me atravessaram numa boa e assim atravessei o primeiro de dezenas de rios. Me apontaram onde era o centro quando perguntei as horas me espantei como era cedo. Tinha caminhado bastante e ainda não era nem 9h da manhã. Fiquei surpreso e me dirigi até uma padaria pra tomar um merecido café da manhã, depois de encher a barriga, fui até a orla e me deitei na sombra de um quiosque e descansei até a hora do almoço. Após comer caminhei um pouco pela areia e parei embaixo de um abrigo de salva vidas, descansei por ali durante a tarde enquanto esperava o sol fortíssimo ficar mais fraco. O mar ainda não era dos mais bonitos, com ondas fracas amarronzadas e mais ao fundo com uma cor ligeiramente esverdeada. Um ou outro casal na praia e um casal namorando em uma barraca abandonada sem fazer cerimônia rs. Por volta das 16h parti, dessa vez com a areia mais firme e sol mais brando. Em menos de 1h de caminhada cheguei na foz do Rio Itaúnas, aqui aprendi que esse encontro do rio com o mar chama-se 'barra'. Perguntei a dois banhistas se dava pra passar com mochila na cabeça e eles disseram que a uns minutos atrás dava sim, mas quando tentei não obtive sucesso. Fiquei sentado esperando algum barco passar e nada, os caras foram embora e fiquei sozinho, enquanto dava uma explorada no lugar, passou um barco e perdi minha carona. Resolvi ficar por ali mesmo, tomei um banho de rio, armei minha rede nas margens do mangue e cobri com o nylon que de cara eu vi não ficou como tinha imaginado. Fiz um miojo com o fogareiro e dormi numa boa, a maré subiu consideravelmente mas não me comprometeu. Na madrugada caiu novamente uma chuva leve, mas minha cobertura deu conta. 3º DIA Amanheceu um pouco nublado, enquanto recolhia minhas coisas passou um barco e perdi novamente a carona. Depois de comer fiquei na margem da barra aguardando alguém passar, pois com aquela maré ainda não dava pra atravessar. Não demorou e passou um barco com dois pescadores que estavam saindo pra recolher a rede no mar. Pedi e mais uma vez me atravessaram numa boa. Comecei a caminhada rumo Itaúnas e as bolhas nos pés já começavam a incomodar, a areia ainda íngreme e fofa também não ajudava. Com um tempo de caminhada o sol foi surgindo e agredindo, o mar ficava menos amarronzado com um ou outro barco passando. Pela praia ninguém aparecia e depois de longos 13km cheguei na praia de Itaúnas. Uns 800m antes das barracas há uma placa que indica o início da Trilha do Tamandaré, que leva direto pra o início do centro, como eu não sabia continuei até as barracas e exausto paguei 4$ por uma água de coco e dei uma descansada. Uma das únicas duas que paguei em toda a viagem. Pra chegar ao centro tive que subir e atravessar a imensa duna que acaba em uma estrada de barro que leva ao centro. Mais 1km de caminhada, onde pude chupar bastante caju, pra chegar bem no meio da praça onde deitei em um banco na sombra e tirei um cochilo até o almoço. Itaúnas é bem agradável e minúsculo, porém tudo muito caro. Depois de comer e catar umas mangas na praça, voltei pra praia e fiquei descansando na mesma barraca onde tomei o coco, aqui me desfiz de um monte de saco de lixo grande, que pretendia cobrir a mochila pra atravessar os rios, vi que não era viável e me livrei do peso. Por volta das 16h parti rumo a Bahia. A caminhada ia em um bom ritmo, mas as dores nos pés e as bolhas me incomodavam bastante. Pouco mais de 1h cheguei no Riacho Doce, a divisa do ES com a BA, o local estava totalmente vazio, com dois quiosques fechados e uma casa. Uma bela praia, um pequeno lago e o riacho, não muito cheios devido à seca, formavam o cenário da divisa. O lugar perfeito pra dormir, em um quiosque já tinham duas redes armadas e bastante lugar coberto caso precisasse armar a minha. Arranquei um coco de um coqueiro baixinho, mas sem faca sofri pra conseguir abrir. Um tempo depois apareceu umas pessoas na casa e fui até lá conversar. Me explicaram que a casa era um restaurante que não funciona mais e estava abandonada, apenas um pescador tomava conta e me deixaram a vontade pra usar o chuveiro. Aproveitei pra tomar um banho e dormi na rede do quiosque. 4º DIA Acordei e tomei café mas não saí de imediato, fiquei enrolando por ali até que chegou o proprietário do quiosque e conversamos bastante. Ele me explicou que sua barraca era do lado capixaba, mas ali era área do Parque Estadual de Itaúnas, por isso ele se mudou pra o lado da Bahia. Papo vai papo vem, ele disse que não estava abrindo ainda, apenas aos fins de semana, somente após o natal que ia abrir diariamente. Me despedi e saí bem tarde, umas 9h com o sol rasgando, porém a sensação de já estar na Bahia me dava disposição pra continuar. Pouco mais de 1km surge um paredão com algumas pedras a serem vencidas, mas as ondas do mar não chegavam a incomodar, após esse local vem uma praia deserta com uma única casa, e ao final da praia mais um paredão de obstáculo, dessa vez com ondas batendo, segui por uma trilha que contorna toda essa falésia e retorna a praia mais à frente. Mais uma imensa praia pra percorrer e no final mais uma falésia como obstáculo, por baixo não dava pra passar, tentei subir margeando mas em certo ponto o mato se fecha, retornei e entrei num hotel que parecia vazio e me informei com um funcionário, o mesmo me indicou uma trilha que contornava o paredão e retornava para praia. Agora começava a aparecer alguns moradores, pescadores e banhistas. Parei na sombra de uma pedra e abri um coco que peguei na trilha e abri com muita dificuldade com uma faca de cozinha cega que consegui na casa de Riacho Doce. Mais uma vez peguei um desvio, dessa vez saí em uma estradinha de barro bem comprida que me levou até Costa Dourada. A essa altura já era 12h e eu já caminhava mancando devido as bolhas. Almocei e descansei o resto da tarde pensando no que fazer em relação às minhas bolhas. Por 35$ acabei ficando na pousada da Tia Fina, onde jantei e estourei as bolhas. 5º DIA Acordei cedo tomei um café da manhã e fiquei numa sombra vendo o movimento. O céu sem nuvem e um sol violento formavam um sábado perfeito pros banhistas que não demoraram a chegar. Dei um mergulho no mar e senti a bolha ardendo um pouco, então continuei a descansar. Após o almoço esperei o sol baixar um pouco e decidi partir por volta das 15h com a maré baixa e ainda andando meio torto pra evitar contato da bolha no chão. Assim que sai praia da Costa Dourada começa um paredão de falésias e somem os banhistas, caminhei sem pressa naquele belo cenário e após cerca de 1,5km cheguei na Praia do Sossego, um lugar que faz jus ao nome, uma bela praia, um rio rasinho desaguando no mar e poucos banhistas descansando. Segui em frente, agora sem falésias e com uma extensa faixa de areia devido a maré baixa. Caminhei bastante e um bom tempo depois voltaram a aparecer banhistas, perguntei a um deles onde era a Praia do Gesuel e o mesmo me informou que ficava ali mesmo. O mangue corre paralelo a praia, atravessei com água na cintura e subi um barranco pra chegar até a única rua do lugar com casas e um bar. No bar da Preta chupei um picolé bem baratinho e programei uma janta com ela, resolvi ficar por ali e não forçar muito o pé. Como essa rua fica no alto, é possível ter uma vista privilegiada de toda e praia e do mar. Matei o tempo por ali até anoitecer e depois da janta fiquei esperando o bar fechar pra armar minha rede ali mesmo com a permissão dos donos, só me arrependi um pouco porque dois cachaceiros não estavam querendo sair do bar o que me fez esperar muito pra dormir. 6º DIA Acordei nos primeiros raios de sol, desarmei a rede e logo parti, atravessei o mangue de volta a praia e parei em um barco na areia pra tomar um café com direito a um mamão que ganhei do dono do bar e um coco que retirei de um coqueiro pequeno. No meio do café me dei conta que arrumei um baita corte na sola do pé. Mais uma bela manhã com ventos agradáveis e bem fortes, caminhei pela areia firme e cheias de urubus que ficavam disputando a carcaça das tartarugas marinhas mortas. Poucas horas de caminhada cheguei na barra do Rio Mucuri, e um pescador me indicou onde eu deveria ficar esperando o barqueiro que atravessava. Mofei por lá um tempo e quando dois pescadores estavam voltando pra margem, me pegaram pra atravessar, como era domingo o tal barqueiro devia ter tirado folga. O pescador pegou umas iscas com o neto e mandou que ele me acompanhasse até a Passarela Ecológica Gigica, onde eu atravessei e saí dentro de Mucuri. No centro comprei um carregador pro meu telefone, que eu havia esquecido em casa, e descansei em um banco na praça até a hora do almoço, após comer me dirigi a saída de Mucuri e fiquei descansando em um quiosque. Era um domingo ensolarado e a cidade e suas praias estavam lotadas. Tomei um banho de mar em seguida um de chuveiro com água doce e quando ia deixando o estabelecimento a dona percebeu que eu estava viajando e me fez um convite pra trabalhar em sua bar, já que a alta temporada estava começando, agradeci e expliquei que não podia aceitar e segui meu destino. A tarde foi uma caminhada longa e agradável, areia boa de caminhar, uma brisa constante e uma enorme torre a quilômetros de distância que eu segui acreditando sem algum povoado. Chegando próximo a um condomínio dei uma parada pra pegar uns cocos bem miúdos que estavam acessível graças as dunas e continuei. Com o sol já se despedindo, os quiosques vazios eram excelentes lugares pra dormir, mas continuei andando pra procurar um comércio achando que ali havia um povoado. No meio dos caminhos de areia, já meio escuro acabei chutando um espinho que entrou exatamente dentro da minha unha. Uma dor terrível que me fez mancar mais do que eu já estava. Achei umas barracas na praia da Costa do Atlântico e o dono me falou que ali não havia nada, nem comércio nem povoado, mas tinha um cara com restaurante e pousada na pista. Fui pra estrada a procura do local, no meio do caminho muito caju e bons lugares pra dormir. Mancando e com muito medo de desistir por causa do dedo ferrado, acabei jantando e dormindo nesse local por 40$. O dono muito bacana me contava que fez uma caminhada semelhante quando era jovem, saindo de Minas Gerais até o litoral baiano e com bem menos recursos. 7º DIA Muito aliviado pelo espinho não ter ficado dentro da unha e puto por ter gasto grana pra dormir, parti mancando logo cedo pra praia, pelo caminho lá mais caju! Mais um dia ensolarado e praia bonita. Foram mais de 10km pra se aproximar do centro de Nova Viçosa. Uma embarcação que acabava de chegar do mar deixou pra trás muitos peixes pequenos, isso gerou uma aglomeração, o pessoal selecionava os peixes que ainda podiam ser aproveitados e assim formava uma enorme xepa. Após Nova Viçosa existem muitos rios e mangues desaguando na praia, meu plano era contornar essa região e continuar a caminhada em Caravelas. Um pouco mais adiante entrei pra pista e segui andando com muita dor no pé até o cais pra tentar achar uma embarcação que me levasse até Caravelas, porém esse itinerário não é frequente e eu tive que fazer esse trajeto de ônibus. No ponto de ônibus da cidade comprei uma passagem com uma atendente muito ignorante e fui pra Teixeira de Freitas e de lá peguei outro pra Caravelas. Viagem longa, durante o percurso muita seca e queimadas por todos os lados, cheguei em Caravelas somente a noite. Andar de ônibus serviu pra dar uma aliviada nos pés. Em caravelas lanchei, tomei um banho na pequena rodoviária e consegui pegar o último coletivo que iria me deixar na praia da Barra de Caravelas. Exausto, só forrei a areia e deitei embaixo de um quiosque. 8º DIA Acordei num espetacular nascer do sol, arrumei as coisas, um rápido café e segui. Areia boa, mar calmo e algumas senhoras caminhando pra lá e pra cá fazendo sua ginástica matinal. Muitos coqueiros caídos no chão derrubados pelas ondas do mar. Depois de um tempo e com sede parei na casa de um pescador e pedi um pouco de água. A casa do cara repleta de enfeites naturalmente feitos com ossos de baleia, muitos ossos e todos enormes. Me dei conta que estava bem no coração da Costa das Baleias, infelizmente na hora de registrar, a bateria da máquina me deixou na mão. Voltei a caminhar, o sol já estava rasgando e a areia nem tão agradável assim. Cansado, parei em uma sombra pra descansar, com muito sacrifício consegui derrubar um coco e com mais sacrifício ainda abri-lo com uma faca de cortar pão. Um trator passou umas duas vezes e eu perdi uma possível carona, acabei caindo no sono pesado. Voltei pra caminhada e uns 3km antes de Alcobaça, surge uns bancos de areia que formam uma imensa lagoa, eu deveria ter caminhado pela parte externa da lagoa, beirando o mar, mas fui por dentro e encontrei muitos obstáculos como mata fechada e propriedades particulares. Pelos menos arrumei mais alguns cocos pulando umas cercas. Com certa dificuldade acabei chegando na margem do rio Itanhém, ou rio Alcobaça. Um bacana atracou com uma barco motorizado e sua família pra tomar um banho, quando perguntei como faria pra atravessar e tal, ele me informou que não sabia e que também não podia me levar pois o barco estava lotado... o barco só tinha algumas crianças e 2 adultos, enfim, continuei sentado esperando e veio um pescador de canoa, mal perguntei pra ele e já mandou eu subir e me atravessou na boa. Durante o percurso falou que o barco do cara tinha capacidade pra transportar um time de futebol inteiro dentro. Na orla de Alcobaça, tomei um banho em um quiosque, e fui pro centro comer alguma coisa, já era tarde e não tinha almoçado nada. Entrei em uma loja de eletrônicos de um tal Tostão e comprei mais um carregador. Fiquei por lá carregando minhas coisas e dando risada até anoitecer. Me dirigi ao final da cidade e próximo à Praça do Farol mandei ver um espetinho de carde com um molho delicioso e uma merecida cerveja. Forrei o chão duro de um quiosque e deitei em uma péssima noite de sono. 9º DIA Levantei cedo, tomei aquele café da manhã fajuto e comecei a andar. Já estava no final de Alcobaça e segui caminhando com incomodo pela estradinha paralela à praia, depois de uns minutos desci pra areia que estava bem íngreme e fofa. Cheguei numa pequena vila de pescadores acreditando ser meu local de parada mas não era. Nessa altura por volta de 7h da matina, o sol já castigava e surgiam umas algas na praia que formavam uma espécie de lama. Chegando em Guaratiba encostei logo na única barraca da praia, pedi um refrigerante e passei o restante da manhã descansando enquanto conversava com o garçom e um cara que tomava uma pinga misturada com cerveja. Depois de umas 2 chuvas passageiras, saí da praia pra procurar um local pra almoçar e vi que Guaratiba se tratava de enormes condomínios. Apesar da vizinhança, achei um bom lugar pra almoçar com preço em conta e enchi a barriga antes de voltar pra praia. Após um mergulho e de descansar a tarde inteira, eu já planejava dormir por ali, mas percebi a movimentação do dono da barraca insatisfeito com minha presença ali, então fui procurar um outro canto pra dormir. O sol já estava se escondendo e avistei uma barraca aos pedaços ao lado de um lago. Perto dali alguns pescadores puxavam rede e quando fui pegar informação eles me incentivaram a continuar andando pois era noite de lua e a maré já estava secando. Questionei se dava mesmo pois haviam 2 barras pra atravessar e me responderam que uma eu já havia atravessado e não percebi. Me senti confiante e toquei rumo a Prado. Rapidamente escureceu e fazia a caminhada mais apressada até o momento, porém a lua e as estrelas deixavam tudo absurdamente claro, cenário lindo e único. Cheguei na segunda barra pra atravessar, bem larga por sinal, e por inexperiência saí atravessando em linha reta. A medida que avançava ia afundando aos poucos nos bancos de areia, quanto mais perto do outro lado chegava mais fundo ia ficando. Perto da outra margem, com a mochila já na cabeça, água no pescoço, corrente forte e na escuridão total, me vi a um instante de largar a mochila e nadar pra não ser arrastado. Por muito pouco deu certo a travessia, e com calma do outro lado vi que poderia ter escolhido uma trajetória melhor pra atravessar ou esperado a maré baixar um pouco mais. Continuei pela praia mais um tempo e desviei de muitas árvores que estavam perto das ondas. Percebi que o dedo estava ardendo, quando passei a mão vi que tinha um baita corte embaixo do dedão, quanto azar! Pra minha surpresa acabei saindo em uma nova barra pra atravessar, e do lado que eu estava apenas uns galpões aparentemente abandonados. Fui entrando aos poucos e achei o segurança do local, que tomou um susto e me deu uma carona de barco até o cais no centro de Prado, no caminho me explicou que aquela barra não existia uns anos atrás, que hoje é impossível atravessar mesmo na maré baixa e que o local era um hotel que fechou. Cheguei todo fudido em Prado, procurei um canto pra lanchar e fui pra praia procurar um canto pra dormir. Pernoitei num quiosque na praia lotado de mosquitos, apenas forrei o chão e tive outra noite desconfortável. 