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Mochileiros.com
ThaísMacedo

18 dias sozinha pela Bolívia e Peru - a viagem que todos deveriam fazer

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O roteiro de Bolívia e Peru é quase o mesmo para todo mochileiro. Na verdade, tudo depende do tempo disponível para a viagem e as prioridades. Acredito que os dois lugares imperdíveis são: Machu Picchu e Salar de Uyuni, mas de resto, vai ao gosto do freguês.

 

Eu, pela primeira vez na vida, fui com um roteiro completamente aberto. Não sabia direito quantos dias ficar em cada lugar e nem com certeza qual lugar visitaria. E nem a ordem. Foi a melhor coisa que fiz. Tive uma sensação de liberdade e desapego poucas vezes experimentada. Nesta viagem, como é possível fazer tudo de ônibus, é muito melhor ir com o roteiro aberto. Além disso, minha grana estava curta, então assim eu poderia administrar melhor meu orçamento. É engraçado porque você vai cruzando com as pessoas no começo e depois cruza com ela em uma cidade nada a ver, enfim, divertido.

 

A melhor entrada para os brasileiros é sempre por Santa Cruz de La Sierra. Primeiro porque você pode ir para Campo Grande e pegar o trem (ou ser mega hippie e pegar um ônibus). Segundo, a maioria das promoções é pra lá. Comprei as passagens pela Gol, um mês antes, por 13.000 milhas + taxas, saindo de Guarulhos, voo direto. Moro no Rio então comprei as passagens Rio – SP separadas, mas como era voo durante a semana, paguei mais barato que ônibus. Suave!

Santa Cruz não oferece muita coisa, mas é fácil sair no mesmo dia seja para La Paz ou para Uyuni de avião ou ônibus (no caso de Uyuni é preciso ir para Sucre, depois Potosí e só depois Uyuni). Eu ia primeiro para Uyuni, mas chegando lá resolvi ir para La Paz (liberdade de ir e vir!) e assim fiz.

 

No fim das contas meu roteiro ficou:

- La Paz

- Copacabana/Isla del Sol

- Cusco

- Uyuni

- Sucre

- Santa Cruz

 

Dia 1

Sai cedinho do Rio e do SDU peguei meu voo para São Paulo. Lá despachei minha mala e aguardei duas horas até o voo para Santa Cruz.

Chegada em Santa Cruz de La Sierra

O voo foi tranquilo, assim como a aterrissagem. Já de cara fiquei impressionada com a rapidez da chegada das bagagens na esteira.

Na imigração te fazem as perguntas básicas, tiram sua foto e – surpresa – abrem todas as malas. Sim, abrem. Mas eu joguei charme para o oficial, dei de joão sem braço, e passei sem abrirem minha malinha. Até porque de cara iam ver um belo sutiã, eu não precisava passar por isso logo na chegada. ::mmm:

Como eu já queria ir naquele dia para La Paz de ônibus, no aeroporto fui pesquisar como sair dali de maneira barata até a rodoviária. Troquei um pouco de dinheiro por lá (levei dólar), o suficiente pra me virar até La Paz. Peguei um ônibus fofíssimo por 6 bolivianos, avisei o motorista para me deixar na Casa Color. Desci e na esquina já estava o ônibus 74 (2 bolivianos) que eu deveria pegar até a rodoviária, porém lotado. Adepta do transporte público no rush que sou, subi mesmo assim, segurei no corrimão e fui pendurada com a mochila quase toda pra fora do veículo. Like a diva! ::lol4:: Não demorou muito e o ônibus deu uma esvaziada e pude entrar completamente. O trajeto todo até a rodoviária custou simpáticos 8 bolivianos (contra 60 que gastaria de taxi).

