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Mochileando sozinha por 6 semanas no norte da Argentina - Misiones e Tucumán

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Fala galeris,

Venho trazer meu relato de viagem na Argentina, passei 6 semanas viajando sozinha em novembro e dezembro de 2025 nas províncias de Misiones e Tucumán, com breves passagens em Foz do Iguaçu, Paraguai e Salta que vou comentar também. 

O rolê iniciou com um festival artístico que descobri que ia rolar em Puerto Iguazú que pirei em ir pra ver se eu aprendia a tocar bombo leguero com a galera das chacarera/malambo e com a desculpa de vender minhas artesanias. Depois disso me meti em voluntariados em sítios agroflorestais na selva misioneira, onde fiquei duas semanas morando sozinha em uma casinha de barro e trabalhando na roça alheia. O plano inicial era depois do voluntariado passar por Tucumán e subir até Salta e Jujuy, mas acabei mudando de ideia e fiquei só por Tucumán mesmo, passeando pelos vales, conhecendo cascatinhas andinas e tomando vinhos. 

Meu trajeto, todo por terra de busão, foi:
Novo Hamburgo/RS - Foz do Iguaçu/PR - Puerto Iguazú/MIS - Puerto Libertad/MIS - San Pedro/MIS - Posadas/MIS (com um dia em Encarnación e Trinidad/PY) - San Miguel de Tucumán/TUC - Tafí del Valle/TUC - Amaicha del Valle/TUC - Cafayate/SAL - outra vez a San Miguel de Tucumán - e o trajeto de volta até Novo Hamburgo.

A viagem durou 6 semanas, saí de Novo Hamburgo - RS em um bus a Foz do Iguaçu dia 17 de novembro de 2025 e comecei a voltar pra casa dia 26 de dezembro saindo da capital de Tucumán, chegando em casa dia 29. 

Nota sobre os preços: o câmbio real - pesos na minha viagem tava mais ou menos 1 real - 260/266 pesos, mas pra facilitar a viagem eu sempre calculava como 250. Então o tempo todo fingi que 1000 pesos são 4 reais, e assim fui indo. Todas as conversões aqui vão ser baseadas nesse câmbio imaginário que usei, mas no fim dá quase a mesma coisa.

Levei pouquíssimo dinheiro em reais pra fazer câmbio, resolvi ir sacando com Western Union e achei que valeu bastante a pena, deu elas por elas entre isso e o câmbio. O único problema é que, se tu não se planeja bem e saca muitas vezes, eles podem bloquear teus saques e isso pode te dar muito problema... e é óbvio que isso aconteceu comigo. 

Esse é um resuminho inicial, agora vou contanto com mais detalhes cada etapa da viagem.

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1. Foz do Iguaçu - PR

Passei só uma noite em Foz, a ideia era dormir, acordar, ir cedinho pras cataratas e cruzar pra Argentina pra dormir a segunda noite lá. Me hospedei no Hostel Poesia, bem agradável e confortável, gostei bastante, paguei 66 reais com reserva pelo booking. 

Sobre as cataratas já devem ter miles de relatos aqui, vou dar uma atualizada pra ajudar com as infos mais recentes. 

Pra chegar no parque tem que pegar o ônibus de linha 120 que diz Parque Nacional do Iguaçu, pedindo informação tu descobre certinho onde passa. A passagem custa 5 reais e te deixa na porta do parque. O ingresso tá custando R$ 105, valores de 2025.

Cheguei numa hora muito ruim, acho que pelas 11h da manhã porque não consegui concretizar meus planos de sair cedinho... no hostel tu conhece gente legal e acaba se perdendo nos papos do café da manhã, acontece, e eu acho preciosíssimo viver essas relações efêmeras da galera encontrada em viagem. Além de que nessas acabei vendendo bastante minhas artesanias e já cobriu o valor do passeio no parque ;)

Enfim, cheguei nas cataratas, peguei uma fila gigante e fiz os trajetos super cheios, não foi muito agradável isso mas o pico é tão maravilhoso que tanto faz a muvuca de gente quando tu sente toda aquela energia da água. Na primeira vista das cataratas eu já tava chorando de tão lindo.