10º DIA Acordei cedo e enquanto arrumava minhas coisas, uma família também acompanhava o espetáculo do nascer do sol. Tomei um café da manhã na padaria, passei a manhã procurando um camping, mas o único ativo da cidade ainda não estava funcionando. Como era noite de Natal, acabei passando o resto do dia em Prado pra poder ligar pra família a noite. Por 40$, dormi no Restaurante e Pousada D'Ajudinha. 11º DIA Parti de manhã mas nem tão cedo assim, a praia no centro de Prado totalmente cheia, afinal era o feriado de Natal e a cidade estava repleta de turistas. A caminhada começou com o sobe e desce das ondulações na areia, o sol a pino e um belo mar de águas clarinhas ao fundo. Até a praia do Farol surgiram grandes falésias pra embelezar o cenário e foi constante a presença de banhistas. As nuvens e o céu azul formaram uma bela imagem pra se apreciar, enquanto já chegava na praia da Paixão. Passei pela praia da Amendoeira, que se trata de um pequeno rio, onde a criançada pula do pontilhão e as famílias fazem aquela farofada. Chegando na praia dos corais, muita gente, muito movimento nas barracas e uma praia bem bacana recheada de pedras e corais. Não gostei da muvuca e segui andando entre o mar e as falésias, pelo caminho algumas nascentes caiam pelos paredões e eu aproveitava pra dar uma refrescada pois o sol castigava violentamente, a essa altura eu já estava com um bronzeado típico de pescador. Passei pela praia das Ostras, que era mais um rio com um pontilhão e algumas famílias, e continuei até passar por outro rio, dessa vez vazio e com uma escada que levava até o topo da falésia, aproveitei aqui pra comer pois a fome já estava apertando. Lá em cima das falésias foi possível perceber a grandeza e a beleza do mar e das praias dessa região. Depois de dar uma descansada segui rumo à Cumuruxatiba, alguns trechos com presença de uma areia bem mole e preta o que dificultou bastante minha vida. Nos últimos metros pra entrar no centro, estava repleto de pedras e a maré já estava batendo consideravelmente no paredão, o jeito foi botar a mochila na cabeça e deixar uma galera que estava a minha frente passar pra ver qual o melhor lugar pra se pisar. Não deu outra, me molhei todo mas consegui chegar, logo na entrada vi um camping e entrei pra ver, mas a grosseria do dono me espantou e acabei achando um outro bem no centro, ainda inativo mas, a dona me acolheu. A noite procurei um lugar pra comer mas tudo era destinado ao turismo, ou seja tudo bem carinho e cheio de frescura, acabei lanchando um sanduíche numa barraca que estava cheia de moradores locais, o pé latejava de dor. 12º DIA Depois de recolher umas mangas que caíram durante a noite, deixei o camping, me sentindo um otário por ter pago 25$ pra dormir numa rede num quintal. Até hoje me pergunto porque procurei um camping pra dormir, decidi que dali pra frente não poderia ficar me dando ao luxo de gastar grana com hospedagem. Deixei Cumuruxatiba por volta de umas 7 horas da matina, o sol já prometia castigar como nos dias anteriores, mas a maré estava ao meu favor e também corria uma boa brisa que refrescava. Logo na saída do centro é possível ver o velho píer destruído pelo mar, e bem distante o final da praia que eu ia ter que percorrer. Ao final dela surgem falésias e bastante corais, essa é a praia do Moreira. Mais uns 5km de caminhada agradável, cheguei no caríssimo restaurante Barra do Cahy. Pela distância percorrida e o tempo gasto cheguei a conclusão que eu estava caminhando a uma velocidade de 4km por hora. Armei minha rede na sombra e fiquei o restante da manhã descansando ali e batendo papo com a atendente do quiosque de sorvete, que me contou bastante da história do lugar e ainda me deu um panfleto com a tábua das marés. Sem condições de almoçar por ali, comprei uns espetinhos de queijo e comi com pão. Por volta de umas 15h, após ser alertado sobre a maré, saí rápido pra poder atravessar a famosa Barra do Cahy, local onde os portugueses pisaram pela primeira vez no Brasil. A caminhada a tarde estava foi bem mais puxada que de manhã, por causa da areia fofa eu caminhei descalço até uns 2km após o rio, a partir daqui a água já estava batendo no paredão da falésia então resolvi pular a cerca e caminhar por cima da falésia, valeu a pena pois a vista lá de cima estava deslumbrante. Pouco tempo depois uma cena inusitada, um avião estava pousando e uma família desembarcou, pensei que ia tomar uns gritos mas pra minha surpresa ignoraram totalmente minha presença ali e cada um de nós seguiu seu caminho. Acabei saindo numa espécie de hotel ou mansão, quando avistei uma empregada me fingi de perdido e voltei para a praia. A caminhada seguiu puxada e surgiram muitas espreguiçadeiras de hotéis chiques que antecediam Corumbau, cheguei lá com o sol já fraco, tomei uma chuveirada e combinei uma janta num restaurante. Corumbau é uma de vila bem pobre cercada de hotéis caros. A janta teve um preço bem salgado e me ensinou e nunca mais pedir alguma coisa sem antes perguntar o preço. A noite foi de lua cheia com céu bem bacana, dormi na rede do próprio restaurante. 13º DIA Acordei cedo e parti depois de improvisar alguma coisa pra comer, logo de cara é preciso atravessar o rio Corumbau mas tem barqueiro disponível pra isso. Do outro lado é preciso pagar a viagem aos indígenas que controlam essa travessia, pra mim custou 4$, então me dei conta de que desse lado tem algumas aldeias. Enquanto andava na areia avistei alguns indígenas transitando pela estradinha paralela à praia. Depois de muito chão e muito sol, cheguei em Caraíva, que estava com as areias lotadas de turistas. Entrei pra ver como era o lugar e andei por ruas estreitas lotadas de areia fofa e pousadas. Cheguei no que parecia ser o centro, onde tem um campo de futebol (de areia rs) e descansei numa sombra de árvore chupando umas mangas. Almocei por ali e andei até o local da travessia de barco pra cruzar o rio Caraíva. O local é movimentado e a travessia é curta e cara, 5$. Do outro lado é preciso subir uma ladeira por uma estrada de barro e entrar no primeiro beco a direita, ele acaba levando pra praia da Barra, daí basta ir margeando o rio que sai novamente na praia. Do lado de Caraíva, a praia estava totalmente lotada, e eu segui meu caminho pro lado oposto. Um tempo depois encontro um pessoal banhando de um lago, mas não entrei, um pouco mais a frente outro lago, dessa vez dei uma parada para um banho doce e refrescante. Depois do lago veio um trecho de areia preta estilo lama que dificultou um pouco as passadas e então o início da trilha para a Praia do Espelho. Essa trilha contorna por cima uma enorme falésia em que as ondas batiam diretamente nela, depois de uma caminhada pelo alto e eu sem água, avistei uma casa e me aproximei pra fingir pedir informação e descolar uma água geladinha. Uma menina que trabalhava na rede hoteleira da região me explicou tudo e me deu 2 copões de água geladinha, a mais prazerosa de toda a viagem. Prossegui pela trilha, dessa vez descendo e cheguei até a praia, passei por mais umas falésias dessa vez por cima das pedras e cheguei na Praia do Espelho. Mais um pouco de caminhada e cheguei em Caraípe. Lugar de bacana, praia totalmente cheia de turistas, barracas caras e hotéis de luxo de ponta a ponta. Tomei um banho de mar e fiquei por ali, armei minha rede embaixo de uma das barracas, jantei um miojo e abri 4 cocos. 14º DIA Dexei o local na primeira luz do sol enquanto passava pelos resorts e via as mesas de café da manhã começando a serem montadas, uma verdadeira tentação. Caiaques e pranchas de StandUp espalhadas pelos quintais, redes armadas e muitas espreguiçadeiras acolchoadas me faziam questionar se era viável dormir num local desses escondido. Algumas praias depois cheguei no Rio dos Frades, enquanto esperava uma carona de barco eu completava meu café da manhã com algumas mangas. Logo apareceu minha carona e atravessei o rio, a caminhada seguiu tranquila e agradável. Entra praia sai praia e o cenário é o mesmo, maré baixando, água bem calma, um ou outro pescador de barco e alguns hotéis a beira mar, num deles uma menina arrumando as espreguiçadeiras, a mesma que havia me dado água! Dei um bom dia, fiz aquela cara de surpresa e segui rindo sozinho. Todo o luxo visto até agora é multiplicado com a aproximação de Trancoso. Barracas e hotéis que pobre não entra e turista sem dinheiro só olha. Fui direto pro centro pegar uma grana no banco pois só estava com 30$. Subi a ladeira pra chegar até o centro onde tinha comércio destinada a pessoas normais e descansei até o almoço. Depois de comer passei pelo quadrado e dei uma admirada no visual antes de descer para a praia. O mar estava ótimo, fiquei descansando enquanto observava o tempo passar. Uma cena me chamou atenção, alguns moradores dali tentavam fumar uma maconha as margens do rio e ao lado de um restaurante que parecia mais uma boate, os seguranças puxaram pistolas e deram uma revista em todos já encostados na parede, enquanto dentro da boate, onde as garçonetes trabalhavam de biquíni, um trio fumava tranquilamente seu baseado numa mesa recheada de champanhe. Passei o resto da tarde por ali trocando ideia com o pessoal que vendia queijo e tapioca. Ao anoitecer dei mais uma volta no quadrado e jantei um espetinho com uma cerveja gelada lá no centro popular, pois no centro turístico os preços são surreais. Voltei pra praia e armei minha rede embaixo de um quiosque enquanto imaginava comigo: O turista vai passear em Trancoso, almoça no restaurante do paulista, se hospeda no hotel do carioca, faz um passeio com a agência do goiano, e assim o capital gira na mão do povo de Trancoso rsrs. 15º DIA A noite choveu um pouco e amanheceu meio nublado, abri uns cocos na praia com uma certa facilidade utilizando uma faca que tinha comprado em Prado e parti. Passando pela boate deu pra ver que uma rave havia acabado a pouco tempo, pois o pessoal que vendia queijo ainda estava andando por ali, no dia anterior eles me disseram que o melhor horário pra vender era no final das raves que aconteciam naquele bar. Um pouco a frente um casal que havia virado a noite na praia me acompanhou alguns metros até o hotel onde estavam hospedados, ficaram surpresos quando falei que estava indo pra Arraial D'Ajuda e me desejaram boa sorte no meu passeio. A maré estava um pouco alta e as ondas do mar fortes, em dois trechos com falésias tive que atravessar por cima das pedras. O cenário hoteleiro era parecido com o do dia anterior, era comum passar na frente dos hotéis com diversas espreguiçadeiras expostas na praia. Nas proximidades de Arraial já era comum ver um ou outro turista dando um corrida matinal pela areia. As centenas de bares na praia começando a abrir era um aviso de que eu havia chegado. Fui até o centro comprar mais um café da manhã no mercado, a essa altura minha aparência já não era das melhores e eu não estava nem um pouco preocupado, o segurança do mercado também notou meu visual e ficava na minha cola pra lá e pra cá. Saí do centro e peguei água direto da fonte Nossa Senhora D'Ajuda, e desci ladeira abaixo até a balsa. Como não havia muitos detalhes anotados, fui pego de surpresa tendo que andar 4km no asfalto. Depois de atravessar para Porto Seguro, chupei um picolé e dei uma cochilada no banco de praça na Av. do Descobrimento. Depois de uma descansada peguei um ônibus que me deixou em Coroa Vermelha que estava bem lotada. Depois de um almoço bem baratinho fui caminhando pela praia até a Ponta da Coroa, onde dei uns mergulhos no mar clarinho enquanto observava o banco de areia que dá nome ao lugar ir desaparecendo em câmera lenta. Fiquei no bar localizado bem na extremidade, que pertence ao Maurício, ele é filho de índio e tocava o bar sozinho com alguns colegas. Fiquei por ali contando e ouvindo histórias enquanto ele trazia como cortesia umas batatas fritas e cerveja. A noite fomos lanchar e ele me mostrou e contou bastante da história do local. Pra dormir armei a rede embaixo da cabana do Maurício, é assim que eles chamam os quiosques por lá, foi uma noite refrescante e de céu limpo. 