“As câmeras fotográficas foram inventadas para lugares como este”. Essa frase não saia da minha cabeça durante minha viagem para a enigmática Patagônia chilena e argentina. As incríveis montanhas de mais de 3.000m de altitude com o cume coberto de neve, a vegetação rasteira e os animais exóticos deixaram meus sentidos confusos com tanta beleza. Como um lugar desse existia há menos de 4 mil quilômetros da minha cidade e eu não tinha planejado uma viagem para lá antes?
Eu acabei de voltar de lá e, como tirei deste site grande parte das dicas que foram muito úteis na minha viagem, resolvi escrever um post bem atualizado contando como foi minha aventura. Já aviso que eu gosto muito de escrever, então meu relato acabou ficando enorme, repleto de detalhes e impressões minhas.
Se você é uma pessoa corrida/chata/impaciente/sem coração e não tem tempo para ler sobre minha viagem por completo, pule direto para as dicas ao final que estão separadas por cidades. Prometo que vou tentar não ficar chateada. Também coloquei ao final um resumo dos gastos que tive.
INTRODUÇÃO:
A Patagônia é uma região de quase 800 mil quilômetros na América do Sul. A natureza foi muito, mas muito generosa com essa pontinha do mundo, proporcionando diversas paisagens de tirar o fôlego. Eu optei por conhecer a sua parte sul, passando por cidades do Chile e da Argentina.
O roteiro completo foi: Curitiba > Santiago > Punta Arenas > Puerto Natales > El Calafate > El Chaltén > Puerto Natales > Santiago > Curitiba.
Planejei muito essa viagem durante o ano de 2015 todo. Tem viagens que exigem uma preparação mais extensa e detalhada para que você possa gastar o mínimo e aproveitar o máximo. Só de academia eu fiz cinco meses (eu não pisava em uma desde 2012 e meus finais de semana consistiam em maratonas de 10 horas de Netflix) para garantir que eu conseguisse atingir meu objetivo de chegar até o pé das Torres do Parque Nacional Torres del Paine.
A primeira vez que eu ouvi falar nesse parque foi em outubro de 2014. Por mera coincidência eu acabei encontrando o Instagram de um americano chamado Jedidiah Jenkins (@jedidiahjenkins), que havia largado um emprego que amava para pedalar aproximadamente 11.250 km entre o Oregon-US até Torres Del Paine no Chile. Eu acompanhei o final da aventura dele e fiquei muito surpresa com as lindas fotos que ele postou da Patagônia. Que lugar maravilhoso era aquele?
Vídeo “The Thousand Year Journey: Oregon to Patagonia”, em que Jed explica os motivos que o levaram a encarar essa aventura.
Eu parei tudo que estava fazendo para procurar informações sobre aquele destino magnífico no Google. Em uma fração de segundo, a doença que acometeu o americano de trinta anos e o incentivou a atravessar metade do mundo inexplicavelmente também me infectou. A partir daquele momento eu tinha a certeza de que iria conhecer Torres Del Paine.
Comprei minhas passagens só em agosto de 2015 e, como eu só falava na viagem, acabei convencendo meu namorado, meus pais e mais uma família de amigos deles a viajarem junto comigo. Ao total seriamos sete viajantes, sendo que eu montei toda a programação e fiz todas as reservas.
Em 22 de dezembro chegamos em Santiago (pegue assentos na janela porque o avião passa por cima da cordilheira dos Andes e vale muito a pena poder ver e tirar fotos). Santiago é uma cidade maravilhosa, mas se eu for detalhar minha estadia lá esse texto vai ficar tão grande que se eu imprimir fica maior que a compilação dos livros de O Senhor dos Anéis.
PUNTA ARENAS
Meu primeiro contato real com a Patagônia foi com a chegada na cidade Punta Arenas em 25 de dezembro de 2015. Meu vôo da Sky partiu de Santiago com escala em Puerto Montt e pousou no Aeroporto Internacional Carlos Ibáñez del Campo. Lembro de ter colado meu rosto na janelinha da aeronave como uma criança e observado pela primeira vez a linda e pitoresca paisagem patagônica. A primeira impressão já foi de deslumbramento, mesmo lá do alto eu podia ver o profundo contraste entre o azul dos lagos com o verde musgo da vegetação rasteira, o branco da neve e o cinza granito das montanhas.
Se você quer economizar nas passagens, a Sky foi uma companhia aérea boa. Foram pontuais e a passagem estava 200 reais mais barata do que a da Lan. O único problema é que a passagem não é reembolsável. Comprei pela agência de turismo de Curitiba Rota Sul (fale com Ernesto (41) 9621-8538).
No voo de ida marque seus assentos na janela, do lado esquerdo do avião (quando você entra na aeronave pela frente, são as poltronas ao seu lado direito, normalmente de letras A,B,C). A vista vai compensar ficar acordado, especialmente quando o avião passa por cima das montanhas. O mesmo vale para a volta para Santiago, mas daí marque do outro lado (poltronas D,E,F). Não esqueça de comer bem antes de sair de Santiago ou de levar bolachas porque nem a Lan nem a Sky servem refeição neste vôo.
Desembarcamos quase que correndo e em tempo recorde eu, meus pais e meu namorado já estávamos no carro alugado partindo em direção à cidade (selecionei algumas informações sobre aluguel de carro na parte de dicas). O choque entre o sul do Chile e sua capital já era evidente, aqui tudo parecia acontecer um pouco mais devagar. Os carros eram mais antigos e as casas mais rústicas, com janelas enormes e telhados coloridos. Os habitantes pareciam mais interessantes, com um certo ar de mistério. Como será que era a sensação de morar em um lugar tão afastado e selvagem?
A cidade é bonita, às margens do estreito de Magalhães. Foi fundada em 1848 e mais de 50% da população é descendente de croatas. Eu repetia: estamos na Patagônia!, estamos na Patagônia!, estamos na Patagônia!. Repeti tanto que virou uma música, cantada a plenos pulmões em meio a cidade pelo nosso grupo: “Estamos da Patagônia-ônia-ônia-ônia! Estamos da Patagônia-ônia-ônia-ônia!”. Gostamos tanto que acabou se tornando o jingle da viagem, cantado e dançado em todas as cidades e todos os dias. Somos estranhos, eu sei.
Os carros que alugamos também foram uma história à parte. Eram dois Toyota Corollas XEI brancos com mais ou menos 70 mil quilômetros cada. Eles estavam tão judiados, mas tão judiados, que apelidamos eles de o “Podrão” e o “Podrinho”. O Podrão tinha o pára-choque traseiro solto e o para-choque do Podrinho estava preso ao resto do carro com uns lacres plásticos, merecendo o título de o carro mais inteiro. Os carros, ao final, acabaram mostrando seu valor, sendo que não nos deixaram na mão nenhuma vez a viagem toda, enfrentando kms e mais kms em estradas de rípio.
Achei que compensou muito fazer uma breve pesquisa sobre quem foi Magalhães e sobre a viagem de Darwin pelo HMS Beagle porque deu um contexto bom para a região. Coloquei um resuminho ao final do texto, após as dicas, para você impressionar os amigos ou parentes durante a viagem.
