China - 20 dias - Shanghai, Xian e Beijing - junho de 2011

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China - 20 dias - Shanghai, Xian e Beijing - junho de 2011

Nova mensagempor arnobionet » 25 Ago 2011, 12:43

Décimo segundo dia. Quarta-feita, 15 de junho de 2011.

Nosso voo para Beijing era às 10:00 horas. Na véspera já tínhamos arrumado nossas coisas e de manhã só tínhamos que tomar banho, café e fazer o check-out. O Lee ficou de nos buscar às 08:00 horas. Do centro de Xian até o aeroporto é uma hora de viagem.

Confesso que não queria ir embora. Xian é uma cidade muito agradável e acho que ainda poderíamos aproveitar bastante por aqui. Mas só de pensar em ter que ir ao aeroporto e explicar que queríamos remarcar as passagens (até os funcionários da Air China falam muito pouco inglês) e depois avisar ao hotel de Beijing, esperar que eles respondessem rápido e não debitassem do meu cartão o dia que cancelaríamos… muita complicação.

Esse problema com a comunicação é tão grande que depois de um tempo a gente começa a desistir até mesmo de tentar falar e se fazer entender. Em razão do idioma acabamos não interagindo tanto com os chineses. Em todos os outros países que visitei eu falava a língua local e a interação com as pessoas era bem maior. Na próxima vez que nós viermos quero poder falar pelo menos algumas palavras em mandarim.

O Lee não pôde vir, mas mandou outro motrista no lugar dele (que também falava pouco inglês). Para nosso azar, o trânsito estava bastante congestionado. Chegamos a achar que poderíamos perder o voo. Chegamos no aeroporto e o embarque já tinha até começado. Por sorte não havia fila no check-in.

Mais uma vez, nosso voo atrasou. Ficamos embarcados por uma hora até a decolagem. O voo até Beijing, que dura 1 hora e 50 minutos, foi tranquilo. Dormimos quase todo o tempo que ficamos no avião que, por incrível que pareça, era mais confortável e espaçoso que o que faz o voo internacional vindo de São Paulo.

Devido ao atraso, chegamos em Beijing às 12:50 horas. Para pegarmos as bagagens temos que pegar um trenzinho que anda uns 10 minutos dentro do gigantesco aeroporto de Beijing. Depois, tivemos que descobrir onde pegar o trem que vai para a cidade.

Quando encontramos, compramos as passagens, que custam 25 Yuans cada (R$ 6,25), e ficamos esperando o trem chegar. A estação do trem é aberta e não tem ar condicionado. Aí percebemos que o que uma turista portuguesa tinha nos dito em Shanghai era verdade. A cidade estava um forno! Ali na estação, que é toda feita de vidro, devia estar uns 40 graus!

Além do calor e da poluição no horizonte, no caminho percebemos que as distâncias aqui em Beijing são grandes e existem muitas cerquinhas brancas isolando as calçadas e as pistas. Logo íamos sentir na pele o quanto é difícil ser pedestre na capital chinesa.

Essse trem (que tem ar-condicionado e é muito confortável) faz o caminho entre o aeroporto e duas estações do metrô, a Sanyuanqiao (linha 10) e a Dongzhimen (linha circular). Nessa última estação tínhamos que descer e pegar o metrô, pagando nova passagem, que aqui custa 2 Yuans (R$ 0,50). Depois de três estações e duas conexões, chegaríamos à nossa estação, a mais perto do nosso hotel, chamada Zhangzizhonglu (linha 5). Parece moleza, mas na verdade é bem cansativo fazer isso carregando as bagagens. As conexões entre estações são feitas por corredores intermináveis e também há muitas escadas e muita, muita gente.

O metrô de Beijing é moderno, limpo e a rede é grande, mas acho que eles precisam expandir ainda mais pois vive lotado. Parece que sempre é horário de pico! Claro que eles já estão fazendo isso e umas quatro linhas novas estão em construção.

A nossa estação ainda era uma das mais tranquilas. Na região do entorno do nosso hotel todas as ruas têm um nome parecido, começando por Dongsi… É meio confuso. Ao sair, fomos procurando pelo número do hotel e então vimos que tínhamos saído pela saída do outro lado da rua. O problema é que não havia como atravessar a larga e movimentada avenida Dongsishitiaolu pois as calçadas eram isoladas pelas cercas brancas e os cruzamentos eram bem distantes uns dos outros. Tivemos que voltar para a estação do metrô e atrevessar a rua pela passagem subterrânea. Saímos na outra saída do metrô e descobrimos que nosso hotel ficava bem ao lado, há uns 50 metros da estação. Ótimo! Assim não precisaríamos atravessar nenhuma rua para pegar o metrô.

Na recepção do hotel finalmente tirei das costas a minha pesada mochila que, junto com o calor da rua, estavam me matando. Demos sorte na escolha dos hotéis. Os de Shanghai e Xian eram ótimos e esse aqui de Beijing também parecia muito bom.

Ficamos no Ping An Fu Hotel, que fica na Dongsishitiaolu, quase esquina com a avenida Dongsi, à nordeste da Cidade Proibida. Tínhamos feito duas reservas separadas. Uma para nós três por quatro dias. Outra para mais quatro dias só para mim e para a Dani, pois o seu Chico voltaria para o Brasil mais cedo.

Avisei na reserva que queria uma cama extra no quarto para esses quatro primeiros dias e, como ninguém me respondeu, achei que estava tudo certo. Mas não estava. A solução que a recepcionista deu foi nos colocar em dois quartos. Por sorte a gerente do hotel falava inglês muito bem e estava lá na hora que chegamos. Ela foi muito educada e resolveu tudo rapidamente mandando colocarem a cama extra que eu tinha pedido. Pelos primeiros quatro dias pagamos 1.810 Yuans (R$ 452,50). Os outros quatro dias seriam mais baratos ainda pois não incluiriam a cama extra.

Aqui eles têm a prática de fazer uma reserva no nosso cartão de crédito como garantia em um valor maior que o valor da hospedagem. Por isso, é bom sempre ter bastante limite no cartão. No check-out eles estornam o valor e debitam o valor correto. Foi assim também nos hotéis de Shanghai e de Xian. Outro valor que nunca está incluso na hora que fazemos a reserva é o imposto de 15% sobre o valor total da hospedagem. É bom ficar atento para não perder o controle dos gastos.

Já era 16:00 horas quando, finalmente, chegamos no nosso quarto, muito confortável, por sinal. E a cama extra nem deixou o quarto apertado. Depois de toda essa maratona, estávamos morrendo de fome e foi só o tempo de deixar as coisas e saímos outra vez para procurar um restaurante.

Dobrando a esquina, na avenida Dongsi, havia muitos restaurantes e lojas de conveniência e outros comércios. Apesar de, no mapa, não ser uma área longe do centro e de atrações como a Cidade Proibida, a área não é muito turística, é mais para chineses mesmo. Percebe-se isso até pelos letreiros que não tinham nada escrito em inglês. Escolhemos um restaurante que pareceu arrumadinho. Infelizmente nunca saberemos o nome dele pois só havia placa em chinês.

Esse restaurante é um dos maiores símbolos da dificuldade em se comunicar que tivemos na China. Ninguém lá, nenhum dos quase 10 funcionários, falava uma palavra sequer de inglês. Nem mesmo a palavra Pepsi, uma marca mundialmente famosa, que era vendida lá, eles entendiam! Palavras simples como chicken, pepper ou rice também não eram entendidas.

Para pedir, tínhamos todo um procedimento. Primeiro os funcionários ficavam rindo entre eles e um empurrava para o outro a missão de nos atender (para eles também deve ser muto difícil não poder se comunicar). Aí nos davam um cardápio cheio de fotos (sem nenhuma palavra escrita) dos pratos que eles serviam. Era até bastante extenso, com muitas opções. Depois, apontávamos o que queríamos, o rapaz abria um outro cardápio que tinha o nome do prato escrito em chinês e ao lado em inglês e ele nos mostrava o que era o prato.

O detalhe é que quem escreveu o cardápio também falava muito pouco de inglês! Faltavam letras, algumas delas estavam trocadas por outras ou na ordem errada, palavras inteiras eram trocadas (sauce por salt) e fora que, às vezes, o prato tinha pimenta mas não estava escrito lá!

Para pegar refrigerante ou chá gelado eu me levantava, ía direto ao refrigerador com porta de vidro e pagava o que queríamos pois não adiantava dizer os nomes das marcas. E eles nem se importavam.

Todo o atendimento era feito sem uma palavra! Era como se fôssemos surdos-mudos! E isso na capital do país mais populoso do mundo, cidade-sede das últimas olimpíadas! A ideia de que o inglês é uma língua mundial e que basta esse idioma para poder se comunicar com o mundo todo aqui na China cai por terra completamente. A China me abriu os olhos. O mundo como conhecemos é bem pequeno! Existe muita diversidade por aí.

O seu Chico sempre fica no hotel depois do almoço. Mas eu e a Dani sempre saímos de novo. Dessa vez, saindo do restaurante, voltamos para o hotel e tivemos que nos render. Os últimos dias tinham sido bem puxados e nos deixamos descansar um pouco.

Combinamos de tirar um rápido cochilo e depois sair para dar uma olhada na Praça Tiananmen, a famosa Praça da Paz Celestial. Estávamos tão cansados que acabamos dormindo pesado. Quando nos espertamos já era 21:00 horas. Demos um pulo e fomos tomar banho para sair.

Ao sair, ficamos surpresos com a ”névoa” de poluição que escurecia ainda mais a noite. Desde Shanghai, que é bem mais úmida que Beijing, percebíamos que toda aquela neblina não era normal. Muito daquela neblina era poluição. Beijing é considerada uma das cidades mais poluídas do planeta. Lembro de ter lido notícias de que a cidade teve muitos problemas com o Comitê Olímpico Internacional nos meses que antecederam os jogos por causa da má qualidade do ar. Vários atletas ameaçaram até boicotar as Olimpíadas. Um mês antes da abertura o governo mandou fechar temporariamente indústrias poluidoras do entorno de Beijing. É o outro lado do desenvolvimento.

Pegamos o metrô, que ainda estava cheio e, por volta das 22:00 horas chegamos na estação Qianmen. Teoricamente seria só sair da estação e daríamos de cara com a praça. Teoricamente.

Aqui todas as estações têm muitas saídas e nunca sabemos exatamente onde estamos. Esperávamos sair e encontrar muitas luzes que indicassem para que lado ir. Mas era tudo muito amplo, sem nenhuma referência conhecida a ainda por cima estava tudo muito escuro e deserto. A forte ”névoa” não deixava que enxergássemos muito longe e a única coisa que podíamos ver eram dois edifícios antiquíssimos que, depois de muito procurar uma placa identifiquei como o Portão Frontal e a Torre dos Arqueiros, ambos resquícios da antiga muralha que circundava a área.

Identificado o Portão Frontal, consegui ver adiante um grande prédio e atrás dele a ponta de um obelisco. Olhando no mapa localizei a praça. Mas como chegar lá era outra história. Estávamos presos pelas cercas brancas. Depois de atravessar várias vezes as avenidas por passagens subterrâneas desertas, topando com corredores interditados e nunca conseguir chegar à praça, percebemos o porquê. Simplesmente a praça estava fechada! Por isso todos aqueles postes dourados de design stalinista estavam apagados!

Não precisa ser nenhum gênio para imaginar a razão de fecharem a praça à noite. Os acontecimentos de 1989 falam por si. Ali, no coração da República Popular da China, a segurança do regime está em absoluto primeiro lugar!

Constatada a impossibilidade de ver alguma coisa, não restava mais nada a fazer a não ser voltar para o hotel.

Nosso primeiro contato com Beijing nos fez sentir pela primeira vez a realidade comunista. Em Shanghai e em Xian parece que tínhamos mais liberdade de andar e as ruas eram mais aconchegantes. Aqui em Beijing as distâncias são grandes, os prédios públicos monumentais e as ruas quase não têm arborização. A quantidade de cercas separando tudo nos faz sentir um pouco presos e dificulta muito passear pela cidade. Beijing, sem dúvida, é muito diferente.

No outro dia estávamos decididos a ir conhecer a Grande Muralha da China. Como chegar lá ainda era uma incógnita.
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China - 20 dias - Shanghai, Xian e Beijing - junho de 2011

Nova mensagempor arnobionet » 01 Set 2011, 00:33

Décimo terceiro dia. Quinta-feira, 16 de junho de 2011.

Tiramos o dia para conhecer a Grande Muralha. Visitar esse que é o principal cartão postal do país era o maior motivo do seu Chico ter prorrogado a estadia dele até Beijing.

A Muralha da China atravessa várias províncias do norte do país, mas as áreas mais conhecidas são as próximas à Beijing. Os dois pontos mais visitados são Badaling (70 km à noroeste de Beijing) e Simatai (110 km à nordeste de Beijing).

Na véspera tínhamos perguntado para uma das atendentes do hotel qual era a melhor forma de ir até a Muralha. Segundo ela nos disse, a melhor forma era pegando uma excursão em um quiosque turístico próximo ao Portão Frontal da Praça da Paz Celestial. O guia citava essa possibilidade e também a de irmos em ônibus de linha (mas seria complicado e arriscado por causa das dificuldades de comunicação). Ainda tentamos saber se havia um serviço como o que usamos em Xian, onde alugamos um carro com motorista que nos levou onde queríamos e ficamos livres para visitar os lugares. Infelizmente ela não conhecia nenhum serviço desse tipo (ou então não entendeu o que dizíamos, o que é bem possível pois ela falava pouco inglês).

Tudo que nós queríamos era fugir das irritantes excursões em que se anda de um lado para o outro seguindo um guia com uma bandeirinha berrando em um megafone (pouco se preocupando se está incomodando alguém), sem nenhuma liberdade de escolha e com tudo cronometrado. Incrivelmente esta é a forma predileta dos chineses fazerem turismo e existem muitos grupos como esses nos pontos turísticos. Só de olhar já é irritante, imagina fazer parte da excursão!