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20251119_121530.thumb.jpg.51ff616ff85071e59456b5ce7617fad5.jpgpor algum motivo fiquei virada, mas deixo aí igual kkk


Depois de terminar esse trajeto indo até lá a garganta do diabo eu queria fazer a trilha que te leva pra uma cascatinha que dá pra tomar banho, que achei que era o caminho das bananeiras mas me enganei, então fiz a trilha errada. De qualquer forma foi bem legal essa das bananeiras, te leva mais pelo meio do mato até uma outra vista do rio, longinho das cataratas, em que tu vê a imensidão do rio correndo calminho e passa por um bilhão de borboletas e por vários lagartos.

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O caminho que eu queria ter feito era o circuito São João, que fecha às 15h, daí eu já não tinha mais tempo na hora da volta pra fazer. 

Deixo aqui esse mapa extremamente útil pra planejar o rolê e que não tem na internet (se tivesse visto ele antes não teria feito a trilha errada rs)

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Voltei pro hostel e peguei o ônibus internacional pra Puerto Iguazu perto do hostel, numa parada na rua. Tá escrito Puerto Iguazú, é o mesmo que te leva tanto pro centro/rodoviária/feirinha e depois vai pras cataratas argentinas. Custa 30 pila

A fronteira é bem serena, eu tava um pouco insegura porque em 2022 tinha ido pra Buenos Aires e voltei pro Brasil sem dar saída da Argentina, mas não tive problema nenhum em cruzar. Tu desce do ônibus, faz o trâmite bem rapidinho, volta pro bus e tchau já tá na Argentina.

2. Puerto Iguazú - Argentina

Cheguei de noite, dormi no Hostel Damaris, peguei um quarto privado por 15 mil pesos, que deu mais ou menos 60 reais. A ideia era ficar só uma noite, mas acabei ficando duas, na segunda peguei um quarto compartilhado por 9000, que é tipo 35 pila. É bem simplinho, mas cumpre o prometido pelo preço baixíssimo, achei as camas bem desconfortáveis mas o pátio que tem nos fundos é bem legal pra ficar curtindo com quem mais estiver ali e tem piscina. 

No dia seguinte acabei preferindo caminhar pela cidade em vez de ir pras cataratas. Fui pra um tal de ~mirador escondido~ que encontrei no mapa ali pertinho da feirinha e segui andando até o marco das três fronteiras. Tava um calor del horto, me queimei horrores e tava cansadona de subir e descer (infelizmente sempre tinha a péssima ideia de caminhar na rua pelo meio dia), mas fui devagarinho curtindo o caminho, descansando nas poucas sombras olhando o rio e tal. 

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Foi ali em Puerto Iguazu que comprei um chip argentino da Claro, paguei 500 pesos ou seja míseros dois reais. Um amigo antes de eu ir viajar tinha me emprestado um da Movistar, mas chegando lá descobri que não funciona essa operadora no norte da Argentina, é mais do centro ali Buenos Aires, Santa Fe etc. O da claro me serviu muito bem, acho que ao todo nesses quase 2 meses de viagem devo ter gastado no máximo dos máximos 15 mil colocando crédito pra usar internet, o que achei que super valeu a pena. Só tem que cuidar pq ele ativa os dados imediatamente quando tu carrega e se tu não compra um pacote ele vai gastando super rápido, tem que entrar no aplicativo pra ver isso e tal se não tu perde altos pila a nada. 

E só isso, no terceiro dia de manhã peguei um bus na rodoviária com destino a Puerto Libertad, onde ia rolar o festival.

