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Viagem de 42 dias, 15.500 km de Biz por 5 países gastando R$3.000,00


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26º dia

Dia 01 de janeiro de 2017

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Trajeto do dia

 

Saí do hotel as 8 horas e mesmo sabendo que o acesso as Ventanillas de Otuzco estaria fechado eu fui até lá. Ficava a 15 km de onde eu estava. Passei por Banhos del Inca novamente e segui por uma estradinha de lama até chegar a estrada de acesso as ventanillas. Não pude entrar no sítio, mas pude ver da rua, não podia ir embora sem ir lá ver.

As Ventanillas de Otuzco são um cemitério da cultura Cajamarca que habitou a região entre os séculos III e VIII e estão a 2.850 metros de altitude. Seus mortos eram depositados nestas "janelas", algumas com até 10 metros de profundidade e outras interligadas. Os mortos eram primeiro enterrados na terra e posteriormente depositados neste local, servindo como um ossário e possivel lugar de veneração dos mortos.

Chovia ainda e segui para tentar chegar ao Canion del Pato ainda naquele dia. Em meu roteiro tinha uns 120 km de estradas de chão para passar e a chuva possivelmente dificultaria o meu progresso neste tipo de terreno.

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Ventanillas de Otuzco

 

Continuei então pela ruta 3N por um caminho agora não tão sinuoso eu podia manter uma velocidade um pouco maior, uma vez que p visual desta região já não é assim tão bonito. Perto das 15 horas eu estava na laguna Suasacocha, tinha uma grande festividade lá e muitas pessoas pela rua, também muita gente "emborrachada" (bebada), passei devagar olhando, mas não parei. Segui para Huamachuco, onde teriam 2 sítios para visitar, eram eles Markahuamachuco eWiracochapampa. Chegando lá me informei na delegacia como chegar em Wiracochapampa, que era mais perto, e então segui pra lá. Cheguei lá já passava das 16 horas, estacionei a moto e o guarda que controla a entrada de pessoas lá veio a meu encontro para saber de onde eu vinha, expliquei de onde vinha e ele se ofereceu para me guiar sem custo algum pelas ruínas. Aceitei e seguimos, ele um grande apreciador da história do povo dele me mostrou cada um dos lugares das ruínas explicando a funcionalidade e detalhes construtivos. Percebia-se que ele contava tudo aquilo com muito prazer e orgulho. Me senti privilegiado por ter ele como guia, uma vez que não era a função dele. Andamos por quase uma hora pelo sítio, que tinha poucos visitantes.

Wiracochapampa foi um centro adminstrativo da cultura Huari e foi construído sob planejamento de arquitetos que levaram em conta o local sofrer com chuvas intensas durante o verão e desenvolveram sistemas de drenagem que ainda hoje funcionam, considerando que foi construída entre os séculos VII e VIII. A construição mede 583x566 metros, cercada com muros que tinha 5 metros de altura e em seu interior vários edifícios, foi uma sede governamental e sacerdotal onde viviam com seus servidores e trabalhadores e a população vivia aos arredores nos campos e pequenas vilas. O local foi ocupado até o século XV, em ocupações esporádicas e também mostra traços da ocupação Inca.

 

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Laguna Sausacocha

 

Abaixo fotos de Wiracochapampa

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Já passava das 17 quando saí de Wiracochapampa e não iria ficar mais um dia pra ir até Markawuamachuco, fui pra estrada pra rodar até onde desse e chegar o mais perto possível do canion. Huamachuco já estava a 3.000 metros de altitude e eu ainda teria que cruzar uma cordilheira. Fui subindo e começou a garoar novamente e o frio a aumentar, meu único problema era com as mãos, minhas luvas não são impermeáveis nem muito boas para o frio. No top da cordilheira começou uma neve ralinha e o sol já se recolhia, neste momento comecei a me preocupar, eu não tinha as calças que tinha perdido e acampar naquela altitude e com aquele frio não ia ser possível decidi tocar até chegar a uma altitude e temperatura melhor. Cheguei em Shorey eram umas 20 horas, parei em uma delegacia para me informar com os policias a respeito do caminho que tinha traçado, a partir dali seria estrada de chão. O policial que me atendeu não conhecia bem a região, então ligou para um colega que conhecia as estradas por onde eu passaria e perguntou qual era o estado destas estradas, fui desaconselhado a seguir por elas e sim descer a cordilheira até Trujillo para então acessar o canion a partir da carretera Panamericana, isto acrecentaria uns 200 km, porém de asfalto o que em tempo não acrescentaria. Voltei então para a estrada, era apenas seguir em frente para chegar em Trujillo. Andei uns 50 km procurando lugar pra acampar e no escuro, não achava nada legal até achar uma ruazinha que ia para um montanha, entrei nela e vi que ninguem passava por ela a tempos, achei um lugar plano e montei a barraca lá mesmo. Estava a 3.300 metros de altitude e já não estava tão frio.

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Esta cara estava em uma montanha perto de uma cidade que não lembro o nome.

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No alto da cordilheira com chuva e frio. Foi osso.

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Local do camping pela manhã.

 

Quilometragem do dia: 270 km

Quilometragem acumulada: 8625 km

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27º dia

Dia 02 de janeiro de 2017

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Trajeto do dia.

 

 

Acordei no meio da madrugada com dor de barriga, tinha alguns dias que estava com diarreia, e tive que sair da barraca pra dar uma aliviada. O céu estava limpo e estrelado, o que me facilitou um pouco em achar um lugar para fazer o serviço. Ao amanhecer vi que tinha acampado a 100 metros de um cemitério, o que pra mim não seria problema mesmo que tivesse visto ele a noite.

Deixei a barraca e lona estendidos ao sol para secar enquanto comia e arrumava as as tralhas na moto. Ao iniciar a descida da cordilheira, que segue ao longo do vale do rio Moche, em uma curva parei para ver várias casinhas feitas em homenagem aos que faleceram em um acidente naquele lugar. Lá tinha um púlpito com a relação dos mortos, eram 40 pessoas que caíram com um ônibus de 200 metros de altura dentro de um rio. Mais uma vez um aviso para ter cuidado.

