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Do RS à Chapada dos Veadeiros de Moto - Maio de 2017 - A Jornada do Autoconhecimento

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A Jornada do Autoconhecimento

 

Tudo começou como uma ideia, embrionária, que dentro de pouco tempo foi se tornando algo maior. Sempre tive uma gana pelo que chamo de indiadas, dos mais diversos tipos.

 

Como intróito, devo dizer que desde cedo tive o prazer de ter moto, quando com aproximadamente com 12 anos meu pai comprou uma motinho 50cc para nós, com a regra de compartilhamento entre eu, ele e meu irmão. Os custos de uso eram divididos e os básicos eram suportados pelo pai. Tão logo atingi a maioridade fui em busca da minha primeira moto, mas, como o dinheiro era curto, tive que esperar um tempo até poder adquiri-la, há mais de 12 anos. O tempo foi passando e as necessidades da vida me fizeram trocar a moto pelo carro, mas o amor pelo motociclismo nunca aquietou-se dentro do meu coração.

 

Em 2017, imbuído de todo esse amor pelo motociclismo, adquiri uma Teneré 250, depois de ler inúmeros relatos sobre a durabilidade e segurança que a moto proporcionava. Pronto, essa era a moto que eu procurava.

 

Mas Lucas, uma moto de baixa cilindrada? Sim, amigo, uma moto de baixa cilindrada! Esqueceste da minha gana por indiadas? Aqui faço um adendo muito esclarecedor. Tive uma moto 600cc e apesar de ter sido um grande prazer, pouco andei com ela, pois sempre fui um apaixonado pelas baixas cilindradas, além de serem motos mais versáteis, com uso tanto para asfalto quanto terra. O que me cativa não é o tamanho ou o preço de uma moto, mas o prazer de consumir distâncias sobre uma.

 

Mas voltado ao cerne da questão, já com a moto em mãos, tive inúmeras ideias de destinos, das quais elaborei roteiros minuciosos, com número de dias que eu precisaria para conhecer o lugar, qual a quilometragem diária que eu faria, quais os hotéis, pousadas, campings que eu encontraria no caminho, com a ordem das rodovias que eu passaria, previsão de postos de gasolina, alguns restaurantes e custos da viagem.

 

Então, dentre esses roteiros eu escolhi a Chapada dos Veadeiros, lugar distante aproximadamente 2.200 quilômetros de minha cidade. Bom, depois de muito estudo sobre o local e planejamento, estava tudo certo. Agora posso ir para a Chapada. Mas algo ainda me faltava: a coragem.

 

Embarcar sozinho em uma viagem por uma rota totalmente desconhecida, por lugares que jamais tinha andado e sem qualquer pessoa que me pudesse ajudar me incomodava. Fiz alguns convites para amigos motociclistas, mas todos declinaram. Pensei melhor, vi que mesmo algo dando errado, tudo ficaria bem, e decidi ir mesmo assim.

 

Tomei algumas precauções como levar um carregador portátil para o celular, garantindo até 8 cargas se necessário. Levar um mapa físico caso o do celular nao fosse possível usar, vacina de pneu, óleo de motor, funil e copo medidor, capa de chuva, jogo de ferramentas, sacos de lixo, etc. Tudo pronto. Iria sair amanhã de manhã (dia 08/05/2017).

 

A moto estava carregada com três báus, dois laterais e um traseiro, mais saco de dormir, barraca e isolante térmico, e eu levaria mais uma mochila. À noite eu quase não dormi, pensando quanta coisa eu estava levando, até que pelas 3h da madrugada eu levanto e decido desistir de levar o material de acampamento, o que me conferiu uma perda de peso considerável e mais espaço para sentar confortavelmente na moto com a mochila nas costas.

 

Ajeitei as coisas, eliminei todos os itens de camping, montei na moto e fui, 3:30. Já na estrada do mar, RS 389, enfrentei um pouco de neblina, mas nada que tenha me atrapalhado.

 

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Logo cheguei em Torres/RS e peguei a BR 101, ainda era noite. Já havia rodado 110 km quando a neblina que era parcial começou a ficar densa, molhando minha viseira, mãos e roupa de cordura. Segui na esperança de que logo dissipasse, mas sem sucesso. Quando já tinha atingido 160 km rodados, logo após o acesso a Araranguá/SC, encontrei um posto de gasolina onde parei e percebi que estava todo molhado.

 

Desci da moto, entrei na conveniência e pedi um café preto, sem açúcar. Sentei, tomei aquele café com uma certa calma, mas ao mesmo tempo um pouco triste pela neblina. Eu esperava muito que a minha saída cedo de casa me desse um bom rendimento no primeiro dia, já que nos primeiros dias conseguimos andar mais que nos dias subsequentes.

 

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Como eu já sabia que essa seria só uma das várias adversidades do trajeto, paguei meu café, pus a capa de chuva, bota de borracha, luvas, montei na moto e encarei o primeiro imprevisto. Segui firme pela BR 101, duplicada, asfalto muito bom e pequenos trechos de obras.

 

Durante a neblina conduzi em uma velocidade que me conferia segurança, pois a visibilidade estava limitada a alguns metros à frente. Já quando estava chegando por Laguna/SC o sol começou a dissipar a neblina, com os raios de luz que furavam o espesso branco entre o chão e o céu.

 

A partir daí meu caminho estava livre para curtir a estrada, a vista e o bom tempo, já que a previsão era de sol por todo meu itinerário. Entretanto, o fato de eu mal ter dormido, somado ao horário que havia saído de casa me acometeram com um sono estupidamente forte logo que a neblina cessou.

 

Pilotei por aproximadamente 50 quilômetros em luta constante contra o sono. Foi quando decidi parar, abastecer, tomar uma água e ver com mais clareza a situação. Fui ao banheiro, belisquei alguns amendoins que tinha levado de casa e tomei água. Sentei em um banco e a preguiça veio com tudo, cochilei sentado no banco do Posto de Gasolina. Aos poucos fui me inclinando até me deitar completamente, e por ali fiquei por uma hora mais ou menos.

 

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Acordei renovado. O dia estava lindo e eu tinha que chegar no Paraná. Montei na moto mais uma vez e encarei a estrada, agora com toda a energia e atenção necessárias. Próximo a Bombinhas/SC o tempo fechou. Parei novamente em um Posto de Gasolina, me equipei com a capa de chuva, onde encontrei um rapaz em uma BMW 1200 que também tinha parado para colocar a capa de chuva, conversei com ele e ele me contou que era do Uruguai, de Colônia del Sacramento, e que ia nessa viagem até o Rio de Janeiro, mas estava treinando para ir ao Alasca. Tirei o chapéu para ele! Na mesma parada conversei com um casal que vinha de alguma cidade da região metropolitana de São Paulo, tinham ido até Florianópolis para o velório de uma parente e estavam voltando. Não me lembro qual moto tinham, as era uma bem maior que a minha. Após as conversas, pus minha roupa e segui por 15 minutos apenas de chuva, mas dessa vez com bastante volume, sem vento.

 

Já havia passado por Garuva/SC e parei para tirar uma foto daquela serra linda na entrada do Paraná, que julgo ser a Serra do Mar, em Guaratuba/PR. Rodei por mais 70 km e cheguei em São José dos Pinhais/PR. Nesse ponto já havia acumulado mais de 600 quilômetros.

 

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Percebi em um dos pedágios que minha relação fazia algum barulho estridente que não era normal. Na localidade de São Marcos, ainda em São José dos Pinhais/PR fui perguntando até encontrar uma mecânica de moto. O rapaz olhou e disse que era só lubrificação. Provavelmente a chuva que peguei ressecou a corrente. Segui meu caminho, entrando na BR 376 em sentido Campo Largo/PR. Nessa parte marginal de Curitiba o trânsito é denso e corrido, então segui tranquilamente no limite de velocidade até o trevo que me levaria à Ponta Grossa/PR, ainda pela BR 376.

 

A tarde foi caindo e o cansaço ficando maior. O corpo apresentava dores em lugares inesperados, e, conforme eu me ajeitava para aliviar algumas dores, novas surgiam.

 

De Campo Largo até Ponta Grossa foram 100 quilômetros eu acho. Era meu primeiro destino.

 

Na cidade fui direto na autorizada yamaha para trocar o óleo e o filtro, ver com o mecânico como estava a moto e tudo mais. Me cobraram R$109,00 pelo serviço. Salgado! Ainda questionei o mecânico sobre minha relação e ele assegurou que estava boa. Revisão feita, fui para o hotel.

 

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Fiz check-in e saí para comer alguma coisa. Estava tendo alguma feira de food truck ou algo assim. Feito! Comida boa e barata. Comi e fui para o hotel. Me comuniquei com a minha namorada e com a família e logo caí no sono.

 

No dia seguinte acordei cedo, reequipei a moto com os baús, já sentia as dores do dia anterior, principalmente nos trapézios. Tomei um ótimo café da manhã e segui em direção a Castro/PR. Em Castro/PR segui e direção a Tibagi/PR por uma estrada linda, com curvas e plantações, onde se tem acesso ao famoso Cânion Guartelá. Abasteci em Tibagi/PR e conversei com o frentista, que me contou que haviam roubado o banco da cidade há pouco tempo.

 

Agora eu seguia em direção à Ventania/PR pela BR 153. Essa rodovia de fato foi a mais difícil. Quase nada duplicada, com trânsito intenso de caminhões que por vezes se impunham com toda sua robustez em detrimento da moto, frágil e pequena. Fui lidando bem com a opressão e até mesmo tendo um bom relacionamento com outros caminhoneiros. Inexistem esteriótipos, há gente boa e ruim em todos os lugares, caminhoneiros ruins, que dificiltavam a relação entre os condutores, e outros bons, que auxiliavam a engrenagem do trânsito.

 

O dia estava lindo, poderia produzir bastante, apesar de ter saído às quinze para as oito, contudo, a BR 153 era minada de radares, que ficavam estrategicamente posicionados no lado oposto ao que eu trafegava, e, até identificar essa padronização, fui rodando sempre com muita cautela. Por ela eu segui, passando por Ibati/PR, Santo Antônio da Platina/PR, Jacarezinho/PR, entrando no estado de São Paulo, por Ourinhos/SP e chegando em Marília/SP.

 

Já tinha passado boa parte da tarde e eu nem tinha chegado aos 500 quilômetros rodados. Em Marília, algo que achei muito curioso. Dentro da cidade comecei a sentir um cheiro muito bom de bolacha, tipo amanteigada, e isso permaneceu por um tempo, foi quando me deparei com uma fábrica da Marilan. Sim, o bairro em que fica a fábrica tem o cheiro das bolachas. Achei demais!

 

Cruzei Marília/SP por dentro e quebrei em direção a Lins/SP, onde entrei em uma estrada muito ruim. A primeira estrada ruim até então. Nesse sacode todo, senti uma batida em meu braço e quando olhei para o painel da moto meu celular e o suporte tinham sumido (suporte que comprei em uma banca de camelô no centro de Ponta Grossa)!!! Sim, meu celular caiu na rodovia e poderia ter quebrado, ou ainda ser quebrado por algum carro ou caminhão. Rapidamente enconstei a moto no acostamento, desci desesperadamente procurando, e lá estava ele, deitadinho no meio da rodovia com muitos carros e caminhões passando. Eu corri como nunca, fazendo gestos que nem lembro direito, só sei que consegui me expressar para um caminhoneiro que estava com o pneu na mira do meu celular. Ele desviou e eu agradeci. Mais um carro passou e desviou e então eu tive a oportunidade de correr para a pista e fazer o resgate em segurança. Meu celular estava intacto. Que susto!

 

Tirei o celular do suporte e coloquei-o no bolso da jaqueta. Logo a estrada melhorou e eu segui viagem. Cruzei por uma ponte onde avistei uma barragem muito bonita. Nessa hora o sol já estava se pondo e eu pretendia chegar em Uberlância ainda.

 

Quando chegei em São José do Rio Preto, cidade relativamente grande, ainda mais comparada com a cidade onde moro, fiquei em dúvida e olhei os mapas do celular, que me indicaram um trajeito. As placas, por sua vez, indicaram outro. Pensei: vou no caminho indicado pelo celular. Maldição! O celular me fez cruzar São José do Rio Preto ao meio, enquanto eu poderia ter ido por vias perimetrais onde o fluxo era muito mais rápido.

 

Fiquei naquele anda e para do centro da cidade até que, já de noite consegui sair em direção à Granada/SP.

 

À noite os caminhões são piores que durante o dia. Como à noite a visibilidade fica reduzida, fui conduzindo a moto dentro dos limites de velocidade. Por vezes em subidas, eu ultrapassava algum caminhão que perdiam velocidade. Eu, nos 80/90 km por hora me mantinha tanto na subida quanto na descida. Quando na descida, um caminhão que eu acabara de ultrapassar, muito provavelmente por querer aproveitar o embalo do declive, me alcança rapidamente e cola na minha moto, acendendo todo o acervo de 20 faróis eu presumo, a ponto de me jogar para o acostamento. Claramente eu seria atropelado naquele momento e estamparia a notícia de algum jornal. Eu seria mais um numerozinho na estatística. Eu cheguei a ver a manchete: motociclista do RS morre em rodovia SP.

 

Ainda, pensando muito em um caso recente de minha cidade em que um rapaz, realizando um sonho, saiu em viagem de moto ao Chile e colidiu antes mesmo de sair do Rio Grande do Sul, falecendo. O fato trágico que chocou minha cidade havia acontecido há pouco tempo e ainda que eu não conhecesse o rapaz também fiquei abalado, pois muitas pessoas do meu convívio o conheciam.

 

A situação ocorreu mais uma ou duas vezes, não necessariamente com o mesmo caminhão, e em todas eu fui para o acostamento, que era muito bom, por sinal. Quando outro ou o mesmo caminhão se preparava para me jogar novamente ao acostamento decidi ficar na pista. Talvez eu tenha errado, talvez não. Ele chegou bem perto, ligou todos os faróis, deu sinal de luz, eu continuei na minha velocidade, abri meu braço esquerdo e fiz um sinal do tipo palma da mão para cima que, para mim significava: calma aí parceiro. Não sei se ele entendeu, mas decidiu me ultrapassar do modo convencional e a partir daí não saí mais da pista.

 

Já era noite, eu estava bem cansado e cheguei em Fronteira/MG. Entrei na cidade, que era muito pequena e vi alguns moradores na rua, todos me olhavam como se eu fosse um alien. Parei, sentei na beira da calçada, comi uma barra de proteína, peguei meu celular e procurei estadias no booking, decolar, airbnb, mas não encontrei nada na região. Havia algumas estadias em Frutal, mas eu teria que sair da minha rota e ficar muito antes do que pretendia chegar naquele dia, ou melhor, noite. Noite fria, o que muito me surpreendeu.

 

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Decidi seguir, tinha disposição, cautela e atenção, todos sentidos bem ativos. Andei até Prata/MG, ainda rodaria mais 70 km até Uberlândia. Parei para tomar um café em uma lanchonete junto de um posto de gasolina e qual não foi minha surpresa: em MG não se cobra pelo café tomado. Curioso, pois no RS se cobra até 5 reais uma xícara de café. Tomei dois cafés e comi um pastel, bem temperado, no estilo mineiro, presumo eu.

 

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Perguntei à atendente da lanchonete sobre algum hotel, ela me deu três opções e enquanto ela falava, um senhor acompanhado de um rapaz mais novo que estavam no balcão ouvindo minha conversa com a moça se meteram na conversa. Perguntaram de onde eu vinha, pra onde ia, me deram sugestões de rotas, conversamos e rimos todos um pouco. Depois sentei para terminar meu lanche.

 

Fui para o hotel e já fiquei hospedado na primeira opção, em Prata/MG. Contatei minha namorada e a família, tomei meu banho, fiz meu chimarrão, li um pouco do livro que havia levado e logo caí no sono, com o livro sobre o peito.

 

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Acordei por volta das 5h da manhã e assim que levantei senti as dores musculares decorrentes do trajeto, cuja quilometragem acumulada atingia aproximados 1.600 km.

 

Arrumei toda bagagem, equipei a moto e fui para o café da manhã. No hotel ainda falei com dois senhores, um advogado em Uberlândia e outro era de Santa Catarina, agora não me lembro exatamente de onde. Segui viagem agora em direção a Uberlândia, e logo no começo enfrentei um frio digno do Rio Grande do Sul.

 

Até Uberlândia seriam 90 km pelo que me foi informado no hotel. Parei, coloquei as luvas, pois minhas mãos estavam congelando.

 

Continuando para Uberlândia pude perceber tucanos voando livremente, cruzando a estrada de um lado para outro. Uma cena linda.

 

Já chegando em Uberlândia, cidade grande, encaixei o celular no suporte do camelô, sim, aquele que caiu em Marília, SP. Dessa vez fui com calma e de vez em quando me certificava que o suporte estava bem firme. Fui até uma rua que eu havia marcado no meu mapa onde havia diversas oficinas de moto. Achei uma aberta e logo parei.

 

Eram 8h ainda e o mecânico não tinha chegado. Fiquei conversando com o rapaz que lavava uma moto sobre coisas aleatórias, até que chega um rapaz com um certo sobrepeso, em uma moto superesportiva, não muito simpático, mas com aquele sotaque mineiro que compensa a falta de simpatia.

