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Libertador

Estados Unidos - Loucuras de um imigrante sem dinheiro

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No inicio do ano passado, exatamente no mês de Janeiro de 2016, eu decidi viajar para morar nos Estados Unidos da América.

 

Conforme já havia relatado nesse tópico:

http://legadorealista.com/forum/showthread.php?tid=349&pid=15093#pid15093

 

Vou contar o que aconteceu: Muitos falaram que foi corajoso da minha parte fazer isto com pouco dinheiro, afinal eu fui com apenas 550 dólares, mas talvez tenha sido mais loucura do que coragem. E por isso o nome das minhas sagas serão: Loucuras do Libertador. Vamos começar então!

 

 

[align=center]Loucuras do Libertador - Saga Estados Unidos da América[/align]

 

 

[align=center]travelling-solo-1000x600.jpg[/align]

 

 

Comprei uma passagem para os Estados Unidos em uma promoção, me custou 1800 reais a ida e a volta, e tive que fazer uma escala em São Paulo e outra na Cidade do México, e somente depois dessas escalas que eu finalmente cheguei na cidade de Orlando no estado da Flórida. Passei pelos fiscais da imigração, que aliás, são bem rígidos. Mas deu tudo certo e pisei em território americano e sai do aeroporto com as malas, pensando por onde eu começaria a minha Saga.

 

Quando cheguei na Florida, por não conhecer ninguém, e não possuir nenhum contato, pesquisei uma igreja adventista de brasileiros, que pudesse me fornecer alguma ajuda, fui em um culto de sábado e conversei com as pessoas que lá conheci. Expliquei que havia acabado de chegar, não conhecia ninguém, procurava um lugar para alugar e um emprego.

 

Conseguiram um quarto no apartamento de um ex-pastor de uma igreja Assembleia de Deus que era brasileiro. O que eu achei bom, afinal, eu sabia falar bem pouco inglês. O cara queria o aluguel adiantado no valor de 550 dólares. Conversei que eu não tinha como fazer isso, até porque, eu não tinha mais todo o dinheiro, utilizei uma parte com transporte e comida. E ele acabou aceitando que no final dos 30 dias eu pagasse o mês passado e o mês seguinte adiantado com o dinheiro do emprego que eu arrumasse, totalizando 1100 dólares.

 

Para ir até a casa em que eu iria alugar, eu pesquiso na net o endereço, pego um ônibus com as malas e desço em uma parada que achei ser a certa, mas descubro que estou perdido. Não sabia como ia fazer para achar o lugar, o meu celular não tinha internet, afinal, o meu chip era do Brasil e não funciona 3g de operadora brasileira lá, eu não sabia nem onde eu estava e muito menos como ia conseguir pedir ajuda em inglês. Por sorte, olhando ao redor vejo uma bandeira do Brasil em um bar.

 

Fui pra lá com as malas e perguntei para um grupo sentado nas cadeiras se eram brasileiros e eles eram. Que bom! Expliquei a situação, o grupo foi muito solidário, um deles falou que se eu esperasse mais uns 15 minutos, ele me dava uma carona até o endereço, porque não era perto, ainda mais para ir com as malas. Fiquei lá, troquei uma ideia, até me pagaram uma bebida e me passaram um lista com os telefones de uns 20 empregadores de construção civil. E acabei pegando varias dicas de como viver por aqui. Descobri que alguns deles também saíram do Brasil sozinhos para tentar vida aqui no capitalismo opressor. Mas todos foram com uma quantidade de dinheiro decente, algo em média de 5 mil a 10 mil dólares. Eles foram muito solidários.

 

Cheguei na casa do ex-pastor, que estava preocupado com a minha demora, me instalei e na manhã seguinte bem cedo, pesquisei na net do celular e achei um outlet imenso que tem um movimento intenso de turistas, que ficava de 50 a 60 minutos a pé de onde eu morava, sai cedo e fui procurar um emprego lá nos kiosks, aquelas banquinhas no meio dos corredores que vendem de tudo, pois fiquei sabendo que lá eles só contratam ilegais e não pedem documento nenhum.

 

Cheguei lá e conversei com os vendedores brasileiros dos kiosks e os vendedores que falavam espanhol. Porque eu não conseguia entender nada em inglês, eles falavam rápido demais e difícil demais por meu nível de inglês. Mas a maioria dos vendedores falavam em português e espanhol. Fui em todos os kiosks que consegui e não obtive sucesso em nenhum.

 

Fiquei preocupado, pois se não conseguisse nada aqui, talvez teria que ir para a construção civil, lá a coisa era bem pesada, o rapaz me contou que na primeira semana o amigo dele arrebentou a mão e levou 50 pontos, e ainda pagou caro pela operação, visto que nessas horas os seus empregadores ilegais somem e eu só tinha 500 dólares neste momento, não podia desperdiçar nenhum centavo, pois poderia fazer falta em breve. Além do pessoal da igreja que também mostraram algumas cicatrizes e contaram que muitos caras grandes metidos a fortões não aguentavam nem duas semanas no Bricks, que é como eles chamam construção civil lá.

 

Como eu sou magro e desprovido de uma estrutura muscular para suportar muito peso, eu decidi, depois de ouvir essas histórias, que só iria para um lugar desses em último caso. Eu ainda não sabia, mas eu acabaria tendo que trabalhar na construção civil para não ser despejado da casa.

