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MINITRIP 12 dias - Bolívia e Peru: do Salar de Uyuni a Machu Picchu

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Hola, mochileiros! ::otemo::

Acabei de voltar de um mini mochilão passando pela Bolívia e Peru, e como fiz todo o planejamento com base nas informações colhidas em relatos aqui no mochileiros.com, me senti na obrigação de retribuir e ajudar quem também está planejando sua viagem.

 

Então aperte o play, curta a trilha sonora mais ouvida na Bolívia e Peru no momento, e vamos lá!

 

 

 

DURAÇÃO: 12 dias (03/04/15 a 14/04/15)

 

POR ONDE: Santa Cruz de la Sierra, Sucre, Uyuni, La Paz, Copacabana, Cusco e Machu Picchu.

 

GASTOS: Viajamos em dois e gastamos, no decorrer da viagem, 1.620 dólares para os dois, ou seja, cerca de 800 dólares pra cada um, incluindo tudo, menos as passagens aéreas, que compramos no cartão.

Você vive com menos que isso? Certamente, meu amigo! Eu diria que talvez com um terço disso você pode ser bastante feliz por lá!

Detalhe que esse preço foi sempre dormindo em quarto privado com banheiro, e comendo em lugares melhorzinhos, mais turísticos e inevitavelmente mais caros (com exceção de algumas poucas barbadas locais que fizemos, que vou contar ao longo do relato). Além disso, fui pra Machu Picchu de trem, e não via hidrelétrica, por conta do tempo corrido, o que também encareceu muito. Então se você não fizer questão de certos confortos, e especialmente, estiver com tempo e disposição pra andar mais pra procurar por ofertas melhores, certamente vai gastar muito menos.

 

 

PLANEJAMENTO E ROTEIRO

Como os dias estavam contadinhos, a princípio eu iria só para a Bolívia, e só depois de algum tempo de planejamento que o Peru entrou na roda, de uma forma muito sutil, depois de uma amiga minha me dizer que se eu chegasse até La Paz e não fosse até Cusco ela me daria uns cascudos, hehe :lol:

A viagem era pra ter acontecido mesmo em dezembro/2014, mas por um extremo amadorismo, sempre ia postergando a compra das passagens aéreas na esperança de que os preços diminuíssem, porque sempre que eu consultava o vôo pra umas duas ou três semanas pra frente, o preço era bem melhor do que com mais antecedência. Só que.. esqueci que dezembro era alta temporada de viagens! E, claro, os preços subiram absurdamente! Fuén fuén fuén! Lição aprendida, aproveitei uma promoção que teve, e tratei de comprar logo os trechos de ida e volta entre Vitória (ES) e Santa Cruz de la Sierra.

Então uma coisa estava certa: eu iria chegar e sair por Santa Cruz. E eu queria fazer o Salar, conhecer La Paz e dar um jeito de enfiar Cusco no roteiro. Mas como iria voltar depois pra Santa Cruz? Não sabia, e viajei ainda não sabendo!! No fim das contas, vocês verão que acabamos comprando um trecho aéreo de La Paz a Santa Cruz, o que encareceu um pouco a viagem, então deixo aqui a dica: planejem com antecedência se vocês forem comprar a ida e volta por um mesmo lugar. É sempre mais barato, mas tem que ver se seu roteiro comporta essa volta, e como você vai fazê-la. Dependendo de como for, talvez seja mais vantajoso comprar múltiplos destinos, pra viajar tranqüilo e não ter um gasto extra com trecho aéreo no meio da viagem.

