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  1. Relato sobre a viagem para a Mongólia, ocorrida em julho de 2018. Lembrando que isso é só um relato da minha experiência lá, não é um guia de turismo nem nada. A Mongólia era um lugar que já estava querendo conhecer há muito tempo, tanto tempo que já nem lembro mais de onde surgiu meu interesse em ir pra lá. Já estava conformado de ir sozinho, mas consegui convencer meu amigo Richard a ir junto. É praticamente impossível ir pra Mongólia totalmente independente, estilo mochileiro mochileiro mesmo, já que os atrativos turísticos estão longe das cidades e vilarejos e muitas vezes não existem estradas entre os lugares, nem mesmo estrada de terra, o país é um gramado interminável, então simplesmente vai-se dirigindo por ele. Lembrando que a Mongólia é o país menos densamente povoado do mundo e 1/3 da população mora na capital, então você também não vai cruzar com muita gente no caminho. Assim sendo, é quase inevitável ter que se juntar a uma excursão ou guia local. Um modo de economizar que muitos fazem é deixar para reservar a excursão chegando lá, funciona bem se você for fazer uma excursão de alguns poucos dias pelo deserto de Gobi, que é a região mais visitada de lá, e tem vários tours saindo da capital. Nós não fizemos isso, reservamos daqui, pelo fato de que queríamos fazer um tour longo e completo: a Mongólia é muito longe pra se chegar, e sai caro, então já que íamos pra lá, queríamos conhecer tudo o que se tinha pra ver. Fechamos com a agência local por meio do site IndyGuide.com, um site muito bom para turismo na Mongólia e Ásia Central. Esse site funciona assim: você posta lá quais as regiões e coisas que quer ver e quanto tempo, daí as empresas mandam as suas propostas e orçamentos. Foi o que fizemos, escolhemos uma agência (você pode ver as avaliações), e como o tour é personalizado, você pode fazer ajustes incluindo ou tirando coisas no itinerário. A dona da empresa perguntou de poderia anunciar nossa excursão no site da agência, caso alguém quisesse se juntar ao nosso tour, para diminuir os custos. Nós topamos, mas até chegarmos na Mongólia ninguém tinha se interessado (nós também divulgamos no TripAdvisor, mas Mongólia não é um destino super popular né). Fechamos uma excursão conhecendo tudo o que se tinha de principal pra ver na Mongólia, 25 dias viajando pelo interior do país. Conhecendo o deserto de Gobi ao sul, as estepes verdes no centro, os lagos e florestas no norte, e as montanhas a oeste. A temporada de turismo na Mongólia é muito curta, por causa do frio, é basicamente junho-julho-agosto (setembro pros mais empolgados), inverno lá é coisa de -30, -40°C. Nós fomos em julho e mesmo assim pegamos dias bastante frios no norte do país. O mais caro da viagem foi o voo, para chegar lá tinham duas opções: AirChina, com escalas em Madri e na China, e Turkish Airlines, com escalas em Istanbul (Turquia) e Bishkek (Quirguistão). O preço era quase o mesmo, escolhi a segunda opção: quando que teria oportunidade de conhecer o Quirguistão novamente né? A escala em Istanbul era de quase 24h, então aqui fica mais uma dica: se você voa pela Turkish Airlines e a escala mais curta disponível dura mais de 10h, a Turkish paga pra você um hotel em Istambul, incluindo o traslado pro aeroporto. Sensacional. Chegava no fim da tarde lá e saia no dia seguinte também no fim da tarde. Deu pra passear por Istambul, voltar pro hotel, tomar um banho e só fazer check-out umas 16h. Melhor impossível. A escala em Bishkek também era beeem longa, cheguei umas 6h da manhã e o voo saia lá pelas 3h da manhã... fechei um tour de um dia com um guia local, fiz isso pelo site IndyGuide também. O guia simpaticíssimo e o irmão dele me levaram para tomar café da manhã, depois fomos pro espetacular parque Ala-Archa, uns 40 km da capital, onde fiz uma trilha nas montanhas. Depois voltamos pra capital, fomos almoçar num restaurante de comida quirguiz típica, e então passear pela cidade. De modo geral a Ásia Central é um lugar que a gente não sabe nada a respeito, mas pela breve pincelada que tive no Quirguistão, voltaria com certeza (quem sabe fazer o Uzbequistão junto né): bonito, seguro, barato, arborizado, valeu muito a pena. Daí de lá foi um voo de umas 5h até a capital da Mongólia, Ulan-Bator, ou Ulaanbaatar, como eles dizem lá (é assim que eu vou chamar aqui também). Cheguei lá e uma meia hora depois chegou meu amigo Richard, que veio da Noruega, via China. Então vamos começar com o relato da viagem na Mongólia, está resumido, mas foi uma viagem longa, então o relato vai ser longo também, vocês vão me desculpar. D1- Ulaanbaatar