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Cusco via Acre - 100% terrestre Jul/08
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j_alflen 3 posts
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Jeter Mamani 1 post
Olá... antes de ir ao Peru fuçei muito aqui no fórum, o que me deu dicas fundamentais pra viagem... agora retribuo relatando minha viagem que fiz de 19 de julho a 03 de agosto, saindo de Ji-Paraná/Rondônia, passando por Rio Branco/Acre chegando em Cusco 100% por terra... os valores são atualizados, um pouco mais caro que o normal, pois era alta temporada... provavelmente tem muita informação repetida, portanto aproveitem o que for necessário... estou louco pra voltar, mas vou esperar a Interoceânica ficar pronta em 2010... segue ai o relato e, qualquer dúvida, estamos ai...
1. Ji-Paraná - Rio Branco (800 Km)
Fui de ônibus Eucatur. Sai de Jipa 14:30h, chega em Rio Branco 06:00 do outro dia. R$ 110,00. Fiquei um dia em Rio Branco pra conhecer a cidade.
2. Rio Branco - Brasiléia/Cobija (230 Km)
Fui de ônibus Real Norte. Sai da Rodoviária às 06:00h, chega em Brasiléia 10:30h. R$ 20,00. Lembre de pegar o ônibus DIRETO, senão fica pingando e demora mais. Pode ir de táxi também por R$ 30,00 p/ pessoa.
Fiquei um dia em Brasiléia pra comprar umas muambas em Cobija pernoitando em um hotel em Epitaciolândia (que fica do lado de Brasiléia).
3. Brasiléia - Assis Brasil/Iñapari (110 Km)
Fui de táxi. Eles ficam na praça em frente à rodoviária de Brasiléia. Sai às 07:30h e chega em Assis Brasil às 09:00h. R$ 20,00 por pessoa. Em Assis Brasil, antes de atravessar pra Iñapari (Peru), tem que parar na Polícia Federal (posto na estrada mesmo) e pegar o visto de saída. É rapidinho. O taxista espera na PF e te deixa já do lado peruano, na agência de imigração deles. Assis Brasil e Iñapari são separadas apenas por uma ponte (muito bonita). Lá, tem que pegar o visto de entrada (não pode esquecer de pegar o carimbo de saída no retorno, tanto no Peru, quanto na PF em Assis Brasil). O documento necessário é só a identidade (RG). Perto dali, na rua do lado, ficam os táxis que te levam a Puerto Maldonado e a casa de Câmbio.
Aconselho a trocar pouco real por soles (só o suficiente pra pagar o táxi pra Puerto Maldonado, hotel lá e despesas pequenas) porque no câmbio a taxa geralmente não é muito boa. Em Puerto mesmo tem caixa automático e em Cusco então, tem um em cada esquina. Pode sacar soles ou dólares (confirmar se com teu banco se o saque no exterior está ativado. Eu tenho VISA internacional e não tive problema nenhum, só o limite diário de 3 saques de 80 dólares, que pode ser aumentado se quiser, por telefone, lá do Peru mesmo). Até aqui, as estradas estão em muito bom estado, todas asfaltadas.
4. Iñapari - Puerto Maldonado (230 Km)
Agora ta começando a ficar bom. Lembre-se que tu entende tranquilamente o espanhol deles mas eles tem dificuldade de entender o português, então falar devagar evitando palavras muito específicas é regra chave. Agora nós somos os estrangeiros. E o peruano adora passar a perna no brasileiro (opinião minha) por isso tente ser o mais simpático possível.
De Iñapari a Puerto Maldonado fui de táxi (são todos Toyota bem espaçosos, mas em estado de conservação ruim, no geral). Saí às 11:30h e cheguei às 16:00h. 40 soles por pessoa (1 real = 1,6 sole). A estrada até Puerto está quase toda asfaltada, faltando uns 50 Km pra terminar. No caminho tem que parar umas 4 vezes pra mostrar o visto de entrada nos postos de fiscalização, mas não precisa nem descer do carro, o motorista mesmo apresenta os documentos e paga a tradicional “propina” aos policiais, uma gentileza pras autoridades. Nos postos da beira da estrada, tem água e Inka Cola. Nada muito gelado, vai se acostumando.