Na rodoviária fui direto na Companhia Transcopacabana (já tinha pesquisado e era a melhor) e comprei minha passagem para La Paz. O ônibus partiria às 19h e a previsão era de 12 horas de viagem, paguei 170 bolivianos por um ônibus-cama (leito). Como ainda era 15h fui comer num lugar muito suspeito na rodoviária e comi um frango mais suspeito ainda. Mal sabia que comer em lugares suspeitos era normal na Bolívia e que frescura era a primeira coisa a esquecer no Brasil. Ou come ou passa fome. E devo dizer que não tive problemas digestivos/intestinais durante toda viagem. Fiquei horas lá mofando na rodoviária, observando a rotina dos que ali passavam, dei uma volta no quarteirão na frente (não indico), comprei soroche pills (remédio pra mal de altitude) e enfim, chegou a hora do embarque. Achei interessante este choque de realidade na rodoviária para eu ir praticando o desapego de ideias, frescuras e conceitos sobre os bolivianos. Eu ia praticar muito desapego no resto da viagem.

Na Bolívia e no Peru você paga a taxa de embarque em um guichê separado, dentro da rodoviária mesmo, não estranhe (foram 3 bolivianos). Lá na plataforma de embarque as cholitas passam vendendo marmitas de frango pra viagem. Eu ainda estranhando, optei por um saquinho com um tipo de pão de queijo e comprei uma garrafinha de água.

O ônibus era bom e realmente espaçoso. As poltronas eram dividas em: duas poltronas – corredor – uma poltrona. Eu peguei a poltrona sozinha. Tinha tv e durante a viagem passaram três filmes (dublados em espanhol). Tinha banheiro, mas não tinha ar condicionado, o que foi ruim até sair de Sta Cruz, pois estava bem quente lá, mas depois esfriou. O motorista corre. Muito! Mas como estou acostumada com os motoristas do Rio, não fiquei muito assustada. Na verdade, só descobri depois que a estrada era super perigosa. Tem coisa que é melhor não saber mesmo. Paramos algumas vezes no caminho porque estava chovendo muito forte e não dava pra ver nada da estrada, mas no geral a viagem foi boa e consegui dormir bem.

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DIA 5

 

Eu encontrei com os dois brasileiros, a Luzi e o Leandro, que iriam comigo seguir viagem. Fomos para o “muro do cemitério” (acredite nesta referência, basta) de onde partem os ônibus para Copacabana. TODOS vão dizer que o ônibus deles não faz parada, por isso é mais caro, aliás esta é a mentira mais ouvida por lá, não acredite, todos param, sempre param. O que pegamos parou vááárias vezes para passageiros na estrada, e quando digo passageiros incluo cachorro, gato, crianças e cholitas comendo frango. Despega Thaís.

A paisagem é linda e o lago Titicaca parece um mar, azul e bonito. No meio do caminho precisamos descer do ônibus, pagar (claro) 1,20 bolivianos por um barco para chegar do outro lado do Lago. O ônibus vai em uma balsa. Depois é só subir de novo e seguir viagem até Copacabana.

Copacabana é uma cidade bem fofa. Buscamos uma agência para comprar passagens para Cusco no dia seguinte. Pagamos 114,00 pesos bolivianos, segundo a agenciadora “só iríamos parar na imigração”. Depois descemos até o porto para buscar um barco para Isla del Sol. Os barcos oficiais só saem até ás 13h e, portanto, tínhamos que pegar um barco particular. O cara quis cobrar 600 bolivianos!!!!! RISOS ::lol3:: Um roubo que não aceitamos, claro. Cruzamos com um casal argentino e um rapaz italiano, todos também procurando transporte, fechamos juntos. Pedimos para ir direto ao lado norte (120 bolivianos). Como pretendíamos dormir no lado Norte, fazer a trilha para o Sul e já voltar para Copacabana, deixamos nossa mochila em Copacabana e levamos o mínimo para a Isla. Pagamos 2 bolivianos para deixar a mochila com uma cholita sem lenço e sem documento, confiando que ela estaria lá no dia seguinte com nossas mochilas. Desapega Thaís, desapega.