 

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Desci o vale e cheguei em Trujillo pelas 11 da manhã. Vi uma placa indicando as Huacas del Sol e de La Luna a 5 km, eu não quis visitar quando passei por lá quando ia para o norte, mas pelo que ouvi falar delas nos outros sítios certamente valeria a visita. Segui então até o o museu das huacas, comprei os ingressos e segui para visitar o museu, onde é proibido tirar fotos. No museu são expostos objetos encontrados nas escavações das huacas, são cerâmicas de vários tipos e com vários motivos decorativos. Como os moches eram um povo guerreiro a grande maioria dos desenhos se refere a motivos militares. Existem também algumas peças em metal e outras em madeira, osso, conchas e tecidos. Fiquei mais de uma hora no museu lendo as informações de cada objeto.

Segui então para a Huaca de La Luna. As Huaca de La Luna e del Sol são considerados como um santuário Moche e foi a capital da cultura Moche do século I a.C ao IX d.C. A população vivia em volta destas pirâmides, sendo a Huaca del Sol era um centro administrativo enquanto a de La Luna era um centro religioso, onde eram realizados sacrifícios e oferendas. Ser sacrificado na cultura Moche era motivo de honra e na praça onde eram realizados os sacrifícios foram encontradas mais de 40 ossadas, os sacrificados ficavam onde caiam para serem comidos pelos condores.

Apenas a hHuaca de La Luna foi estudada mais a fundo e restaurada em partes, é possível ver várias pinturas e esculturas nas paredes, esta huaca foi reconstruída 5 vezes. A cada reconstrução toda a huaca era recoberta por uma nova camada de tijolos de argila, remodelada e todas as pinturas e esculturas refeitas. Estes processos de construção e reconstrução consumiram 140 milhões de tijolos. No passeio pela huaca é possível ver 3 dessas camadas em uma parte que foi escavada. A Huaca del Sol foi pouco estudada e não tem áreas restauradas e a visitação não é permitida. Os únicos trabalhos de escavação que se percebem lá são na área entre as huacas, que é a área onde vivia a população.

As huacas foram abandonadas em função das mudanças climáticas provocadas por El Niños severos que abalaram a fé que os moches tinham em seus deuses.

 

Abaixo uma sequência de fotos da Huaca de La Luna.

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É uma visita imperdível para quem está na região.

Voltei para a moto e encontro ela deitada no estacionamento, o vento era forte e a areia cedeu. Segui para a cidade em busca de um lugar para almoçar e depois segui pela carretera Panamericana até a cidade de Santa, onde no mercado municipal eu comprei uma manta para substituir as peças de roupa que eu tinha perdido e segui pela ruta 12 para o Cânion del Pato. No início a paisagem não é das mais mais bonitas, mas conforme se avança em direção a cordilheira o vale vai estreitando e espremendo a estrada entre o rio e a montanha obrigando a estrada a copiar as curvas do rio.

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Inicio do Cânion del Pato.

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Segui até as 17:30, o sol já se escondia atrás das montanhas e o clima era ameno. Achei um lugar entre o rio e a estrada, de onde se tiravam pedras e areia, e lá mesmo montei minha barraca para na manhã seguinte seguir para o Nevado Huascaran.

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Local do camping.

 

Quilometragem do dia: 270 km

Quilometragem acumulada: 8895 km

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28º dia

Dia 02 de janeiro de 2017

 

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Trajeto do dia.

 

 

Depois de uma noite tranquila acordei disposto e feliz, pois hoje era o grande dia de conhecer a cordilheira branca. Sonho meu e de muitos.

Fui subindo o cânion acompanhando o rio caudaloso em função da chuvas no alto da cordilheira. Eu tinha acampado bem no início da parte bonita do cânion e conforme eu ia subindo o cânion ia fechando e logo começaram a aparecer os primeiros túneis e pontes, nesta parte a cordilheira tem várias cores em função de vários tipos de minerais e em função disso ao longo do cânion tem varias áreas de mineração, mas de pequeno porte.

O cânion tem 40 km de extensão e conta com 35 túneis neste trajeto. A estrada foi construída sobre uma antiga linha férrea desativada e separa a Cordilheira Branca da Cordilheira Negra. No cânion foi construída a primeira hidroelétrica peruana em meio as montanhas. Dali saem linhas de alta tensão para alimentar várias regiões do Peru e a estrada de manutenção destas linhas, que também é a ligação entre algumas cidades é uma das mais perigosas do mundo, inclusive a série Estradas Mortais teve um episódio gravado nela. Ótima dica de passeio, certamente quando voltar a região passarei por esta estrada.

Até chegar a hidroelétrica foram poucos túneis e após ela o cânion se fecha e obrigou a construção de vários túneis, alguns deles com mais de 100 metros e como não tem iluminação foram feitas janelas cavadas nas rochas dando um charme único a estes túneis. Os 134 km que me percorri até Yungay me tomaram 4 horas em função da beleza do cânion e das centenas de paradas para fotos e apreciar os lugares.

Abaixo uma sequência de fotos do Cânion del Pato.

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Yungay é a cidade de acesso ao parque nacional Huascaran, esta cidade que segundo o censo de 2002 tinha 16.800 pessoas, mas já teve mais de 20.000 habitantes até 1970, quando um terremoto de magnitude 7,9 graus atingiu a região no dia 31 de maio de 1970. O terremoto fez uma placa de gelo do nevado Huascaran se desprender e descer sobre Yungay que estava a 18 km de distância. Estimasse que 40 milhões de m³ de gelo e pedras desceram da montanha a uma velocidade entre 280 a 335 km/h, soterrando completamente a cidade. Dos mais de 20.000 habitantes apenas 300 sobreviveram, destes 92 pessoas que correram para o cemitério da cidade que é mais elevado, 25 pessoas que correram para outro morro vizinho a cidade e o restante, na maioria crianças que estavam em um circo itinerante a 700 metros do centro da cidade. Após o acontecido o local da tragédia foi abandonado e nenhum corpo ou bem material foi retirado do local e declarada zona de desastre intangível pelo governo local. Hoje o local é um parque em memória aos desaparecidos. No local ainda é possível ver alguns dos vestígios da tragédia como um ônibus que tinha chegado horas antes da tragédia com quase 40 pessoas a bordo e os restos da igreja que ficava na praça central.

 

Abaixo sequência de fotos do campo santo de Yungay.

