Fiz uma viagem de 35 dias pela América do Sul em janeiro de 2009, passando por Uruguai, Argentina e Chile. Comecei a montar o roteiro e procurei cia. via "Mochileiros.com". Montamos um grupo MUITO bacana e seguimos em meio à crise e aos preços em alta por todos os cantos. Montei um blogue, no entanto, um dos editores me sugeriu postar os relatos aqui. Vou postando pouco a pouco, pois o tempo anda curto, mas espero contribuir. Qualquer dúvida, ajuda, etc., fiquem a vontade para escrever e/ou me adicionar: vanessa.aguilera@hotmail.com. O blogue, para ver todas as fotos, http://www.aguilera13.blogspot.com.
Iniciarei o relato por Punta del Este, Montevideo e Colonia del Sacramento ...
Lugares visitados: Punta del Este, Montevideo, Colonia del Sacramento, Buenos Aires, Córdoba, Mendoza, Santiago, Vina del Mar, Valparaíso, Pucon, Puerto Varas, Puerto Montt, Bariloche, Villa Angostura, El Calafate, Ushuaia.
SÃO PAULO - PUNTA DEL ESTE
30 de dezembro de 2008 (terça-feira)
"Preciso dizer que nem dormi na noite do embarque? Preciso dizer também que aos 47 minutos do segundo tempo, eu não tinha terminado de arrumar as minhas coisas? Pois é. Meses de organização e preparo, mal consegui organizar as minhas coisas básicas. No fim, uma mala enorme, lotada de coisas que pouco usei (pra variar!), planilhas, reservas, passagens aéreas e rodoviárias, inúmeros papéis impressos, livros, músicas, muitas roupas de frio (se eu soubesse exatamente o que me esperava, eu mudaria essa parte!) e poucas roupas de calor, muitas expectativas e um grande frio na barriga!
O nosso voo (agora voo é sem acento, blahh!) partiria do Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) às 9h15 com previsão de chegada a Montevideo às 11h50. TAM, sem escalas. A Renata veio de Belo Horizonte e hospedou-se um dia antes na casa da Caren, em SP, para não ter erro. De manhã, as encontrei e seguimos pro Aeroporto. Fizemos check in, nos despedimos dos meus pais e tomamos café por lá mesmo. Nosso voo não atrasou e foi bem tranquilo. Ao meu lado, uma carioca muito simpática, a Madelon, que já conhecia Punta del Este e começou a me dar várias dicas, inclusive sobre o Reveillon, já que não tinhamos um plano para a virada. Conversamos até a chegada à Montevideo.
O tempo estava bom e na chegada, foi possível ver a cidade de cima, as praias e nota-se o quanto a cidade é bem pequena. Burocracia, passaporte, free shop e casa de câmbio para trocar dinheiro. O aeroporto Internacional de Montevideo, Carrasco, é tosco. Essa é a palavra, parece uma rodoviária, mas o que anima é que estão "reformando", na verdade, construindo um novo aeroporto, cujo o projeto é lindo. Não sei a previsão para a inauguração, mas está avançado.
Quanto ao dinheiro, após muitas pesquisas, muitas dúvidas e algumas pessoas consultadas, não sei qual a melhor alternativa, mas vou falar da que eu optei e gostei. Creio que não seja aconselhável trocá-lo por lá, pois as taxas não são boas. Levei R$ 350,00 e na Global Exchange eu consegui o câmbio (Uru$ 1 - R$ 0,1243), sendo que você ainda paga URU$ 50 de taxa. Além disso, encontrei um ATM (Banred) e saquei mais R$ 200,00 (Uru$ 1 = R$ 0,1051). Achei mais seguro levar um cartão de débito e crédito internacional (Mastercard), o qual eu habilitei na minha agência em SP. Não paga nada, mas é preciso informar quando você embarca e retorna, para o controle do banco e evitar que eles cancelem seu cartão por suspeita de fraude internacional. O ideal é você sacar uma quantia alta para evitar de pagar a taxa por saque de R$ 12. Para extrato e saldo bancário, a taxa cobrada é de R$ 5,00. Enfim. Detalhe triste, já no aeroporto muitos pedintes, inclusive crianças.
Compramos nossas passagens de ônibus para Punta del Este pela empresa COT, pois a COPSA tem uns ônibus bem feios e velhos. Pagamos URU$ 133,00 (R$ 13,30) e a bilheteria da empresa fica dentro do aeroporto e embarcamos lá mesmo. Não podemos reclamar, mais prático impossível. Seguimos Caren, Renata, Madelon e eu para Punta. Ônibus confortável, vazio e leva menos de 2 horas para chegar. Estrada tranquila, paisagem simples até chegar a região de Punta. Surgem o mar, o horizonte, os grandes e luxuosos prédios, enfim, Punta realmente é o que falam: suntuosa.
Desembarcamos no Terminal Playa Brava, bem ao centro e fomos pra fila do táxi. Caren seguiu para seu hostel que ficava em outra praia, bem distante do centro de Punta. Madelon, Renata e eu dividimos o táxi, já que a Madelon estava hospedada em um hostel diferente do nosso. O taxista não gostou muito de na mesma corrida, parar em dois lugares, mas nos enfiamos no carro assim mesmo. Não era nada muito longe, mas a pé seria bem cansativo. O valor do táxi eu não me lembro exatamente, mas não achei caro, ficou em torno de R$ 4 para cada uma. Chegamos ao "Roger´s House Punta del Este", nosso hostel. Muita confusão já antes de viajarmos, ainda no momento da reserva, pois os caras são meio desorganizados e só fechei esse hostel, porque somente eles permitiram apenas 02 diárias na época do Reveillon. Todos os outros fechavam apenas com mínimo de 6 diárias e por preços exorbitantes. Fechamos a diária por USD$ 40, que de início achamos barato, tendo em vista o local e a época, mas depois que realmente conhecemos o lugar e comparamos com os demais hostels, vimos que era MUITO CARO. Não entrem nessa roubada, o hostel é péssimo e vamos contar aos poucos o motivo de tanta raiva. Rs.
Só que a confusão era muito maior. Dias antes, uma das meninas acabou desistindo de Punta, por motivos pessoais (Jana nos encontrou somente em Buenos Aires) e fizemos o cancelamento apenas da cama dela. No entanto, os caras entenderam que era pra cancelar tudo, resumo da ópera, dois dias antes de embarcarmos, fui confirmar e eles disseram que não tinham mais vaga e que nossas camas já haviam sido repassadas. "Como assim?" *Piada!*. Após diversos e-mails grosseiros, minutos no telefone tentando entender o que tinha acontecido, dissemos que apareceríamos e que iríamos dormir lá, já que via "hostelworld.com" já haviamos desembolsado os 10%. Não tinha conversa mais. Ok, o tal de Federico (um dos responsáveis) disse que dormiríamos no "quincho", uma espécie de "edícula". Surtei, mas nessa altura do campeonato, tá valendo para não dormir na rua ou na rodoviária.
Chegando lá, entendemos o contexto. A localização é excelente, perto da praia, relativamente do centro, do mercado, bairro tranquilo e charmoso, a casa (por fora) era bacana. Ao entrar, entendemos o motivo da confusão. Tudo muitooooo desorganizado. Bagunça geral. O hostel é de responsabilidade de três caras na faixa dos 20 anos que no verão estão em Punta e quando chega o inverno por aqui, eles possuem outro hostel na Espanha. Ou seja, *vida chata!*. O Federico nos recebeu e pediu que aguardássemos pois nosso quarto estava sendo arrumado. Por sorte, depois de tanta reclamação da minha parte, ele não quis comprar a briga e não nos colocou na tal "edícula". Ficamos num quarto pequeno (4 camas) com 2 australianos que só dormiam. Um bem simpático puxando conversa e o outro não estava lá, mas mal "bom dia" ele dava quando estava presente. Renata e eu combinamos de que passaríamos o menos tempo possível ali dentro, logo, arrumaríamos o que fazer o dia todo.
Nem trocamos de roupa, deixamos nossas coisas no quarto e saímos para conhecer a cidade. Fomos pela praia (Praia Brava) e seguimos até La Mano, famoso cartão-postal de Punta. É uma obra do escultor chileno Mario Irarrazabal, que consiste nos dedos saindo da areia, que dizem significar a presença do homem na natureza. Bastante movimentado, muitos turistas e ao redor, temos algumas esculturas do "Paseo de Las Américas". Seguimos o passeio a pé e encontramos um lugar pra comer. Como tudo em Punta é MUITO caro, muito mesmo, comemos numa espécie de lanchonete dentro do posto de gasolina que era razoável ($). Lanche + refrigerante, não me lembro também do valor exato, mas algo em torno de R$ 12.
Após longa caminhada, fotos, pôr-do-sol, compras no mercado (chama-se Disco) voltamos pro hostel para tomarmos banho e comermos mais alguma coisa, pois nosso objetivo era conhecer o famoso e luxuoso Hotel Casino Conrad. Na verdade, só conhecer mesmo, porque jogar sem dinheiro seria bem difícil. Tentamos pegar um ônibus até lá, mas fomos a pé. Incrivelmente, Punta del Este é uma cidade fria. Um vento forte e gelado que nos impede de usar roupas de verão. De noite, principalmente. Chegando lá, não pagava pra entrar (ufa!) como a maioria dos cassinos. Muita gente, muito entra e sai dos mais variados tipos. Gente com roupa de gala, gente com bermudão e camiseta, gente com cara de muitaaaa grana e gente como a gente, turista que só foi até lá para conhecer mesmo. É um hotel cassino muito bonito, cheio de luzes à noite, na beira do mar, muitas mesas de jogos, uma estrutura para shows incrível, mas vale o passeio apenas. Tem um lounge que toca uma música muito boa e é possível fotografar apenas nesse espaço, onde dançarinas quase nuas dançam em gaiolas. Não preciso dizer a quantidade de homens por metro quadrado só por causa disso. Afff !!! No bar, pedimos uma cerveja Patrícia e uma taça de vinho = USD$ 8. (tá bom, pra quem não tinha dinheiro pra gastar!). Ficamos um tempo conhecendo, observando as pessoas jogando e a infinidade de "tipos" à passeio.
Voltamos pro hostel e o pessoal que conhecemos lá (umas brasileiras) seguiam pra uma balada com um pessoal. A Rê acabou indo e eu fiquei, pois já era tarde e não tinha dormido nada na noite anterior. Só sei que no meio da noite, ouço a Rê batendo na janela do quarto, chamando meu nome, pois tinham trancado toda a casa e ela não tinha como entrar, pois voltara antes do pessoal. Aquele frio, coitada! Fui tentar ajudá-la, sai procurando alternativas e a única que encontramos foi a dela entrar pela janela do banheiro! Rs. Eles trancam todo o hostel, pois a galera que costuma sair, só retorna de manhã, quando o hostel já se encontra aberto, logo, só descobrimos isso depois. As baladas em Punta começam tarde, ou melhor, lá pelas 2 da manhã, diferente do Brasil, que inicia mais cedo.
31 de dezembro de 2008 (quarta-feira)
Acordamos, após uma relativa noite de sono. O café da manhã do hostel era irrisório. Mal tinha café preto, uns cereais velhos e uns pedaços de pseudo-melancia. Ok. Bóra tomar nosso café com o que sobrou da nossa compra. Preciso falar também do banheiro imundo do hostel. Era grande, bem arejado e iluminado, mas era sujo. O chuveiro sobre aquela banheira gordurosa e no primeiro banho ali, o box (a cortina) caiu sobre a minha cabeça. Pra variar, tinha que ser comigo. Ganhei um roxo no braço e um galo na cabeça. Rs. Superado esse detalhe!
Nosso city tour (city tour ???) sairia apenas as 14h30, portanto fomos pra praia. Esse city tour compramos ainda em SP, via internet pela agência Indoor Uruguay, pois como teríamos pouco tempo na cidade, achamos que um city tour não seria um grande pecado ou pesadelo. Pagamos por ele USD$ 20. Na praia, o dia estava nublado, ventava consideravelmente e não conseguimos entrar no mar, apenas molhamos nossos pés, caminhamos e sentamos à beira-mar para conversar. Renata e eu fizemos uma retrospectiva 2008 e compartilhamos as expectativas com a chegada do Ano Novo. Foi bem legal. Próximo ao horário, fomos até o mercado novamente (viva o Disco!) e no hostel, encontramos com o César e a Vivi (Piracicaba), conforme havíamos combinado. Ambos pagaram a taxa de USD$ 10 cada um para guardar suas coisas no hostel e tomar banho para o Reveillon, pois vinham de Montevideo apenas para a virada. Para a minha surpresa, ou desespero, eles disseram que o hostel era bacana, "muito melhor" que o de Montevideo. Fiquei com medo !! Rs ... pensei: "Ainda dá para piorar?". Afff ...
A van chegou pra nos pegar e nos levar até a agência que ficava no terminal rodoviário. Lá fizemos o pagamento e conhecemos um brasileiro muito bacana que permaneceu conosco no city tour. Depois de meia hora descobri que aquele mesmo brasileiro era o Murillo Portugal, baiano de Salvador, o qual eu mantive contato por muito tempo na época da organização da viagem, via "mochileiros.com". Ele me escreveu antes de eu viajar falando que não daria para nos acompanhar, pois ele mesmo não tinha um roteiro bem definido. Coincidência absurda! Quando descobrimos, não acreditamos. Se tivesse combinado, talvez não desse certo. Ele estava em Buenos Aires e só foi até Punta para o city tour e o Reveillon. Logo, o convencemos de ficar no nosso hostel (tomar banho e deixar as coisas).
O city tour, apesar de todo mundo abominar, foi bem bacana e nos permitiu conhecer muita coisa que, sozinhos e com pouco tempo, não conseguiríamos conhecer. O motorista contou-nos toda a história de Punta, inclusive que a violência ali era zero, praticamente uma ilha isolada do restante do Uruguai. No decorrer do passeio que dura a tarde toda, conhecemos o centro, o porto, passamos pelo comércio, os incontáveis restaurantes, lojas de grife, os tão "comuns" carros importados, os diferentes bairros, a península (quatro lados para o mar), o Farol, a praça, a costa marítima da Brava, a Mansa, casa dos famosos e os bairros residenciais de San Rafael, Golfe, Ricón del Indio e o luxuoso Beverly Hills com suas imensas mansões (família Grandene, Ménem, Maradona, jogadores da seleção uruguaia, entre outros que não me lembro e não fazem diferença).