Antes de entrar em Puerto Maldonado tem que pegar a balsa e atravessar o rio Madre de Dios, que, no Brasil, é o próprio rio Madeira. Na cidade, eu fiquei no hotel “El Mirador” que fica em frente ao mirante da cidade (mirador). Saiu 75 soles o quarto “matrimonial” (casal), suíte com ar-condicionado. Lugar legal pra ir, além do mirador, é a Praça de Armas e a avenida que dá acesso. Comércio barato e restaurantes muito bons e igualmente baratos. A sugestão é o “pollo com papas” (frango com batata) em um restaurante de dois andares na avenida antes de chegar na praça e uma lanchonete ao lado da praça que serve hambúrguer, sanduíche e outras paradas (a parede é pintada com desenhos da floresta e uns ets e discos voadores). Show de bola. Ao lado da praça também tem o caixa eletrônico pra tirar uma grana. A cidade praticamente não tem carros, com exceção dos táxis. Transporte feito através dos “autocars” ou triciclos (1 sole pra qualquer lugar da cidade). Além disso, não tem muita coisa e o negócio é embarcar rumo a Cusco.
5. Puerto Maldonado - Cusco (+ - 550 Km)
Agora é escolher uma das duas formas de chegar a Cusco. Pode ser de avião pela LAN Peru, saindo todo dia às 11:00h e 12:00h, duração de vôo de 40 minutos, ao preço de 110-125 dólares, ida e volta ou 75 dólares só a ida. Taxas de embarque á parte (mais uns 13 dólares). No Peru as taxas do aeroporto e rodoviária não vêm inclusas na passagem, portanto, lembrem-se de pagar antes, senão vocês serão barrados na hora do embarque. Isso vale pros ônibus também, não esqueça! Se fizer a escolha de ir voando, aconselho a comprar as passagens já no Brasil, pelo site da companhia. Aceita cartão de crédito e ainda parcela em 5x. Barbada. Dizem que a chegada em Cusco é muito louca, com o avião fazendo altas manobras pra entrar no vale em meio as montanhas. A outra opção, muito mais barata e, ao meu ver, mais legal, é ir de ônibus. É uma viagem que eu sugiro que seja feita, mas não aconselho a ninguém (rs). Junto com Machu Picchu foi a maior sensação das férias. Com certeza é uma das “trips” mais loucas do planeta, saindo da floresta a 200 m do nível do mar e chegando a Cusco a 3200 m de altitude, passando antes por cima da cordilheira dos Andes a 6000 m. Kalimagem pura.
Buenas, pra ir de ônibus fui pela Civa, é a companhia mais tradicional e os único ônibus que tem banheiro e calefação (vai precisar). Os ônibus são um caco, mas os únicos que agüentam a empreitada. O bom da viagem é que só tem peruano no ônibus. Pra conhecer o povo e os costumes não tem melhor. Paguei 55 soles a passagem por pessoa e saí de Puerto maldonado às 14:30h chegando em Cusco às 09:00h do outro dia. Estão construindo a estrada interoceânica e há muitas obras pelo caminho (a previsão de conclusão é em 2010). Paramos para jantar ás 19:00 em um pueblo antes de entrar na parte de selva mais fechada e começar a subida. Eu jantei e apaguei. Acordei 01:00 da manhã já nas montanhas. O ônibus precisava subir um trecho mais fudido e todos tinham que descer. O lugar já era incrível, altas montanhas e pedra pra todo lado. Um pouquinho de frio. Por causa da construção da estrada, o pessoal trabalha 3 turnos, 24 horas por dia. Os acampamentos da empreiteira (Odebrecht, por curiosidade) são verdadeiras cidades. Nesse ponto que descemos do ônibus eles trancavam o fluxo de quem subia, arrumavam a estrada e os veículos desciam, aí trancavam o fluxo que descia, REFAZIAM a estrada e o pessoal subia. Isso nas maiores montanhas que eu já tinha visto. Do outro mundo. Ai não dormi mais... parecia criança olhando na janela do ônibus. Apesar de escuro, os refletores da construtora iluminavam bem o caminho. Inesquecível. Quando chegamos no topo da cadeia, umas 05:00h o ônibus teve problemas no eixo e tivemos que parar. Eu desci e perguntei qual a altitude: 5.700 metros. Eu, gaúcho, acostumado com o frio, tremia, e o sol começava a despontar por trás das montanhas. Não ficamos muito tempo parados e já seguimos a Cusco. O visual é de endoidecer. Muitos picos nevados e a estrada cortando as montanhas (muitas curvas). Lindo demais. Faltando umas duas horas pra chegar a Cusco, já tem asfalto e os reflexos do turismo começam a aparecer. Estrada muito bem cuidada. Ai é chegar e começar a curtição.
