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O outro lado de São Thomé das Letras!


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Já estou bem longe, seguindo meu caminho, e descansando em um quarto com calefação já que a temperatura lá fora já chega a -27 graus ::Cold:: , sem poder sair pra jantar, vou escrever com mais calma sobre São Thomé das Letras.

A cidade é pequena, durante o dia quente pra caramba e à noite muito fria. Mas o seu povo é acolhedor, no início meio desconfiados mas com o tempo se soltam, e a parte mineira da cidade se revelam os melhores seres vivos que Deus colocou nesta terra! Que orgulho de ser mineiro!!!

Fiquei na Pousada São Tomé, bem no centrinho e "quase" de frente à praça da Igreja Matriz (PROIBIDO tirar fotos no interior dessa igreja, com ou sem flash, fica o aviso!!). Diárias a incríveis R$40,00, quarto com TV a cabo, frigobar, ventilador de teto, cama de casal confortável e uma internet excepcionalmente veloz para os padrões de cidades do interior de Minas (naveguei a quase 10 Mega por dois dias). O casal e donos da pousada, e a menina linda que cuida dos quartos, muito simpáticos, sempre solícitos e prontos a ajudar. Verdadeiramente um ambiente familiar!

Fiz todos os passeios, inicialmente com um guia; cara engraçado, atencioso, exímio conhecedor de toda a região e comercial (R$60,00 por uma gruta e duas cachoeiras, e R$40,00 por duas cachoeiras e a Ladeira do Amendoim, próximos da cidade). Depois conheci sem querer um senhorzinho bem "minerim", homem muito simples mas um verdadeiro "paizão", que me levou para um tour fotográfico pelas melhores atrações de STL, as 5 melhores cachoeiras da região (muito bonitas) mais uma visita a uma comunidade mística, por R$150,00 que ao final do passeio ele sequer cobrou, foi extremamente educado e esperou que eu me manifestasse para pagar. O bom e velho coração simples do verdadeiro povo mineiro. Na volta encontrei o famoso ônibus "Pororoca-Tur", mas ele estava parado, trancado e sem o responsável, uma pena eu queria conversar com o "inventor" desse ônibus de turismo diferente e engraçado.

Meu primeiro almoço em STL foi no restaurante O Alquimista; autêntica comida mineira, muito bom e farto. Há duas opções: o menú típico mineiro para duas pessoas por R$62,00 ou o prato individual por R$30,00. Farto, delicioso e autêntico! Já no segundo dia fui ao paraíso na Terra e voltei pra contar a estória: descobri o Restaurante da Sinhá, na mesma rua do Alquimista, comida mineira à quilo feito no fogão à lenha, várias opções típicas, e após fazer aquele "prato de operário" (tipo Monte Everest) qual não foi minha surpresa: R$13,00!!! Virei freguês né!? Nos dias subsequentes em que comi lá, meu "prato de operário" ficou entre R$13,80 e R$15,20, sem bebida porque não bebo nas refeições.

Pôr do sol na Pirâmide: fantástico, muito bonito mesmo, não estava tão cheio mas foi bonito o sol se pondo e a galera batendo palmas e assoviando. Realmente algo que faz uma grande diferença no dia a dia do mundo moderno, ou de minha vida de altíssimo stress e riscos devido à profissão...

Eu frequentava uma lanchonete bem em frente à Praça da Matriz aos finais de tarde, e pude perceber que alguns ditos "bicho-grillo" na verdade são pessoas muito inteligentes, cultas, pelo papo que eu fiz questão de prestar atenção. Realmente eram estéticamente e no comportamento meio fora dos padrões da sociedade, mas para minha surpresa e apesar de dizerem que fumam um Minister de vez em quando(*), nas quase 3 horas em que estive nesta lanchonete eles não beberam (nos 3 dias que estive lá) uma gota de àlcool, não fumaram nada mas consumiam uma quantidade enorme de café! Isso mesmo, café!! Um dos "bicho-grillo" bebeu, nas 3 horas em que eu estive lá, 16 copos de café. Não entendi nada, mas percebi que há um certo "folclore" quanto aos "bicho-grillo" residentes em São Thomé das Letras. Loucaços, doidaços e fazendo um monte de mérda pela região na verdade eram alguns turistas. Até morte já teve lá (tiro), em balada cuja maioria eram turistas. Se você vai lá "na boa", ninguém te incomoda, não tem confusão e seus dias serão de muita tranquilidade.