 

No fim das contas, entre erros e acertos no planejamento, o roteiro ficou o seguinte forma:

 

03/04: Vitória - São Paulo - Santa Cruz de la Sierra - Sucre

04/04: Sucre - Uyuni

05/04: Uyuni (Salar)

06/04: Uyuni (Salar)

07/04: Uyuni (Salar) - La Paz

08/04: La Paz

09/04: La Paz - Copacabana - Cusco

10/04: Cusco

11/04: Cusco - Vale Sagrado - Águas Calientes

12/04: Machu Picchu - Cusco

13/04: Cusco - La Paz

14/04: La Paz - Santa Cruz de la Sierra - São Paulo - Vitória

 

 

O QUE LEVAR

Primeiramente, a mochila! (ou a mala, se for o caso). No caso, como era nossa primeira viagem, eu não tinha nada, nem mochila, então compramos uma Crampon 60l e uma Caminhada 50l, ambas da Trilhas e Rumos, no site Arco e Flecha. Não to ganhando nenhuma comissão não, mas recomendo o site porque eles foram super rápidos no envio, além de o preço ter sido bom (paguei cerca de R$ 540 nas duas juntas). Então se você é como eu, que deixa pra ver sua mochila 10 dias antes da viagem, há solução! ::otemo::

Recomendo também comprar uma capa impermeável pra mochila, se a sua já não vier com uma. Mesmo que você não pegue chuva, a capa é super útil pra embalar a mochila e fechá-la bem antes de ela ser jogada num porão fedido de ônibus pra agüentar as viagens de 10, 12, 14 horas.. Eu comprei na Decathlon uma da Quechua, para mochilas de 55/80l, por R$ 39,00.

Se você for uma pessoa prevenida e quiser viajar com tudo certinho, vale a pena comprar uma capa de chuva pra você, e talvez uma pra sua mochila de ataque. No dia que fomos a Machu Picchu, contrariando todas as previsões (mentira, o tempo lá em cima é louco, e acho que só falta nevar), quando chegamos, começou uma chuvinha chata, então tive que me virar com o que tinha e colocar câmera e celular dentro de sacolas plásticas pra não molhar. Felizmente uma peruana de bom coração, que estava de capa e guarda-chuva, fez uma boa ação e me emprestou sua capa!

Toalhas de secagem rápida também são bem úteis e necessárias, pois nem todos os hostels que passamos oferecia isso.

 

No mais, sobre roupas e sapatos, apenas: desapegue! Não adianta levar o mundo nas costas, porque no fim das contas você vai aparecer em todas as fotos com aquele mesmo casacão por cima de tudo. Aceite, hahahaha!

Até que consegui ser bem prática e levei pouca coisa, me senti uma guerreira com minha mochilinha de 6,5kg!!

 

De roupa eu levei: 1 calça jeans, 1 calça legging, 1 conjunto de segunda pele (calça e blusa), 1 short jeans, 1 short de tactel, 2 blusas manga longa, 7 camisetas, 1 regata, 1 jaqueta jeans , meias e roupa íntima. Não cheguei a usar todas as roupas: os shorts ficaram intocados. Por outro lado, levei poucas meias, com a intenção de lavar no meio da viagem, e não deu. Uma coisa é você pensar em lavar roupa aí, no conforto do seu lar quentinho, com sabão em pó e todos os aparatos domésticos. Outra coisa bem diferente é lavar na pia do hostel, com água congelante e tendo que se virar com o sabonete que você trouxe do hostel anterior, porque nesse não te deram nem papel higiênico, quanto mais um sabonetezinho! Conclusão: comprei mais meias em La Paz, nas vendinhas de rua mesmo, 3 pares por 10 bolivianos!

 

De sapatos, levei um chinelo, um tênis velho normal mesmo, desses de academia, e um tênis mais bonitinho, de dia-a-dia, que acabei não usando nenhuma única vez, só serviu de peso na mala.

 

Levei também uma mini farmacinha, que apesar de não ter usado, acho super necessário: dramin, antialérgico, analgésico, aspirina, etc.

 

Sobre o frio: Viajei apreensiva achando que ia passar um frio do cacete, porque tinha lido relatos de que as noites no Salar eram como dormir abraçado com o abominável homem das neves e olha.. gente, cês me decepcionaram, hein! Não se faz alguém passar cagaço assim de graça! Como moro no litoral, eu não tinha nada de frio, então comprei um conjunto de segunda pele na Decathlon (calça e blusa saíram por R$ 80), peguei uma jaqueta jeans, que era o casaco mais quente que eu tinha ::hãã2:: , uns lenços/echarpes, e fui, com a cara e o medo a coragem! Chegando em Uyuni, já na primeira noite, antes de sair pro Salar, comprei luvas e gorro, e olha, foi totalmente suficiente.. tirando dois momentos de muito frio, no segundo dia do salar, passando pela arbol di piedra, e atravessando o titicaca na parte de cima do barquinho (idéia genial!) que estava um vento cortante, foi bem tranqüilo, e olha que normalmente sou uma pessoa friorenta.. Mas como percepção de temperatura é algo muito pessoal, não vou botar ninguém numa fria (ops!) e recomendo que cada um avalie suas necessidades.

