"Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar."............................
No centro do Estado de São Paulo, a 200 km da sua capital, uma região de incontáveis atrações naturais, ainda se mantém muito longe do turismo de massa, ainda que sua cidade mais famosa, BROTAS, acabe por cooptar a maioria do turismo, se intitulando a Capital da Aventura no Estado. Mas a região vai muito mais além do que a sua cidade mais famosa, na verdade, são dezenas de cidade compondo uma grande região turística, mas que sinceramente, até para mim que vivo ao seu redor, me soa um pouco confuso. Costuma-se denominar algumas cidades como CHAPADA GUARANÍ, que seriam cidades encima de uma grande mesa basáltica, um incrível chapadão, uma espécie de, guardando as suas devidas proporções, Chapada Diamantina Paulista.
Acontece que, embaixo desses chapadões, também temos pequenas cidades de belezas muito cênicas, aliás, são cidades que recebem as águas que despencam das mesas e é por onde se pode acessar algumas cachoeiras. Mas não é só isso, são cavernas, formações rochosas, vilarejos charmosos, trilhas para motocross, jeep, bicicleta, formações rochosas, morros testemunhos, mirantes de perder o fôlego. Algumas dessas cidades compõe o CIRCUITO DA SERRA DO ITAQUERI e outras o circuito CHAPADA GUARANÍ, na verdade, uma salada difícil de compreender porque várias cidades acabam por fazer partes de todas as denominações e como a região é gigante, o governo do Estado e secretaria de turismo, ainda dividiu em outra região que chamou de circuito CUESTA PAULISTA.
Já fazia anos que o Thiaguinho me cobrava uma pedalada nessa região e como eu não me manifestava, colocando uma data, ele simplesmente me forçou a sair da moita e numa sexta-feira à tarde me informou que passaria na minha casa, sábado à noite e me pegaria com seu carro, porque já era hora da empreitada sair do papel. Coube a mim elaborar um roteiro, já que, apesar de frequentar muito a região, eu nunca tinha me aventurado sobre 2 rodas, então decidi que o nosso ponto de partida seria a minúscula e pacata IPEÚNA, uma charmosa cidadezinha de meia dúzia de habitantes, onde eu pretendia estacionar o carro e fazer um circuito tranquilo, de uns 60 km de pedaladas, subindo a chapada e voltando para o mesmo lugar.
Por volta das 8 da manhã, estacionamos na praça central de Ipeúna, bem da rua abaixo da sua igreja central, em frente da base policial. O Thiaguinho sacou logo sua bike de última geração e eu tomei posse de um trambolho fabricado na década de 80, uma bicicleta bem conservada, mas sem as tecnologias atuais, apenas algumas mudanças aqui e ali, mas no final do dia, eu iria descobrir que não havia sido suficiente.
O nosso caminho seguiu exatamente pela rua que estávamos e em poucos minutos, numa curva, deixamos o asfalto e ganhamos as estradas de terra junto à uma bifurcação. Logo o caminho desembesta para baixo e desce até um vale e aí a subida desafia nossa capacidade de pedalar, ainda com o corpo frio, mas eu logo arrego e empurro ladeira acima e quando se estabiliza, a estrada vira um amontoado de areia e logo à frente, uma bifurcação junto à uma placa, faz a gente parar e admirar os paredões avermelhados da Serra do Itaquerí, de frente para uma formação característica conhecida como CABEÇA DE ÍNDIO. É a primeira vez que o Thiaguinho tem contato com essa paisagem e realmente, é uma visão lindíssima e surpreendente por estar tão perto da capital e ser conhecida por poucos.
A previsão de mal tempo não se confirmou, o sol já queima sem piedade e na bifurcação, pegamos para a direita e vamos seguir como quem vai ao encontro da Cabeça de Índio e cerca de 6 km desde a cidade, uma porteira lateral nos chama a atenção para um mirante espetacular para a grande formação rochosa, então nos detivemos por um tempo para um gole de água e uma foto.
O terreno parece que vai se estabilizar, mas hora ou outra, nos deparamos com alguma ladeira e o calor inclemente da manhã, vai minando nossas energias. O cenário é muito bonito e nossa direção vai seguir o caminho que nos levará para a subida da serra. Antes de subir a serrinha, eu pretendia deixar as bikes escondidas e tentar reencontrar a Gruta da Boca do Sapo, mas achei que perderíamos muito tempo nela, haja visto que esse roteiro eu havia estabelecido para ser feito em 2 dias e estava apenas adaptando a quilometragem para um único dia, então passamos batidos e iniciamos a subida da serra, abandonaríamos a planície local e subiríamos de vez para os chapadões, era hora de ganharmos altitude.
Nossa pedalada inicial então chega ao km 12, que de bicicleta poderia significar absolutamente nada, mas diante do terreno arenoso e das primeiras subidas intermináveis sob um sol escaldante, já faz a gente começar a botar a língua de fora. No início da subida da serra o terreno vai se elevando lentamente, mas não dá nem 300 metros e pedalar já não é mais opção, não só pelo terreno inclinado, mas pelas grandes pedras que inviabilizam a progressão montado nas bikes . Empurrar bicicleta ladeira acima é um martírio que vamos absorvendo, um sofrimento que é preciso passar, sob o pretexto de que quando chegarmos lá encima, tudo vai ser diferente, e é vivendo nessa ilusão que nos apegamos à nossa força interior e quando atingimos uns dois terços do caminho, nos deparamos com um MIRANTE que nos faz voltar a sorrir novamente e continuar acreditando nas mentiras que a nossa cabeça criou.
Como não há sofrimento que dure para sempre, uma última curva da serra é deixada para trás e do nosso lado direito, meia dúzia de eucaliptos força a nossa parada e mesmo que ainda não seja definitivamente o fim da subida, será ali que abandonaremos provisoriamente a estrada, em favor de uma TRILHA que sai à direita e entra num capinzal alto, tão escondida que se não forçar passagem na alta vegetação inicial, quem não conhece e não tem nenhuma referência, passará batido.
Levamos cerca de 45 minutos empurrando as bicicletas para ganharmos quase todo o chapadão e agora, vamos abandoná-las no mato e ganharmos a trilha a pé, rumo a uma das grandes joias da Serra do Itaqueri . Então, forçando passagem no capim alto, uns 10 metros depois a trilha surgirá, aberta e bem consolidada, vai se curvar para a esquerda e descerá meio que em nível até começar a despencar de vez, curvar quase 90 graus para a direita, onde encontraremos uma arvore monstruosa e começar a percorrer um paredão de arenito que estará a nossa direita.
Não há erro, é preciso se manter quase que colado nos paredões, às vezes não mais que 5 metros de distância deles, passamos por um filete de água que despenca de cima do próprio paredão, onde poderemos abastecer os cantis, contornamos um terreno encharcado até que surpreendentemente, daremos de cara com a enorme boca da GRUTA DO FAZENDÃO.
