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relato LA PAZ E TOUR DE TRÊS DIAS PELO SALAR DE UYUNI

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Pessoal, há menos de um mês iniciei o meu curto mochilão pela Bolívia e, como muito precisei das informações dos fóruns deste site e sei como é difícil ter o esclarecimento preciso sobre o que se procura (já que cada um tem uma visão diferente), resolvi fazer um post para tentar auxiliar em possíveis dúvidas para quem estiver afim de ir por agora. Porque como são várias percepções (principalmente de um lugar desses), quanto mais informações, melhor! E me disponho pra qualquer dúvida. O blog ainda não está com toda a matéria exposta, mas já dá pra ter alguma base. O endereço é https://andandodecantoemcanto.wordpress.com/ para quem quiser ter mais detalhes, mas por aqui ressalto informações básicas.

 

Saímos no dia 14/10 de Guarulhos (pela Gol), pela manhã, paramos em Santa Cruz

De lá pegamos vôo interno para La Paz (com a BoA) e chegamos no fim da tarde na cidade

Ficamos hospedados por 4 dias no hostel Wild Rover (que está recomendadíssimo, por sinal)

Fizemos um tour geral pela cidade durante um dia, o passeio de bike pela estrada da morte, Chacaltaya e Valle de la luna

Depois fomos de ônibus cama (duração 13 horas) para Uyuni

Chegamos às 07:30, até as 08:30 fechamos o tour com a Blue Line com uma turma em duas 4x4 e já compramos passagem de volta para Sucre antecipadamente

Retornamos no terceiro dia às 17:30, fizemos uma hora em um restaurante e partimos às 22:00 para Sucre, onde chegamos às 07:00

Em Sucre, ficamos no hostel Kultur Berlim por um dia apenas

No dia 23/10 saímos pela manhã de Sucre para Santa Cruz (com a cia aérea Amaszonas)

E, de lá, pegamos vôo de volta para Guarulhos (com a gol novamente)

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Oi td bem? Vc poderia dispor dos preços dos passeios que fez? A empresas em UYUNI foi bem avaliada em sua opinião? Por qual empresa de bus fez Lá Paz UYUNI e UYUNI Sucre? Quanto foi a diária no Wilde Rover? Qual agência fechou o Downwill e Chacaltaya, gostou do atendimento? E os preços de corrida de táxi qual é o preço em média? O hotel em Sucre é bom, quanto foi a diária e o endereço? Valeu um abraço pela ajuda.

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Marcelo, tudo bem, e com você? Claro! A empresa que eu fiz foi a Blue Line, tinha conversado com uma mochileira que fez com eles e me disse que era tudo ok, porque eu estava pensando em fechar com a Cordillera, que parecia ter algo de melhor, mas não fizemos questão de mais do que a Blue Line tinha para dispor. Os carros eram dos próprios motoristas, estavam ok, nunca tinha lido algum relato de algum problema relacionado à direção de motoristas associados a essa empresa, e em termos de comida e hospedagens, foi ok também, simples, mas ok. Acho que eu não pagaria muito mais porque você vai pra um passeio desses sabendo que vai ser tudo de fato limitado, né? Com a Blue Line, estávamos em 5, e conseguimos chorar e fechar o tour de 3 dias por 700 bolivianos; um casal de brasileiros pagou 750. Enquanto que na Cordillera estava 950 e no máximo flexibilizaram para 900 por estarmos em 5. Digo, tem empresas com um pouco mais de luxo, tipo a Red Planet, mas não fizemos questão, apenas segurança mesmo. E o nosso passeio, apesar da pressa do guia, correu tudo bem.

De ônibus de La Paz - Uyuni peguei com a Trans Omar, que parecia ser a melhor da rodoviária, paguei 150 bolivianos pelo bus cama que fez o trajeto em 13 horas porque passa só por estrada asfaltada (tem outros ônibus que fazem em 11, sendo que se passa a metade do trajeto em estrada de terra); o ônibus é ok também, tinha banheiro funcionando, mas o wifi não funcionava ( se bem que nem precisei).

Já Uyuni - Sucre, fui com a 6 de Octubre, que, ao que me pareceu, era a única companhia que fazia o trajeto direto para Sucre; comprei a minha passagem no dia que cheguei em Uyuni para não correr o risco de ficar sem, mas nesse momento só tinham disponíveis passagens para o bus semi cama, por 80 bolivianos. Foram 7 horas de viagem, saindo às 22 horas, com uma única parada (no meio da estrada para ir 'ao banheiro'), uma vez que o ônibus não tinha banheiro. Talvez o bus cama tenha, e deve ser em torno de 100/110 bolivianos.

A diária no Wild Rover, como eu fechei um quarto privativo (com banheiro) com o meu namorado, saiu 100 bolivianos por dia pra cada. Mas esse valor dá pra flexibilizar demais pegando um compartilhado!

Então, fui até a Republica Tours (quase ao lado do Wild Rover) e fechei os dois passeios. O downhill eles tinham opções com a Xtreme e Solario, e escolhemos a Xtreme por já conhecer amigos que recomendaram, o custo foi 370 bolivianos pela bike intermediária. Fechamos o Chacaltaya através da Republica Tours também. Então, não dá pra se esperar horrores dos atendimentos, só tive um problema porque marquei em todos os meus equipamentos do downhill (no papel que a atendente me entregou) que o meu tamanho era S (calça, blusa, etc) e chegou na hora e veio tudo no M e não tinha o que fazer porque eles não levam tamanhos reservas. Então ficou levemente desconfortável no começo, mas no mais foram bem atenciosos, no limite do possível. Explicavam tudo muito bem, no blog eu até relato uns detalhes peculiares do nosso passeio de fato e tem umas fotos. Eu recomendo fazer com essa empresa! Mas como já disse, se tiver a oportunidade de pesquisar em outra que não Republica Tours pra ver se consegue um preço melhor, também é válido, mas recomendo que a operadora seja a Xtreme. O guia fala inglês e português e o passeio todo é bem interativo.