Na cidade, repare nas árvores redondas, verdes e cheias de folhas que estão plantadas por todos os lados. Nunca vi árvores como aquelas antes. Também repare nas flores Lupinos, que são típicas dos andes. São flores compridas, normalmente de cor roxa, azul ou rosa e são muito bonitas. Estão por toda a Patagônia e a Terra Del Fuego e vão render lindas fotos.
Nessa primeira noite já tivemos a primeira experiência patagônica inesquecível: o sol se põe às 22h30. Tirei milhões de fotos do céu ainda completamente iluminado pelos raios solares às 22 horas. Eu estava indo dormir e o sol ainda reinava, alongando quase infinitamente o dia. A sensação era diferente, sendo que o dia parecia durar mais, ou seja, parecia que você fazia mais coisas em um único dia, estando consequentemente mais cansado. Mas, também, era maravilhoso ter tanto tempo para passear e fazer turismo.
No dia seguinte andamos mais pela cidade, fizemos umas comprinhas de lembrancinhas típicas da região e fomos até a zona franca dar uma olhada no free shop só para ficarmos decepcionados porque não tinha nada de interessante.
Às 16 horas eu e o Con pegamos um ônibus da Buses Fernandez para Puerto Natales (mais infos nas dicas). A viagem demorou aproximadamente 3 horas (217km) e o Con dormiu a maior parte do tempo (como sempre). Eu não consegui dormir quase nada e aproveitei para observar cuidadosamente a paisagem que ia passando na minha janela, tentando memorizar cada mínimo detalhe.
PUERTO NATALES E O PARQUE NACIONAL TORRES DEL PAINE
Puerto Natales é uma cidade muito aconchegante e a chegada de ônibus rende fotos bonitas. Ela foi um dos maiores portos da indústria chilena de lã, enviando mercadoria para o mundo todo.
Quando chegamos, já compramos com a Buses Gomez na própria rodoviária a passagem para o Torres del Paine para o dia seguinte. Depois passamos no mercado (bem no centro, na rua Manuel Bulnes na frente da loja com um outdoor da Salomon) e fomos à pé para nosso hostel, o Adventure Patagonia. Gostamos muito do quarto e da estrutura. Alugamos lá mesmo os sacos de dormir térmicos da marca italiana Ferrino (temperatura de conforto -4º e peso de 1kg e pouco) e estavam em excelentes condições. Comemos um frango assado que compramos no mercado (típico de um bom farofeiro!) com vinho delicioso late harvest da vinícola Carmen e fomos dormir.
Acordamos cedo e pegamos um taxi junto com um espanhol para a rodoviária (preço fixo de 1.500 pesos – demorou apenas 5 minutos). Nosso ônibus para o Parque Nacional Torres del Paine saía às 7h30. A entrada no veículo chega a ser caótica porque são muitos mochileiros tentando enfiar a mochila no bagageiro sem ordem alguma. Empurrando um gringo ruivo pro lado soquei meu mochilão e o do Con e subimos no ônibus.
No caminho percebi que o dia estava absolutamente lindo e, assim que entramos na estrada de rípio com guanacos pulando na frente do ônibus como loucos é que percebi a benção que tínhamos recebido. Não havia uma única nuvem no céu. Nos aproximados da entrada do parque e pela primeira vez eu consegui ver as torres de longe. Elas estavam lindas, imponentes e complemente abertas.
Aquele passeio havia sido o motivo da viagem e bem no dia que eu tinha programado a subida o tempo estava maravilhoso, contrariando a previsão de chuva. O clima patagônico é famoso por suas viradas, mas eu jamais esperava um dia tão lindo em um lugar que o tempo é tão imprevisível.
O ônibus parou na portaria Laguna Amarga umas 2h depois de sair da cidade. Aqui o celular já não tinha mais sinal. Pagamos a taxa de 18 mil pesos chilenos para entrar no Parque, assistimos o vídeo que é obrigatório e fomos ao banheiro.
Tivemos um susto porque o local que pretendíamos acampar (o campamento Torres, que é de graça para a felicidade dos mãos de vaca) estava lotado até o dia 30 e não sabíamos se haveria vaga no refúgio Chileno para montar nossa barraca. A moça disse que ela não tinha como confirmar, sendo que eu deveria perguntar direto lá no Chileno.
Pegamos, então, outro ônibus para o hotel Las Torres por uns 2.000 pesos (é um ônibus branco que fica parado por lá esperando encher). Se você pesquisar na internet, vai ver que indicam para aqueles que vão fazer o W (75km ao total) começar pelo lado da geleira Grey. Se você quiser fazer isso, pode voltar para o mesmo ônibus que você veio da Buses Gomez que ele ainda vai parar no Pudeto e na Administração do parque. Desça no pudeto e pegue o catamarã que vai te levar pelo lago Pehoé até a Guarderia Paine Grande e o Refúgio Paine Grande.
Desembarcando do outro ônibus nos preparamos para a trilha: passamos protetor solar, arrumamos as mochilas, abri os bastões e caminhada e logo começamos a andar. O ônibus deixa os passageiros exatamente do lado dos refúgios da Fantastico Sur chamados de Torres Central e Torre Norte, então caminhamos um pouco através de um acampamento até chegar no hotel. Já dali conseguíamos avistar as torres lindas e encobertas nos esperando.
A trilha começava ali, do lado de uma vendinha de refrigerantes e lanches. Não tem erro, vá seguindo os outros 300 mil mochileiros que você logo acha o caminho. Você começa andando reto, daí tem uma descida e atravessa a primeira das diversas pontes sobre o rio Ascendio que iriamos cruzar no trajeto. A partir da ponte o caminho é só de subidas e mais subidas. Como não tínhamos nem alongado antes achei bem difícil “pegar no tranco” no início e senti muito o sol batendo na cabeça e a mochila pesando nas costas. A trilha estava cheia, repleta de turistas das mais diversas nacionalidades. Eles iam passando e dizendo, com um sorrisinho simpático: “hi!”, “hola!”, “oi!”. Tinha grupos de idosos, grupos de jovens, mulheres sozinhas, homens sozinhos, crianças e grupos de subiam a cavalo (trapaça!). Fizemos pausas para água e alimentação, sendo que a cada uma a vista ficava cada vez mais bonita devido à altitude que estamos ganhando.
Dica de amiga: amei ter levado aquele gel repositor energético. Se funciona mesmo ou se é efeito placebo, não sei. Só sei que me senti melhor e mais disposta depois de tomar.
Chegando no topo da para ver o vale no meio das montanhas por onde a trilha continuava. Foi um alívio a mudança de cenário e a diminuição no número de subidas. Agora caminhávamos quase que reto, paralelamente a um desfiladeiro de pedras que levava até o rio Ascendio bem lá em baixo.
Nesse trecho a dificuldade das subidas foi substituída pelo temor de pisar em falso e despencar ladeira abaixo. Alguns trechos são realmente perigosos, em que o tráfego de turistas é alto e a trilha é estreita, repleta de pedrinhas soltas e sem qualquer parapeito. Como eu estava aliviada com o fim das subidas nem me preocupei muito com a altura, o que é um milagre considerando que normalmente tenho pavor. Outro fator que contribuía para uma caminhada tranquila era a ausência dos famosos e temidos ventos patagônicos, que pelo que li de relatos de outros viajantes nesse trecho podiam incomodar muito.
