Sofia é a capital da Bulgária, o país considerado o mais pobre da Europa. Tem mais de sete mil anos de história, mas infelizmente esse potencial turístico não é bem explorado. Assim como a Romênia, tem fama de exportar trabalhadores ilegais aos países mais ricos da Comunidade Europeia. Fazer turismo num país com esse perfil é enriquecedor porque é possível sair do circuito do turismo clássico e observar detalhes que vão além da arquitetura de grandes monumentos ou de circos criados exclusivamente para os turistas.
A capital búlgara sempre esteve no nosso roteiro. De Bucareste a Sofia são 400 Km, 12 horas de trem. Optamos em fazer esse trecho à noite, já que a viagem é um pouco cansativa. Voltamos de Brasov e fomos direto para a estação de trem da capital romena. Depois de uma longa espera embarcamos num pesado trem russo, que veio de Moscou. As cabines leito têm quatro camas, todas bem simples e com aspecto de sucateadas. Parecia que tínhamos entrado num trem da KGB. O comissário era um russo grandalhão com cara de mau e certa simpatia. Ele entrou na nossa cabine sem bater várias vezes para pedir os passaportes nos momentos de saída da Romênia e depois de entrada na Bulgária. Foi uma longa viagem, o trem foi bem devagar... A sorte é que conseguimos dormir na maior parte do tempo. Viajar de trem entre os dois países é uma opção barata, custa cerca de 30 euros por pessoa.
Chegamos às 10h da manhã em Sofia. De cara percebemos a má conservação da estação, muito suja, repleta de comerciantes e pessoas oferecendo transporte e hospedagem. Ao sairmos da estação, a caminho do nosso hostel, notamos o descuido geral. As fachadas dos prédios tem cara antiga. Sofia tem um ar decadente, como nós imaginávamos. Nem parecia que estávamos na Europa. Isso não influenciou a nossa passagem por lá.
A Bulgária é um país essencialmente rural. Há várias feiras de rua, assim como no Brasil e muitos vendedores de flores e frutas.
O idioma búlgaro de origem eslava não tem nada a ver com o romeno que é mais parecido com o italiano (ambos de origem latina). Mais uma vez nos deparamos com o alfabeto cirílico. Assim como a Rússia, eles usam esse alfabeto que nós não temos familiaridade. Os russos ajudaram a Bulgária a conquistar a independência dos turco-otomanos no século XIX, por isso a influência.
Nós tivemos sorte com a hospedagem. Ficamos num hostel bem localizado na Av. Vitosha (mesmo nome da maior montanha da cidade). A nossa hospedagem ficava no centro da cidade onde há muitas lojas e cafés. Nós sabíamos que Sofia não é uma capital com potencial turístico, mas queríamos ver de perto como é a vida por lá. Apesar do aspecto decadente, o trânsito é tranquilo e as pessoas parecem viver bem. É uma cidade bastante segura e as diferenças sociais não são tão evidentes como no Brasil. Não vimos cortiços e nada parecido com favelas, mesmo nos bairros mais afastados. Há muitas igrejas ortodoxas, sinagogas e mesquitas, herança dos otomanos.
A Igreja ortodoxa Russa Saint Nikolas é linda por fora e pequenina por dentro. Vale a pena conhecer. Os principais pontos turísticos de Sofia são a Catedral Ortodoxa Alexander Nevski, a Sinagoga de Sofia, o Mercado Municipal, os parques e as feiras de rua. Três dias são o suficiente para explorar bem a cidade.
Catedral Alexander Nevski
A Catedral Ortodoxa Alexander Nevski é suntuosa por fora e misteriosa, um tanto escura por dentro. Foi construída no começo do século XX e tem imagens e lustres muito bonitos. Ela foi erguida em homenagem aos soldados russos que lutaram na guerra russo-turca. Há vários monumentos por toda cidade em homenagem a eles.
Sinagoga de Sofia
Outro ponto turístico que merece a visita é a Sinagoga de Sofia. Também é do começo do século XX, muito bem conservada e bonita. Funciona até hoje e tem capacidade para 1.300 pessoas, é a terceira maior da Europa. A história dos judeus búlgaros é bem diferente dos que viveram na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. O governo búlgaro da época se recusou a deportar seus cidadãos judeus para os campos de concentração alemães. Ao lado da sinagoga fica o mercado municipal, onde existem vários tipos de comidas búlgaras, frutas, sucos e doces turcos.
