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Vanilsa Potira

Trekking no Monte Roraima, carnaval de 2014

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Olá mochileiros e mochileiras! Sou Vanilsa moro em Boa Vista – RR. Desde o último mochilão que fiz a Cartagena de Índias, na Colômbia, em 2010, fiz uma pausa nas mochiladas para cursar um mestrado. Assim, após a defesa da dissertação estou livre para mochilar e quero aproveitar este espaço para relatar minha segunda experiência na escalada a um dos lugares mais antigos do planeta, o exuberante Monte Roraima.

 

Segundo o site http://www.hike-venezuela.com/pt/site-roraima.html, o Monte Roraima (na língua Pemón Roraima tepui, significa Roroi = “azul-verde” e ma = “grande”, e tepui significa “casa dos espíritos”) é um dos 115 tepuys da Gran Sabana, região sul da Venezuela. É o mais elevado da cadeia de Pakaraima tepui patamar na América do Sul e inclui o ponto de tríplice fronteira de Brasil, Venezuela e Guiana. Os tepuys, montanhas de mesa, do parque são considerados formações geológicas mais antigas da Terra, datando de cerca de dois bilhões de anos atrás no Pré-Cambriano. Situado na terra dos Pemóns, o tepuy também é conhecido como Mundo Perdido (uma referência ao livro do escritor inglês Conan Doyte, criador de Sherlock Homes). É importante esclarecer que o nome do Estado de Roraima foi uma homenagem à montanha.

 

O ponto mais alto da montanha é o Maverick, 2875 m, e sua área de 31 km² de cimeira é defendida por 400 metros de altura falésias em todos os lados. A paisagem na mesa alta é um labirinto de pedras com muitos desfiladeiros - às vezes com centenas de metros de profundidade. O clima é úmido e tropical, na parte inferior (~30°C), enquanto que na parte superior do plateau é bastante moderado (~10°C) podendo chegar a 0°C durante a noite. Chove quase todos os dias do ano.

 

A paisagem do Roraima é surrealista, composta por intrigantes formações de rocha em todas as escalas, de monumentais a microscópicas. São pináculos, torres, grutas, arcos e todo o tipo de ruínas, entremeadas por pequenos córregos, charcos, lagos e por uma vegetação única, adaptada às difíceis condições ambientais do topo - solos pobres e inexistentes e alta umidade -, que fazem com que praticamente todas as espécies só existam nos tepuys, e cerca de metade delas apenas no topo do Roraima. São bromélias, orquídeas e carnívoras, entre outros tipos de plantas, algumas muito primitivas e altamente adaptadas.

 

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No reino animal, há um gênero de minúsculos sapos primitivos – Oreophrynella. Esses pequenos sapos pretos de barrigas alaranjadas surgem em várias espécies diferentes nos topos dos vários tepuys e também nas florestas em suas bases. Além disso, há lagartixas e alguns pássaros. Entre os mamíferos, existem apenas duas espécies de ratos e uma de coati.

 

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Atualmente muitos aventureiros e mochileiros do mundo inteiro realizam a escalada ao Monte Roraima. A subida ao seu topo começa a partir do lado venezuelano e é sempre conduzida por guias Pemóns. A trilha para alcançar o patamar é bem marcado e não há como se perder, pois o caminho segue direto ao Roraima. Porém, é fácil perder-se no topo, porque há poucas trilhas distintas e quase sempre são encobertas por nuvens e por isto a necessidade de um guia da comunidade.

 

Aliás, todo o Parque Nacional Canaima é administrado pela comunidade indígena Pemón, tornando-se como uma das fontes de renda que sustenta boa parte dos indígenas, pois estes trabalham como guias ou carregadores. É possível notar a presença de famílias inteiras como parte de equipes que conduzem os aventureiros durante a trilha.