 

Até que em um dos últimos kiosks que eu fui, quando já estava pensando em ir embora, conversei com um brasileiro que disse que o chefe dele, que era um judeu, estava lá naquele instante, então ele me levou de volta em um dos kiosks que eu tinha ido antes, me apresentou para o dono e agiu como tradutor da minha primeira entrevista de emprego na América. O dono não estava disposto a contratar ninguém naquela hora, mas quando o cara explicou que eu era farmacêutico no Brasil, eu entendia de medicamentos, ele se interessou mais, pois isso tinha relação com a linha de produtos que ele vendida, então ele aceitou fazer um teste rápido comigo.

 

O emprego era para trabalhar como vendedor, mas não era uma venda simples, era um tipo de venda bem agressiva, na qual você precisa parar o cliente que está caminhando e que não quer ser parado, apresentar um produto que ele não quer ver, gerar o interesse nele e ainda vender o produto antes que ele mude de ideia. Ninguém vai no Outlet para comprar coisas nas barraquinhas no meio do corredor, eles querem gastar nas lojas de marca e famosas que tem lá, então você tinha que empurrar coisas para os clientes e forçar eles a parar de algum jeito, era um trabalho bem invasivo.

 

Ele me deu um speech, um texto básico pré-definido sobre o que falar para parar os clientes, me disse para me preparar o tempo que precisasse, depois voltar e tentar vender, se ele gostasse do meu desempenho me contrataria. Rápido e prático o método de avaliação dele.

 

Sentei em um banco, li algumas vezes, orei pra Deus me ajudar e voltei uns 30 minutos depois, tentei ir logo fazer o teste antes que ele fosse embora, porque o vendedor brasileiro falou que era difícil ele aparecer pessoalmente por lá e ele não ficava muito tempo. E assim, sem mais, lá estava eu, tentando parar as pessoas que passavam pra empurrar produtos, até que consegui parar duas pessoas brasileiras e fiz de tudo para empurrar o produto para elas, não me explicaram nada sobre como o produto funcionava, inventei tudo na hora, ainda ficaram em duvida por um breve momento, mas escaparam assim que conseguiram, perdi a venda. Me esforcei bastante para dar certo, mas não compraram, pensei que tinha perdido a chance de emprego mas o judeu gostou de mim e me contratou.

 

Ele disse que o trabalho funcionava assim: 12 horas por dia, de 10 da manhã às 10 da noite, todos os dias. Só vou receber o que eu vender, era 25% de comissão até 400 dólares e 30% de comissão acima disso. Se eu não vendesse nada, não recebia nada, literalmente. Não existia ajuda de custo, nem piso salarial, nem nada, só comissão. Era uma proposta indecente, posteriormente aprendi que os Judeus não eram os únicos que agem assim. Ele disse que gostava de contratar brasileiros porque sempre tinham muitos turistas brasileiros.

 

Conversei com ele já na contratação que eu queira folgar um dia na semana, no dia de sábado, pois assim como eles, os judeus, eu também não trabalhava aos sábados, pois sigo os princípios bíblicos, incluindo os 10 mandamentos. Ele aceitou relutante. Porque metade dos meus futuros colegas de trabalho eram judeus, então tinha muita gente já folgando no sábado. Depois eu descobri que quase todos os kiosks do outlet eram de donos judeus e os melhores vendedores também eram judeus.

 

E começou a minha jornada no capitalismo opressor.

 

Nas próximas partes vou falar sobre o que aprendi nesse trabalho. Meu trabalho na construção civil. O negócio próprio que montei. Sobre as prisões e deportações que ocorreram a minha volta.

 

Mas uma coisa é certa: As vezes, em uma loucura dessas, você aprende muito mais em 1 ano do que em 20 anos vivendo do mesmo jeito, no mesmo lugar. Vocês verão isso nos próximos capítulos desta saga. :D

 

Eu postei o texto originalmente aqui: http://legadorealista.com/forum/showthread.php?tid=1367

 

Mas vou repostar ele aqui no fórum Mochileiros, conforme vou realizando algumas alterações no texto, pois no link original está com alguns termos desconhecidos para a maioria por pertencerem a um grupo mais fechado.

 

Continua em breve.

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Continuando!

 

[align=center]Parte 2: O Outlet[/align]

 

Orlando-International-Premium-Outlets-3.jpg

Eu trabalhei exatamente neste Outlet da foto acima!

 

Acordei cedo no dia seguinte e comecei o trabalho no horário combinado. Vou falar um pouco sobre esse trabalho pois aprendi muito com ele.

Eramos cerca de 30 funcionários em uns 6 kiosks espalhados, que "concorriam" entre si. O cliente achava que existia uma concorrência, mas eram quase todos do mesmo dono. Coisa de judeu. Ele foi comprando todos os concorrentes e na época faltava só um kiosk, que era de outro judeu e este se recusava a vender. Não vi nenhum judeu trabalhar em algo que não fosse vendas lá nos Estados Unidos.