Nessa parte eu já dava graças a Deus por ter investido em bastões de caminhada. O Con, que no brasil achou exagero, acabou emprestando um dos meus bastões porque sentiu falta na trilha (há!!!). Por lá quase todo mundo usa. Eu gostei muito dos meus, achei super firmes, leves e confiáveis (modelo Trail Back da Black Diamond comprados nos EUA). Vale muito a pena levar um par!
Seguimos passando por lindas cachoeiras de águas cristalinas até finalmente chegarmos no refúgio Chileno, que é praticamente um oásis no meio da vegetação seca porque ele fica às margens do rio Ascendio, em um lugar tranquilo e repleto de árvores. Para nosso alívio eles tinham várias vagas para montar barraca, então foi tranquilo. Pagamos a taxa de 7.500 pesos e ganhamos uma etiqueta com a data do dia que nos liberava para acampar. Você cola esse adesivo no fio externo da barraca para conferência dos fiscais.
Seguindo a vontade do Con, montamos nossa barraca ao lado do rio, com uma vista direto da pontinha das torres. Se você deitasse dentro da barraca e abrisse a porta, conseguia ver diretamente o rio, as árvores e bem ao fundo as montanhas nevadas, uma vista que nenhum hotel cinco estrelas teria. O problema era que não era possível deixar a porta da barraca aberta ou milhões de mosquitos invadiriam nosso acampamento. E tinha muito mosquito mesmo, de dar nervoso até. E não eram mosquitos normais como os que temos por aqui no Brasil. Pareciam moscas que tomaram muito Whey Protein e triplicaram de tamanho. Elas não picavam, mas incomodaram o caminho inteiro batendo no meu rosto e zumbindo no meu ouvido.
Trancamos nossa barraquinha com um cadeado, repusemos um pouco as energias com barras de cereal, água fresquinha coletada do rio e mais um gel de energia para reposição de eletrolítica e seguimos nosso caminho. Se você está em dúvida se pode mesmo tomar água do rio, eu garanto que pode sim. Tomamos MUITA água do Ascendio sem clorin nem outro método de purificar e era fresquinha, limpa e nenhum de nós passou mal.
Nesse momento algumas nuvens começaram a surgir no céu e um pequeno desespero bateu: imagina se as torres ficam encobertas na hora de eu chegar? Apressei o Con e lá fomos nós caminhar.
Do refúgio chileno a trilha continua agora um pouco mais úmida. Você passa pelo meio do acampamento cheio de barracas de todas as cores e tamanhos, cruza um riacho pisando cuidadosamente em algumas pedras estrategicamente posicionadas e entra em uma floresta. Cheia de pontes, subidas e descidas em meio a muita lama e neve congelada, achei essa uma das partes mais legais e bonitas do caminho. A diferença do meu rendimento sem a mochila e sem o sol forte na cabeça mudou muito e caminhamos esse trecho bem rapidamente, incluindo pausas para fotos.
Essa parte da trilha é longa e cruzamos com muitos turistas que já estavam voltando. Algumas vezes a lama era tanto que agradeci muito também pelo investimento financeiro em uma bota maravilhosa de trekking (marca Salomon, modelo Conquest GTX feminina), que manteve meu pé seco e limpo mesmo quando eu enfiava o pé inteiro na água ou no barro. A Vento Finisterre do Con também deu conta do recado.
Esse trecho termina no Campamento Torres, que marca o início da pior parte do trajeto todo, o último quilômetro. Você vai subindo em meio a pedras enormes soltas e, como não tem mais muitas árvores, o sol voltou a incomodar. É como se fosse uma escada de 1 quilômetro com degraus enormes que pedem muito dos joelhos e pernas. Eu comecei a sentir dor no meu joelho direito e fizemos pausas para descansar. Dava até um desespero ao olhar para cima e ver pessoas lá em cima, pensando em todo o percurso que teríamos que percorrer para chegar lá. Percebi que essa parte estava sendo difícil para quase todo mundo, sendo que encontramos várias pessoas sentadas descansando com o rosto vermelho e uma expressão clara de fadiga. Uma mulher inclusive subia amaldiçoando o marido que convenceu ela de ir hahaha
Ao chegar na parte superior você já consegue ver as torres e isso só alimentou meu ânimo. Eu era uma pessoa completamente diferente da que estava morrendo para subir, estava em êxtase agora que o topo estava muito próximo e chegar nele havia se tornado uma certeza. Meu joelho, que antes incomodava muito, agora estava sendo completamente ignorado enquanto eu subia pedra e mais pedra. Logo passamos a última flecha indicando o caminho e chegamos ao miradouro Base Torres. Eu estava em êxtase, dançando, rindo, abraçando o Con e tirando muitas fotos.
Lá estavam elas, as Torres del Paine! Gigantes de 2.884 metros de granito olhando diretamente para mim com toda sua imponência e infinitude. Depois de tanto planejamento e espera eu finalmente havia conseguido!
Mesmo tendo visto milhões de fotos das torres enquanto eu planejava a viagem, a beleza delas ao vivo é inigualável. Você sente a poderosa energia do lugar vibrando pelo seu corpo assim que chega no miradouro e tem certeza de que aquele lugar é especial.
Eu sentia uma conexão mágica com as torres. Parecia que elas sabiam o quanto eu queria fazer essa viagem e o quanto esperei para vê-las pessoalmente, que compreendiam a atração quase que magnética que exerciam sobre mim. Naquele momento éramos cúmplices, rindo da dificuldade da longa subida e do meu cansaço.
Hoje, já de volta no Brasil, ainda sinto essa conexão com a Patagônia e com as Torres. A vontade de estar lá só intensificou e o desejo de voltar e completar todo o circuito W é uma realidade.
Ficamos lá por mais ou menos quarenta minutos, tirando milhões de fotos, colocando a mão na água gelada do lago que se formou na base das torres e aproveitando o momento. Tentei absorver tudo daquela vista privilegiada, cada pedrinha, cada gota de água e cada floco de neve. Não podíamos ficar muito tempo mais porque tínhamos uma longa descida e não havíamos trazido lanterna caso escurecesse.
Iniciamos a descida e foi um pouco cansativo, considerando o esforço que havíamos feito para subir. Para ajudar a passar o tempo, voltamos listando as coisas que mais queríamos naquele momento: banho quente em banheira de hidromassagem, taça de vinho, massagem shiatsu de uma hora, a próxima temporada de Game of Thrones. Também passamos um bom tempo conversando sobre o que esperávamos do próximo filme de Star Wars que sai em 2017. Moral da história: você pode até tirar o nerd do sofá e levar ele passear na montanha, mas ele vai continuar sendo nerd até no meio de uma trilha de 18 quilômetros.
Logo chegamos na nossa barraca, entramos e nos jogamos sobre os isolantes térmicos, exaustos, mas muito felizes. Tomamos um notório “banho de gato” com lenços higiênicos e trocamos para roupas secas e mais quentinhas. Prepare-se que o banheiro disponibilizado no camping estava absurdamente nojento, mas pelo menos tinha papel higiênico. Entramos no saco de dormir e não tivemos tempo de mais nada, o cansaço tomando conta e trazendo o sono bem rápido.