 

Monte Roraima é considerada uma montanha sagrada para os Pemóns. Visitar o tepuy é como pedir licença aos espíritos guardiães. Assim, os indígenas sempre agradecem e reverenciam a montanha. Para eles, Roraima significa A Mãe de Todas as Águas, onde comportamentos como gritos e barulho excessivos são considerados desrespeitosos para a divindade que habita o lugar, Macunaima, cujo rosto foi esculpido naturalmente pelo vento e encontra-se na entrada do plato do Monte Roraima.

 

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A oportunidade de subir pela segunda vez o Monte Roraima (a primeira eu fiz no réveillon 2006/2007) surgiu quando alguns amigos queriam realizar o trekking ao mundo perdido e eu me animei para ir também. E com isso, foi aparecendo mais pessoas interessadas. Assim, formamos dois grupos um com 6 pessoas e outro de 16 integrantes, cada qual com guias e equipes de carregadores. Em Santa Elena existem várias agências que levam turistas ao Monte Roraima. O grupo que fiquei, com 16 pessoas, contratou Juan Pablo, um guia indígena autônomo que nos conduziu ao Monte Roraima com muita atenção, carinho e competência.

 

Juan Pablo fez um preço camarada para nós ao nos cobrar R$ 450,00 reais por pessoa pelos 6 dias de caminhada. Assim, sobrou um dinheiro para o grupo providenciar apetrechos como sacos de dormir, isolantes térmico, mochila cargueira e um bom par de botas pré-amaciadas e outros itens necessários. O pacote contratado incluiu transporte Santa Elena - Peraitepuy -Santa Elena e equipamentos de camping, de cozinha e outros a serem transportados pela equipe de Juan Pablo. Cada um de nós levou a própria mochila. Para essa caminhada vale a lei do quanto mais leve a mochila melhor.

 

Nesse caso, os itens considerados necessários são: Mochila de 40 a 60 litros; saco de dormir; isolante térmico; cantil; bota de trekking (pré-amaciados) ou tênis impermeável; par de chinelos tipo papete (excelente para descansar); camisetas leves para as caminhadas (quem for alérgico a insetos e/ou plantas, levar camisetas de manga comprida); 2 calças compridas tipo tactel; 2 bermudas tipo tactel; 1 blusa de frio de lã (não muito grossa, por causa do peso); 1 casaco de frio impermeável (para passeios na parte de cima do Monte); roupas Íntimas, roupas de banho (maiô); 4 pares de meias esportivas (tipo soquete); tensor para joelhos (recomendável); 1 Toalha (mais fina possível, que possa secar rápido); par de luvas (para o frio durante a noite); touca de lã; capa de chuva (importante); chapéu com aba; shampoo/condicionador armazenados em frascos pequenos (mas, não podem ser usados em cima do monte, por questões ecológicas); escova/creme e fio dental; desodorante; sabonete biodegradável; papel higiênico; faixas tipo gaze; esparadrapo; ou Band-aid; relaxante muscular; creme hidratante para pele; manteiga de cacau; filtro solar (importantíssimo); repelente de insetos; sacos plásticos para lixo; pomada contra assaduras; remédios de uso costumeiro; lanterna pequena e 2 jogos de pilhas reservas (alcalina); máquina fotográfica; óculos de sol; e bastão para trekking de plástico (recomendável, porém não imprescindível). Além disso alimentos energéticos são bem-vindos.

 

Saímos de Boa Vista no domingo dia 02 de Março em três táxis rumo à fronteira do Brasil com a Venezuela. Em Pacaraima (município de Roraima) tomamos outros táxis para a cidade venezuelana de Santa Elena de Uairén. De Boa Vista a Pacaraima cada um de nós gastou 30 reais e outros 2 reais por até Santa Elena. Para entrar na Venezuela precisamos pedir permissão, já que o passaporte não é obrigatório, pois a Venezuela faz parte do MERCOSUL. No meu caso, os agentes venezuelanos não consideraram minha habilitação como documento de identidade oficial, assim precisei carimbar o passaporte, que sempre levo comigo quando vou a Santa Elena. Se esse documento não estivesse comigo, ficaria de fora do passeio!

