Tomei gosto por andar pelos trilhos, pelas ferrovias do sul do ES. Minha mais recente aventura foi caminhar de Viana x Domingos Martins pelos trilhos, segundo me informaram, 23 km. Com um mês de antecedência comecei a me preparar, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Combinei com um cara que conheci pela net, o Emerson, que ficou de ir com uma galera grande de Vitória, e eu com outra galera daqui de Guarapari.
Como já havia caminhado por trilhos em outras vezes, acabei aprendendo algumas coisas, como levar frutas ao invés de biscoitos, 3 garrafas de agua de 500 ml, ao invés de 1 de 1,5 litros. Também aprendi a levar pilhas reservas, para não ficar na mão como o Emerson ficou, pois acabaram as pilhas da sua maquina fotográfica e infelizmente não eram da mesma que eu utilizava. Ficou sem tirar fotos e filou as minhas depois....srsrs, afinal estamos aí pra partilhar as alegrias. Marcamos a saída para o dia 04/09/2010, um sábado. Interessante que a data foi chegando, e a galera pulando fora. Coisa triste, viu? No final, apenas 3 de Vitória + 3 daqui de Guarapari. De qualquer forma, nada ia me desanimar, nem que fosse sozinho eu ia nessa. Chegou o dia, pegamos o ônibus Ipiranga x Dom Bosco aqui em Guarapari, as 5:30 da manhã e chegamos no posto da PRF em Viana as 6:10, onde pegaríamos o 901 urbano para encontrar o pessoal de Vitória no ponto final.
Acabamos por nos encontrar no busu mesmo, sabe como é, a pinta de caminhante não deixa enganar, foi bater o olho e reconhecer...rsrsrs... Na mochila o de sempre, pouca coisa pois era uma passeio de 01 dia só, então não requeria grandes investimentos, basicamente alimentação, como frutas, achocolatados 200 ml e água mineral. Descemos no ponto final do 901 por volta de sete horas. O sol ainda baixo, fraquinho, mas prometendo um dia muito bonito. Começamos animadamente a caminhar, batendo papo e falando sobre as belezas do caminho. A única mulher do grupo, minha sobrinha, foi meio que de teima, pois o namorado dela também foi, e acho que pra não ficar pra trás, acabou indo também. Enfim....
Como sempre, belas paisagens faziam parte do cenário. Muito verde, florestas e flores, o rio Jucu nos acompanhando na maior parte do trajeto e também várias nascentes. No começo sorrisos pra todo lado, afinal todo mundo tava fresquinho, descansado. Com o tempo de caminhada aumentando, quem estava menos preparado começou a sentir mais o calor, o desgaste que é andar em dormentes. Andar sobre trilhos não é simplesmente caminhar. Tem que realmente estar preparado psicologicamente para suportar o irritante descompasso da distancia entre as passadas sobre os dormentes, ora mais curto, ora mais longo.
Nossa primeira parada foi numa nascente que caia a beira da ferrovia. Agua límpida, geladinha e com gosto de pura mesmo. Como estava muito calor, aproveitamos para nos refrescar também e lanchar. Não nos demoramos mais do que 15 minutos, pois ainda havia muito gás para continuarmos a caminhar. Logo seguimos viagem.
Encontramos nossa primeira ponte, e um maluco que estava conosco inventou de tomar banho no rio. O cara parecia meio retardado, rsrs....achamos melhor não deixar. Pra se ter uma idéia do grau de retardo do sujeito, onde ele via um bambuzal, era um tal de jogar pedra pra fazer barulho....putz....já tava com vontade de ter largado ele tomar banho e partir na frente.....
E assim seguimos em frente, passando por outros pontilhões, trechos de plantações, de mata. Em um momento de parada, para água, encontramos a litorina subindo, em direção a Araguaia. Estávamos sentados nos trilhos e ela destapou numa curva, dando aquele apito característico e seguindo viagem. Em um bananal topamos com alguns sagüis, que por causa do retardado que gritava enlouquecido, fugiram e não pudemos tirar fotos. Muitos pássaros nos presenteavam com seu canto. Em alguns momentos havia alguma estrada vicinal que cruzava a ferrovia. O clima ajudou também, estava quente, mas não demais.
Até que encontramos o primeiro túnel, logo após o pontilhão. Uma bela imagem. Uma ribanceira de uns 120 metros ou mais. O túnel bem escuro, mas curto, de uns 100 metros. O túnel é em curva e como não tínhamos lanterna, fomos andando pelo trilhos sem saber onde pisávamos, até que surgiu a famosa “luz no fim do túnel”....rsrsrs..
Encontramos uma escola a beira do caminho, da ferrovia, mas por ser sabado estava fechada. Mais a frente encontramos a tomada de água do Rio Jucu. O nível estava baixo por causa da seca que assola nossa região. Lá se vai o maluco querer tomar banho. Nem liguei....deixei pra ver se ele esfriava a cabeça e desacelerava....rsrs... depois de uns 15 minutos de parada, seguimos novamente. Andamos mais um bom tempo e encontramos um local de manobra, onde as composições se encontram e uma fica no desvio esperando que a outra passe, pra ela então retornar ao trilho principal. E a caminhada foi seguindo, já se iam lá pelas 11:00 h da manhã e após esse tempo todo de caminhada, minha sobrinha já estava demonstrando cansaço. Decidimos andar mais devagar, mais light, para seguirmos todos juntos.