Eu acordei à 1 hora da madrugada assustada com o barulho inconfundível de chuva, muita chuva. O que eu ainda não contei é que nossa barraca era uma Nautika Falcon 3 de 200 reais, uma barraca bem simples de 3 estações com somente 800mm de coluna d’água e 2,4kg de peso.
Sabendo das limitações da nossa querida barraquita, eu e o Con fizemos questão de caprichar na montagem. O chão era meio rochoso, então usamos pedras para empurrar as estacas e fixamos as cordinhas nas árvores e em pedras grandes. O sobreteto ficou muito bem esticado e foi a nossa sorte porque a barraca da menina que estava ao lado não resistiu à chuva e desabou durante a noite.
De repente, um pensamento inusitado cruzou minha cabeça. E se o rio subisse com tanta chuva? Eu cutuquei o Con com medo: “Con, acorda, ta chovendo”. Ele: “humm”, virou para o lado e voltou a dormir. Daí eu cutuquei de novo: “E se o rio subir? Ta chovendo muito”. Dessa vez ele abriu um olho, respirou fundo e me garantiu que não ia subir. Brincou, de bom humor, que se subisse a água ia levantar a barraca e nos levar direto lá para baixo da montanha, sendo que economizaríamos as últimas 3 horas de trilha. Virou para o lado com um sorriso e capotou novamente.
Não sei dizer quantas vezes eu acordei naquela noite, morrendo de medo de o rio subir ou da barraca cair, amaldiçoando a idéia do Con de ter montado a barraca bem do lado do rio e rezando para a chuva passar. Não foi a melhor noite que eu tive na vida e nem a do Con, considerando todas as vezes que acordei ele falando que a tal da água do rio ia subir.
E adivinhem? Abri a barraca no dia seguinte quando acordei e a porcaria do rio não tinha subido nenhum centímetro. NEM. UM. CENTÍMETRO. O dia estava chuvoso e frio, sendo que o saco de dormir foi muito bom, me mantendo aquecida durante a noite.
Levantamos, fomos ao banheiro e eu não resisti o café da manhã do refúgio quando vi que tinha ovo mexido quente. Considerei um presente depois da noite ruim que eu tive (custou 8.000 pesos pagos na hora sem precisar reservar). Tomando café eu vi uma placa avisando que o Chileno agora tem WiFi pago e, como a mãe do Con estava nervosa lá no Brasil com nossas aventuras, compramos 30 minutos para mandar notícias.
A descida foi mais fácil do que imaginei. No começo as pernas cansadas do dia anterior demoraram um pouco para se acostumarem com mais caminhadas, mas logo pegamos ritmo e, como era 90% descida, acabamos indo bem rápido. Logo estávamos cruzando a última ponte sobre o rio Ascendio em direção ao hotel Las Torres e deixando para trás um paraíso do qual nunca vou esquecer.
A sensação ao sentar nas escadas do hotel para esperar meus pais foi de missão cumprida. Um leve arrependimento sobre não completar todo o Circuito W pairou no ar, mas não deixei tirar o brilho do momento. Desde o começo meu objetivo principal foi a subida até as torres e não havia tempo suficiente para fazer o W todo enquanto meus pais esperavam em Puerto Natales. A decisão já havia sido tomada e agora só me restava esperar pelo Podrão e o Podrinho.
Meus pais se atrasaram um pouco para vir nos buscar porque haviam pego uma bifurcação errada na estrada (não tinha placa) e demoraram muito para retornar. A demora não importava, estávamos muito felizes de nos encontrarmos novamente. Para o horror da minha mãe, sentamos todos na escada bem na frente do hotel Las Torres para comer os sanduíches que eles haviam trazido. Compramos refrigerantes e sucos gelados e almoçamos por ali.
Pegamos os carros então e seguimos pelo parque. Era uma pena que as torres, naquele dia, estavam totalmente encobertas. Voltamos até a Laguna Amarga e viramos em direção ao mirador Nordernskjöld. A estrada continua sendo de rípio, o que limita a velocidade do carro, mas o passeio foi muito bom. Meu pai cansou só de dirigir tanto tempo no rípio porque eles haviam saído cedo e só voltamos para a cidade bem no final da tarde.
Em um dos miradouros, não sei qual, havia uma ponta de pedras brancas perto de um dos lagos lá em baixo. Eu, o Con e a Renata saímos correndo e tiramos fotos lindas lá. Não sei se era permitido, mas foi muito divertido.
O passeio completo foi maravilhoso e, se você não estiver de carro, pode comprar o mesmo passeio em qualquer hostel ou agência de turismo em Puerto Natales (se chama “Full Day Paine”). Se preferir fazer de carro, fora a estrada de rípio que é péssima para dirigir, não vai encontrar muitas dificuldades e vai poder fazer o trajeto com mais calma. Não tem jeito de errar já que é uma estrada única, sem grandes bifurcações.
Resumindo nosso trajeto: entre pela portaria Laguna Armarga, vá em direção ao mirador Nordernskjöld/mirador Sarmiento/Laguna Redonda/Guarderia Pudeto e não ao Hotel Las Torres. Passe pelo Pudeto, vá até Salto Grande, volte ao Pudeto e siga para a Hosteria Pehoé, o Mirador Cóndor e o Salto Chico Rio Paine. Depois você sai do parque pela Porteria Serrano e volta para Puerto Natales.
Não deixe de parar em todos os miradouros que ver no caminho e, em especial, quando chegar na Guarderia Pudeto, que tem uma cafeteria onde você pode lanchar ou ir ao banheiro, vá até a cachoeira Salto Grande. Em vez de continuar na estrada você sobe um morro, sendo que há placas indicando. Lá estacione onde houver vaga e vá caminhando até a cachoeira e até pelo menos o início da trilha dos Cuernos del Paine. Se você tiver tempo e disposição, é uma trilha de 1 hora que promete vistas lindas dos Cuernos e vale a pena.
Nesse trecho reparei no número de árvores brancas e secas que compõe a paisagem. Até hoje fiquei em dúvida se elas são assim mesmo, ou se foram destruídas no incêndio causado por turistas de Israel que queimou 18 mil hectares do parque em 2012 (sim, eles foram presos… não, o parque ainda não se recuperou e talvez nunca mais se recupere).
Continuando nosso caminho, paramos para uma foto rápida na ponte que leva até a Hosteria Pehoé e acabou sendo uma das minhas vistas preferidas do dia. Depois, seguimos pela estrada até a Porteria Serrano e seguimos as placas de volta para Puerto Natales.
O que deu um toque muito especial para o passeio foi a cor dos lagos. A aparência azulada e opaca é graças à diversas pequenas partículas de rocha (rock flour) que ficam suspensas na água.
Naquela noite tomamos um longo banho no hostel, devolvemos os sacos de dormir e capotamos de tão cansados que estávamos.
Um passeio que acabamos não fazendo em Puerto Natales que parece ser muito legal é o que vai para o Glaciar Serrano. Um espanhol que estava hospedado no nosso hostel e dividiu o taxi conosco para a rodoviária falou que foi muito bom o passeio.