 

Pedi para trocar o óleo somente. Entre algumas conversas perdidas o mecânico, que era dono do estabelecimento, me contou que já tinha ido à Ushuaia de moto com um grupo de amigos. Perguntei sobre a minha relação (já era a terceira vez que eu perguntava sobre ela) e ele me garantiu que estava boa.

 

Terminado o serviço, saí de lá em direção a Araguari pela BR 050. Até este momento eu estava apavorado com a quantidade de pedágios, e teriam mais pela frente. Havia deixado o celular no suporte, eu esqueci dele na verdade, e mais uma vez, já na BR 050 ele se foi ao chão. Assim que percebi parei e voltei na contramão mesmo, e por sorte (mais uma vez) ele ficou no acostamento, sem risco de atropelamento. Juntei-o, improvisei uma cinta de segurança com lacre enforca gato, e resolvi o problema.

 

Eu trafegava em uma pista duplicada, muito boa, mas como se não bastasse, pedagiada também. Segui firmemente em direção a Cataão/GO e enfrentava subidas e descidas, mas o trânsito não era mais tão intenso quanto na BR 153.

 

Já passando por Campo Alegre de Goiás eu decidi parar e tirar a mochila das costas. Decisão que foi providencial para minha melhora de rendimento de estrada. Eu não percebia que a mochila me fazia forçar o trapézio e os ombros mais que o necessário, causando dores e desconfortos desnecessários até aquele momento. Com a mochila amarrada no banco traseiro, montei na moto e fui.

 

Entre Campo Alegre de Goiás e Domiciniano Ribeiro houve duas paradas por obras, onde ambos sentidos de veículos tinham que se revezar na mesma pista. O trânsito era organizado por uma equipe de obras, vestidos com macacões laranjas. No percurso, pude perceber que muitas plantações eram circulares, fiquei intrigado com isso, mas não descobri o motivo.

 

Em Domiciniano Ribeiro parei para abastecer e na saída do posto de gasolina havia muito cascalho fofo. A roda da frente afundou no cascalho e por um detalhe eu não caio ali. Nem olhei para trás, mas tenho certeza que o pessoal do posto se divertiu com a cena.

 

Superado o susto, fui em direção à Cristalina, onde lá chegando parei embaixo de uma árvore para comer algo e tomar água. Falei com a família, montei na moto, paguei mais pedágio, e entrei no acesso para a rodovia GO 436.

 

Nesse momento eu tinha três opções: a primeira, de 175km, era seguir em direção a Luziânia, passar por dentro de Brasília e ir até Planaltina, para então sair do Distrito Federal e entrar em Goiás de novo; a segunda, de 360 km e fora de cogitação, era de Cristalina ir à Paracatu, Unaí e depois Planaltina; e a terceira e mais atrativa, de 136 km, a qual optei, foi seguir pela GO 436.

 

Nessa estrada o asfalto não era lá essas coisas, mas também não era tão ruim assim. Ocorre que em determinado ponto, não sabia se já no DF ou ainda em GO, o asfalto acabou e o trecho passou a ser de terra, vermelha, que impregnou em minha roupa, moto e baús. Como se não bastasse, após rodar um bom tempo em baixa velocidade, por conta da areia vermelha fofa que fazia a moto sambar sobre a estrada, o trecho passou a seguir por dentro de uma fazenda, em meio a uma plantação de algodão, e logo após em uma de milho.

 

Eu sabia que iria chegar em algum lugar, mas a preocupação bateu nessa hora. E se meu combustível acabar? Eu estava com pouco mais de meio tanque, então não seria esse meu problema. E se a moto apresentar algum problema? Bom, aí sim estarei ferrado, pois não havia nada em nenhuma das direções além de milho. Mas como sei da fama da Teneré, tive convicção que nada ocorreria nesse sentido.

 

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Entre curvas e bifurcações em meio ao milharal de repente a estrada se tornou em asfalto, mas alto lá, não era qualquer asfalto, era uma asfalto que mais parecia o solo do sertão rachado pela seca, ou talvez o solo da lua. Estaria eu já no Vale da Lua? Não, com certeza não.

 

Andei mais um bom trecho nessas codições até que avistei uma camionete vindo pelo espelho. Não precisei diminuir pois eu já estava andando devagar. Logo percebi que ela vinha rápido, então me posicionei para a direita e ela passou, creio que a uns 120 km por hora. Como se não bastasse minha situação, tive que enfrentar o rastro da caminonete por alguns minutos, que levantou praticamente toda poeira da estrada impedindo minha visão, respiração e me irritando um pouco.

 

Dentro de pouco tempo cheguei em uma estrada normal, com asfalto e uma reta que se perdia no horizonte e assim que rodei mais alguns quilômetros pude ver a placa, em uma rótula, informando a divisa entre Goiás e Distrito Federal.

 

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Algo que achei muito interessante foi haver sinal de 4G em praticamente todo o território do DF. Eu pensei: pô! Na minha cidade mal pega o 3G!!! Uma reflexão que pairou por algum tempo, logo desvirtuada, pois optei por seguir na direçao errada enquanto pensava na injustiça da internet.

 

Retornei e segui em direção a Planaltina e já eram por 16:30 quando encontrei uma lavagem de automóveis. Parei e pedi que lavassem minha moto. Sentei, conversei com dois homens que ali estavam, ambos muito simpáticos e solícitos (diferente do proprietário da lavagem). Me ofereceram café, como de praxe desde que entrei no Estado São Paulo.

 

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Ali esperei por mais de meia hora. Conversei com os dois homens simpáticos sobre diversas coisas, pescarias, sobre os costumes das nossas regiões, clima, etc, até que a moto ficou pronta. Parti em direção ao centro de Planaltina, pois desde a partida ainda não havia sacado dinheiro e tinha medo que em Alto Paraíso de Goiás não tivesse opção de saque.

 

Rodei, rodei e rodei, mas nenhum banco achei! Procurei no Google Maps usufruindo da cobertura 4G e fui nos endereços apontados. Em nenhum deles existia a agência bancária. Pensei comigo: vai ser do modo antigo, vou perguntar em algum lugar. Perguntei para um, não sabia. Perguntei para outra, também não. Pronto! Vou abastecer. Nos postos de gasolina que se tem as melhores informações (pergunta lá no posto ipiranga).

 

Fui no posto e abasteci, aproveitando para perguntar à frentista onde eu encontraria um banco na cidade. Para minha surpresa ela não sabia informar. Moto abastecida, combustível pago, fui ao rapaz da troca de óleo no mesmo posto, que me informou que havia um caixa eletrônico em um supermercado próximo dali. Achei o local facilmente.

 

Pus a moto no estacionamento, desamarrei a mochila (fiquei com medo de deixá-la ali), e fui para o interior do supermercado (Supermercado Comper). Prontamente perguntei à uma atendente, que me apontou o local dos caixas eletrônicos. Havia dois, ocupados, mas pela leitura da situação interpretei fossem um casal mexendo cada um em um dos caixas. Aguardei a minha vez que não levou mais do que cinco minutos.

 

Deixei meu capacete sobre o caixa eletrônico e fiz o procedimento. De primeira não deu certo, e eu já estava um tanto nervoso porque queria chegar logo ao meu destino e já estava caindo a tarde.

 

Notei que havia alguém esperando para usar o caixa, olhei de relance para trás e era o mesmo rapaz que estava no caixa anteriormente, pelo que redobrei a atenção. Na segunda tentativa tudo certo. Saquei o dinheiro, guardei-o, e fui em direção à moto.

 

Quase saindo pela porta do mercado me dei conta de ter deixado o capacete sobre o caixa eletrônico. De imediato tomei o rumo de volta com os olhos atentos. Eu não poderia perder meu capacete naquela altura do campeonato. Seria, além de frustrante, trágico, pois teria que comprar qualquer capacete de baixa qualidade para concluir minha viagem. Tudo isso passou em minha cabeça em poucos segundos, e logo vi que o rapaz que estava aguardando para usar o caixa estava com a atenção voltada para mim, mas com o corpo em direção ao caixa eletrônico, como se estivesse aguardando para pegar meu capacete. Talvez seja coisa da minha imaginação, mas olhei-o nos olhos enquanto peguei meu capacete de volta, tal como dissesse: hoje não, malandro. Hoje não!

 

De volta à tenerezinha, fiz o procedimento preparatório e burocrático de tirar a mochila das costas, que com a jaqueta de motociclista torna-se quase que um exercício de acrobacia, coloquei-a no banco do carona e amarrei-a com os elásticos. Espiadinha no celular para saber para qual lado deveria ir e fui, com o pensamento agora só em Alto Paraíso. Distância estimada: 190 km. Uau!!! O sol já estava baixo, o frio chegava como de costume aos finais de tarde, perdurando normalmente até o amanhecer.

 

Ir em direção a Alto Paraíso me deu uma sensação de conquista. Entrei no primeiro acesso de um trevo, que levava à uma rótula, onde havia uma placa que indicava setas mal direcionadas apontando três destinos: Cristalina, São Gabriel e Alto Paraíso. Peguei a quarta saída da rótula e segui com uma pulga atrás da orelha, até que alguns bons quilômetros depois pude confirmar a escolha certa do caminho em uma placa na estrada.

 

Eu estava cansado fisicamente, com dores espalhadas pelo corpo, mas muito empolgado por estar chegando ao ponto mais alto da viagem. Olhei para a esquerda e o sol estava enorme, vermelho, avermelhando o céu que o contornava e alterando as cores do cerrado, do asfalto e do céu. Era linda a minha recepção. O sol estava se pondo atrás de algumas montanhas e eu fui obrigado a parar para registrar o momento.

 

Voltei ao foco buscando chegar em Alto Paraíso o quanto antes, mas parecia que quanto mais eu andava menos quilômetros eu produzia. A noite caiu e seu manto cobriu o cerrado. O farol da minha moto estava (des)regulado e atingia certeiramente o olhar dos motoristas que vinham na direção oposta. Não era culpa minha, eu sequer sabia como regulá-lo, e isso me trouxe uma vantagem e uma desvantagem na viagem. Devo ter esquecido de mencionar, mas descobri sobre essa desregulagem do farol quando trafeguei pela BR 153 até Prata, MG. Sem medo de estar exagerando, 95% dos motoristas que vinham do lado oposto me castigavam com o farol alto. Eu sinalizava e mostrava estar com a luz baixa, mas não adiantava. Me acostumei a conduzir nesses casos guiado apenas pelas linhas da estrada, pois se olhasse para frente os faróis me ofuscavam a ponto de deixar marcadas manchas em minha visão que perduravam por minutos.

 

De volta a Goiás, a estrada era boa, com bastante subidas e descidas. Pude perceber que em algumas subidas a moto não atingia uma velocidade adequada, mas eu não tinha condição de avaliar isso porque não sabia se a subida era muito grande, pois a visão não era das melhores à noite.

 

Enfrentei as adversidades mais uma vez, em uma estrada cuja sinalização havia sido engolida pelo capim que atingia mais de dois metros à beira da pista, apenas esperando por alguma placa visível. Não havia acostamento também.

 

Civilização à frente. Será Alto Paraíso de Goiás? Para minha tristeza, não. Era São João D'aliança, onde parei para abastecer pela última vez antes de Alto Paraíso. Fiz a pergunta não meramente retórica que sempre fazia a quase todos os frentitas: quantos quilômetros faltam para a próxima cidade? Na ocasião, perguntei especificamente por Alto Paraíso.

 

Eu estava exausto, com um somatório de dores que se irradiavam da cervical até os pés, fustigando principalmente costas, ombros e nádegas. Eu queria muito chegar e cada quilômetro a mais seria um desafio, pois o acumulado dos dias potencializava o meu desgaste.

 

A resposta do frentista? Fosse qual fosse seria mal recepcionada pelos meus ouvidos, mas ele me disse que restavam 70 quilômetros. Agradeci, paguei e voltei à rotina da estrada. Setenta quilômetros duraria mais uma hora. Tentei ser otimista e de fato fui, otimista e para Alto Paraíso. Contei cada quilômetro no odômetro até chegar.

 

A minha recepção foi dada pelo pórtico da cidade, que lembra um disco voador. Fiz o retorno, parei ao lado da obra de arte e registrei minha chegada, que se deu às 21:30. Desde a reserva que realizei pelo app do celular não tinha mais acessado minha conta ou e-mail, e eu estava com receio de que algum desencontro de informação ou falta de comunicação pudesse me ocasionar algum problema no check-in, ainda mais pelo horário. Só devaneios da minha mente desocupada.

 

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Cheguei na pousada e fui recebido calorosamente pelo funcionário, que desde já me ajudou a descarregar a moto e me encaminhou ao quarto. Fui diretamente para o banho para me esquentar. Depois do banho, falei com a família e namorada e decidi sair para comer algo.

 

Estava frio, não havia muita gente na cidade. Cheguei na avenida central, onde o rapaz da pousada havia me indicado como o local dos restaurantes, e vi algumas opções. Sem pensar muito fui no que mais me agradou os olhos. Era o lugar com mais pessoas naquela noite, e logo encontrei uma mesa, sentei e peguei o cardápio. Pedi minha refeição e começou uma música ao vivo. Um trio de forró, de primeira qualidade, cantando músicas que jamais eu tinha ouvido, com uma sincronia e intimidade musical de profissionais, sem falar na qualidade vocal do cantor, que cantava de um jeito tímido, sem extravagâncias, mas que lhe conferia uma mistura perfeita com o forró.

 

Curti bons momentos ali, depois de tanta estrada e foco, instantes de descontração e música boa só poderia me renovar. Após algumas horas retornei ao meu recando para dormir o sono dos justos, como dizem alguns.

 

No outro dia acordei cedo, banho, arrumei o que pretendia levar para as trilhas e cachoeiras, tomei um café da manhã preparado especialmente para mim, e parti para minha primeira exploração: loquinhas.

 

Eu tinha a noção que era perto de onde eu estava, e fui descobrindo perguntando aos moradores e transeuntes. Cheguei a uma estrada de terra e pedras bem ruim. Mas tudo bem, a Teneré foi projetada para isso. Fui sem pressa e logo cheguei na Fazenda Loquinhas, acho que era esse o nome. Estacionei, troquei a roupa de cordura por uma roupa mais apropriada para trilhas.

 

Não vi ninguém na recepção, e fiquei olhando para os lados, até que um rapaz chegou, com características orientais, olhos pequenos e puxados, usava óculos. Foi bem receptivo e me orientou sobre as trilhas e me cobrou 30 reais, mas não lembro ao certo. Segui a primeira trilha, que era muito fácil, feita toda em madeira sobre a vegetação, tal como um trapiche, com acesso à vários poços que possibilitavam o banho, todos com água azul-esverdeada.

 

Dois poços me chamaram mais atenção: o Poço do Xamã e o último, chamado Poço do Sol. Fiquei na dúvida se o Poço do Sol era a Loquinhas ou se a trilha era Loquinhas. Tanto faz, o lugar era incrível. Entrei na água do Poço do Sol, onde o fundo da cachoeira era de pedras redondas que tornavam difícil a locomoção na parte rasa. Tirei algumas fotos e fiquei com água no peito, sem mergulhar, quase que paralisado pelo frio. Passados alguns minutos decidi sair da água.

 

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Ali fora a temperatura estava aumentando. Me sequei na toalha, comecei a guardar meus equipamentos, quando vejo duas mulheres se aproximando, de baixa estatura, pele e cabelos morenos. Cumprimentamo-nos com um bom dia e começamos a conversar. Me disseram que era o último dia delas na Chapada e que tinham ainda mais um passeio antes de irem para Brasília pegar o voo de volta. Uma coisa engraçada foi que durante a conversa, a que aparentava mais velha disse para outra "ele é gaúcho", tal como me tivesse decifrado pelo sotaque. Eu ri e confirmei a constatação. Então me disseram que eram do Rio de Janeiro. Já eu não tive o mesmo tino de decifrá-las pelo sotaque, talvez por não saber distinguir muito bem o modo de falar de outros Estados. Durante o papo, a Andreia (ou Andrea) me recomendou um guia, me passando o número de telefone. Nos despedimos e segui para uma nova aventura.

 

Havia ficado na Loquinhas das 8h até as 11h. Na estrada de volta observei que a moto não se comportava bem em subidas e também fazia muitos barulhos.

 

Fui direto a um mercado que havia próximo à minha pousada, onde comprei algumas coisas para comer. Pensei: hoje é dia de aproveitar, não pretendo matar tempo com restaurantes e formalidades.

 

No mercado ainda, perguntei a um funcionário quem era o dono de uma moto que estava no estacionamento. Ele, com um ar de desconfiança, me perguntou o motivo da minha dúvida. Expliquei para ele que eu buscava saber onde os moradores faziam as manutenções periódicas, pois queria verificar se a minha moto estava ok. Logo se aproximou um senhor, que de longe ouvia nossa conversa, e me deu orientações de dois mecânicos. Ambos próximos dali, mas um era melhor recomendo que o outro.

 

Fui no melhor recomendado e lá estando fui atendido por uma senhora muito simpática cujo nome não me lembro, infelizmente. O mecanico não estava no momento, segundo a senhora ele teria ido levar algum material para a filha no colégio. Sentei para aguardar e, enquanto aguardava, conversávamos eu e a senhora. Ela era mãe do mecânico e o empreendimento era em sociedade entre eles.