 

Dos trinta funcionários, mais ou menos, uns quinze eram judeus, que vieram direto de Israel só para trabalhar nisso, uns seis eram brasileiros, uns cinco venezuelanos, uma da Republica Dominicana e uma das Filipinas. O pagamento era semanal e em dinheiro. Eles não pediram documento nenhum e só perguntaram o primeiro nome para colocar um nickname no sistema, eles nem queriam saber o seu nome real.

 

Segundo as informações que recebi por lá, Orlando recebe uma média de 55 milhões de turistas por ano. Essa quantidade absurda em uma cidade de porte médio. Para se ter uma ideia, o Brasil inteiro recebe uma média de 6 milhões de turistas por ano. Todo dia apareciam milhares de pessoas novas de varias partes do mundo, prontas para gastar o seu dinheiro lá no outlet. É uma mina de ouro e os judeus rapidamente aprendem a garimpar essa mina.

 

A taxa de desistência do trabalho era muito alta, muitos ficavam poucos dias e depois desistiam. Pois a parte mais difícil era ficar abordando os estranhos que passavam, puxar uma conversa com eles, forçar eles a parar pra ouvir sobre o seu produto e depois empurrar o produto. Iniciar uma conversa e tentar vender para estranhos é algo que muita gente tem dificuldade e eu também estava nesse grupo. Tive que superar essa barreira.

 

Apesar da alta desistência, todo dia aparecia um venezuelano pedindo emprego nos outlets e um brasileiro aparecia a cada dois dias, mais ou menos. E percebi como tive sorte de ter conseguido uma vaga lá. Pois quase nenhum deles estava na mesma hora que o dono, que raramente aparecia por lá. E com a crise na venezuela e o PT afundando o Brasil a cidade estava saturada de brasileiros e venezuelanos.

 

E tinha mais gente do que empregos ilegais disponíveis. Apesar disso, empregos legalizados tinham aos montes, em todo canto havia uma placa de contrata-se, mas era necessário green-card ou visto de trabalho para ser contratado nessas lojas. Então, os empregos ilegais estavam saturados, pagando cada vez menos, e cheio de pessoas tentando entrar e os empregadores legalizados se estapeando para conseguir segurar os trabalhadores, oferecendo benefícios excelentes e com mais vagas do que funcionários dispostos a preenche-las.

 

Voltando ao kiosk, no inicio foi muito difícil. Abordar estranhos pra forçar vendas é algo que requer muito esforço mental para quem não está acostumado com a rejeição constantes dos clientes. Por isso, a maioria desistia nos primeiros dias. Mas se você supera esta barreira inicial, você amadurece muito como pessoa, saber lidar com a rejeição social é algo muito importante para a vida.

 

Logo nos primeiros dias, eu também enfrentei o maior frio da minha vida, naqueles dias estava acontecendo a segunda pior nevasca registrada desde 1922, nos Estados Unidos. A nevasca Jonas, também foi apelidada pela imprensa da costa leste de Snowzilla, uma mistura de Snow(Neve) e Zilla de Godzilla, o monstro do cinema. Onze estados declararam estado de emergência, mais de 10500 voos cancelados, algumas mortes por conta do frio, foi também os dias que eu mais me esforcei para vender, eu não ficava parado por nada, era tentando vender sem parar pra ver se esquentava um pouco o corpo.

 

[align=center]nevascanasa1.jpg[/align]

 

A Flórida fica ali no sul desta foto acima, um pouco abaixo daquela pequena parte verde, foi um dos locais que não fez tanto frio quando no norte, com o Snowzilla. Não chegou a nevar aqui na Flórida, mas mesmo assim fez frio.

 

[align=center]Essa foto abaixo é de como ficou a situação no norte do país:[/align]

 

[align=center]neve-eua6.jpg[/align]

 

O local que eu trabalhava ficava em um corredor aberto, que o sol não pegava, mas tinha uma ventilação natural muito forte, então, fazia bastante frio. Eu ia trabalhar no outlet com 2 calças, 3 meias em cada pé, 2 camisas, 3 blusas de frio, toca, e ainda sentia frio. Além de que todos os vendedores estavam se tremendo também.

 

E por incrível que pareça, em um desses dias passou uma família de canadenses andando de shorts, regata e chinelo, e sem sentir frio, caminhando como se tivessem na praia, todo mundo ficou impressionado com aquilo. Como isso era possível?!

 

 

Noticias da época para vocês terem ideia:

 

http://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2016/01/nevasca-paralisa-costa-leste-dos-eua-e-deixa-pelo-menos-11-mortos.html

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2016/01/nasa-divulga-imagens-da-nevasca-dos-estados-unidos-vista-do-espaco.html

http://g1.globo.com/mundo/noticia/2016/01/nova-york-tem-2-maior-acumulo-de-neve-desde-1869-com-tempestade.html

 

Nas primeiras semanas eu sofri bastante e pensei em desistir das vendas e procurar outra coisa para trabalhar, fiquei me perguntando o que eu estava fazendo lá, e me veio vários pensamentos ruins sobre como estava difícil de vender, como era ruim ficar sozinho em um país estrangeiro e etc. Aí orei a Deus pedindo para Ele me ajudar a achar alguma solução e tive um pensamento curioso naquele momento, que era assim, se eu ficasse reclamando e vendo os pontos negativos do trabalho e das coisas que eu passo, eu só iria tornar as coisas mais difíceis, me veio o pensamento de que passar por isso ia ser importante para mim no futuro, e que quanto mais se reclama, mais difíceis as coisas vão se tornando, mas se eu procurasse sentir prazer de estar trabalhando ali, o aprendizado se tornaria muito mais fácil, e até minhas vendas aumentariam.

