Essa viagem começou, na verdade, há um tempo. Eu vou viajar a Campo Grande na semana santa, e pensei em ir para Bonito antes. Porém queria acampar. Para acampar precisava de uma barraca e digitei no google “barraca Nautika” e vim parar aqui no mochileiros.com. Nem sabia onde estava me metendo naquele momento. Pesquisei sobre Bonito e vi que não era o que eu estava procurando, pois todas as atrações exigem guias. Comecei a viajar pelos relatos de voces e vi alguns sobre Monte Verde. Perguntei para o Marcos SJC que me encorajou bastante a fazer.
Então tinha que comprar o equipamento. Comecei a comprar tudo há duas semanas: Mochila, barraca, saco de dormir, lanterna, fogareiro. No sábado de manhã respirei fundo, subi na moto e rumei para Monte Verde. Não sabia se tinha tudo que precisava, mas se não tivesse descobriria lá.
A viagem foi muito boa, com sol o tempo todo. Cheguei lá no sábado às 11:00 e quando entrei na trilha já era quase 12:00. Esqueci de trazer água e comprei uma garrafa no reataurante de uma senhora bem simpática. Eu achava que a mochila estava lotava e meio que pendurei a garrafa. Ainda na estrada para a trilha ela caiu no chão e então descorbi um bolso na mochila que devia servir exatamente pra isso. Inclusive tinha um de cada lado e achei que deveria ter comprado duas garrafas, mas era tarde demais.
Subi, conforme meu planejamento, em direção ao Platô. Logo no começo da trilha tinha uma saída que dava pra uma pequena pedra que dava pra ver bastante coisa, mas nem era tão alta. Eu pensei que aquilo era o Platô e disse “Nossa que vista legal”. Cruzei um riachinho ao continuar a subida e molhei o rosto: a água era muito gelada. Como estou com a barba grande a água ficou nela deixando uma sensação térmica ótima praquele calor. Subindo um pouco mais cheguei no Platô. Havia ali dois grupos. Eles me viram com a mochila enorme e falaram comigo, porém eu nem conseguia conversar direito hipnotizado pela paisagem. Lá embaixo havia dezenas de pequenas montanhas num desenho irregular. O sol deixava uma sombra em um dos lados, o que fazia de tudo mais belo. Sentei e tomei uns goles de água. Logo rumei para o Selado.
A trilha começou tranquila, com grama, uma poça de água. Propaganda enganosa. A vegetação começou a fehcar, a trilha a subir e a mochila pesa. Desde o começo da caminhada fui tentando ajustar a mochila para que não pesasse muito. Logo saquei que dependia do momento: tem vezes que vai mais peso na constas, outras nem tanto. Esse foi o primeiro grande aprendizado. Já estava avisado quanto às bifurcações por conta do relato do Augusto, caso contrário entraria em pânico. No caminho Ia encontrando vários turistas que confessavam que não tinham conseguido. Um casal me disse que chegaram há uns 100m do Pico, porém não acharam a trilha. Fiquei com medo mas continuei. A partir de certo ponto não havia mais ninguém.
Várias vezes chegava mnuma pedra e pensava que era o cume, mas quando olhava pro lado tinha algo maior e continuava. A água estava quase acabando e eu sabia que a única fonte nessa região ficava antes do Platô, mas segui em frente. A trilha ali era muito fechada e várias vezes parecia que acabava, sendo necessário abrir a mata com as mãos para enchergar o caminho. Após muito caminhar cheguei numa pedra bem grande que precisaria escalar. Deixei a mochila ali embaixo e subi. Quando cheguei tive a melhor visão da minha vida. Ali, por ser o ponto mais alto de Monte Verde possibilitava uma vista 360 graus. Não sabia o que fazer. Olhei para o lado e vi uma caixa de metal presa a rocha. Abri o vi o livro do cume. O vento chacoalhava os sentimentos dentro de mim, e não sabia se ria, chorava, gritava. A primeira coisa que veio na minha cabeça naquele momento deixei escrita no livro: "Senhor, concêda-me serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso, e sabedoria para reconhecer a diferença, Só Por Hoje".