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Após o passeio pelo parque fui procurar uma Lan House para mandar notícias e depois fui almoçar. Achei um restaurante onde pedi o menu, é assim que se pede o prato básico como se fosse pedir um prato feito no Brasil, que custou 5 reais, saí de lá e fui em outro restaurante e pedi outro menu, que também custou 5 reais. Tinha que comer bem, pois sabia que no dia seguinte poderia não achar um restaurante. Segui então por uma estradinha de terra cordilheira acima até chegar a uma cancela na entrada do parque. O guarda me informou que teria que pagar 10 reais para entrar e que era válido por 24 horas. Enquanto conversávamos chegou um cara em uma moto trail de 200 cc com um galão de 20 litros de gasolina amarrado na lateral da moto e uma mochila grande amarrada atrás. Era um eslovaco, professor de inglês e espanhol que tinha comprado esta moto de um brasilieiro em Iquitos e ia percorrer a Cordilheira Branca e depois seguiria para Cusco. Conversamos um pouco e depois de pagar a minha entrada segui.

Minha primeira parada foi na laguna Llanganuco Chinancocha, uma laguna de um azul que não tem como descrever, as fotos mostram um pouco do lugar, mas só quem foi lá sabe o que realmente é aquele lugar. A emoção de estar ali, depois de tanto ver as fotos de outras pessoas e ficar namorando pelo Google Maps, é grande. Fiquei lá comtemplando a beleza por um tempo e segui para a laguna Orconcocha, que por estar ao lado da outra laguna perde um pouco de sua beleza. A estrada que liga as duas lagunas passa ao lado de uma montanha que tem várias cachoeiras formadas pela água do degelo dos glaciares e que alimentam os lagos. Após as lagunas continuei pela estrada em péssimas condições, com muitas pedras soltas e buracos, para subir a cordilheira e lá do topo poder ter a visão do nevado Huascaran e das lagunas. Até aquele momento o Huascaran estava encoberto por nuvens e apenas conseguia ver o início dos glaciares. Fui subindo devagar e como é normal nesta época, começou a chover e o frio aumentava conforme eu subia. Já quase no alto da cordilheira começou a chover um granizo fino que já se acumulava em alguns pontos ao longo do caminho. Ao chegar na ultima curva antes de começar a descer para o outro lado da cordilheira parei para algumas fotos e o Huascaran continuava encoberto, o que pra mim era decepcionante. O lugar é muito lindo quando não está encoberto.

Abaixo uma sequência de foto das Lagunas Llanganuco e Orconconcha e abra Portachuelo.

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Desci então para o outro lado, que não tem a mesma beleza e fui descendo, com os dedos doendo de frio e uma chuvinha fina. Não podia andar a mais que 30 km/h por conta das condições da estrada. Cheguei em Yamana sob chuva, já eram 17 horas, parei na delegacia da cidade para me informar sobre o caminho e o policial me recomendou que ficasse na cidade, pois até a proxima cidade eu não chegaria durante o dia e provavelmente anoiteceria na cordilheira e com chuva. Me falou para procurar a paróquia da cidade, era uma casa grande onde ficavam padres, freiras e outras pessoas da igreja católica, que eles sempre acolhiam viajantes e que talvez tivesse lá um lugar para eu acampar. Passei em um mercadinho antes e comprei algumas coisas. Cheguei na paróquia e expliquei para quem me atendeu que eu procurava um lugar para acampar, que poderia ser do lado de fora na grama, tinha um gramado grande em frente a casa que fica em uma fazenda. A pessoa me disse que seria complicado, porque estavam organizando uma festa para os próximos dias. Não insisti mais, do lado de fora eu não ia atrapalhar ninguém e vi que o cara não estava querendo minha presença ali. Ele me disse que eu poderia seguir o caminho para a cidade que eu estava indo e acampar em um estábulo abandonado a uns 5 km a frente.

Esta era a segunda vez, em todas as viagens que fiz, que pedi um lugar pra acampar e que me foi negado, por isso evito pedir para alguém um lugar para ficar. Os sentimentos que vem após uma situação dessa não contribuem em nada positivo, então melhor nem tentar pedir novamente.

Cheguei no tal estábulo, era uma casa e uma estábulo que ficavam na montanha, cheguei lá quando estava anoitecendo, entrei no estábulo, um lugar coberto e com piso de concreto, o frio já era intenso, estava a mais de 3.000 metros de altitude e chovendo. Montei a barraca, comi algumas frutas e fui me arrumar para dormir. Me enrolei na manta e entrei no saco de dormir. Não passei frio esta noite, a manta funcionou bem, pois a noite foi gelada.

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Local do camping.

 

 

 

 

Quilometragem do dia: 260 km

Quilometragem acumulada: 9155 km

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29º dia

Dia 04 de janeiro de 2017

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Trajeto do do dia

 

Depois de uma noite tranquila no estábulo e uma manhã muito fria, desmontei a barraca, guardei as tralhas e coloquei a moto na rua para tentar fazer ela pegar.

No fim do dia anterior ela ligou a luz da injeção e não desligou mais, quando eu desligava ela pra ligar depois era só depois de muitas viradas do motor. Ao tentar ligar aconteceu o mesmo novamente e ela não ligava, lembrei então que tinha um spray anti-fungos que o Edson tinha me dado e como pelo barulho parecia que não tinha gasolina, pois nem sinal de a moto querer ligar então se eu colocasse o spray na caixa do filtro de ar ela poderia ligar com os gases do spray se fosse pela falta de injeção de gasolina.

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Escorregada na lama.

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Acessei a caixa do filtro através da carenagem que estava solta e soltei bastante gás la dentro e dei partida. Ligou na hora, mas a luz da injeção continuava ligada e a lenta alterada.

Segui então pela estradinha que me levaria ao abra Punta Olímpica, uma estradinha molhada pelas chuvas da noite anterior e com alguns lugares bem lisos. Em um desses lugares eu já estava devagar e mesmo assim a frente saiu e a moto caiu, eu saí de pé, mas como o celular estava no bolso carregando arrebentou o cado do carregador. Agora eu teria duas coisas para arrumar na próxima cidade, o problema da injeção e um cabo de carregador. Levantei a moto sob os olhares de duas crianças que passavam e segui descendo aquela estradinha com todo cuidado, passei por várias pequenas vilas até chegar novamente ao asfalto.

O asfalto que leva até o abra Punta Olímpica passa por lugares muito belos, ele segue por um vale, ao fim dele ficam os picos nevados que vão crescendo conforme me aproximo. Já próximo do início da subida a imponência das montanhas nevadas nos mostram o quanto somos pequenos frente a natureza. A subida é composta de muitas curvas por um asfalto de qualidade que permite uma condução gostosa pelas curvas e a cada curva um novo ângulo para foto. A subida se deu devagar apreciando a paisagem, tirando fotos e filmando.

