Olá viajante!
Bora viajar?
Mochilão 2012 - Portugal, Espanha, França, Bélgica e Holanda
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Olá, fiz o primeiro mochilão da minha vida em março desse ano e como consegui aqui muitas² informações realmente úteis, acho que devo retribuir com algumas informações que consegui e alguns lugares muito legais para serem visitados.
Primeiramente, quando comecei a planejar a viagem, percebi que não era algo tão impossível, como decidi viajar de repente e meu período de férias não era compatível com a de alguns amigos meus, fiz essa viagem sozinho. Adianto que viajar sozinho pela Europa é uma experiência ótima, me hospedei em albergues (como todo bom mochileiro) e mesmo sendo um pouco tímido e “travado”, conversar com as pessoas era algo que acontecia naturalmente até porque você vai encontrar muitos outros viajantes sozinhos e então as coisas vão fluir.
Aliás, também é possível viajar por lá com inglês básico. A questão é que, para mim, a experiência foi muito boa por ter conversado com muitas pessoas de vários lugares e para isso o inglês foi uma mão na roda. Mas é possível se virar mesmo sem o inglês.
A viagem durou 16 dias, iniciando em Portugal, passando pela Espanha, França e Bélgica e terminando na Holanda. O motivo por ter escolhido esse roteiro não foi assim tão nobre, mas quem tem que bancar a própria viagem vai entender: eu estava navegando pelo site decolar.com e encontrei uma oferta ótima de passagens Porto Alegre – Lisboa e depois Amsterdan – Lisboa – Porto Alegre por um preço realmente bom. Eu ficava horas nesse site jogando datas e destino até achar um bom preço. Encontrei lá mas comprei pelo site da TAP.
Em relação as malas, levei uma mochila de 60L mais uma pequena com as coisas essenciais, achei a mochila mais prática pois era mais fácil de carregar pelos aeroportos e pelas estações de trem, comprei uma Curtlo e não me arrependi, ainda está inteira para outras viagens.
Bom, malas prontas, documentação preparada, inicia-se a viagem. O avião saiu de Porto Alegre 21h e cheguei +- 11h (horário de Portugal).
1º Dia – Portugal - 28/02/2012
A viagem para Lisboa não foi ruim, exceto pelas poltronas apertadas, o avião oferecia várias opções de filmes e CDs e a comida era boa também. Chegar no aeroporto de Lisboa foi uma sensação incrível, uma mistura de euforia com ansiedade, ótimo. Logo no aeroporto comprei o Lisboa Card para 48h em um posto de informações (não usei muito). No fim, vi que não fez diferença ter comprado o Lisboa Card ou ter pagado os valores integralmente, mas a praticidade do Lisboa Card nos transportes públicos compensou.
Saí do aeroporto e peguei um táxi até o hostel. O hostel foi o Traveller’s House na Rua Augusta, Chiado, centro de Lisboa (http://www.travellershouse.com). O hostel foi o melhor da viagem, tudo era perfeito, o ambiente, o staff, o café da manhã, os banheiros, os quartos, as atividades,etc. Fiquei em quarto misto de 6 pessoas, mas só havia eu e mais 3 americanas que estudavam na França e estavam numa semana de folga.
Larguei as coisas no hostel (aproximadamente 13h), tomei um banho rápido e fui bater perna. Dei uma olhada na Rua Augusta, fui para a Praça da Figueira, a Praça do Comércio e então fui caminhar pelo bairro da Alfama para chegar até o castelo de São Jorge. Estava um dia um pouco nublado mas no fim da tarde o sol abriu. O bairro da Alfama é todo íngreme e a caminhada por lá é bastante cansativa, mas eu estava em Portugal, então não era hora de cansar. O lugar lembra o bairro da Lapa no Rio de Janeiro ou até mesmo a arquitetura de Salvador, e é bem típico, um bairro bonito, andei por ele até chegar à Feira da Ladra, a feira era o único lugar mais movimentado pois o resto do bairro parecia meio parado. Lá era possível achar artigos diversos e antiguidades bastante interessantes, o clima de lá é agradável.
Na Alfama, antes de ir para o Castelo de São Jorge, dei uma passada pela Catedral de São Vicente, tirei umas fotos no Mirante de Santa Luzia e então fui para o castelo. No interior das muralhas existem áreas abertas e o castelo é considerado patrimônio nacional de Portugal, também pode-se andar nas muralhas do Castelo, a vista que se tem de lá é lindíssima, ainda mais no final de tarde.
Depois do Castelo, fui jantar, e comi o bacalhau a Brás, normalmente, pretendia comer comida de mercado e coisas mais práticas, mas a comida em Portugal é relativamente barata e ainda era o meu primeiro dia na Europa.
Comunicar-se com portugueses é fácil (por que será?
’) mas alguns mais idosos tendem a ser mais pacientes. Outros tendem a ser pacientes demais e cada vez que você pede uma informação eles te contam uma boa parte da história de Portugal. Eles realmente conhecem a história do país e falam bem do fado e do vinho enquanto reclamam da política e da crise econômica.