3. Puerto Libertad - Festival Resonancias

Bom, esse foi o meu motivo de ter saído pra viajar. Foi a terceira edição do festi, que é organizado por uma galera multiartista , é uma junção de galera pra acampar, tomar banho na barragem, fazer oficinas artísticas, trocar experiências, viver a autogestão e tal. 
Encontrei no insta por causa de um pessoal que encontrei tocando na rua em Paraty RJ e pirei no trampo deles, comecei a acompanhar e eles são parte da organização do festival. Daí que assim fui atrás deles porque me apaixonei pela chacarera, pelo malambo, pelo zapateo, enfim, queria conhecer mais dessa cultura do folclore argentino que é linda e também é parte da cultura gaúcha que vivo aqui no sul do Brasil. 

Pra quem quiser acompanhar, no insta é @festivalresonancias 

Assim acampei uma semana no Parque Urugua-í no meio de completos desconhecidos que viraram várias amizades. O festi foi lindo lindo, fizemos oficinas de música, dança, teatro, cerâmica, pintura, literatura, além de rangos coletivos, mate mate mate, noites na fogueira trocando ideia e tocando violão, sarau na praça da cidade, e foi de gratiss tirando as comidas, que custavam 4mil pesos por refeição, que são tipo 15 reais.

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Na primeira foto o mural que foi pintado ao longo do evento, minha barraquinha olhando pro lago e meu paño improvisado de artesania e literatura, inclusive se alguém quiser me acompanhar, me encomendar um brinquinho de semente ou ler meus poemas viajeros segue aí @mira.artesanias

No último dia do festival fomos visitar uma cascata que é o Salto Jaguareté. Ali na região dizque tem mais um monte de cachoeiras lindas. A região de Misiones é muito conservada, é a parte argentina da Mata Atlântica e tem muitos lugares lindos pra visitar. Não é um destino tão comum além obviamente da capital Posadas, mas eu acho que vale muito a pena passar um tempo ali pela província. Tanto que passei três semanas por aí nesses matos, seguindo o relato pro voluntariado que me enfiei.

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4. San Pedro - voluntariado agroflorestal

De Libertad segui pra San Pedro pra Chacra Ibirá Potí. Encontrei esse voluntariado em um canal de whats chamado Tejido Misionero, onde tem um monte de grupos de vários assuntos incluindo caronas e voluntariados pela província. 

Vou passar meio por alto aqui, se quiserem saber especificamente algo podem perguntar. Fiquei duas semanas no sítio de uma família morando sozinha em uma casinha bioconstruída por eles. Trabalhava umas 4h por dia em tarefas entre cuidados de horta, roça, herval, feitio de tabaco, de erva mate, empacotamento de farinhas orgânicas, manejos agroflorestais de modo geral e o que mais rolasse.

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Não sabia exatamente qual ia ser meu rumo, e isso me deixava bem nervosa e indecisa. Chegou um dia que eu não aguentava mais não saber pra onde ir depois da chácara, tava entrando meio que em uma inércia de ir ficando e ir ficando, então decidi simplesmente ir embora no dia seguinte porque senti que precisava movimentar a energia viajera indo pra estrada pra ser capaz de decidir meu rumo. Tava em dúvida de se voltava pra Libertad pra fazer outros voluntariados em sítios ou se seguia mais pro norte, direção a Tucumán. Assim terminei as duas semanas de voluntariado indo pra Posadas, um meio do caminho adequado pra tomar essa decisão. 

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15 horas atrás, D FABIANO disse:

@miranlauberf O que você fazia para descontrair neste tempo que passou no mato, como diz?

