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Eriendson

Bolívia: História, Revolução e Aventura

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Antes de qualquer comentário inicial sobre a viagem, quero aqui registrar meu agradecimento aos mochileiros que aqui fazem parte do site, pois foram com esses relatos que aprendi a seguir os caminhos do bom viajante.

 

 

Por que a Bolívia? :D

No meio de dezembro resolvi viajar e queria escolher um destino americano do sul, que eu pudesse desfrutar na época carnavalesca. Daí fui olhar o que havia nos países que ainda não tinha conhecido. Namorei o Paraguai, mas achei muitas limitações (talvez seja muita ignorância de minha parte), e fui ver a Bolívia, e fui olhando, olhando, e escolhi, “esse é o país”. Comecei adentrar imensamente nas informações dos amigos mochileiros desse site, e comecei a montar o que seria a minha aventura. Viajaria sozinho, portanto deveria cuidar de todos os detalhes. Em dezembro mesmo comprei via Site da Gol as passagens de Recife a Santa Cruz, com conexão em Guarulhos. :D:D:D

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(Pode parecer repetitiva algumas informações, mas sabemos que sempre nascerão e surgirão viajantes novos, e essas informações não serão nada velhas.) ::putz::::putz::

 

Dia 07 Fevereiro 2015 – Sábado – Meu aniversário :P

Embarquei sozinho rumo à Bolívia, saindo de Recife as 5h35 da manhã - e fazendo conexão rápida em São Paulo/ Guarulhos – chegando ao Aeroporto de Viru Viru/ Santa Cruz de La Sierra de 12h10 da tarde.

Tinha um voo comprado pelo BOA - http://www.boa.bo/brasil/inicio - para partir do Viru Viru para La Paz às 17h. Comprei a passagem aérea para La Paz querendo embarcar no final da tarde pois fiquei receoso de ter problemas de atraso de voos ou filas de imigração enormes. Pois já passei por isso no Peru em 2013. ::vapapu::

 

Ao chegar no Viru Viru, passei pela imigração e logo após pela Aduana, onde a revista de maletas e malas é bem rigorosa. Tive que abrir a minha e o inspetor lá passou aquela mão dele enorme nas minhas roupas procurando uma bomba, ou algo parecido. Se eu soubesse que ele passaria a mão por baixo teria colocado minhas cuecas sujas pra ele ficar com a mão lembrando-se de mim depois. Mas brincadeiras à parte, vamos seguir. Uma dica que eu destaco: Leve uma caneta consigo, pois você precisará preencher os formulários de imigração. :arrow:::quilpish::

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O Aeroporto de Viru Viru é um aeroporto organizado de dois andares. Com poucos lugares para comer. Fiz um câmbio pra ter algum valor em mãos. E troquei R$ 250,00 por 500 Bolivares (câmbio muito ruim). Fui atrás do chip da Tigô (empresa de telefonia celular boliviana), mas para minha surpresa, meu celular não pegaria o chip pois ele precisaria ser cortado antes. Daí nem comprei e fiquei usando o Wi FI do aeroporto até dar a hora do próximo embarque. Fiz uma refeição leve numa lanchonete chamada My Way (tipo subway) e paguei com Cartão de crédito, que havia desbloqueado antes de viajar.

Nota Importante: Santa Cruz de La Sierra possui dois aeroportos importantes: O VIRU VIRU e o TROMPILLO.

 

 

Por volta das 14h fiz meu checkin na BOA (Boliviana de Aviacíon), e despejei minha mala gigante, e fiquei mais livre com minha mochila de costas. No horário marcado fui para a área de embarque do Viru Viru que fica no primeiro andar, e sem maiores acontecimentos relevantes adentrei o avião. Seria uma viagem de 1 hora, onde ainda foi servido um lanchinho com suco (coisa que a GOL não fez) e ainda pedi um café bem quente. Uns 10 minutos antes de chegar em La Paz, fique de olho na sua janela, pois o avião sobrevoa os Andes lhe dando uma visão linda do lugar. Logo depois vem uma centena de milhares de casas sem acabamento exterior, que descobri pelo mochileiros.com que é uma forma de pagar um menor imposto residencial, e chego no Aeroporto de El Alto – La Paz. Ainda dei uma andada no aeroporto com meu sensor de curiosidade ligado em busca de coisas novas.

 

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Peguei uma “flota” (que são minivans que fazem transporte coletivo). De cara descobri que o trânsito da Capital boliviana é um inferno. Havia já conhecido um trânsito caótico no mundo, que é o de Lima/Peru. Sai do aeroporto 18h25 e cheguei no hotel às 20h (Hostal Maya Inn – Rua Sanargana). O trânsito realmente é parado, com mil buzinas e um motorista fechando o outro.

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Desci em frente à Igreja de São Francisco, onde havia muita gente, uma música alta, aquele clima de show mesmo. Subi uma ladeira, que não desejo pra mochileiro nenhum, e meu corpo começou a dar os sinais do pavoroso Soroche. Falta de ar e dor na cabeça. Fiz o Checkin no hotel e fui pro quarto, depois desci para uma refeição rápida (pão com frango e abacate e suco, e mate de coca) e fui arrumar os roteiros. Descobri a primeira falha que cometi na viagem: Esqueci o adaptador, pois no Brasil é de 3 pinos e na Bolívia de dois (como era antes na República Federativa do PT.) ::Cold::::Cold::

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Não cantei parabéns, nem apaguei velinhas, mas meu aniversário foi sensacional. ::hahaha::

Fui dormir!

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Dia 08 de Fevereiro 2015 – Domingo - La Paz

 

Antes de descrever a rotina do dia aos viajantes e amigos do site, quero deixar aqui algo que vale a pena não passar em branco: A Bolívia tem seus desprestígios em relação à riqueza do país, pois historicamente FOI ROUBADA, a Espanha sugou Potosi (que falarei nos dias seguintes) e destruiu o país. Mas o que quero ressaltar é a ignorância de uma quantidade de brasileiros que acham que a Bolívia que é um país que só tem cocaína, pobreza, costureiro, e as FARCS (Creia. Eu ouvi isso de um familiar meu!). E isso passa longe do senso de verdade. Brasil não tem moral nenhuma pra falar do país dos outros. Tem o Rio de Janeiro com seu tráfico, tem a pobreza violenta de parte do Nordeste, Norte e porções de Minas Gerais, e possui umas das maiores criminalidades da América. Moro em Recife e todo dia penso em violência. É isso! Tava preso o desabafo! ::carai::::carai::

 

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Acordei e fui “me desayunar”. O hotel oferecia incluso o café da manhã. Logo depois fui atrás do bendito adaptador pra ligar meu notebook, e subi a famosa Calle Lhampu, onde há o famoso mercado de las Brujas. Vi algumas tendas vendendo seus fetos de lhama, e outras coisas misteriosas. Outras tendinhas armadas no meio da rua mesmo vendendo frutas, e aquelas senhoras bem vestidas com trajes típicos. E lá pelas bandas da Lhampu achei o adaptador. ::lol4::

 

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Fui atrás de uma agência, das indicadas pelo site aqui, para fechar o Downhill (que será amanhã) e o Chacaltaya + Valle de La Luna. Depois de algumas pesquisas, achei a agência ADOLFO ANDINO – Calle Sagarnafa, 384.

Fechei o Downhill com Bike Hidráulica por B$ 355,00

E o Valle de La Luna + Chaca por B$ 90,00 (sem incluir os B$ da entrada do parque.

Fiz câmbio na própria Sagarnaga a R$ 2,32 (eu não tive a mesma sorte que os colegas anteriores). ::vapapu::

 

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Fiz a tentativa de ir no Museu da Coca, mas estava fechado, pois é domingo.

Dei uma passada na frente da Igreja de San Francisco, e segui para meu tour urbano sentido Plaza Murillo, sede do governo. Durante o trajeto vou acompanhando tudo, e observando ao máximo o que o boliviano tem. Notei que mijar na rua é normal. Normal mesmo! Não estou falando no canto da parede em um lugar deserto, imagina parar na avenida paulista num poste e mijar ali mesmo. As pessoas tomam aquele suco ADES na caixa mesmo, vi várias vezes isso. As marcas PIL e Tigô monopolizam a cidade com seu anúncios. ::toma::

 

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A Plaza Murillo é um cartão-postal a céu aberto. Um lugar muito “hermoso” onde tem uma população de 8 milhões de pombos, e as pessoas compram algo parecido com milho quebrado e colocam no ombro, braço, cabeça daí os pombos pousam “em você” e você tira fotos bem divertidas. ::otemo::

 

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Depois, mesmo começando a sentir cansaço físico por conta da altitude Lapaziana (3600 metros de altura) fui para o Mirador Kili Kili (fui de “flota” – uma van bem comum nas cidades bolivianas, pagando B$ 1,50), ao chegar lá fiquei feliz ao saber que não paga, é como se fosse uma praça num ponto específico da cidade onde se vê a cidade em 360 graus. Uma visão que eu indicaria para quem quer ter outro olhar (sem trocadilho) da cidade. De lá você realmente nota que as casas não tem acabamento externo mesmo. Mas não diminuiu a beleza da cidade assim mesmo. ::Cold:::roll:

 

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Depois olhando o que poderia conhecer ao redor fui no Mercado Camacho, é como se fosse um mercado Central (parecido com o de Fortaleza – pra quem conhece) onde há academia de musculação, loja de carnes e outras especiarias. E no lado de fora do mercado há uma feira gigante (quase maior que a de Caruaru/ PE). Nessa feira, ao passo que se vai andando, tem vários setores. Começa com tendas de jogos, tiro ao alvo, sinuca, pebolim(deveria ter umas 100 mesas de jogos). Fui tentar a sorte dando uns tiros, e achava que o prêmio era o que eu derrubasse. Tive 4 tiros, acertei 3 e ganhei uma pipoca. Uma pipoca de uns 100 gramas. Foi frustrante pra minha carreira de atirador de elite. Depois muitos tipos de artesanatos e comidas de todos os tipos e gostos na rua mesmo. Algumas até pensei em provar, mas fui fiel às dicas de não comer coisas de rua. Voltei ao hotel já que queria ver a luta das Cholas que seria por volta das 16h, e precisava descansar, o corpo tava pedindo. Descobri na recepção do hotel que com B$ 90,00, e a condução viria me buscar/trazer e incluía a entrada, um lanche meia-boca e duas idas ao banheiro (que só usei uma). ::ahhhh::

 

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No horário agendado a Van chega e o guia muito simpático me conduziu ao ônibus onde já havia algumas pessoas que iriam também (somente eu de “brasiliano”) e toda a viagem foi explicada em inglês e espanhol. Algumas coisas que não entendia no espanhol, eu raciocinava na explicação do inglês. E consegui muito bem entender a história das cholas (é “chola” e não “tchola” – Aviso aos maldosos), soltou algumas piadas locais, e pediu pra todo mundo criar seu apelido de lutador. O meu foi “perro peligroso” (cachorro perigoso). Mas não serviu pra nada o apelido, era só pra ele queimar o tempo mesmo. Mas ele contou que cholas com aquele chapéu para o lado direito são as mulheres casadas, e as com lado esquerdo, o contrário. Uma das cholas que lutaria naquela tarde estava no ônibus conosco, até porque esse evento é organizado por elas – e tem uma função social, ou ao menos tinha, de conscientizar sobre a violência à mulher. :|

 

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Chegamos no parque das Cholas, que é como se fosse uma quadra esportiva. Os turistas sentam mais próximo do ringue (porque pagam mais caro, lógico) e os habitantes locais ficam na arquibancada. Eu como tento não ser limitado, subi na arquibancada também e tirei ótimas fotos, filmei em uns ângulos legais, e valeu a pena. O show na verdade é teatral, não há nada violento. É até muito engraçado e superou minhas expectativas. Os atores saem do ringue, brincam muito com o público. Uma chola veio até mim e pediu pra eu beijar o rosto dela, quando eu fui ela me beijou na boca na frente de todos os expectadores. Mas quem ta na Bolívia é pra se divertir mesmo. Depois tiramos fotos com as cholas (estou repetindo muito essa palavra, vou levar corte na nota da redação) e voltamos à La Paz.

 

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Quando achava que ia fechar o dia, resolvi tomar uma cerveja Paceña nnum restaurante mexicano próximo para poder escrever essas linhas. E estou aqui!!

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Um brinde à vida!

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Dia 09 de Fevereiro 2015 – Segunda – Eriendson 2 X 1 Downhill

Nota: O Downhill é um passeio de 60 km, não é cansativo, pois é 85% descida. E fica na região de Coroico.

 

A ansiedade me acordou antes do despertador. Conforme combinado fui para agência às 7h15, onde o dono da Agência me levou até outra agência (é normal eles fazerem isso), e lá fiz meu desayuno (incluso no precinho do pacote).O pacote inclui o café da manhã, fotos da aventura e uma camisa com os dizeres SOBREVIVI AO DOWNHILL (que parece mais um troféu). ::mmm:

 

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Conheci 5 brasileiros que estavam já percorrendo a Bolívia há algum tempo. As bicicletas seguem em cima das vans.A Van partiu e seguimos rumo à Carretera mais peligrosa de los Andes. Após percorremos uma boa parte da estrada, as vans (pois havia vários grupo) encostam num ponto da estrada e onde se começa as instruções de como usar equipamento, como deve ser feita a trilha, etc. Os guias pedalam conosco e vão nos dando sinais de ir para à direita, esquerda, buraco ou parar.

 

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A primeira parte da trilha é feita num asfalto perfeito, onde no caminho há paisagens são sensacionais. Após descer a parte asfaltada, paramos na entrada de um túnel. E seguimos a segunda parte do Downhill e também a mais perigosa (eu que o diga)- Estrada de asfalto. Mal começamos a descer, havia uma descida enorme em linha reta, eu não tive dúvidas e acelerei bastante, só que sem saber que no final a curva era fechada. Comecei a frear mais forte, mas não foi suficiente. A bicicleta ficou e eu voei para fora da estrada. A sorte que a vegetação ainda estava bem inclinada e não havia um precipício propriamente dito. Bati com o peito no chão de forma tão intensa que uma das lentes de meu óculos escuro foi parar lá no Titicaca. Fui socorrido, verificaram se não havia ossos quebrados. Há um regra no Downhill – quem cai deve ficar dentro do veículo uns 10 minutos. Eu fiquei uma hora, o corpo esfriou e a dor chegou. Fui medicado, primeiros socorros, mas a mão esquerda doía bastante, e queria só ir embora dali. :roll:::essa::

 

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Passado muitos minutos, a frustração chegou e aquela sensação de não merecer aquela camisa foi me tomando forma e resolvi voltar. Mesmo com mão esquerda sem força, não ia deixar aquela estrada que eu imagina há 2 meses me vencer. O instrutor quis me convencer do contrário, mas voltei. Quando a bicicleta tremulava doía o corpo todo, mas dor maior seria a dor da derrota, e segui até o fim onde conclui a trilha. O caminho de asfalto é somente descida, há pequenos pontos de pista plana, e você passa por trechos de rio, poucas lamas, e suja bastante. É algo que dá pra fazer tranquilamente sendo cauteloso. No final paramos num restaurante onde recebemos toalhas para tomar banho, comida, e piscina pra quem quer relaxar. Após isso seguimos 3 horas de estrada de volta à La Paz. :arrow:::otemo::

 

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Me machuquei bastante, mas faria tudo novamente de maneira menos imperita. Mas no final posso dizer ao Downhill: “Usted es la culpable, de todas mis angustias, y todos mis quebrantos.” Eu venci o Downhill. ::prestessao::

 

Nota: Hay um pagamento de 25 bols para adentrar a área da estrada da morte. Deixe separado!

 

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Dia 10 de Fevereiro 2015 – Martes – Repouso na Sagárnaga

 

Como havia citado, paguei pelo passeio Chacaltaya y Valle de La Luna, entretanto as dores do acidente eram maiores, e não pude realizar o passeio. No horário marcado fui à agência tentar recuperar meus 90 bols, mas não houve acordo e meu dinheiro foi para economia boliviana de Evo Morales. Falando nele, o nome dele é muito lembrado por toda a cidade, há paredes “pichadas” exaltando o nome dele, e há cartões postais com sua foto e algumas publicidades governamentais.

 

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Estrutura Étnica: Há na Bolívia os côlhas e cambas. Os cambas são os bolivianos hispânicos (brancos ou morenos) e os côlhas são os bolivianos de origem indígena. Aquelas senhoras (tchôlas) que você vê com os cabelos em trança são sempre côlhas. Estes tem os costumes mais fortes, a comida mais típica, e são mais reservados.. Em geral, são mais pobres e discriminados que os cambas, que se consideram superiores. Muito parecido com a relação Nordeste X Sudeste no Brasil, só que com um século de atraso. Eles DIFICILMENTE se misturam. De uns poucos anos para cá, com a ascensão de Evo Morales, que é côlha, é que a Bolívia começou a lutar mais ferrenhamente contra o racismo.

 

La Paz – Cores e costumes, por Eduardo Galeano:

“Os turistas adoram fotografar os indígenas do altiplano vestidos com suas roupas típicas. Ignoram, por certo, que a atual vestimenta indígena foi imposta por Carlos II em fins do século XVIII. Os trajes femininos que os espanhóis obrigaram as índias a usar eram cópias dos vestidos regionais das lavradoras estremenhas, andaluzas e bascas, e outro tanto ocorre com o penteado das índias, repartido ao meio, imposto pelo vice-rei Toledo. O mesmo não ocorre com o consumo de coca, que não nasceu com os espanhóis: já existia no tempo dos incas. A coca, no entanto, era distribuída com parcimônia; o governo incaico a monopolizava e só permitia seu uso para fins rituais ou para o duro trabalho nas minas. Os espanhóis estimularam intensamente o consumo da coca.” As Veias abertas da América Latina

 

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Depois de me dar uma pausa até umas 13h, resolvi sair para almoçar e fazer um passeio e saber como é a vida em La Paz. Tinha que comprar a passagem para Isla Del Sol (para ir no dia posterior) e também comprar a passagem para o Uyuni, e não sabia onde comprar, nem quanto seria. Mas por isso estou fazendo meus relatos aqui, pois os futuros viajantes sofrerão menos. Peguei umas dicas com a recepcionista, e repasso aqui:

 

 

Para ir à Copacabana – Empresa Vicuña Travel (paguei 40 pesos e eles me buscaram no hotel)

Nota: Para ir à Isla Del SoL, você precisa ir para Copacabana e de lá pega um barco rumo à ISla de Sol (mas quando eu chegar lá eu detalho).

Para ir ao Uyuni – Há as empresas TRANS OMAR, PANAMERICANA, PANA SUR e a TODO TURISMO. As 3 primeiras ficam dentro do Terminal de Buses e o ingresso custa entre 120 bols semi leito e 180 bols (leito) e têm saída até 19h. E há a TODO TURISMO, que fica fora do Terminal de Buses – é uma empresa turística toda organizada no primeiro andar de um prédio comercial (Ed. Paola) no começo da Rua Uruguai. E comprei na TODO minha passagem pro Uyuni com embarque dia 12 del febrero, às 19h, valor 240 Bols – pois inclui alimentação, manta, e guia, além de ser melhor que as anteriores.E paguei com cartão de crédito.

 

Dica: Antes de embarcar para um país ligue para sua operadora de cartão e libere as compras pro país que você irá. Nunca se sabe se você irá precisar. As surpresas da vida devem ser sempre positivas e não o contrário.

 

 

Depois de tomar uns remédios fui pra rua, almocei na sacada de um prédio que fica próximo à Igreja São Francisco, onde há uma visão completa de La Paz, num restaurante chamado Ichuri. Fui ao Museo da Coca, onde o ingresso custa 15 bols, e lá masquei tanta coca que parecia uma vaca ruminando enquanto conhecia a história da coca. O Museo é composto de 19 painéis onde se conta a história da coca na humanidade. Vale a pena ver. Ao chegar você é perguntado qual seu país, e você recebe um livreto com a tradução no seu idioma.

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Muito interessante o Museo, principalmente quem tem a curiosidade de saber coisas novas e jogar óleo nas ideias enferrujadas.

Sobre a coca: Vi que é um vegetal com propriedades sensacionais, foi já usada como anestésico em cirurgias de cérebro, foi amada e odiada pela igreja (dependendo de quanto a Igreja Católica iria faturar), que a coca-cola continha a coca nas primeiras produções.

“Cinco mil anos de consumo tradicional ou aculico da coca sem danos para o organismo humano, demonstram que o problema surgiu quando o ocidente (invasor branco) tocou na folha de coca e converteu-a em cocaína” Livro: A Lenda da coca, J. Hurtado.

Segui adelante e fui olhando as ruas, o povo, a forma das coisas em si. Entrei no mercado Lanza e depois fui no Terminal de Buses como falei. O Terminal é muito organizado e fui orientado a andar com a mochila pra frente nessa localidade, daí repasso a dica.

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Pra finalizar o dia e voltar pras minhas dores musculares no meu quarto destaco que não existe supermercado na capital, muito menos shoppings nos modelos brasileiros. O sino da igreja de S Francisco badala em vários horários, incluindo 3h da manhã – não me pergunte o motivo.

 

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Desculpe os erros gramaticais, sintaxes ou coisas do tipo. Estou escrevendo no ônibus turístico indo para Copacabana, e ele balança muito. Hasta luego.

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Dia 11 de Fevereiro – Quarta-feira – Copacabana y Isla Del sol

 

Chove em Nuestra Señora de La Paz.

 

O ônibus chega às 7h20, conforme combinado, rumo à Copacabana.

 

Deixo minha mala grande no hotel, e viajo só de mochila. O ônibus corta a capital e não deixo de registrar aqui a beleza desses painéis pela cidade. Geralmente há uma mensagem de superação, de conquistas, de bravura dos povos antigos, e também uma exaltação à própria cultura. Em Cusco também se vê coisas semelhantes.

 

Mas continuando rumo à Copacabana, o ônibus seguiu por uma estrada e chovia bastante. Fizemos somente uma parada num posto de gasolina, para comprarmos suprimentos, E indico muito fazer isso. Comprei um pacote de biscoito Oreo, uma caixa com 1,5 litros de um suco de maça, e um pacote de waffers. E seguimos estrada abajo. Um boliviano que sentou ao meu lado foi conversando comigo e disse que era guia e que estava com um casal para conhecer Copacabana, e meu dicas boas sobre horários de barcos que faziam percurso ISLA-COPACABANA. Coisa que ninguém nesse site informou: Há barcos que saem da Isla às 8h, 10h 13h e final da tarde. Fui trocando figurinhas com ele, e botando meu espanhol pra funcionar. Antes de chegar à Copacabana, o ônibus pára num lugar chamado Tiquina à beira do Titicaca, onde o ônibus será atravessado via balsa, e os passageiros pagam 2 bols para atravessar num barco à parte, e depois da travessia todos voltam ao ônibus e a viagem segue.

 

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Por volta das 12h o ônibus chegou em Copacabana, e na mesma agência que vim (Vicuña Travel) comprei o ticket de retorno à La Paz pro dia seguinte às 13h.

 

Fui atrás de um banheiro (baño público) e achei um bem próximo da agência por 1 boliviano. Aí falei com a senhora lá que lhe dava o papel e recebia o dinheiro: “Senhora, me dê o dobro de papel porque a coisa aqui é séria (texto traduzido)”. Ela me cobrou o dobro, só pra dobrar o papel higiênico, e me entregou um balde pra depois eu botar água no vaso sanitário. Kkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Lógico que eu gravei esse momento colocando água no banheiro, mas não ia colocar aqui. Segui para conhecer Copacabana, já que ainda faltava 1h15 minutos pro barco sair. Fui até a famosa igreja de Copacabana onde os carros ficam estacionados à frente cheio de flores aguardando o benzimento do padre. Eu como bom curioso, perguntei ao dono do carro, como se eu não soubesse de nada, o que seria aquele ritual. Ele me disse que é uma tradição da cidade que quando se compra um carro se leva pra abençoar, e há que fazer todos os anos, mesmo que o carro seja velho. Segui umas ruas com meu olhar catador de coisas novas, e ainda registrei umas crianças que saiam do colégio e ficavam grudadas à TV, e umas cholas vendendo artesanato e almoçando na calçada. Pedi uma foto à elas, e só consegui depois de comprar um par de meias e um de luvas.

Depois desci a ladeira para esperar num pequeno porto a saída do barco direto pra Isla Del Sol. Havia grupos chilenos, japoneses, e outras nacionalidades não identificadas aguardando também.

 

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Após 1h30 chegamos à Isla. Lugar realmente é bonito, e impressionante. Digno de lua de mel, renovar o amor ou gerar um novo.

 

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Duas dicas boas: Ao adentrar esse barco rumo à Isla você pode ir em cima do barco, ou dentro. A primeira opção parece ser a mais aventureira e que te gera mais adrenalina. Deve até gerar. Mas por uns 10 minutos somente! Pois o sol depois vai apertar ou como ocorreu hoje, a chuva caiu e as pessoas desceram todas molhadas e ficaram em pé o caminho inteiro. Parecia até a Isla Del Lhuvia. Mas depois o Deus-sol se mostrou presente no horizonte.

 

2ªa Dica: Procure saber onde será seu Hotel, que seja logo nos primeiros 100 degraus, porque eu sofri para chegar até o meu, que ficava no cume.

 

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Depois de muita enrolar aqui nesse meu depoimento, chego à Isla, subi uma escadaria gigante e depois uma estrada para depois de 1 hora achar o bendito HOSTAL DEL SOL, o hotel é lindo, a vista é maravilhosa, mas a subida é negócio pra louco.

Quando chego, descobri que nem recepção havia, e não tinha ninguém pra me receber, olhei um quarto aberto e se não chegasse alguém em 10 minutos eu iria entrar naquele e ficar ali mesmo. Mas chegou. E após ser alojado e descansar 25 minutos, resolvi ir até o mirante e deslumbrar o lugar. Enquanto subia conheci uma chinesa que também estava sozinha ali na Isla, e passamos 3 horas juntos nos comunicamos num espanhol-inglês, do tipo: “Do you tiene?”, “El café com leche is strong”. Mas o importante é comunicação. E fiz a trilha toda com ela e até jantamos juntos.