 

Ao meio-dia encontramos o nosso guia na Praça Simon Bolívar e de lá ele nos levou para um hotel para pernoitamos. O hotel é acolhedor e o preço da diária foi de 700,00 bolívares por pessoa, o equivalente a cerca de 25 reais, pois o cambio estava mais ou menos 28 bolívares por 1 real. No final da tarde, o guia reuniu o grupo e com um mapa do Monte Roraima nas mãos nos mostrou o percurso da trilha e os pontos que visitaremos no topo da montanha. Juan Pablo explicou que eram necessários três dias de caminhada até o patamar do tepuy e em seguida mais 1,5 hora de caminhada até o acampamento final dentro de uma caverna, que ele chamou de Hotel Roraima.

 

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Vale ressaltar que em cima do Monte Roraima há algumas cavernas que podem abrigar até 12 barracas. Chamadas de hotel, essas grutas são essenciais para a proteção do vento, do frio e das chuvas, principalmente nas noites. Há oito hotéis onde se acampa no alto do Roraima: Guacharo, Basílio, Índio, Uno, Principal, Jacuzzi, San Francisco e Coati (Brasil). Sete deles estão na Popa do Roraima. O Coati, único localizado na Proa, serve de abrigo aos grupos que se aventuram para estes lados.

 

Voltando à reunião com Juan Pablo, este apontou no mapa os três pontos turísticos que visitaremos no 4° dia da caminhada: Vale dos Cristais, Ponto Tríplice e El Foso. No 5° dia desceremos o monte cedo e no 6° dia estaríamos todos ao meio-dia em Paratepuy, o ponto inicial do trekking. Juan Pablo explicou que seriam servidos café da manha e janta, e no intervalo entre estas duas refeições seria servido um lanche leve.

 

O guia nos sensibilizou para a importância da consciência ambiental, durante nossa estada no Roraima, nos alertando para o uso de sabonete ou sabão biodegradável e do não uso de shampoos e condicionadores, do recolhimento do lixo e não subtrair os cristais, as plantas ou animais da montanha. Do Monte Roraima deveríamos trazer somente as fotos e as dores no corpo (risos). Outra informação importante foi a respeito da liberação das fezes, que só pode ser feita dentro de um saco plástico a ser transportado para a base da montanha por um dos carregadores indígenas. Isto é até compreensível uma vez que a montanha é formada por areia solidificada e o acúmulo de fezes humanas no topo da montanha poderia contaminar as nascentes ou o tepuy virar uma fossa céu aberto (risos).

 

Após todas as informações, fomos descansar um pouco antes do jantar, que foi servido no próprio hotel, já que também é um restaurante. Juan Pablo marcou nossa saída para as 8h da manha, uma hora após o café.

 

O primeiro dia da caminhada: Santa Elena – Paraytepuy – Rio Tek

 

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Saímos de Santa Elena com uma hora de atraso, mas nada que atrapalhasse nossa alegria e expectativas. Seguimos em dois jipes 4x4 pela única rodovia que liga Santa Elena a outras cidades da Venezuela por cerca de uma hora em 70 km de asfalto até o povoado de San Francisco de Yuruani. Daí pra frente são mais 42 km de estrada de terra bastante íngreme até a comunidade indígena de Paraytepuy, habitada por indígenas Pemóns.

 

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Ao chegarmos em Paraytepuy tivemos tempo para nos organizarmos melhor, enquanto Juan Pablo e sua equipe preparavam os mantimentos e barracas a serem levados. Duas pessoas solicitaram um carregador exclusivo, pois estavam com mochilas muito pesadas. Os carregadores pessoais cobraram uma diária de 1000 bolívares. Ou seja, o cambio estava mais ou menos 28 bolivares por 1 real, as meninas tiveram que pagar mais ou menos 35 reais diários. No caso, foi uma jovem indígena que levou as mochilas!