é uma cidade grande, um pouco mais de 1 milhão de habitantes, 1/3 da população do país mora lá, e ela não é com certeza o motivo pelo qual os turistas vão pra Mongólia, mas ela me surpreendeu positivamente. Nosso hostel ficava no 22º andar de um prédio a 1 quarteirão da praça central da cidade, com uma vista sensacional da cidade. Na praça central fica um grande prédio governamental com a estátua de ninguém menos do que Gengis Khan. Ele está em todos os lugares na Mongólia, nas notas de dinheiro, nome do aeroporto e de marca de vodka, de cerveja etc etc. A praça é grande e bem agradável, com crianças andando de bicicleta, noivos indo tirar foto do casamento com as famílias usando os trajes mongóis típicos, ou seja, todo mundo aproveitando o curto verão mongol. À noite fomos num bar que tinha montado com telão na parte externa pra transmitir os jogos da copa. Tinham vários estrangeiros, mas muito mais mongóis. Jogo Argentina e Rússia. Os mongóis aparentemente estavam torcendo pra Argentina... D2- fomos passear pela cidade. Fomos andando até um mirante no alto da cidade, que também é um memorial pelos soldados mongóis que lutaram em conjunto com os soviéticos na 2ª Guerra (Memorial Zaisan), fica do lado de um shopping center. Pra chegar lá andamos pela cidade, passando por praças, estátuas de caravanas de camelo, uma estátua gigante de Buda e fomos também visitar o antigo palácio real dos soberanos mongóis que ficou ativo até o começo do século XX (Bogd Khaan). Encontramos com a dona da agência de turismo para fazer o pagamento e descobrimos que teríamos mais uma integrante no nosso grupo, uma moça tinha fechado com ela alguns dias antes, ou seja, ótimo, a viagem ficou ainda mais barata. À noite fomos assistir uma apresentação de graça na praça central de uma orquestra sinfônica local, tocando música clássica. Foi bem legal D3 - começava a excursão propriamente dita, vieram nos buscar no hotel, e levaram para conhecer nossos companheiros pelos próximos dias: Jennifer, a canadense que tinha se juntado ao nosso grupo, simpática e educada como todos os canadenses, Chingis, nosso guia com nome apropriadíssimo (Chingis é Gêngis em mongol, tínhamos o xará do Gengis Khan como guia) e Gonchgoo, o motorista, que mesmo não falando nada além de mongol, era um senhorzinho muito simpático (às vezes parecia bravo, mas é o jeito de falar no idioma mongol que é meio assim mesmo). De lá partimos no nosso jipe rumo ao sul, ao deserto de Gobi. Estrada muito boa nesse primeiro dia, paramos pra comer num restaurantezinho no meio do nada na estrada. Logo depois da gente chegou um grupo de uns 40 italianos (eles estavam num tour há 2 meses, saíram da Itália e foram cruzando a Rússia até chegar na Mongólia, doidos né). Aproveitei pra desenferrujar o italiano que aprendi na escola. Chegamos no nosso 1º ponto turístico: Baga Gazriin Chuluu, um formação rochosa no meio do deserto, nem sei bem como explicar, pareciam um amontoados de pedras, grandes e por uma área gigante. E estava lá também a multidão de italianos. A gente encontrou com eles várias vezes nos dias seguintes, os itinerários dos turistas de modo geral eram semelhantes. Eram na maioria nos seus 50-60 anos, muito simpáticos, conversamos bastante sobre a Copa do Mundo que estava acontecendo, e que a Itália não estava participando. De lá fomos pra nossa primeira estadia, nosso primeiro ger. Ger são as tendas circulares onde moram os nômades mongóis (em outras regiões da Ásia Central são chamadas de iurtas… talvez você conheça pelo nome em inglês de yurts). Sim, mesmo hoje no século XXI, 1/3 da população mongol é nômade. E muitas dessas famílias nômades que tem seus rebanhos perto de regiões turísticas montam no verão um ou alguns gers a mais para receber turistas. O ger é bem melhor que imaginava. Bem grande, variando de 3 a 5 camas dentro dele. Bem confortável, exceto pela porta baixinha em que batia a cabeça toda hora até acostumar com ela uns dias depois. Ao ficar com as famílias nômades, somos meio que convidados deles, toda vez que chegávamos a um ger novo, a primeira coisa era ir cumprimentar a família, eles ofereciam bolachas, chá no leite de égua (tudo na Mongólia é exótico), e iogurte seco de leite de égua, ou camelo ou iaque. E a gente dava pra eles chocolates e balas, principalmente pras crianças (sonho de valsa e bala Chita fizeram muito sucesso, tanto com as crianças mongóis quanto com a nossa companheira de viagem canadense). Por mais isolados que estejam, as famílias tem umas placas de energia solar ligadas a uma bateria de carro, eles usam isso pra ligar lâmpada à noite, ou ver TV (eles