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eduardo.camardelli

Relato de Viagem – Vietnam e Camboja (escala em Kuala Lumpur) com fotos

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Relato de Viagem – Vietnam e Camboja (escala em Kuala Lumpur) com fotos

 

Contexto:

Fiz essa viagem na companhia de 6 amigos (3 casais e eu) e nosso principal objetivo era passar 10 dias viajando mais ou menos "perto" da Australia, onde moramos, durante o periodo de recesso de Natal e Ano Novo. Estou escrevendo num teclado que nao possui acentos ou sinais graficos, entao ja peco desculpas antecipadas pela falta deles.

 

Itinerario:

 

Dia 1 - 24/12/2010 – Gold Coast (AUS) / Kuala Lumpur (MAL)

Dia 2 - 25/12/2010 – Hanoi (VIE)

Dia 3 - 26/12/2010 – Sapa (VIE)

Dia 4 - 27/12/2010 – Sapa (VIE)

Dia 5 - 28/12/2010 – Hanoi (VIE) / Halong Bay (VIE)

Dia 6 - 29/12/2010 – Hanoi (VIE) / Ho Chi Min (VIE)

Dia 7 - 30/12/2010 – Ho Chi Min (VIE)

Dia 8 - 31/12/2010 – Ho Chi Min (VIE) / Siem Reap (CAM)

Dia 9 - 01/01/2011 – Siem Reap (CAM)

Dia 10 - 02/01/2011 – Phnom Pehn (CAM) / Kuala Lumpur (MAL)

Dia 11 - 03/01/2011 – Gold Coast (AUS)

 

 

Dia 1 – Gold Coast (AUS) / Kuala Lumpur (MAL)

 

O voo ate a capital da Malasia teve duracao aproximada de 8 horas. Localizamos o nosso transfer que nos deixaria no centro da cidade, na principal estacao de trem de Kuala Lumpur. De la embarcamos em um taxi ate o nosso hotel. O clima e’ extremamente quente e umido nessa epoca do ano, devido a proximidade a linha do Equador. A temperatura media e’ de 30 graus e a gente fica suando com facilidade. O aeroporto e’ bem afastado da cidade e e’ enorme, sendo um dos grandes portos aereos do Sudeste Asiatico. Uma das grandes metropoles Asiaticas, Kuala Lumpur tem mais ou menos 10 milhoes de habitantes e e’ uma cidade muito ativa. Grandes edificios dominam a paisagem e uma vasta miscigenacao de culturas Asiaticas toma conta das ruas, comercio e servicos. As principais etnias locais sao as Chinesa, Malaia e Indiana. O desenvolvimento da cidade impressiona e quase tudo esta escrito em Malaio e Ingles. Chegamos ao hotel onde tinhamos reserva para tomar drinks no sky bar, localizado no 33º andar e com vista total para as famosas Torres Petronas. Apos alguns drinks e muitas fotos das torres fomos ate o restaurante do hotel onde teriamos a nossa ceia de natal. Tinhamos o voo cedo na manha seguinte e como o hotel era bem confortavel e com uma grande vista para as torres, nem nos preocupamos em sair de la. Apos o banquete de natal, fizemos mais uma visita ao sky bar para mais fotos, agora noturnas, das torres e nos recolhemos. No outro dia partiriamos rumo a capital do Vietnam.

 

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Dia 2 –Hanoi (VIE)

 

