Ficamos 20 e poucos dias nesses três países. Vou colocar aqui a parte da Índia e depois coloco o resto no fórum certo.
IDA
Já comecei a viagem com um susto grande, quase perdendo o voo da Emirates. Mas passado esse susto inicial, consegui chegar em São Paul o e entrar no avião a tempo.
Fizemos uma conexão de algumas horas em Dubai. Muito tranquilo o aeroporto. Se você tiver toalha, também pode tomar um banho por lá de graça.
NEW DELHI – Dia 1
Chegamos em New Delhi pela manhã. Passamos pela imigração com tranquilidade. Preparem-se para que os indianos comecem a pedir e repedir e conferir e reconferir a passagem, o passaporte, os carimbos e etc.
Trocamos grana no ThomasCook na área de desembarque do aeroporto. Depois de ler sobre vários golpes, resolvemos pegar o primeiro táxi dentro do próprio aeroporto, uma vez que são “confiáveis”....Claro....
Não lembro o valor, mas foi algo em torno de 1500 INR para 4 pessoas. Estava caro, mas não tínhamos idéia de nada. Saímos do aeroporto com o cara do guichê e já começamos a ser assediados pelos motoristas. No início nós éramos muito solícitos e conversávamos muito, mas no final da viagem simplesmente ignorávamos.
Durante o caminho o motorista foi bem falante. Tudo parecia muito bom. Mas daí ele para no meio do nada e aponta um “centro de informações oficial do governo” e que por sermos novos na cidade, era entrarmos lá. Nós falamos que não queríamos, mas ele insistiu para que todos entrassem. Como estávamos em quatro, dois de nós fomos ver.
Chegando lá dentro, eu disse que o motorista nos obrigou a entrar e que eu não queria nenhuma informação. O atendente disse que não havia necessidade de ter ido lá e que o motorista não devia saber onde o hotel era. Ele me perguntou o nome e eu, inocentemente, falei. Daí ele saca um app maluco do celular (muito parecido com o TripAdvisor) e começa a mostrar só reviews horrorosos do hotel e conta que é muito comum fazerem anúncios faltos no Booking.com.
Enquanto ele contava, fomos andando em direção ao carro. Confesso que comecei a ficar meio desesperado. Mas daí ele começou a falar que era para sairmos do táxi e que ele nos levaria em um hotel bom, muito perto de lá e que até dava para ir a pé. Começou com um papinho de “You´re the boss” e tal. Foi aí que deu um clique na gente! Lembramos dos vários relatos onde os indianos tentavam levar os turistas para outros hotéis e tal. A partir daí, fechamos a cara e insistimos com o cara e o motorista que queríamos ir para o hotel. Que era perto da estação “New Delhi” (melhor ponto de referência não há, certo?) e tal.
Depois de muito insistir, o motorista de repente lembrou da rua do hotel! Nossa, que legal ele!
Andamos pouco mais de carro e chegamos no tão famoso hotel.
Então, o hotel não era bom. Faltava água durante a noite, a roupa de cama era velha. O banheiro muito sujo e todos os carregadores ansiosos por gorjetas. Especialmente o sujeito que nos atendeu e que ficava lá durante a noite. Esse sim foi um dos piores da viagem. Mas era um hotel real, com uma localização muito boa e tinha a nossa reserva no sistema. Foi um grande alívio viu?
Tomamos um banho depois dos milhares de horas de viagem e saímos para passear.
Pegamos um tuk-tuk próximo ao hotel até a região do Indian Gate. Era domingo e estava bem cheio, como quase todos os lugares na Índia. Não tivemos de pagar nada para entrar e é uma região bem legal. Tem também o Rashtrapati Bhavan, que está no outro extremo da avenida. Nessa avenida (e também na Índia inteira), o pessoal vende umas bolinhas estranhas. São ocas e parecem ser fritas. Daí quando você compra a porção (de umas 5), o cara te entrega um potinho, retira elas do saco (sempre com as mãos), molha em um molho esquisito com coisas boiando e coloca no seu potinho. Confesso que não conhecíamos a higiene local, mas uma vez pago, claro que iríamos comer. Não era gostoso, mas também não era ruim.
