Em janeiro de 2007, eu e um camarada zarpamos do Rio Grande do Sul - Lajeado- para o que seria a maior aventura de nossas vidas até então. Passamos um mês viajando pela Bolívia e Peru até Machu Picchu com todos os meios de transportes possíveis, com direito a trilha inca "alternativa" e tudo. Foi tanta coisa que vimos e vivenciamos que resolvi escrever um livro, entitulado - Rumo a Machu Picchu, 250 pág., ed. Nova Letra, 2009.
Para tal, gostaria de compartilhar breves resumos no que consta neste material:
“Este livro não pretende ser apenas mais um diário de viagem, mas um detalhado trabalho com informações sobre distâncias, tempo de viagem, valores, lugares, o que fazer, o que não fazer, o que levar, os cuidados contra espoliadores e trapaceiros, as mudanças de planos, a história, a geografia, o clima, a flora e fauna, a política, a cultura, a economia, enfim, um minucioso escrito passo a passo de como foi essa empresa desde sua ideia até o retorno.
Destacam-se os casos de polícia em que estivemos envolvidos, as estradas do pantanal boliviano, o “Paro” em Santa Cruz de La Sierra, a deposição do Prefeito de Cochabamba na Bolívia pelas associações de cocaleiros e forças sindicais, a trilha “alternativa” que fizemos a pé para chegar a Machu Picchu, o acidente que sofremos com uma lotação em um lugar qualquer na Cordilheira dos Andes, o trem da morte, as ilhas flutuantes do Titicaca onde vivem os índios Urus e outros lugares fantásticos.
E onde é isso? Aqui, ao nosso lado, nossos vizinhos de porta. Apesar de estarem tão próximos, ao mesmo tempo apresentam um quadro social e econômico bastante diferenciado e precário em relação ao nosso.
Também, para não sermos vítimas da memória, consideramos relevante realizar este trabalho. Aos futuros mochileiros, historiadores e viajantes em geral, acreditamos ser de grande valia a presente descrição.”
“Acordei com uma pancada na cabeça, pois a bati contra a janela. Meio atordoado, percebo que o veículo estava balançando fora do normal. Olhei para fora da janela e vi que o ônibus estava parado e escorregando para fora da estrada, com uma roda quase suspensa no ar. E, pior, estava inclinando para nosso lado já com uns vinte graus. Fiquei assustado. A cada acelerada, o veículo patinava mais, indo de encontro ao barranco. Abaixo dele havia um enorme banhado e, se tombasse, iríamos direto para o fundo. Olhei para frente e visualizei a silhueta de várias cabeças acima dos bancos tão aflitas como eu a observar a situação.
Nisso acordo o Leonel para precavê-lo do pior. Assustou-se. Parecia que o ônibus iria cair e o motorista não falava para descermos. Queríamos sair correndo dali. Apontei a lanterna para baixo, a fim de ver melhor a situação e, distraidamente, apontei-a para a frente. E o que vemos? Vários olhinhos brilhando ao contraste da luz do foco. Olhamo-nos. Estava cheio de cobra e jacaré. Podia até ter uma jaguatirica ou outro bicho à espreita, afinal, era o pantanal. “
“Ainda estava com uma leve dor de cabeça. Um termômetro media vinte graus naquele momento. Em um dia, a temperatura alterara de quarenta para vinte graus. Além disso, subimos mais de dois mil metros de altitude em poucas horas.
Comemos bem por oito bolivianos, uns dois reais. Assim que saímos do estabelecimento, ficamos em uma sombra estudando o mapa. Nisso, do outro lado da avenida, barulhos de motores e sirenes chamaram nossa atenção. Saíram por uns portões cerca de vinte motos da polícia, todas com caroneiros de armas em punho. Seguiram, em alta velocidade, com sirene e piscas ligados, à praça da prefeitura. Olhamo-nos e corremos naquela mesma direção.