Ainda não tínhamos nos dado por vencidos. Pegamos o metrô e descemos na estação Qianmen, em frente à praça. Logo encontramos o tal quiosque turístico oferecendo excursões para a Grande Muralha de Badaling. Fomos perguntar se haveria a possibilidade de irmos em um carro particular, no estilo de Xian. Mas simplesmente ninguém entendia uma palavra de inglês! Isso em um quiosque turístico que vende excursões para o principal ponto de interesse do país! Até que surgiu uma moça não sei de onde que falava inglês, nos atendeu e prometeu a ida às Tumbas Ming, que ficam no caminho da Muralha, guia em inglês e ”almoço chinês”, tudo por 160 Yuans (R$ 40) para cada. Como já era umas 10:00 horas da manhã e estava saindo um ônibus naquele momento resolvemos ir e ver no que ia dar. As opções que tínhamos eram pegar a tal excursão ou continuar procurando por conta própria um outro meio melhor de ir e correr o risco de perder o dia nisso.

Pois bem, engoli meus princípios de viajante independente e cedemos às circustâncias. Eu e a Dani ainda tínhamos esperança de que uma excursão não fosse tão desagradável quanto pensávamos que era.

Logo que entramos no ônibus percebemos que nós três e mais dois belgas que sentaram do nosso lado no fundo do ônibus éramos os únicos ocidentais. Todos os outros eram chineses. Logo a guia começou a distribuir crachás (não gosto nem de lembrar…) e a falar muito. Ficamos esperando, esperando e nada de versão em inglês. Aí percebemos que ela não falaria nada em inglês e que seríamos completamente ignorados durante todo o trajeto.

Puxei assunto com os belgas, que também estavam contrariados na excursão e ainda fomos repreendidos porque estávamos falando alto! Tínhamos que ficar ouvindo ela falar em chinês, sem entender nada e ainda por cima calados! E pagamos por isso! Simplesmente a mulher falou por uma hora e meia e tudo em chinês! Cheguei a cochilar.

Pois bem, depois de muito ouvir a guia falar, chegamos à nossa primeira parada, uma das Tumbas Ming, reconhecidas como patrimônio mundial pela Unesco. Já tinha lido no guia da Lonely Planet que esse não era um ponto tão imperdível e que não deveríamos esperar nada muito surpreendente.

O lugar é até bem simples para uma tumba imperial. Há várias dessas tumbas na região, onde estão os restos mortais de 13 dos 16 imperadores da Dinastia Ming (de 1368 D.C. a 1644 D.C.). Na entrada da tumba que visitamos, a do Imperador Wanli (o ingresso custou 60 Yuans), que foi a mais escavada e pesquisada, vemos alguns portais, um grande bosque de ciprestes muito antigos e uma torre ao fundo, chamada Torre das Almas. Em baixo desta torre está um palácio subterrâneo dividido em cinco salas interligadas por corredores. As escavações foram feitas na década de 50 e a estrutura não é suntuosa, mas a visita é interessante. Não é todo dia que podemos ver o sarcófago de um imperador que governou a China há 400 anos atrás, quando o Brasil ainda engatinhava!

Estranhamente, os chineses tem o hábito de jogar dinheiro em toda a parte, como oferenda. Em templos e ao pé de esculturas religiosas acho até compreensível, mas não sei qual o significado de jogar nos sarcófagos do imperador e da imperatriz. Em volta dos grandes caixões vermelhos podíamos ver muitas moedas e notas de dinheiro.

O passeio à Tumba Ming durou uma hora e meia mais ou menos. Eu, a Dani, o seu Chico e os belgas tivemos que nos virar com as placas pois a guia não falava nada que não fosse em chinês.

Voltamos para o ônibus e alguns minutos depois descemos em uma gigantesca loja de jade, nossa segunda parada nesse périplo. As peças eram até bonitas (um pouco caras), mas a questão é que não queríamos compar jade, queríamos apenas ver a Muralha!

Tivemos que ficar lá esperando os turistas chineses olharem todas as milhares de peças à mostra e as vendedoras tentarem tirar algum dinheiro deles. A própria guia, tentava arranhar o inglês com a gente, tentando nos levar para olhar as peças (e ganhar comissão na venda, claro).

Pelo visto, apesar de nunca ter ido à parte alguma em excursão antes, a impressão que eu tinha estava correta. É uma verdadeira enganação com o único objetivo de arrancar dinheiro dos turistas. E pensar que estávamos ali só pelo transporte até a Muralha e já tinham se passado umas três horas e nem sinal dela.

Depois de quase uma hora esperando todo mundo olhar a loja, fomos encaminhados para o ”almoço chinês” que estava incluído na excursão e ficava bem ao lado da loja.

Chegamos à um salão enorme, com capacidade para umas 500 pessoas, cheio de mesas redondas, preparado para a quantidade descomunal de turistas que deve passar por ali na alta temporada. Nos sentamos e ficamos esperando. Logo outros chineses sentaram e as moças começaram a pôr a comida na mesa. Muito arroz branco, peixe, vários tipos de legumes cozidos e uma espécie de pão feita de massa de guioza. Todos pegavam um pouco com os pauzinhos e punham no prato.

O estranho era que ninguém se conhecia mas estavam todos sentados à mesa dividindo a mesma comida como se fossem amigos de longa data. Já tinha lido sobre os almoços coletivos, mas não poder escolher o que se quer comer é dureza. Não que a comida fosse ruim, mas não era o que queríamos comer! E não tínhamos opção. Não tinha outro restaurante por lá.

Acabado o almoço, pegamos o ônibus e dessa vez iríamos direto para a Muralha. A guia nos vendeu ingressos para um filme sobre a muralha que passa em um cinema 360 graus ao preço de 25 Yuans (para vender ela bem que se esforçava no inglês). Mais uma meia hora e chegamos. Confesso que esperava encontrar muito mais gente no local, mas estava até razoavelmente tranquilo.

Compramos os ingressos para entrar no parque (40 Yuans – R$ 10). Mas, como em todos os lugares, o ingresso é compartimentado. Para subir à Muralha tínhamos que pegar um teleférico que nos levaria ao alto das montanhas e a passagem do teleférico custava mais 80 Yuans (R$ 20).

A guia nos avisou para estarmos de volta às 16:20 horas. Como já era 15:00 horas, tínhamos apenas uma hora e vinte para aproveitar a Muralha! Achamos aquilo o fim. Perdemos um tempão na loja de jade e só teríamos uma hora e vinte minutos para a Muralha?! Enfim, não era hora de reclamar. Tínhamos era que aproveitar que finalmente estávamos lá e livres da excursão por alguns minutos.

Uma aventura nos esperava e não estávamos preparados para ela (principalmente a Dani!). O teleférico era altíssimo, balançava muito e era bem rápido. Por mais que fosse novo e parecesse bem conservado, dava um pouco de medo.

Eu e o seu Chico nos divertimos com o ataque que a Dani deu quando o carrinho começou a subir. Ela gritava desesperadamente que não queria mais ir, que queria voltar, invocou todos os santos, chamou pela dona Dóia, fechou os olhos e, chorando de medo, apertou o braço do pai dela! Eu e o seu Chico só fazíamos rir.

Chegando lá em cima, mesmo com a neblina que impedia que enxergássemos muito longe, fomos recompensados com uma vista estonteante. É muito mais do que aquilo que vemos nos postais. Eu costumo dizer que nem sempre as fotos traduzem o que podemos ver ao vivo. A Muralha é um desses casos.

O setor mais perto da estação do teleférico é muito cheio de turistas. Conforme andamos ao longo da Muralha e nos distanciamos do teleférico, mais bonita fica a paisagem (e as fotos).

A Grande Muralha, na verdade, é uma construção formada por várias outras muralhas que foram erguidas separadamente por vários reinos em diversos períodos da história chinesa e depois foram unidas formando uma só estrutura que atravessa o país de leste a oeste. Essa unificação se iniciou na Dinastia Qin, há 2200 anos e o objetivo era proteger a China de ataques dos povos nômades do norte (principalmente os Mongóis).

A extensão total da Muralha é uma questão muito controversa. Há estudos que dizem que ela mede cerca de 5000 km. Outros chegam a falar em 8000 km! A falta de conservação em grandes extensões dificulta uma medição precisa pois há lugares em que não restam mais que vestígios da Muralha. O próprio guia Lonely Planet não arrisca dar essa informação. Uma coisa é certa: é uma obra colossal, ainda mais para a época em que foi feita.

Ficávamos imaginando quantas pessoas não haviam morrido para construir tudo aquilo em um lugar tão inóspito, no alto das montanhas e sem a facilidade das máquinas. Li no guia que a maioria dos operários era de presos políticos e que era o exército imperial quem comandava os trabalhos.

A Muralha além de uma barreira física ao ataque dos inimigos, também servia como meio de comunicação entre a fronteira norte e a capital do império, uma vez que, ao sinal de aproximação de tropas em qualquer parte da longa extensão da Muralha, as torres davam sinal de fumaça que ia sendo repassado de torre em torre.

Por estar localizada no cume das montanhas, de onde se tinha uma visão privilegiada dos inimigos que atacavam, são comuns ladeiras muito ingremes ao longo da Muralha. Algumas delas possuem degraus, mas outras são completamente lisas e fica difícil andar sem segurar no corrimão. Chegamos a ver até algumas pessoas caindo.

Os belgas me contaram que foram à Simatai e que gostaram muito. Disseram que lá não há quase turistas e a Muralha parece mais natural pois não está tão conservada quanto em Badaling. Justamente por ser um trecho mais conservado, Badaling atrai mais turistas. Mas também disseram que, mesmo com o tempo neblinado que estava fazendo, a vista de Badaling ainda era mais bonita pois a Muralha é mais sinuosa. Em Simatai a construção não tinha tantas curvas.

Eu odeio excursão e agora que já passei por uma, odeio com conhecimento de causa. Não indico para ninguém. Só viemos porque não encontramos outro jeito. Só aconselho ir às Muralhas de excursão se não tiver outra opção. A única coisa que não pode acontecer com quem vem à China é deixar de visitar esse lugar. É tão fantástico que faz todo o sacrifício de aturar uma excursão valer a pena.

Passeamos bastante pela Muralha e tiramos muitas fotos. Na hora prevista, pegamos o teleférico para descer. A descida não dá tanto medo quanto a subida (deve ser a história de que para baixo todo santo ajuda). Até a Dani se controlou e nem chorou, apesar de deixar o braço do seu Chico dormente de tanto que ela apertou.

Fomos ver o filme em 360 graus. É bem interessante, mas está todo em chinês e não há legendas. Acabado o filme, voltamos para o ônibus. Aí a guia fez uma contagem dos passageiros e recolheu os crachás (graças a Deus!). Depois começou de novo a falar e só parou quando chegamos à Praça da Paz Celestial, duas horas depois. Já estava até tonto de tanto ouvir aquela mulher falando. Acho que ela contou toda a história de 2000 anos da Muralha!

Chegamos em Beijing e já estava escurecendo. Com fome, escolhemos o KFC mais próximo para jantar. Ao sair, topamos com uma placa onde estava escrito que aquele era o primeiro KFC da China, inaugurado em 1987, em plena praça Tiananmen. Comunismo estranho esse da China, cheio de fast food e lojas de grifes de luxo.

Pegamos o metrô, que ainda estava cheio, e voltamos para o hotel. O dia tinha sido exaustivo e apesar da chateação da excursão, estávamos muito contentes. Agora era só tomar banho e dormir.
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China - 20 dias - Shanghai, Xian e Beijing - junho de 2011

Nova mensagempor arnobionet » 09 Set 2011, 13:57

Décimo quarto dia. Sexta-feira, 17 de junho de 2011.

Hoje decidimos ir à uma rua de comércio de Beijing, a Wangfujing Dajie. Olhando no mapa, parecia perto da estação Dongsi do metrô. Mas não era. Para se orientar por mapas em Beijing temos que ter em conta apenas as avenidas maiores. Há muitas vielas e ruas pequenas que às vezes nem estão no mapa, o que faz os quarteirões serem enormes e a gente se confundir bastante.

Essas ruelas são os famosos Hutongs. São como vilas residenciais, geralmente bem humildes (mas não miseráveis), onde vive grande parte da população de Beijing. Estão em extinção em razão do boom imobiliário na China. Provavelmente, em alguns anos, apenas alguns poucos Hutongs ainda existirão.

Só depois descobrimos que para ir à parte comercial e de pedestres da Wangfujing Dajie temos que descer na estação Wangfujing. Parece óbvio, mas não para quem olha o mapa. Andamos bastante e o calor estava de rachar, mas chegamos.

Comparada com a Nanjing Lu, em Shanghai, a Wangfujing Dajie parece meio sem graça. Apesar das inúmeras lojas de grifes internacionais (Gucci, Dior, Hermès, Channel…) e de outras lojas mais populares, na verdade acho que a área ainda está em consolidação como um centro comercial. Há quadras inteiras fechadas com outdoors escondendo obras. A estrutura do lugar é muito boa, tudo é muito limpo, organizado e seguro. O que falta mesmo são mais opções de lojas e aquele brilho da Nanjing Lu, que é bem mais extravagante.

Com o calor de matar que estava fazendo, resolvemos tomar um sorvete em uma loja grandona da Häagen-Dazs. Os preços são muito semelhantes aos do Brasil. A diferença é que a loja oferece um cardápio cheio de opções refinadas, verdadeiros pratos à base de sorvete. Ficamos com os mais simples mesmo. Destaque para o sorvete de chá verde que o seu Chico pediu, que eu só vi na China.

Na Wangfujing Dajie encontramos a primeira igreja católica que vimos na China, a Igreja de São José, que é bem bonita. A construção original é de 1655, mas ela já foi destruída e reconstruída três vezes por causa de um terremoto, um incêndio e da Guerra dos Boxers.