Olha, em La Paz quase não pegamos taxi porque ficamos no centro, mas taxi do Wild Rover pra rodoviária, por exemplo era 20 bolivianos e do aeroporto pro Wild Rover foi 60 bolivianos. É bem razoável! E em Sucre o valor dos taxis são calculados por pessoa, mas ainda assim é bem barato! Da rodoviária pro Kultur Berlim pagamos 4 bolivianos por pessoa (estávamos em 3) e nem era tãao do lado assim.

O hostel em Sucre é bom sim! Não tivemos muito tempo de aproveitar, mas disseram que o café da manhã é muito bom, ele é todo arborizado e é um party hostel também, embora muito mais sossegado que o Wild Rover. A diária foi a mesma coisa; fechamos quarto privativo com banheiro, e ficou em 100 bolivianos a diária por pessoa. O endereço é Avaroa 326, Sucre 0000, Bolívia, muito bem localizado e avaliado!

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Marcelo, tudo bem, e com você? Claro! A empresa que eu fiz foi a Blue Line, tinha conversado com uma mochileira que fez com eles e me disse que era tudo ok, porque eu estava pensando em fechar com a Cordillera, que parecia ter algo de melhor, mas não fizemos questão de mais do que a Blue Line tinha para dispor. Os carros eram dos próprios motoristas, estavam ok, nunca tinha lido algum relato de algum problema relacionado à direção de motoristas associados a essa empresa, e em termos de comida e hospedagens, foi ok também, simples, mas ok. Acho que eu não pagaria muito mais porque você vai pra um passeio desses sabendo que vai ser tudo de fato limitado, né? Com a Blue Line, estávamos em 5, e conseguimos chorar e fechar o tour de 3 dias por 700 bolivianos; um casal de brasileiros pagou 750. Enquanto que na Cordillera estava 950 e no máximo flexibilizaram para 900 por estarmos em 5. Digo, tem empresas com um pouco mais de luxo, tipo a Red Planet, mas não fizemos questão, apenas segurança mesmo. E o nosso passeio, apesar da pressa do guia, correu tudo bem.

De ônibus de La Paz - Uyuni peguei com a Trans Omar, que parecia ser a melhor da rodoviária, paguei 150 bolivianos pelo bus cama que fez o trajeto em 13 horas porque passa só por estrada asfaltada (tem outros ônibus que fazem em 11, sendo que se passa a metade do trajeto em estrada de terra); o ônibus é ok também, tinha banheiro funcionando, mas o wifi não funcionava ( se bem que nem precisei).

Já Uyuni - Sucre, fui com a 6 de Octubre, que, ao que me pareceu, era a única companhia que fazia o trajeto direto para Sucre; comprei a minha passagem no dia que cheguei em Uyuni para não correr o risco de ficar sem, mas nesse momento só tinham disponíveis passagens para o bus semi cama, por 80 bolivianos. Foram 7 horas de viagem, saindo às 22 horas, com uma única parada (no meio da estrada para ir 'ao banheiro'), uma vez que o ônibus não tinha banheiro. Talvez o bus cama tenha, e deve ser em torno de 100/110 bolivianos.

A diária no Wild Rover, como eu fechei um quarto privativo (com banheiro) com o meu namorado, saiu 100 bolivianos por dia pra cada. Mas esse valor dá pra flexibilizar demais pegando um compartilhado!

Então, fui até a Republica Tours (quase ao lado do Wild Rover) e fechei os dois passeios. O downhill eles tinham opções com a Xtreme e Solario, e escolhemos a Xtreme por já conhecer amigos que recomendaram, o custo foi 370 bolivianos pela bike intermediária. Fechamos o Chacaltaya através da Republica Tours também. Então, não dá pra se esperar horrores dos atendimentos, só tive um problema porque marquei em todos os meus equipamentos do downhill (no papel que a atendente me entregou) que o meu tamanho era S (calça, blusa, etc) e chegou na hora e veio tudo no M e não tinha o que fazer porque eles não levam tamanhos reservas. Então ficou levemente desconfortável no começo, mas no mais foram bem atenciosos, no limite do possível. Explicavam tudo muito bem, no blog eu até relato uns detalhes peculiares do nosso passeio de fato e tem umas fotos. Eu recomendo fazer com essa empresa! Mas como já disse, se tiver a oportunidade de pesquisar em outra que não Republica Tours pra ver se consegue um preço melhor, também é válido, mas recomendo que a operadora seja a Xtreme. O guia fala inglês e português e o passeio todo é bem interativo.

Olha, em La Paz quase não pegamos taxi porque ficamos no centro, mas taxi do Wild Rover pra rodoviária, por exemplo era 20 bolivianos e do aeroporto pro Wild Rover foi 60 bolivianos. É bem razoável! E em Sucre o valor dos taxis são calculados por pessoa, mas ainda assim é bem barato! Da rodoviária pro Kultur Berlim pagamos 4 bolivianos por pessoa (estávamos em 3) e nem era tãao do lado assim.

O hostel em Sucre é bom sim! Não tivemos muito tempo de aproveitar, mas disseram que o café da manhã é muito bom, ele é todo arborizado e é um party hostel também, embora muito mais sossegado que o Wild Rover. A diária foi a mesma coisa; fechamos quarto privativo com banheiro, e ficou em 100 bolivianos a diária por pessoa. O endereço é Avaroa 326, Sucre 0000, Bolívia, muito bem localizado e avaliado!

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Oi muito obrigado pela dúvidas tiradas. Então vocês sofreram com a altitude?