16º DIA Levantei com o sol já todo exposto, me despedi do Maurício e parti. Até o final da praia de Coroa Vermelha a areia foi bem generosa, após um pequeno córrego a areia ficou fofa pra valer, a maré estava alta e as ondas bem fortes. Desde o começo é possível ver os 6km de praia que faltam pra chegar em Cabrália, uma caminhada pesada devido sol escaldante e falta de vento, resultado: muito suor. Chegando em Santa Cruz Cabrália, depois de comprar uns pães pro café, peguei a balsa que me atravessou até Santo André, peguei um carro alternativo que me deixou mais perto da praia e quando cheguei armei minha rede e fiz o que o cenário me mandava, descansei. Após o almoço, peguei uma água de gosto terrível no lugar onde comi e voltei pra rede. Lá pro meio da tarde deixei a praia, que estava razoavelmente cheia pra um dia de semana, afinal era final de ano. Após 3km de caminhada surge um recife bem comprido que segue por 1km, bastava seguir pela esquerda andando pela areia, mas meu extinto ruim acabou escolhendo ir por cima das pedras achando que a areia não levava a lugar nenhum. Depois de uns 25 minutos conseguir sair do recife e voltar pra areia. Nesse trecho da praia surge uma ou outra mansão e dá pra ver bem a Coroa Alta, um banco de areia no meio do mar que segundo Maurício nunca é coberto. No final da praia tem uma mansão/hotel abandonado e o largo rio Santo Antônio pra atravessar. Havia apenas um pescador sozinho com uma rede no local, enquanto conversava com ele, um barco vinha do mar em direção ao rio, era minha carona! Entrei no barco que estava com água no fundo e fui logo me sentando sem perceber que o celular estava no bolso, resultado: perdi o telefone. O pescador me levou até o povoado de Sto. Antônio onde fica uma enorme estátua do santo. A comunidade cresceu ao redor da rodovia e é bem pequena com pouco comércio. A estátua fica localizada em cima de um pequeno morro, de lá a vista da região é fabulosa. Antes de escurecer comprei uns pastéis pra jantar e parti pra praia, que fica 1km dali, no meio do caminho decidi armar a rede entre os coqueiros num local onde tinha uma casa abandonada. Foi um sufoco porque essa hora os maruins são implacáveis naquela região. Dormir em local descoberto tem suas vantagens quando é uma noite de céu limpo e estrelado, apesar das picadas dos mosquitos, valeu a pena. 17º DIA Acordei no horário de costume e segui para praia que estava em boas condições pra caminhar, maré baixa com uma enorme faixa de areia durinha, uma brisa pra refrescar, mar com ondas médias, água levemente mais escura e sol rachando. Praia bem deserta, depois de pouco tempo a areia já ficou mais fofa e ondulada, dificultando a caminhada, enquanto isso pelo caminho cruzei com um cara da CTE, que verificava os piquetes das tartarugas marinhas fincadas na areia. No meio do caminho consegui ver uns coqueiros baixos e fui logo pulando a cerca pra pegar, matei minha sede e ainda enchi uma garrafa com 9 cocos. Renovado com os cocos, passei pela foz do Rio Guaiú praticamente seco na maré baixa e segui caminhando, 5kms depois mais uma barra de rio, dessa vez deu pra passar com água na barriga, logo depois já apareceu alguns banhistas, era sinal que havia chegado em Mogiquiçaba. O pequeno centro fica a 500m da praia e pra minha sorte assim que cheguei dei de cara com um chafariz comunitário, onde tomei um banho e recolhi umas mangas. Passei o resto da manhã descansando e cochilando numa sombra da praça central. Depois do almoço voltei a descansar no mesmo local antes de prosseguir em direção ao Terminal Marítmo de Belmonte. A tarde a caminhada foi muito agradável, uma faixa de areia muito extensa e firme e um bom vento pra refrescar o sol escaldante. O terminal fica a 7km de Mogiquiçaba mas não tem nada lá além disso, segui em frente e passei por uma turma que tinha escolhido a praia pra passar a virada de ano, estavam travando uma verdadeira guerra com a ventania pra poder armar uma tenda entre os coqueiros. Um tempo depois acabei descobrindo o meu local de réveillon, uma casa ainda em construção e com água já encanada. Armei a rede na boa, e fiquei tomando um banho de mar naquela praia deserta. Antes de escurecer tomei uma chuveirada e preparei minha ceia que se resumia a um miojo. E foi assim que passei a virada do ano mais calma da minha vida, sem nenhum barulho de fogos de artifício, incomunicável e num lugar sensacional. 18º DIA Acordei nos primeiros claros de 2016, e segui bem animado numa extensa faixa de areia bem durinha e molhada, o que formava um gigante espelho d'água que refletia o céu. Encontrei o primeiro ser vivo do ano, uma minúscula tartaruga marinha que se arrastava lentamente em direção ao mar, dei uma ajudinha e a soltei bem perto da água. Um tempo depois encontro novamente o cara da CTE que tinha visto no dia anterior, verificando seus piquetes com os ovos das tartarugas. Uns quilômetros depois a areia passou a ficar fofa e íngreme porém mais a frente, voltou a ficar firme. Cheguei na praia de Belmonte que ainda se recuperava da ressaca da noite anterior, e fui pra o centro procurar o local onde pegar a balsa. No calçadão da praia tem uma imagem de um guaiamum gigante, caranguejo símbolo daquela região. São quase 3km em linha reta pra chegar no centro. Fiquei esperando o barco que ia pra Canavieiras enquanto chupava umas mangas e assistia a uma procissão marítima no enorme Rio Jequitinhonha. Partimos pra Canavieiras apenas o piloto do barco, uma passageira e eu. Era uma lancha que praticamente voava pelos enormes rios e mangues. A passagem custou 30$, um pouco cara mas compensa o pelo passeio e pela distância, foram 40 minutos pra percorrer uns 30km até Canavieiras. Durante a viagem passamos por uma enorme foz de um rio, o que me desanimou, pois em minhas anotações eu teria uns 60km com enormes rios pra atravessar e nenhum vestígio de vila ou moradias. Acabei mudando os planos e pegando um ônibus até Acuípe por 15$ e desci em Lençóis de Una, um lugarejo as margens da BA-001 paralelo à praia. Acessei a praia e continuei andando com o sol já fraco. Com ondas médias e águas mais claras parei pra um rápido mergulho em seguida uma chuveirada em um restaurante. Desse trecho até Ilhéus, as praias são bem movimentadas com algumas casas de veraneio, condomínios, bares e restaurantes. Havia bastante banhista pela praia e um vai e vem irresponsável de quadriciclos. Meu dedo anelar já começava a sentir uma pequena bolha que se formava, mesmo assim continuei até chegar em Águas de Olivença. Parei na cabana Amigos do Mar, de um índio chamado Xavier, tomei mais um banho de mar, uma cerveja de litro e uma janta, tudo num preço bem camarada. Dormi ali mesmo embaixo da cabana num numa noite de céu estrelado. 19º DIA Acordei um pouco antes do sol, abri 2 cocos, me despedi do Xavier e segui. Pouco tempo de caminhada, encontrei uma pia de um bar onde havia água, parei ali pra lavar umas roupas e fiquei descansando enquanto secavam. Enquanto isso chegou um casal, uma brasileira e um americano chamado Richard, que se reuniam com um grupo pra um mutirão contra o lixo, acabei pegando um saco pra ajudá-los quando partisse. Quando segui, foi fácil encher um saco de lixo, onde tem gente não falta. Cheguei no centro de Olivença e estranhei não encontrar uma padaria, acabei comendo umas rosquinhas e seguindo. Logo saindo do centro é preciso contornar uns hotéis por cima das pedras sem muita dificuldade, depois disso a areia voltou a ficar larga e o mar verdinho. Acabei encontrando uma cabana que me serviu um saboroso PF de arraia, depois fui descansar na praia. Depois de uma mergulhada e uma chuveirada continuei andando pela praia lotada. O sol castigava durante essa tarde e quando vi que o local já estava muito urbanizado e se estendia até o centro de Ilhéus, fui pra pista pegar um ônibus até o centro, de lá tomei outro até o bairro chamado São Miguel do outro lado de Ilhéus. Já no fim da tarde apenas, combinei uma janta em uma barraca e fiquei descansando. Esse local tem um certo movimento a noite, o que dificultou na hora de achar um canto pra armar a rede, continuei andando já no escuro até o final do perímetro urbano onde armei a rede entre 2 coqueiros. 20º DIA Acordei com o sol já um pouco alto, durante a noite pra minha sorte só caiu um ligeiro sereno que não comprometeu minha dormida. A caminhada foi bem agradável com maré baixa e céu nublado boa parte da manhã. Em menos de 1 hora de caminhada já alcancei o condomínio Mar e Sol, quase colado nesse vem outro chamado Joia do Atlântico, um pouco depois vem o Barramares e Verdemares, todos esses com algumas casas de veraneio, enfim o típico lugar de "barão". Depois da parte chique vem a parte do povão, Ponta do Tulha. Descansei em uma sombra até a hora do almoço vendo o vai e vem dos banhistas e o sol que já dava uma belo tom verde ao mar. A tarde o sol saiu de vez e o mar ficou com um verde incrível. A tarde, rapidamente cheguei em Mamoã, as praias tinham uma quantidade razoável de banhistas e eu acabei avistando a terceira mulher praticando um topless. Sentei embaixo de uma barraca de palha vazia pra dar uma descansada, seco de sede e com pouca água na mochila, como um milagre do destino, avistei ao meu lado um coqueiro baixinho com um cacho de coco verdinho. Abri os 6 ali na frente de todos, matando minha sede e matando alguns banhistas de inveja. Depois de uns mergulhos segui adiante e cruzei com uma galera voltando da Praia da Barrinha, parei novamente mais à frente pra descansar e já conseguia avistar uma serra uns 3km dali, esse trecho da praia estava lindo. Com os pés já exaustos, fui até um mercadinho comprar uns pães e voltei pra praia onde descansei até anoitecer. Jantei um miojão e armei a rede embaixo de uma barraca de lona. Enfim a chuva caiu com força, infelizmente na hora errada, em plena madrugada. Quando me dei conta que tinha uma goteira bem em cima de mim, já estava com a rede e o saco de dormir bem molhados, passei boa parte da madrugada retirando a água acumulada na lona e testando novas posições pra rede, uma noite de cão. 21º DIA Levantei antes do sol sair, porém já estava acordado, guardei as coisas ainda molhadas, comi e parti. Com vento e um pouco de chuva fina, cheguei no fim da praia me deparei com a Serra Grande, tentei contornar mas acabei desistindo e me dirigi até a pista pra pegar um ônibus pra Itacaré. Acabei não visitando as belas praias da Serra Grande de Itacaré por não saber se havia trilhas ligando uma praia a outra e sem saber disso eu gastaria muito tempo. Esse pedaço é digno de uma viajem exclusiva somente pra explorar essa região. Peguei um ônibus da empresa Rota e depois de muito parar cheguei na rodoviária de Itacaré, fiquei ali pelo centro andando e descansando pelo resto da manhã. Depois do almoço fui até o barqueiro que fazia a travessia do Rio das Contas por 5$. Do outro lado da praia tem um quiosque e a praia estava somente com alguns banhistas e surfistas, comecei a andar sobre uma areia fofa e embaixo de um céu nublado. No final dessa praia a areia ficou firme e surgiu um pequeno córrego que atravessei sem problemas. Colado nesse córrego tem início uma plantação quase infinita de coqueiros baixinhos. Abri e bebi muito coco e ainda enchi uma garrafa pra levar. Caminhada tranquila por belas praias completamente desertas até encontrar um bom lugar pra dormir. Uma casa abandonada com uma boa cobertura nos fundos, enquanto arrumava minhas coisas me dei conta de que tinha perdido minha faca. Escondi as coisas e acabei voltando cerca de 2km até onde eu achava que tinha perdido, não achei e voltei, acabei andando 4km de graça. Voltei até a casa onde tomei um banho de mar e jantei um miojo. A noite choveu bastante mas não me molhei, o desconforto ficou somente pelo saco e a rede um pouco úmidos, mosquitos, e a falta de vento, que era bloqueado pela casa. 22º DIA Acordei após uma noite recheada de maruins, me arrumei e segui. O tempo ainda um pouco nublado mas com areia firme, andei um bom tempo até surgirem os primeiros casarões e hotéis e mais alguns minutos cheguei na Praia de Algodões. Somente 3 barracas nessa praia, tomei um banho no mar cheio de recifes e depois uma chuveirada, depois rumei pra Saquaíra, pois me informaram que era um pouco maior. Quase 1 hora de caminhada cheguei em Saquaíra com sua orla toda destruída pelo mar. Enquanto me dirigia para o centro, ia chupando todos os cajus que achava. No centro descansei até o almoço, comprei uma faca que não cortava nem sabão e me abasteci de manga. Depois de almoçar, voltei pra praia e achei um bom lugar pra descançar, acabei armando a rede embaixo de uma barraca de palha e fiquei por ali descansando. A tarde as mansões e os hotéis começavam a surgir com mais frequência, com o mar um pouco agitado e areia durinha eu ia caminhando e contemplando o local. Era possível ver côcos do tamanho de melancias. Em Taipú de Fora as piscinas naturais são inacreditáveis, mesmo com o céu nublado a água se mantinha com uma cor belíssima. Na orla de Taipú só tem hotel e bar. Acabei encostando em um onde tomei banho, jantei e armei minha rede. Acabei sendo devorado pelos maruins pela terceira noite seguida. 23º DIA Acordei cedo com o céu todo nublado, chupei umas mangas e parti. Caminhada bem agradável com as belas piscinas naturais ao longo de quase todo trecho. Essa caminhada tem cerca de 8km e passa por várias praias com diversos hotéis e bares chiques até chegar no píer de Barra Grande. Consegui pagar um suposto preço de morador e peguei uma lancha até Camamu por 20$. Dé lá peguei um ônibus da empresa Cidade Sol para Bom Despacho por 33$, somente as 15h depois de parar muito consegui chegar em Itaparica e então pude pegar o Ferry Boat pra Salvador. Em Salvador aproveitei pra descansar e passei a noite na casa de uma prima. 24º DIA Depois de um café da manhã na padaria, me despedi de minha prima e peguei o coletivo até Arembepe. Fiquei toda a manhã descansando enquanto chupava uns geladinhos, observando o mar, que explodia suas ondas nas pedras enquanto a maré ia subindo e uma discreta boca de fumo que rolava no acesso à praia. Almocei num lugar que vende uma macaxeira sensacional acompanhado de suco de cupuaçu, tudo por um preço bem generoso e voltei pra praia pra outro descanso. Quando comecei a caminhar a areia estava bem fofa e o mar com ondas bem fortes, mas o que mais me chamou a atenção foram as construções que estavam sendo erguidas. Talvez 1 ou 2 anos antes, eu estive em Arembepe e não havia nada entre o centro e o Projeto Tamar, agora já existe marcações de condomínio e construções em andamento. 4km depois do centro cheguei no Emissário de Arembepe, o mar ainda com ondas fortes e muitas pessoas por lá admirando a vista e também pescando de vara. Mais 5km de praia com enormes coqueiros e ondas fortes cheguei na Barra do Jacuípe, com a maré ainda alta não pude atravessar mas consegui uma carona na lancha do pessoal que praticava KiteSurf. Já do outro lado experimentei uma pamonha de carimã, é saborosa mas não supera a de milho. Já no escuro desci até a praia pra achar um canto pra deitar mas um louco estranhou minha movimentação e quis crescer pra cima de mim me expulsando do local. A galera do artesanato me perguntou o que houve e após explicar me convidaram pra passar a noite ali com eles, armei minha rede na boa e dormi. Me disseram tanto que o que eu estava fazendo era perigoso, mas esse episódio foi o mais próximo de perigo que passei rsrs. 25º DIA Acordei com o sol enquanto o pessoal ainda dormia, guardei minhas coisas e me dirigi até a praia, lá comi alguma coisa e comecei a andar. A manhã quase toda foi nublada, o que facilitou a caminhada junto com a maré baixa. Na praia muitas pessoas caminhando e alguns pescadores de luxo, todo esse trecho de Jacuípe até Guarajuba é lotado de condomínio, o que deixa a caminhada meio sem graça. Ao chegar em Itacimirim me sentei num coqueiro e descansei, o sol já começava a sair e eu caí no sono. Na hora do almoço entrei pelas ruas de Itacimirim, que também é recheado de casarão, e achei um lugar pra comer um PF e reabastecer minha água. Continuei andando depois do almoço logo acabei parando na Barra do Rio Pojuca, com a maré já alta, armei minha rede e fiquei esperando a maré baixar novamente, a essa altura o sol já estava rasgando e o belo local repleto de banhista. Após ver o primeiro banhista atravessar andando, armei minhas coisas e parti. A partir daqui residências somem e o cenário volta a ficar bonito. Desde Itacimirim já era possível avistar a Praia do Forte no horizonte. Pouquíssimo tempo depois já surgem os primeiros hotéis, e a movimentação aumenta bastante, é a Praia do Forte. Fiquei pelo centro onde jantei e descansei, armei minha rede numa cobertura ao lado do Projeto Tamar e dormi. 