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fernandobalm

Roraima - 06/2012

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Considerações Gerais:

 

Não pretendo aqui fazer um relato detalhado, mas apenas descrever a viagem com as informações que considerar mais relevantes para quem pretende fazer um roteiro semelhante, principalmente o trajeto, preços, hotéis, meios de transporte e informações adicionais que eu achar relevantes.

 

Nesta época eu ainda não registrava detalhadamente as informações, então preços muitas vezes vão ser estimativas e hotéis e meios de transporte poderão não ter informações detalhadas, mas procurarei citar as informações de que eu lembrar para tentar dar a melhor ideia possível a quem desejar repetir o trajeto e ter uma base para pesquisar detalhes.

 

Sobre os locais a visitar, só vou citar os de que mais gostei ou que estiverem fora dos roteiros tradicionais. Os outros pode-se ver facilmente nos roteiros disponíveis. Os meus itens preferidos geralmente relacionam-se à Natureza e à Espiritualidade.

 

Informações Gerais:

 

A temperatura variou entre 20 C e 35 C. Choveu razoavelmente, mas geralmente foram somente pancadas no fim do dia. Só um dia teve chuva contínua por algumas horas.

 

Em quase todos os lugares diferentes de Boa Vista (exceto num supermercado em Uiramutã) só foram aceitos pagamentos em dinheiro (não aceitavam cheque nem cartão).

 

A comida da região, quando pedida em pratos simples, geralmente era barata e farta. ::cool:::'> Em Uiramutã, que fica no meio de reservas indígenas, os vegetais (tomate, cenoura, etc) são caros, pois são importados de outros estados. Só os índios podem plantar lá e eles só o fazem para subsistência.

 

Para poder ir a áreas indígenas próximas ao Monte Roraima na Venezuela é necessário ter o certificado de vacinação contra a febre amarela.

 

É interessante uma certa cautela antes de ir a terras indígenas, pois há alguns grupos que não aceitam bem os visitantes, devido a violência e exploração que sofreram no passado. É necessário sempre pedir autorização aos índios antes de entrar.

 

A Viagem:

 

Minha viagem foi de SP (Guarulhos) a Boa Vista em 15/6/2012. A volta foi de Boa Vista a SP (Guarulhos) em 28/6/2012. Não paguei o voo em dinheiro. Usei 8.000 pontos da TAM incluindo a ida e a volta.

 

O voo saía às 7:20 e eu fui da minha casa no Cambuci até o Metrô Tatuapé a pé (cerca de 7 Km), para pegar o ônibus da EMTU. Fui de 4:45 a 6:00 e não tive nenhum problema de segurança.

 

Em Boa Vista fui a pé do aeroporto até o Centro (cerca de 6 Km). Porém optei por ficar num hotel próximo à Rodoviária por R$ 30,00 a diária, sem café da manhã. Ficar perto da rodoviária foi bastante útil para as viagens internas e também para obter informações sobre disponibilidade, horários e trajetos de ônibus. Jantei numa espécie de trailler/tenda ao lado da rodoviária por R$ 4,00 com comida à vontade sem carne. O preço com carne era um pouco maior.

 

Para as atrações veja http://www.boavista.rr.gov.br/conheca_boa_vista/1/Pontos_Turisticos. Os pontos de que eu mais gostei foram a Orla Tauman, o Parque Anauá, a Igreja Matriz do Nossa Senhora do Carmo, as onças do Zoológico do Batalhão do Forte São Joaquim, a Praça das Águas e o banho no Rio Branco. (moradores locais disseram-me que ir às praias durante a semana poderia ser perigoso, pois poderia encontrar alguns ladrões ou viciados com intenção de fazer algum mal - por isso meu banho foi num pequeno porto perto do Centro).

 

Em 17/6, domingo, eu resolvi fazer uma ida e volta ao Parque do Viruá. Domingo o transporte é bem mais difícil e eu fui de van pela manhã e voltei com a mesma van à tarde. Há um ponto de vans no escritório delas na rodovia em direção ao parque. O preço foi cerca de R$ 20,,00 ou R$ 25,00 de ida e mais o mesmo valor de volta. A van me deixou no acostamento da estrada e eu peguei uma estrada de terra de poucos quilômetros até a entrada do parque.