 

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Mais tarde fui atrás de uma wifi, e peguei uma estrada muito escura, e eu iluminava o caminho com meu celular, achei um hotel escrito WIFI. Entrei, não tinha ninguém, fui catando na parede se havia senha de Wifi. Apareceu uma moça do nada e fui conversando com ela, que a Isla era “hermosa”, que a Bolívia era surpreendente, e perguntei o nome dela e gerando empatia e pedi a senha. Ela mesma digitou no meu celular, sentou na mesa e ainda ficou conversando comigo sobre a educação que há na Isla e tal. E eu adoro bater papo com pessoas que tenham algo a somar. Após fiz minha conexão via celular e contei a parentes e amigos que estava vivo. Depois o dia se encerra, e até amanhã que quero ver o nascer do sol na Isla.

 

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Hasta mañana, chicos e chicas.

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Dia 12 de Fevereiro – Quinta-feira – Saindo da Isla – Passando por Copacabana – Chegando em La Paz – E seguindo para o Uyuni

 

Conforme combinei comigo mesmo, acordei às 5h50 para assistir o sol nascer. Estava chovendo muito e o vento logicamente vinha mais gelado. Às 7h20 fui chamado para o desayuno, o fiz e fui atrás de Wifi (pagando 15 bols, claro). Respondi alguns emails, informei aos parentes que as FARCS ainda não haviam me seqüestrado, e fui arrumar o quarto para seguir a viagem. Desci a escadaria por volta de 25 minutos e cheguei ao porto onde iria sair os barcos de 10h30. ::sos::::Cold::

 

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Dica: Para quem não tem tanta resistência, ou quer indicar a Isla a pessoas mais velhas, há os hotéis Jacha Inti, e Mirador El Inca. Estes ficam logo no comecinho da subida da trilha. ::otemo::

 

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Enquanto esperava os barcos e fazia outras fotos, observei que boa parte da população nativa tem muitas obturações nos dentes com ferrinhos (Não sei o termo - me perdoe os odontologistas). Enquanto esperam a hora de partir, os barqueiros ficam juntos conversando tomando coca-cola e gerando um fumódromo. A volta também à Copacabana de barco custa 20 bols, e dura exatamente 1h30 a travessia.

 

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Depois de 1h30 com dores nas costas e sentado ao lado de um “gordinho” chegamos à Copacabana. Já que meu ônibus rumo à La Paz sairia 13h30 fui comer num lugar chamado CUSCO RUM. Fica na beira rio mesmo, e os clientes podem ficar na cobertura comendo e admirando a paisagem. :shock::lol:

 

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Às 13h30 o ônibus parte rumo à La Paz.

A viagem de 4 horas foi tranqüila, sem maiores acontecimentos.Passei a maior parte do tempo lendo, e refazendo o roteiro. O ponto final do ônibus foi o Terminal de Buses, mas o motorista pára próximo ao aeroporto para quem segue para lá. Desci no Terminal e segui pra Calle Sagarnaga, fechei meu pacote de 3 dias no Salar por 795 bols e consegui parar com cartão de crédito [Tenda Bolívia Pachamana – fica próximo da Linares y Sagarnaga]. Depois peguei minha mala no Hotel Maya Inn, e fui descendo a Sagarnaga rumo à Todo Turismo. No caminho comprei um porta água de 2 litros e comprei uma toca dessas de lã. ::mmm:::mmm:

 

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Às 19h em ponto o ônibus saiu e estou eu aqui num ônibus muito bem equipado, com refeições, leito e cheio de japoneses rindo de não sei o quê. Estou sentado ao lado de um JapaBoy, e ta sendo difícil conversar com ele. Eu digito em inglês no meu celular, aí ele responde em inglês no celular dele. Não ta sendo tão fácil como foi com a chinesinha. ::Ksimno::

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Dia 13 de Fevereiro – Sexta-feira – Dia Primeiro do Salar do UYUNI :mrgreen::mrgreen:

 

A viagem de certa forma foi marcada pelos MUITOS solavancos que o ônibus dava devido à qualidade da estrada. Você parecia que estava naquelas poltronas que dão massagem, que há muito nos aeroportos brasileiros. Mesmo assim sabia que meus próximos 3 dias não seriam de conforto, me forcei a dormir assim mesmo. Dormir não é bem a palavra, eu tirei uns 30 cochilos, e exatamente às 6h10 o ônibus pára em meio a uma rua de UYuni. O inocente aqui achava que o ônibus entraria numa rodoviária e lá eu procuraria minha agência e iria ser feliz para sempre, mero engano meu. Fui informado que teria que andar 3 quadras e achar a agência. Fui seguindo, e os milhões de japoneses também seguiam para o mesmo roteiro. Ao chegar lá (calle Ferroviária) encontro uma rua deserta, com as lojas todas fechadas e descobri que a agência só abre 8h30 e o carro para o Salar por volta das 10h. Já chovia e fui atrás de um lugar abrigo-restaurante-banheiro-tomada. ::sos::::Cold::

 

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Fui para o restaurante Nonis, onde tinha uma única tomada na parede e nela conectada um adaptador gigante onde cabia uns 10 celulares, e só tinha três. Fui conectar o meu, daí uma japonesinha gordinha disse: “It’s mine”. Eu respondi mais por sinais do que palavras: “mas não posso encaixar o meu também? Há tantas vagas!” Ela deu um “não” com as super bochechas e com o dedo em riste.

Tá certo, japonesa!! Se tiver um referendo ou plebiscito a favor de fazer outra bomba atômica sabe meu voto já, né?? Sabia que adoro terremotos?? ::grr::

 

Às 9h30 fui até a agência que fechei o pacote Uyuni, e antes de partir paguei 15 bols por um banho quente mais uma toalha. Aproveitei ao máximo aquela água caliente pois o Uyuni prometia zero conforto.

Na própria agência SALAR CARMELL aluguei saco de dormir por 30 bols 2 noites, e partimos.

Éramos 7 pessoas: o guia (France), um chinês (Yang) e 4 chilenos que eram da mesma família e eu brasileiro recifense aqui.

Após cinco minutos de ter começado o passeio já estávamos no cemitério de trens. São vários vagões abandonados onde os turistas tiram fotos em cima, dentro, de lado, embaixo dos mesmos. Cuidado com as pontas de ferro, pois podem rasgar sua roupa ou pior – sua pele.

 

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História: O Cemitério de Trens de Uyuni foi o ponto final de um surto de progresso que tomou a Bolívia entre o final do século XIX e início do século XX. Nesse período, uma linha férrea foi concebida pelo presidente Aniceto Arce, que vislumbrava trens transportando as riquezas do seu país como o estanho, prata e ouro até Antofagasta, antiga saída boliviana para o Pacífico. A primeira oposição que a linha férrea sofreu foi dos índígenas Aymarás. Eles viam a ferrovia como uma ameaça à sua sobrevivência e a sabotaram continuamente. :roll:

 

Após 15 minutos dando ckicks na máquina fotográfica partimos, a estrada toda de terra, porém segura. Paramos numa feira que vendia artesanatos muito bonitos, pra não ficar registrado que sou pão duro ainda gastei 12 bols.

 

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Após isso entramos no salar do Uyuni. Minhas palavras serão pobres p descrever aquele lugar feito de sal gigante e alagado. Deve ficar uns 4 dedos alagados, daí quem não está de botas ou sandálias, tira os sapatos e vai descalço mesmo curtir o Salar. Vale a pena!!! Tiramos muitas fotos e logo depois fomos pra um ponto famoso do Salar, a praça das bandeiras, onde há de alguns países do mundo, há de alguns grupos desportivos (como o Dakar) e há a bandeira do meu estado - Pernambuco. Enquanto curtiamos a mil graus a paisagem nosso guia, César, fazia nosso almoço.

 

Nosso primeiro almoço: fígado, verduras, arroz, banana coca e água

 

Ao lado dessa praça de bandeiras há um restaurante de sal e se pode usar o banheiro por 5 pesos.

 

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Passamos 1 hora e meia no local e partimos para o alojamento, foram 4 horas de estrada!!! Ainda houve 2 paradinhas - uma de xixi no meio do nada, outra pra ajudar outro carro que havia estourado o pneu.

O caminho é cheios de Lhamas, ovelhas, montanhas e muita poeira. Chegamos 18h30 no alojamento, confesso que esperava lugar pior, mas o lugar atende as necessidades básicas de um mochileiro.

Com meia hora, fomos chamados p comer. Café, chá e rosquinhas. Nossa noite se resumiu a carregar os celulares e conversar sobre futebol, gramática espanhola e vinhos. Às 21h foi nos servido um jantar (sopa, frango, batatas, verduras e água). Depois disso fechamos a noite com mais conversas, cigarros (eu fumante passivo) e frio. Buenas Notches!

 

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Dia 14 de Fevereiro – Sábado – Dia Segundo do Salar do UYUNI

 

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Nossa equipe estava de pé às 6h para o desayuno (café, chá, pães, e doce de leite e geléia ). 30 minutos depois baixamos o acampamento e partimos.Nosso primeiro destino foi o Valle de las Rocas, uma parte do caminho todo composto de rochas gigantes, tendo como pano de fundo as montanhas cobertas de gelo. Lógico que subimos nas rochas para boas fotografias.

 

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Próximo destino foi a Laguna Canapa, um lago bem bonito com os flamingos querendo distância dos turistas. ::lol3::

 

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Depois foi a vez da Laguna Edionda, um lago também de beleza destacável. Tirei umas fotos, e fui pro carro descansar, as dores da queda do Downhill me afetavam muito ainda, e me faziam acordar à noite. E meu ritmo estava muito acelerado pras condições de altitude e os malefícios musculares que havia sofrido. ::essa::

 

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Paramos na Laguna Onda, outro paraíso natural e após entramos num deserto sem fim por horas chegamos à Laguna Colorada, na entrada há o pagamento de 150 bols. Entramos no parque ecológico e nosso guia montou nosso almoço dentro do alojamento. O almoço novamente muito bom - espaguete, verduras, e frango, coca e água e maçãs de sobremesa.

 

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Após nos alojarmos, também num bom ambiente, partimos para conhecer as águas termales.

 

Chegamos e fomos avisados que custaria 3 bols para curtir as águas, mas como não havia ninguém pra nos cobrar ficou 100% grátis. Imagina você depois de uma semana de frio desfrutar de um banho de 45 graus.

 

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Dica: leve roupa de banho e uma toalha. Dou a dica mas não levei. Estava com uma bermuda Por baixo e usei uma camisa limpa como toalha e deu tudo certo. Vou sempre me adaptando.

 

Nosso grupo é engraçado. Eu falo espanhol muito mal. Os chilenos falam comigo bem devagar, eu entendo. E repasso pro nosso amigo chines em português (porque ele vive em SAMPA faz 5 anos). Estamos uma sopa de letrinhas. Mas está muito bom!!!

 

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Fomos depois das Termas conhecer os gêiseres. Fazia muito frio e os gêiseres jorravam o vapor numa pressão que tivemos que nos afastar mais.

 

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De um evento pra outro sempre pegamos uma estrada de terra pesada, coisa de 1 h a 1h e meia. Os pneus duram 3 meses devido à qualidade das estradas. É um deserto mesmo!! Só se ver no caminho Vicunas, lhamas, Guinés, flamingos, e pedra, muitas pedras.

Chegamos à hospedagem umas 18h, nos serviram sopa com pão, depois macarronada com vinho.

 

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Eu vim todo preparado para passar o perrengue, trouxe água, biscoito, bolacha, rosário, gaiola pra pegar passarinho, etc... Brincadeiras à parte fomos surpreendido com a qualidade. As fotos seguem pra comprovar. E o nome da agência é Salar Carmel.

Amanhã partiremos e valeu cada centavo dessa aventura.

 

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Faltam 4 cidades para eu concluir a aventura, vamos comigo!!

 

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Dia 15 de Fevereiro – Domingo – Dia Terceiro do Salar do UYUNI

 

Após o desayuno, partimos, paramos na laguna colorada para ver de perto os flamingos, depois o guia no levou a uma área onde havia pinturas rupestres e perto desse lugar havia uma pastagem cheia de lhamas e claro que me atrevi a me aproximar para fotografá-las. ::hahaha::

 

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Após fomos a uma área alta igual aquelas pedras Simba nasceu do filme Rei Leão. Lá de cima se tem uma visão sensacional das belezas bolivianas.

 

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Continuamos o caminho, almoçamos na hospedagem onde dormimos a primeira noite, e ganhamos a estrada de terra para fechar esse passeio de 3 dias.

 

Além do passeio, foi muito bom agradável a experiência com os chilenos e o chinês. Com os chilenos troquei muitas idéias que cabe fazer uma enciclopédia: ditadura chilena e brasileira, Mujica, pacto andino, Condorito, documentários, Torre de Paine, Taica, tubarões de Recife, salvador Allende, Neruda presidente, etc. Marcamos de agendar outra viagem juntos até.

 

Chegamos em Uyuni. O carnaval estava nas ruas da cidade. Crianças jogavam bexigas dágua em todos que passavam, e tbm tinham armas de brinquedo que jogavam água com pressão. Eram 14h, e a agência só abriria as 16h30 e sem minha mala maior não poderia partir. Fomos, o nosso grupo Uyuni, para uma pizzaria. Tomamos umas 3 cervejas e fui comprar minha passagem destino Potosi. A agência fica numa rua cheia de ônibus parados. Passei por dentro do carnaval p conseguir, levei até banho de espuma. Paguei 30 bols, seria 4 h de viagem, e o ônibus sairia as 18h. Voltei à pizzaria e fiquei mais um pouco, às 17h20 me despedi.

dos meus novos companheiros, e fui arrastando as rodinhas por 3 ruas.

 

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Cheguei no local, antes disso fui atrás de um banheiro, não tive êxito, daí foi à moda boliviana mesmo. Entrei no ônibus que tinha WiFi mas não funcionava, e uma estudante chilena sentou ao meu lado e falava muito, mas bastante legal ela. Dei as instruções de diálogo a ela: falar devagar.

 

Ela falou sobre a questão da educação chilena que não muda desde que Pinochet mudou a constituição, das lutas e toda estrutura do movimento esquerdista no Chile.

 

Chegamos em Potosi, fui para o hotel La Casona, e fui dormir. Estava cansado.

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Dia 16 de Fevereiro – Segunda – Potosi: a Bolívia roubada.

 

Potosi, com Eduardo Galeano:

“Dizem que no apogeu da cidade de Potosí até as ferraduras dos cavalos eram de prata. De prata eram os altares das igrejas e as asas dos querubins nas procissões: em 1658, para a celebração de Corpus Christi, as ruas da cidade foram desempedradas, da matriz à igreja de Recoletos, e totalmente cobertas por barras de prata. Em Potosí, a prata ergueu templos e palácios, mosteiros e cassinos, deu motivo à tragédia e festas, derramou sangue e vinho, incendiou a cobiça e desencadeou o esbanjamento e a aventura.”

“Aquela sociedade potosina, doente de ostentação e desperdício, só legou para a Bolívia vaga memória de seu esplendor, as ruínas de suas igrejas e palácios e oito milhões de cadáveres de índios. Qualquer diamante incrustado no escudo de um fidalgo rico valia mais que a quantia que um índio pode ganhar em toda sua vida de mitayo, mas o fidalgo fugiu com os diamantes. A Bolívia, hoje um dos países mais pobres do mundo, poderia vangloriar-se – se isto não fosse pateticamente inútil – de ter nutrido a riqueza dos mais ricos países. Em nossos dias, Potosí é uma pobre cidade da pobre Bolívia: ‘a cidade que mais deu ao mundo é a que menos tem’, como me disse uma velha senhora potosina, envolta em quilométrico xale de lã de alpaca, quando conversamos à frente do pátio andaluz de sua casa de dois séculos. Essa cidade, condenada à nostalgia, atormentada pela miséria e pelo frio, ainda é uma ferida aberta do sistema colonial na América: uma acusação. O mundo teria de começar por lhe pedir desculpas.”

“Em três séculos, a montanha rica de Potosí apagou, segundo Josiah Conder, 8 milhões de vidas. Os índios eram arrancados das comunidades agrícolas e, com a mulher e os filhos, impelidos rumo à montanha. De cada dez que eram levados para os altos gelados, sete jamais voltavam.” ::toma::

 

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Após esse relato rico que não deixaria passar, acordei cedo e fui atrás de conhecer Potosi, esse lugar que de toda a viagem foi o que me deixava mais ansioso. :(

 

Mal sai na rua, Calle Chuquisaca, já comecei a a fotografar a arquitetura local. Potosi é muito parecida com Lima no estilo de construção. Segui para igreja de Potosi, um lugar limpo, bonito, bem cuidado mesmo. Pena que a Casa da Moeda estava fechada devido ao carnaval. Logo peguei uma condução, que são vans vindas do Japão pois o Japão não quer mais aqueles microônibus obsoletos e repassam ao países pobres a baixo custo. Apos pagar passagem de 1,50 bol pedi ao motorista que me deixasse no Mercado Uyuni, achava eu - o eterno inocente de las américas - que o mercado era um local onde havia várias tendas/ lojas onde eu ia apreciar o artesanato local e comprar umas coisas baratas e tal.

Depois de uns minutos, no meio de uma feira louca e preso no engarrafamento o motorista me diz em boliviano: "a feira é isso aí, cara! Te vira !" eu desci e fui entender porque aquele povo parecia um bando de louco. Não havia artesanato nenhum, só venda de roupas carnavalescas, comida de rua e gente, muita gente. Quase me descuido um cara passa com metade de um boi nas costas tirando raspão em mim. Tirei até foto do colega de trabalho dele vindo também. Postado abaixo.

 

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Fui na farmácia comprar um protetor labial porque meus lábios começavam a rachar. E de lá fui conhecer o Time do Real Potosi. Fui andando, e no caminho havia uma outra feira altamente rural. Se vendia, cabra, ovelha, lhama, porco. Lógico que o sem noção aqui foi perguntar quanto custa uma lhama. E descobri que aquele ser fotogênico dos andes custava 1000 bols. Eu perguntei por perguntar, mas a inocente mulher ainda baixou pra 900. Eu quase levo...

 

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Achei o Real Potosi, na frente tem a estátua de um jogador local, e tirei foto externa do estádio, o interessante mesmo é que na frente do estádio vende camisas do Chelsea, São Paulo, e outros europeus, mas do Potosi não tem. Olha a credibilidade!!

 

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Tomei um táxi para ir ao mirador, mas estava fechado, daí segui para o Cerro Rico, pois tinha que conhecer a montanha que fizeram a Europa sorrir. Muito triste o lugar, e fiquei triste em saber que foi naquele lugar muitas vidas foram embora e outras ainda iam também. A mineração lá continua ativa, e os mineiros continuam tendo a mesma forma de trabalho de 4 séculos atrás. Tá pensando que eles tem ginástica laboral? Palestras de postura?, DORT? ou feedback e Job Rotation? É trabalho de bicho, meu amigo!! Eu não topei pagar pra ver a galera trabalhando. Fiquei andando por conta própria, depois sentei lá num barranco e fiquei imaginando quanta merda ocorreu ali. :x:roll:

 

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Depois fui embora. Dali fui na Nueva Rodoviária, onde comprei a passagem pro Sucre, 20 bols, e fui atrás de matar minha fome gigante. À medida que ia procurando um lugar descente pra comer, estavam todos fechados. Juro que se tivesse um lugar que dissesse: "nós temos comida, 200 pesos", eu juro que eu pagava. Até porque Clube Social não alimenta nem formiga. Achei um restaurante e pedi o menu. A atendente " muito simpática " disse que só tinha comida familiar. Eu disse que queria, sabia nem o que era. Sentei, veio um senhor de uns 130 anos - Sr Miaggy -, e botou uma sopa estranha com umas batatas fritas dentro e perguntou (vou traduzir o que eu entendi): “vc quer milanesa ou fahrhdjdtndkvegfjhdvsg??” Perguntei de novo, daí piorou. Eu disse: traga a milanesa mesmo. Tomei a strange soup, deu 15 bols. Fui pro hotel! ::lol4::

 

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Deu a hora fui pra rodoviária, chegando lá daí fui no banheiro!! Fui de mansinho pra não aparecer ninguém cobrando 0,50. Quando viro à direita na entrada, putz, tinha uma catraca dentro do banheiro e ao lado uma cabine DENTRO DO BANHEIRO, só pra me cobrar, pow!!! Igual a essas cabines de pedágio!! Mando a foto caso ninguém acredite!!! As 17h30 o ônibus parte e sentou ao meu lado um boliviano e haja conversa!! O cara muito legal! Ficava me dizendo o caminho todo: esse lugar é tal, onde cria isso. Ou esse lugar é tal, eu gosto muito!!! Sim, mas e daí??? Mas vamos manter o humor, porque mochileiro só perde o humor quando cai a WiFi.

3 horas de viagem e chego em Sucre. Muito carnaval e bêbados nas ruas. Fui pro hotel. :wink:

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Eriendson!

Super bacana...não imaginava que já iria escrevendo o relato ao decorrer da viagem! E que foda esse lance do acidente ::mmm:

Daqui a uns dias é a minha..pena que, pelo visto, não terá como fugir do tempo ruim por aí!

Em tempo! Sobre supermercados..quando estive em La Paz eu encontrei um como os daqui, chamado Hipermaxi! Em Cusco também encontrei supermercado Por sinal, é super bacana passear em supermercados de outras cidades...outro universo! Lembro que encontrei em La Paz refrigerantes que eu não via mais aqui, como Mirinda, Grapette, Seven Up, etc!

Sucesso nesse finzinho de aventura!

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Eriendson!

Super bacana...não imaginava que já iria escrevendo o relato ao decorrer da viagem! E que foda esse lance do acidente ::mmm:

Daqui a uns dias é a minha..pena que, pelo visto, não terá como fugir do tempo ruim por aí!

Em tempo! Sobre supermercados..quando estive em La Paz eu encontrei um como os daqui, chamado Hipermaxi! Em Cusco também encontrei supermercado Por sinal, é super bacana passear em supermercados de outras cidades...outro universo! Lembro que encontrei em La Paz refrigerantes que eu não via mais aqui, como Mirinda, Grapette, Seven Up, etc!

Sucesso nesse finzinho de aventura!

 

 

Lorena, realmente a Bolívia vai te surpreender. Estou em Sucre preso, pois tudo está fechado na rodoviária. Não há voos para hoje. E estou no meio do carnaval. Muitas bolinhas de água. Levei bexiga de águas na cara, no corpo, joguei outras também. Depois conto toda a história.

Realmente as coisas de outros supermercados são maravilhosas.

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Fala, Eriendson!

 

Valeu pela viagem e as fotos! Parabéns!

Acompanhando o relato...

 

 

Ok, Beto.

 

Vou levar o projeto até o fim.

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Dia 17 de Fevereiro – Terça-feira – Sucre: Carnaval e Diversão

 

“Junto com Potosí, decaiu Sucre. Essa cidade do vale, de clima agradável, que antes, e sucessivamente chamou-se Charcas, La Plata e Chuquisaca, desfrutou boa parte da riqueza que manava das veias da montanha rica de Potosí.” Eduardo Galeano.

 

O dia foi mais de fotos e diversões do que as palavras podem descrever.

 

Acordei, e resolvi, a pedido de minha vó, fazer a barba. Quando sai e já ia fazer meu check out e procurar um ônibus para Cochabamba, conheci no hotel Takubamba um cruzeirense roxo de BH - Lucas. ::prestessao::

 

Desci a mala pra guardar pois iria conhecer a cidade. Lucas me disse que iria também dar uma volta na cidade e que conhecera dois brasileiros e iria encontrá-los na praça central. Percorremos a praça e minutos depois apareceu os dois mineirinhos (Lúcio e Júnior), acompanhados com uma paulista (Malú). Após as apresentações fomos conhecer a cidade, e eles atrás de câmbio em plena terça-feira de carnaval, e por sorte ainda conseguiram trocam a R$ 2,10.

 

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Começamos a conhecer a pé a cidade, tiramos fotos muito legais e compramos cervejas no caminho, e brindamos muito, às vezes faltavam motivos para o brinde, mas mesmo assim brindamos.

 

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Aos poucos fomos percebendo que a cidade em pleno carnaval virava uma praça de guerra. Bexigas são atiradas de todos os lados, camionetas passavam e os moradores jogam baldes d’água em quem passava na rua e os turistas (nós) na maioria das vezes se tornava a melhor vítima. Entramos seriamente na brincadeira e começamos a comprar sacolas com bexigas d’água a 1 peso. Compramos umas 30 no total do dia (hahahaha). Foi muita guerra nossa com os nativos, turistas de outros países, e gostávamos de acertar na cara das pessoas (maldade pura), mas foi um dia sensacional.

 

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Após toda uma tarde de brincadeiras e eu ter descoberto que estava preso em Sucre, pois a rodoviária estava fechada pois todos os motoristas estavam cheios da cachaça (borrachos), e fiquei mais 24h em Sucre. No final da tarde fomos pra Hostal Internacional (onde a maioria dos amigos novos estavam) e ficamos lá umas 2 horas trocando ideias de tudo. Após esse tempo, compramos umas cervejas para a noite e eu e Lucas seguimos para nosso Hotel (essa é parte mais “adrenalínica” do dia) fomos destroçados com uma multidão jogando bexigas de todas as direções, e uma dessas veio tão violentamente na minha cara que arrancou meus óculos, depois voltei pra procurar os óculos na rua.

 

Ao chegar ao hotel, conhecemos duas brasileiras que se juntaram ao grupo, e à noite fomos ao hotel em que a maioria dos amigos estava, e lá fizemos um macarrão bem boliviano e grudento e tivemos um ambiente brasileiro bem agradável.

 

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Dia 18 de Fevereiro – Quarta-feira – Indo para Santa Cruz: Aeroporto e Badalação

 

Acordamos cedo. Lucas ia partir com os outros dois brasileiros para Potosí, e eu havia comprado uma passagem aérea no dia anterior pela companhia Amaszonas com destino a Santa Cruz de La Sierra no valor de 49 dólares. Muito melhor que ficar 14 horas de estrada. Lucas partiu, eu arrumei as malas e segui por volta de 10h30 para o aeroporto de Sucre. :D

 

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Ao chegar lá tive algumas surpresas. A primeira é que se paga 11 bols de taxa para viajar. A segunda é que os vôos estavam muito atrasados. Encontrei Malu lá também tentando ir pra casa. E a surpresa boa é que a wi-fi do aeroporto prestava. Meu voo que sairia as 12h55 saiu 16h40 (acreditem!!). Ainda nos enrolaram dando uma coca 600 ml quente e um pão com algum creme dentro. O voo foi rápido e tranqüilo, coisa de 45 minutos. Não sei se serviram algo, pois eu dormi o vuelo todo. :evil:

 

 

Chegando em Santa Cruz, por onde havia adentrado no país, tomei um táxi (60 bols – meio que tabelado esse valor) e fui observando como Sta Cruz era diferente de tudo que havia visto na Bolívia. Santa Cruz era muito moderna, parecida com as melhores cidades brasileiras. :oops:

 

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Importante: No dia que cheguei em STA CRUZ (7 fevereiro) conheci um brother que fazia medicina na cidade, e peguei logo o contato dele para caso precisasse de umas dicas contaria com ele.