 

 

DINHEIRO

Levei tudo em espécie mesmo, em duas doleiras (money belt), e não me senti insegura em nenhum momento, achei tudo muito tranqüilo. Levei dólar, e foi o melhor negócio que fiz, porque comprei dólar aqui no Brasil antes de ele subir assustadoramente.

A verdade é que a gente vê o dólar aumentar aqui e tem a falsa impressão de que ele se valorizou.. mas não é, e sim o real que desvalorizou! Chegamos na Bolívia e encontramos a cotação do dólar bem estável, entre 6,85 e 6,95 bolivianos, já o real, uma tristeza.. vi variando entre 1,85 e 2,15, cotação muito ruim mesmo, especialmente quando pensamos que já chegou até 3,00..

Agora, um lembrete: se for levar dólares, compre notas de 50 e 100, pois normalmente as cotações anunciadas nas casas de câmbio só valem pra esses valores; se a nota for menor, o câmbio também vai ser um pouco pior.

Além disso, não levamos mais nada, só desbloqueamos os cartões de crédito pro caso de alguma emergência, mas nem precisamos usar.

 

 

SEGURO VIAGEM

Apenas: façam! Fiz pela Allianz e paguei R$ 137,00 por pessoa, e felizmente não precisei usar. Nem é um valor tão alto assim, então não tem desculpa. Seguro viagem é aquele tipo de gasto que você deve torcer pra pagar à toa mesmo! E se por ventura você acabar usando, e você precisar de atendimento em algum hospital onde até o ar que você respira é cotado em dólares, nessa hora você vai agradecer por aqueles cento e pouco reais que você estava com miséria de pagar!

 

 

CERTIFICADO INTERNACIONAL DE VACINAÇÃO

Não nos pediram nenhuma vez, mas é tão simples, que não custa nada fazer, e aí além de evitar uma pequena propina por não ter o documento, você ainda vai protegido. É só tomar a vacina em qualquer posto de saúde (é gratuito e tem que ser no mínimo 10 dias antes da viagem, depois disso tem validade por 10 anos), depois preencher um cadastro no site da Anvisa (na verdade o cadastro prévio no site não é obrigatório, mas adianta bastante o seu tempo), e por fim se dirigir a algum posto físico da Anvisa pra retirar pessoalmente o certificado. Normalmente tem posto em todo aeroporto. O certificado só pode ser retirado pela própria pessoa, e eles só funcionam em horário comercial, então verifique antes de deixar pra retirar no dia do seu vôo.

 

 

IDIOMA

Antes de viajar, comecei a estudar espanhol, então foi bem tranqüilo. Eu não sabia muita coisa, mas já deu pra me virar bem. Mas a dica que dou é: estude um pouquinho de espanhol. Não precisa ser fluente, mas acho que vale a pena estudar pelo menos o básico da língua de nossos vizinhos, pra ser melhor entendido. Em algumas ocasiões eu fiquei com dó dos amigos gringos que só falavam inglês, porque quase ninguém por aquelas bandas fala inglês também, então fiquei me perguntando como eles tinham sobrevivido até ali..

Espanhol é fácil, e muitas coisas são parecidas com o português, então é uma ótima oportunidade pra exercitar o seu "buenos dias" :wink: (Em tempo: comprei um mini guia de conversação/dicionário, que nem saiu da minha mochila.. todo mundo se esforça pra te entender e ajudar, então se toda sua desenvoltura linguística se resume a chamar argentino de boludo, fique tranquilo! hahahaha ::lol4::)

 

 

ALTITUDE

Como todo mundo deve saber, a Bolívia e o Peru estão em altitudes elevadas, então não subestime o soroche! Nós não sentimos nada (eu só senti uma sensação meio estranha, no segundo dia do Salar, mas nem sei se era soroche mesmo ou muito pollo picante :oops::lol:), mas comecei a me preparar assim que saímos de viagem: a partir de São Paulo, tomei muita água, e chegando em Sucre já comprei uma cartela de Soroche Pills.