Perto do túnel parei para fotografar um lago e encontrei um colombiano que já morou no Rio de Janeiro e estava passeando pelo Peru com um Clio 1.0, trocamos algumas informações, pois estávamos fazendo caminhos inversos.

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Deixei o asfalto para subir pela antiga estrada, abandonada após a conclusão do túnel. Subi alguns lances da estradinha em péssimas e subida ingrime até a moto não ter mais forças para se empurrar. Parei e troquei o pinhão, ela conseguiu vencer aquela subida e continuando tive que em alguns lugares ajeitar algumas pedras em valas para continuar a subida. Em alguns lugares o motor se rendeu e tive que ajudar com meus pés e com dificuldades alcancei o abra Punta Olímpica no alto de seus 4.900 metros.

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O abra estava com neve na estrada, que tive que cruzar com cuidado e ajudando a empurrar, pois o pneu não traciona na neve.

Estar ali naquele lugar com aquela moto foi outra emoção forte, como chegar na nascente do Rio Amazonas. Os lugares difíceis tem um gostinho de vitória e acabam sendo meus troféus. Até agora já tenho 3 desta viagem.

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Comecei a descer o abra sem saber se seria possível, logo na primeira curva a estrada estava coberta de neve e novamente tive que passar ajudando com os pés. Aproveitei também e fiz meu primeiro boneco de neve. A emoção era tanta por estar ali que nem ligava para o frio. Continuei descendo e por este lado a estrada está em melhores condições. Parei para pegar água que descia da montanha, água de degelo, muito gostosa e geladinha.

Ao voltar para o asfalto fui tirar uma foto em frente ao túnel e uns turistas vieram pedir se poderiam tirar foto com a moto, pois tinham visto eu descendo pela estradinha.

Descendo agora pelo asfalto cheguei a um mirante onde tem a indicação do nome de cada montanha e suas respectivas altitudes. Um pouco a frente iniciava uma descida parecida com os caracoles chilenos, várias curvas consecutivas em 180º que descem em poucos quilômetros quase 1000 metros de altitude. Seguindo pelo vale e depois por um declive pouco acentuado cheguei a ruta 3N que leva à Huaraz.

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Em Huaraz fui até uma Lan House pesquisar o que poderia ser o defeito da injeção, que piscava 7 vezes e a pesquisa retornou que seria um sensor de temperatura do motor que poderia estar com problemas e que este erro de leitura dificultaria a partida a frio, ou seja, tudo que acontecia com a moto. Sabendo qual era o defeito fui procurar na moto o sensor e vi que ele tinha sido quebrado por alguma pedra que bateu nele. Fui então procurar uma oficina especializada Honda, perguntei para um policial, que estava em uma Twister, se tinha alguma autorizada Honda na cidade e ele falou que não e me recomendou uma oficina, que segundo ele, tinham mecânicos que poderiam me ajudar. Cheguei na tal oficina, mostrei o conector do sensor quebrado e pedi pra ele dar um jeito de colar, já que os contatos ainda estavam no sensor. Serviço feito ao custo de 5 reais e a falha sumiu. Se tivesse estragado o sensor provavelmente eu não conseguiria outro até chegar ao Brasil.

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Conector quebrado

 

Fui então comprar um cabo para o carregador e algumas coisas para comer. Passei no mercado municipal e ao passar pela partes que vende peixes e carnes contei 7 cachorros pelos corredores. O lugar não tem refrigeração e as carnes ficam expostas nos balcões e pendurados em ganchos, é assim em todos os mercados no Peru. Cada vez que vou almoçar tento pensar que a carne não veio de um desses lugares.

Já passava das 17 horas quando saí de Huaraz, olhei o meu roteiro e decidi inverter a ordem das passagens pela cordilheira para poder passar no Glaciar Pastoruri pela manhã e aproveita o tempo limpo e sem chuva, já que toda tarde chove e no glaciar tem uma caminhada de 5 km para fazer. Segui então até perto de o sol se por. Achei um lugar para acampar perto do rio em um local utilizado para retirar pedras, sob um eucaliptos e na grama. Lugar perfeito.

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Local do camping

 

 

Quilometragem do dia: 180 km

Quilometragem acumulada: 9335 km

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30º dia

Dia 05 de janeiro de 2017

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Trajeto do dia

 

Saí cedo para poder aproveitar ao máximo o tempo sem chuva. Depois de 20 km deixei o asfalto para para seguir por uma estrada de chão em boas condições e depois de uma hora eu estava na portaria do parque nacional Huascaran, paguei R$10,00 pela entrada e continuei. Ao lado da estrada vi umas casinhas com teto de palha em formato circular, como as várias ruínas que existem em vários lugares nas cordilheiras, realmente aquelas pessoas vivem como seus ancestrais. No caminho para o glaciar Pastoruri parei para ver umas pinturas rupestres feitas em uma lage de rocha que brota da terra, as pinturas são de pessoas e animais. Em mais uma hora eu estava no estacionamento do parque e iniciei a caminhada de 2,5 km até o glaciar.

 

Vivendo como a milhares de anos atrás

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Pinturas rupestres

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Como cheguei lá cedo, 8:45 da manhã, fui o primeiro a subir. Ao longo da calçada existem placas indicando onde o glaciar estava anos atrás e é possível ver como ele recuou em função do aquecimento global. Em 1980 ele era uma das pistas de esqui mais altas do mundo e fervia de turistas com seus esquis e pranchas de snowboard, com o tempo o gelo foi diminuindo e o turismo no local diminuiu e o foco então mudou. O turismo passou a ser de estudantes e amantes da natureza quem vão até o local para apreciar sua beleza, ficando os esportes impraticáveis no local. Levei uma hora para chegar ao glaciar, a subida tem um desnível de 200 metros e chega a 5020 metros de altitude, por eu estar a vários dias em altitude não sofri tanto, mas também não foi fácil chegar até lá, foram várias paradas para tomar fôlego. Como não tinha ninguém, nem os guarda-parque eu pude passar as cordas que restringem o acesso até o gelo e cheguei bem perto para ver as cavernas criadas pelo degelo. Sentei na margem do lago e fiquei apreciando a paisagem por um tempo e esperando as nuvens sair da frente do sol para eu poder fotografar o icebergs no lago.Na saída do lago existem uma rochas com fosseis de vegetais de milhões de anos, tinha também uma placa indicando pegadas de dinossauros, procurei as pegadas mas não achei. Durante a descida subiam turistas com cavalos que podem ser alugados a R$15,00 cada, subiam também a pé e ofegantes os menos "endinheirados".