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DIA 6

Chuva. Temporal. Dilúvio! ::Cold::

Muito, mas muito frio e a chuva lá fora tirava toda nossa coragem de sair do nosso cafofo. Banho nem cogitei. Enrolamos o máximo possível, mas a fome apertou e tivemos que descer. Compramos capas de chuva e descemos. Tomamos café em um dos restaurantes recusados na noite anterior (pra estimular o turismo em outros locais). Com a chuva e pouca opção de lugar para comer, o restaurante encheu de uma maneira que a cholita quase sentou e chorou. Ela atendia os clientes, saia para comprar mais comida, preparava, servia e se desesperava. Fiquei com dó, mas por outro lado ela ganhou bastante naquele dia. Enrolamos o máximo possível, mas a chuva não passava de jeito algum, não ia dar pra fazer trilha. Pegamos um barco para o lado sul, que depois nos levaria de volta para Copacabana. Era a melhor solução que o frio nos deixou pensar. Isla do Sol era um nome piada, não é possível.

O lado sul é bem turístico e comparado com o Norte achei sem gracinha. Talvez a chuva tenha atrapalhado meu encanto. Pagamos 5 bolivianos para entrar no lado Sul da Isla. Almoçamos por lá e voltamos para Copacabana. Em Copacabana, com sol, fomos esperar nosso ônibus para Cusco.

O ônibus era bem bacaninha. 15 minutos de viagem, paramos na imigração e me pareceu tudo bem simples de resolver. Primeiro carimbamos a saída da Bolívia e devolvemos um papel que nos dão na chegada ao País, depois cruzamos a fronteira a pé e, por fim, carimbamos a entrada no Peru. E aí começam os trocadilhos com o nome do País de destino hehe. Na fila da imigração a Luzi, que estava comigo, encontrou três brasileiros que ela conhecia aqui do mochileiros. Mas descobrimos que em Cusco ficaríamos todos em hostels diferentes, então não fiz amizade (a verdade era que a falta de banho tava começando a me incomodar). :|

Obviamente mentiram para nós e o ônibus parou no meio da noite fria em Puno. Tivemos que descer do ônibus, retirar as malas, carimbar a passagem em outra empresa de ônibus, pagar novamente a taxa de embarque (taxa de embarque em Puno = 1,50 soles) e esperar outro ônibus. Naquele frio e já completando dois dias sem banho, quis matar em pensamento a agenciadora de Copacabana. O banheiro na rodoviária custava 0,50 soles. 1 hora depois subimos no outro ônibus e seguimos direto para Cusco.

598d9e057fb20_StuckintheSand.jpg.15143dfff5b21e4282866ce69c7873b9.jpgATENÇÃO HISTÓRIA AGONIANTE (pule o parágrafo)[/color]

A chegada foi traumatizante. Estava – sem banho - fazendo o check in e um israelense chegou desesperado pedindo uma ambulância para alguém que estava no quarto. Foi aquela comoção e eu sem entender o que tinha acontecido. De repente, vem a menina que precisava de ambulância aos prantos. Sei lá o que houve, mas ela prendeu o dedo em algum lugar que tirou a pele do dedo dela toda!!!!!!! Aaaaahhhh que agonia. Ela chorando, todo mundo olhando o dedo dela pendurado, eu não olhei, mas minha imaginação já deu mil voltas com as narrações do estado do dedo, em carne e osso, sem pele. Afff! :shock:

 

Consegui fazer o check in e quem aparece no hostel? Os três brasileiros da fila de imigração. Eles não conseguiram vaga no hostel deles e foram tentar lá. Minha sorte que conseguiram porque a Ju virou minha amiga e parceira até o fim da viagem. O meu azar foi que o quarto não estava pronto então banho só depois das 14h. Sim, totalizei dois dias e meio. Desapega da higiene.

Dei uma breve volta pela cidade, troquei dinheiro por soles, fechei o passeio para Machu Picchu por 100 USD em uma agência que gostei na praça principal e voltei pra o sonhado banho. Estava chovendo e frio, então pensei que meus dias seriam agoniantes, sem banho, com meninas de dedos pendurados, frio e chuva. Sorte que não foi nada disso. A noite eu estava limpinha, a chuva parou e eu comecei a beber com a Ju no bar. E do que a felicidade precisa senão um bom bar? Bebemos, cantamos Lepo Lepo no karaokê, pintamos o rosto com umas tintas que tinham lá e o melhor, fizemos amizade com quatro peruanos incríveis de fofos que participaram dos mágicos dias de Cusco. Lá pela madrugada fomos para a famosa balada Mama Africa. Não lembro bem, pois estava mais pra lá do que pra cá, mas lembro que gostei. E muito. ::love::