Chegamos em Hanoi cedo ainda e deixamos as malas no hotel em que nos hospedariamos nos proximos dias para podermos explorar um pouco da cidade sem carregar peso. Fomos ate o lago Hoan Kiem e caminhamos pelas redondezas, inclusive uma das ruas mais famosas de compra/pechincha/barganha no bairro que eles chamam de Old Quarter. Impressiona a quantidade de motos estilo scooter...Nunca vi tantas na minha vida. O transito nao vou nem comentar. Simplesmente e’ rara a presenca de semaforos. O pedestre simplesmente se atira na rua e os carros e milhoes de motos vao desviando. Chega a ser engracado e e’ impressionante como ninguem e’ atropelado. Pequenos acidentes sao comuns e pudemos ver uns 2 ou 3 em 1 dia apenas. Mas com certeza o transito e’ marca caracteristica do Vietnam, portanto, sempre planeje seus passeios com algumas horas de antecedencia porque o transito e’ horrivel e lento. Pegamos um taxi que e’ bem barato e fomos ate’ outra parte da cidade. La’ visitamos a One Pillar Pagoda (um templo minusculo e sem graca), vimos o museu Ho Chi Min por fora e tambem o mausoleu de Ho Chi Min que estava fechado. Na caminhada para sair de la e ir ate’ o templo Ngoc Son passamos pelo palacio presidencial. Nao tivemos tempo para ir ate o templo da Literatura infelizmente mas muitas pessoas recomendam uma visita. Apos o dia corrido fomos ate a estacao de trem embarcar no trem que nos levaria de Hanoi para Lao Cai, base para chegar ate a cidade de Sapa ao norte do pais na fronteira com a China. Sao mais ou menos umas 6 ou 7 horas num trem e compramos 2 cabines para 4 pessoas cada uma. A viagem e’ tranquila e o trem relativamente confortavel.

 

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Dia 3 – Sapa (VIE)

 

Chegamos em Lao Cai logo no inicio da manha, entre 5 e 6 horas. Na saida da estacao nos aguardava a van que nos levaria ate Sapa, que fica no topo de uma regiao montanhosa. O trajeto e’ de aproximadamente uns 40 ou 50 km mas a viagem nao e’ tao rapida pois e’ repleta de curvas na subida ao topo das montanhas. Mais ou menos 1 hora e meia depois chegamos na pequena e simpatica cidade de Sapa. Uma das principais atracoes de Sapa e’ a montanha Fansipan que muitos viajantes do mundo inteiro vao escalar. Nao era esse nosso objetivo. Sapa tambem e’ famosa pelas vilas e povoados de diferentes etnias, todas tipicas do Vietnam e do sul da China. Seus mercados coloridos e povo simpatico sao um atrativo a parte. Sapa tambem e’ conhecida pelos famosos terracos de arroz, parecidos com aqueles encontrados no Peru, onde os povos das montanhas aproveitam terra fertil situada nas encostas das montanhas para cultivar seus produtos primarios. Chegamos ao hotel e apos o cafe e deixarmos as malas fomos conversar com o pessoal da recepcao para saber qual a melhor ordem para fazermos os passeios que gostariamos. Nossos grandes objetivos eram ver uma da vilas tipicas e tambem os terracos de arroz. Apos decidirmos a ordem dos passeios um dos funcionarios nos emprestou 7 pares de botas de chuva de borracha, pois em Sapa tem muita lama (devido a humidade e tambem as chuvas recentes). Iniciamos nossa caminhada de 3km rumo ao vilarejo de Cat Cat, um dos mais famosos da regiao. Na chegada, logo nos chocamos com a pobreza extrema e a sujeira do local. Mesmo para nos Brasileiros, a primeira impressao e’ bem marcante. Criancas no meio de animais e da lama, junto com comida, agua suja...tem de tudo. Mas e’ tipico do local e era isso que estavamos buscando conhecer e descobrir. Apos continuarmos o passeio pela vila, chegamos ao final da trilha onde tem uma bonita cachoeira e algumas barracas com comida e produtos tipicos. Almocamos ali mesmo e iniciamos o trajeto de volta pro hotel. Mais 3 km de caminhada pra voltar e chegamos bem cansados pois a altitude e’ consideravel e tambem estava um pouco frio. Nao ajuda tambem caminhar na lama e no terreno pedregoso das montanhas que envolvem a vila. A tarde demos uma volta rapida no centro da cidade e planejamos o dia seguinte. Voltamos pra desncasar no hotel e a noite saimos pra jantar. Fomos dormir cedo pois no dia seguinte tinhamos mais caminhadas e trilhas no programa.