 

Abaixo uma sequência de fotos do Glaciar Pastoruri

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Voltei para a moto e segui então para Chavin de Huantar. A estrada logo após o glaciar é fantástica, ela passa ao lado de montanhas nevadas e vales verdejantes por conta de ser a época de chuvas na região. A altitude de mais de 4.000 metros crescem apenas um tipo de capim fino e duro e alguns tipos de musgo. Parei para fotografar um vale e pude observar uma tropa de cavalos, uns 20, correndo livre em uma montanha, provavelmente cavalos selvagens. Seguindo passei por um lugar que é impossível descrever com perfeição a beleza, era um vale com formações rochosas muito bonitas, o vale era um misto de verde a amarelo da vegetação e o sol que batia nas plantas deixava o que já era belo muito mais bonito. Depois de muitas paradas para fotos cheguei à ruta 3N.

 

Abaixo uma sequência de fotos do caminho entre o Glaciar Pastoruri e a Ruta 3N

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Na ruta tem 2 lugares onde podemos ver pegadas de dinossauros que estão na vertical hoje por conta do levantamento da cordilheira que ocorreu depois da era dos dinossauros.

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Pegadas de dinossauro.

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Segui nela por alguns quilômetros até voltar para uma estrada de chão que leva à Chavin, mas antes passa por uma mina de cobre gigante que está destruindo algumas montanhas lindas, o que eram montanhas de pedra cinza viraram montanhas de rejeitos da mineração. Eram 14 horas quando começou a chover e eu ainda não tinha almoçado, não tinha passado por nenhuma cidade e a próxima seria Chavin que estava a 3 horas de distância.

No Peru e Bolívia é muito comum quando você pergunta um distância a pessoa responder em tempo, na verdade nunca me responderam em km e a resposta em tempo nunca bateu, geralmente leva muito mais tempo que o indicado.

Depois de muitas subidas e descidas e inúmeras curvas cheguei a Chavin de Huantar, meu objetivo nesta cidade era visitar o sítio arqueológico de Chavin de Huantar que é da cultura Chavin construído entre 1500 e 300 a.C.. Parei em restaurante e perguntei se sabiam até que horas estaria aberto o sítio, pois geralmente fecham as 17 horas, a moça não sabia, como faltava 5 minutos para as 17 horas e eu não chegaria a tempo lá, pedi um "menu" e após comer fui até o sítio, lá vi que fechava as 17 horas.

Eu não poderia ficar ali e esperar até o outro dia as 9 da manhã para fazer a visita, então triste por não poder visitar resolvi seguir viagem. Abasteci e fui seguindo pela estrada quando vi uma terma pública na saída da cidade. Eu já estava precisando de um banho então resolvi parar e aproveitar a oportunidade. Depois do banho segui pela estrada que estava em obras, parte tinha asfalto e parte sem, no inicio da subida de uma montanha eu vi um caminho que saia da estrada pra uma encosta, entrei e achei um lugar que seria bom para acampar, estava a 3.500 metros e com garoa. Montei a barraca lá e logo escureceu.

 

Quilometragem do dia: 145 km

Quilometragem acumulada: 9480 km

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32º dia

Dia 07 de janeiro de 2017

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Trajeto do dia

 

Saí ao amanhecer e logo estava no vale do rio Cañete, após passar a última cidade antes de começar a subir a cordilheira a pista é simples e asfaltada, não passando de 3 metros em alguns lugares, ela segue o curso do rio e troca de margens de tempos em tempos. O rio tem águas transparentes e uma tonalidade entre o verde e o azul. Ao longo do vale é possível ver várias plantações frutíferas, são maças, mangas, uvas, entre outros. São 150 km de asfalto e pista simples até chegar a estrada que leva à Laraos. Laraos é uma vila em meio a duas montanhas que ainda hoje utiliza os andenes feitos pelos incas, acredito que este deve ser um dos lugares com o maior numero de andenes que se pode observar em um só lugar, são milhares deles que sobem uns 500 metros montanha acima e a maioria ainda é utilizado pelos moradores da cidade para as mais diversas culturas de vegetais. A cidade tem ruas estreitas e as casas são feitas de pedras unidas com argila, apesar de serem parecidas com casas incas elas foram construídas pelos habitantes locais, os incas não habitavam este local, era apenas utilizado para cultivo.

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Após a visita à Laraos segui para Huancaya, uma cidade pequenas por onde o rio Cañete passa e forma várias pequenas cascatas devido a deposição de minerais sobre as pedras represando água e formando degraus. Almocei em um restaurante estilo colonial que não vendia o menu e sim pratos a la carte, mas convencia a mulher a me fazer algo parecido e ainda num preço bom de R$8,00. Após o almoço segui subindo o rio pela estrada que o acompanha, dela pude ver várias lindas lagoas azul turquesa. Segui até achar que eu estava indo no caminho errado e uma chuvinha já caia. Olhei no mapa e percebi que eu teria que ter voltado e pegado outra estradinha logo após Laraos. Como eu tinha mudado o meu roteiro no dia anterior acabei me confundindo e rodei 15 km no sentido errado. Voltei e peguei o caminho certo que me levaria até o Cânion Uchco, ainda sob chuva e um frio que só aumentava. O cânion é impressionante, as águas que por lá correram cortaram em mais de 100 metros um bloco de pedra, o rio tem uma largura de uns 8 metros em seu ponto mais estreito, onde a estrada foi cortada na rocha e acompanha o rio. Na garganta do cânion as montanhas sobre quase que verticalmente mais de 500 metros.

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Cânion Uchco

 

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Cachoeiras de Huancaya

 

abaixo fotos do Rio Cañete

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Portal de Huancaya

 

Abaixo fotos do Rio Cañete

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Abaixo fotos do Cânion Uchco

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Passado o cânion continuei subindo a cordilheira por um asfalto que estava em obras em alguns pontos e nestes faltando era de barro. Chegando quase no alto da cordilheira começou a nevar, segui então com cuidado e a neve foi aumentando, via nos carros que vinham no sentido contrário um acumulo de neve neles o que significaria que a nevasca estava forte a frente, cheguei a pensar que a estrada poderia fechar em função da neve e eu ter que voltar, mas enquanto tinha gente vindo era porque estava aberta. O frio que sentia até diminuiu durante o tempo que a neve caiu, talvez pela emoção que sentia que desviou minha atenção para outras coisas além do frio.