 

Para as atrações do Parque veja http://uleinpa.blogspot.com.br/2009/02/conheca-o-parque-nacional-do-virua-em.html e http://ppbio.inpa.gov.br/sitios/virua.

 

Gostei bastante da área. ::otemo:: Não pude entrar logo de início porque o vigia me disse que o responsável tinha dado ordens para ninguém entrar enquanto ele não voltasse de um trabalho que tinha ido fazer. Assim sendo, depois de esperar quase 1 hora, para aproveitar o tempo, preferi andar por uma estrada lateral do parque, porém com bastante vegetação. Nesta estrada vi vários pássaros e um tamanduá (animal que eu nunca havia visto antes na Natureza). Quando estava voltando do meu passeio, encontrei o responsável, que estava voltando do seu trabalho, e ele me autorizou a entrar no Parque. Assim, quando cheguei de volta à guarita, pude entrar na trilha principal. Durante uns 20 minutos andei a pé por ela, vendo várias aves e uma cobra verde com a "barriga" amarela (que eu nunca tinha visto e que não conheço). Fiquei observando a cobra por alguns instantes até que ela me viu, assustou-se e fugiu. Logo depois o vigia e o responsável passaram de caminhonete e me deram uma carona até a sede. Dei um passeio rápido no entorno da sede e depois comecei a voltar pela estrada de terra a pé. Eles disseram que iriam me trazer de volta, mas eu preferi fazer uma parte do caminho a pé para observar a Natureza. Mas eles logo vieram, pois me disseram que ficaram com receio de eu ficar andando sozinho e sem instrumentos de defesa, pois poderiam aparecer animais hostis, como varas de porcos selvagens. Deixaram-me na guarita e de lá caminhei até a estrada para voltar. Já havia perdido o ônibus e, por coincidência, no exato instante em que eu estava chegando à estrada, a van estava passando de volta. Aí eu saí correndo e gritei para ela, que me viu ou ouviu e parou. Quando estava correndo em direção à van quase pisei numa cobra coral que havia saído do rio e estava atravessando a estrada.

 

Em 18/6 peguei um ônibus da Viação Eucatur (https://www.eucatur.com.br) até Pacaraima, que fica na fronteira com a Venezuela. Paguei R$ 16,50. Lá fiquei hospedado num hotel no Centro, por R$ 20,00 a diária. Jantei num restaurante no Centro por cerca de R$ 8,00.

 

Foi um dos lugares de que mais gostei. ::otemo:: A paisagem daquela região inspirou o escritor Arthur Conan Doyle a escrever "O Mundo Perdido".

 

Para as atrações veja http://www.ferias.tur.br/informacoes/7383/pacaraima-rr.html e https://www.google.com.br/search?q=pacaraima+turismo&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=59spUq3xOZKE9QSAk4HQBg&ved=0CFUQsAQ&biw=1366&bih=643&sei=xtwpUqqVLoTG9gSvmYD4Bg. Os pontos de que mais gostei foram a vista do alto de uma colina na fronteira, que realmente parecia com os cenários clássicos que eu tinha visto nos filmes do gênero "O Mundo Perdido" e a visita às comunidades indígenas, em especial a uma comunidade que ficava à beira da rodovia, a uns 15 km da cidade. Lá havia uma índia que desejava estudar medicina para poder trabalhar com seu povo ::cool:::'>, mas que não estava conseguindo viabilizar as condições. A única opção que conseguiu era aos sábados, fato que o pastor responsável pela comunidade vetou (ele era adventista) :cry:.

 

Os índios me receberam muito bem em todas as comunidades. Apenas numa delas eles ficaram um pouco ressabiados porque disseram que uma outra pessoa de etnia "branca" havia estado lá antes, morado lá e depois havia prejudicado-lhes.