Dormi muitas horas de siesta todo dia porque fazia um calor infernal, refleti sobre toda minha vida, fiquei fazendo macramê pensando em vender em Posadas e Tucumán (o que no fim nem rolou), andando um pouco no mato e tomando uns banho de rio, tomando mate sozinha olhando as árvore, li 3 livros e escrevi um pouco, meditava, falava sozinha kkk sempre brigando com os mosquitos também

a internet lá não funcionava então só tinha as distrações e ocupações da realidade mesmo. E às vezes ia na casa da família, daí quando eles não tavam ocupados na função crianças pequenas rolava interagir um pouco com humanos, e ali rolava mandar uns zap e conversar brevemente com as pessoas distantes, mas ficava bem pouco ali pra não atrapalhar a dinâmica familiar. Meio que isso, duas semanas aprendendo a lidar com o tédio e com a minha própria companhia

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Acabei esquecendo de comentar uma coisa muito importante que me aconteceu em Puerto Libertad: tive uma reação alérgica por picada de inseto e achei que ia parar no hospital

Como se tá no meio da selva misionera, tem muuuito mosquito. O que aqui no sul do Brasi la gente chama de borrachudo (não sei se é esse nome no resto do brasil, mas é aquele mosquito que deixa uma bolinha de sangue vermelha pequenininha onde pica) lá na Argentina eles chamam varigui (ou barigui, nunca sei se é com v ou b as palavras).

Eu já sabia que tenho alergia, mas não achava que era um rolê tão sério, sempre ando no mato e nunca rolou nada assim... daí tranqui, fiquei lá de short e chinelo vivendo a vida, até que uma noite meus pés começaram a inchar e doer, eu comecei a me sentir meio fraca, trêmula e começou a fechar minha garganta... não tava mais conseguindo engolir saliva, e fiquei muito preocupada. Nunca carrego antialérgico comigo, mas por sorte dessa vez tinha levado umas loratadina, tomei, achei a brasileira do rolê e falei pra ela que se eu passasse mal ia chamar ela mas que não era pra se preocupar que eu achava que ia ficar bem (eu desesperada achando que não ficaria bem mas não querendo assustar a galera)

Resultado: depois de umas horas de desespero bebendo água sem parar pra ter certeza que eu ainda era capaz de engolir saliva (que sensação horrível não poder engolir!!!) começou a diminuir os sintomas, mas fiquei tomando antialérgico por 3 dias porque ainda sentia, usando calça comprida, tênis e um repelente natureba que consegui comprar no festival, além de umas pomada também natureba pra aliviar os sintomas das picadas e pra não piorar a crise de novo. A estratégia foi tentar evitar novas picadas, principalmente nos pés, que é meu ponto mais sensível pra desencadear uma crise alérgica.

Enfim, se vc é alérgico a algo, não ignore esse fato kkkk por sorte deu tudo certo e não precisei ir pro hospital, o que foi um alívio.

Esse o quase perrengue que rolou, logo sigo o relato com Posadas, Paraguai e Tucumán

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@miranlauberf Eu também tenho alergia a picada de muriçoca(nome aqui no Sudeste/Centro Oeste),mas em mim só cresce e coça muito o lugar da picada.Sabe o que faço quando vou ao mato?Tomo vitamina B,dias antes e continuo tomando até sair de lá. Mas,cada um reage de um jeito, o que serve para mim,não servirá para outros. 

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5. Posadas 

Cheguei de passagem em Posadas, fiquei pouco porque me dei conta de que, se queria ir pra Tucumán, Salta e Jujuy, precisava me apressar. Eu não tinha data de volta, saí sem planos concretos, mas de qualquer forma a ideia não era me estender demais. Fiquei no hostel Como en Casa duas noites, se não me engano deu 34 mil, ou seja 17 por noite, pouco menos de 70 pila no quarto compartilhado por diária. Infelizmente era o mais barato.

Minha ideia em Posadas era vender arte e tocar na rua pra juntar uns pilas, mas acabei não tendo sucesso. Eu ainda não tinha entendido como a hora da siesta é levada a sério na Argentina, ainda mais em dezembro que faz um calor horrível no norte, então quando saí pra vender às 11 da manhã foi a pior ideia do mundo porque tava um sol do inferno e pouquíssima gente na rua, obviamente. Fiquei caminhando e vendo onde podia parar pra tocar meu pandeiro, mas além do pouco movimento pensei que eu ia pegar insolação e isso não seria nada bom. O melhor era dormir a siesta mesmo. 