 

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Cheguei no Hotel 26 de Enero que fica bem no centro. O hotel parecia uma mistura de cemitério, com um retiro espiritual “raceado” com um asilo. Uma calmaria tomou conta de toda a minha hospedagem. Quase pensei em chamar o senhorezinhos que ali estavam para jogar um dominó ou um baralho. ::lol4::

 

Tinha combinado com o brother brasileiro que mora em Sta Cruz (Igor) que à noite a gente ia dar um rolé e ele ia me apresentar a cidade.

Mais tarde ele chega, fomos na parte central. Ele se encontrou com outro pessoal que também faz medicina por lá: Brasileiros, paraguaios e duas chilenas. Ficamos um tempo batendo papo, e depois encerramos a noite.

 

Estava chegando a hora de fechar a mala pela última vez. E meu gás também não era mais o mesmo. A próxima hospedagem que eu queria era o da minha casa.

 

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Dia 19 de Fevereiro – Quinta-feira – Adeus, Bolívia e obrigado por tudo!!!

 

#PartiuRecife

#DiaTodoEmAeroporto

 

Último detalhe histórico Sobre a Bolívia: Contam que, há um século, o ditador Mariano Melgarejo (presidente boliviano entre 1864 e 1871) obrigou o embaixador da Inglaterra a beber um barril inteiro de chocolate, como castigo por ter recusado um copo de chicha. Depois o embaixador teve de desfilar pela rua principal de La Paz, montado ao contrário num burro. E foi devolvido para Londres. Dizem que então a rainha Vitória, enfurecida, mandou trazer o mapa da América do Sul, desenhou com giz uma cruz sobre a Bolívia e decretou: “A Bolívia não existe”. Para o mundo, de fato, a Bolívia não existia e nem existiu depois: o saque da prata e, posteriormente, do estanho, não passaram de um exercício do direito natural dos países ricos. Afinal, as embalagens de lata identificaram os EUA tanto quanto o emblema da águia e a torta de maça. Mas tal embalagem não é só um símbolo pop dos EUA; embora não se saiba, é também um símbolo da silicose nas minas de Huanuni e Século XX: a lata contém estanho, e os mineiros bolivianos morrem com os pulmões apodrecidos para que o mundo possa consumir estanho barato E Meia dúzia de homens fixa seu preço mundial... Eduardo Galeano

 

Hoje é o último dia!

Foi muito bom tudo que aconteceu, de verdade! Os momentos, as pessoas, os lugares. Foram 13 dias tão bem vividos que ficarão “inesquecidos” da minha vida. E também gostei bastante da experiência de escrever com minúcias aqui todos os trechos dessa aventura, com pitadas de história. A revolução, conforme cita o título de meu relato não tive a oportunidade, pois seria em Cochabamba – local onde houve a primeira privatização da água da história humana moderna. E o povo conseguiu derrubar isso de forma ferrenha e com união.

 

Acordei às 8h. Depois de um banho e comer um sanduíche num restaurante ao lado, fui caminhar pelas ruas de Santa Cruz. As ruas são bonitas, e bastante comerciais. Fui na praça principal, olhei os artesanatos, e pouco depois resolvi ir pra casa. Chega de praça! Chega de pombo! Tenho que partir.

 

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Táxi- Aeroporto de Viru Viru – Checkin. (Resumo logo tudo numa frase!)

 

Importante: Se fala bastante de uma taxa de 25 dólares para sair da Bolívia. Isso realmente havia, porém para as passagens compradas até 2013. NÃO SE PAGA MAIS ISSO. Já está incluso nas passagens atualmente!!!!

 

Infelizmente o precursor das coisas tem que quebrar a cabeça, quebrei eu. Tinha que gastar 120 bols dentro do aeroporto. Comprei uns 6 lanches para comer durante o dia. Um artesanato para simbolizar a viagem e rumei para SP.

Em Guarulhos passei boa parte fazendo esses relatos para matar o tempo.

 

Nesse instante que você lê esse relato, já estou em Recife – A capital do calor!!

 

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E aqui encerro meu relato sobre a Bolívia! “Provêcho a todos!”

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Muito legal teu relato, Eriendson!

 

Agora decidi que antes da viagem vou ler o Veias Abertas, que está parado na minha estante há um tempão!

 

Abraço!

:D

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    • Por Minuano
      Foi difícil escolher quais destinos incluir e quais deixar de fora. Também é normal ter dúvidas sobre qual época do ano viajar. Inverno ou verão? Frio ou Calor? Escolhemos o que nos pareceu mais lógico: os dias longos do final da primavera, em dezembro, são propícios para dirigir por muitas horas com claridade. Depois de ler inúmeros relatos sobre viagens de carro passamos a aceitar que em trinta dias há um limite de possibilidades e que alguns lugares ficariam para depois. Consideramos também que gostar de estar na estrada é parte relevante da jornada. Argentina e Chile são bem longe do Rio de Janeiro.
      A saída foi direto do último dia de trabalho rumo à Taubaté. Evito o trânsito pesado da Dutra na baixada fluminense passando pelo Arco Metropolitano, estrada nova, duplicada e livre. Uma boa chuvarada me fez companhia na serra de Cruzeiro. Feito o pernoite, saio cedo de Taubaté pela excelente Carvalho Pinto/Ayrton Senna, passo pelo Rodoanel e faço a Régis Bittencourt. No Paraná deu tempo para descer a Estrada da Graciosa e fico contente por conhecer um lugar tão bonito. Pernoitamos em São Mateus do Sul, cidade pequena e charmosa.

      Estrada da Graciosa - Paraná
      Deixamos São Mateus para trás com previsão de almoçar em Erechim. Seguimos pela BR-476 e BR-153 contornando os municípios de Paulo de Frontin, Paula Freitas, União da Vitória, Porto União, General Carneiro, Água Doce, Irani, Concórdia, Marcelino Ramos, Severiano de Almeida e Três Arroios. Gosto de mapas e de ler sobre a infinidade de municípios brasileiros. Propositalmente não citei a qual estado cada um pertence. Deixo por conta de sua curiosidade. Perto do meio-dia chegamos para almoçar em uma bonita churrascaria dentro do estádio do Ypiranga, time de Erechim. A experiência gastronômica também fez parte dos planos. Seguimos com mais dois objetivos: conhecer as ruínas de São Miguel das Missões e cruzar a fronteira em São Borja para dormir na Argentina. Desde Concórdia até Passo Fundo havia trânsito de caminhões. Vale lembrar que muito da economia brasileira se movimenta por caminhões, e o sujeito que está lá dirigindo um veículo pesado também quer chegar logo e ter seu descanso. Releve quando algum deles começar uma ultrapassagem na sua frente. Uma viagem longa é um bom momento para reflexões e para exercitar um pouco de paciência.
      Horas mais tarde viramos para São Miguel das Missões. Fui sem expectativa e fiquei muito impressionado com esse lugar. Sem dúvidas recomendo a visita. Depois entramos em São Luiz Gonzaga para jantar num lugar aprazível na praça central. Era noite de sábado, a fronteira de São Borja para Santo Tomé funciona 24 horas, e não havia nenhum veículo. Apresentamos os documentos, recebemos o visto, pagamos um pedágio de R$ 42 e rapidamente estávamos liberados. Após dois dias estávamos no lado que fala espanhol e que a gasolina é vendida com 10% de álcool, e não com abusivos 27,5%. Infelizmente a BR-285 não está em perfeitas condições e a parte do interior do Paraná também tinha remendos. 

      Visitamos as ruínas de São Miguel das Missões - Rio Grande do Sul
       
      Hora de dirigir na Argentina. Primeiro algumas curiosidades geográficas. A estrada mais famosa é a Ruta 40, enorme com 5.194 km. A cidade no extremo oeste argentino equivale ao município mais a oeste do Acre. A população é muito menor que a brasileira e menor que a da Colômbia. Os estados são chamados de províncias. E resumindo ao máximo, dividiria sua geografia em três partes: o pampa argentino que é uma planície gigantesca com incontáveis fazendas; depois uma região árida e desabitada imensa do centro ao extremo sul do país; e por fim uma parte montanhosa impressionante junto à Cordilheira dos Andes que marca a extensa fronteira com o Chile. O Aconcágua, o pico mais alto fora da Ásia, é um ponto ali. E vale mencionar que as cidades economicamente relevantes são Buenos Aires e Rosário, ambas cidades portuárias, e a malha das melhores estradas segue para esses portos, e não necessariamente na direção de quem vem ou vai para o Brasil. As estradas são boas, e mapeamos que deveríamos evitar por buracos e falta de conservação a Ruta 127, a R-158 entre San Francisco e Villa Maria, e a R-33.
      Partimos cedo de Santo Tomé. Nesta cidade há uma casa de câmbio com boa cotação e é possível consultar via google. Seguimos pelas Rutas 14 e 18 até Santa Fé. Ficamos num bom hotel na saída dessa cidade. Neste caminho cruzamos o túnel sub-fluvial, que literalmente passa por baixo do rio Paraná.
       
      Depois de Santa Fé circundamos Rosario, Junin, Carlos Casares e após 820 km chegamos em Santa Rosa. Ficamos em uma hotel novo de uma rede conhecida que foi melhor do que esperávamos. Tínhamos feito quatro trechos de 800 km por dia. Para o dia seguinte programamos uma distância menor, 550 km até Neuquen, então pudemos descansar e curtir a piscina e a academia que estavam vazias. Mesmo onde não fizemos pesquisa para almoçar nós encontramos restaurantes com boa comida. Eles chamam de lomo o corte de carne macio que é como o nosso filé mignon. Filé com salada ou milanesa com batatas são pratos comuns, e servem por cortesia uma cesta de pães. Até a bebida de água com limão que eu aprecio também encontramos. Só não espere encontrar feijão brasileiro, esse não é comum.

      Depois de bastante estrada uma piscina destas é perfeita
      Após Santa Rosa o cenário da viagem mudou. A planície com incontáveis fazendas ficou para trás e entramos na travessia do deserto de La Pampa. Não é um deserto de areia fofa. É uma região seca e desabitada, com vegetação rasteira, e a estrada segue com retas enormes. Há pouco fluxo de veículos nesses locais. Some o fato do território ser muito plano, e assim as ultrapassagens em pista simples são realmente fáceis. Nesta altura já notamos a fauna de automóveis, com muitos carros compactos, diversos deles fabricados de 5 a 10 anos atrás, e entre os mais caros vimos muitas caminhonetes, especialmente Amarok, Hilux e Ranger. Vimos carros que não temos no Brasil como VW Scirocco e o novo Audi Q2. No entanto rodando pelo interior praticamente não vimos carros de sucesso aqui como Honda HR-V ou Hyundai Creta, que existem mas devem rodar mais na região de Buenos Aires.

      Atravessamos o deserto de La Pampa
       
      Pernoitamos na cidade de Neuquén e no dia seguinte fomos par os 440 km que faltavam para Bariloche, nosso primeiro destino turístico no exterior. Foi bom ter optado por fazer trechos menores nessa etapa final, assim chegamos descansados. No caminho fizemos um pit-stop em um posto chamado ACA Confluência Traful (ACA é a sigla de Automóvel Clube Argentino) que é de frente para um lindo rio de águas verde-turquesa. Ali mesmo colocamos pela primeira vez os pés nas águas límpidas que descem dos lagos da Patagônia. Nessa hora bate um encantamento que mescla a paisagem com o fato de estarmos tão longe de casa e de chegarmos ali com nosso próprio carro. Essa sensação não se explica por texto, fotos ou vídeos. Só quem viaja sem criar grandes expectativas que entende.

      Paisagem em frente ao posto - com tempo para apreciar o caminho
      Aqui o caminho fica muito interessante, o deserto saiu de cena e a região de serra se aproxima. O primeiro pico com neve aparece no horizonte. Bariloche fica a 900 metros de altitude e eu imaginava que subiria uma serra íngreme como é do Rio para Teresópolis, de Santos para São Paulo, ou de Paranaguá para Curitiba. Nada disso, a subida é mais suave. Quando vi, uma placa já informava que estávamos à beira do lago Nahuel Huapi.
      Pronto, no meio da tarde estávamos em Bariloche. Ficamos por três noites e marcamos mais duas em San Martin de los Andes, cidade próxima. Para a primavera e verão há diversas atividades ao ar livre, inclusive praia, piscina, passeios de barco nos lagos, etc. Há quem vá para fazer caminhadas, trekking, ciclismo, pesca, ou simplesmente apreciar a natureza e relaxar. Nesta época vimos mais europeus e americanos. Os brasileiros vão mais na temporada de neve. Curiosamente os argentinos consideram dezembro como baixa temporada. Em geral eles costumam tirar férias de verão depois do natal, aí passa a ser alta temporada.

      Vista do hotel - final da primavera com neve na serra

      Mirante do Cerro Campanário 
      Após três noites fomos pela Ruta 40 para San Martin de los Andes, outra cidade turística. A 40 é a estrada que segue a Cordilheira dos Andes de norte a sul. Lojas de souvenir vendem diversos tipos de adesivos e ímãs sobre ela. Nesta região, entre La Angostura e San Martin, a estrada é linda e é conhecida como A Rota dos Sete Lagos, que passa por dois Parques Nacionais e margeia diversos lagos, vales e serras. Este caminho era de terra e foi asfaltado só em 2015, e os mirantes estão devidamente sinalizados. Vimos que a estrada tem ótimas curvas e pouco trânsito, mas pegamos um dia um pouco nublado. No domingo, já instalados em San Martin, o dia amanheceu bonito e ensolarado, daí não teve outra: depois de curtir a cidade nós voltamos para Ruta 40 para repetir um pouco mais dessa estrada que tem tantas paisagens. Não imaginava que depois de percorrer mais de 4 mil km e ficar alguns dias descansando a gente pegaria o carro para rodar mais. Definitivamente nós gostamos de estrada.

      Rota dos Sete Lagos 
      Encerramos a primeira etapa na Argentina e tínhamos dois caminhos para ir até Pucón, Chile. Pucón também fica à beira de um lago e ao lado do vulcão Vilarrica. A estrada mais curta tem uma parte no lado argentino ainda de terra, ou rípio como eles dizem. O lado mais longo e asfaltado nos levava para a fronteira entre La Angostura e Osorno. Fomos pelo mais longo. Por esse caminho que cruza vales e montanhas tivemos a grata surpresa de ver um espaço ao lado da estrada com bastante neve, em pleno final de primavera, quase verão. Caminhar na neve pela primeira vez na vida quando você sai do Rio de Janeiro com seu próprio carro é algo bem especial. Fizemos fotos e seguimos. Na fronteira chilena o procedimento foi similar, a diferença é que nos pediram para retirar as malas do carro e abrir uma a uma para uma fiscalização rápida. Eles não tocam nas suas coisas, o dono da mala que abre e mostra. No Chile não é permitido entrar com carnes, frutas, e verduras.

      Neve ao lado da estrada entre La Angostura e o Chile
      Em Pucón e não tivemos colaboração climática de São Pedro. Até aqui tinha sido tudo excelente, especialmente nos dias perfeitos de sol entre Bariloche e San Martin. Reservamos três noites em Pucón e ficamos apenas duas. Tempo fechado, garoa e nenhum sinal de possibilidade de avistar o vulcão. Vimos na meteorologia que no próximo destino, 600 km ao norte, havia previsão de tempo aberto. Aproveitamos para levar roupas na lavanderia, ir na casa de câmbio, farmácia, e comprar água no mercado.
      No Chile boa parte da frota tem origem nos países asiáticos. Vimos caminhonetes mais antigas, inclusive uma curiosa Hilux cabine simples do início dos anos 80, tão menor que parecia ter o porte de uma Saveiro atual. Vimos muitos carros da Suzuki, e diversos modelos que não temos aqui como Mazda MX5, Ford F150 Raptor, e os hatchback Kia Rio e Toyota Yaris que pareciam ter porte similar ao Polo ou Argo, além de um pequeno e simpático Hyundai i10. Pena que não consegui fotografar todos eles adequadamente.
      Após Pucón subimos a Ruta 5 que é uma via duplicada e sem muitas paisagens. Aqui a velocidade praticada é de 120 km/h e vi um policial com radar em mãos. Alguns carros iam acima disso. Nós fomos com controle de cruzeiro instalado no carro e mantivemos a medida indicada. Gosto demais dessa função de acelerador constante, que nesse tipo de viagem ajuda demais. Nesses trajetos longos o tablet que minha mulher levou foi um excelente passatempo para ela enquanto eu dirigia. Ela tinha a série que queria assistir, e tivemos também muitas risadas com os shows de stand up de humor que levamos.
      Nesse dia no entanto fiquei preocupado porque no decorrer do percurso uma pedrinha atingiu meu para-brisa no canto inferior esquerdo. Na hora do impacto não percebi nada, mas após almoçarmos com o carro tomando um pouco de mormaço vimos que a partir do trinco surgiu uma rachadura de 25cm. Seguimos na estrada e o tamanho permanecia igual. Pior que estávamos indo para dois dias corridos numa região praticamente rural, com bons hotéis e vinícolas muito bonitas que tínhamos agendado e que ficam ao lado de uma cidade minúscula chamada Santa Cruz. Tratei de estacionar sempre numa sombra e fui monitorando a fissura. Rodamos bastante ali de carro e a marca aumentou pouco, menos de dois centímetros. 
      No Chile na sequência da viagem passaríamos circundando Santiago, mas esse dia de viagem era num sábado. Na sexta-feira consegui fazer contato com o responsável pelo hotel da região próxima à capital Mendoza, Argentina. Localizei no google um lugar especializado em troca de para-brisas e pedi que fizesse a gentileza de ligar para confirmar o valor e disponibilidade. Me viro bem no espanhol mas achei melhor pedir para alguém com sotaque local cotar o serviço. Explicaram que era só ir segunda às 8 horas e retirar ao meio-dia. Valor equivalente à R$ 780. O seguro que tenho pro carro cobre no exterior, mas quando liguei me explicaram que troca do vidro só fariam no Brasil. 

      Região de vinícolas do Valle Colchagua, Chile (as duas fotos de baixo são do ótimo hotel Cava Colchagua)
      Tivemos no Valle Colchagua clima perfeito com sol, piscina, tempo para degustar vinhos, comer bem e relaxar. Esse vale fica a 180 km ao sul de Santiago, recomendo ir por três dias inteiros, o que corresponde à quatro noites.
      Chegou o sábado e tínhamos que seguir viagem. Como Santiago é uma cidade grande e com trânsito intenso, passamos direto e deixamos para conhecê-la no futuro, quando pudermos ir de avião. Nossa rota era seguir até Lujan de Cuyo, cidade satélite de Mendoza, perto das principais vinícolas argentinas. O detalhe é que ainda com a fissura no vidro teríamos que cruzar a Cordilheira dos Andes por uma estrada bastante sinuosa que vai a 3.200 metros de altitude. Fiquei apreensivo por conta do trajeto e pela possibilidade de algum problema com autoridades locais. 

      Fissura no vidro - pode acontecer na estrada
      Após passar por Santiago trocamos de pista para a 57 e andamos no mesmo ritmo dos chilenos. No entanto dois policiais usando radar parou os carros à minha frente e me parou. Ele mostrou que eu estava a 115 e que aquele trecho era até 100 km/h. Comentei que dirigia desde a Ruta 5 onde a velocidade era de 120. Ficou somente uma advertência verbal e mandou seguir. Melhor assim.
      Encaramos a Cordilheira com o vidro como estava, e felizmente não tivemos nenhum contratempo. A rachadura somente aumentava quando parava sob o sol. Na segunda-feira o carro ficou na oficina e devolveram com vidro novo, perfeito e com o mesmo grafismo pontilhado nas bordas. Aproveitamos essa manhã para caminhar pelas ruas de Mendoza.
      Depois de quatro dias passeando por lindas vinícolas argentinas e excelentes restaurantes de Lujan de Cuyo e Tupungato, regiões vizinhas à capital Mendoza, chegou a hora de ir para casa. Nas regiões de vinícolas do Chile e Argentina não há lei seca, você pode provar vinhos moderadamente e dirigir.

      Tour e degustação de vinhos em Lujan de Cuyo, Argentina (Vinícolas: Tierras Altas e Kayken)
      Saímos de Tupungato após um maravilhoso almoço em uma vinícola, neste último bebi apenas água, deixamos Mendoza para trás e atravessamos outra região bastante deserta. Neste percurso fez calor - o termômetro do carro marcou 40 graus - mas o ar condicionado deu conta perfeitamente. Com o carro em movimento não há problema. O truque é: sempre que parar num dia ensolarado, procure uma sombra, mesmo que tenha que caminhar até 200 metros. Como o rumo do dia era para o leste, tivemos o cuidado de viajar na parte da tarde, com o sol atrás do carro. Pernoitamos em Merlo, pequena e bonita cidade turística no centro do país.
      Os pedágios argentinos se concentram nas estradas que vão para Buenos Aires e Rosário, pro lado afastado que fomos não havia nem pardais eletrônicos ou radares. Vimos placas de até 130 km/h e alguns chegavam trafegar entre 140 e 160. Estradas planas, retas e vazias são bem seguras. Percebemos que não valia a pena ir além de 130 km/h dado o aumento exponencial de combustível, ruídos de vento, risco de multa e etc. 
      Neste caminho nos alertaram que a província de Córdoba tem policiais trabalhando com fins arrecadatórios, regulando ultrapassagem sobre faixa contínua ou velocidade. O Google Maps, que usamos em modo offline perfeitamente, nos indicava cruzar essa província por estradas de menor porte, e não vimos ninguém perturbando.
      Depois da tarde de muito calor amanheceu chovendo bastante e vimos dezenas de árvores imensas arrancadas pela força dos ventos. Entre estradas e fazendas as árvores são muito altas e bonitas, diferentes das que vemos no Brasil. Após passar por um povoado chamado Pascanas nos deparamos com um trecho alagado. Por morar no Rio tenho alguma noção com locais alagados, mas quando você está em outro país a preocupação é maior. Pensei em dar uma volta e perder duas horas de viagem, mas isso não era bom porque a jornada prevista de 930 km era longa, e para evitar multas estávamos indo sem correria. Felizmente um Gol passou sem problemas, então nós também passamos.
      Parte extra – multa na Argentina
      Conhecia os relatos de paradas policiais nas províncias de Corrientes e Entre Rios. Suspeitei que depois da cobertura da imprensa brasileira e argentina sobre propinas essas coisas estariam mais calmas. Levamos os itens obrigatórios: habilitação brasileira, documento do carro em meu nome, seguro carta-verde, extintor e dois triângulos (em espanhol dizem mata-fuego e balizas), itens que constam no artigo 40 da lei de trânsito 24.449. Imprimi e levei a lei 24.449 de 1995 e a 26.363 de 2008. Conhecia a obrigatoriedade de trafegar sempre com faróis acesos. E levei itens citados em blogs que não foram solicitados: cambão, kit primeiros socorros, e permissão internacional para dirigir. Pro Chile precisa levar um jaleco reflexivo. Tudo comprado antes via internet. A lista de itens eu vi aqui e Levei até um formulário de reporte de incidentes que encontrei num blog para uma eventualidade. Não foi necessário. 
      No trajeto de ida vimos os primeiros policiais da Ruta 14 na divisa entre Corrientes e Entre Rios. Era perto das nove da manhã de um domingo e apenas começavam a colocar cones. Mais adiante, passando por Concórdia, fizemos um pit-stop no hotel Hathor que fica na estrada e era onde tínhamos reserva para a volta da viagem. Aqui tirei uma dúvida: os hotéis aceitam pagamento em dólares, dão troco na moeda local, mas para obter isenção de 21% do IVA é necessário pagar com cartão estrangeiro.
      Saímos desse hotel e apenas 3,4 km depois fomos parados por policiais que ficam na base móvel de um trailer sob a sombra de um viaduto. Que mancada a minha, já tinha feito 400 km em solo argentino dentro das regras e justamente após essa parada tinha saído com os faróis desligados. O dia estava muito claro e não me dei conta. Conferiram documentos, extintor e triângulos, e fui ao trailer para ser notificado. Gentilmente explicaram que poderia pagar ali mesmo com 50% de desconto ou depois em algum Banco Nación. Em nenhum momento fizeram menção de propina, e eu não deixei margem para isso. Informei que pagaria no banco. Pronto, liberado. 
      O que me deixou cabreiro foi o valor da notificação, que poderia variar de 300 a 1000 UF, e no meu caso não sei por qual motivo colocaram 300. Li na internet que isso é assim mesmo e que UF significa unidade fixa e equivale à um litro de gasolina. E a notificação de faróis apagados é considerada grave, similar à avançar sinal vermelho. A multa portanto era equivalente à 1100 reais. Nitidamente um valor desproporcional e com fins arrecadatórios. Em Mendoza nos explicaram que essas multas são definidas e arrecadadas por província, são leis locais. E comentaram que as restrições aos argentinos são ao renovar a habilitação ou para revender carros.
      Cheguei a ler sobre relatos de abono de multa, mas tinha que ser solicitado por escrito em dia útil e em prazo de 10 dias na prefeitura local. Quando li isso já estava longe, com muita estrada pela frente, e na volta passaria 20 dias depois e num final de semana. Sem chance. Tive receio porque tinha que sair pro Chile e voltar para a Argentina. Dias depois fui numa agência desse Banco Nación para pagar. Me explicaram que ali eu não quitaria, faria um depósito do valor na conta indicada e levaria um comprovante. No entanto alegando que eu era estrangeiro não puderam proceder com o depósito, o sistema exigia uma identificação local. Conclusão, tentei pagar e não teve como. Continuamos a viagem e felizmente não disseram nada ao cruzar as fronteiras ida e volta para o Chile. Entrei por Mendoza sem problemas com uma notificação aberta e um vidro trincado. 
      Na volta revisamos o plano para passar por Concórdia numa sexta em vez de sábado, assim se fosse necessário poderia ir à alguma repartição. Ressabiado, verifiquei que os bancos são de 8 às 13 horas, muito cedo pra quem ia percorrer 900 km. Decidimos fazer o trecho longo na quinta e viajar parte à noite. Passamos no ponto dos policiais às 23:30 e não havia ninguém, somente o trailer no mesmo lugar. Fica aqui o alerta: quando dirigir lá jamais esqueça de verificar os faróis. 
      Deixamos a Argentina por Uruguaiana após esperar 30 minutos de fila dentro do carro. Devolvemos o visto de turismo e até breve. Cruzamos a ponte e no lado brasileiro ninguém perguntou qualquer coisa.