Uma noite fui ao supermercado em frente à Igreja Matriz, e uns "filhotes de bicho-grillo" (uma bonita menina e uns garotos bem novos) me pararam e me pediram, acreditem, alguma coisa para eles cozinharem uma comida para eles. Não me pediram dinheiro, não pediram nada específico, não pediram que eu comprasse algum lanche pra eles, pediram simplesmente alguns legumes e ítens para que pudessem cozinhar algo pra eles. Em troca me ofereceram um pequeno bloco com poemas, que aceitei de bom grado, e convidei-os a entrarem comigo no supermercado. A garota (eram dois garotos e uma garota) me parecia sem graça, estava nas bochechas uma autêntica "rosa-púrpura-do-Cairo", e foi ela quem escolheu os alimentos: 6 batatas, 6 cenouras, três cebolas e três maçãs, nada mais. Pedi que ela ficasse à vontade e pegasse o que quisesse, fui buscar o meu produto e quando voltei ela estava com os mesmos sacos, não pegou mais nada. Não estavam drogados (sinto o cheiro de longe) mesmo que por ventura fumem um "Minister"(*), muito menos cheiravam a àlcool. Muito educados, agradeceram e quando vi a tatuagem nas costas da menina a reconheci: era a garota que catava o lixo espalhado no chão (por turistas!!), jogava em um saco e depois em um tonel de lixo, em uma cachoeira que fui no dia anterior! Quando foram embora e eu no caminho de volta à pousada abri o bloco com os poemas, e senti um formigamento pelo corpo quando li o primeiro poema: " Andava ele. Puro ele. Limpo ele. Andava-se ele. Andava sem medo e sem preocupações de onde chegar. Andava, pois havia deixado algo para trás. Andava, pois havia deixado alguém para trás. Andava, pois havia se deixado para trás." Texto escrito por um tal "Jr. Coiote".

Muita coincidência, caraca...

Não senti a parte mística de lá, apesar de ter sentido uma paz e um relaxamento muito grande, mas o fenômeno da Ladeira do Amendoim é verdade. Repeti várias vezes por conta do meu ceticismo, mas tudo que falam é incrivelmente verdade. A caverna para Machu Pitchu está fechada, o dono que é proprietário de uma mineração não viu vantagens comerciais naquilo e lacrou a caverna (a nossa "presidenta" esteve em Lima há algumas semanas atrás para tentar implantar um posto de imigração com funcionários (ou gnomos) dos dois países em 2014, devido à Copa do Mundo...). Em algumas cachoeiras muita sujeira largada por turistas "sem noção" que passam por lá, bebem todas, fumam um "Minister"(*) a cada 30 segundos e depois vão embora deixando latas de cerveja, garrafas pet e outras porcarias para trás. Uma incrível falta de respeito em lugares muito bonitos!

Mas engraçado mesmo, foi a estória de um grupo de paulistas que alugou uma casa, andaram bebendo um tal chá verde, "_muito dôôôido, mââânu!!!" (alucinógeno), esqueceram meio copo do tal chá na pia e saíram pela manhã para comprar pão. A dona da casa, ou a faxineira sei lá, ao sair da cama bem cedo e vendo que os malucos saíram, aproveitou para ir fazer uma rápida faxina na casa pela manhã bem cedo. Quando os malucos voltaram, encontraram a velhota de baby-doll, rebolando, cantando (_"ela tá maluca, ela tá doidinha, piripipiripipiripiri... ::lol4:: ) e lavando o rádio-relógio no tanque da área adjacente à cozinha. E o copo com o tal chá verde vazio....