Eu e a Dani não somos muito de viajar para fazer compras ou gastar nosso tempo em shopping center, estávamos ali mais passeando do que buscando comprar alguma coisa. Seguimos pela Wangfujing olhando as lojas e confirmando o que já tínhamos percebido desde Shanghai: os preços das lojas aqui são muito parecidos com os do Brasil. Engana-se quem pensa que, por ser a China, é tudo de graça. Barato mesmo só alimentação, transporte e hospedagem. O que também tem bons preços são as marcas locais, que nós desconhecemos no Brasil (tipo Erke e Anta, duas marcas de produtos esportivos) e as falsificações (isso se você souber negociar bem). Mas, francamente, para comprar falsificações acho que é mais barato e prático ir à 25 de Março, em São Paulo, do que vir até a China!

A única coisa que eu resolvi comprar foi uma calça jeans. E para isso eu fui muito prático. Entrei na Gap e em meia hora já tinha comprado. Os preços regulam com os das lojas nos Estados Unidos.

Descendo a rua em direção à estação Wangfujing do metrô, do lado direito, escondido por propagandas, vimos um portal tradicional que dava acesso à uma ruazinha. Fomos ver o que era e tivemos uma surpresa.

Tratava-se de uma espécie de feira onde vendia todo tipo de souvenir e, pela primeira vez, encontramos as comidas estranhas que povoam o imaginário ocidental. As bancas de comidas ao longo da rua ofereciam todo tipo de bizarrice. Escorpiões, estrelas do mar, besouros, aranhas, baratas, casulos, centopéias, cavalos marinhos, calangos, carne de cobra e de filhote de tubarão, além de outras coisas irreconhecíveis eram vendidas no espetinho.

O mais comum mesmo eram os escorpiões, que eram espetados vivos nos palitos e ainda se mexiam. Quem quisesse comer era só pedir para jogar o espetinho no tacho de óleo quente para ele fritar um pouco.

Eu e a Dani, que não temos problema algum com comida, tínhamos prometido que quando encontrássemos essas coisas iríamos provar. Mas confesso que ver bem de pertinho esses bichos é um impacto forte para qualquer estômago. Não é tão fácil quanto pode parecer.

Na verdade, não era só o fato de saber o que era. A apresentação também não estimulava muito. Podia ser o prato mais comum do mundo, mas ali, exposto daquele jeito, ainda se mexendo não estimulava mesmo. Talvez em outro lugar se encontre espetinhos mais apetitosos.

O seu Chico já estava cantando aos quatro ventos o nosso recuo. Então, criamos coragem e buscamos por um espetinho com escorpiões bem pequenininhos. Encontramos na banca de um chinês bem simpático que nos deu o empurrãozinho final dizendo com seu forte sotaque: ”Verrrry Gooood!!!”

Câmera na mão, espetinho com quatro escorpiões comprado e eu provei primeiro. Ao ver que eu não caí duro no chão, a Dani pegou um para ela.

Para nossa surpresa, não era ruim mesmo. Tem gosto e consistência de casca de camarão frito. Não é uma delícia maravilhosa, mas valeu a experiência. A título de curiosidade (pois eu sei que essa não é a informação mais buscada da internet), cada espetinho custou 10 Yuans. Outros bichos mais carnudos/suculentos/recheados são um pouco mais caros.

Antes que alguém pergunte, eu não vi carne de cachorro nem de rato. Não duvido que tenha em outro lugar, mas ali eu não vi.

Uma coisa tem que ser dita. Os chineses podem até ter comido essas guloseimas com mais frequência no passado, em momentos de grande dificuldades, mas hoje eles não são muito fãs não. A dieta cotidiana deles é até bem ”normal”. Esses exotismos só existem porque tem turista besta (que nem eu e a Dani) para comprar. Não vi nenhum chinês comendo essas coisas, só turistas!

Depois dessa experiência gastronômica, era hora de almoçar de verdade. Pegamos o metrô na estação Wangfujing e descemos na estação do nosso hotel, a Zhangzizhanglu. Fomos direto ao restaurante da Dongsi Daijie (aquele que eu não sei o nome porque só está escrito em chinês). Comemos bem, comida chinesa ”normal” e depois fomos caminhando para o hotel.

O seu Chico ia ficar descansando e eu e a Dani íamos sair de novo. Mas o calor estava tão forte que decidimos dar uma encostadinha e aproveitar o ar-condicionado. Foi só o tempo de darmos uma descansada e saímos de novo. Nosso destino: o famoso Templo do Céu.

Pegamos o metrô e descemos na estação Tiantandongmen (linha 5) que, segundo o mapa, nos deixa ao lado do parque onde fica o templo. Como sempre, saímos meio desorientados da estação e seguimos em frente. Andamos uns 200 metros procurando pela entrada do parque, que é todo murado e nem sinal. Tentamos perguntar mas ninguém entendia o que queríamos. Então fomos abordados por um motorista de riquixá (bicicleta com dois lugares atrás) falando um inglês bem basicão.

Ele disse que a entrada era longe e ofereceu o serviço dele. Perguntamos o preço e ele mostrou três dedos (trinta Yuans). Então eu disse que estava caro e continuamos andando. Aí ele veio de novo e mostrou dois dedos (vinte Yuans). Tendo em vista que já era quase 16:00 horas e o sol estava de matar, topamos. La fomos nós de riquixá no meio do trânsito caótico de Beijing.

O cara cruzava as avenidas sem obedecer o sinal vermelho, parava no meio do cruzamento… teve horas que achamos que seríamos atropelados! Ele chegou a puxar assunto, perguntou de onde éramos e então dissemos: ”Paxi” (é assim que se diz Brasil em chinês e não adianta dizer com a pronúncia inglesa que eles não conseguem repetir nem ligam o nome ao país).

Pois bem, depois do cara muito pedalar (uns 15 minutos), avistamos o que seria a entrada principal do parque. Estranhamente o cara parou bem longe e apontou. Então descemos, eu abri a carteira e puxei as duas únicas notas que estavam lá, uma de vinte e uma de cinco (nunca ando com muito dinheiro na carteira!). E não é que o cara tentou nos aplicar um golpe!

Ele puxou uma plaquinha onde estava escrito que o serviço era tabelado e custava 300 Yuans! E ele, bonzinho que era, fez por 200 (e não por 20 como qualquer pessoa normal teria entendido quando ele mostrou dois dedos). Simplesmente 200 Yuans era mais do que tínhamos pago para ir à Muralha da China em uma viagem ida e volta de 140 km de ônibus!

Aí eu ri na cara dele, engrossei logo a voz e falei em português mesmo: ”Ta me achando com cara de leso?!” A Dani, que não viu a placa, não entendeu nada, mas deu logo um pulo para trás e segurou a mochila e a câmera. E eu repetia: ”No, no, no!”. E esticava os 25 Yuans para ele.

Achei que naquela hora seríamos assaltados no meio da rua. Mas, na verdade, o cara parecia mais nervoso do que a gente. Ele sabia que se fosse pego pela polícia estava ferrado. Por isso ele tinha parado longe da entrada do parque. E, ainda por cima, ele não esperava que a gente reagisse daquele jeito. Acho que esperava que nós pagássemos sem discutir como os gringos que ele está acostumado a pegar devem fazer.

Então eu peguei os 25 Yuans, dei na mão dele e saí andando em direção à entrada do parque. Ele também nem discutiu mais, viu que o papo dele não tinha dado certo e foi embora rapidinho. No final das contas quem se ferrou foi ele que pedalou que nem um condenado para levar quase 200 quilos (a maioria meus, claro) em baixo de sol forte achando que ia se dar bem me arrancando R$ 50 e, no final, ficou com o equivalente a R$ 6,50!

Chegamos no parque aborrecidos, mas dispostos a não deixar aquele espertalhão estragar nosso passeio. Compramos o ingresso para entrar no parque (40 Yuans) e a atendente disse que era só para o parque pois o ingresso do Templo do Céu (que custa outros 40 Yuans) era vendido só até as 16:00 horas!

Ficamos desolados e mais aborrecidos ainda. Todo aquele estresse não tinha adiantado de nada. Mesmo assim entramos. Fomos andando e vendo como o parque é bem cuidado até que chegamos nos portões do Templo do Céu.

A moça já estava arrumando tudo para fechar e me pediu os ingressos. Como nós não tínhamos, nos fizemos de desentendidos e decepcionados: ”Oh! There are tickets to get in?!” (Oh! Existe ingresso para entrar?!). Me afastei fazendo cara de coitadinho e logo depois voltei com a Dani e tentei pela última vez, mesmo sem acreditar que pudesse dar certo: ”Can we take one photo?” (Podemos tirar uma foto?). A mulher, compadecida com o drama que eu estava fazendo, nos liberou para entrar!

Saímos correndo antes que ela mudasse de ideia. Aquilo foi quase um milagre! Entramos sem pagar ingresso e depois do horário de fechamento! Acho que tínhamos que ver aquele lugar mesmo.

O Templo do Céu é uma das poucas construções de arquitetura tradicional com telhados redondos. É um ícone de Beijing. Trata-se de um templo taoísta utilizado pelos imperadores Ming e Qing (as duas últimas dinastias) para pedir e agradecer as boas colheitas. A construção data de 1420, tem 38 metros de altura e está sobre uma base composta por três circulos concêntricos de mármore branco. Tudo isso fica em um amplo pátio cercado por um muro.

O lugar é realmente muito bonito, vale a visita. Tivemos muita sorte de conseguir entrar. Com menos de 15 minutos que estávamos lá, os guardas começaram a expulsar todo mundo para fechar. Saímos com a sensação do dever cumprido. Seria muito frustrante ir embora sem ao menos uma foto.

Caminhando até a saída, demos uma olhada no parque. Como todos os outros que conhecemos, muito bem cuidado e cheio de velhinhos, muitos fazendo exercícios, outros jogando cartas ou um jogo de tabuleiro que parece damas.

Ao sair, demos de cara com a estação do metrô. E não é que ela fica bem ao lado da entrada leste do parque! Quando chegamos, saímos e seguimos em frente sem olhar para trás. Aquele sem-vergonha do riquixá deu um voltão com a gente, sendo que a entrada era logo ao lado da estação. Por sorte deu tudo certo.

Olhando no guia, vimos que havia um tal Mercado de Pérolas ali ao lado. Atravessamos por uma passarela e fomos lá. Não é nada de mais. É como um grande shopping centerda 25 de Março em São Paulo. São uns 6 andares cheios de falsificações, quinquilharias, roupas e vendedores insistentes. O local estava cheio de turistas americanos e europeus. Para nós, brasileiros, não é nenhuma novidade. Nada que não possamos encontrar com facilidade no Brasil. Tem muitas lojas de pérolas mas, como não entendemos nada, preferimos nem olhar. A possibilidade de sermos enganados era grande (depois da história do riquixá ficamos traumatizados).

Ao sairmos, resolvemos emendar direto para a Praça da Paz Celestial e tentar ver a cerimônia de descida da bandeira, que acontece todo final do dia, quando escurece. Então pegamos o metrô, sempre lotado, e descemos na estação Qianmen, na extremidade sul da praça.

A Tiananmen, ou Praça da Paz Celestial, mais lembrada no ocidente pela repressão aos protestos pró-democracia de 1989, tem um significado muito grande (talvez mais para o governo do que para o povo). A praça foi planejada por Mao para ser o centro político do país, o coração da República Popular da China (por isso tenha sido escolhida como palco para os protestos).

O esquema de segurança é impressionante. A praça é toda cercada. Nas entradas, temos que passar por detectores de metais e revistas. Nos postes dourados com design stalinista, muitas câmeras vigiam cada passo das pessoas que ali estão. Há postes com até 5 câmeras! Isso sem falar nos muitos guardas, fardados e à paisana.

Apesar de tudo não dá para negar. É imponente. Ali sentimos a repressão do sistema político fechado, mas também sentimos a sensação de estar pisando um lugar histório, cheio de significado. Muitos prédios importantes ficam localizados ao redor da praça Tiananmen. Um deles é o Grande Salão do Povo, onde a Assembléia do Partido Comunista Chinês, o maior partido do mundo, acontece. Do outro lado da praça fica o gigantesco Museu Nacional da China. Ao norte da praça, no portal da Cidade Proibida, de onde Mao Zedong declarou a República Comunista, a famosa imagem do grande timoneiro observa tudo.

No meio da praça, considerada a maior do mundo, um grande vazio é quebrado apenas por um obelisco, por bandeiras vermelhas, esculturas de inspiração soviética e por um único prédio, o mausoléu de Mao Zedong, onde seu corpo está conservado e exposto à visitação pública! Não entramos, mas soubemos que, depois de uma revista rigorosa (não se pode entrar com nada além das roupas) apenas se passa por perto do corpo em fila e não se pode parar. Para entrar é preciso chegar muito cedo e as filas são enormes. O culto à personalidade de Mao Zedong ainda é muito forte aqui.

Depois de conhecermos a praça, nos aproximamos do lugar onde fica hasteada a bandeira. Muita gente fica esperando em volta e conseguir um lugar na frente é muito difícil. Para quem é baixinho fica até difícil ver alguma coisa.

Esperamos bastante e, quando o sol já havia sumido no horizonte e já estava começando a ficar escuro, por volta das 20:00 horas, um grupo de soldados saiu da Cidade Proibida marchando simetricamente e com toda a pompa. Eles se posicionaram em frente à bandeira nacional que foi baixada, dobrada com toda cerimônia e depois levada por eles para dentro da Cidade Proibida.

Logo em seguida as luzes começaram a acender e iluminar os monumentos e a praça começou a ser evacuada. Carros-som e guardas à pé encaminhavam, na base do grito, a multidão que estava vendo a cerimônia para as saídas. Não tínhamos mais tempo nem para uma foto. Era hora da ”praça do povo” fechar. Apenas uma pessoa tem autorização para ficar ali eternamente: Mao Zedong, deitado em seu mausoléu.

Saímos da praça já completamente escuro. A Dani já estava quase desmaiando de cansada e só ficou até o fim porque eu obriguei. Comemos outra vez no KFC e voltamos para o hotel de metrô.

Chegamos cansados e só fizemos desabar na cama. O seu Chico já estava com tudo arrumado. O dia seguinte seria puxado pois à noite ele ia voltar para o Brasil e ainda tínhamos que ir a dois lugares essenciais de Beijing: a Cidade Proibida e o Parque Olímpico.
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China - 20 dias - Shanghai, Xian e Beijing - junho de 2011

Nova mensagempor arnobionet » 22 Set 2011, 02:18

Décimo quinto dia. Sábado, 18 de junho de 2011.

