Já faz um tempo que nos juntamos num quinteto, quatro marmanjos barbados e uma jovem com pele de pêssego, e fomos atacar o cume da afamada “Pedra do Anfíbio,” no extremo do sul Biritibano. Por lá, vimos que num giro de 360° o mirante nos permite avistar outros pontos de elevação montanhosa, ali mesmo nas proximidades, como por exemplo: o Pico do Itapanhaú e o Pico do Gavião se destacando entre aquela verde vastidão que guarda vários atrativos de fácil acesso.
Tanta coisa pra se ver de longe, e por quê não, as verem de perto? ou melhor, de seus próprios cumes. Era só questão de tempo, uma hora ou outra, as obrigações de trabalho e família iriam dar uma trégua pra coincidir as datas livres entre os interessados. E quando surgiu a primeira oportunidade de um domingão livre... Hááá, bora sanar a abstinência por falta de trilha e fazer um rolê top sem ter quase nenhum puto no bolso hehe.
- Diógenes, vai trilhar esse fds ? Podemos explorar aqueles picos de Biritiba, que a tempos vinhamos falando. O que acha ? - eu já sabia qual seria a resposta rs.
Conversa vai, conversa vem, e pós convite decidimos de ir praquelas bandas bater perna.
Se juntaram ao bando: Adilson da Silva e Tony Eduardo, que sempre estão a postos pra um “perrengue matero,” e da noite pro dia, aos 45 do segundo tempo, o Valério resolveu dar as caras e ir junto. Outros também viriam, mas, um dormiu demais e perdeu a hora, o outro nem mandou sinal de fumaça. Fazer o quê ?
RELATO
O último domingão de Junho não veio pra deixar a desejar, pós horas de viagem no minhocão de lata, às 07:20h, sem atrasos, todos já estavam no terminal rodoviário pra fazer o itinerário Estudantes x Manoel Ferreira, noutra lata sobre rodas, que levou cerca de cinquenta minutos pra nos deixar com os pés na Estrada da Adutora, dando início a nossa jornada sob um céu nublado e acompanhado de um vento gélido esfriando a cara. Até então, nada desanimador, a previsão prometia tempo bom, e a promessa se cumpriu rs.
A passos não tão largos, a conversa ia esquentado o clima amistoso entre nós, e o que precisávamos mesmo era distração, aquela longa e enfadonha estrada de terra parece não ter fim, mesmo que você esteja aflorando ansiedade e empolgação por alcançar algum pico, não tem jeito, é maçante. Na volta então, viixi, parece que dobra de tamanho.
Cinco quilômetros depois, ainda em estrada de terra (aliás, tudo por ali só se alcança por elas), tocamos sentido nordeste pra começar o nosso martírio na estrada de manutenção da torre de telecomunicações. Aquele desnível é de fazer até os mais preparados dançarem É O TCHAN: bota a mão no joelho, dá uma abaixadinha... rs. Literalmente, o coração parece que vai estourar o peito com tanta força que bate. Um dos nossos chegou a colocar a língua pra fora enquanto o suor gotejava da ponta do nariz, (#sélokocachoera rs). Mas o sofrimento foi coletivo!
O acesso se mantem livre, não há obstáculos, a não ser a forte subida que oferece outros caminhos, e um deles nos roubou a atenção, uma discreta picada que vai morro abaixo e segue rumo ao norte. Suspeitamos que ela nos levaria ao próximo pico quando voltássemos do Itapanhaú, e continuamos a caminhada tortuosa por mais algumas dezenas de metros. Até que o terreno deixa de oferecer uma ascensão violenta, fica plano e estranhamente ganha uma curva que nos coloca num sentido totalmente fora de foco, como estivéssemos voltando, e começa a descer, descer, e descer, deixando nosso alvo cada vez mais fora de mira. Dúvidas foram surgindo, lógico, mas continuamos no caminho que parecia ser óbvio, pra que pouco depois a estrada voltar a ganhar elevação e ziguezaguear rumo ao cume.
Na última curva, reta final, terreno plano novamente, céu limpo e de um azul intensamente azul (rsrs), surge a visão frontal da imponente Torre de Telecomunicações da Telesp a recepcionar nossa chegada ao ponto mais alto de Biritiba Mirim (1080 mts), o Pico Itapanhaú.
