Vou postar aqui minhas "Aventuras rodoviárias (e ferroviárias) pela América do Sul", onde percorri cerca de 9.300 Km por terra.
No primeiro sábado de julho/2004 dei início a minha tão esperada e planejada viagem pela Bolívia.
Parti do terminal Barra Funda (São Paulo, SP), junto com meu amigo Thiago, com destino a Corumbá (MS). O ônibus, da viação Andorinha, foi bem tranqüilo, apesar do frio do ar-condicionado. Chegando em Miranda, no Pantanal mato-grossense, mudamos de ônibus, para continuar a viagem até Corumbá (pois nesse trecho a estrada fica um pouco pior). Como chegamos em Corumbá domingo, pernoitamos por lá, para no dia seguinte atravessarmos a fronteira até a Bolívia.
Na 2ª feira, após uma carona em uma Toyota, um ônibus de linha e um táxi, finalmente atravessei a fronteira e cheguei a estação de Puerto Quijarro, para pegar o tão famoso e temido "Trem da Morte" com meus amigos brasileiros, pois a essa altura já estávamos em 7 pessoas.
A viagem de trem, durou 22 horas, mas foram horas divertidíssimas! Logo no início, o vagão que estava a nossa frente, descarrilou! Quando eu iria imaginar um vagão descarrilando na minha frente! Devido a esse fato, o meu vagão ficou sem energia! Ficou mais emocionante ainda! Meus amigos, que iriam seguir ao Peru, resolveram fazer um macarrão no assoalho do vagão! Com direito a panela e fogareiro é claro!
Pois bem, o trajeto conta com 30 estações, porém além das estações, o maquinista parou mais umas 50 vezes! Sem brincadeira!
Na Bolívia, além do dito trem da morte, existem também a ponte da morte, o dente do diabo...claro que eu não queria dormir, pois não poderia perder as "atrações" do trajeto!
Quando chegamos finalmente em Santa Cruz de La Sierra, ao invés de dois vagões na nossa frente, existiam mais dez!
Chegando em Santa Cruz, consegui minha primeira "barbada" com um taxista: 7 pessoas dentro do táxi por cerca de R$ 2,00! E o taxista feliz da vida, buzinando sem parar, e meus amigos gritando com a bandeira do Brasil pra fora.
Outro trajeto muito divertido, foi enfrentar o ônibus de Santa Cruz de La Sierra à Sucre. Pra começar chegou um ônibus sem letreiro, somente com o nome da empresa (Trans Suarez), com os pedaços caindo e bagageiro no teto. Como não havia identificação, ficamos aguardando e vendo a variedade de coisas que as bolivianas carregam, desde árvores enormes (pareciam palmeiras, não soube identificar) à galinhas, papagaios (sim, as galinhas vão dentro dos ônibus, com os demais passageiros!). É incrível, parecem que estão sempre de mudança, tamanha a quantidade de coisas que carregam, isso sem contar os filhos nas costas!
Pois bem, o nosso ônibus, era aquele mesmo...só restou-me pedir proteção a Deus.
Lá dentro, além das galinhas, papagaio e etc, viajamos com música! Sim, um dos passageiros se empolgou e ligou o "radinho" a todo volume para quem quisesse escutar!
A estrada para Sucre é sinuosa, grande parte sem asfalto, com curvas onde o que se vê são abismos.
Há, e tem mais: na Bolívia, em 90% dos ônibus, não existem banheiros (ou quando existem, são trancados)....isso mesmo, o chofer pára no meio da estrada, grita "Baño" e é lá mesmo, que você deve fazer suas necessidades (o que não foi o meu caso, pois platéia, nem pensar!), sem contar que os assentos, para quem tem mais de 1,70m não são nem um pouco confortáveis.
Em Potosí, seguindo para Uyuni, o ônibus andou pela cidade inteira atrás de combustível, algo peculiar na Bolívia abastecer em postos "comuns", e depois de 1h30 seguimos viagem. Como não poderia deixar de ser, aquele volume de bagagem de toda procedência, e para quebrar o silêncio, uma criança chorando, quero dizer gritando, por cerca de 2 horas! Só o chá de coca acalmou o bebê mesmo.....
Cheguei em Uyuni, com os vidros dos ônibus congelados e um frio de rachar, depois de 8 horas de viagem (para andar apenas 220 km!).
No tour pelo salar, meu meio de transporte melhorou consideravelmente, agora andando em um possante jipe 4x4, bem confortavel! Ainda bem que o jipe era bem "vedado", pois lá fora o frio ficava entre 15 e 18 graus negativos!!!
Atravessei a fronteira para o Chile e, surpresa! Tamanha a diferença das estradas, onde os motoristas realmente respeitam as Leis de trânsito, o ônibus que fez o percurso Calama-Arica foi o mais confortável da viagem inteira, sem contar o bus-moço, de uma educação que não via há muito (acordei coberta, e nem percebi!). É claro que para todos esse "primeiro mundo", paga-se bem, mas isso é outra história.