Vou chegar em Santa Cruz de madrugada e saio de avião de Sucre às 10:30 chego umas 11:05 e vou ir para o centro ou para o hostel que vc indicou até a chagada de mais três colegas aqui do mochileiros. Espero que eu não sinta muito os efeitos da altitude. Um abraços.

marceloespanha ::otemo::

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Olha, acredito que por você começar por Sucre, você sinta menos os efeitos porque Sucre está, se não me engano, a 2.700m, então não é tãaaao complicado. Começamos já por La Paz e já fomos atrás das tais soroche pills logo na chegada (porque recomendam que se tome providência antes que se sinta os efeitos); confesso que senti uma dor de cabeça forte no primeiro dia a noite, mas só... e continuei tomando as soroche e no segundo dia já não senti mais nada! Só o cansaço que é inevitável nas alturas, cada degrau de escada parece que corresponde a vinte, mas é normal e não há o que se tome pra evitar isso; o negócio é ir com calma. E se vocês vão primeiro para Sucre pra depois ir pra Uyuni (ou seja, começarão a 2.700 e depois passarão a 3.600), o corpo deve se aclimatar melhor. Vale dizer também que o tour de 3 dias é progressivo na altitude, no último dia se chega a 5.000m basicamente, mas já se está aclimatado.

Sim! Se possível, fiquem no hostel, pelo que eu pesquisei era o mais recomendado.

E quanto à altitude, se conseguir, compre as pílulas, algo de coca, caso esteja receoso. Beba sempre bastante água e faça tudo progressivamente conforme vá subindo.

Espero que tenha ajudado. Boa viagem a vocês!!!

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Valeu pelo relato Ana !!

tb fiz isso, de chegar direto por la paz, e foi difícil aguentar as dores de cabeça, principalmente, pra dormir, só com remédio kkkk

no mais vale muitoooo, boas viagens !!

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Oi Ana... legal tuas dicas, vou acompanhar seu blog.

Um dúvida: Achei os valores dos teus passeios muito bons. Você acha que tem relação com o fato de ser baixa temporada? Estarei indo em janeiro e pelo que pesquisei os valores estão bem acima do que você passou. Exemplo: achei Downhill a 480 pela Xtreme, Sala do Uyuni numa média de 850... até fiquei mais animada com esses valores que você passou, mas imagino que janeiro por ser alta temporada tenha valores bem maiores. O que você acha?

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Tatiara, então, tudo depende muito da empresa com quem você fecha e as condições do passeio. Tenho amigos que foram no começo desse ano (em janeiro também) e pagaram o mesmo preço que eu paguei pelo Downhill porque fechamos no mesmo ponto (República Tours) e pelo mesmo pacote (o intermediário), pois a bike mais top realmente era nesse patamar de preço que você citou. Como não víamos muita diferença, resolvemos fechar a mais básica mesmo. Apesar de que na hora do passeio você vê que faz diferença de fato.

E incrivelmente existem muitas pessoas mesmo nessa época, o hostel estava cheio, os passeios também, tem muita gente que vem de fora pra passar 3, 6 meses viajando, então sempre tem uma demanda, ao que me pareceu. Mas sobre a bike: onde você teve acesso aos preços? Foi através de e-mail às empresas? Porque antes de ir eu também havia achado essa faixa com a Xtreme, mas acredito que era a mais top, apesar de, como eu disse no blog, existirem agências que oferecem um tour (pela Xtreme mesmo) mais barato.

Salar de Uyuni depende muito da empresa também. Por exemplo, Cordillera era 900 (até mais cara), sendo que estávamos em 5; a Blue Line que era uma razoável que teve um preço melhor mesmo, e um pouco melhor pra nós por conta de estarmos em 5. Se você teve acesso a esses preços ao mandar e-mail para as empresas, uma coisa que eu aconselho sempre é deixar pra chegar cedo e negociar por lá mesmo, os preços são bem melhores do que pela internet ou por qualquer agência em La Paz, por conta de precisarem de gente pra fechar um carro, estar em cima da hora, etc, dá pra negociar legal, porque existem muitas, mas muitas empresas que operam. Uma pessoa que foi em julho havia me passado o mesmo preço que eu encontrei; então eu acho que dá pra ter uma margem de 100 bolivianos de acordo com a negociação. Eu acho que dá pra conseguir uns preços melhores, principalmente se você estiver com mais pessoas (isso vale pro Salar).

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Oi Ana!

Vou em junho para Bolívia e minha maior preocupação é o câmbio... Li o seu relato no blog e me assustei, pois fui há uns dois anos na Bolívia e o câmbio era 1 real: 3 bol!

Você tem uma noção de quanto ficou o valor total da sua viagem em reais? O meu roteiro está bem parecido com o seu, assim consigo uma noção de gastos...

Obrigada!

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Elaine, pois é... eu havia lido vários relatos mais antigos em blogs também, mais precisamente de 2011, e o câmbio era 1 real : 4 bolivianos; depois 1:2, mas quando conversei com uma pessoa que tinha ido 2 meses antes de mim também me assustei quando ela me disse 'caso ache câmbio de 1:1,80 no Brasil, faça! Mas é que realmente a nossa moeda se desvalorizou bem.... e agora sinceramente não sei se perdeu um pouco mais! Existem uns bons aplicativos que fazem essa conversão, e lá em La Paz, nesses lugares mais informais, eles costumam cumprir com muita proximidade a conversão realizada. Agora pesquisei e estava 1:1,71, às vezes você pode encontrar até 1:1,65, na pior das hipóteses. Aconselho esses locais caso a sua primeira parada seja La Paz, porque em Sucre, por exemplo, tive dificuldade de encontrar câmbios melhores e informais.