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Pra mim a parte mais legal da viagem é andar na neve e tudo conspirava a meu favor neste sentido, a neve aumentou a ponto de eu não enxergar a 100 metros na minha frente. Andei quase uma hora na neve, passei por uns pastores de llhamas com elas cobertas de neve sendo recolhidas em um cercado e depois a neve parou, eram 17:30 horas já e eu estava na montanha ainda. Olhei no GPS e Huancayo ficava a 60 km de onde estava, decidi então tocar até a cidade e ficar em um hotel para tomar um banho quente. Anoiteceu quando eu estava a uns 20 km da cidade. Segui com todo cuidado, pois em muitas cidades vi que o pessoal rouba as tampas de boieros que ficam no meio da rua e também tinha a possibilidade de pedras e animais na rua.

Na cidade achei um hotel com garagem por R$20,00, mas para minha ingrata surpresa a água do chuveiro estava fria, era usado aquecedor solar e como no verão a tarde sempre chove a água não esquenta, tomei um banho de gato e fui dormir.

Quilometragem do dia: 370 km

Quilometragem acumulada: 10.420 km

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  • 3 semanas depois...
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33º dia

Dia 08 de janeiro de 2017

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Depois de uma noite mal dormida, pois o hotel tinha uma campainha que a cada vez que tocava acordava todo mundo, além de fazer eco em todo o prédio a batida de portas de todos os andares. As 6:30 horas eu já estava na estrada com céu aberto e alguma neblina pelos campos.

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Andei alguns quilômetros por uma boa estrada e logo começou uma pista simples, aquelas asfaltadas com 3 metros de largura, seriam 150 km por ela até Ayacucho acompanhando o rio Mantaro. A estrada é bonita, mas é perigosa, a estrada se espreme entre a montanha e o rio e qualquer descuido você pode ir tomar banho de rio sem querer e em alguns lugares chega a mais de 50 metros de altura até o rio. Já acostumado a andar nestas estradas estreitas e perigosas eu pilotava devagar e buzinando nas curvas muito fechadas e sem visibilidade e nesta estrada passei pelo segundo grande susto da viagem. Entrou um inseto dentro do capacete, eu estava entrando em uma curva, fui abrir a viseira quando percebi um carro vindo no sentido contrário, era uma curva para a esquerda com o rio na minha direita, consegui tirar a moto para a direita e por muito pouco na bato de frente no carro e se bato cairia no rio. O susto foi grande, chegou a formigar a língua tamanho foi o susto.

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Almocei em Ayacucho e continuei pela ruta 3S para tentar chegar o mais perto possível de Abancay. A chuva começou as 15 horas quando eu estava a uns 4000 metros de altitude cruzando uma cordilheira e logo começou a chover granizo fino, o frio era grande e não tinha onde se abrigar, continuei andando e o granizo foi se acumulando na pista.

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Eu andava a 20 km/h porque era perigoso andar mais rápido o pneu começava a derrapar sobre o gelo que cobria o asfalto com uma camada de uns 5 centímetros. Devo ter andado uns 10 km nestas condições e depois a chuva me acompanhou pelo resto do dia. Quando já começava a escurecer eu ainda estava descendo a cordilheira e decidi procurar um hotel na próxima cidade. O frio tortura a gente e me deixa carente por uma cama quentinha. Andei uns 50 km no escuro, coisa que não gosto de fazer fora do Brasil, até chegar em Andahuaylas.

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Achei um hotel lá por R$20,00 e fui ao mercado abastecer minha dispensa que já estava quase sem comida e voltei para o hotel, onde tomei outro banho frio, pois a água também era aquecida pelo sol que não se fazia presente em boa parte do dia.

Quilometragem do dia: 470 km

Quilometragem acumulada: 10.890 km

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34º dia

Dia 09 de janeiro de 2017

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Finalmente uma noite de sono tranquila e quentinha no hotel em Andahuaylas. Saí as 6:30 horas para fazer render o dia, o trajeto tem inúmeras curvas e não permite manter uma boa média de km/h.

entre Andahuaylas e Abancay o caminho é cheio de curvas e as ultrapassagens são difíceis, andei por vários quilômetros atrás de ônibus e caminhões, o que em partes foi bom pois o calor do motor aquecia um pouco a manhã gelada na cordilheira. Passando Abancay uns 100 km peguei um temporal que eu vinha me seguindo por toda a manhã, depois de uns 30 km parou de chover e a pista ficou melhor para andar, com menos curvas fechadas.

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43 pessoas morreram em um acidente de ônibus aqui.

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Existem vários cachorros no Peru e Bolívia que ficam as margens da rodovia só vendo o transito, ainda não sei porque fazem isso.

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Cheguei em Cusco pelas 15 horas, fui até a praça das armas, que estava fechada apenas para o público, e nem parei, não podeia perder muito tempo se quisesse chegar em casa a tempo de não me atrasar para o trabalho. Como Cusco foi objetivo de uma viagem de 2015 e eu já conhecia a maioria dos lugares toquei direto para chegar o mais perto possível do Titicaca. No caminho passei por alguns sítios arqueológicos e tirei fotos apenas de longe, até porque já estavam fechados. Ao chegar mais perto das montanhas era possível perceber a neve no topo, devido as chuvas e nevascas de verão. O sol estava se pondo e eu não tinha achado nenhum lugar bom para camping. O GPS indicava 60 km até a cidade de Ayaviri. Antes de cruzar a montanha parei em um bloqueio policial para perguntar se não teria algum hotel em alguma das vilas próximas e me responderam que não tinha. Quando eu ia saindo um policial que me viu chegando veio me avisar que o farol estava desligado e que como estava escurecendo era bom que eu o mantivesse ligado, poderia ter me multado se quisesse, mas como sempre foram muito corteses e atenciosos. Cruzei o Abra de La Raya, com seus 4.338 metros de altitude, já no escuro. Com muito cuidado a noite segui por mais uma hora até Ayaviri onde encontrei um hotel e depois de pechinchar um pouco achei um quarto com banho frio por R$20,00.