6. Em Cusco
Na rodoviária mesmo já tem um monte de gente oferecendo hospedagem. Dá pra ver uns hostais com eles (hostal é o hotel com menos de 3 estrelas, não é albergue, tem suíte com banho quente e em geral são muito bons) ou pegar um taxi e seguir pra “Plaza de Armas” e procurar por conta. O hostal que eu fiquei era muito bom, super seguro, internet 24 horas a disposição, café da manhã reforçado (com um visual pra toda Cusco) camas ótimas, muita coberta (vai precisar), banho quente (a maior parte do tempo, principalmente de manhã bem cedo), TV a cabo e saiu por 10 dólares por pessoa/dia. Mas, procurando e abrindo mão de algumas comodidades, pode ficar bem mais barato. Os táxis também são bem baratos e por 2 soles te levam pra qualquer lugar da cidade.
Aconselho a visitar as páginas de mochileiros na Internet pra ver todas atrações de Cusco. É muita coisa. Tem que ficar uns 5 dias só pra conhecer a cidade. Se quiser sossego e paz, fuja de Cusco. A cidade mais cosmopolita que já vi. Gente de todo mundo e muitas agências te atacam na rua oferecendo pacotes pras atrações. Minha sugestão: não feche pacote com nenhuma agência, faça tudo por conta. Vai ser mais barato e tu vai aproveitar mais e gastar menos. À noite tem festa na maioria das casas noturnas (drinks grátis), altos pubs e muito frio (julho). Caixas automáticos por todo canto e um mercado muito bom do lado da Catedral. Fiquei 3 dias só conhecendo Cusco pra aclimatar. Senti um pouquinho de dor de cabeça no primeiro dia e nada de enjôo. Mais um conselho: tomar muito chá de maçanilha (melhor que o de coca) pra evitar o mal de altitude.
6.1. Tur em Cusco
Fora o turismo na própria cidade, três passeios são imperdíveis em Cusco: o City Tur, o Vale Sagrado e claro, Machu Picchu. O primeiro passo é comprar o passaporte turístico na prefeitura. O mais completo custa 140 soles e dá direito à entrada em 15 atrações. Tem os mais baratos, para 5 atrações, que custam 70 soles. Tem que comprar porque, quando for visitar as ruínas do City Tur ou do Vale Sagrado, se não tiver o passaporte, não entra nas ruínas e tem que ficar olhando de fora. Que bonito (rs). Junto com o acesso à todas ruínas, o passaporte dá direito á entrada aos museus da cidade (uns 5, imperdíveis) e ao centro de danças tradicionais (show de bola).
O City Tur dura uma tarde toda e tu compra o pacote (acompanhamento de um guia + van) nas agências da Plaza de Armas. Esse tipo de pacote tem que ser com agência, o importante é tentar não comprar Vale Sagrado + Machu Picchu por agência e fazer por conta, mas se não quiser correr atrás de tudo sozinho compra o pacote completo (170 dólares, eu acho). Comprando tudo separado, o City Tur sai por 15 soles. Visita às ruínas mais próximas da cidade.
