Ir para conteúdo
View in the app

A better way to browse. Learn more.

Mochileiros.com

A full-screen app on your home screen with push notifications, badges and more.

To install this app on iOS and iPadOS
  1. Tap the Share icon in Safari
  2. Scroll the menu and tap Add to Home Screen.
  3. Tap Add in the top-right corner.
To install this app on Android
  1. Tap the 3-dot menu (⋮) in the top-right corner of the browser.
  2. Tap Add to Home screen or Install app.
  3. Confirm by tapping Install.

Olá viajante!

Bora viajar?

livro para quem quer ir de mochila à Machu Picchu cruzando a Bolívia

Postado
  • Membros

Olá amigos! editado

 

Em janeiro de 2007, eu e um camarada zarpamos do Rio Grande do Sul - Lajeado- para o que seria a maior aventura de nossas vidas até então. Passamos um mês viajando pela Bolívia e Peru até Machu Picchu com todos os meios de transportes possíveis, com direito a trilha inca "alternativa" e tudo. Foi tanta coisa que vimos e vivenciamos que resolvi escrever um livro, entitulado - Rumo a Machu Picchu, 250 pág., ed. Nova Letra, 2009.

Para tal, gostaria de compartilhar breves resumos no que consta neste material:

MÁRCIO MARQUETTO CAYE

 

RESUMO 01:

SUMÁRIO:

 

SUMÁRIO - ......................................................................................................

INTRODUÇÃO - .................................................................................................

CAPÍTULO I – A VIAGEM: PRIMEIRAS AÇÕES...........................................

CAPÍTULO II – RUMO A FRONTEIRA BOLIVIANA ......................................

CAPÍTULO III – PUERTO QUIJARRO: A SORTE ESTÁ LANÇADA ..............

CAPÍTULO IV – O EL CARRETON ................................................................

CAPÍTULO V – COCHABAMBA ......................................................................

CAPÍTULO VI – FOLHA DE COCA: A PLANTA MÃE DA BOLÍVIA ...............

CAPÍTULO VII – TIAHUANACO .....................................................................

CAPÍTULO VIII – TITICACA: O LAGO NAVEGÁVEL MAIS ALTO DO MUNDO ..

...........................................................................................................................

CAPÍTULO IX – NOVO PAÍS, NOVO AMIGO ........................................

CAPÍTULO X – A TRILHA INCA ....................................................................

CAPÍTULO XI – MACHU PICCHU ................................................................

CAPÍTULO XII – CUSCO: O UMBIGO DO MUNDO ......................................

CAPÍTULO XIII – AS ILHAS FLUTUANTES DOS URUS ...............................

BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ....................................................................

 

 

“Este livro não pretende ser apenas mais um diário de viagem, mas um detalhado trabalho com informações sobre distâncias, tempo de viagem, valores, lugares, o que fazer, o que não fazer, o que levar, os cuidados contra espoliadores e trapaceiros, as mudanças de planos, a história, a geografia, o clima, a flora e fauna, a política, a cultura, a economia, enfim, um minucioso escrito passo a passo de como foi essa empresa desde sua ideia até o retorno.

Destacam-se os casos de polícia em que estivemos envolvidos, as estradas do pantanal boliviano, o “Paro” em Santa Cruz de La Sierra, a deposição do Prefeito de Cochabamba na Bolívia pelas associações de cocaleiros e forças sindicais, a trilha “alternativa” que fizemos a pé para chegar a Machu Picchu, o acidente que sofremos com uma lotação em um lugar qualquer na Cordilheira dos Andes, o trem da morte, as ilhas flutuantes do Titicaca onde vivem os índios Urus e outros lugares fantásticos.

E onde é isso? Aqui, ao nosso lado, nossos vizinhos de porta. Apesar de estarem tão próximos, ao mesmo tempo apresentam um quadro social e econômico bastante diferenciado e precário em relação ao nosso.

Também, para não sermos vítimas da memória, consideramos relevante realizar este trabalho. Aos futuros mochileiros, historiadores e viajantes em geral, acreditamos ser de grande valia a presente descrição.”

 

“Acordei com uma pancada na cabeça, pois a bati contra a janela. Meio atordoado, percebo que o veículo estava balançando fora do normal. Olhei para fora da janela e vi que o ônibus estava parado e escorregando para fora da estrada, com uma roda quase suspensa no ar. E, pior, estava inclinando para nosso lado já com uns vinte graus. Fiquei assustado. A cada acelerada, o veículo patinava mais, indo de encontro ao barranco. Abaixo dele havia um enorme banhado e, se tombasse, iríamos direto para o fundo. Olhei para frente e visualizei a silhueta de várias cabeças acima dos bancos tão aflitas como eu a observar a situação.

Nisso acordo o Leonel para precavê-lo do pior. Assustou-se. Parecia que o ônibus iria cair e o motorista não falava para descermos. Queríamos sair correndo dali. Apontei a lanterna para baixo, a fim de ver melhor a situação e, distraidamente, apontei-a para a frente. E o que vemos? Vários olhinhos brilhando ao contraste da luz do foco. Olhamo-nos. Estava cheio de cobra e jacaré. Podia até ter uma jaguatirica ou outro bicho à espreita, afinal, era o pantanal. “

 

“Ainda estava com uma leve dor de cabeça. Um termômetro media vinte graus naquele momento. Em um dia, a temperatura alterara de quarenta para vinte graus. Além disso, subimos mais de dois mil metros de altitude em poucas horas.