“As câmeras fotográficas foram inventadas para lugares como este”. Essa frase não saia da minha cabeça durante minha viagem para a enigmática Patagônia chilena e argentina. As incríveis montanhas de mais de 3.000m de altitude com o cume coberto de neve, a vegetação rasteira e os animais exóticos deixaram meus sentidos confusos com tanta beleza. Como um lugar desse existia há menos de 4 mil quilômetros da minha cidade e eu não tinha planejado uma viagem para lá antes?
Eu acabei de voltar de lá e, como tirei deste site grande parte das dicas que foram muito úteis na minha viagem, resolvi escrever um post bem atualizado contando como foi minha aventura. Já aviso que eu gosto muito de escrever, então meu relato acabou ficando enorme, repleto de detalhes e impressões minhas.
Se você é uma pessoa corrida/chata/impaciente/sem coração e não tem tempo para ler sobre minha viagem por completo, pule direto para as dicas ao final que estão separadas por cidades. Prometo que vou tentar não ficar chateada. Também coloquei ao final um resumo dos gastos que tive.
INTRODUÇÃO:
A Patagônia é uma região de quase 800 mil quilômetros na América do Sul. A natureza foi muito, mas muito generosa com essa pontinha do mundo, proporcionando diversas paisagens de tirar o fôlego. Eu optei por conhecer a sua parte sul, passando por cidades do Chile e da Argentina.
O roteiro completo foi: Curitiba > Santiago > Punta Arenas > Puerto Natales > El Calafate > El Chaltén > Puerto Natales > Santiago > Curitiba.
Planejei muito essa viagem durante o ano de 2015 todo. Tem viagens que exigem uma preparação mais extensa e detalhada para que você possa gastar o mínimo e aproveitar o máximo. Só de academia eu fiz cinco meses (eu não pisava em uma desde 2012 e meus finais de semana consistiam em maratonas de 10 horas de Netflix) para garantir que eu conseguisse atingir meu objetivo de chegar até o pé das Torres do Parque Nacional Torres del Paine.
A primeira vez que eu ouvi falar nesse parque foi em outubro de 2014. Por mera coincidência eu acabei encontrando o Instagram de um americano chamado Jedidiah Jenkins (@jedidiahjenkins), que havia largado um emprego que amava para pedalar aproximadamente 11.250 km entre o Oregon-US até Torres Del Paine no Chile. Eu acompanhei o final da aventura dele e fiquei muito surpresa com as lindas fotos que ele postou da Patagônia. Que lugar maravilhoso era aquele?
Vídeo “The Thousand Year Journey: Oregon to Patagonia”, em que Jed explica os motivos que o levaram a encarar essa aventura.
Eu parei tudo que estava fazendo para procurar informações sobre aquele destino magnífico no Google. Em uma fração de segundo, a doença que acometeu o americano de trinta anos e o incentivou a atravessar metade do mundo inexplicavelmente também me infectou. A partir daquele momento eu tinha a certeza de que iria conhecer Torres Del Paine.
Comprei minhas passagens só em agosto de 2015 e, como eu só falava na viagem, acabei convencendo meu namorado, meus pais e mais uma família de amigos deles a viajarem junto comigo. Ao total seriamos sete viajantes, sendo que eu montei toda a programação e fiz todas as reservas.
Em 22 de dezembro chegamos em Santiago (pegue assentos na janela porque o avião passa por cima da cordilheira dos Andes e vale muito a pena poder ver e tirar fotos). Santiago é uma cidade maravilhosa, mas se eu for detalhar minha estadia lá esse texto vai ficar tão grande que se eu imprimir fica maior que a compilação dos livros de O Senhor dos Anéis.
PUNTA ARENAS
Meu primeiro contato real com a Patagônia foi com a chegada na cidade Punta Arenas em 25 de dezembro de 2015. Meu vôo da Sky partiu de Santiago com escala em Puerto Montt e pousou no Aeroporto Internacional Carlos Ibáñez del Campo. Lembro de ter colado meu rosto na janelinha da aeronave como uma criança e observado pela primeira vez a linda e pitoresca paisagem patagônica. A primeira impressão já foi de deslumbramento, mesmo lá do alto eu podia ver o profundo contraste entre o azul dos lagos com o verde musgo da vegetação rasteira, o branco da neve e o cinza granito das montanhas.
Se você quer economizar nas passagens, a Sky foi uma companhia aérea boa. Foram pontuais e a passagem estava 200 reais mais barata do que a da Lan. O único problema é que a passagem não é reembolsável. Comprei pela agência de turismo de Curitiba Rota Sul (fale com Ernesto (41) 9621-8538).
No voo de ida marque seus assentos na janela, do lado esquerdo do avião (quando você entra na aeronave pela frente, são as poltronas ao seu lado direito, normalmente de letras A,B,C). A vista vai compensar ficar acordado, especialmente quando o avião passa por cima das montanhas. O mesmo vale para a volta para Santiago, mas daí marque do outro lado (poltronas D,E,F). Não esqueça de comer bem antes de sair de Santiago ou de levar bolachas porque nem a Lan nem a Sky servem refeição neste vôo.
Desembarcamos quase que correndo e em tempo recorde eu, meus pais e meu namorado já estávamos no carro alugado partindo em direção à cidade (selecionei algumas informações sobre aluguel de carro na parte de dicas). O choque entre o sul do Chile e sua capital já era evidente, aqui tudo parecia acontecer um pouco mais devagar. Os carros eram mais antigos e as casas mais rústicas, com janelas enormes e telhados coloridos. Os habitantes pareciam mais interessantes, com um certo ar de mistério. Como será que era a sensação de morar em um lugar tão afastado e selvagem?
A cidade é bonita, às margens do estreito de Magalhães. Foi fundada em 1848 e mais de 50% da população é descendente de croatas. Eu repetia: estamos na Patagônia!, estamos na Patagônia!, estamos na Patagônia!. Repeti tanto que virou uma música, cantada a plenos pulmões em meio a cidade pelo nosso grupo: “Estamos da Patagônia-ônia-ônia-ônia! Estamos da Patagônia-ônia-ônia-ônia!”. Gostamos tanto que acabou se tornando o jingle da viagem, cantado e dançado em todas as cidades e todos os dias. Somos estranhos, eu sei.
Os carros que alugamos também foram uma história à parte. Eram dois Toyota Corollas XEI brancos com mais ou menos 70 mil quilômetros cada. Eles estavam tão judiados, mas tão judiados, que apelidamos eles de o “Podrão” e o “Podrinho”. O Podrão tinha o pára-choque traseiro solto e o para-choque do Podrinho estava preso ao resto do carro com uns lacres plásticos, merecendo o título de o carro mais inteiro. Os carros, ao final, acabaram mostrando seu valor, sendo que não nos deixaram na mão nenhuma vez a viagem toda, enfrentando kms e mais kms em estradas de rípio.
Achei que compensou muito fazer uma breve pesquisa sobre quem foi Magalhães e sobre a viagem de Darwin pelo HMS Beagle porque deu um contexto bom para a região. Coloquei um resuminho ao final do texto, após as dicas, para você impressionar os amigos ou parentes durante a viagem.