Pra Machu Picchu eu aproveitei o passeio do Vale Sagrado. Fiz Assim: logo que cheguei, fui à estação de trem (Peru Rail) e comprei a passagem de Ollataytambo a Águas Calientes. Comprei assim porque é muito mais barato do que sair direto de Cusco. Ollataytambo é um pueblo que tu vai passar no fim do tur no vale sagrado e Águas Calientes (ou Machu Picchu Pueblo) é o povoado nos pés de Machu Pichhu. Tem que comprar a passagem antes porque a procura é grande. O vagão mais barato (mochileiro) custou 35 dólares por pessoa. Para a volta, não havia mais passagem do mais barato e comprei um mais chique (10 dólares a mais) mas que foi muito melhor: serviço de bordo, show cultural e vagões panorâmicos. O passeio no Vale Sagrado saiu por 75 soles, eu acho, com direito á van + guia. Saímos às 09:00h, passando por mercados e as ruínas de Pisac e Ollataytambo. Aqui entra o macete: o Vale Sagrado termina no pueblo de Chinchero, mas tu sai da van em Ollataytambo, pra pegar o trem pra Machu Picchu. Terminei a visita nas ruínas às 17:00h e o trem saiu às 19:00h, chegando umas 21:00h em Águas Calientes. Fomos à cata de um hotel (preço não varia muito de Cusco) e o dono do hotel providenciou o contato com uma guia pro dia seguinte. A guia nos procurou no hotel e fechamos 10 soles o serviço dela, pegando as primeiras vans que sobem a Machu Picchu às 5:30h do outro dia. A van custa 14 dólares ida e volta, mas dá pra subir a pé se quiser (boa sorte). Lá é tudo mais caro mesmo e o grosso do dinheiro gasto na viagem tu vai deixar em Aguas Calientes e Machu Picchu, mas vale a pena toda vida. É bom levar dinheiro vivo pra lá porque só tem um caixa automático. Chega na entrada de Machu Picchu às 06:00h, compra a entrada (é um Parque Nacional) por 40 dólares e tem o privilégio de ser um dos primeiros a chegar. Ai é curtir o dia todo. As duas primeiras horas fizemos com a guia e depois ficamos à vontade pra explorar o local. Existem várias trilhas que podem ser feitas lá, inclusive subir Wayna Picchu (limitado a 400 pessoas/dia) ou seguir até a porta do sol, final da trilha Inca. Eu fiz essa última e aconselho. Depois, no final da tarde é retornar para Águas Calientes, tomar um banho termal, se quiser, e voltar com o trem. Eu retornei no outro dia de manhã, com o vagão mais chique, desci em Ollataytambo e peguei um táxi de volta a Cusco (20 soles/pessoa, eu acho).
Ficamos mais uns dias curtindo a cidade e é hora de dar tchau. Tive a sorte de passar o dia da independência lá... Plaza de Armas tomada... foi muito louco.
7. Retornando
Para o retorno, fiz o mesmo percurso, saindo de Cusco de ônibus, pela Civa, às 16:00 (atrasado) e chegando em Puerto Maldonado no outro dia. Parece fácil, mas foi a maior dose de adrenalina ao menor custo que já enfrentei. Saímos atrasados de Cusco, como falei e lá pelas 23:00h o ônibus quebrou. Quebrou de uma maneira que tivemos que aguardar até 12:00 do dia seguinte para chegar outro ônibus para completar a viagem. Buenas, devido a isso passamos de dia no trecho de selva de Puerto Maldonado. A maior loucura que já vi... a estrada praticamente não tinha lugar pro ônibus e as pontes menos ainda. Tudo isso com abismos de 60 m de altura de cada lado. Ficava imaginando como que passamos por aquele lugar na ida à noite. Os motoristas são muito bons. Foram umas 15 pontes em que o ajudante do motorista descia pra orientar e uma roda do ônibus, inevitavelmente, ficava “voando” no ar. Calcule o suador. Foi foda, mas foi bom, chegamos sãos e salvos em Puerto. Esse trecho de selva eu quero ver como vão asfaltar. Com certeza o trecho mais complicado.
No resto, tudo igual: até Iñapari/Assis Brasil, de táxi peruano, até Brasiléia de táxi brasileiro e de volta a Rio Branco pela Real Norte e, por fim, de Eucatur de Rio Branco a Ji-Paraná. Sem problemas. Ufa...
Jeison T. Alflen
Eng. Florestal/Analista Ambiental
Ji-Paraná/RO