As casas realmente chamam a atenção, inclusive pela sua arquitetura diferenciada. Fizemos algumas paradas, em lojinhas para comprar roupas de lã (sim, de lã!) e para comermos o famoso churros e a empanada em La Barra, onde temos belas praias e a ponte ondulante Leonel Vieira em formato de "M", sobre a foz do Arroio de Maldonado desde 1965. Ao passar em alta velocidade sobre a ponte, dá um frio na barriga gostoso. Passamos por Jaguel, a cidade capital de Maldonado, sua catedral, o bairro Pinares, Punta Ballena e finalmente, a tão esperada CASAPUEBLO. A entrada não estava incluída e pagamos R$ 12 (aceita R$).
Definem o ateliê de Carlos Paez Vilaró como a "grande escultura habitável". O artista uruguaio (multifacetado) começou a construção de seu ateliê na década de 50. Escolheu Punta Ballena (13 km de Punta del Este) pela beleza natural que impressiona. A idéia foi crescendo literalmente e tomando forma (ou tomando forma nenhuma!) até tornar-se o grande cartão postal de Punta del Este, desenhando parte da encosta sobre o mar, acolhendo não somente as suas coloridas obras, mas lojas, cafés e até hotel. O lugar é belíssimo e me lembrou MUITO as formas arredondadas que vi em Barcelona, quando visitei os espaços desenhados por Gaudí (outro talentoso!).
O lugar oferece uma vista privilegiada do mar e aos visitantes sortudos, que não se trata do nosso caso pois não conseguimos contemplar a cerimônia do pôr do sol por causa do tempo nublado e pelo horário, mas todos os dias, quando o sol se põe, é possível ouvir um poema escrito e recitado pelo artista em homenagem ao seu grande amigo, o SOL. A Raquel, que conseguiu viver esse momento em um outro dia, nos contou que esse momento é de fazer chorar. Deve ser incrível mesmo!
Uma curiosidade: em 2008 trabalhei com a minha turma do Estado, os poemas do livro "A Arca de Noé", de Vinicius de Moraes, e descobri mais uma versão para o poema/canção "A Casa". Além das diferentes interpretações infantis que surgiram, as oficiais se confundem entre "a casa" ser a barriga da mãe durante uma gravidez, ou então, "a casa" na verdade ser a própria Casapueblo, pois Vinicius era amigo particular de Vilaró. Enfim, ambas fazem sentido.
Após o passeio da tarde toda, seguimos pro hostel, enquanto Cesar, Vivi e Murillo foram até o porto ver os lobos marinhos. Fomos adiantando o banho e decidindo o que fazer na virada. Encontramos a Raquel que tinha acabado de chegar. Decidimos então encontrar a Caren em La Barra, pois ela estava com uma galera bem animada e todos seguiriam para a praia ver a queima de fogos. Todos prontos e frustrados, pois quem disse que deu para usarmos nossos vestidos e sandálias na praia? Ahahaah, o maior frio! E bóra colocar os "casacos da Patagônia" para o Reveillon. Muitooo "chique"! Fomos pro ponto de ônibus as 23hs e o maior receio de não conseguirmos chegar no lugar corretamente (era longe e difícil de chegar). Encontramos um argentino que nos orientou. Ônibus lotaaaaado (custa em torno de R$ 0,70) e a maior diversão dentro. Ahh, vale lembrar que há poucos táxis em Punta e nesse dia, parecia não ter nenhum circulando, os poucos estavam todos ocupados e/ou reservados. Esse era o início do drama. Nos perdemos, descemos no lugar errado, mas entramos numa loja para comprarmos as bebidas, pois era necessário cada um levar a sua. Pela confusão, Cesar, Vivi e Murillo decidiram voltar pro centro de Punta e ficar por lá, já que teria show e fogos também. Segui com a Renata e a Raquel, porque do nada surgiu um táxi. O que haviam dito ser perto, era bastante longe ainda e o táxi deu em torno de R$ 40 (facada!).
Chegamos no local, o hostel El Viajero Manantiales (Ruta 10 Km 164) em que estava a Caren era muito bacana, divertido, organizado, grande, com piscina, muito legal mesmo. Saímos de lá já para a praia, pois era quase meia noite. Era um pouco distante e fomos a pé, um vento frio, escuro e para a minha surpresa, a praia era totalmente "deserta", não tinha nada e nem ninguém, a não ser aquele monteeeee de fogos cravados na areia dando o maior medo de estourar ali na nossa perna a qualquer momento. A praia é rodeada por condomínios de luxo, de janelas grandes e sem cortinas, de frente para o mar, em que é possível ver as famílias reunidas. Confesso, neste momento me bateu a maior saudade de casa e as mensagens no celular começaram. Mandei pra todo mundo da família ! Meus pais em São Paulo, meu irmão e cunhada em Brasília. A preocupação com a saúde da minha avó. Tudo vinha à tona naquele momento. Era uma sensação estranha e diferente passar longe deles e com pessoas desconhecidas ou conhecidas em tão pouco tempo. Mas valeu a experiência! De verdade, lembrei de cada pessoa que foi especial em 2008 pra mim, tentei enviar energias boas e pensamentos positivos, para que elas se mantenham presentes comigo em 2009. Contagem regressiva, meia noite, alguns poucos fogos (a tradição dos fogos à meia noite não é tão forte assim no Uruguai), aliás, eles soltam os fogos a prazo (meia noite, uma da manhã, duas ... etc ...). Abraços, "feliz ano novo" para uma galera que eu nem conseguia enxergar o rosto, alguns desejos e pedidos pessoais em silêncio, um frioooooo danado, 7 ondinhas no mar geladoooooo e mais fotos. Ficamos em torno de uma hora e meia nessa praia, quando Renata e eu decidimos ir embora, já que a galera toda ia para outra praia, a do Bikini. E a volta foi um drama.
Voltar dali somente de ônibus e táxi. Nesse horário, os ônibus não estavam mais circulando. Ok, vamos pro plano B, TÁXI. Lembramos que os poucos que haviam na cidade, estavam reservados e/ou ocupados sei lá com o quê. Já haviam nos alertado, mas nunca imaginaríamos que enfrentaríamos tal situação. Seguimos caminhando até um restaurante chiquérrimo, em que famílias endinheiradas faziam a sua ceia de Ano Novo. Ahahahaahah e nós com aquela cara de cansadas, pés e calças molhadas das ondinhas, com areia, praticamente, um "luxo". Pedimos um táxi e chamaram por rádio. Sem sucesso. Por telefone. Sem sucesso também. Ok, não desanimamos e rumamos para a Ruta 10, a estrada que nos levaria até o centro de Punta del Este. Andamos muito, tentamos encontrar um ponto de táxi, entramos em alguns bares e restaurantes que encontramos e NADA. Perguntávamos a todos que passavam sobre os táxis e NADA. Passada uma hora, eu já estava sem esperanças de voltar e já imaginava passar a noite literalmente na sarjeta (rs!). A Rê com dor de ouvido e eu já cansada, cheguei a esticar o braço pedindo carona e o pior, só tinha carro lotado passando com um monte de "borrachos" dentro. Pânico! Pensamos em ir andando, mas vimos que era loucura! Sei lá como foi, mas pedi tanto para alguma coisa surgir e nos salvar (olha o drama!) e foi aí que apareceu o uruguaio mais bacana do mundo.
Vimos um carro com a placa "taxi libre". (Obrigada Deus!). Ok, era um táxi que não era táxi e só descobrimos isso depois. Entramos e falamos nosso destino, quase agradecendo de joelhos por ele ter aparecido naquele fim de mundo e naquele frio inimaginável. Ele foi muito simpático, era jovem e foi conversando conosco, sempre muito educado. Eu falava mais que a boca, pois estava nervosa e precisava falar. No papo descobri que ele era filho de um taxista, que ele estava voltando de uma festa, indo buscar uma pessoa não sei onde, que o "táxi libre" era apenas uma coincidência e ficou todo sem graça quando viu a placa acesa, pois o carro era do pai dele, que NUNCA cobraria de nós, pois ele quis ser gentil em nos oferecer realmente uma carona, pois percebeu nossa aflição ali na ruta. Ok, minha ficha foi caindo literalmente, pois o cara CAIU DO CÉU. Afinal, nem estávamos mais preocupadas em pagar mais de R$ 60 de táxi até o centro, só para sair daquele lugar. Mas ofereci o dinheiro e ele não aceitou. Incrível ! Ele só apareceu para nos ajudar! E foi tão educado que não estamos acostumadas com pessoas que fazem o bem de fato, sem querer nada em troca. Sério, o uruguaio nos levou até o centro de Punta sem cobrar N-A-D-A !!! E no maior respeito do mundo, para quem acha que ele estava com segundas intenções. Enfim. Renata e eu olhávamos uma pra outra sem acreditar.
Depois de tanta história, chegamos ao centro, lotado daqueles "adolescentes-emo-bêbados" por todos os lados. Decidimos comer, pois não tinhamos comido nada. Entramos na Confiteria IlGreco e pedimos o famoso "pancho" que lá em Punta chamava-se "frankfurters mixto" (ahahah!), na verdade, não passava de um cachorro quente enorme coberto de queijo. Aquele foi o "pancho" mais gostoso que comi na viagem inteira e olha que não foram poucos! Pagamos por uma coca-cola + pancho = URU$ 170 (R$ 17,00). E nosso Reveillon acabou por ai.
Ao chegar no hostel, encontramos os três (Murillo, Cesar e Vivi) em nosso quarto, já que os australianos deviam estar na farra por aí. Vivi e Murillo dormindo e o Cesar sonolento. Bóra trocar de camas e como a Raquel não voltaria pro hostel, deixamos o Murillo dividir a cama dela com o Cesar e a Vivi ficou dormindo na cama do australiano até ele surgir pela manhã. César e eu ficamos conversando, contando nossas histórias da virada, tivemos crise de riso, até eu ficar muda e ele perceber que eu tinha dormido de fato. Rs! Só me lembro do barulho no quarto pela manhã, pois os australianos chegaram e tava aquela zona no quarto. Os três levantaram e cada um seguiu para onde deveria (Murillo pra Buenos Aires e Cesar e Vivi para Montevideo). Nem nos despedimos do Murillo, mas já falei com ele agora nessa volta, já o Cesar e a Vivi, nos encontraríamos ainda em Montevideo.
PUNTA DEL ESTE
01 de janeiro de 2009 (quinta-feira)
Renata e eu acordamos super tarde. Nem aquele café bizarro do hostel tinha mais. Comemos o que tinha sobrado do mercado mais uma vez e encontramos a Raquel, que tinha acabado de chegar da virada. Nos organizamos pra fazer o "check out" (já tinhamos acertado antes!) e pedimos uma carona para o Federico até o terminal, já que não havia táxi, nem ônibus, NADA naquele 01 de janeiro. Havíamos combinado de pagar o valor referente ao táxi, mas ele quis dar uma de esperto e nos cobrar bem mais. Ficamos bravas ao sair do carro e ele se irritou absurdamente conosco. Enfim, nem pagamos! Uhuuu! Cara chato! Hostel nojento! Uma orgia absurda ali dentro, se formos contar TODAS as histórias daquele hostel, não caberia no blog e ninguém mais reservaria quarto lá. Ou reservaria, dependendo do perfil bizarro de cada um. Mas NENHUMA de nós gostou. Não recomendamos ROGER´S HOUSE PUNTA DEL ESTE! O bom dessa história toda era que o pior estava ali, logo, qualquer hostel que viria depois, seria um hotel 5 estrelas. Mas o pior é que não foi. Tivemos um pior. O de Bariloche, mas fica pra depois, quando chegar na Argentina, eu conto.
Deixamos então nossas bagagens no "guarda-maletas" da rodoviária (URU$ 50 = R$ 5) e fomos procurar um lugar decente para almoçar. Sim, decente, afinal, merecíamos. Nem lembro o nome do lugar, mas passamos (Raquel, Renata e eu) um almoço muito agradável, conversando sobre as mais diferentes coisas, sem compromisso com nada, sem preocupação e não gastamos mais de R$ 30 por um refrigerante e uma "pizzeta" (não lembro o valor exato). Depois, ainda nos demos o "luxo" de tomarmos um sorvete FREDDO, mas pelo valor alto de cada bola, resolvemos dividir entre nós três (ahahah!). Ficamos passeando ali pelo centro, fomos até o Porto, o píer, vimos os lobos marinhos fazendo graça, não conseguimos visitar a Ilha de Caras (conforme queríamos) porque não tinhamos tempo suficiente, mas rodamos bastante ali pelo centro até dar o horário de irmos pra Montevideo. Renata e eu compramos nossa passagem (URU$ 133 = R$ 13,30, via COT) e nos despedimos da Raquel, que decidiu não ir pra Montevideo e ficar mais dias em Punta del Este. Compramos para as 19h30 e chegamos no Terminal Tres Cruces em Montevideo, quase 22hs.
Por fim, adoramos Punta del Este, tirando o fato do hostel ser um LIXO ao quadrado. Além disso, venta muito na cidade e é muito frio de noite, sem falar que é tudo muito caro (não falei que um copo de suco sai por volta de R$ 8 num lugar mais ou menos). No entanto, a cidade vale a pena pois as praias são bonitas, as pessoas são agradáveis e belíssimas, há muita opção para divertir-se, a visita a Casapueblo é indispensável e o glamour que ronda a cidade é real. Para economizar na comida, vá ao mercado, pois compensa. Pra quem gosta, fica a dica!
MONTEVIDEO
01 de janeiro de 2009 (quinta-feira)
Chegamos em Montevideo umas 22 horas e o Terminal Tres Cruces é muito bacana. Bonito, grande e com comércio movimentado. Muita gente, durante as pesquisas e organização do roteiro, insistiu que Montevideo não merecia mais que um dia, pois dava pra conhecer tudo em poucas horas, já que afirmam que a cidade é feia, suja e sem graça. Injustiça!
Montevideo é a capital e maior cidade do Uruguai, bem como a sede administrativa do Mercosul (agora entendi as placas no aeroporto!) e da ALADI (Associação Latino-Americana de Integração), mas trata-se de uma cidade muito pequena e aparentemente, decadente. Somente carros antigos, quase não se vê carro importado (diferente de Punta del Este) ou carro novo. Arquitetura antiga e em péssimo estado. Está localizada às margens do denso Rio da Prata e possui um grande e importante Porto. Nos disseram que a capital possui menos de 2 milhões de habitantes, correspondendo a aproximadamente metade da população total do país. Considerando essas informações, o Uruguai tem tanta gente quanto a Zona Leste de São Paulo !!! (meu Deus, como São Paulo é grandeeeee!). Também é considerada uma boa cidade para se viver, pois dizem que esta se encontra entre as cidades mais seguras do mundo! (detalhe, fui furtada em Montevideo! Ok, conta outra!).
