Ir para conteúdo
Lucas Vysk

"Yeah, I'm brazilian" - 11 meses, 25 países, sozinho, de mochila e chinelo / sexo, drogas e hitchhiking

Posts Recomendados

Olá,

 

antes de uma apresentação minha, dos motivos que viajei, do relato, dos porquês, eu vou fazer um breve introdução. Aqui eu não vou dizer só e detalhado tudo do que fiz na viagem, vou contar mais um relato pessoal, tudo que senti, pensei e passei. Uma aventura muita mais interna/pessoal do que para tirar fotos, carimbar passaporte. Vou contar tudo o que vivenciei, descobri e aprendi, não medirei palavras e contarei de sexo, drogas, hitchhiking, calote em hostel, ônibus, quando tomei banho no meio de um parque ou até dormi na estação de trem.

 

A cada lugar que parava eu ficava de 5 dias até semanas. Procurava saber de tudo, prato típico, custo de vida, renda normal das pessoas, como elas vivam lá, o que achavam, procurava saber até de coisas de mulher, como tratamento de cabelo, maquiagem, manicure, tudo. Mais uma vez, esse relato não é dica de viagem, até pode ser, mas é algo mais pessoal. Por isso não há muitas fotos, minhas fotos foram mais de momentos do que 'turísticas'. Eu poderia fazer crônicas sobre cada dia e aqui vou tentar fazer o mais resumido possível. Escrevo direto e dificilmente volto atrás (no texto) para mudar alguma coisa.

 

------------------------------------

 

 

Era início de tarde, a ligação dela foi repentina enquanto me preparava para sair com meus colegas de quarto. Me disse para ir à sua casa e eu obviamente não hesitei. Avisei que me encontraria com eles em umas 2 horas e saí do hostel ao encontro dela. Era meu último dia em Praga, como eu estava eu fui, de chinelo e bermuda. Como não tinha internet na rua, consegui um wifi num hostel próximo e avisei que estava do lado da casa dela. Ela desceu também usando chinelos, com roupa básica, cabelo bagunçado e um sorriso no rosto. Cabelo quase ruivo, longo e encaracolado, olhos castanhos claros e pele branca, sem maquiagem. Me convidou para entrar.

 

A casa estava consideravelmente bagunçada, mesa suja, coisas espalhadas. Fomos ao quarto dela e conversamos. Não muito depois nos beijamos. Quando tirei sua roupa percebi que as pernas, como outras partes, estavam recém feitas, como fosse só para mim. Transamos. E após quase exaustas uma hora e meia, terminamos rindo e conversamos um pouco sobre tudo, ainda na cama, como bons amigos, quando comentei que tinha que sair, ela se lembrou que também tinha que encontrar alguns conhecidos. Nos despedimos e disse que eu esperava reencontrá-la em algum lugar, um dia, quem sabe. Ela concordou rindo, mesmo sabendo que aquela talvez seria a última vez que nos veríamos. Me deu um beijo na bochecha e foi nas pontas dos pés para o banho.

 

Ela era livre!

 

 

---------------------------------------

 

 

Eu comecei a trabalhar cedo, com 16 anos, já na minha área, e vinha trabalhando até então, hoje com 24. Tinha uma posição importante na empresa, bom salário, bolsa na faculdade, carro. Mas eu estava frustrado, não queria aquilo para mim, eu estava muito novo para aquilo. Eu estou novo. Quando meu pai se casou aqui no Brasil com uma alemã, ela me disse que tinha uma casa vazia na Alemanha e eu poderia ir quando quiser. Foi então, em que em poucos meses decidi largar tudo e ir para Alemanha! Tranquei faculdade, comprei minha passagem, pedi demissão e após dois meses (de aviso prévio) estava saindo do Brasil em direção à Alemanha. Meu objetivo na época era encontrar algo para ficar lá, um trabalho, uma faculdade. Saí do Brasil com 13 mil reais ao todo. Não falava inglês direito, o que sabia, "aprendi" em duas semanas ouvindo aúdio-aula no meu carro enquanto ia para o trabalho.

 

Em dois meses na Alemanha, vi neve pela primeira vez, tive um relacionamento difícil depois de um tempo com a família da esposa do meu pai porque segundo eles, "eles eram alemães" e eu tinha que viver como eles. Coisas como nossos 15 minutos de tolerância ou coisas banais eram suficientes para um problema. O mesmo aconteceu na Suécia, onde também passei dois meses, mas ainda chegarei lá. Morava numa pequena cidade chamada Kaufbeuren, tinha alguns bares, três boates e uns sete mercados (grandes/pequenos). O primeiro mês na cidade e nos lugares que fui foram impressionantes, a surpresa que causava nas pessoas era ainda mais. Como eram cidades consideravelmente pequenas, as pessoas sabiam que eu não era de lá, por causa da minha cor principalmente. Eu não sou negro, não sou branco, eu sou queimado de sol (sim, eles notam. Para mim eu só sou moreno). Crianças me encaravam como se eu fosse de outro mundo porque elas nunca tinham visto ninguém da minha cor. Quando eu entrava no bar, todo mundo parava e me encarava! Os homens e mulheres. Na primeira semana eu já fiquei famoso na minha cidade, primeiro porque eu bebia muito, então estava sempre frequentando os lugares, segundo eu era bronzeado, terceiro eu era brasileiro (fator principal até). Afinal, que um brasileiro fazia lá?! Legal citar também do susto que eu causava nas pessoas ao sair na rua de havaianas, principalmente calça jeans e havaianas - sou carioca.

 

Entre esses dois meses e pouco, um mês eu estudei alemão para estender meu visto. Paguei aproximadamente 500 euros - me arrependo hoje me dia - e consegui mais sete meses de visto estudando apenas um. Foi um mega "jeitinho" que eu nem estava procurando, mas o diretor da escola ofereceu para mim. Na minha cabeça, de lá eu ia já conseguir me fixar na Alemanha, então 2~3 semanas antes decidi viajar um pouco.

 

Viajei entre Budapest e Praga. Quis chegar em Budapest numa quinta-feira para pode pegar o final de semana e saí direto de Munique para lá. Foi incrível, muita coisa para fazer, as pessoas são 'easy going', mas o preconceito é forte por alguns.

 

Ouvi dizer também que é muito comum alemãs viajarem para Budapest só para para fazer o cabelo, unha, etc. Pois saí mais barato pagar a passagem e fazer por lá que fazer na Alemanha. O mesmo acontece na Bulgária e outros países. Já que na Alemanha, uma manicure cobra a partir de 40eur (pelo menos na Bavaria) e o corte de cabelo masculino não saí por menos de 12eur.

 

Dos três dias que reservei o hostel, dois eu nem dormi lá. Eu ouvia muita coisa tipo "Lucas, eu não sou essas meninas de 'one night stand’ ", mas eu não estava lá para isso. Realmente não. Daí continuava conversando e no final sempre rolava. Eu continuo falando com muita gente, aliás. No último dia como deixei para comprar em cima da hora, eu perdi menu ônibus para Praga. Era domingo, voltei para o hostel, paguei mais uma diária e fui dar uma volta na cidade. Domingo, de noite, caminhando aleatoriamente na rua, eu começo a ouvir uma música que parecia que conhecia. Segui o som. Chegando no lugar eu me deparo com uns 200 brasileiros, cantando pagode, parecia um carnaval!! Eu não acreditava no que via. Obviamente me juntei, cantei com eles, muitos me estranhavam porque eu era "um br novo". E foi incrível!! Assim que terminou o pagode nós nos juntamos para limpar a praça (bem legal) e fomos para uma boate, cantando "baile de favela" na rua. Eu quase não dormi no hostel de novo e esses mesmos brasileiros eu viria a encontrar meses depois quando voltaria à Budapest e Munique. Dia seguinte foi em paz, caminhei por um mercado popular, peguei uma chuva terrível que acabou com meu tênis e terça-Feira de madrugada chegava em Praga.

 

2vl8m78.jpg

 

Eram 4h da manhã, em Praga na rodoviária. Aguardei um tempo lá e depois de 1h caminhava para o hostel. Em plenas 5h da manhã de uma terça-feira via pessoas super bêbadas pela rua, bares e boates ainda cheios e com música rolando, pessoas vendendo/comprando drogas. Ao chegar no hostel, o checkin era apenas 12h, deixei minha mochila e fui dar uma volta. Entre 7-8h ainda havia gente saindo de festa e todos que viam falar comigo assim que soubessem que era brasileiro me perguntavam se eu estava com drogas. (?!)

 

Quando voltei ao hostel 10h, eles me liberaram para ir ao quarto - eu estava bem cansado. Era misto, hotel/hostel. O quarto do hostel era no final de um corredor no terceiro andar, era como uma casa, com cozinha, dois banheiros e dois quartos com doze pessoas cada. Éramos muitos, mas quem se juntou foram eu, um australiano, duas americanas, uma norueguesa, uma italiana e uma chinesa. Fiquei em Praga 5-6 dias, sendo que o último eu dormi de graça no hostel. Como o controle era apenas uma chave magnética, o pessoal abriu para mim e eu dormi na cama com a americana.

 

Entre todos os lugares em Praga, o melhor foi um chamado "Naplavka". É como um cais, à beira do rio, com pessoas locais e longe dos idiotas norte-americanos, vários bares e música. Quando fui tinha muita gente estudando e bebendo vinho na beira do Rio. Eu viria a encontrar todo o pessoal aleatoriamente lá, pois quando eles foram eu não estava junto.

 

2urngc2.jpg

 

De Praga planejava ir para Póznan, encontrar uma amiga polonesa que eu tive um 'rolo' em um dia na Alemanha - eu só viria encontrar com ela de novo em Portugal oito meses depois - mas tive que voltar para Alemanha para estudar.

Eu estudei com 22 refugiados, de todas as idades, 18 aos 50, todos homens, e foi muito legal compartilhar conversas com eles ainda que poucos falavam bem inglês. Alguns ali realmente não queriam nada e estavam só para ganhar dinheiro do governo, mas outros falavam "Lucas, eu quero aprender o idioma, trabalhar e trazer minha família". Eles colocaram a família no Skype, me mostraram e explicaram que todos estavam vivendo na casa de uma tia porque a casa dele tinha sido destruída. Aos que tem 50 anos é complicado também, pois eles estão recomeçando tudo. Me sinto até privilegiado de tido uma chance de ter tido reais conversas com eles.

 

Importante citar que eu sofri MUITO racismo e preconceito por não ser e falar alemão, seguranças me proibindo de entrar em bar/boate, pessoas tentando arrumar briga comigo (me dando ombrada), me tratando mal por não falar alemão. Aliás, eu parei de perguntar para as pessoas se elas falavam inglês, simplesmente saía falando até ganhar a atenção dela. O racismo principal é dos homens, as mulheres por outro lado me davam muita atenção, em outras palavras 'mole'. Também é perceptível a diferença das gerações a cada 10 anos. Se você tem 30 anos ou mais, provavelmente não fala inglês, só os mais jovens. Essa geração mediana é super orientada à resultados e a mais velha não é racista - os mais velhos são os menos racistas (sim!). As mulheres são muito auto-suficientes e orgulhosas, algo que talvez venha de todo movimento histórico alemão. Na geração do meio para nova você pode ver a diferença de mentalidade também, em termos de tolerância e expectativa de vida mas ainda são parecidas porque são jovens – não tiveram tempo ainda de amadurecer. Nessa geração mediana muitos estão saindo da Alemanha por lá ser muito "chato". Eles estão indo para países que consideramos “ruins”, como o México, Colômbia, até Brasil. Reclamações de transporte não funcionar, cancelamento repentino de ônibus/trem ou até a não solução de problemas recorrentes (atenção em como eu disse isso) são tão comuns lá como aqui e, arrisco dizer, na mesma proporção.

 

Por todos esses motivos que é muito comum na Europa os brasileiros se juntarem. Espanhol vêm junto porque eles são iguais à gente. Muita gente me perguntava se eu gostava de encontrar brasileiro enquanto viaja, porque geralmente eles não gostam de encontrar a mesma nacionalidade, e eu sempre falava que era óbvio. Amo Brasil, amo minha gente, "Brasil é longe para caralho, o que você está fazendo aqui?"... Inclusive, a grande maioria das minhas amizades na Alemanha foram com espanhóis e brasileiros que conheci aleatoriamente. Um, aliás, virou ‘brother’ e mora no Rio também! Mais engraçado é que eu conheci ele aleatoriamente em Munique dando um lugar para a namorada dele e a gente conversou um pouco até percebemos que ambos éramos brasileiros e cariocas, e pior, a gente morava próximo um do outro na Alemanha. Tempos depois também, decidimos ir para Munique de bike (100km), e teve o tiroteio do cara no McDonald's, foi uma merda, a gente voltou, acampou no meio mato e na Alemanha é proibido, fizemos comida no meio da praça... A gente pedalou uns 92km em um dia.

 

2m4ogtv.jpg

(essa era minha bike)

 

Também cheguei a fazer uma “viagem” de 4 dias para Fussen. Uma cidade há 30km da minha, onde fiz acampando e cheguei até subir o Tegelberg, 1881m. Chegando ao topo, eu com uma mochila pesada, cheguei a deixar ela de lado e subir só nos braços porque estava muito cansado.

 

2lb2i4x.jpg

 

16bcayg.jpg

 

Uma coisa legal na Alemanha é que durante o verão os parques ficam lotados, o dia é mais longo, é muito comum você ver gente nua no parque pegando sol, homem e mulher. Eles são muito mais mente aberta com isso. A famosa Eisbach Wave que não tive a oportunidade de surfar por que meu wetsuit não era suficiente (3.5), e o mínimo recomendado era 5.5.