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O Mercado é grande e bem interessante, é um mercado de artesanato. Em Cusco tem vários outros, mas esse era o maior. Ficamos uns 30 minutos lá e eu surtei em compras, ainda mais que aceitava cartão de crédito. Sou zero consumista, mas me encantei com as cores e artesanatos peruanos. Na volta iríamos para o Mercado de comida, mas a Ju esqueceu os óculos dela no Mercado de artesanato e voltamos com os peruanos para buscar. O grupo seguiu o tour e depois de recuperar os óculos, pegamos um taxi até o Loki, então o roteiro ficou prejudicado. Mas gostei do que vi. Confesso que em Cusco fui uma péssima turista porque fiz amizades no hostel, onde tinha um bar maravilhoso, então fiquei muito com a galera, passeando pela cidade sem turistar e bebendo no bar, não fiz nenhum passeio fora da cidade (cidades sagradas), a não ser para Machu Picchu. Mas não me arrependo, solto suspiros toda vez que lembro de Cusco e guardo com carinho meus momentos de diversão por lá.

No hostel fomos direto para o bar – o tour dava direito a um pisco sour – e ficamos lá bebendo. Subi pro quarto pra um banho e já desci pro bar de novo. O bar do Loki é legal porque promove integração, toda noite tinha alguma brincadeira. Nesta noite foi Beer Pong, que foi divertido até os argentinos começarem a me encher a paciência. Afe povo chato.

Neste dia rolou uma mega integração e todo mundo ficou junto formado um grupão. Eu e Ju que não nascemos ontem fomos conversar com os alemães sobre o fatídico resultado do futebol hahaha Ficamos lá bebendo até irmos todos para o Inka Team, uma boate que fica na praça principal, perto do Mama Africa. E segue mais uma noite de balada. E das boas. Gol da Alemanha! ::love::

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Aí que relato lindo!

Esperando os próximos capítulos, quanto você gastou mais ou menos nessa viagem ? Pra Machu pichu os 100usd é o valor da entrada com a trilha ?

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Aí que relato lindo!

Esperando os próximos capítulos, quanto você gastou mais ou menos nessa viagem ? Pra Machu pichu os 100usd é o valor da entrada com a trilha ?

 

Sara obrigada. Devo terminar o relato na próxima semana. Eu não calculei direitinho os gastos, mas levando em consideração a passagem com milhas (só paguei as taxas), dinheiro que levei e gastos no cartão não chegou a R$ 3500. É realmente uma viagem muito barata. Os 100 USD incluíram transporte até a hidrelétrica (ida e volta), almoço e janta, hospedagem em Aguas Calientes e entrada.

Bjs

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Muito bom o relato, Thaís! Acompanhando..

 

Viajo daqui exatas duas semanas, ja to morrendo de ansiedade!! hahaha

Bom saber que você gostou do Loki :)

Uma pergunta, a localização do hostel é tranquila? Aquela ladeira é de boa? hahaha

pra sair a noite, vc acha que tem algum problema andar sozinha nas redondezas?

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Muito bom o relato, Thaís! Acompanhando..

 

Viajo daqui exatas duas semanas, ja to morrendo de ansiedade!! hahaha

Bom saber que você gostou do Loki :)

Uma pergunta, a localização do hostel é tranquila? Aquela ladeira é de boa? hahaha

pra sair a noite, vc acha que tem algum problema andar sozinha nas redondezas?

 

Oi Jessika, você vai amar a viagem, é incrível!