26º DIA Acordei cedo mas não parti, esperei o comércio abrir pra tomar um café e aí sim, prosseguir. Ao partir pude ver as belas piscinas naturais com um mar verde clarinho ao fundo. Ao deixar a Praia do Forte pra trás o cenário voltou a ser como no sul da Bahia com belas praias desertas a se perder de vista. Perto de chegar em Imbassaí, o tempo virou e o céu ficou preto, consegui entrar em uma barraca pra me abrigar mas era tarde demais, já estava todo ensopado. Após passar a chuva entrei nas ruas de Imbassaí e até encontrei umas mangas e uns cajus pra chupar, almocei por lá e a tarde voltei a caminhar. Caminhada bem puxada na areia fofa, mas a ausência do sol ajudava. 5km depois, na Praia de Santo Antônio, a chuva ameaçou voltar e eu dei uma parada numa barraca pra esperar. Aqui é a porta de entrada para a Vila Diogo. Após a rápida chuva segui e após uns 2,5km passei pela famosa Praia de Sauípe. Após passar pelo luxuoso hotel repleto de gringo, a praia voltou a ficar deserta, porém mas um chuva rápida, dessa vez pesada, me fez parar em uma barraca de um condomínio e esperar. Tinha uma família tomando banho e um senhor conversava comigo a respeito do avanço das moradias nas praias da região. Ao passar a chuva segui adiante e a essa altura já entendia muito melhor como funcionava a maré. Chegando na Praia da Barra do Sauípe, esbarrei mais uma vez no rio cheio, enquanto esperava do outro lado sozinho, o salva vidas local veio me oferecer ajuda na travessia. Ele levou minha mochila no caiaque e eu fui remando em cima da prancha, acabei deixando 5$ pro refrigerante. Mais 2km de caminhada e cheguei em Porto do Sauípe. Fiquei por lá até anoitecer onde pude ver uma autêntica roda de capoeira baiana de sair faísca. Pra dormir, armei a rede em um quiosque fechado mas a noite foi ruim, quando não eram os bêbados curiosos era o vento forte que jogava a chuva em mim. Ao mudar a rede de local até choque levei. 27º DIA Esse dia amanheceu ainda nublado e minha garganta um pouco dolorida. Depois de comer segui viagem e não demorou muito para as casas sumirem de vez e dar lugar a praia deserta. De um lado o mar bem agitado, do outro uma sequência de enormes coqueiros e a frente uma praia com maré baixa a se perder de vista, pra completar o cenário, o sol resolveu dar as caras pra valer. Caminhava meio preocupado sobre como ia fazer pra cruzar a praia de nudismo mas pra minha sorte passei por lá ainda cedo, apenas umas 3 barracas de praia ainda botando as cadeiras pra fora. Até Massarandupió foram exaustos 10km de caminhada. Quase que colado na praia naturista tem umas barracas de praia destinada a banhistas tradicionais, e um pouco mais a frente rolava uma espécie de campeonato de pesca, cada equipe devidamente uniformizada com seus carrões invadindo a areia. Mais uns 6km pra frente cheguei na pequena Barra do Crumaí, onde os primeiros banhistas começavam a chegar. Daqui já conseguia ver o farol de Subaúma, e quanto mais andava mais via banhista vindo no sentido contrário sempre em seus quadricículos. Chegando em Subaúma era domingo, a praia estava lotada e eu exausto, até aqui são 20km desde Sauípe. Descansei em uma sombra até a hora do almoço, ao lado de uma barraca de pescadores que vendia peixe. Depois de comer voltei pro mesmo lugar e consegui uns baldes pra lavar roupa. Um pescador gostou de uma camisa minha e troquei por um facão. A tarde toda fiquei ali descansando enquanto ouvia as histórias de pescador deles e via as excursões que vinham de Alagoinha deixando a praia. No fim da tarde parti, logo 1km a frente tem 2 barras pra atravessar, a primeira passei sem problemas, na segunda, do Rio Subaúma, não consegui e fiquei esperando. Um grupo tentava atravessar no sentido contrário e pediram carona a um playboy de jetski. O cara atravessou apenas 1 pessoa e simplesmente deu as costas e foi embora enquanto o restante do grupo pedia ajuda. Como também não consegui carona acabei dormindo em uma casa abandonada que tem bem ao lado. 28º DIA Levantei com o sol e com uma bando de maruís devoradores, guardei logo tudo e fui tomar café na beira do rio. Enquanto esperava a maré baixar pensei em pegar um barco que estava atracado e levar a mochila mas no primeiro metro o barco começou a rodar e desisti na mesma hora. Passaram uns surfistas atravessando de prancha e logo depois veio um pescador que me levou até o outro lado. Caminhada parecida com a do dia anterior, muito coqueiro grande, maré baixa, alguns recifes e o surgimento das primeiras águas vivas do tipo arredondada e transparente, antes só tinha aparecido do tipo caravela. No caminho avistei um coqueiro que estava meio torto e consegui pegar 7 cocos. Durante o percurso passou um cara de cavalo, uma moto do Tamar e um ou outro quadriciclo. Ao chegar em Baixios vi o quanto o lugar era pequeno, descansei até a hora do almoço e em seguida parti pra atravessar logo a barra do Rio Inhambupe. Conseguir passar com a água no peito, fiquei dando uns mergulhos do outro lado e descansei na sombra de um coqueiro o resto da tarde. Com o sol mais fraco continuei, mas não conseguia ver nada muito adiante, subindo o morro de areia pra ver o que tinha do outro lado me deparei com coqueiros de todo tamanho e um imenso lago. Continuei pela praia e passei por uma cabana onde uma velha morava com uns cachorros e me indicou umas barracas de um hotel pra dormir mais a frente, não levei fé nela e acabei armando a rede no coqueiral mesmo. Esse trecho da caminhada tem umas marcações de quilometragem que podem servir pra orientação. Antes de dormir, ainda tomei um banho na lagoa, abri mais uns cocos e fiquei na rede olhando aviões que passavam pelo céu bem estrelado. 29º DIA Levantei no primeiro claro, tomei um café com direito a muita água de coco e voltei pra areia. A caminhada começou com a areia bem fofa mas aos poucos foi melhorando. Logo mais à frente encontrei as barracas que a velha mencionou, e era mesmo um bom lugar pra passar a noite, continuei pela praia que ainda contava com as marcações quilométricas e um lixo considerável, e então cheguei na Barra do Itariri. Do meu lado não havia ninguém e do outro as barracas ainda estavam arrumando suas cadeiras na areia. Ao entrar na água sem mochila pra verificar a maré, a forte correnteza me arrastou e só consegui parar ao me segurar nas pedras que pareciam umas navalhas, resultado: mãos todas raladas e uma unha quase arrebentada. Fui cochilar enquanto aguardava a maré baixar mais um pouco e me questionava se estava valendo a pena essa jornada. O rio baixou e atravessei, continuei descansando do outro lado enquanto a criançada nadava no rio, pareciam verdadeiros peixes, nadavam muito. A tarde continuei numa imensa reta que se perdia de vista, as marcações quilométricas continuaram até um armário fechado do Tamar. Cheguei em Sítio do Conde no finalzinho da tarde e tomei uma boa ducha na primeira barraca que achei. O lugar é bem agradável, com inúmeras pousadas, jantei e armei a rede nas barracas da praia depois de driblar os cachorros que guardavam o local. Pra completar meu dia de azar, meu chinelo arrebentou e nenhum mercado tinha o número 40. 30º DIA Deixei Sítio do Conde somente depois de comprar uns pães no mercado e procurar chinelo novamente, acabei não achando e parti descalço mesmo. Em pouco tempo de caminhada a areia já estava cozinhando de quente e fofa, de uma lado era areia e do outro pedras tão quentes quanto. Andei sempre procurando pisar na parte mais molhada das pedras e areia. Cheguei já na hora do almoço num lugarejo bem pequeno chamado Poças, consegui comprar um chinelo, almocei um pesado sarapatel e me abasteci de água. A tarde continuei caminhando, agora com areia mais firme e pés calçados. Cheguei em Siribinha onde as ondas traziam uma grande quantidade de algas, que pareciam até bagaço de cana de açúcar, mas passei direto até a barra que fica a menos de 3km de lá. As barracas estavam cheias de banhistas que já se arrumavam pra pegar os barcos de volta pra Siribinha. Enquanto tomava banho perguntei se uns pescadores podiam me levar ao outro lado e me aconselharam a dormir onde estava que me atravessariam 5h da manhã seguinte, foi o que fiz. 31º DIA Levantei ainda no escuro as 4:30, e logo os pescadores passaram como prometido. Eles me atravessaram pelo enorme Rio Itapicuru e tomei um café do outro lado ainda com o sol saindo. O mar ainda estava bem agitado e a água um pouco escurecida devido à proximidade com o rio, no céu algumas nuvens e tempo abafado mas a caminhada foi agradável. 8km depois chego em Costa Azul, um lugar muito pequeno com poucas barracas na praia. Entrei pra reconhecer o lugar e não achei muita coisa, subi uma ladeira e acabei parando em um bar onde lavei umas roupas e tomei banho, lá de cima a vista fazia valer a pena subir a ladeira, um mar imenso que se confundia no horizonte com o azul do céu. Achei um lugar pra almoçar e depois armei a rede pra dar um descanso. Continuei a tarde por volta de 14:30, um tempo de caminhada depois passei por uma espécie de hotel desativado, onde consegui pegar muito coco. Daqui já era possível avistar o final da praia onde se localizava Mangue Seco, com umas 2h de caminhada tinham uma molecada no mar, que me disseram que ali ainda era Costa Azul e que mais pra frente eu encontraria barracas na praia. Continuei pela praia sem nenhum sinal de vida, apenas com as marcações do Tamar, que agora estavam com bandeirinhas amarradas. Com o sol já perto de sumir, achei um bom lugar pra pernoitar, uma estrutura em ruínas que parecia ser uma casa mas resolvi seguir adiante onde um pescador puxava uma rede pra me informar sobre as tais barracas. Ele confirmou mas disse que eram em Coqueiros, lugar ainda bem distante dali. Continuei andando até escurecer, mas o claridade do céu era suficiente pra iluminar tudo. Muito chão depois achei uma barraca, não sei ao certo se era na altura de Coqueiros ou não, fui logo armando a rede e de tão cansado deitei sem sequer jantar, dormi com o céu absurdamente estrelado. 32º DIA Dormi bem na noite anterior e só levantei as 7h. Após comer parti pra finalmente acabar a caminhada dentro da Bahia. A partir daqui o cenário fica diferente, as dunas avançaram pra cima dos coqueiros e deixam os cocos ao alcance das mãos. Abasteci minha garrafa com coco e segui. Um pouco a frente já apareciam bugueiros indo trabalhar em Mangue Seco e um deles me ofereceu carona, apesar do cansaço recusei, sem chance chegar de carona na reta final. Chegando na praia onde ficam as barracas, entrei pra esquerda em direção a torre, seguindo nessa direção e sempre margeando a água cheguei na vila, onde turistas não paravam de chegar. Esperei um pouco e consegui um barco que atravessou a enorme foz do Rio Real e me levou pra Praia do Saco em Sergipe por 15$. Fiquei descansando até depois do almoço pra começar a andar em terras sergipanas. Ao entrar no início da praia o cenário muda um pouco, a praia fica imensamente ampla, com faixas de areia quase infinitas e bem durinhas. Olhar pra trás e ver que havia saído da Bahia dava um novo ânimo. Andando rumo ao norte logo se acabam as casas e fico andando sozinho na imensa praia, com pequenas dunas a esquerda, maré baixa, água um pouco amarronzada e sol rachando, apenas um quadriciclo passando hora ou outra. Ainda dei uma parada pra pegar uns cocos mas estavam todos azedos, continuei e não demorei muito até chegar em Abaís que está com sua orla parcialmente destruída devido à proximidade com a água. Fiquei vendo o final da tarde na praia, depois jantei com direito a uma cerveja gelada e armei minha rede numa barraca montada na praia. Noite de céu limpo e muito vento. 33º DIA Um pequeno chuvisco com o forte vento me fizeram levantar bem cedo, arrumei as coisas e parti depois de comer. Meu novo chinelo já começava a fazer novas bolhas. As casas de Abaís logo ficaram pra trás e o único movimento que havia na imensa praia eram uns passarinhos cinzas que aproveitavam pra caçar comida sempre que as ondas recuavam. No meio do caminho avistei uma casa abandonada onde parei pra beber uma água. Algumas horas depois chego em Caueiras, lugar com belas casas mas pouco comércio. 5km adiante eu teria uma imensa barra do Rio Vaza Barris pra atravessar e logo começaria um trecho muito urbano, então resolvi partir direto pra Aracaju. Depois de uma ducha no banheiro público do local, peguei uma van pra Itaporanga por 5$ e em seguida outra pra Aracaju por 3,20$. Almocei pelo centro e fui até a orla de Atalaia beber cerveja e tomar caldinho de sururu, tudo muito barato, depois retornei ao centro onde peguei um coletivo até Atalaia Nova. Desci na Praia da Costa. Tentei armar minha rede num coqueiral mas o vento fortíssimo não deixava, acabei indo deitar no comércio da praia e rapidamente os seguranças chegaram me questionando mas depois de conversar me deixaram bem à vontade. No meio da noite surgiu uma água não sei de onde e molhou todo meu saco de dormir... péssima noite. 34º DIA Levantei antes do sol, arrumei tudo, comi, tomei uma chuveirada e parti logo as 5:30. Ainda quase no escuro era possível ver a iluminada Aracaju pra trás e algumas plataformas no mar a frente. Menos de 2km tem um enorme hotel e ao lado dele uma turma já jogava uma animada pelada, não demorou muito e começou o transito de carros 4x4 e comuns, que andavam bem devido a maré baixa e areia durinha. Um pouquinho mais à frente começa um enorme coqueiral com coqueiros baixinhos, dei uma pulada na cerca e abasteci minha garrafa. O mar um pouco amarronzado, maré baixa com areia dura, coqueiral sem fim, enorme faixa de areia e um sol razoável, esse era o cenário. Passei por um torneio de pescaria, era aqui que todos os carros estavam vindo mais cedo, ao passá-los a praia volta a ficar deserta somente com o Terminal Marítmo mais a frente. Chegando próximo ao terminal, algumas poucas casas onde um cara domava um cavalo. Embaixo do acesso ao terminal, várias famílias aproveitavam sua sombra e armavam ali sua farofa. Logo após o terminal vem a Praia de Jatobá, que tem uma fileira de casas, alguns mercadinhos e muitos cataventos de energia eólica. Parei em uma das barracas pra descansar enquanto botava meu saco de dormir pra secar. Parti a tarde com o sol já queimando pra valer, depois que acabam as casas volta a paisagem deserta, de um lado o mar ainda um pouco escuro, do outro uma enorme cerca com alguns coqueiros e mais adiante dunas medianas tomadas pela vegetação. Desde a Praia da Costa há troncos de coqueiros como marcos quilométricos, embora esteja faltando alguns as medidas parecem estar precisas. Pra chegar em Pirambú ainda é preciso atravessar a barra do Rio Japaratuba, que estava apenas batendo no joelho, Pirambú é um lugar simpático, e estava com praias cheias e comércio fechado pois era domingo. Armei minha rede embaixo da barraca Pirambeleza, indicado pelo próprio garçom do lugar, apaguei logo cedo mas acabei acordando com as goteiras durante uma chuva, acabei migrando pro outro canto e tive mais uma péssima noite de sono. 35º DIA Levantei logos nos primeiros claros, comi e tomei uma boa ducha enquanto as primeiras pessoas já começavam a se exercitar pela areia. Ainda voltei ao centro pra tomar um segundo café enquanto esperava uma chuva forte passar, acabei ficando até a hora do almoço e partindo em seguida. O sol não me atrapalhava mas o tempo estava bem abafado sem brisa alguma. Com a areia ainda em boas condições e sem o incômodo das bolhas, andei bem pra compensar a manhã parada. A partir de Pirambú as marcações do Tamar, ainda em troncos de coqueiro, seguem em ordem crescente. Por não ter vento o mar estava bem calmo, com ondas bem suaves e pequenas, a esquerda muita vegetação rasteira sobre pequenas dunas, mais pra dentro dunas maiores com vegetação também maior e ainda adiante um morro acompanhava a praia até a altura de Lagoa Redonda. No caminho apenas alguns pescadores puxando rede, no km 11 tem início um pequeno córrego a esquerda e no km 12 uma pequena cabana do ICMBio com um coqueiral desordenado ao fundo, que é na verdade o acesso à Lagoa Redonda. Armei a rede pra secar enquanto dei uma descansada. Fui conhecer Lagoa Redonda, passando 700m pelo coqueiral tem o córrego com inúmeros quiosques fechados, do outro lado do córrego uma fábrica da Petrobras e em seguida Lagoa Redonda que se resume a uma única rua. Combinei uma janta no que pareceu ser o único restaurante do lugar e desci pra ver as lagoas do lugar. São pequenas lagoas formadas pelo córrego aos pés de belas dunas alaranjadas. Já perto do fim do dia armei a rede em um dos quiosques repletos de mosquitos e subi pra jantar. A noite foi um pouco complicado pois não havia vento e os mosquitos estavam pegando. 