 

Chegou um rapaz e eu festejei: chegou o mecânico! Vez que ela disse: não, esse é nosso cliente. O rapaz entrou, falou com ela, que explicou que o mecânico havia saído, mas logo estaria de volta. Nesse momento ela disse para o rapaz: busque para mim um saco de copos pequenos descatáveis para meu café, solicitação que foi acatada sem ressalvas. O ambiente era intrigante, de cidade pequena onde todos se conheciam, o que traz um certo romantismo a Alto Paraíso. Eu estava tranquilo, queria explorar mais lugares, mas por outro lado estava explorando as relações interpessoais de Alto Paraíso, observando o quão boa era a convivência entre eles. Por óbvio que existiam conflitos, mas o que eu via ali era um ambiente harmônico e de pessoas cooperativas entre si.

 

O rapaz dos copos retornou e em poucos minutos eu estava tomando o café tão prometido. Logo o mecânico chegou, cujo nome era Cinomar. Me perguntou o que houve e eu disse que a moto estava sem potência e com barulho feio na relação. Ele se abaixou e de pronto disse: seu pinhão gastou! Por um milésimo de segundo me veio na lembrança todos os três mecânicos que tinha perguntado se minha relação estava boa, inclusive um deles da autorizada da Yamaha em Ponta Grossa, e confesso que me deu um sentimento que manifestava-se entre a indignação e a raiva, mas logo passou. Pedi para Cinomar trocar a peça desgastada, entretanto ele não dispunha da peça em estoque.

 

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Fiquei olhando para ele aguardando uma solução, afinal, ele é o mecânico. Ele disse que poderia trocar o jogo da relação, mas que isso sairia bem mais caro que somente o pinhão. Ressaltou ainda que minha coroa e corrente estavam muito boas. Eu disse para fazer o serviço. Ele me sugeriu que trocasse o pneu, porque estava rachado. Sim, o famigerado problema do pneu original da teneré Metzeler, que racha entre os gomos. No meu caso, eu sabia das rachaduras, mas cri que não fossem me causar problemas, contudo, Cinomar mostrou-me que algumas rachaduras haviam se encontrado, e que logo meu pneu abriria. De fato percebi a evolução das rachaduras e optei pela troca do pneu, colocando o pneu ali disponível, o Levorin.

 

Problemas tinham sido resolvidos e bolso tinha sido lesionado. Bora aproveitar o resto do dia. Recém passava das 13:30 e decidi ir em direção à Fazenda São Bento, para conhecer as notáveis Almécegas. Logo que cheguei fui orientado por um recepcionista sobre a trilha e como proceder. Paguei a entrada, R$30,00 pelo que lembro, e fui de moto por uma estrada ruim até uma área aberta, onde havia dois carros estacionados e uma placa de início da trilha. Fiz os procedimentos básicos de desatar a mochila, trocar de roupa e iniciei, muito empolgado, a triha da Almécegas I.

 

A trilha é fácil, e logo após alguns minutos de caminhada cheguei a uma plataforma de madeira onde se via de cima a cachoeira. Tirei fotos e segui a trilha. Um pouco antes eu tinha passado por uma bifurcação cuja placa dizia "piscinas". Optei por seguir pela direita e na volta entrar ali. Cheguei a uma descida brusca, que era auxiliada pelas cordas instaladas em ambos os lados. Encontrei uma escadaria de madeira e cheguei na parte de baixo da Almécegas I. Era linda, ainda sombreada pela inclinação do sol naquele horário. A água era escura e dava um certo receio de entrar, mas mesmo assim entrei. A frieza era congelante e em um ato impensado, já com as canelas na água, impulsionei-me para a parte mais profunda e dei algumas braçadas tentando me convencer que eu já estava acostumado com a temperatura. Não, não estava! Bati queixo por alguns minutos e decidi sair. Estava sozinho ali e na parte seca havia sombra também, me deixando com frio fora d'água.

 

Sequei-me com rapidez e fui subindo aos poucos o declive, que desta óptica tinha se tornado um aclive, íngreme. A subida me ajudou a esquentar e logo comecei a suar. Passei por um casal que ia em direção da onde eu vinha e cumprimentei-os. Cruzei o mirante e cheguei na placa das piscinas. A trilha me levou para a parte superior da Almécegas, cheia de piscinas naturais, com o bendito sol batendo forte. Ah, agora sim. Ali estavam três homens, também tirando fotos e se banhando. Acomodei-me em um local e entrei na água, que era repleta de peixinhos. Curti ali, com o auxílio do sol, e logo que saí da água comi algumas coisas que havia levado: banana, granola e castanhas. O pessoal foi embora e eu fiquei de dono do topo. Deitei sobre a minha toalha e o sol me esquentou.

 

Em seguida resolvi ir à Almécegas II, linda também, menor, mas encantadora. Nela havia uma laje que se via pelo espelho d'água, onde se podia tomar banho em pé. Conversei com um rapaz que era da Itália e que já morava há oito anos no Brasil, não me recordo o nome.

 

Ainda dava tempo de conhecer mais algum lugar, qual escolher? Na volta até a portaria eu fui pensando entre a cachoeira São Bento ou o Vale da Lua. Optei pelo segundo e logo na saída parei para tirar uma foto da escultura de um extraterrestre verde, muito divertida.

 

Um pouco antes disso, lembro que enfrentei uma sensação de desafio e medo, quando me deparei, ao fim da estrada de quem voltava das Almécegas - no caso eu, com um touro enorme e mal encarado exatamente posicionado na passagem onde eu deveria passar para sair da fazenda. Ele era todo preto e muito robusto, com dois chifres pontiagudos. Me lembrei de todos aqueles vídeos da farra do boi que são comumente disseminados em redes sociais. Normalmente neles o boi/touro se vinga satisfatoriamente. Faço aqui mais uma observação: nunca fui um amante de equinos ou bovinos, por ter uma (má) impressão de serem instáveis, gosto de cães. De qualquer forma, estava eu lá, olhando para aquele touro preto, ele olhava para a direção que eu queria seguir e eu decidi parar a moto e pensar melhor no que fazer. Para seguir meu caminho eu passaria a centímetros dele. Nao demorou muito para ele perceber minha presença, a uns 15 metros, creio eu. Aquele olhar dele me obrigou a decidir rápido. Pensei: não vai acontecer comigo, logo comigo. Milhares de pessoas visitam esse lugar o ano inteiro e justo eu vou ser o sorteado. Não, eu não! Vou devagar e se precisar acelero. Parece que eu nem estava ali, passei devagar o suficiente para sentir sua respiração, mas vi que ele não estava nem aí para mim, eu que estava me preocupando demais.

 

Depois do extraterrestre peguei a estrada que ligava Alto Paraíso a São Jorge e tão logo percebi já tinha chegado ao acesso do Vale da Lua. Como normalmente era lá, a estrada de acesso era péssima, repleta de pedras soltas e também encravadas no solo, que faziam a moto trepidar tanto que por vezes parecia que estava perdendo pedaços no caminho. Não era muito longo o caminho do asfalto até o Vale da Lua e quando cheguei fiz a troca de roupa o mais rápido que pude, pois já eram 16:30 e certamente perderia a graça conhecê-lo no entardecer. Paguei a taxa de entrada de R$20,00 e fui advertido do horário, fecharia a visitação às 17h. Ufa, sorte minha! Fiz a trilha até o vale, que também é curta, com um mirante, ponte de madeira, e alguns visuais incríveis.

 

Assim que cheguei no vale e fiquei estarrecido com o lugar. Ele intriga a mente. Não tem como descrevê-lo. Como se fosse uma rocha imensa, esculpida pelas águas, que fizeram desenhos circulares e cavernas, dutos subterrâneos, com profundidade de até 5 metros em algumas partes. Explorei bastante o lugar, dentro do tempo que tinha. Conheci algumas piscinas, excedi a área de acesso, sem perceber, e fui advertido pelo salva-vidas.

 

Fiquei até o horário limite e curti bastante o local, exceto por um grupo de baderneiros que estava na parte principal de banho, pulando e gritando. Fui embora e antes de chegar ao asfalto presenciei um pôr-do-sol majestoso em uma sanga com coqueiros, onde o sol tonalizava o céu e as nuvens do azul ao vermelho, cena que era refletida na água da sanga. Parei para capturar a cena imperdível e peguei a estrada de asfalto logo depois, com toda calma do mundo, apreciando a cena e o entardecer, que avermelhava o cerrado.

 

O Morro da Baleia estava lindo naquele crepúsculo. Cheguei na pousada exausto e providenciei um chimarrão. Fiquei no quarto e comi algumas coisas que havia comprado. Não estava disposto a sair dali, li um pouco do meu livro, comuniquei-me com a namorada e família e logo caí em um sono como se tivesse sido nocauteado.

 

Acordei cerca das 5h, o alarme já havia disparado e eu levantei muito disposto. Era dia de conhecer a Cachoeira Santa Bárbara. Nem tomei café da manhã e levei algumas coisas para comer quando chegasse lá. Já na estrada para Cavalcante, estava muito frio ainda e o sol mostrava seus primeiros raios. A moto estava fria e apagava com frequência. Me pareceu sem potência por um tempo, até que esquentou bem.

 

Eu esperava que Cavalcante fosse próxima de Alto Paraíso, alto tipo 60 quilômetros. Ledo engano. Eram mais de 80 quilômetros e eu já estava inquieto por não chegar nunca. Passei por uma cidade pequena, acho que se chamava Teresina de Goiás. Cortei-a por dentro, dobrei à esquerda e logo já havia acabado. Dali foram mais 25 quilômetros até Cavalcante.

 

A cidade de Cavalcante, assim como Alto Paraíso, é de pouquíssima infraestrutura, porém Cavalcante é pior. Aspecto sujo, com péssimas ruas e calçadas, evidente tratar-se de um município muito pobre, o que não é demérito, só uma constatação, mas provavelmente abandonada por seus governantes.

 

Encontrei o acesso para a estrada que levava à Cachoeira Santa Bárbara e a partir do acesso uma placa me informou que seriam 25 quilômetros até a comunidade Kalunga, formada há quatro gerações atrás por escravos que, fartos da submissão imposta pelo homem branco, fugiram para áreas de péssima acessibilidade, entre as montanhas de Goiás, fundando o quilombo dos Kalunga, comunidade autosuficiente e que permanece lá até os dias de hoje.

 

No caminho parei em um mirante que conferia uma bela vista do vale. Assim que cheguei na comunidade fui direto a um posto de atendimento, onde falei com uma moça que fazia a recepção e orientava os recém chegados. Fiz os trâmites de troca de roupa, e a papelada. Pelo que entendi havia uma fila de guias, cujo custo era de 70 reais. Por esse valor o guia lhe leva nas três cachoeiras que há dentro de suas terras, Santa Bárbara, Capivara e outra que não lembro o nome.

 

Deixei a moto no local e fomos com o carro do guia em uma estrada bem ruim. Paramos logo em seguida onde contratamos um "pau-de-arara", que consistia em uma pick-up com bancos na parte traseira. Nela fomos eu, o guia, o condutor, mais duas mulheres que eram de São Paulo com seu guia. Andamos um bom pedaço em uma estrada muito ruim, creio que até mesmo a moto sofreria para chegar lá, e quando chegamos seguimos uma trilha em meio à vegetação característica do cerrado, pedregosa com plantas rasteiras. Uma trilha fácil.

 

Não demorou muito e chegamos no primeiro poço da Santa Bárbara, mas não era ali ainda a parte principal. Paramos para registrar aquela água que impressionava, na melhor tonalidade de azul turquesa que eu já havia visto.

 

Meu guia era muito sério, com um ar de emburrado. Notando o humor, ou mau-humor, também não dialoguei muito. Assim que enfrentamos uma subida e algumas pedras, estava lá a tão esperada Cachoeira Santa Bárbara.

 

Era o ápice da minha viagem, a cereja do bolo, e eu simplesmente fiquei pasmo com tamanha beleza. A água, como anteriormente eu disse, era azul, azul, azul, de um jeito mais que azul. Parecia que havia uma luminosidade por baixo d'água. Havia três mulheres já no local tomando banho e eu larguei minha mochila sobre uma pedra, peguei minha câmera e dome, e fui para a água, que não estava tão fria quanto a Loquinhas ou as Almécegas. Ali me deleitei por um longo tempo, até que minhas mãos e pés ficassem enrugados.

 

Apreciei a Santa Bárbara de fora por um bom tempo, quieto, ouvindo a água impactar na água. Devo ter ficado três horas ou mais lá, quando decidi sair. Meu guia me acompanhou e na volta pude extrair mais informações dele. Pelo que pude perceber ele não estava confortável com a presença do outro guia, pois quem contrata um Kalunga ajuda a comunidade Kalunga, contratando um guia da cidade, esse dinheiro fica em favor do guia "forasteiro". Bom, do meu ponto de vista, ambos estão trabalhando e não há motivo para rixa, mas, me limitei ouvir meu guia e demonstrar que o entendia, sem manifestar minha opinião.

 

Ele me contou também sobre o fato de alguém ter tentado, pela via judicial, retirar os Kalungas da região, alegando ter adquirido há muitos anos atrás as terras em que eles se encontravam, e que depois de muita luta, inclusive embates de violência, foi reconhecido o direito dos Kalungas sobre as terras. Como atuo no ramo do direito, sempre que podia eu colhia informações das pessoas com quem eu conversava relativas à justiça, e era unânime: a justiça não resolve nada! Muitos resolviam seus problemas da pior forma possível, outros deixavam de lado, mas o homem (não gênero) que buscasse na via judicial a afirmação de algum direito ficava maculado aos olhos da sociedade. De fato essa é uma cultura da região, e não falo somente dos Kalungas.

 

Eu poderia conhecer mais duas cachoeiras ainda, mas não estava muito animado, depois de conhecer a Santa Bárbara dificilmente algo me impressionaria. Decidi voltar para Alto Paraíso e foi o que fiz. Peguei minha moto e voltei contemplando os montes, paisagens, aves, burros, gado, vegetação, e tudo era mágico.

 

No caminho, um rebanho de 10/15 cabeças de gado andava solto na pista no mesmo sentido em que eu ia e assim que fui me aproximando eles foram indo para a direita até que entraram na vegetação liberando a estrada para eu seguir meu caminho. Distraído com tanta beleza quase não percebi a volta e quando vi já estava em Cavalcante.

 

Peguei a estrada rumo a Alto Paraíso e já passavam das 14h quando eu estava chegando. Abasteci em um posto de gasolina que fica na estrada, quase em frente ao pórtico da cidade, e toquei em direção à São Jorge.

 

Fui direto e reto, sem fraquejar ou aliviar a velocidade, com um único objetivo: o mirante da janela. O tempo era meu inimigo, pois pelo que havia lido da trilha do mirante da janela tinha um certo grau de dificuldade.

 

Chegando em São Jorge fui direto para a entrada do Parque da Chapada dos Veadeiros e, enquanto fazia a troca de roupas e amarrava o capacete, um rapaz que estava em um trailer de lanches veio me informar que o parque estava fechado. Fechado? Mas como?! Contei a ele que eu pretendia realizar a trilha do mirante da janela e ele me disse que não era no parque que a trilha iniciava, me dando as coordenadas para o local correto. Um banho de água fria seguido de uma esperança.

 

Montei na moto e saí rapidamente. Já passava das 15h e eu não queria perder muito tempo até começar a trilha, pois poderia anoitecer no caminho e eu não conhecia o trajeto. Quase chegando encontrei um casal em um carro e pedi informações sobre a trilha, o rapaz que dirigia me disse que tinham sido aconselhados a não realizar a trilha porque estava muito tarde. Sugeri que fossem comigo, pois eu estava com o wikiloc e caso nos perdêssemos na ida, a volta seria segura até o ponto inicial. O casal não quis. Se eu estivesse no lugar deles, conversando com um cara de capacete, com roupa de motociclista toda preta, em meio a uma estrada perdida no mato, que eu sequer sabia quem era, também recusaria o convite.

 

Rumei até me deparar com um estacionamento e a indicação de uma trilha. Larguei minhas coisas como sempre, peguei água, e segui a trilha. Cheguei em uma cabana onde um senhor recepcionava as pessoas. No local estava um rapaz recém chegado da trilha, muito suado, cansado e esbaforido. O senhorzinho me advertiu muito, dizendo que não era qualquer um que fazia a trilha, que era arriscado para quem não conhecia, que eu deveria ir com guia, que era tarde, blá, blá, blá. Insisti para ir e o senhorzinho lavou suas mãos, dizendo: então coloque aí um número para emergência. Pus o número de minha mãe, mas fiquei tranquilo, pois não seria necessário utilizá-lo.

 

Saí com pressa e ciente de que seriam em torno de 3 quilômetros, o que não era nada para quem já havia enfrentado trilhas mais longas, como a ferrovia do trigo, travessia São Francisco de Paula a Rolante, além do mais, eu pratico atividades físicas regularmente, então eu estava muito confiante.

 

A paisagem era linda, e eu peguei meu celular e pus um podcast do Pretinho Básico para ouvir. Não havia feito muito esforço ainda e logo me deparei com o mirante do abismo. A cachoeira estava seca e disso eu já sabia, mas a vista era magnífica. Parei, tirei algumas fotos, e segui em uma descida brusca que estimo tenha sido de 60-80 metros, estilo escalaminhada, bem dificiltosa.

