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Machu Pichu com volta via Santiago


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MACHU PICHU COM VOLTA VIA SANTIAGO:

 

 

Investimento: 800 US$

Tempo: 20dias

Preparação: Dois meses antes comecei a ler relatos e diários dos mochileiros nos sites, principalmente os relatos do Dieter. Comprei o Guia Criativo do Viajante Independente na América do Sul de Zizo Asnis & Os Viajantes. Esse guia foi resolveu muitas paradas, mas confesso que tive vontade de pegar uma serra elétrica e serrá-lo pela metade por causa do peso e do volume.

Coisas que levei na mochila (60L) e não usei: lanterna, repelente e capa p/ mochila.

Coisas que não levaria se a viagem fosse hoje: toalha de banho, substituiria por fraldas que se compra em metro, seca muito mais rápido e não faz volume. Levei muito calçado. Hoje levaria apenas um chinelo e o tênis do pé.

Medos confessáveis: ficar doente, faltar dinheiro, passar fome e não ter onde ficar. Por isso toda vez que planejo uma lonely trip entro em crise na véspera. Penso em desistir mas em seguida imagino meus amigos me perguntando: _ e daí? Como foi a viagem? Putz! Porque eu fui contar pra todo mundo? Agora não há saída - é encarar e encarar-se. Coração a mil e pé na estrada.

Distâncias:

Corumbá - Porto Suares - 30km

Porto Suares - Santa Cruz - 608km

Santa - Cruz - La Paz - 900km

La Paz - Copacabana - 300km

Copacabana - Puno - 300km

Puno a Cusco - 385 km

Cusco a Machu Pichu - 110km

Cusco a TAcna passando por Puno e Arequipa - 1000km

Arica a Santiago - 2.085km

 

 

02/01/06 - Maringá -Campo Grande

 

Saí às 11h50min e cheguei às 21hs local. 66 reais sem o seguro facultativo. No Mato Grosso é preciso atrasar o relógio em uma hora, nesta época do ano. Subi as escadas da rodoviária e fui comprar passagem para Corumbá, como estava cansada ia dormir ali em Campo Grande, tudo é meio caótico, sujo. Comprei passagem pela empresa Andorinha - 62 reais para o dia seguinte às 12horas..

Como estava com o endereço do albergue, entrei no táxi e pedi:

_ Rua Joaquim Nabuco, 185. O taxista diz que é exatamente em frente á rodoviária.

Coloquei novamente o mochilão nas costas, fazer o quê? Era só atravessar a rua.

No hostel a diária para alberguistas era de 20 reais, sem o café da manhã. As acomodações são espartanas, mas individuais..

Tomei banho e desci pra fazer um lanche, bem na entrada do albergue há uma lanchonete. Também vendem pacotes de excursão para o Pantanal e p/ Bonito. Para o Pantanal são cerca de 9 horas, pacotes de 3 dias, 320 reais com tudo incluído exceto bebidas. Bonito é mais perto, cerca de 5 ou 6 horas. Dizem que esta é a melhor época porque os bichos estão saindo, mas posteriormente, conversando com moradores disseram que a melhor época p/ visitar o Pantanal e Bonito é agosto e setembro. Em janeiro e fevereiro chove muito, os rios estão cheios, tudo é caro e não dá pra tomar banho. Bem, quanto à essas informações, só quem foi é que sabe.

Dicas: Se tua bagagem estiver tranqüila de carregar, se tiveres tempo e pique sugiro procurar outros hotéis ali próximo. No dia seguinte percebi que haviam hospedagens mais baratas e melhores.

 

 

03/01/06 - Campo Grande - Corumbá

 

Foram 6 horas de viagem e a estrada é muito boa. Não há carros trafegando. Como é época de chuvas há muito verde, pântanos, charcos dos dois lados da rodovia. Vejo tuiuiús, jacarés, cervos e outros bichos. Puxo papo com dois senhores do banco de trás, eles me contam que trabalham na Mineração Urucum, falam da exploração do manganês e minério de ferro. Durante o trajeto, o ônibus pára na cidade de Miranda, descem 3 gringos, há uma placa indicando uma base de estudos há 11 km dali. Observo uma toyota esperando eles, o jipeiro varre a toyota e os três vão sentados sob a cobertura da toyota - tudo é muito rústico. Puxo papo com um casal de Porto Alegre, estão indo até Santa Cruz..

Chego em Corumbá e despeço do casal, pois eles querem comprar a passagem do trem ali mesmo na rodoviária. Eu, como havia lido que é melhor comprar no albergue fui caminhando até o mesmo.

O albergue de Corumbá é show, limpo, organizado. Fiquei sozinha no quarto, ainda bem, porque faz muito calor e pude dormir com a janela aberta sem ar condicionado, nem ventilador. (sou chata, não durmo com aquele barulhinho de ventilador).

No dia seguinte, a Patrícia (dona do albergue) comprou a passagem para as 6 da tarde, porém às 4 passariam p/ me buscar. De manhã fui ver o rio Paraguai com Elza que havia chegado.

Dicas: Se por acaso te disserem na rodoviária de Corumbá que a passagem acabou, atravesse a fronteira e verifique diretamente em Porto Quijarro, ou vá p/ o albergue, mas em hipótese alguma faça este trajeto de ônibus. Conheci gente que caiu nesta conversa e levou 3 dias para fazer Porto Quijarro-Santa Cruz.

 

 

04/01/06 - Corumbá - Santa Cruz

 

Às 16 horas passa o pessoal de táxi que me lava para atravessar a fronteira. Paguei 30 reais, pois estava sozinha no Albergues. Se tivesse mais gente poderia ter dividido o táxi. A passagem do Ferrobus é 100 reais. Em Porto Quijarro, me esperam para carimbar o passaporte, me orientam para comprar bolivianos e, como o câmbio é menor na fronteira, troquei apenas 50 dólares = 395 bolivianos. Atraso o relógio em mais uma hora.