têm também umas parabólicas pequenas). Nesse dia tivemos a oportunidade de ver o jogo do Brasil na Copa no meio do deserto de Gobi junto com uma família mongol (que não se interessou muito, os esportes deles são outros: corrida de cavalo, luta e arco-e-flecha) D4 Acordamos, tomamos nosso café da manhã (nosso guia Chingis também cozinhava o café-da-manhã e o jantar, e ocasionalmente o almoço quando estávamos em lugares muito remotos. Se não, almoçávamos em algum restaurantezinho quando cruzávamos algum vilarejo mongol). A rotina em geral era a mesma, longos trajetos por estradas intermináveis, mas com um visual interessante, e no meio da tarde chegávamos no nosso ponto turístico. Ficávamos lá quanto tempo quiséssemos e depois partíamos pro lugar onde íamos dormir. Éramos nós também nômades, cada dia dormíamos num lugar diferente. Nesse dia visitamos o Tsagaan Suvarga, que quer dizer Estupa Branca (estupa é uma estrutura religiosa budista, os mongóis seguem a linha tibetana do Budismo). Mas esse lugar não era nenhuma construção religiosa, era um desfiladeiro com cores variadas, parece aquelas encostas de algumas regiões do litoral do Nordeste, como Trancoso, mas no meio de deserto. Muito bonito, e como tudo na Mongólia, bem vazio, mesmo no mês de pico de turismo, na região mais turística do país. Éramos nós e uma meia dúzia de outros turistas espalhados pelo lugar. D5- nesse dia saímos rumo a um lugar chamado Yolyn Am, que é um vale em que vamos caminhando numa trilha bem de boa até chegar no fim dele, e no fim desse vale, mesmo no auge do verão, ainda tem gelo, ele só derrete no finzinho do verão. Mas antes de chegar nesse vale, passamos por uma arquibancada perto de uma cidadezinha. Estava tendo uma corrida de cavalos. Os mongóis adoram cavalos, desde o tempo de Gengis Khaan, tem até um ditado que diz que um mongol sem um cavalo não é um mongol. O mais interessante é que quem corre nessas competições são crianças. Era uma corrida de 12km e a arquibancada era no final do trajeto. As crianças tinham uns 6-7 anos de idade, o que pra a gente era bem estranho né. O guia falou que agora o governo controla mais essas coisas: não pode corrida com crianças menos de 5 anos, e é obrigatório uso de capacete. Antes era sem regras. Decidimos aguardar e ver a corrida. Como éramos os únicos turistas estrangeiros, deixaram até a gente entrar na pista pra tirar foto com as crianças, e subir naquela cadeira elevada onde ficam os árbitros. De lá fomos pro Yolyn Am, fizemos a trilha ate o fim. Sim, ainda tinha gelo, no deserto, em julho. E fomos pro nosso próximo ger. Quando chegamos lá, não tinha mais lugar já que tínhamos atrasado por causa da corrida. Daí ficamos dirigindo meio sem rumo e quando encontrávamos uns gers, o guia ia falar com a família pra ver se tinha algum disponível. Como é uma área turística e boa região de pasto para as ovelhas, tinham bastante gers, então não demorou pra acharmos. É tudo meio assim na Mongólia, a comunicação e a organização às vezes aparentam não serem as melhores, mas tudo dá certo, com o jeitinho mongol. D6 Mais uma vez, acordamos, café-da-manhã e partiu. O deserto de Gobi é bem variado, tem áreas pedregosas, áreas de montanhas, áreas até com grama. Ele é um semiárido na verdade. Hoje fomos pras dunas do Gobi, as Khongoryn Els. Lá chegamos no nosso ger, visitamos a famílias, tomamos o chá, o iogurte de leite de camelo etc, e fomos fazer um passeio de camelo. Não aqueles dromedários de uma corcova que vemos em países árabes, na Índia, na Austrália e até em Natal (RN). Na Mongólia eles têm os camelos bactrianos, de 2 corcovas, muito mais raros, e no inverno eles têm uma pelagem super espessa pra aguentar o frio intenso. Fomos com os camelos até a base das dunas. Essas dunas têm uns 100km de extensão, e nos pontos mais altos, uns 80m de altura. E foi lá que subimos, nós, outros turistas de outros lugares e vários turistas mongóis, famílias, crianças, idosos. Aquela canseira extrema de se subir na areia, mas a vista compensou, e o pôr-do-sol também. Voltando pro ger, vimos umas crianças recolhendo os cavalos. Os mongóis acreditam que você tem que acalmar os cavalos antes de colocar eles amarrados no fim do dia, e eles fazem isso cantando para os cavalos. Imagina um moleque de uns 9-10-11 anos, montado em cima de um cavalo sem sela, dando voltas e cantando. Como disse um amigo meu quando viu a filmagem que eu fiz, “parece coisa de filme”. Parece mesmo. D7 Nesse dia fomos pra Bayanzag, é um desfiladeiro parecido com Tsagaan Suvarga, mas mais vermelho, ele é conhecido pelos turistas como Flaming Cliffs (desfiladeiros flamejantes). Muito