Como eu queria saber de emoção e diversão, rumei ao Peru, onde o transporte é tão peculiar quanto seu vizinho, a Bolívia. Os ônibus por lá são muito divertidos, só saem quando estão completamente lotados, e assim como na Bolívia, toda sorte de comida é vendida.
Após percorrer parte do Peru, voltei à Bolívia, e quando cheguei em La Paz fiquei pasma. O trânsito de La Paz deixa São Paulo no chinelo! Os motoristas simplesmente ignoram todas as leis de trânsito, buzinam para tudo, tem o prazer de acelerar e jogar o carro em cima dos pedestres, para depois buzinar......
Não estranhe se você estiver em uma van (muito comum em La Paz), e um dos objetos/ passageiros for um caixão......pois bem, isso aconteceu com meus amigos brasileiros!
Chegou o dia de ir embora, como estava em La Paz, resolvi pegar o tal ônibus "direto" a São Paulo, que na verdade de direto não tem nada, pois peguei um ônibus de La Paz à Sta. Cruz, que por sinal era um bus-cama, até assistindo lançamento de cinema no vídeo! Achei que até São Paulo iria no conforto...engano meu....
Cheguei em Santa Cruz por volta de 12h30 e esperei até as 20h para pegar o outro ônibus que me levaria à Assunción, no Paraguai; eis que chega o ônibus....bem, parece que quanto pior é o ônibus, mais divertida é a viagem, pois em que lugar o chofer pára para comprar a comida dos passageiros? O bus-moço era uma figura, passava recolhendo os "platos", e eu na minha inocência, acreditando que ele iria fazer algo parecido com uma lixeira, mas não, ele abria qualquer janela e jogava no meio do Chaco paraguaio!! Devo contar os inúmeros "enquadros" da polícia (anti-drogas) paraguaia, pois das 36 horas que passei dentro do ônibus, pelo menos umas 5 foram dando explicações aos policiais (há como gostam de brasileiras viu....).
Mas chegando em Assunción, aguardei cerca de 1 hora e peguei finalmente o ônibus a São Paulo, esse sem nenhuma emoção e, depois de apenas 84 horas cheguei inteirinha e pronta para a próxima!
Depois te toda essa aventura, cheguei a uma conclusão: Deus não é apenas brasileiro, é sul-americano!
Vou postar aqui minhas "Aventuras rodoviárias (e ferroviárias) pela América do Sul", onde percorri cerca de 9.300 Km por terra.
No primeiro sábado de julho/2004 dei início a minha tão esperada e planejada viagem pela Bolívia.
Parti do terminal Barra Funda (São Paulo, SP), junto com meu amigo Thiago, com destino a Corumbá (MS). O ônibus, da viação Andorinha, foi bem tranqüilo, apesar do frio do ar-condicionado. Chegando em Miranda, no Pantanal mato-grossense, mudamos de ônibus, para continuar a viagem até Corumbá (pois nesse trecho a estrada fica um pouco pior). Como chegamos em Corumbá domingo, pernoitamos por lá, para no dia seguinte atravessarmos a fronteira até a Bolívia.
Na 2ª feira, após uma carona em uma Toyota, um ônibus de linha e um táxi, finalmente atravessei a fronteira e cheguei a estação de Puerto Quijarro, para pegar o tão famoso e temido "Trem da Morte" com meus amigos brasileiros, pois a essa altura já estávamos em 7 pessoas.
A viagem de trem, durou 22 horas, mas foram horas divertidíssimas! Logo no início, o vagão que estava a nossa frente, descarrilou! Quando eu iria imaginar um vagão descarrilando na minha frente! Devido a esse fato, o meu vagão ficou sem energia! Ficou mais emocionante ainda! Meus amigos, que iriam seguir ao Peru, resolveram fazer um macarrão no assoalho do vagão! Com direito a panela e fogareiro é claro!
Pois bem, o trajeto conta com 30 estações, porém além das estações, o maquinista parou mais umas 50 vezes! Sem brincadeira!
Na Bolívia, além do dito trem da morte, existem também a ponte da morte, o dente do diabo...claro que eu não queria dormir, pois não poderia perder as "atrações" do trajeto!
Quando chegamos finalmente em Santa Cruz de La Sierra, ao invés de dois vagões na nossa frente, existiam mais dez!
Chegando em Santa Cruz, consegui minha primeira "barbada" com um taxista: 7 pessoas dentro do táxi por cerca de R$ 2,00! E o taxista feliz da vida, buzinando sem parar, e meus amigos gritando com a bandeira do Brasil pra fora.