 

 

DICAS GERAIS

- Esboce um roteiro. Admiro quem vai na cara e na coragem, mas eu preciso ter tudo organizadinho.. Mesmo que você não seja assim, um esboço de roteiro pode te economizar tempo e algumas frustrações, especialmente se você estiver com o tempo apertado, como estávamos. Nossos objetivos, por exemplo, eram: Salar, La Paz e Machu Picchu, e por isso já sabia com antecedência que parar em Puno acabaria com meus planos, por exemplo.

- Seja flexível com seu roteiro. Parece contraditório com o item anterior, né, rs? Mas não é: descobrimos na prática que é meio impossível estar com tudo fechadinho e planejado. Um ônibus que atrasa, uma estrada fechada, e puf, lá se foi sua programação, então esteja preparado para um plano B.

- Não vá com o tempo contadinho pra tudo. Esse talvez tenha sido nosso maior erro: querer abraçar tudo, com pouco tempo pra isso (apesar disso, não me arrependo, porque sei que se eu não ao menos tentasse chegar a Cusco nessa viagem, eu ia querer me chicotear depois de voltar pra casa, rs..). Não dá pra ficar com tudo fechadinho, porque as coisas numa viagem são muito imprevisíveis. Tem que contar com a impontualidade boliviana e com a possibilidade de não ter passagem pro dias que você quer (aconteceu com a gente). Além disso, é sempre bom lembrar também que alguns poucos quilômetros na Bolívia e Peru consomem algumas boas horas, se você for de ônibus.

- Para longas distâncias, se optar pelo ônibus, faça viagens noturnas sempre! Além de te economizar a hospedagem, você ainda poupa tempo, já que dorme em um lugar e acorda em outro, e descansa muito melhor também. A primeira viagem de ônibus, no trecho de Sucre a Uyuni, fizemos durante o dia, porque eu achei que seria muito pauleira chegar e já encarar uma noite no ônibus, mas, olha, foi terrível! Nem era uma viagem tão longa (9 horas, contra 14 que pegaríamos mais tarde), e o ônibus até que era bem confortável (tirando o vidro da janela que estava todo estilhaçado e colado com durex!!!!!!), mas depois de passar o dia todo no ônibus, estávamos acabados..

Ah, e olha, não achei as viagens de ônibus assim o cão não.. Eram longas demais, e muitas vezes atrasavam mais do que o previsto, mas achei os ônibus confortáveis e as estradas tranqüilas (os motoristas não, esses são malucos mesmo, mas nada muito além de várias buzinadas!)

- Sobre reservas antecipadas: precisar, não precisa, mas te poupa tempo e esforço. Lembre-se que quando você chegar nas cidades, por exemplo, depois de uma longa viagem de ônibus, tudo o que você quer é uma cama quentinha, então ficar rodando a procura de hospedagem pode não ser muito animador. Pode acontecer de você chegar na cidade de madrugada/cedinho também, como aconteceu com a gente em Cusco, e muitos hostels estarem fechados. Fuén fuén fuén!

- Ter indicações de hostels e restaurantes é uma mão na roda.. mas se você não tiver o endereço deles, isso não vai te servir de muita coisa.. Eu tinha uma lista de vários hostels recomendados em La Paz, mas quando perguntávamos pras pessoas, ou pedíamos pros taxistas nos levarem a algum deles, sempre perguntavam pelo nome da rua e não sabíamos. Com isso, apesar de minhas longas pesquisas, usamos muito pouco as referências que encontrei :(

 

 

Já deu pra perceber que eu escrevo um bocado, né? hehehe, então chega de enrolar e vamos para o relato!

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Fiquei interessado em saber mais sobre o táxi compartilhado ou a van de Sucre até Potosí, se alguém tiver mais info pls compartilhe.