Comemos bem por oito bolivianos, uns dois reais. Assim que saímos do estabelecimento, ficamos em uma sombra estudando o mapa. Nisso, do outro lado da avenida, barulhos de motores e sirenes chamaram nossa atenção. Saíram por uns portões cerca de vinte motos da polícia, todas com caroneiros de armas em punho. Seguiram, em alta velocidade, com sirene e piscas ligados, à praça da prefeitura. Olhamo-nos e corremos naquela mesma direção.

Chegamos à praça 14 de Septiembre e ficamos à espreita, observando o movimento. Passava da uma da tarde, e, apesar da temperatura estar amena, o sol era forte. Naquele momento encontravam-se muito mais pessoas circulando no local, principalmente campesinos. Seguimos pela calçada até o outro lado da praça, ficando em sentido contrário da frente da prefeitura, na outra extremidade.

A prefeitura era o alvo principal dos manifestos. Os campesinos acreditavam, pela quantidade de soldados e policiais que a defendiam, estarem ainda lá dentro o prefeito e seu ministério, ou parte dele. Não sabiam que haviam deixado Cochabamba no dia anterior, antes do violento confronto que resultou na morte dos dois campesinos indígenas.

As motos da polícia circulavam com tons intimidadores em meio a algumas pessoas que andavam por lá aleatoriamente. Já estavam se organizando para iniciarem seus protestos. Ficamos observando de longe, bem na esquina das ruas Santivãnes e Nataniel Aguirre. Tiramos algumas fotos discretamente - não gostam de serem fotografados, e tomamos cautelas para não nos incomodarmos. O tempo nublara e esfriara um pouco mais.

Não havia turistas por perto, pelo menos não os vimos. Estávamos nos arriscando ali, mas não queríamos perder aquele momento. Era imprescindível testemunharmos um forte manifesto social como aquele.

Nossa posição era estratégica – numa esquina. Em caso de tiroteio ou virem na nossa direção, teríamos mais do que uma rota de fuga. Tranquilos, mantínhamo-nos discretos e acompanhando tudo com nossos olhares de historiadores.

A imprensa cobriu o manifesto, pelo menos vimos uma repórter com seu cameraman. No local onde estávamos havia muitas pessoas observando a movimentação. Deviam ser populares, a julgar por suas vestimentas. As tradicionais cholitas estavam por todo lado. Muitas circulavam com seus carrinhos de comes e bebes.

Conversamos com algumas pessoas locais e mais tarde adquirimos um jornal, o Opinión, a fim de entendermos melhor o que exatamente estava acontecendo. O que constava, era que o prefeito de Cochabamba Manfred Reyes Villa, representado por um setor político de direita, estava desviando recursos econômicos destinados para as necessidades básicas do povo e ainda abstendo-se de ajudar e promover as comunidades que pertencem ao Departamento de Cochabamba. Os movimentos sociais na Bolívia são bastante organizados; suas associações devidamente regulamentadas. As pessoas realmente saem nas ruas para protestarem e exigirem seus direitos. Não se acomodam esperando que outros resolvam o problema – vão à luta movidos por muita coragem. É um fato que não se compara à atitude do povo no Brasil diante de situação semelhante. Faz algum tempo que o povo não sai às ruas para protestar.

Escutamos tiros. Vários.”

 

Bem ao lado do hostel, havia uma loja de chás. Queria comprar folhas de coca. A chica que nos atendeu me cobrou seis bolivianos por um saquinho com mais de duzentas folhas. Eram bem pequenas e estavam secas.

Começamos a mascar as folhas, primeiro uma, depois duas e ficamos na média de quatro ou cinco folhas de cada vez. Um gosto esquisito, amarguento, mas foi só até nos acostumarmos com seu sabor.

 

 

 

 

 

 

 

 

20100630211708.jpg

Featured Replies

Postado
  • Autor
  • Membros

Olá amigos!

 

RESUMO 10 – O RETORNO A CUSCO -

 

Chovia forte na manhã de sábado, dia 27 de janeiro. Ainda estava escuro na rua e as trovoadas insistiam em fazer estardalhaços. Tivemos que acordar o dono do hostel para fazer os acertos. Logo o pessoal do outro quarto desceu. Assim que todos estavam prontos, dirigimo-nos ao local combinado. Os outros já estavam por lá, embaixo da marquise de um restaurante ao lado dos trilhos.

Estávamos novamente todos os doze reunidos. O plano do Ray para voltarmos para Cusco era o seguinte: seguirmos a pé pelos trilhos até chegarmos em uma estrada adiante, pegar uma condução para Santa Tereza e de lá à Santa Maria, onde tomaríamos um ônibus para Cusco. Só que o ônibus para Cusco sairia às duas da tarde e teríamos que nos apressar.

