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Barrada, Brasileira fica 2 dias presa no aeroporto de Madri


Silnei

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  • Admin

Barrada na Espanha, pós-graduanda da USP acusa imigração de maus-tratos e Consulado Brasileiro de inoperância

 

 

Gabriela Sylos

Em São Paulo

 

 

A caminho de um congresso científico em Portugal, a pós-graduanda em física pela Universidade de São Paulo Patrícia Camargo Magalhães, 23, deveria só fazer uma conexão na Espanha, na manhã do último dia 9. Ficou dois dias presa no aeroporto de Madri.

 

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Sem um comprovante de estadia em Portugal e de sua inscrição na conferência Scadron70, Patrícia foi impedida pela imigração espanhola de entrar no país e ficou detida com mais de 30 pessoas em um local com camas e banheiro, mas em condições precárias.

 

Durante os dois dias em que esteve presa, as autoridades da Espanha não esclareceram o que faltava para a entrada de Patrícia ser liberada. A justificativa final foi "falta de documentos", que não foram especificados na carta de expulsão.

 

Presos no último andar do aeroporto estavam outros estrangeiros, na maioria mulheres e todos africanos e latino-americanos. "Éramos impedidos de passar pela porta e apenas um de cada vez podia comprar cartões para falar no único telefone público que tinha no andar", afirma. Ela não pôde ficar com objetos pessoais, como sua escova de dentes, e teve que fazer refeições no chão por falta de espaço.

 

A cópia do pôster da apresentação de seu trabalho no congresso e a capa de um artigo científico que levava seu nome não foram aceitos como documentos. Ela então pediu para que parentes e amigos enviassem comprovantes de sua inscrição e de sua estadia em Portugal. Segundo ela, as autoridades não deram importância às mensagens de fax e aos telefonemas.

 

Na mesma situação, a brasileira Camille Gavazza Alves, 34, formada em turismo e promotora de eventos, também foi impedida de continuar sua viagem à Irlanda, onde faria um curso de inglês durante seis meses. Ela reclama das condições precárias em que as autoridades mantiveram cerca de 30 pessoas juntas durante mais de dois dias. "As condições do banheiro eram tão ruins que preferi ficar sem tomar banho".

 

Camile estava com os comprovantes de sua matrícula e de sua residência, seguro-saúde, quantia de 3.000 euros, além de cartão de crédito com outros mil euros. Por acreditar que deveria mostrar esses documentos apenas na Irlanda, não apresentou os mesmos na alfândega espanhola. "Só entreguei passaporte e bilhetes, eles não me pediram outros documentos. Só entreguei o resto quando já estava presa", afirmou. Pelo mesmo motivo de Patrícia, Camile foi mandada de volta ao Brasil por "falta de documentos", que as autoridades também não especificaram.

 

Durante os dias em que ficaram presas, as brasileiras procuraram o Consulado do Brasil em Madri pelo telefone, mas só conseguiram, segundo elas, deixar mensagens em uma caixa postal eletrônica e ainda assim não obtiveram resposta.

 

O outro lado

Procurado pela reportagem do UOL, o consulado negou que não tenha atendido aos chamados. Em relação a Patrícia, o primeiro secretário-cônsul-adjunto Pedro Frederico Garcia disse que telefonou ao aeroporto solicitando informações sobre a situação da estudante, além de ter enviado dois pedidos via fax na segunda-feira (10). Em relação a Camile, o consulado disse que não recebeu um pedido de ajuda formal por escrito da brasileira. A promotora nega e diz que sua irmã enviou e-mails do Brasil.

 

Ainda segundo Garcia, o consulado não entrou em contato direto com as brasileiras porque "a comunicação é muito difícil nestas situações, e o assunto é tratado diretamente com as autoridades".

 

Para o consulado, a polícia espanhola alegou que "havia uma discrepância entre o discurso de Patrícia e os documentos apresentados". Segundo as regras gerais do país, a estudante deveria portar uma carta-convite assinada e carimbada pela organização do evento.

 

Segundo a Embaixada da Espanha no Brasil, o país pode exigir os seguintes documentos dos estrangeiros, inclusive dos turistas: passaporte válido, bilhete de viagem nominal, de ida e volta, comprovantes de estadia, seguro médico internacional, comprovante de renda para se manter no país e justificativa para a viagem. Dos estudantes pode ser exigido também um comprovante de matrícula em curso ou inscrição em congresso ou eventos semelhantes.

 

"Os brasileiros têm as portas abertas na Espanha. Mas precisam portar todos os documentos exigidos", completou a embaixada.