Na cidade, repare nas árvores redondas, verdes e cheias de folhas que estão plantadas por todos os lados. Nunca vi árvores como aquelas antes. Também repare nas flores Lupinos, que são típicas dos andes. São flores compridas, normalmente de cor roxa, azul ou rosa e são muito bonitas. Estão por toda a Patagônia e a Terra Del Fuego e vão render lindas fotos.
Nessa primeira noite já tivemos a primeira experiência patagônica inesquecível: o sol se põe às 22h30. Tirei milhões de fotos do céu ainda completamente iluminado pelos raios solares às 22 horas. Eu estava indo dormir e o sol ainda reinava, alongando quase infinitamente o dia. A sensação era diferente, sendo que o dia parecia durar mais, ou seja, parecia que você fazia mais coisas em um único dia, estando consequentemente mais cansado. Mas, também, era maravilhoso ter tanto tempo para passear e fazer turismo.
No dia seguinte andamos mais pela cidade, fizemos umas comprinhas de lembrancinhas típicas da região e fomos até a zona franca dar uma olhada no free shop só para ficarmos decepcionados porque não tinha nada de interessante.
Às 16 horas eu e o Con pegamos um ônibus da Buses Fernandez para Puerto Natales (mais infos nas dicas). A viagem demorou aproximadamente 3 horas (217km) e o Con dormiu a maior parte do tempo (como sempre). Eu não consegui dormir quase nada e aproveitei para observar cuidadosamente a paisagem que ia passando na minha janela, tentando memorizar cada mínimo detalhe.
PUERTO NATALES E O PARQUE NACIONAL TORRES DEL PAINE
Puerto Natales é uma cidade muito aconchegante e a chegada de ônibus rende fotos bonitas. Ela foi um dos maiores portos da indústria chilena de lã, enviando mercadoria para o mundo todo.
Quando chegamos, já compramos com a Buses Gomez na própria rodoviária a passagem para o Torres del Paine para o dia seguinte. Depois passamos no mercado (bem no centro, na rua Manuel Bulnes na frente da loja com um outdoor da Salomon) e fomos à pé para nosso hostel, o Adventure Patagonia. Gostamos muito do quarto e da estrutura. Alugamos lá mesmo os sacos de dormir térmicos da marca italiana Ferrino (temperatura de conforto -4º e peso de 1kg e pouco) e estavam em excelentes condições. Comemos um frango assado que compramos no mercado (típico de um bom farofeiro!) com vinho delicioso late harvest da vinícola Carmen e fomos dormir.
Acordamos cedo e pegamos um taxi junto com um espanhol para a rodoviária (preço fixo de 1.500 pesos – demorou apenas 5 minutos). Nosso ônibus para o Parque Nacional Torres del Paine saía às 7h30. A entrada no veículo chega a ser caótica porque são muitos mochileiros tentando enfiar a mochila no bagageiro sem ordem alguma. Empurrando um gringo ruivo pro lado soquei meu mochilão e o do Con e subimos no ônibus.
No caminho percebi que o dia estava absolutamente lindo e, assim que entramos na estrada de rípio com guanacos pulando na frente do ônibus como loucos é que percebi a benção que tínhamos recebido. Não havia uma única nuvem no céu. Nos aproximados da entrada do parque e pela primeira vez eu consegui ver as torres de longe. Elas estavam lindas, imponentes e complemente abertas.
Aquele passeio havia sido o motivo da viagem e bem no dia que eu tinha programado a subida o tempo estava maravilhoso, contrariando a previsão de chuva. O clima patagônico é famoso por suas viradas, mas eu jamais esperava um dia tão lindo em um lugar que o tempo é tão imprevisível.
O ônibus parou na portaria Laguna Amarga umas 2h depois de sair da cidade. Aqui o celular já não tinha mais sinal. Pagamos a taxa de 18 mil pesos chilenos para entrar no Parque, assistimos o vídeo que é obrigatório e fomos ao banheiro.
Tivemos um susto porque o local que pretendíamos acampar (o campamento Torres, que é de graça para a felicidade dos mãos de vaca) estava lotado até o dia 30 e não sabíamos se haveria vaga no refúgio Chileno para montar nossa barraca. A moça disse que ela não tinha como confirmar, sendo que eu deveria perguntar direto lá no Chileno.
Pegamos, então, outro ônibus para o hotel Las Torres por uns 2.000 pesos (é um ônibus branco que fica parado por lá esperando encher). Se você pesquisar na internet, vai ver que indicam para aqueles que vão fazer o W (75km ao total) começar pelo lado da geleira Grey. Se você quiser fazer isso, pode voltar para o mesmo ônibus que você veio da Buses Gomez que ele ainda vai parar no Pudeto e na Administração do parque. Desça no pudeto e pegue o catamarã que vai te levar pelo lago Pehoé até a Guarderia Paine Grande e o Refúgio Paine Grande.
Desembarcando do outro ônibus nos preparamos para a trilha: passamos protetor solar, arrumamos as mochilas, abri os bastões e caminhada e logo começamos a andar. O ônibus deixa os passageiros exatamente do lado dos refúgios da Fantastico Sur chamados de Torres Central e Torre Norte, então caminhamos um pouco através de um acampamento até chegar no hotel. Já dali conseguíamos avistar as torres lindas e encobertas nos esperando.
A trilha começava ali, do lado de uma vendinha de refrigerantes e lanches. Não tem erro, vá seguindo os outros 300 mil mochileiros que você logo acha o caminho. Você começa andando reto, daí tem uma descida e atravessa a primeira das diversas pontes sobre o rio Ascendio que iriamos cruzar no trajeto. A partir da ponte o caminho é só de subidas e mais subidas. Como não tínhamos nem alongado antes achei bem difícil “pegar no tranco” no início e senti muito o sol batendo na cabeça e a mochila pesando nas costas. A trilha estava cheia, repleta de turistas das mais diversas nacionalidades. Eles iam passando e dizendo, com um sorrisinho simpático: “hi!”, “hola!”, “oi!”. Tinha grupos de idosos, grupos de jovens, mulheres sozinhas, homens sozinhos, crianças e grupos de subiam a cavalo (trapaça!). Fizemos pausas para água e alimentação, sendo que a cada uma a vista ficava cada vez mais bonita devido à altitude que estamos ganhando.
Dica de amiga: amei ter levado aquele gel repositor energético. Se funciona mesmo ou se é efeito placebo, não sei. Só sei que me senti melhor e mais disposta depois de tomar.
Chegando no topo da para ver o vale no meio das montanhas por onde a trilha continuava. Foi um alívio a mudança de cenário e a diminuição no número de subidas. Agora caminhávamos quase que reto, paralelamente a um desfiladeiro de pedras que levava até o rio Ascendio bem lá em baixo.
Nesse trecho a dificuldade das subidas foi substituída pelo temor de pisar em falso e despencar ladeira abaixo. Alguns trechos são realmente perigosos, em que o tráfego de turistas é alto e a trilha é estreita, repleta de pedrinhas soltas e sem qualquer parapeito. Como eu estava aliviada com o fim das subidas nem me preocupei muito com a altura, o que é um milagre considerando que normalmente tenho pavor. Outro fator que contribuía para uma caminhada tranquila era a ausência dos famosos e temidos ventos patagônicos, que pelo que li de relatos de outros viajantes nesse trecho podiam incomodar muito.