 

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Dia 4 – Sapa (VIE)

 

Na manha seguinte fomos ate o famoso Mountain Rock park. A trilha e’ uma subida de mais ou menos 1 km e no final dela a vista para a cidade, o lago e o monte Fansipan e’ incrivel. Vale muito a pena. No caminho antes de chegar no inicio da trilha ha tambem bonitos jardins enfeitando o parque. Apois muitas fotos la’ do apice da montanha descemos com o objetivo de irmos ate o lago. Almocamos no caminho e fomos caminhar ao redor do lago. Nessa regiao especifica me senti como se estivesse na Europa. O lago no centro e as casas e predios pequenos bem coloridos, conservados e com toques de arquitetura mais colonial ocidental. Nada de Asia por ali, a nao ser pelos predios com o simbolo do governo socialista do Vietnam. Muito bonita a visao de fato e apos voltarmos ao centro da cidade fomos ao mercado que funciona diariamente. Nao de muita atencao para a higiene do mercado, praticamente inexistente, mas a quantidade de produtos, carnes e souvenirs que eles vendem e’ impressionante. O destaque fica para as grandes negociacoes entre turistas que sabem pechinchar (geralmente os sul americanos e com raridade alguns europeus) e os vendedores locais. Vale a pena acompanhar. Obviamente me envolvi numa negociacao pois eu queria comprar um chapeu de palha Vietnamita. No final, apos baixar o preco uns 80% do que a vendedora tinha me pedido originalmente ainda levei um outro chapeu do estilo da guerra do Vietnam de bonus. Muito divertida a negociacao. Voltamos ao hotel de onde sairia nossa van para Lao Cai e la’ pelas 20:30 embarcamos no trem com destino a Hanoi.

 

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Dia 5 – Hanoi (VIE) / Halong Bay (VIE)

 

Chegamos cedo na estacao de trem de Hanoi e fomos direto ao hotel em que estariamos hospedados essa noite para deixar as mochilas e, de la mesmo, partir para o nosso tour em Halong Bay. Aqui uma dica importante. Geralmente os passeios para Halong Bay duram 2 dias, com transporte, comida e acomodacao no barco inclusos e e’ esse passeio mesmo que a maioria dos turistas compram. Dizem que e’ interessante passar a noite no barco e podem-se fazer outras atividades como pescar lulas, andar de caiaque, ir na vila flutuante comprar frutas/peixes, etc. Como estavamos muito restritos no tempo, optamos por fazer o passeio de um dia mesmo, que duraria mais ou menos umas 4/5 horas de deslocamento de Hanoi para Halong Bay e mais umas 3 horas de cruzeiro inclusos, com almoco buffet de frutos do mar no proprio barco.

Apos o arduo deslocamento de Hanoi para Halong Bay, de van, devido ao transito caotico do Vietnam, chegamos em Halong Bay e nosso guia que falava um Ingles bem carregado no sotaque Asiatico foi comprar os nossos tickets (ja tinhamos pago tudo no valor do pacote). Embarcamos por volta do ½ dia e ja nos serviram almoco no barco. Comecava o cruzeiro pela linda baia, com ilhas de rocha calcaria no mar de aguas verdes impressionantemente lindo. Nem tinha tanto sol, o que tornaria o passeio com certeza mais espetacular. No total sao 1.967 ilhas na baia o que com certeza propicia um visual deslumbrante. Apos passarmos as primeiras ilhas, nosso barco parou numa especie de casa flutuante/mercado de peixe, onde eles tinham diversos tanques e redes com peixes, lulas, ostras e outras criaturas marinhas. Eles vendiam na hora e o pessoal do barco se dispunha a preparar a comida, caso alguem adquirisse algo. Depois dessa parada, fomos ate a vila flutuante onde so’ passamos sem parar, mas se quisessemos andar de caiaque, por exemplo, parariamos la por meia-hora. Ela consiste basicamente de umas 15 ou 20 casas e 1 mercado flutuante na agua, onde alguns pescadores vivem. Seguimos o cruzeiro pelo resto da principal parte da baia ate chegarmos a um ponto de visitacao de 2 cavernas. A primeira delas, toda iluminada por dentro com luzes coloridas e’ ampla, bem iluminada e bem interessante. O efeito das luzes artificiais amplia a beleza do local. Apos 30 minutos e muitas fotos, fomos para a segunda caverna. Na minha opiniao, essa segunda nao tem absolutamente nada de atrativo. E’ grande e sem luz artificial. Nada comparada com a anterior. Apos as cavernas, voltamos ao porto de embarque e deslocamo-nos de volta para Hanoi, mais umas 3 horas de viagem na van. A noite, proximo ao hotel no centro da cidade antiga, mais uma vez jantamos em um restaurante tipico. No Vietnam a comida e’ extremamente barata e deliciosa.