Dois pontos de Beijing são imperdíveis e, mesmo tão diferentes entre si, são a cara da cidade: o antiquíssimo Palácio Imperial, mais conhecido no Ocidente como Cidade Proibida, e o moderníssimo Parque Olímpico das Olimpíadas de 2008. Hoje era o dia em que o seu Chico ia embora, então não tínhamos opção, tínhamos que ir aos dois!

Como nosso tempo era curto e os locais eram grandes e distantes um do outro, acordamos cedo, tomamos café e fomos pedir para a moça da recepção do hotel escrever em chinês o nome dos locais que íamos visitar para mostrarmos para o taxista. Aí percebemos uma coisa curiosa. Hoje em dia, na China, ninguém conhece a Cidade Proibida por esse nome. Dissemos que queríamos ir à Forbidden City e a moça não entendeu. Pensei até que estava pronunciando errado. Aí peguei o mapa e mostrei para ela e vi que lá estava escrito: The Palace Museum (O Museu do Palácio). Aí foi rapidinho, ela escreveu o nome em chinês, assim como o nome do Parque Olímpico, e fomos.

O ingresso da Cidade Proibida custa só 60 Yuans (R$ 15). Isso é uma coisa boa aqui. Por mais famosa e significativa que seja a atração, o ingresso é barato. Todos são na faixa de R$ 5 a R$ 30. Para os chineses deve parecer mais caro tendo em vista os baixos salários do país.

Na porta, um vendedor me ofereceu um livro de fotografias de lá. Olhei e achei interessante. Quando perguntei o preço ele me disse que custava 60 Yuans. Na hora eu fiz cara de indignação, devolvi o livro e fui andando mostrando desinteresse (tem uma hora que fazer teatro toda vez que vamos comprar alguma coisa começa a ficar natural hahaha). Aí começou a negociação. Ele veio atrás dizendo que agora era 40 Yuans. Continuei andando e dizendo que não queria mais e ele atrás, baixando o preço. Quando chegou em 20 Yuans aí sim eu parei e comprei. O que custava R$ 15 saiu por R$ 5! Eu realmente tinha gostado do livro e corri o risco de acabar não levando me fazendo de durão. Por sorte esse vendedor era dos mais insistentes!

Por falta de atenção, acabamos cometendo um erro que atrapalhou nosso passeio. O taxi nos deixou na entrada norte, na rua que fica entre a Cidade Proibida e o Parque Jingshan. Acontece que aquela é a “porta dos fundos” da Cidade Proibida, a saída. Todos os pavilhões do palácio ficam de frente para o sul, para a Praça da Paz Celestial. Só percebemos isso quando já estávamos dentro, indo contra o fluxo da multidão. Fica a dica: sempre peça para o taxista ir para a entrada sul, onde fica a foto do Mao, que fica de frente para a Praça da Paz Celestial.

Depois de algum tempo, começamos a confirmar o que já havíamos lido sobre ao turismo na China. Uma das coisas é que o turismo aqui não é voltado para estrangeiros. Uns 95% (ou mais) dos turistas que estavam nos pontos turísticos que visitamos eram chineses. E chinês fazendo turismo é sinônimo de grupos enormes com guia com autofalante no último volume! Em alguns lugares não havia ninguém que falasse ao menos o básico de inglês para nos atender, era tudo na base da mímica e da calculadora para negociar os preços.

Outra coisa que constatamos é que nos fins de semana os lugares turísticos ficam lotados, ou melhor, superlotados (a Cidade Proibida não foi exceção). Quando estamos em um local turístico é quando mais sentimos que estamos no país mais populoso do mundo. O mais interessante é que os chineses, de tão acostumados com multidões, não parecem se incomodar nem um pouco com isso.

Fora a superlotação e o fato de termos entrado pela saída, ainda estava um calor de matar em Beijing! As pessoas faziam de tudo para se proteger do sol. Aqui eles têm uma neurose com isso. Ficar queimado de sol não é bonito. É coisa de agricultor, de gente pobre do campo, trabalhador braçal. Algumas mulheres chegam a usar umas luvas compridas igual a das noivas (o que deve piorar ainda mais o calor). Sombrinhas, bonés e até toalhas eram usadas para se cobrir!

A Cidade Proibida estava tão lotada que até tirar fotos era uma missão, principalmente dos salões cerimoniais onde ficam os tronos do imperador. Nesses salões não podemos entrar, só podemos olhar da porta, onde a aglomeração era absurda. E pensar que ali era um lugar reservado, onde só o imperador, a sua família e seus empregados podiam entrar…

A Cidade Proibida foi construída durante a dinastia Ming (de 1368 D.C. à 1644 D.C.), demorou 14 anos para ficar pronta e serviu como palácio imperial por cinco séculos à esta dinastia e à dinastia Qing, a última dinastia da China, que se encerrou em 1912.

A Cidade Proibida é como uma outra cidade dentro de Beijing. Durante o Império, apenas o Imperador, a sua família e os empregados mais graduados podiam entrar lá (daí o nome). Quem cruzasse os muros sem autorização era condenado à morte.

Durante muito tempo existiu a lenda de que ali existiam 9.999 salas. Hoje se sabe que existem “somente” 8.707 salas no palácio, que é considerado o maior do mundo. A Cidade Proibida foi declarada Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1987, que também a reconheceu como o maior conjunto de antigas estruturas de madeira preservadas do planeta. É sem dúvida um dos lugares com maior significado histórico que eu já visitei.

Desde pequeno, eu já devo ter visto umas cinco vezes O Último Imperador, o filme de Bernardo Bertolucci que tem cenas filmadas ali e conta a história de vida do último imperador da última dinastia chinesa. Nunca pensei seriamente que conheceria aquele lugar. E agora eu estava lá! Nem parecia real!

A multidão e o calor tornaram a visita um pouco cansativa, mas mesmo assim valeu a pena. Eu e a Dani estávamos decidos a voltar à Cidade Probida em um dia de semana mais calmo em que visitaríamos o lugar sem pressa. Só tínhamos ido nesse sábado para que o seu Chico não fosse embora sem conhecer.

Já era mais de 11:00 horas quando saímos da Cidade Proibida. Ainda tínhamos que ir ao Parque Olímpico e voltar para o hotel no máximo às 17:00 horas pois o voo do seu Chico era às 21:00 horas e o aeroporto é longe. Então pegamos um taxi e, depois de uma meia hora, chegamos ao Parque Olímpico.

Acho que o taxista pegou um caminho errado ou então quis nos enganar. Ele nos deixou bem longe do estádio. Tivemos que andar muito, embaixo de sol forte, até chegar ao Ninho do Pássaro. A área é gigantesca e, agora que não há mais o movimento que deve ter tido na época dos jogos, parece um grande deserto com apenas alguns prédios fechados onde funcionaram as instalações do evento.

O entorno do Ninho do Pássaro e do Cubo D’Água parece meio abandonado. Poucos prédios por perto e grandes áreas vazias fazem parecer que o Parque Olímpico não foi integrado à cidade. Eu e a Dani tivemos a mesma impressão quando visitamos o Parque Olímpico de Montréal, no Canadá, onde aconteceram as Olimpíadas de 1976.

No meio do caminho entre o lugar onde o taxista nos deixou e o Ninho do Pássaro, entramos em um prédio onde ainda funciona um pequeno shopping center subterrâneo. Algumas lanchonetes e cinemas foram as únicas coisas que se sustentaram depois do fim dos jogos. Compramos refrigerantes para aliviar o calor e a fome que já começava a pegar e fomos ao banheiro. Depois saímos e seguimos para o estádio olímpico.

Uma coisa é incontestável: a arquitetura do estádio é fantástica. Realmente dá um impacto muito grande. Se o objetivo era impressionar o mundo, eles conseguiram.

No entorno da praça entre o estádio olímpico e o parque aquático os espaços estão mais bem conservados e há mais movimento. O ingresso do Ninho do Pássaro custa 50 Yuans (R$ 12,50).

Não sei porque eu tinha a ideia de que a estrutura do estádio era feita de metal. Acho que por causa da cor cinza. Na verdade, todas aquelas vigas entrelaçadas são de concreto mesmo. É bem interessante. Ficávamos imaginado aquele lugar lotado em plenas Olimpíadas. Deve ter sido muito bacana.

Dentro do estádio vimos que ele também serve à propaganda do governo. Em cada assento havia um panfleto e uma bandeirinha da China. No meio do gramado um palco estava sendo montado. Ali iria ser realizado mais um evento comemorativo aos 90 anos do Partido Comunista Chinês que se aproximava. Realmente para a propaganda governamental o local é ideal, bastante representativo da ”Nova China”, moderna e forte.

Dentro do estádio há uma loja com souvenirs oficiais do Ninho do Pássaro e da Olimpíada de 2008. O seu Chico até comprou uma caneca decorada com os mascotes do estádio para dar de presente para a netinha dele.

O seu Chico já estava quase jogando a toalha. Também, não era para menos. O calor estava realmente de matar, já tínhamos andado muito e ainda não tínhamos almoçado.

Mas ainda restava visitar o Cubo D’Água. A Dani e o seu Chico nem queriam entrar. Já estavam tão cansados que para eles bastava tirar umas fotos. Mas eu forcei a barra e comprei ingressos para todo mundo. Cada um custou 30 Yuans (R$ 7,50).

Lá dentro, a recompensa: ar-condicionado! O lugar estava bem agradável e é enorme, bem maior do que imaginávamos. Além das piscinas de competição e outras para treino, o Cubo D’Água abriga ainda um parque cheio de brinquedos e tobogans que é aberto ao público (tem que pagar ingresso à parte). Com o calor que fazia o lugar estava cheio. Se eu soubesse tinha trazido uma sunga!

Assim como o Ninho do Pássaro, o local também é usado para propaganda do governo. A piscina principal, aquela onde o Cielo ganhou medalha de ouro, estava seca e um palco estava sendo montado para as comemorações dos 90 anos do Partido Comunista.

A estrutura do Cubo D’Água é bem interessante. São lonas plásticas imitando bolhas de ar que ficam constantemente sendo infladas por meio de bombas. De quebra, a estrutura ainda ajuda a isolar o local e manter a temperatura controlada tanto no forte calor do verão quanto no frio rigoroso do inverno.

Lá também tem lanchonetes e loja de souvenirs do local e das Olímpiadas de 2008. Os preços são razoáveis. Tomamos um sorvete e nos preparamos psicologicamente para enfrentar o calor lá de fora outra vez.

Depois de muito andar procurando acesso à uma rua que não fosse fechada pelas famigeradas cercas brancas, conseguimos pegar um taxi.

Chegando no hotel, fomos direto para o “nosso” restaurante na avenida Dongsi (aquele que não sabemos o nome pois só está em chinês). Já éramos de casa e as garçonetes até nos reconheciam. Pedimos o de sempre: arroz, guioza de carne de porco no vapor, brócolis e porco com molho agridoce. O refrigerante eu mesmo buscava na geladeira e eles nem se importavam com o meu abuso. Ali sempre comíamos bem e barato.

Voltando para o hotel, foi só o tempo de tomarmos banho e já estava na hora de ir para o aeroporto, levar o seu Chico.

O taxi do centro (próximo à Cidade Proibida) até o aeroporto custa 80 Yuans e leva mais ou menos uma hora até lá. Como a passagem do trem que liga o aeroporto ao sistema de metrô custa 25 Yuans e nós éramos 3, mais vale ir de taxi. Pelo menos não temos que carregar as malas e enfrentar o sempre cheio metrô de Beijing. O problema é que quando nós chegamos não temos o nome e o endereço do hotel escrito em chinês para mostrar para o taxista. Sem isso não dá para ir de taxi e o trem acaba sendo a opção mais prática e independente.

Outra coisa importante é saber com certeza o terminal do aeroporto. O aeroporto de Beijing é tão gigantesco que existem duas estradas. Uma que leva ao terminal 1 e outra ao terminal 2. É bom ficar atento para evitar perder o voo por causa de um engano.

Chegando ao aeroporto, fizemos o check-in do seu Chico e fomos tomar um café. Não demorou muito e ele foi para a sala de embarque. A Dani já estava fazendo cara de choro. Nem parecia que iríamos nos reencontrar em São Paulo quatro dias depois!

Para o seu Chico acho que a China foi uma experiência e tanto. Nessa viagem ele abriu o caminho para o crescimento da empresa. Tenho certeza que vamos estar todos por estas bandas de novo não vai demorar muito (assim espero!). Além dos negócios muito bem encaminhados, nós passeamos bastante e ele ainda aprendeu a comer com pauzinhos!

Voltamos para o hotel de taxi (mais 80 Yuans). O dia tinha sido estafante. Muito calor e muita andança. Agora, a Dani e eu tínhamos só mais quatro dias para explorar Beijing. O cansaço já começava a bater, mais ainda tínhamos muito a fazer!
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China - 20 dias - Shanghai, Xian e Beijing - junho de 2011

Nova mensagempor arnobionet » 27 Set 2011, 03:52

Décimo sexto dia. Domingo, 19 de junho de 2011.

Desde que chegamos à China, literalmente não paramos. Acordamos sempre cedo, saímos para passear e conhecer os lugares e só vamos dormir tarde. Essa, para mim, é a melhor forma de fazer uma viagem valer a pena.

Existem vários tipos de viajantes. Tem gente que prefere passar a noite na farra, dormir até tarde, acordar e ir para o shopping center. Acaba que, assim, a pessoa viaja e não conhece realmente o lugar.

Claro, cada um tem sua forma de se divertir. Nem todo mundo gosta de museus, de arquitetura, ou mesmo se interessa em provar as comidas e conhecer os hábitos e a cultura local. Mas, convenhamos, tem coisas que não precisamos viajar para fazer. E farrear, dormir e comprar são algumas delas.

Pelo menos agora que estou jovem, ainda prefiro dormir pouco, provar todo tipo de comida e vivenciar bastante os lugares que eu visito. Conhecer um lugar para mim é isso. É entender como se vive lá.