Eu não queria mais descer. Olhei para o lado e vi uma pedra com uns 10 metros de altura a menos, plana o suficiente para montar a barraca. Mas, se quisesse fiacar, teria que voltar e buscar água. Após alguns instantes um pássaro deu um rasante próximo a minha cabeça e me assustei. Quando olhei para cima vi uns 200 pássaros que voavam em círculos e, ao piar de um deles, devam um rasante até próximo ao solo. Era uma cena linda. Eu não acreditava que aquilo tudo estava acontecendo comigo, ali. Resolvi voltar, buscar água e armar o acampamento. Segundo grande aprendizado: água nunca é demais.
Após pegar a água, no Platô fiz dois miojos e comi uma lata de atum. Rumei novamente para o Selado. Andei bem rápido, com medo que escurecesse. Eu não sabia qual era a capacidade da lanterna que levava, nunca tinha armado uma barraca na vida e sem luz tudo ficaria bem difícil, mas mantive a calma, que é a melhor companheira de uma viajante solitário.
Quando cheguei novamente ao Selado fui direto para a pedra lateral montar a barraca. Eu nunca tinha feito aquilo na vida. Quando coloquei as varetas nos buracos da parte interna e a barraca ficou de pé, senti um alívio. Coloquei o sobre-teto e amarrei bem. Fui procurar uma pedras na região e achei só duas. Como o vento estava fraco ali, imaginei que seriam suficiente. Então voltei para o Selado para admirar o por-do-sol. Os pássaros ainda davam seu show voando em círculos. Quando o líder dava o sinal mergulhavam com tudo, sem se importar. Alguns exageravam e desciam para além de onde eu podia ver. Eu me levantava para tentar enxergar torcendo "não morre não passarinho, volta aqui" e engolia seco. Alguns instantes depois ele subia, como se tivesse apenas pregando uma peça em mim, arrancando um sorriso do meu rosto.
A barraca ficou armada com a porta de frente para o sol que se punha. Deitei no saco de dormir olhando seu súltimos raios e pensando como seria a noite.
Algumas horas depois, deitado sobre a rocha, olhava para as estrelas. Eram muitas, nunca tinha visto tantas. Reconheci algumas constelações mas o frio me empurrou para dentro da barraca. Tentei dormir, mas aí percebi o primeiro impecilho de acampar sobre a rocha: eu tinha apenas um saco de dormir e o chão era realmente muito duro. Tinha que deitar e ir me adaptando em conformidade com a rocha para que nem um osso ficasse sobre uma saliência, mas cada vez que livrava uma parte da dor, outas tantas ficavam no seu lugar. Porém, o cansaço venceu e dormi como uma bebê até cerca de meia-noite, quando fui acordado pelo vento, realmente muito forte. Nem sei qual a velocidade que estava, mas não acho que seria exagerado se dissesse 50km/h. Fiquei com medo de sair e a barraca ser levada, mas naquelas condições não tinha outra escolha. Não dava pra desmontar a barraca no escuro e levar para outro lugar, tão pouco tentar levar armada, já que tinha uma pequena trilha logo na saída dessa rocha. Então tomei a decisão mais burra e mais sábia ao mesmo tempo: Não fazer nada e voltar a dormir. Acordei a cada hora até que às 4:00 decidi que esperaria o nascer do sol. Fui para fora da barraca comer um saco de pão integral de canela e passas ao lado da barraca para testar se ela voaria sem meu peso dentro. Parecia que sim. O frio me levou pra dentro denovo e voltei a dormir. Às 5:00 acordei denovo. Coloquei a cabeça pra fora com a lanterna e não via um metro a frente com a neblina que vinha do vale. Era bonito o vento ver o vento levando a nablina pela montanha, mas eu preferia que estivesse bem limpo. Dentro da barraca eu achava que em algum momento o sobre-teto ia ser levado. Era tanto vento que se de repente acordasse no Platô por conta do vendo não seria estranho. Apesar de tudo dentro do saco de dormir estava quente e era só deitar que dormia, para acordar com o vento logo depois. O tempo ficou tão feio que mentalmente disisti de ver o nascer do sol e pensei que se saísse dali vivo já seria ótimo, mas quando chegou começou a clarear o tempo melhorou e pude subir novamente no Selado para ver o nascer do sol.