 

Controle de imigrantes

Desde 2007, a Espanha vem aumentando o rigor para permitir a entrada de estrangeiros no território. Esta é a nova regra exigida pelos 24 países (desde Portugal até os países bálticos, além da Islândia) que participam do espaço Schengen, uma convenção que permite a livre circulação de pessoas no território. "Todos os países que participam deste espaço tem que seguir determinadas regras para permitir a entrada de imigrantes na UE", afirma a Embaixada da Espanha no Brasil por meio de sua assessoria.

 

A respeito das acomodações onde os estrangeiros são mantidos, a embaixada afirma que o local cumpre os requisitos básicos exigidos pelas normas do espaço Schengen. Possui serviço sanitário, camas e telefone público. "A sala é inspecionada periodicamente e a polícia da imigração recebe formação especializada para atender aos estrangeiros", disse a assessoria.

 

Segundo dados da Eurostat, a agência de estatística da União Européia, a Espanha lidera a lista dos países que mais recebem estrangeiros. "As autoridades da União Européia vêm intensificando o controle da imigração ilegal", informou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil. "A Espanha é a principal porta de entrada na Europa". O crescimento econômico do país e a língua são alguns dos atrativos do país.

 

Segundo o ministério, todo país tem soberania para deliberar sobre a entrada de estrangeiros, mas ressaltou que o Itamaraty vem mantendo reuniões com as autoridades para pedir que o controle de imigração "não prejudique pessoas de boa-fé".

 

Por UOL - Últimas Notícias

http://noticias.uol.com.br/ultnot/2008/02/20/ult23u1217.jhtm

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  • Membros de Honra

Menos sorte tem os "nao tao instruidos" q tentam a vida la fora, tipo as kengas q emigram pra terrinha e pra mesma Terra de Cervantes, sem contar nos travecos q exportamos pra Italia, q passam pelo mesmo cosntrangimento (piores até) e sequer tem mençao em notas de rodapé na mídia. E a Embaixada e consulado? Tiram o deles da reta, logicamente.

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  • Membros de Honra

Acho importante a divulgação desses casos para não cometermos os mesmos erros que a Patrícia, erros que são sempre os mesmos: documentação incompleta e informações desencontradas, que aliadas a falta de ação de nossas embaixadas e consulados acabam nos fazendo passar por humilhações, sendo tratados como bandidos...

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  • Membros

E sempre fica o toque, check-list pode ser feito num pedaço de papel de pão, anota o que precisa, e vai dando OK nos documentos que tem e sublinhando o que falta... se aconteceu da mesma maneira que tá no artigo, vcs vão querer o meu fígado, mas quem chupou bala foram elas... informação é o que não nos falta!

 

É mais que recomendado levar todos os documentos, tão sabendo que a UE ta pegando no pé de latino...

 

E fica a dúvida no ar: será que elas foram com acompanhamento de alguma agência?

 

Abraço!

 

Victor

[email protected]

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  • Membros de Honra

a américa latina é exportadora de mão de obra... e o que não falta é brasileiro que topa ser imigrante ilegal. os anos 90 foram pródigos nisso, é a época do "terra estrangeira", filme do w. salles q trata dessa "exportação" de brasileiros. uma época era dentista em portugal. governador valladares inteira já tentou entrar nos estados unidos de tudo quanto é jeito, acho que só falta tentarem entrar nos e.u.a. de disco voador (varginha é perto de governador valladares?)....

 

além disso, temos a forte exportação de profissionais do sexo. travesti brasileiro é o que não falta na europa. em 1985, o língua de trapo já abordava o assunto, no disco "como é bom ser punk". vide a letra da música "um brasieliro em paris":

http://www.linguadetrapo.com.br/discografia-comoebomserpunk#10

 

e o que não falta tb é prostituta brasileira na europa. uma conhecida minha, há alguns anos estava estudando na espanha e primeiro achou ruim pq tudo quanto é espanhol que descobria que ela era brasileira perguntava quanto era o programa... depois ela conheceu umas 5 ou 6 brasileiras na mesma cidade... adivinhem o que faziam? eu mesmo tenho uma aluna que é ex-garota de programa. tá fazendo faculdade, fez seu pé-de-meia, advinhem onde? claro, espanha.

 

um dado físico é denunciador das latinas: "el cabelón". uma dinamarquesa que estudou comigo no colegial dizia, que na terra dela, cabelos tão compridos e bem tratados só entre as prostitutas. as mulheres brasieliras são bonitas, estão entre as mais bonitas do mundo. cuidam do corpo, cuidam da aparência. são vaidosas. isso abrange também as prostitutas brasileiras. pra quem é de fora é, sim, muitas vezes difícil distinguir. mesmo aqui no brasil é difícil distinguir muitas vezes....