A minha viagem ficou uns 2.400 reais os 9 dias com tudo incluso (a taxa de embarque do vôo SP - Santa Cruz, uma vez que paguei em milhas, vôos de Santa Cruz pra La Paz e Sucre pra Santa Cruz, dois trajetos de ônibus, todos os passeios, tour pelo Salar e todas as minhas despesas de viagem nesses 9 dias).

Disponha!

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    • Por GUILHERME TOSETTO
      Olá, meus amigos!!!!
      Segue agora mais um relato de viagem, desta vez à cidade de Ubatuba nos últimos dias 27 e 28 de Abril, em companhia dos amigos André Petroni, Eduardo (nickname Umpdy), Francisco Lopes, Débora e Osmar Franco.
      Estávamos combinando essa viagem havia algum tempo, mas nunca conseguíamos encaixar as datas convenientes a todos, mas eis que calhou de um fim de semana "vazio" pra galera e marcamos a viagem.
      Eu, Eduardo, Chicão e Débora saímos de São Paulo na sexta-feira à noite, por volta das 19:45 e chegamos em Ubatuba às 23 horas. O André e o Franco tiveram que trabalhar e só foram pra lá no sábado bem cedinho, de ônibus. Seguimos pela Dutra até São José dos Campos e de lá pegamos a rodovia dos Tamoios, que está em obras em diversos trechos. Quem for pegar essa estrada, deverá ficar bastante atento, não paenas às obras, mas principalmente às curvas, muito fechadas e perigosas.
      Lá chegando, fomos para o Tribo Hostel, onde já havíamos feito reservas para o final de semana. Como nesse final de semana estava acontecendo um campeonato mundial de surf em prancha curta (não lembro o nome exatamente), o hostel estava cheio e acabamos ficando num de seus anexos...



       
      Feito o check in, fomos para os quartos, ficando eu e o eduardo em um e o Chicão e a Débora em outro.
      Algumas observações sobre o quarto onde ficamos eu, o Eduardo e o Franco: o teto é baixo e tem ventilador instalado junto à luminária. Como o Du ficou na cama superior, qualquer movimento da perna pra fora da cama já chutaria a porra do ventilador, além de bater a cabela no teto num levantar mais brusco!!!! rsrsrsrs...isso sem falar que o Du trancou a porta do quarto... e ainda havia mais um hóspede no nosso quarto, que chegou de madrugada e ficou esbravejando e xingando do lado de fora, enquanto a atendente do hostel vinha com a outra chave pra abrir...como eu tava morto de cansaço da viagem, não ouvi nada disso!!!!rsrsrsrrs.
      No dia seguinte, sabadão, ficamos esperando o André e o Franco chegarem pra podermos ir à Ilha de Anchieta. Chegaram por volta das 11 horas, também fizeram o check in e fomos arrumar as tralhas pra ir à ilha. Combinamos com o Renato, dono de um barco para nos levar até lá e ir nos buscar no final da tarde. Algumas fotos da ida, da Ilha e do retorno...









       
      Na Ilha de Anchieta há algumas trilhas, como a do Saco Grande e a Praia do Sul. Ambas constam do passaporte Trilhas de SP. Lá também há um antigo presídio, que foi desativado em 1955, três anos após a rebelião de 1952. No local, ainda trabalha um antigo vigia da época em que o presídio ainda era ativo!!! O local lembra um campo de concentração, várias ruínas...
      A ilha em si tem praias muito bonitas e praticamente desertas, talvez pela época do ano não ser a chamada "alta temporada", mas, mesmo assim, são excelentes... água muito limpa, peixes nadando ao nosso redor, quando ficamos numa das piscinas naturais formadas pelas rochas na parte norte da ilha.









       
      Ficamos na ilha até cerca de 16:15, fizemos a trilha da Praia do Sul, que é muito light e voltamos pra Ubatuba.
      À noite, fomos jantar numa pizzaria próxima ao hostel, a Pizza da Nonna...local bem aprazível, simples e comida de bom sabor...voltamos ao hostel, onde fizeram um churrasquinho pra galera...nessa hora, o sr. André cometeu a gafe-mancada da noite: sentou-se em cima de uma caixa de isopor, que servia de "geladeira" pra cerva do povo...o resultado não poderia ser outro, em poucos segundos a caixa estourou completamente de fora a fora... pior foi o que o André falou:
      - "Pô, eu pensei que fosse um puff!!!!"
      O que teve foi um "crash" and "pof" do André caindo!!!!
      Nem os gringos que estavam jogando uma sinuquinha aguentaram e racharam o bico também...
      Mas, gafes e foras à parte, o fim de semana foi excelente!!! No domingo, fomos para a praia da Lagoinha, onde começamos a fazer a trilha das 7 praias, chegando, ao final à praia da Fortaleza. São mais de 10 km de caminhada, passando pelas praias que dão o nome à trilha, com vários níveis de dificuldade, mas com paisagens muito compensadoras em sua beleza...seguem mais algumas fotos...








       
      Levamos cerca de 3 horas e meia pra finalizarmos a trilha, considerando-se que paramos algumas vezes pra descanso, pra um lanche e pra banho numa das praias.
      A fim de ganharmos algum tempo pra voltar onde deixamos o carro, na praia da Lagoinha, resolvemos subir os 7 quilômetros da estrada entre a Fortaleza e a BR101 a pé...chegando lá, pegamos um ônibus de volta à praia da Lagoinha e voltamos ao hostel pra arrumar nossas coisas, tomar um banho e retornar a Sampa...antes disso, ainda deixei o Franco na rodoviária, pois, como estávamos em seis pessoas, não havia espaço suficiente pra todos dentro do carro...saímos de Ubatuba por volta das 18:45 e chegamos à capital às 22:45, um pouco mais demorado do que na ida, mas ainda paramos pra comer um lanche e as curvas em subida requerem menor velocidade e mais atenção.
       