 

Após atingir o ponto mais baixo, caminhei um trecho e logo uma subida íngrime novamente. Algumas escadas, ferros e cordas auxiliavam nesse trecho, e meu coração já batia bem acelerado. O Pretinho Básico me fazia rir às vezes, parecendo um louco rindo sozinho em meio ao cerrado.

 

Quando cheguei no topo novamente me deparei com uma vista esplêndida, entre algumas pedras eu via as cachoeiras do parque. Subi na parte mais alta para achar a janela e nada. Tirei umas fotos, andei na volta, e nada. Olhei o wikiloc e a marcação indicava 3,2km. Era ali, mas eu não achava a bendita janela. Retornei um pouco na trilha e passei a seguir as pegadas. Trilhei por um lado, trilhei por outro, as pegadas desapareciam em determinados pontos. Segui um trecho por mim mesmo, andei cerca de 1km em mato fechado, buscando achar a janela ou a trilha, mas não consegui. Para voltar ao ponto em que a trilha sumiu usei o wikiloc, e retornei tranquilo, mas muito triste. Eu estava sozinho e sabia que o senhorzinho não deixaria mais ninguém entrar, e não encontrei a janela. Fiquei um tanto indignado comigo mesmo por não ter baixado o tracklog antes de iniciar, mas, àquela altura do campeonato era tarde para lamentar. Fiquei quase 40 minutos procurando a janela sem sucesso, até que decidi voltar.

 

Eu estava ciente que havia trilhado quase todo caminho e que por algum detalhe não havia encontrado a janela, triste. Mas na volta passei a avaliar a situação e fique feliz de ter ido, ainda que não tenha encontrado a janela, eu vi muita coisa bonita, inclusive as cachoeiras do parque.

 

Quando voltei falei com o senhoriznho e fui pra casa. Estava bem casado, a trilha era curta mas pesada. Chegando de volta à pousada, evidentemente abatido com o roteiro do dia, tomei um banho duradouro, providenciei meu chimarrão, e deitei na cama para ler. Após um pouco de descanso eu falei com a família e namorada e, logo que desliguei, fui abatido por uma forte saudade de tudo e de todos, saudade da minha casa, da minha mãe, da família da minha namorada, dos meus cuscos e do meu escritório.

 

Difícil explicar como me senti, mas era como se houvesse um grande vazio. Era saudade, pura. Meu pai, que faleceu em outubro de 2016, estava desde a minha partida muito em minha mente muito presente, principalmente na estrada, e nesse momento em que a saudade apertou a saudade dele veio avassaladora, como que queria que ele estivesse vivo.

 

Em meio a esse turbilhão de sentimentos eu cogitei voltar no outro dia. Eu tinha mais uma diária já paga e iria deixá-la para trás. Eu também já tinha cumprido com o meu roteiro, o que fizesse no outro dia seria um extra. Estava pensando em fazer a Cachoeira Macaquinhos que tinha sido uma recomendação da menina do RJ que encontrei na Loquinhas, mas nada me convencia que eu deveria ficar mais um dia. E foi aí que decidi: vou voltar amanhã.

 

Informei o Senhor da pousada e ele me reembolsou 40% do valor da diária. No outro dia de manhã tomei um café da manhã reforçado, montei na minha motinho, e segui em direção ao Sul. Na volta, como havia enfrentado uma péssima estrada entre Goiás e Distrito Federal, decidi rodar um pouco mais e evitar aquele trecho. Fui de Alto Paraíso de Goiás a Planaltina, depois a Brasília e desci para Luziânia. A saudade apertava muito e eu não via a hora de chegar em casa e abraçar todos.

 

Peguei estradas bem melhores do que na ida nesse trecho, passei por dentro de Brasília sem qualquer orgulho de estar ali, na terra onde "trabalham" os piores cidadãos do país, não os trabalhadores comuns como eu ou você, mas os políticos. De Luziânia fui à Cristalina e dali seguiria reto até Uberlândia. Tinha que trocar o óleo da moto, mas decidi esticar e trocar no mesmo mecânico que eu tinha trocado em Uberlândia.

 

Passei por Domiciniano Ribeiro, Campo Alegre de Goiás e Catalão, onde parei para abastecer. Verifiquei o óleo, que estava ok, e segui. Chegando em Uberlândia, me deparei com a cidade inteiramente fechada. Sim, fechada. Era sábado de tarde e todo o comércio estava cerrado. Fui até a frente da mecânica que também estava na mesma situação. Foi quando me assustei! Como vou trocar o óleo?! Encontrei um rapaz em uma z1000 da Kawasaki e perguntei para ele onde eu poderia trocar o óleo da moto, ele disse que seria difícil, pois a cidade toda, ou melhor, o estado de Minas fecha no sábado de tarde, mas pediu para segui-lo. Paramos em um posto de combustível e falei com os funcionários. Não trocavam. Fui em outro, também não. Me sugeriram o tal do Posto do Décio. Fui até esse posto e, além de mal atendido, não trocavam o óleo.

 

Pensei, vou ter que dar um jeito. Comprei um litro de óleo e perguntei se poderia usar a área do posto para troca, o rapaz fez uma cara feia e disse algo do tipo: tem que ver lá com o fulano. Fui até o fundo do posto e peguei um pote para coletar o óleo, ajeitei-o na aranha e saí. Estava indignado com Minas Gerais. Pô, cara! Sábado de tarde sem uma viva alma para trocar o óleo. Eu nunca tinha trocado e estava evitando por motivos óbvios: a chance de fazer algo errado e acarretar um problema maior em meio à viagem seria grande. Mas, não havendo outra alternativa, lá fui eu trocar o maldito óleo.

 

Estacionei em um outro posto de gasolina e ajeiteitei as coisas, inclusive o pote que furtei (envergonhado disso, mas foi melhor que jogar o óleo diretamente no chão). Para completar a situação, o mecânico de Uberlândia, o último a trocar o óleo, arrochou o parafuso do bujão, espanando suas quinas, sendo que a chave certa rodava e não travava e a menor sequer entrava. Pronto, agora sim a tragédia estava completa!

 

Fui no borracheiro do posto de gasolina que se chamava Bruno e pedi uma ajuda. Ele estava ouvindo uma rádio que tocava músicas sertanejas, olhou para mim e para minha moto e disse que ia me ajudar. Enquanto estava tentando tirar o parafuso com um alicate de pressão, me contava sobre uma Falcon que tivera e que fora com ela até o Estado do Tocantins, viagem onde passou por um problema parecido com o meu. Ele disse que não tinha óleo para a moto e precisava trocar e, não tendo alternativa, colocou óleo de carro e rodou mais de 10 mil quilômetros com a moto. Bom, não sei se era verdade, mas na situação em que eu estava pouco importava.

 

Bruno tentou e tentou, sem sucesso, e logo chegou um caminhoneiro precisando dos servicos de borracheiro. Bruno pediu para o Senhor esperar e pegou a marreta. Deu 5 marretadas precisas que atingiram diretamente o parafuso. Bingo! Deu certo e o parafuso afrouxou, escorrendo assim todo o óleo que mais parecia uma água preta. O resto foi comigo. Deixei alguns minutos o óleo escorrendo até que parasse de pingar e enquanto isso eu comia alguns amendoins que tinha no baú e conversava com o caminhoneiro.

 

Óleo escorrido, pus o parafuso no devido lugar, apertando só o necessário com o alicate de pressão e coloquei a quantidade adequada de óleo, 1 litro e 350 mililitros. Já era noite e eu tinha que encontrar um pouso. Abri o celular no aplicativo de mapas offline e achei algumas opções em Uberaba. Do posto calcário (-19.344206, -48.094882), onde eu estava, até Uberaba eu teria mais 50/60 quilômetros, não era muito e eu tinha disposição física ainda.

 

Após tudo concluído, óleo trocado e moto abastecida, insisti para Bruno pegar um valor em recompensa e ele se recusou veementemente. Agradeci muito e fui para Uberaba. No primeiro hotel que encontrei me hospedei, Dann Inn, onde paguei a diária mais cara da viagem, R$110,00 com café da manhã. O hotel tinha uma ótima apresentação e um quarto muito bonito, mas o wi-fi não pegava direito no quarto. Comi o que tinha na mochila, que incluía uma lata de atum e uma lata de seleta de legumes, tomei banho e dormi como uma pedra. No outro dia de manhã tomei outro banho e parti para o café da manhã. Havia só eu e mais um rapaz comendo. Comi ovos mexidos, café com leite e um sanduíche. Eu seguiria pela BR050 até Ribeirão Preto, quando passaria a rodar pela SP255.

 

Uma hora de estrada e o tempo fechou, logo que eu tinha saído do hotel o sol estava forte, mas ao longo do trajeto as nuvens foram tomando conta do céu, que dava fortes sinais de chuva. Parei para por minha capa de chuva e bum! Muita chuva caiu. Eu estava bem protegido e não estava preocupado. A estrada era boa, o fluxo era pequeno, eu estava tranquilo.

 

Já passando por Ribeirão Preto a chuva parou e o trânsito pesou. Eu tinha que entrar no acesso da SP255, mas ele estava inserido em um anel viário confuso, onde eu entrei errado em uma das alternativas. Mas logo percebi o erro e parei a moto, peguei o celular que estava no bolso da jaqueta, debaixo da capa de chuva, e identifiquei o caminho correto, manobrando e seguindo para Araraquara.

 

Parava para abastecer a cada 200/250 quilômetros rodados, o corpo estava começando a apresentar os sinais de cansaço, quando decidi parar e tirar a capa de chuva, nas proximidades de Taquarituba. Verifiquei o óleo da moto e me pareceu um tanto acima do ideal. Me preocupei um pouco, mas tentei não pensar muito nisso. Para verificar, eu puxei a moto pelo guidom, que estava apoiada no pezinho, para o lado da tampa do óleo, deixando ela na vertical, segurando no acelerador, quando quebrou o meu auxiliar de acelerador. Olhei, senti aquela tristeza na alma (risos), mas não me abati. Liguei para a família e mantei mensagens. Pulei para cima da moto e toquei direto até Ponta Grossa.

 

Cheguei e me hospedei no mesmo hotel da ida, e fui para uma lanchonete chamada Bibas Lanches comer algo. No outro dia cedo acordei para o café da manhã e não tive muita pressa, pois era o dia em que chegaria em casa. Resolvi ir à autorizada da Yamaha de Ponta Grossa ver o óleo se estava acima do nível e já mandei trocar mesmo. Feito o procedimento, era só chegar em casa são e salvo para que a viagem terminasse com chave de ouro. E assim foi. Peguei bastante frio e cerração e quando batia já 10h que o tempo limpou. A partir daí foi só alegria. Passando na serra do mar, divisa com SC, admirando as lindas paisagens. Quase sem perceber eu cheguei em casa, por volta das 20h. E assim foi minha viagem, uma jornada de autoconhecimento, reflexão, experiências e aprendizagem. Posso concluir que de todo o planejamento que fiz, listas de hotéis, campings, pousadas, roteiro de dias e o que fazer, etc, etc, etc, tudo deu errado, fiz praticamente tudo diferente do que planejei, e ainda assim tudo deu certo. Senão vejamos: saí antes do programado por perder o sono. Saí antes e pensei, vou chegar antes, mas a neblina me parou e o sono me obrigou a dormir em um posto de gasolina. Me programei de dormir no segundo dia em Uberlândia e dormi em Prata. Organizei um roteiro de três dias para a Chapada, realizei tudo em dois. Voltei por uma rota diferente da que fui. Muitas coisas deram errado, e ainda assim tudo deu certo. A verdade é que é importante sim se programar, organizar, estudar e se precaver, mas saiba que por mais que você faça isso, você não tem o poder de fazer com que tudo dê certo, nós achamos que comandamos nossas vidas, mas na verdade não. Enfim, essa foi a minha experiência. Um grande abraço a todos os leitores.

 

Abaixo, o vídeo resumo da minha viagem.

 

 

Algumas fotos da viagem:

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Parabéns pela aventura, ainda quero conhecer a chapada seu relato foi muito legal, Quanto a saudade viajar é muito bom mas voltar para nosso lar não tem sensação melhor !!!

 

PS: Se Algum dia quiser conhecer a canastra tamo ai

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Parabéns pela aventura, ainda quero conhecer a chapada seu relato foi muito legal, Quanto a saudade viajar é muito bom mas voltar para nosso lar não tem sensação melhor !!!

 

PS: Se Algum dia quiser conhecer a canastra tamo ai

 

Obrigado pelo carinho irmão. Serra da canastra está na minha lista.

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Lucas,

Viagem Top !! Comprei agora minha Trail e quero em breve ter experiências como a sua, e sinta a vontade de quando vier para as minas gerais que a casa sempre estará de portas abertas !!

Abraços

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Lucas,

Viagem Top !! Comprei agora minha Trail e quero em breve ter experiências como a sua, e sinta a vontade de quando vier para as minas gerais que a casa sempre estará de portas abertas !!

Abraços

Po, muito obrigado amigo. Da mesma forma, conte comigo aqui no Litoral do RS. Abraço.

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    • Por danicsml
      Depois de algumas torrões de sol e algumas bolhas nos pés, sobrevivi para compartilhar (e tentar atualizar) informações sobre a nossa trip (marido e eu) nas férias.
      Bora lá: foram 14 dias de viagem pelas seguintes cidades:
      Los Angeles: 3 dias
      Las vegas:  2 dias
      Willian - Grand canyon: 02 dias 
      Page: 1 1/2 dia
      Monument Valley: 1 dia
      Moab : 1 dia
      Salina: só pernoite
      Las vegas: 1/2 periodo compras + 1 noite
      Los angeles: 1/2 periodo compras + 1 noite.
      Total gasto: 22 mil para o casal (é minha gente o dolar tá qse um rim). Segue a planilhinha em anexo. Pessoal eu vou consertar uns valores aq e já posto de novo!!!
       
       
    • Por PEDROMG
      Oi galera!
      Estou aqui (depois de alguns poucos meses) pra compartilhar com vocês sobre a minha primeira (de muitas kkk) solo trip.
      Se me perguntassem há uns 2 anos atrás se eu teria coragem de viajar sozinho, eu certamente responderia que não faria isso (por medo+tensão+acho que não consigo).
      Até que a vontade de romper essa barreira passou a me consumir e comecei então a trabalhar a mente e me preparar aos poucos pra que eu realizasse isso que se tornou um sonho, uma necessidade.
      Minhas férias do trabalho venceram mas decidi que só as tiraria quando definisse um destino bacana, que tivesse praias lindas (e que eu acreditasse ser capaz de me virar sem companhia rs).
      Foi aí que decidi ir em abril para #Cartagena e #SanAndrés (aquele paraíso onde fica o famoso mar de 7 cores).
      Comecei então a olhar as passagens, lugares para me hospedar, definir rotas, pesquisar sobre a moeda e preços locais e assim fui me familiarizando com cada detalhe e adquirindo a segurança necessária pra embarcar na minha #primeiraviagemsozinho.
      Comprei minhas passagens de Brasília > Panamá > Cartagena / Cartagena > San Andrés / San Andrés > Cartagena / Cartagena > Panamá > Brasília...
      E FUUUI!!!
      Ao chegar no aeroporto de Brasília, bateu aquele leve medo de: é agora!
      Embarquei e durante o voo, devido a tensão, me lembro que tive até um pesadelo.
      Cheguei ao Panamá, celular sem bateria, sem adaptador de tomada mas feliz e empolgado, confiante e pronto pra continuar.
      Lá estava eu desembarcando no aeroporto de Cartagena arrepiado e sorrindo ao mesmo tempo.
      Sem celular e sem voucher de onde eu me hospedaria, fui até o balcão de informações e pedi pra que olhassem pra mim o endereço do hostel... deu certo.
      Que cidade linda, que energia boa, cheia de pessoas felizes, contagiante!!!
      Conheci lugares incríveis, conheci pessoas legais (sou tímido pra isso, mas estar sozinho e naquele lugar maravilhoso acabou mudando isso até sem eu percebesse).
      Dica: se hospedem no Bourbon St Hostel Boutique.
      Depois de 3 dias muito bem vividos, bora pra San Andrés conhecer o Caribe...
      Chegando no aeroporto (que tumulto!!!), eu só queria ver aquele mar das fotos que me fizeram chegar até lá...
      E WOOOOOOOOOW!!! Inacreditável! "P**rra, eu realmente tô no Caribe!"
      Dica: se hospedem no El Viajero.
      Depois de uma semana, de conhecer a beleza surreal da ilha e nadar bastante, partiu voltar pra Cartagena (com todo prazer!) por mais 3 dias.
      Em San Andrés, assim como em Cartagena, conheci outros viajantes que estavam viajando sozinho pela primeira vez também e compartilhar as experiências e momentos foi fundamental.
      Talvez se eu estivesse esperado alguém pra me acompanhar, eu não teria tido essa experiência sensacional, nem conhecido tais lugares e ainda estaria me questionando: será que eu consigo viajar sozinho?
      Sobre os lugares que visitei, recomendo e recomendo de novo.
      *A única coisa que me contrariou durante a viagem foi que comprei um sombreiro (esse das fotos) de um vendedor ambulante por 20.000COP e pouco depois achei numa loja
      por 7.000COP... aff, kkk...
      Se tiverem curiosidades ou quiserem dicas, é só me contactar :)
      Estou pronto pra próxima... a dificuldade agora é escolher algum destino dentre tantos maravilhosos pelo mundo... porque meu medo, eu já venci \o/