 

daí, vem o rapa... basta uma mera inconsistência de dados pra se cair na vala comum dos indesejáveis no dito primeiro mundo.

 

some-se isso à indigência dos serviços consulares brasileiros e a eterna subserveniência dos nossos governos a aos ditos países do primeiro mundo. dá nisso....

 

enquanto não resolvermos nosso problemas socias seremos exportadores de mão-de-obra ilegal. e enquanto formos exportadores de mão-de-obra ilegal seremos discriminados aí fora. uma coisa tá ligada à outra.

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  • Membros de Honra

ah, só pra acrescentar. quem tiver acesso á folha de são paulo, domingo passado, no caderno mais!, há uma reportagem sobre os 40 brasileiros presos em la moraleja, prisão ao norte de madrid. cahmou minha atenção a declaração de uma brasileira (aliás, de catanduva, cidade para qual vou toda semana). eis o trecho final da reportagem:

 

"""""""Com a experiência de quem trabalha há 25 anos em presídios, o diretor de La Moraleja tem a opinião oposta à da direita. Para ele, quanto mais repressão aos imigrantes, mais criminalidade.

"Sei que os que vêm para a Espanha são forçados a emigrar pelas difíceis condições de vida em seus países", diz De la Rosa. "A ilegalidade estimula a criminalidade. A maioria comete atos ilícitos não porque são criminosos por natureza, mas porque ficam sem opção."

Alguns tiveram escolha e não se arrependem. Iramaia Andréa Siqueira, 29, é uma das três mulheres brasileiras presas em La Moraleja.

Em agosto espera ser expulsa da Espanha, após ter cumprido 3/4 da pena de cinco anos por ter tentado entrar na Espanha com cem cápsulas de cocaína no estômago. "E se tivesse dado certo?", indaga, com os olhos verdes brilhando. "Teria comprado uma casa para a minha mãe. Não, não me arrependo."

Hoje Iramaia está grávida de seis meses do guatemalteco Abiel Isaac, 27, que conheceu na oficina de costura do presídio. A paulista de Catanduva sonha com um futuro melhor para seu bebê. Se for menino, como ela espera, se chamará Iago. "Tenho outros dois filhos em Catanduva, de 5 e 12 anos", diz. "Quando sair daqui, vou juntar as duas famílias e começar tudo de novo.""""""

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  • Membros

Tenho uma pergunta sobre o que acontece com pessoas como nós, que geralmente ficam em albergues, viajando por vários países: Como provar que não seremos mais um querendo ficar lá vivendo uma vida absurda de ilegais? Que conselhos vocês dão às mulheres jovens, que viajam sozinhas mochilando para não sofrermos esses constrangimentos na Europa?

Obrigada! Patricia

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  • Membros de Honra

patrícia, há brasileiras que em diversos locais se identificam como portuguesas. mas isso nãoé possível quando vc tá passando numa aduana...

o ideal é fazer como o wereldt tá dizendo, munir-se da maior quantidade possível de documentos, se possível até mais do que o mínimo legal....

mas o que passamos na europa, nós latinos, não é nem fichinha perto do que passam os oriundos do oriente médio em tudo quanto é lugar...

 

não há como garantir que nunca passaremos por alguma situação constrangedora. pricipalmente nos países onde tantos outros brasileiros entram legalmente pra ficar ilegalmente.

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  • Membros de Honra

No dia que eu for passear na Europa espero já ter tudo planejado:

 

- roteiro traçado;

- reservas das hospedagens nas diversas cidades/países;

- as passagens (de ônibus, trem e avião) compradas;

- ingressos dos museus etc já em mãos;

- uma mochila de bagagem;

- pouco dinheiro vivo e um cartão de crédito pompudo.

 

Mas acho que isso ainda vai demorar, mas não custa ir sonhando...

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  • Membros de Honra
No dia que eu for passear na Europa espero já ter tudo planejado:

 

- roteiro traçado;

- reservas das hospedagens nas diversas cidades/países;

- as passagens (de ônibus, trem e avião) compradas;

- ingressos dos museus etc já em mãos;

- uma mochila de bagagem;

- pouco dinheiro vivo e um cartão de crédito pompudo.

 

Mas acho que isso ainda vai demorar, mas não custa ir sonhando...

 

ainda assim isso é apenas garantia psicologica q ta td em ordem, pq afinal de contas quem decide tua entrada é o policial de plantao, q pode ou nao ir com a tua cara... nao custa nada pro cara colocar impedimento de qq especie, seja por puro preconceito ou pra faturar um troco..

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