Do terminal, pegamos um táxi até a Plaza Independencia (URU$ 60 = R$ 6), local onde encontrava-se o nosso segundo hostel. Estávamos ansiosas e falávamos o tempo todo disso, afinal, após o de Punta, qualquer coisa seria muito melhor. Do terminal até a praça, notamos que não tinha ninguém nas ruas. Por ser feriado, nada fica aberto, nem farmácia. Assustei-me de início. Muita sujeira nas ruas, muito papel, logo perguntei ao taxista o motivo de tanto papel na rua e fui informada que por ser ano eleitoral, há muitos "santinhos" espalhados pelo chão (igual ao Brasil!). Além disso, depois percebemos (só no dia seguinte!) incontáveis CALENDÁRIOS rasgados, picotados, em decorrência da virada (acho que deve ser comum isso por lá!), no chão da rua. Mas de forma geral, a cidade agradou.
Chegamos em nosso segundo hostel CHE LAGARTO (http://www.chelagarto.com), que fica bem ao centro, na própria Plaza Independencia que é considerada a mais importante do país, pois é lá que está um dos portões da antiga muralha que cercava a cidade no período colonial. Além disso, é ali que começa a principal avenida da cidade, a famosa (pelo Carnaval de 40 dias!), Avenida 18 de julho, onde se concentra também todo o comércio. A localização é ótima, temos ônibus saindo para todos os lados, no entanto, Montevideo não possui metrô, até porque, nem precisa (rs!).
Ao fazermos o "check in", SURPRESA! (estamos acostumadas com as "surpresas"). Não havia reserva em meu nome. Lógico, prevenida, estava com o papel de todas as reservas (aquele monte de papel tinha que me servir de algo!). Mostrei ao recepcionista, Juán, e com a maior cara deslavada disse-me que haviam cancelado, em decorrência da desistência da Jana (que eu já falei antes que desistiu de Punta e só chegaria em Buenos Aires). Entenderam, assim como os "Roger´s", que era para cancelar a reserva toda. Mas como eu havia levado todos os emails que trocamos, logo, nós ficamos com a razão. Arrumou um quarto rapidinho, e melhor ainda, um quarto PRIVADO, ou seja, só para Renata e eu. Não era suíte, mas o banheiro era bem ao lado e muitoooo limpo e organizado. O hostel é bacana, grande, com infra-estrutura razoável. Gostei muito e a Rê também. Ficamos super empolgadas com o quarto, aconchegante, espaçoso, roupa de cama limpa e varanda para a Praça, o que mais queríamos? Dormiríamos decentemente. Mas aprendi que não podemos nos empolgar tanto e nem elogiar demais. (conto mais no capítulo do dia 03/janeiro ...)
Organizamos nossas coisas, tomamos um banho e na recepção já havia um bilhete do César e da Vivi, com o endereço do hotel (sim, hotel, porque eles são muito chiques!) para nos encontrarmos. O hotel Los Angeles ficava na Av. 18 de julho, logo, era pertíssimo. Fomos para lá, já era tarde, tudo vazio, mas realmente, não me senti insegura estando ali no centro. A Vivi já estava dormindo, mas o César desceu conosco, porque estávamos malucas de fome. Fomos na "Il Mondo de lla Pizza", um lugar bacana e o único aberto e com pessoas dentro (rs!). Lugar gostoso, comida boa, preço excelente, pois pedimos duas pizzas + refrigerante (para 3 pessoas), gastamos o total de URU$ 374 (R$ 37,40). Voltamos pro hostel, ficamos lá no bar conversando, onde tem sinuca, mesinhas e internet, quando a Rê pediu para escrever no blog. Como salvei os arquivos, segue abaixo o relato dela feito às 2 da manhã lá em Montevideo, antes de nos despedirmos do César e irmos dormir:
"Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009
¿¿¿ Hola, que tal ???
Estamos aqui em Montevideo, chegamos hoje a noite (01/01/2009) e estamos ansiosas para conhecer a cidade, apesar do Cesar e da Vivi terem falado que a cidade é péssima (velha, suja, mal cuidada e com povo feio), continuamos com muita esperança de que a cidade seja linda e contrarie a opiniao do Cesar. Saimos para comer pizza (eu, Vanessa e Cesar) e estamos amando a cidade, - "muy bella" - lembra algumas cidades da Europa ...rsrs ... e o Cesar continua achando que estamos fora da realidade! A viagem começou muito bem, chegamos dia 30/12/2008 em Punta del Este e ficamos completamente apaixonadas pela cidade. Ficamos "um pouco" frustradas com o hostel de Punta (Roger's House) mas tudo bem, faz parte dessa aventura e Punta foi surreal. Conhecemos a cidade em um city tour muito bacana que terminou na Casapueblo, nao tenho palavras pra descrever este lugar maravilhoso ficamos encantadas com o "por do sol" (em breve fotos). Bem... agora estamos aqui no Che lagarto em Montevideo, ansiosas para que o dia amanheça para conhecermos melhor a cidade... Buenos Aires está chegando e vamos todos nos encontrar... até...
Beijos
Renata Bontempo"
MONTEVIDEO (URUGUAI)
02 de janeiro de 2009 (sexta-feira)
Acordamos e a vista da nossa varanda era ainda mais linda de dia! Isso deu um ânimo absurdo. Tomamos aquele café da manhã gostoso. O hostel tem café incluído e não se trata de café preto e cereais velhos, temos pão francês com presunto e queijo, bolo, doce de leite, manteiga, café com leite e suco. A diária saiu por USD$ 15 (mesmo com a mudança de quarto para um melhor). O César e a Vivi foram até lá nos encontrar e saímos juntos para conhecer um pouco da cidade a pé, até a hora do nosso city tour (city tour de novo????? Sim!). Assim como em Punta, devido ao pouco tempo reservado pra cidade, resolvemos comprar um city tour na mesma agência (Indoor Uruguay) ainda em São Paulo. Pagamos USD$ 24. Teríamos tempo até as 14h30, horário marcado no hostel com a agência.
Demos uma volta na Plaza Independencia (logo abaixo), vimos o Palacio Salvo, o Mausoléu preto de mármore de Artigas (político e militar uruguaio), coberto por uma estátua enorme do herói nacional, o Portão da Ciudad Vieja (Cidade Velha), Mercado del Puerto (Mercado do Porto), o centro, feirinhas, lojas de souvenir (comprei vários souvenirs bem legais, cartões-postais pra minha coleção, ímã de geladeira e camisetas pra mim e pra família, mas não tenho mais nada!), Torre de Telecomunicações (me senti em Dubai! rs!), Museu do telefone, Teatro Sólis, Catedral (Igreja Matriz), Palácio Legislativo (belíssimo aí ao lado/acima!), enfim, andamos bastante por diferentes lugares e decidimos almoçar no "Mercadão" e subir no mirante da Torre das Telecomunicações.
No entanto, devido ao horário, a Rê e eu não poderíamos fazer a subida guiada pois estaríamos no city tour! (rs!). Sentados no restaurante do mercadão, combinamos de não fazer o city tour, mas resolvi ligar para avisar e saber dessa possibilidade, pois estávamos em cima da hora e ainda nem tínhamos feito o pedido do almoço. Ok, o dono do lugar me deixou ligar, falei com a agência, avisando que estávamos no centro e que não poderíamos chegar a tempo no hostel, pois era um pouco distante. O cara insistiu e disse que nos pegaria ali no mercado mesmo, inclusive me pediu para descrever como eu estava vestida e que não tinha problemas. Marcou o horário. Fim das contas, tínhamos meia hora para pedir e engolir a comida. Como o almoço ali era especial, não fizemos esforço algum para estarmos no horário e disfarçava toda vez que aparecia alguma pessoa procurando alguém. Pedimos pratos individuais, com carne, batatas (bife de chorizo e papas fritas, acho que era isso!), arroz e salada. Mais o courvert e as bebidas, saiu para cada um URU$ 350 (R$ 35). Achamos caro, mas valeu a pena pelo contexto. Eis que no meio da refeição, surge o cara da agência chamando por "Vanessa Aguilera". Afff! Ninguém merece, ele me achou mesmo! E ficamos enrolando ali mais um pouco, mas quando nos despedimos do Cesar e da Vivi, percebemos que o micro-ônibus (ahhh esssa nova e estranha regra ortográfica!) nos esperava com um bando de gente dentro furiosa (rs!). Não imaginávamos que estavam todos ali, que só faltava a gente. Entramos e um colombiano reclamou (azar o dele!). Brincadeira, ficamos sem graça.
Rumamos aos mais variados pontos turísticos da cidade, aprendemos um pouco da história e apesar deles passarem por vários pontos que já havíamos visitado pela manhã, outros lugares foram bem bacanas de conhecer. Fomos até o belo e romântico bairro "El Prado", com mansões charmosas, ruas arborizadas e clima tranquilo.
Fomos conhecer o Estádio Centenário do Uruguai (adorooo!), que foi fundado em 18 de julho de 1930, em comemoração ao primeiro centenário da Independência do país. Nesse mesmo ano, o Uruguai foi sede do primeiro campeonato mundial de futebol, utilizando o estádio como principal campo de jogo. Preciso dizer que durante o passeio, perceberam que a Rê e eu gostávamos de futebol e encheram o nosso saco devido à final da Copa do Mundo de 1950, em que a selação uruguaia calou o Maracanã ao vencer surpreendentemente o Brasil por 2x1. O cara da agência até narrou e colocou o hino no rádio (acho que isso faz parte do city tour, afinal, tem sempre brasileiro no meio!). Que mala! Meu, eu nem tinha nascido!
Conhecemos o Cerro de Montevideo, que é o lugar mais alto da cidade, um mirante natural belíssimo, que dá uma visão privilegiada de toda a cidade, bem como a Fortaleza del Cerro, que foi a última construção espanhola erguida no Uruguai, localizada no topo do Cerro, onde também funciona um Museu Militar.
Passamos pelo Jardim Botânico, pelo famoso Monumento a La Carreta, considerado o monumento mais bonito da capital uruguaia, feita por José Belloni, onde o artista ressalta os músculos dos bois em pleno trabalho e esforço (estava em reforma, mas não vimos nada demais nele!). Visitamos os bairros residenciais de Carrasco, Punta Gorda e Pocitos, percorrendo a charmosa "Rambla" (orla marítima), onde é possível contemplar as belas praias às margens do Rio da Prata. Pocitos é famoso por ser um bairro de classe média-alta, considerado o "bairro da moda", pois nele encontramos diversos cafés, restaurantes e lojas caras. Não tivemos a oportunidade de entrar no "mar" em Montevideo, pelo pouco tempo e até porque, estranhamente, venta muito e é bem gelado. Enquanto curiosidade, não sabia e aprendi, o Uruguai é o único país não lusófono, em que o ensino da língua portuguesa é obrigatório, sendo ensinado a partir do 6o. ano de escolaridade. Eu me lembrei de ouvir isso durante as explicações do guia e agora, ao procurar, constatei que é verdade. Por isso, todos nos entendemos muito bem no "portunhol" e eles dizem algumas coisas como nós, brasileiros, como o "TCHAU!", "OBRIGADO!", "DE NADA!".
Aproveitei também para tirar a minha dúvida a respeito da Torre das Telecomunicações, pois a construção é MUITO PARECIDA (eu nunca estive lá, mas todo mundo conhece!) ao Burj Al Arab de Dubai, onde tudo é no superlativo. Perguntei qual tinha sido construído primeiro, quando foi construído, etc. Conforme o guia disse, a construção da Torre fez parte de um plano para modernizar Montevideo, principalmente a região do Porto e as obras iniciaram ainda no final da década de 80. Já o hotel de Dubai foi iniciado por volta de 1994 e levou uns 5 anos para ser finalizado. Pelo que eu entendi, no entanto, não encontrei nenhuma pesquisa ou informação a respeito, já existia o projeto do Burj Al Arab e pediram permissão a Tom Wright (arquiteto responsável) para construírem algo semelhante na capital uruguaia e fizeram, então, um acordo amigável. Eu não engoli muito bem essa história, mas não muda nada, afinal, é muito parecido, mas não é igual, FATO! Vejam as fotos e observem a semelhança ou não (posso estar viajando!).
O ponto "fraco" do city tour, ou melhor, o ponto alto é que no início do passeio, entrou um jovem e tirou uma foto do rosto de cada turista. Já imaginava que eles fariam alguma surpresa no final, como em qualquer lugar. Chegando ao final, já nem me lembrava, surge o mesmo jovem com um "presente de grego", na verdade, nem presente era, era uma PIADA DE MAU GOSTO, como disse a Renata. Eles colocaram uma foto nossa no corpo de uma dançarina de CANDOMBE (conheça em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Candombe), que mais parece uma "passista" de escola de samba carioca. Uma montagem TOSCA, que quando abrimos o encarte (com um pouco da história do Uruguai), ficamos ruborizadas. Olhamos uma para a outra e não acreditávamos naquilo. Era ridículo! Começamos a rir e o pior de tudo é que TODO mundo comprou, nos sentimos intimadas a comprar (sim, tivemos que pagar pela piada!). URU$ 150 (R$ 15) por uma foto que envergonha. A Rê, revoltada, comprou e logo rasgou para ninguém mais ver. Eu ainda guardei a minha para contar história, pois é muito engraçado. Ficamos imaginando as fotos de todos os turistas daquele city tour, dávamos risada quando imaginávamos o colombiano, ou o inglês que ali estavam, do que estavam vestidos? Ahahhahahaahah ... ai ai ...da próxima rasgo e não compro!
Finalizado o city tour, nos deixaram em nosso hostel e seguimos para a Av. 18 de julho encontrar com o Cesar e a Vivi. No caminho, notamos as várias lojas em promoções (realmente, estava tudo MUITO barato, não é papo de mulher!). Em decorrência do fim de ano, o Natal ter passado, etc. etc., estava tudo na promoção e entramos na incrível loja "Chic Parisien" (http://www.chicparisien.com/). Sério, se tivesse uma loja dessa aqui em São Paulo, eu me acabava. Pelo preço, pela qualidade e pelos modelos incríveis que lá encontrei. Entramos na "INDIAN OUTLET". Pra quê, né? Blusinhas lindas a R$ 6, casacos de "couro" por R$ 120,00, vestidos indianos e não indianos por R$ 20, sem falar nos lenços bordados de pescoço, as bolsas. Ok! Renata e eu fizemos umas boas compras. Valeu muito a pena (mais ou menos, depois conto o que acabou acontecendo com meus souvenirs e minhas compras!).