Quilometragem do dia: 550 km

Quilometragem acumulada: 11.440 km

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35º dia

Dia 10 de janeiro de 2017

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Trajeto do dia

 

Saí cedinho do hotel, a ideia era chegar até La Paz saindo para a Bolívia pelo lado leste do Titicaca. Andei 70 km por estradas asfaltadas para então em Azángaro iniciar um trecho de estrada de chão de 35 km até uma cidadezinha de nome sugestivo, Chupa. Este trecho que não estava roteado no GPS e que não era de estradas sinalizadas eu tive que pedir informação diversas vezes para não me perder, não podia perder tempo, a estrada estava em péssimas condições, com muita lama, mas o visual compensou o trecho. A partir de Chupa eu segui por estradas pavimentadas, algumas com muitos buracos e ondulações passando por várias vilas as margens do lago Titicaca.

 

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Era perto do meio dia quando cheguei à fronteira. Para minha surpresa nesta fronteira havia apenas um posto de aduana do Peru, o oficial que me atendeu queria dar saída na moto de qqr jeito, mas não entreguei o papel à ele, dizendo que não sairia irregular do Peru e muito menos entraria irregular na Bolívia, sob pena de perder a moto na primeira barreira policial e ainda ser deportado. O jeito seria ir até Juliaca e seguir para a Bolívia por Yunguyo, teria que andar 120 km para voltar a avançar e minha viagem, ou seja, 240 km andados sem precisar, mas o visual deste lado do Titicaca não se compara ao outro lado. A água tem vários tons de azul e tem várias ilhas ao longo do lago. Almocei em uma das cidadezinhas, duas vezes, custava 4 soles, R$4,00, e depois comprei uma fruta que tem parece um maracujá, mas que tem gosto de melão e era chamada de pepino. Coisas do Peru.

 

Abaixo fotos do lago Titicaca e seus 50 tons de azul.

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Outra coisa interessante é a quantidade de homenagens feitas a mortos em acidentes na estrada, eram muito e muitas vezes tinham aglomerados de casinhas com entre 8 e 14 casinhas do mesmo acidente, indício de que a região é muito perigosa e que certamente aconteceram com vans superlotadas, o que é comum lá.

Cheguei em Juliaca no meio da tarde, da outra vez que passei por lá foi difícil sair da cidade e desta vez não foi diferente. A cidade continua com obras em diversas ruas e com as chuvas de verão tudo parece um mangue, em alguns lugares a lama chegava no motor. Fui seguindo sempre no sentido sul para chegar ao centro e lá me informar como sair. No centro já tinham terminado as obras que tinham quando passei em 2015 e depois de algumas perguntas cheguei a estrada que fizeram nova também, no inicio da cidade, que liga Juliaca a Puno. Esta estrada é composta de várias retas e em boas condições e nela meu passatempo era contar o numero de casinhas de homenagem a quem morreu ali na estrada e cada reta, as retas tinham em média 5 km e não contei menos de 15 casinhas em cada. É a região mais perigosa de todo o Peru, se levar em consideração o número de casinhas, e logo pude ver o porque. Muitos forçam a ultrapassagem nas retas, forçando os outros a irem para o acostamento.

Passei por Puno sem parar, não era objetivo desta viagem e segui até até o entardecer, que perto de Pomata proporcionou um dos mais belos por do sol na região de montanha, até porque este foi o primeiro dia na cordilheira que não pego chuva a tarde.

Por do sol no Titicaca

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Achei um bom lugar para acampar em uma pedreira as margens do Titicaca, passei a lona por cima da barraca e amarrei bem, pois ventava e loga a chuva viria.

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Local do camping.

Quilometragem do dia: 470 km

Quilometragem acumulada: 11.910 km

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36º dia

Dia 11 de janeiro de 2017

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Trajeto do dia

 

Desmontei o acampamento e segui para Yunguyo, antes enchi o galão e 2 pets de gasolina, pois não estava disposto a negociar o preço para estrangeiro nos postos da Bolívia. Cheguei na fronteira eram 8 horas, parei em uma casa de câmbio para trocar o que me restava de Soles por Bolivianos, fiz a troca em 2:1, por curiosidade perguntei qual era a cotação de Real para Boliviano e a resposta foi 1:1, muito longe da de San Pedro de Atacama que era de 1:1,7.

Fui então fazer os trâmites de saída do Peru. A imigração foi rápida já a aduana demorou e só tinham 3 pessoas na minha frente. A pessoa vai para uma salinha mostra a documentação e um oficial com muito pouca vontade atende o cara e faz um monte de perguntas, levei uns 40 minutos para ser atendido. Estava curioso para saber o que tanto falavam, mas na minha vez foi rápido. Entreguei os documentos o agente fez a minha saída e não demorou nem 5 minutos. Liberado para seguir, fui até o lado boliviano, fiz a imigração que foi rápida e segui para a aduana. Lá um senhor já com uns 65 anos me atendeu. Me deu uma folha impressa com os campos em branco, como a que peguei na aduana da laguna Colorada preenchida, me escreveu o nome do site da aduana e mandou eu ir preencher em alguma lan house, imprimir e voltar lá. Perguntei por uma lan house e ele me falou que tinha uma ao lado da imigração e que o cara cobrava 4 reais para preencher e imprimir o formulário. Cheguei lá para prrencher o formulário e pedi um computador para fazer, o cara disse que eu não poderia usar e que se quisesse ia ter que pagar os 4 reais para ele fazer, perguntei por outra lan house e ele falou que não tinha. Resumindo, paguei puto da cara primeiro porque era trabalho do agente da aduana fazer aquilo, como sempre foi feito nas outras aduanas, segundo porque eu não pude fazer e imprimir a folha sozinho e tive que pagar um valor acima do que deveria, caso realmente fosse necessário fazer aquilo. Puto voltei lá na aduana, entreguei o papel para o agente, que deve estar ganhando uns trocados do cara da lan house. Fiquei morrendo de vontade de falar umas verdades para aquele velho preguiçoso, mas não poderia fazer sob pena de ele não me deixar entrar. Engoli o sapo e fomos ver a moto, ele só quis ver o número do chassi e nem olhou as bagagens, voltamos na aduana ele carimbou a folha e pude seguir.