      Saudade do hotel ao lado dos parreirais no Valle Colchagua 
      No Sul novamente vimos uma rodovia brasileira tratada com desleixo. A BR-290 que vai até Porto Alegre está com piso ruim. Eu poderia imaginar isso por conta das reportagens da crise do governo gaúcho e do Brasil todo. Mas depois de rodar pelos países vizinhos, que não são ricos, é estarrecedor ver a situação das coisas aqui e a incapacidade que temos de pleitear e fiscalizar melhoras.
      Ficamos um dia e meio em Porto Alegre e depois a estrada pelo litoral foi muito tranquila. Como é bonito passar na parte de serra que sobe de Joinville até Curitiba. Antes de chegar em casa parei em Taubaté e levei o carro pra a revisão, pois estava perto do limite estipulado de 10 mil km e mais mil de margem. Antes de viajar tinha feito uma revisão também. 
      O carro foi perfeito sem qualquer ressalva. Mesmo sendo leve o up! TSI não balança ao cruzar caminhões em sentido contrário. É um excelente modelo para uso rodoviário com dois à bordo. Costumo encerar o carro periodicamente, levei um kit para lavar o carro, e providenciei dois acessórios: uma capa para o capô, e um metro de tela anti-mosquito para proteger o radiador. Eu sabia que no interior da argentina usam variados tipos de tela na frente, não é bonito mas funciona, e realmente vi carros assim. Nenhum policial reparou nisso. Fixei a tela por fora da grade do para-choque amarrando com cadarços. Nessas regiões imensas com muitas áreas planas há muito mais do que mosquitos. São vespas, borboletas e um monte de pequenos pássaros que ficam no asfalto até os carros chegarem perto para sair voando. Chegamos a pegar um passarinho e por conta da tela ele não chegou no radiador.
      Também é comum perguntarem sobre os gastos. Em resumo, depois de cotar e separar o valor para os hotéis, nós consideramos a previsão de gastar 50 dólares por dia por pessoa com restaurantes para almoço e jantar e extras como comprar água, alfajores, sorvetes, farmácia, etc. Para o combustível consideramos o custo médio do Rio de Janeiro, similar ao do Rio Grande do Sul e um pouco acima dos valores de São Paulo. Na Argentina o custo da gasolina não é muito diferente, a não ser na região afastada da Patagônia que tem combustíveis subsidiados pelo governo, chegando a ter 22% de redução. No entanto os gastos com alimentação na Patagônia são um pouco mais altos. No planejamento consideramos fazer 15 km/l e previsão de rodar 10 mil km. Ao todo rodamos mais, 11 mil km, com média geral de 17 km/l. Planejamento é realmente um item muito importante para que uma viagem como esta seja um sucesso. 
      Foram portanto 26 dias fora de casa. Particularmente considero que o ideal é viajar à dois, no conforto dos bancos dianteiros de um carro, sem carga máxima, conhecendo bons hotéis e restaurantes, e com uma boa poupança prévia. Penso nos bancos da frente de um carro como uma espécie de “primeira classe”, afinal os bancos reclinam bastante e o campo de visão é excelente. 
      Não fizemos esta viagem de carro porque seria mais barato do que ir de avião, e talvez nem o seja. Por via aérea um casal ficaria menos dias fora de casa, gastando menos com hotéis, portanto compensando gastos dessa forma. No retorno do nosso percurso vimos um casal que viajava num SUV grande levando quatro crianças que pareciam ter todas abaixo de cinco anos. Em cinco minutos de conversa no saguão do hotel um dos pimpolhos já havia batido a cabeça com força num mármore, enquanto o pai seguia preocupado em conversar comigo e anotar dicas de estradas. Sinceramente, eu acredito que viagens de carro realmente muito longas são coisas para adultos, por diversos fatores. Primeiro porque crianças e mesmo adolescentes são mais sensíveis às variações de comida, de temperos, de temperatura, de humidade, etc. Segundo porque para eles é difícil compreender o desafio e a satisfação de realizar trajetos tão longos, terceiro porque cada faixa etária tem preferências próprias, e a criançada em geral quer parquinho, quer correr, gritar, bagunçar, rir, etc. Ficar inúmeros dias confinados no banco de trás de um carro não é a mesma coisa pra eles. Mas para os que realmente querem viajar com filhos eu recomendaria fazer diversas viagens menores pelo Brasil mesmo, e sempre com muita margem para replanejamento, trechos menores, etc.  
      Pra nós fazer esta viagem de carro era o que queríamos fazer, e estávamos tão bem preparados que pra nós não foi tão cansativo como imaginei que poderia ser. Viajar é bom demais, recomendo! 
      Todas as fotos reservadas por Pedro Mazza e Claudia Queiroz. Algumas delas usando tripé. 
       

    • Por anselmoportes
      Fui para o Uruguai, Argentina e Chile em Março de 2017 e meu roteiro foi esse:
      SP - Punta del Este - Montevidéu - Colônia de Sacramento - Buenos Aires - Rosário - Salta - San Pedro de Atacama - Santiago.
      Farei o relato de toda viagem, mas em partes. Neste falarei de Rosario
      LEGENDA
      UYU - Peso Uruguaio
      USD - Dólar Americano
      BRL - Real Brasileiro
      ARS - Peso Argentino
      ROUPAS
      Em março o clima é bem agradável sem muitas variações de temperatura. O começo da manhã e à noite as temperaturas caem um pouco então é bom sempre ter uma blusa na mochila de ataque. 
      Não esqueça do protetor solar, boné e óculos de sol.
      CELULAR
      Levei meu celular mas não comprei nenhum chip local. Fiquei usando apenas o wi-fi que funcionou bem durante a maioria da viagem.
      DINHEIRO e CARTÃO
      Em espécie levei apenas DÓLARES AMERICANOS e trocava aos poucos por moeda local em casas de câmbio. Usei sem problemas o cartão VISA INTERNATIONAL do Banco do Brasil na maior parte da viagem.
      ACOMODAÇÃO
      Há quase 10 anos faço parte do Couch Surfing então quase sempre consigo me hospedar na casa de locais. Em Rosário fui hospedado pelo Pablo, um couchsurfer que mora no centro da cidade.

      CHEGANDO EM ROSÁRIO
      Peguei um ônibus na estação de Retiro (Buenos Aires) por volta das 9h30 e cheguei em Rosário por volta das 15h. Havia uma manifestação na entrada da cidade por isso o ônibus atrasou um pouco.
      O táxi da estação ao centro me custou ARS100.
      O QUE FAZER
      Rosário é a terceira maior cidade da Argentina (atrás apenas de Buenos Aires e Córdoba) mas no entanto não é muito turística. Na verdade eu só decidi passar por ela pois estava no caminho de Salta, cidade que visitei posteriormente.
      1º dia: 15 de Março de 2017 (quarta-feira)
      Devido a uns desencontros com meu anfitrião só fui chegar à casa dele por volta das 18h. Bem perto dali havia um supermercado e fui até lá comprar pão e achocolatado para o café da manhã e umas cervejas Quilmes. Voltei, conversei um pouco com o Pablo e saí para o encontro semanal do Couch Surfing.
      Comprei um cartão de transporte (ARS30) e coloquei mais ARS30 de crédito nele.
      Peguei um ônibus na Calle 3 de Febrero e desci na Bv. Oroño. Caminhei umas 10 quadras até a Calle Suipacha, onde se encontra o bar “Gatufo”. Um bar bem pequeno, mas tinha umas cervejas artesanais muito boas. Bebi 3 “rubias” e 1 “negra”. Conversei bastantes com os couchsurfers locais (uns 15 no total).
      Na volta dividi um táxi com 5 pessoas e por ARS20 voltei pra casa.
      2º dia: 16 de Março de 2017 (quinta-feira)
      Acordei por volta das 9h, tomei um café, conversei com o Pablo e sai para caminhar. 
      Fui até a orla do Rio Paraná, que tem um passeio bonito e arborizado. Cheguei até o Monumento à Bandeira e paguei ARS15 para subir nele. De lá se tem uma vista belíssima vista da cidade e do rio. Ali do lado está a Pasaje Juramento e também bem próximo está a simpática Basílica Catedral Nossa Senhora do Rosário.
      Segui caminhando até o centro e encontrei o Centro Cultural Roberto Fontanarrosa. Estava tendo uma pequena exposição de um cartunista argentino chamado Andrés Cascioli. Suas incríveis caricaturas criticavam o governo argentino mesmo nos tempos de ditadura. Conversei com um solícito funcionário chamado Marcelo que me explicou qual ônibus pegar até o Parque de la Independência.
      O parque tem um lago com patos e é bem cuidado. Lá também se encontra o Museu Histórico Provincial de Rosario Dr. Julio Marc. No museu há uma sessão com objetos da América pré-colombiana, arte sacra e quadros dos heróis da América do Sul como San Martin e Simón Bolivar. Apesar de pequeno (dá pra ver tudo em 30min.) vale a visita.
      Ao lado do museu está o estádio do Newell's Old Boys. Não existem tours guiados pelo estádio, mas eu pedi para um funcionário e ele me deixou entrar para tirar umas fotos lá de dentro na arquibancada.
      Voltei caminhando para casa. Tomei um banho, conversei com o Pablo, descansei e fui dar uma volta pelo bairro. Encontrei um bar chamado Zodiako (Calle 3 de Febrero, 562). Até às 21h30 qualquer pint de cerveja saia pelo preço de ½ pint (de ARS70 por ARS42). Primeiro tomei uma Blond Ale, mas tinha muito gás e parecia cerveja de garrafa. Depois pedi uma Red Ale e uma Kolch que estavam muito boas. Ficou tudo por ARS130.
      Na volta pra casa encontrei na mesma rua um restaurante por kg para levar. Fiz um marmitex de arroz, bife à milanesa, lula, almôndegas e salada (ARS87) e levei pra comer em casa.
      Jantei, conversei mais um pouco com o Pablo e fui dormir.
      3º dia: 17 de Março de 2017 (sexta)
      Acordei por volta das 8h30, tomei café e saí para caminhar mais uma vez pela cidade. Passei por um teatro e casa de show chamado Plataforma Lavardén, que tem uma belíssima escada em espiral. Vale a visita para quem ama (assim como eu) tirar foto de escadas em espiral.
      Segui caminhando até a Plaza de la Cooperación, onde era a casa natal de Ernesto “Che” Guevara. Não há mais vestígios da casa, apenas uma pequena praça com uma ilustração do rosto de Che Guevara. Sinceramente só vale ver se estiver passando por lá, caso contrário nem perca seu tempo.
      Caminhei mais umas 4 quadras até o Parque España, que também não tem muita coisa pra ver. Fui até o Planetário mas estava fechado. Voltei pra casa, arrumei minhas coisas, me despedi do Pablo e fui pegar o ônibus (115 Aeropuerto) até o aeroporto. Entrei no ônibus às 13h e ele cruza a cidade inteira. Fui chegar no aeroporto mais de 14h.

      Por volta das 16h estava decolando sentindo Salta.

      Anexo ao relato algumas fotos da minha passagem por Rosário.

      Espero ter ajudado.
       
       










    • Por Bruno GNR
      Fala ai galera, beleza?
      Não sou um membro muito ativo aqui no Mochileiros, mas tirei daqui minhas informações básicas para a melhor viagem que fiz em toda a minha vida. Em dezembro de 2017 e janeiro de 2018 realizei um sonho antigo que era o de viajar de carro pela América do Sul.
      Após 1 ano de planejamento, era hora de pegar o carro e sair por aí. Compartilho com vocês meu relato da viagem e agradeço de forma geral à todos que contribuíram para que isso realmente acontecesse e de modo direto ou indireto contribuiu para esse momento inesquecível da minha vida.
      Aproveito e me coloco à disposição para responder qualquer pergunta sobre meu roteiro, fique à vontade.
      Eu fiz meus relatos baseados naquilo que estava vivendo no momento, então eles não obedecem um critério ou roteiro específico, foi realmente aquilo que aconteceu durante minha viagem, então já me desculpo por erros de português, concordância ou divagações, tudo aqui é do coração mesmo.
      A viagem foi feita junto com minha esposa, Marcela e minha mãe, Dalva. Em alguns dias, minha irmã Camila se juntou à nós.
      Quem quiser acessar, deixo o blog que escrevi para deixar registrado tudo aquilo que vivemos. Não vou postar as fotos aqui, pois não quero deixar o post muito carregado (já tem muita informação escrita hehe), quem quiser conferir as imagens, elas estão no blog.
      https://maladaminhamae.blogspot.com.br/
      Bom, vamos lá!
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      Roteiro Definido!
      Dia 20/12 estaremos partindo para nossa viagem pela América do Sul, ao todo serão 31 dias de viagem onde esperamos encontrar destinos marcantes, pessoas incríveis e lugares inesquecíveis.
      Essa viagem foi planejada ao longo de 2017 e pensamos em fazê-la no estilo "low cost", porém, sem passar nenhum "perrengue".
      Nosso destino final será a cidade de San Pedro de Atacama, mas até chegar lá, vamos dar uma volta por parte do cone sul e depois retornar para Limeira-SP, abaixo seguem as datas de onde estaremos.

      20/12 - Limeira a Joinville
      21/12 - Joinville a Porto Alegre
      22/12 - Porto Alegre a Montevidéu
      23/12 - Montevidéu (Colônia del Sacramento)
      24/12 - Montevidéu
      25/12 - Montevidéu (Punta del Leste)
      26/12 - Montevidéu a Buenos Aires 
      27/12 - Buenos Aires 
      28/12 - Buenos Aires 
      29/12 - Buenos Aires 
      30/12 - Buenos Aires a Neuquén
      31/12 - Neuquén a Bariloche
      01/01 - Bariloche
      02/01 - Bariloche a Pucón 
      03/01 - Pucón
      04/01 - Pucón a Santiago
      05/01 - Santiago
      06/01 - Vina del Mar e Valparaiso
      07/01 - Santiago
      08/01 - Santiago a Copiapó
      09/01 - Copiapó a San Pedro de Atacama
      10/01 - San Pedro de Atacama 
      11/01 - San Pedro de Atacama 
      12/01 - San Pedro de Atacama 
      13/01 - San Pedro de Atacama a Salta
      14/01 - Salta
      15/01 - Salta a Resistência
      16/01 - Resistência a Assunção
      17/01 - Assunção
      18/01 - Assunção a Salto del Guaira
      19/01 - Salto del Guaira a Londrina
      20/01 - Londrina a Limeira
       
      20/12 - Limeira a Joinville 
      Hoje iniciamos nossa viagem, saímos de Limeira por volta das 05:30 e chegamos em Joinville as 14:00. 
      Pegamos o trecho novo da Serra do Cafezal que está excelente estado, com exceção de um trecho de menos de 5km que ainda não foi recapiado.
      Pista com movimento intenso, porém sem congestionamentos e trânsito fluindo normalmente. Tempo nublado o caminho todo, porém, sem chuva.
      Ao todo foram 3 paradas, 1 para abastecimento, 1 para o café da manhã e a terceira para uma ida rápida ao banheiro.
      Em Joinville estamos hospedados No Hotel Dois H que fica próximo da BR.
      Hotel recomendado.
      Almoçamos num restaurante muito simples em frente ao hotel, chamado Cantinho dos Amigos, comida boa e barata, é servido uma carne à escolha do cliente, com acompanhamento de salada, pão e maionese, recomendo também.
      A janta foi o que sobrou da costela do almoço com pão e queijo, delícia!
      Agora é descasar a noite para amanhã bem cedinho sairmos em direção à Porto Alegre  
       
      21/12 - Joinville à Porto Alegre
      Saímos de hotel por volta de 7:30, após um bom café da manhã, como o hotel ficava às margens da rodovia, foi muito rápido o trajeto até a BR. 
      A viagem transcorreu muito bem, sem chuva e o dia que amanheceu nublado, logo abriu.
      Paramos para conhecer um pouco da cidade de Torres já no RS, conhecemos a praia da Guarita e almoçamos num simpático lugar chamado "Restaurante da Cal", comida boa, com preço melhor ainda, R$26,00 por pessoa com direito à massas à vontade, mais galeto, polenta e maionese. 
      Após o almoço, partimos para Porto Alegre e nos hospedamos no Tri Hotel, bem fraco, com quarto de tamanho bom, porém, com instalações muito antigas e sem conservação 
      Neste dia jantamos um "Xis" no restaurante Cavanhas, lanche gostoso, mas nada demais, o valor de R$ 18,00 só o lanche.
      Depois, fomos até o mercado comprar algumas coisas e voltamos ao hotel para descansar e pegar o próximo dia de estrada. 
       
      22/12 - Porto Alegre a Montevidéu
      Acordamos cedo, logo as 6:30. Café tomado, carro carregado era hora de partir para Montevideo.
      Até Porto Alegre toda a rodovia era duplicada, porém partindo para o Uruguai ela se torna simples e mesmo com pedágios caros ela é mal conservada.
      Por questão de tempo, escolhemos entrar pela fronteira de Jaguarão ao invés do Chuí, que é a mais utilizada pois vai margeando todo o litoral do Uruguai até Montevideo. Foi uma boa escolha, a aduana estava muito tranquila e em menos de 15 minutos já estávamos de volta ao carro para prosseguirmos viagem.
      Foi então que veio a sensação de estar em meio ao "desconhecido" mesmo estando à poucos km do Brasil, é uma sensação diferente.
      Prosseguimos viagem pelos pampas uruguaios, somente alguns vilarejos e muitas pastagens.
      Foi uma boa decisão ter abastecido em Jaguarão pois o primeiro posto depois da aduana está a mais de 100 km.
      Nossa parada para o almoço foi na cidade de Trinta e Três no restaurante La Fragata, comemos um Chivito e tomamos um refrigerante "Passo del Toro" no sabor pomello, no valor de R$ 96,00, para nós três, achamos um preço bom, ainda mais pelo horário, que já passava das 15:00.
      Almoçados partimos para Montevideo, chegamos na cidade por volta das 19:00, passamos pela Rambla e já ficamos encantados com o visual da cidade, fomos então para nosso apartamento no bairro de Pocitos, local excelente, muito bem localizado e com uma ótima anfitriã, a Rosmari. 
      Com as malas no apartamento fomos ao mercado comprar algumas coisas básicas, voltamos, beliscamos qq coisa e fomos dormir. O dia foi cansativo, foram mais de 10 horas de viagem. Agora é descansar e aproveitar os próximos dias. 
       
      23/12 - Montevideo
      Primeiro dia em Montevideo, após uma boa noite de sono, com uma chuva fortíssima à noite, acordamos e tomamos um bom café para descobrir o que a cidade tem a nos oferecer. 
      O dia estava nublado e com um vento constante, muito agradável para uma caminhada pela cidade velha e foi o que fizemos.
      Antes de tudo, quero destacar que o trânsito de Montevideo não é dos melhores, os motoristas são em geral apressados, as ruas tem um asfalto muito irregular e em muitos cruzamentos (quase todos na verdade), não se sabe de quem é a preferência, por isso muita calma, no final tudo da certo. 
      Nossa primeira parada foi na Praça da Independência, onde está localizado o mausoléu do General Artigas, libertador do Uruguai.
       Ainda ao lado desta praça encontram-se o Palácio Salvo, a Torre Ejecutiva - Prédio da Presidência, ao lado o Palácio Estevez e atravessando a rua o belo Teatro Solis. Na ponta da praça está  Portal da Cidade Antiga. 
      Aproveitamos para tirar muitas fotos, mas o dia não ajudou muito por estar com o tempo muito fechado. 
      Após as primeiras fotos fomos até o Teatro Solis onde fizemos uma rápida parada,  andamos pela Rua Sarandi até chegar na Catedral Metropolitana, muito bonita por sinal.
      Deixando a Catedral com um tempo muito fechado e um vento muito forte voltamos para o carro e partimos para o Museu Andes 1972, local dedicado à tragédia que ocorreu quando um avião que levava um time de rugby uruguaio caiu em meio aos Andes na parte Chilena,  após 72 dias isolados nas montanhas, 16 foram salvos com vida. O Museu é pequeno, porém muito interessante, o valor foi de R$ 25,00 por pessoa para entrar. 
      Saindo do museu, próximo a hora do almoço, fomos comer no Mercado do Porto, ponto tradicional da cidade, era a vez de experimentar a famosa Parrilada, comemos no restaurante Roldós. 
      Pedimos uma Parrilada que era indicada para 2 pessoas, porém segundo a própria garçonete, 3 comiam bem. Para acompanhar pedimos um "medio medio", uma espécie de vinho, meio como um frisante, uma bebida clássica de Montevideo.
      Parrilada + Medio + Refrigerante saiu  total de 1600 pesos uruguaios. Nossa refeição mais cara até então. Nosso veredito foi: Sim, de fato o prato é muito bom, mas não é espetacular. Você paga mais pela "pompa" do que de fato pela comida.
      Após o almoço demos uma volta pelo mercado e vimos que estava tendo uma apresentação de samba, sim, samba! Segundo dizem o carnaval de  Montevideo é muito animado.
      Saindo do Mercado do Porto fomos para o Mercado Agrícola Municial (MAM), como o tempo estava fechado e ventando muito, demos preferência para lugares fechados neste primeiro dia. O mercado é interessante, foi recém-reformado, muito limpo e organizado, onde você encontra os mais variados produtos. Aproveitamos para tomarmos um café e comprar algumas coisas para a janta. Como o Uruguai é um país muito caro, demos prioridade para cozinhar no apartamento para economizar, foi uma decisão muito acertada. Apenas para efeito de comparativo, o quilo do frango inteiro, onde aqui em São Paulo, você encontra em torno de R$ 5,00, lá estava quase R$ 20,00, e o mesmo acontecia em restaurantes, onde uma refeição não saía por menos de R$ 40,00 para uma pessoa.
      Compras feitas, era hora de voltar para casa para fazer a janta e descansar, no outro dia tem mais!
       
      24/12 - Montevideo
      Véspera de Natal, após mais uma noite chuvosa o dia amanhece com tempo aberto e céu azul, acordamos por volta das 8:00 horas e após o café fomos até a Rambla de Pocitos, onde fica o letreiro de Montevideo para aquela foto clássica obrigatória. Como era ainda cedo conseguimos tirar nossas fotos com tranquilidade, enquanto estávamos lá, uma outra família acabou chegando e para variar, eram brasileiros. Fotos tiradas, era hora de conhecer um pouco mais a cidade, neste dia aproveitamos para passear por toda a rambla de Montevideo, que na opinião de todos nós é um charme que se destaca na cidade. 
      Demos adeus ao "mar del plata" e fomos conhecer o imponente Palácio Legislativo, sede da Câmara dos Deputados e do Senado. Como era véspera de Natal, o palácio estava fechado, mas rendeu ótimas fotos.
      Continuando nosso tour fomos até o bairro do Prado, um local arborizado, com um lindo parque que por sinal leva o nome do bairro e com dois pontos muito interessantes, a Igreja das Carmelitas, com estilo neogótico e o Monumento a La Diligencia.
      Após uma longa manhã de passeios, era hora do almoço, voltamos para o apartamento para preparar uma rápida refeição e descansar um pouco a tarde, pois combinamos de ver o ôr do Sol na rambla, que aliás foi um dos momentos mais emocionantes da viagem, um final de dia inesquecível com o Sol se pondo no rio da prata, simplesmente sem palavras.
      Por do Sol visto, a temperatura caiu rapidamente e com o vento constante era hora de retornar para fazermos a "ceia de Natal" e descansarmos, no outro dia iremos para Punta Del Este.
       
      25/12 - Montevideo (Punta del Este)
      Feliz Natal! Dia 25/12 deixamos reservado para conhecer a praia mais famosa do Uruguai, Punta Del Este. Como neste dia sabíamos que tudo estaria fechado na capital, resolvemos passear em Punta, onde com certeza, tudo ou quase tudo,estaria funcionando. Café da manhã tomado, era hora de pegar a pista. A rodovia que liga Montevideo a Punta Del Este é toda duplicada e em ótimo estado de conservação, claro, possui pedágios.
      Ao chegar em Punta del Este, vimos cidade movimentada e muito agitada. Com um trânsito intenso, mas que fluía bem, demos a volta por todo a orla da cidade, uma parada obrigatória no Monumento La Mano ou Los Dedos ou Monumento Al Ahogado, todos referentes ao mesmo local. É um local extremamente cheio e no verão (época em que fomos) dificilmente você conseguirá tirar uma foto sozinho no monumento, por isso tente pegar um "dedo" livre, registre o momento e já parta para outro lugar, não tem muito o que se fazer por ali. Com ficamos hospedados em Montevideo e iríamos apenas passar o dia em Punta, não tínhamos a intenção de entrar no mar ou "pegar uma praia", mas já aviso a água é muito gelada, boa sorte para quem for se aventurar. Continuamos por toda a orla, uma grande avenida toda duplicada, até chegarmos na diferente "Ponte Ondulada", rápida parada para fotos e já era hora do almoço, se em Montevideo as coisas já são caras, em Punta del Este o preço está mais para surreal, havia separado alguns restaurantes para comermos que pesquisei na internet, mas por serem lugares "simples" todos estavam fechados. Nos restou então recorrer ao McDonald's, uma decisão acertada, comida rápida, com preço razoável (um combo do Big Mac saiu em torno de R$30,00) e não deixe de experimentar o Mac Flurry de Doce de Leite exclusivo do Uruguai, uma perdição. Saindo do Mac, demos uma volta no Punta Shopping que fica ao lado, o dia estava extremamente quente, por isso ficar um pouco num local fechado com ar condicionado foi uma boa pedida após o almoço. Aproveitamos e passamos no supermercado localizado dentro do shopping para umas compras rápidas, inclusive daquilo que faríamos na janta neste dia.
      Saindo do shopping o plano era dar uma volta pela cidade, que por sinal é muito limpa e organizada e ir para a CasaPueblo, um dos mais importantes e conhecidos pontos turísticos de Punta. Local de fácil aceso, que não fica exatamente em Punta del Este, mas sim em Punta Ballena, que seria nosso caminho de volta para Montevideo.
      Chegando no local, vimos uma movimentação intensa de vans, táxis, carros particulares e turistas, a ideia era ver o pôr do Sol na CasaPueblo que é sempre um passeio muito recomendado, porém, devido ao valor alto para entrar, cerca de R$ 35,00 por pessoa, junto com a casa estando lotada, mais o dia quente e cansativo, optamos por tirar umas fotos na parte de fora e retornar para Montevideo, decisão acertada, pois na volta pegamos muito trânsito e acabamos demorando mais que o previsto.
      Fim do dia, hora de arrumar as malas e fazer a janta, amanhã partiríamos para Buenos Aires.
       