 

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Dia 6 – Hanoi (VIE) / Ho Chi Min City (VIE)

 

Nesse dia tinhamos o voo da Vietnam airlines para Ho Chi Min City, partindo ao meio-dia. Decidimos descansar um pouco mais, tomar um bom cafe no hotel e ir reenergizados para o aeroporto, para poder usar melhor nosso curtissimo tempo na cidade mais rica e civilizada do pais – Ho Chi Min City. Acabamos tendo alguns problemas no aeroporto com o atraso de voos e chegamos em Ho Chi Min City as 17:30, ao inves das 14:00 como era o horario original. Como a maioria das atracoes la’ fecha as 17:00 mais ou menos nao conseguimos ver nada. Fomos do aeroporto ao hotel e planejamos e fechamos com o hotel mesmo um tour no dia seguinte para os famosos Cu Chi Tunnels, local onde foram travadas varias batalhas da guerra do Vietnam. Curiosidade: Os Vietnamitas nao chamam a guerra de guerra do Vietnam. Eles a chamam de guerra Americana. Na volta, planejavamos visitar o museu da Guerra. Compramos os tickets, procuramos um restaurante bom pra jantar (ha muitos bons restaurantes em Ho Chi Min City) e fomos pro hotel.

 

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Dia 7 – Ho Chi Min City (VIE)

 

Apos o cafe da manha aguardavamos um taxi que nos levaria ate a agencia de viagens de onde sairia o nosso passeio para os famosos tuneis Cu Chi. Cu Chi e’ uma vila muito proxima do centro de Ho Chi Min onde foram travadas duras batalhas durante a guerra do Vietnam. O local ficou particularmente famoso pelo fato de os Vietnamitas derrotarem as tropas norte-americanas com muito menos efetivo militar e tecnologia. Com armadilhas “artesanais” e tuneis na selva o poderoso exercito americano fora surpreendido e nao conseguiu conquistar a estrategica localidade, onde habitantes das vilas proximas tambem ajudaram Cu Chi a defender-se do poderio belico dos Estados Unidos. Mulheres e criancas tambem faziam parte do exercito Vietnamita naquela regiao, numa tentativa desesperada, que acabou por suceder-se, de enfrentar os americanos com um exercito maior. Os tuneis possuem, em sua totalidade, mais de 230km de extensao e levam a diversas areas de Ho Chi Min e arredores. Pessoas viveram nos mesmos por meses e tudo era transportado por ali, inclusive comida e material belico. No passeio tem-se a oportunidade de andar por uns trechos dos tuneis, com altura maxima de 1 metro e largura bem estreita tambem. Tem-se que andar agachado para poder passar pelos tuneis. Algumas armadilhas tambem sao demonstradas, alem de como as armas eram confeccionadas e transportadas. Ha tambem uma secao de tiro ao alvo, onde pode-se comprar balas de varias armas diferentes e atirar num alvo distante. Sucesso entre os turistas. No final do passeio, eles passam um filme de uns 10-15 minutos sobre a guerra, do ponto de vista Vietnamita claro – a Guerra Americana.