muito bonito. Foi nesse lugar que ovos de dinossauro foram descobertos pela primeira vez, por um cara chamado Roy Chapman Andrews, um aventureiro americano do começo do século, que diz a lenda, foi um dos inspiradores para a criação do Indiana Jones. Depois fomos até Ongiin Khiid (monastério Ongi), ruínas de um monastério budista. Existem vários desses pela Mongólia, durante o governo comunista da Mongólia, os monastérios budistas foram destruídos e estima-se que cerca de 20.000 monges fuzilados. Esse especialmente foi fundado em 1660 e destruído em 1939, e cerca de 200 monges foram mortos. Apesar da historia triste, é um lugar muito bonito e tranquilo. Até então tínhamos dormido em gers pertencentes a famílias. Eles tinham os deles e montavam alguns extras pra turistas. Hoje dormimos num ger-camp, que é tipo um hotel, só que são vários gers espalhados por um lugar. Tem a desvantagem de não pertencer a uma família, não tem o contato com os nômades, com as crianças e animais. Mas tem a vantagem de ter mais estrutura: tinha um pequeno restaurante/lanchonete, onde vimos a segunda partida do Brasil na Mongólia, a que perdemos e fomos eliminados. E tinha também um lugar com chuveiro e banheiros fechados. Até então os banheiros eram fossas e os chuveiros eram, bom, eles eram inexistentes. Aproveito então pra abordar duas das 3 piores coisas de se viajar pela Mongólia: condições dos banheiros e banhos não diários. A falta de banho eu achei que fosse ser a pior coisa, mas não foi. Em geral o tempo era frio e seco, a gente passava boa parte do dia no jipe, sem fazer esforço físico, então não suava. E estávamos todos na mesma condição, todos sujos iguais né. Óbvio que bom não era, mas não foi torturante como achei que fosse ser. Aqueles lenços umedecidos ajudaram muito mesmo. Os banhos a gente tomava quando ficava assim num ger-camp (pagava-se pra isso, ótimo investimento) ou quando passávamos por uma cidade de porte médio que eles têm chuveiros pagos. Bem interessante a ideia, impecavelmente limpos, água quente e tudo mais. Agora, os banheiros, daí o negócio não era legal. Pensa que os caras são nômades, não tem como ter banheiro. Então eram fossas, com variados graus de estrutura. Algumas tinham 4 paredes, uma tinha até um vaso sanitário com água pra descarga, mas a maioria eram umas tábuas por cima da fossa, e você fazia suas necessidades fisiológicas agachado, como é costume em vários lugares do oriente. As piores eram só 3 paredes baixas, e um lado aberto para a natureza, e o buraco raso demais. Pra mim isso foi a pior coisa em se viajar por lá, mas já sabia que ia ser assim, faz parte da aventura. D8 O programado hoje era visitar a cachoeira Orkhon, mas os planos mudaram. O guia disse que os rebanhos de ovelhas ou cabras sei lá da cidade estavam com alguma doença, então a cidade estava fechada para evitar transmissão. E como alternativa iríamos pra região das águas termais de Tsenkher. Ficamos chateados por que originalmente essas águas termais estavam no nosso roteiro mas a gente pediu pra substituir pela cidade de Kharkhorin, já que a gente não tinha se interessado tanto pelas termas. Eu honestamente achei que esse negócio de cidade fechada que o guia falou tinha sido invenção dele, vai ver que não queria ir pra cachoeira sei lá... mas não é que passando por um vilarejo à beira da estrada todas as ruas que saíam da estrada estavam com aquela fita preta e amarela, sabe? Aquelas que a polícia usa pra bloquear acesso... no fim era verdade. Os mongóis dependem muito de seus rebanhos, faz sentido todo o cuidado pra evitar propagação de doenças. Eles criam muitas cabras e ovelhas. Ovelhas pra lã e carne, e as cabras são por causa do pelo delas, são as famosas cabras que produzem as valiosas lãs de cashmere. Bom, acabamos indo pra as fontes termais. No fim mudei de ideia sobre o lugar, que lugar bonito! Aqui já havíamos saído do Gobi poeirento e pedregoso e chegado nas estepes verdinhas intermináveis. Eram ger-camps e hotéis, um ao lado do outro, todos com piscinas e banheiras de água quente das fontes termais. E uma paisagem muito bonita, grama verde, floresta de pinheiro ao fundo, e vários rebanhos de cavalos, iaque, cabras e ovelhas. Era interessante também o numero grande de turistas, diferente das outras partes da Mongólia, mas maioria dos turistas eram mongóis mesmo. A Jennifer chegou até a ir num hotel do lado do nosso ger-camp pra fazer uma massagem. Nem tudo é perrengue na Mongólia. D9 Fomos rumo a Kharkhorin, que é a antiga capital do império mongol (em português é Caracórum). Foi fundada por um dos filhos de Gengis Khan, e abrigava também um