 

Eu não precisaria mudar o que acontecia a minha volta e sim a forma como eu interpretava o que acontecia a minha volta. Eu entendi o que eu devia fazer, gerenciar os meus pensamentos e aprender a me divertir no trabalho, aprender a gostar do que eu estava fazendo, eu não sabia como iria fazer isso, mas eu entendi que era isso que Deus queria que eu fizesse. Então, passei a fazer isso, e a ver as coisas ao longo de toda esta saga pelo lado positivo, aproveitar os momentos e aprendizados e também parei de ficar reclamando e dificultando mentalmente as coisas, e adivinhe, isso me ajudou muito.

 

Comecei a pensar em tudo que tinha de legal e positivo neste trabalho atual. E repetia isto mentalmente quando começava a ficar desanimado. Então vou mostrar a vocês as vantagens que eu comecei a perceber.

 

O que eu mais gostei desse trabalho de vendas foi a oportunidade de conversar e conhecer pessoas das culturas mais diversas do mundo. Nas primeiras semanas, eu só vendia em português e espanhol. E tentava falar em inglês com todo mundo que não falava esses dois idiomas, porém, depois de algum tempo, eu já conseguia conversar em inglês com certa dificuldade.

 

[align=center]8513456f0becc8f57bd33dcd8613060f.jpg[/align]

 

Aprendi a falar em hebraico algumas palavras. E também aprendi bastante sobre a cultura, como por exemplo, que o serviço militar é obrigatório em Israel para homens (3 anos) e mulheres (2 anos), vi cicatrizes de esfaqueamentos feitos por islâmicos em um judeu que quase morreu quando tentaram degolar ele. Lá eles não acreditam que Jesus foi o Messias. Me ensinaram como funciona os Kibbutz, o único "socialismo" que funciona pois é totalmente privatizado, tive a oportunidade de comer diversas comidas típicas de Israel, quando ia na casa deles visitá-los, entre outras coisas.

 

Lá no trabalho existia uma quantidade grande de turistas chineses e eram muito difícil parar eles para tentar vender, não paravam por nada. Então, um dia, eu saí do kiosk "esbarrei" em um chinês qualquer, puxei assunto, fiz uma amizade rápida e pedi para ele me ensinar a falar: "Oi, tudo bem?" em chinês e também mais algumas palavras. Voltei pra loja e descobri que eles sempre respondiam quando eu falava em chinês. E comecei a conseguir segurar eles para oferecer os produtos.

 

Rapidamente aprendi a cumprimentar em russo, turco, japonês, árabe, francês e em italiano. O que melhorou em muito a minha abordagem. Cada coisa que alguém me ensinava do seu país, eu usava contra o próximo daquele mesmo país para tentar vender para ele.

 

Conheci gente de todas as partes do mundo: Singapura, Japão, China, Sri Lanka, Índia, Canadá, Chile, Noruega, Arábia Saudita e etc.

Vendi para pessoas de vários países, era como um trunfo para mim conseguir vender para alguém de um país que eu ainda não tinha vendido. Tirava foto com alguns pra guardar de recordação, estava começando a me divertir com o trabalho. Aprendi muita coisa interessante nesse contato com todas estas culturas diferentes.

 

Os judeus não contavam para nenhum cliente que eram judeus, e sempre fingiam ser de outro país quando eram questionados, pois os muçulmanos não compravam de judeus de jeito nenhum, e os outros judeus também não gostavam de comprar com judeus pois diziam que eles eram mentirosos, e eram mesmo, eles falavam qualquer coisa para vender. Alguns mentiam descaradamente.

 

[align=center]salesman.jpg[/align]

 

Teve um judeu em particular, chamado Yaron, tinha só 19 anos, mangina ao extremo, mas ele conseguia ganhar cerca de 400 a 700 dólares de comissão todo dia. E tinha dias que ele ganhava mais de 1000 dólares de comissão. Eu, como a grande maioria, mal conseguia tirar 300 dólares na semana. E teve semanas que recebi algo como 70 dólares. Mas, quando o Yaron chegou nos Estados Unidos, ele passou algo como 3 meses sem vender nada, pois ele mal falava o inglês também, e persistiu até começar a pegar o jeito e hoje domina a arte das vendas. Para poder aprender com calma, ele foi com uma reserva em dinheiro e se esforçou bastante, além do fato de que ele tinha prazer em vender, ele realmente gostava disso. Ou, com o tempo, aprendeu a gostar disso.

 

Uma coisa que eu reparei foi que todos os melhores vendedores dos kiosks, aqueles que vendiam bem mais que os outros, eles gostavam muito de vender, eles realmente sentiam prazer em estar lá fazendo isso. Eles se divertiam em estar fazendo aquele trabalho, brincavam com os clientes, pegavam os telefones das clientes gatas de outros países e saiam com elas depois do turno. Enquanto todos que vendiam mal, estavam sempre reclamando, sempre depressivos e chateados, parecem que estavam indo para uma sessão de tortura diária. Eles sofriam em estar lá e o que mais queriam era arrumar um jeito de sair daquelas vendas agressivas o mais rápido possível. Torciam para acabar logo o turno e, muitas vezes, ficavam sentados esperando dar o horário de ir embora. Mesmo sem ganhar por hora, só comissão das vendas. A maioria desistia entre uma a duas semanas.

