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Bolívia, Chile, Peru e Equador em 60 dias.

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Bom pessoal, atendendo a pedidos resolvi começar a escrever o relato da minha última viagem. Foram 2 meses e 4 países e as fotos (+de 400!!!!) já estão online no meu fotolog (http://patus.fotopages.com), mas para dar um "tempero" ao relato, vou colocando algumas aqui para ilustrar.

 

Esse foi o roteiro abaixo e nos posts subsequentes, vai a descrição de como foi dia a dia. Espero que gostem e ajude a quem vai pra esses lados!

 

10/12/2005 - Fortaleza/Guarulhos/Santa Cruz de La Sierra/Sucre

11/12/2005 - Sucre

12/12/2005 - Sucre/Potosí/Uyuni

13/12/2005 - Salar de Uyuni

14/12/2005 - Salar de Uyuni

15/12/2005 - Salar de Uyuni/San Pedro de Atacama

16/12/2005 - San Pedro de Atacama/Calama

17/12/2005 - Calama/Arica

18/12/2005 - Arica/Tacna/Arequipa

19/12/2005 - Arequipa

20/12/2005 - Arequipa/El Misti

21/12/2005 - El Misti/Arequipa

22/12/2005 - Arequipa/Cañón del Colca

23/12/2005 - Cañón del Colca

24/12/2005 - Cañón del Colca/Arequipa

25/12/2005 - Arequipa/Nazca

26/12/2005 - Nazca/Ica

27/12/2005 - Islas Ballestas e Reserva Nacional de Paracas

28/12/2005 - Ica/Lima

29/12/2005 - Lima/Guayaquil

30/12/2005 - Dentro do ônibus

31/12/2005 - Guayaquil/Montañitas

01/01/2006 - Montañitas/Guayaquil/Quito

02/01/2006 - Quito

03/01/2006 - Quito/Cuenca

04/01/2006 - Cuenca

05/01/2006 - Cuenca

06/01/2006 - Cuenca/Machala/Tumbes/Trujillo

07/01/2006 - Trujillo

08/01/2006 - Trujillo/Huaraz

09/01/2006 - Huaraz

10/01/2006 - Trekking Llanganuco-Sta Cruz

11/01/2006 - Trekking Llanganuco-Sta Cruz

12/01/2006 - Trekking Llanganuco-Sta Cruz

13/01/2006 - Trekking Llanganuco-Sta Cruz/Huaraz

14/01/2006 - Huaraz/Lima

15/01/2006 - Lima/Cusco

16/01/2006 - Cusco

17/01/2006 - Cusco/Valle Sagrado/Cusco

18/01/2006 - Cusco

19/01/2006 - Cusco

20/01/2006 - Trilha Inca

21/01/2006 - Trilha Inca

22/01/2006 - Trilha Inca

23/01/2006 - Trilha Inca/Machu Picchu/Cusco

24/01/2006 - Cusco

25/01/2006 - Cusco

26/01/2006 - Cusco

27/01/2006 - Cusco

28/01/2006 - Cusco/Puno

29/01/2006 - Puno

30/01/2006 - Puno/Copacabana

31/01/2006 - Copacabana/Isla del Sol

01/02/2006 - Isla del Sol/Copacabana/La Paz

02/02/2006 - La Paz

03/02/2006 - La Paz

04/02/2006 - La Paz/Cochabamba

05/02/2006 - Cochabamba/Santa Cruz de La Sierra

06/02/2006 - Santa Cruz de La Sierra

07/02/2006 - Santa Cruz de La Sierra/São Paulo

08/02/2006 - São Paulo/Fortaleza

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10/12/2005 - Fortaleza/Guarulhos/Santa Cruz de La Sierra/Sucre

Saí preparado pro dia mais cansativo da minha vida hehehe O plano era chegar em Santa Cruz e já vazar pra Sucre no ônibus noturno. Em Guarulhos, enquanto esperava o vôo no aeroporto fui reconhecido pelo Bruno, do RJ, através da minha foto do Mochileiros e acabamos viajando juntos até Arequipa. Essa foi a surpresa boa. Chegando em Santa Cruz, corremos pro Terminal Bimodal e era aquela zona, galera gritando "Sale Santa Cruz, ahorita ahorita, último bus!" e nós sem sabermos o que fazer, acabamos comprando pela Expreso Santa Cruz. Pior ônibus da minha vida!!!! As molas dos bancos saindo, os fios pendurados no teto, cheio até a tampa, estrada uma buraqueira só! A previsão era chegar em Sucre por volta das 7h da manhã. Só que o busão quebrou 3 vezes no caminho. A primeira o motorista consertou rapidão. A segunda ficamos parados mais de 4 horas na estrada. E a da terceira, já no dia seguinte, o ônibus não se recuperou e tivemos de completar o trajeto até Sucre de táxi!