Com sol a pino, e “sem parar” desde que descemos do busão, ali era a hora ideal pra uma tomar água, comer uns belisquets, repor as energias e explorar o entorno, ver o que aquele mirante era capaz de nos apresentar: um visual fantástico dos Picos do Garrafão e Esplanada (Garrafãozinho), paralelos um ao outro, separados apenas por uma estrada de terra. Era isso que tínhamos como recompensa por tamanho esforço.
Espírito de moleque travesso é dose! não bastasse já estar no pico mais alto da cidade, pra ficar satisfeito, tinha que inventar de subir a torre, hehe.
E esquecendo que tem medo de altura, lá vem o Tony:
- Vagner, dá pra subir na torre. Vamos ?
- Vamos! eu já vim com essa intenção hehe.
E de imediato nos pusemos a procurar uma brecha entre as telas de metal, arrame cortante e cerca elétrica que protegem a base da dita cuja de possíveis invasores. Quando achamos um espacinho, nos esprememos em um vão e rastejamos no chão pra conseguirmos entrar. Exceto o Diógenes, que tem lá suas diferenças com altura rs.
Eu fui o primeiro, Adilson veio na bota, o Tony também veio na sequência, mas desistiu nos primeiros degraus afirmando que não dava pra ele (lembrou que tem medo rs). Valério também subia, mas quando a Hero4 caiu do bolso dele, perdeu o tesão. Seguimos subindo, só o Adilson e Eu, com o objetivo de alcançar o topo da Antena em questão de muitos, mas quanto mais a gente subia, mais o Diógenes gritava: desce daí, vambora, vambora (loro, loro, curupááco kkk). No ponto em que chegamos, creio que na metade, a visão se estendia em 360 graus, fazendo o empenho ter seu valor a cada degrau avançado. Da esquerda pra direita: Esplanada, Garrafão, Pedra da Boraceia, Represa dos Andes, Litoral de Bertioga e Ilha do Montão de Trigo, Pico do Gavião, Pedra do Sapo, Represa de Taiaçupeba e uma infinidade montanhosa a perder de vista. Shoow!!
Atendendo a pedidos, não fomos até a ponta da torre, descemos e demos continuação a “empreitada.”
Aquela picada que segue na direção norte, e que vimos enquanto sofríamos com a subida na estrada de manutenção, seria nosso próximo alvo de exploração pra ver onde ia dar. E deu! a trilha começa a descer no sentido dum vale, logo no começo já fica plana, encharcada e pantanosa. Lembro que o Val disse:
- vixi, aborta a missão, tá cheio de lama aqui.
- relaxa Val, isso aqui é Paranapiacaba, lamaçal total - respondi, e tocamos o bonde.
A trilha segue enfestada de marcações desnecessárias, a cada 30 mts +- tinham plásticos amarrados nas árvores, sinalizando uma via que não tem bifurcações (vai entender), apenas uma picada que, discretamente, sai pra direita e leva ao Garrafãozinho. Essa era nossa suspeita, mas continuamos na principal por um certo tempo, até que pela lógica, percebemos que ela ia paralela a estrada de manutenção que leva ao Itapanhaú e nos colocaria de de novo na Estr. da Adutora. Decidimos voltar, enquanto ainda estava perto, e explorar a picada pra ver onde ela nos levaria.
Aparentemente a trilha parece estar fechada, mas não avançamos nem 10 mts pra ver que a danada mais parece um Rodoanel, uma Autobahn das trilhas, segue larga e livre de obstáculos até desembocar noutra que sobe um pouco mais fechada até o largo e espaçoso topo do Pico da Esplanada. Um mirante exclusivo do lindo garrafão e toda área de reflorestamento que é rasgada por um labirinto de terra. Ali foi nossa nova longa pausa pra descanso e contemplação, mas em menos de 15 min de pausa o Diógenes já queria “ralar peito.” Mas a oposição foi geral kkk.
- relaxa, mano. Curte o visu aí, senta e descansa um pouco. Ta cedo pra caramba. - responde alguém;
- dá até pra gente subir o Garrafão hoje. Por mim, eu topo! - respondi.
Mas se ele estava acelerando, era por um único motivo: Ainda faltavam cerca de 15 quilômetros de caminhada até o centro de Biritiba, coisa que resultaria numa travessia, e que até então era o plano oficial. Mas como não teria nada de atrativo a partir dali, começou a surgir uma ideia na cúpula da oposição: tomar o rumo do mesmo caminho que viemos, Manoel Ferreira, e passar na Pedra do Sapo só pra ver o sol se pôr.