No dia que saí de noite pra tocar na rua foi péssimo porque eu tocava uma música e vinha um louco me alugar pra ficar hablando y hablando. Acabo sendo muito legal e não corto os loko, daí ficam enchendo o saco, no fim consegui tocar umas 4 músicas e voltei pro hostel com meus pouquíssimos pesos adquiridos nessas de homens chatos icovits que não me deixaram trampar. Acabei desistindo, pensando que em Tucumán dava um jeito de compensar.

O único lugar que visitei na cidade foi o Balneario El Brete, uma prainha bem agradável e bem gostosa de tomar banho. Tem tipo uns guarda-sol de concreto pra fazer sombra, então rola ficar embaixo curtindo, e na volta pela costanera passei pela estátua do Andresito, que é uma figura bem importante em Misiones.

6. Idinha pro Paraguai - Encarnación e Trinidad

No segundo dia em Posadas acordei me dando conta de que já fazia quase um mês que eu tava na Argentina e não tinha ouvido nenhum argentino nem cogitar dizer a palavra café, quem dirá tomar um meio aos infinitíssimos mates. Catei um expressinho, tomei e fiquei fritaça de ansiedade e nesse estado fui pro Paraguai. A ideia era ir pra Trinidad, nas ruínas das reduções jesuíticas.

E fui. Peguei um ônibus pra Encarnación por 4000 pesos, tipo 15 reais. Tinham me dito que valia mais a pena pegar esse onibus do que o trem que cruza o rio porque ele me deixaria de onde eu tava, perto do hostel, na rodoviária, e pra pegar o trem eu precisaria ir até a costanera e depois ir até a rodoviária no Paraguay, bem longe de onde o trem te deixa. 

Foi um dia muito difícil porque tem momentos que bate a panca de ser uma pessoa autista viajando sozinha e tendo que lidar com situações de crise sem auxílio nenhum. A pior parte disso foi que eu tava no Paraguai, lá não tinha internet porque meu chip era argentino e eu não tinha feito câmbio porque botei fé que seria tranquilo pagar tudo em pesos e no cartão, não tinha nem cogitado que pensar nos números dos preços das coisas e o caos da terminal de Encarnación podia me desencadear uma crise. Quase desisti de ir pra Trinidad porque tava completamente incapaz de fazer qualquer coisa, mal conseguia ver o mapa pra saber pra onde ir, mas consegui me direcionar pra praia que tem ali perto e fiquei olhando o rio na Playa de San José até me sentir capaz de tomar alguma decisão pós crise. 

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Consegui me acalmar e voltei pra terminal pra comprar a passagem pra Trinidad, me custou 5 mil pesos pra ir e mais 5 mil pra voltar, mais ou menos 40 reais, que em guaranies seriam 40 mil. A viagem dura mais ou menos uma hora. Trinidad é um pueblito bem pequeno onde no meio tem esse parque das ruínas, se me lembro bem são as maiores reduções que sobraram e são também as mais recentes antes do fim desse momento histórico com a guerra guaranítica. A entrada custou 30 mil guaranies, só pode pagar em dinheiro paraguaio ou cartão, então como passei no cartão saiu um pouco mais caro mas igual não tanto, deu 38 reais. 

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umas pinturas a caminho do parque

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Eles tem um museuzinho onde te colocam pra ver um vídeo sobre a história do local e tem uma exposição com uns painéis pra ti ler um pouco mais sobre o assunto. Dentro do parque, as ruínas do que era a redução, com a igreja, as oficinas, as casas dos guaranis, enfim, todo esse rolê. Passei um tempo ali olhando tudo e depois fui dar mais um giro no pueblo que tava bem agradável, fui parar no Parque Ecológico que é uma praça onde tem o Paseo de los Mitos, um caminho meio que nesse matinho urbano com várias esculturas de personagens mitológicos da cultura guarani/argentina. Além disso achei muito foda constatar que foi exatamente nesse lugar a pedreira onde tiraram as pedra pra construir os prédios da redução.