 

11/12/2005 - Sucre

Começamos o dia por volta de 12:30pm. Foi foda porque estávamos exaustos e como era domingo, todos os museus estavam fechados na cidade e mesmo o passeio dominical clássico, visitar a feira folclórica da vizinha Tarabuco, já não dava mais pra fazer. Demos umas voltas pelo centro histórico e planejamos o dia seguinte: acordar cedo, ver os museus e igrejas que desse e pegar o busão pra Potosí de 11:00am. Assim chegaríamos lá às 14h, visitaríamos o Museo Casa de la Moneda e depois iríamos pra Uyuni de noitinha.

 

12/12/2005 - Sucre/Potosí/Uyuni

Segunda-feira nem todos os museus estavam abertos, mas deu pra ver alguma coisa e o mirante da Recoleta, que é bem legal, dá um vista boa da cidade. Seguimos para Potosí mas novamente tivemos problemas mecânicos no ônibus. Resultado: chegamos às 16h. E descobrimos lá que a Casa da Moneda não abria às segundas! Visitamos o museu e mirante da igreja de San Francisco em vez disso e demos umas voltas pelo centro. Valeu a parada antes de Uyuni! E nesse ônibus finalmente não houve qualquer falha mecânica, mas em compensação tinha um motorista Joselito que botou umas músicas super-bregas a todo volume enquanto todo mundo tentava dormir.

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13/12/2005 - Salar de Uyuni

Uyuni mesmo é minúscula. Acordamos cedo e nem precisamos procurar agências para fazer o salar: elas procuram você! Ande pela cidade e dezenas de agentes de viagens te cercam e quase imploram pra você fazer o salar com eles. Resolvemos procurar a Colque e a Cordillera, por serem maiores e mais conhecidas e assim tentar evitar contratempos. Acabamos fechando com a Cordillera por 55 dólares (poderíamos ter pechinchado mais!). No final, vimos que não faz quase diferença pois acabamos indo num grupo (que são sempre de 6 pessoas) em que cada dupla tinha comprado por uma agência diferente. Pelo menos o grupo era legal. O primeiro dia é o que se visita o salar propriamente dito. No almoço, a primeira decepção: haviam dito que o almoço seria carne de lhama e não sei quê mais lá e na hora do vamo ver, só uns sanduichinhos de alface, tomate e pepino e umas melancias de sobremesa. Mas tudo bem, o salar compensa qualquer coisa! A noite é num hotelzinho básico.

 

14/12/2005 - Salar de Uyuni

O segundo dia é praticamente visita às lagunas. Antes, logo após o café, fomos visitar umas múmias próximo ao hotel. Era tipo uns montinhos de barro com umas múmias dentro, segundo o guia e um cartaz que tinha no "hotel", eram os "senhores de lípez". Meia boca, mas tudo bem, já estávamos lá e custava só 5 bolivianos, uma ajudinha à comunidade que é bem isolada e pobre. Paramos depois pra ver um vulcão ativo de longe e depois finalmente a primeira laguna. Paisagem lindíssima! O almoço é nas margens da Laguna Hedionda, a segunda, que tem esse nome porque fede a enxofre. Como não tinha ainda começado a temporada de chuvas, tava metade seca. Tive a "brilhante" idéia de caminhar sobre a lama seca, que em alguns pontos não estava tão firme assim e o pé afundava bastante. Andei pra kct e depois bateu aquela puta preguiça (e cansaço também, afinal estava a quase 4000m de altitude) e não sabia mais o caminho exato por onde havia ido. Já próximo à margem, havia um fiozinho de água que achei que dava pra cruzar, mas quando pus o pé pra atravessar, afundei até o joelho! Tomei um puta susto e por pouco não caí. Quando saí da lagoa, soube de uma menina de outra agência que saíra com lama até o pescoço! Detalhe: não há chuveiro onde se dorme nesse dia!!!! Bom, passamos ainda por mais outras lagoas, pelo Deserto de Dali, que parece uma pintura do Salvador Dali e pelo Árbol de Piedra, antes de chegar à linda Laguna Colorada. A lua cheia surgiu ainda antes do pôr-do-sol e a paisagem estava espetacular, apesar do frio que fazia.

