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Leandro Hilcko

Peru - Trilha Inca + Ica e Arequipa

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Já viajei várias vezes mas essa é a primeira vez que escrevo para compartilhar a minha experiência. Viajei para o Peru com três amigos para fazermos a trilha Inca no final de agosto de 2014 no estilo mochileiro. Então decidi escrever essas dicas, de forma bem objetiva como todo cartesiano, ao invés de montar um diário de viagem...

Os peruanos no geral são bastante amistosos e brasileiros são muito bem recebidos.

 

Altitude:

Lima é situada praticamente ao nível do mar mas a região de Cusco é bem alta, em torno de 3.400m. Assim, o ideal é você chegar e ficar uns dois dias para se acostumar com a altitude. Realmente o ar é rarefeito e você sente o cansaço. Uma simples escada já cansa, então nessa fase faça apenas atividades leves e beba bastante água. O mal da altitude, soroche, atinge cada um de uma maneira: dor de cabeça, tontura, fadiga, falta de ar, coração palpitante, etc. A minha maior dificuldade era para dormir, quando eu estava praticamente pegando no sono acordava com falta de ar, uma sensação horrível... Vá devagar no álcool também pois, devido a altitude, cada dose que você toma equivale a duas... eu achava que isso era lenda mas não é... senti na pele na primeira noite após tomar meia garrafa de whisky... hahaha.

 

Idioma:

O interessante é que alguns peruanos acham que portunhol é realmente um idioma... Poucas pessoas falam inglês, normalmente só os guias. Na região dos Andes, além do espanhol/castelhano, também é muito utilizado o qhíchua, também chamado de quéchua, língua utilizada na região antes mesmo do império Inca.

 

Moeda:

A moeda utilizada é o Novo Sol (PEN). É muito fácil achar locais para trocar moedas, especialmente em Cusco. O ideal é levar Dólar mas também é possível trocar Reais por Soles.

Cotação no final de agosto/2014:

R$1,00 : S1,15

US$1.00 : S2,80

US$1.00 : R$2,35

 

Temporada:

No verão não é muito indicado, principalmente se você for fazer alguma trilha, pois é a época de chuvas. O ideal é viajar no inverno, entre junho e agosto, época que chove pouco. Nesta época os dias costumam ser quentes, média de 18 graus mesmo no inverno, protetor solar é essencial, mas a partir das 17h a temperatura cai bastante e as noites costumam ser frias.

 

Segurança:

Apesar de ser um país pobre é muito seguro, poucas pessoas me abordaram para pedir esmola. Nas regiões turísticas praticamente não há pessoas morando da rua e não vi maloqueiros. Vi mais maloqueiros em 10 minutos no Centro de Curitiba do que nos 13 dias que estive lá. A noite também é seguro. O risco que você corre é ser cercado pelos vendedores ambulantes inclusive de madrugada.

 

Higiene:

Um dos pontos fracos do Peru. Ir ao banheiro não é muito simples. Normalmente não há papel higiênico e nem tampas nos vasos sanitários. Toalha ou papel para secar as mãos são ficção científica até mesmo nos banheiros com pagamento de taxa para utilização, normalmente S1,00. Chegando ao Peru compre o seu papel higiênico, as vezes vendido na rua. Esta é uma das principais dicas. Normalmente nas áreas turísticas (Plaza de Armas) a higiene é melhor.

 

Trânsito:

Muitos carros antigos, a maioria de origem asiática. Trânsito caótico, atravessar a rua é uma aventura. Os peruanos buzinam para qualquer coisa, se o cara não gostou da música que está tocando no rádio o cara buzina de raiva também... É o país dos táxis, dá impressão que 40% da população é taxista. Pela quantidade de táxis Buenos Aires fica no chinelo. O interessante é que não existe taxímetro, o valor da corrida deve ser previamente negociado, como praticamente tudo no país. Corridas de táxi são bem baratas. A maioria dos táxis é bem judiado e cheio de bugigangas penduradas, cinto de segurança é opcional e se você quiser pode ir até fumando. O carro normalmente utilizado é o Tico de origem asiática. Em algumas cidades como Ica existem os moto táxis, uma moto com carenagem, uma opção bem barata.

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Nunca pegue os táxis do aeroporto ou os que ficam nas rodoviárias (terraporto). Se você andar poucos metros até a rua poderá negociar e pagar bem menos. O ideal é pegar um táxi que esteja deixando alguém no local. Por exemplo, quando chegamos em Cusco, os taxistas do aeroporto queriam cobrar S40,00 (R$34,00) para uma corrida até a Plaza de Armas. Um táxi normal sai por S15,00 (R$12,75).