Para quem chega, pode se surpreender com as pichações do passado, mas hoje praticamente essa prática cessou e mesmo não havendo nenhuma fiscalização, pelo estado que encontramos a trilha, percebemos que a gruta quase não está sendo visitada. Ao subir as pedras que antecedem a entrada da gruta, é possível sentir a grandiosidade do seu pórtico. A gruta do Fazendão é daqueles lugares que sempre gosto de levar os amigos e apresentar como sendo parte do meu quintal, já que a maioria do meu círculo de amizades, ligadas ao mundo de aventura, são de gente da Capital Paulista e eu acabo por me tornar um dos poucos representantes do interior. Uma vez inventei de trazer uns amigos na gruta, alguns deles jamais haviam entrada numa caverna antes, apesar de já serem exploradores que já rodaram meio mundo. E mesmo os que já estiveram em cavernas, nunca tinha entrado em cavidades areníticas, onde em algumas é preciso se rastejar feito um lagarto. E um desses amigos passou mal, deu pit, simplesmente teve uma crise de pânico e tivemos que evacuar a gruta às pressa, o que no final, rendeu muita zoeira e altas risadas.
Nos apossamos das nossas lanternas e subimos os blocos de pedras, que num passado muito distante, desmoronou do teto. No início, a impressão é que a gruta não passa de uma pequena cavidade, baixa e sem muito interesse, mas em um minuto a desconfiança da lugar a grandiosidade . Um corredor gigante se abre e o teto se eleva e nos surpreende, porque 2 minutos depois, a escuridão absoluta toma conta do lugar e quem não está familiarizado com esse tipo de ambiente, já começa a ter um desconforto. Num primeiro momento, a gruta é horizontal, anda-se em pé porque o espaço é amplo, com um grande corredor . O teto é alto , mas o chão apresenta irregularidades , onde algumas fendas vão deixando os visitantes de primeira viagem, um pouco desconfiádos.
Eu sigo à frente, fazendo as vezes de guia, mas já conhecedor dos caminhos que vão levar aos becos mais aventureiros, rapidamente abandono o caminho fácil e desimpedido , em favor de uma greta a direita do caminho, encostando na parede da caverna., onde desço por uma pequena rampa até me ver de frente à um buraco de rato.
É aqui que começa a brincadeira, num buraco de uns 50 centímetros de largura por uns 10 metros de comprimento, iremos adentrar no corredor de arenito, nos rastejando feito vermes, encostando nossas barrigas no chão e ganhando terreno metro à metro , até nos vermos dentro de um grande salão no centro da terra, com seu teto alto , sua temperatura gelada , uma cena iluminada pelas luz das nossas lanternas, como quem adentra nas histórias de Júlio Verne.
O Thiaguinho passou muito bem e parece se encantar com o novo ambiente e mesmo eu, acostumado à exploração de cavernas desde os primórdios da minha vida de aventura, ainda consigo me surpreender com esse mundo fascinante.
Uma nova passagem em formato de um pequeno pórtico, nos leva para outro salão, tão grande quando os 2 primeiros e a saída desse terceiro salão, é pela esquerda, subindo rastejando numa rampa , que vai passar por uma perigosa e profunda fenda e então virando para a direita, chegando ao salão dos morcegos , um amontoado de centenas deles, que estão agrupados no teto e ao sentirem nossa presença e nossas lanternas, tomam conta da caverna, voando de um lado para o outro, às vezes trombando nas nossas cabeças.
A saída é retornar para a esquerda, cruzando por uma passarela natural sobre a fenda que havíamos passado, com cuidado para não cair em outras cavidades, avançando lentamente, vagarosamente, até perceber ao longe, um facho de luz que nos indica a saída ou seja , o nosso ponto de partida. Foi uma exploração proveitosa e antes de deixarmos a gruta para trás, fizemos uma parada para um lanche e um gole de água.
Retornamos pelo mesmo caminho que viermos, agora subindo lentamente até reencontrarmos nossas bicicletas e ganharmos novamente a rua. Ainda iremos subir por uns 200 metros até que o terreno se estabiliza de vez, definitivamente agora, estamos em cina da CHAPADA PAULISTA, galgamos com dificuldade, mas enfim subimos à grande mesa . Logo à frente cruzamos por uma lagoinha à nossa esquerda, onde penso em me jogar , mas menos de 5 minutos , também à nossa esquerda, uma lagoa gigante desafia a minha capicidade de resistir, mas não resisto e não faço nenhuma questão. Jogo a bike no capim, tiro meu tênis e com roupa e tudo , saio correndo e me jogo na água. O calor tá de lascar e o Thiaguinho vem junto e em um minuto, somos dois moleques se regozijando nas aguas mornas .
Voltamos à estradinha até que ela chega a uma espécie de “T”, aí vamos pegar para a direita. Estamos agora indo ao encontro da Cachoeira da Lapinha e estradinha ao chegar a um cruzamento em forma de triangulo, nos obriga a viramos para a direita e aí vamos descer pra valer, tentando segurar os freios até quando ela se estabiliza, passa por uma floresta de eucalipto e aí temos que nos deter junto a um pequeno riacho que despenca no vazio, formando a cachoeira em questão.
A CACHOIERA DA LAPINHA, também é conhecida como Cachoeira do Carro Caído, devido a uma carcaça de um veículo que se encontra nos pés da queda. No passado, a gente explorou todo o vale vindo por baixo, mas a cachoeira estava com pouca água e não há propriamente uma trilha que se possa chegar partindo de cima, mas com um pouco de habilidade e sem medo dos riscos, é possível descer pela esquerda dela, desescalando uma parede perigosa, mas não ali onde a queda despenca, claro, tem que se afastar uns 300 metros, cair no leito do rio e subir até onde ela despenca.
Nos despedimos da Cachoeira, atravessamos a pontinha e seguimos adiante, apreciando as florestas de eucaliptos e sempre seguindo na principal, nosso rumo vai tomar a direção do Bar do Valentim, onde está a Cachoeira São José, sempre atentos as placas. Da Cachoeira da lapinha até a Cachoeira São José, serão exatos mais 6 km de pedalada e é um caminho belíssimo e agradável, por ser quase só descida e quando lá chegamos, nossa quilometragem vai bater exatos 25 km, pouca coisa, mas não se engane, a atividade não foi feita só de pedalar, então, já um tanto cansado, estacionamos junto ao bar, onde dezenas de pessoas se amontoam, gente de bike, de moto, de jeep, corredores de montanha, ali é parada para todas as tribos.
O bar é onde se pode tomar umas cervejas, uns sucos, comer alguma coisa ou somente descer as escadarias e ir tomar um bom banho na CACHOEIRA SÃO JOSÉ, porque a entrada é gratuita. A cachoeira não é muito alta e suas águas escuras são proveniente de terrenos areníticos com rochas basálticas, portanto, a água é avermelhada, meio cor de barro, mas com o calor que está fazendo, não vamos ficar de mi-mi-mi e não demorou muito pra gente se enfiar embaixo dela e lá ficar, aplacando o calor intenso dessa final de manhã.