 

15/12/2005 - Salar de Uyuni/San Pedro de Atacama

O terceiro e último dia do tour começa bem cedo e segue em direção ao gêiser Sol de Mañana, que na verdade é a cratera de um vulcão, acima dos 5000msnm. De lá se segue para a linda Laguna Verde, em frente ao vulcão Licancabur que marca a fronteira com o Chile. Para quem segue a San Pedro de Atacama, nosso caso, segue-se até a fronteira e aqui termina o tour. Lá na fronteira, fiquei chocado com a placa de bem-vindo ao Chile ao ler o lema nacional chileno: "Por la razón o por la fuerza". Sei lá, colocar isso numa placa na fronteira com a Bolívia me pareceu muita provocação e de mau gosto. Pra quem não sabe, a Bolívia até hoje não tem nem embaixada no Chile por não aceitar a perda da saída ao mar na Guerra do Pacífico. Chegamos a San Pedro por volta de 1 da tarde, após passar pela chata revista na aduana chilena. Os caras abrem TODAS as mochilas pra ver se ninguém está levando nenhum produto animal ou vegetal que possa trazer larvas de inseto ou qualquer praga que possa contaminar o país. Em San Pedro, o choque com a brutal diferença de preços: tudo é caríssimo!!!! Ainda deu tempo nesse dia de fazer o passeio do Valle de la Luna, com o charme extra todo especial de que era dia de lua cheia e o ponto alto do passeio é justamente ver a lua surgir no Valle por trás do Licancabur, que domina o cenário de quase qualquer lado que se observe a paisagem nos arredores de San Pedro.

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16/12/2005 - San Pedro de Atacama/Calama

San Pedro é muito legal, mas é caríssima! Para esse segundo dia compramos o tour das Lagunas Altiplânicas. Somando ele + hotel + Valle de la Luna +alimentação, deu quase 100 dólares!!!!! Resolvemos que nesse segundo dia seguiríamos já para Arica, mas não há busão direto. É preciso ir para Calama e de lá seguir, apesar de ser possível comprar as passagens já desde San Pedro. Como o passeio das lagunas saía de manhã, resolvemos comprar logo as passagens para quando voltar, simplesmente pegar as coisas e ir para Calama e depois Arica, mas acontece que San Pedro não tem energia de manhã cedo e a mulher da agencia de ônibus disse que não poderia me vender naquela hora, porque não podia ligar o computador e blá blá blá. Perguntei se podia ao menos reservar já as passagens e quando voltasse do passeio, ia lá pagava e embarcava. Ela falou que ia reservar mas não anotou nada. Fiquei encucado, mas ela garantiu que ia se lembrar e tal, então dei um voto de confiança e fui pro passeio. As tais lagunas miñiques e miscanti são mesmo muito bonitas, mas o passeio inclui ainda a visita a umas cidadezinhas que sinceramente eu acho que é só inchação de lingüiça pro preço ficar tão alto (22.000 pesos chilenos). Na volta, chegamos à agência e não tinham reservado porra nenhuma, a mulher que me atendeu de manhã já não estava mais lá e não havia passagem para Arica para o mesmo dia nem ferrando! Embarcamos assim mesmo para Calama, na esperança de conseguir achar por lá mas foi em vão. Quase não achávamos nem pro dia seguinte! Uma companhia que fomos procurar só tinha para depois do natal... Mas enfim, compramos pro dia 17 à noite, procuramos um hotel e fomos ao menos curtir a noite, acompanhados de uma paulista que conhecêramos em San Pedro e ia pegar um vôo para Santiago no outro dia de manhã cedo. Foi divertido ao menos.

 

17/12/2005 - Calama/Arica

Esse dia foi um saco! Ficamos preso em Calama, uma cidade quente, feia e chata! O dia passou se arrastando. "Destaque" apenas para a sede do glorioso Cobreloa, que perdeu a final da Libertadores de 1981 pro mengão!!!!! Hehehehe À noite, embarcamos para Arica, finalmente!