Acabou ficando tarde, voltamos pro hostel para tomarmos banho e só fomos encontrar o César mais tarde. Fomos tomar um sorvete e ficamos sabendo que a Vivi havia desistido da viagem e decidido voltar pra Piracicaba. O César acabou mudando os planos e optou por não voltar a Punta del Este (apenas visitar no dia seguinte) e seguir conosco para Buenos Aires no dia 04/janeiro. Ficamos tristes pela Vivi e felizes pela companhia do César na Argentina, já que ele já conhece bastante coisa e seria o nosso guia, a nossa "Tia Stella" (*interna). Ficamos conversando, fomos nos despedir da Vivi no hotel e fomos dormir, já que no dia seguinte acordaríamos cedo. Rê e eu passaríamos o dia todo em Colonia del Sacramento e o César em Punta del Este.
COLONIA DEL SACRAMENTO
03 de janeiro de 2009 (sábado)
Acordamos cedo, tomamos nosso café, encontramos o César e seguimos de ônibus até o Terminal Tres Cruces. É muito fácil pegar ônibus em Montevideo, há muitas opções e assim como todos os ônibus que pegamos na viagem inteira, não possui cobrador, geralmente o motorista faz a cobrança ou então existe uma máquina para você colocar as moedas (sim, as moedas vivem em falta nesses lugares!). Mas na grande maioria das vezes, o motorista acaba fazendo tudo. Não sei se é regra essa história de cobrador, mas não vi nenhum nos 35 dias de viagem.
No terminal, Rê e eu compramos nossas passagens para Colonia del Sacramento (URU$ 165 = R$ 16,50, somente a ida) e a viagem dura pouco mais de 2 horas. Há saídas de hora em hora, logo, não precisa comprar com antecedência. O César seguiu para Punta del Este e comprou sua passagem para Buenos Aires, via Buquebus, para o mesmo horário que o nosso. Nos despedimos e combinamos de nos encontrar de noite.
Dormimos a viagem inteira, só acordamos no terminal da cidade. Um calor absurdo, um sol de rachar e bóra acharmos o "informações turísticas" para pegarmos os mapas. Com o mapa em mãos, demos uma volta na cidade, vimos o Porto (de onde partem os "buquebus" à Buenos Aires) e seguimos até o portão da Cidade Histórica (Puerta de la Ciudadela, 1745). Atravessando, entramos no bairro histórico, em que o trânsito de veículos não é permitido. No entanto, é possível alugar umas motocicletas (pequenas) para conhecer a cidade, que não é muito grande. Acredito que em um dia, se conheça muita coisa. Para quem conhece, lembra bastante a cidade de Paraty, no Rio de Janeiro.
É bastante turística e por ser sábado, estava bem lotada. Caminhamos pelas “calles”, visitamos a famosa rua de pedras Calle de los Suspiros, em que pudemos observar as construções diversas e mais antigas, entramos em algumas galerias de arte, estivemos nos mirantes ao longo das margens do rio, fomos ao Puerto de Yates (Yate Club) e de lá tivemos uma vista belíssima e vimos os Bastiones (antigas fortificações da época colonial que fizeram parte da muralha defensiva da cidade). É possível comprar um ingresso único URU$ 50 (R$ 5) vendido nos Museus Municipal e Português, que permite visitar não somente esses dois, mas todos os outros museus (Azulejo, Indígena, Casa Nacarello e Arquivo Regional). O ingresso permite a entrada somente para o dia.
Conhecemos a Plaza Mayor, o Farol de Colonia (paga-se aproximadamente R$ 2 para subir). Esse episódio da subida foi muito engraçado (algumas "internas" precisam ser compartilhadas!), talvez contando agora não tenha a mesma graça que na hora, pois eu chorei de rir. A Rê, ao ver a placa de preços leu "uruguaio" e "argentino", sem notar que tratava-se da variação de preços conforme a moeda (peso uruguaio e peso argentino). Precisavam ver a cara dela, toda espontânea e frustrada me dizendo para voltar, pois "brasileiros" não eram permitidos subir, somente os "argentinos" e "uruguaios". Ahahahaahhaaha, até o guardinha que cobrava lá começou a rir. Ai Renata! Só você! Lá do alto, temos uma vista muito bonita da cidade, bem como do rio e bem ao fundo, a sombra do continente, onde é possível visualizar o formato de Buenos Aires.
Conhecemos o Convento de San Francisco e Iglesia Matriz de Colonia, a mais antiga igreja do país, que começou a ser erguida em 1680. Além da parte histórica, Colonia del Sacramento possui muitas lojinhas e galerias de arte espalhadas, bem como restaurantes variados, oferecendo o menu do dia variando entre a típica parillada e frutos do mar. Resolvemos almoçar e sentamos no charmoso “El Drugstore”, com sua decoração colorida e cardápio variado, oferecendo pratos temáticos, inclusive, fiquei maluca para comer comida japonesa, mas realmente era caro. Algo em torno dos R$ 45. Sem condições. Ficamos olhando outros pratos e aguardávamos o atendimento que em mais de 10 minutos, não veio (acho que estávamos com cara de quem não iria pedir nada mesmo!). Resolvemos sair e procurar outro lugar. Para não comermos as típicas empanadas a preços convidativos, encontramos um restaurante bacana, com mesinhas ao ar livre, mas não me recordo o nome do local. Uma pena, pois pagamos barato (URU$ 150 = R$ 15) um prato de massa + bebida e estava uma delícia.
Coincidência, mas a Raquel nos encontrou ali. Tinha vindo de Punta del Este fazia pouco tempo, deu umas voltas e nos encontramos. Se tivesse combinado, talvez não nos encontraríamos. Almoçamos as três juntas e ela decidiu que ao invés de voltar conosco para Montevideo, tentaria hospedagem ali mesmo.
Terminamos o almoço e seguimos com ela para encontrar um lugar. Após várias tentativas frustradas, pois a cidade estava lotada, encontramos um hotel em que os donos eram incríveis. Como também estava lotado, eles disponibilizaram os quartos da casa deles a um preço inferior. A casa era “A CASA” e assim que a Raquel fechou o preço, a dona nos levou até lá de carro, nos fez entrar para mostra-la (onde ela morava com os filhos e marido!), o quarto era fantástico, com suíte, TV, enfim, era perfeito. Muito simpática, deu a chave da casa para a Raquel e ainda nos levou até a rodoviária, já que partiríamos em breve. Nunca vi igual! Um pessoal receptivo, bacana e muito do bem. Confesso que estranhei, afinal, aqui em São Paulo, seria impossível você dar a chave da sua casa a qualquer um. Até para conhecidos você tem receio. É, que mundo maluco esse! Na rodoviária, nosso ônibus partiria por volta das 20hs, e como o sol estava alto ainda e tínhamos um pouco de tempo, demos uma outra volta na cidade (fora da cidade histórica). Visitamos a prefeitura, o estádio, as praças, etc. Retornamos pro terminal e partimos para Montevideo. Do terminal rodoviário de Montevideo, pegamos um ônibus até a Plaza Independência (R$ 1,30 aproximadamente).
Particularmente, Colonia del Sacramento me surpreendeu. Decidimos dormir em Montevideo e não lá, pois não imaginávamos o quanto agradável seria. O Cesar já a conhecia e nos disse que não tinha muita coisa a se fazer e que um dia também era suficiente. Realmente, um dia é suficiente para você conhecer e entender a história do local, no entanto, GOSTEI MUITO e recomendo. Eu ficaria mais um dia pelo menos, pois é tudo muito charmoso, o clima e as pessoas são muito bacanas. Além disso, queria realmente ter feito o esquema de TODOS os museus, mas visitar a todos não dava. Fica a dica, a cidade vale a pena!
Bom, chegando ao hostel, mais um drama! O recepcionista já nos recebeu com uma história estranhíssima que não colou. Resumindo, nos disse que nossa reserva tinha caído, que todas as nossas coisas foram mudadas de quarto e que como o pessoal não veio, eles retornaram nossas coisas pro mesmo quarto. Ou seja, NADA A VER! Achei estranho, reclamei e subi sem entender nada. Chegando lá, a porta estava destrancada (sendo que levamos a chave conosco!), a varanda idem e nossas coisas todas reviradas, fora de lugar, coisas pessoais minhas nas sacolas da Renata, uma verdadeira bagunça. Já surtei ali e achávamos tudo muito estranho. Comecei a olhar e já dei falta, de início, de uma jaqueta de couro que eu tinha comprado no dia anterior. Estava embalada, dentro de uma sacola da loja, fora da mala (que estava trancada). A princípio, foi a primeira coisa que dei falta. Já fiquei “cega” e desci com a notinha fiscal na mão (sorte que eu sou muito chata e guardei tudo!). Expliquei o que tinha acontecido, que tinha achado essa história estranha e que havia sumido minha jaqueta que acabara de comprar. Falei que ia sair pra jantar e que quando voltasse, queria ela lá, afinal, já que mudaram e mexeram em nossas coisas sem nosso consentimento, poderia estar em um outro quarto. Ok, Rê e eu seguimos pra encontrar o César e “jantamos” no Mcdonalds (aproximadamente URU$ 120 = R$ 12) um lanche. Diferentemente daqui, a rede no Uruguai possui poucas opções, pelo que eu me lembro, são apenas quatro, enquanto no Brasil, já nem sei a variedade! Mas isso é o de menos, voltemos à história. Contamos o acontecido ao César e voltamos pro hostel, já que bem cedo, sairíamos todos rumo à Buenos Aires.
Chegando no hostel, nada de encontrar, afinal, o recepcionista era outro (Fabrício) e era novo ali, coitado, era seu primeiro dia de trabalho cobrindo a noite, ele não estava de tarde quando a bagunça aconteceu. Falei para ele tentar resolver, ligar pro responsável, caso contrário, chamaria a polícia. Eram 2 da madrugada. Subi, reviramos todas as nossas coisas e descobrimos que sumiram alguns outros itens, justamente os que estavam fora da mala que estava trancada. Afinal, todas as coisas de valor foram conosco, a mala ficou trancada, mas as sacolas, nem imaginaríamos que roubariam ímãs de geladeiras, cartões-postais, chinelo, perfume, etc. As nossas compras do dia anterior (não adiantou nada pegarmos as promoções!), todos os meus souvenirs (ou souvenires? ahh sei lá!) do Uruguai (camisetas, postais, ímãs, chaveiros, etc) que estavam separados numa sacolinha fechada, meu perfume novinho de dentro da minha necessaire, as bolachas que levei (Clube social! Ahhhh que fim roubar bolacha!), o celular da Renata (que estava embaixo do travesseiro! Como sabiam?), as havaianas (chiquérrimas!) com piercing dela, enfim, coisas que parecem sem valor, mas se somarmos ($$$) dá um prejuízo considerável. Ok, anotei tudo, o que eu tinha de nota fiscal eu separei e chamei a polícia depois de muito custo. Eles foram rápidos e chegaram em 1 minuto, causando no centro. Affff ! Contamos o que tinha acontecido, as histórias absurdas, os sumiços, etc. Relatamos tudo, fizemos a “denuncia” (nosso B.O. aqui), eles queriam revistar todos os quartos, mas naquela altura, não encontraríamos nada, depois de muito tempo chegamos ao consenso de que pela manhã eles estariam lá bem cedo para interrogar os funcionários responsáveis pela limpeza e me fazer perguntas. Disse ao policial que se a história não se resolvesse ali, levaria adiante até Buenos Aires (já que ficaríamos no Che Lagarto também!) e sairia sem pagar as nossas 3 diárias (USD$ 42 total para cada uma). Nem consegui dormir, pois já era tarde, cochilei, tomei banho, tomei café e aguardei a polícia chegar ou alguém me dar uma satisfação. NADA! Perguntei aos responsáveis que atitude eles tomariam e ainda seguiram duvidando da minha versão e não queriam me deixar ir embora enquanto eu não pagasse e a polícia não chegasse. Fiquei maluca! Discutimos ali e falei que se não me deixassem ir embora, eles também pagariam o valor do BUQUEBUS de 4 pessoas, já que estávamos em cima de hora. Nada foi resolvido, peguei nossas coisas, chamamos um táxi e seguimos pra encontrar o César no hotel que já nos aguardava preocupado pelo atraso. Saímos sem pagar e deixei para resolver a história com o possível “dono” da rede em Buenos Aires. Queria só ver!
ATUALIZANDO: antecipando o fim dessa história, ninguém em Buenos Aires se responsabilizou, afinal, são gerências diferentes, mas me passaram o email do grande responsável pelo Che Lagarto e este me disse que estávamos erradas em sair sem pagar, mas "que entendia o nosso lado". No entanto, se eu quisesse resolver mesmo, que eu voltasse à polícia de Montevideo para fazer nova denúncia e ficasse para os esclarecimentos. Ai eu me pergunto: vale a pena voltar pra lá e levar a história adiante? Não, afinal, não queria mudar os meus planos e estragar a minha viagem. Assumimos o prejuízo e alertamos aqui para o CHE LAGARTO MONTEVIDEO. Muito cuidado, eles podem modificar suas coisas de lugar e depois você se dar conta de que coisas sumiram! Não recomendo, apesar de ter elogiado TANTO na postagem anterior.
UM POUCO DE HISTÓRIA
Colonia del Sacramento é a cidade mais antiga do Uruguai, além de ser a capital da província de Colônia. Está localizada a aproximadamente 177 km de Montevideo e uns 45 minutos de barco de Buenos Aires, às margens do Rio da Prata e é uma das poucas cidades da região que ainda conserva grande parte de sua história. Possui localização estratégica, logo, foi alvo de muitas batalhas protagonizadas por duas potências européias expansionistas que disputavam o domínio das terras do Novo Mundo. A cidade tem origem na antiga cidade de Colônia do Santíssimo Sacramento fundada em 1680 por Manuel Lobo, a mando do Império Português no século XVII. A área onde localiza-se a fundação portuguesa, hoje faz parte do Centro Histórico, reconhecido pela UNESCO (1995) como Patrimônio da Humanidade. Foi fundada por portugueses e disputada décadas pelas coroas da Espanha e Portugal, tornando-se um reduto de estilos arquitetônicos, ora com suas construções de estilo colonial português, representadas pelas casas de pedra com telhados de duas e quatro águas, ora misturando-se com as casas de tijolos de açotéia (mirantes) clássicos da típica arquitetura espanhola. (Fonte: wikipedia)
Fiz uma viagem de 35 dias pela América do Sul em janeiro de 2009, passando por Uruguai, Argentina e Chile. Comecei a montar o roteiro e procurei cia. via "Mochileiros.com". Montamos um grupo MUITO bacana e seguimos em meio à crise e aos preços em alta por todos os cantos. Montei um blogue, no entanto, um dos editores me sugeriu postar os relatos aqui. Vou postando pouco a pouco, pois o tempo anda curto, mas espero contribuir. Qualquer dúvida, ajuda, etc., fiquem a vontade para escrever e/ou me adicionar: vanessa.aguilera@hotmail.com. O blogue, para ver todas as fotos, http://www.aguilera13.blogspot.com.