Uns 15 anos atrás, eu havia chegado até aqui, mas vindo motorizado, foi quando nosso 4x4 atolou dentro de um rio e eu e minha filha ficamos horas tentando desatolá-lo, lutando contra o tempo e contra uma tempestade que se avizinhava, não levasse a gente embora caso enchesse o riacho. Acampamos próximo ao bar, mas não chegamos nem a conhecer a Cachoeira, que estava fechada. Então a partir de agora, todo o caminho à frente seria uma novidade também para mim.
Montamos nas bicicletas e prosseguimos, mas não deu nem 500 metros, fomos obrigados a desmontar novamente. O cenário que nos foi apresentado era surpreendente, sem aviso prévio, um cânion de proporções gigantescas surgiu à nossa frente. E não posso nem negar que desconhecia a sua existência, já que tinha ideia que havia uma cachoeira que despencava ali nas redondezas do bar, mas nunca que eu iria imaginar que seria daquela magnitude.
O CÂNION PASSA CINCO, me desconcertou, ainda que a grande cachoeira de mesmo nome, tivesse a sua vista muito prejudicada. Mas era mesmo surpreendente, um gigantesco abismo com bem mais de 100 metros de altura, de onde 2 quedas d’agua se precipitavam no vazio, emolduradas por uma floresta verdinha.
Claramente, por ali seria impossível descer ao fundo do cânion, então retomamos o arremedo de estrada e em mais 1,5 km, numa bifurcação tripla, vamos quebrar para esquerda e uns 150metros depois, vai surgir à direita, uma trilha que irá nos levar definitivamente para dentro do cânion. Estamos na TRILHA DO LISINHO, uma trilha somente para quem pratica motocross, com veículos especializados e com experiência vasta no assunto, evidentemente, não é nem de longe uma trilha para bicicletas, mas como ninguém havia nos dito nada, embicamos a nossa bike e fomos nos fuder naquela desgraça.
Logo no começo, já vimos que seria uma encrenca, mas sem conhecer, esperávamos que o terreno melhoraria mais à frente. Ledo engano, cada vez foi é piorando mais. As valetas eram capaz de engolir nossa bicicletas e era praticamente impossível pedalar e quando tentávamos, não era raro cairmos nos buracos e termos nossas canelas dilaceradas pelos pedais que batiam nas paredes laterais e voltavam nas nossas pernas. Aquilo foi um verdadeiro inferno, ainda que a gente se divertisse com a pataquada que acabamos nos metendo, a descida foi minando nossa energia, já que o calor ainda se mantinha insuportável.
Levamos uma meia hora ou mais para chegar ao fundo do cânion, mas mesmo assim, as trilhas ainda se mantinham confusas, parecia que não iam dar em lugar nenhum e empurrar as bicicletas já foi se tornando um verdadeiro martírio. Claro, a gente não se deu conta de que estávamos tomando decisões erradas e que deveríamos ter abandonado as bikes e seguido á pé por dentro do cânion, até conseguirmos interceptar as grandes cachoeiras. Mas chegou uma hora que a gente resolveu voltar, simplesmente o dia já começava a escorregar por entre os dedos e já havíamos passado das 14 horas e aí nos demos contas que não tínhamos mais tempo para explorações, era hora de voltar ao nosso roteiro original.
Dentro do cânion, junto ao rio que corta todo o vale, resolvemos que deveríamos atravessar para o outro lado, tentar achar um caminho que subisse as paredes opostas do vale, porque voltar pela trilha do Lisinho, estava fora de cogitação. Então atravessamos o rio com as bicicletas nas costas e ao chegarmos no centro do cânion, o horizonte se abriu e interceptamos uma sede de fazenda totalmente abandonada, um lugar lindíssimo, onde chegava uma estrada. Essa estrada ao chegar ao casarão abandonado, se transformava numa trilha que ia se enfiando para dentro do cânion, indo na direção do fundo dele, onde estavam as cachoeiras. Seguimos essa trilha por uns 5 minutos, mas logo desistimos de vez, o tempo urge, era chegado a hora de pular fora dali.
Analisamos o mapa, vislumbramos uma saída por uma perna do cânion, na verdade, outro cânion lateral. Então tomamos o rumo de quem vai em direção a entrada do vale, passamos por mais uma casa abandonada, subimos uma trilha pela sua esquerda até chegarmos ao outro cânion, onde uns bois mal-encarados nos deram as boas-vindas, louco para nos dar umas chifradas. Ali começamos a subir, na esperança que no seu final, houvesse um caminho que nos levasse para cima das paredes, ainda que tivéssemos que carregar as bikes nas costas.
Mas não adiantou, o caminho não tinha saída. Estávamos presos, não havia mais o que fazer, tínhamos que retornar, repensar nosso caminho, agora havia chegado a hora de achar uma rota de fuga. O Thiaguinho voltou rápido, eu já começava a capengar com aquela bicicleta pesada e na ânsia de alcançá-lo, meti marcha no meio da trilhinha junto ao pasto, mas um tronco estacionado fora das minhas vistas, foi o obstáculo que faltava para eu bater com a roda dianteira e ser catapultado barranco abaixo, eu de um lado, bike do outro, canela arrebentada e guidão entortado, o chão é o refúgio dos trouxas sobre 2 rodas.
Levanto-me, ainda puto, mas logo estou rindo sozinho da situação. Alcanço o Thiaguinho e tomamos o rumo da saída, passamos pelos bois, pulamos uma cerca de arame e ganhamos uma estrada larga, onde uma ponte decrepita, impede a passagem de carros. Em poucos minutos passamos por uma única casa que parecia ser habitada e ganhamos a estrada em definitivo, assim que cruzamos mais uma ponte, de onde era possível avistar sobre nossos cabeças, o MORRO DO GORILA, uma linda formação de arenito.
Verdade seja dita, a tarde praticamente já se foi e o dia já é capenga, apesar de ainda haver sol. Depois de atravessar a ponte , a estrada de areia vai seguir quase em nível, o que ajuda a gente a conseguir peladar um pouco mais forte, mas não demora muito, observo que o Thiaguinho para imediatamente à frente e sem perceber, desvio rapidamente de uma cascavel que por um pouco não picou a picou a perna dele, foi muita sorte. Dois quilômetros depois, passamos por um bar, que estava fechado , mas um senhor nos indicou que se quisessemos voltar pra Ipeúna, teríamos que virar a direira e seguir pedalando até o curral de uma fazenda, onde deveriamos contornar pela direita e nos apegarmos à estrada principal.
Como sol ja está bem baixo, os paredões do nosso lado direito, vão ficando belíssimos. Mas se o cenário é de tirar o fôlego, o caminho é de tirar a nossa paciência. O areião vai travando a gente , a pedalada não desenvolve, eu praticamente não tenho mais água, a comida acabou faz horas . Claro que poderiamos buscar socorro em algum sitio próximo, pelo menos pra buscar uma hidratação, mas a vontade é de chegar, de encerrar . As pernas já pedalam no modo automático, a minha bicicleta começa a dar sinais que o freio não quer mais funcionar e cada vez, preciso fazer mais força com as mãos.