36º DIA Levantei logo as 4h da madruga, e parti cedo, chegando na praia voltei sem mochila pra buscar a porra do facão que havia esquecido. Da praia ainda é possível avistar muito longe o Terminal e os cataventos da Praia de Jatobá e pra frente uma imensidão de areia e o mar com uma plataforma solitária muito distante. O sol apareceu como de costume por volta das 5:10 num céu bastante limpo. O mar parecia uma lagoa com pouquíssimas ondas e sem ventania. Esse era o dia que eu mais temia em toda a caminhada porque as imagens do GEarth estavam defasadas e não tinha certeza de onde seria meu próximo ponto de patada. Às 9:00 eu já conseguia avistar uma torre que indicava um povoado, minhas anotações de distâncias estavam precisas mas os nomes das localidades nesse trecho estavam bem equivocadas. Em alguns momentos é possível ver o interiorzão sergipano a oeste e até mesmo as águas do Velho Chico. Chegando próximo a um coqueiral cercado parei pra descansar e arranquei quase todos os cocos da plantação e todos estavam sem água. Voltando a andar me deparei com uma barra pra atravessar e fui margeando até me informar com uns caras que trabalhavam numa obra perto, me falaram que ali se chamava Boca da Barra e que não ia passar ninguém de barco e que era melhor eu ir por dentro, e aí sairia em Ponta dos Mangues, foi o que fiz. No caminho muitas construções sendo erguidas e o cara me falou que tudo seria hotel futuramente. 4km de caminhada por uma estrada de chão bem arborizada repleta de mangueiras e coqueiros cheguei a Ponta dos Mangues e fui logo procurando um canto pra comer. Apenas 3 bares no local perguntei 2 vezes e informaram que não tinha lugar ali que servisse almoço. Acabei indo perguntar em outro bar, o da Marleide e ela me explicou que ali ninguém serve almoço, muito menos a gente desconhecida, então depois de uma conversa ela me intitulou "Viajante do Tempo" e me serviu um almoço gratuito. Passei parte da tarde ali descansando e ouvindo as histórias da velha que contou como o lugar surgiu a partir de 3 famílias e que vez ou outra também apareciam pessoas viajando de barco ou bicicleta, porém nunca a pé. Saí de lá abastecido de água, manga e chupando 2 geladinhos que custaram apenas 25 centavos cada. Seguindo a principal e pegando a direita saí numa espécie de porto, onde consegui uma carona para o outro lado do rio que na verdade acaba sendo uma ilha bem comprida, isolada pelo mar de um lado e o rio do outro. O mar agora estava bem diferente, bem agitado e com uma cor impecável, fui dar uns mergulhos e depois retornei pra o lado do rio onde tinham 2 cabanas desertas e até uma fonte de água adoce. Acabei ficando por ali, lavando umas roupas e tomando banho de rio. A noite jantei um miojão e dormi tranquilamente ali isolado. 37º DIA Acordei muito bem e parti depois de comer. Logo acompanhei um cara do Tamar até próximo a um lugar chamado Barra do Cabecinha, no caminho me explicou muito sobre o trabalho do Tamar e que os passarinhos que ficam na praia se chamam "Maçarico". A manhã estava nublada com sol agradável quando aparecia. 12km e 3h depois cheguei numa barra de rio que acaba sendo um braço do imenso São Francisco. O lugar tem algumas construções destruídas pelo tempo mas nenhuma pessoa por perto. Levei um tempo até descobrir uma rota pra atravessar o rio sem mochila e depois voltei pra buscá-la. Mais pra frente vem um trecho de mangue que foi engolido pela maré e hoje só ficaram as árvores secas. A chuva também acabou caindo e cobri a mochila com sacos de lixo e segui na chuva mesmo já que não tinha onde se abrigar, mas a chuva não dura nem 10 minutos. Fartura de caju nesse trecho até chegar numa Croa, onde era possível avistar um farol quase totalmente engolido pelo mar, aqui é o antigo povoado Cabeço que foi extinto pela maré. Daqui já dá pra avistar a bela foz do São Francisco, continuei margeando até a extremidade e ao chegar a decepção, só tem movimento do lado alagoano, do meu lado absolutamente ninguém. Voltei até umas poucas casas que sobrou do Cabeço e um pescador me levou ao outro lado na boa, ou mal intencionado esperando uma gorjeta sei lá. Acabei cruzando o imenso e belo Rio São Francisco numa pequena canoa, dei 5$ pra gasolina do cara. Do lado alagoano é onde os barcos chegam cheios de turistas de todo canto, aí tem os passeios de buggy, barracas de cocada e souvenirs. Acabei comendo um espetinho de robalo com farofa, que foi meu almoço, fui até uns coqueiros pra descansar, acabei subindo no coqueiro pra derrubar mais 2 cocos sem água. Cenário único aqui, apenas o local onde os turistas ficam, uns poucos coqueiros, e uma torre de telefonia, muita duna, o mar e umas lagoas, mas não tinha lugar pra comer nem pra dormir, decidi me mandar. Desde a travessia do rio que o sol já botava pra fuder, pra piorar a maré estava cheia e a areia ruim pra caminhar. No início da caminhada alguns pescadores puxando rede e rindo de mim quando disse que ia andar até Pontal do Peba, logo depois surge o climão de deserto. O sol fervia as dunas a esquerda enquanto eu ia pela parte molhada da areia desviando do lixo que o mar cuspia de volta pra terra firme. Eu havia me transformado numa máquina de caminhar, seguia sempre adiante exaustivamente a medida que já conseguia ver Pontal do Peba bem distante. Nos quilômetros finais cheguei na merda com as pernas e principalmente a solda dos pés realmente doloridos como ainda não havia sentido. Merecia um descanso e acabei pagando uma pousada por 50$ com direito até a café da manhã. Não consegui janta, comi um xtudo e fui pro quarto desabar. Nunca caminhei tanto em um único dia na minha vida, foram 40km de andança. 38º DIA Não consegui levantar muito tarde, mas fiquei deitado até a hora do café, comi como se fosse a última refeição da minha vida e parti. O cansaço do dia anterior não me deixou perceber como Pontal do Peba é bacana. Uma verdadeira vila de pescador lotada de pequenos barcos atracados no mar clarinho e cheio de piscinas naturais. A areia na altura do centro estava tão firme que até um ônibus circulava por lá sem dificuldade. A partir daqui começa a maior sequência de coqueiros de todos, com coqueiros de todos os tipos, também já dava pra avistar a entrada para Feliz Deserto, a exatos 7km a frente. A caminhada foi tranquila, tempo nublado, a maré baixa formava uma extensa faixa de areia e o mar parecia uma piscina de tão calmo, ao longo da caminhada aparecem diversos pequenos cursos d'agua pra atravessar sem dificuldade, que saem de um riacho paralelo a praia. Ainda mandei ver um coco do tipo amarelo antes de chegar no acesso a Feliz Deserto. O centro fica a quase 2km da praia, e ao chegar a chuva desabou de vez e tive que me abrigar até a hora do almoço. Voltei a andar a tarde embaixo de uma fina chuva. Ao longo dos coqueirais há várias barracas montadas que são excelentes pra uma dormida, aqui é onde o pessoal se junta pra descascar os cocos pra vende-los secos. A chuva desabou mas continuei dessa vez com uma capa de chuva e um saco protegendo a mochila que funcionaram muito bem. Após a primeira ponta no final da praia já dá pra avistar Miaí de Baixo, por onde passei direto e na ponta do final dessa praia já começam as casas de Miaí de Cima, onde descansei o resto do dia até o café da noite, é assim que chamam a janta por aqui, que na maioria das vezes é um cuscuz ou macaxeira acompanhada de café e algum tipo de carne. Alguns moradores desconfiados e curiosos ficavam me observando na praia. Ao anoitecer armei a rede numa barraca de pescador onde não batia vento e tinha muito mosquito, pra piorar algumas goteiras na hora da chuva, noite ruim. 39º DIA Fiquei de pé logo as 4:40h e parti logo após uma ducha e um café. Pela praia os pescadores já começavam a entrar no mar que parecia mais uma lagoa de tão calmo. Desde o centro é possível avistar Pontal do Coruripe ao final da praia. Caminhada fácil com a maré baixa e o tempo nublado, apenas o coqueiral e alguns cavalos soltos ao longo do caminho. Ao final da praia dá pra perceber Barreias, um outro vilarejo que estava escondido por trás do coqueiral e a Barra do Rio Coruripe que apesar da maré baixa não me deixou atravessar. Pra minha sorte uma jangada vinha chegando do mar e me atravessou. Do outro lado a chuva caiu pesada e novamente puxei a capa até chegar no centro de Coruripe. Aqui é mais uma vila pesqueira pequena e muito bonita, comprei um bolo de mandioca numa feira e fui até o farol dar uma descansada (leia-se cochilada) até o almoço. O mar dispensa comentários, cheio de piscinas naturais e uma cor verde clara espetacular apesar do tempo totalmente fechado. Depois de comer uma bela posta de peixe voltei a caminhar a tarde, pra acessar a praia tive que dar uma volta em um quarteirão pois as ondas já estavam batendo nos muros de umas pousadas/casas que duvido muito que irão resistir por muito tempo. A caminhada de uns 4km até Lagoa do Pau foi de dificuldade mediana pois a areia já não estava tão firme pra pisar. Ao passar por um pequeno córrego, já surgem os primeiros casarões de veraneio e pousadas. Com o tempo bastante abafado, fiquei descansando na praia enquanto bebia água de coco. A noite fui até o centro onde rolava uma festa do padroeiro da região, jantei e voltei a praia pra armar a rede em um quiosque. Aqui é tão calmo que as barracas sequer recolhem suas cadeiras e mesas ao fechar, tomei uma ducha e tive uma boa noite de sono. 40º DIA Parti depois de comer com o tempo nublado mas sem chuva. Ao deixar Lagoa do Pau enchi uma garrafinha de 500ml de coco, um pouco mais a frente voltei a encher mais 500ml, coqueiro aqui tem em abundância. Ao final da praia aparecem belíssimas piscinas naturais, ainda achei um chuveirão num local gramado e com bancos que pareciam ser de alguma propriedade bem chique, acabei indo tomar banho no mar que mais uma vez estava com uma cor impressionante apesar do tempo fechado. Mais umas praias a frente aparece a Barra do Poxim, que foi possível atravessar com água no joelho, mais 3km a frente se chega em Dunas de Marapé, mais uma barra pra atravessar sem dificuldades, descansei por ali e vi que se eu fosse almoçar no centro não conseguiria atravessar o Rio Jequiá de volta, pois a maré já estava subindo. O fato de estar chegando um ônibus turistas atrás do outro me ajudou a decidir sair dali logo. A partir daqui o mar começa a ficar mais agitado e surgem algumas pedras pela praia, com meia hora de caminhada também começam a surgir as falésias e logo dá pra avistar de longe Lagoa Azeda, meu local de parada. O sol deu as caras pra valer cheguei lá bem na hora do almoço. Lagoa Azeda é mais uma vila pesqueira que se resume a duas fileiras de casas que cresceram ao redor da única rua paralela à praia. Do lado do mar, praticamente todas as casas já estão com seus muros quase caindo devido as ondas. O lugar é tão pequeno que não tem onde comer, tive que correr até um mercadinho, que já estava fechando pro almoço e comprei uma sardinha pra comer com miojo. Almocei e descansei numa barraca de praia que estava sendo construída próximo ao acesso à rodovia. A tarde fui até um depósito e bebi umas cervejas cracudinhas bem baratas a 2,50$, conversando sobre o lugar o dono ria e me falava que se Lagoa Azeda fosse um corpo humano, certamente seria o cú, rs. A noite consegui lanchar um hambúrguer e armei a rede no mesmo lugar do almoço com os mosquitos me comendo. 41º DIA Domingo, 24 de janeiro de 2016, meu aniversário de 29 anos. Levantei cedo, comi e saí sem pressa, ainda em Lagoa Azeda pedi pra uma senhora pra abastecer minha garrafa de água e deixei o local. Mar com ondas leves, o sol saindo pra valer e maré baixando aos poucos com areia fácil de andar. Desde o início a presença das falésias é uma constante, algumas simplesmente gigantes onde era fácil diferenciar no mínimo sete cores distintas. Pouco menos de 1h andando cheguei em um lago com alguns cartazes sobre os benefícios da argila, aqui aparenta ter muita movimentação turística, porém devido o horário, apenas 2 pescadores de fim de semana no local, banhei e dei uma descansada rápida e segui. A medida que caminhava, os buggys passavam por mim lotados em direção as falésias e o lago. Com o término das falésias logo voltam os coqueirais e não pensei nem 2 vezes antes de pular uma cerca e me abastecer de coco. Chegando na bela Praia do Gunga a farofada turística rola solta. O mar é disputado por lanchas, jetski, pequenos barcos e banhistas e o céu por helicópteros, paramotor e pasmem, barcos voadores! Passei o dia por ali tomando banho e deitando na rede, almocei um sarapatel nos restaurantes baratos que ficam escondidos por trás dos restaurantes caros e ainda me dei de presente uma caríssimo açaí de 300ml por 10$. Ao fim da tarde quando já me arrumava pra dormir chegou o chefe da segurança explicando que ali não podia ficar e tal que era uma área particular, todo aquele blá blá blá, Contei o porquê de estar ali e apesar dele não ter entendido me deu uma carona até Barra do São Miguel, onde lanchei um sanduíche e armei a rede em um quiosque. 