 

Isso ficou martelando bastante na minha cabeça, desde aquela oração que fiz no inicio desse trabalho e que pedi ajuda divina, me veio o pensamento de que eu devia aprender a gostar do que eu estava fazendo. Fazia todo o sentido agora com essas observações. Continuei me esforçando para me divertir com as vendas, brincar mais com os clientes, mudar o meu padrão mental.

 

Tinham alguns que vendiam muito em uma semana, mas na semana seguinte não, e as vezes ficava diversos dias seguidos sem conseguir vender nada e desistiam. E isso era algo muito interessante desse trabalho: O emocional.

 

Muitos vendedores poucos dias ou horas antes de desistir repetiam exaustivamente esses chavões:

Eu não sei vender.

Eu não nasci para ser vendedor.

Tem gente que nasce sabendo vender, outros não, eu não nasci pra isso.

Estou perdendo o meu tempo aqui tentando ser alguém que eu não sou.

Vender é muito difícil.

Eu não quero ficar mentindo pros outros.

Não vou ficar nesse emprego humilhante, eu sou formado no meu país.

Não vou ficar me humilhando e implorando pra conseguir vender pros outros, eu tenho a minha dignidade.

Se algum conhecido do Brasil me ver trabalhando nisso, o que vão pensar de mim?

 

Enquanto os vendedores de alto nível falavam:

Vender é como tocar um instrumento, alguns aprendem rápido, outros demoram um pouco mais, mas qualquer um pode aprender a vender.

Ninguem nasce um bom vendedor, mas pode se aprender a ser um bom vendedor.

Não precisa ficar mentindo pros outros, você mente só se quiser vender mais.

Não precisa ficar se humilhando, se eles te desrespeitam, tire eles da sua frente ou chame o segurança.

A maioria dos grandes vendedores aqui chegaram sem conseguir vender quase nada no início mas persistiram até aprender.

Se você se esforçar pra valer, uma hora vai aprender a vender bem.

 

Nenhum vendedor experiente aceitava desrespeito dos clientes. E eu decidi que não iria mentir para vender, então eu sempre falava a verdade sobre os produtos para os meus clientes.

 

A questão é que os desistentes tinham que arrumar uma desculpa para justificar emocionalmente para eles mesmos o seu fracasso nas vendas, e quase todos colocavam a culpa em algo que eles não podiam mudar, eles queriam justificar para si mesmos que alguns nascem vendedores e outros nascem desprovidos desse dom, como se fosse uma qualidade inata, e não algo que pudesse ser desenvolvido com o tempo.

 

Já alguns dos melhores vendedores, começaram vendendo muito mal, mas persistiram até dominar a arte das vendas. Ou seja, eles desenvolveram a habilidade de vender. Eu procurei a me doutrinar mentalmente a pensar como os grandes vendedores e a rechaçar os meus pensamentos que eram parecidos com os pensamentos dos vendedores ruins.

 

O nosso emocional tinha influencia total sobre estas vendas agressivas. Se você acordava desanimado ou com algum problema, não vendia nada, se você estava motivado, vendia muito. A questão era que você levava algo como uns 10 a 20 nãos rudes para cada sim. E a cada não que recebia, isso te abalava bastante. E atrapalhava o seu emocional na próxima venda.

 

Nesse período, eu li um tópico sobre Inteligência Emocional (Clique aqui) do fórum, refleti bastante sobre o assunto, e então percebi que os bons vendedores tinham um controle muito alto sobre as emoções, por isso conseguiam estar sempre se auto-motivando em pensamento e sempre agindo como se tivessem felizes na hora de vender, mesmo passando 20 ou 30 tentativas seguidas só levando nãos, sem vender nada.

 

Isso mesmo, os melhores vendedores levavam diversos nãos também, mas administravam isso para permanecerem animados, pois sabiam que se agissem com desanimo, não vendiam. Aconteceu do Yaron terminar um namoro em que ele era muito apegado a garota, afinal, ele era muito mangina, e passou uns 2 dias sem conseguir vender nada. Mas depois ele finalmente conseguiu colocar os sentimentos de lado na hora das vendas e voltou a vender loucamente de novo.

 

Vou escrever aqui algumas observações que aprendi lá observando os melhores e praticando todo dia, que me ajudaram bastante. Acredito que são úteis para diversas outras áreas da nossa vida:

 

  • Nunca pergunte se pode mostrar o produto, eles sempre dizem não. Dê ordens de forma educada e elas farão o que você quer.
  • Crie conexão rapidamente
  • Não deixe eles pensarem demais. Eles compram por impulso.
  • A forma como você faz é mais importante do que o que você faz.
  • A forma como você fala é mais importante do que o que você fala.
  • Como você se sente é muito importante, se você se sente mal, vende pouco, se você se sente muito bem, vende muito bem. Gerencie os seus sentimentos.
  • Aja com energia e entusiasmo sempre, independente da quantidade de nãos que levou. Desanimados não conseguem vender.
  • Se você perceber que eles não te respeitam, deixe eles irem embora logo. Não perca seu tempo.
  • Olhe nos olhos, aja com confiança, quanto mais autoridade e confiança no falar, mais venderá.
  • Tudo depende de sua energia, de como você age e se sente.
  • É tudo sobre você.