E a gente pedala, e à frente dos nossos olhos, vão ficando para trás uma infinidade de pequenas propriedades rurais, choupanas jogadas à beira do caminho, matutos e seus animais de estimação, bois, vacas, cavalos, tratores, carroças, plantações, riachos , capões de mato, num sobe e desse sem parar, até que nem eu, nem equipamento aguentam mais . Os freios da bicicleta se foram, a minha capacidade de seguir pedalando , virou pó. Sou um homem entregue ao meu próprio sofrimento, ao meu desespero individual. Não consigo nem mensurar o que o Thiaguinho deve estar pensando de mim, também estou numa condição que nem me importo mais , sou só um homem morto que não caiu porque ainda me resta um brio interior, tentando resguardar o ultimo vestigio de dignidade que me sobrou.
Já fazia mais de hora que o sol havia nos abandonado, quando uma tempestade desabou sobre nossos ombros. A noite era tão escura , que eu mal enxergava o Thiaguinho , que desembestou na dianteira, ladeira abaixo e quando tentei acionar os freios, as rodas trepidaram, balançaram de um lado para o outro e eu me vi totalmente desamparado , virei passageiro daquela geringonça dos anos 80. A velocidade só fazia aumentar, pensei em me jogar pro barranco, mas as valetas laterais teriam me moído no buraco. Tento manter a calma, mas as minhas energias depois de mais de 12 horas de pedalada, me levam a um transe de resiliência. Penso em pular, mas aí me vem a lembrança, o dia em que eu e meu irmão, numa infância distante, nos jogamos de cima de uma bicicleta sem freio, numa ladeira da nossa aldeia e acabamos sendo trucidados pelo chão. Enfio o tênis na roda traseira, mas o solado do maldito é daqueles tênis de atletismo e o atrito não resolve porra nenhuma. Mesmo assim, continuo tentando e quando vejo que o terreno se arrefeceu um pouco, boto os pés no chão e ao encontrar um amontoado de areia, pulo, como quem pula de um caminhão desgovernado, mas sem soltar as mão da bicicleta. Fico no cai, mas não cai, danço conforme a ondulação do terreno, até que quando me vejo estabilizado, largo mão daquela merda e me esparramo na areia molhada, enquanto o veículo do satanás, de duas rodas, segue seu caminho até se deter mais à frente. Eu não sou mais ninguém, o ciclista animado da manhã, agora parece um ser que não consegue se sustentar sobre as próprias pernas , estou acabado, a vontade é sentar e chorar.
Agora a coisa ficou feia de vez. Até então, a minha capacidade de pedalar já não existia mais , só que agora, sem nada de freios, eu não conseguia nem descer as ladeiras montado, porque naquela escuridão avassaladora, não conseguia ver nada , saber se a ladeira era perigosa ou não. Então, eu subia empurrado e descia empurrando, enquanto a chuva fria castigava nossa cacunda. E nem quando o Thiaguinho me chamou a atenção para as luses da cidade, que se apresentou à nossa frente , eu me animei. Mas eu continuei, cabeça baixa , moral abaixo do volume morto . As cãibras surgirem , era algo inevitavel , a cada 15 ou 20 minutos, lá estava eu, jogado ao chão, com os musculos enriquecidos, dores tão fortes quanto a minha vergonha diante da situação.
Só quando passamos enfrente aos campings , foi que me dei conta que estavamos perto do asfalto e quando lá chegamos, minha vontade era de jogar a bicicleta fora , porque eu já não tinha mais forças nem pra pedalar no terreno plano e firme, por isso empurrei na maior parte do tempo, até que quase NOVE da noite, desembocamos em definitivo na PRAÇA CENTAL de Ipeúna, quase 13 horas de pedaladas e então , nos sentamos à frente da barraca de lanches e quando o sanduiche de costela atingiu a minha corrente sanguinia , uma lagrima escapou dos meus olhos.
Quando o Thiaguinho lançou o convite, pensei em recusar, eu estava fisicamente destruído por atividades ligadas a outros esportes tradicionais. Mas achei que seria deselegante deixá-lo na mão, já que era uma promessa antiga , que eu vinha adiando, mesmo assim , deixei bem claro que só iria com o intuito de fazer um belo passeio, apenas pra mostrar parte da região pra ele. O problema, é que a maldita palavra "passeio" jamais fez parte do nosso vocabulário, quando a gente inventa algo, será sempre acima da nossa capacidade de bom senso. O suposto passeio, se tornou numa jornada de quase 13 horas , um epopéia de achados e perdidos , que misturou montain bike com exploração de cavernas, mergulho em lagoas, descida à cânions, banho de cachoeira, pedaladas em trilhas e pastos sem caminhos . Saímos em busca de uma jornada tranquila, voltamos destruídos pela aventuda que encontramos pelo caminho.
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A minha viagem para a Colômbia foi curta, porém intensa, com tantas coisas memoráveis acontecendo que preciso escrever sobre tudo isso o mais rápido possível, antes que, após voltar a rotina de São Paulo, meu cérebro esqueça os detalhes.
VOANDO E VIRANDO A NOITE NO AEROPORTO
Voei com a LAn Colômbia, e para ser sincero, achei o vôo excelente. Avião novo, confortável, comida oferecida muito boa (OK, estava com fome, as vezes exagerei nesse MUITO boa), e uma boa opção de conteúdo multimídia oferecido ao longo das 5 horas de vôo.
Chegando em Bogotá, teria que esperar até as 07:30 do dia seguinte para ir à Cartagena, por isso optei por passar a noite no aeroporto. Obviamente, estava cometendo uma cagada terrível!
O Aeroporto de Bogotá é novo em folha, feito nos moldes dos grandes aeroportos atuais como Schipol, e muito bem estruturado. Só que, para a minha desagradável surpresa, muitos setores ao redor da área de embarque ainda estavam em reforma, ou seja, não adiantava eu procurar procurar e procurar até encontrar o assento perfeito escondido no cantinho do aeroporto ou simplesmente me aconchegar no piso do aeroporto e torcer por Morfeu me levar à terra dos sonhos o quanto antes que, uma hora ou outra, aquela infernal sinfonia de picaretas, pás, marteladas, furadeiras e afim iria disparar e me despertar.
Eu tentei, juro que tentei, mas se dormi por mais de 2 horas foi muito.
Esse negócio de dormir em aeroporto é quase uma técnica Jedi. Existem diversos sites que procuram agregar dicas sobre aeroportos ao redor do mundo para os carcamanos de plantão como eu, que querem economizar uns trocados e arriscar trocar uma noite de sono garantida por algo um tanto quanto duvidoso.
Honestamente, se me perguntassem se faria isso novamente, faria. Afinal, uma vez carcamano, sempre carcamano!!
