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Mochileando sozinha por 6 semanas no norte da Argentina - Misiones e Tucumán

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Fala galeris,

Venho trazer meu relato de viagem na Argentina, passei 6 semanas viajando sozinha em novembro e dezembro de 2025 nas províncias de Misiones e Tucumán, com breves passagens em Foz do Iguaçu, Paraguai e Salta que vou comentar também. 

O rolê iniciou com um festival artístico que descobri que ia rolar em Puerto Iguazú que pirei em ir pra ver se eu aprendia a tocar bombo leguero com a galera das chacarera/malambo e com a desculpa de vender minhas artesanias. Depois disso me meti em voluntariados em sítios agroflorestais na selva misioneira, onde fiquei duas semanas morando sozinha em uma casinha de barro e trabalhando na roça alheia. O plano inicial era depois do voluntariado passar por Tucumán e subir até Salta e Jujuy, mas acabei mudando de ideia e fiquei só por Tucumán mesmo, passeando pelos vales, conhecendo cascatinhas andinas e tomando vinhos. 

Meu trajeto, todo por terra de busão, foi:
Novo Hamburgo/RS - Foz do Iguaçu/PR - Puerto Iguazú/MIS - Puerto Libertad/MIS - San Pedro/MIS - Posadas/MIS (com um dia em Encarnación e Trinidad/PY) - San Miguel de Tucumán/TUC - Tafí del Valle/TUC - Amaicha del Valle/TUC - Cafayate/SAL - outra vez a San Miguel de Tucumán - e o trajeto de volta até Novo Hamburgo.

A viagem durou 6 semanas, saí de Novo Hamburgo - RS em um bus a Foz do Iguaçu dia 17 de novembro de 2025 e comecei a voltar pra casa dia 26 de dezembro saindo da capital de Tucumán, chegando em casa dia 29. 

Nota sobre os preços: o câmbio real - pesos na minha viagem tava mais ou menos 1 real - 260/266 pesos, mas pra facilitar a viagem eu sempre calculava como 250. Então o tempo todo fingi que 1000 pesos são 4 reais, e assim fui indo. Todas as conversões aqui vão ser baseadas nesse câmbio imaginário que usei, mas no fim dá quase a mesma coisa.

Levei pouquíssimo dinheiro em reais pra fazer câmbio, resolvi ir sacando com Western Union e achei que valeu bastante a pena, deu elas por elas entre isso e o câmbio. O único problema é que, se tu não se planeja bem e saca muitas vezes, eles podem bloquear teus saques e isso pode te dar muito problema... e é óbvio que isso aconteceu comigo. 

Esse é um resuminho inicial, agora vou contanto com mais detalhes cada etapa da viagem.

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Bom dizer que zamba é bem diferente do samba carioca, no qual fui criado. É bom saber, morando anos ali do lado,não sabia disso. Seria porque só tinha a intenção de crescer na vida?Não, acho que não.

  • 2 semanas depois...
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Voltando pra última parte da história

  1. Cafayate

Acordamos cedinho e fomos pro terminal dos ônibus em Amaicha, que é só um lugar onde tem a boletería numa rua. O ônibus era da mesma empresa Aconquija e nos saiu 10 mil pesos por pessoa. A intenção era chegar na cidade, sacar dinheiro no WU já que em Amaicha não tinha rolado e eu tava zerada, comprar uns rangos e umas birras e ir pro trekking do Rio Colorado, que meu amigo já tinha feito há alguns anos e queria ir de novo. Deixamos as mochilas na terminal, foi bem baratinho, acho que uns 2000 pesos pra deixarem guardado até de noite. Mas o problema é que chegamos pela hora do almoço, que é a sagrada hora da siesta, e nenhum lugar pra eu sacar dinheiro tava aberto. Caminhamos um monte e não rolou, decidimos fazer isso na volta e meu amigo sacou dinheiro no banco argentino dele, combinamos de ele me emprestar um tanto pra eu ir usando e quando conseguisse pegar na noite devolveria tudo pra ele (spoiler: não rolou).