 

Um dia estava com 2 amigas espanholas quando chegou um cara do nada, amigo de alguém, que acho que era DJ. Havia uma festa em Zurich de graça, o cara falou que tinha uma casa lá e em 30 minutos resolvemos tudo e estávamos saindo de Munique até Zurich. O DJ ficou com a gente, pagou cerveja para todo mundo, o crystal (metafetamina) rolou também para todos e 7h da manhã íamos para casa do dono da boate.

 

A casa era irada, na beira de um riacho, enorme, um cara me mostrou que estava fazendo uma pousada aqui no Rio, teve aquela garrafa 5L de Chandon, uma maconha top e até rolou o bandejão do pó. Mas não usei, era demais já. Uma amiga ficou, e era hora de eu e a outra voltarmos. O tal DJ ficou em um hotel em Zurich. Nós andamos um pouco pela cidade, tentamos blablacar, e fomos para o ônibus. O Itáu bloqueou meu cartão de crédito porque eu havia mudado de páis em 3h e por "razões de segurança e tal"... Como era domingo, tudo fechado, tivemos que pagar em dinheiro e era o DOBRO do preço na hora. Mas, a gente tava morto, então fomos lá, 40 euros. Quando chegamos em Munique só comemos e fomos dormir.

 

Depois das aulas, decidi sair da Alemanha pois foi quando percebi que era quase impossível de arrumar emprego sem passaporte, e para você conseguir um visto você precisa ganhar pelo menos 48k euros / ano. Ou seja, você precisa ser no mínimo muito estudado. Então fui aproveitar o verão na Grécia! Em 4 dias, arrumei minha mochila, comprei passagem e aterrissava em Zakynthos. Sem passagem de volta ou lugar para ficar.

 

O visual era estonteante, pois o avião beirou toda a costa da Croácia e eu podia ver o mar e os milhares de barcos. Cada ilha, pequena ou grande, pouco habitada ou muito, ou até mesmo deserta.

 

 

13886264_1411122865569936_1293467566846935543_n.jpg?oh=3c3de6c338d6889b68d973c5ca00c54d&oe=59302092

 

Chegando em Zakynthos tentei negociar com as pessoas que saíam para rachar um táxi pois iria até uma parte meio longe para tentar acampar (16km). Desisti e resolvi ir andando com a mão esticada pedindo carona. Minha mochila estava pesada, com uns 22kg. Como tinha roupa, comida, gás, água, barraca, etc, ficava mais pesada um pouco, mas também acho que estava um pouco demais. Alguns km depois encontrei um mercado, cheio, muita gente comprando álcool, parecia carnaval. Tentei negociar com eles, mas o carro sempre estava cheio (era verdade porque eu via) ou eles iam na direção contrária. Voltei a andar! Um carro parou, o italiano mal inglês falava - italianos não falam inglês - tentei falar com ele, ele negou e foi embora. Alguns minutos depois ele volta, falou que ia me levar e conhecia o camping. Tentamos conversar um pouco, ele disse que tinha casa na ilha, que gostava de "brazilians boys" e que eu podia ir qualquer dia. Hm... Algo bem comum que ouvi pela Europa... Agradeci, desci do carro e fui para o camping. O camping era gigante, até cheio, os donos eram alemães que não falavam inglês (?!), tinha mesas e a parte para acampar era como uma grande ladeira em zig-zag até a praia. O visual da minha barraca era o mar, onde eu via o nascer do sol impecavelmente. Também sempre acordava 7h da manhã com muito calor por causa disso.

 

 

2irlush.jpg

 

Citar também, que o fiscal no aeroporto confiscou meu protetor solar. Eu acabei esquecendo ele na mochila pequena. Falei para ele que o protetor era brasileiro e que valia ouro, mas não adiantou, sem desenrolo. Com o protetor custando 20 euros na ilha, eu fique toda a viagem sem.

 

Nos dois primeiros dias eu fui até a avenida principal, onde rolavam as festas. Eram 6km de caminhada, 50min, às vezes conseguia uma carona, às vezes fazia tudo a pé. De madrugada era incrível por que eu via 3-4 estrelas cadentes por noite, mas muitas das vezes foram a pé.

 

Laganas era lotada de bares e boates, geralmente de graça para entrar, o álcool é barato e é muita loucura. Eu curti... Por 2 dias! Depois era só gente idiota. Eu quebrei um osso pequeno do meu pé porque pulei de um bar, aliás está quebrado até hoje, haha. A manjada pergunta "where're you from?" é clássica, e quando falava que era brasileiro, do Rio, em meio aos jogos olímpicos, era loucura. Se eu chegasse num bar, falasse que era brasileiro, carioca e era meu aniversário, eu pegava o bar inteiro. É comum você ver angolanos (ou gente da região da áfrica) vendendo pulseiras na praia por 1eur. Como estava sozinho, muitos vinham falar comigo e acabava explicando todos os motivos de estar lá. Eu ganhei pelo menos umas 4 pulseiras de graça por que eles gostaram da minha história, cada uma com um significado diferente, como exemplo "hakuna matata".

 

Após esses dois dias resolvi explorar a ilha e tentei alugar um ATV. Foi muito engraçado quando eu chegava no local e mostrava minha carteira de habilitação: um pedaço de papel (br). Uns 3 não aceitaram, foi foda. Na última tentativa eu consegui, por 25eur/dia (o mais caro). Peguei por um dia e fui, sem mapa, dar a volta na ilha. Foi... sem palavras! O mar azul de um lado, uma montanha do outro, uma reta que parecia terminar no céu e mar, alguns momentos eu abria os braços. O meu sorriso estava de orelha à orelha, e escrevo esse parágrafo já sorrindo só de lembrar... Quando cheguei na Shipwreck Beach fiquei horas sentado à beira do penhasco e não acreditava que estava ali. No horizonte, o mar se misturava com o céu e os gritos abafados das pessoas na praia pareciam suspiros do vento.

 

dz6og0.jpg

 

Quando voltava, já procurando um posto, a gasolina acabou (o marcardor não funcionava, mas eu já estava esperando). Eu tive que empurrar o troço por uns 2km até achar um posto, mas foi até de boa. Ainda ajudei um casal de italianos, meio velhos já, que estavam com uma moto quebrada no meio do nada...

 

Ao todo fiquei sete dias em Zakynthos e meu último dia decidi ir à Atenas para ver minha volta para Alemanha, mas lá iria mudar de planos de novo. Último dia, eu desci o camping de mochila e ficaria na rua até 7h da manhã aguardando meu ônibus para cidade e pegar a balsa. A polícia me parou uma hora me perguntando porque eu estava de mochilão àquela hora andando para lá e para cá. Ainda de madruga vi um cara suspeito mexendo numa bolsa na praia mas não fiz nada. Poucos minutos depois veio um casal que estava na água me perguntar se eu havia visto alguma bolsa. Eu me liguei na hora... Quando eles me perguntaram o cara que roubou veio logo em seguida e eu disse que havia sido ele. Ele disse que tinha sido eu. A gente discutiu, eu estava fora de mim e até peguei uma faca... Falei para o casal que se ele estava lá era porque a bolsa dela também estava, e para ela procurar debaixo de carro, lata de lixo, etc. Eu sou brasileiro, carioca, sei disso. Mas no final, não deu em nada!!

 

Quando peguei a balsa até Pargas era incontável o número de gente bêbada ou de ressaca, muitos reencontros de gente que eu não tenho ideia do nome e provavelmente nunca vou ver de novo, parecia um carnaval². Na viagem de 6h de Pargas até Atenas, o visual é indescritível.

 

msr_2853.jpg

 

Atenas já me pareceu estranha de cara. Esperava homens bonitos (tem que dizer que homem grego é 'boa pinta') e mulheres feias. Mas em geral todo mundo é bem feio. No hostel eu já encontrei brasileiro e no meu quarto haviam duas pessoas. Will e Sarah, inglês e australiana, respectivamente. A gente conversou 20 min e combinamos de irmos comer algo juntos. Eu antes fui direto ver minha volta para Alemanha, mas estava caro. Dos quatro dias que fiquei, um foi de graça. Porque um cara pagou uma diária, mas foi embora para uma das ilhas.

 

Tudo em Atenas é pago e caro. É muito comum ver gente tentando tirar dinheiro de você e até te sequestrar (segundo o que me disseram). Fiz tudo a pé e me recusei a pagar 20eur para ir na Akrópolis. Desci pelo outro lado e procurei o lugar que servia de ponto de vista para foto da mesma. Andei, andei, andei. Em certa parte, eu vi uma pequena montanha com uma igreja no topo e fiz o pequeno hiking de chinelo que durou uns 20~30 min. Não era o ponto de vista que procurava mas valeu a subida. De volta ao hostel, conversando, todo mundo lá fez a mesma coisa. Acho que o melhor de Atenas foi o hostel, pois todos viam de diferentes ilhas e lugares, cada um com uma história diferente. E a noite fomos ver o jogo do Brasil e Alemanha juntos. Também foi muito legal ver todo mundo planejando espontaneamente a próxima parada, usando os mesmos sites que usava e da mesma forma.

 

O dia que todo o pessoal saiu a noite, fomos em busca de algum lugar legal. Vimos boates, com pessoas dançando, sem música nenhuma, tanto quanto estranho, ruas desertas e mais gente feia. Eu estava mancando muito porque causava do meu pé e sempre andava mais atrás. Quando achamos um bar, subimos uns 4 andares e descobrimos o lugar que servia de ponto de vista para a foto a Akrópolis. O bar era legal mas a cerveja custava 6eur, pedimos uma só para irmos embora. Final da noite passamos horas sentados na calçada, na rua, conversando sobre tudo.

 

14063718_10209253998021125_3012133214738138601_n.jpg?oh=2b12a3ee3d7dc61966d5145e16c4575f&oe=5935305D

 

No penúltimo dia 2 meninas francesas me chamaram para ir à Mykonos com elas. Elas não tinham nem onde ia ficar, porque iam de improviso, eu tinha barraca e tal, elas eram bem gente boa. Mas como o barco estava um pouco puxado não fui e resolvi ir até Sófia, na Bulgária. Quem foi com elas foi o cara que pagou a diária e foi embora, por isso fiquei no lugar dele. Dia seguinte de noite estava indo para Sófia.

 

O ônibus era meio acabado, ninguém falava inglês, mas não via problema. O maior foi que na segunda parada para o ônibus pegar passageiro, tinha uma família com um cachorro filhote na caixa para transporte. O motorista fez a família colocar ele na bagagem!! Eu fui falar com eles, eles não me entendiam, em seguida uma mulher fez um escândalo porque tinha uma criança dormindo e ela estava pegando o espaço de dois bancos, mas tinha espaço para todo mundo, o que não fez menor sentido. Desisti de discutir e deixei para lá. Eu conseguia ouvir o cachorro latindo no bagageiro e toda vez que ele parava já achava que o bicho tinha morrido. Não consegui dormir mais e tentei até trocar de lugar para parar de escutar. Eram 16h de viagem. De manhã, chegava em Sófia, na Bulgária. O cachorro estava vivo.

 

Andei até o hostel, e estava bem cedo. Cheguei cerca de 7h da manhã e perguntei se podia tirar um cochilo no sofá até a hora do check-in. A menina deixou e fiz isso. Acordei 13h novo para fazer o check-in e percebi que fazer isso poderia ser uma tática para economizar diárias em hostel, o que viria a fazer logo em seguida. O hostel tinha as paredes desenhas por mochileiros e eu até gostei. Também fiz alguns desenhos.

 

2hx6lxg.jpg

 

Quando cheguei tentei fazer amizades com todos, mas eles estavam meio fechados. Alguns, já de saída, disseram que o meu varal era genial. Eu carrego uma corda (de metal) de 5m para fazer de varal, invés de ficar pendurando toalha na cabeceira da cama. Então, sim, eu esticava roupas as vezes no meio do quarto. Também carregava em 2 garrafas pet de 600ml de detergente e sabão em pó. Aceito dicas para isso, caso tenham.

 

Sófia é uma cidade muito barata. Tudo é bem barato, comida e bebida. Supermercado também. Fiquei 2 dias no hostel e andei a cidade quase inteira. Conheci alguns locais e logo no segundo dia uma menina local tinha me chamado para viajar para Plodiv com ela. Eu já estava me preparando quando ela me disse que não ia dar porque o pai dela ia busca-la mais cedo. Pena! Fiquei no mesmo hostel mais um dia e conheci pessoas que estavam em outro andar. A menina, alemã, cantava muito e os caras, canadenses, sabiam tocar guitarra, baixo, etc. No dia seguinte nós fomos à uma loja de instrumentos musicais e eu só dei a ideia deles fazerem um som. Eles tocaram Seven Nation Army com a menina cantando e até os funcionários vieram para ver. Foi muito irado. Detalhe, eles tinham mais ou menos 20 anos.

 

Todos nós estávamos saindo do hostel no mesmo dia e eu coloquei um outro hostel, ainda em Sófia, para o dia seguinte. Naquele dia eu não teria lugar para ficar. Com gente local fui à um parque chamado “Градска градина”, em outras palavras City Garden. Me explicaram que a polícia que tomo conta do parque é a do Teatro e por isso a polícia normal não está autorizada à exercer lei lá. O parque é lotado de gente de todas as idades, bebendo, fumando, apenas juntas conversando, é bem legal. Do parque fomos para o Studentski Grad. É como um cidade universitário e é mais irado ainda. Cheguei à ir nos alojamentos e conversar com as pessoas, o mercado perto é 24h e ainda mais barato que o da cidade. Compramos um monte de álcool e ficamos até 5h num parque conversando, onde então chegava no hostel e perguntava se podia tirar um chocilo no sofá. Economizava uma diária.

