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Evandro Sanches

Suíça: oito dias (setembro de 2017)

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Depois de muito enrolar, aqui vai meu primeiro relato para o mochileiros.com, site que tanto me ajudou em praticamente todas minhas viagens. Espero que possa ajudar a quem se interessar, é meu único propósito, retribuir de alguma forma. Essa viagem está sendo longa (83 dias), passando por Marrocos (um dia), Portugal (19 dias), Suíça (8 dias), Itália (19 dias), Londres (seis dias), Paris (seis dias), Espanha (cinco dias), Marrocos novamente (15 dias) e cidade de São Paulo no restante dos dias. Faz parte de um projeto bacana de transformar 2017 em um ano semi-sabático  depois de trabalhar desde os 13 anos, e desde os 14 com carteira de trabalho. Sou professor de geografia, moro em Nhandeara (interior de São Paulo), tenho 45 anos e sou mochileiro nato. A maior parte do trajeto foi e está sendo feito com hospedagens em hostels, que geralmente adoro. Acho que mesmo se tivesse um dinheirão, ainda optaria pelos hostels e seus tipos humanos “universais”. Adquiri as passagens de ida e volta pela “Decolar.com”, a 2.600 reais, em março de 2017, ou seja, com 5 meses e alguns dias de antecedência.  Optei por fazer relatos separados por país. Assim, vou pular o primeiro dia no Marrocos e ir direto pros 19 dias portugueses. Já fiz várias viagens interessantes na vida, mas todas pela América Latina, de onde nunca tinha saído. Então, reuni os destinos europeus que povoavam meus sonhos, nessa viagem de arromba. São destinos em que depositava muitas expectativas (Suíça, Cinque Terre, Roma) ou outros obrigatórios, como Veneza, Londres e Paris (não tinha muita expectativa, mas queria ver qual é a delas e o que poderiam me ensinar. Além do que, será preciso ter expectativas pra gostar delas? Acho que não). Portugal eu tinha certeza que seria muito agradável, por conta da língua e do povo, e Marrocos é o destino exótico que precisa ser desmitificado e que tá logo ali, então precisei aproveitar a oportunidade. A Espanha, nas minhas pesquisas, foi dos que mais me surpreenderam, então resolvi passar ali apenas como trampolim pro Marrocos e voltar exclusivamente pra ela numa outra oportunidade (além do que, tenho passaporte espanhol, meu avô veio de lá). Pra você que se interessar, uma boa viagem! Vou tentando postar algumas fotos aqui, mas quem quiser poderá encontra-las no meu facebook, por país em “álbuns”.

 

Dia 19/09  - Saída da cidade do Porto (Portugal) e embarque para Genebra, na Suíça, num voo da TAP de 2 horas de duração (atrasou um pouco) que me custou R$ 176,99 (comprei com 5 meses de antecedência). Na Suíça, tudo rápido, nem precisa de muita burocracia, pois ela faz parte do Espaço Schengen, mesmo sem pertencer à União Europeia (ou seja, turistas que já estão nesse espaço, como eu, que cheguei por Portugal, que também faz parte, não pecisam dos trâmites já realizados lá). Junto ao aeroporto há uma estação de trem, e lá fui eu comprar o famoso Swiss Pass (376 francos suíços para 8 dias contínuos, mas tem trocentas outras opções – um dia, quatro dias, quinze dias, dias alternados...), é o passe para atrações turísticas (tipo museu) e transporte público integrado (todo e qualquer transporte público, seja trem, ônibus ou barco, isso no país inteiro, além de dar desconto nos trens turísticos, que são privados e mais caros e te levam às maiores atrações “montanhosas” do país).