 

18/12/2005 - Arica/Tacna/Arequipa

Meus objetivos em Arica eram dois: comprar uma câmera digital nova, pq me haviam dito que eletrônicos são muito baratos na cidade (e são!) e visitar o Parque Nacional Lauca. Mas chegamos na cidade já perto de 8h e o passeio desse dia já havia saído e fomos informados que segunda-feira não saía passeio. Resolvemos então sair já no mesmo dia para Arequipa. Deixamos as malas no guarda-volumes da rodoviária e fomos andar pelo centro. A cidade até é bem bonitinha mesmo. Visitamos o Morro de Arica, local onde ocorreu uma importante batalha vencida pelo Chile contra o Peru na Guerra do Pacífico e onde existe um pequeno memorial militar e onde há também um belo mirante da cidade e da praia. Depois disso, encontrei uma Nikon Coolpix 5600 por cerca de 270 dólares. Baratíssima! Comprei e não me arrependo de jeito nenhum. Já valeu a parada na cidade. [:D] Para seguir a Arequipa, pode-se comprar a passagem diretamente na rodoviária, mas de qualquer forma te botam num táxi que te leva através da fronteira até a rodoviária da vizinha Tacna, já no Peru, e de lá se segue para Arequipa. Achamos que podíamos fazer isso sozinhos e economizar uns trocados, mas até deu certo, mas acho que a economia realmente não compensa. O ônibus que pegamos em Tacna era péssimo, completamente lotado, nossa janela não abria e ninguém mais queria abrir a sua, seja lá porquê! Estava super abafado, pensei que ia ter um treco, mas chegamos a Arequipa e ficamos no Hostal La Reina, em frente ao Monastério de Santa Catalina, no centrão mesmo. Realmente recomendo!

 

19/12/2005 - Arequipa

Nesse dia, andamos pelo centro histórico e nos informamos dos preços para subir o vulcão El Misti e dos passeios no Cânion do Colca (1, 2 ou 3 dias). O Bruno já tinha ido ao Peru e a Arequipa antes uma vez. Havia visitado o Colca no passeio de 2 dias e tava com vontade de fazer o de 3 dias, mas também queríamos ir ao vulcão e as férias dele eram mais curtas, daí que acabamos fechando para fazer o vulcão e eu fechei para no dia seguinte ao retorno a Arequipa fazer o cânion de 3 dias, enquanto o Bruno iria pegar o busão e seguir para Puno. Ambos os passeios fizemos com a agência do próprio hostal em que nos hospedamos, que era mesmo a mais barata. À noite, fomos dormir cedo, pois subir até mais de 5800msnm no dia seguinte parecia um desafio e tanto!

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20/12/2005 - Arequipa/El Misti

O guia passou de manhã no hotel para nos buscar e a caminho do vulcão paramos ainda numa bodega para comprar mais água, gatorade e barras de cereal e chocolate. Quando chegamos aos pés do vulcão foi que finalmente eu pude ver o El Misti, pois os dias estiveram sempre nublados em Arequipa e não podia avistar o vulcão antes. Deu um puta friozão na espinha de olhar o quanto teríamos que subir! Segundo nos explicaram, subiríamos da base (3400msnm+-) até o acampamento base onde dormiríamos esse primeiro dia (4700msnm+-). Já seria duro, mas para piorar, cada um leva sua mochila com barraca, saco de dormir, água, lanches e o que mais vc estiver trazendo. Putz, no caminho você se arrepende 1000 vezes de ter começado a subir, as costas doem, cansa pra cacete! Pra quem der uma olhadinha nas fotos, vai notar a minha cara progressivamente exausta hehehehe (Só lembrando, http://patus.fotopages.com [:D]). Quando faltava o 1/4 final da subida até o acampamento, o Bruno tava sofrendo muito com a mochila e o guia se ofereceu para carregá-la, levando a que já carregava + a do Bruno. (Tirei a foto também para zoar com a cara dele hehehe). Ao chegar no acampamento, a sensação é de alívio! A essa altura, as nuvens já haviam fechado ao redor do vulcão e você não via mais a cidade, apenas os topos dos outros vulcões que há ao redor, como o Picchu Picchu. Olhar para aqueles montes cercados de nuvens por todos os lados me fazia pensar em ilhas flutuando no céu, transformado num enorme oceano branco de nuvens. E o pôr-do-sol ali, tão pertinho do céu, simplesmente indescritível! Já valeu a subida. Jantamos de tardezinha e às 19h todos já vão para as suas barracas, pois o dia seguinte começa 1h da madruga! Não dormi quase nada.