Ao chegar no terminal ferroviário reencontro o casal de Porto Alegre. Às 18 horas em ponto chega o Ferrobus. São apenas dois vagões. Há ar condicionado e durante todo o trajeto ninguém entra pra vender nada. São apenas duas categorias: cama e semi-cama. A categoria cama custa 160 reais e fica no primeiro vagão, segundo me informaram não sacoleja tanto. O ferrobus não circula todos os dias, e considero o melhor meio de transporte terrestre até Santa Cruz; são apenas 12 horas. Há ferromoças que servem janta e café da manhã. O desafio é cortar o bife com talheres de plástico e equilibrar o copo de refri sem derramar. Me senti super segura quanto à bagagem e , se vc consegue dormir em ônibus vai dormir tranquilamente...

 

Dicas: Se comprar a semi-cama prefira o fundão ou seja os fundos do vagão. Fiquei bem na frente onde sacoleja mais e onde fica o toalete. Era um entra-e-sai sem fim.

 

 

05/01/06 - Santa Cruz - Cochabamba

 

Cedinho cheguei em Santa Cruz de La Sierra. Finalmente estava na Bolívia, tudo é caótico, os banheiros são pagos e imundos O terminal ferroviário é junto ao terminal rodoviário. Despeço-me do casal que estava comigo.

Primeiro choque: eles vendem passagens no grito, uma espécie de leilão e conforme aproxima o horário de saída os preços baixam. Queria pegar ônibus direto pra La Paz, mas saem a partir das 17 horas. Em vez de ficar o dia todo em Santa Cruz decidi ir pra Cochabamba, são 9 horas de estrada com ônibus sem banheiro. Comprei a passagem , 70 bolivianos + 3 de taxa de embarque que se paga num guichê separado. Saída às 8h45min. Como havia lido muitos relatos de que vendem mais passagens que assentos, fiz o vendedor me levar até o banco do ônibus.

Estava receosa quanto à bagagem e disse que ficaria comigo. O mochilão ficou um pouco apertado entre as pernas, mas pelo menos fiquei mais segura. Eles não colocam tickets na sua bagagem, depois percebi que o bagageiro ia aberto pois havia gente que viajava lá embaixo.

Assim que o ônibus sai da rodoviária vai parando e mais e mais gente vai entrando. Todos se espremem, as chollas chegam com o "auaio", jogam-no no corredor do ônibus e sentam em cima. Pára mais um pouco e entra um monte de gente vendendo comida, refri. É um caos e a falta de higiene é total. Fico observando as chollas - elas são super femininas, mas é um feminino forte e não frágil como estamos acostumados.

Estava com receio de precisar fazer xixi que nem água tomava. O impressionante é que ninguém pede ao motorista pra parar, é um controle dos órgãos excretores que fiquei impressionada.

À 1 hora da tarde o ônibus parou no que chamam de um restaurante enorme à beira da estrada. O lugar é fétido, horrível, cheio de moscas, cheirando à urina e cocô. Aquilo me abalou (e olha que eu tenho estômago forte) consegui tomar um sorvete e comprar um pacote de bolacha.

A segunda parada foi no início da subida das montanhas. Não havia banheiro e todos aliviavam-se no mato. Estava morrendo de fome e consegui comprar uma maçã.

Ali começou uma subida cuja paisagem me reconfortava, lembrei das serras gaúchas coma diferença que aqui é infinitamente maior. À medida que subíamos a temperatura abaixava. Estava exausta e com fome. Não via a hora de chegar em Cochabamba.

Cheguei às 19.30, mais que as 9 horas de viagem que prometem quando vendem as passagens. A rodoviária é um caos e o trânsito idem. Sentei no banco da rodoviária e abri meu guia para tentar localizar algum hotel. Procurei pelo Hotel Milenium, e estava bem próximo, há uma quadra. Ao chegar, pedi para ver o quarto, mostraram-me dois quartos sem janela. Após algum tempo, finalmente ofereceram-me um quarto com janela, apesar de ficar no 4º andar e sem elevador. Quarto grande, bem mobiliado e o banheiro é pequeno. Negociei o preço, de 70 bolivianos ficou por 65.

Tomei banho e desci. Só então preenchi a ficha. A! sim, vc vai precisar muuuito do seu passaporte. Ao comprar passagens e p/ cadastro em hotéis. Pedi sugestão de um restaurante, o proprietário me indicou o Puerto Madeira. Fui de táxi, na Bolívia só pegava táxi pois é muito barato, me senti uma princesa rssss. Finalmente estava num ambiente limpo, organizado. Por 43 bolivianos come-se à vontade, desde mariscos à pastas. Uma farra gastronômica.

Dica: Se estiver disposto a viajar e não dispõe de muito tempo, siga de Santa Cruz direto p/ La Paz. Ou se preferir conhecer Cochabamba, um dia é suficiente. Esqueça a farra à mesa no café da manhã a que estamos acostumados no Brasil, em geral vc senta e é servido, A comida é "racionada".

 

06/01/06 - Cochabamba

Fiquei dois dias em Cochabamba, mas vejo que foi muito. A cidade é composta de duas partes. Em uma vc tem a impressão que está em qualquer grande cidade brasileira não fossem as montanhas ao redor e a tranquilidade. È moderna, arborizada e tranqüila. Na outra é um caos, cheio de (índias quéchua) vendendo de tudo. O trânsito emperra, não há semáforo e ninguém usa capacete, o povo se aglutina.

..