Nessa parte eu já dava graças a Deus por ter investido em bastões de caminhada. O Con, que no brasil achou exagero, acabou emprestando um dos meus bastões porque sentiu falta na trilha (há!!!). Por lá quase todo mundo usa. Eu gostei muito dos meus, achei super firmes, leves e confiáveis (modelo Trail Back da Black Diamond comprados nos EUA). Vale muito a pena levar um par!
Seguimos passando por lindas cachoeiras de águas cristalinas até finalmente chegarmos no refúgio Chileno, que é praticamente um oásis no meio da vegetação seca porque ele fica às margens do rio Ascendio, em um lugar tranquilo e repleto de árvores. Para nosso alívio eles tinham várias vagas para montar barraca, então foi tranquilo. Pagamos a taxa de 7.500 pesos e ganhamos uma etiqueta com a data do dia que nos liberava para acampar. Você cola esse adesivo no fio externo da barraca para conferência dos fiscais.
Seguindo a vontade do Con, montamos nossa barraca ao lado do rio, com uma vista direto da pontinha das torres. Se você deitasse dentro da barraca e abrisse a porta, conseguia ver diretamente o rio, as árvores e bem ao fundo as montanhas nevadas, uma vista que nenhum hotel cinco estrelas teria. O problema era que não era possível deixar a porta da barraca aberta ou milhões de mosquitos invadiriam nosso acampamento. E tinha muito mosquito mesmo, de dar nervoso até. E não eram mosquitos normais como os que temos por aqui no Brasil. Pareciam moscas que tomaram muito Whey Protein e triplicaram de tamanho. Elas não picavam, mas incomodaram o caminho inteiro batendo no meu rosto e zumbindo no meu ouvido.
Trancamos nossa barraquinha com um cadeado, repusemos um pouco as energias com barras de cereal, água fresquinha coletada do rio e mais um gel de energia para reposição de eletrolítica e seguimos nosso caminho. Se você está em dúvida se pode mesmo tomar água do rio, eu garanto que pode sim. Tomamos MUITA água do Ascendio sem clorin nem outro método de purificar e era fresquinha, limpa e nenhum de nós passou mal.
Nesse momento algumas nuvens começaram a surgir no céu e um pequeno desespero bateu: imagina se as torres ficam encobertas na hora de eu chegar? Apressei o Con e lá fomos nós caminhar.
Do refúgio chileno a trilha continua agora um pouco mais úmida. Você passa pelo meio do acampamento cheio de barracas de todas as cores e tamanhos, cruza um riacho pisando cuidadosamente em algumas pedras estrategicamente posicionadas e entra em uma floresta. Cheia de pontes, subidas e descidas em meio a muita lama e neve congelada, achei essa uma das partes mais legais e bonitas do caminho. A diferença do meu rendimento sem a mochila e sem o sol forte na cabeça mudou muito e caminhamos esse trecho bem rapidamente, incluindo pausas para fotos.
Essa parte da trilha é longa e cruzamos com muitos turistas que já estavam voltando. Algumas vezes a lama era tanto que agradeci muito também pelo investimento financeiro em uma bota maravilhosa de trekking (marca Salomon, modelo Conquest GTX feminina), que manteve meu pé seco e limpo mesmo quando eu enfiava o pé inteiro na água ou no barro. A Vento Finisterre do Con também deu conta do recado.
Esse trecho termina no Campamento Torres, que marca o início da pior parte do trajeto todo, o último quilômetro. Você vai subindo em meio a pedras enormes soltas e, como não tem mais muitas árvores, o sol voltou a incomodar. É como se fosse uma escada de 1 quilômetro com degraus enormes que pedem muito dos joelhos e pernas. Eu comecei a sentir dor no meu joelho direito e fizemos pausas para descansar. Dava até um desespero ao olhar para cima e ver pessoas lá em cima, pensando em todo o percurso que teríamos que percorrer para chegar lá. Percebi que essa parte estava sendo difícil para quase todo mundo, sendo que encontramos várias pessoas sentadas descansando com o rosto vermelho e uma expressão clara de fadiga. Uma mulher inclusive subia amaldiçoando o marido que convenceu ela de ir hahaha
Ao chegar na parte superior você já consegue ver as torres e isso só alimentou meu ânimo. Eu era uma pessoa completamente diferente da que estava morrendo para subir, estava em êxtase agora que o topo estava muito próximo e chegar nele havia se tornado uma certeza. Meu joelho, que antes incomodava muito, agora estava sendo completamente ignorado enquanto eu subia pedra e mais pedra. Logo passamos a última flecha indicando o caminho e chegamos ao miradouro Base Torres. Eu estava em êxtase, dançando, rindo, abraçando o Con e tirando muitas fotos.
Lá estavam elas, as Torres del Paine! Gigantes de 2.884 metros de granito olhando diretamente para mim com toda sua imponência e infinitude. Depois de tanto planejamento e espera eu finalmente havia conseguido!
Mesmo tendo visto milhões de fotos das torres enquanto eu planejava a viagem, a beleza delas ao vivo é inigualável. Você sente a poderosa energia do lugar vibrando pelo seu corpo assim que chega no miradouro e tem certeza de que aquele lugar é especial.
Eu sentia uma conexão mágica com as torres. Parecia que elas sabiam o quanto eu queria fazer essa viagem e o quanto esperei para vê-las pessoalmente, que compreendiam a atração quase que magnética que exerciam sobre mim. Naquele momento éramos cúmplices, rindo da dificuldade da longa subida e do meu cansaço.
Hoje, já de volta no Brasil, ainda sinto essa conexão com a Patagônia e com as Torres. A vontade de estar lá só intensificou e o desejo de voltar e completar todo o circuito W é uma realidade.
Ficamos lá por mais ou menos quarenta minutos, tirando milhões de fotos, colocando a mão na água gelada do lago que se formou na base das torres e aproveitando o momento. Tentei absorver tudo daquela vista privilegiada, cada pedrinha, cada gota de água e cada floco de neve. Não podíamos ficar muito tempo mais porque tínhamos uma longa descida e não havíamos trazido lanterna caso escurecesse.
Iniciamos a descida e foi um pouco cansativo, considerando o esforço que havíamos feito para subir. Para ajudar a passar o tempo, voltamos listando as coisas que mais queríamos naquele momento: banho quente em banheira de hidromassagem, taça de vinho, massagem shiatsu de uma hora, a próxima temporada de Game of Thrones. Também passamos um bom tempo conversando sobre o que esperávamos do próximo filme de Star Wars que sai em 2017. Moral da história: você pode até tirar o nerd do sofá e levar ele passear na montanha, mas ele vai continuar sendo nerd até no meio de uma trilha de 18 quilômetros.
Logo chegamos na nossa barraca, entramos e nos jogamos sobre os isolantes térmicos, exaustos, mas muito felizes. Tomamos um notório “banho de gato” com lenços higiênicos e trocamos para roupas secas e mais quentinhas. Prepare-se que o banheiro disponibilizado no camping estava absurdamente nojento, mas pelo menos tinha papel higiênico. Entramos no saco de dormir e não tivemos tempo de mais nada, o cansaço tomando conta e trazendo o sono bem rápido.