 

Após saboreamos um ananás (fruta parente do abacaxi) enfim, começamos a trilha por volta das 11h da manhã. Tivemos a sorte do céu está encoberto o que tornou a caminhada do primeiro dia, um pouco leve. Durante o início do trekking fomos trocando ideias, partilhando a vida. Nosso grupo era muito simpático e tranqüilo: Janio estava subindo pela terceira vez, eu pela segunda e os demais era a primeira vez que subiam o Monte Roraima.

 

Ainda no nosso grupo, havia um senhor de 71 anos, Seu Pedro, pai do Janio e Jasmine. Um touro!! Era sempre o primeiro a chegar nos acampamentos. Dessa galera, eu conhecia apenas duas pessoas, Janio e Galvão. Os demais conheci no dia que chegamos em Santa Elena, na Praça Simon Bolívar. Já que nem todos puderam comparecer nas duas reuniões de articulação que fizermos em Boa vista, dias antes de nossa partida para a Venezuela. Ainda na composição do grupo veio um casal do Paraná exclusivamente para escalar o Monte Roraima. O grupo se entrosou muito bem. Acredito que foi um dos melhores grupos com quem já fiz uma excursão sem estresse ou coisa parecida. Parecia que nos conhecíamos há tempos. No início seguimos juntos pela trilha. Depois, naturalmente cada um de nós seguiu no seu próprio ritmo. Até um bordão do nosso amigo Paulino pegou: "Desanima não bobos!".

 

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Durante a caminhada olhamos todo o tempo para o Monte Roraima. A oeste do Roraima, está outro tepuy, o Kukenan, um pouco mais baixo, mas igualmente bonito, cuja face ostenta o Salto Kukenan, que, com cerca de 600 metros, é considerado o segundo maior do mundo. Nesta etapa da trilha, percorremos mais ou menos 1 hora e paramos próximo a um igarapé para fazer um lanche a base de atum. Em seguida, em mais ou menos quatro horas chegamos ao acampamento do rio Tek. Neste primeiro dia, caminhamos cerca de 12 km de distância.

 

Quando chegamos nesse acampamento já encontramos as barracas montadas e a comida estava sendo preparada. Quanto às acomodações nas barracas, estas suportavam até duas pessoas e, assim, cada um de nós procurou um parceiro ou parceira para dividi-las. Nesse local, havia vários grupos que estavam subindo o Roraima e outros que estavam descendo da montanha. Foi uma oportunidade de trocar experiências com estas pessoas. Nesse local, notamos pessoas de vários lugares do Brasil, como RJ, SP, RS e MG, além de japoneses, ingleses e outros que não me recordo.

 

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O segundo dia da caminhada: Rio Tek – acampamento base

 

No nascer do sol, eu, Angélica e Dorinha e outros do grupo fomos ao rio Tek tomar um banho gelado logo cedo. Em seguida, um café-da-manhã com ovos mexidos e, por volta das 8:00 h, estávamos caminhando. Ao chegarmos no rio Kukenan demos outro mergulho, pois a água estava convidativa e o dia prometia muito calor.

 

O segundo dia do trekking é o mais duro de todo o trajeto. São mais de 10 km de desnível em meio à vegetação savânica, quase sem sombra e subida constante. Diferentemente do primeiro dia de caminhada, não havia nuvens no céu e a temperatura estava torrando! Chegamos no local chamado de acampamento militar para repouso e lanche. O local é chamado de acampamento militar porque, segundo nosso guia, foi onde os militares montaram acampamento e daí subiram com o material para construir o ponto de concreto que marca a tríplice fronteira, no topo do Monte Roraima.

 

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Nesse segundo dia de caminhada, cansei bastante, pois a temperatura estava muito alta e a subidinha constante puxou muito minhas energias. Durante todo o percurso, tomamos água dos rios e nascentes sempre tratadas com hipoclorito de sódio. Nesse dia, foi necessário sempre parar para beber água. A certa altura da trilha, ajudei um rapaz que estava passando mal. Do pouco de água que eu tinha, eu dei a ele. Mas, minutos depois ele conseguiu se recuperar e ele e sua esposa finalizaram o segundo dia de subida com tranqüilidade.