Também tive o imenso prazer em conhecer o famoso cantor Ventania; sujeito extremamente simpático, muito simples, o cara conversa contigo de igual pra igual, te convida para beber um "cafezim lá em casa" (ele mora ao lado da Igreja Matriz) e para uma "prosa", enfim um sujeito sensacional. Fiquei muito impressionado com a sua simplicidade, e lisonjeado por conhece-lo e pelo convite, que infelizmente não pude ter a honra.

Coisas místicas, coisas de Minas, coisas de São Thomé das Letras....

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Vá, Marina Cerqueira! Você não irá se arrepender, tenha certeza.

Não coloquei mais detalhes porque é algo muito particular a cada indivíduo, a cada circunstância, datas e cada situação financeira. Mas com um bom planejamento e uma boa antecipação, seu planejamento para São Thomé das Letras não será uma aventura sem rumo muito pelo contrário, será uma viagem de muita tranquilidade, Paz e harmonização com a natureza, pessoas e particularidades daquele lugar.

Aqui mesmo no mochileiros.com você poderá encontrar variações de hospedagem desde Camong até hotéis de alto nível, restaurantes e passeios, por isso deixei que os leitores pesquisem no site. Como eu disse: as viagens são de caráter individual, e devem ser planejadas neste sentido, no sentido da liberdade.

Boa sorte e saiba que não se arrependerá ao ir para São Thomé das Letras!!

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fui à STL numa sexta-feira e voltei domingo pela madrugada, direto pra trabalhar.

eu não tenho palavras pra descrever o quão sensacional foi a viagem...

num fds conhecemos praticamente todas as cachoeiras (menos Antares), fomos à Ladeira, passeamos pelo centro, vimos um nascer do sol na Pirâmide muito, mas MUITO frio e ficamos num camping (Xamã, rota das cachoeiras) sensacional.

Dormimos, nesse final de semana, não mais que 8 horas, cheguei no trabalho renovada e com a certeza de que preciso voltar àquele lugar.

Não dispensem o restaurante Alquimista nem a pizza na pedra da Ser Pizzaria, além do caldinho de Feijão do Thomé Café. A cachaça no bambu também ajuda nas noites frias...

Quem tiver a oportunidade, vá.

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Nathaly Paiva, desculpe a demora em responder sua pergunta, meus dedos, a sombra e a alma congelaram por aqui, e eu não conseguia sequer comer uma sopa quanto mais teclar no notebook...

Tentei lembrar o nome do senhorzinho mas não consigo me lembrar, de qualquer forma ele tem um jipe daqueles antigos, aqueles jipes que o exercito americano usava e que viamos em filmes da II Guerra, só que branco com capota preta. Ele fica sempre parado em frente à praça, junto com outros guias, está sempre de bermuda e chinelo, um senhor moreno queimado de sol. Não tem erro: jipão branco ano 1966 de capota preta. Se acha-lo não vai se arrepender, mas marque com antecedência porque tem turista que marca com ele por telefone antes de chegarem a STL. Boa sorte e boa estadia em STL.

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boreiajr, vá! Muita coisa negativa que falam de STL é puro preconceito, fofocas, mas a cidade e o lugar é realmente fantástico, seja no povo, nas cachoeiras ou qualquer outra coisa. Tem problemas? Claro que tem, mas qualquer lugar tem lá seu problemas. Quem vai "na paz" fica na boa, e mesmo que existam certas coisas "alternativas" por lá não faz mal a ninguém, o convívio mútuo é muito mais que amigável e cada "tribo" na sua. As pousadas e os camping's são confortáveis ( algumas com preços que achei inacreditavelmente baratos, pela experiência que tenho em viagens), você é muito bem recebido e o clima é de extrema liberdade, tipo "viva cada momento e esqueça o stress".

Vou lá dar uma olhadinha no seu Blog.

Grande abraço e boas aventuras.

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