Eu amei o Loki. A ladeira é sofrida pra subir, mas eu gostei tanto de lá que não me importei. A noite saíamos a pé para as boates com o pessoal do bar do hostel, todo mundo junto. Eu não sairia sozinha, mas o taxi é ridiculamente barato porque a praça central é muito perto. Não se preocupe, dificilmente você vai ficar sozinha lá, tem muita gente legal :)

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DIA 10

Muito cedo fizemos o check-out (e eu surtei porque meu cartão não passou, mas descobrimos que era problema da máquina ::mmm: ), deixamos as mochilas grandes, preparamos uma pequena pra viagem e uma van nos buscou. Foram duas horas até um ponto de parada, onde poderíamos usar o banheiro e comprar algumas comidinhas (caras). Depois mais uma hora até o ponto do almoço, que estava incluso no pacote. O almoço foi simples, mas muito gostoso e farto. Depois segue mais tempo de viagem por uma estrada BIZARRA! :shock: Eu já tinha esquecido as aventuras das estradas bolivianas e esta estrada peruana não deixou a desejar. Barrancos altíssimos e a van na velocidade de quem trafegava por uma larga avenida asfaltada. Nós todos tivemos ataque de riso de tanto medo, mas como sempre, sobrevivemos. Desapega Thaís. Acredita que vai dar certo.

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5h da manhã estávamos na fila do ônibus para subir até Machu Picchu. Queríamos pegar o amanhecer lá em cima. O lanchinho foi entregue para nós na noite anterior em uma sacolinha e seria o nosso café da manhã, também incluso no pacote. O ônibus era super confortável, bem moderno e rapidinho chegamos até a entrada do parque. Deixamos nossa mochilinha no guarda-volumes (4 soles) e entramos para encontrar nosso guia (incluso). A galera que subiu a pé chegou querendo morrer. Todos juntos, começamos o passeio.

Machu Picchu é realmente incrível! Você pode sentir a energia daquele lugar tão integrado à natureza. É possível ver como a civilização Inka era evoluída, inteligente e entendia de coisas que nós só “entendemos” com o auxílio de parafernalhas tecnológicas. Ali era uma cidade que vivia de agricultura e de receber viajantes que levavam mantimentos e informações por todo Império Inka. Tudo era divido, organizado e respeitado. Cada construção tinha uma função e estava ali por determinação do sol, da posição em relação às montanhas ou pelo ponto na natureza. Um povo rico, inteligente e evoluído. Uma pena que a sua cultura foi dizimada pelos espanhóis. A humanidade toda perdeu com esta dominação, seríamos mais ricos se tivéssemos respeitado os outros povos e outras culturas. Infelizmente, nem hoje conseguimos fazer isso.

O passeio é longo. O guia nos acompanha por uma hora e meia num sobe e desce, na altitude, que volta a perturbar, e com muitas informações. Quando acabou, o sol saiu nos presenteando com uma paisagem mais bela ainda. Nós não havíamos conseguido tickets para o Wayana Picchu (tem que comprar com MUITA antecedência), então ficamos zanzando pela cidade Inka. A partir das 10h, as excursões que vêm de Cusco de trem começam a chegar então o lugar vai ficando bem cheio, mas a esta altura já tínhamos feito o tour então era só ficar tirando foto. O bacana é que como o lugar é enorme, você consegue tirar muitas fotos boas sem nenhum cabeção na sua frente.

Ficamos lá em cima até 11h quando resolvemos descer porque seria 1h30 de descida e nosso trem saia as 13h30. E também já tinhamos visto tudo. A descida é viável, mas cansa!!!! Além de prejudicar o joelho. Agradeci a Deus por ter subido de ônibus. Tem pedras enormes e irregulares no caminho, tornando tudo mais difícil. Chegamos em Aguas Calientes cansadas, mas com tempo para um almoço rápido. Entramos no trem e fomos apagadas até a hidrelétrica. Aliás, seguimos apagadas na Van que nos levou da hidrelétrica até Cusco. No Loki fizemos um novo check-in, banho e cama. Nada de ficar no bar nesta noite.

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Já sem sermos hóspedes, ficamos no bar até o horário de ir para a rodoviária. Nossos amigos já tinham ido embora, mas já estávamos conhecidas no Loki então até o cara do bar veio se despedir hahaha ::love:: . Detalhe, quase esquecemos nossas roupas na lavanderia. Fomos de taxi para a rodoviária e me deu uma leve vontade de chorar porque aquela cidade tem algo de especial, não sei explicar. Saí apaixonada por Cusco e feliz demais pelas experiências vividas lá.