(Descobri que chama Pani-Puri. Essa foto não é minha, mas dá pra ver os bolinhos e a mão da pessoa no canto direito com um dos potinhos)
De lá, pegamos outro tuk-tuk até a Purana Qila. É um conjunto de ruínas, bem legal também. Como era domingo, estava cheio de gente passeando. Muitos homens de mão dada (isso é um hábito na Índia). Não lembro o preço, só que para turistas é beeeem mais caro do que para os locais. Aliás, isso acontece muito por lá.
Já era tarde quando saímos de lá. Andamos de um lado para o outro, mas não achamos nenhum restaurante. O app do TripAdvisor até que indicava alguns, mas não achamos nada. Ali lembra muito Brasília, com vários prédios do governo e tal.
(Indian Gate)
No fim, voltamos para o hotel e comemos em um restaurante bem feio por lá, mas que acabou sendo um dos MELHORES. Era na Arakashan Road mesmo e tinha os frangos pendurados na porta. Era meio feio, mas muito justo e gostoso.
NEW DELHI – Dia 2
Esse era nosso último dia em Delhi. Acordamos cedo e fomos andando até a Connaught Place. É uma praça gigante e bem bonita, que era próxima ao hotel. Tomamos café lá perto e pegamos um tuk-tuk para o Red Fort. Infelizmente, quando chegamos, descobrimos que ele não abre na segunda feira. Aliás, a maioria dos pontos turísticos de Delhi não funciona nas segundas. Isso foi foda....
Pegamos o mesmo tuk-tuk e pedimos para circular por Old Delhi. Era uma região bem feia e não animamos de descer para andar pelo bazar que vimos lá. Para não ficar sem fazer nada, resolvemos ir até o Akshardham. Também estava fechado, mas deu para tirar uma fotinha de longe.
Voltando de lá, o motorista do tuk-tuk diz que quer nos levar ao ‘shopping center’. Pô, como estava tudo fechado, dissemos que sim. Mas daí ele começa a embrenhar pelo bairro, entra num pátio e um sujeito abre uma porta com uma escada para baixo O_o. Começamos a reclamar que não entraríamos lá e que era para irmos embora. Conversando mais com o motorista, nós descobrimos que essas lojas dão vales para que eles possam abastecer o tanque de gás do tuk-tuk se eles levarem turistas para lá. Daí ele queria que entrássemos para ganhar o dele e que não precisávamos comprar nada. Mas ficou parecendo que estava levando a gente para um abatedouro!
Por último, tentamos ir até Humayun's Tomb. Era bem próximo e tentamos arriscar. Para nossa sorte, o lugar estava aberto! \o/
Passamos um bom tempo por lá. Na hora de ir embora, sempre muito pão duro, insisti para voltarmos de metrô. Tentamos um pouco, mas ficamos meio perdidos. Como o pessoal já estava ficando puto de andar no calor, resolvemos pegar um tuk-tuk de volta para a Connaught Place e trocar mais um pouco de grana antes de voltarmos para o hotel para pegar as malas.
Fechamos um precinho para apenas tomarmos um banho e enrolar um pouco antes de irmos para a estação. Nosso próximo destino era Jodphur e tínhamos de chegar à estação Dehli S Rohilla. Fechamos um táxi no hotel mesmo. Acho que o cara do hotel deu uma ajuda. O taxista falou o preço e ele começou a falar grosso em hindu com o motorista. Milagrosamente, o preço abaixo =p
Essa estação é bem velha e meio longe da região do hotel. Mesmo assim, o táxi não ficou caro e chegamos lá tranquilo. Pagamos o taxista, achamos nossa plataforma e fomos andar pela rua. Achamos um macarrão muito bom. O nome local era Veg Chow Mie. No fim, era um yakisoba vegetariano. Mas MUITO barato, tipo uns 70 indianos! E ainda alimentou 3 de nós. Sentamos em uma mesinha próxima da barraquinha para comer enquanto apreciávamos a vista de mendigos e ratos próxima à estação. Sentimos nosso street smart/street credit aumentando bastante nessa hora.
Também comemos um pão com omelete muito bom. Não sei se tinha algum nome local para ele. Perguntamos o nome e o cara, meio espantado, disse “Omelet”. Ainda com o rosto intrigado, perguntamos para ele “Omelet? Really?”. Daí ele completa: “Yes....Egg omelete.”.....