 

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Cada um de nós fez a trilha num ritmo próprio. Uns iam mais à frente, como seu Pedro, e outros mais atrás. Até uma brincadeira surgiu no meio de nós: àqueles que sempre seguiam na frente chamamos de "arroz solto" e os últimos de "arroz grudado" rssss. Por volta das 16h cheguei no acampamento base, muito cansada dolorida. Fui direto pra barraca deitar um pouco e massagear o corpo com os cremes relaxantes. Não saí nem pra ver o arco-íris que se formou em cima do monte Roraima e que causou alvoroço na galera (risos). O acampamento base estava lotado de barracas. Muita gente animada e contando as horas para começar a subir no tepuy. Agora, estávamos mais perto! No jantar, uma deliciosa macarronada foi-nos servida e logo após fui descansar, pois queria acordar disposta para começar a subida.

 

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O terceiro dia da caminhada: acampamento base – topo

 

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O terceiro dia é tão duro quanto o segundo, porém, a trilha é quase sempre dentro da mata que cerca o Monte Roraima. Em compensação, a inclinação é razoável e em alguns trechos acentuada. O terreno pedregoso exigia cuidado em dobro, pois todo o trajeto é escorregadio. Sobretudo o trecho conhecido como Paso de las Lágrimas, onde se passa sob uma das cachoeiras que despencam sobre a rampa, exige atenção e conhecimento do caminho, pois há muitas pedras soltas e risco de quedas fatais. Os trechos mais inclinados são justamente o inicial, logo após o acampamento Base, onde foi necessário usar as mãos para escalar, e o final, após o Paso de las Lágrimas, rumando para o topo.

 

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O MUNDO PERDIDO

 

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A cada passo para cima a vista torna-se absurdamente bela. Existem alguns mirantes, porém na subida havia muitas nuvens, o que impedia de tiramos aquelas fotos espetaculares! Após cerca de quatro horas até o alto do Roraima, chegamos ao topo e fomos contemplados com frutas pela equipe que estava nos conduzindo. Em seguida, fizemos uma hora de caminhada até a nossa caverna-hotel.

 

Chegamos por volta das 15h no “hotel” Roraima, porém não pudemos fazer um passeio nessa tarde pois tivemos que esperar os outros integrantes que ainda estavam a caminho. Assim, pudemos descansar e cortar um dos dreads do cabelo do Henrique, que queria mudar o visual assim que chegasse no topo do Monte Roraima (risos). Quando os demais chegaram, Juan Pablo reuniu o grupo para acertar o horário de saída para o passeio do dia seguinte, pois levaríamos 4 horas de caminhada até os três pontos turísticos que são próximos uns dos outros. Após o jantar todos foram para as barracas, descansar. Nessa noite senti um calor, dormi até sem o saco de dormir! ::otemo::

 

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Agora, acampar em cavernas, faz, de fato, uma enorme diferença. Na minha primeira escalada, por exemplo, nosso grupo teve que acampar ao relento, pois as cavernas estão todas lotadas. Nas noites de nossa estada tivemos que segurar as barracas para que estas não fossem carregadas pela forte ventania. E sem falar do frio e da chuva! Foi um sufoco que passamos.

 

O quarto dia da caminhada: vale dos cristais – ponto tríplice - El Foso

 

Acordamos cedo, e após o café iniciamos mais um dia de caminhada em direção ao Vale dos Cristais, o ponto tríplice - marco da fronteira Venezuela-Brasil-Guiana - e o El Foso. A cada passo que dávamos, a cada pedra que subíamos, deparávamos com uma beleza indescritível do lugar. As rochas esculpidas pelo vento apresentavam intrigantes figuras, como o da tartaruga e do gorila saboreando picolé. Aliás, o que não falta lá são pedras em formatos de tudo que existe: elefante, cachorro, igreja medieval, pedra em forma de coração, etc. Vale lembrar que a tartaruga e o macaco chupando o sorvete aparecem no filme “Up Altas aventuras” (2009).