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21/12/2005 - El Misti/Arequipa

Como disse, o segundo dia começa cedão. Tomamos um desayuno leve, umas fatias de torta e chá de coca, indispensável nessa altitude!!!! E por volta das 2h já começamos a subir a parte final. Inevitável o frio na barriga e a pergunta: Será que eu vou conseguir chegar ao topo mesmo? Tava um frio desgraçado, inclusive nevando quando começamos a subir. E apesar de não precisarmos mais carregar as mochilas, cada passo era como andar quilômetros! Não há oxigênio, o corpo sofre, cada perna pesa toneladas! De tão cansado, quase nem tirei fotos no segundo dia, perdi inclusive o maravilhoso amanhecer, mas tudo bem. Do grupo, 2 não chegaram. O Bruno passou mal por causa do frio e um canadense também não agüentou o tranco e tiveram de voltar ao acampamento base. Eu cheguei, apesar de ter pensado milhões de vezes que não conseguiria. Valeu a pena! A sensação de ter superado esse desafio (e que desafio!) é maravilhosa! Voltamos a Arequipa ainda a tempo do almoço e após isso, confirmei o Cânion para o dia seguinte (saída às 6h da manhã) e dormi boa parte da tarde, mas ainda deu tempo de ir conferir o Museo Santuários Andinos, onde está a famosa múmia Juanita, encontrada congelada no topo de um dos vulcões da região. Vale muito a pena! No dia seguinte, Bruno seguiria para Puno e portanto era o fim da nossa "parceria" de viagem. Pede uma celebração pelos bons momentos partilhados, e portanto fomos pra farra à noite regada a muito vinho e cerveja no Deja Vu. Valeu Brunão! Fica a certeza de uma nova amizade nascida ao acaso e os planos pra, quem sabe, viajar juntos de novo qualquer dia.

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22/12/2005 - Arequipa/Cañón del Colca

Como já tinha dito, fomos pra farra e agora acrescento que nela ficamos até por volta de 3h30m da madruga! O detalhe é que eu tinha a saída para o cânion às 6h heheheheh Nem precisa dizer o que aconteceu: acordei com o cara da agência batendo na porta do meu quarto porque eu estava atrasado e não tinha acordado com o meu alarme! Pulei da cama no susto, catei as coisas e fui. O bom é que não tava de ressaca: ainda tava bêbado! [:D] uhaehuaeuaaeuau De Arequipa até Cabanacombe, de onde se inicia a caminhada descendo o cânion, não é tão pertinho então aproveitei para dormir um pouco. Lá almoçamos e pouco depois iniciamos a descida. Éramos eu, um casal de dinamarqueses e o guia. Minhas pernas estavam latejando de dor e cansaço acumulado do vulcão, mas até que enquanto descíamos foi relativamente tranqüilo, mas o problema é que se desce até o fundo do cânion, atravessa-se para o outro lado por uma ponte e depois há que subir até um bocadinho até o povoado onde se dorme no primeiro dia. E essas subidas me matavam! Não que seja realmente duro, o problema era o meu cansaço acumulado. Mas sobrevivi! E não me arrependo [;)]

 

23/12/2005 - Cañón del Colca

No segundo dia caminhamos mais pelo cânion, até um lugar chamado de Oásis, onde se almoça e há umas piscinas para banho. Não fossem os mosquitos, seria perfeito! No caminho, destaque para as várias cruzes que há nas entradas e saídas de cada povoado. Explicou-nos o guia que os nativos são muito supersticiosos e as colocam para espantar os 'chinchilicos', duendes que supostamente habitariam o cânion. Após o almoço e um certo descanso, começa-se a subir o cânion de volta a Cabanacombe. Estava chovendo muuuuuuito e minhas pernas continuavam um lixo! Cheguei à cidade completamente ensopado e exausto! E minha mochila, que supostamente seria à prova d'água, não era. Resultado: muito frio à noite, pois simplesmente não tinha o que vestir!

 

24/12/2005 - Cañón del Colca/Arequipa

No terceiro e último dia, acordamos cedo para seguir a Chivay, onde fica o Mirador Cruz del Condor, um dos melhores lugares para se apreciar o cânion de cima e ver condores. Mas os bichos pareciam que não queriam comparecer. Não havia nenhum condor! Até que ao longe, pudemos avistar um passaro grande. Ele foi se aproximando, aproximando, aproximando até que pudemos ter a certeza: era sim um condor! Ao menos um! Heheheh E ele deu um "rasante" bem próximo de onde estava. Aliás, dois rasantes! De Chivay, voltamos a Arequipa e fim do passeio. O resto do dia tirei para descansar. O plano seria seguir direto para Nazca ainda esse dia, mas me informaram que no dia seguinte por ser natal não haveria vôos sobre as linhas. Então entre ficar um dia em Nazca sem fazer nada e ficar esse dia em Arequipa, não tive dúvidas: Nazca só no dia seguinte. Até porque era Natal e não seria muito legal passá-lo dentro de um ônibus sozinho. E tinha feito amizades em Arequipa, de modo que teria onde celebrar (comida, bebida e companhia: nada mal!).