 

Antes das visitas às comunidades eu fui a Polícia Federal na fronteira, perguntar se era permitido fazê-las e se era necessária alguma autorização. A PF respondeu-me que era permitido e não era necessária autorização desde que a comunidade aceitasse e concordasse com a visita, fato que ocorreu em todas.

 

Na volta das visitas pela estrada a pé já era noite, o que proporcionou uma bela vista do céu, sem poluição nem iluminação. Era tão escuro que eu, que não estou acostumado, quase bati de frente num indígena que vinha em sentido oposto a pé. Ele viu e me alertou antes do choque. Já perto da cidade havia um grande trecho sem moradores na lateral, que me deixou um pouco preocupado quanto ao aparecimento de onças, posto que a estrada tinha pouco movimento. Mas nenhuma apareceu.

 

Em 20/6 fiz uma ida e volta até Santa Elena de Uiarén na Venezuela. O objetivo era poder ver o Monte Roraima, mesmo que de longe.

 

Antes de sair do Brasil fui informar-me se precisava de algo para entrar na Venezuela e o controle venezuelano me disse que eu precisava da vacina contra a febre amarela para ir além de Santa Elena. Eu tinha tomado 4 anos antes (vale por 10 anos), mas havia deixado a carteirinha em São Paulo. Fui ao posto do Ministério da Saúde em Pacaraima e eles me disseram que o controle não era informatizado e que "o Ministério só acredita em papel". Portanto, se eu não tinha a carteirinha e queria o certificado teria que tomar a vacina novamente. Considerando que a reação que eu tive nas 2 vezes em que tomei a vacina não foi leve (tive febre alta) e que tomar novamente iria gastar dinheiro público desnecessariamente, resolvi não tomar. Vários disseram-me que ninguém iria pedir-me o certificado nem a autorização e eu resolvi informar-me melhor na Venezuela.

 

Antes de ir troquei alguns poucos reais por bolívares (moeda da Venezuela) só para as despesas com condução. Para chegar lá peguei um táxi em Pacaraima por cerca de R$ 5,00 e passei pelo controle imigratório na fronteira. O táxi deixou-me numa praça central, perto da qual saía um ônibus para San Francisco de Yuruani, de onde se pode avistar de longe o Monte Roraima. Quando cheguei lá, informei-me sobre o que iria precisar gastar para chegar a San Francisco e troquei o dinheiro restante, para não ficar com bolívares sobrando no fim.

 

A população mostrou-se muito gentil e receptiva, dando informações e atendendo bem. Quando cheguei fui comprar umas frutas e o vendedor deu-me além do que eu tinha comprado mais algumas bananas gratuitamente. Enquanto esperava o horário do ônibus sair, fui passear um pouco pela cidade, fui até a catedral de Santa Elena (o exterior parecia antigo e o interior tinha bastante madeira, combinando bem com a Amazônia, a simplicidade e o bucolismo do local) e depois subi numa colina que permitia boa vista da cidade e arredores (na subida encontrei duas alemãs fazendo o mesmo).

 

Antes de ir para San Francisco fui até um posto do exército venezuelano informar-me se poderia entrar na região. Disseram-me que sim, porém precisava de uma autorização da Aduana. Justamente esta autorização eu não conseguiria sem o certificado de vacinação. Considerando que eu tinha tomado a vacina (e portanto não poria os índios em risco por causa disso) e que sem o certificado eu estaria descumprindo a forma da lei e não seu espírito, eu decidi ir assim mesmo. Geralmente eu não faço isso. Costumo cumprir as leis literalmente. Mas neste caso, provavelmente seria a única oportunidade da minha vida de visitar o Monte Roraima e eu não estaria pondo ninguém em risco, somente não estaria com o certificado de comprovação.