    • Por tabatajac
      Conhecida como uma das travessias mais bonitas do país, a travessia Petrópolis x Teresópolis é feita dentro do Parque Nacional da Serra dos Órgãos e conta com aproximadamente 30 quilômetros de trilha, que podem ser feitos em um, dois ou três dias, além de diversos desvios.
      Antes de mais nada, é preciso comprar os ingressos no site do Parnaso e, se for fazer a trilha em mais de um dia, pagar pela sua estadia, que pode ser em camas beliche ou bivaque dentro do abrigo, ou no camping. Vale lembrar que em feriados, principalmente no inverno, a travessia fica bem cheia e os abrigos esgotam rápido. Nós demos sorte e pegamos uma desistência, conseguindo fazer no feriado de 7 de Setembro.
      Para quem fica no abrigo, é disponibilizado panelas, utensílios de cozinha, fogão e banheiro com (pasmem!) água quentinha. Já para quem fica no camping, você também vai poder usar o banheiro para tomar banho, além de outro banheiro do lado de fora do abrigo e um ponto de água, onde dá para encher as garrafas e lavar as panelinhas e utensílios que você levar.
      No total, pagamos R$ 102,00 cada um, incluindo o valor da travessia (R$ 26 da trilha e R$ 26 de adicional de fim de semana), duas noites de camping (R$ 10 cada uma) e dois banhos (R$ 15 cada um).
      O próprio site do parque oferece informações oficiais sobre a travessia, sempre vale dar uma olhada.
      DIA 1 – Petrópolis x Castelos do Açu
      Distância: 8 km
      Tempo: 7 horas
      Ganho de altitude: 1.145 metros
      Saímos do Centro de Petrópolis um pouco antes das 8:00 e chamamos um Uber para adiantar um pouco as coisas. Para quem quiser ir de ônibus, primeiro você vai ter que pegar um para o Terminal de Correias e depois outro para um pouco antes da portaria do parque. Pagamos R$ 36,00 até lá. Chegamos na portaria, assinamos o termo de responsabilidade, enchemos as garrafas de água e começamos a subir às 9:20.
      O primeiro ponto depois da portaria é o Poço do Presidente e a Cachoeira Véu da Noiva. Como saímos um pouco tarde da portaria, fomos só até o primeiro ponto, enchemos as garrafas, comemos uma barrinha de cereal e seguimos. A subida até aqui ainda não é tão íngreme, mas depois do poço comecei a sentir as pernas avisarem que a declividade tinha aumentado (e eu achando que estava bem preparada). Chegamos na Pedra do Queijo às 11:30 e paramos para beber água, comer e subir na pedra para ver o visual.

      Pedra do Queijo

       
      Pedra do Queijo 

      Visual de cima da Pedra do Queijo
      De lá, partimos para o Ajax, onde chegamos às 13:15. Essa, para mim, foi a subida mais puxada, até mais que a Isabeloca que vem depois e dizem ser a parte mais difícil do primeiro dia. Acho que o bastão de caminhada fez a diferença, já que subi essa parte sem ele, mas usei na Isabeloca. O Ajax é o próximo ponto de água depois do poço e o último antes do abrigo, além de ser também onde o pessoal costuma parar um pouco mais para almoçar (ou comer alguma coisa com mais sustância). Atenção para os períodos de seca, já que é comum o Ajax secar. Nós pegamos o ponto com pouca água, mas ainda deu para encher as garrafas. Até esse ponto, já havíamos caminhado por volta de 5 quilômetros, com mais 3 pela frente até o abrigo dos Castelos do Açu.

      Parada no Ajax
      De cara para aquele paredão que era a Isabeloca, saímos do Ajax às 13:55 e começamos a última subida do dia. Conseguíamos ver as pessoas lá em cima, com suas mochilas coloridas, já quase chegando ao topo. Depois de muito anda e para, chegamos lá em cima às 15:15 e paramos na próxima plaquinha para tirar um pouco as cargueiras, beber água, comer e tirar umas fotos. De lá, conseguíamos ver uma formação rochosa bem ao longe que parecia ser os Castelos do Açu, e que ainda estava distante para caramba.

      Subindo a Isabeloca

      Topo da Isabeloca
      Colocamos as cargueiras de volta e voltamos a seguir a trilha quando, de repente, os Castelos do Açu (agora de verdade) surgiram à nossa frente, imponentes e tão mais perto do que a gente imaginava. Ali a emoção bate de leve e você começa a fazer o balanço do que foi o primeiro dia. E se a emoção dali não bastasse, andando mais um pouquinho surgem o abrigo e a Serra dos Órgãos, que se faz ver pela primeira vez, com o Dedo de Deus em riste. Chegamos ao abrigo às 16:30, depois de aproximadamente 7 horas de caminhada. Depois de dar nossos nomes, o cara do abrigo informou que o camping poderia estar lotado e, se esse fosse o caso, poderíamos armar a barraca no próprio castelo (o que eu acho que já foi permitido um dia, mas hoje é proibido em dias normais). Subindo de volta para os castelos, encontramos um ponto perfeito, logo abaixo de outro casal que havia armado a barraca um pouco acima.

      Chegando nos Castelos do Açu

      Abrigo do Açu e a pontinha do Dedo de Deus

      Pôr do sol dos Castelos do Açu
      Barraca armada, seguimos de volta para o abrigo para um banho mais que merecido. Os banhos são de 5 minutos contados no relógio pelo responsável do abrigo, que fica do lado de fora do banheiro controlando o pessoal e batendo na porta quando o tempo acaba. Com um pouco de desorganização, conseguimos tomar banho (que no fim deu um tilt na água quente e o pobre do Marcello terminou na água congelante) e voltamos para a barraca para fazer o jantar, que seria um arroz Tio João com calabresa para ele e com tofu para mim. Alimentados, fomos aproveitar um pouco da vista dos castelos, de onde dá para ver toda a cidade do Rio de Janeiro e suas luzes cintilantes, e depois fomos dormir.
      DIA 2 – Castelos do Açu x Sino
      Distância: 7,5 km
      Tempo: 8 horas
      Tendo acordado um pouco de noite, uma das vezes com frio, acordei de vez por volta das 5:30 e comecei a ouvir as vozes murmuradas do pessoal que acordou para ver o sol nascer. Juntei todas as forças que eu tinha para encarar aquela friaca e saí da barraca. Mas caraca, como valeu a pena. O céu laranja começava a iluminar a Serra dos Órgãos à esquerda e a Baía de Guanabara à direita. Subi na pedra com a câmera preparada e os primeiros raios de sol começaram a sair de trás das nuvens. Acho que foi o momento mais mágico de toda a travessia (com direito à musiquinha do Rei Leão, cantada pelo casal da outra barraca).

      Os primeiros raios de sol iluminam a Serra dos Órgãos

      Nascer do sol dos Castelos do Açu

      A Serra dos Órgãos e a nossa barraca

      Abrigo visto de cima dos Castelos
      Com o sol já mais alto, tomamos café, desmontamos a barraca e seguimos para o abrigo, onde terminamos de nos preparar para o segundo dia. Saímos de lá às 9:00 (bem tarde!) e logo de cara vimos a primeira descida e subida do dia, que seria o Morro do Marco. Com pedras que formam uma escadinha, às vezes com degraus altos que vão precisar da ajuda das mãos, chegamos ao primeiro ponto às 9:30 depois de um quilômetro, onde só tiramos algumas fotos e seguimos em frente. De lá, já conseguíamos ver o próximo vale, bem mais profundo que o anterior, onde encontraríamos o primeiro ponto de água do dia.

      Saindo do Abrigo do Açu

      Visão do Morro do Marco com os totens que guiam o caminho
      Chegamos no ponto de água às 10:10, onde encontramos um grupo sentado descansando e comendo alguma coisa. Enchemos nossas garrafas, comemos umas castanhas e seguimos com a subida em mata fechada e bem íngreme, com raízes servindo de degraus. Nossa próxima parada era o Morro da Luva, onde chegamos às 11:25. Lá, avistamos o Garrafão pela primeira vez, que serviria de guia pelo resto do dia, virando sua cara carrancuda aos poucos até se revelar completamente na Pedra da Baleia. Mas calma que ainda faltava muito para isso (e bote muito nisso). No Morro da Luva, tiramos as cargueiras um pouco para aliviar o peso, bebemos água e tiramos fotos. Depois, seguimos atrás de um grupo com guia que disse que aquele ponto era muito fácil de se perder, já que a rocha abre muitos caminhos e não é tão bem sinalizado quanto o primeiro dia.

      Subindo o Morro da Luva

      Topo do Morro da Luva com os Castelos do Açu ao fundo

      Garrafão e o Dedo de Deus começando a ficar encoberto
      Depois de descer mais um vale, chegamos ao próximo ponto de água logo antes do Elevador, que estava seco. Descansamos um pouquinho e chegamos ao temido Elevador às 12:30. Com 67 degraus, ele é bem mais longo do que eu imaginava, e também mais cansativo. Subi usando a mochila de lastro, que nem o Corcunda de Notre Dame, para ver se ela me jogava para frente e não para trás. Contei três vergalhões faltando, mas a rocha dá um bom apoio nessas horas, e a tração da bota é essencial. Com 3,5 quilômetros caminhados (e escalaminhados) desde o Açu, chegamos ao topo do Elevador, onde tínhamos mais 4 quilômetros pela frente.
       
      Totens e Elevador visto de longe

      Elevador
      Depois do Elevador, a coisa começou a esquentar e nem tirei mais a câmera da mochila, tirando fotos só com o celular. Logo após o topo do Elevador, surge uma rocha com uma subida bastante íngreme, onde é preciso usar as mãos e confiar na bota, acompanhada como sempre de outra descida, também bem íngreme e onde me pareceu melhor descer meio de lado (as bolhas que eu ganhei depois não concordam muito com a minha teoria). Subindo mais um pouco, chegamos ao Morro do Dinossauro, onde paramos para beber água e descansar. O rosto carrancudo do Garrafão já nos observava, assim como a cabeça do elefante (indiano, e não africano, como disse um outro trilheiro também descansando por ali).

      Morro do Dinossauro

      Cara mal humorada do Garrafão
      De lá, tocamos para o Vale das Antas, onde chegamos às 14:30. Último ponto de água do dia, aproveitamos para comer e encher as garrafas. Um dos guias que encontramos lá ressaltou que essa água não é muito legal, já que muitas pessoas usam os arredores da nascente como banheiro, então não se esqueça de levar Clorin e talvez evitar esse ponto de água se sua garrafa ainda estiver cheia. Depois de dois belos pães com atum e castanhas, começamos a subida do Vale das Bromélias até a Pedra da Baleia, chegando lá às 15:10. O topo da Pedra da Baleia fica a 6 quilômetros do Açu, faltando ainda 1,5 quilômetro até o abrigo do Sino.

      Pedra da Baleia
      Quando começamos a descida em direção ao Mergulho, vimos no paredão do outro lado várias mochilas coloridas subindo a escadaria de pedra que daria no Cavalinho. Logo depois, vimos o Cavalinho. Uma rocha triangular um pouco mais clara que as demais que chegava a brilhar com o sol da tarde que começava a se pôr. Naquela hora, bateu um frio na barriga. Mas ali não tem o que fazer se não seguir em frente, e foi o que fizemos.

      Pessoal subindo em direção ao Cavalinho
      No Mergulho, tivemos a sorte de encontrar um grupo com guia que estava usando cordas para descer, que ele caridosamente nos deixou usar. Já vi vários vídeos de pessoas que fazem esse pedaço sem corda, mas com certeza seria mais difícil, sem contar que provavelmente nós teríamos que tirar a cargueira das costas. Logo antes da próxima subida, uma setinha de ferro fincada no chão (como muitas outras antes) indicava o caminho e fiz ali meu check point, no estilo Super Mario. Se caísse do Cavalinho, pelo menos eu não ia precisar voltar tudo! 😂
      Chegamos no Cavalinho às 16:05 com uma pequena fila de pessoas para subir. O espírito de camaradagem que rola lá em cima foi o que nos fez conseguir subir aquele negócio. O grupo da frente nos ajudou a içar as mochilas e um dos caras ajudou a puxar o Marcello depois dele ter montado no Cavalinho, que então me ajudou a subir. Mas o Cavalinho era brincadeira de criança perto da próxima rocha, apelidada carinhosamente de “coice”. Nela, de novo ajudaram o Marcello a subir com a cargueira nas costas, oferecendo a mão de cima dela, mas quando chegou na minha vez, tive que tirar a cargueira e a menina atrás de mim ainda teve que empurrar meu pé para que minhas pernas dessem altura para subir (malditas pernas curtas!).

      Cavalinho
      Passado o desafio, ainda foi preciso subir uma escada de ferro (obrigada pessoa que teve que carregar esse troço nas costas para colocar ela ali) e caminhar mais um pouquinho até a bifurcação do abrigo e da Pedra do Sino. Chegamos lá às 16:40 e no abrigo às 17:10. Alguns grupos seguiram direto para a Pedra do Sino para ver o pôr do sol, mas nós optamos por descer para pegar um bom lugar no camping e deixar para ver o nascer do sol do cume.

      Bifurcação Pedra do Sino, Abrigo 4 e Travessia
      Montamos nossa barraca e fomos logo para a fila do banho, muito mais organizada que no dia anterior. E que banho! A água quente não desligou dessa vez e conseguimos tomar banho em até menos que os 10 minutos totais que nós dois tínhamos. Banhados, fizemos nosso sopão de macarrão e capotamos.
      DIA 3 – Sino x Teresópolis
      Distância: 11 km até a barragem, 14 km até a portaria
      Tempo: 4 horas até a barragem
      Acordei por volta das 4:30 com o burburinho do pessoal se movimentando para ir ver o nascer do sol na Pedra do Sino. Ponderei todas as minhas escolhas de vida até aquele momento e decidi que continuaria deitada ali, no quentinho, e que veria o nascer do sol da Pedra da Baleia que tem atrás do abrigo (que não é a mesma Baleia do dia anterior). Abri a barraca por volta das 5:40 e segui a trilha que sai de trás do abrigo. Consegui pegar os primeiros raios de sol da Pedra da Baleia, de onde se vê o pessoal no topo da Pedra do Sino.

      Nascer do sol da Pedra da Baleia, atrás do Abrigo 4

      Pessoal vendo o nascer do sol da Pedra do Sino
      De lá, voltei para a barraca, sacudi o Marcello, tomamos café e seguimos para a Pedra do Sino enquanto muitos grupos já começavam sua descida. Saímos do abrigo às 8:40 e chegamos no topo da Pedra do Sino às 9:10. A subida não é muito íngreme e a rocha é bem sinalizada, com totens de pedra que indicam o caminho. E o que se pode dizer da diferença que é andar sem a cargueira? Ali eu consegui entender como um ser humano faz essa travessia em um dia só.

      Pedra do Sino com os Castelos do Açu ao fundo

      Visão da Pedra do Sino com Teresópolis ao fundo
      A Pedra do Sino é o ponto culminante da Serra dos Órgãos, com 2.263 metros de altitude e de onde se pode ver os três picos de Friburgo, a ponta do Garrafão, os Castelos do Açu e a Baía de Guanabara. Depois de muitas fotos, descemos para o abrigo, onde desmontamos a barraca e seguimos para Teresópolis.

      Começando a descida para Teresópolis
      O terceiro dia é praticamente só descida, quase toda ela em zigue zague e com a trilha muito bem marcada. Tendo saído do abrigo às 10:45, chegamos às ruínas do Abrigo 3 e ao Mirante de Teresópolis às 11:50 e na Cachoeira Véu da Noiva, já na parte baixa do parque, às 13:45. Lá, era como se a gente já tivesse chegado, mesmo faltando ainda 2 quilômetros até a Barragem e mais 3 até a portaria do Parque.