 

25/12/2005 - Arequipa/Nazca

Feriado, portanto, quase tudo fechado. Na verdade, já não tinha mais muito que ver em Arequipa propriamente dita, de qualquer forma, então tirei o dia para descansar, algo que eu estava realmente precisando. À noite, tomei o ônibus da Cruz del Sur em direção a Nazca. Bastante caro, aliás. 110 soles. Conforme me explicaram, por ocasião de Natal e fim do ano todas as passagens sobem de preço e voltam ao preço normal em janeiro

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26/12/2005 - Nazca/Ica

Cheguei a Nazca ainda de madrugada, antes do sol nascer. Encostei a mochila na rodoviária, deitei por cima e resolvi puxar um ronco até por volta das 7h, mas logo começou a vir gente das agências que fazem os vôos insistir para saber se que queria fazer o passeio e coisa e tal. Acabei fechando com um cara que ofereceu por 45 dólares. Me levou até a agência e só quando cheguei lá, ele explicou que o de 45 dólares não passava por todos os desenhos, o completo custava 55 dólares. Fiquei meio puto, pois ele não tinha dito nada, mas consegui negociar o completo por US$50. Tomei ainda um chá de cadeira lá na agência, que era também um hotel, mas aproveitei pra cochilar mais um pouco. Por volta das 8h me levaram ao aeroporto e fiz o sobrevôo. Haviam dito que eu não tomasse café porque o avião dá muitas manobras no ar para mostrar os desenhos várias vezes, mas não senti nada, nem tontura, nem enjôo, simplesmente nada. Apesar de caro, acho que vale a pena o sobrevôo, é bem interessante, apesar de curto também. Já em solo, vi que Nazca não tem mais nada e peguei o ônibus rumo a Ica. A cidade em si é bem feia, mas a atração mesmo é o Oásis de Huacachina, com umas dunas gigantes pra prática de sandboard e lagoa em si, encravado no meio do deserto de areia branca. É um lugar bem charmoso, mas havia pouca gente e achei meio caro. O hotel que fiquei, Huacachinero, tava cobrando 40 soles. O mais caro em que ficaria toda a viagem. De lá, fechei o passeio para o dia seguinte das Islas Ballestas e Reserva Nacional de Paracas (25 soles, se não me falha a memória) na pousada do Lucio. Hora de saída: 4h30m da manhã, assim: dormir cedo, chega de emendar direto das farras! hehehehe

 

27/12/2005 - Islas Ballestas e Reserva Nacional de Paracas

O dia começou cedo mas dessa vez estava bem descansado! Um táxi me levou até Pisco e de lá segui numa van até o porto, de onde se toma o barco que leva para conhecer as ilhas. Na van, conheci pessoalmente a Iole e Júnior, daqui do mochileiros, que estavam viajando a América do Sul de fusca, mas não fomos no mesmo barco e acabamos nos desencontrando. As ilhas Ballestas são um santuário de vida marinha, habitada por milhares de pássaros e centenas de lobos-marinhos. Tem de tudo: pingüim, gaivota, mergulhão... E ainda há bem no começo do passeio a vista do Candelabro, um desenho feito pelos incas numas dunas que lembra um candelabro gigante ou possivelmente o cacto alucinógeno San Pedro, que os mesmos incas utilizavam em rituais xamanísticos. Depois, segue-se via terrestre para a Reserva Nacional de Paracas, com suas belas formações de falésias. Fim do passeio, voltei a Huacachina.

 

28/12/2005 - Ica/Lima

Pela manhã, tomei o busão rumo a Lima, umas 3h de viagem. Cheguei lá do meio pro fim da tarde e fui direto pro Hostal The Point, no bairro de Barranco, pertinho da praia. O albergue é bem animado e bem localizado e tem acesso grátis à Internet. Cheguei azul de fome pois não tinha nem almoçado e fui a um restaurante de frutos do mar que há bem na esquina. Pedi um arroz con mariscos e a garçonete me olhou e perguntou: "só isso?". Fiquei meio bolado, pensando se seria suficiente para mim, mas resolvi arriscar e disse que sim. Quando chegou, não acreditei: uma puta duma travessa de arroz com ostras, polvo, lula, camarão, lagosta e tudo a que se tem direito! Se eu não tivesse com tanta fome, não teria agüentado nem metade. Acho que dá pra umas 3 ou 4 pessoas em condições normais comerem bem aquilo lá. E estava delicioso, a propósito. E o preço? Só 7 soles! Onde no Brasil eu comeria tão bem a esse preço? Não fiz muito mais pelo resto do dia, apenas fiquei pelo albergue e dormi cedo. Não deu pra me enturmar muito e não quis encarar uma balada sozinho.