Enfim, era algo parecido com isso:
O trem chegou na hora certa e nosso nome estava na porta. Eles colam a lista de passageiros em cada vagão. É meio desorganizado, mas sempre dá pra encontrar o pessoal que trabalha para a empresa de trem. Não são muito educados (talvez até porque não sabem falar inglês muito bem), mas sempre davam a informação ou apontavam para onde conseguir.
JODPHUR – DIA 3
Chegamos pela manhã em Jodphur depois de uma viagem super tranquila de trem. Fomos no vagão 2AC, que tem ar condicionado, mas não existem cabines. A separação entre as pessoas é feita com cortinas. É bem tranquilo, já que nós quatro ficamos próximos. Daí amarramos nossas malas e apagamos.
Como não tínhamos hotel, usamos o locker da estação. O nome lá é ‘cloack room’, já que não existe nenhum armário. Mas é bem tranks, você mostra o seu bilhete, paga a quantia e deixa sua mochila em uma sala cheia de estantes. Daí para retirar, você precisa mostrar o papel.
Assim que saímos para as ruas, começaram a nos abordar. É meio foda isso, mas você acostuma. Ignoramos todo mundo e saímos andando. Depois de uma certa distância da estação, chamamos um tuk-tuk que nos ofereceu um preço muito barato para o Mehrangarh Fort. Nem precisamos negociar.
O caminho é bem legal, você vai vendo o forte de longe e vai vendo ele maior aos poucos. É um verdadeiro castelo, muito bonito!
Chegando lá existe uma pseudo revista na sua mochila antes de entrar no forte. Lá dentro, existe novamente a diferença de entrada para turistas e os locais. Depois de andarmos por todo o forte, nossa próxima parada era na tirolesa Flying Fox. O escritório é dentro do forte mesmo. Se alguém perguntar, é só falar que está indo lá. É o suficiente.
É carinha a tirolesa, mas compensa muito. O pessoal é muito profissional e fazem tudo no prazo certinho. Muito legal!
Depois da visita ao forte, enquanto esperávamos a hora da tirolesa, fomos fazer uma rápida visita ao Jaswant Thada. É logo ao lado do forte. Dá para ir andando tranquilamente, mas pegamos um tuk-tuk. Tem em todo lado e, como sempre, tem de negociar.
Após a tirolesa, fomos dar uma volta pelas casinhas azuis. O acesso pode ser feito por dentro do forte mesmo. É só continuar descendo que você chega lá.
O lugar não é muito bonito. Tem muito lixo na rua e tal, mas não é perigoso. Em resumo, é uma favela arrumadinha. Recomendo!
De lá, pegamos outro tuk-tuk para Maha Mandir. Essa foi a maior furada da viagem. Quando pedimos para ir até lá, o motorista ficou intrigado e até perguntou várias vezes se era lá mesmo. Depois de uma longa viagem (é bem distante do forte) e depois de várias vielas, chegamos. Não tinha ninguém por lá. Nenhum turista e nenhum indiano. O lugar é até bacana, mas estava todo sujo e mal cuidado. Além disso, tinha uma velhinha que falou para fazermos ioga por lá. Quando falamos não, ela ficou brava e começou a esbravejar.
Tínhamos pedido ao motorista para nos esperar do lado de fora. Logo, foi rápido chegar à estação. Demos uma andada por lá e começamos a atacar os street food que conseguíamos encontrar. Uma hora nos deparamos com uma espécie de melado de açúcar misturado com sementes e lotado de moscas. Estávamos parados ao lado, comentando e apontando, e do nado, o vendedor tira um pedaço e nos oferece. Muito, mas muito nojento. Tinha altos mosquitos grudados que o cara tirou com os dedos antes de entregar para nós. Aí foi foda, tivemos de fingir que estávamos comendo, mas foi só virar a esquina que cuspimos. Simplesmente não dava para comer!
Na estação, entramos em uma sala de espera para alguma das classes e ficamos lá por um ou duas horas até nosso trem chegar. Seriam poucas horas até Jaipur.
JAIPUR – Dia 4
Chegamos a Jaipur no início da madrugada, por volta de 1 da manhã. Havíamos combinado com o pessoal do hotel para nos buscar na estação e, felizmente, o cara estava lá com uma plaquinha com o nome do meu amigo.
Esprememo-nos no tuktuk do cara. Chegando lá, ele já quis fechar o pacote para o dia seguinte. O cara era gente boa e fez um preço muito bom: 800 rupias para todos nós.