      26/12 - Montevideo - Colônia Del Sacramento - Buenos Aires
      Dia de ir embora é sempre meio depressivo, ainda mais quando deixamos um lugar no qual tenhamos gostado muito, esse foi nosso caso com Montevideo, todos nós adoramos a cidade (apesar do seu trânsito confuso), uma capital de país com ares do interior e de brinde com uma orla maravilhosa para fechar o pacote, Montevideo realmente deixou saudades.
      Porém a hora era de partida e a direção era Buenos Aires, nos planos inciais, iríamos por terra, atravessando a fronteira por Fray Bentos, uma viagem de aproximadamente 8 horas. No entanto, no dia anterior a partida, estive pesquisando novamente o preço da travessia de balsa entre Colônia Del Sacramento e Buenos Aires. Pelo site eu vi que o preço estava girando em torno de R$ 350,00 para a travessia na balsa maior e consequentemente mais lenta. Sairíamos por volta das 19:00 de Colônia e chegaríamos em Buenos Aires em torno das 22:00, a balsa mais rápida estava em torno de R$ 700,00 com apenas 1 hora de travessia. Ficamos na dúvida do que fazer e decidimos que iríamos até Colônia para conhecer a cidade e aproveitar para consultar o preço da balsa direto no guichê (que alguns viajantes relataram que seria menor) e caso não fosse, seguiríamos para BA pela rodovia. Melhor decisão possível!
      A rodovia até Colônia del Sacramento partindo de Montevideo está com boas condições, possui alguns pedágios e alguns trechos são duplicados, outros de pista simples, de qualquer forma uma pista tranquila e muito bonita.
      Chegamos em Colônia por volta das 10:00 e fomos direto para área portuária nos informarmos pela passagem, ao todo 3 empresas operam a travessia até Buenos Aires, a Buquebus (mais tradicional, com melhores serviços e também a mais cara) a Seacat (que seria a intermediária em relação à serviços e valores) e a Colônia Express (mais em conta e com piores serviços). Após uma rápida pesquisa nas 3 empresas, que por sinal operam uma ao lado do outra, optamos pela Seacat, que oferecia a travessia em 1 hora com o valor total de R$ 520,00 para 3 pessoas, mais um veículo. Como o combustível é muito caro no Uruguai, cerca de R$ 6,00 o litro, mais pedágios e principalmente o desgaste de 8 horas de viagem, chegamos à conclusão que a travessia pela balsa seria a melhor opção e com certeza foi.
      Passagens compradas, hora de conhecer a bela Colônia del Sacramento, uma linda cidade histórica que foi a única colônia portuguesa em terras uruguaias e por isso foi local de grandes batalhas com os espanhóis. A cidade em si é até grande, o que chama a atenção é realmente seu centro histórico, o resto não há muito o que se ver. Paramos o carro na praça central e fomos explorar a pé as ruas próximas, o dia estava lindo, porém o calor era escaldante e para piorar, muita umidade, o que deixa a sensação térmica ainda mais desagradável. Demos uma pequena volta nos pontos principais, o centro histórico é realmente muito interessante, tiramos algumas fotos, e partimos para o almoço, nosso barco sairia por volta das 16:00 e era pedido que se chegasse com 1 hora de antecedência para o embarque.
      Nos arredores do centro histórico, há várias opções de restaurantes, todas elas muito caras para o nosso padrão, então resolvemos procurar um supermercado para comprar algo para comermos e assim economizar tempo e dinheiro. Foi aí que encontramos um trailer de lanches ao lado de um supermercado indicado pelo GSP, ao perguntar sobre o preço, os sanduíches giravam em torno de R$ 15,00, realmente um achado. Vimos algumas pessoas comendo, era uma comida bem servida e um local limpo, almoçamos por ali mesmo e logo depois fomos pegar a balsa, porém, antes uma pausa para aliviar o calor e tomarmos um sorvete, por recomendações em sites, escolhemos a sorveteria El Cali, sinceramente, não gostamos, um sorvete aguado e bem sem graça, pelo menos ajudou a refrescar, saindo de lá era hora de ir para o terminal.
      Para fazer o embarque o processo é rápido, ali mesmo se faz a saída no Uruguai e a entrada na Argentina, estávamos com todos os documentos em ordem, então era apenas uma questão de burocracia mesmo. Com tudo certo, fomos para a sala de embarque esperar a chamada, parece muito com um sistema de aeroporto, um salão grande, com banheiros limpos, uma pequena lanchonete e televisões com a hora de embarque e desembarque de cada companhia. Neste dia o calor estava insuportável e o ar-condicionado não estava dando conta, foi uma espera muito desconfortável.
      Próximo ao em embarque, ouvimos a chamada no sistema de som e fomos para o local indicado, neste momento as passagens e documentos são conferidos e é feito o embarque também de veículos, a Marcela e minha mãe embarcaram por um lado e eu fui manobrar o carro na balsa entrando por outro. Tudo é bastante organizado e os funcionários são em geral muito atenciosos, por fim, apesar de termos comprado passagem pela Seacat, acabamos embarcando em uma balsa da Buquebus, foi ótimo! Carro guardado, era hora de subir para encontrar as duas e partirmos para Buenos Aires, a viagem transcorreu muito tranquila, o barco é muito bom, com ar-condicionado e poltronas confortáveis, aí foi hora de relaxar e esperar pela chegada.
      Passado cerca de uma hora, foi avisado que estávamos chegando em Buenos Aires e quem estivesse com veículo era necessário descer para fazer a retirada. A saída da balsa é um pouco confusa, mas com paciência tudo dá certo, antes de sair do porto, uma rápida revistada no carro pela aduana argentina e uma conferência de documentos, tudo certo era hora de procurar nosso apartamento.
      Chegamos numa hora ruim em Buenos Aires em relação ao trânsito, a área ao redor do porto está passando por grandes reformas e o trânsito estava um caos, mais uma vez, com um pouco de paciência tudo se resolve e logo saímos da muvuca e estávamos em direção ao bairro da Recoleta.
      A primeira impressão que tivemos de BA foi como sendo uma versão argentina de São Paulo, uma grande capital com um fluxo intenso de automóveis e pouca paciência por parte dos motoristas, principalmente os de ônibus, que realmente não tem o menor pudor em dirigir de uma forma muito agressiva. Passado o primeiro "choque" fomos procurar nosso apartamento e achamos com uma certa facilidade, o GPS é imprescindível nessas ocasiões.
      O apartamento da anfitriã Marisa foi uma das melhores habitações de toda a viagem, bem localizado, muito limpo, simples porém muito funcional e completo. Aproveitamos nossa chegada e fomos até um supermercado para comprar algumas coisas, como já disse, demos prioridade para cozinhar em casa por questões de economia. Provisões compradas era hora de voltar para o apartamento, fazer uma janta rápida e descansar, no outro dia, começaremos a desbravar Buenos Aires.
       
      27/12 - Buenos Aires
      Primeiro dia na capital porteña, combinamos de acordar um pouco mais tarde, tomar um café tranquilo, ir para o centro fazer câmbio e dar uma volta por ali mesmo, infelizmente nada disso deu certo.
      A começar pelo fato de que na área central de BA existe uma interdição de mais ou menos 30 quarteirões onde podem circular apenas táxis, ônibus e carro autorizados, como estávamos de uber, não poderíamos passar. Além disso, estava ocorrendo alguns protestos contra o governo argentino nas áreas centrais e o trânsito estava um inferno, mais do que o normal, a cereja do bolo era o calor infernal. Ficamos presos no trânsito quase 30 minutos e então resolvemos ir para um Shopping fazer o câmbio e de lá iríamos ver o que faríamos. Confesso que não lembro o nome do shopping que fomos e na casa de câmbio que havia lá a fila era imensa, perdemos ali mais uns 40 minutos, resumindo, a manhã foi perdida.
      Resolvemos então voltar para o apartamento, fazer o almoço com tranquilidade e como estava insuportavelmente quente, além de estarmos também cansados das correrias da viagem, revolvemos tirar a tarde de folga e a noite fomos passear pelo bairro da Recoleta.
      O bairro que é considerado um dos melhores e mais charmosos de Buenos Aires é realmente muito agradável, com uma bela arquitetura clássica o bairro é ótimo para caminhadas, inclusive a noite, se tem uma grande sensação de segurança.
      Passeamos à noite e acabamos jantando no Recoleta Mall, num lugar chamado Mostaza, é como se fosse um McDonald's só que argentino, lanche bom, com um preço em conta, num ambiente agradável, foi uma ótima pedida. Para fechar um sorvete no Freddo que é praticamente obrigatório em terras argentinas e foi hora de voltar para casa. Decidimos que no outro dia iríamos de metrô para o centro, então era hora de descansar com uma boa noite de sono.
       
      28/12 - Buenos Aires
      Após um dia relativamente calmo, era hora de ir para o centro e conhecer alguns dos pontos turísticos na lista de obrigatórios em Buenos Aires. Nossa anfitriã Marisa, muito gentilmente disponibilizou dois cartões do metrô para nosso uso, definitivamente o carro não é um meio de transporte recomendado para Buenos Aires.
      Próximo do nosso apartamento pegamos o metrô na estação Hellas Verona (linha amarela), a ideia era descer numa estação próximo ao teatro Colón e a partir daí rodarmos o centro a pé. Em tese tudo certo, chegamos na estação por volta das 09:30 e partimos para fazer uma baldeação na linha verde, aí começou um pequeno inferno astral, estamos acostumados com o metrô de SP, que por "pior" que seja, possui uma certa organização, muitas placas informativas e sempre se encontra alguém para perguntar. Ao descermos da linha amarela em direção à linha verde, não conseguíamos encontrar o acesso para fazermos a baldeação, foi um tal de sobe e desce escada, tentativas frustradas de se falar o "portunhol" e descobrir onde fica a tal entrada para a linha verde... muito tempo perdido, informações desencontradas e quando menos percebemos estávamos de volta no trem da linha amarela para ver se tínhamos feito alguma coisa errada no embarque, voltamos ao ponto inicial e para nossa "sorte" dentro do vagão encontramos um casal de brasileiros que estavam passando o ano novo em Buenos Aires e segundo o cara, "conheciam tudo por ali" e sabiam exatamente como fazer a tal da baldeação.
      Ficamos tranquilos, fomos conversando sobre a cidade e de repente estávamos de volta para a linha verde e o martírio recomeçou, eles estavam tão perdidos quanto a gente, novamente muitas escadas subidas e descidas, informações desencontradas e nada da tal entrada para a linha verde. Por um momento me afastei do grupo e fui andar sozinho para realmente reclamar um pouco comigo mesmo de que nada dava certo e aproveitar para dar aquela amaldiçoada de leve em Buenos Aires... foi muito bom, pois ao andar por um corredor escuro sem qualquer indicação, eu encontrei a entrada para a linha verde!
      Foi um misto de raiva e felicidade, por achar finalmente o lugar e pela total falta de organização do metrô, mas deu certo, pegamos a linha verde, carros muito antigos e lotados, e partimos para o centro, nos despedimos do casal em uma das estações e saímos então na estão do Parque General Lavalle, já com o Sol muito forte, próximo das 11:00.
      Novamente a manhã foi perdida, já um pouco estressados e irritados seguimos então para conhecer um pouco da área central, passamos por prédios históricos muito bonitos, o Teatro Colón é um caso aparte, uma belíssima casa de espetáculos, realmente um ponto de destaque, seguimos depois para o famoso Obelisco na avenida 9 Julho, e partimos para a famosa Casa Rosada, que na minha opinião é um tanto quanto sem graça. Nos dirigimos para a Catedral Metropolitana de Buenos Aires, uma igreja belíssima e imponente, realmente uma construção muito bonita.
      A ideia era ir até Puerto Madero para almoçar e conhecer um dos principais pontos turísticos de BA, mas o Sol estava implacável, então decidimos voltar para o apartamento, antes, porém fiz uma parada no Congresso Argentino, um dos prédios mais bonitos que vimos em toda a viagem, pena que estava fechado para visitação. Fizemos algumas fotos e partimos para Recoleta, novamente de metrô, na volta passamos para pegar algumas empanadas para almoçar e após um dia cansativo, estressante e de muito calor, resolvemos ficar a noite em casa no conforto do ar-condicionado.
       
      29/12 - Buenos Aires
      Após uma necessária e boa noite de sono, conversamos sobre no café sobre o que fazer no nosso último dia em Buenos Aires, com o calor que estava fazendo logo de manhã e levando em consideração que o metrô de Buenos Aires é o mais velho da América do Sul, com os trens em sua grande maioria muito cheios e sem ar-condicionado, decidimos passar a manhã no Caminito para conhecer um dos mais pitorescos pontos turísticos de Buenos Aires e aproveitar para comprar algumas lembrancinhas.
      O Caminito fica localizado no bairro La Boca, bem afastado do centro e também uma área mais popular da capital argentina, é formado por 2 ruas principais onde se encontra uma decoração muito chamativa e inúmeros lugares de artesanato. Como todos os dias, este também estava muito quente e confesso que quem mais curtiu este lugar foram as meninas, após algumas fotos e um chopp, a ideia era encontrar alguma sombra enquanto elas iam as compras. Conforme a hora do almoço foi se aproximando, os vários restaurantes foram abrindo e a maioria deles oferecia "shows" de tango, com casais dançando um dos ícones da cultura argentina.
      Compras feitas, fotos tiradas, devido ao calor insuportável, decidimos almoçar e passar a tarde no apartamento e sair mais a noite para uma volta na cidade. Acabamos almoçando num restaurante próximo ao nosso apartamento, que foi recomendado pela nossa anfitriã, comida boa, preço honesto, e bom atendimento.
      Descansamos na parte da tarde e fomos passear de carro pelo bairro de Palermo e arredores, uma área muito arborizada, com muitos parques, um lugar realmente muito agradável, passamos pela Floralis Generica, um dos principais cartões postais de Buenos Aires, então era hora de voltar para a casa para fazermos a janta e arrumarmos as coisas para um dos mais longos dias de viagem, de Buenos Aires até a cidade Allen.
      Terminamos nosso passeio em Buenos Aires com a certeza de que gostamos da cidade, menos que Montevideo, mas ela possui um charme diferente, não conseguimos fazer vários passeios como o Puerto Madero e não vimos um show de tango por questões de economia. Conhecer a cidade durante dias da semana não é uma boa opção e as altíssimas temperaturas também não contribuíram para passeios a pé, queremos voltar com mais calma e tranquilidade para ver tudo o que a cidade pode oferecer.
       
      30/12 - Buenos Aires à Allen (Neuquén)
      Hora de dizer adeus para a capital da Argentina, com promessas de voltar um dia e partir para nossa maior "pernada" na viagem, foram quase 1200 km, durante mais de 12 horas de viagem, muitas estradas desertas, retas intermináveis e paisagens que foram se transformando ao longo do caminho, deixamos o clima infernal de Buenos Aires para respirar ares mais frescos na região da Patagônia, neste dia não tínhamos nenhum lugar para parar ou algo para ver, era apenas um dia de deslocamento para chegar até Bariloche, então, realmente não tenho muito para escrever à não ser para lembrar o quanto é importante abastecer SEMPRE que o tanque se aproximar da sua metade, em geral, as estradas argentinas possuem poucos postos e a maioria deles está sempre cheio, sendo assim, é bom ficar esperto com este detalhe.
      Neste dia dormimos num prédio residencial chamado San Peters, após um longo e cansativo dia de estrada, encontramos o local com facilidade, porém, não conseguíamos sinal de internet para se comunicar com o responsável pelo apartamento para nos instalarmos, a saída foi ir para um restaurante, comprar uma água e usar o wi-fi deles, após uma rápida troca de mensagens, conseguimos contato com o responsável e fomos para nosso apartamento, simples, limpo e bom para uma noite, nada além disso.
      Aproveitamos a simpatia da atendente do restaurante do wi-fi que voltamos lá para jantar, comemos a pior pizza de nossas vidas, mas a canseira era tanta que nem ligamos, só queríamos cair na cama e descansar, no outro dia nosso destino era San Carlos de Bariloche!
       
      31/12 - Allen à Bariloche
      Após uma boa noite de sono, saímos logo de manhã em direção à San Carlos de Bariloche, afinal de contas o dia anterior tinha sido apenas de estrada, sem nada de especial para ver, então estávamos ansiosos para chegar em um dos destinos preferidos dos brasileiros que vão para a Argentina.
      Saímos por volta das 07:30 do apartamento e partimos para a rodovia, durante minhas pesquisas para a viagem, vi que na região da cidade de Neuquén existiam grandes sítios arqueológicos, principalmente com fósseis de dinossauros. Desde criança fui fascinado pelo mundos dos dinos, então, uma rápida parada em um museu era quase que obrigatório.
      Saindo em direção à Bariloche tivemos a primeira agradável surpresa do dia, procurávamos um lugar para tomar café e encontramos uma "padaria" recomendada pelo google maps chamada Sil-Mar. Como não havia outras opções, decidimos arriscar e nos demos muito bem, a padaria é tocada por duas irmãs, que sem dúvida foram duas das pessoas mais simpáticas que encontramos em nossa viagem, pena não ter tirado uma foto com elas, como vimos nas nossas andanças o café da manhã na Argentina é doce, bem diferente do Brasil, onde se tem muitas opções salgadas, porém as duas irmãs se desdobraram para nos atender e servir um café da manhã mais "brasileiro" possível. Após um bom desayuno nos dirigimos para a Villa El Chocon, onde se encontra o Museu Municipal Ernesto Bachmann que guarda preciosidades do mundo da paleontologia, inclusive uma dos mais completos e bem preservados fósseis de dinossauros de um Gigantossaurus, um dos maiores dinossauros carnívoros conhecidos. Confesso que foi um momento particularmente mágico pra mim ver aqueles fósseis na minha frente, foi uma volta ao tempo em muitos modos, realmente um momento inesquecível.
      A Villa El Chocon fica as margens de um lado criado para uma usina hidroelétrica e quando saímos do museu resolvemos descer até o lago para ver como era e para nossa surpresa um tom de azul maravilhoso foi nos apresentado com um lindo visual inesperado, foi realmente uma grata surpresa.
      Dinossauros e lago vistos, era hora de retornar o caminho para Bariloche, neste trajeto passamos por muitas cidades e povoados e um dos mais charmosos foi o Piedra del Aguila, com umas formações rochosas muito interessantes, foi também após este vilarejo que tivemos um dos momentos mais emocionantes da viagem, sem se anunciar é possível ver de longe um topo todo nevado no horizonte, a Cordilheira dos Andes se mostra pela primeira vez, uma cena inesquecível. À partir daí o caminho se tornou um deleite para os olhos, conforme íamos nos aproximando dos Andes a paisagem ia mudando drasticamente e as formações rochosas que iam se formando pelo caminho eram de deixar todos os queixos caídos, com certeza este foi um dos trajetos mais lindos que passamos não apenas na nossa viagem, mas em toda a nossa vida.
      Antes de chegar em Bariloche, paramos para algumas fotos em um dos mirantes mais bonitos da viagem, com o Lago Nahuel Huapi e a cidade de Bariloche de fundo, com os Andes cobertos de gelo, de tirar o fôlego!
      Depois disso nos restou procurar nosso apartamento e nos preparar para a noite de ano novo.
      O apartamento em que ficamos era muito simples, porém, muito bem localizado, como era véspera de reveillon muitos comércios estavam fechados e apenas uma vendinha próximo de onde estávamos ainda estava aberto, compramos algumas coisas e já voltamos para o apartamento, o vento estava fortíssimo e a sensação térmica estava muito baixa. Nesta venda tivemos duas pessoas "marcantes" na viagem, primeiro a dona da venda, a primeira e única pessoa que não nos atendeu muito bem, e que ao ver que eu era brasileiro fechou a cara e depois disse que não gostava de brasileiros, muito diferente do seu marido, que atendeu com uma grande cordialidade e brincou muito falando sobre futebol, realmente muito simpático, um completo avesso à esposa, enfim, vida que segue.
      Compras feitas, fomos fazer nossa "ceia" para esperar a virada do ano, em Bariloche o ano novo é super morto e as maiores festas acontecem nos hotéis, que é claro, são muito caras. Comemos nossa ceia, vimos algumas fotos da viagem, conversamos sobre tudo aquilo que já tínhamos visto e de repente já era meia noite e "estouramos" um champanhe para celebrar 2018 e já fomos para a cama, no dia seguinte passearíamos por Bariloche e um novo ano começava!
      Feliz 2018!
       
      01/01 - Bariloche
      Feliz 2018! Já acordamos no novo ano que se inicia e depois de um bom café da manhã partimos para descobrir tudo o que Bariloche tinha para nos oferecer, claro que em um dia não seria possível conferir todas as atrações.
      Começamos indo nos Cerros, até descobrirmos que eles estavam fechados, daí então partimos para o Circuito Chico, que vai margeando em grande parte o Lago Nahuel Huapi e outros vários lagos "escondidos" em meio às montanhas, são inúmeros lugares, e paisagens, uma mais deslumbrante e mais linda que a outra, não nos atentamos com o nome de cada um dos locais que estávamos indo, mas sim a com beleza de cada um deles. Sem dúvidas, Bariloche foi um dos pontos que mais gostamos, de um cenário hipnotizante, à cada curva, uma nova surpresa, vou deixar que as fotos tentem mostrar um pouquinho deste local fantástico, que com certeza, queremos voltar.
      Paramos para almoçar em um bairro afastado do centro, chamado Colonia Suiza, são muitos restaurantes para escolher, dos mais variados tipos, confesso que estávamos famintos e acabamos entrando naquele que tinha lugar para parar, chamado El Gran Pez, uma delícia, comemos uma espécie de frango ao molho que nos serviu muito bem, por um preço justo, super recomendado.
      Após vislumbrar incontáveis paisagens, passamos pela região central da cidade para comprarmos chocolates e o local escolhido foi um muito recomendado, chamado Mamuscha, uma loja de chocolates com fabricação própria, é de encher os olhos, dá vontade de comer tudo o que você vê, acabamos comprando alguns chocolates e sim, eles são realmente maravilhosos! Mas na verdade existem muitas lojas de chocolates artesanais, sem dúvidas, todas muito boas, fica à sua escolha.
      Por fim, demos uma passada na Catedral de San Carlos de Bariloche, uma bela igreja e aproveitamos para além das fotos, agradecer por tudo aquilo que estávamos vivendo.
      Dia chegando ao fim, era hora de voltar para o apartamento, preparar uma jantinha, arrumar as malas e se preparar para seguir viagem, próximo destino, Pucón, agora estaremos indo para o Chile, mas com certeza, levando Bariloche no coração.
       
      02/01 - Bariloche à Pucon
      ortes emoções, essa foi a pedida deste dia de viagem. Após um deleite para os olhos no dia anterior, era hora de pegar as malas e rumar para outro país, vamos para o Chile, mais precisamente a cidade de Pucón, esta parte da viagem era uma das quais eu estava mais ansioso para que chegasse, pois iríamos passar por uma das rotas mais bonitas da América do Sul, a Rota dos 7 Lagos, passaríamos por Villa La Angostura e San Martín de Los Andes, todos lugares muito bonitos e que com certeza nos encheriam os olhos.
      Café tomado, carro arrumado, hora de pegar pista. A previsão era de tempo fechado e chuva para esse dia, o que é claro, foi um banho de água fria nas pretensões de curtir todo o visual da estrada.
      Saímos de Bariloche com um sentimento de que com certeza voltaremos um dia para acabar de descobrir a cidade e quem sabe conhecer todo o seu charme durante o inverno, porém, no verão ela também é imperdível! Começamos a serpentear por estradas que sempre possuem um visual muito bonito, porém o tempo foi fechando e a chuva veio, passamos por La Angostura com tempo chuvoso, não deu pra parar e tirar algumas fotos e dar uma volta pela cidade, uma pena, pois mesmo com tempo ruim ela se apresentou uma graça.
      Neste momento nossa viagem deu uma guinada, como disse anteriormente, a ideia era seguir pela Rota dos 7 Lagos, e teoricamente nós estávamos na pista correta, logo era apenas seguir por ela. Não sei exatamente quando e em qual momento, mas mudamos de rodovia, sem percebermos e como o tempo estava muito ruim, eu confesso que não prestei muita atenção no caminho, estava com um grande sentimento de frustração. Foi aí que de repente, chegamos numa aduana argentina, eu achei tudo muito estranho, pois ainda faltava passar por San Martín de Los Andes e tínhamos andado pouco na Rota traçada, acabamos ficando sem entender, neste trecho o trânsito estava parado e os carros eram liberados por grupos para passar pela aduana, pensei que estivéssemos no lugar certo e talvez a aduana argentina fosse apenas um pouco antes da cidade de San Martín de Los Andes, pois quando chegamos no Uruguai, ao passarmos a fronteira, a aduana Uruguaia era cerca de 5 km a frente, logo, isso poderia ter acontecido novamente.
      Por fim, ficamos na fila alguns minutos, logo fomos liberados e quando nos demos conta, estávamos fazendo todo o processo de imigração para sair da Argentina e ir para o Chile, talvez, se o tempo estivesse aberto, eu teria feito meia volta, porque obviamente estávamos errados, mas como o tempo estava fechado e não havia muito o que ver, continuamos. Foi então que após cerca de 1 hora para todo o trâmite e liberação, começou a ocorrer em mim um sentimento muito ruim, pois nós estávamos em uma pista desconhecida pelas minhas pesquisas, o GPS que é claro, havia parado de funcionar quando mais se precisava, acusou que estávamos indo para Osorno, muito ao sul de Pucón, e eu não havia pesquisado nada sobre essa região, em relação à postos de combustível, qualidade do asfalto, e outras informações importantes, foi literalmente um tiro no escuro! E com uma certe dose de pânico comecei a subir os Andes em direção à aduana chilena sem saber exatamente o que iria encontrar pelo caminho, sem dúvida esse foi um dos momentos mais tensos da viagem.
      Após alguns quilômetros e um pouco mais calmos, chegamos na aduana chilena para fazer o processo de entrada no país, como sempre a maioria dos funcionários muito simpáticos, dispostos a ajudar, com exceção de um deles extremamente mal-humorado, tudo transcorreu bem, fizeram a revista completa no veículo, foi solicitado que todas as malas fossem retiradas, passaram o cão-farejador por toda a bagagem e o funcionário que estava nos atendendo sempre muito cordial e educado.
      Vistoria feita, era hora e retomar o caminho, o GPS já havia voltado a funcionar e o próximo destino era a cidade chilena de Osorno, onde aproveitamos para almoçar e fazer câmbio, até mais que o Uruguai, o Chile é um país caríssimo, o custo de vida é muito alto e em relação ao real, as coisas em geral saem muito caras para nós. Depois do almoço em Osorno rumamos para Pucón e o tempo continuava fechado e ocasionalmente chovia.
      Chegamos ao nosso destino já anoitecendo e andamos muitos quilômetros a mais do que o previsto devido a desatenção e excesso de confiança, malas descarregadas, neste dia ficamos alojados num conjunto de prédios chamado Parque Suizo, é razoável, porém nada além disso, o anúncio no Booking dizia que acomodava 3 pessoas, mas na verdade existia apenas 1 cama de casal e um sofá cama bem desconfortável, para um casal está ótimo, para nós que estávamos em 3, deixou a desejar. Malas guardadas fomos ao supermercado para comprar alguma coisa para que pudéssemos jantar, como sempre, dando preferência para ser feito em casa, fizemos as compras, demos uma pequena volta pelo centrinho de Pucón que é realmente uma graça e partimos para comer e descansar, estava previsto amanhã chegarmos na base do Vulcão Villarica, um dos pontos mais aguardados da nossa viagem.
       