Outro trajeto muito divertido, foi enfrentar o ônibus de Santa Cruz de La Sierra à Sucre. Pra começar chegou um ônibus sem letreiro, somente com o nome da empresa (Trans Suarez), com os pedaços caindo e bagageiro no teto. Como não havia identificação, ficamos aguardando e vendo a variedade de coisas que as bolivianas carregam, desde árvores enormes (pareciam palmeiras, não soube identificar) à galinhas, papagaios (sim, as galinhas vão dentro dos ônibus, com os demais passageiros!). É incrível, parecem que estão sempre de mudança, tamanha a quantidade de coisas que carregam, isso sem contar os filhos nas costas!
Pois bem, o nosso ônibus, era aquele mesmo...só restou-me pedir proteção a Deus.
Lá dentro, além das galinhas, papagaio e etc, viajamos com música! Sim, um dos passageiros se empolgou e ligou o "radinho" a todo volume para quem quisesse escutar!
A estrada para Sucre é sinuosa, grande parte sem asfalto, com curvas onde o que se vê são abismos.
Há, e tem mais: na Bolívia, em 90% dos ônibus, não existem banheiros (ou quando existem, são trancados)....isso mesmo, o chofer pára no meio da estrada, grita "Baño" e é lá mesmo, que você deve fazer suas necessidades (o que não foi o meu caso, pois platéia, nem pensar!), sem contar que os assentos, para quem tem mais de 1,70m não são nem um pouco confortáveis.
Em Potosí, seguindo para Uyuni, o ônibus andou pela cidade inteira atrás de combustível, algo peculiar na Bolívia abastecer em postos "comuns", e depois de 1h30 seguimos viagem. Como não poderia deixar de ser, aquele volume de bagagem de toda procedência, e para quebrar o silêncio, uma criança chorando, quero dizer gritando, por cerca de 2 horas! Só o chá de coca acalmou o bebê mesmo.....
Cheguei em Uyuni, com os vidros dos ônibus congelados e um frio de rachar, depois de 8 horas de viagem (para andar apenas 220 km!).
No tour pelo salar, meu meio de transporte melhorou consideravelmente, agora andando em um possante jipe 4x4, bem confortavel! Ainda bem que o jipe era bem "vedado", pois lá fora o frio ficava entre 15 e 18 graus negativos!!!
Atravessei a fronteira para o Chile e, surpresa! Tamanha a diferença das estradas, onde os motoristas realmente respeitam as Leis de trânsito, o ônibus que fez o percurso Calama-Arica foi o mais confortável da viagem inteira, sem contar o bus-moço, de uma educação que não via há muito (acordei coberta, e nem percebi!). É claro que para todos esse "primeiro mundo", paga-se bem, mas isso é outra história.
Como eu queria saber de emoção e diversão, rumei ao Peru, onde o transporte é tão peculiar quanto seu vizinho, a Bolívia. Os ônibus por lá são muito divertidos, só saem quando estão completamente lotados, e assim como na Bolívia, toda sorte de comida é vendida.
Após percorrer parte do Peru, voltei à Bolívia, e quando cheguei em La Paz fiquei pasma. O trânsito de La Paz deixa São Paulo no chinelo! Os motoristas simplesmente ignoram todas as leis de trânsito, buzinam para tudo, tem o prazer de acelerar e jogar o carro em cima dos pedestres, para depois buzinar......
Não estranhe se você estiver em uma van (muito comum em La Paz), e um dos objetos/ passageiros for um caixão......pois bem, isso aconteceu com meus amigos brasileiros!
Chegou o dia de ir embora, como estava em La Paz, resolvi pegar o tal ônibus "direto" a São Paulo, que na verdade de direto não tem nada, pois peguei um ônibus de La Paz à Sta. Cruz, que por sinal era um bus-cama, até assistindo lançamento de cinema no vídeo! Achei que até São Paulo iria no conforto...engano meu....
Cheguei em Santa Cruz por volta de 12h30 e esperei até as 20h para pegar o outro ônibus que me levaria à Assunción, no Paraguai; eis que chega o ônibus....bem, parece que quanto pior é o ônibus, mais divertida é a viagem, pois em que lugar o chofer pára para comprar a comida dos passageiros? O bus-moço era uma figura, passava recolhendo os "platos", e eu na minha inocência, acreditando que ele iria fazer algo parecido com uma lixeira, mas não, ele abria qualquer janela e jogava no meio do Chaco paraguaio!! Devo contar os inúmeros "enquadros" da polícia (anti-drogas) paraguaia, pois das 36 horas que passei dentro do ônibus, pelo menos umas 5 foram dando explicações aos policiais (há como gostam de brasileiras viu....).
Mas chegando em Assunción, aguardei cerca de 1 hora e peguei finalmente o ônibus a São Paulo, esse sem nenhuma emoção e, depois de apenas 84 horas cheguei inteirinha e pronta para a próxima!
Depois te toda essa aventura, cheguei a uma conclusão: Deus não é apenas brasileiro, é sul-americano!