Voltamos do passeio no meio da tarde e fomos ao museu da Guerra, que fica localizado bem no centro de Ho Chi Min City. Em exposicao, avioes, helicopteros, tanques de guerra, escavadeiras e outras maquinas pesadas usadas pelos exercitos, municao, uma prisao da epoca da guerra, mostras fotograficas e, o que mais entristece e impressiona, uma secao inteira dedicada ao “agente laranja”, o dioxido como eles chamam – arma quimica utilizada pelo exercito americano com efeito devastador. Em decorrencia do uso desse agente quimico, muitos Vietnamitas atingidos foram deformados, sofreram queimaduras e os tipos mais bizarros de lesoes corporais. Descendentes dessas pessoas sofreram ainda mais, pois as mutacoes geneticas causadas pelo composto quimico eram extremamente agressivas. As fotos chocam, entristecem e geram uma certa revolta contra o exercito americano. Eu fiquei bastante chocado com a exposicao e envergonhado de certa forma. Imagino como os americanos se sentem, apesar de a maioria deles nao terem culpa. A visita vale a pena sob varios aspectos, historico e humano principalmente. Apos sairmos do museu, seguindo na mesma rua, fomos ate um grande e luxuoso shopping center e la’ ficamos para o jantar. Voltamos ao hotel e fomos descansar para voar para o Camboja cedo na manha seguinte. Visitar o Vietnam faz-nos refletir e valorizar o que temos. Mas mesmo com a triste historia, pobreza e tracos ainda fortes do comunismo, principalmente no norte do pais, o povo do Vietnam e’ feliz e recebe muito bem os turistas, alem de ser um pais barato e tranquilo de se viajar e conhecer.

 

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Dia 8 – Ho Chi Min City (VIE) / Siem Reap (CAM)

 

Deslocamo-nos ate o aeroporto para embarcar no voo para Siam Reap. Num ATR de helice, pequeno, voamos em 1 hora para a cidade no norte do Camboja. Chegamos no inicio da manha e pegamos um taxi (van) para os 7 do grupo. O motorista, que era muito simpatico e falava um otimo Ingles, era tambem funcionario de uma agencia de viagens. Ofereceu-nos um preco para passar os 2 dias conosco e ainda para nos levar, de van, ate Phnom Pehn, capital do Camboja, que iriamos visitar 2 dias depois e que ficava ha umas 4 horas de carro de Siem Reap. Chegamos ao hotel, fantastico por sinal, um 5 estrelas com preco bem baixo por causa da conversao para o dolar Australiano, e negociamos com o motorista/guia/agente de viagens. Fechamos com ele passeios para o primeiro e segundo dias, uma vez que ele era bem simpatico, conhecia bem a historia local, falava Ingles muito bem e tinha um preco bem interessante, ainda mais depois dos tipicos choro e pechincha dos turistas Brasileiros. Subimos aos quartos, nos preparamos para o inicio do tour. Comecariamos almocando num restaurante de comida tipica Khmer ou Cambojano. Apos o almoço, seguimos para o passeio que nos levaria as vilas típicas Cambojanas, alguns campos de arroz e, por fim, para um passeio de barco ate uma vila flutuante, num dos afluentes do rio Mekong. O visual das plantações de arroz e’ muito bonito e, apos chegarmos ao local onde os barcos estavam atracados, logo seguimos viagem rumo a vila flutuante. Emoção pura no barquinho, que era pequeno. Como era época das secas no Camboja, o rio não estava num nível muito alto. Apos 1 hora navegando, incluindo parada pra desenroscar um pedaço de rede de pesca da hélice do motor do barco, chegamos a vila flutuante. Como o nome diz, tudo acontece no rio. As casas são flutuantes, tem um restaurante e também uma escola. As pessoas criam, ao lado das casas, jacarés e patos pra alimentação própria e também pra vender em restaurantes. Próximo a vila existe um lago, imenso, um dos maiores do sudeste asiático. Fomos nadar um pouco no lago e então voltamos ao barco.