 

O hostel é chamado Hostel Mostel. É bem grande, o pessoal super mente aberta e se não tivesse lotado, ficaria todos os dias lá, porque a vibe é muito boa. Conheci pessoas que viria a encontrar de novo em outras cidades ou até um americano que estava indo para a China para passar dois meses. Fiquei dois dias no hostel pagando um, porque no último acabei dormindo no sofá. O sofá era enorme, em quadrado, como uma grande cama, final do dia éramos 5 pessoas conversando, até que todo mundo dormiu por lá mesmo. Eu só acordei bem cedo, antes de mudar o turno dos funcionários para eles não perceberem, peguei minha mochila e saí. Fui então de volta ao meu primeiro hostel. Havia dormido só umas 3h.

 

Chegando lá pouco havia mudado, algumas pessoas novas, todos quietos. Tirei um cochilo porque estava cansado e eu já estava há mais de uma semana naquela cidade. Quando acordei havia apenas uma menina alemã no quarto e começamos a conversar. Ela me disse que estava indo no dia seguinte para uma cidade chamada Veliko Tarnovo. Eu perguntei o horário e companhia do ônibus, pedi 30min e fui para estação de ônibus ver a passagem. Nas meia hora que pedi resolvi tudo, comprei a passagem, reservei o hostel, voltei para o quarto e falei “bom, estamos viajando juntos amanhã”.

 

Dia seguinte estávamos em Veliko Tarnovo. Andamos bastante da estação até o hostel. Lá vinha encontrar novamente algumas pessoas que estavam em Sófia. Veliko Tarnovo, apesar de ser bonita, é uma cidade pequena. Bem pequena. Andamos um pouco em volta e nosso objetivo era ir para o Buzludzha, um antigo observatório de UFO abandonado. Era um pouco distante e o passeio pelo hostel era 30eur. Me recusei a pagar e a minha amiga disse que então iria sozinha, porque ela só foi lá para isso. Sem problema. Conversei com algumas pessoas do hostel e um cara ia alugar um carro para ir até outra cidade e voltar, perguntei se ele podia me deixar no meio do caminho ou até no observatório se eu desse 5eur para ele, afinal era no caminho. Ele disse que não tinha problema algum e acabou que até a alemã veio comigo. O lugar era irado, e ainda estava com uma forte neblina que fez o lugar mais interessante ainda.

 

oubg61.jpg

 

Para a volta, descemos a pé e conseguimos uma carona já na porta do observatório. Era um local e um inglês que eram amigos há muito tempo e estavam se visitando. O motorista deu para a gente experimentar Rakia, uma tradicional bebida alcóolica lá, mas essa tinha o teor de 60%. E... não parecia que era bem doce. Ele nos deixou na beira da estrada em direção a Veliko Tarnovo, era fácil, afinal era só uma estrada. Começou a chuviscar um pouco e eu consegui um papelão no lixo, pedi uma caneta numa lojinha e escrevi a cidade. Conseguimos uma carona até a próxima cidade, ainda no meio do caminho. A segunda carona que conseguimos era um Audi, só a aliança do dono devia valer o carro. Ele não falava inglês e ligou para o filho dele falar com a gente e traduzir para ele... Foi muito legal da parte dele e em 2h, sendo que só de viagem eram umas 1h20, chegamos de volta à Veliko Tarnovo.

 

No mesmo dia, fomos para outro hostel que estava uma amiga da menina que estava viajando comigo. Chegamos lá e tinha cinco pessoas no hostel: eu, minha amiga, a amiga dela, um funcionário e... uma brasileira. Muito super aleatório, eu coloquei Charlie Brown para tocar e ela saiu da cozinha tipo “?!”... haha. Conversamos um pouco, ele disse que estava marcando um tempo fora da zona Schengen, do quão ruim é viajar tendo que aprender inglês ainda e mais bizarro que parecia que ela gastava menos dinheiro viajando que só vivendo no Brasil, tudo o que pensava. Eu até espero que ela leia esse relato porque eu não lembro nem o nome dela, haha. Ficamos um tempo, bebemos umas cervejas e eu e minha voltamos para o hostel. Dia seguinte íamos ver nossa ida para Bucharest.

Arrumamos nossas coisas, tomamos café da manhã, e fomos esperar a amiga dela. Ela demorou eternidades e estávamos quase desistindo quando ele finalmente aparece. Na estação de trem, super deserta, tivemos que comprar uma passagem até outra cidade para lá procurar a passagem para Bucharest. A viagem para lá cortava todos os campos de girassóis, e você via quilômetros de girassóis por toda a extensão do trilho, fantástico. O único problema era que o ar-condicionado do trem não funcionava e as janelas não abriam, então estava MUITO quente.

 

2u7c4fk.jpg

 

Mesmo dia, na parte da tarde, chegávamos à Bucharest.

 

 

 

*Continua....

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parabéns pela coragem e pelo relato. Só achei que se tornou meio chato/arrogante essa ênfase em contar de pegar mulher, fora isso espero a segunda parte

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Parabéns, Lucas! Foi de extrema coragem o teu relato, porém, quero mais!!! Ansiosa aguardando a continuação. É incrível poder acompanhar histórias de outros mochileiros. O problema é que viajar vicia

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites
Parabéns pela coragem e pelo relato. Só achei que se tornou meio chato/arrogante essa ênfase em contar de pegar mulher, fora isso espero a segunda parte

 

Pedro, minha ênfase é muito mais para a liberdade, deixei isso claro assim que comecei a escrever. Elas, eles, nós, somos tão livres quanto qualquer. Quis mostrar o prazer do sexo livre e ainda no título fiz a relação com o conceito "Sexo, drogas e rock’n’roll", que nada mais é que: Liberdade. Além disso, muito comum aqui no fórum pessoas buscarem lugares para festas e para turismo, acredito que meu relato sirva aos dois.

 

E mais importante, tenho dito que foi uma aventura muito mais interna e acredito que você vai perceber ao longo do relato o como minha cabeça foi mudando. Até então, no meu relato eu estou mais ou menos em 3-4 meses de viagem, ainda faltam uns sete. E me perdoe se eu pareci arrogante.

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

--------------

OBS:

Importante citar que em toda a viagem eu perdi 15kg. Eu tenho quase 1.80m e estava pesando 59 quando cheguei no Brasil. Eu estava bem magro. Viajar de baixo custo tem seus problemas também. Lógico que boa parte é porque eu andava sem parar com peso nas costas, mas, ainda assim, 59kg é muito pouco. (Vou repetir isso num resumão no final depois. Até então eu tenho no uns 4 meses de trip, quase metade).

 

---------------

 

 

 

Chegando em Bucharest fizemos uma longa caminhada até o hostel. Eu não lembro o nome, mas ele era bem localizado e tinha uma varanda para a galera. Era o prédio quase inteiro e no primeiro andar só tinha escada, no segundo a recepção, terceiro e quarto eram quartos. A chave não era magnética, mas por senha. A escada era separada.

 

As meninas planejavam ficar dois dias e uma ia fazer um trabalho voluntário, a outra ia para a costa do mar negro. Eu queria muito, mas sabia que por lá seria a mesma idiotice da Grécia de gente bêbada. Em si, na cidade, não tem muito o que fazer. Eu andei tudo e encontrei diversas referências brasileiras. Também acho que o povo e lugar é bem parecido com o nosso, todos os dias após o expediente os lugares estão lotados, o clima é bom, tem pivete, as pessoas são mais abertas e tentam te fazer de “trouxa”. O trânsito é uma loucura, os carros se xingam o tempo inteiro e a buzina é constante. Após 2 dias minha amiga foi para o mar negro e eu fiquei mais 3 de graça no hostel.

 

XuC1jlM.jpg

 

Dentro do hostel eu conheci uma galera que estava ficando de graça havia 5 dias. Como a porta era senha, era só entrar e dormir numa cama vazia, não tinha lençol e tinha que levantar 7h, antes da menina vir limpar o quarto. Mas a gente sempre se virava.

 

Eu saí duas vezes com o pessoal do hostel e em uma delas até uma funcionária foi. A gente entrou na boate e uma menina colocou uma garrafa de Gordon dentro da calça para a gente beber lá dentro. Sem condições de homem fazer isso porque eles estavam verificando. Foi até bem esperto.

 

Acho que o que mais me chamou a atenção em Bucharest foram os pássaros. Tem muito pássaro. Chegando o pôr do sol, eles tomam conta do céu e você pode ver milhares e milhares de pássaros voando para um mesmo local. Geralmente todos paravam em um parque no meio da cidade. Olhando as árvores você não sabia se era folha ou pássaro.

 

vs6LrRq.jpg

 

Entre os últimos dias, uma dupla de australianos veio e eles só queriam saber de festa. No primeiro dia a gente saiu, mas eu estava consideravelmente cansado e fui para o hostel 1am. Às 7am eles chegaram e começaram a brigar, um empurrou o outro, a beliche chegou a despencar, o outro chorou, eles estavam falando de ir para “a costa” no mar negro, para alugar um carro e ir daquele jeito, que eles conseguiam dirigir... foi bem engraçado!! No dia seguinte eles me pediram até desculpa pela confusão, o que achei até legal, e me chamaram sério para ir para o Mar Negro, que iam dirigindo. Mas eu já estava com meu ônibus comprado e ia para Budapest (de novo).

 

Era um ônibus barato, 16eur, e uma viagem super longa porque ele parava em todos os pontos turísticos. E mais uma vez, toda vez que me pediam passaporte, me perguntavam o que eu fazia lá, porque eu viajava, se eu tinha drogas, etc. Essa gente varia desde de funcionários da empresa de ônibus até policial da fronteira. Como a viagem tinha um dia de duração, sem condições de fazer aquilo sóbrio. Eu saí com o pessoal no último dia e voltei 3h para pegar minha mochila, mas o ônibus saia só 5h20. Eu acabei dormindo no chão e acordei 4h50, tive que pagar 10eur à um taxista que malandramente dirigiu mais que o caminho certo (eu estava olhando o mapa) e ficava puxando meu saco de “brazilian girls”. Ele nem troco me deu. Peguei meu ônibus e a primeira coisa que fiz foi dormir. Acordei só em Brasov, cidade do Drácula.

 

vaIKp7W.jpg

 

Depois de uma rápida visita em Brasov, meu ônibus seguiu viagem e próxima parada seria Transfăgărășan. Foi então que me arrependi muito de ter ido de ônibus, porque eu deveria ter feito hitchhiking. Ainda em Brasov, do ônibus, eu tinha visto um cara fazendo. Transfăgărășan é uma estrada entre as montanhas, a vista é espetacular e quando eu fui o clima seco fazia tudo em volta amarelo e morto, com a estrada cortando. Outra sorte que tive é que a estrada só está aberta entre junho e setembro por causa das condições do tempo, e quando fui era agosto.

 

17126747_412284365776318_7305010518840836096_n.jpg

(A foto não é minha porque meu cel não funcionava. Fonte: Instagram)

Após isso, foram algumas paradas normais. Eu fiquei preso em uma parada dentro do ônibus porque supostamente era para gente sair para hora do almoço e eu estava dormindo. Além disso, ninguém falava inglês. Foi bem complicado também para entender quanto tempo eu tinha para comer, porque me disseram 15min (“one-five”). E na verdade era 1h15.

 

 

Após toda essa trip, chegava em Budapest pela segunda vez, e com intenção de ficar uns 3,4 dias só.

 

No caminho para Budapest avisei para um amigo que estava indo e para ele tentar me arrumar um sofá para dormir. Nos dois primeiros dias eu fiquei em hostel, era 4eur a diária (sim!). Também estava falando com uma brasileira que eu conheci no Couchsurfing enquanto estava em Sófia, carioca também, eu vi que ela estava na Turquia vindo e a gente tentou marcar de se encontrar em Sófia mesmo. Mas aconteceu que eu saí muito cedo, ela veio muito tarde. Eu fui para Romênia e ela para Sérvia, depois a gente foi quase que juntos para Budapest.

 

Na primeira noite do hostel, eu fiquei por lá mesmo. Como tinha um bar/boate embaixo, não tinha nem porque sair. Conversei com algumas pessoas e eles me disseram que haviam 3 brasileiros lá e pouco depois eu fui conhece-los. Muito bizarro, um viajava há 2 anos, outro morava na Alemanha e outro veio de Floripa velejando sozinho! Ele estava magro barbudo e até brincou de Náufrago, mas que irado deve ter sido. E eles eram 3 amigos que se reencontraram lá, em Budapest.

 

Meu amigo encontrou um sofá para eu ficar e eu fiquei uns 5 dias com a Mari, brasileira também. No primeiro dia a gente encontrou vários brasileiros e fomos buscar mais 2 no aeroporto que só uma menina lá conhecia! A gente foi bebendo, brincando no ônibus, a gente esperou os meninos bebendo no aeroporto e ninguém sabia quem a gente estava esperando. Mas quando eles apareceram, lógico que foi festa. O jeito brasileiro, que só quem é daqui sabe.

 

14257718_1085424988172519_7477041866791781401_o.jpg?oh=846f375ee9ef04293f18a6a037912645&oe=596C343B

 

Eles chegaram, largaram a mala e fomos direto para algum outro lugar. O mais legal é que era início de Setembro, independência do Brasil, e rolou uma festa brasileira numa das boates lá. Foi sensacional!

 

Também cheguei a conhecer uma húngara, vou chamar ela de E., num parque e fiquei próximo dela. Nós conversamos por horas e ela trabalhava numa cafeteria em frente. Eu tive que sair para ajudar a Mari e depois voltei para encontrar E. novamente. Do parque, já a noite, nós fomos para a Heroes Square e “escalamos” o monumento, algo até comum. A gente conversava por horas bebendo vinho e a gente junto tinha uma boa energia, a gente pediu para acender um cigarro e ganhamos um isqueiro. Pedia um cigarro e ganhava um maço. Todos comentavam. De lá a gente andou até a Margitbridge.