 

Houve dois postos de checagem do exército venezuelano e ninguém me parou ou pediu nada. Pude ir sem problemas. Gostei de San Francisco de Yuruani. ::cool:::'> Os índios receberam-me muito bem e me indicaram os pontos a conhecer. Andei pelos montes, pelas trilhas, pelas alamedas da comunidade, pude ir até a colina com vista melhor para o Monte Roraima (lembrou-me o Mundo Perdido novamente) e por fim tomei um banho de rio. Antes de voltar comprei um pequeno objeto de artesanato para os filhos de um ex-colega de trabalho que me havia pedido numa viagem anterior ao Xingu e na qual eu tinha perdido a oportunidade 2 anos antes. Pedi para a índia dar-me uma nota fiscal. Ela rasgou um pedaço de papel e escreveu a mão o valor do que eu tinha comprado e o que era.

 

Quando estava voltando de micro-ônibus, no último posto de checagem estava o mesmo militar a que eu havia perguntado se eu poderia entrar quando estava em Santa Elena. Ele perguntou se eu tinha a autorização. Quando disse que não, pediu-me para descer do ônibus e me conduziu até uma sala dentro do posto de verificação. Fechou a porta, começou a me revistar, tirou tudo do meu bolso e jogou de qualquer jeito, pegou minha carteira, começou a folhear sem parar as notas de dinheiro (quase não havia mais bolívares, somente reais) e repetiu isso por muitas vezes. Temi que confiscasse o artesanato que havia comprado para os filhos do meu amigo com 2 anos de atraso e lhe mostrei a nota fiscal da índia num rasgo de papel, mas ele não se interessou, talvez porque o valor não fosse muito alto. Aí chegou outro, colega dele, e pediram que eu tirasse a roupa para revista. Tirei a camisa e a calça. Quando pediram para que tirasse o calção fiquei preocupado (eu estava sem cueca, só com calção de natação). ::sos:: Lembrei-me dos relatos de tortura (da ditadura militar brasileira) e, talvez por nervosismo, acabei dando um nó cego no cordão do calção que não saía. Aí eles acharam que eu estava escondendo algo e ficaram nervosos. Elevei um pouco a lateral do calção e creio que viram que eu não tinha nada. Mostrei-lhes meu documento, mas falaram-me que eu precisava ter a autorização e que estava detido e iria passar a noite ali. Bem, assim sendo, pedi então para entrarem em contato com a embaixada, pois pelas normas internacionais eu tinha direito a um representante do meu país falando a minha língua. Aí realmente eles ficaram nervosos e saíram da sala, deixando-me só. Voltaram alguns segundos depois e disseram-me "Vá embora da Venezuela!". Isso era exatamente o que eu estava fazendo. Perguntei-lhes se deveria fazer algo mais e disseram-me que deveria deixar uns 20 bolívares, abrindo uma gaveta. Eu nunca subornei ninguém e esta não seria a primeira vez. Juntei todas as minhas coisas, que eles tinham feito questão de espalhar pelo chão e pela mesa, peguei minha carteira, fechei-a e não deixei um centavo. Creio que eles não sabiam o valor do dinheiro brasileiro, pois o que eu tinha em bolívares era cerca de 5 a 10 reais. Mas eu tinha cerca de R$ 300,00 em moeda brasileira.

 

De volta ao micro-ônibus que havia ficado me esperando (eu era o único passageiro), segui viagem para Santa Elena. De lá peguei uma táxi para Pacaraima, no Brasil.

 

Em 21/6 peguei um ônibus até o entroncamento do Surumu que vai para Uiramutã. De lá peguei uma van até Uiramutã por cerca de R$ 20,00, que fica na fronteira do Brasil com a Guiana Inglesa. Tive sorte, porque a van só passa em dias alternados e 5.a feira era um dia em que ela passava. Fiquei num dos 2 hotéis da cidade por cerca de R$ 25,00. Jantei por R$ 6,00 num local com arroz, farofa, mandioca e salada fartos.