monastério gigante (Erdene Zuu). Foi destruído em 1939 pelos governantes comunistas do país, e os monges, fuzilados. Ficamos novamente num ger-camp (esse não tinha chuveiro, mas estávamos bem limpinhos por causa das águas termais da véspera), e já começou a fazer muito frio à noite (lembram da continentalidade que aprendemos na escola?). Veio para nosso ger-camp um trio de músicos fazer uma apresentação: enfim vimos o famoso canto difônico mongol, é estranhíssimo, mas bem interessante. Procure por throat singing no YouTube, são duas notas cantadas ao mesmo tempo sei lá como descrever, tem que ouvir pra entender. D10 Hoje continuamos nosso trajeto rumo ao norte. Fomos ver o Vulcão Khorgo, um vulcão extinto. Tem uma trilha tranquila que sobe até o topo dele, daí você consegue ver toda a cratera. Íamos dar a volta toda na cratera, mas começou a chover e voltamos, fizemos 1/3 do perímetro talvez. Tinham bastantes turistas mongóis lá. Do alto do vulcão dava pra ver o Tsagaan Nuur (Lago Branco), e é pra lá que fomos. É um lago gigante, bem bonito, nas margens tem vários ger-camps pros turistas mongóis. Mongólia não tem mar, então eles vão muito pra eles lagos pra passear, passar o fim de semana. Fomos passear a beira do lago mas de novo começou a chover então voltamos pro ger-camp. Ficamos nos divertindo com as crianças que estavam hospedadas lá, as crianças mongóis são as mais simpáticas de todas. Quando a chuva parou, voamos com o drone, pra euforia e alegria da criançada. Como estávamos indo para o norte, as noites já eram bastante frias, nos gers eles têm uma fogareiro a lenha que ajudava bastante, e começamos a acender fogo todas as noites daqui pra frente. D11 Partimos rumo à cidade de Mörön. Nossa “estrada” ia cruzando as montanhas Khangai, paisagem bem bonita. A estrada não era nem uma estrada de terra, eram basicamente as marcas dos pneus de carros que passavam lá, mas surpreendentemente ele estava no Google Maps. Paramos pra almoçar numa cidadezinha ínfima, e como sempre, a gente ia no mercadinho pra ver se comprava um chocolate ou sorvete, a surpresa do dia foi ver bala 7 Belo à venda nesse mercadinho, com embalagem em português e tudo mais, quem diria né? Chegamos em Mörön, que é uma cidade maior. Lá não ficamos hospedados em ger ou ger-camps, ficamos na casa da tia do guia, que nos recebeu com um banquete feito em casa. Foram extremamente simpáticos e receptivos. O tio ficou tentando embebedar a gente com uma vodka local, mas ele que acabou super bêbado, daqueles bêbados alegres que ficava abraçando a gente, mostrando os álbuns de fotos da família, e conversando, lembrando que nós não falávamos nada de mongol nem ele de inglês. Sensacional. D12 Em Mörön, fomos de manhã assistir o Naadam. É um festival esportivo mongol, com os três esportes nacionais: corrida de cavalo, luta e arco e flecha. Acontece sempre em julho, o maior deles é na capital, mas acaba que vira um espetáculo muito grandioso e turístico, então pedimos pra incluir no nosso roteiro algum Naadam em alguma cidade do interior, pra ver algo mais autêntico. Fomos no estádio da cidade. Era um estádio de futebol, pequeno, com grama artificial no meio. No gramado ocorriam as lutas, e atrás do ginásio a competição de arco e flecha, masculino a feminino. As corridas de cavalo aconteciam fora da cidade, e só vinham pro ginásio para receber as medalhas. Foi uma experiência bem legal, ver esses esportes, e o pessoal assistindo usando os trajes tradicionais e tudo mais. Você contava na mão o número de turistas estrangeiros lá. Voltamos pra almoçar na casa da tia e partimos mais pro norte, pro Lago Khövsgöl (ou Huvsgul, Hövsgöl, Khuvsgul, não tem regra como transliterar pro nosso alfabeto, em mongol é Хөвсгөл. Os mongóis usam o alfabeto cirílico (o mesmo dos russos), com algumas letras a mais, o que facilitava bastante por que não é tão difícil de aprender né... antes da influencia soviética, eles usavam um alfabeto próprio, que é bem bonito, eles estão com planos de retomar o uso desse alfabeto próprio). O Lago Khövsgöl é um lago gigantesco, uns 300km de comprimento, bem ao norte, quase na fronteira com a Rússia, ficamos bem na pontinha sul, numa cidade balneária turística chamada Khatgal, com hotéis, pousadas, ger-camps, chalés pra alugar, tinha de tudo. Quase que só turistas mongóis. Fizemos um passeio de barco, e ficamos andando na beira do lago, foi bem legal, bem bonito. Estava bem frio então zero chance de nadar. D13 Saímos de manhã de Khövsgöl e fomos indo mais pro noroeste, agora as estradas começaram a ficar bem ruinzinhas e eram horas e horas para andar pouca distância, mas a paisagem