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Os desafios de viajar em tempos de pandemia - NY e Boston Reveillón 2022


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Escrevo esse relato para tirar a curiosidade e ajudar quem tem dúvidas sobre como está sendo viajar para fora nesses tempos pandêmicos, acabei de voltar dos EUA e passei por processos que são totalmente novos para um viajante que tinha saído do país pela última vez antes dessa loucura toda.

Primeiramente diria que quem quiser viajar por agora deve aceitar que irá ter que correr alguns riscos, os quais elenco abaixo e abordarei em detalhes ao longo do relato:

- Risco de ter que cancelar a viagem por conta de alguma nova restrição no país de destino;
- Risco de não conseguir emitir seu comprovante de vacinação por problema no site/app do governo;
- Risco de não conseguir fazer alguns passeios por falta de agendamentos disponíveis;
- Risco de não conseguir frequentar alguns lugares que eventualmente exijam passaporte de vacinação que não seja emitido para estrangeiros;
- Risco de pegar COVID no meio da viagem e dificultar o retorno;

De forma resumida o que entra na agenda do viajante agora é o seguinte:
1. Verificar as exigências de entrada no país de destino (o ideal é se atualizar sempre, quase que diariamente), principalmente qual teste exigem e por quanto tempo ele é válido; 
2. Verificar as exigências do governo brasileiro para retorno ao país;
3. Agendar os testes de Covid, principalmente o de Retorno (ou outros que sejam exigido ao longo da estadia no país de destino), antes de deixar o Brasil;
4. Acompanhar a evolução de casos de Covid no país de destino, e estar atento a eventuais mudanças feitas pelos governos

Preparativos
Inicialmente meus planos eram para passar o reveillón em Londres, comprei as passagens na metade de Novembro/21, quando a situação do Covid no Reino Unido parecia estar se estabilizando, com a curva dos casos em queda, e tinham acabado de reabrir as fronteiras aos brasileiros vacinados com todas as vacinas aprovadas pela OMS. Pensei que em 1 mês e meio pouca coisa iria mudar e que a viagem estava garantida...ledo engano.

No dia 1/12 surge a bomba da variante Omicron, toda a histeria e fechamento de fronteiras (para os países da África com esses casos) trouxeram um deja-vù forte. Nos dias seguintes começam a ser noticiados casos da variante no UK, e a partir daí foi ladeira acima:
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Já haviam exigências chatas para quem quisesse viajar ao Reino Unido, por exemplo teste PCR com até dois dias da chegada ao país, sendo que até sair o resultado teria que ficar em quarentena (e o local onde tinha reservado hospedagem tinha deixado bem claro que não iria me aceitar sem esse resultado negativo), também tinha que baixar o app do NHS (serviço de saúde inglês) que iria te rastrear, e em caso de eventual proximidade com alguém contaminado iria pedir para você se isolar, e esse app era exigido para entrada em algumas atrações como museus. Juntou isso e o aumento de casos que começou a apertar ainda mais as restrições, com ameaça constante de lockdown e fechamento de pubs fez com que eu optasse por cancelar a viagem. O nível de estresse passado não estava valendo a pena.

Resolvi então procurar algum outro lugar, faltando 5 dias para o Natal, em que as exigências fossem mais brandas (e que a passagem não custasse um rim), e foi aí que apareceu os EUA. Rapidamente reservei as acomodações, seguro viagem (com cobertura em caso de Covid). O comprovante de vacinação por pura sorte eu tinha impresso poucos dias antes do ataque hacker que derrubou o site do ministério da Saúde. Reservei também entradas para dois museus (MoMa e Met) que queria ir, pois alguns lugares não estavam aceitando a compra física no local.

E aí senhores vem meu maior equívoco: Eu sou de São Paulo, e no aeroporto de Guarulhos tem dois laboratórios que testam para Covid o dia todo (24h), sem fechar nunca, e sem precisar de agendamento, basta chegar, pegar uma senha e aguardar ser atendido. Eu presumi que essa facilidade estaria disponível mundo afora, não poderia estar mais errado. Como ia viajar no dia 25 não ia ter outros lugares abertos, e optei por fazer lá. E pensando que isso seria comum eu não agendei o teste de Covid para poder retornar ao Brasil, o que me traria grande dor de cabeça no futuro.