O café da manhã - desayuno, simples. Vc senta e a moça traz: suco, café com leite, pão e manteiga. No hotel troquei 100 dólares = 800 bolivianos e fui procurar uma internete p/ ver e-mails e dizer pra minha mãe não se preocupar pois eu estava viva rssss.

Fui à rodoviária ver passagem pra La Paz. Eles mostram lindas fotos, mas na hora não é nada daquilo. Assim que cheguei fui abordada, fiz de conta que ia comprar e perguntei se havia banheiro, o rapaz disse que sim, então pedi pra ver o ônibus. Entrei e... nada. Só então ele disse que não havia nenhum ônibus de Cochabamba a La Paz com banheiro. Saí da rodoviária e peguei um táxi até a Laguna Alalay. Se vc tem alguma promessa p/ pagar aproveite. Há uma centena de degraus até o Cristo de La Concórdia, se não tem aproveita a vista maravilhosa andando no teleférico.

À tarde fui ao museu e caminhei pela cidade, resolvi comer duas Saltenhas. Tive um desarranjo intestinal imediato. No centro da cidade comprei frutas: cerejas, mamão e pêras pra ver se melhorava, ainda bem que deu certo. Em Cochabamba vc começa a sentir os efeitos da altitude.

Dica: as principais atrações de Cochabamba são: A Laguna Alalay e o Cristo de La Concórdia. Se seu orçamento não estiver apertado, faça a farra gastronômica no restaurante Puerto Madeira.

 

07/01/06 Cochabamba - La Paz

 

Saí as 9h da manhã. Paguei 40 bolivianos, mas depois percebi que eram 35. O caminho é extremamente sinuoso. Estamos na Cordilheira dos Andes, quase não há vegetação e observa-se as diferentes colorações de terra, passando do amarelo à várias tonalidades de vermelho, cinza e verde. À toda hora sobe gente vendendo: gomitas, água, refri, pollo, gelatos etc. A dimensão da paisagem impressiona.

Observa-se os povos andinos, as primeiras lhamas e algumas placas: Zona geologicamente instable. As distâncias indicadas nas placas ora aumentam, ora diminuem, pois o trajeto é extremamente sinuoso. Começo a sentir os efeitos da altitude: uma leve dor de cabeça e falta de ar, estamos a 3.900m de altitude.

Antes de chegar a La Paz observa-se montanhas com picos nevados. Neste momento fico aflita com o que vejo: à frente está uma aglomeração, muuuuita gente. Relembro dos relatos que diziam sobre os conflitos políticos na Bolívia e especialmente em La Paz. Por um instante me arrependo de ter vindo de ônibus e já me imagino presa ali, naquele lugar horrível. Não há uma árvore, nenhum verde, olho pela janela do ônibus e vejo um cachorro morto. Fiquei assustadíssima. O lugar era assombroso, mas o ônibus vai contornando devagar e percebo que trata-se de um festival de danças típicas, uma visão surreal. Ufa!!!

Conforme a viagem vai prosseguindo, a paisagem começa a mudar.Logo em seguida, paisagens de montanhas que cercam La Paz. A cidade fica dentro de um cânion e se parece com as favelas brasileiras, com a diferença de que a violência aqui não parece tão gritante e as construções são todas cor de terra.

Ao chegar na rodoviária, fui imediatamente tomar um chá de coca, estava com dor de cabeça, efeito da altitude. Enquanto tomava o chá, folheava o guia à procura de um hotel. A rodoviária não é das piores, nem o banheiro depois das experiências anteriores.

Queria ir direto pra Copacabana, mas disseram-me que os ônibus saem do Cementério, pela manhã. Resolvi pegar um táxi e o taxista me levou ao hotel Sagarnaga. No meu guia indicava 20US$ a diária, o taxista disse que era menos. Acabei fechando por 10US$ com café da manhã, depois soube de alguns brasileiros que fecharam por 5 US$. O hotel fica numa rua estreita, cheia de gringos, lojas, restaurantes - clima é jovial e animado.

Dica: Na Bolívia é preciso pechinchar, em hotéis ligue os chuveiros pra se certificar de que há água quente

 

 

08/01/06 - La Paz

 

Visitei o Chacaltaya num passeio organizado por agências ali mesmo perto do Hotel, 50 bolivianos + 10 para entrar. Finalmente eu estava muito feliz, a imponência, magnitude e beleza do Chacaltaya impressionam principalmente para uma brasileira que nunca tinha visto neve. Á medida que vai subindo a falta de ar aumenta. Fui mastigando folha de coca, pois a cada 10 passos parecia que o coração ia saltar pela boca.

 

Visitando o Chacaltaya concluí que tudo até então realmente valeu a pena. Quando estávamos saindo começou a nevar e a paisagem ia ficando cada vez mais branca, liiindo. Em seguida fomos ao Vale de La Luna,

como já eram 2 horas da tarde e todos estavam sem almoço, eu com fome estava totalmente desmotivada e o lugar, sinceramente não me agradou tanto.

Dicas: Há muitas atrações nas proximidades de La Paz, inclusive um vulcão em atividade, museus, as Ruínas de Tihuanaco, o Chacaltaya e Coroico entre outras. Tudo vai depender de tempo e grana, mas considero imperdível o Chacaltaya se vc nunca viu neve.