Era realmente muito bonito e cada instante passado naquela noite valeu a pena. Sentei e reverenciei a paisagem olhando cidades do Vale do Paraíba distantes e pequeninas perto da imensidão daquela cena. Olhei pro livro do cume e pensei em escrever tudo o que via, mas não seria capaz. Aliás, era a natureza que escrevia em mim uma das páginas mais belas da minha vida.
Caí em si novamente e fui desarmar a barraca. O vento continuava forte e cada parte que ia desmontando levava para a grama ali ao lado para conseguir dobrar. Tudo estava meio molhado e mal consegui enrolar tudo e colocar na mochila para seguir viagem. Terceiro grande aprendizado: arme a barraca sobre a grama.
Segui para o Platô. Antes de pegar a trilha para o Chapéu do Bispo desci para pegar mais água e escontrei dois caras que também estavam acampando, porém no Platô. Conversamos um pouco e continuei meu caminho.
A ida para o Chapéu do Bispo foi tranquila. Deixei a mochila escondida sobre uma pedra e subi até seu topo. A subida é um pouco difícil, deve-se escalar, porém há alguns ferros presos na pedra que facilitam tudo. Lá em cima existem outros desses ferros que imagino sejam para prender cordas para escalada.
Cantinuei o caminho até a caixa d’água e depois de uma íngrime descida encontrei uma campinho bonito, com uma pequena mesa de pedras e umas árvores. Decidi armar a barraca ali para deixar secar e dobrar direito enquanto, às 9:30 almoçava. Como eu acordara às 4:00 meu corpo pensava que aquela era a hora do almoço. Preparei mais dois miojos e outra lata de atum, que foram mais que suficientes para uma refeição.
Ali vários turistas pergutavam para mim sobre a trilha para a Pedra Redonda, que mais tarde descobri ser a mais frequentada. Alguns muito simpáticos ficavam um tempo trocando idéia. Eu gosto de conversas assim. Eu até que gosto de gente, embora prefira estar sozinho.
Desarmei a barraca, sequei com uma toalha que levara a parte de baixo e dobrei tudo bonitinho. Uma garota que brincava de escola há alguns metros veio em minha direção, dizendo que eu deveria conversar com o pai dela que era dono do restaurante ali do lado. Aquele terreno era particular e eu deveria pagar para ficar acampado ali. Mas como se eu nem estava acampado, mas secando a barraca? Arrumando as coisas depressa pedi para que o pai dela viesse falar comigo, pois estava de saída, e segui a trilha, tentando voltar para onde as terras não tem cercas e as árvores demarcam os espaços de maneira torta.
Já subindo avistei um casal rumando para a trilha na minha frente na qual o rapaz fumava um cigarro. O cara ia subir fumando? Melhor nem perguntar. Segui procurando uma fonte de água que o Augusto indicara que existia por ali, pois minha água estava zerada. O caminho começou a ficar molhado e pensei que encontraria por ali, porém não achei nada e achei que seria mais pra frente. Caminhei mais e encotrei uma família de japoneses, que me disseram que eu tinha passado a água, que ela onde estava molhado e tinha um caninho. Voltei bastante e encontrei o caminho, porém não pude evitar a raiva que a burrise própria causa.