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algumas das estátuas e as marcas de cortes nas pedras

20251216_153203.thumb.jpg.d0cccab33f3808e383e6e5277ae333c1.jpgTinha visto no mapa um tal monumento ao aquífero guarani, cheguei lá e tava nesse estado


Foi esse meu rolê paraguaio, peguei o bus pra voltar pra Encarnación, da rodoviária peguei o bus pra voltar pra Posadas e nisso levei muuuuuito tempo porque depois ouvi dizer que deu um acidente na ponte, então levei mais de duas horas pra conseguir cruzar a fronteira. Caos total (e foi depois disso tudo que fui tocar pandeiro na rua, que contei ali em cima)

Dormi a segunda noite em Posadas e no dia seguinte era ruta otra vez.

 

Editado por miranlauberf

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Em 03/02/2026 em 00:21, D FABIANO disse:

@miranlauberf Eu também tenho alergia a picada de muriçoca(nome aqui no Sudeste/Centro Oeste),mas em mim só cresce e coça muito o lugar da picada.Sabe o que faço quando vou ao mato?Tomo vitamina B,dias antes e continuo tomando até sair de lá. Mas,cada um reage de um jeito, o que serve para mim,não servirá para outros. 

bah vou testar um dia pra ver se funciona comigo, valeu!

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7. San Miguel de Tucumán

A partir de agora esse relato tem no fundo uma chacarera.

Quis passar por Tucumán porque dois anos atrás conheci dois tucumanos em Cusco e queria me encontrar com eles de novo, principalmente com um que me fiz mais amiga. Fiquei hospedada na casa dele, assim não gastei nada na capital. Paguei de Posadas a San Miguel 65 mil pesos, uns 260 reais. Foi bem barato porque o valor das outras empresas era de 90 a 100 mil, um absurdo, quase desisti. Viajei com a 20 de Junio, um ônibus muito confortável, recomendo muito. Foram 15 horas de viagem mais ou menos até chegar. Aí fechava um mês de viagem, saí de Posadas dia 18 de dezembro e cheguei em San Miguel no dia seguinte.

O caminho é uma planura sem fim. Se passa pela borda dos Esteros del Iberá, que é tipo o pantanal argentino, e cruza todo o chaco até ir se aproximando das montanhas. Quando chega bem pertinho de San Miguel é que tu começa a ver os Andes de longe, coisa mais linda, já tava morrendo de saudade dessa paisagem. Já a cidade é uma cidade normal, uma grande capital qualquer com suas coisas de capital, praças, museus, bares, lojas, muita gente etc etc.

Por lá passei a duvidar da minha fluência no espanhol. Existe um idioma tucumano a ser aprendido, que fala o r tipo gringo ou caipira e com muitas gírias específicas. Passei todos os dias com meu amigo conversando sobre os regionalismos, aprendendo a falar pingo, ura, lora, culeado e mais um monte de palavrão que eles usam cotidianamente. Mas, depois de uns dias, percebi que o problema não é meu nível de espanhol, com o qual me viro bem em qualquer lugar, mas sim o estado de consciência alterado que eu tava praticamente 24h por dia que deixava minha compreensão e fala um tanto dificultadas. Considerando que quando eu tava sóbria eu tava de ressaca, faz sentido.

Ali também entendi a real real importância da siesta. Tinha vontade de vender arte e tocar na rua de tarde, de passear e visitar uns museus e praças, mas era simplesmente impossível. Só rola viver depois das 17h pelo calor insuportável, mas logo fugimos da cidade e fomos passear pelas montanhas.