Os países do leste europeu têm muitos parques. A Bulgária não é diferente. Dedicamos uma tarde inteira para conhecer o Parque Central de Sofia. Ele é enorme e corta o centro da cidade. Há centenas de rosas, o símbolo do país. O principal estádio de futebol da Bulgária fica dentro desse parque. Para explorar melhor tivemos uma ajudinha... Alugamos dois quadriciclos.
Feira de rua na praça da Catedral Alexander Nevski. Há várias coleções antigas que vão de ítens soviéticos a cópias de ícones medievais a bom preço.
COMER EM SOFIA...
Uma atração à parte. Talvez tenha sido um dos pontos altos para nós. Fomos a bons restaurantes, com ótimos pratos. Um almoço ou jantar para duas pessoas sai por volta de oito euros! As saladas são super bem servidas e elaboradas e assim como toda grande cidade, há restaurantes de todo tipo, todos com ótimo preço. Os búlgaros são bons nos iogurtes e sorvetes, outra influência turca. Em Sófia, nós provamos um dos melhores sorvetes que comemos na vida. Era de pistache e morango, com pedaços da fruta e chips de chocolate, inesquecível.
Sofia é assim...Arborizada, florida e muito ensolarada. Não esqueça o protetor solar! O turismo ao ar livre, de preferência a pé é a melhor opção para explorar as ruas da cidade, que não tem boa estrutura para os ciclistas. No inverno é um bom lugar para esportes na neve, bem mais barato que o resto da Europa.
De onde viemos: Brasov, Romênia
Para onde vamos: Plovdiv, Bulgária
SOFIA - BULGÁRIA
Hospedagem: 30 euros - Levitt Hostel - muito bom
Transporte: a pé e tram - ruim
Culinária : 4 euros por prato - excelente
Hospitalidade do povo local: excelente
Pontos Turísticos: bons
Preços: excelentes
Clima Local (média 32 graus): junho/2012
Fuso Horário: 06 horas a mais em relação ao Brasil
Distância Percorrida desde o último destino: 500 km
Distância Percorrida desde o ponto de Partida (Lisboa): 10.481 km
Sofia para ventilar as ideias
Sofia é a capital da Bulgária, o país considerado o mais pobre da Europa. Tem mais de sete mil anos de história, mas infelizmente esse potencial turístico não é bem explorado. Assim como a Romênia, tem fama de exportar trabalhadores ilegais aos países mais ricos da Comunidade Europeia. Fazer turismo num país com esse perfil é enriquecedor porque é possível sair do circuito do turismo clássico e observar detalhes que vão além da arquitetura de grandes monumentos ou de circos criados exclusivamente para os turistas.
www.212dias.blogspot.com
A capital búlgara sempre esteve no nosso roteiro. De Bucareste a Sofia são 400 Km, 12 horas de trem. Optamos em fazer esse trecho à noite, já que a viagem é um pouco cansativa. Voltamos de Brasov e fomos direto para a estação de trem da capital romena. Depois de uma longa espera embarcamos num pesado trem russo, que veio de Moscou. As cabines leito têm quatro camas, todas bem simples e com aspecto de sucateadas. Parecia que tínhamos entrado num trem da KGB. O comissário era um russo grandalhão com cara de mau e certa simpatia. Ele entrou na nossa cabine sem bater várias vezes para pedir os passaportes nos momentos de saída da Romênia e depois de entrada na Bulgária. Foi uma longa viagem, o trem foi bem devagar... A sorte é que conseguimos dormir na maior parte do tempo. Viajar de trem entre os dois países é uma opção barata, custa cerca de 30 euros por pessoa.
Chegamos às 10h da manhã em Sofia. De cara percebemos a má conservação da estação, muito suja, repleta de comerciantes e pessoas oferecendo transporte e hospedagem. Ao sairmos da estação, a caminho do nosso hostel, notamos o descuido geral. As fachadas dos prédios tem cara antiga. Sofia tem um ar decadente, como nós imaginávamos. Nem parecia que estávamos na Europa. Isso não influenciou a nossa passagem por lá.
A Bulgária é um país essencialmente rural. Há várias feiras de rua, assim como no Brasil e muitos vendedores de flores e frutas.