 

A Margitbridge tem um parque no meio, fica bem cheio todo o tempo e acontece de vez em quando uma “dança” com o chafariz. Tem música, luzes, etc. Como eram em torno de 2h da manhã, não tinha muita gente além de bêbados ou casais. Eu só larguei a ideia da gente ir na água e ela topou na hora, foi muito legal. Ela tirou o vestido e ficou só com a roupa de baixo, eu tirei a calça e camisa. Nós fomos!! A água estava bem gelada e todas as pessoas que passavam e nos viam gritavam, foi uma energia muito maneira. Não muito depois a gente saiu, porque a água estava gelada, e fomos nos vestir. Eu tirei minha cueca ali mesmo e fiquei sem, porque não ia colocar minha calça por cima. Voltando à cidade, eu não queria deixar ela sozinha e o próximo trem era só às 5h. Ela foi dormir no trabalho, eu fui junto, ela numa espécie de lençol no chão, eu na mesa. “Ela era livre!” ²

 

Ela beirava seus 27 anos, mais velha que eu, e me agradecia frequentemente por tudo. Por ter dado essa energia à ela e despertado algo que talvez ela nunca tinha sentido. Eu fico até lisonjeado por isso. Não foi a primeira vez nem última que alguém que me disse isso, e que talvez eu pareça ser uma motivação para uma pessoa que deseja mudar. Talvez isso, aliás, é o que me faz escrever esse texto longo.

 

Em outro dia, quando saí da casa da Mari (maravilha de pessoa), E. me convidou para ir à sua casa e eu em 2s disse “sim”. Pegamos um trem, e fomos até uma cidade próxima – quase uma hora de viagem - que eu não tenho menor ideia do nome. A cidade era pequena, com 2 bares, até cheios, ela me explicou algumas coisas e mostrou um lago, dizendo que muita gente ia lá para acampar. Me fez até pensar.

 

Chegando na casa dela, ela pediu para esperar por causa do cachorro, eu não ligo e falei que ela podia soltar. Enquanto estava com o cachorro, ela limpava a casa porque ele tinha feito xixi. Já passavam das 1h da manhã e ela tinha que acordar as 5h. Eu ofereci ajuda, e ela recusou a todo custo. Ela trabalhava em turno dobrado e estava morando sozinha porque a mãe tinha ido ajudar a irmã. Eu só pensava “Caralhoo...”.

 

Sei que o mundo não são só de flores, muito menos a Hungria. Mas acho que isso serve de um bom exemplo para àqueles que acham tanto que o mundo afora é melhor que o Brasil. Tem suas qualidades, mas também suas diferenças. A “diferença” que digo aqui é da matemática (pense!)

 

 

*Continua....

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Ao voltar para Budapest, era hora de ir embora. Afinal, eu estava lá há quase 10 dias. Fui para a auto-estrada tentar pegar carona, peguei um metrô e um ônibus para mais na estrada. Meu papelão estava escrito “Belgrade”, e fiquei lá por horas. Um táxi parou e me cobrou 50eur para me levar até a fronteira, eu quase ri! Estava muito quente e uma hora eu olhei para trás e vi 3 pessoas há uns 300m de distância pedindo carona também.

 

Eles estavam indo para Szeged, cidade húngara na fronteira com a Sérvia. Falei com eles e me juntei, eram um iraniano que morava na Eslovênia, e uma garota e um cara do País de Gales. Todos entre 18 e 20 anos. Éramos quatro tentando fazer hitchhiking (loucura).

 

Ficamos mais horas lá. Dançamos, brincamos, subimos em algo alto para chamar a atenção, nenhum carro parava. Decidimos então pegar um ônibus e ir mais a dentro da cidade, para ficar numa autro-estrada melhor. Pegamos o ônibus até o pronto final e andamos uns 3-4km. Achamos um saco de frutas no meio do mato e o iraniano pegou, cheirou e guardou para comer mais tarde. O céu, nessa hora, estava espetacular.

 

14368679_1187801574616204_2765149449380841625_n.jpg?oh=3bf6622035264e10aa8f812d3f6fb07f&oe=59605A46

 

Como era um lugar distante, muita gente de casa que via a gente andando com mochila nas costas saíam por curiosidade ou até para nos ajudar, mesmo sem falar absolutamente nenhum inglês. E depois de quase uma hora andando, chegamos à um grande cruzamento na auto-estrada com um posto de um lado. Fomos na lojinha do posto, comemos algo simples e pegamos água. Como na Europa a água da bica é bebível, apenas perguntava se o funcionário podia encher a garrafa.

 

Ninguém parava e estava começando a escurecer. Quando finalmente um carro parou, no meio da curva, e chamou a gente. Era um senhor já e ele disse algumas coisas em húngaro, mas deu a entender que a gente estava no lugar errado. Entramos no carro, quatro pessoas com mochilas grandes. O carro estava abarrotado, eu não sentia minha perna.

 

14368874_1191146800948348_5619202818232230468_n.jpg?oh=a63196e0cf34a77bfafd855f90180abe&oe=592EE5CB

(na real essa foi no outro dia, mas é para ter uma idea de como estava. E sim, eu estava ali)

 

Ele deixou a gente num posto de gasolina de uma cidade próxima. E falando húngaro, inglês e alemão ao mesmo tempo, ele deu a entender que a lá era um bom lugar para conseguirmos uma carona, principalmente por causa dos caminhoneiros. Era noite já e nada conseguimos.

 

Ficamos no posto e íamos dormir por lá mesmo. Como o posto tinha uma lojinha 24h, era até mais fácil, carregamos celular, etc. Eu, camper, carregava meu fogão e macarrão, a gente só comprou um molho de tomate e tivemos uma refeição perfeita. Eu tinha até Tabasco.

 

Logo mais tarde a gente comprou cerveja e depois vinho, que era mais barato comparando preço x percentagem de álcool. A gente bebeu umas 6 garrafas de vinho.

 

tIrUatR.jpg

 

O iraniano puxou uma droga e eu só perguntei o que era, ele me disse "DMT". Eu nunca tinha nem ouvido falar. Tempos depois eu vim descobrir que é o princípio ativo da ayahuasca. Não usei, mas vi, e a "trip" é intensa, ainda misturado com álcool, mas dura pouco. Um pouco ao contrário da ayahuasca, onde durabilidade é mais longa. Ps: Respeitem os "objetivos" de certas drogas.

 

Quando íamos dormir, o pessoal do posto ficou bolado e falou que a gente não podia, então, a gente simplesmente atravessou a rua. Tínhamos duas barracas e éramos quatro, mas acabamos montando apenas uma e colocamos todas as mochilas lá dentro. Trancamos a barraca e dormimos nós quatro do lado de fora, na frente. Acordamos com os mesmos caminhoneiros da noite voltando de manhã e buzinando para a gente.

 

Estava bastante calor e ali estávamos novamente tentando pegar carona, cheguei a colocar a canga na minha cabeça para “proteger” do sol. Quatro pessoas é um tanto quanto difícil. Em certo momento, eu coloquei minha placa “anywhere” (qualquer lugar) e era muito engraçado a reação das pessoas. Depois de um tempo, colocamos o nome da cidade mais próxima, e conseguimos uma carona em 10min. Lá a gente conseguiria outra carona, onde o motorista deixaria a gente na beira da auto-estrada. O que foi bem ruim!

 

4601wdW.jpg

 

jeyMNJ8.jpg

 

Na auto-estrada nenhum carro iria parar, além deles estarem muito rápidos, é proibido. Tinha uma casa abandonada na beira e umas árvores em volta, seria até um bom lugar para ficarmos. Eu não faço ideia de que parte da Hungria estávamos, mas arrisco dizer que metade do caminho entre Budapest e Szeged.

 

Alguns caminhões pararam na curva, mas éramos quatro pessoas, o que faz ser impossível. Passamos outra noite. Tínhamos que nos separar. Shepard, o iraniano, teve um problema e iria voltar para a Slovenia. Eu, Zack e Kim optamos por voltar com ele até Budapest. A gente conseguiu carona em 10min.

 

De volta em Budapest², a gente foi para um protesto onde o pessoal estava acampando para evitar a demolição de um prédio histórico. A gente ficou um dia lá e foi muito bom poder conversar. Apesar da galera ser meio maluca, todos são bem gente boa e com boas histórias, inclusive quando foram presos por causa desses protestos, etc. No entanto, o pessoal me questionava sempre o que eu fazia ali, acho por causa daquela história de preconceito. E, porr, eu era brasileiro.

 

No camping, tudo era divido. Toda a noite, alguém passava com um chapéu pedindo doação para quem estava presente, podia ser dinheiro, comida, qualquer coisa. Esse dinheiro ia ser usado para comprar o almoço/janta do dia seguinte. Era um panelão e a comida era dividida para todo mundo, inclusive até morador de rua. Também tinha um “palco” para quem quisesse ir cantar e uma tenda chamada “luggage” alguma coisa, onde você podia deixar sua mochila. Não tinha segurança nenhuma, mas era cheio de mochila de todo mundo.

 

DHbeuy3.jpg

 

Eu precisava de um banho depois de dois dias e perguntei como fazia. Zack veio e comigo e a gente pegou uma mangueira no camping, que eles tinham exatamente para isso. A gente foi até o meio do parque e abriu uma espécie de bueiro, ali tinha o encaixe da mangueira e a torneira. Era uma m*, eu tomei um banho só tentando encaixar a parada.

 

Tomei meu banho de cueca mas na hora de se secar e vestir, eu fiquei complementa nu ali no parque mesmo. Me sequei, me vesti, e voltei para o camping. De noite, nós três iríamos de trem até a Sérvia.

 

 

*Continua....

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Acordamos com alguém batendo na janela. O trem estava completamente vazio e a gente se perguntava se era Belgrado. Saímos do trem e nada dizia que era Belgrado, a internet não funcionava, a gente estava preocupado do trem ter seguido viagem com a gente dentro e a gente estivesse numa cidade aleatória. Perguntei alguém e ela confirmou, estávamos em Belgrado.

 

FB_IMG_14741176810628890.jpg

 

A cidade era uma bagunça, difícil de achar wifi na rua, eu tive que andar até a estação de ônibus para conseguir um wifi e pegar um hostel. Eles conseguiram um Couchsurfing. Chegando no hostel, a menina me ofereceu Rakia de cara, 8h da manhã e percebo que só tinha eu lá. Só e somente. Eu estava cansado, então foi até bom. De noite, os funcionários me convidaram para jantar e ficamos horas conversando.

 

É perceptível os reflexos da Guerra da Iugoslávia, você ainda consegue ver até prédios totalmente destruídos. Belgrado também é famosa pela “nightlife”, mas eu não tive muito por dentro de bares ou boates, apesar de muita gente ter insistido para eu ir. As famosas festas no barco são festas normais, só que em um barco (parado aliás).

No primeiro dia, eu dei a minha volta na cidade e assisti ao pôr do sol de uma ladeira. Tinha uma galera lá também. A lua, por sinal, também é maneiríssima lá todos os dias.

 

Segundo dia, eu troquei de hostel. De tarde, andando, eu passei por um flash mob de estudantes dos bombeiros. Esses mesmos estudantes mais tarde eu viria a encontrar num parque, todos bebendo álcool. Lá, eu comecei a conversar com um grupo. Tudo aconteceu porque um menina estava cantando Lambada em português (?!). Aconteceu também de um cara cantar “ai se eu te pego” na Romênia num karaokê. A galera foi embora e ficou só eu a menina, a gente bebeu muito. Chegando 19h, a garota ia embora e me convidou para ir com ela.

 

Nós estávamos no ônibus e ela explicava o que ia acontecer.

 

“Lucas, eu sei, nós vamos para mim casa, você vai ficar lá, a gente vai transar. Mas eu não quero que você fique bolado, por que a gente tem que entrar de ‘fininho’, meus pais não podem te ver. E olha, eu divido o quarto com a minha irmã, ela vai estar lá o tempo todo, mas é tudo bem”

 

Eu ria!! Mas no meio do caminho a irmã dela ligou de volta e falou que não ia dar por causa de alguns problemas. Enfim, desci do ônibus e voltei para o hostel.

 

No novo hostel eu conheci 2 coreanos, um alemão e um britânico. A gente foi para um parque, o coreano tinha uma guitarra e o mlk britânico tocava MUITO. Não muito depois a gente se juntou com um pessoal local e ficamos conversando. A gente conversou por horas, eles explicaram o estilo de vida lá, que eles são muito mais “relaxados” e muita gente diz que é o Brasil sem praia da Europa.

 

Eu comecei a ver lucro com os caras e falei com o alemão para gente puxar eles para a principal e fazer um dinheiro para comprar cerveja, enquanto eles tocavam. Foi bem engraçado, eu falava “vamos para principal conhecer gente, ganhar dinheiro para comprar cerveja”. Quase deu certo, mas faríamos isso em outro dia.

 

No dia seguinte eu conheci duas alemãs e nós conversamos bastante. Chegamos a dar uma volta na cidade e à noite um britânico que também viaja sozinho se juntou com a gente. Eu me dei muito bem com uma das meninas, a Anna, e estava até para reencontrá-la na Alemanha, mas não consegui.

 

IMG_20161110_WA0010.jpg

(detalhe de quão bronzeado eu estava)

 

Eu continuava conversando com Zack e Kim e a gente marcou de se encontrar. Eles estavam num couch muito longe, fora de Belgrado. Disseram que tinha um rio perto e me disseram como chegar lá.