      03/01 - Pucón
      Frustração, muita frustração! Essa é a palavra que defini nossa estadia em Pucón, chegamos ontem com garoa e tempo fechado, como foi uma viagem cansativa no dia anterior, demos apenas uma passada para ver o centro, mercado e casa. A ideia era descansar bem a noite, para aproveitar bem o dia... infelizmente os planos não deram certo. O tempo ficou fechado o tempo todo, chovendo constantemente, o que não deixou nem a gente dar uma volta a pé pelo centro, o vulcão Villarica então, nem sinal da sua presença, uma pena realmente, particularmente eu estava muito ansioso para essa cidade, ver um vulcão ativo seria uma experiência única.
      Neste dia, o jeito foi ficar no apartamento descansando, não dava pra fazer nada.
      O jeito é dormir bem esta noite porque amanhã tem uma pernada longa até Santiago, e o Villarica não ia aparecer mesmo.
       
      04/01 - Pucón à Santiago
      Após uma estadia frustradíssima em Pucón, o melhor era sair cedo para chegar logo em Santiago, malas arrumadas, café tomado, era hora de pegar pista. Porém, eu ainda estava muito inconformado de não ter podido nem se quer VER o vulcão que domina toda a paisagem da cidade devido à grande quantidade de nuvens, por isso antes de irmos para Santiago, mesmo com tempo fechado, seguimos a rota que levava ao vulcão, para pelo menos tentar vê-lo, alguns quilômetros de estrada de terra muito ruim, achamos que não valeria a pena pelo risco, o jeito foi voltar e rumar para Santiago.
      O mais interessante é que em um dos últimos momentos possíveis, milagrosamente algumas nuvens se dissiparam e por alguns poucos segundos deu pra ver a ponta do cume, uma visão muito linda, mas que poucos segundos depois já foi encoberta, o que deu pra ver está na foto abaixo. Ficamos com um sentimento de “incompleto” nesta cidade e não ter visto o vulcão foi realmente muito triste, uma vez que viemos aqui só por causa dele. Bom vida que segue, é hora de ir para Santiago.
      Pista dupla o caminho todo, rodovia em ótimo estado de conservação e claro muitos pedágios, que giravam em torno de 12 a 15 reais, um preço justo a ser pago devido a qualidade, o único problema é eles serem muito próximos, o que acaba dando uma boa encarecida. Encontram-se muitos postos ao longo da rodovia, combustível não é problema, mas um lugar bom para comer, foi! Ao longo da pista encontra-se muitos “puxadinhos” que vendem algumas coisas de comer, mas sinceramente, não dá muita coragem de parar, restaurantes, esqueça, muito difícil de serem encontrados e os postos acabam se tornando uma opção para um lanche ou coisas assim.
      A surpresa ficou por um restaurante há +- uns 150 km de Santiago, chamado Al Paso +. Fica na beira da pista mesmo e foi o único lugar descente que havíamos encontrado até então (depois aparecem outras opções, mas a fome e a incerteza não permitiram esperar), tinha alguns carros parados e dois ônibus, sentimos confiança para parar e comer. O garçom (que me fugiu o nome, e deveria ter tirado uma foto com ele), era um show a parte, extremamente simpático e bem humorado nos atendeu muito bem, a comida estava muito boa e foi a primeira vez que comemos a palta (ingrediente super tradicional da culinária chilena, que nada mais é do que abacate amassado, é diferente pra falar a verdade, a Marcela gostou muito, eu e minha mãe torcemos um pouco o nariz hehe)
      Depois de ter almoçado, rodamos mais umas duas horas e já estávamos em Santiago à caminho do nosso apartamento, novamente o GPS indicou muito bem o trajeto e achamos sem maiores dificuldades. A primeira impressão de Santiago não foi muito boa, trânsito caótico, desorganizado, o clima de cidade grande mesmo. Ficamos hospedados na Bella Vista, que é bem recomendado na internet. O bairro em si é bom, próximo ao centro, mas achei meio perigoso, pelo tanto que falam de Santiago, fiquei um pouco assustado com o número de moradores de rua que viviam ali por perto.
      Descemos as malas, nos ajeitamos no apartamento, era hora de preparar a janta, como já disse, o Chile é muito caro e cozinhar foi uma ótima opção, porém, neste dia estávamos cansados e havíamos almoçado fazia pouco tempo, então eu saí para dar uma volta e ver se achava uma padaria ou algo assim. Achei uma pastelaria, e pra minha surpresa, descobri que no Chile, pastel é doce e parece um bolo, nada a ver com o nosso. O jeito foi comer algumas porcariadas que tínhamos levado e ir pra cama, descansar bem pra aproveitar o dia seguinte.
       
      05/01 - Santiago
      Primeiro dia na capital chilena, era dia de levar o carro para a revisão, depois de rodar mais de 4000 quilômetros, havia chegado a revisão dos 30.000 km, para não perder a garantia do veículo, optamos por fazer a revisão do carro em uma concessionária Peugeot, mesmo sabendo que pagaríamos mais caro do que uma simples troca de óleo. Querendo ou não, isso “travou” o nosso dia, pois além de levar o carro e ser longe (a concessionária não tinha serviço leva e traz, tão comum no Brasil), ainda tínhamos que ficar esperando eles entrarem em contato para buscar o veículo, então, esse dia realmente não rendeu. A sorte era que a Peugeot fica ao lado do Sky Costanera, então, aproveitamos para conhecer o shopping e a ideia era ir no mirante no último andar do prédio mais alto da América Latina.
      A ideia era essa, mas logo foi abortada, R$ 85,00 para se ter uma visão de Santiago que poderia muito vem ser vista dos Cerros, realmente não pareceu um bom negócio, nenhum de nós topou ir, então resolvemos fazer o câmbio no shopping e ir pra casa almoçar e esperar o responsável entrar em contato, pois precisávamos do wi-fi para isso, além do mais, caso fosse necessário trocar algumas peça extra ou reparo que a garantia não cobrisse, combinamos dele entrar em contato primeiro.
      Mais a tarde fomos buscar o carro, e aproveitamentos para dar uma volta, porém, o trânsito estava muito ruim, mesmo com GPS eu achei difícil rodar por Santiago pois em alguns lugares são muitas ruas juntas, algumas de mão dupla, outras de sentido único que nem sempre bate com o GPS, além disso, por causa da chegada no Papa, estavam ocorrendo algumas manifestações contrárias à visita do Francisco, inclusive com bombas sendo colocadas em igrejas e confrontos com a polícia, em uma das avenidas mais movimentadas de Santiago, vimos o que seria a ‘tropa de choque” da polícia chilena bater de frente com um grupo de manifestantes, ruas foram fechadas, muitas viaturas nas ruas, um clima bem tenso. O melhor era pegar alguma coisa e ir comer em casa, assim fizemos e já fomos dormir para tentar aproveitar melhor o dia seguinte.
       
      06/01 - Santiago
      Mais uma vez o dia começou amarrado, a ideia era acordar cedo, tomar café e partir para explorar a cidade, mas, neste dia a minha irmã Camila se juntaria à nós na viagem, a ideia era ela chegar no aeroporto e pegar um Uber para onde estávamos, mas por fim, acabamos indo buscá-la, o que comprometeu toda a manhã. Irmã no carro, era hora de explorar a cidade, fomos à alguns dos principais pontos turísticos, como o Cerro San Cristobal, Palácio La Moneda, e o centro antigo, passamos para nos refrescarmos na famosa sorveteria que vende sorvete feito com essência de rosas (diferente,mas não gostamos muito). O dia estava muito quente, o calor estava muito forte, terminamos nosso tour e voltamos para o apartamento para fazermos nossa janta e descansar. No outro dia iremos ver o Oceano Pacífico pela primeira vez, vamos para Valparaíso e Viña del Mar.
       
      07/01 – Santiago – Viña del Mar e Valparaíso
      Neste dia acordamos cedo para irmos até o litoral conhecer as duas famosas cidades, comentamos no café que ficamos um pouco desapontados com Santiago devido sua “fama” aqui no Brasil, na opinião de todos, uma cidade normal, que em questão de organização e limpeza está muito atrás de Montevideo por exemplo (apesar de serem cidades de portes completamente diferentes). Arrumamos as coisas, pegamos o carro e partimos para a estrada, o tempo estava fechado, as vezes garoando, o que deu uma quebrada no “clima” de praia que a gente esperava encontrar, nem pensando em entrar na água, que todos falam que é extremamente gelada, mas pelo dia de passeio mesmo.
      Após cerca de 2 horas, optamos por ir primeiro a Viña de Mar e depois, voltar por Valparaíso, creio que foi uma decisão acertada, pois na volta o trânsito estava muito intenso, e a saída de Viña del Mar estava bem complicada, segundo o GPS. Chegamos na cidade e o primeiro local que fomos conhecer foi o museu Fonck, que tem como principal (e talvez único) atrativo um Moai original trazido da Ilha de Páscoa. Particularmente eu achei demais poder ver aquela escultura ali, na minha frente, coisa que eu sempre tinha visto nos livros de história, é realmente muito interessante. Porém, passada a euforia de ver o Moai, resolvemos dar mais uma volta pela cidade, lemos na internet que realmente o museu não compensa pelo preço que se paga em muitos comentários. Como uma das sugestões do tripadvisor para Viña del Mar, estava o Palácio Rioja, uma linda construção do começo do séc. XX que se encontra muito bem preservada, conta ainda com visita guiada gratuita. Como o local era perto do Museu e o tempo permanecia fechado, resolvemos conhecer o palácio, e para nós foi uma grata surpresa, porque ele é realmente bem interessante, não que você irá passar o dia por ali, mas o estado de conservação do prédio e a visita com guia gratuito, deixa o passeio bem interessante.
      Timidamente o tempo começou a abrir, então, estava na hora de ver o Pacífico, a primeira vez que você olha algo “novo” é sempre surpreendente, por mais que seja “apenas” um oceano, saber que você está, literalmente, do outro lado da América, dá uma sensação muito gostosa. A cidade estava muito cheia, com um trânsito muito carregado e lugar para estacionar o carro era algo muito difícil de se encontrar, por fim, após rodarmos muito, acabamos encontrando um lugar próximo à praia para parar o carro e aproveitamos para admirar a imensidão azul à nossa frente, de quebra, ainda estávamos próximo à pedras onde costumam ficar os leões marinhos e mesmo de longe, pudemos ver vários deles, realmente uma cena muito legal. Após tirarmos muitas fotos, era hora do almoço, via de regra, o Chile é caro, mas Viña del Mar se supera, tudo extremamente caro, cheio e com filas, corremos então para o McDonald’s mais próximo, que por sinal também estava lotado, pensamos que o atendimento seria como no Brasil, que mesmo em dias muitos cheios, eles conseguem dar conta do serviço como uma certa rapidez. Este com certeza é o McDonald’s mais lento do universo, o pedido demorou quase 1 hora para ficar pronto e só não desistimos pois não teríamos opções melhores naquele horário. O combo do Big Mac saiu por aproximadamente R$ 35,00.
      Após o almoço partimos para Valparaíso, que está ao lado de Viña, e ficamos espantados com o abandono da cidade, ruas sujas, muitas pichações, muitos moradores de rua, realmente um lugar muito bonito, mas em péssimo estado de conservação. Dava pra ver monumentos lindos pela cidade, inclusive um arco que ficava numa avenida central, muitas praças e parques, todos muito mal cuidados. Realmente uma pena, resolvemos procurar a casa de Pablo Neruda, mas estava um inferno para chegar lá, acabamos desistindo, por fim, demos uma volta numa feirinha tradicional que se encontra na frente do prédio da Marinha e resolvemos que seria melhor voltar.
      Na volta pegamos muito trânsito e inclusive pontos de congestionamento, graças à organização chilena, eles fecharam algumas faixas da rodovia que seguia de Santiago para Valparaíso, para que os carros pudessem usar como faixa reversa, foi uma boa escolha para nós, pois cortamos alguns quilômetros de trânsito completamente parado. A chegada até Santiago ocorreu tranquila, mas com trânsito constante. Como já era tarde, resolvemos passar em um supermercado, comprar alguma coisa fácil para fazermos e logo voltar pra casa. Assim jantamos e já fomos descansar, no outro dia partiremos em direção ao Atacama, mas antes, uma parada em Copiapó.
       
      08/01 - Santiago à Copiapó
      Neste dia acordamos bem cedo, deixamos as coisas arrumadas no dia anterior, tomamos um café e já partimos para pegar pista, como estávamos indo para San Perdro de Atacama, escolhi a cidade de Copiapó para dormirmos e seguirmos em frente no dia seguinte. A cidade é frequentemente escolhida por viajantes que fazem este trecho Santiago - SPA, principalmente por ser cidade mais desenvolvida, que oferece maior gama de opções, além de ficar mais ou menos no "meio do caminho" até SPA.
      Como percorreríamos mais de 800 km ao longo do dia, preferimos sair cedo para o dia "render", foi uma boa opção, apesar de muito bem conservada, a maior parte da pista é simples e quando se pegava um caminhão, nem sempre era fácil encontrar um ponto de passagem, sem contar que existem algumas cidades pelo caminho, onde se pega trânsito e a velocidade de rodagem cai bastante.
      Entre as duas cidades não existe muito á ser visto, é muito interessante ver que neste dia as paisagens mudam muito, indo desde o litoral, ate deserto à perder de vista. Os postos aparecem com uma certa frequência, mas lugares para comer, são bem escassos, encontra-se mais dentro das cidades que vão aparecendo ao londo do trajeto.
      Vale a pena destacar que no caminho, se passa pela cidade litorânea de La Serena, que é realmente muito bonita e estruturada, pena não ter tempo para poder curtir melhor o lugar.
      A rodovia estava bem movimentada, mas o trânsito fluía bem, apesar disso, nem sempre era possível andar na velocidade máxima que na maioria das vezes era de 110 km por hora, com isso, andávamos num ritmo mais lento, fazendo com que o tempo não rendesse muito.
      Paramos para almoçar em um restaurante chamado Lennon (em referência aos Beatles), que fica na cidade de Vallenar, pedimos uma parrillada chilena, que parece a argentina e uruguaia, porém a principal diferença é que nesta a carne vem com uma espécie de "molho" em baixo, o que deixa o prato mais com cara de um ensopado do que de fato é, das 3 parriladas que comemos na viagem essa certamente foi a pior. Porém, muito bem servida, o que fez com já estivéssemos com a "janta" pronta.
      Após almoçarmos, já voltamos para a pista para chegarmos o quanto antes, mais algumas horas de viagem e já avistamos a cidade, que praticamente depende exclusivamente da mineração, essa por sinal é a cidade onde está a mina onde ocorreu o acidente com os 33 mineiros no Chile. O local em si é muito desértico e seco, porém, era bom já irmos acostumando, pois encontraríamos muito disso em SPA.
      Chegamos e fomos direto ao apartamento que havíamos alugado pelo Airbnb, nossa anfitriã Glória, muito simpática estava nos esperando e o lugar era de fácil acesso, o GPS encontrou sem problemas, após nos hospedarmos, fomos para o mercado comprar algumas coisas para comer com o que sobrou da parrillada.
      Além disso, aproveitamos e passamos numa farmácia para comprar um medicamento para mal de altitude, você encontra vários na internet, e realmente nos ajudou bem durante a viagem.
      Voltamos para o apartamento e todos estávamos muito cansados e como havíamos almoçado bem e não fazia muito tempo, fizemos alguns lanches com a carne que sobrou e acabamos indo dormir cedo. No outro dia era dia de chegar em San Pedro de Atacama.
       
      09/01 - Copiapó à San Pedro de Atacama
      Mais um dia de muito asfalto e o destino final era San Pedro de Atacama, após uma boa noite de sono, acordamos cedo e partimos atrás de um lugar para tomarmos café, apesar da cidade ser grande, padarias no estilo das do Brasil, onde é comum se ter mesas para tomar café da manhã, não existem. Vimos no maps a recomendação de uma padaria chamada La Chilena, partimos para ela, porém, acabamos não ficando por não ter lugar para tomar café por ali, tentamos a sorte em vários lugares e todos muitos simples, não havia espaço para tomar café em nenhum deles. Resolvemos então voltar para a primeira opção, que era "menos pior", decisão muito acertada, pois a dona do estabelecimento, muito simpática, ofereceu uma parte do balcão para comermos e mesmo não tendo lugar para sentar, tomamos nosso café ali mesmo.
      Nossos planos eram de conhecer o Museu de Copiapó onde estão algumas peças que foram utilizadas no resgate dos 33 mineiros, porém, como era uma segunda-feira, ele estava, porém, no dia anterior, pesquisando na internet, vi que a mina onde ocorreu o acidente era cerca de 50 km da cidade e havia saída para a pista onde seguiríamos caminho, por isso, não tivemos dúvidas e fomos até lá. Grande parte do caminho é estrada de terra que está em condições razoáveis, porém, chegando lá, ela estava fechada para visitação, tiramos apenas algumas fotos de até onde conseguimos chegar e um pouco frustrados voltamos para nosso caminho.
      Neste dia, eu coloquei uma parada "extra" na cidade de Antofagasta para vermos o monumento natural "La Portada", uma rocha esculpida pela força do vento e da água do mar que parecia ser muito bonito. Pegamos novamente muitos trechos de pista simples e alguns de pista dupla, o importante foi que ao longo do caminho pegamos um longo trecho que subia os Andes e neste ponto a pista está toda duplicada em ótimas condições, claro, pedagiada, como todas as grandes rodovias do Chile, neste dia andamos muitos quilômetros em áreas desérticas, extremamente secas, onde não se via nem mesmo arbustos, os postos são escassos em alguns trechos, por isso, sempre que possível, pare para abastecer.
      Como havíamos feitos lanches no dia anterior com o que sobrou da parrillada, a ideia era almoçar em Antofagasta quando chegássemos no monumento, porém com a parada não prevista na mina, acabamos atrasando muito nosso dia, como resultado acabamos chegando relativamente tarde na cidade.
      Apesar de ter lido muitos relatos negativos sobre a cidade, Antofagasta se apresentou muito bonita e bem cuidada, principalmente na parte da orla da cidade, tudo muito limpo e organizado, deixando a desejar apenas uma local onde havia muitos ciganos, que realmente não tinha uma boa impressão. Após conhecermos um pouco da cidade, era hora de chegar até o monumento, e ele é realmente inacreditável, o tom de azul esmeralda, contrastando com imensas falésias e a La Portada foi de encher os olhos. Após tirarmos muitos fotos, almoçamos com um visual deslumbrante, que com certeza valeu muito ter ido até lá.
      Após um rápido descanso, voltamos para a estrada em direção à SPA, e ainda havia um caminho considerável pela frente. No planejamento que havia feito, fiz os cálculos para que não precisasse dirigir à noite, principalmente por questões de segurança, mas neste dia por causa das paradas extras, principalmente na mina em Copiapó, acabamos por ver o Sol se por quando estávamos indo de Calama para San Pedro de Atacama. Após cerca de 1 hora dirigindo a noite, chegamos em San Pedro, e a noite, realmente não deu para ter nenhuma boa noção da cidade, o jeito foi procurar a pousada onde ficaríamos para fazermos o check-in e descarregar as coisas.
      O GPS nos levou direto à Pousada Andina, que fica um pouco afastada do centro, mas fácil acesso, principalmente se estiver de carro. Depois de nos alocarmos na pousada, o jeito foi procurar alguma coisa para comermos, e é importante dizer que San Pedro é uma cidade um pouco confusa para dirigir até que você se acostume, por isso, acabamos comendo um cachorro-quente num trailer que acabamos encontrando perto da pousada e essa foi nossa janta neste dia.
      Agora era hora de descansar para no outro dia começar a descobrir tudo o que a cidade tinha à nos oferecer.
       
      10/01 - San Pedro de Atacama
      Primeiro dia em San Pedro de Atacama, estávamos muito ansiosos para ver tudo o que a cidade tinha à oferecer e conferir se realmente era realmente tudo aquilo que falavam sobre ela. Começamos nosso dia tomando café numa padaria chamada La Franchutteria, que está muito bem recomendada no maps e no tripadvisor, de fato, as avaliações são reais, o local é excelente, com um preço alto, mas de muita qualidade, aliás, falando em preço, o Chile como disse anteriormente é um país muito caro para nós, mas San Pedro de Atacama é ainda mais caro, então não adianta, o jeito é procurar gastar menos, porque aqui tudo é inevitavelmente caro.
      Após um bom café da manhã fomos em direção às Lagunas Altiplânicas, li na internet que era possível conhecer muitos lugares no Atacama de carro, mas por questões de segurança, optamos por fazer apenas o primeiro dia com nosso carro, os outros passeios faríamos com alguma agência de viagem.
      O GPS funcionou muito bem neste momento, e segundo muitos relatos que li na internet, as Lagunas Altiplânicas eram um dos lugares que se conseguiria chegar uma certa "tranquilidade" com um veículo que não fosse 4x4, de fato a maior parte do caminho é muito tranquila, estrada asfaltada, em boas condições, bem sinalizada e tranquila. Após algum tempo de estrada, avistamos o local por onde passa o Trópico de Capricórnio, pequena pausa para foto e já retomamos nossa rota. Até pouco antes de chegar nas Lagunas a estrada está muito boa, porém, nos últimos 5 quilômetros ela se torna de terra e está em uma condição muito ruim, porém devagar e com calma consegue se chegar até o destino e realmente não se precisa de um veículo com tração nas 4 rodas.
      Ao chegar no parque paga-se 3 mil pesos chilenos para entrar, um valor justo uma vez que o local conta com uma boa estrutura, incluindo banheiros limpos e áreas de descanso. Ao avistar as Lagunas pela primeira vez se tem a ideia de estar dentro de um papel de parede do Windows, uma das paisagens mais bonitas de toda a viagem, o contraste entre o azul turquesa das lagunas com os Andes de fundo é deslumbrante, por isso, hora das fotos.
      É importante ressaltar que as Lagunas estão à cerca de 4500 metros de altitude, o que faz com que uma caminhada possa parecer uma corrida quilométrica, por isso andar com calma, tomar muita água e se proteger corretamente do Sol é obrigatório. O passeio inclui conhecer duas lagunas, a Miscanti e Miñiques, uma está ao lado da outra e o acesso é muito fácil. Este é com certeza um local incrível do qual nunca esqueceremos, o visual que se tem é absurdamente lindo e dá vontade de passar o dia inteiro admirando o lugar. É possível também avistar vicunhas e flamingos nas lagunas.
      Após tirarmos muitas fotos e ficarmos deslumbrados com o visual, no nosso roteiro do dia, estava previsto também conhecer as Piedras Rojas, por isso, voltamos para a pista e seguimos nosso caminho. A rodovia que leva até Piedras é bem conservada até certo ponto, depois disso pegamos um bloqueio de cerca de 20 minutos, pois a estrada de terra está sendo toda asfaltada. Pista liberada, continuamos nosso caminho, porém, para nosso azar, a entrada para as Piedras Rojas estava fechada. Os índios que moram por ali fecharam diversos acessos pois estão requerendo a criação de um parque a preservação do lugar, outros dizem que eles querem apenas dinheiro, de qualquer forma, só podemos olhar da pista e apesar de não podermos ter descido até lado, o visual é lindo, andamos mais alguns quilômetros, até chegarmos na Laguna Tuyajto, com uma visão maravilhosa, depois disso acabamos retornando, pois queríamos chegar cedo em San Pedro para poder reservar os passeios do dia seguinte.
      Passada cerca de duas horas, estávamos de volta à San Pedro e fomos direto para Rua Caracoles, que é onde tudo acontece na cidade, como levamos muitas porcariadas na viagem, neste dia acabamos não almoçando. Decidimos não reservar nada aqui no Brasil e fechar todos os passeios na hora, o que foi uma boa escolha pois os preços são muito melhores, as agências mais famosas e conhecidas normalmente tem agenda mais lotada, porém, existem MUITAS agências de viagem em SPA e não tem porquê ficar com medo de não "não conseguir" fazer o passeio. Após muito andar e pesquisar, fechamos com a agência Vulcano Turismo, que estava em 9º lugar no tripadvisor. O atendimento foi muito bom, os preços ficaram bem em conta (quanto mais passeios você fizer, mais barato saíra, porém você corre o risco de pegar uma agência ruim e ficar "presa" à ela, por isso, pesquise bastante antes de fechar), e estava disponível para os dois passeios que gostaríamos de fazer, Geysers del Tatio e Salar de Tara. Claro que em 3 dias é impossível de se fazer todos os passeios disponíveis, por isso, escolhemos esses que julgamos ser os mais legais e que não é aconselhável se fazer por conta própria.
      Ao todo, os dois passeios que fechamos, saiu por 55 mil pesos por pessoa.
      Passeios fechados, voltamos para a pousada e fizemos uma jantinha rápida para comermos e logo descansar no próximo dia iríamos ver os Gêiseres e a van passaria para nos pegar às 4:30.
       