Claro que esse estilo de viagem tem o seu lado ”ruim”. Eu e a Dani sempre voltamos para casa mais cansados do que fomos e, às vezes, no meio da viagem, geralmente perto do fim, perdemos o pique. Hoje foi um dia desses.

Quando acordamos, já umas 10:00 horas, fomos logo resolver a situação do quarto. Como o seu Chico tinha ido embora, essas últimas quatro diárias seriam só para 2 pessoas, o que dá diferença no preço pois não precisaríamos mais da cama extra.

Descemos, a moça estornou a garantia que tinha feito quando fizemos o primeiro check-in e debitou o valor correto referente aos quatro primeiros dias. Depois, repetiu o procedimento para os próximos quatro dias debitando 2.000 Yuans (R$ 500) como garantia. O valor total (quatro diárias em quarto para duas pessoas mais 15% de imposto) seria de 1.370 Yuans (R$ 342,50). No check-out final seria feito o estorno da garantia e o débito desse valor correto. Por sorte, pudemos ficar no mesmo quarto, evitando ter que arrumar e levar as nossas coisas para outro quarto.

Quando saímos, já era quase 12:00 horas. Fomos direto para o Museu Nacional da China, instalado em um prédio absurdamente grande na Praça da Paz Celestial.

Chegando lá, vimos que não só a gente tinha pensado em ir ao museu naquele domingo. Havia uma fila descomunal para entrar. Todo mundo em baixo de um sol escaldante. Todo mundo mesmo, velhinhos, crianças e grávidas (aqui não tem esse negócio de prioridade não).

Depois de mais de uma hora na fila fomos encaminhados para outra fila pois estávamos com mochilas e elas tinham que ser examinadas. No raio-x eles identificaram um vidrinho de 5 ml de perfume (já quase vazio) dentro da mochila da Dani. O guarda disse, na base dos gestos, que era proibido e apontou uma lixeira!

Aí foi o fim. Não era pelo perfume, era pelo abuso! A equipe de segurança ficou espantada com o que eu disse: Ok! So, we don´t want to enter anymore. We´ll go away. Give me my bag! (Ok! Então a gente não quer mais entrar. Vamos embora. Me dá a minha mochila!). Isso a Dani estava dando pití, dizendo que aquilo era um absurdo e tal…

E era mesmo. O vidro só estava dentro da mochila dela porque até no aeroporto ele passaria na bagagem de mão sem problemas. Podemos embarcar em um voo internacional com ele, mas não entrar no Museu Nacional da China?! Era psicose demais! Íamos fazer o que com o perfume? Espirrar em um quadro do Mao? Incendiar o museu?

Confesso que o nosso aborrecimento com a situação também foi influenciado pelo sol quente de quase duas horas de fila. Mas, até agora, o único lugar onde sentimos o controle do regime sobre a população foi aqui em Beijing, principalmente no entorno da Praça da Paz Celestial onde cercas brancas, muitas câmeras, guardas e revistas constantes abundam.

Em Shanghai o clima é de maior liberdade. Engraçado é que, antes de chegar à China, eu imaginava que íamos sentir esse Estado Policial a todo momento. Menos mal que nos sentimos assim só em ocasiões pontuais porque é muito desagradável!

Ficamos tão chateados que, quando nos desvencilhamos das inúmeras divisórias de filas e chegamos à calçada, até apaguei as fotos que tínhamos tirado em frente ao museu, só de raiva (como se adiantasse alguma coisa).

Talvez tenhamos exagerado. Afinal, deixamos de conhecer um museu que, provavelmente, tinha muito a mostrar. Aconselho a todos que vão à Beijing a irem ao Museu Nacional da China sem mochila para que não passem pelos mesmos problemas.

Pegamos o metrô e fomos outra vez para a Wangfujing Dajie, a rua comercial de pedestres. Como não esperávamos o problema no museu, ficamos sem uma programação definida para o dia. Tínhamos tempo de sobra.

Na Wangfujing encontramos uma livraria enorme, a Foreign Languages Store, especializada em livros nos mais diversos idiomas. Entramos e fomos atendidos por funcionárias que falavam um inglês muito bom, o que é uma raridade encontrar.

Conversando, elas se surpreenderam ao saber que no Brasil todas as regiões falam a mesma língua. A realidade deles é muito diferente. Na China, há mais de 10 dialetos principais que se dividem em vários outros sub-dialetos. O mandarim é, na verdade, o dialeto de Beijing, oficializado pelo governo como o idioma nacional, sendo o mais falado. Daí a surpresa das atendentes com o nosso único idioma.

Nessas conversas que temos com os locais percebemos que eles sabem muito pouco sobre o Brasil. Em geral apenas o clichê do futebol. Sequer o carnaval parece ser famoso por aqui. Não é de se estranhar tendo em vista que nós brasileiros sabemos tão pouco sobre a China também. Somos culturas de costas uma para a outra.

Comprei alguns livros didáticos de mandarim e um dicionário português-mandarim. Uma raridade! Nunca tinha visto um. Comprei também uns livretos que têm a foto e o nome escrito em inglês e em chinês em baixo. Muito útil em um momento de desespero comunicativo.

Saindo da livraria, entramos em uma rua transversal onde vimos uma estátua de um simpático pato amarelo em frente a um restaurante em que a especialidade era o Pato de Pequim.

Já tínhamos visto em muitos lugares os patinhos pendurados com a cabeça caída. Ao lado do nosso hotel havia um restaurante com uma vitrine cheia desses patos. A receita do Pato de Pequim é mundialmente apreciada e inclui esse procedimento de deixar o pato com cabeça e tudo pendurado para secar. Queríamos provar, mas ainda não sabíamos onde havia um bom restaurante que servisse. Esse parecia ser muito bom. O nome era Quanjude Roast Duck Restaurant.

E não era um restaurante qualquer. São seis andares de um refinado restaurante cuja especialidade eram receitas à base de pato. Em frente, várias pessoas tirando fotos (esse era um bom sinal!). Na portaria, moças em impecáveis vestidos vermelhos de corte tradicional, com ponto eletrônico e microfone, nos receberam e nos encaminharam para um dos andares onde outras moças nos esperavam e nos levaram até a nossa mesa, em um enorme salão onde o dourado predominava. O restaurante estava cheio.

No cardápio gigante podíamos escolher entre arroz de pato, salada de pato, souflé de pato, pastéis de pato… e, claro, o carro chefe da casa, que não podia ser outro: o Pato de Pequim.

Pedimos uns bolinhos de trigo adocicado de Pequim, guioza de camarão, arroz de pato frito, salada de pato e, é claro, o Pato de Pequim, com os seus devidos acompanhamentos. Enquanto esperávamos, começamos a olhar as outras mesas para saber afinal, como se comia o tal pato. O problema é que aqui muitos restaurantes não têm talher e se tivéssemos que destrinchar o bicho só com o kuwé (pauzinhos) ia ser meio complicado.

Mas logo percebemos como é o esquema. O cozinheiro traz o pato assado inteiro em um carrinho e corta ele todinho em pequenos pedaços diante da nossa mesa. No nosso caso, não foi o pato inteiro pois ficamos com medo de ser muito e pedimos só metade.

Logo de início, o garçom serve a pele crocante, adocicada e suculenta do peito do pato, uma parte privilegiada. Depois outra parte especial que eu não consegui identificar de primeira, mas provei e gostei. Aí eu virei a parte que tinha ficado no prato e vi que se tratava da cabeça do pato e que eu tinha comido o cérebro dele.

O Pato de Pequim é assado e crocante, com a pele ligeiramente adocicado e a carne quase derrete na boca. É servido acompanhado de pequenas e macias panquecas cozidas no vapor, finas tiras de cebolinha e pepino crus, molho de soja, alho socado e açúcar cristal. Colocamos um pouco de cada ingrediente na panqueca, aí é só enrolar e pôr de uma vez na boca.

A mistura desses sabores é indescritível, única. Comemos até não aguentar mais. Não dava vontade de parar. É sem dúvida uma das coisas mais deliciosas a se comer por esse lado do mundo!

A conta saiu bem mais cara do que a média dos outros restaurantes onde comemos nessa viagem, mas valeu cada centavo. Por tudo, incluindo as bebidas e o serviço, que aliás foi impecável (foi o primeiro lugar onde nos cobraram 10%), pagamos 437 Yuans (R$ 109,25), uma pequena fortuna para os padrões chineses.

Na saída, percebemos que tínhamos tirado a sorte grande. Aquele era um restaurante realmente fora do comum. Vimos uma placa onde dizia que o próprio Mao Zedong elogiou o Pato de Pequim de lá, um motivo de orgulho para eles. Essa mesma placa contava um pouco da história do restaurante que foi fundado em 1864, ainda durante a dinastia Qing, tendo, portanto, 147 anos de tradição.

O Quanjude Roast Duck Restaurant fica no Hutong Shuaifuyuan, que cruza a Wangfujing Dajie, mais precisamente do lado direito de quem sai da estação Wangfujing e segue em direção à parte de pedestres. Recomento fortemente.

Saindo de lá estávamos até tristes, mas não nos rendemos. Durante o almoço lemos no guia sobre uma rua cheia de lojas de antiguidades e arte, a Liulichang Xijie. Então fomos para lá.

Pegamos o metrô na estação Wangfujing, descemos na estação Qianmen Xidajie e caminhamos uma quadra rumo ao sul na Nanxihua Jie. Olhando no mapa parece fácil, mas é um pouco mais complicado, pois quando saímos da estação ficamos meio desorientados.

Essa rua, apesar do entorno movimentado, é bem tranquila. O ambiente é de uma vila tradicional, pitoresca, interessante. São dezenas de lojas de antiguidades e obras de arte, com a fachada decorada, uma ao lado da outra.

Os Hutongs que cruzam a rua são cheio de casas e as pessoas que moram lá ficavam nos observando enquanto passávamos. Ali, em plena Beijing, uma metrópole gigantesca, ainda vemos as pessoas tranquilas na porta das casas, jogando cartas e conversando ao som das cigarras dentro de suas pequenas gaiolas e de um cântico tibetano que vinha de uma das lojas e ecoava por toda a rua.

Há muita coisa bonita, mas também muita quinquilharia. Comprei uma imagem de Buda meditando, feita de cobre, dourada. Todo preço pode ser negociado. Comprei por um terço do preço original.

Procuramos também por vasos de porcelana chinesa. A Dani queria levar um para a mãe dela. O problema é que os que nos agradavam eram caríssimos (algo em torno de R$ 1.000 ou mais!).

Os preços, em geral, são altos. As melhores peças são quase impossíveis de serem compradas de tão caras. Mas, certamente, para um paciente colecionador de arte chinesa, a Liulichang Xijie é o paraíso.

Andamos a rua toda de ponta a ponta e entramos em quase todas as lojas, a maioria delas abarrotada de peças. Como era domingo, algumas lojas já estavam fechando. O dia passou muito rápido.

Estávamos muito cansados e decidimos voltar para o hotel mais cedo. Chegando lá, tomamos banho e comemos alguns pães e refrigerantes. A Dani logo dormiu. Eu vim escrever no blog, que já estava bem atrasado. No outro dia íamos retornar à Cidade Proibida para uma visita com toda a calma. Estávamos decididos a fazer o dia render bastante!
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China - 20 dias - Shanghai, Xian e Beijing - junho de 2011

Nova mensagempor arnobionet » 08 Out 2011, 17:42

Décimo sétimo dia. Segunda-feira, 20 de junho de 2011.

Hoje o dia foi corrido. Além de voltarmos à Cidade Proibida, ainda aproveitamos para conhecer dois dos mais importantes parques de Beijing, o Jingshan e o Beihai. Para completar, não resistimos e fomos outra vez ao Quanjude Roast Duck Restaurant.

Tomamos café no hotel e fomos pedir para a moça da recepção escrever que queríamos ir para a Cidade Proibida (Palace Museum), mas que era para o taxista nos deixar na entrada sul, onde fica o quadro do Mao. Ela riu (elas riem de tudo) e escreveu para a gente. Assim evitamos outra vez entrar pela porta de trás do palácio.

O taxista nos deixou um pouco longe da entrada pois não se pode parar exatamente em frente à ela. Nessa área do entorno da Praça da Paz Celestial as cercas brancas que separam as calçadas das ruas estão por toda parte e nos fazem dar voltas imensas para chegar onde queremos. Para ir à Praça da Paz Celestial também existe a opção do metrô mas, nesse fim de viagem, com o cansaço acumulado, preferimos o taxi, até porque ele é muito barato aqui.

Na Praça da Paz Celestial, não resistimos e tiramos mais algumas fotos. O lugar é emblemático, sem dúvida um dos lugares mais importantes da história do século XX.

Compramos o ingresso (60 Yuans/R$ 15) e entramos. Ainda longe de estar vazia, a Cidade Proibida estava muito menos movimentada do que no último sábado, quando viemos pela primeira vez. Já tendo uma boa noção, pudemos apreciar melhor a arquitetura e a representatividade histórica do lugar, dando mais atenção aos detalhes.

A Cidade Proibida não é um palácio como os outros. Além de ter áreas reservadas à vida privada do Imperador e sua corte, o complexo também era o centro cerimonial e administrativo do Império, possuindo espaço suficiente para comportar muitas pessoas que participavam do culto ao Imperador.

A estrutura do palácio é a da clássica arquitetura tradicional chinesa. Uma sucessão de pátios com pavilhões centralizados, interligados por portais. A diferença é que aqui tudo é grande, muito grande.

Nas laterais do percurso central, o principal, outros pavilhões menos visitados guardam relíquias da era imperial. É uma boa forma de fugir da área muito movimentada do palácio. Uma dessas relíquias é a coleção de cerâmica que tem 350 mil peças! Claro, nem todas estão expostas e apenas 400 peças metodicamente escolhidas podem ser admiradas pelos vistantes.