      Mirante de Teresópolis ao lado do antigo Abrigo 3
      Quando vimos a porteira que dá para a Barragem, bateu a emoção de novo. Concluímos nossa primeira travessia. Quase 30 quilômetros de muita subida, descida, rochas e pirambeiras. O casal que desceu com a gente do Véu da Noiva até ofereceu carona, mas agradecemos e dissemos que queríamos fazer portaria a portaria. Orgulho besta. 😄

      Chegamos!
      DICAS
      Se você pretende fazer a travessia durante um feriado, compre os ingressos com bastante antecedência. Os abrigos lotam rápido e não ter que carregar a barraca com certeza ajuda bastante.
      Uma boa bota (já amaciada!) ou tênis de trekking são essenciais, já que em muitos momentos você vai depender da tração dela para subir ou descer as rochas com segurança. Não aconselho fazer com tênis de academia ou de corrida, já que eles tendem a escorregar.
      Lembre-se que você vai ter que carregar sua mochila durante três dias, e que o peso dela vai se multiplicar com as subidas e o seu cansaço. Leve apenas o essencial.
      Com isso em mente, não subestime o frio. No inverno, as temperaturas podem ser negativas lá em cima e ninguém merece dormir com frio. Leve isolante, um bom saco de dormir, e roupas térmicas (tipo ceroula) se for acampar.
      Há diversos pontos de água no caminho, mas alguns deles podem secar no inverno. Nós levamos duas garrafas de Gatorade (totalizando um litro) e mais uma de 750 ml e foi suficiente, mas pegamos apenas o ponto do Elevador seco. O Ajax também pode secar, então leve isso em consideração.
      Mesmo com previsão do tempo boa, leve capa de chuva. O clima na serra pode ser imprevisível e bem diferente da situação na portaria.
      Leve um GPS ou celular com aplicativo de trilhas já instalado e o mapa e tracklog já baixados. Nós usamos o Wikiloc e seguimos esta trilha.
      Sobre a sinalização, ela é muito boa no primeiro e terceiro dia, e razoável no segundo, com pontos onde é possível se perder, principalmente se o tempo estiver fechado e com serração. Os totens de pedra ajudam bastante, já que são visíveis de longe, e há também setas pregadas na rocha e pegadas pintadas no chão. Mas mesmo assim, não deixe de levar algum tipo de GPS, já que no segundo dia há trechos em que essa sinalização fica devendo.
      Lembre-se que todo o lixo deve voltar com você e não pode ser deixado nos abrigos (e muito menos durante a trilha!), inclusive restos de comida. Então, não esqueça de levar saquinhos para o lixo.
      Já sobre as cordas, nós não levamos nenhuma, mas tivemos a sorte de sempre estar perto de grupos com guia que levaram e usamos as deles. Eu não diria que são totalmente indispensáveis, já o Marcello acha que seria quase impossível fazer sem elas, principalmente na hora de descer o Mergulho e içar as mochilas no Cavalinho.
      EQUIPAMENTO
      Mochilas: Quechua de 40l e Trilhas e Rumos de 48l
      Barraca: Quechua Arpenaz 2XL
      Sacos de dormir: Trilhas e Rumos Super Pluma (conforto +6°C e extremo 0°C)
      Isolante: Conquista 9mm
      Travesseiro: Quechua Air Basic
      Fogareiro: Guepardo Mini Fogareiro Compact
      Panelinha e utensílios: Quechua
      Cartucho de gás: Nautika 230g (de acordo com o que pesquisamos, dura por volta de 120 minutos)
      Lanterna de cabeça: Forclaz ONNIGHT 50 (30 lúmens)
      Bastão de trilha: Quechua Arpenaz 200
      ALIMENTAÇÃO
      Para a principal refeição, que seria o jantar, levamos um arroz Tio João da linha Cozinha Fácil, Sopão Maggi de macarrão com legumes, uma calabresa e uma lata de atum (para o Marcello) e tofu defumado (para mim).
      Para o café da manhã, levamos pão integral, Polenguinho, Toddynho e o tofu.
      Durante o dia, comemos amendoim, castanhas, avelã, Club Social, torradinhas Equilibri, barras de cereal, salaminho, chocolate e pão com Polenguinho e atum. Levei também um pacote de cookies Jasmine que voltou fechado.
      DESVIOS
      Há diversas outras trilhas para se fazer dentro do Parque, mas eu diria que o principal desvio dentro da travessia é para os Portais do Hércules. Nós chegamos a ponderar se faríamos ou não, mas os relatos variavam de 40 minutos a 1h30 de trilha para ir e depois o mesmo para voltar, tempo esse que nós não tínhamos. Sem contar que disseram que é uma trilha de difícil navegação, muito fácil de se perder. Mas se você realmente quiser encarar, o que o pessoal normalmente faz é sair muito, muito cedo do abrigo (às vezes antes do nascer do sol) e esconder as cargueiras na mata perto da bifurcação para fazer a trilha sem elas. Só não vale esquecer onde escondeu a mochila. Ouvimos a história de um cara que não conseguia encontrar sua cargueira de jeito nenhum e, depois de uma hora procurando achando que havia sido roubado, desistiu e seguiu a trilha. Ele só conseguiu reavê-la esse ano, dois anos depois de ter feito a travessia, quando alguém fazendo a trilha a encontrou junto com sua carteira e documentos.
       
    • Por kely.alves
      Muitos me questionaram porque ir para Florianópolis que é a Ilha da Magia em pleno outono e a resposta foi bem simples: MEGA PROMO!!
      Tava um valor bom, então bora fazer desse limão uma limonada delícia. 😀
      Floripa é muito conhecida por suas praias exuberantes e gente bonita passando para cima e para baixo. Mas por conta do período do ano (Outono) eu sabia que não daria praia, mas que poderia fazer muitas outras atividades como trilhas e bater perna por outras áreas.
      Época fria, mas tive a sorte de não pegar chuva nenhum dia, então, foram dias e noites bem aproveitados.
      Eu dispunha somente de um final de semana prolongado, então fiz muitas coisas nesses meus 3 dias e meio. Mais uma vez com a ajuda de alguns amigos desse site, consegui fazer a seguinte programação:
      13.06.2018: Chegada em Floripa (à noite)
      14.06.2018: Trilha Lagoinha do Leste
      15.06.2018: Tour Área Norte: Santo Antonio de Lisboa, Jurerê Internacional, Fortaleza de São José da Ponta Grossa, Barra da Lagoa
      16.06.2018: Trilha da Galheta
      17.06.2018: Jogo do Brasil e retorno para SP
      Dia 1: Chegada em Floripa
       

      Dentre as muitas opções que me foram dadas, optei em me hospedar na Lagoa da Conceição por ser o centro efervecente de Floripa, uma boa quantidade de hostels, restaurantes, bares, mercados, fácil acesso ao Sul e ao Norte. Enfim, localização perfeita!
      Me hospedei no Gecko´s hostel http://www.geckoshostel.com/ (RECOMENDO!!) e com um valor ótimo de diária R$ 30,00 sem café da manhã. Caso opte pelo café, paga-se R$ 10,00 a mais.
       

      📌Sugestão:
      Faça suas compras nos mercados próximos. Há opções de orgânicos, sacolões, mercados grandes, mercados menores, padarias com pãoes quentinhos. É possível usar todos os utensílios da cozinha do hostel. Sai mais barato e você pode fazer um café mais reforçado, pois achei bem fraquinho o deles. Para o jantar, sugiro o mesmo, pois só tinha lanches disponíveis nos arredores e precisava de comida por conta da energia gasta nas atividades. Sendo baixissima temporada, muitos locais estavam fechados. Na ponta do lápis, foi uma ótima economia também!💲
      Do aeroporto até o hostel o percurso foi de meia hora e custou R$ 26,00 com uber. Chegando lá, a recepcionista me perguntou se eu estava afim de ir numa festa numa balada onde a entrada era VIP até 23h30 e tinha um free shot de Catuaba pelo simples fato de estar hospedada com eles (ganharam pontinho positivo). Com meu colega de quarto (que tinha acabado de conhecer e topou meu convite) partimos para essa vibe underground chamada Santa https://pt-br.facebook.com/santalagoa/. O lugar toca um pouco de tudo desde funk a clássicos indie anos 2000. Tava meio vazio, mas o pouco pessoal que lá estava tocaram o terror e foi bem animado.
      Voltamos cedo porque no dia seguinte seria o único dia de sol daquele final de semana e queria fazer a melhor trilha de todas.
      Dia 2: Trilha Lagoinha do Leste
      De todas as dicas que recebi a mais indicada foi essa trilha. Ela possui dois caminhos: um fácil e rápido (sem vista) ou um mais longo e com vista espetacular. Optei pelo segundo.
      Usando ponto de partida como a Praia do Matadeiro:

       
      📌Depois de passar pela praia e entrar na trilha depois das placas indicativas, mantenha sempre o lado direito. Pq uma hora as placas desaparecem e sobram trilhas no chão. Não tem erro. É tranquilo.
       

       
      Essa foi a única placa que encontrei no caminho, depois foi seguir esse esquema de manter a direita e deu tudo certo. Pelo caminho sempre se encontram pessoas que estão fazendo o mesmo trajeto e passada a parte de mata fechada, se abre um costão lindo, rende fotos espetaculares:

      E o lance de manter a direita faz todo sentido se chega nessa parte: se for para a esquerda você desce o costão que cai direto no mar, e não queremos isso, certo?
      Fiz uma parada para contemplação e lanchinho antes de continuar a caminhada e depois que retomei o caminho, vê-se do alto de um morro o destino: Praia da Lagoinha do Leste:

      Como se pode ver no canto direito da foto é realmente uma lagoinha que fica de frente para uma praia. Sendo baixíssima temporada, estava sem ninguém, por exceção de dois pescadores que parei para conversar e saber como ir embora (já que não seria o mesmo caminho da ida) e como faz para chegar no ponto alto do passeio: Morro da Coroa.
      Andando pela praia vê-se uma montanha e dizem que no alto dela a vista é sensacional, mas tem que ter disposição e pernas fortes para subir. Como não estava lá à toa, fui, é claro.
       

      É uma subida realmente bem íngrime e há pontos em que para ter mais segurança, você sobe literalmente de quatro, mas vale a pena e a vista. Os pescadores tinham dado uma dica boa por qual caminho seguir onde não há desprendimento de pedras no caminho e subi bem e em segurança.

      À medida em que se vai ganhando altura, consegue ver perfeitamente a Lagoa e a praia.
      Chegando no topo, estava receosa de estar sozinha no meio do nada e no alto de um morro, mas tinha um grupo de amigos lá e me juntei a eles. Foi ótimo pela cia, pela conversa, pelas trocas de fotos e principalmente pela cia no retorno, pois apesar de gostar de entrar no meio do mato, não gostaria de estar nele sozinha com pouca luz, afinal, segurança em primeiro lugar.
       
      Existe um ponto de foto clássica nesse morro, tipo Pedra do Telégrafo no Rio de Janeiro. Fiquei meio desengonçada, mas eu fiz a tal foto depois de milhares de tentativas. Ficou mais ou menos boa. Preciso de braços mais fortes para erguer as pernas, mas o que vale é a intenção.

      Esse foi o único dia de sol que realmente peguei nessa viagem então, a cor da água fica incrivel e rende ótimos flashs. Super recomendo. (Mesmo em dias nublados, porque a vista vale muito a pena, além do desafio de fazer uma trilha de tempo razoavelmente longo)
       

      Como tudo o que sobe, desce, fizemos com tranquilidade o caminho de volta e com atenção para não nos machucarmos ou sofrer qualquer torção. Porque sendo íngrime, certas partes na volta, também faz-se sentado.
       

      O retorno foi feito pela trilha do Pântano Sul que é bem demarcada, com pontos onde é possível encher as garrafas de água e não tem erro porque ela é fechada por mata e não tem bifurcações, mas diferente do caminho da Praia do Matadeiro, ela não tem vista, e consequentemente ela é mais rápida (45 mins mais ou menos)

       

      A saída por essa placa leva a uma rua que não sei o nome, mas que tem ponto de ônibus que roda por vários lugares, inclusive para a Lagoa da Conceição. Mas não pode ter pressa, porque o sistema de transporte de Florianópolis não me pareceu muito eficente: ele te deixa num terminal e depois desse terminal tem que pegar outro ônibus. É bem demorado, mas é o modo mais econômico.
      Chegando no hostel, fui fazer meu jantar e descansar, afinal a caminhada foi boa: 3h na ida e 1h20 na volta + o trajeto de buso que desisti de contar o tempo.
      Portanto, se forem à Floripa coloquem esse destino na lista, não vão se arrepender!
      📌O que levar para esse passeio:
      Água: não há quiosques ou ambulantes pelo caminho (na alta temporada, talvez); Lanche; Protetor solar; Agasalho; Ao fazer a trilha pelo Matadeiro, sugiro estar com calça comprida para proteger as canelas da vegetação rústica que tem pelo caminho e não se machucar; Repelente; Câmera para fotos espetaculares; Disposição, muita disposição. Dia 3: Tour Área Norte: Santo Antonio de Lisboa, Jurerê Internacional, Fortaleza de São José da Ponta Grossa, Barra da Lagoa
      Por meio do app Couchsurfing troquei contato com uma pessoa que mora em Floripa e estava disponível para me levar para passear. Esse novo amigo me perguntou o que eu gostaria de conhecer e respondi que parte histórica das cidades é algo me encanta. Então, fomos eu e uma colega do hostel que estava sem programação. Colocamos gasosa no carro do amigo e fomos rodar por aí para conhecer um pouco do passado para entendermos o tempo presente. Esse foi o nosso roteiro:

      Foi muito produtivo!
      Breve resumo histórico:
      "Os primeiros habitantes da região de Florianópolis foram os índios tupis-guaranis. Praticavam a agricultura, mas tinham na pesca e coleta de moluscos as atividades básicas para sua subsistência. Os indícios de sua presença encontram-se nos sambaquis e sítios arqueológicos cujos registros mais antigos datam de 4.800 A.C. Já no início do século XVI, embarcações que demandavam à Bacia do Prata aportavam na Ilha de Santa Catarina para abastecerem-se de água e víveres. Entretanto, somente por volta de 1675 é que Francisco Dias Velho, junto com sua família e agregados, dá início a povoação da ilha com a fundação de Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis) - segundo núcleo de povoamento mais antigo do Estado, ainda fazendo parte da vila de Laguna - desempenhando importante papel político na colonização da região.                                                                                                                                          Em 1726, Nossa Senhora do Desterro é elevada a categoria de vila, a partir de seu desmembramento de Laguna. A ilha de Santa Catarina, por sua invejável posição estratégica como vanguarda dos domínios portugueses no Brasil meridional, passa a ser ocupada militarmente a partir de 1737, quando começam a ser erguidas as fortalezas necessárias à defesa do seu território. Esse fato resultou num importante passo na ocupação da ilha.
      Nesta época, meados do século XVIII, verifica-se a implantação das "armações" para pesca da baleia, em Armação da Piedade (Governador Celso Ramos) e Armação do Pântano do Sul (Florianópolis), cujo óleo era comercializado pela Coroa fora de Santa Catarina, não trazendo benefício econômico à região.
      No século XIX, Desterro foi elevada à categoria de cidade; tornou-se Capital da Província de Santa Catarina em 1823 e inaugurou um período de prosperidade, com o investimento de recursos federais. A modernização política e a organização de atividades culturais também se destacaram, marcando inclusive os preparativos para a recepção ao Imperador D. Pedro II (1845).
      Dentre os atrativos turísticos da capital salientam-se, além das magníficas praias, as localidades onde se instalaram as primeiras comunidades de imigrantes açorianos, como o Ribeirão da Ilha, a Lagoa da Conceição, Santo Antônio de Lisboa e o próprio centro histórico da cidade de Florianópolis."
      Fonte completa: http://www.pmf.sc.gov.br/entidades/turismo/index.php?cms=historia&menu=5&submenuid=571
      Santo Antonio de Lisboa: grande ocupação açoriana e portuguesa. Região que tem grande concentração de sambaquis que são vestígios indígenas.


      Igreja de Nossa Senhora das Necessidades: construção proximada em 1750.

      Considerada uma das mais belas expressões do barroco no sul do Brasil.
      Jurerê Internacional: a cara da riqueza com suas mansões estilo americanas. Casas sem muros e ruas largas. Muito chique.  

       
      Fortaleza de São José de Ponta Grossa (1740): Ao Norte da Ilha de Santa Catarina, entre as praias do Forte e Jurerê, ergue-se um dos mais belos monumentos catarinenses do século XVIII: a Fortaleza de São José da Ponta Grossa. Em conjunto com as Fortalezas de Santa Cruz de Anhatomirim e Santo Antônio de Ratones, formava o sistema triangular de defesa que deveria proteger a Barra Norte da Ilha contra investidas estrangeiras e consolidar a ocupação portuguesa no Sul do Brasil. (Fonte: http://www.fortalezas.ufsc.br/fortaleza-ponta-grossa/guia-fortaleza-de-sao-jose-da-ponta-grossa/)

       
      Fui muito bem recebida por um ser gracinha que estava no caminho😍

      Barra da Lagoa: O bairro da Barra da Lagoa está localizado na costa leste da Ilha de Santa Catarina, entre o Rio Vermelho e a Lagoa da Conceição. Distante cerca 19,8 km do centro de Florianópolis, a Barra da Lagoa é uma comunidade tradicional, que ainda mantém viva a raiz cultural açoriana e madeirense, como a pesca e a produção de trançados, a confecção da renda de bilro e de redes para a pesca artesanal. (Fonte: http://www.guiafloripa.com.br/cidade/bairros/barra-da-lagoa)
      Ruelas estreitas, vida simples e com um paz que muita gente procura. Ótimo lugar para caminhadas.

       

       
      Dia 4: Trilha da Galheta
      Florianópolis tem muitas trilhas para serem apreciadas. Escolhi essa porque me falaram que era muito bonita a vista e daria tranquilamente para eu fazer sozinha. Sai na caminhada da Lagoa da Conceição e fui até a Praia Mole. Chegando lá tem uma entradinha de terra sentido praia que disseram que era caminho para chegar na Galheta.

      No final dessa estradinha realmente vira praia e como era um dia de semana, no outono e tempo nublado não tinha quase ninguém só raros gatos pingados.