No centro pegamos um remis por uns 8 mil mais ou menos e pedimos pra nos deixar lá na entrada da trilha. Tem no google como Trekking del Río Colorado, fica depois de umas vinícolas, a mais próxima é a Finca las Nubes.

E pues, as vezes que ele tinha ido sempre tinham sido grátis. Qual foi a nossa surpresa ao chegar lá e descobrir que tinha que pagar 30 mil pesos pra entrar! E isso só pra ver 3 das 7 cascatas, porque a trilha vai recorrendo e cada vez ficam maiores e supostamente mais bonitas as quedas e pra fazer o trajeto inteiro custava se não me engano 50 mil. Entramos meio que em uma crise de o que fazer, já tínhamos gastado muita grana e achamos muito caro. É um parque da municipalidade pelo que entendi, e o dinheiro é pra manutenção e pra pagar os guias, que são obrigatórios. Tínhamos levado uns dois latão de ceva e ficamos tomando numa sombra e pensando no que fazer. Meu amigo tentou dar uma chorada pro segurança, pedir um desconto, ver se a gente não podia ir sem guia porque ele conhecia a trilha, depois me convenceu a ir lá sozinha dizendo que sou viajera estrangeira tinha ido lá só pra fazer a trilha e não tinha dinheiro e bla bla bla. Acabei indo trocar uma ideia e consegui com que ele nos cobrasse 20 mil por pessoa. Aceitamos e fomos dar o rolê com uma guia local.

É um trajeto lindo com montanhas avermelhadas, paisagem mais verde que em Amaicha mas ainda com muitos cactos e espinhos e cabras também. A trilha não é difícil, mas tem especificamente um trecho mais perigoso que tu passa num caminhozinho de pedra que tu tem que ir grudado na rocha da montanha e só tem meio que o espaço do pé pra pisar e o caminho pra tu cair lá embaixo nas pedras do rio. Sorte que eu não tenho medo de altura e tava com um tênis de trilha, senão ia ter sido difícil, mas foi tranqui. Tomamos uns banhos no rio, as duas primeiras quedas são bem pequenininhas e a terceira é maior, mas a gente olha ela de cima e não chega nessa parte do rio. Tava deliciosa a água, estávamos demorando demais e a guia nos chamou pra ir embora.

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Um pouco das paisagens da trilha, me dei conta que não tirei foto das três cascatas. Só aquela quedinha ali é pra ser a primeira delas, e as outras duas não tenho.

Na volta fomos a pé, dava uns 7km da entrada do parque até a rodoviária da cidade. Nossa intenção era não dormir em Cafayate, mas pegar um ônibus noturno direto pra Tucumán, mas não tinha horários. Pensamos várias soluções absurdas e decidimos tentar pegar carona pra chegar em Amaicha ou em Santa Maria (que fica em Catamarca) pra pegar um ônibus com horário apertadíssimo pra Tucumán. Cruzamos duas vezes a cidade inteira pra ir buscar nossas coisas, ir pra ruta 40 tentar carona, decidir que esse plano era impossível porque só ia funcionar o horário se alguém nos desse carona imediatamente, e depois voltamos tudo pra nos hospedarmos em um lugar qualquer que parecesse barato. 

A escolha foi a Hostería Neny, pegamos um quarto com cama de casal e foi beem barato, mas não anotei e não me lembro quanto. Agora eu tinha que resolver meu rolê da grana. Lembrando que a data era 23 de dezembro. Fui de noite pro Western Union, já tinha feito a transferência e a princípio tava tudo certo, mas chegando lá não me deixaram sacar porque o WU não permitiu. A moça disse que eu talvez tinha feito muitos saques de valores iguais em um curto período de tempo, e por segurança eles me bloquearam. Ligamos pro WU Argentina, tentei ligar pro WU Brasil, e nada. Me desesperei, não fazia ideia do que fazer porque ainda tinha todo um caminho de volta pra casa e eu tava bem longe e sem dinheiro, e devendo uns 100 mil pro meu amigo que tava há uns dias me emprestando. Passamos tipo uma hora ali tentando resolver e nada, meu amigo já tinha comprado cigarro e tava fumando de estressado pela minha falha na organização financeira. De fato planejei muito mal, nessas de ficar tomando muito vinho e ficando em algumas poucas hospedagens caras me passei, eu calculava mal quanto dinheiro sacava por vez e não imaginava que algo assim podia acontecer.