Entramos no hotel e, conversando com o atendente, descobrimos que havíamos feito a reserva errada. Reservamos apenas uma diária, mas ficaríamos duas. Felizmente o hotel estava vazio, então não foi difícil para nos acomodar lá. Ufa!
Esse hotel foi muito bom, fica a dica. É próximo da estação, mas não muito das atrações da cidade. Ele tem um restaurante no teto. Fomos jantar um dia e a dona do hotel chega e começa a conversar, perguntando como estavam as acomodações e a internet. Aquele lengalenga de sempre. Ela contou que muita gente posta review ruim do hotel ao invés de falar com ela e que era para escrevermos uma boa avaliação. Até aí ok né? Mas aí ele pede ao meu colega: “Go to this site: T-R-I....”. Meu colega: “TripAdvisor?”. Ela: “Sim, isso mesmo”.Só sei que ele deu uma desculpa que escreveria tudo quando chegasse no Brasil e tal. Mas foi meio esquisito =P.
Depois de acordar e tomar café, fomos para o lado de fora esperar nosso motorista. Foi aí que chega um cara totalmente aleatório (do lado de fora estava cheio de tuktuks e táxis), perguntando se iríamos passear. Dissemos que sim e que estávamos esperando nosso motorista. Aí ele solta: “Isso, foi ele que me mandou aqui”. O_o
Começamos a fechar a cara, mas então ele cita o nome do cara que nos pegou na estação e explica que era o primo dele. Como ele até sabia o preço combinado, fomos com ele.
Nosso primeiro ponto foi o City Palace. Foi +/-, já que estavam decorando-o para algum evento noturno. Mas foi lá que começaram a pedir para tirar fotos conosco: comigo, porque tenho uma tattoo grande no braço e andava de camiseta, e com meu colega, porque ele tem quase 2 metros de altura. E também foi lá que um macaco quase atacou meu amigo pela primeira vez.
Próximo ao palácio tem o Jantar Mantar de Jaipur. Não entramos porque havíamos entrado no de Delhi. Foi uma bosta, dinheiro queimado. Mas depois, encontramos um cara dizendo que era muito bom. Então sei lá =/
Depois do palácio o motorista nos levou em um templo muito bonito. Ele sugeriu o lugar e foi muito legal. Além disso, era bem barato para entrar e estava bem tranquilo. Procurando no google, acho que é esse lugar aqui Gatore Ki Chhatriyan.
Depois seguimos para o Nahargarh Fort. Foi aí que nosso motorista nos falou sobre o perigoso DeiRan através do sábio conselho: “If you want to take pictures, don´t give your câmera to the locals cause DeiRan (they run)”. Não preciso dizer que isso virou piada para a viagem inteira.
(Isso é dentro do forte)
O forte é muito doido e muito grande. Dá pra perder umas 2 horas lá tranquilamente. Além disso, na entrada tem várias barraquinhas para experimentar a culinária local.
Em seguida, o motorista tinha de dar uma de indiano! Perguntou se queríamos ir a uma fábrica têxtil. Como já sabíamos do esquema de comissão e o pessoal queria comprar alguns lenços, aceitamos o convite. Chegando lá, nos deparamos com uma fábrica escrava e achamos que nos prenderiam e viraríamos carimbadores de estampa em pano.
Mas o lugar era doido. Faziam até terno sob medida em menos de 24h. Se não tivéssemos uma longa viagem....quem sabe....
(Quase viramos escravos aqui)
Saindo de lá, demos uma passada pelo Jal Mahal. Não tem muito o que fazer. O palácio fica no meio do lago e não é permitido entrar. Você só para de carro e tira uma foto mesmo.
(Só tirar foto de longe mesmo)
Nossa última parada foi no Hawa Mahal/Pink City. Novamente, você para, olha e tira uma foto. Não tem nem como entrar. Lembra aqueles prédios que são demolidos, mas a fachada é mantida.
Depois de andar pela cidade e tomar umas brejas para aliviar o calor (e ser abordado por quase todos os indianos da região), voltamos para o hotel. Jantamos e ajeitamos as coisas, pois acordaríamos cedo para pegar o trem até Agra.
Ficamos 20 e poucos dias nesses três países. Vou colocar aqui a parte da Índia e depois coloco o resto no fórum certo.