[align=center]mzfexXy.jpg[/align]

[align=center]Tradução: O homem não pode refazer-se sem sofrer, pois ele é, ao mesmo tempo, o mármore e o escultor.[/align]

 

Depois que passei a aplicar isso melhorei bastante. Mas, ainda não o suficiente para conseguir pagar o aluguel. Pois as vendas acabaram caindo muito no período em que eu estava, pois era a época de turismo do Brasil, mas vieram pouquíssimos turistas, por conta da alta do dólar e da crise que o PT gerou, isso afetou as vendas de todos os vendedores e em todas as lojas que dependiam de turismo. Mas os experientes estavam tranquilos, pois sabiam que dentro de 2 meses, iria começar o turismo em massa de outros países, então era só usar a reserva que eles tinham. Mas eu não tinha reserva nenhuma, eu estava no limite do meu dinheiro, tinha ido só com 500 dólares, e só o aluguel custava 550 dólares, fora que eu já estava usando o meu dinheiro para me alimentar durante o período, o meu dinheiro já estava diminuindo bastante.

 

Então eu tive uma ideia, resolvi vender os mesmos produtos no Ebay para os americanos. Eu comecei vendendo um que era vendido por 50 dólares no Kiosk, mas era vendido por 150 dólares no site oficial. Como eu ganhava 25% de comissão, então ele me saía por 37,50. Eu passei a tentar vender por 55 a 65 dólares na internet. Pesquisei como anunciar, criei uma conta no Paypal para receber o dinheiro, e então passei a anunciar o produto no Ebay. E começou a dar certo, comecei a vender aos poucos, mas cometi um erro nisso que me custaria caro.

 

Além disso, aconteceu que nesses dias uma americana se mudou para a mesma casa que eu morava. Ela foi para o quarto ao lado e tínhamos que dividir o banheiro. Quando eu conheci ela, vi que seu olhar era frio, ela agia com falsidade nas expressões, tentava se passar por uma mulher extremamente religiosa e se fazendo de vitima sempre que podia. Parecia uma psicopata. Na hora eu pensei: Tem alguma coisa muito errada com essa mulher. E o pior é que eu estava certo.

 

Continua em breve.

 

Se não aguentar esperar, a história continua no link original, aqui: http://legadorealista.com/forum/showthread.php?tid=1367&page=2

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Amigo, cadê o restante da história!? hehehe
Vou postar aqui em breve, acabei me envolvendo em outra loucura e esqueci de terminar de postar a história aqui nos Mochileiros.
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Parte 3: A psicopata


Eu demorava cerca de uma hora para ir caminhando ao trabalho e mais uma hora para voltar caminhando, aproveitava este momento para ir orando (conversando com Deus em pensamentos, falando sobre o que aprendi com as vendas, o que planejava para o futuro, os casos curiosos que vi e etc). Lá o sistema de ônibus é muito ruim, a maior parte da cidade não tem linha de ônibus alguma, só a região turística que tem, mas ninguém está aí para isso visto que carro é muito barato e o pessoal usava muito o Uber também, mas eu estava com pouco dinheiro para gastar com isso.

Alguém da igreja me perguntou e ficou sabendo que eu caminhava 1 hora pra chegar ao trabalho e 1 hora pra voltar e resolveu me ajudar, conseguiu o contato de outro que tinha uma bicicleta velha e foi comigo lá buscar. Então um dia ganhei uma bicicleta velha de um irmão da igreja e um capacete usado, passei a pedalar loucamente para cima e para baixo por lá. Até que a bicicleta velha começou a estragar toda, parafuso do guidão soltou enquanto eu dirigia, cai no chão, mas consegui uma chave de fenda para ir apertando e arrumando ao longo do trajeto,  e o pneu furou, então eu comprei uma bomba e enchia todo dia antes de sair, porque eu tinha muito pouco dinheiro e não queria comprar um pneu novo para a bicicleta. Até que um dia cheguei atrasado e o judeu que era dono do negócio brigou comigo, expliquei para ele a situação da bicicleta e falei que iria resolver.

Ele pegou a minha bicicleta e disse que ia consertar de graça para eu não atrasar mais. Mas na verdade ele achou a bicicleta tão velha que jogou ela no lixo e umas duas horas depois apareceu com uma bicicleta top de linha zerada e me deu de presente. Passei a cortar aqueles semáforos e calçadas a mil por hora todos os dias, parecia um maluco. 

 

Coloquei um fone de ouvido e umas músicas no celular, e passava cortando os caminhos por aí, porque dava pra pegar bastante velocidade com a bicicleta nova. E comecei a rodar pra todo canto com essa bicicleta. 

Nesse período de crise nas vendas, eu estava sempre em contato com o General Diamante pelo WhatsApp, ele me ajudou muito com duvidas que eu tinha sobre vendas pela internet.