Encontramos nosso segundo túnel. Tão escuro quanto o primeiro. Passamos sem maiores dificuldades, apenas o receio de encontrar algum animal aninhado lá dentro, pisar numa cobra, sei lá. A cara de cansaço e desanimo de alguns contrastava com a alegria do inicio. Pra mim foi indiferente, como eu disse, o preparo psicológico é fundamental em qualquer aventura. Já quase por volta de 12:00 h encontramos um riacho, onde paramos todos para um banho e renovar as forças. Momentos de descanso e restauração que se faziam necessários depois de mais de 5 horas de caminhada quase que continua, apenas com praticamente duas paradas.
O que não sabíamos é que bem pertinho de onde paramos, estava o final da nossa caminhada. O vale da estação fica a menos de 2 km de onde estávamos. Logo chegamos ao destino, pensando se dava pra chegar a Mal Floriano, cerca de mais sete km a frente. Mas como a maioria estava com os bofes de fora, achamos melhor não seguir em frente. A estação de Germânia, como era conhecida, está totalmente reformada e da mesma forma que em Araguaia, abriga um museu e artesanato local. Também é parada do trem das montanhas capixabas que segue por ali. Descansamos um pouco e partimos para o ponto de ônibus para descer para o ponto de partida, que no caso de quem veio de Guarapari, seria o posto da PRF onde pegaríamos o ônibus para casa. Chegamos por volta de 13:20 na BR 262, pois ainda caminhamos mais 3 km do vale da estação até lá. O pior foi esperar o ônibus, que só passou após as 15:30 nos deixando mais de 2 horas esperando, impacientes e ansiosos por chegar logo em casa e descansar.
Uma trilha boa, moderada a forte, bem desgastante por ser sobre trilhos, mas um passeio imperdível e que farei novamente daqui a algum tempo.
Já estou pensando nas próximas trilhas, que será de Domingos Martins a Araguaia pelos trilhos, e depois de Matilde a Vargem Alta, essa em dois dias.
Tomei gosto por andar pelos trilhos, pelas ferrovias do sul do ES. Minha mais recente aventura foi caminhar de Viana x Domingos Martins pelos trilhos, segundo me informaram, 23 km. Com um mês de antecedência comecei a me preparar, tanto fisicamente quanto psicologicamente. Combinei com um cara que conheci pela net, o Emerson, que ficou de ir com uma galera grande de Vitória, e eu com outra galera daqui de Guarapari.
Como já havia caminhado por trilhos em outras vezes, acabei aprendendo algumas coisas, como levar frutas ao invés de biscoitos, 3 garrafas de agua de 500 ml, ao invés de 1 de 1,5 litros. Também aprendi a levar pilhas reservas, para não ficar na mão como o Emerson ficou, pois acabaram as pilhas da sua maquina fotográfica e infelizmente não eram da mesma que eu utilizava. Ficou sem tirar fotos e filou as minhas depois....srsrs, afinal estamos aí pra partilhar as alegrias. Marcamos a saída para o dia 04/09/2010, um sábado. Interessante que a data foi chegando, e a galera pulando fora. Coisa triste, viu? No final, apenas 3 de Vitória + 3 daqui de Guarapari. De qualquer forma, nada ia me desanimar, nem que fosse sozinho eu ia nessa. Chegou o dia, pegamos o ônibus Ipiranga x Dom Bosco aqui em Guarapari, as 5:30 da manhã e chegamos no posto da PRF em Viana as 6:10, onde pegaríamos o 901 urbano para encontrar o pessoal de Vitória no ponto final.
Acabamos por nos encontrar no busu mesmo, sabe como é, a pinta de caminhante não deixa enganar, foi bater o olho e reconhecer...rsrsrs... Na mochila o de sempre, pouca coisa pois era uma passeio de 01 dia só, então não requeria grandes investimentos, basicamente alimentação, como frutas, achocolatados 200 ml e água mineral. Descemos no ponto final do 901 por volta de sete horas. O sol ainda baixo, fraquinho, mas prometendo um dia muito bonito. Começamos animadamente a caminhar, batendo papo e falando sobre as belezas do caminho. A única mulher do grupo, minha sobrinha, foi meio que de teima, pois o namorado dela também foi, e acho que pra não ficar pra trás, acabou indo também. Enfim....
Como sempre, belas paisagens faziam parte do cenário. Muito verde, florestas e flores, o rio Jucu nos acompanhando na maior parte do trajeto e também várias nascentes. No começo sorrisos pra todo lado, afinal todo mundo tava fresquinho, descansado. Com o tempo de caminhada aumentando, quem estava menos preparado começou a sentir mais o calor, o desgaste que é andar em dormentes. Andar sobre trilhos não é simplesmente caminhar. Tem que realmente estar preparado psicologicamente para suportar o irritante descompasso da distancia entre as passadas sobre os dormentes, ora mais curto, ora mais longo.