Confesso que morria de medo de chegar numa cidade que fala francês e ir para outra que fala alemão (Interlaken) e não conseguir tudo o que gostaria, como parar no meio do caminho em Berna (a capital – língua alemã) para um rolezinho por ali, e aquela coisa da insegurança para achar um guarda-volumes ou mesmo um banheiro, ou comprar coisas como comida e água. E daí, meu primeiro choque com a realidade suíça. Até então, pra mim, o povo chileno era imbatível quanto à prestatividade.  E o que eu digo agora? Povo suíço pra prêmio Nobel ou criemos um prêmio pra eles. Povo lindo, solidário, educadíssimo em níveis que jamais nem imaginei no meu mais otimista sonho de brasileiro que “malemá” domina o inglês e espanhol. Coisas como se antecipar quando percebiam que eu estava confuso com placas e direções, ou se prontificar a me pagar (um rapaz pagou) pra entrar no banheiro quando percebeu que eu não tinha moedas para usá-lo (isso tudo sem eu pedir absolutamente nada), me ensinaram com um sorrisão acolhedor como chegar até os ursos de Berna. Isso fosse o guarda, o funcionário da ferrovia ou um cidadão qualquer na rua. Nunca vi nadinha sequer parecido.

OBS: depois de rodar o país quase inteiro, posso dizer que essa é uma característica mais perceptível em Berna. E talvez tenha a ver com a altitude, rsrsrs, pois acima de 2.000m não vi esse comportamento em quase ninguém, e foi na altitude que levei um pito homérico. Falo sério, talvez seja científico. Brincadeira, claro. Mas nas cidades pequenas e zona rural, o povo foi menos acolhedor. 

                Pois bem, como saí de Genebra às 15:00 com um trem pra Interlaken (meu destino) passando por Berna onde trocaria de trem, não tinha certeza se daria pra dar um rolê na capital, dada a insegurança com o idioma. Como o Swiss Pass permite embarcar e desembarcar do trem quantas vezes quiser e pra onde quiser, resolvi arriscar e descer em Berna e ver como me saia na primeira experiência suíça. E foi aquilo que escrevi antes. Tudo perfeito, encontrei o guarda-volumes (com ajuda e muito inglês macarrônico), me informei quando sairia o último trem pra Interlaken e lá fui eu explorar Berna. A estação é bem próxima do centro histórico (uns dez minutos ou menos), que é muito simpático, tem um relogião famoso numa torre em que, nas horas cheias, há uma dinâmica com bonecos (que não vi, mas há quem tenha falado muito bem). Como o tempo era curto (nem tanto, mas tinha receio que faltasse), fui cumprir minha meta: ver os famosos ursos que vivem ali pertinho, em um espaço exclusivo, rebaixado, onde os ursos (vi três) interagem com um trecho de água do rio ao lado, um gramado, algumas plantas e me pareceram bem tratados e com ótimo aspecto.   

                Depois disso, voltei para a estação de trens e comi um lanche e tomei um suco de laranja por 12 francos suíços, e  peguei o trem para Ost Interlaken (é o mesmo que Leste de Interlaken, mas é claro que eu me confundi e fui parar na West Interlaken – meio que associando o O de Ost com Oeste, portanto, todo cuidado é pouco). Até iria andando 20 minutos, segundo disseram, até a outra estação, já que o hostel fica em frente a ela. Mas resolvi ir de taxi (12 francos suíços, raios múltiplos). Cheguei ao hostal Interlaken Youth, pra quatro noites por 154 francos suíços. Além da super-estrutura, fica ao lado da estação ferroviária, o que facilita imensamente a vida. Um quarto pra seis pessoas, todas muuuuuito estranhas na primeira noite, depois foi melhorando. Teve quem não respondesse boa noite, teve quem me ajudou a descobrir como o armário funcionava, visivelmente a contragosto. Mas a estrutura do hostel é incrível e tem almoço e jantar a 12,50 francos suíços. O café da manhã está incluído e só amanhã saberei como é, mas boto maior fé. Expectativas: com o Swiss Pass ninguém me segura, quero cruzar o país inteiro umas trocentas vezes já que eu adoro uma viagem de trem e ainda mais cruzando essas paisagens que são uma coisa de outro mundo. O trem de Genebra para Berna, que tem trechos nem tão turísticos assim, já é incrível (no mínimo), imaginem os outros. De Berna pra Interlaken deve ser lindo mas fiz o trecho à noite, então não deu pra ver nada pois o trem vai com a luz acesa. Peninha! Outra coisa: se tiver tempo firme vai rolar um Jungfrauzinho (a mais famosa montanha de Interlaken). Dedos cruzados.