Check-in
Cheguei no aeroporto com 8h de antecedência (meu voo estava atrasado), o que deu tempo de sobra para eu fazer o teste (Antígeno R$ 200,00 e RT-PCR R$ 350,00 na CR Diagnósticos, porém dependendo da Cia aérea em que for viajar você pode ter descontos, como eu ia de United o valor do antígeno caiu para R$ 180,00). O resultado saiu em 1h, vem impresso em português e inglês. Com isso em mãos fui para o balcão de check-in e passei por uma dupla checagem de documentos antes mesmo de chegar a minha vez de ser atendido. Como os governos obrigas as cias aéreas a garantir que os passageiros estejam viajando com a documentação em dia não estranhe esse rigor por parte delas.

Imigração
Foi muito tranquila, não me pediram absolutamente nenhuma documentação relacionada ao Covid.

DIA 1 - Boston
Meu destino era Boston por causa do preço mais barato da passagem que achei, então tirei um dia inteiro para caminhar pela cidade e conhecer seus pontos turísticos. Durante a maior parte da viagem o frio foi ameno, os dias mais frios foram o primeiro e o último, mas sem neve em nenhum deles. 
Passei pelos parques do centro (Public Garden, Boston Commons, Charles River Esplanade), todos muito bem organizados. Passei também pela região central e pelo Seaport District, com uma bela arquitetura, a região de Back Bay East inclusive com suas casas baixas me lembrou Londres
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OBS: Máscaras não eram obrigatórias em locais abertos e públicos, e não me pediram comprovante de vacinação para entrar nos restaurantes. Há muita opção de comida italiana e asiática, para todos os bolsos.

DIAS 2 a 6 - Nova Iorque

No dia seguinte fui de trem para NY, uma viagem de quase 4h, mesmo no serviço "expresso" Acela (USD 86,00).
Já em NY alguns lugares me pediram comprovante de vacinação para aceitar a entrada, principalmente restaurantes mais próximos da área central de Manhattan. Lugares mais baratos/afastados tendiam a não solicitar. Mercado também não pede.
Como as atrações da cidade já são muito batidas eu evitei a maioria delas, tanto por já conhecer quanto por estarem completamente cheias, mesmo nesses tempos. A única aglomeração que entrei foi pra ver brevemente a decoração de Natal do Rockfeller Center e a Times Square. O que eu foquei enquanto estive lá foi o Central Park, os museus (que curto bastante, tanto que reservei um dia pra cada), e também conhecer um projeto que está transformando uma região que era pátio de trens em um centro cultural/negócios no Hudson Yards, onde montaram uma escultura monumental chamada The Vessel:

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No último dia do ano eu fui no Jersey Gardens (pegar o ônibus 111 no terminal Port Authority, USD 14,00 ida e volta) e comprei roupas de frio que estavam com preços muito bons (jaquetas pesadas a partir de USD 40,00-60,00).
Quando voltei a região próxima a Times Square estava um caos, pois a polícia já tinha fechado as ruas ao redor para o Reveillón. Eu não tinha interesse em ficar 12 horas em pé para ver uma bola cair, então passei no Whole Foods, comprei comida pronta (USD 10,50 a libra) voltei para a acomodação e assisti de longe alguns fogos da janela, que tinha uma vista boa para o parque.

DIA 7 - Boston (e os pesadelos para voltar ao Brasil)

No dia 1º retornei de trem para Boston (USD 49,00 pelo serviço "Nor'easter regional") pois no dia seguinte teria que tomar o voo de volta para Houston e depois para o Brasil. 