O ônibus era confortável, mas a viagem obviamente foi um inferno porque estava um frio horrível e o ônibus parou várias vezes, inclusive tivemos que descer e esperar uma hora na glacial Puno, pagar a taxa de embarque de novo. Fiquei bem irritada.

 

DIA 13

Em Copacabana tomamos outro ônibus (incluso) até La Paz. Chegamos de manhã em La Paz e compramos nossa passagem para aquela mesma noite para Uyuni. Compramos na agência em frente a rodoviária (sorry, não lembro nem agência e nem preço, era mais caro do que os tickets da rodoviária) e fomos para o Hostel Wild Hover. Eles nos deixaram ficar no bar deles desde que deixássemos todas as malas (inclusive as bolsas de mão) no locker deles. Ai que saudade do Loki.

Tivemos que dar um balão pro banho. Entrei no banheiro mais escondido do hostel e tomei banho com um sabonetinho que eu tinha encafifado no bolso. Para me enxugar? Papel higiênico. Desculpa Pachamama. Mesmo colocando a mesma roupa, me senti melhor garantindo o banho do dia.

Passamos o dia no bar com wifi, tomada e cerveja, pra que mais? Quando deu o horário fomos para a agência. Lá encontramos a Luzi (ela sumiu em Cusco haha 8) entendo), o Leandro e a Fal. Ônibus pontual, confortável, com filme, janta e pasmem, não parou no caminho. Valeu o preço.

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DIA 14

A chegada em Uyuni foi sacudida, principalmente as duas últimas horas de viagem que passa por uma estrada de pedra e quem estava dormindo foi acordando na marra.

Em Uyuni estávamos em cinco pessoas, mas o tour fecha com seis então fizemos amizade com um americano (que falava português), o Ruben, e fechamos o rolê com a agência do brasileiro Thiago. Não recomendo. Na verdade, não tenho grandes reclamações, mas pagamos mais caro pelo mesmo serviço oferecido pelos outros, só por isso não recomendo. Recomendaria pegar o nome de umas três agências indicadas e escolher mais barata delas. Fechamos por 110USD, três dias, tudo incluso (refeições). Demos uma mini volta pela cidade (não há muito pra ver), compramos alguns itens de necessidade como vinho, salgadinho e papel higiênico e voltamos pra agência. Por volta das 11hs saímos para o passeio.

A primeira parada é no cemitério de trens. Não é interessante de ver, mas rende boas fotos. Depois seguimos para uma vilazinha (Pueblo Colchani) onde podemos comprar artesanato local. Não recomento, porque é mais caro que qualquer outra cidade. Dali a viagem realmente começa e após um tempo chegamos na parte de extração de sal. Ainda não é aquele salar infinito e branquinho, mas é super interessante. Tem alguns montinhos de sal e uma paisagem bem diferente. Fotos no alto dos “montinhos” são obrigatórias. Saindo dali vamos para o hotel de sal. Ali a paisagem já vai ficando infinita, o branco começa a dominar mais. O hotel é interessante, mas não sei se teria vontade de me hospedar lá não. Neste ponto você também poderá ver o símbolo do Rally Paris-Dakar, que tem a Etapa Bolívia. É onde também servem seu almoço. A comida já vem preparada e em pequenas marmitas, o nosso motorista-guia só ajeita nos pratos bonitinho e você se serve ali mesmo no bagageiro do 4x4. Senta/encosta onde der e come. Neste dia comemos carne de Alpaca (família da llhama), que era bem gostosa, arroz e salada. Nenhum banquete, mas foi gostoso.