Dia 20/09: Sim, o povo do quarto está entre os mais estranhos do universo. O tiozinho que não responde “boa noite” botou um despertador pra tocar às sete da manhã. Muito cedo isso por aqui, ainda escuro nesta época. Mas o despertador tocou e... tocou... tocou... sério, por uns cinco minutos. “Morreu o homem!”, pensei. Fui lá e desliguei o despertador (depois me arrependi e pensei que seria melhor tê-lo acordado). Cinco minutos depois e novamente o despertador tocou. Desencanei, acordei, entendi que era um sinal de Deus tipo “vá”, peguei minhas coisas, saí do quarto e o tio ali, imóvel!

                Café da manhã: sabe aquele cafezão-sonho que você nunca, nunquinha, achou que veria num hostel? É a segunda vez que isso acontece nesta viagem. A primeira, foi no hostel do Porto. Tudo abundante e variado: flakes, danone, iogurte, pães, geleias, sucos, frutas, leite, chá... ok, o hostel é o mais caro da vida, mas não achava que rolaria assim (lembrando: provavelmente a suíça tem o mais alto custo de vida de todos os sete países dessa viagem). Comi loucamente pra compensar um pouco os custos, pra aliviar no almoço, pra aproveitar que era tudo gostoso e de qualidade... cansei de comer. E estava cansado de ter acordado cedo pelo despertador do fulano, então voltei pro quarto pra dormir mais um pouco. Estou eu lá dormindo e me entram duas pessoas orientais falando mais que “o homem da cobra”, ignorando minha presença. Chato isso. O cara tá dormindo, “manera” um pouco, assim penso eu. E falaram alto, hein? Parecia de propósito, chata a falta de desconfiômetro. Daí, mais cansado do que nunca, dormi até às 12:00. Fui até a estação ferroviária pensando em um trem pra Lucerna e depois pra Zurique, mas fui demovido pelo funcionário da estação. Ele sugeriu que, estando o tempo bom (e estava) e com o tempo que me restava do dia, o correto seria ir até Lauterbrunnen, subir até Murren, depois Grimewald e, finalmente, de “cable  car” até a montanha do 007 (Schiltorn), onde um dos filmes dele foi filmado. Acatei. E fui meio sem expectativas, acho que pelo cansaço. Mas bastou algumas centenas de metros pra me empolgar. O que rola é o seguinte, a suíça resolveu com o destino, com os deuses, buda, Alá, Jeová, mas, veja bem, com todos eles juntos, que seria o país mais lindo do mundo. Já visitei muito lugar no Brasil, alguns trechos legais de Cuba, muita coisa nos Andes (de Machu Picchu até a Patagônia), Salar do Uyuni (com água, divino), Atacama etc. Poderia dizer que “haaaa, são coisas diferentes” ou sei lá o quê, mas o que acontece é que esse tal trem vai subindo, subindo, e o queixo caindo, caindo! Falemos da natureza do “queixo que cai”, ele “cai” e “volta” logo a seguir ao seu normal. Aqui, meus queridos, cai e fica. Porque depois daquela paisagem inigualável que você acabou de ver, vem outra, e outra, e mais espetacular ainda, daí você vê a casinha com gerânios (ou sei lá que flores) na janela ao lado da vaquinha com sino no pasto na beira do precipício com florestas “desenhadas/pintadas” ao redor e montanhas nevadas ao fundo, mas tem também um lago lá embaixo... só por Deus! E o dia tava lindo, o sol forte, tudo  certo... até que veio a montanha do Bond, James Bond! A expectativa é que fosse a cereja do bolo, já que a plataforma de observação tá a uns 3.000 metros, tá em ciminha do topo, tem visão 360 graus, museu do Bond (muito legal, estão lá os filmes sendo exibidos, as melhores cenas, um mapa com os lugares do mundo todo que receberam as filmagens, Brasil inclusive, um simulador de voo legalzão como se sobrevoasse os arredores...) mas, até onde a vista alcançava, só nuvens, nuvens e nuvens. E neblina. Ou seja, não se enxergava nadica além de uns 50 metros do seu focinho. Broxada mega! Todo mundo triste. Até porque não é nada barato. Mais precisamente 82,20 francos suíços (50% de desconto pro Swiss Travel Pass). Ou seja, com desconto paguei uns 140 reais. O transporte todo (trem e cable cars, tanto pro Schiltorn – menos o último cable car - quanto pros arredores) está incluído no Swiss Travel Pass. Então o lance é o seguinte. Só subir a montanha se o serviço meteorológico garantir que o tempo está bom, mas muito bom mesmo, pois lá embaixo em Interlaken o sol reinava, e mesmo assim não rolou lá em cima. Peninha. Mas valeu o dia, porque as paisagens do caminho são no mínimo emocionantes, grandiosas, espetaculares! Só faltou o topo da montanha, mas quer saber, duvido que seja mais interessante do que a “metade do caminho”, que é estupenda. Toque legal: depois de subir tudo isso de trem e de “cable car”, vale a pena descer a pé as trilhas que ligam alguns desses vilarejos. Eu, mesmo tendo começado às 12:00 e tendo portanto pouco tempo, fui de Gremewold até schelker a pé e valeu muito a pena. O caminho é bem sinalizado, não tem como se perder, mas prepondera a lógica: basta ir descendo. Outros gastos do dia: o Hostel disponibiliza jantar por 12,50 francos suíços (um salsichão, batatas pequenas cortadas ao meio cozidas/fritas – sei que tem um nome mas não me lembro qual – e legumes cozidos). Bem farto e legal. Mas quem quer acrescentar salada, sobremesa e café, fica 17,50. Mas dá também pra comprar coisas no mercado pra lanchar no hostel a preços módicos (e tem supermercado a cem metros). Levei na trilha 1,5 litro d’água, um pacote de docinhos cobertos com chocolate, um pacote de biscoito também coberto com chocolate e um suco de laranja, tudo por 8,10 francos suíços, mas tem de tudo.