      11/01 – San Pedro de Atacama
      3:30 já toca o despertador, neste dia faremos o passeio até um campo geotermal chamado Geysers del Tatio e como o melhor horário para se ver o fenômeno natural é junto com o nascer do Sol, precisamos sair bem cedo. Por volta das 04:30 a van passou para nos buscar e a partir daí o melhor é dormir, ao menos tentar, pois não há muito o que se ver no caminho que estava muito escuro. Um detalhe importante, li em muitos blogs que era possível fazer o passeio até Tatio com seu próprio veículo e que não era necessário que fosse um 4x4, NÃO FAÇA ISSO! Sério, a menos que esteja com um veículo alugado, ou que você disponha de um somente para “acabar com ele”, do contrário eu não recomendo mesmo, primeiro pela questão de andar à noite numa estrada desconhecida e que está em PÉSSIMA condição, segundo porque um pequeno córrego atravessa a pista, dependendo do veículo, ele não passará, além de você acabar com seu carro por causa do percurso, ai vai de cada um.
      Optamos por fazer com agência e foi uma ótima escolha, passado cerca de 1 hora sacolejando por estradas muito ruins, chegamos até o campo geotermal, particularmente falando eu estava com uma grande expectativa em conhecer o lugar, pois além de fazer parte dos “passeios obrigatórios” do Atacama e ser muito recomendado por quase todos os viajantes, isso está ligado também com meu lado profissional, então, tinha tudo para ser um grande passeio.
      Em San Pedro a temperatura estava baixa, mas tranquila para suportar com apenas uma blusa de frio, porém, chegando lá, pegamos uma temperatura de -7°C, realmente um frio descomunal, como já sabíamos que pegaríamos temperaturas muito baixas, fomos preparados, e quase morremos de aflição ao ver algumas pessoas de bermuda e sandália, tem gosto pra tudo!
      O passeio não foi exatamente TUDO ISSO que falam, quem vai  assim como nós fomos, esperando ver GRANDES gêiseres “explodindo” das entranhas do planeta, fica um pouco decepcionado com o que vê. A grande maioria são pequenas “poças” com água borbulhando, que ocasionalmente sobem alguns centímetros, porém, existem alguns que são maiores e seu jato de água consegue chegar a mais de um metro. É um passeio que eu recomendo fazer caso você tenha tempo, se não, eu não sei se vale tanto assim, a Marcela gostou muito, talvez eu tivesse criado muita expectativa, então, realmente ficou uma sensação de “poderia ser melhor”. De qualquer forma é um lugar muito interessante, que rende muitas fotos, além é claro de ver um fenômeno muito raro da natureza.
      Depois disso, o resto do passeio é pura “enrolação”, nos levaram para ver um gêiser de lama, que precisava subir uma colina para chegar até ele, como a altitude estava próxima aos 4500 metros, resolvemos não arriscar, o que pareceu ter sido uma boa, pois conforme o grupo ia voltando completamente esbaforido, diziam que não era nada demais. Depois disso passamos por um alojamento abandonado de mineiros, em uma laguna para observamos alguns flamingos e pássaros da região, passamos num povoado para ir banheiro e também comer carne de lhama, que acabamos dispensando pela falta de tempo, porém segundo os guias, dificilmente a carne é mesmo do animal. Passamos também para ver alguns cactos gigantes, que não tem nada muito especial, até retornarmos a agência de viagens. Realmente, depois dos gêiseres tudo é uma enrolação para “render o passeio”, muito desnecessário por sinal.
      Vale lembrar que neste passeio está incluso café da manhã e nossa agência prometeu um “banquete” nesta refeição, que na verdade foi extremamente simples e em pouca quantidade, por isso ao chegarmos do passeio, fomos reclamar por essa propaganda enganosa. Os funcionários da agência se desculparam, disseram que iriam averiguar o que havia acontecido e como tínhamos marcado mais um passeio com eles, prometeram compensar no dia seguinte. É esperar pra ver.
      Nesse dia fomos almoçar em um restaurante muito recomendado em blogs de viagem chamado La Pica del Indio (antes de qualquer coisa, pica significa comida barata), o barato em SPA está muito longe daquilo que consideramos, porém uma ótima refeição saiu por 5500 pesos, com direito à entrada, prato principal e sobremesa. Super recomendando, vale muito a pena. Depois disso demos uma passeada na Caracoles e como tínhamos acordado muito cedo, estávamos pregados, por isso concordamos em voltar para a pousada, descansar a tarde e dar uma volta à noite, além é claro do calor infernal que estava fazendo.
      Depois de uma tarde de descanso, não há muito o que se fazer em San Pedro à noite, sem que se gaste muito, como estávamos numa viagem low-cost, abrimos mão de algumas coisas para compensar em outras, por isso, após uma volta pelo centro, pegamos uma pizza na El Charrua, que está muito bem cotada nas avaliações, além de recomendada em blogs. Realmente vale muito a pena, pizza é ótima e nos serviu muito bem, não lembro exatamente o valor que pagamos por ela, mas na conversão ficou em torno de 60 reais, caro, mas acredite, esse é “barato” por lá. Terminado o jantar era hora de descansar, pois no dia seguinte iríamos para o Salar de Tara, aproximando dos 4800 metros de altitude.
       
      12/01 – San Pedro de Atacama
      Após uma boa noite de sono, acordamos para mais um dia de passeio, após reclamarmos com a agência do café ruim no dia anterior, eles nos levaram na La Franchutería (que  já comentei aqui no blog) para tomarmos nosso desayuno. Como era de se esperar, comida muito boa, porém nos foi oferecido o básico, já estava melhor que o dia anterior, mas passou longe do “banquete” prometido. Café tomado era hora de pegar pista, neste dia estávamos num grupo pequeno, apenas 6 pessoas, por isso fomos de carro para o Salar de Tara, o que com certeza foi muito melhor.
      Assim que entramos na pista que nos levaria até nosso destino, trânsito parado, fomos informados que havia chovido no dia anterior nas montanhas e por isso havia se formado gelo na pista, não podendo passar ninguém. Isso gerou uma grande frustração, pois queríamos muito fazer o passeio, nosso guia Francisco, sugeriu que fizéssemos outros tours para não perdermos o dia, informaram que a pista só abriria ao meio dia e ainda eram por volta das 10:00. O fato é que ficamos pelo menos uns 30 minutos por ali, discutindo sobre o que faríamos, foi a melhor coisa que fizemos, pois logo depois a pista foi aberta antes do previsto, caso optássemos por outro passeio, com certeza teríamos perdido um dos visuais mais lindos que já vimos em nossas vidas. Pista liberada, seguimos a diante, após rodar quase 2 horas, chegamos à primeira parada do passeio, no famoso Monge de La Pacana, uma rocha vulcânica que foi esculpida pela ação do vento e da chuva fazendo com que a pedra ficasse com um formato de um monge com um rosto indígena, realmente muito interessante.
      Fotos tiradas, partimos então para adentrar o deserto e ir à busca do Salar, este passeio é OBRIGATÓRIO se fazer com agência, pois, além de ser necessário um veículo 4x4, não existem caminhos a serem seguidos, nem trilhas, é preciso conhecer muito bem o local para não se perder. Após rodarmos alguns quilômetros, nos deparamos com uma das vistas mais lindas que já vimos em nossas vidas, espalhadas pelo deserto, existem uma formações rochosas que levam o nome de Las Catedrales, por fazerem uma alusão a uma catedral com suas torres, é preciso um pouco de imaginação, mas a grande surpresa foi o GELO que se formou em meio ao deserto, exatamente isso, GELO NO DESERTO! Inacreditável, tudo estava coberto por uma fina camada de gelo, que com o contraste da areia avermelhada formava uma visão única, até nosso guia ficou impressionado, ele disseque faz o passeio há mais de 10 anos e viu aquela cena pouquíssimas vezes, que era muito raro isso acontecer, realmente fomos abençoados.
      Após muitas e muitas fotos, admirando as belezas inacreditáveis continuamos nosso passeio observamos mais algumas formações todas cobertas por gelo, foi muito emocionante mesmo. É importante lembrar que nesse passeio o banheiro é a “mãe natureza”, por isso, é bom levar papel higiênico, lenços umedecidos e álcool gel, além é claro de muita água para encarar a secura do deserto e altitude que batia a casa dos 4800 metros.
      Depois de ver tantas maravilhas, era hora de finalmente chegar propriamente no Salar de Tara, que confesso, achamos muito sem graça perto de tudo aquilo que havíamos visto. Uma rápida parada para fotos e já seguimos, a ideia era passar por uma laguna antes de retornar, porém uma forte chuva estava se aproximando e o guia achou prudente pularmos essa parte e retornar, ele estava com medo que chovesse na pista e que formasse gelo novamente. Por sorte deu tudo certo, acabamos “desviando” da chuva e retornamos para SPA com segurança. Neste dia de passeio, um almoço está incluso, normalmente se almoça no deserto, mas como acabamos voltando mais cedo, comemos em um restaurante na Caracoles, comida boa, nada demais, mas deu pra matar a fome.
      Voltamos para a pousada maravilhados com tudo o que havíamos visto, porém, eu gostaria de ressaltar que caso não existisse a ocorrência de gelo o passeio até o Salar de Tara não é TUDO AQUILO que falam, ainda mais pelo preço, então, minha dica é: se tiver tempo, faça com certeza, mas caso esteja com tempo restrito, não sei se é um passeio imperdível, pois ele leva o dia todo.
      Combinamos de descansar um pouco a tarde para “fugir” do calor escaldante do deserto. Já à tardezinha, voltamos para o centro para andar mole, ver artesanatos e comprar algumas lembrancinhas. Neste dia jantamos no Burger Garden, um trailer de lanches muito gostosos que fica próximo a Caracoles, cada lanche saiu em torno de R$ 35,00 com batata, bebida à parte. Preço bom por uma comida boa.
      Antes de voltar para a pousada e arrumarmos as coisas, decidimos nos distanciar um pouco da cidade para observar o céu do Atacama, confesso que li muito na internet sobre a beleza desse céu noturno, mas estando em San Pedro, achei ele bem “normal”, acabamos não fazendo também o tour astronômico, mais por uma questão de gastos e também para sermos “obrigados a voltar” para isso, além de outros passeios “obrigatórios” que ficou para a próxima vez. Afastamo-nos cerca de uns 5 quilômetros da cidade e paramos num vilarejo para não ficarmos parados na pista, estava extremamente escuro, não se enxergava absolutamente nada, mas o que se abriu acima de nossas cabeças foi memorável! Uma quantidade infinita de estrelas, constelações e muitas outras formas que nem sei descrever bem com palavras, pois é inacreditável. O céu noturno do Atacama é realmente espetacular e indescritível, parece de mentira, só vendo para se ter noção e claro, e para as fotos ficarem boas, somente com câmeras especiais, mas estando ali, valeu cada segundo.
      Céu apreciado, era hora de voltar para a Pousada, arrumar as coisas e descansar bem, no dia seguinte iríamos enfrentar uma boa pernada até Salta na Argentina.
       
      13/01 – San Pedro de Atacama à Salta
      Dia de ir embora é sempre muito ruim, ainda mais quando se gostou muito de algum lugar, todos nós ficamos vislumbrados com o Atacama e a cidade de San Pedro, de fato um lugar único, digno de todos os elogios que se lê na internet, é tudo isso e muito mais. O deserto não é um lugar fácil de ficar, é necessário tomar MUITA água, passar bepanthol nos lábios, protetor solar obrigatório em todos os momentos, proteger bem a cabeça é fundamental, a pele como um todo fica muito seca e o corpo sente muito a altitude nos passeios, mas tudo isso é “fichinha” perto de tudo o que vimos.
      Um adendo importante, SPA tem apenas 1 único posto de combustível, que está frequentemente cheio e é comum a gasolina acabar ao final do dia, por isso, é importante abastecer o carro de manhã e até chegar a aduana argentina, não existem postos.
      Malas prontas, carro carregado, partimos para tomar café na Franchutería, como uma espécie de despedida de SPA. Café tomado, era hora de partir de pegar estrada. Antes de sairmos de da pousada eu fui até um posto policial me informar sobre gelo na pista, já que o trajeto para Salta é o mesmo que leva até o Salar de Tara, a policial me informou que a pista seria aberta somente às 10 horas, por isso não tivemos pressa no café.
      Esperamos dar o horário e partimos rumo à Argentina, vale lembrar que por toda San Pedro se tem uma vista do vulcão Licancabur, mas ao longo do nosso trajeto ele aparece à todo momento, imponente na paisagem, uma imagem muito bonita. A pista que leva até a aduana está em bom estado de conservação, apesar de ser pista simples e não possui pedágios. A aduana chilena e argentina funcionam em um único prédio, o que facilita todo o processo de migração. Porém, vá preparado, ali você ficará algumas horas parado, quanto mais cedo conseguir passar, melhor. Lembrando também que neste trajeto atingimos o ponto mais alto da viagem, a 4830 metros, por isso leva muita água e se hidrate bastante para não sentir muito a altitude, quem sentirá é o carro, que ficará mais “fraco”, porém nada demais, é só seguir com calma sem forçar muito o motor que a viagem correrá tranquila.
      Levamos cerca de duas horas para fazer todos os trâmites, a fila estava muito grande, na hora do atendimento, tudo foi bem rápido. Com a papelada em ordem, era hora de passar o carro para a verificação. Nessa hora ficamos com um pouco de receio, pois havíamos comprado “um pouco” de vinho no Chile e as regras para transporte são um pouco confusas, por fim o policial nos liberou sem maiores preocupações. Assim que você passa pela aduana existe um posto de combustível, é recomendável que você abasteça pois grande parte do caminho os postos são escassos.
      O caminho até Salta é em grande parte tranquilo, porém, é importante lembrar que você passará pela Cuesta de Lipan, uma estrada com um conjunto de curvas inacreditáveis. Particularmente, eu achei uma delícia dirigir por este trecho, mas é importante ter todos os cuidados, pois a pista é realmente muito perigosa, ainda mais quando se tem um caminhão desgovernado atrás como aconteceu conosco, o melhor foi deixa-lo passar, e seguir tranquilo. Infelizmente pegamos muita neblina neste trecho e não pudemos parar para tirar uma única foto e nos poucos momentos que o tempo abriu, vimos uma beleza encantadora na paisagem. Quero voltar lá um dia com certeza.
      O caminho até Salta passa pelas Salinas Grandes, um salar que é cortado pela rodovia, parada obrigatória para tirar fotos. Se tiver sorte de ter chovido naquela semana, você encontrará uma fina camada de água sobre o sal, dá um efeito de “infinito” lindo nas fotos, por sorte, estava assim no dia.
      Como tomamos um bom café e saímos tarde de SPA, acabamos não almoçando neste dia e comemos algumas porcariadas que havíamos comprado, isso nos ajudou à ganhar tempo.
      O trajeto em geral é muito bonito, porém, mais à tarde começou uma chuva muito intensa e várias pequenas paradas programadas tiveram que ser deixadas de lado, como por exemplo, a Quebrada de Humahuaca  que é linda, mas vimos apenas pelo carro, uma pena realmente.
      Em alguns trechos a rodovia é duplicada, mas em via de regra a maior parte ela é simples e  bem conservada, com poucos trechos ruins. Nesta parte da viagem, antes da chegada em cada cidade havia um posto da polícia, fomos parados em todos eles, e conhecendo a “fama” dos policias argentinos estávamos prontos para aquela famosa propina que eles cobram, porém, quero destacar que todos eles foram muito educados e atenciosos e em momento algum precisamos “pagar um café” para sermos liberados.
      Chegamos em Salta já a noite com uma garoa fina, paramos para jantar no restaurante Sueños, próximo ao hotel. Neste dia o jantar foi uma milanesa acompanhada pela deliciosa cerveja que leva o nome da cidade, comida simples, porém barata, cerca de R$ 40,00 o prato para duas pessoas.
      Logo após o jantar fomos para nosso hotel, ficamos hospedados no Luxor, muito bom e bem localizado, recomendo.
      Hora de descansar para no dia seguinte conhecermos um pouco dessa cidade que é conhecida com “La Linda”.
       
      14/01 – Salta
      Aproveitamos para acordar mais tarde nesse dia, nossa única programação era a de ir no Museu de Alta Montanha ver as incríveis múmias de llullaillaco, três crianças incas congeladas que foram encontradas no topo dos Andes e estavam em perfeito estado de conservação por causa das baixas temperaturas. Pelas fotos parecia ser algo inacreditável, então, precisávamos conferir.
      O centro de Salta é realmente muito bonito, plano, bem cuidado, com uma bela praça central, rodeada de comércio, bares, cafés e restaurantes, além de duas igrejas muito bonitas próximas uma à outra.
      O museu abria apenas às 11 horas, por isso “enrolamos” um pouco por ali até que ele abrisse e entramos para ver se as múmias eram realmente tudo isso. Caso você seja estudante, leve sua carteirinha, a entrada no museu é relativamente cara, cerca de R$ 25,00 dependendo do câmbio, então, qualquer desconto ajuda.
      O MAM como é conhecido é um museu pequeno, mas muito bem estruturado e cuidado, logo no início você entra numa sala onde está passando um vídeo sobre o resgate das múmias, muito interessante e mesmo estando em espanhol é possível compreender bem. No local você encontrará registros da expedição realizada, além de muitas informações sobre a cultura Inca, com um acervo interessante de objetos. Mas este não é o principal atrativo do museu, como eu comentei, foram encontradas 3 múmias de crianças que serviram de oferendas aos deuses e graças às baixas temperaturas elas estavam em perfeito estado de conservação e elas são expostas, uma de cada vez no museu. Por isso, antes de chegar até a parte principal, você vai sendo imerso na cultura local.
      No dia que e que fomos, a múmia em exposição era da “Donzela” uma adolescente de aproximadamente 15 anos. É indescritível com palavras o sentimento de se ver a menina, não dá pra acreditar que aquele corpo tem mais de 500 anos e está num perfeito estado de conservação, é realmente muito impressionante, pois a sensação que se tem é que ela irá acordar a qualquer momento. Particularmente eu fiquei muito impressionado, e ficaria ali horas observando cada detalhe da múmia, mas como o fluxo é intenso, caso você demore muito, já começam a resmungar atrás, então, aproveite cada momento. Não é permitido tirar fotos, por isso a imagem que coloquei foi retirada da internet.
      O museu conta ainda com mais alguns acervos interessantes, como uma múmia que havia sido roubada de um sítio arqueológico e recentemente foi devolvida ao museu, mas que não está no mesmo estado de conservação das anteriores. O MAM vale muito a visita, mas você não ficará ali mais do que uma hora, mas se estiver passando por Salta, a presença lá é obrigatória.
      Após a visita ao museu, fomos para um mercado comprar algumas coisas para comermos durante o próximo dia de viagem, que seria muito longo, além de algo para jantar. Saindo de lá, procuramos um lugar para almoçar e acabamos escolhendo o El Charrúa, após lermos muitas recomendações na internet. Não é um restaurante barato, mas valeu cada centavo, a melhor parrilada que comemos em toda a viagem e certamente uma das melhores carnes que já comemos na vida, vale muito a pena. Para 2 pessoas o valor ficou em aproximadamente R$ 150,00 com bebida.
      Depois do almoço resolvemos descansar no hotel, pois apesar de não estar um sol escaldante o dia estava muito quente e abafado. Como comemos muito bem no almoço, acabamos não jantando e fomos dormir cedo para enfrentar uma boa pernada até Resistência.
       
      15/01 - Salta à Resistência
      Após uma boa noite de sono, acordamos bem cedo para cairmos na estrada, pois nesse dia rodaríamos cerca de 10 horas até Resistência. Como nesse dia não tínhamos programado nada, à não ser percorrer muitos quilômetros, já começou bater aquela "depressão" de fim de viagem, fora o cansaço acumulado de 25 dias rodando por aí.
      Café tomado, carro arrumado, seguimos nosso caminho. A rodovia que vai até Resistência é quase toda simples, com pequenos trechos duplicados, o movimento é intenso em algumas partes, principalmente perto de cidades. Porém, o que vale a pena destacar é o estado do asfalto, no geral é ruim, mas no trecho entre Toloche e Monte Quemado, ele chega à ficar quase intransitável, andando à 10 km/h, desviando de um buraco grande para cair em um pequeno, muito ruim mesmo. Após passar Monte Quemado ele começa a melhorar, mas a atenção ainda tem que ser redobrada, somente próximo de Pampa del Infierno ele começa a realmente ficar bom, neste trecho existem muitas obras de melhorias na pista.
      Por causa do estado de conservação do asfalto, acabamos demorando mais que o esperado, além disso, cidades grades ou médias são muito raras em todo o trajeto, postos na maioria das vezes só aceitam pagamento em dinheiro ou cartão VISA, o MasterCard não é bem aceito. Deixamos para almoçar em Presidência Saenz Roque Peña, uma das maiores cidades encontradas no trajeto, porém é incrível como eles "respeitam" a sesta depois do almoço, a cidade estava completamente morta, parada, com todos os comércios fechados, chega a ser inacreditável, nem supermercados grandes estavam funcionando. O jeito foi se virar com algumas porcariadas que tínhamos no carro pra dar aquela enganada.
      Chegamos em Resistência por volta das 19:00, ficamos hospedados no Hotel Del Pomar, uma mansão que foi transformada em hotel. O prédio é muito bonito, mas quando se entra, se entende porque o preço é relativamente em conta, extremamente mal cuidado, além de funcionários muito mal educados, aquela combinação perfeita que derruba qualquer lugar. O quarto era muito espaçoso, um banheiro enorme, com hidromassagem, completo, mas como tudo no hotel, muito mal cuidado. Deixamos as coisas no quartos e partimos em busca de algo para comer, e descobrimos que cartão é algo que não se aceita nessa cidade. Passamos em mais de 10 comércios, alguns grandes e super movimentados, pagamento somente em dinheiro e como estávamos para deixar a Argentina, tínhamos poucos pesos conosco, não dava para uma refeição para nós 4, por sorte passamos por um shopping e resolvemos arriscar. Foi o nosso achado, acabamos comendo uma massa tipo Spoletto, preço bom e comida razoável, para nosso jantar estava ótimo após um dia cansativo e exaustivo. Agora era hora de ir dormir para chegarmos no Paraguai no próximo dia.
       
      16/01 - Resistência à Assunção
      O planejamento inicial era voltar direito ao Brasil depois de sair de Salta, mas após ler em vários blogs e no Fórum dos Mochileiros relatos de pessoas falando bem de Assunção, resolvemos arriscar e se nada desse certo, faríamos umas comprinhas pelo menos.
      Café tomado (fraco por sinal), arrumamos o carro, já caímos na estrada, um dos poucos pontos positivos do hotel era o fato dele ficar ao lado da rodovia. Pegamos estrada rumo à Assunção, pista simples, mas bem conservada, movimento tranquilo e logo estávamos chegando na aduana.
      Nossa "ideia" de Paraguai é aquela que a maioria dos brasileiros tem, principalmente quem já foi em Ciudad del Este, uma muvuca interminável, tudo muito sujo, pirataria, camelos, gente tentando te vender alguma coisa o tempo todo, enfim, aquela visão clássica, mas ao chegar na aduana Paraguaia fomos surpreendidos, apesar do prédio simples, do intenso movimento e do aparente caos, um funcionário (pensamos isso quando vimos, estava até de crachá) já veio nos orientando sobre onde parar o carro, onde ir nas cabines, muito educado e solícito, logo ficamos impressionados, não tivemos um atendimento desses em nenhum lugar que passamos, nem no Chile.
      Continuamos à fazer os trâmites, sempre com a cordialidade do "nosso" funcionário particular nos auxiliando e também outras pessoas. A última parada foi na conferência de documentação do veículo e essa foi a primeira vez que pediram para ver o Seguro Carta Verde, nós tínhamos tomado cuidado com todos estes detalhes, então ficamos tranquilos. Após a conferência, um outro funcionário disse que nos acompanharia para ver o veículo, tudo normal. Chegando no carro, ele disse que nem ia pedir para abrir, que viu que nós eramos "gente boa", e já ia nos liberar, porém, neste momento tudo o que havíamos construídos de bom sobre o Paraguai, desmoronou, o funcionário que nos acompanhou até o carro pediu uma "caixinha", segundo ele, "qualquer R$ 100,00 tá certo". Um absurdo! Neste momento a vontade de explodir foi grande, mas honestamente, o que adiantaria? Com certeza ficaríamos parados ali o dia inteiro por "pirraça" e no final, só nós é que perderíamos, depois de quase 30 dias viajando e quase derretendo no calor Paraguaio, eu acabei pagando R$ 50,00 para evitar confusão. E aqui deixo uma DICA IMPORTANTE: sempre que você for fazer alguma conta, use o seu celular ou calculadora, fiz um pequeno câmbio na aduana pois havia um pedágio antes de chegar em Assunção e o cara com uma calculadora, fez os cálculos na minha frente e conseguiu me enganar, inacreditável, só me dei conta quando já estava à quilômetros, até na calculadora eles conseguem nos enganar.
      Após o pagamento da caixinha, ao menos conseguimos cortar uma fila grande que estava formada na aduana, não gosto dessas coisas, e sou completamente contra esse tipo de atitude, mas ali, eu não vi outra coisa a se fazer. Aparentemente todos os funcionários estão dentro do esquema. Toda aquela boa sensação de quando chegamos, já tinha ido embora.
      Chegando em Assunção, eu tive a sensação de estar entrando na Índia, um movimento infernal, leis de trânsito não existem, setas também não, preferencial, nada... Só faltou uma vaca atravessar as avenidas. Nosso GPS funcionou bem novamente e chegamos no hotel com tranquilidade, ficamos no Acosta Ñu Apart Hotel, não fica no centro, mas é de fácil acesso, num lugar tranquilo e seguro, hotel simples, com atendimento codial. Arrumamos nossas coisas e fomos explorar um pouco a cidade para ver se tirávamos aquela sensação horrível que tivemos do Paraguai.
      Fomos Shopping del Sol para ver se realmente os preços eram bons como diziam e de fato algumas coisas são bem baratas, mas a maioria é parecido com o do Brasil. Aproveitamos para almoçar por ali mesmo e a alimentação é muito barata, compensa bem.
      Como o cansaço da viagem estava meio que se acumulando cada vez mas, resolvemos voltar para o hotel e descansar o restante do dia, tanto que acabamos pedindo algo para comer ali mesmo.
      No dia seguinte iríamos para a famosa Rua Palma, onde diziam que se encontrava de tudo, vamos conferir.
       