Subi até a Pedra Redonda e encontrei o casal do rapaz que fumava. Eles eram de Campinas. O rapaz tinha um binóculo que me emprestou e pude ver as cidades ao longe e os picos pelo qual tinha passado. Dali pude ver também a Pedra Partida, meu próximo destino. Era mais alto de onde eu estava, porém no caminho havia um vale, o que tornava as coisas mais difíceis. A Pedra Redonda é bem grande, mas em toda sua grandeza ocupada por turistas. Fiquei algum tempo e segui para meu último destino antes que a chuva chegasse ao seu.
A trilha começou com grande descenso, o que era mal sinal, pois haveria de subir novamente. A trilha era bastante íngrime e fechada, e em certas trechos os bambus tomavam conta. Não raro precisava me arrastar, e a mochila desxava cada movimento difícil. Particularmente achei essa trilha a mais difícil, opinião com que meus joelhos concordavam. Cada vez que via uma pedra pensava que tinha atingido o cume, mas me precipitara. Quando cheguei tive certeza: soltei a mochila e escalaminhei a última das cinco montanhas de Monte Verde, sentindo uma espécie de gratidão especial por ter cumprido o que havia determinado. Tirei a camiseta e deitei sobre ela na rocha: o sol lavava meu rosto em meio as nuvens que não queriam chover para estragar meu momento especial. Bebi água para comemorar e olhei ao redor. Observei cuidadosamente cada um dos picos que havia subido e pude ver meus passos neles. Aproveitei os últimos momentos e desci.
No caminho de volta já não era o mesmo. Quem tinha subido aquelas montanhas não era quem estava voltando. Eu tinha me perdido e me encontrado ali. Não era apenas o rosto suja, as mãos cortadas, a calça rasgada, muito menos a bota suja de barro. O caminhar sereno exibia que dali descera outro homem. Os joelhos quase dobravam em si, tremiam. Houve ainda uma última frase balbuciada para as árvores: Eu nasci pra isso!!!
(Desculpem os erros de portugues, não tenho corretor nesse Word)
Essa viagem começou, na verdade, há um tempo. Eu vou viajar a Campo Grande na semana santa, e pensei em ir para Bonito antes. Porém queria acampar. Para acampar precisava de uma barraca e digitei no google “barraca Nautika” e vim parar aqui no mochileiros.com. Nem sabia onde estava me metendo naquele momento. Pesquisei sobre Bonito e vi que não era o que eu estava procurando, pois todas as atrações exigem guias. Comecei a viajar pelos relatos de voces e vi alguns sobre Monte Verde. Perguntei para o Marcos SJC que me encorajou bastante a fazer.
Então tinha que comprar o equipamento. Comecei a comprar tudo há duas semanas: Mochila, barraca, saco de dormir, lanterna, fogareiro. No sábado de manhã respirei fundo, subi na moto e rumei para Monte Verde. Não sabia se tinha tudo que precisava, mas se não tivesse descobriria lá.
A viagem foi muito boa, com sol o tempo todo. Cheguei lá no sábado às 11:00 e quando entrei na trilha já era quase 12:00. Esqueci de trazer água e comprei uma garrafa no reataurante de uma senhora bem simpática. Eu achava que a mochila estava lotava e meio que pendurei a garrafa. Ainda na estrada para a trilha ela caiu no chão e então descorbi um bolso na mochila que devia servir exatamente pra isso. Inclusive tinha um de cada lado e achei que deveria ter comprado duas garrafas, mas era tarde demais.
Subi, conforme meu planejamento, em direção ao Platô. Logo no começo da trilha tinha uma saída que dava pra uma pequena pedra que dava pra ver bastante coisa, mas nem era tão alta. Eu pensei que aquilo era o Platô e disse “Nossa que vista legal”. Cruzei um riachinho ao continuar a subida e molhei o rosto: a água era muito gelada. Como estou com a barba grande a água ficou nela deixando uma sensação térmica ótima praquele calor. Subindo um pouco mais cheguei no Platô. Havia ali dois grupos. Eles me viram com a mochila enorme e falaram comigo, porém eu nem conseguia conversar direito hipnotizado pela paisagem. Lá embaixo havia dezenas de pequenas montanhas num desenho irregular. O sol deixava uma sombra em um dos lados, o que fazia de tudo mais belo. Sentei e tomei uns goles de água. Logo rumei para o Selado.