Obs (dias depois): há uma característica principalmente em Interlaken que é o grandessíssimo número de orientais turistas por ali, ao menos neste mês de setembro, sei lá se tem a ver com o período de férias deles, ou se tem a ver com alguma empresa especializada em trazer turistas asiáticos, ou simplesmente que a Ásia está dominando o mundo e quase só eles tem dinheiro pra gastar onde a programação é muito cara (e em Interlaken é – a subida ao Jungfraujoch, por exemplo, sem descontos com passes, sai por 204 francos suíços, isso na segunda classe, veja bem – é facada mega – com 25% de desconto se você tem o Swiss Pass). Então, é muito comum você encontrar trens para os destinos mais procurados dominados por pelo menos 90% de asiáticos. Torça pra que isso aconteça, pois é divertidíssimo. Toda aquele comportamento tímido que se nota no Brasil quando um oriental é minoria, se esvai quando são maioria. E não economizam nas interjeições quando o lance é legal. Então, cada nova paisagem é um sonoro “Hoooooo”, ou “Uauuuuuuu” que não acaba nunca, deixam mesmo a emoção extravasar. E os respectivos flashes. Estive também em trens com vagões ocupados por europeus e não tem nem 10% da mesma graça. 

21-09: Manhã – visita ao Schynige Platte (trem para Wilderswill, outro trem até o topo da montanha, a quase 2.000 metros). Sei que não é um programa tão conhecido, mas eu adorei. E, comparando, a não ser que o objetivo seja ver muuuita neve, muito melhor do que a visita ao Matterhorn, que fiz alguns dias depois. E dá pra fazer zilhões de trilhas lá em cima. Com Swiss Travel Pass é free. À tarde, trem até Grindelwald, pra conhecer a cidade. Dali, erroneamente, entrei em um trem parado com destino a Kleine Scheidegg, cidade que dá acesso ao monte Jungfrau. Achei que com o Swiss Travel Pass fosse possível usá-lo, só que não. Levei um pitaço, mas me prontifiquei a pagar até a próxima estação, mas a mulher do trem não tinha troco e não aceitava cartão. Então, desci e voltei a pé no que foi uma trilha incrível (há males que vem pra bem), não fosse ter pisado na merda ao tirar foto da vaquinha com sino estilo milka (há males que vem pra males, até hoje acho que o cheiro da merda não saiu com a lavada que eu dei). Mas, tudo certo, vida que segue.