IDA
Já comecei a viagem com um susto grande, quase perdendo o voo da Emirates. Mas passado esse susto inicial, consegui chegar em São Paul o e entrar no avião a tempo.
Fizemos uma conexão de algumas horas em Dubai. Muito tranquilo o aeroporto. Se você tiver toalha, também pode tomar um banho por lá de graça.
NEW DELHI – Dia 1
Chegamos em New Delhi pela manhã. Passamos pela imigração com tranquilidade. Preparem-se para que os indianos comecem a pedir e repedir e conferir e reconferir a passagem, o passaporte, os carimbos e etc.
Trocamos grana no ThomasCook na área de desembarque do aeroporto. Depois de ler sobre vários golpes, resolvemos pegar o primeiro táxi dentro do próprio aeroporto, uma vez que são “confiáveis”....Claro....
Não lembro o valor, mas foi algo em torno de 1500 INR para 4 pessoas. Estava caro, mas não tínhamos idéia de nada. Saímos do aeroporto com o cara do guichê e já começamos a ser assediados pelos motoristas. No início nós éramos muito solícitos e conversávamos muito, mas no final da viagem simplesmente ignorávamos.
Durante o caminho o motorista foi bem falante. Tudo parecia muito bom. Mas daí ele para no meio do nada e aponta um “centro de informações oficial do governo” e que por sermos novos na cidade, era entrarmos lá. Nós falamos que não queríamos, mas ele insistiu para que todos entrassem. Como estávamos em quatro, dois de nós fomos ver.
Chegando lá dentro, eu disse que o motorista nos obrigou a entrar e que eu não queria nenhuma informação. O atendente disse que não havia necessidade de ter ido lá e que o motorista não devia saber onde o hotel era. Ele me perguntou o nome e eu, inocentemente, falei. Daí ele saca um app maluco do celular (muito parecido com o TripAdvisor) e começa a mostrar só reviews horrorosos do hotel e conta que é muito comum fazerem anúncios faltos no Booking.com.
Enquanto ele contava, fomos andando em direção ao carro. Confesso que comecei a ficar meio desesperado. Mas daí ele começou a falar que era para sairmos do táxi e que ele nos levaria em um hotel bom, muito perto de lá e que até dava para ir a pé. Começou com um papinho de “You´re the boss” e tal. Foi aí que deu um clique na gente! Lembramos dos vários relatos onde os indianos tentavam levar os turistas para outros hotéis e tal. A partir daí, fechamos a cara e insistimos com o cara e o motorista que queríamos ir para o hotel. Que era perto da estação “New Delhi” (melhor ponto de referência não há, certo?) e tal.
Depois de muito insistir, o motorista de repente lembrou da rua do hotel! Nossa, que legal ele!

Andamos pouco mais de carro e chegamos no tão famoso hotel.
http://www.tripadvisor.com/Hotel_Review-g304551-d1142017-Reviews-The_Raj_Hotel-New_Delhi_National_Capital_Territory_of_Delhi.html
Então, o hotel não era bom. Faltava água durante a noite, a roupa de cama era velha. O banheiro muito sujo e todos os carregadores ansiosos por gorjetas. Especialmente o sujeito que nos atendeu e que ficava lá durante a noite. Esse sim foi um dos piores da viagem. Mas era um hotel real, com uma localização muito boa e tinha a nossa reserva no sistema. Foi um grande alívio viu?
Tomamos um banho depois dos milhares de horas de viagem e saímos para passear.
Pegamos um tuk-tuk próximo ao hotel até a região do Indian Gate. Era domingo e estava bem cheio, como quase todos os lugares na Índia. Não tivemos de pagar nada para entrar e é uma região bem legal. Tem também o Rashtrapati Bhavan, que está no outro extremo da avenida. Nessa avenida (e também na Índia inteira), o pessoal vende umas bolinhas estranhas. São ocas e parecem ser fritas. Daí quando você compra a porção (de umas 5), o cara te entrega um potinho, retira elas do saco (sempre com as mãos), molha em um molho esquisito com coisas boiando e coloca no seu potinho. Confesso que não conhecíamos a higiene local, mas uma vez pago, claro que iríamos comer. Não era gostoso, mas também não era ruim.