Enquanto o papo ia e vinha, entre muito sol e pouca sombra, saquei o fogareiro e alguns utensílios que eu tinha na mochila, e fiz aquele cafézinho no ponto, pra gente tomar enquanto o bolo que o Adilson levou era devorado pela cambada. Oohhh vidinha mais ou menos rs.
Na discussão de qual seria o caminho da volta, irei o meu da reta e deixei pra galera decidir. O Diógenes perdia por 3 votos a zero, e pra não dizer que não deu meu palpite, a derrota fechou em 4x0 kkk. Sendo assim, na hora de partir, tomamos a trilha de volta e seguimos no rumo de onde viemos.
Já que tudo ali era novidade pra todos nós, e estávamos ali pra explorar, a caminhada se deu por outro caminho entre as muitas trilhas daquele miolo, e acabamos saindo junto a placa que destaca a Fazenda Verde, e marca a discreta entrada pra quem pretende subir direto ao arredondado cume da Esplanada.
Se pela manhã a caminhada na estrada de terra era enfadonha, imagine depois do desgaste de um dia inteiro camelando entre subidas e descidas sob um sol forte, Aff. Seriam longos e “intermináveis” km’s de sola/chão até o fim da jornada. A salvação, é que pouco depois do retorno àquela via, da encosta esquerda vem uma água geladinha, represada e cristalina, caindo de uma bica que convida qualquer um a molhar a goela, rosto e nuca pra se refrescar e abastecer as garrafas. Oohh glória!! rs.
Ainda tivemos muito a percorrer, se distrair e rir, até chegar a “ilhota” que leva a Pedra do Sapo. Ali, num consenso comum, nos separamos, pois ainda estava cedo, e a vontade de ver o sol se pôr falou mais alto. Adilson, Tony e Eu, decidimos ir de encontro ao maciço, Valério estava na dúvida se iria também, porque o tempo de espera no ponto de ônibus pode ser gigantesco se não der a sorte de chegar próximo ao horário de partida, e pra ele que mora longe fica mais desgastante do que já é. Mas no final das contas ele acabou se juntando a nós e o Diógenes preferiu seguir solo, ou melhor, na companhia do Geraldinho pendurado em sua mochila, até o Bairro de Manoel Ferreira.
Seguimos na larga estrada sem pressa, ainda estava cedo, engatamos a marcha lenta depois do lembrete do Val: “- se a gente chegar muito cedo lá em cima, vamos ficar torrando no sol.” Na hora de começar a subir, pós picada (esquerda), pegamos uma bifurcação na direção errada, graças ao burro aqui, que mesmo vendo a trilha continuar beeem batida pela direita, afirmou que o caminho era pela esquerda. Mas não avançamos tanto, até por que a mata só permitia a passagem via vara mato. Quando voltamos à via certa, a danada deu uma guinada na elevação que fez neguinho suar. Ainda paramos para descansar e comer alguma coisa antes de iniciar o ataque final pela subida (“ingredi”) de 45 graus, e que tem pelo caminho cordas amarradas nas árvores pra dar um apoio. Os mais cansados agradecem rs.
Passamos pelo mirante que dá visão direta aos maciços (Pedra do Sapo e Pedra da Forquilha (nossos alvos)), e na continuação da caminhada encontramos um grupo que voltava de um dia inteiro de rapel na parte mais vertical da rocha. Saudações de praxe, e também aqueeelas recomendações não poderiam deixar de vir juntas:
- a subida é puxada, vcs ainda não viram nada;
- cuidado pra não voltarem no escuro;
- desçam antes de escurecer - e blá blá blá
Como já estávamos cientes de tudo que passaríamos pelo resto do dia, seguimos. Fizemos a última escalaminhada na corda que fica instalada num vão liso e escorregadio entre duas rochas, e finalmente chegamos ao ponto máximo do nosso objetivo.
Ainda faltava cerca de uma hora para o poente começar, sendo assim, clicks e mais clicks (curuuzes kk), fotos avontê em todos os pontos da Pedra enquanto o sol descia lentamente, indo de encontro ao horizonte, e um tapete de nuvens se formava na baixada avançando sobre o planalto. Pra esquentar, rolou até uma sopa, quentinha, pra espantar a friaca que já era dominante.