      Não deu praia, mas deu para fazer a caminhada com muita tranquilidade e relaxamento:

      Da praia mole até a Galheta há um paredão de pedras que a gente segue uma trilhazinha e é bem demarcada e esse lado é realmente muito bonito. No meio do caminho encontrei um rapaz que fazia sua caminhada de boas como eu e conversamos. Como ele  tb estava sozinho, eu disse que estava fazendo essa trilha da Galheta e queria sair na Barra da Lagoa, perguntei se ele tava afim de acompanhar e ele topou. Perguntamos a um local como fazíamos para subir a trilha pela mata e ele indicou uma faixinha de areia que passou desapercebida da gente e seguindo os conselhos do local deu tudo certo e tivemos essa vista:

      Tenho certeza que num dia ensolarado a cor da água deve ser sensacional.
      Infelizmente não há placas indicativas, mas depois que se entra na trilha é só seguir a demarcação no chão e seguir sempre em frente. No final saimos num bairro residencial e encontramos outro morador ilustre pelo caminho e não resisti, tirei uma fotinho:

      O final do nosso caminho nos levou até a Trilha Arqueológica também chamada de Trilha da Oração, é um santuário Arqueoastronômico. Nela encontra-se um conjunto de Monumentos Megalíticos, que são pedras que estão posicionadas de forma estratégica, que mostram exatamente quando ocorrem os fenômenos de solstício e equinócio, e também determinam a direção norte-sul.
      (Fontes: https://inspiralma.com/2017/10/11/trilha-arqueologica-fortaleza-da-barra/  https://arqueoastronomia.com.br/atividades)

      Infelizmente não pude conhecer esse lugar e estava rolando umas atividades muito boas e algumas gratuitas, mas como eu tinha caminhado uns 9km estava bem cansada e precisava almoçar em algum lugar. Deixo os links acima para quem tiver interesse nesse lado místico que eu achei sensacional e gostaria de me aprofundar, mas a natureza da fome foi mais forte.

      Tudo bem, mais um motivo para voltar para esse lugar incrível e como vocês podem ver, há muitas trilhas e caminhos para desbravar.
      Depois de comer algo, mais uns 3km desse local chegamos na Barra da Lagoa e é uma graça de simplicidade e beleza:

      Meu parceirinho de trilha precisava ir embora e eu estava cansada, mas aproveitando que eu já estava na Barra da Lagoa, fui conhecer uma trilha que leva para umas piscinas naturais Ela é bem curtinha e leva uns 30 minutos e é bem sinalizada. Reuni força, animo e vontade e fui.

      Valeu a pena!


      Depois de ver tudo o que gostaria, peguei um ônibus de volta para a Lagoa da Conceição. Jantei, estiquei as pernocas e vocês acham que fui dormir? Bem, era esse o plano original, mas quando você se hospeda em hostel, ainda mais naqueles que parece que você está em casa com seus melhores amigos, recebi o convite para um aniversário de uma moça que estava no mesmo quarto que eu numa balada mara em Floripa. Fizemos nosso esquenta no hostel e depois tocamos pra vibe! Já que temos espírito teen, ele baixou em mim e assim ficou...hehehe

      Pessoas sensacionais. E que noite!!!
      O dia seguinte era meu retorno a SP e pela primeira vez na trip me permiti dormir até a hora em que meu corpo quisesse. (Respeitando o horário do check out, é claro).
      Esses poucos dias foram lindos e intensos e conheci muita gente boa e especial pelo caminho. Muitas mulheres ficam com receio de sairem sozinhas por ai afora e posso dar a dica de ouro: SE JOGA!! Quando emanamos boas energias, boas pessoas e bons momentos serão atraídos até a gente. Não se limite a esperar cia, às vezes a sua agenda e de seus amigos podem não bater e você perde a oportunidade de fazer bons novos amigos pelo caminho.
      Ir para novos lugares é um prazer imenso e uma perfeita válvula de escape para mim, mas voltar para casa tb me alegra, e muito.

      Espero ter colaborado um pouco para o planejamento de algumas pessoas e mostrar que a Ilha da magia, mesmo em céu cinzento é linda e acolhedora.
      Qualquer dúvida que tiverem podem me perguntar que será um prazer ajudar. Tenho comigo a planilha de gastos dessa viagem, caso necessitem.

       
       
       
       
       
       
       
       
    • Por Fernando Alvares
      Olá pessoal! Fui pra Thailandia março passado, demorei um pouco pra escrever esse roteiro por que estava criando coragem... já que eu acho que vai ficar bem grande, mas eu vou tentar resumir ao máximo ok! 
       
      Primeiro, comecei a pesquisar passagens desde Setembro de 2017 pra viajar em Março de 2018 (Uma das partes mais chatas da viajem já que você fica tetando sempre escolher o vôo mais barato, tentando mudar hora do vôo, data, dia... já que é uma das partes mais caras da viajem né... no final depois de meses e meses comprarmos uma passagem por 3.600 reais no Submarino Viagens, tinha passagem de quase 5000 reais na época, foi o melhor preço que achamos. E com a vantagem de ter conexçoes longas em Frankfurt (8 hrs) e em Xangai (13 horas) eu sempre prefiro quando voo pra fora pegar a conexcão maior que tiver... assim não corre o risco de perder o voo seguinte por causa de atraso... e ainda deu pra conhecer dois paises heheh! Esse foi o trajeto:

      Beleza, como eu moro em São Luis e o voo era de Sp, peguei um de quinta pra sexta, cheguei 9 da manha em Sp e esperei no aeroporto até as 7 da noite pra pegar o voo pela Lufthansa..

       Rapaz o que foi esse vôo? Meia hora depois em embarcar já estavam servindo comida....e muito boa por sinal....Ae pensei beleza, agora vamos dormir..... que nada síô! 1 hora depois veio um lanche com vinhos e queijos... beleza... vou dormir agora... que nada rapa! 2 horas depois veio mais um lanche.....engraçado que a aeromoça da Lufthansa era portuguesa,  nos tratou super bem.... agora era hora de dormir por 11 horas até chegar em Frankfurt.... que nada rapa!!! Ainda trouxeram um chocolate Kitkat gigante! pela foto parece pequeno mas era grande... 

      ! Esse pessoal deve ta querendo deixar a gente de bucho pesado pra poder todo mundo dormir a viagem toda e não dar trabalho pra eles só pode... ok chegamos em Frankfurt 10 da manhã e sairíamos umas 8 da noite, claro que a gente não ia ficar no aeroporto esse tempo todo... fomos procurar a imigração pra pegar o visto temporário pra pegarmos o metro.. Oha eu tava achando que os alemâns com toda aquela historia de guerra e tal seriam um povo rude, mas muito pelo contrário, foram bem simpáticos.... sair do aeroporto pra pegar o metrô foi muito fácil... você procura a imigração, depois vai sair em uns totens eletrônicos onde digitaliza o passaporte, tira foto, fala o motivo da viagem (tudo muito fácil pra quem sabe inglês) e depois vai no guichê da alfandega pro guarda conferir tudinho e é liberado...  Depois descemos as escadas e fomo pegar o metrô, a máquina não queria ler os Euros que a gente trocou no aeroporto, então tive que usar meu cartão internacional pela primeira vez...tsc...  Como estávamos em grupo e ainda achamos mais brasileiros no trecho, compramos o que da direito ha 4 pessoas ida e volta..  Chegamos na praça em 20 minutos, saímos, fomos em um shopping só pra ver umas coisinhas.... tiramos algumas fotos, visitamos uns prédios históricos e a ponte que liga as cidades lá..  Não vou detalhar como ir do aero pra praça, na net você acha um monte de site explicando se não vai ficar imenso mesmo o texto... Como eu estava solteiro na época nem precisei levar meu cadeado pra por na ponte uhuhhu! 
       

       
      Ok, Frankfurt visitada! Chek! Comprar lembrancinhas e voltar pro aero pra ir pra Xangai!
      Quanta diferença do voo Alemão pro Chinês... Claro que eu fui pedir o café da manha chinês para experimentar... Olha só comi por que tava curioso mesmo...mas o negócio é tendo viu?  O br do meu lado entrou em desespero quando viu... pediu pra eu não comer huaauha... mas eu queria ter a experiencia autêntica...então engoli... (graças que não passei mal depois) uhahua... 

       
      Tirando isso eu fui tirar sarro com as aeromoças... fui procurar me distrair pedindo pra me ensinarem a falar algumas palavras em chinês.... engraçado que eles tentavam e caiam na gargalhada quando eu tentava falar...mas juntou uns 5 chineses tudo perto de min ...devia ter tirado uma selfie com eles...foi um momento engraçado.... no mais achei eles muito divertidos e educados uhahua.
      Chegamos no aero de Xangai... um dos lugares mais tensos da viagem, por causa da burocracia tanto pra entrar quanto pra sair do aeroporto.. (Quem for fazer rota passando pela china eu recomendo pegar o voo com uma escala realmente grande entre os voos... por que além do formulário que você preenche no avião (Devia ter tirado foto mas como é uma aréa que não pode usar celular não quis na hora...mas depois usei e foi de boas) tem outro no guichê do aeroporto...e  não tem caneta não viu? levem suas canetas!!!  
      Ok 13 horas na China...hora do Stopover.... bem antes disso fomos pegar o visto chines de 72 horas... bem tranquilo...a gente não precisou nem falar quase nada nem em inglês... o guarda lá só pediu nosso itinerário de passagem, conferiu e aprovou o visto... coisa de 10 minutos... então hora de pegar o Magleve (trem bala que 'flutua"), rapaz... vc nem sente o bicho andar...e é rápido... no dia tava a 385km/h mas já chegou há 400... 

       
      Ok finalmente Xangai e comer algo sem ser comida de avião.... Claro que o menu era todo em chinês....e tudo comida apimentada... pra quem não entende tem um gráfico com fotos de pimenta (um icone na verdade) que pode variar do 1 ao 5... eu ia pedir com 2 de pimenta...mas alguém da mesa me atrapalhou e não vi que mudei o pedido....e  veio um prato com grau 5 de pimenta.. ☠️ mas eu já tinha pago né.... era uma colherada, uma enxuga testa suada... uma colherada uma enxuga testa suada... 

       
      Alías bem onde a gente foi tinha a loja da Disney de Xangai... quem for fan deles vai gostar.... crianças vão pirar...

       
      Beleza vou ter que sair agora mas continuarei ...ainda tem muita coisa pra falar....;P
      Ok! Depois de 3 dias de viajem.... 3 dias sem tomar banho... , dormindo todo desconjuntado...  com inveja do pessoal da primeira classe...(Acho que vou morrer e nunca voar de primeira classe ;(  ) chegamos na Tailandiaaaaa!!!
      Corre pra comprar um chip de internet.... no aero embaxo no 1º piso tem um monte de vendas de chips... compramos na True alguma coisa... não lembro o nome direito...devia ser True Internet...8g por 56 reais....era um stand todo vermelho. ..ok instalar Uber e Grab (Um "Uber' da Asia") e vamos chamar o motorista......como era 3 da manh não teve muito trânsito pra chegar no hostel,, o que foi bom já que estavamos cansados... chegou o carrono andar de baixo e a gente no andar de cima perdidinhos...depois de procura de lá, procura de ka achamos o motorista....e lá fui eu entrar pela porta direita esquecendo que o volante era desse lado... 
      Alias aqui vai uma foto (Eu tenti por video, mas não acertei  video com exemplos de comida de lá que você acha na 7 Eleven...(Tem em todo canto, em todo lugar)... 50 bht...5 reais praticamente...

       
      Certo....primeiro templo pra visitar....e um calor tao grande que eu não tive coragem de sair de calça do hostel.... resultado comprei uma na praça em frente (tem um monte de vendedor) por 10 reais.....ok entra em fila...gente pra caramba...chines pra caramba...mas nao assim, como em um show que você anda tronbando nas pessoas....mas mesmo assim cheio... e tira foto com Buda (Buda tem de dar a pau lá...deve ter mais estatua de buda do que mosquitos..) .hahaha alías falando em mosquito eu nem usei nenhum repelente.... nem quando fui pra selva pro santuário dos elefantes... certo...termina de visitar o templo e vai pra praça ver algo pra comer.... quando de repente.... poof!! lembra do calor de lascar? pois não é que a mulher do meu lado desmaiou? Corre, junta gente em cima, deixa ela respirar, pega água...chama tuc tuc e manda pro hospital..  o calor é brabo mesmo nessa época do ano.  (Março 2018)...

      Eu vestido com a "calça' que comprei... tecido bem leve....é até legal de comprar pra dar de lembrança pra alguém...
      Certo... e lá fui eu comprar um sorvete de Durian (Pense em uma fruta fedida e cara) pra provar o sorvete já que não tinha coragem de comer a fruta in naruta (Tem cheiro de corpo em decomposição) mas até que o sabor não era tão ruim não...
      Há lembrei!  Esqueci de comentar que na saidas do aero deixamos nossas malas e mochilas nos aeroportos mesmo...você paga uma pequena taxa pra deixar lá e ir visitar a cidade... se não me engano na Alemanha foi 8 euros...e em Xangai 25 Yenes... e quando a gente foi pro local dessa torre em Xangai: 

      Nos tivemos que pegar metro além do trem bala... pra chegar foi fácil...mas pra voltar complicou...a gente ão sabia nem como comprar nem como como marcar o trajeto que queríamos pra voltar pro aeroporto (ja que lá você comprar a passagem pela distancia percorrida...) e eu comecei a ficar preocupado que todo chines que eu abordava pra ver se ajudava não falava nada de inglês... a nossa sorte foi que acabei achando uma brasileira que tava fazendo intercambio lá no meio daquele povo todo e assim consegui pedir pra ela comprar as passagens pra gente...ufa..
      Ok depois eu continuarei...P
      Aff escrevi um monte e não salvou....tsc...outro dia continuo então... me desanimei hoje...
      Ok deixa eu ver onde eu parei.... acho que foi na chegada em BKK... Ok! Chegamos praticamnete 3 da matina e fomos comprar nosso chip de internet que se não me engano foi 60  reais (600 tailandeses)  por 20 dias de Net com 8gb disponível....o que deu bem pra suprir os 15 dias lá...e olha que ainda sobraram quase 2gb.... e o mais incrivel era que no meio do oceano lá nos barcos a internet pegava que era uma beleza... alias pegava em qualquer lugar lá...o quiosque da net era um vermelho chamado True Net se bem me lembro. Ok chama Uber se toca pro Hostel... como foi de noite o trânsito tava vazio... mas se você for chegar de dia lá prepare-se pra pegar um longo engarrafamento até seu hostel/hotel...  Melhor pegar o metrô que fica dentro do aeroporto e tentar ir ao máximo perto de onde vais ficar e depois pegar o Uber ou Grab (Que é o Uber asiatico, tudo pode ser baixado pelas stores da net).
      Ok! Primeiro dia em Bkk... acordamos, pomos o pé pra fora do nosso maravilhoso quarto com ar condicionado e fritamos literalmente..... nessa época não é quente lá não, o capeta deve sair de viagem de lá pra poder pegar um friozinho em algum lugar.... melhor ter um boné, chapéu, até guarda chuva pra proteger do sol viu? Tava tão fresco que logo no 1º dia lá uma turista do nosso lado desmaiou...e corre e chama Tuk Tuk pra levar ela pro hospital, coitada.
      Ok, lá fomos nós visitar o Templo Esmeralda, O templo do Amanhecer e mais um lá que esqueci o nome...  praticamente pra você visitar os templos da pra ir andando, só tem que atravessar o rio pra poder ver o do Amanhecer... que custou miserios 20 centavos de Bath... mas vá cedo por que esse fecha cedo...  Alias templos é o que você mais vai ver lá, tem os famosos e tem uns pequenos mas também bonitos em praticamente todo lugar da Tailandia... tanto templo que eu nem tava fazendo muita questão mais de visitar eles.... (O principal que eu queria fazer nessa viagem era mergulho e visitar o templo dos elefantes).
      Há sim, se você não for de calça pra visitar os templos pode comprar uma calça que eles vendem lá por 10 reais (100 Bath) tem um monte de vendedor na praça em frente ao templo vendendo várias... é até legal de trazer da viagem como lembrança para você ou amigos, pena que eu só me toquei disso depois e comprei só uma mesmo.... tipo essa da foto embaixo:

       
      Outra coisa, lembrem de beber só água de garrafa ok? Isso você pode comprar nas 7 Eleven da vida lá que tem em todas as esquinas de lá praticamente... 
      Falando em água e comida eu levei 1200 USD pra passar esses 18 dias lá.... mas eu me lasquei um pouco no fim da viagem por que tive que pagar um hotel em Kho Pipi que achava que já tinha pago os dias todos mas faltava 1 diária... e lá as coisa são meio caras.... então tive que entrar no cartão internacional... uiiii... mas tudo bem, tinha dia que eu nem almoçava pra poder economizar... voltei 2.5 kilos mais magro dessa viagem uhahuauha! Bom que tirei o bucho (Mas depois recuperei tudo no Brasil já que fui direto pra uma churrascaria rodizio quando voltei...) kkkk!
      Certo e de noite o que fazer? Khaon San Road né...  onde você pode ver vários tipos de comida..(Lógico que comi escorpião e não desses pequenos, o médio...  o gosto não é ruim confesso, me lembrou o camarão... o ruim são as garras que ele usa pra se defender que são duras pacas. tentei comer mas tava quase quebrando os dentes então cuspi fora...) e graças que não senti nada... alias pesquisando eu nunca li ou ouvi ninguém falar que passou mal por ter comido escorpião de lá...  também tem massagens (claro) lugares pra comprar roupas, bares pra beber com show ao vivo....  o mais interessante mesmo são as comidas....  Agora se você for sensível vai ficar enjoado é com o cheiro da comida de lá... não tenho como descrever mas seria enjoativo e nauseante.. (Bem acho que são as mesmas coisas essas palavras..) Bom tem Mac Donalds lá, mas viajar pra Tai pra comer em Mac?? Namm! 
      Uma das primeiras comidas que comi lá, lula na brasa com pimenta (Pimenta Everwhere, então cuidado):