Mas é voltando ao eixo principal que podemos ver todo o luxo da Cidade Proibida. O Salão da Harmonia Suprema é o maior e mais importante do palácio. O anúncio do novo Imperador, a coroação, o seu aniversário, o ano novo lunar, o solstício de inverno e a ordem de enviar os generais em batalha eram algumas das cerimônias que aconteciam ali.

A inscrição acima do trono foi feita pelo Imperador Qianlong e significa ”Grande Guia e Soberano do Povo”. Modesto ele. A prova de que aquele é um dos principais edifícios do Império está em seu telhado. O Salão da Harmonia Suprema é o único edifício da China que pode ter o telhado decorado com dez animais enfileirados, representando a máxima graduação de importância de um edifício (infelizmente não fotografei esse detalhe do prédio).

Aliás, esses pequenos detalhes estão por toda a parte na Cidade Proibida e todos têm um significado. Nada é puramente decorativo. Além dos animais enfileirados no telhado, as intrincadas pinturas que cobrem cada centímetro das contruções de madeira apresentam gravuras que, assim como a cor dourada dos telhados, eram de uso exclusivo do Imperador.

O estado de conservação da Cidade Proibida é bom, considerando o tamanho do palácio, sua idade e a técnica de construção que utiliza muita madeira. Podemos ver várias partes em obras. A impressão que dá é que quando o governo acabar de reformar tudo a primeira parte que foi reformada já vai estar degradada outra vez. Manter um lugar desses é uma tarefa e tanto para governo chinês. Mas acho que o retorno financeiro com o turismo chega a compensar, sem contar, é claro, o valor cultural que o complexo representa para o povo chinês e mesmo para a humanidade.

Mais adiante encontramos outros pavilhões que abrigam tronos imperiais. O Salão da Harmonia Central e o Salão da Harmonia Preservada são menores e menos luxuosos que o Salão da Harmonia Suprema, mas ainda assim impressionam.

Já estávamos passeando há um bom tempo pelo palácio quando resolvemos dar uma pausa para ir ao banheiro e fazer um lanche. Os chineses preferem comer sempre o macarrão deles ou sopas, não importa a hora. Escolhemos um lanche com mais cara de lanche mesmo. Compramos muffins e refrigerantes. Foi bom dar uma pausa pois o calor estava de matar e agora que tínhamos comido alguma coisa dava para aguentar melhor até o almoço.

Apesar de muito das riquezas da Cidade Proibida não estar em exposição ou mesmo ter se perdido com o tempo, algumas preciosidades ainda podem ser vistas na Sala do Tesouro e na Sala dos Relógios. Para visitar essas salas temos que comprar ingresso à parte (10 Yuans cada/R$ 2,50).

Na Sala do Tesouro encontramos algumas peças que pertenceram à corte e as mais magníficas obras de arte da época. Vilarejos inteiros minuciosamente esculpidos em pedras de jade de dois metros de altura. Há também algumas jóias e peças de decoração. Muito ouro, prata e pedras preciosas. Vale a pena ver.

Na Sala dos Relógios há uma coleção de relógios enormes, todos da época da Dinastia Qing, a última dinastia imperial. Há muitos relógios feitos pelo ateliê imperial, mas há também muitos relógios ocidentais (principalmente franceses e ingleses). O mais interessante, além do trabalho das obras, é que alguns são verdadeiros móveis, do tamanho de armários, e têm tantos detalhes decorativos que quase não conseguimos encontrar o relógio! Vale a pena visitar também.

Outra razão para visitar essas duas salas e pagar os ingressos extras é que elas estão localizadas nas laterais do eixo central da Cidade Proibida. Ali o ambiente, com pavilhões menores e cheios de jardins arborizados, é muito mais acolhedor que a parte central, feita para impressionar pela grandiosidade. Por receberem poucos turistas, essas áreas laterais são muito mais tranquilas e podemos visualizar melhor como era o cotidiano naquele lugar.

Cada pavilhão e portal dessas áreas tem um nome pomposo e que remete à natureza superior do Imperador e do Império. Em frente à um dos pavilhões encontramos dois leões dourados. Há vários deles em frente à vários prédios do palácio (na verdade, são comuns em toda a parte na China), representando proteção e segurança.

Em uma parede dessa área podemos admirar também o Mural dos Nove Dragões, uma obra de arte muito conhecida, composta por vários ladrilhos, como um mosaico. O Dragão é um animal mitológico que, na China antiga, representava o Imperador.

Próximo à saída da Cidade Proibida há uma parte cheia de lojinhas. Há muitas coisas à venda que não têm nada a ver com o palácio. Mas se procurarmos direito conseguimos encontrar peças interessantes e por bons preços. Comprei um par de leões de bronze para o meu irmão e um incensário, também de bronze, para a minha mãe, além de imãs para a minha coleção, chaveiros e outras lembranças. Muitos souvenirs que encontramos à venda nas atrações são defeituosos e feitos em série. Nessas lojas da Cidade Proibida até encontramos algumas coisas bem acabadas e diferentes.

Saímos da Cidade Proibida pela entrada norte, dando de cara com o Parque Jingshan. Atravessamos a rua, compramos os ingressos (2 Yuans/R$ 0,50) e entramos, ou melhor, subimos.

O Parque Jingshan fica em uma pequena montanha que abriga um Templo Budista no topo. A história da construção do parque é o que chama mais a atenção. Segundo o Feng Shui, a técnica milenar chinesa de harmonização de ambientes e construções, todo palácio tinha que ser construído ao sul de uma montanha, o que traria boa sorte. Acontece que em Beijing não havia montanhas. A solução encontrada foi fazer uma. O Parque Jingshan fica em cima de uma montanha artificial feita com a terra removida durante a construção do fosso que circunda a Cidade Proibida.

Além do templo Budista, o Parque Jingshan também é dono de uma das mais incríveis vistas de Beijing. Os belgas que nós conhecemos no passeio à Muralha já tinham me comentado que era imperdível ir à este parque. E realmente é!

É proibido tirar fotografias no Templo. Dentro, uma enorme estátua dourada de Buda observa a Cidade Proibida do alto. Mas é a paisagem do entorno que faz valer o esforço da subida. De lá de cima, além da Cidade Proibida, podemos ver também o Parque Beihai bem ao lado. A vista de 360º só não é mais incrível por causa da densa camada de poluição que esconde o horizonte de Beijing.

Para mim, quem vai à Cidade Proibida não pode deixar de subir o Parque Jingshan para vê-la do alto. Pode ter certeza que vale a pena!

Na descida, fomos comprar o nosso chá gelado em um quiosque do parque. Desde que descobrimos uma marca muito boa, não paramos de tomar. Para minha surpresa, no meio dos imãs, reluzente e solitária, encontrei uma bandeirinha da China bordada! Aquela era do jeito que eu estava procurando desde Shanghai para costurar na minha mochila e não conseguia encontrar de jeito nenhum! Fiquei tão surpreso que mostrei para a Dani fazendo o maior estardalhaço. Na mesma hora ela me disse para ser mais discreto. Com o meu entusiasmo o preço já deveria ter dobrado! Logo eu me fiz de desinteressado e perguntei o preço: 5 Yuans (R$ 1,25). Comprei na hora!

Saindo do Parque Jingshan, fomos direto ao Parque Beihai, que fica ao lado. Apesar de parecer ser bem pertinho, tivemos que andar bastante até encontrar a entrada.

Assim como o Parque Jingshan, o Beihai também foi um jardim imperial. Só que o Beihai é muitíssimo maior que o Jingshan. O parque foi construído no século X e até hoje, 1000 anos depois, ainda é considerado exemplo de jardim chinês. O ingresso custa 20 Yuans (R$ 5).

O nome desse parque quer dizer ”Mar do Norte” (Bei=Norte/Hai=Mar) e se justifica por causa do imenso lago que domina a paisagem juntamente com a Pagoda Branca que fica no alto de uma montanha.

O Parque Beihai é um bucolismo só. É um lugar para esquecer que estamos em uma cidade tão grande quanto Beijing. Muitas árvores com os galhos caídos sobre a água criam uma paisagem inesquecível. De frente para o lago, eu e a Dani sentamos e ficamos descansando um pouco.

Passeamos por todo o parque que é bem grande e cheio de prédios. Há uma espécie de passarela que circunda o lago e é toda decorada com pinturas. Cada viga tem uma pintura diferente representando cenas cotidianas e da natureza. E são centenas delas!

Depois, subimos a montanha até o pé da Pagoda Branca, de onde a vista também é muito bonita. De lá pudemos ver todo o lago, o Parque Jingshan e a Cidade Proibida por outro ângulo.

Na descida, visitamos o templo Budista do qual faz parte a Pagoda Branca. Em frente à entrada principal, muitos pedacinhos de madeira pintados de vermelho estavam pendurados nas árvores e nos incensários do templo. Cada um deles representa o pedido de um fiel. Dentro, o templo lembra a estrutura do Templo do Buda de Jade de Shanghai, só que menos luxuoso.

Há um restaurante que parece ser muito bom no Parque. Mas como já estava tarde, ele já tinha fechado. Estávamos morrendo de fome e então decidimos ir comer outra vez o Pato de Pequim do restaurante da Wangfujing.

Depois de andar bastante nas ruas ao redor do parque na busca por um taxi, conseguimos um. Eu com a minha pronúncia perfeita disse: ”Wangfujing Dajie”. E não é que o taxista entendeu direitinho!

Ele nos deixou bem próximo da estação de metrô Wangfujing, em uma rua chamada Donghuamen. Ali também tem uma feira com uma enorme variedade de ”guloseimas” chinesas.

A Donghuamen é uma rua que corta a Wangfujing e onde ocorre uma feira só de comidas ”diferentes”. A variedade e a própria limpeza do lugar dá de 10 a 0 na ruela que fica na Wangfujing, onde provamos o escorpião. Aqui há todo tipo de bicho (filhote de tubarão, cobra, estrela do mar, os mais variados insetos etc), e a apresentação é bem melhor. Os preços são bons. Quem quiser provar essas delícias recomendo vir aqui.

Infelizmente, com o delicioso Pato de Pequim em mente, as comidas da Donghuamen não tinham vez. Compramos só um espetinho de camarão e fomos direto para o restaurante.

Chegamos no Quanjude Roast Duck Restaurant já no meio da tarde. Na mesma hora as arrumadas moças da recepção nos mandaram subir. Fomos para um andar diferente daquele que tínhamos ido na primeira vez. Esse era muito mais luxuoso. Tinha até uma réplica do Mural dos Nove Dragões da Cidade Proibida em uma das paredes.

Já sabíamos o que pedir. Só que desta vez queríamos um pato inteiro e não só a metade. Para compensar, não pedimos o arroz de pato e os bolinhos de trigo doce. Foi um banquete.

A conta saiu mais ou menos igual à da outra vez, por volta de 400 Yuans (R$ 100). Acho que se eu vier mais cem vezes à Beijing, em todas eu vou vir aqui comer esse pato! É muito bom!

Saímos do restaurante já no fim da tarde. Aí entramos em um shopping center da Wangfujing, o Gongmei Emporium. São uns cinco andares cheios de peças em madeira, porcelana, jade… Com certeza lá é o melhor lugar para comprar arte mais fina.

A Dani tinha prometido para a mãe dela que levaria um vaso de presente. O difícil era encontrar alguma coisa bonita e com um preço razoável. Havia vasos que chegavam a R$ 200 mil! Mas, com paciência chinesa, encontramos uma loja que vendia peças bem bonitas por um preço melhor. E ainda conseguimos um bom desconto depois de muito implorar (o que não é comum em lojas mais caras).

Comprei um par de vasos brancos com dragões azuis pintados à mão. A Dani escolheu dois vasos que eram o dobro do tamanho dos meus, também pintados à mão. Seria uma missão fazê-los chegar ao Brasil inteiros. Mas tenho que admitir que realmente valiam a pena, tanto pelo preço e quanto pela qualidade. Depois a gente se virava para levar!

Já era umas 20:00 horas quando pegamos o metrô e voltamos para o hotel. Ainda fomos à uma loja de conveniência na Dongsi para comprar macarrão instantâneo (a variedade de marcas e sabores, quase todos muito apimentados, é enorme), chá e refrigerantes para comermos antes de deitar.

Estávamos exaustos. Fazer turismo no calor acaba com qualquer um. Esse, sem dúvida, foi um dos dias mais cansativos da viagem, mas também um dos mais proveitosos!
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China - 20 dias - Shanghai, Xian e Beijing - junho de 2011

Nova mensagempor arnobionet » 12 Out 2011, 15:37

Décimo oitavo dia. Terça-feira, 21 de junho de 2011.

Uma das coisas que mais queríamos fazer na China era ver um panda. Então planejamos ir nessa terça-feira ao Zoológico de Beijing pela manhã e a tarde, se desse, conhecer o Palácio de Verão, aproveitando que os dois ficam perto um do outro, à oeste do centro, com acesso pela mesma linha do metrô (linha 4).

Descemos tão tarde que quase perdemos o horário do café da manhã do hotel. Quando saímos já era umas 10:30 horas. Depois de sete estações e duas conexões, chegamos à estação Beijing Zoo.

O Zoológico de Beijing é uma instituição antiga. Foi fundado em 1906, ainda durante a Dinastia Qing e ocupa uma área gigantesca de 86 hectares! Apesar de ser uma imensa área verde, o zoo fica em uma parte bastante movimentada da cidade, cercado por largas avenidas e muito trânsito.

O ingresso custa 40 Yuans (R$ 10), mas não dá direito a visitar o Aquário que fica dentro. Quando entramos procuramos logo a jaula do panda, só para garantir. Se tinha um bicho que não podíamos deixar de ver era ele.

Aliás, todo mundo que vai lá pensa a mesma coisa. Sem dúvida alguma o panda é a estrela do Zoológico de Beijing. A parte onde os pandas estão é a mais movimentada e chega a ser difícil chegar perto do vidro de tanta gente.

Existem vários pandas no Zoológico de Beijing. Apesar da carinha meiga, na natureza o panda não é de muitos amigos e, em geral, vive solitário. Por isso, em cativeiro eles também ficam sozinhos, um por jaula.