8. Tafí del Valle

Passei o dia que cheguei e mais uma noite em Tucumán e saímos cedinho rumo a Tafí del Valle. A empresa que faz viagens pros vales é a Aconquija, muito confortável e até com bastante horários. Tem ainda umas promoções se tu compra ida e volta junto, por exemplo, de Tucumán capital pra Tafí del Valle só ida me saiu por 15 mil (R$ 60), mas se eu comprasse ida e volta poderia ter pago 20 mil (R$ 80) pelas duas passagens, ou seja, 10 mil (!!! 40 pila) de desconto. Vale muito a pena ter esse planejamento, mas nós não tínhamos rsss só fomos indo, não sabíamos se íamos voltar antes ou depois do natal.

O caminho de Tucumán pra Tafí é incrível. A subida dos Andes é passando pela vegetação dos yungas, que é uma floresta úmida de altitude, parece que tu tá subindo a Serra do Mar de 2000m de altitude. Daí quando passa os yungas e chega a Tafí, é tudo mais campo e arbusto beem verdinho.

20251224_105344.jpg20251224_093448.jpgos yungas da subida pra Tafí e a paisagem de quando acaba a floresta

Chegamos lá pelo fim da tarde. Tafí é um lugar muito visitado pelos argentinos, vão lá com frequência alugar casas e cabanas pra passar uns dias nas férias, então apesar do rolê turístico tem muitos nacionais também, o que me gusta.

Nos hospedamos na Hostería Los Cuartos, não foi muito barata mas meu amigo quis ficar lá porque achou que compensava. Tinha um café da manhã bem bom e na noite tinha peña no refeitório, que não assistimos mas é massa ter um showzinho de folclore dentro do hotel né. Custou 60 mil pesos o quarto duplo/matrimonial, tipo R$ 240, foi o mais caro que pagamos na viagem. Tava tudo meio fechado os lugares que meu amigo conhecia, acabamos comendo um sanduiche de milanesa e comprando uns vinhos pra ficar tomando na rua e batendo perna. Dizque a temporada começa em janeiro né, como estávamos viajando antes do natal ainda não tinha muito movimento.

20251221_125240.jpg20251221_153126.jpgvista da cidade e a ponte que passa o rio embaixo

Os planos do dia seguinte foram ir pro rio de manhã cedinho tomar mate, depois comprar comida pra almoçar, voltar pro rio, comer, dormir a siesta embaixo das árvores e beber vinho. Comemos empanadas e tamales, que é tipo uma pamonha recheada,e os vinhos todos topíssimos e baratíssimos, pagávamos tipo 15 reais por uns muito bons que aqui no Brasil custam uns 80 pila. Role perfeito, colocamos os vinhos e cidras pra gelar dentro do rio enquanto dormíamos na beira e depois ficamos por lá curtindo até chegar a hora do nosso ônibus pra Amaicha del Valle.

20251221_104732.jpg20251221_131008.jpg20251221_131856.jpg

o rio Tafí, meu amigo perro e meu amigo humano com nuestros vinos y tamales

9. Amaicha del Valle

Depois do rolezinho bem tranqui em Tafí, seguimos pra Amaicha com a mesma empresa Aconquija, pelo jeito é a única que faz esses trajetos. Essa passagem custou 7 mil pesos (menos de 30 pila). Fomos pro Hostel La Revuelta, cuidado por um casal e o pai do cara. É um lugar muito agradável, acabamos pagando bem baratinho por causa do cara ser amigo do meu amigo, mas o preço normal é 17 mil pesos por noite (uns 70 pila) por pessoa.