Chegamos à praça 14 de Septiembre e ficamos à espreita, observando o movimento. Passava da uma da tarde, e, apesar da temperatura estar amena, o sol era forte. Naquele momento encontravam-se muito mais pessoas circulando no local, principalmente campesinos. Seguimos pela calçada até o outro lado da praça, ficando em sentido contrário da frente da prefeitura, na outra extremidade.
A prefeitura era o alvo principal dos manifestos. Os campesinos acreditavam, pela quantidade de soldados e policiais que a defendiam, estarem ainda lá dentro o prefeito e seu ministério, ou parte dele. Não sabiam que haviam deixado Cochabamba no dia anterior, antes do violento confronto que resultou na morte dos dois campesinos indígenas.
As motos da polícia circulavam com tons intimidadores em meio a algumas pessoas que andavam por lá aleatoriamente. Já estavam se organizando para iniciarem seus protestos. Ficamos observando de longe, bem na esquina das ruas Santivãnes e Nataniel Aguirre. Tiramos algumas fotos discretamente - não gostam de serem fotografados, e tomamos cautelas para não nos incomodarmos. O tempo nublara e esfriara um pouco mais.
Não havia turistas por perto, pelo menos não os vimos. Estávamos nos arriscando ali, mas não queríamos perder aquele momento. Era imprescindível testemunharmos um forte manifesto social como aquele.
Nossa posição era estratégica – numa esquina. Em caso de tiroteio ou virem na nossa direção, teríamos mais do que uma rota de fuga. Tranquilos, mantínhamo-nos discretos e acompanhando tudo com nossos olhares de historiadores.
A imprensa cobriu o manifesto, pelo menos vimos uma repórter com seu cameraman. No local onde estávamos havia muitas pessoas observando a movimentação. Deviam ser populares, a julgar por suas vestimentas. As tradicionais cholitas estavam por todo lado. Muitas circulavam com seus carrinhos de comes e bebes.
Conversamos com algumas pessoas locais e mais tarde adquirimos um jornal, o Opinión, a fim de entendermos melhor o que exatamente estava acontecendo. O que constava, era que o prefeito de Cochabamba Manfred Reyes Villa, representado por um setor político de direita, estava desviando recursos econômicos destinados para as necessidades básicas do povo e ainda abstendo-se de ajudar e promover as comunidades que pertencem ao Departamento de Cochabamba. Os movimentos sociais na Bolívia são bastante organizados; suas associações devidamente regulamentadas. As pessoas realmente saem nas ruas para protestarem e exigirem seus direitos. Não se acomodam esperando que outros resolvam o problema – vão à luta movidos por muita coragem. É um fato que não se compara à atitude do povo no Brasil diante de situação semelhante. Faz algum tempo que o povo não sai às ruas para protestar.
Escutamos tiros. Vários.”
Bem ao lado do hostel, havia uma loja de chás. Queria comprar folhas de coca. A chica que nos atendeu me cobrou seis bolivianos por um saquinho com mais de duzentas folhas. Eram bem pequenas e estavam secas.
Começamos a mascar as folhas, primeiro uma, depois duas e ficamos na média de quatro ou cinco folhas de cada vez. Um gosto esquisito, amarguento, mas foi só até nos acostumarmos com seu sabor.
Olá amigos! editado
Em janeiro de 2007, eu e um camarada zarpamos do Rio Grande do Sul - Lajeado- para o que seria a maior aventura de nossas vidas até então. Passamos um mês viajando pela Bolívia e Peru até Machu Picchu com todos os meios de transportes possíveis, com direito a trilha inca "alternativa" e tudo. Foi tanta coisa que vimos e vivenciamos que resolvi escrever um livro, entitulado - Rumo a Machu Picchu, 250 pág., ed. Nova Letra, 2009.
Para tal, gostaria de compartilhar breves resumos no que consta neste material:
MÁRCIO MARQUETTO CAYE
RESUMO 01:
SUMÁRIO:
SUMÁRIO - ......................................................................................................