Nessa altura do campeonato, várias milhas deixadas pra trás, lógico que o tiozinho aqui já teria forçado bastante a articulação do joelho, e uma coisa que seria inevitável era: dar pau, um tilt, dor da porra, restrição de movimentos da perna esquerda (FODEU). Ainda bem que o meu fiel bastão de caminhada estava presente nessa, por que eu quase não conseguia dobrar meu joelho. Coisa obrigatória na descida da trilha que leva ao Sítio que o Seu Raimundo toma conta.
Ainda conseguimos iniciar a descida com um pouco de claridade no céu, mas como na mata escurece um pouquinho mais cedo, em dez minutos as lanternas já estavam acessas, e andando feito mula manca, tive que assumir a dianteira do grupo pra poder impor o ritmo que eu estava conseguindo e aguentando andar. O bom, era que só vinham dores quando eu tinha que dobrar um pouco mais o joelho, fora isso a gente acelerava o ritmo nas partes retas e planas, que eram maioria. Coisa de vinte minutos depois já saíamos novamente na Estrada da Adutora, pra camelar quase uma hora até o ponto de ônibus e por fim na aventura exploratória do dia.
Quando ainda íamos, só nós, pela escuridão da estrada, ouvimos um tiro quebrando o silêncio... Apreensão e redução no caminhar, cautela e agilidade se precisasse correr. De repente, o Tony, abaixa e pega uma pedra... Grande arma pra se defender contra uma pessoa que possui arma de fogo kkkk. Ainda bem que não foi nada de mais (eu acho), e não precisamos correr, pelo menos ali, porque quando chegávamos perto do ponto final, bem na curvinha, o Valério viu o Busão dando seta pra partir, ele saiu correndo pra brecar o Motô e pedir pra ele esperar por nós. Agora imagine se eu fiquei na lentidão (rsrs). A mula manca deu no pé...rapáh kkk.
E assim finalizamos bem nossa domingueira. Que foi satisfatória.
Já faz um tempo que nos juntamos num quinteto, quatro marmanjos barbados e uma jovem com pele de pêssego, e fomos atacar o cume da afamada “Pedra do Anfíbio,” no extremo do sul Biritibano. Por lá, vimos que num giro de 360° o mirante nos permite avistar outros pontos de elevação montanhosa, ali mesmo nas proximidades, como por exemplo: o Pico do Itapanhaú e o Pico do Gavião se destacando entre aquela verde vastidão que guarda vários atrativos de fácil acesso.
Tanta coisa pra se ver de longe, e por quê não, as verem de perto? ou melhor, de seus próprios cumes. Era só questão de tempo, uma hora ou outra, as obrigações de trabalho e família iriam dar uma trégua pra coincidir as datas livres entre os interessados. E quando surgiu a primeira oportunidade de um domingão livre... Hááá, bora sanar a abstinência por falta de trilha e fazer um rolê top sem ter quase nenhum puto no bolso hehe.
- Diógenes, vai trilhar esse fds ? Podemos explorar aqueles picos de Biritiba, que a tempos vinhamos falando. O que acha ? - eu já sabia qual seria a resposta rs.
- opaa, vamos sim, meu querido!! Vamos marcar tudo direitinho.
Conversa vai, conversa vem, e pós convite decidimos de ir praquelas bandas bater perna.
Se juntaram ao bando: Adilson da Silva e Tony Eduardo, que sempre estão a postos pra um “perrengue matero,” e da noite pro dia, aos 45 do segundo tempo, o Valério resolveu dar as caras e ir junto. Outros também viriam, mas, um dormiu demais e perdeu a hora, o outro nem mandou sinal de fumaça. Fazer o quê ?
RELATO
O último domingão de Junho não veio pra deixar a desejar, pós horas de viagem no minhocão de lata, às 07:20h, sem atrasos, todos já estavam no terminal rodoviário pra fazer o itinerário Estudantes x Manoel Ferreira, noutra lata sobre rodas, que levou cerca de cinquenta minutos pra nos deixar com os pés na Estrada da Adutora, dando início a nossa jornada sob um céu nublado e acompanhado de um vento gélido esfriando a cara. Até então, nada desanimador, a previsão prometia tempo bom, e a promessa se cumpriu rs.