No começo do dia seguinte, passei para a áre ade embarque e fui à Cartagena, o que resultou em outro vôo tranquilo, sem problemas. Apesar de que, quando desci em Cartagena, achei que alguém havia ligado o forno e esqueceu a bagaça ligada, tal era o calor quase infernal em Cartagena (Não vou dizer infernal, porque acho que até o tinhoso teria pedido penico se descesse ali naquele dia estupidamente quente e abafado).
Já em Cartagena, eram quase 10:00 e meu vôo para San Andrês (agora operado pela Copa Airlines) estava com o check-in aberto. Fui encostar no balcão para deixar minha mala quando vi que, para todos destinado à San Andrés, havia um balcão especial com um guri do exército fazendo aquele glorioso Cara-Crachá e te cobrando uma taxa de 45.000 COP (quando viajei, a taxa estava em torno de R$1,25 para cada 1.000 COP). Paguei minha taxa e fui embarcar.
Depois do Vôo para San Andrés nos pequenos jatos Embraer da Copa Airlines, tive a sorte de pegar um bom trecho com tempo claro e pude apreciar o céu limpo que se mesclava com o azul absurdamente fantástico do Mar do Caribe. Mas conforme chegava em San Andrés, O avião entrou em um mar de Neblina que nos acompanhou por mais de 30 minutos até o avião aterrissar em San Andrés. Era tanta Neblina que mais parecia que iríamos parar na Ilha de Lost ou em algum remake barato de Silent Hill. Mas, felizmente, ou infelizmente dependendo do quão mórbida é a tua mente, cheguei em San Andrés.
SAN ANDRÉS: DIA 1
O Desembarque em San andrés é um pouco enrolado, pois é necessário preencher uma papelada (afinal, a ilha tem um tratamento diferenciado do governo Colombiano, assim como Fernando de Noronha aqui em terras BR) grande e esperar em uma fila por pelo menos uns trinta minutos até conseguir sair do Aeroporto.
San Andrés é uma ilha muito pequena, então dependendo de onde se hospedar até é possível andar a pé do Aeroporto ao Hostel, mas como estava levemente apertado, peguei um táxi (10,000 COP) e cerca de 5 minutos depois cheguei no Blue Almond Hostel. Bom, em San Andrés só existem 2 Hostels, praticamente falando, o Blue Almond e o El Viajero. Como quase todas as pessoas que li relatos de viagem falaram do El Viajero, decidi por ir atrás do Blue Almond para ver qual a vibe do lugar, e não poderia ter feito uma escolha melhor!
O dono do Hostel, Juan, e sua namorada, Jennifer, são pessoas excelentes e sempre disposto a ajudar a fazer da sua estadia a melhor possível! Eles, se preciso, fazem até cambio de Dólares e Euros a uma ótima taxa (apesar de que, no Aeroporto de Bogotá encontrei a melhor taxa de câmbio, por incrível que pareça). Como o Hostel é bem pequeno (são três quartos, sendo um deles single, o outro um double e o terceiro um dormitório para 4 pessoas), então no fim das contas todos acabam se conhecendo bem e fica algo mais intimo, como se fosse a tua casa. No Hostel, conheci meu quarto e fui apresentado aos meus roomates, um Escocês grafiteiro apelidado de Andy e um Holandês que estava em San Andrés fazendo o curso de mergulho para pegar a certificação, chamado de Anni (ou Heineken, para os mais chegados haha). Um pouco depois que cheguei conheci o casal que estava no quarto duplo, que eram os dois argentinos mais birutas que já vi na minha vida! A guria era de boa, mas o guri era uma mistura de Trasgo com Homer Simpson, falava alto e era meio desengonçado, mas era um ótimo sujeito!
Depois de conversar com o pessoal do Hostel, fui até o centro para conhecer a praia principal de San Andrés, e apesar do dia feio, não me decepcionei! Essa história de mar de 7 cores do Caribe, que parece ser slogan de agência de turismo, é realmente verdade, e mesmo em um dia feio e nublado como aquele, fiquei besta com a beleza da praia, apesar dela não ser tão bonita como a nossa boa e velha Praia Grande (sarcasmo, obviamente). Dei umas voltas ali pelo centro, dando uma olhada nas lojas de "Free shop" de San Andrés (que são só um pouco mais baratas que os preços que encontrei em Cartagena, mas com menos opções, era só câmera Canon e Nikon, notebook Vaio e Iqualquer coisa nessas lojas, nem tinha PS4 para que eu pudesse bater uma foto para o meu Ostentagram). Caminhei por umas 2 horas quase, até que a barriga começou a roncar e encontrei um fast-food de hambúrgueres com aquele jeito de Big X Picanha chamado El Corral. PAguei 26.500 COP por um combo completo (com papas e gaseosa) e preciso dizer que quase não consegui terminar o lanche de tão grande que ele era!! Para quem curte algo mais gorduroso, fica a dica! Além da comida vir em uma proporção boa, o lugar tem uma vista excelente do começo da praia principal, e tu pode sentar ali, se matando com um hamburguer enquanto disfruta de uma ótima vista.
SanAndrés Downtown Beach por fe matarucco, no Flickr
SanAndrés Downtown Beach por fe matarucco, no Flickr
San Andrés Downtown Beach por fe matarucco, no Flickr
Ao terminar o lanche, o sol já estava se pondo, e eu, cansado como estava depois de passar uma noite praticamente em claro (e estou fazendo a mesma coisa enquanto escrevo esse relato, mas agora aguardando meu vôo de volta para terras BR) e estava a tempo demais acordado. Como estava com muito sono, voltei ao Hostel e fiquei conversando com o Andy e o Anni, altos papos cabeça e muita teoria da conspiração, que se prolongaram por algumas horas e foram de política às preferências de mulher do Andy (ele é o típico europeu que é chegado numa mulata, deve ser um daqueles que se "divertiria" bastante em um carnaval no Rio, em SP ou Salvador), chegamos a trocar até algumas noções sobre a situação de cada país e etc (na boa, acho que essas é uma das melhores partes de se ficar em hostels mais tranquilos, já que mesmo nos party hostel é difícil encontrar gente que tenha cabeça e vontade para discutir coisas mais sérias). Nem lembro que horas eram quando, quase apagado me retirei para tentar dormir um pouco mais e torcer para o dia seguinte melhorar o clima.
SAN ANDRES: DIA 2 (chuva, muita chuva, e rally com carrinho de golf)
No meio da minha primeira noite, mesmo estando incrivelmente cansado, acabei acordando com relâmpagos monstruosos e uma chuva torrencial digna de um dia de janeiro paulistano que caia sem parar. Acontece que, essa chuva começou lá pelas 11 da noite do dia anteriro e só foi parar depois das 16:00 do dia seguinte, assim melando meus planos de fazer o tour pelo Acuario e Johnny Key que o Juan havia me indicado. Fui no mini mercado que fica a uma quadra do Hostel para comprar meu café da manhã (O Hostel não oferece essa refeição, então tens que comprar algo), que foi um pacote enorme de bolachas do tipo "água e sal" por 3.000COP, já que no Hostel tinha água a vontade (a falta disso no Hostel em Cartagena me deixou puto, mas me ajudou a fazer a descoberta do século, Kola Roman, mas isso fica para o próximo episódio).