42º DIA Acordei cedo, comi alguma coisa e fui logo pegando um ônibus até Maceió pois a partir daqui tudo é muito urbanizado. Da capital peguei uma van que me levou até Paripueira, onde decidi continuar andar. Depois de comprar uns pães pro meu segundo café da manhã, fui até a praia que estava com uma cor claríssima e maré extremamente baixa. Ainda na primeira praia já apareceram pequenos coqueiros me convidaram pra pular a cerca e pegá-los. Paripueira estava bem tranquila, praia magnífica com praticamente nenhum turista, apenas poucos pescadores tentando pegar alguma coisa nos recifes bem distantes da praia. Ainda teve uma rápida chuva lá pelas 9h mas logo o sol saiu e ficou até o fim do dia. Aqui quase não tem praias retas como as que andei, elas são mais curtas e a cada final de praia o cenário muda não deixando o tédio tomar conta, uma hora aparecem praias lotadas de recifes, outra hora aparecem muitos catadores de mariscos e assim a caminhada passa rápido. Cruzei uma pequena barra com água na canela sem problemas mas umas 3 praias a frente surge a imensa Barra do Rio Santo Antônio que não dá pra atravessar, é preciso ir margeando o rio até acessar a rua e depois cruzá-lo pela ponte. Já na hora do almoço, acabei comendo um PF no bar do Píu, que tem uma vista espetacular pro mar. Aqui o mar tem cor escura devido à proximidade com o rio, mas é possível ver adiante o mar com aquela cor digna de photoshop. Depois de comer voltei a andar com a maré já subindo mas com a areia ainda boa pra pisar. Os coqueirais passaram a ficar mais altos e a água cada vez mais azulada. Chegando na Praia de Carro Quebrado só tinha um vendedor de picolé, uma família argentina e uma carcaça de fusca. Entrei no mar mas as águas vivas me expulsaram rapidamente. Com a maré alta não é possível prosseguir muito pois as ondas ficam batendo na enorme falésia que tem mais a frente, andei mais uns metros pra achar um lugar pra dormir e acabei parando em uma barraca onde um velhinho tomava conta, antes que eu abrisse a boca ele já foi logo mandando eu dormir ali na barraca, armei minha rede por lá e dormi muito bem. 43º DIA Acordei com um belo nascer do sol, arrumei as coisas comi uma besteira e parti. Passei por mais umas 3 barracas, todas com uma carcaça de carro quebrado pra enfeitar, e uns 2km de caminhada depois cheguei no final da praia, aqui tive que esperar a maré baixar mais um pouco pois as ondas ainda batiam na enorme falésia. Depois de uns 20 minutos consegui passar e no final do trecho em pedras fui recompensado com uma fonte de água nem tão doce assim, mas que deu pra me abastecer. A próxima praia é lindíssima, possui apenas uns dois hotéis e mais nada, na praia somente alguns pescadores puxando rede e um belo coqueiral do outro lado. No final dessa praia surge a o Rio Camaragibe, sem lugar raso, porém com uma balsa que faz a travessia por 2$. Barra de Camaragibe se resume a uma curta rua principal e algumas outras ao redor, na praia dezenas de barcos e viveiros montados na água, ainda consegui pegar 4 cocos e prossegui. As praias seguintes continuam lindas, o sol torrando a cabeça e o mar calmo e manso bem no fundo. Chegando em São Miguel dos Milagres, peguei o acesso de 800m até o centro onde almocei, depois voltei a praia onde armei minha rede e passei o resto da tarde cochilando e tomando banho de mar em um dos cenários mais incríveis até então. No fim da tarde segui viagem. Passei por vários hotéis de luxo, muitos coqueirais baixinhos e muitos argentinos até chegar em Porto de Rua que tinha muito barco pesqueiro e água mais escura pela presença de uns mangues mais a frente. Para contornar esse mangue segui pela pista por 3km e quando cheguei em Tatuamunha, entrei para direita onde atravessei o rio por uma sequência de 3 passarelas de madeira. Ao voltar a praia ainda tive que driblar a maré que já batia nos muros das pousadas mas logo melhorou. Depois do manguezal a água imediatamente volta a ficar verdinha mesmo com o sol já indo embora. Andei mais um pouco e pernoitei numa cabana que abrigava uns barcos, jantei um miojo e dormi bem. 44º DIA Acordei antes do sol, comi uns biscoitos e comecei a andar. Com a maré alta, tive que driblar novamente as ondas que batiam nas pousadas escalando pelas telas de proteção do muro, mas logo melhorou. Pouco tempo depois cheguei em Porto de Pedra, lá tomei café e peguei uma balsa gratuita pra atravessar o Rio Manguaba e chegar no Pontal do Boqueirão, onde é lotado de casarões de veraneio e hotéis. Passo por diversos córregos que batem no tornozelo e chego na Barreira do Boqueirão, praia com água de cor única e uma bela falésia dando charme ao fundo. Exatos 5km e 3 cocos depois cheguei em Japaratinga, tomei logo uma ducha no chuveirão da praia e descansei até o almoço. Após comer fui procurar um bom canto pra armar a rede mas só encontrei em São Bento 4km a frente, pelo caminho há muita construção sendo erguida e a presença do Rio Salgado com água no joelho pra atravessar. Armei a rede pra descansar e já conseguia ver Maragogi mais à frente e as últimas terras de Alagoas. Descansei a tarde toda e achei um lugar pra jantar um “café”, com cuscuz, carne e um delicioso suco de caju. Não achei um bom lugar pra dormir e continuei andando até encontrar, no escuro não achei nada e acabei saindo em Maragogi, ainda tive uma tentativa frustrada de armar a rede em uma propriedade particular mas os cachorros me expulsaram. Pra chegar até a praia ainda foi preciso acessar a estrada pra atravessar o rio pela ponte. Só no centro achei uma boa barraca pra armar a rede, lá pelas 21:30. 45º DIA Acordei cedo, tomei uma ducha na barraca, comi e fiquei descansando na orla. Em um quiosque que estava em reforma aproveitei e pedi uns baldes pra lar minha roupa e tirei o resto do dia pra descansar. Aqui eu tinha tudo a disposição, café, almoço, janta, banho, dormida e uma praia sensacional. Passei o dia por ali observando o vai e vem dos turistas que gastam minutos posando pra fotos com o mar ao fundo mas sequer param pra admirá-lo por um instante. No fim da tarde chegou um pessoal de um coletivo de cinema que pela 4º vez estava no mesmo lugar que eu em Alagoas. Eu os vi na foz do São Francisco, Carro Quebrado, São Miguel dos Milagres e agora em Maragogi. Fiquei por ali matando o tempo até anoitecer e dormir pela orla mesmo. 46º DIA Acordei cedo mas não saí de imediato, com minha tábua das marés em mãos, esperei um tempo pra partir pois logo teria um rio pra atravessar mais à frente. Após atravessar o Rio dos Paus com água baixinha começa Barra Grande, a presença de casas ainda é grande e chega um momento que é necessário caminhar pelas ruas pra fugir das ondas batendo nos muros, mas logo é possível voltar a praia. As nuvens esconderam o sol no meio da manhã mas nem isso foi capaz de escurecer a água do mar que estava com uma cor surreal, um azul que nunca vi na minha vida. Depois de Barra Grande vem Ponta do Mangue e alguns outros lugarejos, pelo caminho pequenos riachos rasos e muito buggy levando turistas até a divisa e até as lanchas que vão para as piscinas naturais. Por volta das 12:00 depois de algumas chuvas cheguei no Rio Jacuípe que faz a divisa entre Alagoas e Pernambuco, almocei em São José da Coroa Grande e depois segui. Ao deixar o centro as casas vão lentamente sumindo e o céu ficando cada vez mais preto, pela praia, apenas poucos pescadores. Não demorou muito e a chuva caiu pesada e continuei com a capa de chuva e o saco pra proteger a mochila, dessa vez ela não vinha do mar e sim do oeste. Ao chegar à foz do Rio Una não tinha nada de movimento apenas 3 crianças tentando pescar em sua jangada, logo me ofereceram a carona que eu aceitei desconfiado. A jangada era pequena mas coube os 4 com muito balanço e depois de vencer a desconfiança conseguimos atravessar, dei 4$ pra eles dividirem entre si. A chuva continuava caindo com muito trovão e raio, o mar bastante agitado com ondas enormes. Ao longo da praia tinha algumas barracas mas nenhuma delas legal pra armar a rede, continuei andando até o final da praia onde tinha bastante pedra, que pra minha surpresa morava um cara que parecia mais o Robinson Crusoé brasileiro. É preciso subir pra contornar as pedras e sair na praia do outro lado, 1km a frente chega na Ilha do Coqueiro Solitário, onde tinha uma boa barraca pra dormir, mas fui adiante onde tinha uma espécie de hotel, que ao lado dele tinha uma bar aparentemente abandonado. Era o bar Mamucabinha, onde armei a rede e fiz um miojo pra janta, com um funcionário do hotel consegui água. Noite de chuva com muitos mosquitos e o cachorro do hotel latindo a noite toda, pelo menos não molhei nada. 47º DIA Acordei cedo mas quis tomar café na rede e continuei descansando um bom tempo nela, quando parti o céu ainda estava nublado mas sem nenhum sinal de chuva, o mar bem agitado e o clima muito abafado. A 1,3km, no final da praia, foi preciso contornar uma casa onde as ondas ainda batiam, mais 1km a frente tem o Rio Mamucabas, onde atravessei nadando e perguntei ao pessoal de umas barracas o melhor lugar pra atravessar andando. Retornei e atravessei novamente com a mochila na cabeça e a água no pescoço. Mais um pouquinho de caminhada e lentamente as casas vão surgindo e logo chego no centro de Tamandaré. Comprei uns mantimentos e descansei até o almoço. A tarde parti rumo a Praia dos Carneiros, a caminhada é praticamente toda urbanizada e a medida que avanço mais chiques vão ficando as edificações. No início da praia tem umas piscinas naturais que estavam totalmente lotadas de banhistas, afinal era um sábado. A partir daqui o ambiente se torna o mais escroto possível, restaurantes e resorts caríssimos destinado a turista e com segurança particular devidamente armada. Enquanto era atentamente observado pelos seguranças, segui margeando a praia até chegar as margens do Rio Formoso, onde tem uma capelinha do século 18 ainda erguida. Consegui pechinchar uma travessia por 15$ até o outro lado na Praia de Guadalupe, que só tinha algumas barracas de drinks e espetinhos. Ao fim da tarde todos os barraqueiros e banhistas que estavam do meu lado se foram e fiquei sozinho lá, armei minha rede entre as árvores, fiz um estoque de mangas e descansei até a noite observando o agito do lado oposto. 48º DIA Acordei as 05:40, comi, arrumei tudo, coletei mais manga e segui. Logo a frente tem umas estruturas abandonadas que eram ideias pra um pernoite e mangas muito mais saborosas, refiz todo o meu estoque de manga. Com a maré ainda alta, tive que desviar por trás de algumas casas e só consegui sair na Praia da Gamela, onde também possui barracas boas pra pernoite. A seguir vem uma enorme praia com um imenso coqueiral a esquerda, essa longa caminhada fez a correia do chinelo incomodar um pouco durante a manhã que teve de tudo: tempo abafado, nublado, saiu sol e chuviscou. Chegando em Barra do Sirinhaém, basta ir pela margem que se chega no porto local, pra atravessar o Rio Sirinhaém peguei um barco por 2,50$ até Coqueirinho, do outro lado. Na praia, apesar de ser domingo, quase ninguém nessa praia, afinal aqui é praticamente um condomínio fechado, ao fim da praia é preciso sair do condomínio pra contornar a maré, na primeira oportunidade que tive entrei em outro condomínio e voltei a praia. Bela praia, recheada de mansões e seguranças pra lá e pra cá de moto. Ao chegar em Serrambi, alguns recifes formam belas piscinas naturais, segui em direção ao centro onde achei um almoço baratinho de 10$. A tarde voltei a praia que continuava repleta de mansão, hotel e seguranças que iam discretamente me escoltando até o final da parte rica. Após andar mais um chão, dessa vez sem escolta, cheguei no Pontal de Maracaípe, onde atravessei sem problemas com água na canela. Em Maracaípe parei pra descansar tomando banho de mar e uma chuveirada, na Palhoça da Cris parei pra tomar 3 geladas com caldinho de sururu enquanto assistia ao fim da tarde. Ainda jantei uma macaxeira em um outro bar da Cris e retornei à praia pra armar a rede na palhoça dela. Daqui já era possível avista Porto de Galinhas poucos km a frente. 49º DIA Acordei logo com o sol, comi arrumei as coisa e parti andando pela ruazinha de barro paralela à praia. Ainda passei por uns bares que começavam a abrir uma espécie de camping no início do coqueiral que se estende até Porto de Galinhas. Com o tempo parcialmente nublado demorei apenas uns 30 minutos pra chegar ao centro e avistar as inúmeras jangadas com velas patrocinadas por marcas famosas. O centro de Porto de Galinhas é praticamente uma irmã da Praia do Forte na Bahia, repleta de pousadas e restaurantes destinados a turistas. Fiquei por ali somente enquanto esperava a farmácia abrir pra comprar uma pinça e retirar um bicho do pé que estava me incomodando, pois no final da caminhada eu voltaria pra lá. Peguei o ônibus pra Recife por 13,70$ e cheguei 2h depois. No centro de Recife o comércio pegava fogo, e rapidamente me dirigi ao ponto do ônibus que me levaria até o litoral norte em Ponta de Pedras por 12$. Mais 2h de viagem e cheguei e fui logo almoçando. O lugarejo é bem tranquilo, com o mar verdinho e muitos barcos na praia. Após dar uma boa descansada na orla, enchi minha garrafa de água num posto de saúde e segui. As casas simples do centro vão sendo substituídas por casas de veraneio a medida que me distancio. No que parecia ser um hotel pouquíssimo movimentado, peguei 3 cocos na altura da mão pra dar uma refrescada. Ao longo da caminhada é comum a presença de pequenas contenções de madeira e pedra feitas pra tentar segurar a maré. Ainda passo por uma região de mangue e um pequeno coqueiral até chegar em Carne de Vaca, lugarejo ainda menor. Passei o resto da tarde na praia vendo uma galera jogar vôlei de praia e olhando os pescadores no fundo do mar com água batendo apenas na cintura, aqui a água já é um pouco mais escura devido à proximidade com o rio. Fiquei batendo papo com a dona de um bar enquanto ela arrumava pra abrir e acabei ganhando uma janta de graça, na barraca ao lado que estava vazia armei minha rede e dormi muito bem. 50º DIA Acordei cedo e fui comprar pão na padaria, como eu só tinha 50$ inteiro, não sei a mulher não tinha troco ou ficou com pena pela minha aparência mas ela me deixou levar os pães sem pagar. Segui até o final da praia onde atracam os barcos que atravessam o rio, enquanto esperava tomava meu café da manhã. Caso não haja barco disponível, o macete é levantar um pau com uma sacola na ponta que o barco vem do outro lado te buscar, e foi assim que aconteceu, o barco veio da Paraíba me buscar e atravessamos o imenso Rio Goiana por 10$. Ao atravessar cheguei em Acaú do lado paraibano, e peguei uma van até Alhandra onde fui rever um camarada que se mudou pra lá alguns anos atrás. 