Começamos a andar na estrada no mesmo sentido que nos levara até a ponte de acesso a Machu Picchu. Passamos em frente a ela e seguimos pelos trilhos, no mesmo leve declínio de quando havíamos chegado. Contornamos a montanha de Putukusi e mais adiante contornamos toda a montanha de Wayna Picchu e Machu Picchu, sendo a parede da montanha desse outro lado muito acentuada.

Continuamos a andar por mais alguns quilômetros debaixo da chuva gelada até que chegamos à ponte da ferrovia. Toda de metal, porém antiga, foi fácil de atravessar, pois nesse horário não havia trens e os mais frequentes vão apenas até Águas Calientes. De qualquer forma, há uma estreita passagem para pedestres na sua lateral.

Assim que saímos do outro lado da ponte, entramos na mata peruana por onde os trilhos seguiam. Sentia-me como se estivesse na Amazonia, apesar de ainda não a conhecer pessoalmente. Grandes árvores encobriam o céu com suas dispersas copas, revoadas de papagaios, algumas araras, bananeiras carregadas e barulho de bichos, apesar da chuva.

 

Com o Ray sempre na frente, andamos mais alguns quilômetros e chegamos a uma pequena hidrelétrica. Nesse ponto, nosso amigo peruano mandou-nos descer uma ribanceira à direita e o seguir. Pegamos um pequeno trilho e a uns 150 metros dali alcançamos novamente as margens do rio Urubamba. De Águas Calientes até onde saímos dos trilhos foram dez quilômetros.

Havia ali uma ponte concretada para veículos terrestres e mais uma vez atravessamos o rio, passando a caminhar por uma estrada de chão batido. É impressionante a altura das montanhas que estavam a nossa volta, verdadeiros espigões acossando-nos em suas bases, majestojos, como sempre.

O aguaceiro cessou, e, enquanto tirávamos as capas de chuva, um tímido sol insistia em querer aparecer. Andamos e andamos. Volta e meia passava um caminhão carregando funcionários de alguma mineiradora ou da hidrelétrica.

Encontramos na beira da estrada uma tenda que vendia água e frutas. Sentamos em bancos improvisados que ali estavam e descansamos um pouco. O pessoal comprou algumas frutas. Retirei-me um pouco dali, tirei minhas calças plástica para chuva (somente neste dia a usara), coloquei a convencional e negociei-a com o peruano dono da tenda em troca de bananas. Mesmo rasgada, a aceitou. Rendeu-me uma pequena quantidade de bananas, que dividi com o grupo.

O caminho era muito longo. Estava ficando quente e nossa caminhada não estava rendendo. Ainda na tenda, em dado momento cruzou pela estrada um caminhão cheio de pessoas. O peruano disse que ele fazia esse trajeto pela estrada algumas vezes por dia. Nossa salvação. Continuamos a caminhar aguardando a volta dele e não tardou para aparecer em alta velocidade, apesar da precaridade da estrada.

Acenamos para parar, e o Ray falou com o motorista. Disse-nos que custava três soles cada. Juntamos nossas moedas e embarcamos pela traseira do caminhão, por uma escadinha de madeira especialmente feita para isso. Tratava-se de um caminhão “pau-de-arara”, típico dos sertões nordestinos e confins do Brasil. Em umas barras de cano metálico sobre nossas cabeças, tínhamos que nos segurarmos.

O rio Urubamba estava ficando cada vez mais abaixo. A estrada subia e não havia acostamentos. Uma manobra em falso e despencaríamos no rio, mas não sem antes batermos nas suas pedregosas encostas. A chuva ainda ajudou a desbarrancar um pouco mais a estrada, mas não assustava muito, até aquele momento.

Em um ponto do rio, avistamos algumas pessoas atravessando-o em uma tiroleza, uma espécie de carrinho onde cabia somente uma pessoa e deslizava com umas roldanas por um cabo de aço até a outra margem.

 

Andamos alguns quilômetros com o “pau-de-arara”. Ainda bem que conseguimos esse transporte, do contrário andaríamos por ali todo o dia. No momento em que o caminhão parou para desembarcarem alguns passageiros que tomariam uma autolotação do outro lado do rio, fizemos o mesmo, pois ela passaria por Santa Tereza e depois iria direto para Santa Maria.

Atravessamos mais uma vez sobre o turbulento Urubamba por uma estreita ponte para pedestres e tomamos a autolotação. Para irmos até Santa Maria, o motorista mandou seu auxiliar nos cobrar seis soles. Em seguida, colocamos nossas mochilas em cima do veículo. Tudo bem, se não fosse a super lotação do transporte - só nós éramos em doze e estávamos em um total de vinte pessoas no veículo, todas muito esprimidas.

Com muito custo conseguiu arrancar. Seguimos até Santa Tereza e uma mulher, provavelmente a sócia do motorista, pediu se era possível levar mais três pessoas. Para nossa surpresa, disse que sim. Ficamos pasmos e nos negamos a deixá-las entrar, nem tinha como. A mulher, não querendo perder mais alguns soles, disse para o motorista seguir até depois da cidade, que mais parecia uma vila e esperar os três, que iriam em cima, sobre as mochilas. No centro urbano havia polícia e por isso deveriam embarcar depois dela.

