Olá viajante!
Bora viajar?
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¡Por mais fidedigno e bem escrito que um relato seja, ele jamais vai beirar a tradução exata daquilo que se pretende conhecer. Estimular seu olfato, sua visão e principalmente sua imaginação de forma sublime é algo que só é possível vivenciado cada lugar, cada situação e cada defectível detalhe que nosso subconsciente teima em nos fazer esquecer rapidamente...
"A vida é uma viagem a três estações: ação, experiência e recordação" - Júlio Camargo
No final do ano de 2008 fiz minha primeira viagem internacional e quis o destino que eu fosse parar no Japão, não preciso nem dizer que fiquei simplesmente fascinado com a Terra do Sol Nascente, tanto é que no final de 2014 lá estava eu mais uma vez partindo para lá, e dessa vez para uma viagem bem mais planejada e com mais recursos, para fazer o que não consegui da primeira vez e para refazer quase tudo de 2008 que eu havia gostado demais. Como a viagem já estava decidida desde o inicio do ano, assim que o sites de pesquisa permitiram eu comecei a garimpar uma tarifa razoável porque uma passagem pro Japão é bem indigesta, na primeira vez em 2008 consegui por quase R$ 6.000,00 em tempos de crise pelas companhias Air-France e JAL, mas dessa vez a sorte estava do meu lado e eis que surge uma tarifa ótima da Turkish Airlines ainda no mês de Abril por R$3.400,00 não pensei duas vezes e adquiri logo, depois disso foi só contar os dias e elaborar o roteiro.

Como queria viajar muito pelo Japão e ir a locais bem longe como Hiroshima, Nagasaki eu decidi optar pelo JR pass, melhor decisão de todas, no fim a economia foi enorme e pude me locomover muito e sem me preocupar em pagar as tarifas. Funciona assim: você compra essa passe antes de chegar no Japão, ele é somente para turistas e pode-se optar por um período de 7, 14 ou 21 dias a depender do quando você vai viajar (http://www.japanrailpass.net/eng/en001.html) e de posse do mesmo você pode utilizar os trens da empresa JR que é a maior do Japão e pertence ao governo, ela oferece serviços de trem, shinkansen (trem bala) e ônibus em quase todos os cantos do país, ou seja, é uma economia e tanto, sem contar que o serviço é excelente, muito pontual e confortável, viajar de trem bala é muito melhor do que de avião.
Já no quesito dinheiro eu fiz como já venho fazendo há algumas viagens, saques em moeda local nos caixas ATM e no Japão não foi diferente, o diferencial foi que o caixa do Citibank no aeroporto de Osaka não me cobrou taxa nenhuma, mas como tinha alguns dólares em cash também eu resolvi trocar já no aeroporto, afinal de contas o Japão é um daqueles países onde a taxa de câmbio mais favorável de todas é logo na chegada no aeroporto, então tratei de torar os Obamas que tinha. Meus gastos com hospedagem foram bem reduzidos pois metade das noites que estive no Japão foi em casa de conhecidos que moram em Otsu, capital da província de Shiga e que fica a menos de 20 minutos de trem de Kyoto, então minha localização foi bem estratégica, tanto para ir para o norte, quanto para o sul nos pontos mais distantes.
Meu roteiro ficou assim
21/12/14 – VIX – GRU – Istambul
22/12/14 – Istambul – Osaka
23/12/14 – Otsu – Lago Biwa
24/12/14 - Kyoto – Kinkakuji, Kiyomizudera, Fushimi Inari, Kyoto University, Sanjo e Shijo
25/12/14 – Otsu – Ishiyama dera
26/12/14 – Iga-Ueno
27/12/14 - Iga-Ueno - Parque, Castelo e museu de Iga-Ueno (terra dos ninjas)
28/12/14 – Kobe – Porto de Kobe e bairro de Kitano
29/12/14 – Himeji – Castelo de Himeji
30/12/14 – Nara – Nara Park, templos de Kofukuji e Todaiji
31/12/14 - Otsu
01/01/15 – Otsu
02/01/15 – Arashiyama (Kyoto)
03/01/15 - Otsu
04/01/15 – Tokyo - Akihabara
05/01/15 – Nikko - Bate e volta de Tokyo
06/01/15 – Tokyo – Ueno, Odaiba, Shinjuku e Shibuya
07/01/15 – Tokyo – Asakusa e Sumida
08/01/15 – Odawara e Gotemba (Monte Fuji)
09/01/15 – Nagahama e Hikone (Castelo de Hikone)
10/01/15 – Hiroshima - downtown e jogo de vôlei masculino (JT Thunders X Suntory Sunbirds)
11/01/15 – Hiroshima – Peace park e ilha de Miyajima
12/01/15 – Hiroshima – Museu da Paz / ida para Nagasaki
13/01/15 – Nagasaki – Peace Park e museu da bomba atômica
14/01/15 – Nagoya – Nagoya Castle
15/01/15 - Takayama
16/01/15 – Osaka – Universal Studios Osaka