A trilha começou tranquila, com grama, uma poça de água. Propaganda enganosa. A vegetação começou a fehcar, a trilha a subir e a mochila pesa. Desde o começo da caminhada fui tentando ajustar a mochila para que não pesasse muito. Logo saquei que dependia do momento: tem vezes que vai mais peso na constas, outras nem tanto. Esse foi o primeiro grande aprendizado. Já estava avisado quanto às bifurcações por conta do relato do Augusto, caso contrário entraria em pânico. No caminho Ia encontrando vários turistas que confessavam que não tinham conseguido. Um casal me disse que chegaram há uns 100m do Pico, porém não acharam a trilha. Fiquei com medo mas continuei. A partir de certo ponto não havia mais ninguém.
Várias vezes chegava mnuma pedra e pensava que era o cume, mas quando olhava pro lado tinha algo maior e continuava. A água estava quase acabando e eu sabia que a única fonte nessa região ficava antes do Platô, mas segui em frente. A trilha ali era muito fechada e várias vezes parecia que acabava, sendo necessário abrir a mata com as mãos para enchergar o caminho. Após muito caminhar cheguei numa pedra bem grande que precisaria escalar. Deixei a mochila ali embaixo e subi. Quando cheguei tive a melhor visão da minha vida. Ali, por ser o ponto mais alto de Monte Verde possibilitava uma vista 360 graus. Não sabia o que fazer. Olhei para o lado e vi uma caixa de metal presa a rocha. Abri o vi o livro do cume. O vento chacoalhava os sentimentos dentro de mim, e não sabia se ria, chorava, gritava. A primeira coisa que veio na minha cabeça naquele momento deixei escrita no livro: "Senhor, concêda-me serenidade para aceitar as coisas que não posso modificar, coragem para modificar aquelas que posso, e sabedoria para reconhecer a diferença, Só Por Hoje".
Eu não queria mais descer. Olhei para o lado e vi uma pedra com uns 10 metros de altura a menos, plana o suficiente para montar a barraca. Mas, se quisesse fiacar, teria que voltar e buscar água. Após alguns instantes um pássaro deu um rasante próximo a minha cabeça e me assustei. Quando olhei para cima vi uns 200 pássaros que voavam em círculos e, ao piar de um deles, devam um rasante até próximo ao solo. Era uma cena linda. Eu não acreditava que aquilo tudo estava acontecendo comigo, ali. Resolvi voltar, buscar água e armar o acampamento. Segundo grande aprendizado: água nunca é demais.
Após pegar a água, no Platô fiz dois miojos e comi uma lata de atum. Rumei novamente para o Selado. Andei bem rápido, com medo que escurecesse. Eu não sabia qual era a capacidade da lanterna que levava, nunca tinha armado uma barraca na vida e sem luz tudo ficaria bem difícil, mas mantive a calma, que é a melhor companheira de uma viajante solitário.
Quando cheguei novamente ao Selado fui direto para a pedra lateral montar a barraca. Eu nunca tinha feito aquilo na vida. Quando coloquei as varetas nos buracos da parte interna e a barraca ficou de pé, senti um alívio. Coloquei o sobre-teto e amarrei bem. Fui procurar uma pedras na região e achei só duas. Como o vento estava fraco ali, imaginei que seriam suficiente. Então voltei para o Selado para admirar o por-do-sol. Os pássaros ainda davam seu show voando em círculos. Quando o líder dava o sinal mergulhavam com tudo, sem se importar. Alguns exageravam e desciam para além de onde eu podia ver. Eu me levantava para tentar enxergar torcendo "não morre não passarinho, volta aqui" e engolia seco. Alguns instantes depois ele subia, como se tivesse apenas pregando uma peça em mim, arrancando um sorriso do meu rosto.