É quase impossível não gostar de um panda logo de cara. Ele parece tão inofensivo e bonzinho que dá vontade de pegar. A calma do bicho (para não dizer preguiça) é impressionante. Quando não está deitado, está sentado comendo bambu.

Os pandas não estavam com muita paciência para serem bajulados nesse dia e passaram a maior parte do tempo de costas para os visitantes ou olhando um para o outro por um portão que ligava as jaulas. Algumas vezes eles até se escondiam atrás das pedras.

Há um prédio com ar-condicionado de onde podemos ver os pandas pelo vidro. Dentro desse prédio também tem uma exposição que mostra o trabalho do zoológico na preservação da espécie com fotos desde o nascimento, quando eles mais parecem uns ratinhos pelados, até a vida adulta.

Uma loja enorme vende só produtos relacionados aos pandas. Camisetas, guarda-chuvas, canetas, canecas e, claro, muitos pandas de pelúcia, de todos os tamanhos e vestidos com uma camisa do Zoológico de Beijing. A Dani comprou alguns presentes para a sobrinha, o irmão e a cunhada dela e eu comprei um par de kuwé (pauzinhos) que ficavam presos nos pés de um panda de borracha, formando uma pinça. A atendente disse que era para crianças que ainda estavam aprendendo a comer sozinhas e achou graça quando eu disse que ia dar de presente para o pai da Dani.

Saímos da parte do panda e fomos olhando outros animais. Vimos várias espécies de aves, macacos, felinos, elefantes africanos e asiáticos… Os animais que mais gostamos foram os Lêmures-da-cauda-anelada, a espécie do Rei Julien do filme Madagascar (eu me remexo muito…). Eles são muito engraçados e ficam o tempo todo abraçados, amontoados em um canto. Parecem muito carinhosos entre eles.

Uma coisa estranha chamou nossa atenção. Apesar da mega estrutura do parque, com lagos enormes e jardins muito bem cuidados, faltava uma coisa essencial em qualquer zoológico: animais! Havia muitas jaulas vazias.

Nas jaulas que tinham animais dava para ver que eles estavam sofrendo com o forte calor pois ficavam deitados e se escondendo do sol como podiam.

Tivemos a impressão de que o zoológico estava meio subutilizado. Não que esteja abandonado, longe disso. O lugar é muito organizado e bonito e os animais que vimos pareciam saudáveis. Mas, pelo espaço que eles têm e a estrutura toda pronta, acho que a variedade de animais poderia ser bem maior como é, por exemplo, no Zoológico de Santiago, no Chile, que nem é tão grande quanto este de Beijing.

Uma atração diferente chamou a nossa atenção. Há um canal sinuoso que liga os vários lagos e por onde uma lancha em alta velocidade passa fazendo curvas radicais toda hora, jogando água para todo o lado. Os chineses adoram e lotam as lanchas (o passeio é pago separadamente). É estranho. Nunca tinha visto isso em um zoológico. Acho que ninguém parou para pensar que isso pode estressar um pouco os animais.

Aliás, aqui cabe um comentário. Os visitantes chineses não respeitam muito os bichos. Ficam gritando e até chegam a jogar água para chamar a atenção deles. Vindo de crianças é até admissível, mas vimos um monte de marmanjos fazendo isso!

Demos uma parada e sentamos em uma das várias lanchonetes do parque. Já tinha passado há muito da hora do almoço e estávamos com muita fome. Comemos cachorro-quente, batatas fritas e tomamos chá gelado. Como sempre, o lanche foi barato e estava gostoso.

Continuamos passeando até encontrarmos o Aquário de Beijing, que fica dentro do zoológico. O ingresso é um pouco caro para os padrões daqui: 120 Yuans (R$ 30). Diferente do resto do zoológico, o Aquário de Beijing apresenta muitos animais. O edifício é moderno e enorme, além de muito bem mantido e estruturado.

Diferentemente do Aquário de Shanghai, que tem ares de museu da vida marinha, a decoração do Aquário de Beijing é um pouco cafona, com muitas esculturas e pinturas coloridas de personagens infantis pelas paredes, fazendo o aquário parecer mais um parque temático.

Fora a decoração, há vários pontos altos lá dentro. Um deles é o tanque das belugas. Já tínhamos visto essas baleias (que na verdade são mais próximas dos golfinhos) no Shedd Aquarium, em Chicago, e tínhamos adorado. Elas são muito simpáticas, mas é muito difícil conseguir tirar uma foto porque elas não sossegam um segundo, nadando de um lado para o outro.

O tanque com corais impressiona pelo tamanho. É tão fundo que precisa de um mergulhador para fazer a manutenção. Outra parte interessante é a dos peixes pré-históricos que ficam em uma sala escura. Eles são bem grandões e muito calmos, quase não se mexem.

No fim, fomos ao ginásio onde a foca e os golfinhos adestrados se apresentam. Ficamos esperando dar a hora de começar o show enquanto as arquibancadas ficavam cada vez mais lotadas. A apresentação é muito legal e dura uns 30 minutos. Os animais são muito espertos e fazem um monte de acrobacias. Só não é melhor porque a apresentadora só fala chinês. Aqui, como nos outros lugares turísticos, é tudo voltado para o turista nacional. Das cerca de quinhentas pessoas que assistiram a apresentação, só umas 10, no máximo, eram ocidentais. Temos a sensação de estar perdendo alguma coisa ao ver todo mundo rindo e não rir também por não entender o que ela fala. Mesmo assim o show é muito legal, vale a pena.

Quando o show acabou já era umas 16:00 horas e percebemos que não dava mais tempo de ir ao Palácio de Verão. Íamos ter que deixar para ir no último dia. Voltamos de metrô para o hotel. O Zoológico de Beijing e seu Aquário, para quem gosta de bichos, é um passeio bem divertido. Recomendo.

Com o cansaço acumulado da viagem e de tanto andar pelo zoológico no calorão que fez o dia todo, resolvemos dar uma descansada. À noite iríamos procurar um lugar legal para jantar, mas ainda não sabíamos onde.

Dormimos até umas 20:30 horas. Enquanto a Dani tomava banho, eu dei uma olhada no mapa de Beijing do guia Lonely Planet para saber onde era a região com maior aglomeração de restaurantes.

Apesar de não estar muito destacado no guia, a região da Shishahai Lu é cheia de bares e retaurantes. Essa rua fica ao norte do Parque Beihai e margeia o mesmo lago do parque. O acesso é pela Di’anmen Xidajie, quase esquina com a Di’anmenwai Dajie.

O clima estava bem quente e seco. Havia uma névoa na rua que encobria o horizonte e só não era mais bonita por causa do calor e porque sabíamos que aquilo era fruto da poluição. No caminho vimos um caminhão pipa da prefeitura que passava molhando a copa das árvores ao longo da avenida. Um funcionário ia na frente avisando os pedestres para aguardarem o caminhão passar em uma esquina para que não se molhassem. Esperamos e, depois que voltamos à avenida, o clima estava sensivelmente mais agradável. Na hora ficou mais úmido e menos quente!

Percebemos que o lugar era mais longe do que parecia ao olharmos o mapa e chegamos a pensar que estávamos indo pelo caminho errado. Decidimos pegar um taxi. Quando conseguimos, mostramos no mapa para onde queríamos ir e o taxista, surpreendentemente, disse, na base dos gestos, que não precisávamos ir de taxi, que era muito perto, logo adiante. Eu e a Dani achamos legal ele não querer nos enganar. Saímos e realmente, mais umas duas quadras, encontramos a entrada da Shishahai Lu.

O lugar foi uma excelente surpresa. Há uma infinidade de restaurantes, bares e boates um ao lado do outro, dos dois lados do lago. A quantidade de opções era muito maior do que o mapa mostrava. Havia restaurantes bem arrumadinhos que serviam todo o tipo de comida ocidental e chinesa e a qualidade parecia ser muito boa.

Isso tudo sem contar que o lugar é muito bonito, às margens do lago, com as luzes decorativas dos bares (os chineses adoram luzes coloridas) refletindo nas águas. A Dani, que no caminho já estava ficando impaciente com a distância, até se animou mais. Acertamos em cheio. Aliás, acho que o guia da Lonely Planet deveria dar mais destaque para esse lugar.

Antes de escolhermos um restaurante, percorremos toda a extensão da rua, atravessamos uma ponte e fizemos o mesmo na rua do outro lado. O lugar tem um astral sensacional, com música de bandas ao vivo e um público em sua maioria jovem, tanto chineses como turistas ocidentais.

Por ser uma terça-feira a rua não estava lotada mas também não estava vazia. Pela quantidade de mesas, nos fins de semana aquele lugar deve ficar abarrotado. Apesar de não ser muito iluminada, a Shishahai Lu parece bastante segura.

Há muitos trapiches onde ficam barquinhos para alugar para quem quiser dar uma volta pelo lago. No meio da escuridão, víamos apenas a luz fraca de lanternas vermelhas tradicionais penduradas nos barquinhos no meio do lago.

Nos restaurantes, podemos escolher ficar dentro ou fora, em mesas e até sofás ao ar livre. Escolhemos um restaurante de comida variada e sentamos em uma mesa do lado de fora, encostados na mureta do lago. Pedimos uma pizza e um peixe empanado. Os dois estavam deliciosos (nunca pensei que ia gostar de pizza chinesa!). Não guardei os valores exatos, mas lembro que a conta deu um pouco acima da média, mas nada absurdo.

Saímos satisfeitíssimos e felizes por ter ido, quase por acaso, àquele lugar. Já era tarde mas não havia nem sinal de que os restaurantes e bares estavam para fechar.

Estávamos cansados. Pegamos um taxi e fomos para o hotel começar a arrumar as coisas. O outro dia seria o nosso último na China. Íamos para o aeroporto no início da noite mas não queríamos nem pensar em quão cansativa seria a viagem de volta, afinal, nesse nosso dia de despedida ainda queríamos visitar o Palácio de Verão e, se dessse tempo, o Templo do Lama.
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Re: China - 20 dias - Shanghai, Xian e Beijing - junho de 2011

Nova mensagempor Thiago M. » 20 Out 2011, 13:54

Oi , tudo bom? Bom Blog !

No mes que vem estou indo pra ficar 4 dias Beijing. Vale a pena tirar um dia e ir pra Xian?

abs
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Re: China - 20 dias - Shanghai, Xian e Beijing - junho de 2011

Nova mensagempor arnobionet » 29 Out 2011, 18:10

Thiago M. escreveu:Oi , tudo bom? Bom Blog !

No mes que vem estou indo pra ficar 4 dias Beijing. Vale a pena tirar um dia e ir pra Xian?

abs


Oi Thiago. Tudo bem.

Olha só, Xian vale muito a pena, mas se tu só tens 4 dias para Beijing, é melhor deixar Xian para uma outra oportunidade ou então tu não vais aproveitar nenhuma das duas cidades. Em quatro dias terás muito a fazer em Beijing, podes ter certeza!

Abraço
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Re: China - 20 dias - Shanghai, Xian e Beijing - junho de 2011

Nova mensagempor arnobionet » 29 Out 2011, 18:21

Décimo nono dia. Quarta-feira, 22 de junho de 2011.

Nossa viagem estava acabando. Acordamos com aquela sensação de perda. O último dia sempre é triste. Aqui na China parece que ainda é pior, pois fica a impressão que tão cedo não voltaremos. Afinal, a China não é logo ao lado…

Demos uma adiantada na bagagem na noite anterior mas ainda tínhamos que arrumar algumas coisas. As moças da recepção devem ter achado que éramos loucos por notícias porque há uns dois dias nós pegávamos todos os jornais (mesmo os em chinês) do saguão para embalar as peças mais frágeis que compramos.

Tomamos café e logo saímos com destino ao último destino em Beijing que queríamos conhecer, o Palácio de Verão. Essa é a vantagem de fazer um bom planejamento. Conseguimos ver tudo o que queríamos e pudemos até repetir alguns programas, como a Cidade Proibida, onde fomos duas vezes.

O Palácio de Verão fica à oste do centro de Beijing. A melhor forma de chegar é pelo metrô. A estação Beigongmen (penúltima da linha 4) tem saída perto do portão norte do palácio. Taxi para cá não é um bom negócio. Além de demorar quase a mesma coisa por causa do trânsito e da distância, ainda sai muito mais caro. Não vale a pena. Mesmo o taxi sendo barato, concorrer com os 2 Yuans (R$ 0,50) do metrô de Beijing é difícil.

Saindo da estação, como sempre, ficamos meio desorientados. No mapa parece que é só sair e dar de cara com a entrada do palácio, mas não é assim. Estávamos até achando que isso era coisa nossa, mas pelo visto todo turista se sente meio perdido ao sair da estação do metrô por aqui.

Uma gringa loura que também saía do metrô, ao nos ver, perguntou para que lado ficava o palácio. Aí dissemos que também estávamos procurando e ela saiu perguntando para todos os chineses em volta quem falava um pouco de inglês.

Juntos, encontramos a entrada do Palácio de Verão, compramos o ingresso, que custa 60 Yuans (R$ 15), e entramos.

O nome dela é Wendy, uma americana de Massachussets muito simpática e muito, muito falante. Ela foi nossa companhia por toda a manhã.

Wendy é uma professora de inglês engajada em um projeto de ensino do idioma no exterior. Ao longo da conversa, ela nos contou que recebe cerca de 6.400 Yuans (R$ 1.600) por mês na China. Nos disse também que já viajou por muitos países, sempre sozinha, lecionando inglês para os locais.

Ela parece gostar muito do que faz e nos confirmou um fato que já tínhamos percebido na prática. Essa história de que tem milhões de pessoas fluentes em inglês na China é balela. Na escola onde ela trabalha os alunos, mesmo os que não vão bem nos estudos, são aprovados. O mais incrível é que ela disse que nem mesmo os professores de inglês dessa escola sabem o idioma fluentemente.

Enquanto íamos andando e conversando, nos deparávamos com os prédios do palácio e com belas vistas. Uma pena que grande parte do palácio estava fechada para obras de restauração.