(Descobri que chama Pani-Puri. Essa foto não é minha, mas dá pra ver os bolinhos e a mão da pessoa no canto direito com um dos potinhos)
De lá, pegamos outro tuk-tuk até a Purana Qila. É um conjunto de ruínas, bem legal também. Como era domingo, estava cheio de gente passeando. Muitos homens de mão dada (isso é um hábito na Índia). Não lembro o preço, só que para turistas é beeeem mais caro do que para os locais. Aliás, isso acontece muito por lá.
Já era tarde quando saímos de lá. Andamos de um lado para o outro, mas não achamos nenhum restaurante. O app do TripAdvisor até que indicava alguns, mas não achamos nada. Ali lembra muito Brasília, com vários prédios do governo e tal.
(Indian Gate)
No fim, voltamos para o hotel e comemos em um restaurante bem feio por lá, mas que acabou sendo um dos MELHORES. Era na Arakashan Road mesmo e tinha os frangos pendurados na porta. Era meio feio, mas muito justo e gostoso.
NEW DELHI – Dia 2
Esse era nosso último dia em Delhi. Acordamos cedo e fomos andando até a Connaught Place. É uma praça gigante e bem bonita, que era próxima ao hotel. Tomamos café lá perto e pegamos um tuk-tuk para o Red Fort. Infelizmente, quando chegamos, descobrimos que ele não abre na segunda feira. Aliás, a maioria dos pontos turísticos de Delhi não funciona nas segundas. Isso foi foda....
Pegamos o mesmo tuk-tuk e pedimos para circular por Old Delhi. Era uma região bem feia e não animamos de descer para andar pelo bazar que vimos lá. Para não ficar sem fazer nada, resolvemos ir até o Akshardham. Também estava fechado, mas deu para tirar uma fotinha de longe.
Voltando de lá, o motorista do tuk-tuk diz que quer nos levar ao ‘shopping center’. Pô, como estava tudo fechado, dissemos que sim. Mas daí ele começa a embrenhar pelo bairro, entra num pátio e um sujeito abre uma porta com uma escada para baixo O_o. Começamos a reclamar que não entraríamos lá e que era para irmos embora. Conversando mais com o motorista, nós descobrimos que essas lojas dão vales para que eles possam abastecer o tanque de gás do tuk-tuk se eles levarem turistas para lá. Daí ele queria que entrássemos para ganhar o dele e que não precisávamos comprar nada. Mas ficou parecendo que estava levando a gente para um abatedouro!
Por último, tentamos ir até Humayun's Tomb. Era bem próximo e tentamos arriscar. Para nossa sorte, o lugar estava aberto! \o/
Passamos um bom tempo por lá. Na hora de ir embora, sempre muito pão duro, insisti para voltarmos de metrô. Tentamos um pouco, mas ficamos meio perdidos. Como o pessoal já estava ficando puto de andar no calor, resolvemos pegar um tuk-tuk de volta para a Connaught Place e trocar mais um pouco de grana antes de voltarmos para o hotel para pegar as malas.
Fechamos um precinho para apenas tomarmos um banho e enrolar um pouco antes de irmos para a estação. Nosso próximo destino era Jodphur e tínhamos de chegar à estação Dehli S Rohilla. Fechamos um táxi no hotel mesmo. Acho que o cara do hotel deu uma ajuda. O taxista falou o preço e ele começou a falar grosso em hindu com o motorista. Milagrosamente, o preço abaixo =p
Essa estação é bem velha e meio longe da região do hotel. Mesmo assim, o táxi não ficou caro e chegamos lá tranquilo. Pagamos o taxista, achamos nossa plataforma e fomos andar pela rua. Achamos um macarrão muito bom. O nome local era Veg Chow Mie. No fim, era um yakisoba vegetariano. Mas MUITO barato, tipo uns 70 indianos! E ainda alimentou 3 de nós. Sentamos em uma mesinha próxima da barraquinha para comer enquanto apreciávamos a vista de mendigos e ratos próxima à estação. Sentimos nosso street smart/street credit aumentando bastante nessa hora.
Também comemos um pão com omelete muito bom. Não sei se tinha algum nome local para ele. Perguntamos o nome e o cara, meio espantado, disse “Omelet”. Ainda com o rosto intrigado, perguntamos para ele “Omelet? Really?”. Daí ele completa: “Yes....Egg omelete.”.....