A passos não tão largos, a conversa ia esquentado o clima amistoso entre nós, e o que precisávamos mesmo era distração, aquela longa e enfadonha estrada de terra parece não ter fim, mesmo que você esteja aflorando ansiedade e empolgação por alcançar algum pico, não tem jeito, é maçante. Na volta então, viixi, parece que dobra de tamanho.
Cinco quilômetros depois, ainda em estrada de terra (aliás, tudo por ali só se alcança por elas), tocamos sentido nordeste pra começar o nosso martírio na estrada de manutenção da torre de telecomunicações. Aquele desnível é de fazer até os mais preparados dançarem É O TCHAN: bota a mão no joelho, dá uma abaixadinha... rs. Literalmente, o coração parece que vai estourar o peito com tanta força que bate. Um dos nossos chegou a colocar a língua pra fora enquanto o suor gotejava da ponta do nariz, (#sélokocachoera rs). Mas o sofrimento foi coletivo!
O acesso se mantem livre, não há obstáculos, a não ser a forte subida que oferece outros caminhos, e um deles nos roubou a atenção, uma discreta picada que vai morro abaixo e segue rumo ao norte. Suspeitamos que ela nos levaria ao próximo pico quando voltássemos do Itapanhaú, e continuamos a caminhada tortuosa por mais algumas dezenas de metros. Até que o terreno deixa de oferecer uma ascensão violenta, fica plano e estranhamente ganha uma curva que nos coloca num sentido totalmente fora de foco, como estivéssemos voltando, e começa a descer, descer, e descer, deixando nosso alvo cada vez mais fora de mira. Dúvidas foram surgindo, lógico, mas continuamos no caminho que parecia ser óbvio, pra que pouco depois a estrada voltar a ganhar elevação e ziguezaguear rumo ao cume.
Na última curva, reta final, terreno plano novamente, céu limpo e de um azul intensamente azul (rsrs), surge a visão frontal da imponente Torre de Telecomunicações da Telesp a recepcionar nossa chegada ao ponto mais alto de Biritiba Mirim (1080 mts), o Pico Itapanhaú.
Com sol a pino, e “sem parar” desde que descemos do busão, ali era a hora ideal pra uma tomar água, comer uns belisquets, repor as energias e explorar o entorno, ver o que aquele mirante era capaz de nos apresentar: um visual fantástico dos Picos do Garrafão e Esplanada (Garrafãozinho), paralelos um ao outro, separados apenas por uma estrada de terra. Era isso que tínhamos como recompensa por tamanho esforço.
Espírito de moleque travesso é dose! não bastasse já estar no pico mais alto da cidade, pra ficar satisfeito, tinha que inventar de subir a torre, hehe.
E esquecendo que tem medo de altura, lá vem o Tony:
- Vagner, dá pra subir na torre. Vamos ?
- Vamos! eu já vim com essa intenção hehe.
E de imediato nos pusemos a procurar uma brecha entre as telas de metal, arrame cortante e cerca elétrica que protegem a base da dita cuja de possíveis invasores. Quando achamos um espacinho, nos esprememos em um vão e rastejamos no chão pra conseguirmos entrar. Exceto o Diógenes, que tem lá suas diferenças com altura rs.
Eu fui o primeiro, Adilson veio na bota, o Tony também veio na sequência, mas desistiu nos primeiros degraus afirmando que não dava pra ele (lembrou que tem medo rs). Valério também subia, mas quando a Hero4 caiu do bolso dele, perdeu o tesão. Seguimos subindo, só o Adilson e Eu, com o objetivo de alcançar o topo da Antena em questão de muitos, mas quanto mais a gente subia, mais o Diógenes gritava: desce daí, vambora, vambora (loro, loro, curupááco kkk). No ponto em que chegamos, creio que na metade, a visão se estendia em 360 graus, fazendo o empenho ter seu valor a cada degrau avançado. Da esquerda pra direita: Esplanada, Garrafão, Pedra da Boraceia, Represa dos Andes, Litoral de Bertioga e Ilha do Montão de Trigo, Pico do Gavião, Pedra do Sapo, Represa de Taiaçupeba e uma infinidade montanhosa a perder de vista. Shoow!!
Atendendo a pedidos, não fomos até a ponta da torre, descemos e demos continuação a “empreitada.”
Aquela picada que segue na direção norte, e que vimos enquanto sofríamos com a subida na estrada de manutenção, seria nosso próximo alvo de exploração pra ver onde ia dar. E deu! a trilha começa a descer no sentido dum vale, logo no começo já fica plana, encharcada e pantanosa. Lembro que o Val disse:
- vixi, aborta a missão, tá cheio de lama aqui.