 

Comida:

O Peru está tentando criar uma identidade para o país e vem se destacando na Culinária Internacional. A comida é muito saborosa. A principal diferença é a carne: lhama, alpaca e cuy (porquinho da índia geralmente frito inteiro, disponível em Cusco). A alimentação é a base de arroz, milho e batata. Existem diversas variedades de milho e batata. Frango também é muito apreciado, existem milhares de pollerias no pais. Sopas também são bem comuns assim como chás. O chá de coca não tem nada de mais, pode tomar na boa. É comum também mascar as folhas. O chá está disponível em praticamente todos os hostels de Cusco. Um coisa bem marcante é um tempero, tipo salsinha, o qual não recordo o nome, muito utilizado em sopas principalmente, que possui um gosto bem marcante, meio azedo e amargo. Se você gosta de coisas doces experimente a Inca Cola, umas 3 vezes mais doce que a Coca Cola. A água é horrível, é muito difícil achar água mineral, normalmente você só encontra água tratada, você já sente a diferença no primeiro gole.

 

Compras/serviços:

Normalmente as pessoas não exigem gorjetas (propinas) diferentemente dos demais países de colonização espanhola nos quais você é praticamente obrigado a dar. Nem todos os lugares aceitam cartão de crédito. Quando for fazer compras negocie, pechinche, é normal, bem coisa de latino. Uma das principais reclamações dos europeus.

 

Cidade de Cusco:

Cidade alucinante com uma vibe muito legal. Turistas e mochileiros por todos os lados, principalmente europeus, muitos brasileiros também. Tudo gira em torno da Plaza de Armas, normalmente os pontos turísticos das cidades peruanas.

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Essa região concentra os principais hotéis, hostels, restaurantes e baladas. Região bem policiada e segura. Já comi hambúrguer em vários países, EUA, Argentina, Alemanha, Holanda, etc, mas um dos melhores do mundo com certeza está em Cusco: Papacho’s (Plaza de Armas), não deixe de visitar.

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Indico também os seguintes restaurantes: Tratoria Adriano, numa viela entre a praça São Francisco e a Plaza de Armas e o Cava Mora (Plaza de Armas) que tem uma excelente parrilhada assim como ceviche. Em Cusco você gasta entre S30,00 e $40,00 numa refeição muito bem servida. Ficamos no hostel Pariwana, um dos melhores da cidade. A night é um dos pontos fortes de Cusco. Existem várias baladas: Mama África: baladas dos gringos, praticamente só europeus. Outras bem famosas também são a Temple e a InkaTeam, muito frequentadas pelos peruanos. Você não precisa pagar para entrar e normalmente te oferecem free drinks dependendo do movimento. Já que terá se acostumar com a altitude recomendo fazer o city tur (ônibus panorâmico) por Cusco. Valle Sagrado: passeio disponível praticamente em todos os hotéis e hostels. Vale a pena conhecer os sítios arqueológicos, vistamos Ollantaytambo, Pisac, Chinchero e as Salinas. Os locais são afastados e normalmente a visita leva o dia inteiro. Se tiver tempo visite também Saqsayhuamán, Tipon etc. Todos os sítios arqueológicos estão descritos no Boleto Turístico de Cusco que você será obrigado a comprar. O boleto para dez dias custa S130,00 e o para um dia S70,00. Primeiro visite o Valle Sagrado para depois ir à Machu Picchu. Machu Picchu é tão tesão que você vai achar o resto sem graça se for depois.

 

Trilha Inca:

Ponto alto da viagem. É considerada a mais famosa caminhada na América do Sul e uma das 5 melhores trilhas do mundo. Aqui não tem escapatória, você é obrigado a contratar uma agência. Utilizamos a Machu Picchu Terra. É bem concorrido na alta temporada (inverno) pois são permitidas apenas 500 pessoas por dia na trilha, o ideal é reservar com 6 meses de antecedência. São 45km em 4 dias. A estrutura é bem precária, não é coisa para piá de prédio. Banheiros são praticamente um buraco no chão, existem poucos pontos de venda de água, apenas no primeiro e segundo dia, e banho apenas gelado, isso quando tiver. Na primeira e terceira noite conseguimos recarregar os celulares e máquinas fotográficas mediante um pagamento entre S3,00 e S5,00. Leve apenas o essencial: óculos de sol, protetor solar, repelente, água, boné/chapéu, lanterna, papel higiênico, lenço umedecido (tinha tirado sarro de um amigo que levou mas é bem útil), capa de chuva e alguma coisa para comer. Não precisar levar muita roupa, durante o dia costuma ser quente mesmo no inverno mas as noites são bem frias. Um bom saco de dormir é essencial assim como luvas e touca. Dorme-se e acorda-se muito cedo, as vezes as 4 da manhã. Além da paisagem você vai ficar impressionado com a equipe que acompanha o guia, normalmente um cozinheiro e dois assistentes. Eles se comunicam entre eles apenas em quéchua. Os caras carregam todo a estrutura/mantimentos do acampamento nas costas, em torno de 30 quilos. Toda a estrutura dos acampamentos é montada pelos carregadores. São três refeições, café da manhã, almoço e janta. E não é qualquer refeição, tem entrada e mais dois pratos, até pizza os caras fazem no mato. A comida é excelente. Fico imaginando se um cara desse tivesse uma estrutura a sua disposição para trabalhar, iria deixar muito cozinheiro no chinelo. Aqui é o único local que pediram gorjeta (propina) para os carregadores. O guia ganha melhor, US$100,00 por trilha. Os demais ganham menos e por isso solicitam gorjetas. Os caras são bem gente boa, dei vários presentes como lanterna, bermuda, agasalho, camiseta, etc. O primeiro dia é o mais tranquilo, poucas subidas e decidas. Agora o segundo dia é hardcore... você sai de 3.000m para 4.205m numa subida sem fim. Neste dia pensei em desistir, assim como metade das pessoas que estavam fazendo a trilha... depois ainda tem uma decida de 4.205m para 3.500m no mesmo dia. Não é a toa que esse trecho é conhecido como “passagem da mulher morta”.