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29/12/2005 - Lima/Guayaquil

Acordei cedo e fui conhecer o centro de Lima: Plaza Mayor, Palácio do Governo, Catedral Metropolitana e Convento de San Francisco, embaixo do qual existem as famosas catacumbas, repletas de ossos. Pela tarde ainda dei uma caminhada até Miraflores e por volta das 16h30 fui até o terminal da Ormeño, onde pegaria o ônibus rumo a Quito, 45 dólares, onde planejava passar o reveillon. O ônibus saiu umas 3h atrasado e enquanto esperava, conheci um brasileiro piauiense de nascimento mas que mora em Rondônia e estava no Peru há alguns meses trabalhando ilegalmente como garimpeiro e iria no mesmo ônibus até Cáli, na Colômbia, também em busca de trabalho.

 

30/12/2005 - Dentro do ônibus

Não há muito o que dizer, não é mesmo? Conheci dois irmãos peruanos, Lizardo e Hiber, e um alemão, Daniel, muito gente fina. Eu e Daniel estávamos a caminho de Quito, mas os peruanos iam descer já em Guayaquil e de lá seguir para Montañitas, no litoral, onde segundo eles estava a verdadeira festa de fim de ano. Insistiram e nos convenceram! Descemos em Guayaquil com eles, onde chegamos por volta de meia-noite.

 

31/12/2005 - Guayaquil/Montañitas

Nós quatro rachamos um táxi até Montañitas, mas o taxista não sabia muito bem o caminho, nos perdemos várias vezes na estrada e chegamos ao destino apenas por volta das 7h da manhã. Dormimos a manhã inteira e à tarde fomos conferir a praia. Bonita, mas nada que impressione um brasileiro, né não? Destaque para o pôr-do-sol no Pacífico, algo que não se pode ver do Brasil, já que aqui o oceano está a Leste (OK, eles também não podem ver o nascer do sol no Atlântico, ponto para nós! Hehehe). Ah, e a festa também foi espetacular! Realmente, fazer essa parada não programada em Montañitas valeu a pena.

 

01/01/2006 - Montañitas/Guayaquil/Quito

No dia seguinte, segui com Daniel até Guayaquil e lá compramos a passagem para Quito, horário das 23h. Deixamos as mochilas no guarda-volumes da companhia, na rodoviária, e fomos conhecer a cidade. Guayaquil é uma cidade grande, não exatamente turística, mas foi interessante visitar o Malecón 2000, um calçadão ao longo do rio Guayas, feito recentemente no seio dos projetos de revitalização do centro da cidade. Destaque ao monumento La Rotonda, em homenagem ao encontro entre os libertadores Simón Bolívar e José de San Martin, que teria ocorrido na cidade. Fim de noite, hora de embarcar rumo a Quito, primeira cidade do mundo a ser declarada patrimônio histórico da humanidade pela UNESCO. Destaque negativo ao motorista do ônibus, mais um joselito que ouvia música alta, atrapalhando o sono de nosotros passageiros.

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02/01/2006 - Quito

Andar pelo centro histórico da cidade é praticamente uma obrigação e a vista panorâmica a partir da torre da Catedral é espetacular, talvez a melhor da cidade. Mas o melhor lugar para se hospedar é na região conhecida como La Mariscal. Realmente recomendo o Hostal Centro del Mundo, onde fiquei. Barato e bom, é o melhor lugar para conseguir dicas do quê e como fazer e muito bom para conhecer gente. Além disso toda segunda, quarta e sexta é dia da Cuba Libre! Os donos enchem um balde (isso mesmo, um balde!) com Cuba Libre grátis! E quando o balde acaba, cada um dá 1 dólar e eles enchem de novo. E o processo pode se repetir quantas vezes se queira. A foto mostra bem a cara de felicidade da galera hehehehe.

 

03/01/2006 - Quito/Cuenca

No segundo dia, aproveitei para ir conhecer o Parque Mitad del Mundo, onde supostamente passaria a linha do Equador, ainda que haja controvérsia e disputas sobre o tema. Vale a visita, de qualquer forma, e não poderia passar sem tirar aquelas fotos clássicas de turista babaca, com um pé no hemisfério Sul e outro no Norte. À noite, tomei o ônibus rumo a Cuenca, mais um patrimônio da Unesco.

