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Olá viajante!

Bora viajar?

...Tô Te Esperando na Janela, do restaurante Bs As

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Tô Te Esperando Na Janela (Do Restaurante)

 

Edmilson Vieira

 

Esta é uma oportunidade para falar sobre vidros que se envolvem com seres humanos. Assunto inovador para uma crônica, e ao mesmo tempo frágil, mas fique na calma que é apenas pra quebrar a rotina.

 

Peregrinava pelas streets de Buenos Aires, morto de saudades do nosso idioma português (que aliás é belo), e não sentia falta do mar de lama de Brasília. Vigilante na trajetória, lancei olhar para os restaurantes e confeitarias da capital do tango, onde a classe média argentina freqüenta pra se isolar do mundo. A descoberta da devassa: um volume de janelas, com seus vidros pintados com letras douradas que as pedras das manifestações políticas consideram neutras e não chegam a passar por perto. A legislação das ruas feita pelos argentinos deixa intactos restaurantes e confeitarias nacionais. Receita simples, as pedras transformam em pó, as vidraças dos bancos estrangeiros e da McDonald's, rede de lanchonetes desembarcada nos países para representar a "Globalização" do Tio Sam.

 

É necessário dizer que o sujeito recortou o vidro para as janelas com o diamante, e ao mesmo tempo riscou a história do país. Na frente daqueles cristais, passou o corpo de Evita. As lágrimas refletiram a dor da multidão vitrificada; os poucos soldados sobreviventes da Guerra das Malvinas marcharam de volta pra casa sujando os vitrôs com sangue e lamento.

 

O ano de 1976 foi recebido com um golpe militar. Quem estava do lado de dentro das janelas não pode ver as botas e a escuridão permaneceu por um período de dez anos. Se os vidros fossem feitos de resina plástica, talvez não trincassem quando os tanques invadiram as ruas. A sociedade descobriu que nos bastidores, vinte e cinco mil vidros desapareceram das janelas, cada pessoa que sumia, sim, na outra manhã, faltava mais uma lâmina transparente. Na fase de denúncia, causou espanto quando a imprensa internacional começou a divulgar que os argentinos estavam sendo triturados nos porões clandestinos.

 

Tem alguns lugares acumulados para uma próxima viagem a Buenos Aires. O prazo para conhecê-los ainda não acabou e vou a pé se for preciso. Um desses cantos é o Café Tortoni. Olhando da calçada, dá pra ver na fachada a data de 1893, obra do arquiteto Christopherson. Aplausos para a memória dele. Mas só fui saber da existência do Tortoni, através de um amigo quando voltei ao Brasil, que história mais bizarra!

 

O que será que acontece com o cérebro da gente? Parece que só aceita incluir o que ele quer. A produção de neurônios enxerga coisas interessantes, mas esse café, necessário para o estômago e ao olhar, passou desapercebido. Deveria ser o cansaço da peregrinação. Ele se tornou insensível e não viu o entra e sai de cantores de tango. Nem os inspetores da ONU vasculhariam tanto aquela cidade quanto eu e mesmo assim, nada de perceber o Tortoni. Cadastrar suas janelas agora vai virar um contrato por computador entre nós dois. Quem for primeiro, avisa ao outro através de e-mail ok? O meu é preserveanatureza@ig.com.br posso garantir sigilo absoluto! Uma dica: reivindique visita ao velho Tortoni numa quinta-feira à tarde: Nesse dia dá pra notar através do vitral, o coletivo de Mães da Praça de Mayo caminhando para o ato público ali perto. É fácil identificá-las, estão sempre com lenço branco na cabeça bordados com o nome dos filhos desaparecidos. A atitude é para a humanidade tirar o lenço dos olhos e montar parceria na luta por justiça.

 

Vamos fazer um tour por Buenos Aires, aumentar o contingente daqueles que admiram a arte; dividir com as vitrines, a história do povo na rua e se surpreender com tanto brilho dos "espelhos cristalinos, que ao meio-dia refletem a luz do sol".

 

Edmilson Vieira é artista plástico e cronista.

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quote:Originally posted by dnv01

 

Ôi Marília, não deixe de conhecer o metrô de Buenos Aires, se já não o conhece. Inclusive na linha E, tem vagão de quase cem anos atrás. Da época da inauguração, todo em madeira, parece que vai se desmontar quando começa a correr.

abraço

Edmilson


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Ah, eu visitei o Metrô de BsAs, sim. Eu adoro conhecer os metrôs de todos os lugares que eu visito. Andei num trem da década de 50, com bancos estofados de veludo vermelho!!!! Super desbotado, mas original. Desta vez não quero perder a chance de conhecer a El Ateneo, aquela mega livraria num antigo teatro... Deve ser um espetáculo!

  • 5 anos depois...

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