Nossas reclamações ficaram pairando no vazio. Estávamos indignados com eles. Nunca vimos coisa igual. Vinte e três pessoas em uma viatura que suportava apenas doze. Não só por causa dos lugares, mas pela sustentação da máquina.

Saímos daquele lugar e começamos a subir, subir e subir. Creio que estávamos a uns seiscentos metros de altura, passando por uma estreita estrada de terra recortada na encosta das montanhas. O rio Urubamba parecia agora apenas um estreito riacho. O motorista passava às vezes muito próximo da ribanceira, motivo pelo qual estava começando a nos assustar, ainda mais enlatados daquela forma.

E assim recortamos diversas montanhas em um constante ziguezague entre elas. Paramos de subir e passamos a andar em sentido horizontal. Consegui fotografar o penhasco a apenas um metro do veículo.

 

A certa altura, um forte cheiro de plástico queimado invadiu a autolotação. Começamos a comentar que algo estava errado, mas o motorista não deu importância. Não demorou muito e uma fumaceira começou a surgir na lateral esquerda do transporte. Agora, aos gritos, conseguimos fazê-lo parar, mas antes disso tivera que ele mesmo constatar que algo estava errado. Descemos todos. O motorista despejou uma garrafinha d’água na roda, provocando imediata evaporação do líquido. As balacas dos freios haviam queimado e o motorista apenas jogara um pouco d’água para “consertá-las”. Em seguida, nos mandou entrar.

Começamos a descer e o motorista logo percebeu que as balacas estavam fazendo falta. A autolotação ficou sem freios, e nós descendo as montanhas já aos trancos e barrancos, quicando dentro dela. Diante dessa situação desesperadora, tentando evitar o precipício, o motorista jogou o veículo contra o barranco do lado esquerdo, mas a parede rebateu-o com força de volta para a estrada e na direção à ribanceira. Naquele momento, os que estavam em cima pularam para fora de qualquer jeito, tentando se salvar, e o motorista segurou a direção na estrada, mas ganhou velocidade. Para nossa sorte, vinha em sentido contrário outra autolotação e o motorista mirou-a, para que parássemos com o choque ou despencássemos as duas.

 

Sentimos um forte impacto e em seguida a inércia. Deu certo, paramos, mas o susto foi grande. Certamente essa outra autolotação salvou nossas vidas. Se ela não aparecesse, era bem provável que cairíamos a uma altura superior a 500 metros dentro do rio Urubamba. Realmente não era para morrer ninguém naquele dia, pois a autolotação que veio em sentido contrário foi apenas o terceiro ou quarto veículo que cruzou por nós em mais de três horas de trajeto.

 

O estrago foi grande e a confusão generalizada. O motorista do outro veículo xingou o do nosso e os passageiros da nossa cobraram seus seis soles de volta, indignados, ameaçando bater nele e o entregar para a polícia. Os passageiros que estavam em cima dela nada sofreram, felizmente. A Tatiana quase teve uma crise nervosa e as argentinas só choravam. Já o pessoal da outra autolotação nada sofreu, mas também ficou bastante nervoso e assustado.

Pegamos as mochilas e, ainda revoltados pela negligência do condutor, seguimos a pé. Já passava da uma da tarde e faltavam uns sete quilômetros até a cidade. Eu, o Leonel, o Ray, o Guilherme e a Tatiana começamos a caminhar rápido, pelo menos para chegar a tempo de fazer o ônibus esperar até que todos chegassem.

O sol estava fortíssimo naquele horário. Não tínhamos mais comida nem água. Diante de nossa indignação pela situação ocorrida, por diversas vezes o Ray nos pediu desculpas, mesmo falando-lhe que não tinha sido sua culpa. Mesmo assim, ficou cabisbaixo, tomando toda a culpa para si, pois sentia-se responsável por nós.

Paramos de descer e seguimos em linha reta, ou melhor, no plano. Passamos por algumas casas, as quais estavam abandonadas. Encontramos um homem de bicicleta que nos informou que Santa Maria ficava a apenas dois quilômetros. Mais adiante, atravessamos outra ponte sobre o rio Urubamba, andamos mais uns 900 metros e chegamos na cidade. Era tarde demais. Meu relógio marcava duas e vinte. Havíamos perdido a condução para Cusco.

Entramos em uma mercearia e imediatamente adquirimos água. O local era aquele tipo de estabelecimento no qual funcionam vários estabelecimentos juntos, como mercado, bar e rodoviária. O peruano, dono do lugar, informou-nos que a próxima condução para Cusco seria às 20 horas. Teríamos que esperar a tarde toda.

Santa Maria mais é um vilarejo do que uma cidade. Uma localidade com poucos habitantes, provavelmente com algumas dezenas de pessoas. O lugar em si tem apenas uma rua central de chão batido com uma largura de uns trinta metros, lembrando uma cidade do velho-oeste. Suas casas são antigas, parecendo o cenário do filme brasileiro “Gabriela, Cravo e Canela”, de Bruno Barreto.

Saímos da mercearia e logo os outros foram chegando. Atravessamos a rua e sentamo-nos na sombra de uma calçada em frente a um antigo armazém.