INTRODUÇÃO - .................................................................................................
CAPÍTULO I – A VIAGEM: PRIMEIRAS AÇÕES...........................................
CAPÍTULO II – RUMO A FRONTEIRA BOLIVIANA ......................................
CAPÍTULO III – PUERTO QUIJARRO: A SORTE ESTÁ LANÇADA ..............
CAPÍTULO IV – O EL CARRETON ................................................................
CAPÍTULO V – COCHABAMBA ......................................................................
CAPÍTULO VI – FOLHA DE COCA: A PLANTA MÃE DA BOLÍVIA ...............
CAPÍTULO VII – TIAHUANACO .....................................................................
CAPÍTULO VIII – TITICACA: O LAGO NAVEGÁVEL MAIS ALTO DO MUNDO ..
...........................................................................................................................
CAPÍTULO IX – NOVO PAÍS, NOVO AMIGO ........................................
CAPÍTULO X – A TRILHA INCA ....................................................................
CAPÍTULO XI – MACHU PICCHU ................................................................
CAPÍTULO XII – CUSCO: O UMBIGO DO MUNDO ......................................
CAPÍTULO XIII – AS ILHAS FLUTUANTES DOS URUS ...............................
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ....................................................................
“Este livro não pretende ser apenas mais um diário de viagem, mas um detalhado trabalho com informações sobre distâncias, tempo de viagem, valores, lugares, o que fazer, o que não fazer, o que levar, os cuidados contra espoliadores e trapaceiros, as mudanças de planos, a história, a geografia, o clima, a flora e fauna, a política, a cultura, a economia, enfim, um minucioso escrito passo a passo de como foi essa empresa desde sua ideia até o retorno.
Destacam-se os casos de polícia em que estivemos envolvidos, as estradas do pantanal boliviano, o “Paro” em Santa Cruz de La Sierra, a deposição do Prefeito de Cochabamba na Bolívia pelas associações de cocaleiros e forças sindicais, a trilha “alternativa” que fizemos a pé para chegar a Machu Picchu, o acidente que sofremos com uma lotação em um lugar qualquer na Cordilheira dos Andes, o trem da morte, as ilhas flutuantes do Titicaca onde vivem os índios Urus e outros lugares fantásticos.
E onde é isso? Aqui, ao nosso lado, nossos vizinhos de porta. Apesar de estarem tão próximos, ao mesmo tempo apresentam um quadro social e econômico bastante diferenciado e precário em relação ao nosso.
Também, para não sermos vítimas da memória, consideramos relevante realizar este trabalho. Aos futuros mochileiros, historiadores e viajantes em geral, acreditamos ser de grande valia a presente descrição.”
“Acordei com uma pancada na cabeça, pois a bati contra a janela. Meio atordoado, percebo que o veículo estava balançando fora do normal. Olhei para fora da janela e vi que o ônibus estava parado e escorregando para fora da estrada, com uma roda quase suspensa no ar. E, pior, estava inclinando para nosso lado já com uns vinte graus. Fiquei assustado. A cada acelerada, o veículo patinava mais, indo de encontro ao barranco. Abaixo dele havia um enorme banhado e, se tombasse, iríamos direto para o fundo. Olhei para frente e visualizei a silhueta de várias cabeças acima dos bancos tão aflitas como eu a observar a situação.
Nisso acordo o Leonel para precavê-lo do pior. Assustou-se. Parecia que o ônibus iria cair e o motorista não falava para descermos. Queríamos sair correndo dali. Apontei a lanterna para baixo, a fim de ver melhor a situação e, distraidamente, apontei-a para a frente. E o que vemos? Vários olhinhos brilhando ao contraste da luz do foco. Olhamo-nos. Estava cheio de cobra e jacaré. Podia até ter uma jaguatirica ou outro bicho à espreita, afinal, era o pantanal. “
“Ainda estava com uma leve dor de cabeça. Um termômetro media vinte graus naquele momento. Em um dia, a temperatura alterara de quarenta para vinte graus. Além disso, subimos mais de dois mil metros de altitude em poucas horas.