Enquanto saia do mini mercado, a chuva havia se acalmado, então decidi ir até os muelles do centro da cidade para tentar encontrar algum barco que ainda fizesse o trajeto Acuario-Johnny Key e tentar negociar um preço decente (A Colômbia é como a Bahia ou a Índia, tirando as redes de supermercado e fast-food, não existe preço fixo para as coisas e cabe à sua capacidade de pechinchar para conseguir preços bons), mas não contava com a astúcia da chuva, que aparentemente só esperou eu estar em um lugar mais descampado e caiu loucamente (honestamente flando, parecia que alguém virou um balde de água na minha cabeça, de tanta água que caia naquela hora), ou seja, fiquei preso e ensopado perto do Hotel Sunrise,e quando a chuva acalou um pouco mais lá pelas 11:00, voltei correndo para o Hostel para secar um pouco (San Andrés é tão quwnte, que a chuva até refresca mais do que incomoda, mas chega uma hora que o caboclo nao aguenta!).
Já no Hostel fiquei conversando sobre fútbol com o argentino, obviamente, sem entender muito bem o que ele falava, mas sempre fazendo o "sorria e acene" e concordando com que ele dizia. Mas no fim das contas, o que consegui entender é que ele estava puto com a Fifa, que liberou mais ingressos para os japoneses e americanos do que para os argentinos (afinal, entre receber turistas com pesos argentinos e turistas com dólares, a segunda opção é mil vezes mais atraente) e sobre seu time de coração, o Atlante da terceira divisão argentina, que tem uma trajetória curiosa, era uma equipe forte até ser rebaixada pela primeira vez muitos anos atrás, e depois disso só piorou, mas apesar da torcida diminuir, ela só aumentou e o time agora tem muitos mais torcedores do que antes (hipter please).
Quando a chuva dminuiu um pouco mais, lá pelas 12:30, eu saí em busca de fazer algo para nao perder o dia (afinal, se fosse para ficar coçando apenas, teria ficado em casa) e decidi alugar um carrinho de golf. Por culpa da chuva, a maioria não estava sendo alugada já que os carrinhos eram pequenos demais para encarar lamas a afins, então só me restou alugar um carrinho turbinado da Kawasaki por 90.000 COP. Feito isso, saí para dar uma volta na ilha, e pude reparar no quanto a população de San Andrés é carente de condições de vida decente. São muitas famílias que convivem com a pobreza e muitas casas caindo aos pedaços ao longo do caminho que eu percorri, que foi quase todo ao redor da ilha e um pouco por dentro que que peguei para chegar na Loma.
Golf Cart por fe matarucco, no Flickr
Nessa volta rápida pela ilha que eu antecipei (afinal, gostaria de fazer isso no meu último dia em San Andrés), pude passar por várias praias, algumas "simples", outras com aquele toque de Caribe (areia branca, água com uma cor absurdamente bonita), mas o que mais me divertiu foi poder passar por uma buraqueira ocasionada pela chuva com o carrinho, que não era um Hummer mas se saiu muito bem! Subi na Loma (3.000 COP) e pude apreciar uma visão em 360 graus da Ilha, foi quando realmente percebi o quão pequena ela era, e mesmo em um dia com clima horroroso que nem aquele, era possível ver as águas claras dos recifes de coral que ficam no redor da ilha.
on the road por fe matarucco, no Flickr
Playa San Luís in HDR por fe matarucco, no Flickr
Depois de me sujar todo nessa volta (parecia que eu saí de algum rally ou corrido de Moto Cross de tão sujo que eu fiquei), devolvi o carrinho lá pelo fim da tarde e fui ao hostel tomar um banho para procurar algo para jantar, quando encontrei com o Guilherme, que era o brasileiro hospedado no quarto single, que foi à San Andrés somente para fazer mergulho, e fiquei batendo um papo com ele enquanto ele me explicava as técnicas de mergulho e etc, eu, que já estava interessado em fazer o mergulho pedi mais algumas dicas, e depois que eu tomei banho, fui com o Guilherme até o centro de mergulho para ver se teria algo para amanhã. Chegando no Centro de mergulho (Chamado Blue Life, fica do lado do Hotel Sunrise, e totalmente recomendado), vi que teria mergulho amanhã e me "alistei" para participar da mini-aula as 09:00 e do mergulho.
Tendo feito isso, me despedi do Guilherme, já que ele ia no centro dar uma olhada nos eletrônicos, e fui atrás de algo para comer. Andei um bocado e decidi por ir no Interstate 80's, que era uma das salinhas comerciais abaixo/do lado do Hotel Sunrise, assim como o centro do MErgulho. A Comida do Interstate 80's é bem mediana, não tem nada demais, mas a decoração era excelente!! Vários pôsteres de filmes, capas de CD (Say You Say Me!), e até um NES pendurado do teto, enquanto em uma TV passavam uns clipes dos anos 80. Afinal, não tem como se interessar por um lugar em que você pode jantar enquanto escuta 99 luftbaloons. Pedi um hamburguer, que nao era ruim mas não era bom, e uma Pepsi, e a conta deu 19.000 COP.
SAN ANDRÉS DIA 3: (tentativa de) mergulho, Acuario e um Escocês muito bêbado
No terceiro dia em San Andrés, me levantei cedo e fui ao centro de mergulho para fazer o que mais estava ansioso/curioso para fazer. Ate aí, tranquilo, primeiro eles passam um vídeo institucional sobre os níveis dos certificados de mergulho e depois ensinam o básico do básico, como técnicas para compensação na descida, sinais de comunicação e por aí vai. Depois de assinar um monte de papelada dizendo que se eu morrer a culpa é minha e mimimi, fui à piscina do Hotel praticar. No começo foi meio estrnho, mas depois de uns cinco minutos eu consegui mais ou menos pegar a manha para me locomover e tudo o mais. Fiquei uns 30 minutos praticando e parecia que estaria tudo certo. Então fui ao deck do Hotel esperar o barco. Enquanto isso, fui atrás de algo para amarrar a GoPro que havia comprado no Free Shop de Bogotá por 370 Dólares, e esperei.
Sunrise Hotel por fe matarucco, no Flickr
No barco, eu mergulharia sozinho com o instrutor e um casal de BR's (Ronaldo e Aline), iriam mergulhar com um instrutor italiano. Obviamente, ao descobrir que o guri era italiano, já começei a falar com o meu excelente sotaque italiano da Móoca "Ah, mi piace molto parlare Italiano, ma Io capisco alcune parole", se eu descobrisse isso antes do começo do mergulho, teria ficado menos ansioso/nervoso e isso talvez mudasse um pouco o outcome daquele mergulho.