Iniciarei o relato por Punta del Este, Montevideo e Colonia del Sacramento ...
------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
INFORMAÇÕES
Partida: 30/12/2008
Retorno: 02/02/2009
Tempo total: 35 dias.
Países: 03 países
Cidades: 16 cidades
Lugares visitados: Punta del Este, Montevideo, Colonia del Sacramento, Buenos Aires, Córdoba, Mendoza, Santiago, Vina del Mar, Valparaíso, Pucon, Puerto Varas, Puerto Montt, Bariloche, Villa Angostura, El Calafate, Ushuaia.
SÃO PAULO - PUNTA DEL ESTE
30 de dezembro de 2008 (terça-feira)
"Preciso dizer que nem dormi na noite do embarque? Preciso dizer também que aos 47 minutos do segundo tempo, eu não tinha terminado de arrumar as minhas coisas? Pois é. Meses de organização e preparo, mal consegui organizar as minhas coisas básicas. No fim, uma mala enorme, lotada de coisas que pouco usei (pra variar!), planilhas, reservas, passagens aéreas e rodoviárias, inúmeros papéis impressos, livros, músicas, muitas roupas de frio (se eu soubesse exatamente o que me esperava, eu mudaria essa parte!) e poucas roupas de calor, muitas expectativas e um grande frio na barriga!
O nosso voo (agora voo é sem acento, blahh!) partiria do Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP) às 9h15 com previsão de chegada a Montevideo às 11h50. TAM, sem escalas. A Renata veio de Belo Horizonte e hospedou-se um dia antes na casa da Caren, em SP, para não ter erro. De manhã, as encontrei e seguimos pro Aeroporto. Fizemos check in, nos despedimos dos meus pais e tomamos café por lá mesmo. Nosso voo não atrasou e foi bem tranquilo. Ao meu lado, uma carioca muito simpática, a Madelon, que já conhecia Punta del Este e começou a me dar várias dicas, inclusive sobre o Reveillon, já que não tinhamos um plano para a virada. Conversamos até a chegada à Montevideo.
O tempo estava bom e na chegada, foi possível ver a cidade de cima, as praias e nota-se o quanto a cidade é bem pequena. Burocracia, passaporte, free shop e casa de câmbio para trocar dinheiro. O aeroporto Internacional de Montevideo, Carrasco, é tosco. Essa é a palavra, parece uma rodoviária, mas o que anima é que estão "reformando", na verdade, construindo um novo aeroporto, cujo o projeto é lindo. Não sei a previsão para a inauguração, mas está avançado.
Quanto ao dinheiro, após muitas pesquisas, muitas dúvidas e algumas pessoas consultadas, não sei qual a melhor alternativa, mas vou falar da que eu optei e gostei. Creio que não seja aconselhável trocá-lo por lá, pois as taxas não são boas. Levei R$ 350,00 e na Global Exchange eu consegui o câmbio (Uru$ 1 - R$ 0,1243), sendo que você ainda paga URU$ 50 de taxa. Além disso, encontrei um ATM (Banred) e saquei mais R$ 200,00 (Uru$ 1 = R$ 0,1051). Achei mais seguro levar um cartão de débito e crédito internacional (Mastercard), o qual eu habilitei na minha agência em SP. Não paga nada, mas é preciso informar quando você embarca e retorna, para o controle do banco e evitar que eles cancelem seu cartão por suspeita de fraude internacional. O ideal é você sacar uma quantia alta para evitar de pagar a taxa por saque de R$ 12. Para extrato e saldo bancário, a taxa cobrada é de R$ 5,00. Enfim. Detalhe triste, já no aeroporto muitos pedintes, inclusive crianças.
Compramos nossas passagens de ônibus para Punta del Este pela empresa COT, pois a COPSA tem uns ônibus bem feios e velhos. Pagamos URU$ 133,00 (R$ 13,30) e a bilheteria da empresa fica dentro do aeroporto e embarcamos lá mesmo. Não podemos reclamar, mais prático impossível. Seguimos Caren, Renata, Madelon e eu para Punta. Ônibus confortável, vazio e leva menos de 2 horas para chegar. Estrada tranquila, paisagem simples até chegar a região de Punta. Surgem o mar, o horizonte, os grandes e luxuosos prédios, enfim, Punta realmente é o que falam: suntuosa.
Desembarcamos no Terminal Playa Brava, bem ao centro e fomos pra fila do táxi. Caren seguiu para seu hostel que ficava em outra praia, bem distante do centro de Punta. Madelon, Renata e eu dividimos o táxi, já que a Madelon estava hospedada em um hostel diferente do nosso. O taxista não gostou muito de na mesma corrida, parar em dois lugares, mas nos enfiamos no carro assim mesmo. Não era nada muito longe, mas a pé seria bem cansativo. O valor do táxi eu não me lembro exatamente, mas não achei caro, ficou em torno de R$ 4 para cada uma. Chegamos ao "Roger´s House Punta del Este", nosso hostel. Muita confusão já antes de viajarmos, ainda no momento da reserva, pois os caras são meio desorganizados e só fechei esse hostel, porque somente eles permitiram apenas 02 diárias na época do Reveillon. Todos os outros fechavam apenas com mínimo de 6 diárias e por preços exorbitantes. Fechamos a diária por USD$ 40, que de início achamos barato, tendo em vista o local e a época, mas depois que realmente conhecemos o lugar e comparamos com os demais hostels, vimos que era MUITO CARO. Não entrem nessa roubada, o hostel é péssimo e vamos contar aos poucos o motivo de tanta raiva. Rs.
Só que a confusão era muito maior. Dias antes, uma das meninas acabou desistindo de Punta, por motivos pessoais (Jana nos encontrou somente em Buenos Aires) e fizemos o cancelamento apenas da cama dela. No entanto, os caras entenderam que era pra cancelar tudo, resumo da ópera, dois dias antes de embarcarmos, fui confirmar e eles disseram que não tinham mais vaga e que nossas camas já haviam sido repassadas. "Como assim?" *Piada!*. Após diversos e-mails grosseiros, minutos no telefone tentando entender o que tinha acontecido, dissemos que apareceríamos e que iríamos dormir lá, já que via "hostelworld.com" já haviamos desembolsado os 10%. Não tinha conversa mais. Ok, o tal de Federico (um dos responsáveis) disse que dormiríamos no "quincho", uma espécie de "edícula". Surtei, mas nessa altura do campeonato, tá valendo para não dormir na rua ou na rodoviária.
Chegando lá, entendemos o contexto. A localização é excelente, perto da praia, relativamente do centro, do mercado, bairro tranquilo e charmoso, a casa (por fora) era bacana. Ao entrar, entendemos o motivo da confusão. Tudo muitooooo desorganizado. Bagunça geral. O hostel é de responsabilidade de três caras na faixa dos 20 anos que no verão estão em Punta e quando chega o inverno por aqui, eles possuem outro hostel na Espanha. Ou seja, *vida chata!*. O Federico nos recebeu e pediu que aguardássemos pois nosso quarto estava sendo arrumado. Por sorte, depois de tanta reclamação da minha parte, ele não quis comprar a briga e não nos colocou na tal "edícula". Ficamos num quarto pequeno (4 camas) com 2 australianos que só dormiam. Um bem simpático puxando conversa e o outro não estava lá, mas mal "bom dia" ele dava quando estava presente. Renata e eu combinamos de que passaríamos o menos tempo possível ali dentro, logo, arrumaríamos o que fazer o dia todo.
Nem trocamos de roupa, deixamos nossas coisas no quarto e saímos para conhecer a cidade. Fomos pela praia (Praia Brava) e seguimos até La Mano, famoso cartão-postal de Punta. É uma obra do escultor chileno Mario Irarrazabal, que consiste nos dedos saindo da areia, que dizem significar a presença do homem na natureza. Bastante movimentado, muitos turistas e ao redor, temos algumas esculturas do "Paseo de Las Américas". Seguimos o passeio a pé e encontramos um lugar pra comer. Como tudo em Punta é MUITO caro, muito mesmo, comemos numa espécie de lanchonete dentro do posto de gasolina que era razoável ($). Lanche + refrigerante, não me lembro também do valor exato, mas algo em torno de R$ 12.
Após longa caminhada, fotos, pôr-do-sol, compras no mercado (chama-se Disco) voltamos pro hostel para tomarmos banho e comermos mais alguma coisa, pois nosso objetivo era conhecer o famoso e luxuoso Hotel Casino Conrad. Na verdade, só conhecer mesmo, porque jogar sem dinheiro seria bem difícil. Tentamos pegar um ônibus até lá, mas fomos a pé. Incrivelmente, Punta del Este é uma cidade fria. Um vento forte e gelado que nos impede de usar roupas de verão. De noite, principalmente. Chegando lá, não pagava pra entrar (ufa!) como a maioria dos cassinos. Muita gente, muito entra e sai dos mais variados tipos. Gente com roupa de gala, gente com bermudão e camiseta, gente com cara de muitaaaa grana e gente como a gente, turista que só foi até lá para conhecer mesmo. É um hotel cassino muito bonito, cheio de luzes à noite, na beira do mar, muitas mesas de jogos, uma estrutura para shows incrível, mas vale o passeio apenas. Tem um lounge que toca uma música muito boa e é possível fotografar apenas nesse espaço, onde dançarinas quase nuas dançam em gaiolas. Não preciso dizer a quantidade de homens por metro quadrado só por causa disso. Afff !!! No bar, pedimos uma cerveja Patrícia e uma taça de vinho = USD$ 8. (tá bom, pra quem não tinha dinheiro pra gastar!). Ficamos um tempo conhecendo, observando as pessoas jogando e a infinidade de "tipos" à passeio.
Voltamos pro hostel e o pessoal que conhecemos lá (umas brasileiras) seguiam pra uma balada com um pessoal. A Rê acabou indo e eu fiquei, pois já era tarde e não tinha dormido nada na noite anterior. Só sei que no meio da noite, ouço a Rê batendo na janela do quarto, chamando meu nome, pois tinham trancado toda a casa e ela não tinha como entrar, pois voltara antes do pessoal. Aquele frio, coitada! Fui tentar ajudá-la, sai procurando alternativas e a única que encontramos foi a dela entrar pela janela do banheiro! Rs. Eles trancam todo o hostel, pois a galera que costuma sair, só retorna de manhã, quando o hostel já se encontra aberto, logo, só descobrimos isso depois. As baladas em Punta começam tarde, ou melhor, lá pelas 2 da manhã, diferente do Brasil, que inicia mais cedo.
31 de dezembro de 2008 (quarta-feira)
Acordamos, após uma relativa noite de sono. O café da manhã do hostel era irrisório. Mal tinha café preto, uns cereais velhos e uns pedaços de pseudo-melancia. Ok. Bóra tomar nosso café com o que sobrou da nossa compra. Preciso falar também do banheiro imundo do hostel. Era grande, bem arejado e iluminado, mas era sujo. O chuveiro sobre aquela banheira gordurosa e no primeiro banho ali, o box (a cortina) caiu sobre a minha cabeça. Pra variar, tinha que ser comigo. Ganhei um roxo no braço e um galo na cabeça. Rs. Superado esse detalhe!
Nosso city tour (city tour ???) sairia apenas as 14h30, portanto fomos pra praia. Esse city tour compramos ainda em SP, via internet pela agência Indoor Uruguay, pois como teríamos pouco tempo na cidade, achamos que um city tour não seria um grande pecado ou pesadelo. Pagamos por ele USD$ 20. Na praia, o dia estava nublado, ventava consideravelmente e não conseguimos entrar no mar, apenas molhamos nossos pés, caminhamos e sentamos à beira-mar para conversar. Renata e eu fizemos uma retrospectiva 2008 e compartilhamos as expectativas com a chegada do Ano Novo. Foi bem legal. Próximo ao horário, fomos até o mercado novamente (viva o Disco!) e no hostel, encontramos com o César e a Vivi (Piracicaba), conforme havíamos combinado. Ambos pagaram a taxa de USD$ 10 cada um para guardar suas coisas no hostel e tomar banho para o Reveillon, pois vinham de Montevideo apenas para a virada. Para a minha surpresa, ou desespero, eles disseram que o hostel era bacana, "muito melhor" que o de Montevideo. Fiquei com medo !! Rs ... pensei: "Ainda dá para piorar?". Afff ...
A van chegou pra nos pegar e nos levar até a agência que ficava no terminal rodoviário. Lá fizemos o pagamento e conhecemos um brasileiro muito bacana que permaneceu conosco no city tour. Depois de meia hora descobri que aquele mesmo brasileiro era o Murillo Portugal, baiano de Salvador, o qual eu mantive contato por muito tempo na época da organização da viagem, via "mochileiros.com". Ele me escreveu antes de eu viajar falando que não daria para nos acompanhar, pois ele mesmo não tinha um roteiro bem definido. Coincidência absurda! Quando descobrimos, não acreditamos. Se tivesse combinado, talvez não desse certo. Ele estava em Buenos Aires e só foi até Punta para o city tour e o Reveillon. Logo, o convencemos de ficar no nosso hostel (tomar banho e deixar as coisas).
O city tour, apesar de todo mundo abominar, foi bem bacana e nos permitiu conhecer muita coisa que, sozinhos e com pouco tempo, não conseguiríamos conhecer. O motorista contou-nos toda a história de Punta, inclusive que a violência ali era zero, praticamente uma ilha isolada do restante do Uruguai. No decorrer do passeio que dura a tarde toda, conhecemos o centro, o porto, passamos pelo comércio, os incontáveis restaurantes, lojas de grife, os tão "comuns" carros importados, os diferentes bairros, a península (quatro lados para o mar), o Farol, a praça, a costa marítima da Brava, a Mansa, casa dos famosos e os bairros residenciais de San Rafael, Golfe, Ricón del Indio e o luxuoso Beverly Hills com suas imensas mansões (família Grandene, Ménem, Maradona, jogadores da seleção uruguaia, entre outros que não me lembro e não fazem diferença).
As casas realmente chamam a atenção, inclusive pela sua arquitetura diferenciada. Fizemos algumas paradas, em lojinhas para comprar roupas de lã (sim, de lã!) e para comermos o famoso churros e a empanada em La Barra, onde temos belas praias e a ponte ondulante Leonel Vieira em formato de "M", sobre a foz do Arroio de Maldonado desde 1965. Ao passar em alta velocidade sobre a ponte, dá um frio na barriga gostoso. Passamos por Jaguel, a cidade capital de Maldonado, sua catedral, o bairro Pinares, Punta Ballena e finalmente, a tão esperada CASAPUEBLO. A entrada não estava incluída e pagamos R$ 12 (aceita R$).
