Pouco depois de voltar dos meus sete meses de super-férias no Brasil e depredado por completo minhas finanças (afinal, fazia apenas UM ano que tinha ido ao Nepal e levando meu irmão comigo, cuja companhia não tem valor. Podia custar até um milhão de Euros e ainda seria barato. Não que se fosse isso tudo eu pudesse pagar, hehehehe.
Com o Nepal feito, mais umas besteirinhas que fizemos na Europa e mais os sete meses no Brasil... é... acho que me classifico como liso. Mas então consigo um estágio meio mal pago, cheio de trabalho, claro. Moradia ainda não é problema, porque vivo no apartamento da avó, doente. Mas terá de ser paga o mais cedo possível. Fora isso tem um empréstimo do velho, que me ajudou nos três primeiros meses de reajustes confusos. Tem de ser pago.
Mas então quando a situação parece estar se recuperando, meu amigo que arranjou o estágio me pergunta se eu não estaria a fim de fazer uma semana de montanha nos Alpes. Completamente alheio à minha precária e ainda sensível situação financeira, disse imediatamente que sim.
Ele queria fazer o Mont Blanc.
Ooooookaaaaay... disse eu. Sabia vagamente que o Mont Blanc é "escalaminhável", mas eram infos de 2005, quando estava passando uma vista d'olhos pro destino do meu primeiro grande trek organizado por mim. O surgimento precoce do EBC obliterou por completo qualquer coisa com a palavra "trek" sem "Evereste". Mont Blanc caiu no esquecimento.
Fui então ver do Mont Blanc. "Hmm... parece que existe uma categoria de trek em gelo e glaciares, com mais equipos e conhecimentos". Como a "escalada" propriamente dita era ausente, essa subida técnica era referida como "trek". Falei do meu amigo sobre capacetes, crampons, piolets...
Abandonamos a idéia, mas procurei infos sobre uma montanha de fato e simplesmente "trekkável". Dei com o Mount Emilius e fiz a proposta. Foi aceite.
Até as vésperas da partida, Mount Emilius era o destino.
Até as vésperas... porque às vésperas meu amigo propõe subir o Gran Paradiso. Nessa altura eu já estava mais pensando nas compras de última hora (todas). Uma olhada rápida me mostrou ser o Gran Paradiso coisa parecida com Mount Blanc: crampons, piolets, cordas. Era isso mesmo que ele queria? tudo bem... mais bagagem prá mochila... casacos, luvas, meias, gorros... ai, ai... e eu que queria ir leve.
Para o Gran Paradiso não confiaria de jeito nenhum na barraca do meu amigo. Comprei uma. Cara. 370 Euros. Aff... mas pareceu boa suficiente para montanha, mesmo o fabricante classificando-a como "trekking", para trilhas baixas. O peso estava dentro do aceitável para duas pessoas.
Cheguei em casa poucas horas antes da partida e ainda tinha de arrumar tudo. Foi dureza e confuso, mas no fim terminei com minha mochila de 25 kg de novo. Comida para cinco dias pesava muito. Mais o combustível e sempre 2 lt de água pesava também. O equipo extra não ajudava, mesmo não estarmos levando corda apropriada. Meus meio-crampons pesam quase 1 kg! Horrível! mas é isso aí... confiar no bom caimento da mochila para levar isso por horas e horas de subidas.
Na casa do meu amigo, nada pronto ainda. Ele acaba de voltar do trampo e ainda vai atrás de coisas. Eventualmente, perto da meia-noite, entramos no carro.
Prólogo
Pouco depois de voltar dos meus sete meses de super-férias no Brasil e depredado por completo minhas finanças (afinal, fazia apenas UM ano que tinha ido ao Nepal e levando meu irmão comigo, cuja companhia não tem valor. Podia custar até um milhão de Euros e ainda seria barato. Não que se fosse isso tudo eu pudesse pagar, hehehehe.
Com o Nepal feito, mais umas besteirinhas que fizemos na Europa e mais os sete meses no Brasil... é... acho que me classifico como liso. Mas então consigo um estágio meio mal pago, cheio de trabalho, claro. Moradia ainda não é problema, porque vivo no apartamento da avó, doente. Mas terá de ser paga o mais cedo possível. Fora isso tem um empréstimo do velho, que me ajudou nos três primeiros meses de reajustes confusos. Tem de ser pago.
Mas então quando a situação parece estar se recuperando, meu amigo que arranjou o estágio me pergunta se eu não estaria a fim de fazer uma semana de montanha nos Alpes. Completamente alheio à minha precária e ainda sensível situação financeira, disse imediatamente que sim.
Ele queria fazer o Mont Blanc.
Ooooookaaaaay... disse eu. Sabia vagamente que o Mont Blanc é "escalaminhável", mas eram infos de 2005, quando estava passando uma vista d'olhos pro destino do meu primeiro grande trek organizado por mim. O surgimento precoce do EBC obliterou por completo qualquer coisa com a palavra "trek" sem "Evereste". Mont Blanc caiu no esquecimento.
Fui então ver do Mont Blanc. "Hmm... parece que existe uma categoria de trek em gelo e glaciares, com mais equipos e conhecimentos". Como a "escalada" propriamente dita era ausente, essa subida técnica era referida como "trek". Falei do meu amigo sobre capacetes, crampons, piolets...
Abandonamos a idéia, mas procurei infos sobre uma montanha de fato e simplesmente "trekkável". Dei com o Mount Emilius e fiz a proposta. Foi aceite.
Até as vésperas da partida, Mount Emilius era o destino.
Até as vésperas... porque às vésperas meu amigo propõe subir o Gran Paradiso. Nessa altura eu já estava mais pensando nas compras de última hora (todas). Uma olhada rápida me mostrou ser o Gran Paradiso coisa parecida com Mount Blanc: crampons, piolets, cordas. Era isso mesmo que ele queria? tudo bem... mais bagagem prá mochila... casacos, luvas, meias, gorros... ai, ai... e eu que queria ir leve.
Para o Gran Paradiso não confiaria de jeito nenhum na barraca do meu amigo. Comprei uma. Cara. 370 Euros. Aff... mas pareceu boa suficiente para montanha, mesmo o fabricante classificando-a como "trekking", para trilhas baixas. O peso estava dentro do aceitável para duas pessoas.
Cheguei em casa poucas horas antes da partida e ainda tinha de arrumar tudo. Foi dureza e confuso, mas no fim terminei com minha mochila de 25 kg de novo. Comida para cinco dias pesava muito. Mais o combustível e sempre 2 lt de água pesava também. O equipo extra não ajudava, mesmo não estarmos levando corda apropriada. Meus meio-crampons pesam quase 1 kg! Horrível! mas é isso aí... confiar no bom caimento da mochila para levar isso por horas e horas de subidas.
Na casa do meu amigo, nada pronto ainda. Ele acaba de voltar do trampo e ainda vai atrás de coisas. Eventualmente, perto da meia-noite, entramos no carro.
Ai, ai...
Isso tem de entrar na pobre azul ao lado.
Um pouco de coragem antes de enfrentar a briga.
Mas coube!
CONTINUA...