22-09: resolvi aproveitar o Swiss Travel Pass e ir até Zurique (uma das cidades mais caras do universo), passando por Lucerna (Interlaken-Lucerna é um trecho lindo, a viagem já vale por essa paisagem). Voltei por Zurique-Berna-Interlaken. Em Zurique, também por conta do passe, visitei o Landesmuseum (ou Museu Nacional Suíço), moderno e lindo, na linha museu interativo. É logo atrás da estação de trem. Super recomendo. Tem biblioteca com vários jornais europeus e parque divino pra descansar ao fundo. Depois, fui ao parque Lindenhof, simpático, já com as árvores amarelando pela chegada do outono. Dali, fui meio sem rumo até qualquer igreja que aparecesse numas de conferir a diferença entre estas protestantes e as católicas mundo afora. E são muito austeras, sem quase ornamentação nenhuma. E transitei pelo centro da cidade, que não é um destino obrigatório mas resolvi conferi-la já que é a maior  cidade suíça. Até que os preços regulam com o restante da Suíça, mas restaurantes cobram uns 20 % a mais. Em Berna, passei por um mercado (COOP, há muitos pela cidade) onde comprei uma fanta, um lanchinho (pão com atum), um macarrão pronto pro consumo e três maçãs “Golden”, tudo por 10,45 francos suíços (34 reais, no valor comercial), pra se ter uma noção de preços.

23-09: finalizando Interlaken, peguei o trem até Zermat (2 horas e quinze minutos). Um caminho bonito, mas não tanto quanto o de Interlaken-Lucerna e sem comparação possível com Interlaken-Lauterbrunnen e arredores, além de haver um trecho longo por túnel. Eu, enrolado como sempre, acabei não acordando cedo como previsto, então saí com o trem das 10:00 (tem vários, quase sempre de meia em meia hora), chegando 12:15, depois de duas trocas (em Spiez e Visp). A ideia é que, se o tempo permitisse, já visitasse o Matterhorn (o pico que aparece na embalagem do Toblerone) ainda nesse dia, mas havia algumas nuvens no céu, o que significa “perigo” de tempo ruim lá em cima, mesmo que o sol rache aqui embaixo. Então, ficou pro dia seguinte mesmo. Ao acordar e não ver o tempo ensolarado e limpo, iria ou pra Montreaux ou pra Locarno, deixando o Materhorn pro dia seguinte. Se o tempo tivesse bom, vou de manhã pro Matterhorn e, à tarde, talvez um ou outro desses destinos, assim pensei. Então não tem jeito, é acordar cedo e fazer render o tempo. Enfim, nesse dia não houve programação intensa. Fui pro hostal (Zermatt Youth Hostel, 265 reais por dois dias, cerca de 15 minutos a pé da estação ferroviária, mas a recepção só funciona a partir das 16:00, podendo deixar as malas lá mesmo antes disso). Zermatt é simpática mas tudo cheira a turismo. Daí, fica um pouco aquela sensação de que todo lugar quer seu dinheiro e ponto. Valorizando o local, é legal dizer que não circulam veículos poluentes. Há micro caminhões e táxis que usam combustível não poluente ou motores elétricos. Mas o fluxo que impera é o de pedestres. Dando um rolê pela cidade, encontrei o museu local, ou Museu Matterhorn, cujo ingresso já está contemplado com o Swiss Travel Pass. Bem interessante, pois é uma reprodução do modo de vida tradicional dos povos daqui, e um apanhado de informações legais sobre o Matterhorn, seus heróis e suas vítimas (tem até uns curta-metragens bacanas permanentemente sendo exibidos). Recomendo. Próximo ao museu (tudo é próximo, a cidade é muito pequena), temos a igreja de St. Mauritius, protestante e com pinturas bastante curiosas e moderninhas, diferentíssima da iconografia católica. O altar é até bem ornamentado para os padrões das igrejas protestantes. Ao lado, um pequeno cemitério para os alpinistas e seus guias que morreram ao escalar a montanha, entre outros. E também ali do lado, a ponte Kirchebrucke, de onde já é possível avistar o Matterhorn, mas ainda meio longe.  