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Acompanhando, Andreia! Vou daqui 20 dias e tava doida por um relato atualizado! hahaha :D :D

 

Acompanhando pra atualizar os valores, tá ficando bem completo!!

Valeu pelo relato e boas viagens!!

 

Belo relato....

Acompanhando

 

Valeu, pessoal, hoje entra mais uma parte!

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Andreia minha conterrânea de estado ::Ksimno:: . Sou de Colatina e vou para Bolivia no dia 12 de setembro e volto no dia 11 de outubro (29 dias). Então estou gostando do seu relato e já acompanhando (te add no facebook). Gostaria de tirar uma dúvida, o certificado internacional vc pegou no aeroporto de são paulo ou conseguiu em vitoria mesmo?

 

Por enquanto é só ^^.

 

Eita estado pequeno, a gente nem se conhece e mesmo assim tem amigos em comum! ::lol3::

 

Peguei o certificado em vitória mesmo, tem um posto da anvisa dentro do aeroporto e tinha outro na enseada do suá, não sei se ele ainda existe. É super rápido e simples, mas recomendo fazer o cadastro antes no site da anvisa (http://www.anvisa.gov.br/viajante/), pra agilizar quando for no posto, que aí é rapidão, eles só imprimem o certificado e assinam. E só funciona em horário comercial.. no dia que eu fui tavam até fechando antes da hora, e o rapaz não queria me atender, mas depois acabou atendendo, rs

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Fiquei interessado em saber mais sobre o táxi compartilhado ou a van de Sucre até Potosí, se alguém tiver mais info pls compartilhe.

 

Oi Felipe, pra falar a verdade não tenho mais informações.. eu me lembro de ter lido sobre isso em algum relato anterior, e depois encontrei um casal de brasileiros em La Paz que também me falou dessa opção, mas não peguei mais detalhes com eles..

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DIA 03: SALAR (Domingo)

 

Chegava o dia mais esperado da viagem! ::otemo::

 

Acordamos cedo e fomos até a rua das empresas de ônibus pra pesquisar preços da passagem até La Paz. Como no último dia de salar já pretendíamos chegar e viajar direto pra La Paz, não queríamos correr o risco de deixar pra comprar no dia e não ter passagens #sucrefeelings :(

 

Tínhamos referências de duas: a Todo Turismo, única que tem wifi no ônibus e que custava 270 bolivianos (ouch!), e a Illimani, empresa relativamente nova e que custava 180 bolivianos. Tinha também outras empresas que faziam o trajeto e tinham preços intermediários, como a Omar, mas confesso que não lembro os valores. Estávamos ainda pensando em qual comprar, quando fomos abordados na rua por uma mulher, perguntando se já tínhamos passeio pro salar praquele dia, e como não tínhamos, fomos pro escritório dela ouvir a proposta. Não lembro o nome da empresa, sorry, mas eles ficam bem na esquina da rua dos ônibus, acho que no mesmo prédio que os correios.

 

Chegando lá, a moça explicou o passeio pra gente e passou a proposta: 650 bs para o tour + 150 bs a passagem para la Paz, com a Illimani, num total de 800 bs, ou seja, um preço ótimo, tão bom que era quase inacreditável. Disse que já tinha quatro pessoas, que só faltava a gente pra fechar, e blablabla. Só que eu, desconfiada que sou, e já vacinada do papo das agências de que "só falta vocês pra fechar o grupo", achei o negócio bom demais pra ser verdade.. nem sei se era furada mesmo ou só paranóia minha, mas eu já tinha lido tantos relatos de agências sem vergonha, que prometiam um paraíso e no fim das contas não era nada daquilo, que preferi dar uma olhada nas outras agências primeiro e depois voltar, se fosse o caso. Agradeci e fomos pro hotel tomar o desauyno (naquele padrão normal da Bolívia: suco, chá, pão, manteiga, geléia, e esse teve até uns ovos mexidos!).

 

Terminado o café, voltamos pra rua pra procurar as agências clássicas, que eu já tinha anotado recomendações: Colque, Andrea's, Esmeralda Tours, Cordillera.. Como eu já tinha lido que se fecha tudo na hora, e que dá até pra ficar indo de uma pra outra barganhando preço, eu estava bem tranquila que tudo daria certo. Mal sabia que isso ia virar uma tortura...