 

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Sentimos a magia dos cristais ao chegarmos no vale. Muito lindo o contraste das pedras brancas e brilhosas no meio das rochas escuras. Espetacular! Após alguns minutos, seguimos para o ponto da tríplice fronteira. Ali pausa para fotos e mais fotos. Após a sessão, fomos para o El Foso, cerca de 10 minutos dali.

 

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Ao chegarmos nesse poço de águas cristalinas fomos surpreendidos por um incidente ocorrido dentro do buraco. Uma turista inglesa havia acabado de machucar o joelho ao pular dentro do El Foso. O grupo dela estava bastante preocupado, pois sua integrante não tinha condições de descer a pé do Monte Roraima. Foi necessário um helicóptero para resgatá-la, o que foi providenciado pelos guias desse grupo e custeado pelo marido da mulher. Após, a retirada dela de dentro do El Foso, nosso guia autorizou nossa entrada no buraco por uma entrada especifica. Assim, meus amigos mergulharam na água geladíssima do buraco de água. Eu e outros 4 amigos tomamos banho em um dos laguinhos formados nos arredores do poço. Neste lugar, ainda fizemos um lanche a base de batatas e cenouras e após o mergulho, voltamos para a caverna. Quanto à mulher, esperamos que esteja bem depois do susto. A segunda noite no Roraima foi bastante fria!!! ::Cold::

 

O quinto dia da caminhada: Los Jacuzzis e o início da descida

 

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No quinto dia do treekking saímos cedo do acampamento, logo após o café. Juan Pablo propôs conhecermos Los Jacuzzis, pequenas piscinas de água cristalina, cheias de cristais de quartzo. Porém, nem todos os integrantes do grupo foram, pois seriam mais ou menos duas horas de ida e volta. Assim, aqueles que estavam com dores nas pernas e outras lesões preferiram descer o Monte mais cedo. Então, eu e mais seis pessoas acompanhamos nosso guia até o local. Levamos cerca de 20 minutos para chegar lá, pois andamos bastante rápido e a trilha seguia em linha reta. Los Jacuzzis é muito lindo. Demos um rápido mergulho, pois água estava geladíssima!!!

 

Em seguida, iniciamos a descida do topo diretamente ao Rio Tek. Gastamos aproximadamente sete horas até o acampamento do Rio Tek, num percurso de mais ou menos 20 km. Durante a volta à base da montanha, sentimos nossas pernas trêmulas devido o impacto da descida.

 

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Ao chegar no Rio Tek no final da tarde, a primeira coisa que fiz foi mergulhar nas águas frias do rio, pois o calor era imenso. Estava muito cansada, com pés e pernas fadigadas, necessitava muito de um banho gelado para relaxar. Após o banho, fui para barraca massagear as pernas com cremes enquanto a janta estava sendo preparada. Já se passava das 20h quando os dois últimos integrantes do nosso grupo chegaram no acampamento. Como Juan Pablo estava com eles, ficamos despreocupados. Quando eles chegaram, fomos recepcioná-los como demonstração de força.

 

O acampamento do Rio Tek estava bastante agitado. Muita gente conversando, tomando cerveja e até cantando. Havia um grupo grande de estudantes da USP que iria subir o monte no dia seguinte. A meninada estava muito animada e foi a responsável pelo agito no acampamento. Porém, seguindo as regras para o descanso de quem havia descido do monte, às 22 horas reinou o silêncio absoluto. Eu desmaiei de sono!!! (risos).

 

O sexto dia da caminhada: o fim da trilha

 

No sexto e último dia do trekking, seguimos cedo para o Paraytepuy. O Sol estava escaldante. Seu Pedro, começou sua trilha às 5 horas da manhã! Disse que queria chegar cedo. Nesta ultima etapa da trilha, segui num ritmo mais lento pois sentia muitas dores nos pés e pernas. Cheguei ao local por volta das 11 horas da manhã e lá já estava seu Pedro e alguns dos integrantes do grupo. Aos poucos, todos do grupo foram chegando.