Nossa primeira parada foi numa nascente que caia a beira da ferrovia. Agua límpida, geladinha e com gosto de pura mesmo. Como estava muito calor, aproveitamos para nos refrescar também e lanchar. Não nos demoramos mais do que 15 minutos, pois ainda havia muito gás para continuarmos a caminhar. Logo seguimos viagem.
Encontramos nossa primeira ponte, e um maluco que estava conosco inventou de tomar banho no rio. O cara parecia meio retardado, rsrs....achamos melhor não deixar. Pra se ter uma idéia do grau de retardo do sujeito, onde ele via um bambuzal, era um tal de jogar pedra pra fazer barulho....putz....já tava com vontade de ter largado ele tomar banho e partir na frente.....
E assim seguimos em frente, passando por outros pontilhões, trechos de plantações, de mata. Em um momento de parada, para água, encontramos a litorina subindo, em direção a Araguaia. Estávamos sentados nos trilhos e ela destapou numa curva, dando aquele apito característico e seguindo viagem. Em um bananal topamos com alguns sagüis, que por causa do retardado que gritava enlouquecido, fugiram e não pudemos tirar fotos. Muitos pássaros nos presenteavam com seu canto. Em alguns momentos havia alguma estrada vicinal que cruzava a ferrovia. O clima ajudou também, estava quente, mas não demais.
Até que encontramos o primeiro túnel, logo após o pontilhão. Uma bela imagem. Uma ribanceira de uns 120 metros ou mais. O túnel bem escuro, mas curto, de uns 100 metros. O túnel é em curva e como não tínhamos lanterna, fomos andando pelo trilhos sem saber onde pisávamos, até que surgiu a famosa “luz no fim do túnel”....rsrsrs..
Encontramos uma escola a beira do caminho, da ferrovia, mas por ser sabado estava fechada. Mais a frente encontramos a tomada de água do Rio Jucu. O nível estava baixo por causa da seca que assola nossa região. Lá se vai o maluco querer tomar banho. Nem liguei....deixei pra ver se ele esfriava a cabeça e desacelerava....rsrs... depois de uns 15 minutos de parada, seguimos novamente. Andamos mais um bom tempo e encontramos um local de manobra, onde as composições se encontram e uma fica no desvio esperando que a outra passe, pra ela então retornar ao trilho principal. E a caminhada foi seguindo, já se iam lá pelas 11:00 h da manhã e após esse tempo todo de caminhada, minha sobrinha já estava demonstrando cansaço. Decidimos andar mais devagar, mais light, para seguirmos todos juntos.
Encontramos nosso segundo túnel. Tão escuro quanto o primeiro. Passamos sem maiores dificuldades, apenas o receio de encontrar algum animal aninhado lá dentro, pisar numa cobra, sei lá. A cara de cansaço e desanimo de alguns contrastava com a alegria do inicio. Pra mim foi indiferente, como eu disse, o preparo psicológico é fundamental em qualquer aventura. Já quase por volta de 12:00 h encontramos um riacho, onde paramos todos para um banho e renovar as forças. Momentos de descanso e restauração que se faziam necessários depois de mais de 5 horas de caminhada quase que continua, apenas com praticamente duas paradas.
O que não sabíamos é que bem pertinho de onde paramos, estava o final da nossa caminhada. O vale da estação fica a menos de 2 km de onde estávamos. Logo chegamos ao destino, pensando se dava pra chegar a Mal Floriano, cerca de mais sete km a frente. Mas como a maioria estava com os bofes de fora, achamos melhor não seguir em frente. A estação de Germânia, como era conhecida, está totalmente reformada e da mesma forma que em Araguaia, abriga um museu e artesanato local. Também é parada do trem das montanhas capixabas que segue por ali. Descansamos um pouco e partimos para o ponto de ônibus para descer para o ponto de partida, que no caso de quem veio de Guarapari, seria o posto da PRF onde pegaríamos o ônibus para casa. Chegamos por volta de 13:20 na BR 262, pois ainda caminhamos mais 3 km do vale da estação até lá. O pior foi esperar o ônibus, que só passou após as 15:30 nos deixando mais de 2 horas esperando, impacientes e ansiosos por chegar logo em casa e descansar.
Uma trilha boa, moderada a forte, bem desgastante por ser sobre trilhos, mas um passeio imperdível e que farei novamente daqui a algum tempo.
Já estou pensando nas próximas trilhas, que será de Domingos Martins a Araguaia pelos trilhos, e depois de Matilde a Vargem Alta, essa em dois dias.
Fotos no álbum:
http://www.amantesdaferrovia.com.br/profile/RobertoSarti
No orkut:
“roberto sarti guarapari” ou http://www.orkut.com.br/Main#AlbumList?uid=1530388151345398978
No youtube:
“roberto sarti trilhos ferrovia”
robertosarti_02@hotmail.com
Abração.....
Editado por Visitante