Meu pesadelo estava apenas começando, não tinha achado nenhum lugar aberto para eu fazer teste de Covid, se fosse antígeno valeria apenas por 24h até o primeiro embarque, e ouvi rumores que o Brasil não aceitam os antígenos que são feitos em farmácias como CVS (tipo NAAT), também não consegui achar informação oficial que falasse nada sobre isso. Então decidi que faria um PCR mesmo, mas NADA estava aberto para ir fazer sem agendamento. E quando você checava a agenda era pra tipo depois de 5 dias a data mais cedo. Desse modo fui pro aeroporto pois vi que lá tinha um laboratório (XpresCheck), mas quando cheguei já estava fechado. Pronto, desespero instalado. Meu voo ia sair as 05h25 no dia seguinte, fui no balcão da United e perguntei para eles se deixariam eu embarcar para Houston e fazer o teste lá, e então re-fazer o check-in para o Brasil. A atendente fez uma cara de "duvido muito", mas conversou com um supervisor dela que estava no lado e aparentemente iria ser possível (ledo engano parte 2).

Mesmo assim ainda tentei ir num hospital em Cambridge, mas eles não testavam outras pessoas que não fossem pacientes, voltei para o Hotel, que fica perto e tinha um serviço de transfer para o aeroporto. Pesquisando na internet eu consegui agendar um exame numa clínica a 5 minutos do aeroporto de Houston, para logo depois de chegar. Estava tudo ok pensava eu...

DIA 8 - Hoje não

Cheguei cedo no aeroporto, e fui direto no balcão de check-in, e o que temia acabou acontecendo. Era outra funcionária que estava atendendo, e que obviamente negou-se a me deixar embarcar sem um teste negativo para Covid. Expliquei pra ela que tinha vindo lá no dia anterior e o que tinham me falado, que eu já tinha um agendamento para fazer o exame em Houston, mas de nada adiantou, ela disse que não se responsabilizaria por aquilo, que se fizesse o meu check-in iria estar fazendo até o final do trajeto no Brasil etc...Depois de muito tentar acabei me dando por vencido e tentando buscar opções, ela reagendou meu voo sem custo para o dia seguinte as 13h., (por consequencia tendo que pagar mais uma diária de hotel) e aí eu teria que me virar para achar um lugar para fazer o teste, num domingo. 

Fui para o Terminal C onde ficava o laboratório do aeroporto, abria as 8h, pelo que tinha lido no site ele não obrigava a agendar, mas dizia que se não fizesse assim iria passar mais tempo na fila, então resolvi arriscar. Era 5h30 quando cheguei no lugar, e já tinha umas 30 pessoas na minha frente, gente literamente dormindo no chão, começou a bater um desespero de que mesmo chegando tão cedo não conseguisse ser atendido. E isso de fato quase aconteceu, pois eles priorizavam quem tinha agendamento, só quando essa fila (que era pouca) acabava é que iam colocando gente da fila que não fez agendamento. Fora isso tinha o fato da estrutura ser ridiculamente pequena para um aeroporto internacional, apenas um atendente e umas 3 enfermeiras para lidar com mais de 150 pessoas:

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Minha vez de ser atendido chegou somente as 15h20, ou seja praticamente depois de 10 horas na fila, para não dar problema optei por fazer logo o PCR, que tinha um custo salgado de USD 250,00. O teste foi bem vagabundo, não enfiaram o cotonete lá no fundo do nariz como de costume, e por isso o resultado deu negativo (o que pode ter me salvado na verdade). Quando saí vi que a fila estava gigante, e o atendimento iria fechar em pouco mais de 1 hora. Muitas pessoas certamente ficaram sem atendimento.

DIA 9 - Hoje sim

Com tudo na mão enfim consegui embarcar, porém como meu voo foi alterado eu perdi a conexão de 11h que tinha em Houston, e por consequencia a chance de dar um passeio rápido pela cidade. Mas mesmo se quisesse talvez não poderia, pois quando cheguei lá comecei a sentir uma baita dor no corpo, a princípio achei que fosse devido ao desconforto da Econômica no primeiro trecho (são 4h de viagem entre Boston e Houston), mas logo veio junto uma dor de cabeça e já comecei a pensar que poderia estar com....isso mesmo, Covid. No dia seguinte a minha chegada ao Brasil fui no Hospital onde me testaram positivo. Fico pensando se o teste lá nos EUA fosse feito de maneira decente talvez já positivasse lá mesmo e aí teria de fazer uma quarentena de 10 dias, o que iria me quebrar em vários sentidos.

Vendo agora tudo o que se passou e refletindo sobre não sei se faria de novo não, pois ao invés de descansar o que mais tive foi estresse e dor de cabeça.

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