51º DIA Retornei pra Acaú por volta das 10h e depois de um café na padaria, continuei a caminhar. Praticamente todo o trecho até Pitimbú é cheio de casas, o que torna a caminhada não muito interessante. A praia com mar calmo, cheio de algas e lixo, a areia estava repleta de minúsculas conchas quebradas mas ainda boa pra andar. Acaú e Pitimbú são lugares mais simples com pouca presença de casarões. Em Pitimbú almocei e passei um bom tempo descansando, o chinelo já não incomodavam meus pés em nada e eu já considerava a possibilidade de andar até o Ceará. Depois de uma boa descansada, voltei a caminhar e em alguns minutos já era possível ver a barra do Abiaí ao fundo, apenas com algumas moradias de palha e uns coqueiros. Confirmei com os moradores qual seria o melhor ponto pra travessia e fiquei as margens da barra chupando manga enquanto aguardava a maré baixar mais um pouco. Esperei um bom tempo pois a água voltava pro mar com força e velocidade consideráveis. Fiz a primeira travessia sem nada e depois voltei com a mochila e passei com água no peito e o sol já perto de se pôr, os poucos moradores do lado oposto já me observavam com certa desconfiança, provavelmente esse pedaço do litoral não é tão frequentado por turistas muito menos por caminhantes como eu. A cara de poucos amigos dos moradores me tiraram qualquer vontade de armar rede por ali, mas 700m a frente já achei uma barraca isolada na praia onde providenciei meu pernoite. Organizei meu miojo com sardinha e dormi muito bem sob um céu incrivelmente iluminado. 52º DIA Após uma boa noite de sono, levantei com o sol, comi e saí cedinho. Com o sol rasgando como de costume, passei por um pequeno lugarejo e 1km a frente falésias cinzentas e avermelhadas surgem, mais 1,5km chego na Praia Bela, de um lado o mar clarinho, no meio centenas de mesas e cadeiras dos restaurantes e do outro lado as águas doces do Rio Macatu completam o cenário. Mais alguns minutos atravessei a Barra do Graú com água no joelho, exatos 2km a frente surgem muitas pedras e uma placa anunciando que dali pra frente era nudez total, pois começava a famosa praia naturista de Tambaba. Fui desviando das pedras enquanto imaginava o que viria pela frente, a primeira vista era apenas uma praia vazia, mas logo notei um senhor pelado a minha direita e sua senhora a esquerda, onde acampavam. Baixei a cabeça e segui naturalmente até o fim da praia, onde tinha mais uma turma acampando, porém vestidos. Novamente pra sair da praia é preciso passar por mais pedras que dão na praia de Tambaba “normal”. Esse lado é a porta de entrada e cartão postal de Tambaba. Armei minha rede, dei uns mergulhos e descansei, na hora do almoço recorri a um miojo com 2 espetinhos, pois ali os preços são salgados. O vai e vem na parte naturista é constante, tanto pelos banhistas como pelos vendedores que tem autorização para entrarem vestidos. Por volta das 15h parti, pra seguir até a próxima praia é preciso contornar as pedras por uma pequena trilha, enquanto passava avistei um casal dando uma trepada entre as árvores, novamente ignorei e cheguei na praia seguinte onde poucos surfistas se aventuravam na imensas ondas. Aqui a caminhada volta a ficar bem agradável, são quilômetros de falésias e praia deserta com uma bela brisa. O clima só foi quebrado com a presença de uma gigante restaurante que dá início a Praia de Coqueirinho e alguns casarões de veraneio. Com o fim da tarde as barracas já estavam sendo desmontadas e os banhistas se retiravam da praia. Ao fim da praia já é possível avistar Carapibus e Jacumã, mais à frente na Praia de Tabatinga, achei um bom local pra armar a rede nas árvores dentro de uma falésia gigante, ainda passei o final da tarde no mar calmo e esverdeado antes de jantar e dormir. 53º DIA Após partir, foi preciso andar somente umas 2 praias pra chegar na parte urbanizada de Carapibus, lotada de belas casas, pousadas e restaurantes. Ao fim de Carapibus, algumas pedras me obrigaram a passar por um desvio pelo mato que tem bem ao lado, daí pra frente já começa a praia de Jacumã, com urbanização bem semelhante a praia anterior. Ao final de Jacumã mais uma vez são as pedras que fazem o limite, com destaque pra Pedra Furada ou Túnel do Amor, que marca a passagem pra Praia do Amor, novamente por uma trilha adjacente, pois as ondas batem forte nas pedras. Ao descer o barranco apenas algumas barracas bem simples, uma praia bem curva e com águas calmas e claras. Daqui já avistava a imensa Barra do Gramame uns 3km a frente e segui embaixo do sol escaldante até ela. Chegando na barra, após ter um pedido de água negado, apenas peguei uma dica de onde era o melhor lugar pra atravessar e segui. A barra é imensa mas atravessei numa boa com a maré baixa. Na praia seguinte volta aquele cenário bacana: imensas falésias a minha esquerda, uma extensa faixa de areia a perder de vista e o mar quebrando a minha direita. Pra minha surpresa me deparei com um casal namorando escondidinho entre umas pedras, passei direto e mais à frente cheguei na Praia do Sol, onde consegui uma boa água gelada pra beber, nessa praia os preços me chamaram atenção por serem muito em conta em relação a outras. 1km a frente passei pela discreta barra do Rio Cuiá e cheguei na Praia de Jacarapé, uma típica praia de pescador repleta de barco e casas de taipo. A partir dela vem mais um trecho de praia deserta e um pequeno lago a esquerda com poucas barracas que marcam o início de um belo coqueiral, tudo que eu precisava! Esse dia estava com pouca água então na primeira chance que tive pulei a cerca e mandei ver, estava seco de sede. Hidratado, porém cansado, continuei a andar e a presença de banhista e casas aumentou um pouco, mas logo sumiu dando lugar a enormes falésias. Minha ideia era caminhar até a Ponta do Seixas mas como o local se encontrava acima das falésias passei direto sem ver, continuei caminhando entre falésias e pedras até chegar num local onde avistei toda João Pessoa. Continuei andando até a Praia de Cabo Branco e em seguida até a ensolarada Praia de Tambaú, que estava bem vazia apesar de ser uma sexta feira de carnaval. Exausto depois de caminhar por 26km, relógio marcava 12h, parei pra almoçar e em seguida fui visitar familiares que moram lá, onde passei os 4 dias seguintes. 58º DIA Após uma péssima noite de sono, tomei café e parti da Praia de Lucena, já no litoral norte da Paraíba. Aqui já vejo o sol nascendo ligeiramente mais a sudoeste, as águas nas margens ligeiramente escurecidas devido à proximidade com o imenso Rio Paraíba e mais ao fundo o típico verde claro. 2km são suficientes pra sumirem todas as casas e a praia ficar deserta, mais 2km andando pela Praia de Bonsucesso chego na barra do Rio Miriri, ainda eram 7h e a maré estava baixando, aguardei tirando um cochilo, mas logo fui interrompido por uns farofeiros que chegaram tocando um som ensurdecedor. Continuei aguardando e quando vi um cara atravessando no sentido contrário, fui também. A caminhada é agradável, praia deserta com areia bem firme, brisa e o mar cada vez mais verdinho. Depois de uns 5km chego em Campina, lugar de belos casarões com um minúsculo centro mais popular, decidi só parar pra almoçar em Barra do Mamanguape, pelo meio do caminho em cima de uma duna, parei pra dar uma descansada em uma casa em construção abandonada onde a vista é belíssima, se não fosse a fome poderia ficar por ali o resto do dia. Pela praia acessei o centro quando vi uma cabine/armário verde que parece ser de algum pescador ou do Projeto Peixe Boi, daqui também já é possível avista a Baía da Traição. Após almoçar encontrei um pescador que me ofereceu um passeio, expliquei que só queria atravessar e com muita conversa consegui a travessia por 15$. Fiquei em uns lagos que parecem ser criadouros de alguma coisa, mas ainda bem distante da praia. Tive que seguir até uma barraca na estrada de barro e pegar a direita, poucos metros à frente entrar a esquerda e seguir até o final, onde encontra outra estrada principal que pega a direita até o fim. Pelo caminho ainda achei uma mangueira carregada e fiz um estoque. Depois surgiu um surfista que me deu uma carona até a aldeia indígena de Camurupim, chegando lá atravessei de carona no barco do colega dele até o outro lado, daí bastou uma caminhada de uns 300m pela areia fofa até chegar a Praia de Coqueirinho que fica dentro de uma reserva indígena e área de preservação do peixe boi. Parei em uma barraca pra tomar um banho e bebi uma cerveja geladíssima por apenas 5$ enquanto tentava avistar algum peixe boi. Aqui dá pra ter ideia de como é grande o recife que se estende desde a Barra de Mamanguape até a Baía da Traição. Após uma boa chuveirada, voltei em direção ao rio, onde achei uma boa árvore pra armar a rede e passar a noite. Quando escureceu um rato gigante ainda ficou fuçando minha mochila e só sossegou quando deixei alguns biscoitos de cortesia pra ele. 59º DIA Chupei no café 5 mangas que peguei no dia anterior e voltei a praia pra caminhar. A maré ainda estava alta mas a areia bem firme pra pisar, o sol rasgando e nenhum vento pra refrescar. Ao fim da primeira praia já surgem as primeiras casas, porém tudo sem movimento, de fato tinha acabado a farra, os turistas haviam sumido e o lugar ainda respirava a ressaca do carnaval. Com as barracas ainda fechadas, parei em uma delas na Ponta da Prainha e arranquei 2 cocos com ajuda de uma mesa da barraca. Subi até o centro pra tomar um café e usar uma lan house pra fazer umas anotações que não tinha do caminho até Natal. Da orla é possível ver a imensa baía e a Barra de Camaratuba 12km a frente. Seguindo pela praia, casas mais simples vão surgindo ao longo da orla parcialmente destruída pelas ondas. A caminhada é das melhores, com mar claro, céu azul, maré baixa com areia firme e uma brisa pra refrescar. 6km do centro surge um bloqueio de pedras que fazem nem motos nem buggys passarem, aí sim vira um desertão. Na próxima praia alguns surfistas se preparavam pra entrar no mar e me chamaram pra tomar um refrigerante que aceitei na hora. O percurso inteiro é recheado de falésias misturadas com mato até chegar em mais um bloqueio de pedra, onde tem o Rio Camaratuba, que atravessei com água na cintura. O lugar é extraordinário de tão bonito. A 800m tem um centro muito pequeno com apenas 1 lugar pra comer, nas paredes ainda tinham os preços caros do carnaval mas paguei apenas 15$ no PF. Após o almoço armei a rede numa sombra de barraca de barco e tirei um bom cochilo, que só acordei com meu próprio ronco. Lá pras 15h com sol mais ameno votei a andar. Começa o Parque Eólico Vale dos Ventos, que segue até a divisa com RN e surgem pequenos morrinhos de dunas com vegetação rasteira. Em uma barraca isolada, na Lagoa da Pavuna, o dono já estava fechando e me esperava desconfiado com um facão na cintura, peguei uma informação rápida e segui. Mais à frente apareceu uma barraca bem equipada com cordas pra rede, panelas, mesa, bancos e até um banheiro improvisado, tudo ao lado de um laguinho com água doce. Ao fundo, máquinas ainda trabalhavam em uma espécie de jazida. Fiquei tomando banho até anoitecer e tive uma excelente noite de sono, com céu estrelado e os cataventos iluminados. 60º DIA Acordei cedo, comi, e saí sem pressa e com 1h de caminhada cheguei até a divisa de estado, um outro lugar muito bonito com rio, dunas e mar. Tentei atravessar mas a maré ainda estava alta, tentei ir por uma trilha que tinha no mangue mas andei em círculo e voltei ao mesmo lugar, acabei desistindo armei a rede e esperei. Depois de um tempo, atravessei com água na barriga, do lado potiguar as marcações do Tamar ressurgem. Ao fim da praia, antes de Sagi, alguns surfistas pegavam onda enquanto eu trepei em um coqueiro e consegui pegar 2 cocos que me salvaram pois já estava seco sem água e o sol pra variar estava escaldante. Mais uns metros à frente parei nos recifes pra um banho no mar que estava com cor impecável. Percebi que ali só havia restaurante destinado a turistas, ou seja, caros. Parti rumo a Baía Formosa uns 12km a frente pra poder almoçar. Esse trecho é espetacular, uma praia mais bonita que a outra diversos corais, no mar de cor clarinha, apenas um ou outro pescador pegando alguma coisa nas pedras. Embaixo do sol escaldante os buggys passavam freneticamente rumo a Praia do Sagi. Ao virar a praia onde tem o Farol de Bacupari, já dá pra avistar o centro. Nessa última praia, diversas barracas dos pescadores e no fim dela começa a cidade, subi a primeira ladeira a esquerda e fui procurar um canto pra comer e não achei nada, fui perguntar um casal de velhos onde eu achava um lugar pra comer, e a senhora me perguntou se eu comia algo especial, falei que não e ela me colocou dentro da sua casa e me serviu um almoço, fiquei impressionado. No fim tentei pagar mas claro que ela recusou, agradeci e segui em frente. A cidade fica localizada no alto, o que proporciona uma vista única, desci até a praia e fiquei o resto da tarde ali tomando banho no mar. Ao anoitecer, voltei ao centro pra lanchar e armei minha rede nas barracas dos pescadores. Durante a madrugada eles se reuniram pra pescar mas me deixaram deitado lá numa boa. 61º DIA Acordei cedo e fui na padaria comprar café, e fiquei comendo sem pressa pois pela tábua das marés teria que esperar um pouco mais pra atravessar a Barra do Cunhaú, que fica 8km a frente mas pode ser vista do alto do centro. O caminho começa na Praia do Porto, com mar calmo e dezenas de barcos atracados, logo começam as falésias mas em 30 minutos de caminhada elas dão lugar a pequenas dunas. Um pouco mais a frente começa um enorme coqueiral, entrei nele e derrubei uns cocos que pro meu azar estava com um gosto terrível. Uns quilômetros à frente cheguei no rio e pra minha surpresa ele é enorme. Não adiantou nada ficar esperando a maré baixar, tive que pagar 3$ e atravessar na balsa. Na praia vazia, vi em um quintal um coqueiro anão e fui matar minha vontade de beber coco, arranquei 9, me dei conta que esqueci o facão no coqueiral anterior, mas mesmo assim abri com certa dificuldade os cocos com uma faquinha cega, matei minha sede e enchi minha garrafa. Andando por mais umas praias cheguei até o Rio Catu, atravessei na boa e fiquei tomando banho. A noite fui até o centro de Sibaúma e jantei um PF, depois desci até a praia e armei a rede em uma varanda de uma casa parcialmente tomada pela areia da praia. 