- relaxa Val, isso aqui é Paranapiacaba, lamaçal total - respondi, e tocamos o bonde.
A trilha segue enfestada de marcações desnecessárias, a cada 30 mts +- tinham plásticos amarrados nas árvores, sinalizando uma via que não tem bifurcações (vai entender), apenas uma picada que, discretamente, sai pra direita e leva ao Garrafãozinho. Essa era nossa suspeita, mas continuamos na principal por um certo tempo, até que pela lógica, percebemos que ela ia paralela a estrada de manutenção que leva ao Itapanhaú e nos colocaria de de novo na Estr. da Adutora. Decidimos voltar, enquanto ainda estava perto, e explorar a picada pra ver onde ela nos levaria.
Aparentemente a trilha parece estar fechada, mas não avançamos nem 10 mts pra ver que a danada mais parece um Rodoanel, uma Autobahn das trilhas, segue larga e livre de obstáculos até desembocar noutra que sobe um pouco mais fechada até o largo e espaçoso topo do Pico da Esplanada. Um mirante exclusivo do lindo garrafão e toda área de reflorestamento que é rasgada por um labirinto de terra. Ali foi nossa nova longa pausa pra descanso e contemplação, mas em menos de 15 min de pausa o Diógenes já queria “ralar peito.” Mas a oposição foi geral kkk.
- relaxa, mano. Curte o visu aí, senta e descansa um pouco. Ta cedo pra caramba. - responde alguém;
- dá até pra gente subir o Garrafão hoje. Por mim, eu topo! - respondi.
Mas se ele estava acelerando, era por um único motivo: Ainda faltavam cerca de 15 quilômetros de caminhada até o centro de Biritiba, coisa que resultaria numa travessia, e que até então era o plano oficial. Mas como não teria nada de atrativo a partir dali, começou a surgir uma ideia na cúpula da oposição: tomar o rumo do mesmo caminho que viemos, Manoel Ferreira, e passar na Pedra do Sapo só pra ver o sol se pôr.
Enquanto o papo ia e vinha, entre muito sol e pouca sombra, saquei o fogareiro e alguns utensílios que eu tinha na mochila, e fiz aquele cafézinho no ponto, pra gente tomar enquanto o bolo que o Adilson levou era devorado pela cambada. Oohhh vidinha mais ou menos rs.
Na discussão de qual seria o caminho da volta, irei o meu da reta e deixei pra galera decidir. O Diógenes perdia por 3 votos a zero, e pra não dizer que não deu meu palpite, a derrota fechou em 4x0 kkk. Sendo assim, na hora de partir, tomamos a trilha de volta e seguimos no rumo de onde viemos.
Já que tudo ali era novidade pra todos nós, e estávamos ali pra explorar, a caminhada se deu por outro caminho entre as muitas trilhas daquele miolo, e acabamos saindo junto a placa que destaca a Fazenda Verde, e marca a discreta entrada pra quem pretende subir direto ao arredondado cume da Esplanada.
Se pela manhã a caminhada na estrada de terra era enfadonha, imagine depois do desgaste de um dia inteiro camelando entre subidas e descidas sob um sol forte, Aff. Seriam longos e “intermináveis” km’s de sola/chão até o fim da jornada. A salvação, é que pouco depois do retorno àquela via, da encosta esquerda vem uma água geladinha, represada e cristalina, caindo de uma bica que convida qualquer um a molhar a goela, rosto e nuca pra se refrescar e abastecer as garrafas. Oohh glória!! rs.
Ainda tivemos muito a percorrer, se distrair e rir, até chegar a “ilhota” que leva a Pedra do Sapo. Ali, num consenso comum, nos separamos, pois ainda estava cedo, e a vontade de ver o sol se pôr falou mais alto. Adilson, Tony e Eu, decidimos ir de encontro ao maciço, Valério estava na dúvida se iria também, porque o tempo de espera no ponto de ônibus pode ser gigantesco se não der a sorte de chegar próximo ao horário de partida, e pra ele que mora longe fica mais desgastante do que já é. Mas no final das contas ele acabou se juntando a nós e o Diógenes preferiu seguir solo, ou melhor, na companhia do Geraldinho pendurado em sua mochila, até o Bairro de Manoel Ferreira.