 

Na rodoviária não faz sentido nenhum, eu fui na bilheteria e comprei um ticket. Quando eu cheguei no ônibus, eles me diziam alguma coisa que eu não entendia. Procurei alguém que falava inglês e ninguém falava. Até então uma menina passageira apareceu e falou que meu ônibus era outro e eu tinha que esperar. O ônibus estava cheio depois e eu mostrei para o piloto onde eu queria saltar e ele, como outras pessoa do lado, me ajudaram. Eles falavam um inglês muito fraco, mas funcionou. Várias perguntas sobre eu ser brasileiro e porque estava andando por lá.

 

Quando a menina veio checar os tickets, eu mostrei para ela. Mas ela disse que o ticket que eu tinha era só para entrar na rodoviária (?????????). Não tinha fiscal, não tinha porta, tinha nada. Eu paguei e entrei pela entrada de carro na rodoviária e só. Ai eu fui no motorista para pagar, expliquei à ele, ele deixou eu seguir viagem sem pagar.

 

Chegando no meu ponto, eu desci e lá estavam Zack e Kim. Não tinha nada em volta, eu desci praticamente na estrada, não era ponto. De lá a gente foi andando até o rio. Tinha várias pessoas que morava em casa flutuantes e até restaurantes. Inclusive almoçamos lá e foi consideravelmente barato. Numa espécie de cais nós ficamos conversando e acabou que nós 3 caímos no sono. Tentamos roubar um barco também, mas não funcionou.

 

Acordamos com uma dupla de velhinhos vindo, um com 79 anos e outro com 80. O de 79 estava bem inteiro e eles estavam indo nadar. Nenhum falava inglês e eu tentei falar com o mais novo em espanhol. Ele me contou que já esteve no Rio e que tem alguns amigos aqui, e até falou o nome de alguns bairros. Ele contou também que ele e o outro eram amigos há 70 anos e haviam se conhecido exatamente ali.

 

FB_IMG_14741178276944022.jpg

 

Na volta, eu voltei sozinho para a cidade e nem paguei. Tive andar muito até a cidade mais próxima e espera o ônibus. Como fiz antes, eu ia ficar perto do motorista fugindo do fiscal. Deu certo, voltava à Belgrado. Depois viria à encontrar eles novamente e ir até o Fortress, etc.

 

14519659_1201159713280390_7446589804370935926_n.jpg

 

 

Os brasileiros de Budapest me ligaram e falaram que estavam indo para Oktoberfest em uma semana. Então eu tinha uns 7-9 dias para sair da Sérvia até Munique, acho que era o suficiente. Resolvi sair e fui tentar hitchhiking. Peguei um ônibus sem pagar e tive que trocar 2x para fugir do fiscal. Estava muito longe e no papelão eu podia ir para Croácia ou Sarajevo. Eu queria muito ir para Bósnia, mas acabou que não deu.

 

Eu consegui umas 3 caronas e estava quase na fronteira da Croácia. Um cara me deixou na auto-estrada e me avisou de um pedágio. Eu andei até depois e fiquei esperando alguém parar. Pessoas passavam andando aleatoriamente (na auto-estrada?!) e sempre perguntavam se eu era refugiado! Ninguém parava, eu com um pouco de fome, começou a chuviscar. A polícia veio, tentou me expulsar, a gente discutiu. Eles só falavam sérvio e eu só inglês. Fiquei puto e comecei a falar português mesmo, virei as costas e fui andando para o outro lado. Eles seguraram meu braço e queriam me carregar até uma delegacia. Eu ri na cara deles, falei (em português) “amigão, sou brasileiro de cria, eu não entro nessa delegacia nem à caralho”. A gente discutiu de novo e eu tive que ir embora por um buraco na cerca, andei no meio do mato, saí numa estrada e mudei meu papelão para "Belgrado". Em 5 min estava em um carro indo de volta.

 

Fiquei em outro hostel e conversei muito com o pessoal. No dia seguinte a gente fez um monte de chá para mendigo/refugiado e fomos ajudar! Foi muito legal e até pude ajudar algumas crianças com idioma, tipo inglês, alemão... A noite eu consegui uma carona do hostel até Zagreb, na Croácia.

 

 

 

**Continua...

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Estou acompanhando e esperando o desenrolar da história.

Muito boa.

 

Obs. Porque você não coloca no início do relato as cidades e os dias que você ficou em cada uma delas?

Fica mais fácil de se localizar.

 

Abraços

Compartilhar este post


Link para o post
Compartilhar em outros sites

Crie uma conta ou entre para comentar

Você precisar ser um membro para fazer um comentário

Criar uma conta

Crie uma nova conta em nossa comunidade. É fácil!

Crie uma nova conta

Entrar

Já tem uma conta? Faça o login.

Entrar Agora


  • Conteúdo Similar

    • Por rafacarvalho33
      Depois da passagem por Capitólio (leia AQUI o relato), tínhamos em torno de 400 km ate Serra do Cipó, que levou praticamente 07 horas para serem percorridas por causa de obras na pista, o Parque Nacional Serra do Cipó é totalmente GRATUITO, ótima noticia para quem quer esta com o dinheiro curto, no parque você tem a possibilidade de realizar trekkings para cachoeiras e cânions, podendo fazer a pé, ou alugar uma bike na entrada do parque. 

      O bom do lugar que ele é quase totalmente plano, não há subidas íngremes, facilitando a caminhada, foi nessa que eu consegui bater meu recorde em um dia e fazer 30 km, começando a andar as 10 horas da manhã e só indo terminar as 18 horas. Foi bem desgastante!

      Infelizmente fiquei apenas 01 dia, mas deu para aproveitar o melhor do parque, espero que vocês gostem do relato.
       
       
       
      - Hospedagem
      Na Serra do Cipó não tem muitas opções baratas para se hospedar, não tem como fugir muito do Camping Grande Pedreira, o valor esta 20 reais por cabeça e a área de camping é enorme, tem vestiários para banho, porém não tem cozinha, único fator negativo, e esta a menos de 05 km do centro da cidade, foi uma boa opção para quem ia passar 2 noites e 1 dia.
       
      - Transporte
      Infelizmente no Brasil o turismo não tem o investimento e a estrutura que merecem, geralmente se você não tiver um carro, você não conseguira chegar a lugar nenhum, só se estiver viajando de bike ou carona, pois se depender de transporte público dificilmente chegara nos lugares turísticos, ou então vai ter que depender de agências de viagem que vão cobrar o olho da cara. O que posso recomendar é ter um carro, ou alugar um, pegar o mapa da cidade com os pontos de seu interesse e dirigir ate ele.
       
       

      - Alimentação
      Como passaríamos o dia todo fazendo trilha, nosso café da manhã e almoço foram lanches que preparamos, no centro da cidade tem vários mercados que da para comprar de tudo, a noite um lugar mais em conta é no Alcinos, lá tem prato que da para 2 pessoas por 20 reais, litrão de cerveja a 10 reais e tem wi-fi no local para quem precisar, vale a pena.
      - Segurança
      Serra do Cipó me pareceu ser super tranquila, com o jeito de cidade do interior, tranquilo e mais seguro, comparado com a minha cidade, logicamente, que nem preciso falar que é bem perigosa.

       
      - Passeios
       
      Parque Nacional Serra do Cipó: O Parque é totalmente gratuito e na portaria eles fornecem um mapa simples e te ajudam com dicas para você aproveitar o melhor do parque, como tínhamos apenas um dia para aproveitar , acabamos resolvendo fazer o maior trekking do parque. Não se esqueça de levar água, comida e tudo o que for necessário.
       
      Cânion das Bandeirinhas: São 12 km para ir e mais 12 km para voltar, o trekking é plano em 95% do trajeto e é necessário atravessar um rio a pé, a água chega ao máximo na cintura,  no meio dessa trilha tem uma entrada para a Cachoeira da Formiga, são 2,5km para ir e 2,5km para voltar, e vale muito a pena, mas se prepare se você for andando, serão quase 30 km de trekking, tudo bem que é plano, mas mesmo assim são 30 km hehehe, começamos a andar as 10h da manhã e só fomos terminar as 18 horas.

      Existe a possibilidade de alugar uma bicicleta (50 reais) e fazer o trajeto todo assim, acaba sendo um pouco mais fácil do que andar, mas mesmo assim cansativo.
       
      Então foi isso, ficamos apenas 2 noites e 1 dia em Serra do Cipó, e nesse dia fizemos esse trekking de quase 30 quilômetros , mas valeu muito a pena conhecer a melhor parte do Parque Nacional e tudo gratuito, a seguir era partir rumo a Conceição do Mato Dentro e Diamantina/MG. Fique esperto para acompanhar os próximos relatos. 
       
      É isso ae galera...
       
      Espero que tenham gostado do relato e...
       
      Follow me.
       
       

       
       
    • Por Paulo Sérgio Silva

      Mossoró - RN X Brasília - DF
      Vamos Pro relato.....
      Data da Viagem 09/08 3 dias de Viagem
      Total Kms Rodados. 2350. Pelo Caminho que escolhi.
      Total Gasto. Gasolina R$: 280,00 Media de Preço R$: 3,68 à R$: 4,28 Carissima.
      Alimentaçao. 1° Dia R$: 10,00 Um Lanche Rapido a Noite em Cabrobó - PE
      2° Dia R$: 24,00 Almoço em Ibotirama - BA. A noite so Agua mesmo.
      3° Dia Almoçei Na Casa de Meus Pais. Tava de Regime.
      2 trocas de Oleo uma de R$: 15,00 (Lubrax) Pessimo rendimento e Outra R$:18,00 Mobil esse pegou bem. E uma Regulagem de Valvulas R$: 15,00
      Prego Zero na Estrada.
      Moto Titan Fan 125 Ano 2010. Com 38948km.
       
      Bora Entao....
      No Primeiro dia.
      Saindo de Mossoró - RN as 10hs. Seguindo em direçao a Apodi - RN BR 405. /Itau - RN/Sao Fco do Oeste - RN/Pau dos Ferros - RN... Chegando en torno de 13hs na Cidade do Fogo. A tormenta ja começa ai. Em uma viagem de Moto a pior Situaçao é rodar entre 13h as 16h. O Calor é intenso e Uma das coisas que nao Pensei foi de ter Levado Protetor Solar e labial. Importante demais esse detalhe. Simbora entao.... A ansiedade era grande que nem Fome Deu . Parti Sem almoçar..... Seguido de Rafael Fernandes - RN/Jose da Penha - RN/Major Sales - RN E Chegando na Divisa RN/PB em Uirauna - PB. Simbora Passando por Sao Joao do Rio do Peixe - RN (Aqui começei a sentir Calor Forte).Capa de Moto Preta Amigo com 35 graus... Sei lá. Bora Pra frente... Seguido de Sao Joao do rio do Peixe - PB/Cajazeiras - PB/Cachoeira dos Indios - PB/Barro - CE(Agora estado Ceará)Milagres - CE/Brejo Santo - CE/Jati - CE/Pena Forte - CE/ e entrando no Pernambuco Salgueiro - PE. !!! Aqui um detalhe.... Cheguei as 17hs em Salgueiro - PE. Encostei no Ponto de Apoio dos Onibus. Nao estava Cansado e fiquei na duvida se Pernoitava por aqui ou nao. ... Tambem me lembrei que este Trecho de Salgueiro/Cabrobo/Oroco tem alto indice de Assalto pelo menos na minha epoca. Entao perguntei ao Bombeiro meio encabulado e ele disse que nao .. era outra cidade que ele Falou e blablabla. Nao pensei em nada tava sem sono . Dei partida e fui... Cheguei em Cabrobó - PE e fiz Parada para Lanchar e Abastecer a Moto. Aproveitei e perguntei ao Bombeiro as condiçoes da estrada em diante. E ele me disse que tinha muito Jumento na Estrada... até ai Blz. Mas ele disse desse jeito Pra mim. (Se voce tiver sorte de nao ser Assaltado no Caminho... no mais Livrando os Jumentos A estrada ta boa.. Kkkk. Rapaz nessa hora ai que ele me deu Coragem pra seguir.... Nao contei outra Partiu.. Cabrobó - PE/Orocó - PE/Santa Maria da Boa Vista - PE/Lagoa Grande - PE/Petrolina - PE e finalmente Cheguei em Juazeiro - BA... as 22Hs. Do 1° Dia.
      Nao Procurei Pousada, Tinha Levado uma Rede pra uma Urgençia (Vai que a moto Dava um Prego... Pelo menos tinha onde deitar. Armei a rede entre Duas carretas. Dos companheiros de estrada e ja Era. O flex na Cabeça tava tao Louco que so Consegui Dormir as 24hs (Meia Noite). Acordei as 3hs da Manha . Frio lascando. Mesmo com 4 Camisas por dentro e a capa da moto. Frio foi um Tormento nas Noites.... Mas tem nada nao Faz Parte. Simbora 2° Dia
      Saindo de Juazeiro do Bahia seguido por Carnaiba do Sertao - BA/Juremal - BA/Maçaroca - BA/Jaguarari - BA/Senhor do Bonfim - BA/Ponto Novo - BA/Capim Grosso - BA. Nesse trecho tem um trevo Com a Primeira placa (Jacobina - Brasilia) Primeira placa de Brasilia que vi. E me indicaram nao ir por la por causa dos Buracos. Entao decidi outro caminho .Fiz uma parada pra tomar Agua e uma Pertubaçao começa a aparecer.... A (Bunda) da Pessoa Começa a ficar meio Esquisita....kkkkkk. Bola pra Frente.. Seguindo de Sao José do Jacuipe - BA/ Varzea da Roça - BA/ Mairi - BA/Baixa Grande - BA/Macajuba - BA/Rui Barbosa - BA/Seabra - BA/ Ibotirama - BA... aqui Parei parando.. 2hs da tarde Quente Feito a peste como diz matuto. O bicho tava pegando. Os olhos tava feito fogo. E o Calor tava demais... Entao Almocei de boa. Passei uns Zaps e Fiz troca de Oleo da Moto Abasteci e depois de Pensar um bocado no Calor ... Mandei ver .... depois de Ibotirama em uma serra percebi a Moto começar a bater valvulas principalmente na subida.. e ja tinha andado uns 20km entao resolvi Voltar. Passei na Oficina e mandei o cara Regular essa valvula (Embora eu nao sabia se era isso mesmo). Mas pra.minha sorte so era isso. Graças..... entao sentei o pé...Seguido de Cristopolis - BA e Barreiras - BA. Aqui cheguei de 18hs. So o bagaço da Laranja.... Procurei a turma da rede e Logo enganchei a danada entre as Carretas. Fome zero o almoço valeu por dois dias. Um detalhe (Nao reparei direito e eu achava que as carretas iam pernoitar. Derrepente eu depois de ja deitado a Scania da Partida pra sair... Meu amigo .. Pense numa desmontada de rede Deflexxxxxx.... Kkkkk. Rapaz do jeito que eu tava morto se esse omi sai sem eu perceber o rasgado de rede ia ser feio viu. Kkkkk. Mas deu tempo. Na verdade o cara desceu e veio olhar a situaçao. Blz desarmei e botei no Canto certo. .. e ai dessa vez descançei 6hs Apaguei entre 18s as 24hs(Meia Noite). Acordei nao pensei em Outra parti.. bora..... Quando fui da Partida cade a Moto pegar. ...? O frio tava tao grande que a moto nao dava Partida. Chamei o bombeiro dei um tranco na moto com o afogador puxado e Pouuuuuu. Pegou na hora nem Obrigado dei pro bombeiro com medo da moto apagar e fui.... Seguindo até Luiz Eduardo Magalhaes - BA. Tive que parar.. Rapaz o Frio tava igual a Bariloche. Meu amigo dava nao era frio demais . Gastei 3hs pra chegar Armei a rede de Novo nas Carretas e baubau dormi. Acordei de 6:30hs. Abasteci a Moto e Pe na estrada. Seguindo por Roda Velha - BA/Posse - GO ja no estado de Goias/Simolandia - GO/Alvorada do Norte - GO/Vila boa - GO/Formosa - GO/Planaltina - DF/ Sobradinho -DF (Aqui uma surpresa!!! Do nada a moto Apagou as 13hs Sol torando. Imagine o que era?.... Esqueci de Abastecer. A sorte que ja tava dentro da Cidade empurrei a moto ja com fome e sede uns 500 metros no Setor de Oficina Sul no Posto mais Proximo. Fiquei rindo o tempo todo.. Abasteci e chinelei... Taguantinga - DF/ e Finalmente Ceilandia - DF. As 14hs do 3° Dia..
      E assim foi essa jornada Mossoró - RN x Brasilia - DF
       