O idioma búlgaro de origem eslava não tem nada a ver com o romeno que é mais parecido com o italiano (ambos de origem latina). Mais uma vez nos deparamos com o alfabeto cirílico. Assim como a Rússia, eles usam esse alfabeto que nós não temos familiaridade. Os russos ajudaram a Bulgária a conquistar a independência dos turco-otomanos no século XIX, por isso a influência.
Nós tivemos sorte com a hospedagem. Ficamos num hostel bem localizado na Av. Vitosha (mesmo nome da maior montanha da cidade). A nossa hospedagem ficava no centro da cidade onde há muitas lojas e cafés. Nós sabíamos que Sofia não é uma capital com potencial turístico, mas queríamos ver de perto como é a vida por lá. Apesar do aspecto decadente, o trânsito é tranquilo e as pessoas parecem viver bem. É uma cidade bastante segura e as diferenças sociais não são tão evidentes como no Brasil. Não vimos cortiços e nada parecido com favelas, mesmo nos bairros mais afastados. Há muitas igrejas ortodoxas, sinagogas e mesquitas, herança dos otomanos.
A Igreja ortodoxa Russa Saint Nikolas é linda por fora e pequenina por dentro. Vale a pena conhecer. Os principais pontos turísticos de Sofia são a Catedral Ortodoxa Alexander Nevski, a Sinagoga de Sofia, o Mercado Municipal, os parques e as feiras de rua. Três dias são o suficiente para explorar bem a cidade.
Catedral Alexander Nevski
A Catedral Ortodoxa Alexander Nevski é suntuosa por fora e misteriosa, um tanto escura por dentro. Foi construída no começo do século XX e tem imagens e lustres muito bonitos. Ela foi erguida em homenagem aos soldados russos que lutaram na guerra russo-turca. Há vários monumentos por toda cidade em homenagem a eles.
Sinagoga de Sofia
Outro ponto turístico que merece a visita é a Sinagoga de Sofia. Também é do começo do século XX, muito bem conservada e bonita. Funciona até hoje e tem capacidade para 1.300 pessoas, é a terceira maior da Europa. A história dos judeus búlgaros é bem diferente dos que viveram na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. O governo búlgaro da época se recusou a deportar seus cidadãos judeus para os campos de concentração alemães. Ao lado da sinagoga fica o mercado municipal, onde existem vários tipos de comidas búlgaras, frutas, sucos e doces turcos.
Os países do leste europeu têm muitos parques. A Bulgária não é diferente. Dedicamos uma tarde inteira para conhecer o Parque Central de Sofia. Ele é enorme e corta o centro da cidade. Há centenas de rosas, o símbolo do país. O principal estádio de futebol da Bulgária fica dentro desse parque. Para explorar melhor tivemos uma ajudinha... Alugamos dois quadriciclos.
Feira de rua na praça da Catedral Alexander Nevski. Há várias coleções antigas que vão de ítens soviéticos a cópias de ícones medievais a bom preço.
COMER EM SOFIA...
Uma atração à parte. Talvez tenha sido um dos pontos altos para nós. Fomos a bons restaurantes, com ótimos pratos. Um almoço ou jantar para duas pessoas sai por volta de oito euros! As saladas são super bem servidas e elaboradas e assim como toda grande cidade, há restaurantes de todo tipo, todos com ótimo preço. Os búlgaros são bons nos iogurtes e sorvetes, outra influência turca. Em Sófia, nós provamos um dos melhores sorvetes que comemos na vida. Era de pistache e morango, com pedaços da fruta e chips de chocolate, inesquecível.
Sofia é assim...Arborizada, florida e muito ensolarada. Não esqueça o protetor solar! O turismo ao ar livre, de preferência a pé é a melhor opção para explorar as ruas da cidade, que não tem boa estrutura para os ciclistas. No inverno é um bom lugar para esportes na neve, bem mais barato que o resto da Europa.
De onde viemos: Brasov, Romênia
Para onde vamos: Plovdiv, Bulgária
SOFIA - BULGÁRIA
Hospedagem: 30 euros - Levitt Hostel - muito bom
Transporte: a pé e tram - ruim
Culinária : 4 euros por prato - excelente
Hospitalidade do povo local: excelente
Pontos Turísticos: bons
Preços: excelentes
Clima Local (média 32 graus): junho/2012
Fuso Horário: 06 horas a mais em relação ao Brasil
Distância Percorrida desde o último destino: 500 km
Distância Percorrida desde o ponto de Partida (Lisboa): 10.481 km