Criei uma conta no Ebay e anunciei um dos produtos que eu vendia na loja. Vi os anúncios de todos os meus concorrentes online e fiz o meu anuncio juntando as características que eu considerei melhores de todos os que vendiam mais, o melhor de cada um. E deu certo. Comecei a vender, depois da venda ser feita, o dinheiro caia em uma conta do PayPal, aguardando aprovação do cliente, quando este recebesse o produto. Eu comprava o produto no Kiosk com o meu desconto de funcionário, mas só depois que eu já tinha vendido, ia no United States Postal Service (USPS), que era mais barato que o FedEx, e enviava o produto, sempre enviando umas amostras grátis de outro produto e pedindo para eles em darem uma avaliação positiva no site.

Eu vendi bem na internet mas decidi parar antes que ficasse sem dinheiro. Eu fiquei com cerca de 360 dólares a receber do Paypal. Fiquei com uns 650 dólares na carteira, contando com os meus lucros das vendas, e tirei os anúncios do ar. Porque senão eu ficaria sem dinheiro na carteira e eu ainda não sabia como tirar aquele dinheiro do PayPal nos EUA.

Estava chegando o dia de pagar o aluguel e eu não havia juntado o dinheiro suficiente e nem conseguia sacar o dinheiro da internet. Me esforcei ao máximo nas vendas. Mas não foi o suficiente.

Chegou o dia de pagar o aluguel, eu tinha que pagar 1100 dólares, pois o dono queria que eu pagasse o mês que eu usei e o mês adiantado, disse que todos faziam assim, o que era mentira, fui descobrir depois conversando com outros brasileiros. Mas combinado é combinado.
Eu consegui pagar 550 dólares em dinheiro e disse que eu não tinha como pagar o mês adiantado ainda, mas que iria pagar. Contei a verdade, que as vendas caíram e que eu tinha um dinheiro na internet a receber e que eu podia transferir para conta dele.

Ele ficou irado, perdeu o controle e quis levantar a voz. Eu disse pra ele que não admitia isso pois eu havia sido honesto desde o inicio, antes mesmo de eu me mudar para a casa dele, já tinha falado que eu não tinha dinheiro e iria conseguir com o tempo e ele aceitou esse acordo desde o inicio. E disse que, de fato, eu não tinha dinheiro e ia pagar assim que recebesse e em momento nenhum iria desonrar a minha palavra.

Eu acho que ele viu que eu tinha razão e que falei com seriedade, mas não quis dar o braço a torcer, saiu de perto e depois que se acalmou, disse que como foi pastor por muito tempo não deveria ter agido assim, que não duvidou de mim em momento algum, que sabia que eu era uma pessoa correta e que agiu assim porque estava contando com esse dinheiro, que eu não devia fazer isso de novo e sim avisar com antecedência.

Pediu para eu transferir esse dinheiro da internet na conta do PayPal dele e para a minha família transferir o restante o mais rápido possível.

Enquanto isso o dinheiro do PayPal estava bloqueado e eu não conseguia sacar e nem transferir para o dono do imóvel. O Diamante tinha me alertado para tomar cuidado com isso e não ficar sem uma reserva de emergência. Mas acabei ficando sem. Na verdade, eu nunca tive a reserva de emergência pois já cheguei com pouquíssimo dinheiro.

O grande problema era que eu não tinha como receber dinheiro do Brasil, primeiro porque minha família não tinha dinheiro nenhum para me enviar e segundo porque já que eles não tinham como enviar mesmo, eu nem abri conta em banco.

Nesse meio tempo, eu soube que o Legionário Volvo estava indo visitar Orlando e marcamos um EDR aqui pelo fórum [EDR significa Encontro da Real, é um encontro realizado pelos usuários do fórum Legado Realista https://legadorealista.com/forum/index.php ], para caso houvesse outro realista na região e quisesse participar também. Mas fomos só nós dois mesmo. Ele foi lá no meu trabalho, mostrei o lugar pra ele, apresentei alguns colegas de trabalho.

Quando deu o meu horário de ir embora, fomos para uma lanchonete, trocamos diversas ideias sobre as diferenças entre o Brasil e o EUA. Sobre como as mulheres agem do mesmo jeito em qualquer parte do mundo [Porque lá é um fórum que ensina como lidar com mulheres: https://legadorealista.com/forum/showthread.php?tid=2116 ].  Gravamos o EDR, mas infelizmente eu perdi o áudio.

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Foi muito bom esse EDR, porque eu estava em um momento tenso e é sempre bom encontrar um velho amigo e dar uma descontraída.
Eu já conheço o Volvo a anos dos EDRs que ocorrem em Brasília, então foi bem bacana.

Aconteceu que aos poucos eu fui usando o dinheiro restante para alimentação básica, e mesmo economizando bastante todo o dinheiro que eu tinha disponível comigo lá se limitou a uns 80 dólares.

Nesse meio tempo aconteceu algo estranho. Muito estranho. O dono do apartamento apareceu de repente com uma mulher americana lá. Os irmãos da igreja dele, Assembleia de Deus, insistiram para ele levar ela para lá pois ela estava passando por muitas dificuldades e o dono da ultima casa que ela estava, queria se livrar dela o mais rápido possível.

Assim que eu vi a cara dela, eu senti que tinha alguma coisa errada. O jeito dela agir, as expressões dela e a história mal contada, me soaram muito suspeito.