    • Por willianfae
      Todas informações estão no meu BLOG
      http://mochileiroparasempre.blogspot.com.br/
       
      Antes de relatar a travessia Petrópolis-Teresópolis. A Petrô-Terê, como ela é chamada normalmente vou explicar como tudo isso começou.
      A Alguns meses atrás fiz o Pico Paraná com alguns colegas pois eu estou me preparando para fazer um mochilão para patagônia e isso serviria como preparo. Quando fiz o pico Paraná vi que eu estava bem ruim de equipamento principalmente Mochila e Bota. Depois de sofrer na pele com equipamento ruim, sai pela internet procurando qual seria o melhor equipamento para cada segmento. Quando cheguei na parte de mochila vi que a Deuter era disparada a melhor cargueira. Como eu não conhecia a marca sai pesquisando valores, descrição etc. Levei um susto quando vi que uma mochila top custava cerca de R$ 1200,00 “Depois vi que isso se paga”. Um certo dia entrei no site da deuter e vi que tinha uma promoção para uma expedição Petrópolis-Teresópolis onde fiz na hora a inscrição pois além da viagem eu poderia ter desconto para comprar minha sonhada mochila Deuter. Fiz a inscrição mas já sabendo que não ganharia pois até então nunca tinha ganhado nada. Certo dia recebi um e-mail informando que eu era um dos ganhadores da expedição. Depois de ler 10x o e-mail e acessar o facebook pude confirmar que isso não era um sonho e sim demorou mas ganhei o que mais gostaria, uma expedição com a Deuter.

       
      No outro dia já comecei a botar meu preparo físico em dia pois essa travessia seria bem mais longa que o pico Paraná.
      O pessoal da Deuter fez uma organização impecável e a todo momento era informado do que era preciso levar, como seria o roteiro e respondendo todas minhas dúvidas. A Travessia seria Sexta, Sábado e Domingo. O Ponto de encontro foi sexta as 8:00 no aeroporto Santos Dumont.
       
      Por internet já pude conhecer quase todos os colegas de travessia e minha percepção se confirmou, a galera era SHOW, logo de cara já fizemos amizade e parecia que a galera já se conhecia a muito tempo. Todos do grupo já tinham experiência em trilhas, alguns eram mais acostumados com trilhas longas e outra galera “eu estava junto” com trilhas mais curtas.
       
      Além dos participantes tivemos a companhia do Fotografo Tom Alves, Mario Nery que é represente do site trekkingbrasil.com.br além do pessoal da deuter e o escalador Hillo Santana – escalador do Deuter Team Brasil “esse cara é foda”
       
      Antes da partida recebemos um presentinho da deuter um kit contendo um saco estanque da Sea to Summit, um par de meias da Lorpen, um X-Mug da Sea to Summit e algumas guloseimas para ir beliscando no meio do caminho. Além disso ganhamos uma blusa da Expedição.
       
      Saímos no horário previsto, mas pegamos muito trânsito na subida da Serra para Petrópolis por causa de um caminhão que subia devagar, só chegamos na Portaria do Parque Nacional da Serra dos Órgãos (Parnaso)por volta das 11h. Chegando lá fomos recepcionados pelo guia da Expedição e por mais algumas pessoas que nos acompanhariam e fariam parte da logística do evento. Fizemos o check in na portaria do Parque e logo depois tivemos um pequeno papo com nosso guia Ivo Junior que foi fantástico. Além de nos ajudar nas trilhas pude aprender muitas dicas para tornar a trilha mais fácil.
       
      DIA 01 – Da Portaria de Petrópolis (Bonfim) ao Morro do Açú – 12/09 – sexta
      Destaques: Vista do mirante do Graças a Deus, após a Isabeloca.
      Distância: cerca de 7 ou 8 km, uma média de 6 horas de caminhada.
      Nível: Subida pesada, quente e com trechos bem expostos ao sol.
      Dica: Leve água, já que o ponto de abastecimento é no Ajax e até lá tem muito chão e muito calor se o sol estiver forte. Não esqueça o protetor solar e um boné!
       
      Depois de toda recepção e agradinhos era hora de pôr a minha Deuter nas costas e ver na prática como ela ia se comportar. Hoje os pontos principais era Pedra do Queijo, Ajax, a subida da Isabeloca, o mirante do Graças a Deus e as lages de pedra (chapadão) até o Açu – ponto do nosso primeiro acampamento.

      * Primeira foto da galera - Inicio da trilha (Foto Tom Alves)

       
      Eu já tinha lido que o primeiro dia era o mais punk pois é só subia subida subida subida e mais subida subida. E realmente é assim mesmo. A pior parte da subida foi o trecho da portaria até a Pedra do Queijo, esta parte é quente demais e não tem tanto vento para aliviar a situação como temos na Isabeloca. De início a subida não tem muita coisa para se ver e a trilha é um pouco chata mas depois de algumas horas a trilha fica bem show. Como o grupo era grande nós tivemos uma pequena divisão onde cada um pode ir andando no seu ritmo porém sempre acompanhado de um guia. Eu consegui manter um ritimo legal pois a mochila realmente é FODAAA e quase eu não sentia ela.

       
      Fizemos uma parada rápida entre a Pedra do Queijo e o Ajax para um papo e repor as energias.Durante a trilha eu fazia uma parada de 1min a cada 15min andando. Nesse momento eu anda estava usando meu cajado de madeira hhehe Depois o Guia jogou fora e me emprestou um bastão de trekking show. Foi minha priveira vez usando bastão e isso ajuda muito. Um detalhe é questão da mão inchada, se você não usa suas mãos sempre estão baixas e com isso fica inchada. Com o bastão isso não ocorre.
       

       
      Paramos mais a frente no Ajax – ponto de abastecimento de água – comemos alguma coisa, bebemos bastante água, enchemos as garrafas e Streamers e começamos a tão falada subida da Isabeloca. Dizem que a Isabeloca tem este nome por causa da Princesa Isabel que gostava de passear por ali no lombo das mulas
       

      *Willian Faé (Foto Tom Alves)
       
      Chegamos no final da Isabeloca e o sol já começava a sair de cena. Por volta das 17h estávamos no Mirante do Graças a Deus, no começo do trecho que chamamos de “Chapadão”, local onde ficam as lages de pedra, dali até o Açú ainda teríamos mais alguns bons minutos de caminhada e mais algumas subidas. Paramos um pouco nesse ponto onde o Tom Alves parou para fazer umas fotos bem legais com a Nayara e minha mochila. Acompanhei as fotos e logo voltamos a trilha.
       

      (Foto Mario Nery)

      (Foto Tom Alves)
       
      Nesse momento eu corpo já estava conformado com tanta subida. Realmente até esse ponto tinha subido bem puxado e o sol estava castigando. Não economizei na água e sempre estive muito bem hidratado e sempre estava comendo uma barra de cereal.
       

      Chegamos no acampamento quase 18:00 e para nosso conforto o pessoal já foi na frente montando as barracas e levando a comida para o jantar. Isso foi um LUXO pois só nisso economizamos uns 3 a 4 kilos na mochila. Eu cheguei no acampamento e fui direto para o refugio encarar a fila do banheiro. Lá tem água quente e banho de 5min. Água quente mesmo. Esperei cerca de 1:30 para tomar banho. La também tem estrutura para dormir e barracas para alugar, porem tem que ser reservado por internet antes. Cama é 40 pila, espaço pra colocar o isolante e saco de dormir 20,00 e a barraca não lembro. Todos tem direito a banho. Quem pegar quarto pode usar a cozinha.
       

      (Foto Tom Alves)
       
      Depois do banho tivemos um jantar feito pelo Topot, que incluía sopa e capeletti, com direito a chocolate de sobremesa e um chá. Hora de ir pra dentro do saco de dormir e encarar a noite fria da Serra dos Órgãos. O dia seguinte começava cedo, junto com o nascer do sol.
       

      (Foto Tom Alves)
       

      (Foto Tom Alves)
       
      DIA 02 – Do Morro do Açú até o Abrigo 4 – 13/09 – sábado
      Destaques: Visual do segundo dia é o mais bonito de toda a Travessia.
      Distância: cerca de 9km, mais ou menos 7 horas de caminhada.
      Nível: Pesado com trechos de escalaminhada que exigem atenção e alguma experiência.
      Dica: Amarre bem os cadarços das suas botas para evitar que os dedos fiquem batendo contra a parte da frente do calçado durante as inúmeras descidas. Este é o dia onde as pessoas se perdem com muita facilidade na travessia, alguns pontos onde a trilha muda não são notados facilmente. Eu mesmo teve um ponto que me desviei da trilha e aguardei o pessoal chegar para ter certeza para onde eu deveria ir. Outro problema sério para orientação pode ser a presença de neblina, coisa comum na Travessia. Você ficará exposto ao sol quase o tempo inteiro, então não descuide da hidratação, proteção para cabeça e do filtro solar.
       
      A Noite foi bem fria no acampamento, mas eu estava bem equipado e foi tranquilo dormir. Como estava muito cansado não tive dificuldades em dormir. Acordamos por volta das 5:00 fomos em direção a frente do abrigo do Açu para ver o nascer do sol e foi simplesmente perfeito.
       


      (Foto Mario Nery
       
      Logo depois do nascer do sol o pessoal preparou um café da manhã bem reforçado pois como no dia anterior não tivemos almoço. A Rota do segundo dia é a mais top da travessia. Ela tem muita subida, descida e alguns pontos bem perigosos porém o cenário é perfeito. Como um plus nossa rota incluiria passar pelo Portais de Hércules que é uma vista privilegiada de algumas montanhas que não são vistas normalmente durante a travessia, como a famosa “Agulha do Diado”e “Dedo de Deus”.
      Eu achei o segundo dia bem melhor e também já estava em um ritimo bem legal de caminhada.
       
      Os pontos clássicos deste dia são: Morro do Marco, Portais de Hércules (desvio da trilha normal da Travessia), Vale da Luva (ponto de água), Morro da Luva (pior subida do dia), Cachoeirinha (base do Elevador – ponto de água), Elevador (escada de grampos de aço fixados na pedra que exigem atenção e calma), Vale das Antas (ponto de água), Pedra da Baleia, Mergulho (Grota ou Vale da Morte),Cavalinho e finalmente o Abrigo 4 aos pés da Pedra do Sino
       
      O Segundo dia é bem mais técnico e exigiu bem mais atenção.
      Saímos do acampamento e fomos em direção ao portais de Hércules, o que ajudou foi que na metade do caminho onde se inicia a descida para os portais, ficou um pessoal esperando e ai pudemos deixar nossas mochilas e descer bem mais leve. Levamos cerca de 1h até os portais. A Descida é bem susse e o lugar é o mais top de toda a travessia. Ficamos cerca de 30min olhando para aquele lugar e batendo diversas fotos. Pra ajudar tem também ponto para agua que fica na metade do caminho.
      A Volta foi até o ponto que o pessoal ficou esperando foi bem tranquila também. Vale a pena com certeza incluir os portais no seu roteiro.
       