Apos o final desse passeio, por volta das 5 da tarde, ainda tínhamos tempo para mais uma atração. Fomos conhecer um templo budista que situa-se num dos lugares que eles chamam de poços da morte. Tentando traduzir e explicar ao mesmo tempo, eram grandes poços onde eles jogavam cadáveres e pessoas vivas na época do cruel genocídio no Camboja. Brevemente, o pais teve 1/3 da sua população, de mais ou menos 8 ou 9 milhoes de pessoas, dizimada em ataques coordenados pelo líder comunista Pol Pot, infeliz governante responsável pelo regime do Khmer Rouge (Khmer vermelho) que ordenou o genocídio de qualquer pessoa com uma certa capacidade intelectual e que fosse contra o regime comunista opressivo instalado no pais. Milhões foram cruelmente escravizados, torturados, assassinados e separados de suas famílias. Em Siam Reap, os poços não eram tão impressionantes como em Phnom Pehn, a capital, porem, o que se deparava em minha frente não era fácil de “digerir”. Vários ossos amontoados no posso que tinha bordas de vidro, para as pessoas poderem ver mesmo. Hoje templo budista, que fora erguido justamente para os monges rezarem por essas almas, atrai os visitantes mais interessados na historia do pais, como eu. Finalizamos o passeio e fomos ao hotel. Era dia 31 de Dezembro e nosso ótimo hotel estava preparando uma grande festa de natal. Como o preço era muito caro e também queríamos ver um pouco da cidade, do famoso mercado e da também famosa pub street (rua dos bares), decidimos pegar carona com nosso motorista multi-tarefa e fomos nos aventurar. A cidade estava cheia, movimentada, viva. Milhares de turistas nas ruas e muita movimentação no interessantissimo mercado. Tinha muito mais souvenirs do que outra coisa. Comum também eram as massagens, com destaque especial para as massagens no pe, onde o cliente coloca o pe num aquário gigante e milhares de peixes pequenos ficam massageando-os. Bem estranho ver isso no meio da rua, mas os turistas achavam o maximo, inclusive eu.

Apos uma passada na barulhenta pub street, com vários bêbados e gente dançando ao som de coisas parecidas com os trios elétricos dos carnavais de rua do Brasil, nos aventuramos num tuc-tuc pra voltar ao hotel. Apos uma negociação árdua pra baixar o preço do transporte de 3 para 2 dolares, nos divertimos no caminho de volta. As barganhas e negociações na Ásia são fantásticas e ate fazem parte da cultura. Os turistas já vão sabendo que tem que pechinchar e os vendedores já esperam essa postura dos turistas. Como bons Brasileiros, conseguimos algumas negociações bem interessantes. Fica ai a dica: Pechinchem muito. Voltamos ao hotel e ainda pegamos um pouco da festa acontecendo, com musica ao vivo no estilo karaokê e bebidas na frente da piscina. A meia-noite, show de fogos e assim chegava o ano de 2011.

 

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Dia 9 – Siem Reap (CAM)

 

Acordamos cedo para o café pois sairíamos cedo do hotel. Na programação do dia, um dos pontos altos da viagem e, com certeza, o ponto mais interessante da visita ao Camboja. Visita aos templos de Angkor, com destaque para Angkor Wat, Angkor Thom, Bayon e Ta Phrom (este ultimo e’ o local onde foi filmado o Tomb Raider com Angelina Jolie no papel de Lara Croft).