Ela era americana nata, nasceu em uma cidade próxima, podia trabalhar em qualquer emprego e existem muitos para quem tem documentação, quase todas as lojas tem uma placa de contrata-se. Quem está legalizado pode escolher emprego a vontade, as lojas disputam por funcionários. Então porque ela não arrumava um emprego?

Ela disse que teve sérios problemas quando separou do noivo e agora estava passando necessidades e ficava escorada na casa dos irmãos dessa igreja, e recebendo doações de comida deles, ninguém conhecia ela nem o passado dela. E porque ela não ficava na casa dos parentes dela? Cadê os parentes dela? E ela não tinha amigos?

Ela não trabalhava e dizia que estava procurando emprego mas ficava só nas entrevistas e dizia que reprovava nos testes.

Ela andava com uma Bíblia o tempo todo e pagava de santa. Eu, as vezes, pegava ela olhando pra gente com um olhar frio, parecia uma psicopata. Os irmãos da igreja dele estavam pagando o aluguel para ela e enviando comida. Ela passava quase todos os dias sem procurar emprego, assistindo TV e navegando na internet. E quando ele questionava, ela dizia que tinha uma entrevista marcada para a semana seguinte, quando chegava a data, ela dizia que tinha sido alterada ou ela saia por umas horas e dizia que reprovou.

 

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Outra coisa peculiar, ela nunca fechava a porta do quarto, deixava entreaberta, dormia com a luz acesa, com música evangélica a noite toda e com a Bíblia aberta. Depois de alguns dias ela pediu para ir comigo na minha igreja. Eu acabei deixando a doida ir.

Chegando lá, ela pediu para os irmãos orarem por ela, fez um grande vitimismo, que deixou todos convencidos, menos eu, eu já estava bem desconfiado disso tudo, ela falou que foi muito injustiçada pelo ex e que estava sendo atormentada por demônios. Isso explicava o comportamento estranho dela a noite, com luz acesa, música religiosa e Bíblia aberta. Nisso um homem lá da igreja disse que conseguia um emprego excelente para ela, já que ela era legalizada, para ganhar 13 dólares por hora para ficar sentada atendendo como secretária. Um emprego tranquilo e sem esforço em que ela ganharia bem mais do que eu que tinha que ficar em pé o dia todo abordando estranhos.

Ela disse que depois passava o contato para ele, ele insistiu dela passar logo já que ela estava tão necessitada , ela se esquivou e inventou uma desculpa de que não tinha celular e pediu um celular novo.

Eu pensei: "essa mulher ou está fugindo da polícia ou de um manicômio, pois não quer trabalhar, só quer ficar com os imigrantes ilegais e ainda escorada nas costas dos outros."

E mesmo sem eu pagar o aluguel comecei a pressionar o dono da casa para me conseguir a identidade dela, ele concordou e começou a pressioná-la, ela fazia de tudo para não entregar mas percebeu que a situação estava ficando complicada e entregou relutante. No mesmo dia ele me mostrou, tirei uma foto e fui ao trabalho.

Ao chegar lá, pesquisando na internet pelo celular eu descubro que ela é fugitiva da polícia! Já tinha sido presa duas vezes e estava sendo procurada pela polícia para ser presa de novo, pela terceira vez. Nessa ultima vez parece ela tinha tido um surto de raiva e espancado feio alguma pessoa, eu não entendi bem o que significava a palavra em inglês e nem os outros vendedores, mas era algo relacionado a agressão física séria.

Liguei na hora para o dono da casa e expliquei toda a situação para ele, o que ela havia feito na reunião da igreja, mandei os printscreens do site da polícia e falei para ele que era perigoso ela morar com a gente. Que ele devia expulsar ela ou ligar para a polícia. Mas eu não liguei para a polícia porque a casa era dele e era ele quem devia decidir o que era melhor ser feito. Ele entrou em pânico.

Deu um ultimato na psicopata, falou que ela tinha que ir embora até escurecer. Ela começou a chorar e se vitimizar, ainda bem que ele não se abalou. Depois ela viu que não tinha jeito, concordou e saiu, ele me disse que sentiu uma sensação estranha quando ela olhou e falou que iria sair nessa mesma noite, porque ela fez uma expressão estranha. Ele ficou com medo e ligou para os amigos dele da igreja, pois não queria ficar sozinho quando ela voltasse, isso foi muito importante. Eu estava no trabalho ainda, mas cheguei a tempo de acompanhar o que iria acontecer.

Ele trocou as fechaduras da casa e assim que escureceu ela chegou em uma caminhonete velha, e desceram dois negões com ela, muito mal encarados, pelo jeito ela tinha amigos, ela subiu na frente e quando viu que tinha várias pessoas na casa ficou desconcertada e sem reação, voltou e pediu para os dois negões ficarem lá embaixo esperando. Os dois ficaram em um canto escuro perto da entrada do prédio esperando.

 

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Continua em breve.


Relato postado originalmente aqui: https://legadorealista.com/forum/showthread.php?tid=1367&pid=24229#pid24229

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Brother, li seu relato completo e o outro do concurso também. Parabéns pela luta e pela garra. Foi muito inspirador, é uma lição para todos. Sucesso!

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