 

09/01/06 - La Paz - Copacabana - Ilha do Sol

 

Saí do hotel com muito medo, pois haviam me falado que era perigoso tomar táxi em La Paz estando sozinha; alguns taxistas falsos chamam outros para roubar o passageiro. Mas; fazer o quê? Rezar e acreditar que tudo vai dar certo. O rapaz do hotel foi lá fora e disse pra mim que eu podia ir naquele táxi. Eu precisava ir até o tal do Cementério, para pegar ônibus pra Copacabana. O taxista entra numas ruas estreitas sem gente e eu começo a rezar, sobe, desce anda e não chega nunca. O medo aumenta e eu penso que chegou minha hora rssss

Finalmente chega num lugar caótico cheio de ônibus, vans, etc. Imediatamente chega um vendedor dizendo que o ônibus pra Copacabana está saindo e me mostra um papel com o que seria um lugar vago: a poltrona nº 20. Legal, compro e digo que a mochila fica comigo, meio a contra gosto ele aceita. Assim que entro no ônibus vejo que os assentos estavam todos ocupados exceto aquela poltroninha solitária quase junto ao motorista. Sento ali, e fico satisfeita pois dá pra ver melhor. O rapaz que me vendeu fica encostado no capô - azar o dele. Duas horas depois começamos a avistar o Lago Titicaca, a paisagem é belíssima, me senti num filme, e sinceramente quase chorei. Valeu a pena!!! O Ônibus pára pra atravessar o lago e todos os passageiros descem, foi só nesse instante que desgrudei da mochila, pois os passageiros atravessam o Lago de barco e o ônibus de balsa.

Cheguei em Copacabana às 13hs. Fui procurar um banho público, achei, mas como sempre estava imundo. Em seguida fui perguntar sobre os barcos pra Ilha do Sol. Estava tudo perto, foi só descer a rua principal - cheia de lojinhas de artesanato e agências de turismo. Paguei 10 bolivianos pelo barco e foram quase duas horas de travessia. Havia só eu de brasileira no barco, era aquele burburinho de línguas quase incompreensíveis. Eu estava curtindo solitariamente a minha trip.

Ao chegar na ilha do sol, crianças abordam o barco oferecendo hostales. Dei ouvidos a um menino que pediu que eu o acompanhasse. O desafia era subir as centenas de degraus de escadarias íngremes com a mochila nas costas e naquela altitude. Havia uma legião de mochileiros e só se ouviam as fungadas ofegantes.

Finalmente depois de muito subir, cheguei ao hostal que o menino me oferecia por 10US$, pedi p/ ver, era um quarto com banheiro e ficava em cima do restaurante. A dona disse que era 15US$ mas eu disse que só ficaria se fosse 10US$. Negócio fechado, fui fazer um rango ali mesmo: sopa de quinua como entrada + truta com arroz e salada. Truta do Titicaca - que delícia.

Fui caminhar pela ilha, tirei fotos das cholas, e fiquei sentada curtindo o pôr do sol. Há uns burricos peludos que trazem as bagagens dos mais abonados que aqui desembarcam. É muito comum os nativos pedirem descaradamente: _ Propinas. E as crianças pedem caramelos.

Notei que apesar de ser uma ilha, os nativos não exploram os turistas como é o caso de Fernando de Noronha. No silêncio do quarto, vi toda a louça do banheiro e fiquei imaginando aquilo tudo subindo em lombo de burro.

Durante a noite choveu torrencialmente, mas o sol brilhou esplendorosamente pela manhã. Era inacreditável, parecia que o mundo ia cair e de repente - o dia está lindo, tranqüilo.

 

 

 

10/01/06 Ilha do Sol - Copacabana - Puno

 

Acordei coma vista do sol nascendo no Titicaca, imagem paradisíaca. Como eu estava curtindo tudo aquilo. Desci para o desayuno e em seguida fiz a mochila, pois as 10 da manhã os barcos começam a zarpar. Uma legião de mochileiros começam a descer as escadarias íngremes.

Ao meio-dia cheguei em Copacabana e fui direto pras agências comprar passagem p/ Puno. Em uma delas disseram-me que havia acabado as passagens, só para o dia seguinte. Fui em outra agência e consegui comprar. Como estava com alguns bolivianos queria gastar, pois ia para o Peru. Entrei numa loja e comprei duas blusas por 110 bolivianos. Deu tempo de ir pra internet mandar news p/ minha mãe não sofrer um enfarte por minha causa rsss.

No ônibus conheci um grupo de 3 brasileiros (duas gurias e um guri) do Mato Grosso, começamos a puxar papo e em seguida apareceu outro brasileiro - Edmar. Nesse trajeto o ônibus pára p/ todos carimbarem os passaportes, demora bastante. Há o carimbo de saída do país (Bolívia) e o de entrada (Peru). Eu e Edmar aproveitamos pra compra alguns soles. Depois da fronteira todos trocam de ônibus. A viagem é tranqüila pois não há tráfego e o asfalto até que é bom, apesar disso ficamos preocupados com as mochilas em cima do ônibus, pois não há tickets, se cair alguma reclamar pra quem?

Cheguei em Puno às 18 hs e fomos, os 5 procurar hotel. Antes paramos no centro e tiramos fotos. O grupo do Mato Grosso, acreditem - estavam de mala de rodinhas - um mico numa situação dessas. Encontramos um hotel por 30 soles a diária com banheiro privativo. Eu e Edmar resolvemos sair pra conhecer um pouco a cidade. Encontramos um táxi muito original, o "moto-táxi", resolvemos fazer um city-tour por Puno.

 

Edmar me contou que havia comprado a passagem de trem Puno-Cusco (27US$) em Copacabana com receio de não encontrar lugar, pois esse trem não faz todos os dias esse trajeto e, dizem que é a viagem de trem mais linda do mundo. Decidi verificar se ainda havia passagens p/ ir de trem e para surpresa de Edmar, havia de sobra e com preço mais barato.

Dica: não compre passagens com antecedência, sempre dizem que vai acabar, mas na maioria das vezes é um apenas um truque p/ venderem.

 

 

 

11/01/06 - Puno-Cusco

 

Assim que chegamos na estação ferroviária encontramos outro brasileiro - Ricardo. Tiramos fotos e puxamos papo. Ele disse que fez La Paz/Puno via Desaguadeiro. Outra rota mais cara, porém rápida.