      (Foto Mario Nery)

      (Foto Mario Nery)
       
      No segundo dia todo o pessoal já estava bem mais acostumado com o ritimo então a trilha rendeu mais mesmo sendo bem mais longa.
      Durante a trilha escutei o pessoal comentar de alguns pontos famosos, porém como eu não tinha pesquisado antes eu não imaginava o que seria. Mas escutei frequentemente um tal de “Elevador, Cavalinho, Descida do Mergulho”.
      Depois de algum tempo de caminhada chegamos em um ponto onde poderíamos ver o sino e para mim foi um dos lugares mais bonitos da travessia.
       

      (Foto Tom Alves)
       
      Logo depois de um bom descanso e do reabastecimento das reservas de água no Rio Soberbo nós seguimos em direção a Pedra da Baleia. Neste ponto o Kiko que vinha fechando a fila passou a frente para ajudar o Ivo Junior na fixação da corda de apoio para descida do Mergulho (uma grota logo antes do Cavalinho, que é chamado de vale da morte) .
       
      Mais alguns minutos de caminhada com a parede do Sino na nossa direita e chegamos ao ponto onde descemos o vale para subirmos em direção ao famoso “Cavalinho”. Neste trecho da descida a corda já estava fixa e parte do grupo já havia passado. A logística de passagem foi perfeita. As mochilas foram passadas de mão em mão e colocadas logo abaixo da grota e as pessoas iam descendo pela corda, pegando suas mochilas e subindo em direção ao Cavalinho.
      Esse ponto se tornou fácil devido a estrutura de corda e apoio do pessoal porem sem isso o negócio é bem perigoso. Não tenho fotos desse local pois tive que colocar tudo na mochila para poder descer.
       
      Depois de alguns minutos chegamos no chamado cavalinho. O negocio é bem punk mesmo é uma subida cheio de pedras e uma rocha atravessada simulando um cavalo. Não sei como seria passar aquilo com mochila pois mesmo sem mochila e com ajuda já foi um pouco difícil. Achei muito perigoso pois ali se cair já era. Mas o pessoal da Deuter preparou outra logística perfeita, passando todas as mochilas e depois colocando uma corda para servir de apoio. O Kiko também ficou na ponta para ajudar o pessoal a subir.
       


       
      Depois disso tudo ficou mais tranquilo. Estávamos bem pertinho do acampamento
       
      Após a passagem pelo Cavalinho alguns optaram por subir o Sino para aproveitar o por do sol e outros – como eu – foram direto para o acampamento junto ao Abrigo 4. As barracas estavam montadas e o espaço para nossa cozinha já estava pronto. O Topot começou a preparar a janta dos participantes enquanto alguns já se “inscreviam” na fila do banho, que estava maior que a do dia anterior. No meu caso desisti do banho pois tinha muitaaaaaa gente na frente.
       
      O sol sumiu de vez e as pessoas que estavam no alto da Pedra do Sino começaram a descer. O papo rendeu ao redor da “cozinha” – enquanto a sopa e o arroz com nozes, queijo e grão de bico estavam nos pratos o silêncio imperava, mas antes ou depois as conversas iam da música e causos da montanha até as viagens, trilhas e equipamentos – com não poderia deixar de ser, é claro.
       
      DIA 03 – Do Abrigo 4 até Teresópolis – 14/09 – domingo
      Destaques: Morro da Cruz (desvio da trilha que permite uma ótima visão da Agulha do Diabo), vista de Teresópolis do meio da descida e a cachoeira do Véu da Noiva.
      Distância: 11km mais ou menos.
      Nível: leve, todo o caminho é descendo, porém os desníveis incomodam para quem tem algum problema nos joelhos ou nas pernas.
      Dica: Aproveite a parada no gramadão (espaço do antigo Abrigo 3) e pegue uma trilha curta (no fundo a direita) que lhe leva a um mirante com vista para Teresópolis.
       
      Acordamos bem cedinho com o sol alaranjando o horizonte, algumas pessoas optaram por ficar nas barracas, já outros levantaram e encararam o vento frio e forte da Serra dos Órgãos enquanto assistíamos a mais um espetáculo do sol nesta alvorada de domingo. Escolhemos ver ao nascer do sol na Pedra da Baleia, uma lage de pedra grande que fica logo atrás do chalé do Abrigo 4, para chegar lá basta seguir a única trilha que parte de trás do Abrigo.
       

       
      A ideia para o dia de hoje era descer pela Travessia da Neblina, porém o grupo optou por uma descida pela trilha normal de 11 KM, isso nos economizaria tempo, Kms andados e energias – já que a descida pela Neblina iria aumentar o caminho e o desgaste nas pessoas.
       
      Os 11 km de descida são tranquilos e você encontra mais pontos de água pelo caminho, uns 2 ou 3 se não me engano. A descida pede atenção por causa dos inúmeros desníveis e também pelo trecho final que tem um calçamento antigo com várias pedras desniveladas e com limo. Ao longo deste trecho os bastões de caminhada ajudam bastante e salvam os seus joelhos.
       
      Nesse terceiro dia a trilha é bem sem graça, uma porque ficamos mau acostumados pelo segundo dia que é incrível, a outra porque é apenas descida e muita mata fechada.
       
      Tivemos um ponto perto de um antigo abrigo que se desvia a trilha um pouco e podemos ver teresopolis.
       

       
      Na chegada à Barragem, ponto final de quem faz a Travessia até Teresópolis, encontramos a nossa van, nosso guia, os participantes, carregadores (Diego e Juca) e o carro de apoio da Expedição com o Pedro. Frutas, Gatorade gelado e um sorriso no rosto dos participantes – pela sensação de missão cumprida e também por poderem tirar as botas e mochilas cargueiras, rsrsrsrsrs!
       
      Em resumo…
      Foi um privilégio ter participado da primeira edição da Expedição deuter e tive sorte duas vezes que foi ganhar esse sorteio e ter uma galera sensacional como companheiros nesses três dias. Tudo foi perfeito ( Local, Organização, Comida, Estrutura, Guia)
       
      Nessa expedição pude aprender muita coisa relacionado a trilha, equipamentos e fotografia e isso para mim foi o melhor de tudo.
       
      Onde: Parque Nacional da Serra dos Órgãos (ingressos e informações aqui)
      Duração da trip: 3 dias, mas pode ser feita em 2 ou até em 1 dia.
      Melhor época do ano: Entre maio e setembro, período que chove menos.
      Classificação: Travessia Pesada.
      Destaques: Paisagens do segundo dia de caminhada, nascer e por do sol no Açu e na Pedra do Sino.
      Indicado para: Pessoas com bom condicionamento físico e que possuam os equipamentos necessários para uma caminhada deste porte, incluindo os itens camping e vestuário de frio.
    • Por Bruna Gusmão
      A pouco mais de um ano, estive no Peru fazendo trabalho voluntário (Relato: Intercâmbio No Peru - Dois meses de trabalho Voluntário) e lá tive o despertar do meu destino. Porém, passado um tempo, sem muita grana pra viajar para fora do país, eu decidi que iria me dar a chance de conhecer um pouco mais do Brasil - a começar pelo lugar que parecia ter uma certa magia no ar, Minas Gerais. 
      *IMPORTANTE: Preciso deixar claro que isto não é um roteiro de viagens sobre  Minas, e sim sobre as "sensações" que essa cidade traz.
      Minha primeira ida foi para conhecer Poços de Caldas - MG e somente lá consegui entender a dimensão da frase: "Estamos onde devemos estar". A cada passo dado, as pessoas que me olhavam nos olhos, o carinho dos moradores, a comida, absolutamente tudo me fazia sentir que era pra eu estar ali, vendo aquelas coisas. As fotos que fiz, mostram um pouco disto: 

      Vista do Cristo - Poços de Caldas/MG

      Caminho da Cachoeira Véu de Noiva - Poços de Caldas/MG

      Tirolesa Pedra Balão - Poços de Caldas/MG
      Foram três dias em busca de algo, que somente no fim da viagem eu consegui entender que havia me encontrado. A partir dali decidi que voltaria sempre que a minha mente precisasse, só não imaginei que estaria de volta no mês seguinte. E por muitos momentos, tudo o que eu conseguia pensar era no próximo lugar que estaria conhecendo... O que me trouxe a Monte Sião/MG. 
      Desta vez, a vida queria que eu entendesse uma nova lição: "Pelos mesmos caminhos não se chega sempre aos mesmos fins." Só quem esteve comigo nessa viagem vai entender a dimensão dessa frase, pois foi motivo de debate no caminho de volta pra casa. Saímos de São Paulo com a pretensão de chegar a Águas de Lindóia/SP, mas o destino quando misturado com a energia que você esta emanando no dia, causam surpresas. Do começo ao fim, fomos levados a fazer outros caminhos e aceitamos sem revolução, porque já se sentia no ar que seria mais uma viagem transformadora. Nossa passada por Monte Sião teve transformações em todos, mas os efeitos em mim podê ser visto na mudança que as minhas fotografias sofreram. 