A barraca ficou armada com a porta de frente para o sol que se punha. Deitei no saco de dormir olhando seu súltimos raios e pensando como seria a noite.
Algumas horas depois, deitado sobre a rocha, olhava para as estrelas. Eram muitas, nunca tinha visto tantas. Reconheci algumas constelações mas o frio me empurrou para dentro da barraca. Tentei dormir, mas aí percebi o primeiro impecilho de acampar sobre a rocha: eu tinha apenas um saco de dormir e o chão era realmente muito duro. Tinha que deitar e ir me adaptando em conformidade com a rocha para que nem um osso ficasse sobre uma saliência, mas cada vez que livrava uma parte da dor, outas tantas ficavam no seu lugar. Porém, o cansaço venceu e dormi como uma bebê até cerca de meia-noite, quando fui acordado pelo vento, realmente muito forte. Nem sei qual a velocidade que estava, mas não acho que seria exagerado se dissesse 50km/h. Fiquei com medo de sair e a barraca ser levada, mas naquelas condições não tinha outra escolha. Não dava pra desmontar a barraca no escuro e levar para outro lugar, tão pouco tentar levar armada, já que tinha uma pequena trilha logo na saída dessa rocha. Então tomei a decisão mais burra e mais sábia ao mesmo tempo: Não fazer nada e voltar a dormir. Acordei a cada hora até que às 4:00 decidi que esperaria o nascer do sol. Fui para fora da barraca comer um saco de pão integral de canela e passas ao lado da barraca para testar se ela voaria sem meu peso dentro. Parecia que sim. O frio me levou pra dentro denovo e voltei a dormir. Às 5:00 acordei denovo. Coloquei a cabeça pra fora com a lanterna e não via um metro a frente com a neblina que vinha do vale. Era bonito o vento ver o vento levando a nablina pela montanha, mas eu preferia que estivesse bem limpo. Dentro da barraca eu achava que em algum momento o sobre-teto ia ser levado. Era tanto vento que se de repente acordasse no Platô por conta do vendo não seria estranho. Apesar de tudo dentro do saco de dormir estava quente e era só deitar que dormia, para acordar com o vento logo depois. O tempo ficou tão feio que mentalmente disisti de ver o nascer do sol e pensei que se saísse dali vivo já seria ótimo, mas quando chegou começou a clarear o tempo melhorou e pude subir novamente no Selado para ver o nascer do sol.
Era realmente muito bonito e cada instante passado naquela noite valeu a pena. Sentei e reverenciei a paisagem olhando cidades do Vale do Paraíba distantes e pequeninas perto da imensidão daquela cena. Olhei pro livro do cume e pensei em escrever tudo o que via, mas não seria capaz. Aliás, era a natureza que escrevia em mim uma das páginas mais belas da minha vida.
Caí em si novamente e fui desarmar a barraca. O vento continuava forte e cada parte que ia desmontando levava para a grama ali ao lado para conseguir dobrar. Tudo estava meio molhado e mal consegui enrolar tudo e colocar na mochila para seguir viagem. Terceiro grande aprendizado: arme a barraca sobre a grama.
Segui para o Platô. Antes de pegar a trilha para o Chapéu do Bispo desci para pegar mais água e escontrei dois caras que também estavam acampando, porém no Platô. Conversamos um pouco e continuei meu caminho.
A ida para o Chapéu do Bispo foi tranquila. Deixei a mochila escondida sobre uma pedra e subi até seu topo. A subida é um pouco difícil, deve-se escalar, porém há alguns ferros presos na pedra que facilitam tudo. Lá em cima existem outros desses ferros que imagino sejam para prender cordas para escalada.
Cantinuei o caminho até a caixa d’água e depois de uma íngrime descida encontrei uma campinho bonito, com uma pequena mesa de pedras e umas árvores. Decidi armar a barraca ali para deixar secar e dobrar direito enquanto, às 9:30 almoçava. Como eu acordara às 4:00 meu corpo pensava que aquela era a hora do almoço. Preparei mais dois miojos e outra lata de atum, que foram mais que suficientes para uma refeição.