Tudo parecia lindo na hora que caí no mar, abaixei um pouco e vi um monte, mas é sério, um monte de peixes passando por todos os lados, e a água era tão limpa e clara que a visibilidade deveria ser de uns 8 metros ou mais (de acordo com o que o Guilherme havia me dito, visibilidade que no Brasil só se encontra em Fernando de Noronha e olhe lá), e até havia sacado algumas fotos com a GoPro.
San Andrés *-* por fe matarucco, no Flickr
Diving in San Andrés - Piramide por fe matarucco, no Flickr
O problema foi quando a descida começou... Nos primeiros metros consegui compensar bem, mas depois de uns 4,5m, meus ouvidos começaram a doer MUITO, e mesmo eu tentando subir um pouco para tentar compensar e aí descer novamente, nada parecia acabar com essa dor. PAra ajudar, estava começando a entrar muita água do mar pela minha máscara, e na dor, acabei puxando ar com o nariz e respirei muita água do mar. Tive que subir até a superfície, e o instrutor tentu me ajudar denovo a descer, mas dessa vez, numa profundidade menor meu ouvido voltou a doer, e parecia que ele iria explodir a qualquer momento! Descidi, então, parar por aí e voltei ao barco para esperar o casal BR voltar do mergulho.
Fiquei muito chateado, mas depois que subi, conversei um pouco com o cara que estava pilotando a lancha (irmão perdido do J Jones), falei um pouco sobre fútbol e pude aliviar um pouco a frustração por não ter conseguido fazer o mergulho todo. By the way, os colombianos gostam de fútbol muito mais que nós brasileiros, pqp, todo lugar que ia, ao descobrirem que eu era BR, já me perguntavam do Mundial, de que a Colombia iria ganhar, que o Falcao era melhor que o Neymar e por aí vai.
Depois de uns 40 minutos, o casal de BR's e o italiano subiram no barco e voltamos ao deck do Hotel, e enquanto eu parlava loucamente com o Italiano, perguntei se era possível me deixarem no Acuario, e com ma resposta positiva, o casal BR se interessou também e acabamos os três indo ao Acuário, chegando lá pelo meio-dia e com carona marcada para as 15:30, tudo isso por 20.000 COP.
San Andrés - Colômbia por fe matarucco, no Flickr
Poderia ficar horas e horas colocando os adjetivos mais inventivos, copiados de algum conto de Eça de Queirós, mas não adianta, NADA vai explicar ou demonstrar o quão fantástico é aquilo... conforme tu vai chegando no Acuário, o mar vai mudando de cor e cada vez te aparece um tom totalmente novo e que tu nunca viu antes! Tentei ao máximo ajeitas as fotos da GoPro para que elas refletissem ao menos um pouco da realidade daquele lugar, mas não adianta, as fotos não chegam nada perto, e simplestemente tens que ir e ver para crer!
El Acuario Isla San Andrés por fe matarucco, no Flickr
Acuario Isla San Andrés por fe matarucco, no Flickr
Acuario San Anrés por fe matarucco, no Flickr
O Acuário é bem pequeno, é uma porção de areia bem pequena envolta em uma praia azul turquesa, e bem ao lado existe a Haynes Key, onde tu pode atravessar para chegar nessa ilha a pé (no máximo do máximo a água vai chegar no teu peito), e lá do outro lado tem várias opções para comer. E, após caminhar um pouco com o Ronaldo e a Aline conversar com os Rasta que iriam cuidar das nossas malas (3.000 COP) e me emprestaram um daqueles sapatos para se usar na água (5.000 COP), atravessamos o Acuário para Haynes Key em busca de um almoço. O nossos amigo J. Jones havia indicado um restaurante que só tinha peixe, mas nem eu nem a Aline gostávamos, portanto decidimos ir a outro restaurante chamado Mama Africa, que pelo menos tinha pratos com Arroz!
Acuario San Anrés por fe matarucco, no Flickr
Acuario San Anrés por fe matarucco, no Flickr
O Prato de Arroz com Filé de PEscado, que, junto de uma garrafa de água saiu por 25.000 COP (não havia mais frango) demorou um pouco para ficar pronto, mas não desapontou, até eu que não gosto de peixe achei a mistura daqule prato boa! Ainda vnha com uma salada básica e um arroz doce meio bizarro (arroz banhado em água de coco, fala sério!!). Enquanto a comida não chegava, conversei com o casal e trocamos algumas experiências de vida, eu contando algumas coisas sobre meu mochilão e eles sobre as viagens para fazer mergulho, realmente posso dizer que tive um "good time" conversando com eles, me diverti e guardei altas dicas (Se quiserem mergulhar, Cozumel é o melhor lugar que há, aparentemente).
Acuario San Anrés por fe matarucco, no Flickr
Acuario San Anrés por fe matarucco, no Flickr
Com o almoço terminado, andamos um pouco mais mas não chegamos a fazer snorkeling, até que J. Jones encostou com o barco e voltamos ao hotel Sunrise. Eu, depois de conversar um pouco mais com eles e pagar minha tentativa de mergulho (fui cobrado em 80.000 COP, que é o valor do mini curso sem mergulho, e o valor com mergulho é de 150,000 COP), e após me despedir do Ronaldo e da Aline, voltei ao Hostel para tomar um banho e tirar o bendito sal do corpo, mas obviamente que no término disto já estava com fome novamente, então encostei num restaurante que tem ao lado do Interstate 80's chamado Lupita e comi um Burrito de Carne muito foda! Porém, esse não foi o ápice da minha janta pois na hora de escolher a bebida, chutei algo diferente e pedi uma Kola Roman, e não poderia ter feito coisa melhor!! Cara, a Kola Roman é basicamente se suco de groselha virasse refrigerante, é algo tão épico que não precisa de mais explicações, e apenas degustações. Se alguém estiver na Colômbia ou em qualquer outro lugar que possa ter Kola Roman, vai comigo que essa é certeza!
Jantado, e devidamente pronto para ir dormir, ao chegar no Hostel, o Juan me chamou para em um bar (que era justamente do lado do Lupita, onde eu havia jantado) para tomar umas doses e aparentemente todos do Hostel iriam, entao para não ficar forever alone topei o rolê. Já lá no Hostel, vi que tinha uma guria nova hospedada, uma francesa chamada Emilie, que era simplesmente uma pessoa sensacional. Super simpática e com tantas qualidades que se eu prolongar isso mais vai parecer um trecho de Romeu e Julieta do que um relato de uma viagem.
Enfim, chegando no bar (Bonzai), tdos pediram uma rodada de drinks, eu peguei um Daikiri que era algo que conhecia (sim, só gosto de drinks que são "fruity"), e fui conversando mais com o Andy e a Emilie enquanto isso. Depois de uma hora e meia, o Juan nos chamou para uma rodada de shots, eu fui mas não tomei porque achei que era Tequila, que no me gusta, mas como havíamos combinado de cada um comprar uma rodada de shots para os 4 (Andy, Juan, Emilie e eu), entrei na brincadeira...