O Palácio de Verão é um conjunto de pavilhões, templos e jardins em volta do imenso lago Kunming. A construção original data de 1750 (Dinastia Qing), mas ali já existiam construções imperiais desde o século XIV (Dinastia Ming). Em 1860 o palácio foi destruído pela invasão imperialista franco-inglesa, tendo sido reconstruído em 1886. Novamente, em 1902, a Guerra dos Boxers destruiu o palácio, que foi reconstruído dois anos depois.

O símbolo maior do Palácio de Verão é a Torre do Incenso Budista, uma grande pagoda no alto da Colina da Longevidade (60 metros de altura), com vista para o lago. A entrada na Torre do Incenso Budista é paga à parte e custa 10 Yuans (R$ 2,50). Lá de cima, podemos ver o lago cheio de barquinhos, os jardins e os inúmeros pavilhões do palácio, todos envoltos na névoa de Beijing.

Quando descemos, continuamos andando até encontrar o pier de onde parte o barco que atravessa o lago. O barco é decorado com telhados tradicionais e dragões e parece seguro. A passagem custa 10 Yuans (R$ 2,50) e o trajeto é curtinho. Vale a pena.

Um outro ponto bastante conhecido do Palácio de Verão é a Ponte dos Dezessete Arcos, obra prima da escultura na Dinastia Qing, é considerada a maior entre todas as pontes dos jardins imperiais da China. A imponente obra liga a margem do lago à uma ilha, é feita toda em mármore branco e possui mais de 500 leões esculpidos em poses diferentes ao longo dos seus 150 metros de comprimento.

Foi muito legal conhecer a Wendy. Conversamos sobre vários assuntos e isso foi bom para saber as impressões de outro estrangeiro sobre a China, a cultura e o povo chineses.

Ela nos contou sobre como a censura e a propaganda governamental alienam os professores da escola onde ela trabalha (e olha que eles são até pessoas esclarecidas, acima da média). Segundo ela, todos têm medo de conversar sobre política ou falar sobre assuntos polêmicos, como os eventos ocorridos durantes os protestos na Praça da Paz Celestial em 1989. Muitos sequer sabem o que realmente aconteceu.

A Wendy também nos contou muitos hábitos interessantes dos chineses, coisas que só quem participa mais proximamente do dia a dia deles pode saber. Falou da curiosidade que eles têm sobre o estrangeiro, das relações familiares, dos hábitos de higiene pessoal. Sobre esse último ponto, descobrimos que eles chegam a usar a mesma roupa durante vários dias e, mesmo assim, incrivelmente, não ficam mal cheirosos! Já tínhamos percebido isso. Em locais fechados e lotados, como o metrô, mesmo nos dias mais quentes, não sentimos mal cheiro!

Quanto ao Brasil, para variar, ela tinha uma visão paradisíaca, igual à maioria dos gringos que nunca estiveram no país e se guiam por editoriais dos grandes jornais, geralmente escritos por pessoas que também nunca estiveram no Brasil. Ela perguntou sobre tudo: democracia, nossa economia, política, infraestrutura, segurança, educação, empregos… Percebemos que ela também foi iludida com a fanfarronice governamental de que no Brasil tudo vai bem só porque os índices de aprovação do governo são altos. Ela sequer tinha ideia do populismo e da corrupção que nos assola, do fato de que a educação é de péssima qualidade, que metrô e esgoto são raridades nas cidades brasileiras, que os salários são medíocres e se espantou quando contamos o nível de insegurança em que vivemos. Lá fora a ideia é de que tudo vai bem e que o Lula Sassá Mutema salvou a pátria com Copa e Olimpíada.

Passeamos por todo o Palácio de Verão conversando e, distraídos, nem vimos a hora passar. Quando percebemos, já era mais de meio-dia! Então começamos a procurar a saída e percebemos que estávamos perdidos nos caminhos dos jardins.

Enquanto procurávamos o caminho de saída acabamos por nos deparar com o Longo Corredor, uma espécie de passarela de 728 metros de comprimento que margeia o lago e se divide em 273 partes ricamente decoradas com mais de 8.000 pinturas diferentes retratando a natureza e histórias clássicas da literatura chinesa. Esses corredores são estruturas comuns nos jardins imperiais chineses e o Longo Corredor do jardim do Palácio de Verão é o maior de toda a China.

Depois de algum tempo, encontramos a saída, trocamos e-mails com a Wendy e nos despedimos. Ela foi procurar um restaurante e nós pegamos o metrô de volta para o hotel.

O Palácio de Verão é um local imperdível, realmente muito bonito. Vale a pena visitar. Uma manhã é suficiente. Quem tiver mais tempo pode entrar um pouco pela tarde pois o lugar é enorme.

No caminho, vimos que ainda tínhamos tempo para visitar o Templo do Lama. Na internet este não era um ponto muito destacado e o guia falava pouco sobre ele, por isso não nos pareceu uma prioridade e o deixamos para depois. Por sorte tivemos esse tempinho no último dia de viagem para visitá-lo e ver o quanto ele é bonito!

Contou a favor da nossa visita ao Templo do Lama o fato de ele ser bem perto do nosso hotel. Se fosse longe, como o Palácio de Verão, provavelmente iríamos passar batido por ele. Para chegar lá é só pegar a linha circular do metrô e descer na estação Yonghegong. O ingresso custa 25 Yuans (R$ 6,25).

Inicialmente o templo era um palácio imperial. Sua construção data de 1694 (Dinastia Qing), quando ali vivia a corte de um príncipe imperial. Quando esse príncipe se tornou o Imperador Yongzheng, em 1722, metade do palácio foi transformado em monastério budista. Hoje, toda a contrução é dedicada ao budismo.

O Templo do Lama é um dos maiores e mais importantes templos budistas do mundo e mescla arquitetura chinesa e tibetana. São vários pavilhões ricamente decorados e cheios de imagens de Buda e outras divindades religiosas. Para nós ocidentais, parece um pouco confuso. O Budismo é uma religião bastante complexa. Como sempre, predominam os muitos detalhes em dourado, azul e vermelho. A beleza do lugar acaba roubando a atenção de quem o visita como turista e pouco conhece os detalhes da religião. Como pouco tínhamos lido sobre o Templo do Lama, a cada salão tínhamos uma surpresa.

Mas o melhor mesmo ficou para o final. No penúltimo pavilhão, chamado Sala do Círculo da Lei, uma grande escultura de Je Tsongkhapa, fundador de uma escola do Budismo Tibetano, domina o ambiente. Sentada, vestindo uma túnica dourada, a estátua fica cercada por banquinhos almofadados onde os monges estudam a religião. É um salão muito bonito.

Saindo desse salão, ouvimos um cântigo que se repetia interminavelmente, como um mantra. Era um grupo de senhoras que cantava e tocava sinetas no pátio em frente ao último pavilhão, que é o maior de todos, chamado Pavilhão das Dez Mil Felicidades.

Quando entramos ficamos maravilhados com o que vimos. Uma escultura do Maitreya Buda, o Buda do Futuro com simplesmente 18 metros de altura! Esta é considerada a maior escultura de Buda em pé do mundo (está até no livro dos records). O que lemos nas placas é mais impressionante ainda. Além dos 18 metros para cima, ainda há mais 8 metros para baixo e tudo entalhado em um único tronco de sândalo branco!

A estátua é tão grande que foi esculpida e só depois o prédio foi contruído ao seu redor. Essa grandiosidade toda ajuda a explicar porque as senhoras rezavam tão fervorosamente em frente ao pavilhão. Sem dúvida o Templo do Lama deve ser um lugar muito especial para os devotos budistas.

O Templo do Lama foi uma grata surpresa. Em pensar que toda essa preciosidade esteve gravemente ameaçada pela Revolução Cultural (1966-1976) que chegou a destruir muitos templos na China em defesa do ateísmo comunista. O Templo só foi salvo por interferência de um alto político da época, o primeiro-ministro Zhou Enlai.

No entorno do Templo do Lama há uma grande variedade de lojinhas que vendem artesanato. Muitos artigos budistas, peças de arte e outros bons souvenirs podem ser encontrados ali. A Dani comprou alguns incensos para dar para a minha mãe. Uma pena que não tínhamos tempo para ficar e olhar tudo com mais calma.

Pegamos o metrô e fomos para o hotel. Já era umas 17:00 horas e ainda não tínhamos almoçado. Então fomos ao nosso restaurante da Dongsi, aquele que nunca saberemos o nome. Queríamos comer algo além do nosso já tradicional arroz com porco agridoce e brócolis. Pedimos um prato que até custava uma pouco mais caro e tinha uns camarões bonitos em cima.

Quando o prato chegou percebemos que se tratava de uma espécie de salada de pimentas. Devia ter uns 10 tipos de pimentas diferentes. Comemos os camarões e alguns pedaços de outras carnes e legumes que vinham e tivemos que desistir. Acabamos comendo o de sempre mesmo.

No hotel, acabamos de arrumar a bagagem e descansamos um pouco. Quando era umas 20:00 horas fomos tomar banho e fazer o check-out. Foi aí que eu percebi que minha mochila estava incrivelmente pesada.

Nosso voo era às 00:05 horas. O taxi do centro de Beijing até o aeroporto custou 80 Yuans (R$ 20) e a viagem durou quase uma hora. No caminho, ficamos observando a cidade iluminada e a saudade começou a bater antes mesmo de chegarmos ao aeroporto.

Feito o check-in e despachadas as bagagens, fomos logo para a sala de embarque. Passamos no free shop, que é muito bom (tanto em preços quanto em variedade), e torramos nossos últimos Yuans em perfumes. Depois, tomamos sorvete na Häagen-Dazs e fomos procurar o nosso portão. Nosso voo saiu pontualmente e eu logo procurei dormir (santo Dramin).

Foram quase 24 horas dentro de um avião, o vigésimo dia de viagem inteiro! Sem dúvida essa é a pior parte da viagem para a China. Foram 24 horas de gritaria e choro de crianças ensandecidas. Fiquei tão bêbado com o Dramin que, do trecho entre Beijing e Madrid eu só me lembro de acordar, resmungar alguma coisa e dormir de novo. O cansaço de tantos dias de viagem ajudou a relaxar e dormir mais do que na ida, mas em compensação meus pés ficaram bastante inchados. Pelo menos ninguém vomitou do meu lado…

Foram quatro dias em São Paulo na casa dos pais da Dani praticamente em transe. Nós só saímos duas vezes de casa, as duas para ir ao cinema (uma delas para ver Kung Fu Panda 3D!). Demoramos para nos adaptar ao fuso outra vez e dormíamos quase o dia todo. Recuperar totalmente as energias só em Belém mesmo, já de volta à rotina de trabalho, uns 10 dias depois.

Apesar de termos ido e voltado, às vezes ainda é difícil acreditar que estivemos na China, a ficha não cai. Mesmo com todos os perrengues e dificuldades, aquele é um país maravilhoso. Aconselho a todos que gostem de viajar à ir. Ali se encontra uma cultura rica, um povo sofrido, mas digno e alegre, belezas naturais e históricas inesquecíveis e, ao mesmo tempo, uma modernidade surpreendente.

A China sempre vai ter um lugar nos nossos pensamentos e nos nossos corações. Ainda não sabemos quando, mas certamente voltaremos…
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Re: China - 20 dias - Shanghai, Xian e Beijing - junho de 2011

Nova mensagempor Elter.ar » 23 Nov 2011, 22:57

Parabéns pelo relato, pela coragem,.. muito bom, despertou minha vontade de conhecer a China
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Re: China - 20 dias - Shanghai, Xian e Beijing - junho de 2011

Nova mensagempor arnobionet » 12 Dez 2011, 12:22

Elter.ar escreveu:Parabéns pelo relato, pela coragem,.. muito bom, despertou minha vontade de conhecer a China


Obrigado pelos parabéns! Quis transparecer nos relatos aquilo que vi e vivi por lá. Dou a maior força para quem quiser conhecer esse país. Vale a pena passar 30 horas viajando. A China é um outro mundo, muito diferente da nossa realidade.

Abraço
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Re: China - 20 dias - Shanghai, Xian e Beijing - junho de 2011

Nova mensagempor biancogdea » 09 Jan 2012, 09:27

Arnóbio, parabéns e obrigado!

O seu relato de viagem foi hilário e contém muitas informações úteis! Tenho certeza que ao visitar Beijing confirmarei muitos dos aspectos citados por você.

Novamente, obrigado.
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Re: China - 20 dias - Shanghai, Xian e Beijing - junho de 2011

Nova mensagempor arnobionet » 09 Abr 2012, 10:23

biancogdea escreveu:Arnóbio, parabéns e obrigado!

O seu relato de viagem foi hilário e contém muitas informações úteis! Tenho certeza que ao visitar Beijing confirmarei muitos dos aspectos citados por você.

Novamente, obrigado.


Obrigado vc pelos parabéns!

A China vale muitas viagens e tenho certeza que só com essa ainda não conheci nem um milésimo desse país. Boa viagem!

Abraço
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Re: China - 20 dias - Shanghai, Xian e Beijing - junho de 2011

Nova mensagempor Nandadodi » 02 Mai 2012, 15:33

Ola Arnóbio!!!
Amei o relato. Muito bom mesmo, bem detalhado e muito divertido!!! ::otemo::

Tenho exatamente o mesmo roteiro em mente pra fazer no meio do ano.
Mas estava pensando em fazer a ordem ao contrário do seu. Começaria por Pequim depois Xi'An e terminaria em Shangai.

A diferença é que minha disponibilidade é bem menor e vou ter que dar mais prioridade a algumas coisas doq a outras.
Por enquanto as únicas coisas que tenho em mente é as muralhas e a cidade proibida em Pequim, e os soldados de Terracota em Xi'An.
Em Shangai ainda não sei onde vamos conhecer. ::putz::

Acredito que possa ter uns 8 dias pra fazer o roteiro e tenho que enxugar o máximo.
Onde vc acredita que seja imperdível nessas cidades???
Vi tbem que tiveram dificuldades pra chegar às Muralhas, alguma dica?

Mais uma vez parabéns pelo relato!!!
Meu blog sobre minha viagem à Noruega em busca da Aurora Boreal e muito mais.

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