Comemos bem por oito bolivianos, uns dois reais. Assim que saímos do estabelecimento, ficamos em uma sombra estudando o mapa. Nisso, do outro lado da avenida, barulhos de motores e sirenes chamaram nossa atenção. Saíram por uns portões cerca de vinte motos da polícia, todas com caroneiros de armas em punho. Seguiram, em alta velocidade, com sirene e piscas ligados, à praça da prefeitura. Olhamo-nos e corremos naquela mesma direção.
Chegamos à praça 14 de Septiembre e ficamos à espreita, observando o movimento. Passava da uma da tarde, e, apesar da temperatura estar amena, o sol era forte. Naquele momento encontravam-se muito mais pessoas circulando no local, principalmente campesinos. Seguimos pela calçada até o outro lado da praça, ficando em sentido contrário da frente da prefeitura, na outra extremidade.
A prefeitura era o alvo principal dos manifestos. Os campesinos acreditavam, pela quantidade de soldados e policiais que a defendiam, estarem ainda lá dentro o prefeito e seu ministério, ou parte dele. Não sabiam que haviam deixado Cochabamba no dia anterior, antes do violento confronto que resultou na morte dos dois campesinos indígenas.
As motos da polícia circulavam com tons intimidadores em meio a algumas pessoas que andavam por lá aleatoriamente. Já estavam se organizando para iniciarem seus protestos. Ficamos observando de longe, bem na esquina das ruas Santivãnes e Nataniel Aguirre. Tiramos algumas fotos discretamente - não gostam de serem fotografados, e tomamos cautelas para não nos incomodarmos. O tempo nublara e esfriara um pouco mais.
Não havia turistas por perto, pelo menos não os vimos. Estávamos nos arriscando ali, mas não queríamos perder aquele momento. Era imprescindível testemunharmos um forte manifesto social como aquele.
Nossa posição era estratégica – numa esquina. Em caso de tiroteio ou virem na nossa direção, teríamos mais do que uma rota de fuga. Tranquilos, mantínhamo-nos discretos e acompanhando tudo com nossos olhares de historiadores.
A imprensa cobriu o manifesto, pelo menos vimos uma repórter com seu cameraman. No local onde estávamos havia muitas pessoas observando a movimentação. Deviam ser populares, a julgar por suas vestimentas. As tradicionais cholitas estavam por todo lado. Muitas circulavam com seus carrinhos de comes e bebes.
Conversamos com algumas pessoas locais e mais tarde adquirimos um jornal, o Opinión, a fim de entendermos melhor o que exatamente estava acontecendo. O que constava, era que o prefeito de Cochabamba Manfred Reyes Villa, representado por um setor político de direita, estava desviando recursos econômicos destinados para as necessidades básicas do povo e ainda abstendo-se de ajudar e promover as comunidades que pertencem ao Departamento de Cochabamba. Os movimentos sociais na Bolívia são bastante organizados; suas associações devidamente regulamentadas. As pessoas realmente saem nas ruas para protestarem e exigirem seus direitos. Não se acomodam esperando que outros resolvam o problema – vão à luta movidos por muita coragem. É um fato que não se compara à atitude do povo no Brasil diante de situação semelhante. Faz algum tempo que o povo não sai às ruas para protestar.
Escutamos tiros. Vários.”
Bem ao lado do hostel, havia uma loja de chás. Queria comprar folhas de coca. A chica que nos atendeu me cobrou seis bolivianos por um saquinho com mais de duzentas folhas. Eram bem pequenas e estavam secas.
Começamos a mascar as folhas, primeiro uma, depois duas e ficamos na média de quatro ou cinco folhas de cada vez. Um gosto esquisito, amarguento, mas foi só até nos acostumarmos com seu sabor.