 

Em Paraytepuy, todos pensávamos nos lençóis limpos e secos de nossas camas, muitos desejam um bom churrasco e outros uma cerveja geladinha. Juan Pablo parece que adivinhou o desejo da galera e nos recepcionou com refrigerantes e cervejas, o que surpreendeu a todos, pois, naquelas alturas, ninguém poderia imaginar que seriamos agraciados com uma caixa de cervejas geladas! Como eu não bebo nem refrigerantes e nem cerveja, continuei desejando uma jarra de suco de laranja e uma barcona de sushi. (risos).

 

Montamos nos jipes e ao olharmos para trás, nos deu uma enorme pena ao olhar para o Roraima pois, já, já, nossa jornada chegaria ao fim, e o Monte Roraima ficaria registrado nas nossas memórias e nas nossas fotografias. Durante o trajeto de volta para Santa Elena, Juan Pablo brindou o nosso com um passeio na Cachoeira de Jaspe. E depois fomos direto para um restaurante brasileiro localizado na cidade de Pacaraima (Roraima-Brasil). Ali saboreamos o churrasco como se fosse a última refeição de nossas vidas!! (risos). Afinal, seis dias alimentando-nos de comida leve , merecíamos uma churrascada!!!!

 

Após o almoço, voltamos às fronteiras para regularizar a saída da Venezuela e entrada no Brasil. Depois, despedimo-nos do nosso guia Juan Pablo com o coração partido e com a promessa que nos veríamos brevemente em outra trilha pela Gran Sabana. A seguir, pegamos táxis de volta para Boa Vista e relembrando os bons momentos que passamos juntos no Mundo Perdido.

 

Na primeira subida ao Monte Roraima, desci de lá com a impressão de que seriam necessários três pré-requisitos para quem deseja escalar o tepuy: 1° - um bom condicionamento físico; 2° - persistência; e 3° - espírito de aventura. Com a minha segunda experiência, reafirmo os pré-requisitos que citei e acrescento mais um: consciência ambiental. Além disso, ter facilidade para se desprender de um certo conforto do dia-a-dia e se adaptar à realidade do trekking permite ver as pessoas da forma mais simples diferentemente de como são na vida cotidiana.

 

Aqui deixo um abraço especial para os amigos que fiz e outros que se firmaram na aventura ao Monte Roraima: Janio, Galvão, Angélica, Paulino, Henrique, Mar, Adélia, James, Juliano, Dorinha, Diego, Fabiana, Pedro, Jasmine, Ednil e ao nosso guia, Juan Pablo e sua equipe, que recomendo a todos que pretendem escalar o Roraima.

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Van!

Seu relato está FAN-TÁS-TI-CO!!!!!

Mais uma vez estou certa de que PRECISO fazer esta escalada, em sua companhia, claro!

Parabéns pela força, coragem, empenho e habilidade em reunir grupos de aventureiros! ::otemo::

 

Bjs,

Paulinha.

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Olá, você pode desembarcar em Boa Vista. Daqui a Pacaraima, município brasileiro fronteira com a Venezuela , são mais ou menos 220 km de distância, que pode-se chegar de ônibus ou táxi. Santa Elena é a cidade fronteiriça com o Brasil e de lá você pode consultar as agências de turismo. De Santa Elena ao Paraitepuy são cerca de 2 horas de viagem e só chega lá de carro tracionado, o que é providenciado pelas agências como parte do pacote. Abraços.

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Essa é uma viagem interessante e que eu tenho mta vontade de fazer. E fico feliz que o Monte Roraima tem ganhado bastante visibilidade, com a novela. A Luise perguntou sobre seguro, eu fecho esse nas minhas viagens internacionais: www.touristcard.com.br Nunca fechei p/ viagens nacionais, mas dizem que atende bem tbm. Tem um cupom de desconto: tourist15. Espero ter ajudado. abraço

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