 

O trem sai de Puno às 8h e existem duas classes. A primeira custa mais de 100US$ e é servido bebidas e refeições. A velocidade do trem é de 60km, o trajeto é feito em 10 horas e a paisagem, após 3 horas realmente é belíssima: prados verdejantes, lhamas, montanhas, plantações de batata, plantações de coca, ovelhas, casas rústicas e pequenos povoados em seus trajes típicos. É uma paisagem de cinema. Fiquei intrigada com uma fumacinha branca que saía das montanhas, bem no alto. Depois vim saber que se tratavam de pequenos gêiseres.

Há apenas uma parada durante o percurso e não há comida pra comprar. Como o serviço de bordo é pago à parte, o almoço sai por 10 dólares. Eu e Edmar levamos água e frutas. Quando estávamos quase chegando, eis que entra um casal com trajes típicos dançando e cantando. A garota dança com os passageiros mas quase ninguém se anima. Edmar topou o desafio.

 

Chegamos em Cusco de tardezinha. Fui acessar a internet p/ saber notícias de Alexandre, um mochileiro de Rondônia cujos contatos haviam iniciados dois meses antes via orkut. Através dele fiquei sabendo do Albergue municipal e me dirigi pra lá. No quarto só havia eu e uma Chinesa que mal falava inglês. Nossa comunicação era hilária. Edmar ficou hospedado em outro hotel e Ricardo idem. Cada um foi pra um lugar e mais tarde nos encontramos por acaso na Plaza das Armas.

 

Dica: Vindo de La Paz se não quiser passar por Copacabana, há uma outra rota. Ricardo fez esta pois estava sem muito tempo. É preciso pegar táxi no Cemitério e ir até Desaguadeiro, que é fronteira. De lá até Puno são mais 2 horas. Essa viagem é toda de táxi por isso sai mais caro, é melhor fazer com um grupo.

 

 

12/01/06 - Cusco

 

Edmar ia p/ Machu Pichu mas resolveu ficar em Cusco pra ir no dia seguinte. Saímos os 3 p/ caminhar em Cusco, eu, Edmar e alexandre.

 

O legal é que alexandre já estava ali há 3 dias e conhecia tudo. Compramos passagem de trem - 68US$- categoria econômica, e entrada p/ Machu Pichu - 23US$. Putz... uma grana. Gastei em uma semana na Bolívia a mesma quantia que em dois dias em Cusco

Alexandre decidiu ir descansar p/ repor as energias pois no dia seguinte ia começar a trilha de 4 dias. Eu e Edmar resolvemos caminhar em Cusco, fomos até a rodoviáia p/ ver passagens p/ Arequipa 55 soles. Decidimos não comprar.

À noite jantamos com Alexandre. Edmar queria provar carne de Lhama, fomos num restaurante legal ali perto da Plaza das Armas.

Dica: Se vc não é vegetariano, não deixe de provar a carne de Lhama, é muito saborosa e com zero colesterol. Já a cerveja cuzqueña não é tão boa quanto a paceña na Bolívia, mas penso que é porque é servida morna.

 

 

 

13/01/06 - Cusco - Machu Pichu- Cusco- Arequipa

 

Chegou o grande dia. O trem parte de Cusco às 6.15, por isso eu e Edmar fomos de táxi até a estação San Pedro. O trem parte, e logo em seguida pára e começa a andar de ré, comento com Edmar:

_ Putz!! Algum problema.

Isso se repete até que chego à conclusão que se trata de uma forma original de descer por terrenos extremamente íngremes. Também lembrei que já tinha ouvido sobre essa forma em zigue-zague de chegar à Machu Pichu. (são 110km)

A paisagem impressiona. Vejo o pessoal fazendo a trilha e tenho mais certeza que preciso fazer isso, talvez no ano que vem. É algo místico trilhar um caminho milenar cheio de surpresas, belezas e mistérios.

Em Olantayambo algumas pessoas sobem. Logo se chega a Águas Calientes, onde se paga e pega novamente um microônibus. A subida é íngreme toda entre altíssimas montanhas, após uns 20 minutos se chega à Cidade Sagrada dos Incas. Finalmente, lá estava eu!!! Os deuses cobriam a cidade com nuvens que ameaçavam ir embora. Com receio de que elas ficassem, registro o momento.

 

Estar em Machu Pichu é como estar num filme. É uma cidade-altar. Ali se respira mistério, as pedras que se encaixam com perfeição, e nos perguntamos: -Como? Porque? Após 3 horas vc conclui que terá que conviver com perguntas sem respostas.

Na volta, ao entrarmos no micro-ônibus ouvimos um sonoro: - Tchaaaau, de um garoto em trajes típicos. O ônibus faz uma curva, desce e lá está novamente o garoto acenando: Tchaaaaaaaaau! Ué! Mas como ele desceu tão rápido? Até parece assombração! Mais uma curva, e o garoto aparece à frente do ônibus acenando: - Tchaaaau! É incrível, os turistas estão em polvorosa; mais uma curva em descida íngreme e o garoto sempre na frente acenando: Tchaaaau! Ao chegar em Águas Calientes, o garoto está lá, à espera dos turistas com o chapéu na mão.

Em águas Calientes almoçamos e pegamos o trem até Olantayambo, onde descemos e seguimos de táxi pra poder pegar o ônibus p/ Arequipa às 20h. Chegamos em Cusco com uma chuva fina e os fiéis saindo da igreja em manifestação, com bandeirinhas brancas dirigindo-se à Plaza das Armas onde alguém fazia discurso ao microfone.

Pegamos as mochilas no hotel e fomos p/ rodoviária onde pagamos 30soles pela viagem até Arequipa.