sempre compensava na Mongólia. Estávamos no remoto vale Darkhad, perto das montanhas Khoridol Saridag. Passamos por um vilarejo muito muito pequeno, e estava acontecendo um Naadam local. Nós 3 éramos os únicos turistas assistindo, foi bem interessante. Sabe-se lá como foi parar lá, mas tinha um mongol com um casaco do Palmeiras. Seguimos viagem, a gente foi encontrar a próxima família que ia nos receber. Eles eram criadores de cavalos, o pai inclusive tinha uma medalha por que o cavalo dele havia ganhado uma corrida recentemente. Eles como sempre, nos receberam muito bem. Comemos iogurte de leite de iaque, bem gostoso. Essa família que iria fornecer os cavalos pra nossa aventura dos próximos dias. D14 Acordamos pra ir conhecer o povo Tsaatan, que são criadores de rena. Eles vivem bem isolados nas montanhas, o único jeito de ir é de cavalo, nem de jipe dá, por que tem que cruzar montanhas, florestas e pântanos. É bem perto da fronteira com a Rússia, tanto que turistas precisam de uma autorização especial, e os nossos passaportes ficavam com as autoridades mongóis enquanto íamos pra lá. A gente foi de jipe até o que dava, depois pegamos os cavalos. A cavalgada até lá foi bem bonita, mas bem difícil e dolorida já que não temos experiência em cavalos né, foram 4h cavalgando (disseram que tivemos sorte por que eles estavam acampados perto). E quando cavalgávamos pela floresta densa, era cada joelhada nas árvores... chegamos lá no meio pro fim da tarde, e já vimos ao longe os rebanhos de rena, que incrível. Deixamos os cavalos, fomos dar oi pra família, que nos recebeu com queijo de rena, e depois fomos tentar se aproximar das renas. Elas estavam deitadas descansando em cima de uma placa de gelo de uns 300m2 (sim, ainda tinha gelo no chão em julho). A gente ia chegando aos poucos com medo de espantar eles e estávamos mega empolgados de estar tirando fotos deles a 15-20 metros de distância. Mal sabíamos que depois de uma meia hora quando os pastores arrebanhassem as renas, a gente estaria no meio delas. E assim foi, no finzinho da tarde eles trazem elas de volta pra perto das pessoas pra passar a noite (tem lobos nessa região), e aproveitam pra ordenhar as renas. As renas são extremamente dóceis, não se incomodam em nada com a gente fazendo carinho, tirando foto etc. O povo tsaatan (também conhecido como Dukha) é uma etnia diferente da Mongólia, eles não são budistas como a maioria mongol, são animistas e xamanistas. Eles têm um dialeto também diferente do resto dos mongóis, que falam o dialeto mongol khalkha. E eles não moram em gers, moram em tendas triangulares, igual aquelas dos índios norte-americanos. Parte da sua etnia mora do outro lado da fronteira, na Sibéria. Tem vários vídeos muito legais no YouTube sobre eles, seja documentários ou vlogs de turistas. Nós dormimos nessa tenda, era uma cama improvisada, de madeira, bem dura e desconfortável, forrada com pele de rena. Não passamos muito frio por causa do fogareiro à lenha, mas foi a pior noite em conforto. Mas é preço para se vivenciar essa experiência única. D15 Hoje tivemos o dia inteiro livre aqui com os Tsaatan. Nosso guia deixou a gente à vontade pra fazermos o que quiséssemos. Fomos caminhar, ver outras famílias de pastores de rena que moravam nas redondezas, subimos numa montanha, relaxamos com as crianças e os cachorros. O pai da família que nos recebia fazia entalhes em chifre de rena, e vendia pros raríssimos turistas que apareciam lá a cada ano. Comprei 2 pra mim e pedi pra ele entalhar mais 2, cada uma com o nome dos filhos de amigos que estavam pra nascer. Ele entalhava pequenas esculturas de renas nos chifres das renas. Lembrando que as renas perdem naturalmente os chifres no inverno, então matéria prima não faltava. O pai da família mostrou pra a gente como eles montavam nas renas pra transporte. Subimos nelas pra tirar fotos, bem coisa de turista, mas fazer o que né, somos turistas... e quem iria perder essa oportunidade? Já aviso que não é nada fácil ‘cavalgar’ em renas. E passamos nossa 2º e última noite com os tsaatan. D16 Acordamos, pagamos pelos nossos entalhes de chifre de rena, nos despedimos da família, e bora enfrentar mais quatro horas de cavalgada e joelhadas... a mãe da família, que muito gentilmente percebeu que meu amigo Richard tinha adorado o queijo de rena, deu um pedação pra ele levar e comer nos próximos dias. Os cavalos mongóis são pequenos, ágeis mas muito assustadiços. O guia tinha falado pra a gente várias vezes o que fazer e o que não fazer. Mas no fim do segundo dia eu já devia estar relaxado e fui pegar alguma coisa da minha mochila, que estava nas