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O terceiro dia também é tranquilo assim como o quarto. O trecho do quarto dia é a trilha inca original e o melhor de todos. Quando você chega a Machu Picchu a sensação é maravilhosa, a vista é de cima, diferente de quem não fez a trilha, que entra por baixo, o visual é incrível. Em 4 horas sem pressa você conhece Machu Picchu inteira.

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Cidade de Ica:

A partir daqui viajei sozinho. O que me chamou a atenção nesse local foi a lagoa de Huacachina, um oásis no meio do deserto. Único na América do Sul. O problema é que fica longe de Cusco, 700 km, são 17 horas de viagem de ônibus. Viajei pela Cruz del Sur, excelente empresa, sempre à noite, na parte de baixo do ônibus existem as poltronas VIP com reclinação de 160 graus. O local vale a pena, muito bonito. Aqui é sussegado, não tem o agito de Cusco. Muitos casais e praticamente só europeus, eu era o único brasileiro na lagoa. Local perfeito para a prática do sandboarding. O pôr do sol nas dunas é muito bonito.

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Região produtora de vinho e pisco do Peru. Visitei uma bodega de pisco, a El Catador, mas não tem nada de mais. A produção de pisco e vinho ocorre apenas em março. Se tiver tempo vá para o litoral, Islas Balesteras, parece ser bem interessante, porém fica distante. Recomendo o restaurante Bolepo (lagoa de Huaccachina). Aqui tem o cardápio mochileiro, você almoça por apenas S15,00, com direito a entrada, prato principal e mais um pisco sauer. Normalmente só o pisco sauer custa isso em Cusco. Aqui fiquei no hostel Curasi.

 

Cidade de Arequipa:

Também viajei de ônibus à noite. São 11 horas de viajem de Ica-Arequipa e 10 horas de Arequipa-Cusco. Aqui também há a predominância de turistas europeus. Segunda maior cidade do Peru, menor apenas que Lima. A arquitetura da cidade é única, conhecida como Cidade Branca, tendo em vista uma pedra que só existe na região.

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Foi o local que fiquei menos tempo, cheguei de manhã e fui embora no mesmo dia à noite. Aqui também tudo é ao redor da Plaza de Armas. A arquitetura de Arequipa é muito bonita. A gastronomia é um dos pontos fortes da cidade. Atrás da catedral tem uma rua de pedestres onde você consegue almoçar por S15,00 uma comida excelente, entrada mais prato principal. Como tinha pouco tempo não fiz nenhum passeio e fiquei pela região da Plaza de Armas.

 

Finalizando, recomendo a visita ao Peru, gostaria de ter conhecido Lima também mas infelizmente não deu tempo. Com certeza é um dos melhores destinos na América do Sul com um excelente custo-benefício. Já estou planejando em fazer a outra trilha pra Machu Picchu, a Salkantay de 5 dias e 4 noites...

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Bem maneiro mesmo.

 

Eu decidi não fazer as trilhas pq ainda sou "piá de prédio" :lol:

Então estou fazendo com um grupo aqui do sul umas menorzinhas pra ir aprendendo e se adaptando. Pra quem for daqui (RS ou SC) recomendo eles (http://www.indiadabuena.com.br/). Pra quem não for, recomendo tb ::otemo::

 

Então vou pro Peru fazer os passeios normais mesmo. E num futuro pretendo ir fazer a Salkantay.

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Bem maneiro mesmo.

 

Eu decidi não fazer as trilhas pq ainda sou "piá de prédio" :lol:

Então estou fazendo com um grupo aqui do sul umas menorzinhas pra ir aprendendo e se adaptando. Pra quem for daqui (RS ou SC) recomendo eles (http://www.indiadabuena.com.br/). Pra quem não for, recomendo tb ::otemo::

 

Então vou pro Peru fazer os passeios normais mesmo. E num futuro pretendo ir fazer a Salkantay.

 

Valeu Mathew,

 

Além do segundo dia ser bem puxado praticamente não tem conforto nenhum... banho só no último dia e ainda gelado.

 

Abraço.

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