Sempre aproveitei muito as dicas aqui do Mochileiros e agora resolvi dar minha contribuição!
Resolvemos ir para Ushuaia no inverno (primeira quinzena de agosto) com a intenção de aproveitar a beleza da cidade com todos os passeios de inverno e ainda aprender a esquiar, usando uns 4 dias nesse intuito pra "aprimorar a técnica".
A CIDADE:
A paisagem de lá é realmente belíssima e bastante única (pelo menos para brasileiros que não estão lá muito acostumados com neve). A cidade fica colada na cordilheira dos andes, ao nível do mar. Na verdade é onde a cordilheira "termina" encontrando o Canal de Beagle, já quase na passagem de Drake que é o final do continente americano. Logo, a visão dos picos íngremes e escarpados congelados (em qualquer época do ano) é admirável.
O frio no inverno é grande, logo, pra quem não está acostumado, a roupa básica pra botar o pé na rua (e esquiar) é a seguinte: camisa segunda pele (lá eles chamam de primeira pele...) um suéter parrudo (ou dois se preferir) e um casaco impermeável forrado (impermeável por causa do vento e da neve); calça segunda pele (ou meia calça mesmo...) uma calça de moletom (ou outra meia calça mais grossa) e a calça por cima, se for na rua pode ser jeans mesmo, para esquiar calça impermeável; meia grossa, tênis ou bota com solado largo, cachecol e touca! É meu amigo, 12 peças só pra botar a cara no vento! Mas se for pegar um taxi para ir num restaurante, não precisa se preocupar, os lugares são todos aquecidos e pra uma corridinha pro taxi e outra pro restaurante só precisa de um casaco e uma calça (com meia calça!). Dá pra comprar as peças na cidade, mas os preços não são tão bons. Comprei duas "segunda pele" no Carrefour e a luva de esqui na DDT da San Martin (a mais barata). O resto eu levei emprestado. Dependendo da quantidade de dias de permanência dá pra alugar ou comprar, comparando os preços.
Aliás, os preços na cidade (passeios, restaurantes e roupas) são realmente salgados na alta temporada (os passeios são praticamente 50% mais caros que na baixa). E a alta temporada dura de 6 julho a 6 setembro e de 6 dezembro a 6 fevereiro (aproximadamente), logo, bote uma ratoeira no bolso! Os locais valorizam bastante o real e o dólar, e os caixas eletrônicos realizam saques com cartão de crédito desbloqueado, então pode se planejar!
OS PASSEIOS:
Canal de Beagle:
Passeio de barco "obrigatório" para quem vai à região. Passa por pequenas ilhas onde se aglomeram animais do local. Uma ilha com muitos leões marinhos (cheiro bastante forte quando o barco está contra o vento). Outra com gaivotas e cormoranes que são aves parecidas com pingüins mas voam! Outra deserta onde se pode dar uma caminhada e bater fotos e a última do farol cartão postal de Ushuaia. É muito bonito, mas na minha opinião a visão mais bonita é a da cidade na saída do porto com o Glaciar Martial no fundo. No verão ainda é possível avistar uma pinguineira lotada. No inverno os pingüins são raros, pois estão em lugares mais "quentes", é verdade...
Parque nacional da terra do fogo:
Belíssimo parque com a natureza local preservada, árvores perenes e sazonais, vegetação de turfas e alguns animais como a raposa vermelha (muito comum e avistável facilmente por turistas), cisnes, castores (avistável no verão) e coelhos silvestres. Esses dois últimos são considerados uma praga pois foram trazidos por colonizadores europeus e não têm predadores naturais na região, logo, se reproduziram enormemente degradando a vegetação da região.
A vista dos lagos da região também é maravilhosa, vale a pena a visita, porém, é mais um lugar onde no verão pode-se aproveitar mais os passeios, pois as trilhas são abertas e consegue-se ter acesso a muitas outras belezas do local.
Glaciar Martial: É um lugar de trilhas no verão e no inverno basicamente esqui, porém vale a pena subir de teleférico no inverno para admirar a vista de Ushuaia e do Glaciar (por volta de 30 reais p/p). Falarei mais sobre ele no item esqui...