24-09: acordei e o tempo ainda indefinido. Resolvi o que ainda não havia se passado na minha cabeça: fazer uma trilha. No caminho, passei por onde saem os “cable car” (tipo bondinho do pão de açúcar) pro Matterhorn Glaciar Paradise (onde há neve abundante o ano todo) pra saber quanto era e como estava o tempo lá em cima. Na bilheteria eles tem imagens de câmeras lá de cima pra saber como está o tempo. E não estava adequado. Resolvi continuar a trilha e voltar mais tarde pra saber se havia melhorado. Fui pra trilha chamada “Matterhorn Trail” (há muitas outras opções) e que passa por Zmut, um vilarejo próximo. Interessante, corta propriedades rurais, avistando carneiros e cabras com sininhos, bosques, ladeia um rio e uma usina hidrelétrica, até chegar num pequeno lago artificial. Agradável (nível médio de dificuldade por causa da subida, mas bem tranquila). Ao todo, caminhei por quatro horas ida e volta. Dali, continua até a base de algumas geleiras aos pés do Matterhorn, mas resolvi voltar pois o tempo melhorou e eu queria subir com os “cable  cars”. Mas... descobri que fecham às 15:00 – é quando sai o último deles. Vida que segue. Assim, fui pra segunda maior atração local: de trem até o Gronegrat, plataforma com vista panorâmica para geleiras e picos. 28 francos suíços pra quem tem Swiss Travel Pass. E foi um passeio bem legal, a vista é incrível, vale a pena. Dali se avista o Matterhorn bem de longe.

25-09 - Acordei com um propósito: passear de trem pelas belas ferrovias, aproveitando o Swiss Travel Pass, até chegar em Lucerna (meu próximo destino) e tendo em vista os elogios que fazem a elas. Ou, caso o tempo estivesse totalmente limpo, sem nuvens, ir ao Matterhorn Glaciar Paradise, o local onde o ano todo pratica-se esqui em Zermatt, sempre com neve abundante. E... o tempo estava soberbo. Com o passe, consegui o ingresso por 50 francos suíços (50% de desconto). Subindo os “cable cars”, se fica de frente pro Matterhon no seu melhor ângulo, aquele da embalagem do Toblerone, até porque na trilha do dia anterior é possível se aproximar mais, mas para uma face bem menos fotogênica. Assim, após mais dois “cable cars” finalmente se chega à plataforma, a 3.883 m. Bom, impossível não comparar. As vistas panorâmicas dos arredores de Lauterbrunen, em Interlaken, mesmo sem neve, são realmente imbatíveis. E olha que quando fui pro Schiltorn, passando por ali, o tempo estava fechado lá em cima. Ouso dizer que gostei até mais do Schynige Platte, apesar do Guia Lonely Planet classificar a ida ao Matterhorn Glaciar Paradise como a melhor programação suíça. Talvez seja, para quem esquiar. Depois, fui de trem pra Vegs e dali pra Brigs, onde peguei o trem Glaciar Express até Andermatt, um trecho bem bonito. Depois, de Andermatt fui pra Lucerna, novamente com vistas incríveis, com destaque para os lagos e montanhas ao fundo. Ali, fiquei no Youth Hostel (endereço: Sedelstrasse, 12) por 79 Francos Suíços por dois dias (já com a taxa de visitação, um imposto municipal cobrado por cada dia que ali se permanece). Lance legal: cada hóspede de hotéis e congêneres em Lucerna tem direito ao transporte urbano gratuito, ao menos na zona em que se encontra. Ou melhor, nem tão gratuito assim, já que há a taxa de visitação. Mas quase todas as cidades turísticas europeias tem essa taxa e não te dão transporte free. De qualquer forma, o Swiss Pass cobre ônibus urbano também. Saindo da porta principal da estação de trem, há uma espécie de terminal de ônibus circular; pensei em chegar ao hostel de ônibus. Ficou no pensamento, pois o problema seria, primeiro, descobrir qual a linha de ônibus circular que passa por lá, segundo, em que momento descer. Mas teria sido fácil. É o ônibus 18, que para num ponto chamado Jungendherberge (lá, os pontos de ônibus são nomeados e os ônibus possuem telas que informam tanto o itinerário quanto o tempo que falta para se chegar no próximo ponto, assim como os trens, não tem erro – nem atraso). O táxi ficou em 17,50 francos suíços.