Logo a calçada ficou cheia de turistas e de suas mochilas coloridas - a galera da lotação. O João trouxe nossa parte do dinheiro que conseguira de volta com aquele motorista irresponsável. Fomos comprar as passagens, para nos garantirmos. Na mercearia, as compramos por 45 soles pela empresa de transportes Kamisea. Só sabíamos que estávamos ainda bem longe de Cusco.

O dia, que começou chuvoso e frio, ficou ensolarado e quente. Creio que uns trinta graus, a maior temperatura desde que estivemos no pantanal boliviano.

 

Almoçamos uma comida qualquer em uma velha lancheria ali perto e voltamos para a calçada. Ficamos ali sentados a tarde toda, sem fazermos nada. Volta e meia passava uma camionete em alta velocidade pelo local levantando densa poeira. Também cruzaram pelo lugarejo alguns turistas com montain bike, as quais se podia alugar e andar pelos Andes.

 

Vinte horas. Nada. Esperamos, ansiosos e tensos, e nada do transporte. Por fim, chegou somente às vinte e uma horas. Assim que parou, debandamos para o veículo apressados. Entre o vai e vem de gente e a poeira que este levantou, acondicionamos as mochilas nos bagageiros e embarcamos no ônibus. Apesar de ter demorado quase meia hora entre descarregar e carregar mercadorias na mercearia, estávamos felizes.

Depois que arrancou, sentimos um pouco de ar fresco, pois não houvera uma única brisa durante a tarde toda e estávamos empapados de suor no interior do veículo. As crianças deram-nos adeus e correram atrás da condução. O ônibus era um possante “montanhês” ao estilo do El Carreton.

Em quinze minutos de estrada, eu já estava dormindo, exausto.

 

Durante a noite, acordei por um momento acossado por um frio intenso e repentino. Sequei a umidade da janela e olhei para fora do ônibus na esperança de ver onde estávamos. Vi apenas uma paisagem esbranquiçada. Estávamos passando em cima de morros nevados, e o frio gelou-me. O Leonel também foi vítima dessa surpresa. Nem imaginávamos que poderia ficar tão frio, afinal, quando partimos, ainda estava muito quente. Arrumei-me como dava, apreciei um pouco o visual da neve e dormi novamente.

A viagem para Cusco demorou a noite toda. Quando acordei, o sol já despontava no horizonte e estávamos nas imediações da cidade. O Leonel me contou que, em dado momento, quando acordou na madrugada, a pessoa, a moça sentada ao seu lado estava rezando de mãos unidas. Provavelmente esse era o lado dos despenhadeiros...

Chegamos na rodoviária às seis e meia da manhã do sábado, dia 27 de janeiro. Havíamos demorado cerca de vinte e quatro horas para retornarmos à Cusco. Fizemos uma enorme volta por uma vasta região montanhosa dos interiores do Peru e quase que também deixamos nossas vidas por lá.

Faz parte!

 

os terraços de MACHU PICCHU

20100814220839.jpg

 

viajando de "pau-de-arara"

20100814220207.jpg

 

com a van, a centímetros dos desfiladeiros (antes de ficar sem freios)

20100814220419.jpg

 

enfim, sãos e salvos de volta a CUSCO

20100814221222.jpg

  • 4 semanas depois...
Postado
  • Autor
  • Membros

Olá amigos!

Segue o 11º relato:

 

RESUMO 11 – AS ILHAS FLUTUANTES DOS URUS -

 

Conseguimos dormir razoavelmente bem no ônibus. Nosso destino era Puno e chegamos lá ainda de madrugada. Pairava uma fria neblina no ar. Logo que desembarcamos na rodoviária, nos informamos e fomos a pé até o porto para visitação das ilhas flutuantes. Era primeiro de fevereiro de 2007, quinta-feira. Nosso vigésimo dia de viagem.

Nossa visitação a Puno restringiu-se apenas às ilhas do Titicaca, pois logo pretendíamos seguir viagem. Chegamos ao trapiche pelas seis horas da manhã. Há na sua entrada várias casinhas que vendem bilhetes para a visitação, as quais abriam as sete horas.

Nessa uma hora que esperamos apareceram outros turistas. Eram muitos barcos. A economia do lugar depende muito do turismo. A cidade de Puno foi inicialmente habitada pela cultura Pukara por volta do século III a. C., sendo posteriormente suplantada pela cultura Tiahuanaco, e mais tarde pela inca.

A cidade em si foi fundada pelos espanhóis em 1668. Chamavam-na de Puão Pampa, que significa paragem de dormir, por ter esse propósito na época. Também há referências de que Puno fora chamada pelos espanhóis de San Bautista de Puno. Na atualidade, Puno é a capital do folclore peruano e sede da festa da Virgem de Candelária. Sua população estima-se em 120 mil pessoas e localiza-se a 3.827 metros de altitude, na margem noroeste do lago Titicaca, estando cercada por uma pequena serra.