 

Fomos primeiro na Colque, que ficava quase de frente pro hostel, e lá tivemos nossa primeira surpresa, de uma saga que seria para conseguir fechar o tour para o Salar: como era domingo de páscoa, a Colque estava fechada e não ia sair nenhum carro naquele dia, só no dia seguinte! Nesse momento já me bateu um mini desespero, porque já passava das 9h e não tínhamos nada fechado ainda.. Mas ok, partimos pra próxima, a Esmeralda. Ficamos muito tempo esperando lá dentro pra ser atendidos, pois estava lotado, e quando finalmente nos atenderam, só o tour estava 850 bs. Tentamos chorar um desconto, pois eu já sabia que o preço normal é entre 700~800, mas a mulher não queria baixar por nada. Até que depois de muito insistir, ela falou que ia ver se podia, e saiu da sala pra fazer uma ligação. E nisso nós ficamos lá, mofando, esperando.. ela tava demorando uma vida pra voltar e quando finalmente voltou, disse que não tinha mais vaga. Aham, sei.. aposto é que na verdade ela encontrou alguém pra pagar os 850 bs que ela queria! :x Rodamos mais um pouco e encontramos a Andrea's. Na hora tinha um grupo de gringos sendo atendidos, se esforçando pra entender o que a moça falava em espanhol, e a gente lá, esperando impaciente. Quando enfim eles foram embora e fomos atendidos.. não tinha mais vaga praquele dia também!!

 

Gente, juro, nessa hora eu juro que me deu vontade de sentar ali mesmo e chorar! :cry: Eu já tinha perdido um dia da viagem no ônibus entre Sucre e Uyuni, e já estava crente que ia ter que perder mais um dia ali.

 

Nessa hora acho que a Andrea viu meu desespero, e disse que tinha uma amiga, de outra agência, que estava procurando pessoas pra fechar o passeio, e que então ia ligar pra ela pra saber se ainda tinha vaga. Depois de eu já estar quase botando o coração pra fora, Andrea volta com a moça, que estava chamando a gente pra ir na agência dela negociar. Só que a agência dela ficava a três ruas dali, e, bom, a gente já não tava mais com saco (e tempo) de ficar ouvindo pela quinta vez os detalhes do percurso e tal, então já perguntamos logo qual o melhor preço que ela podia fazer pra gente: 930 bs (750 bs do salar + 180 bs da passagem para la Paz, via Illimani). Achamos caro pra cacete e nessa hora me deu um mini arrependimento de não ter fechado com aquela primeira empresa que vimos.. estava até cogitando ir lá rapidinho ver, mas gente, correr qualquer uma quadra que seja, a quase 4 mil metros de altitude não é moleza! Já que estávamos literalmente no sal, lá fomos nós.. Chegando lá já eram 10h da manhã, não tínhamos tour fechado, as outras agências já estavam cheias, não sabíamos mais pra onde ir, e não tínhamos mais poder de barganha: era fechar ali ou perder um dia da viagem em Uyuni; preferi a primeira opção. E já adianto que foi a melhor coisa que fizemos. Não sei como foi com as outras agências, mas com a nossa foi top! Demos muita sorte mesmo!

 

O nome da agência que fechamos é Expediciones Gaviota; é uma agência relativamente nova, pelo que a dona estava me contando, e justamente por isso eles ainda não são muito conhecidos, e estão lutando pra fazer o nome deles, concorrendo com as gigantes mais antigas. O escritório deles não fica na avenida principal, é mais afastado (fica na av. Cabrera, duas ruas acima da avenida principal, entre as ruas Camacho e Santa Cruz). Nosso guia foi o Pedro; procurem por ele, se resolverem ir lá, ele foi sensacional, e responsável por grande parte do sucesso do passeio. :D No caminho, sempre encontrávamos outros grupos, e teve um grupo de brasileiros que reclamou demais do guia deles, disse que o cara só fazia papel de motorista mesmo, que não falava nada, não explicava, etc.. Então acaba que na verdade o grande responsável por bombar ou minar o passeio acaba sendo o guia.