 26-09: Concluía minha viagem pela Suíça sem ter encontrado uma cidade que me encantasse tanto quanto Lagos, Tomar e Lisboa, em Portugal. Berna, uma graça mas meio escura no centro histórico. Zurique, linda mas ostensivamente  cara. Interlaken, um ponto de passagem, lhe falta “personalidade”. Mas, daí, meu último destino, Lucerna (Luzern), num dia em que o mal tempo me tirou do rumo das montanhas, se revelou uma preciosidade. Cosmopolita e inclusiva, tem como não gostar de um lugar em que quem nele se hospeda ganha trânsito livre no transporte local? Tem como não gostar de quem te trata bem? Foi de todas aquela em que mais percebi o grande número de estrangeiros vivendo por ali, gente da  Ásia, da África e da América. Saí do hostel e usufruí do ônibus circular . Parei assim que vi um trecho interessantão do centro. Caminhei até achar as muralhas da cidade antiga, abertas à visitação: tanto um longo trecho da muralha quanto a Torre do Sino, que faz parte do conjunto. Ao lado, uma parque urbano com bovinos típicos das montanhas (peludinhos) e dois guanacos (?). Continuando a caminhar em direção ao centro encontrei a catedral católica da cidade, lindona, vale uma visita. Dali, fui pra beira do rio, onde muita gente, turistas e locais, interagem com espreguiçadeiras, cisnes, pistas de ciclismo etc., coisas de lugar civilizado. Dali, tirei umas fotos e, de bobeira pela rua, me aparece o museu Sammlung Rosengart Luzern, com uma exposição gigantesca de Picasso (muitos quadros e gravuras), entre outros (Monet, Modigliani etc.). Eu imaginei que fosse uma exposição temporária, mas é permanente (!!!!). Aí que eu me lembrei que li alguma coisa sobre ele ter vivido um tempo na suíça. Acervo incrível e museu lindo. Free para quem porta o Swiss Travel Pass. Depois, usufrui de algo que já sabia pelo pessoal do “mochileiros.com”, que bem depois do horário do almoço, muita comida entra em promoção. Daí, encontrei uma salada com atum de 6 por 3 francos suíços. Mais suco e lanche, tudo saiu por 10 francos suíços. Uma pechincha para os padrões locais. Começou a chover e procurei proteção na estação ferroviária (gigantesca e dotada de loja de tudo que se possa imaginar, além de mercado com preços mais acessíveis – comprei biscoito e chocolates pro dia seguinte em uma loja de chocolates suíços). “Me dei” ao luxo. Comprei três tipos de chocolates diferentes e foi um favor que fiz pra alegrar minha existência, pois são bons demaaaaais. Meio carinhos mas inesquecíveis. Coisa de louco. Voltei de ônibus para o hostel. Lá chegando, resolvi dar uma conferida no lago próximo e suas trilhas ao redor, já que a chuva parou. Muito legal pra cooper, ciclismo e afins. Já é praticamente zona rural e ao redor pastam vacas com sininhos, uma constante na Suíça. Quando cheguei na cidade, até achava que a localização do hostel distante da estação ferroviária fosse seu ponto fraco. Ledo engano, pois ter que fazer esse trecho (lembrando que cada ponto de ônibus tem seu nome em destaque, com boa sinalização, e o ônibus vai informando em uma tela) deu uma dimensão melhor do que é e como funciona uma cidade suíça, e o hostel ao lado do lago é um charme só. Valeu suíça, demais! E Lucerna foi chave de ouro! No dia seguinte, trem para Milão.

Fotos:

1 - Centro histórico de Berna

2 - Lago de Thun, visto do Schynige Plate, próximo de Interlaken:

3 - Zurique:

4 - Bicho não identificado (arriscaria  “carneiro”) mas bonitinho na trilha pro Matterhorn (houve quem arriscasse :

5 - Arredores de Lauterbrunen:

6 - Trilha em Grindelwald:

7 - Quando me dei conta de que o outono tinha chegado, em Zurique:

8 - Parque urbano mágico em Lucerna:

9 - Matterhorn ao pôr-do-sol (visto do Gronegrat):

10 - Mais bichos fofos (especialidade suíça) em parque urbano ao lado das muralhas de Lucerna:

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