62º DIA Levantei um pouco tarde, por volta de 6:20h, com o tempo meio nublado e bastante vendo. Depois de comer uns biscoitos com água de coco segui viagem até a Praia de Pipa. Logo no começo da caminhada foi preciso subir um barranco pra descer em seguida até a praia. Até Pipa são muitos paredões de falésias e muita areia fofa. No fim da praia, tem início uma subida que leva até o Chapadão, um enorme platô que tem uma vista bem bacana do lugar, com destaque pra Praia do Amor que fica logo abaixo. Ainda roubei uns cocos de um casarão/hotel que estava em construção, em seguida peguei uma rua a esquerda que me levou até o centro. Fiquei na praia principal tomando banho na maré baixa, ainda fui conhecer a parte baixa da Praia do Amor e depois fui almoçar. Apesar de ser lotada de comércio e turistas, muitos deles gringos, Pipa tem uma atmosfera muito bacana. Parti a tarde com a maré já subindo, logo na primeira praia as casas vão sumindo e dando lugar a falésias desertas. Pra acessar a Baía dos Golfinhos é preciso desviar por muitas pedras até chegar, a praia lotada de gringos, nela tem muitas barracas destinadas a quem tem dinheiro, pois tinham bastante espreguiçadeiras e vendiam bastante longneck verdinha. Ao fim da praia mais um bloqueio de pedras, dessa vez foi preciso ir pulando sobre elas até chegar na Praia do Madeiro, que é muito semelhante a anterior em todos os aspectos. Um pouco adiante tem mais umas pedras que basta desviar pra chegar em uma enorme praia dessa vez em linha reta, toda ela com enormes paredões de falésias, tão altas que me faziam caminhar na sombra. Ao final da reta mais uma vez surgem pedras, basta desviá-las e andar mais um pouco que chega a uma rua que sobe até o centro de Tibau do Sul. Jantei uma saborosa macarronada e desci, armei a rede em uma barraca de praia e dormi muito bem. 63º DIA Acordei cedinho, tomei café e fui até outra barraca onde tomei uma ducha. Fiquei aguardando a balsa pra atravessar a foz da Lagoa dos Guaraíras. Deitei na sombra, comi novamente, vi as barracas todas se arrumarem pra abrir, vi os gringos chegarem pra passear de caiaque, vi até um timbú que morava na copa de um coqueiro até que a balsa chegasse as 10h. Segundo o barraqueiro ela demorou porque a maré ainda estava alta e não teria lugar pra atracar do outro lado. Paguei 3$ pela travessia, todos os buggys e quadriciclos ficaram na areia ainda aguardando a maré baixar mais um pouco enquanto eu segui andando. Logo começa o trecho das Dunas de Malembá e algumas marcações do Tamar. No km5 é o início do lugarejo chamado Barreta, onde a praia é cheia de pedras. As casas da orla praticamente todas estavam vazias, o clima era de deserto total. Em certo momento entrei nas ruas onde achei o único lugar que tinha almoço, comi e voltei até a praia onde armei a rede numa varanda de uma casa e cochilei, ainda tomei uma ducha antes de partir. A praia continuava cheia de piscinas naturais e cenário deserto, somente em alguns restaurantes era notada a presença de turistas, muito deles gringos. Praticamente colado a Barreta vem Tabatinga que é lotado de hotéis e casarões. Ao fim da praia é preciso ir por trás das casas para descer em seguida na praia seguinte, que tem um paredão imenso de falésia que logo dão lugar as dunas. Após o trecho das dunas já começa a parte urbanizada da Praia de Búzios. Próximo ao final da praia continuei andando pela pista pra encontrar uma tal padaria que me indicaram, que só fui achar no bairro de Pirambúzios. Depois de comer uma típica tapioca, voltei a praia e cruzei o Riacho Taborda enquanto a maré estava baixa, acabei armando minha rede embaixo de uma árvore nas barracas da Praia de Pirangi, logo depois do píer, exatamente onde fica o maior cajueiro do mundo. Ainda fiz um miojo antes de deitar e tive uma péssima noite de sono com uns 3 chuviscos me incomodando, um segurança da orla ainda apareceu pra me abordar mas me deixou ficar ali na boa. 64º DIA Acordei cedo, com o sol totalmente nublado e logo fui partindo. No fim da primeira praia é cheio de pedras, mas deu pra passar sem dificuldade, em seguida vem uma praia menor, novamente com pedras no final, mas dessa vez tive que ir por cima delas e bem devagar. A praia seguinte é um pouco maior, apenas algumas barracas de pescadores e mais pedras pra passar no final, dessa vez segui por uma trilha que contorna a falésia, entra em uma estradinha e sai na Praia do Cotovelo, que ainda estava totalmente vazia. No final dessa praia uma placa avisa que é proibida a passagem a partir dali, pois é área militar. Só pra desencargo de consciência perguntei a um cara que pescava com vara na areia se podia prosseguir, o mesmo me disse que sim, isso bastou pra que eu continuasse andando. O trecho começa com várias dunas que logo se acabam e dão lugar a uma imensa sequência de falésias, que formam a famosa Barreira do Inferno. No início é preciso desviar de algumas erosões mas depois surge uma trilha bem demarcada que segue margeando o precipício. Lá de cima a vista é única. Quando já ia descendo a falésia pra acessar a praia seguinte, uma viatura já me esperava do outro lado, me explicaram que o trânsito de civis ali é proibido e me levaram até a base, onde depois de uma conversa, o militar gente fina Araújo acabou me liberando. Dali até Ponta Negra eu tinha 2 opções: ir de ônibus ou a pé. Foram 4km exaustivos pela estrada até a primeira rua a direita, fui pegando informações até chegar a Praia de Ponta Negra, fiquei tomando banho o resto da manhã e por fim paguei minha segunda e última água de coco por 3$. 16 de fevereiro de 2016 dei fim a minha caminhada, almocei e segui pra casa de parentes meus, ainda fiquei pelo nordeste por mais um mês fazendo um turismo convencional, acabei retornando ainda em João Pessoa, Porto de Galinhas e Maragogi antes de voltar pra casa. A caminhada foi muito cansativa e prazerosa ao mesmo tempo, cada lugar tem sua beleza própria, seus prós e contras, recomendo a quem tiver vontade de fazer algo semelhante caminhando por algum desses trechos, que faça o quanto antes, pois o crescimento imobiliário em todo o litoral está frenético, daqui um tempo será cada vez mais difícil encontrar praias desertas e pequenos vilarejos de pescadores. Meus pés demoraram algumas semanas pra ficarem 100% sem dor, fiz toda essa caminhada com equipamento básico e precário: uma rede de nylon, um outro tecido de nylon pra cobrir a rede em caso de chuva (que não funcionou muito), um saco de dormir, fogareiro espiriteira que só fazia miojo, pouca roupa e pouco dinheiro. Voltar a caminhar a partir de onde parei é apenas questão de tempo.
  3. gmussiluz

    Itacaré - Algodões, a pé.

    Bom, já estava há um tempo querendo fazer uma trip desse tipo. Meu primeiro plano era fazer no litoral norte de Salvador, que foi reforçado mais ainda quando vi aqui no Mochileiros o relato do Jorge Soto, de Arembepe a Mangue Seco a pé (http://www.mochileiros.com/de-arembepe-a-mangue-seco-se-a-pe-t11941.html). O objetivo primário era de fazer uma trip de praia, em local que ainda não conhecia (ou não conhecia direito), a pé e com baixo custo. Mas pra quem nunca fez uma travessia longa de vários dias, é se aventurar demais querer fazer com equipamento, sem conhecimento do local e "às pressas", sendo melhor então fazer um trecho mais curto para conhecimento dos limites, analisar pontos a melhorar em questão de equipamento, organização e etc. Então, analisando o longo litoral da Bahia (maior do Brasil, diga-se de passagem), resolvi com minha então namorada fazer o trecho de Itacaré a Barra Grande, que é mais curto e daria pra fazer no tempo que tínhamos disponível. Pelo Google Maps/Earth, dá aproximadamente 46Km, mas lá ouvimos dizer de até 60Km. ORGANIZAÇÃO Moro em Salvador e estava de férias. Após 1 semana em Ilhéus na casa de parentes, partiríamos para Itacaré e seguiríamos viagem. Importante ressaltar que essa semana em Ilhéus foi determinante para redução do trecho percorrido, já que estávamos com roupas e itens para mais tempo na mochila, e não apenas o essencial para o percurso da trip. Entretanto, foi ponto importante para analisar que, em uma distância maior, onde teríamos mais coisas e consequentemente poderíamos estar com peso igual, deveríamos estar mais preparados, bem como se tivéssemos ido apenas para fazer a trip, estaríamos com menos peso e provavelmente teríamos completado o objetivo sem problema. Ambos estávamos com cargueiras de 40L: eu com aproximadamente 12Kg e ela com aproximadamente 8Kg. O tempo pretendido era de 2 dias de viagem, pernoitando na praia. Importante que, para caminhada em praia, tem que ter conhecimento da maré, do contrário, por falta de planejamento pode pegar uma maré cheia para caminhar e terá que ir pela areia fofa, obrigando a parar ou dobrar o esforço de caminhada e, assim, dificultando o percurso. 1º DIA Saindo de Ilhéus, pegamos um ônibus para Itacaré logo de manhã cedo, ele passa de hora em hora e para em pontos ao longo da estrada, demorando aproximadamente 1h50 pra chegar em Itacaré. (Se conseguir uma carona, ótimo, já que de carro até lá leva cerca de 50min.) Ao chegar em Itacaré, já havia falado previamente com um amigo que mora lá para contatar um barqueiro para a travessia do Rio de Contas, que é o que separa Itacaré da Península de Maraú, onde fica situada Barra Grande. Encontrei meu amigo rapidamente só para confirmar o barqueiro, depois fizemos compras de água e alimentos num mercadinho e seguimos para a Praia da Concha, onde o barqueiro, com um daqueles barcos de alumínio a motor, já estava nos esperando (haviam outros barqueiros na praia, que ficam lá para fazer passeios turísticos rio acima e que com certeza fariam a travessia também, mas como eu ainda não sabia, preferi esse contato com o meu amigo). A travessia é bem rápida, são aproximadamente 100m e em menos de 5min se chega ao outro lado. Descemos, fizemos um rápido preparo, e demos início à caminhada às 10h40. (ao descer do barco, o barqueiro perguntou para onde iríamos daquele jeito. Quando falamos “Barra Grande”, ele arregalou os olhos e deu um sorriso, como quem diz “pirou” hahaha. Dessas coisas que quem viaja com mochila nas costas já está acostumado). Nesse ponto, ainda se vê pessoas por ali. Vez ou outra, algumas pessoas atravessam para surfar do outro lado do rio (Itacaré é um dos locais mais conhecidos do Brasil para a prática de surf) ou para ficar numa praia menos frequentada, já que do outro lado não tem povoamento nem acesso fácil e em 10min. de caminhada já não se vê ninguém. Com 1h20 de caminhada, paramos em frente a Piracanga, onde fizemos uma parada de 20min. para hidratar e comemos barra de cereal. Piracanga é uma “ecovila e centro holístico de cursos e terapias” que oferece cursos e retiros, basicamente um lugar pra “ficar de boa” e foi onde vimos apenas um casal na areia, que nos cumprimentou quando reiniciamos a caminhada. Ainda na frente de Piracanga, tem um pequeno rio, que passamos sem problema com a água não chegando nem na cintura. Não conheço o rio, mas a maré estava bem seca e possivelmente na maré cheia e dependendo da estação, pode ser que tenha que segurar a mochila acima da cabeça para atravessar. Desse ponto em diante, não há muita novidade: areia, coqueiral e água salgada, sem NENHUMA pessoa durante o percurso, nem sinal (apesar de o visual ser sempre “mais do mesmo”, é algo que não consigo descrever, porque ficamos deslumbrados o tempo todo, a cada passo ficávamos olhando para o que vinha à frente sempre achando cada vez mais bonito e paradisíaco). Mais 1h50, atravessamos mais um pequeno rio que também não tinha profundidade para se preocupar em molhar as mochilas, mas deixo aqui a mesma observação de antes: é bom atentar para a maré e estação do ano que, se for chuvosa, pode resultar num nível maior do rio. Logo após esse rio, fizemos mais uma parada para beber água e comer algo. Nesse local também não víamos nenhum sinal de habitação, mas um pouco acima da restinga parecia ter um rastro de quadriciclo, transporte bem comum naquela área. Dessa vez ficamos um pouco mais(30min.), porque ela já estava sentindo bastante dor no joelho e cansaço. Recomeçamos e percebemos que a maré já estava mais cheia. Além disso, nesse trecho a areia era mais fofa e a inclinação da praia era maior, e além de andar com os pés meio tortos, acaba havendo uma sobrecarga no joelho (nesse caso, o direito) e a gente vai ficando meio “descompensado” =S. A partir daí, as reclamações do joelho e cansaço foram aumentando e já comecei a procurar um local para pararmos e armar acampamento, quando, com aproximadamente 40min. de caminhada, paramos. Dei uma olhada no perímetro, tinha uma casa relativamente simples a uns 200m sem sinal de gente nela, além de um tipo de estradinha de areia em direção ao continente a uns 50m de onde estávamos e, claro, coqueiros por toda parte. Achei dois coqueiros baixos e consegui tirar mais de 10 cocos, aproveitando para reabastecer as garrafas que estavam vazias (aproximadamente 3L de água de coco!). Após isso, montamos a barraca, organizamos as coisas e tomamos banho (de mar hahahaha). Depois, foi só jantar (2 latas de atum com acompanhamento de bananas, puro luxo) e praticamente desmaiamos perto das 18h, contemplando um céu absurdamente estrelado, sem sinal de nuvens nem no horizonte. Como o quarto da barraca é quase totalmente telada (Azteq Nepal) e o céu estava muito limpo sem sinal nenhum de nuvens vindo, deixei a barraca sem o sobre-teto -mesmo sabendo, tendo experiência de chuva surpresa e claro, já tendo lido muita coisa- o que nos fez acordar com um belo banho de chuva às 22h. A chuva veio sem aviso, forte e pesada! Acordamos naquela agonia para pegar lanterna, abrir o sobre-teto que estava totalmente dobrado dentro da barraca e conseguir achar os pontos certos para fixar – tarefa de nível ultra hard. Provavelmente está pensando: “Mas já não sabe do risco de uma chuva surpresa?”, “Sobre-teto sempre!”, e etc., mas o céu estava tentador demais e serviu de experiência hahahaha. Nunca mais armo sem sobre-teto. Resultado: algumas coisas molhadas, outras encharcadas, frio e aprendizado! Afinal, temos que aprender com os erros (ou negligências) também. Depois de “rearrumar” tudo e secar um pouco algumas coisas, voltamos a dormir. 2º DIA Acordamos às 5h. Assistimos o Sol nascer, café da manhã, arrumação, passar pano na barraca, curtir a praia um pouco e enquanto isso dando um tempo pro Sol subir mais e poder secar mais as coisas. Nesse tempo, passou um pescador empurrando a bicicleta e perguntei a ele se sabia quantos km faltavam para Barra Grande, que ele me respondeu “não sei direito não, mas está longe!” (depois descobrimos que, nesse ponto, estávamos mais ou menos próximos de Maraú. Provavelmente ele veio de lá). Reiniciamos às 9h e caminhamos por 3h30 até ela sentir o joelho e pararmos. Onde estávamos, não havia condições de parar, não tinha nada, então sugeri andarmos mais um pouco até onde tivesse alguma coisa. Estávamos nos aproximando de Algodões, e quanto mais perto, mais víamos casas de praia enormes e já com a “cara da riqueza” e$tampada nas fachadas, além de começarmos a ver algumas pessoas: algumas vezes caseiros, outras vezes pessoas trabalhando, e também pessoas passeando de quadriciclo na areia. Perguntamos a alguns trabalhadores quantos km faltavam até Barra Grande e ele sem muita certeza nos disse “uns 30” e foi quando “nós” (ela hahaha) decidimos parar. Desistimos e fomos perguntar a umas pessoas num bar onde poderíamos pegar ônibus para Barra Grande, e fomos informados que passaria um em 20min., logo ali perto. Fomos caminhando num Sol escaldante e, quando perguntamos a um cara de bicicleta o local do ponto de ônibus, ele disse que era ali, que o ônibus já tinha passado, mas que “sempre passa carro e logo vocês arranjam carona”. Fomos para o ponto e esperamos. Após 3 carros cheios, em menos de 10min. passou um cara sozinho num L200 e parou pra nos dar carona até Barra Grande, marcando o fim da nossa trip. O QUE APRENDEMOS NESSA VIAGEM? -É muito ruim fazer uma trip dessa com mala de 1 semana anterior em algum lugar. Se for pra fazer a trip, que seja uma viagem exclusiva pra ela, pra não ter que carregar coisas desnecessárias. -Vimos que ainda existe muitos lugares vazios e paradisíacos só esperando pela oportunidade e visita de quem estiver disposto. -Sobre-teto sempre! Mesmo no céu estrelado (hahaha). -É muito importante se concentrar no seu corpo e em seus limites, se respeitar, respeitar seu próprio tempo e o do outro, caso vá acompanhado. -Os nossos limites podem ser bem menores ou maiores do que imaginamos. -Independente do cansaço é bom olhar tudo mais de uma vez, pra não esquecer. EQUIPAMENTOS USADOS: -Curtlo Highlander 35+5L -Quechua Forclaz 50L -Azteq Nepal 2
×