 

Para as atrações veja https://www.google.com.br/search?q=uiramut%C3%A3&biw=1366&bih=643&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=hkguUsnOILXB4AOqmYA4&sqi=2&ved=0CDcQsAQ#imgdii=_ e http://g1.globo.com/rr/roraima/noticia/2013/04/belezas-de-uiramuta-municipio-com-o-maior-numero-de-indios-de-rr.html. Os pontos de que mais gostei foram a área verde, a serra, a cachoeira, as cascatas, o rio e a conversa com os índios. ::otemo::

 

Fui à prefeitura perguntar quais eram os principais pontos e eles me indicaram e disseram que numa determinada direção era para eu não ir, pois os índios poderiam ser hostis e me prender por algum tempo, pois não gostavam de visitantes em suas terras.

 

Quando estava indo para ver minha segunda atração (uma pedreira) dois índios que estavam num trator pararam-me e perguntaram-me o que eu estava fazendo ali. Disseram-me que eu não podia andar ali porque era território indígena. E que não poderia ir à pedreira porque era deles. Eu argumentei que estava na estrada, mostrei meu documento, mas eles disseram que mesmo assim precisava de autorização. Um deles colocou a mão no facão por duas vezes (não sei se foi intimidação ou se estava ajeitando a calça devido à parada do trator). Decidi voltar à Prefeitura para não arrumar confusão, onde narrei a situação e um outro índio que me disse que a pedreira não era daquele índio, mas sim de seus avós e que aquele índio estava tentando apropriar-se da terra. Eu não quis entrar nesta disputa e resolvi ir ver outras atrações (a serra, as cascatas e a cachoeira).

 

No outro dia de manhã atravessei o rio para a Guiana Inglesa. Perguntei a muitos índios se não havia problemas e eles me disseram que não. Mas como atravessei o rio a nado, os índios do outro lado ficaram um pouco assustados e me pediram para que eu viesse vestido, pois só de calção eu assustava a comunidade. Quando atravessei o rio de volta, havia cerca de 5 homens cortando uma árvore perto de onde eu havia deixado as minhas roupas. Percebi que eles ficaram um pouco desconfiados, e, mesmo sorrindo, fizeram várias perguntas sobre mim, até no final, em tom de brincadeira para a situação não ficar pesada, perguntarem-me onde estava meu revólver.

 

Depois fui conhecer a comunidade indígena Uiramutã e fiquei um bom tempo conversando com uma índia macuxi que já havia estado em São Paulo para tratamento de saúde e que havia participado de conferências internacionais multiétnicas (creio que no Rio de Janeiro). Conversamos sobre como seu avô e seu povo viam a relação do ser humano com a Natureza. Descobri que ali era parte da famosa reserva Raposa Serra do Sol (que tanto foi notícia tempos atrás). ::cool:::'> Ela também me explicou que boa parte da hostilidade de alguns índios vinha de ataques que garimpeiros fizeram às suas aldeias e escolas no passado e mesmo da repressão que sofreram por parte do exército. Pedi a ela para tomar um pouquinho da bebida típica (caxiri), feita à base de mandioca. Foi muito boa, mas eles me deram muito (um copo inteiro), que me causou um dessaranjo intestinal à noite como eu não tinha desde que era criancinha.

 

Ainda pude ver uma festa junina típica indígena no final do dia, com fogueira, dança e celebrações.

 

Em 24/6 saí de Uiramutã com destino à Serra do Tepequém. Fui de van até a entrada da estrada que vai para Amajari por R$ 25,00 e depois peguei uma carona até cerca de 8 Km antes do povoado do Trairão, pois não havia transporte público no domingo. De lá fui caminhando até o povoado do Trairão. Foi a ocasião em que mais vi araras, periquitos, maritacas e assemelhados na vida, todos fazendo muito barulho. ::cool:::'> Fiquei num quarto que um pastor alugava por R$ 20,00. Jantei num local com arroz, farinha, vinagrete e ovo por R$ 5,00.