minhas costas. O cavalo se assustou e disparou, eu cai e bati numa árvore. Tirando uns arranhões superficiais, não aconteceu nada. Mas poderia ter acontecido, e estávamos a algumas horas de cavalo do jipe que estava esperando a gente, e mais algumas boas horas de jipe de qualquer possibilidade de socorro, ou mesmo de sinal de celular. A gente turista às vezes faz umas imprudências né... Chegamos no fim da tarde de volta pra a família dos guias de cavalos. Ficamos lá brincando com as crianças, a menorzinha Batukaa, o bebê com as maiores bochechas da Mongólia, e a irmã mais velha, cujo nome não me lembro, se divertiu tirando fotos com os nossos celulares. Sendo mês de copa do mundo, eu tinha levado uma camisa da seleção pra dar de presente pra alguma criança com que tivesse mais contato lá, e foi ela que ganhou... além de um monte de sonho de valsa né. D17 Dia de estrada, estávamos rumando agora mais pro oeste. Estrada pelas montanhas e florestas, linda paisagem perto da divisa com a Sibéria, mas avanço extremamente devagar. Dirigimos o dia inteiro sem ver uma pessoa sequer. Estávamos numa região bem remota, para onde os pastores traziam os rebanhos no inverno, então agora no verão não tinha ninguém. Assim sendo, não dormimos em ger de alguma família, acampamos com nossas barracas mesmo no meio do nada, num vale verde, muito bonito, entre as montanhas com florestas de pinheiro. D18 Começamos a nos aproximar de ‘civilização’ novamente. Passamos por uma cidadezinha em que talvez fossemos conseguir tomar um banho. Esse já era o período mais longo sem banho da viagem (e da vida também né). Infelizmente estava fechado por falta de eletricidade. Acampamos à beira de um rio, muito bonito. Estava garoando e muito frio. A ideia de um banho no rio foi cogitada, mas descartada. D19 Continuando para o oeste. A região foi ficando mais árida e menos montanhosa, estávamos chegando no lago Khyargas. Acampamos à beira do lago. Era um lago gigante, não tão bonito como o Lago Khövsgöl, mas bem mais tranquilo e vazio. Aproveitamos um hotel na frente do lago e pedimos pra carregar as baterias da câmera e do drone, eles deixaram. Bateria do celular a gente carregava fácil no acendedor de cigarro do carro, mas câmera e drone só em tomada mesmo, o que sem sempre encontrávamos. Então precisava planejar bem e economizar. O Richard se rendeu e tomou um banho no lago gelado. Ele é brasileiro mas mora na Noruega. Eu brasileiro tropical não consegui, estava muito muito fria a água. D20 Continuamos rumo a oeste. Região árida foi ficando mais montanhosa. Paramos numa cidadezinha para comer, estava também sem energia elétrica. A dona de um mercadinho deixou a gente esquentar água para fazer um macarrão instantâneo. Era o aniversário da Jennifer, nossa companheira de viagem canadense. Compramos um bolinho pronto pra ela no mercadinho. Não foi com certeza o aniversário mais glamuroso, mas com certeza foi inesquecível. Chegamos na cidade de Ulgii (ou Ölgii), capital da província mais oeste da Mongólia, Bayan-Ölgii. Aqui a população é quase toda de etnia cazaque, e são muçulmanos. O plano era passar na cidade pra comprar mantimentos e seguir pra fora da cidade pra acampar. Mas o guia nos fez um upgrade e ficamos um ger-camp bem no centro da cidade. A Jennifer ganhou seu melhor presente de aniversário, um banho. Nós também, obviamente. Propomos ir jantar num restaurante na cidade, a cidade tinha poucos restaurantes, mas tinha um de comida turca. O guia falou que não daria por causa do orçamento que ele tinha. A gente falou “a gente paga, sem stress”, não aguentávamos mais comida mongol. Então aqui vai a 3ª coisa ruim em se viajar na Mongólia: já tinha citado banho e banheiro, agora é a comida. Não que fosse ruim, mas não era boa. E era quase sempre igual: cordeiro, batata e cenoura, seja numa sopa, ou com arroz, ou com macarrão. Vocês devem estar pensando “cordeiro? O que tem de ruim nisso? Que cara fresco”. Mas eles não comem carne igual à gente, é tudo picadinho, com muita gordura, mais gordura do que carne, além de um gosto muito forte por ter sido salgada para a preservação. 