Antes de comprar as passagens pedimos p/ ver o ônibus. No primeiro que vi o vidro da frente estava todo trincado e cheio de fita adesiva, fiquei com receio e recusei. No segundo, estava tudo ok mas conseguimos os últimos lugares, bem no fundão. O impressionante é que o ônibus estava hermeticamente fechado, sem ar condicionado e ninguém se manifestava, abri aquela janelinha que fica no teto, mas logo em seguida alguém fechava. Foi uma viagem sufocante, com gente empilhada nos corredores do ônibus, gente que sentava em lugar errado, gente conversando. O vidro do ônibus escorria e eu rezava pra chegar logo.

 

Dica: é mais econômico ir por conta própria a Machu Pichu e ficar circulando próximo aos guias dos grupos. Há muitos guias e muitos grupos, vc pode ficar ouvindo toda a explicação.

 

14/01/06 - Arequipa-Tacna-Arica- Iquique

 

Assim que chegamos em Arequipa, pegamos outro ônibus pra Tacna e de lá atravessamos a fronteira de táxi.

 

Agora estávamos no Chile, a paisagem muda, não há mais Cholas, nem a pobreza gritante. Tudo é limpo e organizado, e claro tudo muito mais caro. Vimos o pacífico pela janela do ônibus, a paisagem seca impressiona. Não há mais vendedores de passagens aos berros nos terminais rodoviários. Compramos passagens para Iquique pela empresa Carmelita, durante o percurso é servido um pequeno lanche, e o número de passageiros não ultrapassa o número de assentos.

 

 

15/01/06 - Iquique-Calama

 

Chegamos em Iquique anoitecendo e fomos procurar um albergue ou hotel. Por 12 dólares encontramos um lugar pra tomar banho e repousar. Estávamos exaustos. No dia seguinte, domingo, era dia de eleições presidenciais, por isso não encontrávamos nenhuma casa de câmbio. Fomos cedo para o terminal rodoviário da Tur Bus comprar passagem p/ Calama, no cartão de crédito. Quando entreguei meu cartão e Edmar o dele, o atendente fez uma cara de estranhamento, para quebrar o clima, eu disse:

- Somos um casal moderno.

Compramos a passagem p/ as 23h50min até Calama e de Calama a San Pedro. Tínhamos o dia todo pra conhecer Iquique.

Deixamos as mochilas na custódia e fomos conhecer a cidade, fiquei impressionada com uma fuligem preta no asfalto e nos telhados. Quando perguntei as pessoas diziam que é porque nunca chove, fizemos um passeio de barco. Fiquei observando a quantidade de água-viva no mar do Pacífico, os leões-marinho e a paisagem desértica que circunda a cidade e todo o norte do Chile

À tardezinha, um momento histórico: começa a carreata em comemoração à vitória de Michele Bachelet - elegeram uma presidente mulher no Chile e eu estava lá. É incrível como o povo chileno é comportado. Houve uma tímida carreata em seguida juntaram-se na praça central de Iquique, houve um pequeno discurso e Hino Nacional. Nada daquela alegria esfuziante, nada de fogos, bebida e dança.

Dica: Sempre que atravessar uma fronteira troque dinheiro. Leve cartão de crédito, foi o que nos salvou, num dia de eleições presidenciais.

 

16/01/06 - Calama - San Pedro do Atacama

 

Às 8h chegamos em Calama, eu estava exausta e nós dois sem pesos chilenos. O ônibus começou a atrasar e eu resolvi pegar um táxi e ir até o centro trocar dinheiro. Acabamos perdendo o ônibus p/ San Pedro, que deveria sair as 9.30 e acabou saindo as 10.38. Pegamos um táxi e fomos até outro terminal rodoviário comprar passagem p/ San Pedro. São duas horas de viagem.

Chegamos às 14h30min em San Pedro do Atacama e fomos direto p/ o Albergue (5.000 pesos= 10 dólares) pois lá tudo é muito caro. San Pedro fica no meio do deserto, uma cidade de 4.800 habitantes com ruas de chão batido, casas baixas de adobe (tijolo) e cheia de gringos chegando e saindo. O clima é jovial, animado, há muitas lojas de artesanato, agências de turismo e pequenas mercearias. Eu estava exausta e precisava dormir, Edmar foi fazer o passeio do Salar que saía às 16h. Eu tomei banho e fui deitar. Estava super pra baixo, as constantes viagens e má alimentação me deixaram fraca, só melhorei quando Edmar chegou todo contente falando do salar do Atacama, nessas horas me dei conta do quanto faz bem estar cercado de gente de bem com a vida.

No banheiro do albergue há placas advertindo:

" we are in tehe driest deserto f the world, so water is scarse please do not waste it."

" Estamos em el desierto mas árido del mundo, por lo tanto el água es escasa por favor no la malgaste"

Se vc é daqueles que gasta 10 minutos no banho, terá de se contentar com um banho de 3 minutos em San Pedro do Atacama, e nada de deixar a torneira aberta quando estiver escovando os dentes, os gringos estarão te fiscalizando.

 

17/0//06 - San Pedro do Atacama

Neste dia acordei as 9 e fui andar pela cidade. Edmar chegou do passeio ao meio-dia e me contou todo animado o que viu. Realmente valia a pena. Neste dia me despedi de Edmar; foram dez dias compartilhando aventuras, (desarranjos intestinais) alegrias e muito companheirismo. A vida é assim, cada um segue seu destino.

Decidi fazer o passeio ao Vale de La Luna à tarde. Fui pela Conection 8.000 pesos chilenos. Sinceramente não gostei. Fiquei me perguntando por que um lugar tão árido e sem qualquer tipo de vida (nem escorpião, nem cobras) atraía tanta gente. É deserto, deserto que não acaba, só terra seca, isso eu nunca vou entender.