Nem me lembro direito dos drinks que tomei, a maioria era sem graça, tirando a JaggerBommb que era muito foda (uma dose de Jaggermeister dentro de um copo de Red Bull, se não me engano), e quando foi a minha vez de comprar a rodada de shots (4 shots por 20.000 COP), os outros três já estavam meio altos, mas eu acho que estava bem, pelo que me lembro, só havia ficado um pouco mais extrovertido. Saindo do Bar (isso deveria ser umas 2 da manhã quase), O Juan e sua decidiram ir em uma "festa" de locais, que estava meio morta apesar do lugar ser muito bom e a birita barata. Eles pediram uma aguardente que era uma porcaria e ficaram bebendo entre si, enquanto eu e a Emilie não tomamos. Conversa vai conversa vem começou a tocar alguma rumba alternativa, como éramos em 3 homens e 2 mulheres, alguem teria que ficar de fora sempre, logo, eu fui o primeiro, depois dancei um pouco com a Jennifer e, já quase no fim puxei a Emilie para dançar, e aí sim o negócio ficou interessante
.
Tivemos que parar o que estávamos fazendo pois o escocês (Andy) estava, como se pode dizer, fucking wasted, loco del coco, borracho, mai loco que o batman, cachaçado, ou seja lá qual for sua expressão favorita. E, por ele estar assim, em estado de PT triplo, voltamos para o Hostel, porém, parando no Bonzai denovo para uma última rodada de shots. Como a Emilie estava quase chamando nosso amigo Hugo, ela ficou de fora da rodada e todo mundo tomou uma mais. Eu, honestamente, não entendo porque o pessoal ficou alto tão fácil... Eu nunca fui de beber muito, mas no máximo do máximo me senti um pouco zonzo e olhe lá.
E, preciso dizer, o estado do Andy era tenso, ele falava sozinho, fazia posições de kung fu ou whatever seja aquilo no meio da Rua, quando não recitava algum trecho de Star Wars como se estivesse declamando Shakespeare, entre outras coisas. Esse tipo de bêbado, apesar de ser o mais engraçado de se encontrar, é o pior de ser, fato!
Chegando no Hostel, o dia ainda não havia terminado, pois ao escovar os dentes, A Emilie escorregou, caiu, e ao tentar se apoiar, levou a pia junto, inundando o Hostel todo. O registro de água foi fechado rapidamente, então sem problemas, além do susto de parecer ter entrado em uma cena de Jumanji e de um galo gigante na cabeça da Emilie (ela não sabe se bateu a cabeça na pia ou no chão, na verdade).
SAN ANDRÉS DIA 4: VOLTA PELA ILHA E UM CELULAR PERDIDO PARA O MAR
Meu último dia em San Andrés começou bem tarde, pois já que havíamos chegado depois das 4 da manhã, só criei forças para me levantar da cama lá pelas 10:30, e lá pela mesma hora a Emilie acordou, então rapidamente nos arrumamos e saímos em direção ao centro da cidade, já que havíamos combinado que esse meu último dia em San Andés seria compartilhado em um carrinho de Golf com ela. Conseguimos um carrinho bem básico por 70.000 COP (35 mil cada) e saímos para dar uma volta pela ilha. Paramos na praia do centro primeiro, e eu honestamente não esperava muito por já ter passado por lá no meu primeiro dia em San andrés, mas com céu limpo e sem chuva, a praia estava muito, mas muito melhor! Tiramos algumas fotos, e ela largou a Canon dela de lado quando viu que a minha Sonyzinha estava batendo fotos melhores (Filtro Polarizador estava dando o charme na coisa), então a partir do Centro, sa´mos em busca da Igreja da Loma e sua vista panorâmica que deveria estar sensacional naquele dia limpo, e enquanto eu dirigia ela batia fotos com o carrinho em movimento e tudo.
Playa central San Andrés por fe matarucco, no Flickr
Playa central San Andrés por fe matarucco, no Flickr
Playa central San Andrés por fe matarucco, no Flickr
Ao andar pela parte interna da ilha, ficou mais notada ainda a miséria dos habitantes locais (isso eu já sabia, mas ela acabou percebendo isso), e isso era expresso ao passar pelas casas com portas abertas e dar uma leve espiada dentro e constatar que não existiam posses algumas dentro (Já diriam os poetas, apesar de que as riquezas são diferentes e diferenças, no fim das contas miséria é miséria em qualquer canto! ).
Iglesia La Loma por fe matarucco, no Flickr
Depois de uns 15 minutos chegamos na Loma, mas ela estava fechada pois teria um culto logo mais, então para a nossa decepção não pudemos subir no topo da igreja, entao seguimos caminho até o mar lá pelos lados da Cova de Morgan (que é tipo um museu fajuto com um restaurante ruim e overpriced, a vulga pokebola para turistas), e de lá seguimos até a Playa San Luís, parando em vários lugares para sacar fotos e em um momento para invertemos a situação e ela ficar de motorista. e eu me encarregar das fotos.
Isla San Andrés por fe matarucco, no Flickr
Isla San Andrés por fe matarucco, no Flickr
Isla San Andrés por fe matarucco, no Flickr
Isla San Andrés por fe matarucco, no Flickr
Isla San Andrés por fe matarucco, no Flickr
Isla San Andrés - Road along the coast por fe matarucco, no Flickr
Em San Luís, encostamos o carrinho e decidimos entrar um pouco no mar antes de almoçar. Não sei porque, esqueci de tirar o celular do meu bolso da bermuda, e só fui perceber isso depois de um bom tempo no mar, ou seja, mefu! Quando senti o peso do celular na bermuda, saí correndo mas já era tarde demais, meu celular disse adeus. De qualquer forma, continuamos um pouco mais no mar para aproveitar aquele sol sensacional.
Playa San Luis por fe matarucco, no Flickr
Saindo de lá, correria para conseguir trocar os Euros dela por Pesos Colombianos (só encontramos um lugar no centro), e depois andamos de novo até a ponta Sul da Ilha, onde existia um restaurante com o criativo e sugestivo nome de Ponta Sur, que o Juan havia nos indicado, e foi excelente!
DSC04114.jpg por fe matarucco, no Flickr
Comemos um Pollo na Grelha, e o Frango mais a divina Kola Roman saíram por 25.000 COP. A comida é boa e o lugar tem uma ótiam vista, pois ele tem um deck superior de onde é possivel ter uma visão prolongada do oceano e uns pedaços da Playa San Luís também. Comemos, tiramos umas fotos (a minha foto acima é de lá) e voltamos ao Hostel, pois eu precisava pegar minhas malas e ir à Cartagena, a própria Emilie se ofereceu para me deixar no aeroporto, mas estávamos bem na marca do pênalti e nao podíamos mais atrasar a entrega do carrinho, então deixamos o carrinho, nos despedimos (foi difícil!) e fui de táxi (8.000 COP) até o aeroporto.
post abaixo contem parte do relato referente à Cartagena