Voltei para o hostel e me avisaram que haveria degustação de vinhos portugueses naquela noite, deu tempo de dormir um pouco, tomar outro banho e depois ficar no hall experimentando vinhos (incluindo o vinho verde típico português) com uma companhia globalizada e super agradável.
2º Dia – Portugal - 29/02/2012
Antes da viagem, li alguns relatos e percebi que não poderia deixar de visitar Sintra e deixei este dia para isso.
Saí do hostel e fui para a estação Rossio e peguei o trem até Sintra (grátis com o Lisboa Card), o lugar tem um clima super legal e é fácil imaginar que a aristocracia portuguesa viveu lá pois o lugar é cheio de castelos e mansões de um estilo meio colonial (não entendo nada de arquitetura, então talvez seja melhor desprezar essa opinião) e bem típico português.
Fui da estação de trem até o centro a pé, passando por duas pequenas pontes até chegar num ponto de informações turísticas perto do museu do brinquedo. Lá peguei as informações sobre como chegar ao Palácio da Pena e ao Castelo dos Mouros (minhas prioridades de Sintra), era possível ir a pé ou de ônibus (ida ou ida e volta) escolhi pegar a passagem de ida de ônibus e depois descer a pé, cheguei ao palácio da pena e andei pelos jardins até entrar no palácio mesmo. O Palácio da Pena é colorido com arquitetura muçulmana, de lá se tem uma visão incrível (visto ser o maior ponto de Sintra) principalmente do Castelos dos Mouros. Dentro do palácio existe uma exposição de objetos da família real e alguns informativos sobre sua história (não é permitido tirar fotos lá dentro e por favor nada de jeitinho brasileiro). Fiquei contemplando o as paisagens de lá até que resolvi descer e ir até o Castelo dos Mouros.
O Castelo dos Mouros é parecido com o Castelo de São Jorge em sua estrutura. Também é possível andar pelas muralhas e ver vários pontos de Sintra e seus castelos. De lá também se tem uma visão mais completa do Palácio da Pena. Depois desci de volta para o centro de Sintra, usei um caminho que começa entre a bilheteria e a entrada de fato do Castelo dos Mouros e não me arrependi, estava meio deserto mas o lugar era muito bonito e haviam casas antigas no estilo português.
Era quase 16h e ao invés de visitar outro castelo, decidi ir até o Cabo da Roca (não há ônibus com muita frequência para lá), peguei o ônibus que ia de Sintra ao Cascais e parava por lá (alguns ônibus que vão do Cascais a Sintra também param).
O Cabo da Roca é o ponto mais ocidental Portugal, lá existe um farol, uma lojinha de souvenirs pequena e um memorial a Camões: “Aqui... onde a terra se acaba... e o mar começa...”. Poucas coisas para ver em princípio além do mais teria que ficar por lá por mais ou menos 2 horas porque era o tempo que levava para o próximo ônibus passar. Em princípio porque o lugar é incrível, poderia ficar muito mais tempo olhando o mar, o sol estava alto, e eu não me cansava daquilo, além do mais quando fui para parada esperar o ônibus conversei com alguns mochileiros coreanos que também estavam esperando pelo ônibus.
O ônibus ia de Sintra ao Cascais, como tive que descer no Cascais, andei um pouco por lá, mas já estava um tanto escuro e como não tinha muitas informações do Cascais, fiquei pouco tempo e logo peguei a linha Cascais – Cais do Sodré para voltar para o centro.
Voltei ao hostel e aquela noite haveria um Pub Crawl, mas como era minha última noite em Portugal, perguntei se havia algum lugar para ouvir fado e o hostel me deu uma dica quentíssima: Tasca do Chico! Um bar no Bairro Alto (não longe dali) onde nas quartas-feiras (exatamente nesse dia) cantores amadores se apresentavam, a vantagem é que não se pagava por isso, apenas o que fosse consumido. O lugar é muito legal, e quase não haviam estrangeiros, tanto que alguns portugueses vinham nos perguntar o que estávamos achando do fado e o que achávamos de Portugal (nós porque eu não fui sozinho, havia uma peruana e uma americana do hostel que abriram mão do pub crawl para ouvir fado). O lugar era pequeno e sem muita iluminação, um ambiente legal, típico de bar, a música era muito boa, os cantores eram realmente bons e todos paravam (até a porta se fechava) enquanto alguém cantava, percebia-se que lá fado era coisa séria. Foi uma noite muito divertida e gastei apenas 3 euros porque tomei duas cervejas!
Ah... um pub crawl é uma noite em que você paga um valor para o organizador e ele leva o pessoal por vários pubs, um programa muito legal que fiz em outros lugares, até porque assim você tende a interagir bastante e se divertir também (encerro comentários sobre pub crawl por aqui). Mas em Portugal valeu a pena ter ido até a Tasca do Chico.
Castelo de São Jorge
Castelo dos Mouros (visto do Palácio da Pena)
Cabo da Roca
Praça da Figueira (e tradicional elétrico)
Palácio da Pena