      Realmente foi um fim-de-semana ótimo, em companhia de amigos muito bacanas, sempre dispostos a tudo, sem reclamações, todos de muito bom-humor, enfim ,foi bastante divertido...deixo vocês agora com mais algumas paisagens, agradecendo a atenção de você, que está lendo, e aos amigos que lá estiveram, proporcionando mais uma excelente viagem!!!! Abração, galera!!!!
      Ah, pessoal ,se esqueci de alguma coisa, por favor, complementem o relato...











    • Por Schumacher
      Preparativos
       
      Em julho de 2014 decidi que, apesar de adorar o carnaval de Santa Catarina, faria uma coisa totalmente diferente nessa data no ano seguinte. Consegui 2 amigos para ir junto comigo e emiti as passagens nas Aerolíneas Argentinas (10k milhas Smiles POA-FTE, 270 reais FTE-USH, 10k milhas Smiles USH-POA).
       
      Como a viagem seria de apenas 9 dias, não cheguei a elaborar um roteiro, apenas um esboço do que fazer, além de reservar as hospedagens e o aluguel de carro. Este último saiu caro, mas dividindo em 3 compensou a comodidade e o melhor aproveitamento do tempo.
       
      Às vésperas da viagem consegui uns guias do meu colega de trabalho Fernando, e no 13 de fevereiro de 2015 finalmente peguei meu mochilão (dessa vez não esqueci da câmera) e segui para o aeroporto, com uma carona do meu vizinho Marco e outra carona no vagão refrigerado da Trensurb.
       
      Ao chegar a Buenos Aires tive que trocar de aeroporto, do Ezeiza para o Aeroparque. Quem tem conexão pela Aerolíneas pode usar o translado da empresa Manuel Tienda León de graça, mas tem que pegar um comprovante em uma sala da companhia no próprio aeroporto. Importante salientar que os horários que estão no site não são confiáveis.
       

       
      1° dia
       
      No meio de uma madrugada mal dormida no aeroporto, partiu meu voo para El Calafate. Do alto era possível ver o lindo azul contrastando com as estepes patagônicas. Cheguei no começo da manhã, dividi um táxi com uns brasileiros, já que saiu o mesmo preço do único outro transporte disponível, uma van que custava 100 pesos, e um tempo depois cheguei na locadora da Hertz, para retirar o veículo. Subi o morro para uma panorâmica da cidade.
       

       
      De lá fui para a Reserva Laguna Nimez, paraíso das aves na beira do Lago Argentino, que envolve a pequena cidade. Paguei a razoável taxa de entrada e depois do trajeto inicial meio sem graça e uma chuva fraca que insistiu em incomodar, comecei a ver espécie após espécie em uma diversidade de ambientes.
       

       
      Entre as mais de 20 fotografadas em algumas horas, constavam gaviões bastante dóceis, tanto que cheguei a ficar a menos de 3 metros de um deles.
       

       
      Também tive o primeiro contato com a fruta típica da região, o calafate, embora meio murcha e pouco saborosa por já estar no fim da época de frutificação.
       

       
      Era para eu ter encontrado ali a minha amiga Raquele, que já tinha viajado para lá antes, mas por uma falta de sincronismo nos encontramos apenas no meio da tarde no hostel em que ficaríamos, o I Keu Ken. O único ponto negativo desse lugar é para quem está a pé, pois ele fica no alto de um morro.
       
      Pegamos a estrada sentido norte até chegar ao hotel La Leona mais de uma hora depois. No caminho havia diversos cicloturistas e os primeiros bandos de guanacos e emas.
       

       
      Depois de um lanche e do atendente dizer que não poderíamos ir sozinhos no lugar em que queríamos, fomos para lá do mesmo jeito. Seguindo orientações vagas encontradas pela internet, chegamos ao vale em meio aos morros Los Hornos, onde segundo o site havia uma “depressão profunda”. Literalmente, entramos em depressão.
       

       
      Caminhando, passamos por diversas ossadas e encontramos o que eu queria, fósseis! A floresta petrificada conta com troncos fósseis de 150 milhões de anos. Só vimos poucos troncos e nenhum dinossauro, mas já foi o suficiente para ter valido a excursão.
       

       
      No caminho de volta o sol apenas começava a baixar, apesar de já ser quase 21 h.
       
      À noite, durante toda a semana, estava tendo uma festa com shows e inclusive a presença da presidenta, talvez por isso os preços estivessem tão inflacionados. Tanto que tivemos que jantar sanduíches comprados no supermercado, enquanto ouvíamos o show que nem era tão bom assim.
       
      2° dia
       
      Pela manhã chegou meu outro amigo, o Vinícius. Partimos para o Parque Nacional das Torres del Paine, no Chile. Primeiro, uma pausa para foto da paisagem insólita no mirante.
       

       
      Fizemos uma escala na metade do caminho em Esperanza, ainda na Argentina. Depois de mais uma refeição à base de sanduíche, tentamos abastecer o carro no único posto em um raio de 50 km, ou possivelmente o dobro, como nos informou o frentista que, assim como uma fila de carros, aguardava o combustível chegar sabe-se lá dentro de quantas horas. Como não tínhamos todo esse tempo, arriscamos seguir em direção ao parque.
       
      Os passageiros babavam no carro enquanto eu dirigia pela monótona estrada, quando passamos pelo vilarejo de Tapi Aike. Milagrosamente havia uma bomba de combustível ali, onde já tinha visto num relato que estava desativada. Como a esperança é a última que morre, decidimos bater na casa para ver se alguma alma nos atendia, apesar de todos os outros carros passarem direto. E não é que deu certo? Embora consideravelmente mais cara, foi nossa salvação.
       