 

Assim que os guichês abriram, compramos os bilhetes por 15 soles e entramos em um barco. Largamos as mochilas e sentamo-nos perto do motor por causa do calor, pois lá faz bem mais frio que em Cusco. Por cima da água, havia um limo verde que se estendia por toda a baía. No entanto, o barco só partira depois que havia passageiros suficientes. Ficamos esperando por mais de meia hora.

Por fim partimos. Assim que saímos da baía, começamos a cruzar pela matéria-prima dos Urus, a hidrófila planta de junco chamada Totora, semelhante ao papiro egípcio. Passamos por alguns barcos feitos com essa planta, com as tradicionais carancas que representam seu animal sagrado e venerado, o puma.

Mais adiante, alcançamos as primeiras ilhotas e desembarcamos. Assim que pisamos nela afrouxamos as pernas, pois era como caminhar em cima de uma pilha de feno. Todos desengonçados, fomos em direção das casas também feitas dessa planta. Um peruano residente na ilha contou-nos que atualmente vivem ali cerca de 3.000 pessoas espalhadas em mais de quarenta ilhas flutuantes, passando algumas pessoas dos oitenta anos sobre elas. Os mais tradicionais comem principalmente a truta, a raiz do junco, o pato selvagem e ovos dessa ave. De quando em quando vão até a cidade comprar outros alimentos, mas estão tão acostumados em pisarem no macio que, ao andarem na cidade, doem-lhes as juntas dos joelhos.

 

Esse sujeito ainda nos mostrou como funcionavam as ilhas. Destampou um buraco já pronto e mostrou a espessura dela, uns dois metros. Em seguida, largou uma pedra presa a um barbante e disse ter ali sessenta metros de profundidade. Despedimo-nos e retornamos ao barco que estava de partida para outra ilhota.

Cita-se que esse povo surgiu entre 8.000 e 5.000 anos a. C., sendo subdivididos em três grupos principais: Chipayas, Muratos e Iruitos. O propósito de viverem em ilhas no Titicaca foi de manterem-se afastados de feras e principalmente de tribos rivais, sendo, portanto, um refúgio que garantiria sua sobrevivência.

Enquanto sobressaíam-se como valentes guerreiros sobre a água, em terra já não despendiam da mesma galhardia e acabaram por serem submetidos primeiramente à cultura aymará e depois ao império inca.

A maioria das ilhas tem seus barcos de junco, os quais demoram cerca de dois meses para ficarem prontos e duram no máximo sete meses. Nas ilhas têm de repor junco diariamente já que a parte inferior apodrece conforme a água penetra na palha. Há junco em grande quantidade em toda a parte noroeste do Titicaca, próxima às suas margens – nas imediações de Puno. A planta em si parece existir exatamente para esse propósito. Com diâmetro que chega à espessura de um dedo (um pouco mais), por dentro é cheia de compartimentos, tipo gomos, o que propicia sua eficácia em boiar.

 

As ilhas são de vários tamanhos, com mais ou menos umas sessenta pessoas cada. Existe a possibilidade de se pernoitar nelas, mediante pagamento. O comércio de artesanato é o ponto forte da economia dos Urus, no qual dependem para necessidades como roupas, medicamentos e ferramentas.

E assim seguia-se. Em frente das cabanas estavam várias bancadas dos moradores com essas peças, a maioria, senão todas, feitas do abundante junco do lago. Comprei um pequeno pássaro, uma representação do Colibri, que sustentava uma imitação de seus barcos, por três soles.

Depois de visitarmos várias ilhotas dos Urus, voltamos ao cais perto das dez horas. Retornamos a pé para a rodoviária, apesar de haver por ali muitas moto-táxis em forma de triciclo, com teto e porta, como existem abundantemente na Ásia.

 

Na rodoviária, soubemos haver ônibus para Desaguadero às dez e meia, mas do lado de fora da rodoviária, numa espécie de terminal secundário. Em meio a muitas pessoas, fomos rapidamente para lá, compramos os bilhetes num guichê em um estabelecimento comercial por apenas seis soles e fomos ao ônibus. Colocaram nossas mochilas em cima e sentamo-nos em nossos assentos. Partira em menos de dez minutos lotado de passageiros. Fazia forte calor naquela hora. A partir de então, estávamos em marcha de regresso. Chegamos em Desaguadero ao meio-dia e meia, depois de duas horas de viagem. Descemos em um local com tamanha confusão que demoramos para nos orientarmos sobre a localização da aduana. Por fim, avistamos uma placa que dizia: Gracias por su visita, retorne pronto, e cruzamos pela ponte sobre o rio Desaguadero, o sangradouro do lago Titicaca.

 

Chegando do outro lado, entramos no estabelecimento da imigração boliviana. Por não haver turistas no local, fomos logo atendidos. Carimbamos os passaportes e saímos procurando um ponto de ônibus ou algo parecido para seguirmos à La Paz. Havíamos perdido uma hora devido ao horário local. Era vinte para as duas da tarde e estávamos com pressa: queríamos chegar ainda dia na capital para termos tempo de procurar um hostel bem econômico.