Centros Invernales:
Como o nome diz são os locais próximos à cidade que oferecem atividades de inverno, entre eles o Terra Mayor, Las Cotorras e o Harwen. Eles oferecem o esqui de fundo que é basicamente caminhada com esqui. Fizemos um dia inteiro de esqui de fundo que, além de permitir a apreciação da vista maravilhosa dos centros invernais ainda te dá confiança no uso de esquis com imensa facilidade (o calcanhar é solto) e com uma hora de aula você já consegue percorrer as pistas de até 10km da região! Nós fomos nos Las Cotorras (Ushuaia Blanca) e valeu a pena demais! Um macete é fazer a atividade apenas com segunda pele e o casaco forrado impermeável, levando um suéter e outra segunda pele para trocar, pois você sua bastante! Há também atividades como caminhada com raquetas que são pequenas pranchas arredondadas que se coloca no pé para poder caminhar mais "facilmente" sobre a neve fofa, não tem muita graça, mas é legal experimentar. Tem também motos de neve, trenó com cachorros e patinação no gelo.
Nos centros invernales encontra-se o Cerro Castor que é uma estação top de esqui, equipes da Europa treinam neste local quando está no verão do hemisfério norte, falarei mais sobre ele quando falar sobre esqui...
Neve e Fogo:
Bem, esse é um passeio clássico noturno para variar o ambiente. O nome varia de acordo com o centro invernal que fizer, mas ele sempre envolve um passeio de trenó com cachorros, com raquetas de neve e uma janta, alguns oferecem também a opção de motos de neve. Fizemos o passeio que incluía tudo e valeu a pena. Se puder escolher, escolha uma noite com lua cheia, a paisagem é indescritível.
Museu Yámana, Fim do Mundo e Presídio:
Para quem tem a curiosidade de saber a história dos habitantes primitivos, dos colonizadores e da cidade (e tem tempo disponível) esses museus são muito interessantes e dá pra serem visitados em um dia. Começe pelo Yamana depois o Fim do Mundo e deixe o presídio por último, pois este é o maior e mais interessante. Se tiver pouco tempo vá apenas ver a seção de taxidermia do museu do fim do mundo e depois o presídio, que reúne um pouco da história dos outros museus.
ESQUI:
Bem, misture um pouco de tempo livre com coragem e com alguma dosagem de diclofenaco que você irá aprender a esquiar. Não é difícil mas exige persistência. A sequencia básica é a seguinte:
Roupas:
Veja o item "A CIDADE" acima. Não deixe de botar o traje completo e quente, pois quando estiver sentado no teleférico subindo com neve, vento e sensação térmica de -15° C não vai ter como voltar, independente que na hora da "atividade" você acabe suando um pouco. Quanto a alugar ou comprar, verifique o tempo de estadia e compare com os preços dos locais de aluguel da cidade.
Locais:
Existem dois locais na cidade para a prática. O Glaciar Martial que tem escola de esqui e apenas uma pista de intensidade intermediária / difícil para a prática. Já o Cerro Castor é o maior centro de esqui da América Latina, com mais de 20 pistas para iniciantes ou avançados e escola de esqui.
Nós preferimos o Glaciar Martial para fazer a aula e as primeiras tentativas pois o preço do aluguel de equipamento / aula / taxa de utilização é bem inferior (quase 1/3) e, pra quem não sabe nada, tanto faz assim como tanto fez!
Com uma hora de aula (eu no Snow e minha esposa no Esqui) aprendemos a colocar e tirar o equipamento e a começar a tentar chegar perto de saber algo muito próximo a nada. É verdade... Mas não se engane! Apesar de ser desanimadora a primeira hora de aula no segundo dia já estávamos conseguindo descer a pista intermediária com poucas quedas (é, você vai cair...) o que é muito promissor! No terceiro dia já estávamos bem mais a vontade. Uma idéia boa é, em algum dia depois da aula você chegar cedo (a estação abre 10h no inverno) e descer no mínimo umas 5 vezes, com muita calma. No Martial há muitas pessoas aprendendo (e atrapalhando a descida dos outros) então você será mais um, não há problema! No Cerro Castor existem pistas excelentes para aprendizado que, com o auxílio certo, este se tornará bem menos traumático, mas existe aquela diferen$$a que citei acima!
Só mais um detalhe! No Glaciar Martial eles retém um documento seu para alugar o equipamento, logo, se você não quiser correr o risco de deixar teu passaporte retido (ou esquecido) leve outro! Pode ser qualquer documento, eles não ligam! Eu deixei carteira de estudante vencida...
Para quem já tem alguma experiência, existe um traslado ida e volta de Van que cobra na faixa de 40 reais por pessoa por dia que te busca na porta do hotel e te deixa na entrada do Cerro Castor. Se quiser alugar o equipamento por vários dias na cidade (o que sai beeeem mais barato), a Van leva e traz todo o equipamento sem problema. É bem confortável!
Espero ter ajudado! E gostaria de agradecer ao Assis Oliveira, blogueiro do Mochileiros que passou um macete indispensável pra eu conseguir "ficar em pé" na prancha! hehehe
Sempre aproveitei muito as dicas aqui do Mochileiros e agora resolvi dar minha contribuição!