 

Passeio fechado, enfim pudemos respirar tranquilos.. só que não! Eram 10h, e o tour sairia às 10:30h, e nos disseram que não poderíamos levar as cargueiras, só uma mochila pequena cada um. Então, novamente, sebo nas canelas pra correr até o hotel, arrumar as mochilas, fazer o check out, passar no mercado pra comprar suprimentos e correr de volta pra agência.

 

Nessa de ter que arrumar tudo correndo, acabei esquecendo de colocar toalhas e roupa de banho na mochila, e por conta disso não pudemos entrar nas termas, no último dia do salar, então recomendo que deixe tudo mais ou menos arrumado com antecedência. Depois de tudo arrumado, passamos no mercado pra comprar uns suprimentos básicos (água, biscoitos, papel higiênico, chocolates..) e já estávamos em cima da hora e esbaforidos de tanto correr, então acabamos pagando 8 bolivianos num táxi até a agência, chegamos lá correndo e.. não tinha ninguém! ::ahhhh:: Ô dia de fortes emoções, hein.. Já estávamos achando que tinham nos deixado pra trás, quando começaram a aparecer outros turistas que também tinham fechado o passeio. Corremos tanto e no fim tomamos um chá de cadeira, pois fomos sair já mais de 11 horas.

 

Nosso grupo tinha seis pessoas, mais o motorista (não deixem colocar mais de seis pessoas, se não fica muito apertado no carro): Fred e Maís, um casal de peruanos, Sabrina, uma alemã que já estava viajando há três meses, Rafael, também brasileiro, e nós.

 

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Mais uma vez, demos muita sorte de cair num grupo bacana! Eu estava muito receosa de cair num grupo de gente estranha, ou então num grupo cheio de gringos que só conversassem entre eles e excluísse a gente, ou ainda num grupo que só falasse inglês ou alemão, por exemplo (eu falo um pouco de espanhol, e meu inglês só serve pra ouvir). Tinha um grupo de brasileiros (o mesmo que reclamou do guia, ô pessoal azarado!), que disse que entre eles tinha cara lá que se recusava a dizer de onde era, que não ia dizer porque segundo ele era um país muito odiado pelo mundo! Pensa, viajar com um cara três dias e o cara não dizer de onde era! Dizem que já tinham até embebedado o cara pra ver se ele abria o bico, e nada! :lol: Acho que ao final do terceiro dia eu já tinha enchido o cara de porrada e obrigado ele a dizer na marra! hahaha (meninos brasileiros (desculpa, esqueci o nome de vocês!!), se vocês estiverem me lendo, afinal, descobriram a nacionalidade do rapaz?)

 

A primeira parada do passeio é o Cemitério de Trens, que basicamente é um ferro velho de vagões desativados. Não tem nada de mais por lá, mas dá umas fotos bem legais (quando dá pra tirar fotos, porque olha, posso fazer um desabafo e um apelo? Você, viajante que adora tirar mil fotos, depois que tirar suas fotos, vaza, desocupa, rala peito do lugar, e dá espaço pras outras pessoas fotografarem também! Fiquei muito chateada nesse dia, no Cemitério de Trens, e também mais tarde, no monumento do Dakar, porque a galera não tinha noção na hora de tirar foto, ficava mil anos ali, furava a fila dos que estavam aguardando sua vez, não davam espaço pro coleguinha, saíam de papagaio de pirata.. Mas ok, voltemos a programação normal!)

 

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Depois do Cemitério de Trens, paramos em Colchani, que é uma pequena vila onde se faz a extração do sal. Se quiser artesanato de sal, esse é o lugar pra comprar! Imãs de geladeira, llaminhas de sal, e outras coisas do tipo, só vimos ali. Ouvi dizer que essas coisas não resistem ao clima úmido do Brasil, e acabam se desmanchando, mas não resisti e comprei algumas coisas.. daqui um tempo volto pra contar se estão durando. Ficamos um bom tempo em Colchani, enquanto Pedro consertava os freios do carro, que estavam apresentando defeito #medo!