Eu acordei à 1 hora da madrugada assustada com o barulho inconfundível de chuva, muita chuva. O que eu ainda não contei é que nossa barraca era uma Nautika Falcon 3 de 200 reais, uma barraca bem simples de 3 estações com somente 800mm de coluna d’água e 2,4kg de peso.
Sabendo das limitações da nossa querida barraquita, eu e o Con fizemos questão de caprichar na montagem. O chão era meio rochoso, então usamos pedras para empurrar as estacas e fixamos as cordinhas nas árvores e em pedras grandes. O sobreteto ficou muito bem esticado e foi a nossa sorte porque a barraca da menina que estava ao lado não resistiu à chuva e desabou durante a noite.
De repente, um pensamento inusitado cruzou minha cabeça. E se o rio subisse com tanta chuva? Eu cutuquei o Con com medo: “Con, acorda, ta chovendo”. Ele: “humm”, virou para o lado e voltou a dormir. Daí eu cutuquei de novo: “E se o rio subir? Ta chovendo muito”. Dessa vez ele abriu um olho, respirou fundo e me garantiu que não ia subir. Brincou, de bom humor, que se subisse a água ia levantar a barraca e nos levar direto lá para baixo da montanha, sendo que economizaríamos as últimas 3 horas de trilha. Virou para o lado com um sorriso e capotou novamente.
Não sei dizer quantas vezes eu acordei naquela noite, morrendo de medo de o rio subir ou da barraca cair, amaldiçoando a idéia do Con de ter montado a barraca bem do lado do rio e rezando para a chuva passar. Não foi a melhor noite que eu tive na vida e nem a do Con, considerando todas as vezes que acordei ele falando que a tal da água do rio ia subir.
E adivinhem? Abri a barraca no dia seguinte quando acordei e a porcaria do rio não tinha subido nenhum centímetro. NEM. UM. CENTÍMETRO. O dia estava chuvoso e frio, sendo que o saco de dormir foi muito bom, me mantendo aquecida durante a noite.
Levantamos, fomos ao banheiro e eu não resisti o café da manhã do refúgio quando vi que tinha ovo mexido quente. Considerei um presente depois da noite ruim que eu tive (custou 8.000 pesos pagos na hora sem precisar reservar). Tomando café eu vi uma placa avisando que o Chileno agora tem WiFi pago e, como a mãe do Con estava nervosa lá no Brasil com nossas aventuras, compramos 30 minutos para mandar notícias.
A descida foi mais fácil do que imaginei. No começo as pernas cansadas do dia anterior demoraram um pouco para se acostumarem com mais caminhadas, mas logo pegamos ritmo e, como era 90% descida, acabamos indo bem rápido. Logo estávamos cruzando a última ponte sobre o rio Ascendio em direção ao hotel Las Torres e deixando para trás um paraíso do qual nunca vou esquecer.
A sensação ao sentar nas escadas do hotel para esperar meus pais foi de missão cumprida. Um leve arrependimento sobre não completar todo o Circuito W pairou no ar, mas não deixei tirar o brilho do momento. Desde o começo meu objetivo principal foi a subida até as torres e não havia tempo suficiente para fazer o W todo enquanto meus pais esperavam em Puerto Natales. A decisão já havia sido tomada e agora só me restava esperar pelo Podrão e o Podrinho.
Meus pais se atrasaram um pouco para vir nos buscar porque haviam pego uma bifurcação errada na estrada (não tinha placa) e demoraram muito para retornar. A demora não importava, estávamos muito felizes de nos encontrarmos novamente. Para o horror da minha mãe, sentamos todos na escada bem na frente do hotel Las Torres para comer os sanduíches que eles haviam trazido. Compramos refrigerantes e sucos gelados e almoçamos por ali.
Pegamos os carros então e seguimos pelo parque. Era uma pena que as torres, naquele dia, estavam totalmente encobertas. Voltamos até a Laguna Amarga e viramos em direção ao mirador Nordernskjöld. A estrada continua sendo de rípio, o que limita a velocidade do carro, mas o passeio foi muito bom. Meu pai cansou só de dirigir tanto tempo no rípio porque eles haviam saído cedo e só voltamos para a cidade bem no final da tarde.
Em um dos miradouros, não sei qual, havia uma ponta de pedras brancas perto de um dos lagos lá em baixo. Eu, o Con e a Renata saímos correndo e tiramos fotos lindas lá. Não sei se era permitido, mas foi muito divertido.
O passeio completo foi maravilhoso e, se você não estiver de carro, pode comprar o mesmo passeio em qualquer hostel ou agência de turismo em Puerto Natales (se chama “Full Day Paine”). Se preferir fazer de carro, fora a estrada de rípio que é péssima para dirigir, não vai encontrar muitas dificuldades e vai poder fazer o trajeto com mais calma. Não tem jeito de errar já que é uma estrada única, sem grandes bifurcações.
Resumindo nosso trajeto: entre pela portaria Laguna Armarga, vá em direção ao mirador Nordernskjöld/mirador Sarmiento/Laguna Redonda/Guarderia Pudeto e não ao Hotel Las Torres. Passe pelo Pudeto, vá até Salto Grande, volte ao Pudeto e siga para a Hosteria Pehoé, o Mirador Cóndor e o Salto Chico Rio Paine. Depois você sai do parque pela Porteria Serrano e volta para Puerto Natales.
Não deixe de parar em todos os miradouros que ver no caminho e, em especial, quando chegar na Guarderia Pudeto, que tem uma cafeteria onde você pode lanchar ou ir ao banheiro, vá até a cachoeira Salto Grande. Em vez de continuar na estrada você sobe um morro, sendo que há placas indicando. Lá estacione onde houver vaga e vá caminhando até a cachoeira e até pelo menos o início da trilha dos Cuernos del Paine. Se você tiver tempo e disposição, é uma trilha de 1 hora que promete vistas lindas dos Cuernos e vale a pena.
Nesse trecho reparei no número de árvores brancas e secas que compõe a paisagem. Até hoje fiquei em dúvida se elas são assim mesmo, ou se foram destruídas no incêndio causado por turistas de Israel que queimou 18 mil hectares do parque em 2012 (sim, eles foram presos… não, o parque ainda não se recuperou e talvez nunca mais se recupere).
Continuando nosso caminho, paramos para uma foto rápida na ponte que leva até a Hosteria Pehoé e acabou sendo uma das minhas vistas preferidas do dia. Depois, seguimos pela estrada até a Porteria Serrano e seguimos as placas de volta para Puerto Natales.
O que deu um toque muito especial para o passeio foi a cor dos lagos. A aparência azulada e opaca é graças à diversas pequenas partículas de rocha (rock flour) que ficam suspensas na água.
Naquela noite tomamos um longo banho no hostel, devolvemos os sacos de dormir e capotamos de tão cansados que estávamos.
Um passeio que acabamos não fazendo em Puerto Natales que parece ser muito legal é o que vai para o Glaciar Serrano. Um espanhol que estava hospedado no nosso hostel e dividiu o taxi conosco para a rodoviária falou que foi muito bom o passeio.
(posto a continuação da viagem hoje a noite)
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