Resolvemos ir para Ushuaia no inverno (primeira quinzena de agosto) com a intenção de aproveitar a beleza da cidade com todos os passeios de inverno e ainda aprender a esquiar, usando uns 4 dias nesse intuito pra "aprimorar a técnica".
A CIDADE:
A paisagem de lá é realmente belíssima e bastante única (pelo menos para brasileiros que não estão lá muito acostumados com neve). A cidade fica colada na cordilheira dos andes, ao nível do mar. Na verdade é onde a cordilheira "termina" encontrando o Canal de Beagle, já quase na passagem de Drake que é o final do continente americano. Logo, a visão dos picos íngremes e escarpados congelados (em qualquer época do ano) é admirável.
O frio no inverno é grande, logo, pra quem não está acostumado, a roupa básica pra botar o pé na rua (e esquiar) é a seguinte: camisa segunda pele (lá eles chamam de primeira pele...) um suéter parrudo (ou dois se preferir) e um casaco impermeável forrado (impermeável por causa do vento e da neve); calça segunda pele (ou meia calça mesmo...) uma calça de moletom (ou outra meia calça mais grossa) e a calça por cima, se for na rua pode ser jeans mesmo, para esquiar calça impermeável; meia grossa, tênis ou bota com solado largo, cachecol e touca! É meu amigo, 12 peças só pra botar a cara no vento! Mas se for pegar um taxi para ir num restaurante, não precisa se preocupar, os lugares são todos aquecidos e pra uma corridinha pro taxi e outra pro restaurante só precisa de um casaco e uma calça (com meia calça!). Dá pra comprar as peças na cidade, mas os preços não são tão bons. Comprei duas "segunda pele" no Carrefour e a luva de esqui na DDT da San Martin (a mais barata). O resto eu levei emprestado. Dependendo da quantidade de dias de permanência dá pra alugar ou comprar, comparando os preços.
Aliás, os preços na cidade (passeios, restaurantes e roupas) são realmente salgados na alta temporada (os passeios são praticamente 50% mais caros que na baixa). E a alta temporada dura de 6 julho a 6 setembro e de 6 dezembro a 6 fevereiro (aproximadamente), logo, bote uma ratoeira no bolso! Os locais valorizam bastante o real e o dólar, e os caixas eletrônicos realizam saques com cartão de crédito desbloqueado, então pode se planejar!
OS PASSEIOS:
Canal de Beagle:
Passeio de barco "obrigatório" para quem vai à região. Passa por pequenas ilhas onde se aglomeram animais do local. Uma ilha com muitos leões marinhos (cheiro bastante forte quando o barco está contra o vento). Outra com gaivotas e cormoranes que são aves parecidas com pingüins mas voam! Outra deserta onde se pode dar uma caminhada e bater fotos e a última do farol cartão postal de Ushuaia. É muito bonito, mas na minha opinião a visão mais bonita é a da cidade na saída do porto com o Glaciar Martial no fundo. No verão ainda é possível avistar uma pinguineira lotada. No inverno os pingüins são raros, pois estão em lugares mais "quentes", é verdade...
Parque nacional da terra do fogo:
Belíssimo parque com a natureza local preservada, árvores perenes e sazonais, vegetação de turfas e alguns animais como a raposa vermelha (muito comum e avistável facilmente por turistas), cisnes, castores (avistável no verão) e coelhos silvestres. Esses dois últimos são considerados uma praga pois foram trazidos por colonizadores europeus e não têm predadores naturais na região, logo, se reproduziram enormemente degradando a vegetação da região.
A vista dos lagos da região também é maravilhosa, vale a pena a visita, porém, é mais um lugar onde no verão pode-se aproveitar mais os passeios, pois as trilhas são abertas e consegue-se ter acesso a muitas outras belezas do local.
Glaciar Martial: É um lugar de trilhas no verão e no inverno basicamente esqui, porém vale a pena subir de teleférico no inverno para admirar a vista de Ushuaia e do Glaciar (por volta de 30 reais p/p). Falarei mais sobre ele no item esqui...