Definem o ateliê de Carlos Paez Vilaró como a "grande escultura habitável". O artista uruguaio (multifacetado) começou a construção de seu ateliê na década de 50. Escolheu Punta Ballena (13 km de Punta del Este) pela beleza natural que impressiona. A idéia foi crescendo literalmente e tomando forma (ou tomando forma nenhuma!) até tornar-se o grande cartão postal de Punta del Este, desenhando parte da encosta sobre o mar, acolhendo não somente as suas coloridas obras, mas lojas, cafés e até hotel. O lugar é belíssimo e me lembrou MUITO as formas arredondadas que vi em Barcelona, quando visitei os espaços desenhados por Gaudí (outro talentoso!).
O lugar oferece uma vista privilegiada do mar e aos visitantes sortudos, que não se trata do nosso caso pois não conseguimos contemplar a cerimônia do pôr do sol por causa do tempo nublado e pelo horário, mas todos os dias, quando o sol se põe, é possível ouvir um poema escrito e recitado pelo artista em homenagem ao seu grande amigo, o SOL. A Raquel, que conseguiu viver esse momento em um outro dia, nos contou que esse momento é de fazer chorar. Deve ser incrível mesmo!
Uma curiosidade: em 2008 trabalhei com a minha turma do Estado, os poemas do livro "A Arca de Noé", de Vinicius de Moraes, e descobri mais uma versão para o poema/canção "A Casa". Além das diferentes interpretações infantis que surgiram, as oficiais se confundem entre "a casa" ser a barriga da mãe durante uma gravidez, ou então, "a casa" na verdade ser a própria Casapueblo, pois Vinicius era amigo particular de Vilaró. Enfim, ambas fazem sentido.
Após o passeio da tarde toda, seguimos pro hostel, enquanto Cesar, Vivi e Murillo foram até o porto ver os lobos marinhos. Fomos adiantando o banho e decidindo o que fazer na virada. Encontramos a Raquel que tinha acabado de chegar. Decidimos então encontrar a Caren em La Barra, pois ela estava com uma galera bem animada e todos seguiriam para a praia ver a queima de fogos. Todos prontos e frustrados, pois quem disse que deu para usarmos nossos vestidos e sandálias na praia? Ahahaah, o maior frio! E bóra colocar os "casacos da Patagônia" para o Reveillon. Muitooo "chique"! Fomos pro ponto de ônibus as 23hs e o maior receio de não conseguirmos chegar no lugar corretamente (era longe e difícil de chegar). Encontramos um argentino que nos orientou. Ônibus lotaaaaado (custa em torno de R$ 0,70) e a maior diversão dentro. Ahh, vale lembrar que há poucos táxis em Punta e nesse dia, parecia não ter nenhum circulando, os poucos estavam todos ocupados e/ou reservados. Esse era o início do drama. Nos perdemos, descemos no lugar errado, mas entramos numa loja para comprarmos as bebidas, pois era necessário cada um levar a sua. Pela confusão, Cesar, Vivi e Murillo decidiram voltar pro centro de Punta e ficar por lá, já que teria show e fogos também. Segui com a Renata e a Raquel, porque do nada surgiu um táxi. O que haviam dito ser perto, era bastante longe ainda e o táxi deu em torno de R$ 40 (facada!).
Chegamos no local, o hostel El Viajero Manantiales (Ruta 10 Km 164) em que estava a Caren era muito bacana, divertido, organizado, grande, com piscina, muito legal mesmo. Saímos de lá já para a praia, pois era quase meia noite. Era um pouco distante e fomos a pé, um vento frio, escuro e para a minha surpresa, a praia era totalmente "deserta", não tinha nada e nem ninguém, a não ser aquele monteeeee de fogos cravados na areia dando o maior medo de estourar ali na nossa perna a qualquer momento. A praia é rodeada por condomínios de luxo, de janelas grandes e sem cortinas, de frente para o mar, em que é possível ver as famílias reunidas. Confesso, neste momento me bateu a maior saudade de casa e as mensagens no celular começaram. Mandei pra todo mundo da família ! Meus pais em São Paulo, meu irmão e cunhada em Brasília. A preocupação com a saúde da minha avó. Tudo vinha à tona naquele momento. Era uma sensação estranha e diferente passar longe deles e com pessoas desconhecidas ou conhecidas em tão pouco tempo. Mas valeu a experiência! De verdade, lembrei de cada pessoa que foi especial em 2008 pra mim, tentei enviar energias boas e pensamentos positivos, para que elas se mantenham presentes comigo em 2009. Contagem regressiva, meia noite, alguns poucos fogos (a tradição dos fogos à meia noite não é tão forte assim no Uruguai), aliás, eles soltam os fogos a prazo (meia noite, uma da manhã, duas ... etc ...). Abraços, "feliz ano novo" para uma galera que eu nem conseguia enxergar o rosto, alguns desejos e pedidos pessoais em silêncio, um frioooooo danado, 7 ondinhas no mar geladoooooo e mais fotos. Ficamos em torno de uma hora e meia nessa praia, quando Renata e eu decidimos ir embora, já que a galera toda ia para outra praia, a do Bikini. E a volta foi um drama.
Voltar dali somente de ônibus e táxi. Nesse horário, os ônibus não estavam mais circulando. Ok, vamos pro plano B, TÁXI. Lembramos que os poucos que haviam na cidade, estavam reservados e/ou ocupados sei lá com o quê. Já haviam nos alertado, mas nunca imaginaríamos que enfrentaríamos tal situação. Seguimos caminhando até um restaurante chiquérrimo, em que famílias endinheiradas faziam a sua ceia de Ano Novo. Ahahahaahah e nós com aquela cara de cansadas, pés e calças molhadas das ondinhas, com areia, praticamente, um "luxo". Pedimos um táxi e chamaram por rádio. Sem sucesso. Por telefone. Sem sucesso também. Ok, não desanimamos e rumamos para a Ruta 10, a estrada que nos levaria até o centro de Punta del Este. Andamos muito, tentamos encontrar um ponto de táxi, entramos em alguns bares e restaurantes que encontramos e NADA. Perguntávamos a todos que passavam sobre os táxis e NADA. Passada uma hora, eu já estava sem esperanças de voltar e já imaginava passar a noite literalmente na sarjeta (rs!). A Rê com dor de ouvido e eu já cansada, cheguei a esticar o braço pedindo carona e o pior, só tinha carro lotado passando com um monte de "borrachos" dentro. Pânico! Pensamos em ir andando, mas vimos que era loucura! Sei lá como foi, mas pedi tanto para alguma coisa surgir e nos salvar (olha o drama!) e foi aí que apareceu o uruguaio mais bacana do mundo.
Vimos um carro com a placa "taxi libre". (Obrigada Deus!). Ok, era um táxi que não era táxi e só descobrimos isso depois. Entramos e falamos nosso destino, quase agradecendo de joelhos por ele ter aparecido naquele fim de mundo e naquele frio inimaginável. Ele foi muito simpático, era jovem e foi conversando conosco, sempre muito educado. Eu falava mais que a boca, pois estava nervosa e precisava falar. No papo descobri que ele era filho de um taxista, que ele estava voltando de uma festa, indo buscar uma pessoa não sei onde, que o "táxi libre" era apenas uma coincidência e ficou todo sem graça quando viu a placa acesa, pois o carro era do pai dele, que NUNCA cobraria de nós, pois ele quis ser gentil em nos oferecer realmente uma carona, pois percebeu nossa aflição ali na ruta. Ok, minha ficha foi caindo literalmente, pois o cara CAIU DO CÉU. Afinal, nem estávamos mais preocupadas em pagar mais de R$ 60 de táxi até o centro, só para sair daquele lugar. Mas ofereci o dinheiro e ele não aceitou. Incrível ! Ele só apareceu para nos ajudar! E foi tão educado que não estamos acostumadas com pessoas que fazem o bem de fato, sem querer nada em troca. Sério, o uruguaio nos levou até o centro de Punta sem cobrar N-A-D-A !!! E no maior respeito do mundo, para quem acha que ele estava com segundas intenções. Enfim. Renata e eu olhávamos uma pra outra sem acreditar.
Depois de tanta história, chegamos ao centro, lotado daqueles "adolescentes-emo-bêbados" por todos os lados. Decidimos comer, pois não tinhamos comido nada. Entramos na Confiteria IlGreco e pedimos o famoso "pancho" que lá em Punta chamava-se "frankfurters mixto" (ahahah!), na verdade, não passava de um cachorro quente enorme coberto de queijo. Aquele foi o "pancho" mais gostoso que comi na viagem inteira e olha que não foram poucos! Pagamos por uma coca-cola + pancho = URU$ 170 (R$ 17,00). E nosso Reveillon acabou por ai.
Ao chegar no hostel, encontramos os três (Murillo, Cesar e Vivi) em nosso quarto, já que os australianos deviam estar na farra por aí. Vivi e Murillo dormindo e o Cesar sonolento. Bóra trocar de camas e como a Raquel não voltaria pro hostel, deixamos o Murillo dividir a cama dela com o Cesar e a Vivi ficou dormindo na cama do australiano até ele surgir pela manhã. César e eu ficamos conversando, contando nossas histórias da virada, tivemos crise de riso, até eu ficar muda e ele perceber que eu tinha dormido de fato. Rs! Só me lembro do barulho no quarto pela manhã, pois os australianos chegaram e tava aquela zona no quarto. Os três levantaram e cada um seguiu para onde deveria (Murillo pra Buenos Aires e Cesar e Vivi para Montevideo). Nem nos despedimos do Murillo, mas já falei com ele agora nessa volta, já o Cesar e a Vivi, nos encontraríamos ainda em Montevideo.
PUNTA DEL ESTE
01 de janeiro de 2009 (quinta-feira)
Renata e eu acordamos super tarde. Nem aquele café bizarro do hostel tinha mais. Comemos o que tinha sobrado do mercado mais uma vez e encontramos a Raquel, que tinha acabado de chegar da virada. Nos organizamos pra fazer o "check out" (já tinhamos acertado antes!) e pedimos uma carona para o Federico até o terminal, já que não havia táxi, nem ônibus, NADA naquele 01 de janeiro. Havíamos combinado de pagar o valor referente ao táxi, mas ele quis dar uma de esperto e nos cobrar bem mais. Ficamos bravas ao sair do carro e ele se irritou absurdamente conosco. Enfim, nem pagamos! Uhuuu! Cara chato! Hostel nojento! Uma orgia absurda ali dentro, se formos contar TODAS as histórias daquele hostel, não caberia no blog e ninguém mais reservaria quarto lá. Ou reservaria, dependendo do perfil bizarro de cada um. Mas NENHUMA de nós gostou. Não recomendamos ROGER´S HOUSE PUNTA DEL ESTE! O bom dessa história toda era que o pior estava ali, logo, qualquer hostel que viria depois, seria um hotel 5 estrelas. Mas o pior é que não foi. Tivemos um pior. O de Bariloche, mas fica pra depois, quando chegar na Argentina, eu conto.
Deixamos então nossas bagagens no "guarda-maletas" da rodoviária (URU$ 50 = R$ 5) e fomos procurar um lugar decente para almoçar. Sim, decente, afinal, merecíamos. Nem lembro o nome do lugar, mas passamos (Raquel, Renata e eu) um almoço muito agradável, conversando sobre as mais diferentes coisas, sem compromisso com nada, sem preocupação e não gastamos mais de R$ 30 por um refrigerante e uma "pizzeta" (não lembro o valor exato). Depois, ainda nos demos o "luxo" de tomarmos um sorvete FREDDO, mas pelo valor alto de cada bola, resolvemos dividir entre nós três (ahahah!). Ficamos passeando ali pelo centro, fomos até o Porto, o píer, vimos os lobos marinhos fazendo graça, não conseguimos visitar a Ilha de Caras (conforme queríamos) porque não tinhamos tempo suficiente, mas rodamos bastante ali pelo centro até dar o horário de irmos pra Montevideo. Renata e eu compramos nossa passagem (URU$ 133 = R$ 13,30, via COT) e nos despedimos da Raquel, que decidiu não ir pra Montevideo e ficar mais dias em Punta del Este. Compramos para as 19h30 e chegamos no Terminal Tres Cruces em Montevideo, quase 22hs.
Por fim, adoramos Punta del Este, tirando o fato do hostel ser um LIXO ao quadrado. Além disso, venta muito na cidade e é muito frio de noite, sem falar que é tudo muito caro (não falei que um copo de suco sai por volta de R$ 8 num lugar mais ou menos). No entanto, a cidade vale a pena pois as praias são bonitas, as pessoas são agradáveis e belíssimas, há muita opção para divertir-se, a visita a Casapueblo é indispensável e o glamour que ronda a cidade é real. Para economizar na comida, vá ao mercado, pois compensa. Pra quem gosta, fica a dica!
MONTEVIDEO
01 de janeiro de 2009 (quinta-feira)
Chegamos em Montevideo umas 22 horas e o Terminal Tres Cruces é muito bacana. Bonito, grande e com comércio movimentado. Muita gente, durante as pesquisas e organização do roteiro, insistiu que Montevideo não merecia mais que um dia, pois dava pra conhecer tudo em poucas horas, já que afirmam que a cidade é feia, suja e sem graça. Injustiça!
Montevideo é a capital e maior cidade do Uruguai, bem como a sede administrativa do Mercosul (agora entendi as placas no aeroporto!) e da ALADI (Associação Latino-Americana de Integração), mas trata-se de uma cidade muito pequena e aparentemente, decadente. Somente carros antigos, quase não se vê carro importado (diferente de Punta del Este) ou carro novo. Arquitetura antiga e em péssimo estado. Está localizada às margens do denso Rio da Prata e possui um grande e importante Porto. Nos disseram que a capital possui menos de 2 milhões de habitantes, correspondendo a aproximadamente metade da população total do país. Considerando essas informações, o Uruguai tem tanta gente quanto a Zona Leste de São Paulo !!! (meu Deus, como São Paulo é grandeeeee!). Também é considerada uma boa cidade para se viver, pois dizem que esta se encontra entre as cidades mais seguras do mundo! (detalhe, fui furtada em Montevideo! Ok, conta outra!).