Em resumo eu tava numa situação bem ruim, devendo muito pro meu amigo, sem ter como sacar dinheiro, no dia seguinte nosso bus era antes da hora de abrir o WU pra tentar de novo, as lojas em Tucumán iam fechar meio dia e eu ainda não estaria lá meio dia pra conseguir sacar, enfim, não tinha o que fazer. Fiquei muito mal e não conseguia pensar, já era umas 10 da noite e eu tava com muita fome, não queria gastar dinheiro porque tinha muito pouco e não sabia o que ia fazer. Acabei comendo um pancho de 2000, comprando uma cerveja e um cigarro também pra ver se me acalmava e resolvia algo. Ainda por cima meu amigo ficava me pressionando, tava preocupado e estressado ao mesmo tempo e me dando gentilmente umas lições de na próxima me planejar melhor antes de viajar. 

Enfim, ficamos bebendo e comendo na praça e eu pensando e pensando. A solução que encontrei foi bem complexa, mas era a única alternativa e por sorte funcionou. Falei com um amigo argentino que mora no Rio de Janeiro, perguntei se eu podia transferir dinheiro pra ele em reais pra ele transferir em pesos pro amigo que tava comigo sacar no banco nacional dele. Eu não podia transferir direto pro meu amigo tucumano porque no belo, o aplicativo que eu tava usando pra pagar em pesos, só aceita pagamentos por qr code e não transferências diretas entre real e peso. Por sorte meu amigo do Brasil me respondeu rápido e aceitou fazer a mão, passei uma grana pra ele e logo meu amigo recebeu e sacou pra mim, já devolvi o que tava devendo e pronto, tudo resolvido, não sem muito estresse e desespero.

Uma nota sobre esse aplicativo belo, recomendo pra quem não tem ou não quer usar cartão internacional e quer ter uma opção pra pagar em pesos. Tu faz um pix pro app e fica lá teu saldo em reais, e daí tu pode pedir pra pagar com qr code e descontam do teu saldo numa conversão bem boa. O único problema é que só tem como pagar em qr, não dá pra fazer transferência, e isso pode ser (e às vezes foi de fato) um problema, mas de qualquer forma ajuda bastante. 

Tudo resolvido finalmente, dormir e acordar cedinho pra voltar pra San Miguel e viver o natal tucumano.

11. Curtindo o natal e começando a voltar

Saímos cedinho e chegamos no início da tarde em San Miguel. Comprei a passagem pro dia 26 de tarde, sabendo que dia 25 a gente ia estar destruídos da noite de natal. Foi difícil decidir o caminho. Minha ideia inicial era ir direto de Tucumán pra Posadas, mas as passagens tavam super caras e não tavam compensando. Fiquei calculando e calculando os preços e os horários pra ver como e quando conseguiria chegar onde. Acabei comprando uma pra Corrientes, que saiu 57.500 chorando descontos, e de ali eu ia pra Puerto Iguazu (essa, depois, custou mais 57 mil) passar a noite do dia 27 pra dia 28 pegar meu último ônibus, já no Brasil e pra casa. 

Dormimos até o fim da tarde, comemos, fomos comprar uns tragos pra beber no natal e meu amigo já tinha me avisado: te prepara que a noite vai ser longa. Comemos um assado, empanadas e pan de miga com a família dele, era uma família de músicos que ficou tocando chacareras e zambas até a uma e pouco da manhã. Quando chega meia noite, todo mundo sai na rua e começam insanamente a jogar fogos de artifício, uns que inclusive nunca tinha visto no Brasil. Depois disso fomos caminhando tipo uma hora pra casa de um outro amigo, e lá também era todo mundo músico e ficamos lokeando, conversando e igualmente tocando chacareras e zambas, agora até as 8 da manhã. Achei incrível como eles realmente amam o folclore, nada dos legião urbana e raul seixas da Argentina kkkk foi lindo demais ver esse amor pela cultura, conhecer tantas músicas lindas e sentir o quanto eles tocam bem e valorizam isso demais desde crianças. Pelas 8 eu já tava morta, não aguentava mais, e o dono da casa também tava quase desmaiando de canseira, mas o resto da galera tava pilhado e não queria parar. Acabou que o dono da casa realmente queria terminar o rolê, mas como tava chovendo muito tava difícil de ir embora, uber muito caro e sem chance de andar mais de uma hora a pé. Enfim, uma hora demos um jeito e vazamos.