       
      No meio da tarde chegamos às aduanas de fronteira. Como havia poucos carros e nenhum ônibus naquela hora, até que foi rápida a travessia. Não levei alimento algum pensando que teria problema, mas a única coisa confiscada foi os sachês de mel do Vini. Outro detalhe importante é que precisa de uma autorização providenciada pela locadora para cruzar a fronteira, a um custo adicional.
       

       
      O primeiro vilarejo no Chile é Cerro Castillo. Possui uns 4 comércios de mantimentos apenas. O primeiro e mais turístico é caríssimo, só o utilize para fazer o câmbio. Indico esse amarelo da foto, ali o preço cai pela metade e aceita cartão de crédito. Não leve água, pois há disponível e puríssima durante todo o circuito, e cada kg a menos é muito precioso.
       

       
      Depois do estoque feito e mais uns quilômetros à frente, entramos na área do parque, cercada por lagoas de diversas cores, como a Laguna Amarga, com alta salinidade e lar dos belos flamingos.
       

       
      Na portaria de mesmo nome, tivemos a péssima notícia de que havíamos chegado tarde demais para escalar as Torres del Paine. Dessa forma tivemos que acampar no camping da hostería Las Torres e replanejar o roteiro para compensar as cerca de 5 h perdidas que faríamos naquele dia. Os campings do parque custam todos em torno de 8000 pesos chilenos, nada se comparado ao preço dos alimentos, então leve o seu junto, nem que seja daquela lojinha na fronteira.
       
      Havia uma quantidade impressionante de gringos espalhados entre o camping, o refúgio e o hotel. Assim como nos demais campings pagos, havia água quente e eletricidade, mas não tive tempo para carregar minha câmera. Inauguramos a barraca de luxo da Raquele, enquanto o Vini ficou com minha toca do Gugu emprestada. E ali começou a aventura de se dormir em um chão pedregoso sem um isolante, ao menos em meu caso.
       
      3° dia
       
      Iniciada a caminhada com a subida dos belos morros. Logo percebi que o vento forte traria algum estrago. Dito e feito, ele arrebentou a solda do painel solar que tinha levado para carregar a câmera e o celular. Ali começou o primeiro racionamento, o de energia elétrica (o de energia humana viria posteriormente).
       

       
      Conheci as duas frutinhas vermelhas que cresciam junto ao solo e que fariam parte da minha alimentação durante essa jornada, a chaura e a murtilla, levemente doces e ácidas.
       

       
      Logo percebi que o ritmo de um dos integrantes não seria o mesmo do meu, ainda mais com o peso extra na respectiva mochila. Começou a preocupação com o tempo, já que percorreríamos uma distância bem maior do que a praticada por outros visitantes em um dia.
       
      Continuamos subindo, passando pelo acampamento Chileno, onde trombamos com um casal carioca e com a placa oficial de entrada.
       

       
      Comi um cogumelo bege que achei no chão e após passar a entrada do acampamento Torres, segui com os cariocas até a parte mais exposta ao vento, onde fiquei descansando por uns minutos até meus amigos chegarem. Ao completar o trecho mais íngreme, avistamos a incrível paisagem do lago glacial e dos pilares graníticos com neve em suas bases. Não há como expressar em fotos a grandiosidade daquela cena.
       

       
      Ainda tivemos sorte de presenciar outro fenômeno, uma tromba d’água, que pegou todos desprevenidos.
       
      Almoçamos por ali enquanto contemplávamos a paisagem e depois descemos pelo mesmo caminho por algumas horas até a bifurcação para ir ao acampamento Los Cuernos. A trilha de todo o circuito é razoavelmente bem sinalizada, embora as placas estejam voltadas para quem faz o trajeto em sentido contrário (a grande maioria). Assim, quando havia uma bifurcação, só sabíamos o caminho certo ao chegar ao seu final. Ainda bem que tínhamos GPS no celular, e que a bateria dele durou todo o tempo necessário.
       

       
      Caminhamos por longas horas durante esse trecho quase plano de 11 km. Quando o dia ameaçava terminar, cruzamos o último morro e vimos o acampamento de um lado e outra tromba d’água no lado oposto. Com o atraso em nosso itinerário, tivemos que acampar novamente em um lugar pago. Assim que terminamos de armar as barracas, a noite chegou. Meus amigos jantaram seus miojos de copo enquanto eu fiquei com as sobras e um sanduíche de queijo e presunto.
       
      Depois de um banho quente e uma contemplada num dos céus mais bonitos que já vi na vida, parti para a cama, ou melhor, saco de dormir. Vini não teve tanta sorte, preocupado acompanhando um rato que apareceu atrás de sua barraca.
       
      Distância percorrida no dia: 26 km.
       
      4° dia
       
      Amanheceu um dia chuvoso e mais frio que o anterior. Nesse momento meus lábios já haviam ressecado o suficiente para rachar, e a situação só foi piorando, já que não tinha nada para botar neles. Em virtude de nosso atraso, decidimos que somente eu percorreria a segunda perna do circuito W, os demais seguiriam ao acampamento Paine Grande a 13 km e nos encontraríamos lá no fim do dia.
       

       
      Com isso, enquanto eles descansavam, tomei um litro de leite e coloquei a roupa impermeável para a caminhada. Pouco depois surgiu o sol, que me obrigou a trocar as vestimentas novamente.
       
      Continuei ao longo do belo Lago Nordenskjöld, já mirando o Cerro Paine Grande.
       

       
      Passei o acampamento Italiano, onde começava a subida do Vale do Francês. A difícil ascensão margeava um rio, geleiras e o cume da montanha, de impressionantes 3050 metros, ligeiramente superior à mais alta montanha brasileira.
       