 

18/01/06 - San Pedro do Atacama - Calama - Antofogasta

 

Acordei às 3h30 p/ fazer o passeio dos Gêiseres Del Tatio. Às 4h passa as vans, já haviam me falado que é muito frio. Por isso fui muito precavida, luvas, toca e muito agasalho.

O passeio para conhecer os gêiseres é imperdível, sai as 4 hs da manhã e chega na montanha antes do dia amanhecer. A 4. 324 mts é uma coisa fantástica...quanto mais o dia vai clareando mais os borbulhos de água fervendo aumentam. Tratasse do encontro da água gelada que desce dos picos nevados com pedras vulcânicas que com o frio do amanhecer reagem. A água ferve aos 87 graus devido à altitude, e tem um cheiro forte de enxofre. Olha só, ao amanhecer a temperatura estava em torno de 5 graus negativos (por uns 15 minutos) mas logo começou a esquentar e ao chegarmos no centro de San Pedro (deserto mais seco do mundo) estava em torno de 40 graus.

Se vc tiver mais coragem que juízo poderá tomar um banho em uma das piscinas naturais dos gêiseres. Próximo dali há uma placa dizendo: Los gêiseres se originam por el contacto de águas subterrâneas frias com rocas calientes. Los manantiales calientes dan origen al rio salado el cual com uma longitude de 80km se une al rio Loa.

A volta dese passeio é cheia de paisagens diversas. Ao fundo montanhas com picos nevados, córregos com água cristalina, lá embaixo vê-se rebanhos de lhamas em seguida montanhas áridas e um lago cheio de flamingos, paisagens desérticas com crateras, vulcões, cactos e pequenos veios de água com margens verdes. Os cactos formam uma paisagem surreal. Esta foto é do Edmar, nos gêiseres.

 

 

Peguei o ônibus as 14h para Calama, 1.200 pesos. Chegando no terminal da Tur Bus não havia passagem para Santiago, então decidi ir procurar em outra empresa uma passagem até Antofagasta, tive de pegar um táxi.

Em Antofagasta, é tudo muito caro, dizem que é a cidade mais cara do Chile. Fiquei num hotel com banheiro por 20 dólares. Ao chegar, foi uma aflição, como já disse, em Iquique, Calama e Antofagasta (talvez outras cidades no Chile) não existe um único terminal rodoviário, cada empresa tem o seu. Tive de andar muito para passar por todos à procura de uma passagem p/Santiago no dia seguinte - por sorte havia um único bilhete, pela empresa carmelita - o assento 26 ufa! Que alívio

 

 

19/01/06 - Antofogasta - Santiago

Acordei as nove, e fui procurar algum lugar pra comer, mas não dava coragem. Antofagasta é moderna, é a cidade mais cara do Chile. Decidi ir ao supermercado e comprar frutas, suco e bolacha. Comi sentada em frente o Pacífico (a água é escura e muito gelada)

Ali solitariamente comecei a cantarolar plagiando uma música da Legião Urbana: (faroeste caboclo) "ela queria sair para ver o maaaar e as coisas que ela via na televisão" Eu estava sozinha mas super feliz, era o meu momento. Me dei conta de que a gente precisa de pouco pra ser feliz, sim, muito pouco.

Voltei pro hotel ao meio-dia, tomei outro banho rápido, mochilão nas costas e pé-na-estrada.

O ônibus sai as 14 horas, há um chileno do meu lado e começo a puxar papo. Ele diz que quando eu chegar em Santiago há dois terminais; nacional e internacional - isso eu já sabia pois tinha lido nos relatos dos mochileiros. O salário mínimo no Chile é de 120 mil pesos. Um dólar = 527 pesos. A paisagem ainda é desértica passando por incríveis tonalidades de verde musgo, grafite e marrom. Em seguida começam as plantações de oliveiras, com montanhas esverdeadas ao fundo, há fazendas de vinhedos.

Quando vou ao banheiro vejo que meus tênis estão imundos, quase não os reconheço rsss, as unhas em estado deplorável, sobrancelhas por fazer, me sinto a mulher das cavernas, mas estou feliz.

Sou a única gringa no ônibus, a maioria é de homens e reparo que me observam.

 

20/01/04 - Santiago - Porto Alegre

Chego às 7h em Santiago. O chileno que viajou ao meu lado pede p/ eu acompanhá-lo. Entramos no metrô e eu penso: Pra onde esse cara está me levando? E agora, o que eu faço? Bem... o jeito é rezar e acreditar que tudo vai dar certo. Ele pagou a passagem do metrô e entramos no terminal em seguida me diz pra descer na primeira parada, subir e tal..Diz que em frente o guichê da Pluma está o guichê que vende passagens p/ Valparaíso e Vina Del Mar. Digo-lhe: Muitas gracias e sigo as recomendações. Ok. Tudo exatamente como havia me explicado.

Quando estamos abertos e confiamos a vida flui. Um estranho me orienta e tudo dá certo. Nem sei o nome dele, só sei que é gente boa, decente. Dessas pessoas que a gente conhece e diz: - O mundo ainda em jeito! Ainda vale a pena!

O guichê da Pluma só abria 9h. Fiz plantão porque a fila começou a crescer. Peguei meu guia e fiquei folheando p/ sabe se era melhor ir p/ Vina Del Mar ou Valparaiso. Queria comprar passagem p/ Porto alegre p/ dia seguinte e em seguida ir conhecer uma dessas cidades. Quando abriu, fui informada que não havia passagens nem p/ o sábado nem p/ domingo. Mas naquele mesmo dia havia. Decidi embarcar em seguida, pois o bus saía às 11h.

Tratava-se de um ônibus extra, uma excursão de adolescentes chilenos p/ Balneário Camboriú. Só havia eu e Leila, outra brasileira, fora da excusão. Nós duas ficamos impressionadas com o comportamento dos adolescentes. Comentamos que se fosse uma excursão de brasileiros haveria muita algazarra, música e dança.