 

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Um pouco antes de Copacabana tive que pagar 5 reais para passar pela estrada em um posto de controle de turistas. Passei direto pela cidade que não me chamou a atenção, também não tinha pesquisado nada sobre ela e estava sem tempo. A estrada que liga Copacabana até a balsa estava em boas condições e com muitas curvas. Desta estrada é possível ter uma vista do alto para o lago Titicaca, como o céu estava parcialmente encoberto a paisagem não me chamou muita atenção, frente a beleza que tinha visto no dia anterior do outro lado do lago. Chegando ao porto subi a moto na balsa feita de madeira e puxada por um motor de popa de 250 HP que levou a balsa a uns 10 km/h, pouco para aquele motor. Ao desembarcar paguei os 10 reais pedidos pelo barqueiro e segui para Huarina, onde pegaria a estrada para El Alto. Esta estrada até Huarina é perigosa, tem muitas curvas e alguns buracos e outros buracos que foram cheios com pedras de rio. Pelo meio dia parei em um restaurante onde tinha muitos locais comendo, não tinha o "almuerzo familiar" que é como o prato feito do Brasil para eles, mas tinha truta frita que era servida com arroz e batatas ao custo de 10 reais. O restaurante era um tanto sujo, tinha gato andando lá e a comida era feita do lado de fora em uma tenda, sentei do lado de dentro e aguardei servirem. Quando a moça trouxe veio apenas uma colher, tipico deles, pedi então um "cutillo" e um "tenedor" (garfo e faca). A truta estava muito gostosa e o arroz era requentado, enquanto comia vi a moça preparando o parto de outra pessoa, ela pegou a truta e as batatas com as mãos e arrumou o arroz no prato com os dedos também, mas quando ela veio me trazer o garfo e a faca ela trouxe enrolado em um guardanapo, certamente para mostrar a higiene. Fazer o que né, eu já estava comendo e continuei, o que não mata, engorda, confesso que foi meio empurrado o resto.

Segui para El Alto, cidade acima do buraco que La Paz se encontra, a mais de 4.000 metros de altitude. A estrada está sendo duplicada em uma parte e perto de El Alto já está terminada. Chegando na cidade a duplicação termina e começam obras que impedem várias ruas e as ruas alternativas são cheias de buracos e lama. Na cidade eu ia rumando sempre para o leste, que seria a localização do Cerro Chacaltaya, perguntei algumas vezes até achar a rua que me levaria para o cerro, já saindo da cidade tinham na minha frente dois carros com placas do Brasil e eu sem saber com certeza se estava no rumo certo resolvi ir seguindo eles, afinal de contas eles só poderiam estar indo para lá também. Eles pararam em um cruzamento de estradas e eu fui perguntar para um deles se estavam indo para o Chacaltaya e a resposta foi afirmativa. Continuei seguindo eles até ter certeza que não me perderia mais. Passei eles que iam muito devagar desviando dos buracos e pedras. Quando começou a subida mais ingrime a estrada ia ficando cada vez pior, foi feita em grande parte sobre lajes de pedra, e a moto conforme ia subindo ia perdendo potência. A certa altura coloquei a primeira e sempre com o motor cheio não podia deixar a moto parar, caso contrário ela não teria forças para embalar novamente. Cheguei na parte nevada da montanha já perto do cume e perto do fim da estrada um cachorro veio correndo atrás de mim e com a moto sem forças para deixar ele para trás o que fiz foi levantar os pés e tentar manter ela andando. Cheguei então ao lado da famosa casa de máquinas do teleférico desativado. Sonho realizado e com bônus de ter neve pelo chão, o que eu não esperava ver. Fiz várias fotos, fiquei por um tempo contemplando a paisagem e então fui trocar o pinhão de 14 dentes pelo de 15 para ter um pouco mais de velocidade nas retas que teria pela frente depois de voltar para as rodovias.

Lá de cima vi que os carros ainda estavam subindo, eu já estava lá a mais de meia hora. Iniciei a descida e novamente o cachorro veio me perseguir, desta vez como ele ia chegando perto eu fui parando e quando parei ele parou também e ficou me olhando. Ao encontrar os caras dos carros brasileiros, eram bolivianos que moravam no Brasil e estavam de férias, me perguntaram se ainda estava longe e se os carros subiriam, falei que sim e eles continuaram, porém com duas pessoas em cada carro o resto estava subindo a pé, 3 de um carro e 4 de outro, ia ser uma caminhada dura até lá em cima a quase 5.300 metros.

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Na metade da descida eu tinha traçado um roteiro alternativo, um atalho, para chegar mais rápido na rodovia que leva para a Estrada da Morte, um estradinha também em péssimas condições subindo e descendo morros e cruzando um rio, uma estrada que passa pouca gente, tinha apenas rastros de animais na rua. Ao deixar as estradinhas semi abandonadas eu cheguei em uma estrada maior e parei um carro que passava e perguntei se de onde ele vinha dava pra chegar na rodovia, ele falou que sim, que era atrás da montanha, mas também poderia ter me dito que se seguisse ele eu chegaria com mais facilidade. Segui então para cruzar a montanha, uma estradinha que esta sendo preparada para ser asfaltada e cheia de desvios que vai subindo a montanha, cheia de buracos e em alguns lugares com lama. Conforme eu ia subindo a estrada ia ficando pior até que cheguei na área de neblina e o frio aumentou, sobre a montanha a estrada era plana, mas com muita lama e onde não tinha lama era liso, fui andando devagar e com cuidado, mesmo assim saí algumas vezes da estrada até que comprei um terreno.

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O pneu da frente escapou e cai de lado na lama, não fosse pela luva eu tinha ralado a parte de cima da mão. Pouco depois cheguei em uma casa que era um centro de informações turísticas de um parque. Conversei com o guarda, enquanto isso a moto caiu novamente, falei que ia até a estrada da morte e perguntei como seria para achar um lugar para acampar lá, ele falou que tinha um lugar a 1 km depois da estrada da estrada. Aquela casa estava a 500 metros da rodovia para minha alegria. Segui pela rodovia com uma chuva leve até a entrada da Estrada da Morte.

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Entrei nela e no inicio uma placa indicava que era mão inglesa e a preferencia era de quem subia. Um quilômetro depois do inicio cheguei a um local onde provavelmente era cobrada a entrada do pessoal, mas como passava das 18 horas não tinha ninguém, continuei descendo e procurando um lugar para acampar, no km 10 encontrei um entrada que ia em direção à montanha, lá tinha um lugar de onde era retirado barro e não era possível ver da estrada. Lá mesmo acampei e logo começou a chuva novamente.

Quilometragem do dia: 470 km

Quilometragem acumulada: 11.910 km

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