Apos adquirirmos nosso passe de entrada em todos os templos, que custa 20 dolares para 1 dia, começamos visitando Bayon. Um belo templo de arquitetura típica Khmer, como todos os outros templos de Angkor, onde demos a volta andando de elefante. Sensacional. Apos muitas fotos, visitamos Angkor Thom e mais uns outros templos menores no complexo todo. Os templos não são muito perto uns dos outros, então precisa-se caminhar bastante. Leve sempre água e protetor solar. Com os vendedores, regra de ouro: pechinche. Use sempre dólares americanos que são aceitos em todos os lugares. Antes do almoço, visitamos ainda o famoso Ta Phrom, cenário do filme Tomb Raider e tiramos as famosas fotos onde as raízes das arvores crescem sobre os muros do templo. Muito interessante o visual. Era chegada a hora do almoço e dai uma curiosidade. Queríamos comer carne de cobra e, se possível, presenciar o famoso ritual de tomar o sangue da cobra. Mais típico no Vietnam, onde carne de cobra não e’ ilegal, não conseguimos fazer em Hanói por falta de tempo. O ritual consiste no seguinte: Eles pegam a cobra viva, geralmente uma naja (cobra) ou naja-real (king cobra) e a agitam no chão, segurando-a pela cauda com cuidado obviamente. Ai o bicho fica desesperado tentando desvencilhar-se e fica extremamente agitado. Ai eles pegam a cobra, cortam a cabeça (que ainda se mexe) e fazem uma incisão na barriga da cobra, achando uma das principais artérias. Localizando a artéria, eles cortam ela em cima de uma taca de vinho e começam a despejar o sangue todo. Apos terminar essa fase, eles localizam o coração e o cortam também, colocando-o no copo (ainda batendo) junto com o sangue e com um vinho bem alcoólico, feito ou de palmeira ou de arroz. E ai a pessoa toma no martelinho mesmo. Ha vários vídeos no youtube de viajantes filmando o ritual no Vietnam. Diz-se que e’ importante afrodisíaco e faz bem pra vários órgãos, o sangue da cobra. Os que provaram a carne, geralmente gostaram. Eles fazem bolinhos fritos com a metade da carne e com a outra metade um ensopado. Delicia! Segundo o nosso guia Bombril, o homem que não toma o drink da cobra so’ faz boom boom uma vez, enquanto que o que toma o afrodisíaco faz boom boom 3 vezes. O guia então nos informou que ate conseguiria nos levar num restaurante que tivesse cobra, mas que não era freqüentado por turistas, era bem típico Khmer. Chegando la, eram varias cabanas onde o pessoal come sentado no chão em volta da mesa. Uma das cabanas tinha mesa e cadeiras e la nos instalamos. Não havia menu em Inglês então tínhamos que contar com a tradução do nosso guia. Pedimos pra ver as cobras e nos informaram – top secret. Dai descobrimos que era ilegal no Camboja, carne de cobra e tartaruga. Nos levaram ate a cozinha. Podre, simplesmente precária e imunda. Não tinha como. Dai me chega o dono do restaurante, todo feliz, com um saco de batata e uma naja de 1,3 metros se mexendo dentro dele. Na outra mão o feliz trazia uma tartaruga de 1kg. Os animais, vivos, estavam agitados claro e devido as condições do local, desistimos. Nem mesmo comida normal rolaria. A cobra custava 60 USD por quilo e a tartaruga 25 USD. Informamos aos demais das condições insalubres do local e fomos procurar um restaurante normal. Tive o azar de perguntar pro guia de onde eles tiravam as cobras que vendiam clandestinamente nos restaurantes. A resposta veio surpreendente: do lago que vocês nadavam ontem a tarde. Interessante eu disse, enquanto pensava, seu grande filho da puta!

Apos o almoço, por volta das 2 da tarde, iniciamos a visita mais esperada. Angkor Wat. Um espetacular templo Khmer, budista, que esta simbolizado na bandeira do pais. Muitos turistas e alguns monges circulavam no grande complexo e a beleza e paz do local, mesmo lotado de gente, são indescritíveis. Vale a pena o esforço, espera, calor, nadar no lago das najas, etc...e’ realmente incrível e facilmente se percebe porque virou patrimônio histórico da humanidade. Apos varias e varias fotos e percorrermos o templo do inicio ao fim, em torno de 1 hora e meia, voltamos ao nosso meio de transporte e o guia nos levou a uma montanha próxima para vermos o por-do-sol. Eles “vendem” isso como uma atração turística. Achei na verdade bem sem graça. Talvez por estar bem cansado de caminhar o dia inteiro no sol visitando templos e ainda ter que subir uma montanha por mais de 25 minutos pra chegar no topo, ter que escalar ruínas de um tempo no estilo Indiana Jones, literalmente, pra poder ver o que se pode ver todos os dias de qualquer lugar. Enfim, so saberia se tivesse visitado então não me arrependi no final. Eliminei minha frustração tomando água de coco. Estava encerrada a nossa programação em Siem Reap. Uma cidade muito interessante e com templos muito bonitos e historia riquissima. Deixaríamos a cidade bem saudosos rumo a capital. Alugamos um táxi para nos levar de Siem Reap para Phnom Pehn. 4 horas de estrada que enfrentamos a noite. Meu conselho: Nunca viagem nas estradas do Camboja a noite. As condições são ruins e as estradas são um pouco perigosas. Na torcida pro motorista, que não falava 1 ai em Inglês, não adormecer no volante, tivemos uma viagem ruim, longa e tensa. Evitem imprevistos e programem-se para fazer esse trecho de dia. Recomendo ônibus de linha (parece que e’ tranqüilo e não muito caro) que sai cedo de manha e apos o almoço. Saímos as 19:30 e chegamos em Phnom Pehn por volta da meia-noite. Fomos direto ao hotel dormir.