Seguimos na larga estrada sem pressa, ainda estava cedo, engatamos a marcha lenta depois do lembrete do Val: “- se a gente chegar muito cedo lá em cima, vamos ficar torrando no sol.” Na hora de começar a subir, pós picada (esquerda), pegamos uma bifurcação na direção errada, graças ao burro aqui, que mesmo vendo a trilha continuar beeem batida pela direita, afirmou que o caminho era pela esquerda. Mas não avançamos tanto, até por que a mata só permitia a passagem via vara mato. Quando voltamos à via certa, a danada deu uma guinada na elevação que fez neguinho suar. Ainda paramos para descansar e comer alguma coisa antes de iniciar o ataque final pela subida (“ingredi”) de 45 graus, e que tem pelo caminho cordas amarradas nas árvores pra dar um apoio. Os mais cansados agradecem rs.
Passamos pelo mirante que dá visão direta aos maciços (Pedra do Sapo e Pedra da Forquilha (nossos alvos)), e na continuação da caminhada encontramos um grupo que voltava de um dia inteiro de rapel na parte mais vertical da rocha. Saudações de praxe, e também aqueeelas recomendações não poderiam deixar de vir juntas:
- a subida é puxada, vcs ainda não viram nada;
- cuidado pra não voltarem no escuro;
- desçam antes de escurecer - e blá blá blá
Como já estávamos cientes de tudo que passaríamos pelo resto do dia, seguimos. Fizemos a última escalaminhada na corda que fica instalada num vão liso e escorregadio entre duas rochas, e finalmente chegamos ao ponto máximo do nosso objetivo.
Ainda faltava cerca de uma hora para o poente começar, sendo assim, clicks e mais clicks (curuuzes kk), fotos avontê em todos os pontos da Pedra enquanto o sol descia lentamente, indo de encontro ao horizonte, e um tapete de nuvens se formava na baixada avançando sobre o planalto. Pra esquentar, rolou até uma sopa, quentinha, pra espantar a friaca que já era dominante.
Nessa altura do campeonato, várias milhas deixadas pra trás, lógico que o tiozinho aqui já teria forçado bastante a articulação do joelho, e uma coisa que seria inevitável era: dar pau, um tilt, dor da porra, restrição de movimentos da perna esquerda (FODEU). Ainda bem que o meu fiel bastão de caminhada estava presente nessa, por que eu quase não conseguia dobrar meu joelho. Coisa obrigatória na descida da trilha que leva ao Sítio que o Seu Raimundo toma conta.
Ainda conseguimos iniciar a descida com um pouco de claridade no céu, mas como na mata escurece um pouquinho mais cedo, em dez minutos as lanternas já estavam acessas, e andando feito mula manca, tive que assumir a dianteira do grupo pra poder impor o ritmo que eu estava conseguindo e aguentando andar. O bom, era que só vinham dores quando eu tinha que dobrar um pouco mais o joelho, fora isso a gente acelerava o ritmo nas partes retas e planas, que eram maioria. Coisa de vinte minutos depois já saíamos novamente na Estrada da Adutora, pra camelar quase uma hora até o ponto de ônibus e por fim na aventura exploratória do dia.
Quando ainda íamos, só nós, pela escuridão da estrada, ouvimos um tiro quebrando o silêncio... Apreensão e redução no caminhar, cautela e agilidade se precisasse correr. De repente, o Tony, abaixa e pega uma pedra... Grande arma pra se defender contra uma pessoa que possui arma de fogo kkkk. Ainda bem que não foi nada de mais (eu acho), e não precisamos correr, pelo menos ali, porque quando chegávamos perto do ponto final, bem na curvinha, o Valério viu o Busão dando seta pra partir, ele saiu correndo pra brecar o Motô e pedir pra ele esperar por nós. Agora imagine se eu fiquei na lentidão (rsrs). A mula manca deu no pé...rapáh kkk.
E assim finalizamos bem nossa domingueira. Que foi satisfatória.
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Estatística:
Pico Itapanhaú: 1.080 metros de altitude
Pico da Esplanada (Garrafãzinho): 1.050 metros de altitude
Pedra do Sapo: 990 metros de altitude
Percurso: 25 quilômetros percorridos (fora os perdidos, rs)
Dificuldade: média/alta
Quantas horas: começamos às 08:30H terminamos às 18:50h (cada grupo, um ritmo)s