20251223_101420.jpg20251221_201333.jpg20251221_201338.jpgos mates de sempre, inclusive no ônibus, e o La Revuelta

Chegamos de noite no pueblo, dormimos e no outro dia a ideia do meu amigo era ir na cascata El Remate, que ele já conhecia de outras viagens e queria ir de novo. Saímos de manhã e fomos em busca de transporte, não tem transporte público que leva até lá, então na praça central de Amaicha pegamos um remis (que é tipo um taxi, tem um ponto na praça onde eles ficam com os carros) e pedimos pra nos deixar no Dique los Zazos que é perto do lugar onde tem a cachoeira. Não anotei quanto pagamos, talvez uns 15 mil dividido entre nós dois. Compramos uns pães e fiambrito pra levar e fomos.

20251222_120144.jpg20251222_123103.jpgrangos do dia e o tal do dique

Chegamos no dique e meu amigo, que sabia a trilha (rs) começou a andar. Fomos indo, até ele notar que a gente na real tava se afastando da montanha onde tinha a cachoeira, nisso já tínhamos andado uns 2km seguindo uma trilha no dique, até que ele resolveu que na real estávamos errados, tínhamos que ter seguido pela mesma estrada que viemos no carro. Voltaaamos tudo e começamos outra vez, pelo menos o caminho era bonito e rolou aproveitar. Tem lugares que até curto me perder e ir pro lado errado, e esse foi um deles.

Caminhamos mais quase 2km, agora pro lugar certo. Chegando lá foi só seguir as placas e ir seguindo as trilhas, depois li nos comentários do google que se cobra entrada mas quando chegamos não tinha ninguém, então pra nós foi de graça. Tem uma trilha curta que nos leva até a cascatinha, que é uma queda pequena mas incrível, me impressionei demais com a forma das rochas tão onduladas e lindas, as pedras com tantas nuances de cores, tantos minerais diferentes, fiquei viajando muito nessa formação. Tomamos uns banhos, tomamos uns mates, ficamos ali o dia todo curtindo.

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20251222_130921.jpg20251222_151946.jpg20251222_140723.jpg

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A volta fizemos a pé, 8km até Amaicha. Fomos indo devagarinho, comprando umas cervejas e cidras sempre que aparecia um boteco no caminho, até que chegando já bem perto de Amaicha passou um ônibus da cidade que resolvemos pegar pra terminar o caminho porque já estávamos cansados.

Eu precisava sacar dinheiro, mas o Western Union de Amaicha tava sem efectivo, tentei na noite e tentei na manhã seguinte e não consegui, então eu já tava bem zerada. Já tinha gastado bem mais do que esperava nessas de ficar pegando remis pra chegar nos lugares e bebendo muito, mas também já tinha desapegado um pouco da grana porque tava amando o itinerário (e os vinhos) que meu amigo escolhia pra nós, resolvi botar fé nos desejos do nativo tucumano do que ficar indo nos lugares mais clássicos turísticos. Cozinhamos umas pizzas, tomamos unos vinos con soda e ficamos tentando decidir qual seria o rumo do dia seguinte.

Ainda não sabíamos bem o que íamos fazer. Meu amigo queria ir pra Cafayate, pensamos em talvez ir nas ruínas de Quilmes, mas teríamos que decidir entre um e outro porque a ideia era não dormir mais uma noite, queríamos a princípio voltar naquele dia, que era 23 de dezembro, num bus noturno pra Tucumán pra não gastar mais uma hospedagem. No fim decidimos ir pra Cafayate cedinho e deixar de lado os Quilmes, meu amigo queria fazer um trekking que ele já conhecia de ter ido algumas vezes muitos anos atrás, então decidimos por isso. Sair cedinho, fazer essa caminhada e voltar de noite pra Tucumán, pra descansar o dia todo no 24 porque a noite seria uma loucura (spoiler: o natal na Argentina parace um ano novo…)

Editado por miranlauberf

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Tucuman tem movimento na noite de natal?Mar del Plata não tem nada.Fui lá em 2019 e fiquei dentro do hotel sem nada para fazer,vendo TV,pois era o que havia. Saudades de Tucuman,de Tafi e da chacarera,como eu dançava há uns 15 anos.

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