 

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Dia 10 – Phnom Pehn (CAM) / Kuala Lumpur (MAL)

 

Apos o cafe da manha, tínhamos na programação do dia visitar o palácio real, a silver pagoda (que ficava dentro do complexo do palácio real), o museu nacional, o monumento da independência e o mercado Russo. Negociamos, com a ajuda dos recepcionistas do hotel, 2 tuc-tucs para nos levar durante todo o trajeto e ficar conosco ate que completássemos tudo, levando-nos de volta ao hotel para pegarmos as malas e irmos ao aeroporto. Começamos indo ate a frente do palácio real. Na chegada, a decepacao. Era dia 2 de Janeiro e o palácio real estava fechado para visitação porque o rei do Camboja decidiu dar um banquete em homenagem aos monges. Sortudos nos, pois a cidade era meio sem graça e ainda sem poder entrar no palácio, tudo ficaria um pouco mais monótono. E o pior e’ que não poderíamos visitar a silver pagoda pois essa, como mencionei anteriormente, localizava-se dentro dos jardins do palácio. Pelo menos conseguimos tirar umas fotos de fora, pelos portões. Fomos autorizados a faze-lo pelos guardas que estavam de plantão. Alias, o palácio e’ uma construção muito bonita e interessante, no estilo arquitetônico típico Khmer. Fomos então ao museu nacional do Camboja, que era bem pequeno. Fizemos a visitação em menos de 1 hora e achamos ate bem interessante, considerando o tamanho. Vale a pena a visita. No meio do museu um bonito jardim e uma estatua de um Buda. Restava-nos então visitar o mercado Russo, que de Russo não tinha nada. Na verdade era um grande camelodromo com bancas vendendo roupas, acessórios e souvenirs. Mas toda cidade Asiática tem o seu mercado e sempre vale a pena visitar, mas estou me referindo aos mercados tradicionais com frutas, verduras, souvenirs, etc. Sempre com coisas exóticas e diferentes. O mercado Russo de Phnom Pehn não possuía esses atrativos então decidimos voltar pro hotel, que não ficava tão perto do mercado. No caminho de ida e volta conhecemos mais um pouco da cidade. Próxima ao hotel, localizava-se a rotatória onde ficava o monumento da independência, um grande obelisco de forma diferente dos tradicionais que estamos acostumados, com detalhes também da arquitetura tradicional Khmer. Chegamos ao hotel em tempo do almoço, pegamos as malas e fomos de táxi ao aeroporto. Estava se encerrando nossa rápida aventura por esses 3 interessantissimos paises. Desembarcamos em Kuala Lumpur e de la pegamos nossa conexão pra Austrália.

 

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Dia 11 – Gold Coast (AUS)

 

Apos 8 horas de vôo, aproximadamente, entre Kuala Lumpur e Gold Coast, passamos pelos tramites de aduana e imigração e embarcamos no nosso transfer de volta a cidade de Brisbane. Final de mais uma otima viagem.

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Estou pensando em fazer Vietnam e Camboja em janeiro. Talvez Malasia. Vc tem o nome dos hoteis que ficou e o contato dos guias / taxistas que uzou ?

Desde já agradeçoi,

Fernando

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Eduardo, pretendo ir para Hanoi em janeiro de 2013, gostaria de saber se lembras do tipo de barco que tu embarcastes em Halong Bay. Eu vi alguns modelos no (http://www.halongbay-vietnam.com/halong_bay_tours.htm) e fiquei em dúvida em qual teria o melhor custo benefício. Sobre Hanoi e Ho Chi Min, quantos dias tu achas que é necessário para conhecer cada uma das cidades? Pelo que vi Hanoi não tem tantos pontos turísticos interessantes e Ho Chi Min, seria mais os túneis e os museus de guerra? Abraço. Akira

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