A paisagem no primeiro dia é realmente linda, montanhas com picos nevados, águas cristalinas, estradas boas e sem tráfego.

Depoimento do Edmar:

Vilma, me permite colocar meu trajeto neste diário? Sai de San Pedro aonde de despedi da minha super amiga Vilma e fui para Santiago. Fiquei lá 2 dias, só para queria conhecer Santiago e depois ir para Los Andes para voltar ao Brasil pela Argentina. Era o final da aventura, encontrar o Parqueadeiro dos caminhoneiros brasileiros para voltar de carona para o Brasil. Como eu já conhecia vários caminhoneiros que fazem o roteiro Uruguaiana/Chile foi mais facil. Cheguei em Los Andes e caminhei uns 2 km até o tal parqueadeiro e ao ver a placa dos caminhões de Mato Queimado e Caibaté (minha cidade natal) me deu um alívio. Encontrei ali vários conhecidos, almocei com eles e para minha sorte o Vitor (um dos caminhoneiros) iria sair a tarde. Além de conhecer mais uma profissão a viagem foi ótima

 

 

 

22/01/06 - Porto Alegre

Às 6h45min chego em Porto Alegre. A capital gaúcha me recebe com uma chuva fina. Na rodoviária despeço-me de Leila que vai comprar passagem para Santa Maria. O próximo ônibus p/ Criciúma é às 11horas. Compro passagem, faço um lanche e tiro um cochilo na parte superior da rodoviária.

Às 11h embarco p/ Criciúma num ônibus da Catarinense, que beleza: ônibus com banheiro, água, papel toalha e papel higiênicos. Após 3 noites dormindo em ônibus finalmente vou dormir na minha cama. Durante o trajeto lembro de tudo que vi e vivi: a Cordilheira dos Andes, as lhamas, as Cholas, a misteriosa Machu Pichu, os gêiseres, a ausência de vida do deserto, as pessoas que encontrei, os medos que enfrentei, o nirvana quando contemplei o Chacaltaya, e tudo isso, toda a variação etno-geográfica só na América do Sul. Fico lembrando do semblante sofrido do povo boliviano e peruano, ao mesmo tempo sua hospitalidade. A pobreza desse povo e sua riqueza cultural desrespeitada.

Volto fortalecida, me enfrentei e por isso fiquei mais forte, sou uma pessoa melhor!!!

Vilma Marta Caleffi

[email protected]

 

Este é o depoimento do Edmar:

Vilma, com certeza se volta fortalecido...muitos lugares lindos, culturas diferentes, tanto locais quanto viajantes de várias partes do mundo que encontramos...lembro de um Holandes que encontrei em Corumbá e que por vezes ríamos por usar 4 idiomas (Alemão, ingles, espanhol e portugues) em um determinado assunto. Bolivia e Peru são países mais pobres, a maioria do povo tem semblante sofrido mas em todos os lugares fui muito bem recebido só é preciso ficar sempre atento porque nunca se sabe qual a intenção das pessoas, assim como, em qualquer parte do mundo. O que me chamou a atenção é a diferença de atendimento que recebi quando estava viajando como mochileiro e quando sai do Chile como caminhoneiro. O atendimento se tornou bem mais ríspido ... Há lembrei de uma dica importante...lembram da estória do viajante que chegou em um lugar desconhecido e perguntou para um velhinho em uma venda: Sr. Como é o povo daqui? Ele respondeu com outra pergunta? Como é o povo de onde vc vem? Haaa, é insuportável, ignorantes, individualistas, estúpidos, não tenho saudade alguma deles e nem si se volto...e o sábio Sr. Lhe respondeu: O povo daqui é igual...

Algum tempo depois aparece outro viajante e faz a mesma pergunta: Bom dia meu Sr! Cheguei agora, o Sr. Pode me informar como é o povo deste lugar? E o velhinho com a mesma tranquilidade lhe devolve a pergunta: Como é o povo de onde vc vem? Há, já estou com saudade daquele povo, são ótimos, amigos, todos se ajudam, tudo parece uma grande família...e o velhinho lhe respondeu: O povo daqui é igual. Lembre-se que atitudes é tudo!!!

Abraços a vc Vilma e a todos os viajantes.

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vilma,

 

po...parabens pelo relato...já começa cheio de dicas boas pra quem quer viajar

tem informações ao longo do relato todo..e principalmente: é mto legal pra se ler

 

show de bola mesmo, até copiei pra quando eu for pra Machu Picchu

 

além do relato, parabéns pela viagem espetacular e pela coragem de viajar sozinha - não são muitas mulheres que enfrentam uma trip sozinha

 

Abraços

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Olá Vilma!!!

Que tudo su viagem heim!!!!Adorei seu relato e imprimi para me guiar durante a viagem ,tem varias dicas interessantissimas, pois tbem vou sozinha.

Pelo que li,vc gastou durante toda a viagem US$800?? è isso mesmo,contando com o cartão de crédito?? Estou um pouco sem noção de quanto levo ou de quanto é suficiente para passar uns 20 dias tbem.

Além desse relato maravilhoso, parabens tbem pela viagem linda que fez e pela coragem...me imaginei muito em vc, hehehe,Ai meu Deus com certeza no partida deve rolar um frio enorme na barriga, né.

Beijos e felicidades pra vc...

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Olá:

Sim, investi 800 U$ e ainda consegui comprar quatro blusas de lâ. Na Bolívia e no Peru tudo é muito barato para nós brasileiros, já no Chile, inventei de pedir um copo de suco de laranja sem olhar o preço= 1.200 pesos chilenos=dois dólares e meio. O suco desceu meio-azedo rsss

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