Todos bem alimentados, seguimos para a paisagem mais conhecida e mais bonita, o meio do Salar. É interessante ver que, apesar de andar por muito tempo, parece que não saímos do lugar porque a paisagem é a mesma, a não ser por alguns outros carrinhos láááá longe. No meio do nada o motorista para e lá tiramos as mais incríveis fotos possíveis, além de suspirar todos os minutos por aquela paisagem completamente diferente, exótica e maravilhosa. Você pensa como esse mundo é lindão. ::love::

Depois de muito tempo (aproveite porque você não volta mais pra parte de sal), muitas fotos, muitos suspiros, andamos mais ainda até Isla del Pescado, um parque (paga 30 bolivianos para entrar) cheio de cactos e uma vegetação diferente, confesso que não entrei e fiquei lá fora tirando mais foto. De lá tem mais uma longa estrada até o alojamento. E é alojamento mesmo, de sal, no meio do nada e bem simples. Mas sinceramente, não há o que reclamar. São duas pessoas por quarto e eu fiquei com a Ju em um. Normalmente ficam três carros, ou seja, 18 pessoas, em cada alojamento. Paga-se o banho quente (2 bolivianos) e tem um cafezinho com bolachas, até a hora da janta. Como eu fui sagaz e sabia que no dia seguinte seria o mais precário e mais frio, tomei um banhão completo, lavei o cabelo e passei a noite cheirosinha. Jantamos frango com arroz e estava bem gostoso (tinha bastante). E tomamos nossas duas garrafas de vinho, pra dormir melhor. Já estava desapegadíssima.

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Dois dias e meio sem banho, de novo, fui tomar uma belíssima ducha da cabeça aos pés. Depois tomei café, que estava incluso, e tirei um pouco a má impressão do hostel. Fomos passear pela cidadezinha que é uma graça. Sucre é a capital cultural da Bolívia, La Paz é a capital política. A cidade é bem fofinha, tem alguns artesanatos e ainda conseguimos cruzar com uma feirinha de estudantes e suas mães vendendo marmitas para arrecadar dinheiro para a escola, tipo uma gincana. Foi o nosso almoço. Saindo de lá voltamos para o hostel, eu arrumei minhas malas e fomos para o aeroporto.

Eu tinha que ir embora para Santa Cruz naquele dia, pois no dia seguinte saia meu voo pro Brasil e já tinha visto na internet uma opção de voo no fim da tarde. E o pessoal, que tinha um dia a mais, foi garantir a passagem pro dia seguinte. Comprei minha passagem na BOA (Boliviana Aerolineas) por 400 bolivianos, achei tranquilo já que a viagem tinha sido super simples até então e eu não ir dar conta de mais uma noite sacolejando na estrada até Santa Cruz. Fora que dizem ser a pior estrada da Bolívia e isso poderia me atrasar. Não valia o risco e nem era tão caro.

Um detalhe, como estava só viajando de ônibus, deixava meu canivete na bolsa, para ficar disponível caso precisasse. Claro que esqueci de tirar e despachar junto com a mala, então quando passei no detector de metais o policial muito bravo perguntou porque eu estava armada. Eu não estava entendendo nada (entendi o que ele disse, mas nem lembrava do canivete). Ele chamou outro policial e eles começaram a abrir a minha mala. Sorte que o outro policial era mais simpático e me mostrou o canivete, eu fiz cara de desculpas e expliquei que tinha esquecido. Ele deu um sorriso de “tudo bem” e jogou meu canivete fora. Triste, mas não tinha o que argumentar. ::putz::

O voo foi tranquilíssimo, com lanchinhos bons (hehe), avião confortável e aquela paisagem natural impressionante que a Bolivia tem. 1 hora depois desembarquei em Santa Cruz. Um amigo da turma dos brasileiros já estava em um hostel em Santa Cruz (caríssimo) e me passou o endereço. A mulherzinha do balcão de informações era mau-humorada, diferente da do primeiro dia, e não me deu informações de ônibus pra pegar, disse pra eu pegar taxi (imagina só se depois de tanto desapego eu ia pegar taxi). Eu fui no mesmo ônibus que peguei no primeiro dia, para sair do aeroporto, e pedi informação. O motorista disse que eu poderia ir até o ponto final e de lá pegar um taxi que com certeza seria mais perto. Aceitei e lá fui no amado busãozinho de novo. No ponto final eu não fazia ideia de onde estava e o motorista me aconselhou a não ficar zanzando ali, disse pra eu ir direto na empresa do ônibus e perguntar lá. Fui e o rapaz lá dentro disse que conhecia a rua e que eu pegasse um taxi que ele informaria o motorista pra mim. Na frente, um policial veio oferecer ajuda, o rapaz da empresa explicou a situação e o policial parou um taxi para mim, explicou o endereço para o motorista e ainda deixou o telefone dele comigo, caso eu precisasse. Achei fofíssimo aquele povo lindo que ajuda turistas, mas todo mundo que conto a história diz que estavam me xavecando. :lol: Achei só gentileza, vai saber. De qualquer forma, por 15 bolivianos cheguei no hostel.