Dia 25 só dormimos o dia inteiro. E isso, arrumei as coisas, comprei comidinhas pra levar nas minhas mil horas de viagem, e no dia seguinte embarquei. O ônibus atrasou 3 horas pra sair, ele supostamente tava estragado e precisaria ser trocado, mas não sei o que aconteceu que do nada disseram pra gente embarcar e ir nesse ali mesmo. Fiquei com medinho, tavam dizendo que podia parar no meio da noite na estrada no meio do chaco sem ter como ser socorridos, mas graças a todos os deuses não aconteceu nada desse tipo. Cheguei tipo umas 3h da manhã em Corrientes depois de 15h de viagem, comprei passagem pra sair às 7 pra Iguazú e fiquei tomando mate esperando. Mais 10h de viagem, cheguei de noite em Iguazu, dormi no hostel Iguazu Falls, paguei 16 mil o quarto compartilhado. Saí pra comprar umas coisinhas, uma cuia de palo santo, um vinho, uma erva de Misiones, e no dia seguinte era tchau pra Argentina que tanto amei viajar. No outro dia cruzei a fronteira, almocei com um amigo em Foz e peguei o bus Iguaçu-Porto Alegre que por sorte parou na minha cidade antes, foram mais 20 horinhas de rolê até minha casa totalizando um retorno de quase 50h e três dias de estrada em busão. 

12. Considerações

Eu amei essa viagem e amei a Argentina. Fiquei muito feliz dos lugares que passei, das gentes que conheci, das experiências que tive. Passei uns momentos difíceis, foi complexo refletir sobre a vida sozinha no meio do mato, assim como foi difícil também estar me reconhecendo como pessoa autista e viajante sola e entender e respeitar os momentos de crise mas também ser capaz de superar isso e seguir meu corre com coragem e ganas. Foi massa a experiência de tentar tocar e vender na rua, mesmo que não tenha dado certo kkk e, principalmente, me apaixonei demais pelo folclore e cultura. 

Boto fé que teriam muitas outras coisas pra fazer nos lugares que fui, conhecer museus, lugares turísticos, fazer trilhas, mas a real é que amei o meu rolê ter sido assim. Me juntei com locais e fugi das rotas turísticas, conheci lugares que boto fé que pouca gente que tá de viagem por lá vai, e se por um lado posso ter perdido de ver algo, por outro vi coisas preciosíssimas na presença de nativos que me proporcionaram muitas riquezas. 

Deixo algumas recomendações de lugares que eu não estive mas gostaria de ter estado: queria ter ido nas cataratas do lado argentino, que não tive tempo no meio dos trajetos, queria ter ido nos Saltos del Moconá, que fica em Misiones fronteira com o Rio Grande do Sul, queria ter passado pelos Esteros del Iberá se tivesse tempo de fazer um voluntariado no parque, queria muito conhecer Santiago del Estero que é o berço da chacarera e deve ter peñas incríveis, queria também ter ido em alguma peña em qualquer lugar, mas minha experiência do natal imagino que já valeu como se tivesse sido. Nos andes queria ter seguido rolê, ido pra quilmes e enfim, mais pro norte pra conhecer outros lugares de Salta e Jujuy, mas isso tudo fica pendente pra uma próxima viagem. 

Espero que tenham gostado do relato, querendo saber algo mais especificamente perguntem aí, aceito também sugestões pra próximos roteiros argentinos e tamo junto aí querida comunidade mochileira. Até a próxima! 


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