A poeira, o calor, o tumulto dos carros, autolotações e bicicletas dificultavam nossa progressão, ainda mais que nos informaram estarmos a umas sete ou oito quadras de onde haviam os transportes, dobrando para cá e para lá várias vezes. Para chegarmos rápido, tomamos um táxi, ou melhor, dois táxis, pois não caberíamos num só com nossas mochilas. Tratava-se de bicicletas com uma roda atrás e duas na frente, sobre as quais havia um banco e um toldinho de cobertura. Eram as bici-táxis e, por dois soles o “frete”, nos deixaram num pequeno terminal de fundo de quintal.

Tivemos sorte, pois havia uma condução que iria à La Paz pelas duas horas da tarde. Pagamos os cinco soles ao motorista, colocamos as mochilas sobre o veículo e entramos na autolotação, podendo escolher os assentos por haver poucos passageiros naquele momento. Sentamo-nos atrás do banco do motorista, por ali ser mais espaçoso.

 

Duas horas passada e nada de sairmos. Duas e quinze. Nada ainda. Já estávamos impacientes, com fome e suando. Como sempre, só partiria assim que tivesse passageiros suficientes para valer a pena a viagem. “Bem-vindos à Bolívia.”

Duas e meia. Finalmente partimos. A viagem para La Paz transcorreu sem incidentes, parando apenas uma vez em um posto da polícia rodoviária para averiguações nos documentos. Como éramos os dois únicos estrangeiros na lotação, tiveram que demorar mais conosco enquanto todos esperavam no veículo não sendo feita verificação alguma com eles. Mesmo assim, logo que partimos, alguém correu atrás da autolotação e constatamos que era um passageiro que foi comprar algo para comer e não percebeu a sua partida.

Chegamos em La Paz às quatro horas da tarde. Mas o fim da linha foi em El Alto. Estávamos no mínimo a uns vinte quilômetros do centro da capital.

  • 1 mês depois...
Postado
  • Autor
  • Membros

Olá amigos, seguimos com a história:

 

RESUMO 12 - Retorno a La Paz

 

OBS.: lamento por não estar conseguindo mais anexar imagens, assim que der postarei como nos relatos 01 a 10.

 

Começamos a andar na lateral da extensa e movimentada avenida que serve de artéria para o escoamento da entrada e saída de veículos da cidade. Abordamos um táxi e pedimos quanto custaria até o centro. – “Trinta bolivianos!” Dispensamo-lo e abordamos outro. – “Vinte e cinco!”

Continuamos a andar. Depois de uns dois ou três quilômetros, sinalizamos para uma lotação, a qual parou. Não iria até o centro, mas chegaria na entrada da zona central por três bolivianos. Amontoamo-nos com nossas mochilas em meio aos paceños e rodamos uns dez quilômetros pela avenida. Desembarcamos ainda na mesma avenida e andamos a pé em direção a uma rodovia transversal que seguia para o centro, mas não sabíamos ainda a que distância estávamos dela.

Estava difícil de chegarmos ao nosso destino. Para piorar, um carro que deu ré sobre a calçada para entrar em uma oficina usou como rampa no cordão um pedaço de pau e, ao passar sobre ele, provocou seu deslocamento com a roda e a madeira acertou a perna do Leonel no exato momento em que passava pelo veículo. Eu havia passado um instante antes por trás e quando me virei, chamado pelo seu grito de dor, estava ele mancando e segurando a região atingida com a mão.

Fui em sua direção informar-me do sucedido. Leonel esbravejava de raiva, xingava o motorista, o qual nem deu atenção. Examinamos a perna e constatamos que não havia quebrado, mas a dor era forte e não conseguia apoiar-se sobre ela. Quis chamar um táxi para irmos ao hospital, mas dissera que não, que a dor já estava diminuindo.

 

Ficamos ali uns 15 minutos até o Leonel poder levantar-se e caminhar. Mancando e em ritmo muito lento, procuramos uma farmácia e uma condução para o centro da cidade. O Leonel ainda praguejava contra o imprudente motorista quando um taxista disse-me que nos levaria até a rodoviária por dez bolivianos.

Colocamos as mochilas no bagageiro e entramos no carro. Sentei-me na frente e, em cada curva e estreita e tumultuada rua que entrava, estranhava mais. Por fim, deixou-nos na rodoviária, mas constatamos ser uma outra qualquer daquela grande cidade. Insistimos para nos levar até a “principal”, o que custaria mais 20 bolivianos.

Discutimos e pagamos só cinco devido ao engano. Pegamos as mochilas e desembarcamos. O motorista partiu nos xingando qualquer coisa e sumiu entre os outros carros. Estávamos completamente perdidos e a dor na perna do Leonel começou a latejar, dificultando seu andar.

No mapa que possuía não constava onde estávamos. Um policial nos informou que para chegar à rodovia que levava ao centro da cidade deveríamos andar umas três quadras e tomarmos uma autolotação que fazia o trajeto.

Seguimos sua indicação e mais uma vez ficamos amontoados dentro de uma autolotação. Uma senhora insistia que pagássemos logo os três bolivianos, mas nem conseguíamos nos mexer. De tanto insistir, já estava nos irritando. Colocando a mão no bolso, puxei cinco bolivianos e um sol, o que consegui pegar, e lhe entreguei. Ela não aceitou a moeda peruana. Então Leonel lhe alcançou uma nota de dez bolivianos para compensar esse um boliviano, no lugar da minha moeda peruana. Em silêncio, trocou a nota para meu companheiro, dando-lhe o troco certo – nove bolivianos. A cobradora percebeu o papelão que fez diante dos outros passageiros que acompanharam o ocorrido em silêncio.