      Pôr do sol na estrada - SP 

      Morro Pelado - Águas de Lindóia/SP

      Morro Pelado - Águas de Lindóia/SP

      Morro Pelado - Águas de Lindóia/SP

      Morro Pelado - Águas de Lindóia/SP
      Aquilo tudo não era para conhecer e entender melhor o meu país, foi apenas o gatilho que me fez entender que não preciso ir para tão longe em busca de algo que tenho por aqui. Por enquanto, esse lugar me basta! 
      #PAZ
    • Por andreia.puglia
      Alter do Chão - SETEMBRO/2016   Uma  conheceu alter por um programa de tv. Um dia apareceu uma promoção e compramos as passagens.    Um ou outro amigo sabia da existência da cidade, ninguém de fato conhecia. De fato nao tem muitos cariocas turistas por lá. Vi muitos gringos, gente de Brasília e das regiões mais próximas como Belém e Manaus.   Chegamos no voo da madrugada e acho que só existem mesmo esses voos chegando de madrugada, seja de Brasília ou de São Paulo. O ideal é pegar o taxi direto pra alter, que fica no valor de R$ 70,00 a R$ 100,00 (set/2016). O transfer também pode ser fechado com antecedência (Seu Cristovão - ‪+55 93 9123‑4264‬).  A gente achou que precisava ficar em Santarém por questão de logística, o que descobrimos depois que não era necessário, porque alter fica no meio do caminho entre o aeroporto e Santarém.  De toda forma conseguimos conhecer o centro de Santarém que não tem muita coisa pra fazer e é muito quente. Passeando pela orla descobrimos o passeio de barco pelo rio. Ele dura de 1 a 2 horas e custa 30 reais (set/2016). Assistimos ao encontro dos rios Tapajós e Amazonas, que não se misturam porque possuem diferentes phs, temperaturas, densidades e etc. Na segunda metade do passeio o nosso barqueiro e guia Sr. Elvis nos levou pra ver um monte de botos. Foi bem legal! Ele não alimentou e não interviu no rio jogando ração ou pão como fazem em praias do Nordeste, e mesmo assim os botos pulavam perto do barco.  Conhecemos um casal que foi almoçar num local ou mercsdo turístico e adorou. Vou procurar o nome de lá.  Depois do passeio no rio fomos conhecer o Mercadão 2000, mas as bancas já estavam fechando. O ideal é ir cedo pra lá. Não tem nada demais, é uma feira de produtos regionais. Como estávamos no início da viagem foi difícil comprar frutas e produtos perecíveis. Tinham muitos produtos ligados à medicina alternativa local.    Depois de concluir que tínhamos visto o suficiente em Santarém, pegamos o ônibus numa praça do centro com preço de 3 reais (set/2016) que levou cerca de 1 hora pra chegar em Alter.    Chegamos à vila numa terça às 16hs. Tomamos um banho pra aliviar o forte calor e fomos dar uma volta pra conhecer a cidade.   De fato a Ilha do Amor é linda!!! Ficamos ali assistindo o entardecer na calmaria do rio, comendo um petisco de camarão e de peixe.    De noite fomos até a pizzaria do italiano na praça onde tomamos sucos super deliciosos e uma caipirinha com cachaça de jambú que virou a queridinha da viagem! Jantamos um bom peixe ali.   No geral na cidade a comida não é farta, não é barata e também não é nada demais. Nesse italiano tinha um peixe ok.    Ainda de noite procuramos um dos barqueiros na orla e fechamos um passeio pro dia seguinte. Como éramos duas, aproveitamos para nos unir a um outro grupo de três para diminuir o valor total do passeio.    Segundo dia, quarta-feira: Na quarta fizemos um passeio para a Flona, por 80 reais por pessoa por dia, num grupo de 5 pessoas. Pechinchar nunca é demais. Mais 15 reais de almoço e mais 100 reais pro guia na floresta que pode ser dividido por até 5 pessoas.    Tinha visto na internet o passeio de 2 dias na Flona, mas 1 dia foi suficiente. Chegamos cedo e fizemos uma trilha de 2hs até a Samaúma (uma grande e antiga árvore dessa espécie), por dentro da Floresta Nacional do Tapajós. Valeu super a pena. Confesso que imaginei uma samaúma maior, mas foi legal mesmo assim. Conhecemos a Floresta Amazonica, muito umida e com arvores imensas.  2hs de trilha de volta, almoçamos numa comunidade ribeirinha e fomos passear nos igarapés próximos. Depois ficamos mais um pouco tomando banho num banco de areia próximo. Era uma praia bem bonita como todas da região. Eu diria que entrou no meu top 5 das praias mais bonitas. So nao lembro o nome, sei que fica na frente dos igarapes da comunidade do Jamaranguá.   Na volta à vila paramos na praia de Pindoball pra assistir ao por do sol.    À noite fomos ao Arco Íris que é um dos bares da praça, comemos um crepe simples.    Terceiro dia, quinta-feira. Este foi o primeiro dia do Festival do Sairé, que acredito que aconteça sempre na Lua Cheia ou, por coincidência, estávamos na lua cheia. No domingo anterior teve a abertura do festival e na manhã de quinta-feira começaram os rituais religiosos. Não consegui entender exatamente o que significa, mas perguntei pra uma jornalista que cobria o evento que me falou que aquela cerimônia representava a festa feita pelos índios pra os portugueses jesuítas que chegavam à vila. Valeu a pena assistir, apesar do forte calor que fazia. Acontece uma disputa entre homens e mulheres, há uma procissão em que cada grupo leva um tronco de árvore chamado por eles de mastro. Quando chega na praça eles enfeitam os trocos e os fixam até o final no festival, quando os derrubam a machadadas e um dos grupos vence.    Como a cerimônia do Sairé foi até o meio dia, aproveitamos a tarde pra curtir a Ilha do Amor sem pressa. Fizemos stand up pelo lago verde e fomos até a praia da frente. Na volta passamos um perrengue porque ventava muito e não saíamos do lugar, mas mantivemos a calma e conseguimos voltar pra terra firme vivas!    Nesse dia comemos num lugar que não voltaria, o bar da esquina da praia, de cor azul, não lembro o nome. O molho era de leite de coco e tinham uns milhos, parecia peixe com canjica. Rs.   À noite fomos ao Festival do Sairé. Nesse dia, quinta-feira, o evento foi gratuito e foram feitas apresentações de grupos locais com danças típicas, principalmente o carimbó.    Na última hora do dia encontramos uma amiga na praça que sugeriu o passeio para Arapiuns, que é um rio braço do Rio Tapajós. Fechamos o passeio de última hora, no valor de R$180,00 por pessoa, com água, frutas e almoço incluído. Fomos nun grupo de 10 pessoas.    Como Arapiuns é do outro lado da margem do rio, a viagem é mais longa e por isso precisamos sair cedo, às 8hs.  A primeira parada foi num banco de areia no meio do rio Arapiuns simplesmente paradisíaco. Só tínhamos nós. E mesmo tendo 10 pessoas no grupo, o banco de areia era grande (set/2016) e parecia uma praia deserta. O sol nao estava tao quente e ficamos ali batendo papo naquela paz e silencio indescritiveis.  Nosso guia (Arkus +55 (93) 9149-4174) lembrou que nessa parte do rio é preciso ter cuidado com as arraias no fundo da areia, por isso é bom entrar devagarinho, arrastando os pes na areia, pra nao pisar nelas. Arrastando os pes, elas fogem.    Almoçamos na comunidade da Coroca, e uma amiga indicou também a comunidade de Anã. A Coroca tem um redário pra galera que quer dormir lá (contato Bruno que tem o redario em Alter tb), mas também é possível dormir dentro da casa dos moradores. O importante é agendar com antecedência. Achei bem legal a criação de abelhas, de tartarugas, e a simpatia daquele povo. Há quem diga que dormir na comunidade é uma experiencia imperdivel pra quem vai pra Alter, mas nós nao tinhamos nos planejado pra isso.    Toda noite de sexta-feira tem o chorinho no bar da Tia Graça, onde vende um bom açaí, quase ao lado do hotel borari. Naquela noite, por causa do festival, o chorinho foi no Mango. Fomos pra lá, dançamos, comemos e bebemos a caipirinha com cachaça de jambú que não fez mais o efeito divertido de adormecer a língua.    No sabado estavamos tao cansadas que preferimos ficar na praia do amor sem pressa, acordamos um pouco mais tarde, tomamos cafe com calma. De fato nao tinhamos tanto motivo pra cansaco, mas o calor e o sol cansam sim. Ficamos na Praia do Amor ate nao aguentar mais. Depois subimos pra vila lra almoçar. Esse almoço sim valeu muito a pena. Foi no Espaço Alter do Chao. Ele fica na rua da praia à direita de quem olha pra Ilha do Amor. É só descer que nao tem erro. Ali a comida é bem gostosa, com pratos tipicos do local, com sobremesa deliciosa, especialmente o mousse de chocolate com cupiaçu, divino. O serviço é em clima de férias, mas a qualidade da comida compensa. Não deixe de experimentar a bola de peixe. Cada bola é R$40,00 e alimenta uma mulher educada, um homem educado fica com fome, um homem faminto usa só de entrada. Tem o prato com duas bolas de peixe. Vicê pode escolher entre o recheio de camarão ou o de banana com queijo. Bem bom. Queria ter experimentado o ragu de pato, que nao tinha. O risoto de camarao no tucupi tambem tava gostoso. O tucupi é o oleo que se extrai da madioca, é amarelo e tipico na região, vale provar um prato que tenha tucupi. O risoto tem tucupi bem leve. Eu gostei.    Terminamos tarde o almoço e acabos subindo tarde a serra. Eles chamam de Serra da Piroca e tem toda uma explicação que eu não prestei atenção quando tentaram explicar pra alguém do meu lado. O ideal é subir às 17h. São 40 minutos e não é difícil, mas tem subida. Na serra tem umas pedras chatinhas, então para os menos roots vale um tênis. E tem que levar lanterna. Importante também combinar com barqueiro pra te pegar na volta, ou não levar mochila e voltar pra vila nadando, que também é bem trabquilo, só tomar cuidado com os barcos que atravessam à noite, lor isso eu preferi voltar de barco mesmo.  Subirmos quase às seis, chegamos lá com o sol ja descendo. Foi outro top 3 da viagem. A vista é panorâmica, podendo ver o Lago Verde, a Ponta do Cururu, a Ilha do Amor e a vila.    Encontramos um monte de gringo lá em cima e cheguei à conclusão que os mosquistos só gostam de brasileira com repelente. Eles estava tranquilos sem repelente agum e eu com repelente ate o dedo do pé sendo devorada. Voltamos no escuro e não conseguimos ver a lua nascendo porque não queríamos esperar ali até muito tarde sozinhas. Mas vimos uma linda lua cheia nascendo quando chegamos de volta na Ilha do Amor. Foi muito bom, só faltou um bom banho de rio com aquela lua cheia linda, mas o barqueiro nos esperava.   Nesse dia à noite chegamos na pousada só pensando em banho e cama. Mas era o dia mais legal do Sairé, o dia em que os botos se enfrentariam. Tomamos banho e fomos pro Sairódromo meio que no automático.  Pelo que entendi o povo local não gosta muito do Sairé porque a cidade fica lotada de gente bagunceira e suja. De fato tinha muita gente bêbada, o povo deixou a praia suja, uns homens dormindo na sarjeta. Mas durou só dois dias, valeu a pena pela festa dos botos. Custou R$ 30,00 para entrar nesse dia. A disputa é quase um carnaval.  A diferença é que não tem desfile. Eles fazem uma apresentacao parados, com carros alegóricos, danças típicas e torcida de um lado e de outro. A bellinha torcia para o Boto Cinza, o Tucuxi. Eu torci para o Boto Rosa. Em 2015 o Tucuxi ganhou. São 1h30 de apresentação e eu de fato achei o rosa mais tradicional e mais bonito. No meio do rosa já era tarde da noite e fomos pra casa.    No domingo seguimos a dica do casal que conhecemos no primeiro dia. A cidade é pequena e todo mundo se encontra. Eles indicaram o restaurante Casa do Saulo para a gente. Tem como ir de barco, mas fica caro, de carro ou de taxi, que também fica caro. Cogitamos ir de bicicleta, mas ainda bem que estavamos cansadas, porque é longe, o calor e sol forte, e é estrada de asfalto, onde a bicicleta não tem vez. Conseguimos uma carona pra ir e voltamos de taxi com o Seu Cristovao (ja coloquei o numero dee aqui). O lugar é bem bonito e tem acesso à um banco de areia lindo também. Falaram que a comida era sensacional. Eu não achei tudo isso, mas talvez não tenha dado sorte. É boa, mas nada do outro mundo. Eles tem muito costume de comer o peixe empanado, então acaba sendo tudo peixe empanado e só muda o molho. Posso estar enganada, talvez valha a pena tentar um que não seja empanado. Chegamos e fomos direto pra praia. Pedimos nosso almoço só às 16h e foi ótimo, porque a essa hora não demorou tanto pra chegar. Comemos e voltamos pra praia. Tiramos um cochilo com um ventinjo delicioso e depois curtimos o por do sol sensacional.  Marcamos desde cedo do Seu Cristovao nos buscar. Chegamos na vila já eram 20h. Tomamos banho e fomos pro italiano. Estava tendo carimbó na praça e foi muito legal dançar (ou tentar dançar) com a bandinha ao vivo, o povo loca e os hippies bem animados dançando.    Na segunda foi o último dia do Sairé, quando cortam os mastros enfeitados com machados, anunciam se homens ou mulheres ganharam e anunciam qual boto foi o vencedor. Em 2016 ganhou o Tucuxi de novo.  Descemos à vila na direção das praias à direita. E como não tem estrutura de bar e restaurante aquele pedaço é o paraíso. Ficamos deitadas devaixo das árvores e curtindo a tranquilidade daquele pedacinho. Depois disso peecebi que poderíamos ter explorado os dois lados da ilha do amor, mas como toda viagem a gente precisa deixar uma coisa sem ser feita pra poder voltar, essa parte foi a escolhida para me dar motivos pra voltar.    Nesse dia comemos também no espaço Alter do Chão. Tentamos todos os lugares da cidade, mas estava tudo fechado, provavelmente por ser segunda-feira. Queríamos ter conhecido o vegetariano de umas argentinas na rua da pousada da Cabocla que estava inaugurando naquela semana, mas também estava fechado.    Conseguimos subir mais cedo à Serra, umas 17h15 e vimos sim um belo por do sol, com direito à muitas fotos e panoramicas e mais tempo pra só curtir.    Descemos rápido e só escureceu lá embaixo. A luz da laterna do celular é suficiente.    À noite também não tinha nada aberto, acho que só o italiano estava aberto.    Ultimo dia, terça-feira: comemos um café caprichado porque é o ultimo dia das mãos de fada da Dona Del.    Eu ainda não falei que o café da manha da Dona Del também foi top 5 da viagem.    A pousada é simples e uma das mehores em Alter (Pousada Alterosa), não tem chuveiro elétrico, mas ninguém lembra disso com aquele calor. O ar condicionado, que é o mais importante, é novinho e limpinho. Tudo é muito limpo e o casal de donos faz você se sentir em casa. Eles vão construir uma suíte acessível, bem legal!! E o café da manhã era do meu jeito preferido. Um bom café preto, bastante fruta e suco, tinha até suco verde, ovo mexido, gema dura, gema mole, feito na hora, tapioca recheada feita na hora. Além disso pães frescos e de forma, bolo da vovó, simplesmente perfeito.    Nesse ultimo dia fizamos passeio que tanto queríamos, mas faltava gente pra fechar o barco mais barato. Passeio ao Canal do Jari com Ponta das Pedras e Ponta do Cururu. O barco é pequeno e bate bastante, mas água no rosto faz parte dessa sensação de estar o no paraíso. Nossa primeira parada foi na Ponta das Pedras e definitivamente há motivos para que Alter seja considerado o Caribe Brasileiro. Que lugar lindo. Nenhuma foto consegue captar o quão lindas são as praias. Em Ponta de Pedras tem um vento bom e fresco. Poderia passar o dia aqui. Confirmar essa informação, mas acho que é possível chegar na Ponta das Pedras de carro e de bike, muito embora o passeio de barco tenha valido muito a pena.    Em seguida fomos para o Canal do Jari e paramos em uma casa na beira do rio para fazer o passeio pela mata em torno de 30 minutos. Vimos um bicho preguiça, as corocas (pássaros) e macaquinhos. Também tinham árvores lindas, castanheiras e pés de jenipapo. 15 reais (set/2016).   O almoço foi na Ponta de Pedras já no caminho da volta. Pra mim ficou como top 5 da viagem.    Como um grupo que estava conosco disse que o almoço demorou muito pra sair, preferimos só pedir aperitivos e curtir a praia.    No final da tarde fomos até o Lago Preto para um mergulho e depois voltamos na direção da Ponta do Cururu. O por do sol de lá foi dentro da água, sem fotos, só curtindo aquele momento especial, aquele espetáculo incrível fechando nossa última tarde em Alter.    No centrinho aproveitamos pra comprar souvenirs, bombons caseiros e a cachaça de jambú no mercado.    Nosso almojanta foi no sanduíche X-Tudao, ao lado do Garcia sorvetes, que tb serve um super suco. Bellinha comeu o hambúrguer de peixe, eu o de camarão e a Bettina o vegetariano. Todas gostaram muito.    O que eu ainda faria mas não deu tempo é andar na Ilha do Amor pelas praias tranquilas, tanto à direita da ilha quanto à sua esquerda. E também beirando as praias de alter, no sentido da direita de quem olha pra ilha do amor.   Pra quem visita a vila de carro, descobri que a Casa do Saulo, Praia de Pedras, Lago Preto e a Flona podem ser visitadas pela estrada. Mas os passeios de barco, apesar de ficarem mais caros, te levam pra praias desertas e lindas, que o carro não chega.    Por causa do calor muito forte, não consegui fazer o passeio de bicicleta. Mas tem uma loja que aluga bikes.    Não fizemos a Floresta Encantada, onde foram gravadas cenas do filme Tainá, porque uma amiga de lá disse que só fica bonito em época de cheia.    Top 5 (que foi elastecido) . Praia de Ponta das Pedras . Por do Sol na Serra da Piroca. Aconselhável subir as 17h.  . Praias do Rio Arapiuns . Trilha na Flona com banco de areia na frente dos igarapés da comunidade do Jamaranguá.  . Cafe da manha da dona Del - pousada Alterosa . Botos em Santarém . Ilha do Amor
×