Enfim, era algo parecido com isso:
O trem chegou na hora certa e nosso nome estava na porta. Eles colam a lista de passageiros em cada vagão. É meio desorganizado, mas sempre dá pra encontrar o pessoal que trabalha para a empresa de trem. Não são muito educados (talvez até porque não sabem falar inglês muito bem), mas sempre davam a informação ou apontavam para onde conseguir.
JODPHUR – DIA 3
Chegamos pela manhã em Jodphur depois de uma viagem super tranquila de trem. Fomos no vagão 2AC, que tem ar condicionado, mas não existem cabines. A separação entre as pessoas é feita com cortinas. É bem tranquilo, já que nós quatro ficamos próximos. Daí amarramos nossas malas e apagamos.
Como não tínhamos hotel, usamos o locker da estação. O nome lá é ‘cloack room’, já que não existe nenhum armário. Mas é bem tranks, você mostra o seu bilhete, paga a quantia e deixa sua mochila em uma sala cheia de estantes. Daí para retirar, você precisa mostrar o papel.
Assim que saímos para as ruas, começaram a nos abordar. É meio foda isso, mas você acostuma. Ignoramos todo mundo e saímos andando. Depois de uma certa distância da estação, chamamos um tuk-tuk que nos ofereceu um preço muito barato para o Mehrangarh Fort. Nem precisamos negociar.
O caminho é bem legal, você vai vendo o forte de longe e vai vendo ele maior aos poucos. É um verdadeiro castelo, muito bonito!
Chegando lá existe uma pseudo revista na sua mochila antes de entrar no forte. Lá dentro, existe novamente a diferença de entrada para turistas e os locais. Depois de andarmos por todo o forte, nossa próxima parada era na tirolesa Flying Fox. O escritório é dentro do forte mesmo. Se alguém perguntar, é só falar que está indo lá. É o suficiente.
É carinha a tirolesa, mas compensa muito. O pessoal é muito profissional e fazem tudo no prazo certinho. Muito legal!
Depois da visita ao forte, enquanto esperávamos a hora da tirolesa, fomos fazer uma rápida visita ao Jaswant Thada. É logo ao lado do forte. Dá para ir andando tranquilamente, mas pegamos um tuk-tuk. Tem em todo lado e, como sempre, tem de negociar.
Após a tirolesa, fomos dar uma volta pelas casinhas azuis. O acesso pode ser feito por dentro do forte mesmo. É só continuar descendo que você chega lá.
O lugar não é muito bonito. Tem muito lixo na rua e tal, mas não é perigoso. Em resumo, é uma favela arrumadinha. Recomendo!
De lá, pegamos outro tuk-tuk para Maha Mandir. Essa foi a maior furada da viagem. Quando pedimos para ir até lá, o motorista ficou intrigado e até perguntou várias vezes se era lá mesmo. Depois de uma longa viagem (é bem distante do forte) e depois de várias vielas, chegamos. Não tinha ninguém por lá. Nenhum turista e nenhum indiano. O lugar é até bacana, mas estava todo sujo e mal cuidado. Além disso, tinha uma velhinha que falou para fazermos ioga por lá. Quando falamos não, ela ficou brava e começou a esbravejar.
Tínhamos pedido ao motorista para nos esperar do lado de fora. Logo, foi rápido chegar à estação. Demos uma andada por lá e começamos a atacar os street food que conseguíamos encontrar. Uma hora nos deparamos com uma espécie de melado de açúcar misturado com sementes e lotado de moscas. Estávamos parados ao lado, comentando e apontando, e do nado, o vendedor tira um pedaço e nos oferece. Muito, mas muito nojento. Tinha altos mosquitos grudados que o cara tirou com os dedos antes de entregar para nós. Aí foi foda, tivemos de fingir que estávamos comendo, mas foi só virar a esquina que cuspimos. Simplesmente não dava para comer!
Na estação, entramos em uma sala de espera para alguma das classes e ficamos lá por um ou duas horas até nosso trem chegar. Seriam poucas horas até Jaipur.
JAIPUR – Dia 4
Chegamos a Jaipur no início da madrugada, por volta de 1 da manhã. Havíamos combinado com o pessoal do hotel para nos buscar na estação e, felizmente, o cara estava lá com uma plaquinha com o nome do meu amigo.