      17/01- Assunção
      Acordamos cedo para dar uma volta na Rua Palma e nesse dia minha irmã iria embora, pois precisava chegar antes do que nós por causa do trabalho. Tomamos café da manhã no hotel, simples sem nada demais, e já partimos para o centro, antes demos uma volta pela orla, vimos a sede do governo, chamado Palácio de los López, e outros prédios históricos, mas achamos os locais meio inseguros e sem lugar para estacionar, resolvemos seguir nosso caminho.
      A rua é muito fácil de ser achada, fica bem no centro da cidade e o mais difícil é achar lugar para parar, um estacionamento foi a melhor opção. De fato se encontra de tudo nessa rua, desde grandes lojas com produtos originais e caros, até dezenas de camelôs espalhando seus produtos pelo chão. Os preços não são muito atrativos, a maior parte das coisas é cara ou o mesmo preço daqui, barato mesmo só "muambas". Ali existem muitas casas de câmbio, mas o real é bem aceito, porém com uma cotação pior, se tiver dólares, ali é um bom lugar para se gastar. Achamos ali também o McDonald's mais barato da viagem, o combo do Big Mac saiu por aproximadamente R$ 15,00.
      As meninas gostaram muito de uma loja chamada Unicentro, uma tipo loja de departamentos, onde se acha de tudo um pouco, segundo elas o preço estava bom, principalmente para coisas de decoração de casas. Após algumas compras já estava chegando na hora do voo da Camila, então partimos para o Aeroporto. Um detalhe, o asfalto em Assunção é sofrível, por isso, muita calma para preservar o carro hehe. O trânsito estava carregado e o GPS se perdeu um pouco, aparentemente havia ocorrido algumas obras pelo caminho e ele ainda não estava bem atualizado, porém após alguns erros pelo caminho conseguimos chegar. O aeroporto de Assunção é pequeno e simples e no caminho se passa pela sede da Conmebol, onde li que tem até um museu interessante, mas ninguém animou entrar, ainda mais com o calor descomunal que fazia. O melhor à se fazer era voltar para o apartamento, descansar no ar condicionado e dar uma volta mais tarde.
      Apesar de ser de noite, o calor úmido continuava, combinamos de ir no mercado comprar algumas porcariadas para levar no próximo dia de viagem. Aproveitamos e compramos também algo para jantar, e já voltamos para o apartamento para comer e descansar, a partir deste ponto da viagem, a canseira veio com força e o tempo contribuiu muito pra piorar. Amanhã é dia de chegar em Salto del Guairá.
       
      18/01 - Assunção à Salto del Guairá
      Este dia começou conturbado, eu já havia ficado ruim no dia anterior com sintomas de virose e nessa manhã minha mãe estava péssima (todo cuidado é pouco com alimentação no Paraguai), nem tomou café, então eu a Marcela comemos rápido para partimos em direção à Salto. Com o carro arrumado e preocupado com a minha mãe, pegamos a estrada e no Paraguai todas as pistas que passamos eram simples, mas em estado bom de conservação, o que nos chamou a atenção foi o grande número de comandos policiais pelo caminho, fomos parados em todos eles, mas no geral os policiais foram cordiais e educados com exceção de um ou outro mais mal humorado e grosso, em quase todas as paradas policiais foi solicitada a Carta Verde, além é claro da habilitação e documento dos veículos. O Paraguai foi o único país que pediu essa documentação.
      Parando várias vezes por causa da minha mãe, demoramos um pouco mais que o esperado para chegar e a ideia era que chagássemos cedo em Salto para ir em algum dos famosos shoppings que existem lá. 
      Chegando na cidade, fomos direto para nosso hotel, ficamos no Elizabeth, boas instalações e com preço razoável. Nos arrumamos no quarto, minha mãe preferiu ficar descansando, então eu e Marcela fomos ao shopping Mapy, que segundo as recomendações da internet possuía o preço um pouco mais alto, porém compensava pela diversidade, atendimento e tranquilidade. Foi uma boa escolha, mas os preços realmente não são muito atrativos, como chegamos no shopping por volta das 15:00 e o comércio fecha muito cedo às 18:00, não conseguimos percorrer com calma todos os corredores, mas o que nos chamou muito a atenção foi o preço muito baixo de bebidas, algumas delas custando quase a metade do preço do Brasil. Compramos algumas coisas, porcariadas em geral, e já estava na hora de fechar, o legal é que ali também se encontra uma praça de alimentação que funcionava até mais tarde, comemos no Burger King e um combo do Wooper saiu por volta de R$ 18,00.
      Pra variar, o tempo estava muito quente, então voltamos para o hotel para ver como minha mãe estava e também descansar, no dia seguinte voltaríamos ao Brasil.
       
      19/01 - Salto del Guairá á Londrina
      Após uma boa noite de sono, minha mãe já estava melhor e depois de um café da manhã bem mais ou menos, já estávamos com o carro arrumado para regressar ao Brasil, quase 30 dias depois. Sabíamos que antes de entrar em terras brasileiras, precisaríamos fazer a saída do Paraguai, mas acabamos saindo do país sem nem ver onde ficava a tal da aduana. Acabamos perguntando para alguns policiais brasileiros sobre o local, e com uma má vontade absurda, apenas nos mandou voltar e se informar no Paraguai, já no Brasil, retornamos para terras paraguaias e lá encontramos a aduana que é um prédio muito simples, que se você não olhar com atenção, passa direto, como fizemos. Acho que quase ninguém faz a saída do país, porque o funcionário que nos recebeu teve que ligar o computador para nos atender, acho que não esperam que as pessoas deem a saída.
      Depois de feitos os trâmites, pegamos estrada rumo à Londrina e aqui deixo o aviso, as estradas do oeste do Paraná estão em PÉSSIMO estado de conservação, chega à ser ridículo, rotas super movimentadas, ligando cidades muito importantes com um asfalto sofrível, um descaso enorme e quando a rodovia melhora, continua em pista simples e com pedágios na casa dos R$ 20,00 um verdadeiro assalto. Somente próximo de Londrina que a rodovia se torna duplicada e o movimento continua intenso. Almoçamos em um restaurante no estilo country que achamos pelo caminho, mas como era tarde, estavam servindo apenas salgados, deu pra matar a fome e já voltamos para a pista
      Em Londrina ficamos no Cedro Hotel, muito bom por sinal, quarto simples mas limpo, atendimento muito cordial e bem localizado. Como "perdemos" uma hora para retornar ao Brasil, e a estrada em grande parte te obriga à andar devagar, chegamos um pouco tarde na cidade. Minha mãe optou por tomar uma sopa no próprio hotel, então e a Marcela resolvemos sair para jantar, fomos comer no Koalla, restaurante japonês muito bem recomendado. A comida é boa, atendimento cordial, mas nada demais, não justificou o preço, nem muito menos o número de elogios.
      Hora de voltar para o hotel, descansar e no dia seguinte, chegamos em casa.
       
      20/01 - Londrina à Limeira
      Acordamos cedo e após um ótimo café da manhã, já estávamos dentro do carro partindo em direção à Limeira. A partir deste ponto, as rodovias são no geral bem conservada, mas predominantemente simples e claro, com os pedágios mais caros da vigem, sim, inclusive mais caros que até o Chile! Uma vergonha o valor cobrado pelo serviço oferecido, é ridículo para dizer o mínimo, mas não tem o que fazer, o jeito é seguir viagem.
      Chegando no estado de São Paulo existem muitas formas de se chegar até Limeira, optamos por seguir pelas rodovia Castelo Branco e foi uma escolha muito acertada, a estrada estava tranquila, pista boa, era só seguir o caminho.
      Neste momento já vai dando aquele aperto no coração por saber que agora a viagem está realmente chegando ao fim, porém junto com isso, somos envolvidos por um sentimento de "dever cumprido" e de muito agradecimento por podermos ter vivido tudo isso. É uma alegria imensa lembrar de tudo aquilo que vivemos nos últimos 31 dias.
      Nesse dia não há muito o que dizer, apenas agradecer novamente por tudo ter dado certo e em momento algum ficamos expostos à alguma situação de risco.
      Limeira já pode ser vista no horizonte, viajar é tudo de bom, mas é melhor ainda quando você tem para onde voltar.
      Chegamos em casa, tiramos a última foto.
      Acabamos de concretizar a melhor coisa que fizemos em todas as nossas vidas.
    • Por Amilton & Poly
      Continuação dessa viagem mara!!!
      A parte 1 está aqui (só clicar): Relato Parte 1/2
       
      Dia 10 (quarta): Porto
      -Porto é uma cidade linda margeada pelo rio Douro e com mtos monumentos históricos. Cheia de gaivotas dando o charme à cidade (charme pelo menos pra nós visitantes pq pra eles incomoda tanto qto as pombas kkkkk). Povo mto gentil e orgulhoso do lugar que moram. Falam da sua história e cidade com emoção. Mto receptivos e acolhedores. Clima bem mais frio que Lisboa rsrsr
      -Dia de chuva em Porto, fomos para atrações em local fechado. Começamos pelo Palácio da Bolsa que fica atrás do hostel. Custa €9 e tem visita guiada. O palácio é lindo, tem uma sala árabe impressionante. Mas acho um valor excessivo e a visita é mto rápida, além de termos pego uma guia não mto simpática. Não recomendo, a não ser que tenha tempo sobrando.

      -Igreja de São Francisco: fica ao lado do Palácio da Bolsa. São €4 para entrar mas não estávamos afim então só vimos por fora. Mas dizem ser uma igreja mto bonita e com mto ouro.

      -Igreja e Torre dos Clérigos: pra mim o atrativo da igreja é o órgão de tubos e o concerto que acontece td dia ao meio dia. A torre dos Clérigos é linda por fora. Custa €4 pra subir a torre mas não subimos. Sem querer fizemos escolha certa pois depois um guia nos disse que tem vistas gratuitas mto mais bonitas pela cidade.

       
      -Livraria Lello: a famosa livraria que foi uma das inspirações para o Harry Potter. Dependendo do dia a fila é quilométrica e paga-se €4, podendo ser utilizado em desconto na compra de livro. A livraria é realmente linda e é intitulada como uma das livrarias mais bonitas do mundo. Acabei não comprando nenhum livro pra usar o voucher pq não tinha nada por menos de 10 euros então ia sair mais caro o molho do que o peixe kkkkk (mochileiros mode on kkkkk).

      -Free Walking Tour Cultural: fizemos pelo City Lovers. O tour foca nos símbolos culturais espalhados pela cidade do Porto, então fala de Luiz de Camões, as inspirações que a autora do Harry Potter teve na cidade, Almeida Garret, transformações da cidade etc. Tbm fomos aos lugares que fazem comidas típicas da cidade como a Bifana que vimos fazendo, é mto interessante. No meio do tour tem um pit-stop na base deles para ir ao banheiro, comer/beber algo se quiser. O nosso guia foi o Rodrigo e achamos que o tour completa o outro tour que fizemos com eles que o foco é histórico. Acontece td os dias às 16:30h e vai até o início da noite.

       
      Dia 11 (quinta): Porto
      -Free Walking Tour Histórico: começamos o dia fazendo o tour do City Lovers com o Gregório. Tour interessantíssimo que te faz ver a cidade com outros olhos. Passamos pelos monumentos mais importantes da cidade, pela casa mais antiga, resquícios da muralha, ribeira, a linda estação  São Bento e as interligações com os reinados de Portugal, história de Porto e as correlações com o Brasil. Neste tour tbm tem o pit-stop na base. Vale mto a pena! Recomendo que faça logo no primeiro dia para depois ir olhando a cidade e lembrando das informações do guia, dos símbolos da cidade etc. Foi com eles que soubemos dos melhores miradores da cidade. Acontece todos os dias às 10h, 11h e 11:30h.


      -Em seguida fomos fazer um passeio inusitado e super inovador para nós: subir o arco de uma ponte!!! Pensaaaaaa manooo. Subimos o arco da Ponte Arrábida com o Porto Bridge Climb. Atendimento fantástico do Pedro e da Bea que nos instruiu para a subida. Vc sobe o arco através de uma escadinha e qdo chega lá em cima tem uma linda vista da paisagem do rio Douro e do outro lado o pôr do sol belíssimo de Porto. E para abrilhantar a experiência ainda é servido vinho do Porto no copinho de chocolate! Fantástico!


       
      -De lá, fomos conhecer o mercado Bom Sucesso. Um mercado gourmet bem bonito, numa região bem mais moderna.
       
      -Dia 12 (sexta): Porto
      -Iniciamos pela Igreja da Sé.  Tínhamos passado por fora com o walking tour e ficamos com vontade de entrar. Vou te falar a verdade: tds igrejas da Sé que fui são escuras, o q dificulta ver os detalhes e portanto se torna pouco atrativa pra mim, acabo achando as igrejas da Sé mais bonitas por fora do que por dentro.

      -Ponte Luís I: ponte linda feita pelo escritório Eiffel (no Palácio da Bolsa tem a sala onde ela foi projetada), sendo anterior a Torre Eiffel. Ela tem o tabuleiro superior e inferior. Da superior vc tem uma vista magnífica de Porto e Gaia, aliás ela liga as duas cidades.Pela ponte passam pedestres e metrôs.

      -Atravessando para Gaia suba no Mosteiro Serra do Pilar (paga-se somente pra entrar mas a vista é gratuita). É o melhor mirador! Vista maravilhosa.

      -Igreja do Carmo e Carmelitas: são duas igrejas grudadinhas rsrs, ficam em frente à Universidade do Porto. O painel de azulejo lateral é belíssimo.

      -16h voltamos para a Ponte Luís I só que dessa vez no tabuleiro inferior para um Wine Tour. Nada mais temático que fazer um Wine Tour na terra do vinho kkk! Fizemos tbm com o City Lovers e nosso guia foi o Gregório. O tour custa €27,50 e o roteiro foi o seguinte: atravessamos para Gaia e fomos fazer uma visita guiada na vinícula Croft (eles chamam de Caves) com explicações da história do vinho do Porto, o processo de fabricação e finaliza com a degustação de 3 vinhos do Porto (rosê, tinto com 5 anos e tinto com 10 anos). Devidamente calibrados fomos para a próxima parada kkkk. Fomos para o bar Taberna do Largo, lá experimentamos vinho do Douro acompanhado de tapas. A terceira parada é no bar Castelo e lá fizemos a degustação do vinho Verde acompanhado de tábua de frios. Amamos, pois num passeio só vc experimenta 3 tipos de vinhos (Porto, Douro e Verde) mas no total são 5 taças+acompanhamentos kkkk . Vale a pena pela degustação, conhecimento e ainda a interação e troca cultural com os demais do grupo, no nosso caso com espanhóis.

       

       
      -Dia 13 (sábado): Porto
      -Fomos para a Capela das Almas: igreja pequena mas com  lindos azulejos na parte externa, mto lindo.

      -Bem próximo fica o Mercado Bolhão. Um mercado estilo mercado municipal mas sem glamour nenhum e isso que torna ele especial pq no final ele não tem apelo turístico fazendo com que seja freqüentado pelos locais tbm. Mas msm assim lá tem as bancas de souvenires e achamos os valores melhores que no restante da cidade, pois bem, compramos lá.

      -Andamos na rua Santa Catarina, rua dedicada ao comércio e entramos no Café Majestic só pra dar uma olhadinha. Como só queríamos olhar o cara da porta disse que então só podíamos ficar ali na entrada afffff agora que não sento msm kkkkkk
      -Fomos para o passeio mais esperado do meu marido (Amilton): o Estádio do Dragão. É o estádio do Futebol Clube do Porto.  Fizemos a visita guiada ao estádio e ao museu (custa €15). O estádio segue as normas da UEFA e FIFA, ou seja, padrão impecável de qualidade. Quando chegamos o gramado estava sendo tratado com luz que simula a fotossíntese para melhor crescimento e qualidade da grama!! A visita passa pelos camarotes, vestiário do visitante, sala de imprensa (que é um auditório, impressionante), o campo, zona mista etc. É incrível como o estádio é conservado, bem administrado e como eles falam com orgulho do time. E o que nos deixou tbm impressionados é como eles honram e admiram o presidente e o treinador do clube. Como moramos num país onde a corrupção em tds os âmbitos opera é mto bonito ver que tem lugares que o trabalho administrativo e político é realmente bem feito trazendo orgulho aos torcedores.  O museu é ernome, tem mta história pra contar e é interativo. É dada mta ênfase na história do clube relacionando com a história da cidade (é mto visível o amor que eles tem pelo Clube do Porto e pela cidade do Porto). A visita finaliza na loja.  


       

       
      -Dia 14 (domingo): Braga
      -Fomos de comboio fazer um bate-volta pra Braga (mais ou menos 1h de viagem). Braga é uma das cidades mais antigas de Portugal.
      -Começamos com um tour do Minho Free Walking Tour. Posso dizer q é indispensável fazê-lo. Conhecer Braga sem saber a história não tem a msm graça. O tour acontece tds os dias 11h e 15h. Fizemos com a Inês e o início se dá no Arco da Porta Nova, percorremos pela menor rua de Braga, igrejas e seus detalhes curiosíssimos, aliás Braga é uma cidade mto religiosa  e conta com inúmeras igrejas. Passamos na Casa das Bananas onde iniciaram uma tradição engraçada de td dia 24 de dezembro antes da ceia de natal a cidade se encontra no centro para tomar Moscatel comendo banana kkkkkk e é super popular, o centro fica lotado e vem gente até das cidades vizinhas. Daí claro que experimentamos o tal moscatel comendo banana. E não é que a combinação é boa? Kkkkkk (não pode tirar foto lá). O tour finaliza na linda avenida da Liberdade.


      -Santuário de Bom Jesus do Monte: gente, tem que ir...é lindo, é enorme. Fomos de ônibus e chegando lá tem 2 opções pra subir o monte: a pé pela escadaria ou com o ascensor (que aliás tem uma curiosidade: é o único na Europa movido a água) que custa €1,20 só a subida. Como teríamos pouco tempo subimos de ascensor. Lá de cima tem várias vistas panorâmicas, mto verde, várias “estações” com estátuas representando momentos bíblicos. E a maior atração turística é a escadaria em zigue-zague. Lindíssimo.


      -Voltamos para o centro em alguns pontos pra olhar com mais calma como o Jardim de Santa Bárbara e a igreja da Sé (só olhamos a parte que não é paga, mas parece que se for no horário da missa vc entra sem pagar).
       
      -Dia 15 (segunda): Coimbra
      -Fomos de comboio pra Coimbra e chegamos lá já era meio dia. Fomos levar nossas malas para guardar  na Casa Medieval que é o local que o Posto de Turismo indica, porém como a casa está em reforma estão fechados (parece que vão reabrir em breve). E não tem mais nenhum lugar pra guardar. Daí no desespero entramos numa loja de sapato pra perguntar se ela sabia de algum lugar e ela disse q não sabia mas q podia deixar lá com ela q não tinha problema. Gente Deus é bom e coloca pessoas boas no nosso caminho!!! Ela é a dona Ana da loja Sapatos Low cost...aliás eram low cost msm!!
      -Partimos para o foco principal de Coimbra, a Universidade. Compramos os bilhetes para o Programa 1: Do Paço ao Colégio que contempla Biblioteca Joanina (que era meu alvo), Palácio Real, Capela de São Miguel e Museu da Ciência. Custa €12,50. A biblioteca dá vontade de chorar de lindo (pena não poder tirar foto), no Palácio real tem a sala em que acontecem as defesas de doutorado que parece q vc ta vendo cena de filme, maravilhoso. A capela tem um órgão de tubos que é gigantesca além de ser td forrada de azulejo. Só o museu da ciência que não dei mta ênfase pq não tinha mto tempo, mas é interativo.



       
      -Voltamos olhando a cidade e seus becos. Coimbra merece mais tempo pra explorá-la melhor.


      -De volta ao comboio agora destino a Lisboa. Chegamos bem tarde e fomos direto pro nosso airbnb. Só dormimos e já fomos para o aeroporto.
      Fim dessa viagem incrível e sonho concluído com sucesso!
    • Por ÁquilaChv
      Olá pessoal,
      Esse é meu primeiro relato de viagem aqui no mochileiros. Mais já tenho outros que estou acabando de escrever. Vou postar um resumido e tentar ir respondendo eventuais dúvidas conforme for aparecendo.
      Vamos lá!
      Primeiramente tenho que dizer que a África do Sul é um país muito grande. E que há roteiros para vários gostos, bolsos e climas. É difícil conhecer tudo numa só viagem. Tentamos conhecer o máximo possível numa mesma viagem, mas isso tem prós e contras. Falarei mais a seguir.
      Desde já, recomendo fortemente um estudo prévio sobre a história da África do Sul antes de ir. Há diversos livros sobre o assunto, principalmente se pesquisar em inglês. A própria wikipedia (em inglês) contém uma boa introdução sobre o assunto.
      O Apartheid, período que vigorou o sistema de segregação racial por mais de 4 décadas, foi complexo e gerou consequências que ainda hoje podem ser percebidas. A África do Sul também tem uma história bastante multicultural, com povos de origens e culturas diferentes. Assim como chineses, japoneses e coreanos são diferentes, o mesmo acontece com os povos africanos. Há inclusive diferenças físicas entre eles. Uma demonstração dessa diversidade, por exemplo, são os 11 idiomas oficiais existentes no país.
      O clima é bastante variado também, depende muito da localização. O viajante pode encontrar um clima mediterrâneo, típico de países da Europa (inclusive com vinícolas mundialmente famosas), semidesértico, savana, florestas tropicais úmidas e até neve (perto de Lesoto), etc.
      Na África do Sul come-se muito bem, em grandes quantidades e de tudo, há restaurantes de todo tipo. Em geral, é mais barato do que São Paulo para comer num restaurante bom. O vinho costuma ser mais barato que sucos e refrigerantes. O que nos chamou atenção é que no geral eles usam bastante pimenta, rs. Em relação à hospedagem, foi quase toda em Airbnb ou hospedagens encontradas no Booking que eles chamam de self-catering ou bed and breakfast, foi muito mais barato que hotéis. Aí depende da cidade, por isso recomendo sempre consultar nos dois.
      Enfim, nosso roteiro foi o seguinte:
      1ª parte: Cape Town
      13/10/2017 – 18/10/2017 2ª parte: Garden Route
      18/10/2017 – 19/10/2017: Stellenbosh 19/10/2017 – 21/10/2017: Hermanus 21/10/2017 – 22/10/2017: Oudtshoorn 22/10/2017 – 23/10/2017: Knysna 23/10/2017 – 24/10/2017: Pletterberg Bay 24/10/2017 – 26/10/2017: Tsitsikamma Park (Stormriver) 26/10/2017 – 28/10/2017: Jeffreys Bays 28/10/2017 – 29/10/2017: Port Elizabeth 3ª parte: Johannesburgo + Safari (Kruger National Park)
      29/10/2017 – 31/10/2017: Johannerburgo 31/10/2017 – 04/11/2017: Kruger Park (Safari) 04/11/2017 – 05/11/2017: Johannesburgo  
      Tentarei dividir o post em 4 partes (essa introdução + as 3 partes da viagem que postarei a seguir).
       
      Dicas gerais:
      O clima em Cape Town é bastante instável, pelo menos estava instável no período que ficamos lá. Não sei se é assim o ano todo, mas conversando com os locais eles confirmaram a instabilidade da cidade. Para quem vai para a África do Sul para conhecer apenas Cape Town e fazer a Rota Jardim, recomendo ir no verão. Também dá para apostar na meia estação, mas é preciso contar com um pouco de sorte e é bom lembrar que Cape Town está na mesma latitude que Buenos Aires – Argentina. No Kruger (mas vale para o Safari em geral), não é bom ir no verão, pois é muito quente e chove mais. O clima mais quente, além de tornar o Safari mais desgastante, deixa os animais mais escondidos. Além disso, com chuva mais abundante, faz com que os animais se movimentem menos, pois há mais pastagens e mais água para beber. Só dá para trocar dinheiro nos bancos, que não funcionam a qualquer hora e dia. Fim de semana e feriados eles estão fechados. Mas quase todo lugar aceita cartão de crédito. Os bancos cobram uma taxa para trocar dinheiro, o que achei um absurdo, pois levamos dinheiro para não pagar IOF de 6,38% e chagando lá descobrimos que há a taxa do banco. Mesmo assim compensa levar dólar e trocar lá. Fomos abordados muitas vezes por pessoas pedindo dinheiro. Tem que saber lidar com isso. Em Stellenbosh um cara tentou nos aplicar um golpe: paramos o carro no estacionamento de um shopping e um cara passou falando que tinha que validar o ticket na máquina. Seguimos o caminho apontado por ele e ele nos apontou uma ATM onde já tinha outro cara, que, ao ver nossa cara de interrogação, disse que poderia nos ajudar. Eu questionei-o dizendo que aquilo era uma ATM (para sacar dinheiro), percebi que eles estavam mal intencionados e saí andando. A guia que nos levou para a vinícola também nos contou uma história de um golpe que estavam aplicando em Cape Town. Um homem de terno que se passava por funcionário do governo estava abordando turistas e pedindo para ver a licença para transitar ali. As pessoas desconheciam a licença e, é claro, não a possuíam. Então o homem cobrava para tirar a licença ali na hora. Nossa guia disse que não havia relatos de violência e que se um cara desses (ou qualquer outro pedinte) nos abordasse era só desconversar e sair andando. Lemos alguns relatos a respeito de guardas exigindo carteira internacional para dirigir, mesmo havendo acordo internacional entre Brasil e África do Sul. Alguns viajantes relataram suspeita de haver uma tentativa de cobrar “caixinha”. No entanto, fomos parados 3 vezes por policiais e, no geral, saí com uma boa impressão da polícia Sul Africana (não deixei de ler a 3ª parte, na qual detalharei). Então, lembre-se de andar com a carteira de motorista internacional e jamais dirija depois de beber. Leia sobre a África do Sul antes de ir e, se possível, aprenda algumas palavras ou frases em algum dos 10 idiomas além do inglês. Ouvi de uma mulher sul-africana que algumas pessoas se sentem muito orgulhosas quando vêem que um turista sabe um pouco da sua língua. O idioma Xhosa é bastante interessante A hospedagem dentro do Kruger Park tem que ser reservada com bastante tempo de antecedência. Reservamos a nossa hospedagem 2 meses antes e já tinha poucas opções e ainda não estávamos na alta da temporada. A alta temporada no Kruger é no inverno.  
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