       
      Nessa hora tive que pôr novamente uma roupa mais propícia ao frio e vento que fazia. Parei para comer uma maçã no mirante intermediário, de onde a maioria dos caminhantes e seus bastões não passam, e continuei subindo. Já estava bastante cansado e até um pouco atrasado no horário, quando fui agraciado por uma precipitação diferente. Pela primeira vez na vida presenciei a neve caindo sobre mim!
       

       
      O êxtase me deu forças para o trecho final mais duro, até o Mirador Británico. Infelizmente o clima frio e nublado não ajudou nas fotos e esgotou a bateria da minha câmera novamente, restando o guerreiro celular. Paciência, mas fiquei bem de boa lá no topo enquanto almoçava e admirava a paisagem sem uma viva alma em volta.
       

       
      A possível continuação da trilha estava fechada, então tive que descer. Atravessei a extensa floresta carbonizada, resultado de um incêndio de grande proporção causado por um israelense em 2012, fato que motivou a proibição de fogueiras no parque.
       

       
      Novamente no final da tarde, cheguei ao acampamento. Depois do jantar provamos o excelente licor de calafate que tínhamos comprado na fronteira, recomendo!
       
      Como não havia árvores no camping, o vento soprava mais forte, tanto que praticamente destruiu nossa outra barraca.
       
      Distância percorrida no dia: 23 km.
       
      5° dia
       
      Esgotado das noites mal dormidas e caminhadas sem fim, partimos para o terceiro e esperado último dia de trilhas.
       
      Um aviso de amigo, não experimentem brincar com a flor da foto abaixo. Isso me custou um bocado de tempo para conseguir remover os espinhos que grudam individualmente na roupa.
       

       
      Continuando, avistamos belos icebergs na borda do Lago Grey, sinal de que a geleira estava se aproximando.
       

       
      E foi bem isso. Um pouco depois chegamos ao mirador do Glaciar Grey, onde a longuíssima geleira avança sobre o lago de mesmo nome e sobre uma ilha que a contém.
       

       
      Naquele momento, decidimos que não iríamos até o refúgio Grey, pois o horário do barco não era compatível com o nosso. Assim, voltamos até o Paine Grande e descemos até o acampamento Las Carretas, um dos trechos menos frequentados do parque e já fora do circuito W.
       

       
      Apesar das belas paisagens iniciais, a maior parte dos 17 km seguintes seria bastante monótona, uma pradaria sem fim, com poucas aves passando. Ao menos o trajeto era plano.
       

       
      Ao chegar ao camping desprovido de qualquer infraestrutura, a decisão mais difícil: ter outra péssima noite ali ou arriscar seguir caminho e conseguir carona para voltar à outra portaria onde estava o carro, há quase 50 km dali? Escolhemos a segunda opção. Chegamos à sede do parque onde passava a estrada, mas os poucos veículos que passavam em sentido norte naquele fim de dia eram transportes dos hotéis. Com isso, tivemos que pedir clemência ao responsável pela sede, um senhor que nos deixou acampar ao lado do prédio que fica na margem do Lago Toro. O senhor foi tão gentil que até me passou a senha do wifi, e eu pude avisar para minha mãe que ainda estava vivo.
       
      Improvisamos um conserto para que a segunda barraca pudesse passar sua última noite conosco antes de ir dessa para melhor. Os únicos ruídos dessa noite foram dos ventos uivantes e dos roncos do Vini.
       
      Distância percorrida: 29 km. Total: Cerca de 78 km, com um baita peso nas costas e elevações constantes de 50 a 850 metros!
       
      6° dia
       
      Começamos bem o dia. O segundo carro que passou, com um simpático casal de italianos, deu carona para nós e para nossas mochilas até a portaria do parque.
       
      Uma hora depois lá estávamos de volta. Juntamos os últimos 8 dólares que tínhamos para pagar o translado até o hotel para eu retirar o carro.
       
      No caminho até a fronteira, flagramos um bando de condores andinos.
       

       
      Depois do almoço e e da aduana, voltamos por um atalho de estrada de chão, frequentado mais por animais do que humanos.
       

       
      De volta à cidade no meio da tarde, fomos direto para o Parque Nacional Los Glaciares. O parque, pago, consiste em uma estrada que costeia um rio até a principal atração de El Calafate, o Glaciar Perito Moreno.
       
      Plataformas te deixam bem próximo da geleira, a ponto de ver e ouvir com clareza os pedaços de gelo se partindo e desabando na água.
       

       
      As colunas de gelo de 60 m de altura que se estendem por até 5 km e que crescem e se despedaçam constantemente, são mais uma paisagem indescritível, especialmente durante o pôr-do-sol.
       

       
      Quando saímos do parque já anoitecia. A quantidade de lebres que passa pela estrada é surpreendente. Especialmente pela rota 60, que é de chão em meio a fazendas. Cruzamos por dezenas delas, felizmente nenhuma atropelada.
       

       
      Eu e Vini dormimos no mesmo hostel de antes, enquanto que Raquele, que ficaria mais um dia na cidade, foi para outro.
       
      7° dia
       
      Cedinho pegamos o voo para Ushuaia, ou “Uçuaia”, como dizem os argentinos. Peguei umas dicas valiosas no centro de informações do aeroporto e, claro, carimbei meu passaporte com o selo do fim do mundo.
       
      Como Ushuaia é uma zona franca, as coisas custam consideravelmente mais barato que em El Calafate. Sendo assim, consegui finalmente almoçar de verdade, no restaurante El Turco, que fica na principal avenida do centro, a San Martín. Ushuaia não tem o mesmo charme de El Calafate, mas ainda assim é agradável. Dentro das construções climatizadas, claro, pois os ventos e baixas temperaturas limitavam as caminhadas, sobretudo em dias nublados e à noite.
       