 

04/01/2006 - Cuenca

A cidade é pequena e a atração é o centro histórico. OK, é bonito também e vale a pena, como o de Quito, mas confesso que após tantas cidades coloniais patrimônio da humanidade (Sucre, Potosí, Arequipa, Quito...), já estava cansando um pouco. Hospedagem foi no El Cafecito, que é bom, mas à noite é o bar mais movimentado da cidade e se você estiver pensando em dormir antes da meia-noite, é melhor esquecer.

 

05/01/2006 - Cuenca

Nos arredores de Cuenca há o Parque Nacional Cajas e fui conferir. Fui por agência e achei caro, uns 30 dólares. Como estava sozinho, resolvi não arriscar ir por conta própria, mas estando em grupo acho que vale mais a pena ir e lá no parque contratar um guia. Ir totalmente sem guia, não recomendo, pois pelo tipo de paisagem lá, é bem fácil de pegar o caminho errado e se perder.

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06/01/2006 - Cuenca/Machala/Tumbes/Trujillo

Esse foi um dia bastante cansativo e estressante. Meu objetivo era chegar a Trujillo, mas como não há ônibus direto desde Cuenca, tomei o primeiro até Machala, conhecida como capital mundial da banana. Lá almocei e peguei o ônibus até Tumbes, já do lado peruano. A fronteira entre Huaquillas (Equador) e Tumbes (Peru) é uma droga de se atravessar. Os postos de fiscalização ficam a quilômetros dos limites fronteiriços entre os países e das referidas cidades. Bom, quando chegamos no posto do lado equatoriano, o ônibus parou para quem precisasse descer e carimbar a saída do Equador, mas o funcionário responsável por avisar falou muito baixo, a TV estava alta e eu não ouvi e fiquei sentado tranqüilamente no meu lugar. Comecei a achar estranho tanto tempo parado e perguntei ao cara do meu lado se ali era a fronteira, e ele disse que não. Acho que se referia à fronteira mesmo, mas como eu não sabia, permaneci sentado. O ônibus voltou a andar e depois de uns 15-20 minutos vejo a placa: "Bievenido al Peru". Resultado: tive que descer, catar minha mochila e pegar um táxi para voltar até o lado equatoriano, carimbar meu passaporte, pegar outro táxi pra voltar pro lado peruano, carimbar a entrada no Peru e depois pegar um ônibus até Tumbes. Perdi por volta de 1 hora e 20 dólares na brincadeira, além do estresse e cansaço que poderia ter evitado. Quando chego em Tumbes no finzinho da tarde, quase não acho mais passagem pro mesmo dia até Trujillo. Apenas na quarta empresa que fui (não lembro mais o nome dela agora), consegui para o ônibus das 22h. Ufa! Ao menos consegui, porque realmente teria sido tão ruim quanto ter ficado preso em Calama. Talvez pior até, porque agora eu estava sozinho. Para piorar um pouquinho, o senhor peruano que sentou ao meu lado no ônibus até Trujillo era gente fina, mas tinha um tique nervoso que sempre que pegava no sono balançava as pernas, batendo em mim e me acordando. Mas esse tipo de perrengue faz parte da viagem, no dia foi foda, mas hoje dou gargalhada de lembrar...

 

07/01/2006 - Trujillo

Cheguei meio cansadão na cidade e peguei um hotel perto da Plaza de Armas, 15 soles. Fui visitar as ruínas de Chan Chan ainda no mesmo dia, na companhia de duas francesas que estavam no hotel também. Meio antipáticas as meninas, mas OK. Pena que o Museo de Sítio, incluso no tíquete de Chan Chan, estava fechado no dia e não deu pra ver, mas a cidadela pré-incaica dos chimú certamente vale a visita. O tíquete inclui ainda as Huacas esmeralda e arco-íris. A primeira é meia boca, mas a segunda certamente vale a visita!

 

08/01/2006 - Trujillo/Huaraz

No segundo dia, fui visitar as ruínas da segunda civilização pré-incaica que habitou a região: os Moche e as Huacas del Sol y de la Luna. A primeira não está aberta à visitação, pois ainda falta grana para restaurá-la e realizar os trabalhos arqueológicos, mas a segunda tem no interior umas cerâmicas muito interessantes e também vale bastante a pena. Passei o resto do dia no finzinho da tarde de bobeira e às 21h30 estava embarcando rumo a Huaraz, na famosa Cordilheira Branca, ponto mais alto do Peru e segundo da América do Sul.

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