17/01/15 – Osaka – Rinku premium outlet – Castelo de Osaka
18/01/15 – Otsu – Retorno para o Brasil – Osaka-Istambul
19/01/15 – Istambul-GRU-VIX
Diferente de como fiz nos antigos relatos, dessa vez não farei dia por dia, mas sim de acordo com as localidades, mesmo que não seja a sequência correta, até por que, em algumas delas eu estive mais de uma vez. Quando pensamos em ir ao Japão a primeira barreira a ser superada é o idioma, na verdade é difícil mesmo, o inglês não é falado por uma grande parcela da sociedade, além disso o sotaque japonês para o inglês as vezes e difícil de entender, logo no aeroporto eu tive esse problema e não consegui entender de jeito nenhum o que queriam me dizer. O atendente, extremamente simpático, precisou escrever o que queria me perguntar, mas fora isso os japoneses fazem de tudo para te entender e te ajudar, mas as vezes é difícil mesmo e você tem que lançar mão do jogo de mimicas, caras e bocas e tudo mais, no entanto, dificilmente você não terá seu pedido atendido, a solicitude do povo japonês e impressionante.
Otsu:
Como dito acima, Otsu é a capital da província de Shiga e está numa posição bem estratégica para quem deseja viajar para todos os lados do Japão, a disponibilidade de hotéis não é tão grande como na sua vizinha mais famosa, Kyoto, além disso, as atrações no local não são muito grandes também, mas como estava na casa de amigos pude andar bastante por lá e conhecer muito da cidade que já tinha servido de base na minha primeira ida ao Japão, sendo assim, já estava familiarizado com a cidade e pude visitar alguns shopping, muitas praças, parques, canais e muitas lojas. A cidade é muito agradável e tem um jeito mais de interior, porém com toda modernidade japonesa, mas o que chama mesmo a atenção é o Biwako, maior lago do país e que encontra-se não só nesta cidade, mas em boa parte da provincia de Shiga.
Talvez um dos melhores roteiros na cidade seja alugar uma bicicleta e percorrer parte da margem do lago de um lugar a outro, ou até mesmo atravessando o Biwako por uma de suas muitas pontes, como não se trata de uma cidade tão grande, provavelmente você vai sair dela e chegar a outra, Kusatsu é uma delas e que também tem o lago como parte do seu cenário, passeio tranquilo sem se preocupar com a segurança que no Japão é 100%. Passe em um supermercado ou em um bentô (restaurantes que vendem comida em pratos prontos para serem levados para casa ou qualquer outro lugar que queira comer) e compre o que comer, em algumas de suas paradas faça uma refeição contemplando o lago e se perca o dia inteiro nessa maravilha natural do Japão.
Outra atração muito boa de Otsu é o templo de Ishiyama Dera, por sorte fui convidado por um casal de senhores japoneses que acabei conhecendo na viagem passada para conhecer esse templo no natal, por se tratar de um país quase que em sua totalidade budista e xintoísta essa festa cristã não tem tanto significado assim para eles. Lisonjeado pelo convite eu pude conhecer um local que poucos turistas vão, trata-se de um templo pequeno mas de intensa beleza, sem contar que no dia que fomos o mesmo estava quase vazio e deu para apreciar tudo com calma e aproveitar bastante. O templo que foi construído na metade do século VIII e recebe esse nome por causa das famosas rochas brancas que existem no seu interior, a tradução do japonês fica “Rock Mountain Temple” e ainda possui jardins muito bonitos, com flores que chamam muito a atenção, uma dessas flores foi batizada em homenagem a famosa escritora japonesa Murasaki Shikibu que começou a escrever um de seus mais famosos livros (The Tale of Genji) neste templo ainda no século XI, usando o cenário como inspiração para sua obra literária.
Agradeço profundamente a esse casal de japoneses da família Saka que não só me proporcionaram esse passeio em Otsu, assim como um outro inesquecível em 2009 na vila de Shigaraki, famosa pela produção das lindas cerâmicas japonesas. Além de terem ajudado muito durante toda a estada no Japão, gratidão eterna a essas duas pessoas e uma promessa de sempre que voltar à Terra do Sol Nascente passar por lá para vê-los e dizer mais uma vez: muito obrigado.
Continua no próximo post.
Em breve um relato completo e bem mais detalhado vai estar no meu blog: http://namochiladealeh.blogspot.com.br/