Do terminal, pegamos um táxi até a Plaza Independencia (URU$ 60 = R$ 6), local onde encontrava-se o nosso segundo hostel. Estávamos ansiosas e falávamos o tempo todo disso, afinal, após o de Punta, qualquer coisa seria muito melhor. Do terminal até a praça, notamos que não tinha ninguém nas ruas. Por ser feriado, nada fica aberto, nem farmácia. Assustei-me de início. Muita sujeira nas ruas, muito papel, logo perguntei ao taxista o motivo de tanto papel na rua e fui informada que por ser ano eleitoral, há muitos "santinhos" espalhados pelo chão (igual ao Brasil!). Além disso, depois percebemos (só no dia seguinte!) incontáveis CALENDÁRIOS rasgados, picotados, em decorrência da virada (acho que deve ser comum isso por lá!), no chão da rua. Mas de forma geral, a cidade agradou.
Chegamos em nosso segundo hostel CHE LAGARTO (http://www.chelagarto.com), que fica bem ao centro, na própria Plaza Independencia que é considerada a mais importante do país, pois é lá que está um dos portões da antiga muralha que cercava a cidade no período colonial. Além disso, é ali que começa a principal avenida da cidade, a famosa (pelo Carnaval de 40 dias!), Avenida 18 de julho, onde se concentra também todo o comércio. A localização é ótima, temos ônibus saindo para todos os lados, no entanto, Montevideo não possui metrô, até porque, nem precisa (rs!).
Ao fazermos o "check in", SURPRESA! (estamos acostumadas com as "surpresas"). Não havia reserva em meu nome. Lógico, prevenida, estava com o papel de todas as reservas (aquele monte de papel tinha que me servir de algo!). Mostrei ao recepcionista, Juán, e com a maior cara deslavada disse-me que haviam cancelado, em decorrência da desistência da Jana (que eu já falei antes que desistiu de Punta e só chegaria em Buenos Aires). Entenderam, assim como os "Roger´s", que era para cancelar a reserva toda. Mas como eu havia levado todos os emails que trocamos, logo, nós ficamos com a razão. Arrumou um quarto rapidinho, e melhor ainda, um quarto PRIVADO, ou seja, só para Renata e eu. Não era suíte, mas o banheiro era bem ao lado e muitoooo limpo e organizado. O hostel é bacana, grande, com infra-estrutura razoável. Gostei muito e a Rê também. Ficamos super empolgadas com o quarto, aconchegante, espaçoso, roupa de cama limpa e varanda para a Praça, o que mais queríamos? Dormiríamos decentemente. Mas aprendi que não podemos nos empolgar tanto e nem elogiar demais. (conto mais no capítulo do dia 03/janeiro ...)
Organizamos nossas coisas, tomamos um banho e na recepção já havia um bilhete do César e da Vivi, com o endereço do hotel (sim, hotel, porque eles são muito chiques!) para nos encontrarmos. O hotel Los Angeles ficava na Av. 18 de julho, logo, era pertíssimo. Fomos para lá, já era tarde, tudo vazio, mas realmente, não me senti insegura estando ali no centro. A Vivi já estava dormindo, mas o César desceu conosco, porque estávamos malucas de fome. Fomos na "Il Mondo de lla Pizza", um lugar bacana e o único aberto e com pessoas dentro (rs!). Lugar gostoso, comida boa, preço excelente, pois pedimos duas pizzas + refrigerante (para 3 pessoas), gastamos o total de URU$ 374 (R$ 37,40). Voltamos pro hostel, ficamos lá no bar conversando, onde tem sinuca, mesinhas e internet, quando a Rê pediu para escrever no blog. Como salvei os arquivos, segue abaixo o relato dela feito às 2 da manhã lá em Montevideo, antes de nos despedirmos do César e irmos dormir:
"Quinta-feira, 1 de Janeiro de 2009
¿¿¿ Hola, que tal ???
Estamos aqui em Montevideo, chegamos hoje a noite (01/01/2009) e estamos ansiosas para conhecer a cidade, apesar do Cesar e da Vivi terem falado que a cidade é péssima (velha, suja, mal cuidada e com povo feio), continuamos com muita esperança de que a cidade seja linda e contrarie a opiniao do Cesar. Saimos para comer pizza (eu, Vanessa e Cesar) e estamos amando a cidade, - "muy bella" - lembra algumas cidades da Europa ...rsrs ... e o Cesar continua achando que estamos fora da realidade! A viagem começou muito bem, chegamos dia 30/12/2008 em Punta del Este e ficamos completamente apaixonadas pela cidade. Ficamos "um pouco" frustradas com o hostel de Punta (Roger's House) mas tudo bem, faz parte dessa aventura e Punta foi surreal. Conhecemos a cidade em um city tour muito bacana que terminou na Casapueblo, nao tenho palavras pra descrever este lugar maravilhoso ficamos encantadas com o "por do sol" (em breve fotos). Bem... agora estamos aqui no Che lagarto em Montevideo, ansiosas para que o dia amanheça para conhecermos melhor a cidade... Buenos Aires está chegando e vamos todos nos encontrar... até...
Beijos
Renata Bontempo"
MONTEVIDEO (URUGUAI)
02 de janeiro de 2009 (sexta-feira)
Acordamos e a vista da nossa varanda era ainda mais linda de dia! Isso deu um ânimo absurdo. Tomamos aquele café da manhã gostoso. O hostel tem café incluído e não se trata de café preto e cereais velhos, temos pão francês com presunto e queijo, bolo, doce de leite, manteiga, café com leite e suco. A diária saiu por USD$ 15 (mesmo com a mudança de quarto para um melhor). O César e a Vivi foram até lá nos encontrar e saímos juntos para conhecer um pouco da cidade a pé, até a hora do nosso city tour (city tour de novo????? Sim!). Assim como em Punta, devido ao pouco tempo reservado pra cidade, resolvemos comprar um city tour na mesma agência (Indoor Uruguay) ainda em São Paulo. Pagamos USD$ 24. Teríamos tempo até as 14h30, horário marcado no hostel com a agência.
Demos uma volta na Plaza Independencia (logo abaixo), vimos o Palacio Salvo, o Mausoléu preto de mármore de Artigas (político e militar uruguaio), coberto por uma estátua enorme do herói nacional, o Portão da Ciudad Vieja (Cidade Velha), Mercado del Puerto (Mercado do Porto), o centro, feirinhas, lojas de souvenir (comprei vários souvenirs bem legais, cartões-postais pra minha coleção, ímã de geladeira e camisetas pra mim e pra família, mas não tenho mais nada!), Torre de Telecomunicações (me senti em Dubai! rs!), Museu do telefone, Teatro Sólis, Catedral (Igreja Matriz), Palácio Legislativo (belíssimo aí ao lado/acima!), enfim, andamos bastante por diferentes lugares e decidimos almoçar no "Mercadão" e subir no mirante da Torre das Telecomunicações.
No entanto, devido ao horário, a Rê e eu não poderíamos fazer a subida guiada pois estaríamos no city tour! (rs!). Sentados no restaurante do mercadão, combinamos de não fazer o city tour, mas resolvi ligar para avisar e saber dessa possibilidade, pois estávamos em cima da hora e ainda nem tínhamos feito o pedido do almoço. Ok, o dono do lugar me deixou ligar, falei com a agência, avisando que estávamos no centro e que não poderíamos chegar a tempo no hostel, pois era um pouco distante. O cara insistiu e disse que nos pegaria ali no mercado mesmo, inclusive me pediu para descrever como eu estava vestida e que não tinha problemas. Marcou o horário. Fim das contas, tínhamos meia hora para pedir e engolir a comida. Como o almoço ali era especial, não fizemos esforço algum para estarmos no horário e disfarçava toda vez que aparecia alguma pessoa procurando alguém. Pedimos pratos individuais, com carne, batatas (bife de chorizo e papas fritas, acho que era isso!), arroz e salada. Mais o courvert e as bebidas, saiu para cada um URU$ 350 (R$ 35). Achamos caro, mas valeu a pena pelo contexto. Eis que no meio da refeição, surge o cara da agência chamando por "Vanessa Aguilera". Afff! Ninguém merece, ele me achou mesmo! E ficamos enrolando ali mais um pouco, mas quando nos despedimos do Cesar e da Vivi, percebemos que o micro-ônibus (ahhh esssa nova e estranha regra ortográfica!) nos esperava com um bando de gente dentro furiosa (rs!). Não imaginávamos que estavam todos ali, que só faltava a gente. Entramos e um colombiano reclamou (azar o dele!). Brincadeira, ficamos sem graça.
Rumamos aos mais variados pontos turísticos da cidade, aprendemos um pouco da história e apesar deles passarem por vários pontos que já havíamos visitado pela manhã, outros lugares foram bem bacanas de conhecer. Fomos até o belo e romântico bairro "El Prado", com mansões charmosas, ruas arborizadas e clima tranquilo.
Fomos conhecer o Estádio Centenário do Uruguai (adorooo!), que foi fundado em 18 de julho de 1930, em comemoração ao primeiro centenário da Independência do país. Nesse mesmo ano, o Uruguai foi sede do primeiro campeonato mundial de futebol, utilizando o estádio como principal campo de jogo. Preciso dizer que durante o passeio, perceberam que a Rê e eu gostávamos de futebol e encheram o nosso saco devido à final da Copa do Mundo de 1950, em que a selação uruguaia calou o Maracanã ao vencer surpreendentemente o Brasil por 2x1. O cara da agência até narrou e colocou o hino no rádio (acho que isso faz parte do city tour, afinal, tem sempre brasileiro no meio!). Que mala! Meu, eu nem tinha nascido!
Conhecemos o Cerro de Montevideo, que é o lugar mais alto da cidade, um mirante natural belíssimo, que dá uma visão privilegiada de toda a cidade, bem como a Fortaleza del Cerro, que foi a última construção espanhola erguida no Uruguai, localizada no topo do Cerro, onde também funciona um Museu Militar.
Passamos pelo Jardim Botânico, pelo famoso Monumento a La Carreta, considerado o monumento mais bonito da capital uruguaia, feita por José Belloni, onde o artista ressalta os músculos dos bois em pleno trabalho e esforço (estava em reforma, mas não vimos nada demais nele!). Visitamos os bairros residenciais de Carrasco, Punta Gorda e Pocitos, percorrendo a charmosa "Rambla" (orla marítima), onde é possível contemplar as belas praias às margens do Rio da Prata. Pocitos é famoso por ser um bairro de classe média-alta, considerado o "bairro da moda", pois nele encontramos diversos cafés, restaurantes e lojas caras. Não tivemos a oportunidade de entrar no "mar" em Montevideo, pelo pouco tempo e até porque, estranhamente, venta muito e é bem gelado. Enquanto curiosidade, não sabia e aprendi, o Uruguai é o único país não lusófono, em que o ensino da língua portuguesa é obrigatório, sendo ensinado a partir do 6o. ano de escolaridade. Eu me lembrei de ouvir isso durante as explicações do guia e agora, ao procurar, constatei que é verdade. Por isso, todos nos entendemos muito bem no "portunhol" e eles dizem algumas coisas como nós, brasileiros, como o "TCHAU!", "OBRIGADO!", "DE NADA!".
Aproveitei também para tirar a minha dúvida a respeito da Torre das Telecomunicações, pois a construção é MUITO PARECIDA (eu nunca estive lá, mas todo mundo conhece!) ao Burj Al Arab de Dubai, onde tudo é no superlativo. Perguntei qual tinha sido construído primeiro, quando foi construído, etc. Conforme o guia disse, a construção da Torre fez parte de um plano para modernizar Montevideo, principalmente a região do Porto e as obras iniciaram ainda no final da década de 80. Já o hotel de Dubai foi iniciado por volta de 1994 e levou uns 5 anos para ser finalizado. Pelo que eu entendi, no entanto, não encontrei nenhuma pesquisa ou informação a respeito, já existia o projeto do Burj Al Arab e pediram permissão a Tom Wright (arquiteto responsável) para construírem algo semelhante na capital uruguaia e fizeram, então, um acordo amigável. Eu não engoli muito bem essa história, mas não muda nada, afinal, é muito parecido, mas não é igual, FATO! Vejam as fotos e observem a semelhança ou não (posso estar viajando!).
O ponto "fraco" do city tour, ou melhor, o ponto alto é que no início do passeio, entrou um jovem e tirou uma foto do rosto de cada turista. Já imaginava que eles fariam alguma surpresa no final, como em qualquer lugar. Chegando ao final, já nem me lembrava, surge o mesmo jovem com um "presente de grego", na verdade, nem presente era, era uma PIADA DE MAU GOSTO, como disse a Renata. Eles colocaram uma foto nossa no corpo de uma dançarina de CANDOMBE (conheça em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Candombe), que mais parece uma "passista" de escola de samba carioca. Uma montagem TOSCA, que quando abrimos o encarte (com um pouco da história do Uruguai), ficamos ruborizadas. Olhamos uma para a outra e não acreditávamos naquilo. Era ridículo! Começamos a rir e o pior de tudo é que TODO mundo comprou, nos sentimos intimadas a comprar (sim, tivemos que pagar pela piada!). URU$ 150 (R$ 15) por uma foto que envergonha. A Rê, revoltada, comprou e logo rasgou para ninguém mais ver. Eu ainda guardei a minha para contar história, pois é muito engraçado. Ficamos imaginando as fotos de todos os turistas daquele city tour, dávamos risada quando imaginávamos o colombiano, ou o inglês que ali estavam, do que estavam vestidos? Ahahhahahaahah ... ai ai ...da próxima rasgo e não compro!
Falando em candombe, o Carnaval do Uruguai é o mais longo do mundo. São 40 dias de folia e eles são muito animados e o som que eles fazem é muito semelhante ao que conhecemos aqui no Brasil, até pela influência africana. (Veja: http://tvuol.uol.com.br/#view/id=comeca-o-carnaval-do-uruguai-o-mais-longo-do-mundo-0402316CCCA16326/user=1575mnadmj5c/date=2009-02-02&&list/type=user/codProfile=1575mnadmj5c/)
Finalizado o city tour, nos deixaram em nosso hostel e seguimos para a Av. 18 de julho encontrar com o Cesar e a Vivi. No caminho, notamos as várias lojas em promoções (realmente, estava tudo MUITO barato, não é papo de mulher!). Em decorrência do fim de ano, o Natal ter passado, etc. etc., estava tudo na promoção e entramos na incrível loja "Chic Parisien" (http://www.chicparisien.com/). Sério, se tivesse uma loja dessa aqui em São Paulo, eu me acabava. Pelo preço, pela qualidade e pelos modelos incríveis que lá encontrei. Entramos na "INDIAN OUTLET". Pra quê, né? Blusinhas lindas a R$ 6, casacos de "couro" por R$ 120,00, vestidos indianos e não indianos por R$ 20, sem falar nos lenços bordados de pescoço, as bolsas. Ok! Renata e eu fizemos umas boas compras. Valeu muito a pena (mais ou menos, depois conto o que acabou acontecendo com meus souvenirs e minhas compras!).