Ali vários turistas pergutavam para mim sobre a trilha para a Pedra Redonda, que mais tarde descobri ser a mais frequentada. Alguns muito simpáticos ficavam um tempo trocando idéia. Eu gosto de conversas assim. Eu até que gosto de gente, embora prefira estar sozinho.
Desarmei a barraca, sequei com uma toalha que levara a parte de baixo e dobrei tudo bonitinho. Uma garota que brincava de escola há alguns metros veio em minha direção, dizendo que eu deveria conversar com o pai dela que era dono do restaurante ali do lado. Aquele terreno era particular e eu deveria pagar para ficar acampado ali. Mas como se eu nem estava acampado, mas secando a barraca? Arrumando as coisas depressa pedi para que o pai dela viesse falar comigo, pois estava de saída, e segui a trilha, tentando voltar para onde as terras não tem cercas e as árvores demarcam os espaços de maneira torta.
Já subindo avistei um casal rumando para a trilha na minha frente na qual o rapaz fumava um cigarro. O cara ia subir fumando? Melhor nem perguntar. Segui procurando uma fonte de água que o Augusto indicara que existia por ali, pois minha água estava zerada. O caminho começou a ficar molhado e pensei que encontraria por ali, porém não achei nada e achei que seria mais pra frente. Caminhei mais e encotrei uma família de japoneses, que me disseram que eu tinha passado a água, que ela onde estava molhado e tinha um caninho. Voltei bastante e encontrei o caminho, porém não pude evitar a raiva que a burrise própria causa.
Subi até a Pedra Redonda e encontrei o casal do rapaz que fumava. Eles eram de Campinas. O rapaz tinha um binóculo que me emprestou e pude ver as cidades ao longe e os picos pelo qual tinha passado. Dali pude ver também a Pedra Partida, meu próximo destino. Era mais alto de onde eu estava, porém no caminho havia um vale, o que tornava as coisas mais difíceis. A Pedra Redonda é bem grande, mas em toda sua grandeza ocupada por turistas. Fiquei algum tempo e segui para meu último destino antes que a chuva chegasse ao seu.
A trilha começou com grande descenso, o que era mal sinal, pois haveria de subir novamente. A trilha era bastante íngrime e fechada, e em certas trechos os bambus tomavam conta. Não raro precisava me arrastar, e a mochila desxava cada movimento difícil. Particularmente achei essa trilha a mais difícil, opinião com que meus joelhos concordavam. Cada vez que via uma pedra pensava que tinha atingido o cume, mas me precipitara. Quando cheguei tive certeza: soltei a mochila e escalaminhei a última das cinco montanhas de Monte Verde, sentindo uma espécie de gratidão especial por ter cumprido o que havia determinado. Tirei a camiseta e deitei sobre ela na rocha: o sol lavava meu rosto em meio as nuvens que não queriam chover para estragar meu momento especial. Bebi água para comemorar e olhei ao redor. Observei cuidadosamente cada um dos picos que havia subido e pude ver meus passos neles. Aproveitei os últimos momentos e desci.
No caminho de volta já não era o mesmo. Quem tinha subido aquelas montanhas não era quem estava voltando. Eu tinha me perdido e me encontrado ali. Não era apenas o rosto suja, as mãos cortadas, a calça rasgada, muito menos a bota suja de barro. O caminhar sereno exibia que dali descera outro homem. Os joelhos quase dobravam em si, tremiam. Houve ainda uma última frase balbuciada para as árvores: Eu nasci pra isso!!!
(Desculpem os erros de portugues, não tenho corretor nesse Word)
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Equipamentos:
Mochila Curtlo 75L
Barraca Falcon 2 Nautika
Saco de dormir Viper Nautika
Bota Quechua Forclaz 50