 

UPDATE: Gente, não resistem mesmo! Meus imãs estavam literalmente derretendo na porta da geladeira, então tive que tirar de lá e guardar.. Talvez funcione em uma cidade com clima mais cedo, mas na maresia de Vitórinha não rolou :(

 

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Saindo de Colchani, passamos em uma parte meio alagada, onde tem uns montinhos no chão, que é onde fazem a extração do sal, e depois paramos num lugar onde tem o monumento do rali Dakar e um hotel de sal desativado, que hoje funciona como museu, e onde almoçamos.

 

E ali no monumento do Dakar aconteceu algo que fez de Pedro o herói da viagem. Fred subiu em cima da estátua do Dakar pra tirar foto e o celular dele caiu ali, dentro da estátua! tenta de um jeito, tenta de outro e nada feito. Falamos com Pedro e ele disse pra irmos almoçar primeiro que depois ele ia ver o que dava pra fazer. Fomos almoçar, ali sentado do lado do hotel de sal mesmo (bife de lhama, arroz com legumes, salada, coca-cola quente, água e banana de sobremesa), já pensando que não ia dar em nada, que o celular já era.. Só que depois do almoço Pedro realmente voltou lá e resolveu o negócio! Resumo da ópera: ele entrou dentro da estátua, pegou o celular e teve que ser içado por uma corda pra sair de lá! Então se vocês forem na agência Gaviota e encontrarem um desenho do Pedro resgatando um celular no monumento Dakar (desenho feito pelo Fred, na volta), agora vocês já sabem do que se trata!

 

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Saindo de lá, entramos mais dentro do salar de fato. Nem adianta falar muita coisa sobre.. é uma coisa linda que precisa ser vista ao vivo! Aquela imensidão branquinha, aquele silêncio.. apenas: vão e vejam com seus próprios olhos!

 

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A última parada do dia é na Isla del Pescado, que é uma ilha de cactos gigantes no meio do salar. Pra subir nela paga-se 30 bs, mas teve gente que subiu e não pagou nada, simplesmente porque não tinha ninguém ali fiscalizando e cobrando, na hora. Eu não subi, porque estava com preguiça, e hoje me arrependo por isso. Subir na altitude é fogo, mas sabe lá quando você vai voltar num lugar como esse de novo? Na dúvida, suba!

 

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De lá fomos direto pro abrigo, que, olha, surpreendeu! Eu estava preparada pra ficar num lugar sem estrutura nenhuma, sem água quente, sem lugar, com cobertas fedorentas, passar frio.. e no final não teve nada disso! Tinha água quente, luz, cobertas quentinhas.. nesse dia nós podíamos ficar em quarto privado para duas pessoas.

 

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Logo o Pedro nos chamou pra tomar um chá com biscoitos, e mais tarde ele serviu a janta: sopa com pão, e depois frango com batatas fritas, estava tudo muito bom!

 

Ah, nesse dia pra tomar banho tinha que pagar 10 bs.

 

 

Gastos do dia: (lembrando que tudo é para duas pessoas, gente!!)

1930 bs: Agência Gaviota (salar + passagens La Paz)

68 bs: mercado (coisas para o Salar: água, papel higiênico, comidinhas)

8 bs: táxi hostel x agência

30 bs: chapéu + souvenirs - Colchani

20 bs: imãs - Colchani

20 bs: 2 Paceñas - Colchani

4 bs: banheiro - Museu de sal

10 bs: ducha - Salar

Total de gastos do dia: 2.090 bolivianos

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Andreia, tô adorando! E esse Tour do Salar foi TOP hein. Já li gente que comeu atum enlatado. Vou em julho e esse era um dos meus receios. Continua que está muito bom!

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Andreia, tô adorando! E esse Tour do Salar foi TOP hein. Já li gente que comeu atum enlatado. Vou em julho e esse era um dos meus receios. Continua que está muito bom!

 

suellensza, na verdade no terceiro dia a gente comeu atum enlatado ::tchann::

 

Mas além de atum tinha outras coisas, como arroz, legumes, salada, etc, então tava bom ::otemo::

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