O hostel era enorme, bem estruturado e maneiro, mas eu nem tava ligando, queria comer, arrumar minhas coisas e ir dormir. Encontrei meu amigo e fomos comer junto com uma suíça que conhecemos no hostel. Poucos quarteirões de caminhada depois, encontramos uma daquelas redes de fast food de frango da Bolívia, comi muito bem. De volta ao hostel tomei umas duas cervejas, pra relaxar, tomei um belo banho (banheiro divo) e dormi mega confortável.

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Mesmo contando todos os detalhes, fica difícil explicar a maravilhosa viagem que fiz. É uma viagem que você desapega por bem ou por mal de várias frescuras, de alguns preconceitos, dos bens materiais e de preocupações bobas. E não é uma viagem que você racionaliza isso, você só percebe tudo depois. Só depois você vê que está tranquilo, confiando nas pessoas, encontrando pessoas boas, etc.

A Bolivia é um país pobre, mas não é miserável. É um país pacato, com um povo tranquilo e que parece uma casinha na roça, com as pessoas levando a vida simples delas, mas felizes. A paisagem natural de lá é inexplicável, tem floresta amazônica, tem rios, tem montanhas, tem neve, tem deserto, tem salar, enfim, uma paisagem rica e diversa que impressiona.

O Peru é um país mais desenvolvido e com pessoas de cultura riquíssima. Temos uma ideia errada e preconceituosa do peruano. Claro que existem as dificuldades sociais, mas nada muito diferente de nós, dos Argentinos e outros países em desenvolvimento. A culinária peruana é saborosíssima e a cultura deles é muito interessante. É preciso treinar nossa visão e nossa mente para ver a realidade de cada lugar, sem supor coisas, com ideias antigas e sem fundamento.

O principal foi ver que a América Latina é rica culturalmente e seu povo é lindo! E somos parte dele. Eles enxergam o Brasil com um “irmão mais velho” com admiração e carinho. Nossa força influencia diretamente a deles e nossa cultura é consumida por eles. Dá até uma vergonha saber tão da cultura latina. Tantos europeus, asiáticos, americanos vindo e se maravilhando com estes países e a gente só valorizando a parte Norte da América, a Europa. Fiquei feliz em resgatar essa irmandade e com vontade de conhecer cada vez mais essa “Sudamérica” tão linda. ::love::::love::

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ericoliv    0

Que legal o seu relato, fui esse ano e quero tanto voltar, principalmente em La Paz e fazer a Ruta de la Muerte novamente, é incrivel!!!

Editado por Visitante

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Relato bem bacana!!!!

 

Tata, qd vier pra SP eu divido o cobertor pra ver as estrelas facil, so pela gentileza!!! :roll:

 

hahahahahaha :oops: obrigada pela gentileza

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Que legal o seu relato, fui esse e quero tanto voltar, principalmente em La Paz e fazer a Ruta de la Muerte novamente, é incrivel!!!

 

hahaha eu não tenho coragem de fazer a rota de novo não, apesar de ter gostado. Mas sim, é uma viagem para fazer sempre :)

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Quanto vc gastou com essa viagem Thais?

 

Oi Danielle desculpa a demora pra responder.

Eu gastei entre R$ 3000 - R$ 3500 incluindo tudo, passagem (comprei com milhas), hospedagem, passeios, comida etc.

 

Se precisar de mais ajuda, me avise e aproveite sua viagem :)

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Oi Thais,

muito legal seu relato.

Farei meu primeiro mochilão sozinha, em FEV/2017, quase o mesmo caminho que o teu.

não passou apuros por estar fazendo a viagem sozinha e sendo mulher?

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