Acabou ficando tarde, voltamos pro hostel para tomarmos banho e só fomos encontrar o César mais tarde. Fomos tomar um sorvete e ficamos sabendo que a Vivi havia desistido da viagem e decidido voltar pra Piracicaba. O César acabou mudando os planos e optou por não voltar a Punta del Este (apenas visitar no dia seguinte) e seguir conosco para Buenos Aires no dia 04/janeiro. Ficamos tristes pela Vivi e felizes pela companhia do César na Argentina, já que ele já conhece bastante coisa e seria o nosso guia, a nossa "Tia Stella" (*interna). Ficamos conversando, fomos nos despedir da Vivi no hotel e fomos dormir, já que no dia seguinte acordaríamos cedo. Rê e eu passaríamos o dia todo em Colonia del Sacramento e o César em Punta del Este.
COLONIA DEL SACRAMENTO
03 de janeiro de 2009 (sábado)
Acordamos cedo, tomamos nosso café, encontramos o César e seguimos de ônibus até o Terminal Tres Cruces. É muito fácil pegar ônibus em Montevideo, há muitas opções e assim como todos os ônibus que pegamos na viagem inteira, não possui cobrador, geralmente o motorista faz a cobrança ou então existe uma máquina para você colocar as moedas (sim, as moedas vivem em falta nesses lugares!). Mas na grande maioria das vezes, o motorista acaba fazendo tudo. Não sei se é regra essa história de cobrador, mas não vi nenhum nos 35 dias de viagem.
No terminal, Rê e eu compramos nossas passagens para Colonia del Sacramento (URU$ 165 = R$ 16,50, somente a ida) e a viagem dura pouco mais de 2 horas. Há saídas de hora em hora, logo, não precisa comprar com antecedência. O César seguiu para Punta del Este e comprou sua passagem para Buenos Aires, via Buquebus, para o mesmo horário que o nosso. Nos despedimos e combinamos de nos encontrar de noite.
Dormimos a viagem inteira, só acordamos no terminal da cidade. Um calor absurdo, um sol de rachar e bóra acharmos o "informações turísticas" para pegarmos os mapas. Com o mapa em mãos, demos uma volta na cidade, vimos o Porto (de onde partem os "buquebus" à Buenos Aires) e seguimos até o portão da Cidade Histórica (Puerta de la Ciudadela, 1745). Atravessando, entramos no bairro histórico, em que o trânsito de veículos não é permitido. No entanto, é possível alugar umas motocicletas (pequenas) para conhecer a cidade, que não é muito grande. Acredito que em um dia, se conheça muita coisa. Para quem conhece, lembra bastante a cidade de Paraty, no Rio de Janeiro.
É bastante turística e por ser sábado, estava bem lotada. Caminhamos pelas “calles”, visitamos a famosa rua de pedras Calle de los Suspiros, em que pudemos observar as construções diversas e mais antigas, entramos em algumas galerias de arte, estivemos nos mirantes ao longo das margens do rio, fomos ao Puerto de Yates (Yate Club) e de lá tivemos uma vista belíssima e vimos os Bastiones (antigas fortificações da época colonial que fizeram parte da muralha defensiva da cidade). É possível comprar um ingresso único URU$ 50 (R$ 5) vendido nos Museus Municipal e Português, que permite visitar não somente esses dois, mas todos os outros museus (Azulejo, Indígena, Casa Nacarello e Arquivo Regional). O ingresso permite a entrada somente para o dia.
Conhecemos a Plaza Mayor, o Farol de Colonia (paga-se aproximadamente R$ 2 para subir). Esse episódio da subida foi muito engraçado (algumas "internas" precisam ser compartilhadas!), talvez contando agora não tenha a mesma graça que na hora, pois eu chorei de rir. A Rê, ao ver a placa de preços leu "uruguaio" e "argentino", sem notar que tratava-se da variação de preços conforme a moeda (peso uruguaio e peso argentino). Precisavam ver a cara dela, toda espontânea e frustrada me dizendo para voltar, pois "brasileiros" não eram permitidos subir, somente os "argentinos" e "uruguaios". Ahahahaahhaaha, até o guardinha que cobrava lá começou a rir. Ai Renata! Só você! Lá do alto, temos uma vista muito bonita da cidade, bem como do rio e bem ao fundo, a sombra do continente, onde é possível visualizar o formato de Buenos Aires.
Conhecemos o Convento de San Francisco e Iglesia Matriz de Colonia, a mais antiga igreja do país, que começou a ser erguida em 1680. Além da parte histórica, Colonia del Sacramento possui muitas lojinhas e galerias de arte espalhadas, bem como restaurantes variados, oferecendo o menu do dia variando entre a típica parillada e frutos do mar. Resolvemos almoçar e sentamos no charmoso “El Drugstore”, com sua decoração colorida e cardápio variado, oferecendo pratos temáticos, inclusive, fiquei maluca para comer comida japonesa, mas realmente era caro. Algo em torno dos R$ 45. Sem condições. Ficamos olhando outros pratos e aguardávamos o atendimento que em mais de 10 minutos, não veio (acho que estávamos com cara de quem não iria pedir nada mesmo!). Resolvemos sair e procurar outro lugar. Para não comermos as típicas empanadas a preços convidativos, encontramos um restaurante bacana, com mesinhas ao ar livre, mas não me recordo o nome do local. Uma pena, pois pagamos barato (URU$ 150 = R$ 15) um prato de massa + bebida e estava uma delícia.
Coincidência, mas a Raquel nos encontrou ali. Tinha vindo de Punta del Este fazia pouco tempo, deu umas voltas e nos encontramos. Se tivesse combinado, talvez não nos encontraríamos. Almoçamos as três juntas e ela decidiu que ao invés de voltar conosco para Montevideo, tentaria hospedagem ali mesmo.
Terminamos o almoço e seguimos com ela para encontrar um lugar. Após várias tentativas frustradas, pois a cidade estava lotada, encontramos um hotel em que os donos eram incríveis. Como também estava lotado, eles disponibilizaram os quartos da casa deles a um preço inferior. A casa era “A CASA” e assim que a Raquel fechou o preço, a dona nos levou até lá de carro, nos fez entrar para mostra-la (onde ela morava com os filhos e marido!), o quarto era fantástico, com suíte, TV, enfim, era perfeito. Muito simpática, deu a chave da casa para a Raquel e ainda nos levou até a rodoviária, já que partiríamos em breve. Nunca vi igual! Um pessoal receptivo, bacana e muito do bem. Confesso que estranhei, afinal, aqui em São Paulo, seria impossível você dar a chave da sua casa a qualquer um. Até para conhecidos você tem receio. É, que mundo maluco esse! Na rodoviária, nosso ônibus partiria por volta das 20hs, e como o sol estava alto ainda e tínhamos um pouco de tempo, demos uma outra volta na cidade (fora da cidade histórica). Visitamos a prefeitura, o estádio, as praças, etc. Retornamos pro terminal e partimos para Montevideo. Do terminal rodoviário de Montevideo, pegamos um ônibus até a Plaza Independência (R$ 1,30 aproximadamente).
Particularmente, Colonia del Sacramento me surpreendeu. Decidimos dormir em Montevideo e não lá, pois não imaginávamos o quanto agradável seria. O Cesar já a conhecia e nos disse que não tinha muita coisa a se fazer e que um dia também era suficiente. Realmente, um dia é suficiente para você conhecer e entender a história do local, no entanto, GOSTEI MUITO e recomendo. Eu ficaria mais um dia pelo menos, pois é tudo muito charmoso, o clima e as pessoas são muito bacanas. Além disso, queria realmente ter feito o esquema de TODOS os museus, mas visitar a todos não dava. Fica a dica, a cidade vale a pena!
Bom, chegando ao hostel, mais um drama! O recepcionista já nos recebeu com uma história estranhíssima que não colou. Resumindo, nos disse que nossa reserva tinha caído, que todas as nossas coisas foram mudadas de quarto e que como o pessoal não veio, eles retornaram nossas coisas pro mesmo quarto. Ou seja, NADA A VER! Achei estranho, reclamei e subi sem entender nada. Chegando lá, a porta estava destrancada (sendo que levamos a chave conosco!), a varanda idem e nossas coisas todas reviradas, fora de lugar, coisas pessoais minhas nas sacolas da Renata, uma verdadeira bagunça. Já surtei ali e achávamos tudo muito estranho. Comecei a olhar e já dei falta, de início, de uma jaqueta de couro que eu tinha comprado no dia anterior. Estava embalada, dentro de uma sacola da loja, fora da mala (que estava trancada). A princípio, foi a primeira coisa que dei falta. Já fiquei “cega” e desci com a notinha fiscal na mão (sorte que eu sou muito chata e guardei tudo!). Expliquei o que tinha acontecido, que tinha achado essa história estranha e que havia sumido minha jaqueta que acabara de comprar. Falei que ia sair pra jantar e que quando voltasse, queria ela lá, afinal, já que mudaram e mexeram em nossas coisas sem nosso consentimento, poderia estar em um outro quarto. Ok, Rê e eu seguimos pra encontrar o César e “jantamos” no Mcdonalds (aproximadamente URU$ 120 = R$ 12) um lanche. Diferentemente daqui, a rede no Uruguai possui poucas opções, pelo que eu me lembro, são apenas quatro, enquanto no Brasil, já nem sei a variedade! Mas isso é o de menos, voltemos à história. Contamos o acontecido ao César e voltamos pro hostel, já que bem cedo, sairíamos todos rumo à Buenos Aires.
Chegando no hostel, nada de encontrar, afinal, o recepcionista era outro (Fabrício) e era novo ali, coitado, era seu primeiro dia de trabalho cobrindo a noite, ele não estava de tarde quando a bagunça aconteceu. Falei para ele tentar resolver, ligar pro responsável, caso contrário, chamaria a polícia. Eram 2 da madrugada. Subi, reviramos todas as nossas coisas e descobrimos que sumiram alguns outros itens, justamente os que estavam fora da mala que estava trancada. Afinal, todas as coisas de valor foram conosco, a mala ficou trancada, mas as sacolas, nem imaginaríamos que roubariam ímãs de geladeiras, cartões-postais, chinelo, perfume, etc. As nossas compras do dia anterior (não adiantou nada pegarmos as promoções!), todos os meus souvenirs (ou souvenires? ahh sei lá!) do Uruguai (camisetas, postais, ímãs, chaveiros, etc) que estavam separados numa sacolinha fechada, meu perfume novinho de dentro da minha necessaire, as bolachas que levei (Clube social! Ahhhh que fim roubar bolacha!), o celular da Renata (que estava embaixo do travesseiro! Como sabiam?), as havaianas (chiquérrimas!) com piercing dela, enfim, coisas que parecem sem valor, mas se somarmos ($$$) dá um prejuízo considerável. Ok, anotei tudo, o que eu tinha de nota fiscal eu separei e chamei a polícia depois de muito custo. Eles foram rápidos e chegaram em 1 minuto, causando no centro. Affff ! Contamos o que tinha acontecido, as histórias absurdas, os sumiços, etc. Relatamos tudo, fizemos a “denuncia” (nosso B.O. aqui), eles queriam revistar todos os quartos, mas naquela altura, não encontraríamos nada, depois de muito tempo chegamos ao consenso de que pela manhã eles estariam lá bem cedo para interrogar os funcionários responsáveis pela limpeza e me fazer perguntas. Disse ao policial que se a história não se resolvesse ali, levaria adiante até Buenos Aires (já que ficaríamos no Che Lagarto também!) e sairia sem pagar as nossas 3 diárias (USD$ 42 total para cada uma). Nem consegui dormir, pois já era tarde, cochilei, tomei banho, tomei café e aguardei a polícia chegar ou alguém me dar uma satisfação. NADA! Perguntei aos responsáveis que atitude eles tomariam e ainda seguiram duvidando da minha versão e não queriam me deixar ir embora enquanto eu não pagasse e a polícia não chegasse. Fiquei maluca! Discutimos ali e falei que se não me deixassem ir embora, eles também pagariam o valor do BUQUEBUS de 4 pessoas, já que estávamos em cima de hora. Nada foi resolvido, peguei nossas coisas, chamamos um táxi e seguimos pra encontrar o César no hotel que já nos aguardava preocupado pelo atraso. Saímos sem pagar e deixei para resolver a história com o possível “dono” da rede em Buenos Aires. Queria só ver!
ATUALIZANDO: antecipando o fim dessa história, ninguém em Buenos Aires se responsabilizou, afinal, são gerências diferentes, mas me passaram o email do grande responsável pelo Che Lagarto e este me disse que estávamos erradas em sair sem pagar, mas "que entendia o nosso lado". No entanto, se eu quisesse resolver mesmo, que eu voltasse à polícia de Montevideo para fazer nova denúncia e ficasse para os esclarecimentos. Ai eu me pergunto: vale a pena voltar pra lá e levar a história adiante? Não, afinal, não queria mudar os meus planos e estragar a minha viagem. Assumimos o prejuízo e alertamos aqui para o CHE LAGARTO MONTEVIDEO. Muito cuidado, eles podem modificar suas coisas de lugar e depois você se dar conta de que coisas sumiram! Não recomendo, apesar de ter elogiado TANTO na postagem anterior.
UM POUCO DE HISTÓRIA
Colonia del Sacramento é a cidade mais antiga do Uruguai, além de ser a capital da província de Colônia. Está localizada a aproximadamente 177 km de Montevideo e uns 45 minutos de barco de Buenos Aires, às margens do Rio da Prata e é uma das poucas cidades da região que ainda conserva grande parte de sua história. Possui localização estratégica, logo, foi alvo de muitas batalhas protagonizadas por duas potências européias expansionistas que disputavam o domínio das terras do Novo Mundo. A cidade tem origem na antiga cidade de Colônia do Santíssimo Sacramento fundada em 1680 por Manuel Lobo, a mando do Império Português no século XVII. A área onde localiza-se a fundação portuguesa, hoje faz parte do Centro Histórico, reconhecido pela UNESCO (1995) como Patrimônio da Humanidade. Foi fundada por portugueses e disputada décadas pelas coroas da Espanha e Portugal, tornando-se um reduto de estilos arquitetônicos, ora com suas construções de estilo colonial português, representadas pelas casas de pedra com telhados de duas e quatro águas, ora misturando-se com as casas de tijolos de açotéia (mirantes) clássicos da típica arquitetura espanhola. (Fonte: wikipedia)
PARA SABER MAIS:
http://viajeaqui.abril.com.br/materias/boasvindas/mt_boasvindas_cidades_250239.shtml
http://pt.wikipedia.org/wiki/Col%C3%B3nia_do_Sacramento