       
      Reservamos o passeio pelo Canal de Beagle, escolhendo o de 750 pesos, que passava pelas ilhas dos passeios padrão e mais a dos pinguins. Estava um pouco receoso pelo alto custo, mas posso dizer que valeu muito a pena. O passeio de quase 7 h começa passando por ilhotas cobertas de colônias de aves, principalmente o cormorão, que à distância parece um pinguim. Além destes, há gaivotas, trinta-réis, albatrozes, entre outras espécies menos frequentes.
       

       
      Pouco à frente fica a Ilha dos Lobos Marinhos, que abriga algumas dezenas desses animais tranquilos.
       

       
      Continuando, se passa pelo Farol Les Eclaireurs e mais outro bando de aves iguais continuando por um bom trecho sem ilhas, com raros povoados no lado argentino do canal e o vilarejo de Puerto Williams, que disputa com Ushuaia o título de cidade mais austral do mundo, e talvez não o seja pelo fato da população ter menos de 3000 habitantes, sendo a maioria militares e pescadores.
       

       
      Em seguida a embarcação passa por uma estrutura geológica formada na glaciação, e após contorná-la, chega ao destino final, a Ilha Martillo, mais conhecida como Pinguinera.
       

       
      Incontáveis pinguins-de-magalhães se reúnem nesse pedaço de terra como parte do seu ciclo de vida, e nos brindam com essa exibição incrível. Junto a eles aparecem algumas aves oportunistas, como escuas e urubus, além de 2 outras espécies de pinguim: o Papua, que é a ave mais veloz na água, e o Rei, que é mais raro e maior que os outros que passam por lá.
       

       
      Quem tem muita sorte, como a Raquele que foi no dia seguinte, consegue ver alguma baleia pelo meio do canal. Para os demais, resta o longo retorno assistindo documentários sobre a Terra do Fogo e os pinguins na cabine climatizada, ou então babando no sofá como meu amigo.
       
      À noite, eu e Vini jantamos em um lugar animado da Av. San Martín chamado Chester. Comi eu queria muito comer queijo Roquefort, uma iguaria barata na Argentina, pedi uma pizza de 4 queijos só para mim, já que ele não queria. Enquanto comíamos e tomávamos a ótima cerveja vermelha da marca local Beagle, passava um pot-pourri de clipes de rock das décadas passadas. É um bom lugar para um esquenta.
       

       
      Retornamos em seguida ao bom hostel Yakush para dormir em seus colchões moles.
       
      8° dia
       
      Às 10 h pegamos o transporte que sai de hora em hora da estação rodoviária para o Parque Nacional da Terra do Fogo. Duzentos pesos para ida e volta e mais 100 para entrada no parque.
       
      Começamos pela trilha que segue pela costa da Baía Lapataia, em meio às 3 espécies de árvore do gênero Nothofagus, as mesmas que havia em Torres del Paine. Não possuía grandes novidades, além de alguns passarinhos, chumaços de algas-pardas, mexilhões e grãos de areia acinzentados.
       

       
      Em meio à trilha estávamos morrendo de calor pela quase ausência de vento, mas quando fomos para as demais o tempo virou. Veio uma brisa do capeta e uma chuva bem chata.
       
      Uma das trilhas levava até um observatório de aves, embora nenhuma nova naquele dia. A outra até uma turfeira gigante, causada pela matéria orgânica lentamente sendo decomposta no frio e umidade do lugar.
       

       
      A última trilha nos mostrava o estrago causado pelos castores, resultado de mais uma introdução de espécie exótica desastrosa. A castoreira represa a água em um ponto e alaga uma baita área, onde morrem essas árvores de lento crescimento.
       

       
      Retornando, ainda tivemos sorte de observar uma raposa se alimentando.
       

       
      Nosso transporte de volta sairia às 19 h, como ainda tinha um bom tempo fomos até a cafeteria que ficava um pouco distante. Chegamos às 18:05 h, e para nossa surpresa, já estava fechada! Assim, tivemos que aguardar na sarjeta junto com um chinês maluco que ficava fotografando cavalos em atividade de cópula a nossa frente.
       
      No retorno ao hostel conhecemos uma dupla de brasilienses, Edgar e Conceição. Tentamos ir a um pub, mas o lugar não aceitava cartão de crédito, estava cheio e era quente demais. Com isso, eu e Vini jantamos no mesmo lugar da outra noite e depois degustamos um bom vinho que a dupla nos ofereceu no albergue, enquanto o staff reclamava o tempo todo da nossa conversa que beirava uns 50 decibéis. Apesar desse cara chato, a ruiva da manhã é bastante simpática.
       
      9° dia
       
      Vini partiu de manhã cedo de volta ao Rio.
       
      Depois de um café-da-manhã reforçado, lamentavelmente sem frutas como no albergue anterior, saí para uma caminhada. Infelizmente escolhi o dia errado para as compras, pois no domingo a maioria das lojas, inclusive as de equipamentos de aventura, estava fechada. Consegui apenas comprar souvenires e ir ao supermercado pegar um bocado de alfajores de 4 pesos cada.
       
      Na ida para o almoço, encontrei Raquele voltando de um passeio e ela encontrou outra brasileira que tinha conhecido na viagem. Fomos os 3 almoçar no Banana Bar. O lugar também sai bem em conta, mas precisa urgentemente de mais de uma garçonete para atender todo mundo. Provei a outra marca de cerva, a Cape Horn. Boa, mas ainda fico com a Beagle.
       

       
      No retorno, pausa para um chocolate quente. Depois disso fiquei matando o tempo no albergue, pois estava cansado para ainda visitar o Cerro Martial, a outra atração da cidade, e sem dinheiro vivo para os museus. Peguei o táxi e quando fui embarcar descobri que tinha uma maldita taxa de 28 pesos separada da passagem para pagar em dinheiro.
       
      USH-AEP, EZE-POA e finalmente de volta direto ao trabalho!
       

       
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