      Pior que esse negocio parece um pinto huauhauha.
       E aqui a foto do preço de alguns tipos de massagem que vocês podem encontrar lá:

      Confesso que eu cometi o pecado de não fazer nenhuma massagem nessa viagem.... acho besteira gastar dinheiro com isso, preferi gastar com comida... vai de cada um e suas prioridades... mas dizem que é muiiiiiito bom a massagem tai. 
      Quanto a questão de segurança lá... a gente ia andando do hostel pra Khaon San de madrugada de boas.... 2 horas da manhã por ae e tudo tranquilo.. . só teve um começo de briga la pro meio da madrugada mesmo mas acredito que foi efeito da cerveja em uns americanos malucos que estavam por lá.... 
      No último dia fomos pro shopping MKB Center... se tiveres que comprar alguma Go Pró ou câmera pra viagem, deixe pra comprar aqui... um amigo meu comprou uma por 1000 reais de diferença em relação ao brasil.... também comprei meu PS Vr por 1400 mas esse não achei um preço tão diferente se bem que olhando agora na Saraiva por exemplo ele ta 1.800... No MBK você encontra de tudo, desde coisa caras como Ouro e lojas de produtos caros até câmelo tudo no mesmo lugar...e é enorme o prédio... 4 andares praticamente... tem que reservar 1 dia inteiro pra tentar conhecer tudo se a sua vontade for de torrar dinheiro lá...
      Tambêm fomos no Siroco (Aquele prédio onde foi gravado o filme "Se beber não case)..  tranquilo pra entrar, mas tem que ir bem arrumado... preços claro que são mais caros.... vale pela vista panorâmica da cidade... mas fora isso não achei nada demais...  meio espirito é meio largadão, me sinto desconfortável em lugares xiques demais...)
      Certo, hora de ir pra Ayutthaya conhecer as 7 cachoeiras dos 7 niveis de dificuldade pra subir até a última..  Espera estou pulando partes.. como fomos de Bkk pra lá? Iamos de trem mas chegamos atrasado na estação e perdemos o dito cujo...  a gente foi pra estação errada.... a sorte é que como estávamos em grupo conseguimos uma van pra levar a gente e compartilhando o preço não saiu caro pra ninguém... 
      Ok chegamos no hostel depois de quase 1 horinha de viagem.... sem ver 1 buraco no asfalto.. (eta Brasil) e já que estávamos no interior qual seria o jeito mais econômico pra se locomover pela cidade? alugar motinhas claro (Se bem que eu fiquei com o cú na mão, já que fazia mais de 20 anos que eu não andava de moto, e cair e se quebrar na Tailandia? mas se todos os outros iam pegar eu não podia amarelar...)  
      Pra alugar as motos é muito fácil, você pede pro gerente do hostel ligar e eles te levam elas no horário combinado... só vão pegar alguns dados com você e um calção que pode variar de 2000 há 3000 bath depende...  e são aquelas faceis sem marcha... só acelerar e frear.. (Mas tem grande de marcha se você souber pilotar) aqui vai uma foto com o preço do aluguel da moto em vermelho... e são alugadas por 24 horas:

      Certo.. motos alugadas... cú não mão...e sair pras cachoeirias.... que ficavam há 60km de distancia (40 minutos praticamente) indo pela estadual... graças que o trânsito no interior não é tão ruim como na cidade.... pense em um rapaz duro e tenso pilotando a moto... uhahuau) chegando lá paguei 30 bath pra poder ir nas cachoeiras... que são divididas em 7 levels... se você conseguir chegar na última parabéns ;P  há sim não fique com medo dos peixes que tem lá... eles são o mesmo que são usados pra fazer massagem nos pés em aquários em shoppings..  a diferença que lá eles são adultos, então pode incomodar um pouquinho a bocada deles nos seus pé... mas nada que tire pedaços.. (Mas as meninas pegaram um susto e saíram correndo da água uhahuahu)
      Lá também da pra ir visitar a Ponte do Rio Kwai se você for um curioso sobre guerras que nem eu... a ponte já é toda moderna, mas visitar ela pra quem curte historia de guerra é legal.

      Tem um filme bem antigo sobre a historia dessa ponte,  um clássico de 1957:

      Que diferença hein? ;.P
      Continua....
      Beleza .. em Ayutthaya você pode visitar também o Buda deitado (Buda do street Fighter) no dia que eu fui tinha um guarda mala lá que não tava deixando fazer poses dos lutadores do Street Fighter.. tsc... mas tem amigos que fizeram sem problema nenhum....
      Pra visitar os templo lá são um pouco mais distantes do que na cidade lógico... então a gente encontrou uma senhora em uma Kombi e fomos lá perguntar quanto ela fazia pra nos levar para visitar os principais templos.... acabou saindo 250 bath pra cada que no total foram 1000 bath... 25 reais pra cada... acho que foi um bom preço. 
      Certo... lembrei, até agora comendo de boas a comida da tailandia.... bem pra dizer a verdade comia de dia e ia pro banheiro de madrugada e isso foi só por causa da pimenta que não estava acostumado e foram só umas  3 vezes na viagem....  (Pior foi uma amiga que comeu um hambúrguer e  acho que o ovo não tava legal e ela for parar no hospital mesmo coitada.... acabou perdendo nosso dia de mergulho por causa disso...)
      Hora de ir de Ayutthaya para Chiang Mai! Fui de trem de primeira classe comprando os tickets com 3 meses de antecedencia pelo site http://www.thailandtrainticket.com/ (Na net tem sites explicando o passo a passo, posso adiantar que não é nada complicado) e você pode escolher pegar o ticket lá no escritório deles ou pagar 10 reais para deixaram no hostel... (O que eu fiz e foi de boas) .
      Agora confesso que se soubesse como era a 1º classe tinha pedido pra ir de segunda...  por que meu espirito aventureiro ficou triste com essa decisão quando cheguei lá.... ok você vai em uma cabine perfeita com ar condicionado e privacidade, mas a segunda classe era bem mais animada e as pessoas ficavam tipo no corredor de frente para as outras em seus beliches conversando, eu adoro poder bater papo com pessoas de outras nacionalidades ou apenas observar mesmo... o que não da pra fazer na primeira classe...  bem agora já foi....  Ha sim a viagem foi noturna o que nos economizou 1 dia de hospedagem.... 
      Na primeira classe tem banheiro separado onde dá até pra tomar banho, da até pra saber se o banheiro ta ocupado de dentro da sua cabine, como podem ver pela foto abaixo tem alguém no cagador:

      Também da pra pedir e escolher comida por essa tela... mas como as coisa são um pouco mais caras e já tínhamos lanchado na 7 eleven nem testei o sserviço..
      Um das estações que o trem para antes de Chiang... bem bonitinha a estação por sinal..

      Se você estiver na dúvida sobre o trem, do lado de fora dele tem um letreiro eletrônico:

       
      Ok, o principal passeio de Chiang Mai era ir em algum santuário de elefantes... depois de muito pesquisar e ler relatos,  resolvemos ir no https://elephantjunglesanctuary.com/..  Li sobre toda a historia de apoiar ou não um passeio desses, que os elefantes podia ser mal tratados e tudo mais....  pelo que eu percebi eles não são mal tratados... mas também hoje em dia com o homem avançando desenfreadamente contra a natureza eu acho que seria pior pros elefantes não terem esse suporte que eles tem nos santuaríos... pelo menos a comida de todo dia deles está garantida...  não sei, vai de cada um isso.
      Ok tickes comprados no Brasil e só esperar passar o povo pra pegar a gente e levar pro parque...  agora vou lhe contar uma coisa, se você passa mal indo atrás das vans quando o trajeto é cheio de curvas se prepare! Por que o trajeto até lá é subindo uma serra cheia de curvas mesmo...  o lance é tentar controlar a respiração e olhar pro horizonte até lá... 
      Certo chegamos no parque, pegamos nossas roupas do parque que dão lá pra quem faz o passeio (No caso foi de 1 dia e meio) praticamente no meio da selva..e sem mosquito nenhum pra encher o saco) e tivemos nossa aula introdutória sobre o parque e elefantes... e depois eles nos dão pedaços de cana de açucar e banana pra gente dar pros bichos comerem...
      Na foto abaixo o gordinho procurando as bananas e eu escondendo de sacana hahahah:

      Eu com minha camisa sexy que dão no parque (também deram pra gente novas no final do passeio, mas eu acho que tava incluído no pacote que compramos, só tinha esquecido esse detalhe...)
      As atividades foram... dar comida pra eles, dar um banho de lama (Se bem que isso eu não fiz certo por que eu comecei foi uma guerra de bola de lama contra as outras pessoas uhauhauha) depois levar eles pro rio pra tirar toda a lama acumulada e mais algumas fotos... também apreendemos a fazer um tipo de bola de comida pra elefantes... que eles tem poem pra socar a comida deles com o pé em uma alavanca ... você sai morto de cansado depois uhahua)..

      Olha o moedor ae em ciima...
      Ok depois voltamos pra cidade grande.. se é que pode se dizer que é cidade grande... e no outro dia a policia me pegou.  calma que eu não tava fazendo nada de tão criminoso assim, só caímos em uma blitz com as motinhas.... e como estávamos sem habilitação morrermos em uma multa de 500 bath...(50 reais por pessoa) duas coisas foram engraçadas nessa situação... eu parei a moto antes da blitz e a talandesa lá do restaurante  disse pra eu sair correndo com ela na contra mão de volta...  claro que não fiz isso... a segunda é que você paga a multa e depois eles te liberam pra andar com a moto, mesmo sem carteira....  só tem que ficar com o documento que eles te dão... inclusive te permite pilotar por 3 dias e se te pararem em outra blitz nesse tempo é só mostrar o documento:

      Não da pra entender bulhufas uhahuauha!
      Como não roubar seu carro em estilo tailandês:

      Ok mais templo, hora de ir pra Krabi.. que é Crab que é Caranguejo... Nossos trajetos de longa distancia voamos tudo pelas Low Cost asiaticas..... achei que seria mais barato do que pensei que ia achar o preço, mas também não foi nada tão caro... o problema era aquele medo de ter que pagar taxa por bagagem que na Asias as vezes sai mais caro do que a propria passagem... pra vocês terem uma idéia eu estava assim:
      Uma mochila mais o saco do PS VR que eu fui burro de comprar no começa da viagem e tive que carregar ele a viagem inteira praticamente.... não cometam esse erro.. 

      Em Krabi não tem muito o que fazer realmente... mas tem aquele templo que tem as duas cabeças de dragão em uma escadaria enorme.... que você pode ir de motinha subindo a serra com o cú na mão de novo huahuahua... pense em um cara tenso pilotando,, pior que pra subir a pista é larga, mas pra descer ela é mais estreita.... então os carros passam pertinho de você e não tem acostamento... tem um vão de onde desce a água da chuva.... só rezei até chegar lá embaixo kkkkk!
      Em Krabi da pra comprar um tênis nike oficial por 38 reais:

      Sqñ! hauhahua... olha que ese tal de jack é mais caro que o Nike...
      Continua....
      Bem continuando...Ok quase chegando ao final já... depois de Chiang fomos para Kho Pipi visitar as famosas praias da Tailândia... (O governo tailandês fechou o acesso a Maia Bay se não me engano.. o turismo estava alto demais lá e acabando com o ecossistema da natureza... parece que vão fechar por 3 ou 6 meses então veja antes de resolver ir pra lá..) se você gosta de loucuras tipo aquelas festas onde tem malabarismo com fogo, um monte de gente bebada e várias casas de show uma do lado da outra tocando o som mais alto que tiver pra atrair clientes você vai adorar a algazarra... se não ainda pode fazer mergulho com o Rodrigo (Brasileiro que tem empresa lá).
      Uma das coisa engraçadas ta Tailandia.... os chineses que lá visitam não é raro pedirem pra tirar fotos com você... selfie mesmo... ainda mais se você tiver barba... se for negro então ae que é festa.... eles adoram tirar foto auhahua.... no fim da viagem pra me vingar eu quando via um monte de chineses tirando foto eu ia lá pro meio deles e entrava de gaiato mesmo nas fotos deles uhahuahua... eles até gostavam.. ;P
      Em Kho Pipi também fiz minha primeita Tattoo na vida... em Bambu... acho que não dava pra ir até lá e voltar sem uma... não fiz com os monges, fiz em uma casa especializada mesmo na praia de K.pipi.. (Alias tem um monte de casa de tattoo lá...  doeu um pouco quando o cara sem empolgava e pensava que sua pele era um pano onde podia dar várias agulhadas rápidas de uma vez... mas foi menos dolorido do que arrancar um dente por exemplo ;P  Não tive nenhuma reação alérgica nem nada...   inclusive fiz exames laboratórias mês passado e tá tudo sossegado...  

       
      Face deles: https://pt-br.facebook.com/profundivers/
      Sobre a experiência de mergulhar.... confesso que estava meio receoso... por tinha ouvido relatos de uma mulher que se apavorou em um mergulho e quase morreu afogada no grupo de wats que eu estava participando antes de viajar. .. o tubo saiu da boda da dita cuja e ela não soube por de volta e deu esse problema todo...  meu medo também era esse...  me apavorar e acontecer a mesma coisa...
      Só que na verdade era um medo sem saber das medidas de segurança antes de mergulhar... o seu instrutor vai lhe passar todos os macetes do que pode acontecer dentro da água... como desembaçar a mascara... como recuperar o bocal de ar se ele sair do lugar... como fazer pra água sair de dentro do bocal se entrar água dentro dele... você vê que é tudo muito fácil,. só achava que era um monstro de 7 cabeças por que não conhecia essas medidas antes... mas foi uma das coisas mais legais que já fiz na vida, se quiser ir, não perca a chance!!!
      Pra não dizer que foi tudo as 1000 maravilhas só teve um momento que eu não consegui equalizar a pressão do ouvido direito... conseguia do esquerdo mas nada do direito...  foi coisa de inexperiência mesmo... depois de uns 10 minutos passou...
      Dependendo da época do ano você vai ver várias espécies de peixes... eu vi algumas bem legais... pena que não vi tartarugas... mas alguns tubarões também..  esses que comem plânctons... então não se preocupe de ser mordido.

       
      Dicas finais... na volta não conseguimos fazer o chekin de Xangai antes de sair da Tailândia... .. pedem hoje em dia 3 horas de antecedencia para voos internacionais certo...   então chegamos com 1:30 certos no cronograma mas pense em um sufoco... imagine sair do avião e dar de cara com o aero mais lotado do mundo que você já viu até hoje na sua vida...  tivemos literalmente que correr pra fazer o chekin... sorte nossa que uma das pessoas que trabalha na empresa pôs um guichê só para o nosso voo, mas mesmo assim lembram no começo o lance te ter que ter uma caneta pra escrever os dados no papel e entregar pra eles? Agora imagine isso em uma fila com um voo internacional com mais de 300 pessoas na fila com dois guichês funcionando somente? A nossa sorte foi que um cara da fila saiu e foi lá chamar uns guardas pra ocupar os outros guichês e fazer a fila andar....  depois disso ainda tivemos que correr pra passar as malas no raio x de todos...  e sem falar que ainda barraram uma amiga minha por que quando ela veio na foto dela estava com a orelha coberta pelo cabelo........e quando voltou estava com a orelha descoberta...  além de ter que achar as malas em uma infinidade de esteiras...  esse foi o maior sufoco da viagem.
      Considerações finais, o povo tailandês é muito sorridente e eles sempre vão tentar lhe ajudar se precisarem.
      A comida pode ser um desafio para quem é sensível a cheiros e temperos mais fortes, tome cuidado.
      Falando em comida lá é coisa barata de se encontrar... se for comer na rua tente escolher o lugar com o aspecto mais limpo, ou mais cheio...  
      Respeite a cultura deles e os templos e nunca fale mal da realeza.
      Bom acho que é isso...se eu lembrar de mais alguma coisa eu volto a editar aqui, boa viajem a todos.

      Há ia esquecendo... em todas as prais tem placas indicando pra onde correr em caso de Tsunami... então já sabe pra onde correr:

       
      Bem agora me vou..  espero ter ajudado! Boa Viagem povo!
      Há lembrei, se você for fazer o mergulho, pelo mor de Deus, esvazie sua bexiga antes de mergulhar.... aquele mundaréu de água vai deixar sua bexiga explodindo, e a roupa de mergulho é tão apertada que não da pra você fazer xixi nela nem se quisesse.  Também não esqueça o protetor solar nas praias ok?  
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