Centros Invernales:
Como o nome diz são os locais próximos à cidade que oferecem atividades de inverno, entre eles o Terra Mayor, Las Cotorras e o Harwen. Eles oferecem o esqui de fundo que é basicamente caminhada com esqui. Fizemos um dia inteiro de esqui de fundo que, além de permitir a apreciação da vista maravilhosa dos centros invernais ainda te dá confiança no uso de esquis com imensa facilidade (o calcanhar é solto) e com uma hora de aula você já consegue percorrer as pistas de até 10km da região! Nós fomos nos Las Cotorras (Ushuaia Blanca) e valeu a pena demais! Um macete é fazer a atividade apenas com segunda pele e o casaco forrado impermeável, levando um suéter e outra segunda pele para trocar, pois você sua bastante! Há também atividades como caminhada com raquetas que são pequenas pranchas arredondadas que se coloca no pé para poder caminhar mais "facilmente" sobre a neve fofa, não tem muita graça, mas é legal experimentar. Tem também motos de neve, trenó com cachorros e patinação no gelo.
Nos centros invernales encontra-se o Cerro Castor que é uma estação top de esqui, equipes da Europa treinam neste local quando está no verão do hemisfério norte, falarei mais sobre ele quando falar sobre esqui...
Neve e Fogo:
Bem, esse é um passeio clássico noturno para variar o ambiente. O nome varia de acordo com o centro invernal que fizer, mas ele sempre envolve um passeio de trenó com cachorros, com raquetas de neve e uma janta, alguns oferecem também a opção de motos de neve. Fizemos o passeio que incluía tudo e valeu a pena. Se puder escolher, escolha uma noite com lua cheia, a paisagem é indescritível.
Museu Yámana, Fim do Mundo e Presídio:
Para quem tem a curiosidade de saber a história dos habitantes primitivos, dos colonizadores e da cidade (e tem tempo disponível) esses museus são muito interessantes e dá pra serem visitados em um dia. Começe pelo Yamana depois o Fim do Mundo e deixe o presídio por último, pois este é o maior e mais interessante. Se tiver pouco tempo vá apenas ver a seção de taxidermia do museu do fim do mundo e depois o presídio, que reúne um pouco da história dos outros museus.
ESQUI:
Bem, misture um pouco de tempo livre com coragem e com alguma dosagem de diclofenaco
que você irá aprender a esquiar. Não é difícil mas exige persistência. A sequencia básica é a seguinte:
Roupas:
Veja o item "A CIDADE" acima. Não deixe de botar o traje completo e quente, pois quando estiver sentado no teleférico subindo com neve, vento e sensação térmica de -15° C não vai ter como voltar, independente que na hora da "atividade" você acabe suando um pouco. Quanto a alugar ou comprar, verifique o tempo de estadia e compare com os preços dos locais de aluguel da cidade.
Locais:
Existem dois locais na cidade para a prática. O Glaciar Martial que tem escola de esqui e apenas uma pista de intensidade intermediária / difícil para a prática. Já o Cerro Castor é o maior centro de esqui da América Latina, com mais de 20 pistas para iniciantes ou avançados e escola de esqui.
Nós preferimos o Glaciar Martial para fazer a aula e as primeiras tentativas pois o preço do aluguel de equipamento / aula / taxa de utilização é bem inferior (quase 1/3) e, pra quem não sabe nada, tanto faz assim como tanto fez!
Com uma hora de aula (eu no Snow e minha esposa no Esqui) aprendemos a colocar e tirar o equipamento e a começar a tentar chegar perto de saber algo muito próximo a nada. É verdade... Mas não se engane! Apesar de ser desanimadora a primeira hora de aula no segundo dia já estávamos conseguindo descer a pista intermediária com poucas quedas (é, você vai cair...) o que é muito promissor! No terceiro dia já estávamos bem mais a vontade. Uma idéia boa é, em algum dia depois da aula você chegar cedo (a estação abre 10h no inverno) e descer no mínimo umas 5 vezes, com muita calma. No Martial há muitas pessoas aprendendo (e atrapalhando a descida dos outros) então você será mais um, não há problema! No Cerro Castor existem pistas excelentes para aprendizado que, com o auxílio certo, este se tornará bem menos traumático, mas existe aquela diferen$$a que citei acima!
Só mais um detalhe! No Glaciar Martial eles retém um documento seu para alugar o equipamento, logo, se você não quiser correr o risco de deixar teu passaporte retido (ou esquecido) leve outro! Pode ser qualquer documento, eles não ligam! Eu deixei carteira de estudante vencida...
Para quem já tem alguma experiência, existe um traslado ida e volta de Van que cobra na faixa de 40 reais por pessoa por dia que te busca na porta do hotel e te deixa na entrada do Cerro Castor. Se quiser alugar o equipamento por vários dias na cidade (o que sai beeeem mais barato), a Van leva e traz todo o equipamento sem problema. É bem confortável!
Espero ter ajudado! E gostaria de agradecer ao Assis Oliveira, blogueiro do Mochileiros que passou um macete indispensável pra eu conseguir "ficar em pé" na prancha! hehehe