Passamos o pedágio e começamos a descer para dentro da cratera como da primeira vez que chegamos à La Paz. Desembarcamos na avenida em frente à rodoviária.

 

Descansamos um pouco. Avistamos uma farmácia, no qual o Leonel comprou uma pomada para batida. Seguimos a mesma rua, a Calle Armentia. Sondamos um, dois, três hostéis e todos cobravam mais do que 20 bolivianos. Encontramos uma pensão por 15 bolivianos. Assim que pegamos a chave com um recepcionista muito mal encarado, fomos ao quarto. Do lado de dentro do prédio havia um pátio interno e na sua volta, diversos pequenos quartos.

Abrimos a porta do nosso, localizado no final de um estreito corredor, a uns dois metros do solo, e encontramos um verdadeiro ninho de ratos. O quarto tinha dois e meio por três metros e apenas duas camas com um cabideiro. As camas estavam uns lixos de velhas e sujas. A porta de madeira, cheia de frestas, e, na pequena janela tinha papel aonde faltava vidro. O Leonel ficou brabo e quis ir para outro lugar, mas já havíamos pago pela diária e o recepcionista não tinha aspecto de quem devolveria o dinheiro.

Tratei de acalmá-lo e, enquanto cuidou de sua perna, saí para cambiar uns dólares na rodoviária. Consegui cambiar as notas usadas que as casas de câmbio de Cusco negaram-se a fazer. Foi a minha sorte! Quando voltei, já era quase noite e encontrei o Leonel mateando. Abrimos os sacos de dormir sobre as camas. Parecia um curral aquele quarto.

 

Acordamos pelas oito horas e fomos comprar os souvenires, conforme havíamos decidido fazer na volta. O Leonel não sentia mais tanta dor, mas o hematoma estava evidente. Era dia dois de fevereiro, sexta-feira, e um forte sol brilhava sobre a cidade.

Seguimos a rua Armentia no sentido contrário de onde chegamos e dobramos à direita na rua Pisagua, que nada mais é do que uma rua transformada em calçadão com várias sequências de escadarias, árvores e bancos que desemboca na avenida Montes, a avenida principal de La Paz.

Cruzamos a avenida e seguimos o mesmo caminho que fizemos quando fomos ao Milton. Nessas ruelas, como Sagarnaga, Limares e Gimenez, reencontramos as diversas lojas de “tudo”. Começamos a sondar preços e a pechinchar o máximo possível. Compramos blusões de lã de lhama, tapete em forma de mural da mesma lã com figuras típicas de culturas passadas, bolsas e, no Mercado das Bruxas, algumas estatuetas de argila para nossos amigos e parentes. Comprei um pequeno blusão e um chullo para o Gabriel. Não foi fácil encontrar roupinha para uma criança com menos de um ano de idade e com preço acessível.

Ainda encontramos em vários bazares artefatos históricos e pré-históricos à venda, como espadas, moedas, medalhões, pontas de flecha, entre outros. Mas o mais absurdo foi de um senhor nos abordar na rua e nos oferecer um pequeno fóssil, o qual faz parte da formação deste país, como um todo. Não aceitamos e ainda informamo-lhe que em nosso país isso dava cadeia. Rapidamente se afastou da gente.

Depois de pegarmos tudo o que queríamos, retornamos à pensão. Arrumamos nossas bagagens, botamos as mochilas nas costas e fomos embora por volta de meio-dia e quinze. Falhei em não consultar a saída dos ônibus para Cochabamba quando fui cambiar o dinheiro, mas no estado físico e mental que me encontrava no dia anterior, nem lembrei disso.

 

Chegamos no terminal. Primeiro iríamos verificar os horários, comprar as passagens e ir almoçar. Era exatamente meia hora quando descobrimos que naquele momento estava partindo uma condução para Cochabamba. Enquanto comprávamos as passagens, a funcionária mandou segurar sua partida. Corremos, colocamos as mochilas no bagageiro e embarcamos.

Não precisamos esperar e ainda havia apenas dois lugares vagos na condução. O próximo só sairia pelas sete da noite. Pagamos 50 bolivianos e viajamos pela empresa de transporte El Dorado. Por sorte, tínhamos um pouco d’água e ainda barras de cereais, as quais já estavam acabando.

  • 4 anos depois...

Participe da conversa

Você pode postar agora e se cadastrar mais tarde. Se você tem uma conta, faça o login para postar com sua conta.

Visitante
Responder

Account

Navigation

Pesquisar

Pesquisar

Configure browser push notifications

Chrome (Android)
  1. Tap the lock icon next to the address bar.
  2. Tap Permissions → Notifications.
  3. Adjust your preference.
Chrome (Desktop)
  1. Click the padlock icon in the address bar.
  2. Select Site settings.
  3. Find Notifications and adjust your preference.