 

Para as atrações veja http://serradotepequem.com.br e https://www.google.com.br/search?q=serra+do+tepequem+fotos&biw=1366&bih=643&tbm=isch&tbo=u&source=univ&sa=X&ei=xVMuUomCJYSs9ASvj4GQDg&ved=0CCwQsAQ. Os pontos de que mais gostei foram as cachoeiras, a vista a partir da Cachoeira do Paiva e a vegetação. ::otemo:: Peguei um micro-ônibus bem cedo (antes do amanhecer) no Trairão para ir à Serra. O micro-ônibus deixou-me no sopé e me avisou para ter cuidado com as onças, mas os moradores que eu encontrei na subida disseram-me que ali não havia onças. Conheci um nordestino ex-morador de São Paulo, que havia deixado São Paulo há cerca de 30 anos e se tornado garimpeiro. Conversamos bastante tempo, ele me deu informações sobre os caminhos a seguir, falou sobre a vida dura na Amazônia e depois perguntou-me se a Mesbla ainda existia e se existiam mais linhas de metrô além da Azul e de algumas estações da Vermelha. Atrasei-me um pouco para voltar e acabei perdendo o ônibus que retornava para o Trairão. Fiquei sem transporte e pensei em ir a pé, mas perguntando a trabalhadores que faziam uma obra lá, disseram-me que à noite havia muitas onças grandes e "anacondas" na estrada. Em princípio não acreditei muito, pois falaram rindo, mas quando depois começaram a falar sério, achei melhor não ir a pé e perguntei-lhes se poderia passar a noite num barracão que existia ali para a obra. Disseram que sim, mas não foi necessário, pois passou um carro da FUNASA que me deu carona.

 

No outro dia aproveitei para dar um passeio nos arredores do Trairão e andei por uma estrada de terra até ela acabar, entrando depois no meio da mata atrás de 2 igarapés. Na volta eu me perdi, mas acabei conseguindo achar o caminho para sair da mata.

 

Em 27/6 peguei um ônibus para Boa Vista por cerca de R$ 20,00. Fiquei num hotel mais próximo do aeroporto, por R$ 30,00. Aproveitei para fazer mais alguns passeios na Orla e próximo ao Rio. No dia seguinte meu voo saía às 4:55 e eu decidi ir a pé até o aeroporto, mesmo sendo de madrugada, pois não era longe (cerca de 35 minutos). Não tive nenhum problema de segurança, embora não houvesse quase ninguém na rua.

 

Ao chegar a São Paulo descobri que tinha direito a um ônibus gratuito da TAM para ir até Congonhas (fato que eu não sabia).

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Que show essa tua viagem, bem diferente de todas que eu já li!

Parabéns pelo relato e pela viagem. Quando estive em Roraima tentei chegar na serra do Tepequen porem nao havia transporte e todos que pedi informaçao naso sabiam como chegar la e acabei nao conhecendo, uma pena! O lugar deve ser lindo!

Déia

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Deia,

 

Realmente a Serra do Tepequém é muito bela. Se você voltar a Roraima, creio que há ônibus direto da Rodoviária de Boa Vista até a Vila Brasil e até o Trairão, que ficam próximos. Talvez até haja algum direto para a Serra. Pelos links que eu coloquei no relato acima você pode ver as belezas de lá. Em especial, a vista a partir da Cachoeira do Paiva achei maravilhosa.

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Wow!

 

q viagem!

se o adjetivo 'roots' ñ servir para esse caso, ñ sei para que serve, huahuahua

 

aposto que muita gente te chama de louco por fazer uma viagem dessas sozinho,

mas eu entendo que viajar sozinho dá um sentido mais espiritual, também prefiro assim na maior parte do tempo.

 

E aquelas áreas são um outro Brasil que o Brasil tem que descobrir,

são lugares tão fora da nossa realidade que é difícil acreditar que são do mesmo país.

 

Adorei o relato!

 

Abraços!

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Ícaro,

 

Muita gente me chama de louco por muitas razões. :lol: Mas o importante é ser feliz! :)

 

Você tem toda razão. Este tipo de viagem permite uma experiência espiritual mais profunda.

 

Sem dúvida, este é um Brasil que a maior parte dos brasileiros não conhece. Estou escrevendo minhas viagens de trás para frente e vou chegar até uma de 2002 em que cruzei a Amazônia, de Letícia, na Colômbia a Belém. Será um relato neste estilo.

 

Boas viagens para você!

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