Esprememo-nos no tuktuk do cara. Chegando lá, ele já quis fechar o pacote para o dia seguinte. O cara era gente boa e fez um preço muito bom: 800 rupias para todos nós.
Entramos no hotel e, conversando com o atendente, descobrimos que havíamos feito a reserva errada. Reservamos apenas uma diária, mas ficaríamos duas. Felizmente o hotel estava vazio, então não foi difícil para nos acomodar lá. Ufa!
http://www.hotelkalyan.com/
Esse hotel foi muito bom, fica a dica. É próximo da estação, mas não muito das atrações da cidade. Ele tem um restaurante no teto. Fomos jantar um dia e a dona do hotel chega e começa a conversar, perguntando como estavam as acomodações e a internet. Aquele lengalenga de sempre. Ela contou que muita gente posta review ruim do hotel ao invés de falar com ela e que era para escrevermos uma boa avaliação. Até aí ok né? Mas aí ele pede ao meu colega: “Go to this site: T-R-I....”. Meu colega: “TripAdvisor?”. Ela: “Sim, isso mesmo”.Só sei que ele deu uma desculpa que escreveria tudo quando chegasse no Brasil e tal. Mas foi meio esquisito =P.
Depois de acordar e tomar café, fomos para o lado de fora esperar nosso motorista. Foi aí que chega um cara totalmente aleatório (do lado de fora estava cheio de tuktuks e táxis), perguntando se iríamos passear. Dissemos que sim e que estávamos esperando nosso motorista. Aí ele solta: “Isso, foi ele que me mandou aqui”. O_o
Começamos a fechar a cara, mas então ele cita o nome do cara que nos pegou na estação e explica que era o primo dele. Como ele até sabia o preço combinado, fomos com ele.
Nosso primeiro ponto foi o City Palace. Foi +/-, já que estavam decorando-o para algum evento noturno. Mas foi lá que começaram a pedir para tirar fotos conosco: comigo, porque tenho uma tattoo grande no braço e andava de camiseta, e com meu colega, porque ele tem quase 2 metros de altura. E também foi lá que um macaco quase atacou meu amigo pela primeira vez.
Próximo ao palácio tem o Jantar Mantar de Jaipur. Não entramos porque havíamos entrado no de Delhi. Foi uma bosta, dinheiro queimado. Mas depois, encontramos um cara dizendo que era muito bom. Então sei lá =/
Depois do palácio o motorista nos levou em um templo muito bonito. Ele sugeriu o lugar e foi muito legal. Além disso, era bem barato para entrar e estava bem tranquilo. Procurando no google, acho que é esse lugar aqui Gatore Ki Chhatriyan.
Depois seguimos para o Nahargarh Fort. Foi aí que nosso motorista nos falou sobre o perigoso DeiRan através do sábio conselho: “If you want to take pictures, don´t give your câmera to the locals cause DeiRan (they run)”. Não preciso dizer que isso virou piada para a viagem inteira.
(Isso é dentro do forte)
O forte é muito doido e muito grande. Dá pra perder umas 2 horas lá tranquilamente. Além disso, na entrada tem várias barraquinhas para experimentar a culinária local.
Em seguida, o motorista tinha de dar uma de indiano! Perguntou se queríamos ir a uma fábrica têxtil. Como já sabíamos do esquema de comissão e o pessoal queria comprar alguns lenços, aceitamos o convite. Chegando lá, nos deparamos com uma fábrica escrava e achamos que nos prenderiam e viraríamos carimbadores de estampa em pano.
Mas o lugar era doido. Faziam até terno sob medida em menos de 24h. Se não tivéssemos uma longa viagem....quem sabe....
(Quase viramos escravos aqui)
Saindo de lá, demos uma passada pelo Jal Mahal. Não tem muito o que fazer. O palácio fica no meio do lago e não é permitido entrar. Você só para de carro e tira uma foto mesmo.
(Só tirar foto de longe mesmo)
Nossa última parada foi no Hawa Mahal/Pink City. Novamente, você para, olha e tira uma foto. Não tem nem como entrar. Lembra aqueles prédios que são demolidos, mas a fachada é mantida.
Depois de andar pela cidade e tomar umas brejas para aliviar o calor (e ser abordado por quase todos os indianos da região), voltamos para o hotel. Jantamos e ajeitamos as coisas, pois acordaríamos cedo para pegar o trem até Agra.
Depois farei o restante.