20 dias nisso não aguentávamos mais. Uma vez passando por uma cidadezinha de médio porte, numa região mais turística, e vimos um lugar que servia frango, pedimos pra ir comer lá. O guia concordou. O motorista deixou a gente lá e foi comer em outro lugar. Os mongóis odeiam frango, eles consideram carne de 5ª categoria, que não é digna de se comer. D21 Saímos de Ölgii ainda mais pro oeste, íamos pro Parque Nacional Altai Tavan Bogd, que fica na tríplice fronteira com a Rússia e a China. Logo depois da nossa pausa pro almoço, a roda do nosso jipe faz um barulho. O motorista para o carro, desce, tira a roda e vê que uma peça lá quebrou. Estávamos no meio do nada, por isso que disse que é praticamente impossível viajar independente na Mongólia. Às vezes passava um carro ou moto, numa dessas o guia pediu pro motoqueiro levar ele mais pra frente pra um lugar que tivesse sinal de celular. Ligou pra Ölgii e conseguiu falar com uma amiga dele que era guia pra trazer a peça que quebrou. A amiga ia passar no dia seguinte, com o grupo dela, ou seja, estávamos no meio do nada, encalhados. Montamos as barracas e ficamos relaxando, passeamos pelas montanhas, e esperando, afinal não tínhamos pra onde ir né… D22 Logo antes da hora do almoço chega a outra guia, com o seu grupo. Entrega a peça pro nosso guia e monta a mesa pro grupo dela, um casal e um senhor, todos alemães e 3ª idade. Dai nosso guia chama a gente de lado, “olha, aconteceu um problema, ela trouxe a peça errada”. E agora? Pois então, ele falou com a outra guia que topou levar a gente junto com o grupo dela, estávamos indo pro mesmo lugar mesmo, pro Parque Altai Tavan Bogd. Ela avisou os clientes dela, que acharam justo e nos receberam muito bem. A gente montou uma mala só com algumas coisas que fossemos precisar pelos próximos 2 dias, e deixamos o resto no nosso jipe. A outra guia também tirou do jipe dela o que não fosse usar pelos próximos dias e deixou no nosso jipe. E lá fomos nós: nós 3, nosso guia, os alemães e a guia deles. E o Gonchgoo, nosso motorista, ficou pra resolver o problema do nosso jipe. Chegamos no parque nacional, um lugar muito bonito, paisagem bem diferente do resto da Mongólia, montanhas altas, com neve no topo. Montamos barraca e acampamos lá logo na entrada do parque. D23 o plano era ir caminhando pelo parque até o lugar do próximo acampamento, o dia seguinte subir uma montanha e voltar pro acampamento, e no outro dia voltar pela trilha pro ponto de partida na entrada do parque, e com a esperança de que nesses dias o motorista consertasse o jipe e estivesse lá esperando por nós. Saímos pela manhã. Nossas malas, barracas e tralhas de cozinha foram indo na frente num camelo, afinal estamos na Mongólia. Era uma trilha tranquila, uns 15km, uma subida gradual, cruzamos um riacho de água de degelo, pausa para o almoço, mais caminhada. E então chegamos no topo de uma colina, com uma vista sensacional das montanhas ao fundo, e uma geleira gigante na frente. Do outro lado das montanhas já eram a Rússia e a China. Andamos mais um pouco e chegamos no local do segundo acampamento. Era o acampamento base para os turistas que iam subir o Monte Malchin (nosso caso) e pros alpinistas que iam escalar outras montanhas mais altas, com escalada técnica (não era obviamente o nosso caso). O nome do parque é Altai Tavan Bogd: Altai é essa cordilheira que vai por essa região de Mongólia, Rússia, China e Cazaquistão, e Tavan Bogd quer dizer 5 Santos, que são os 5 picos mais altos da Mongólia, um do lado do outro. Iríamos subir amanhã o 4º mais alto do país, o Malchin. Dormimos em barraca, um frio dos diabos. D24 Acordamos e saímos pra subir nossa montanha. Os turistas alemães foram com a gente na primeira etapa da trilha, que era mais plano, e depois iriam ficar passeando em caminhadas mais tranquilas, afinal eles já tinham mais idade, e seja como for, eles já estavam de parabéns por estar lá, especialmente o Sr Peter, um senhor com 79 anos e prótese de quadril. A subida não é uma escalada técnica, mas é puxada pela altura (pico a 4050m) e pelo fato de a montanha ser formada basicamente por pedras soltas, então às vezes vai escorregando. Chegamos lá em cima mega cansados, mas como valeu a pena! Uma vista sensacional das outras montanhas, víamos a Rússia à direita e a China à esquerda, e o Cazaquistão lá ao fundo (a fronteira é só 30km da tríplice fronteira Mongólia-China-Rússia, por pouco não é uma fronteira quádrupla). E no topo da montanha, como em vários outros lugares da Mongólia, tinha um ovoo, uma estrutura budista que é uma pilha de pedras, com oferendas ocasionais como dinheiro, ou vodka, e aqueles tipo de cachecóis budistas coloridos (desculpa a falta de detalhes, não entendo muito dessas coisas). Descemos a montanha e voltamos pro acampamento, super cansados, mas super satisfeitos por termos subido a 4ª montanha mais alta da Mongólia. D25 Voltamos pelo mesmo trajeto que viemos caminhando dois dias antes, mas hoje estava chovendo, o que só atrapalha. O riozinho que cruzamos na ida agora estava bem mais forte. Sugeri pararmos pra comer antes de cruzarmos o rio, vai que tivéssemos sorte de vir algum jipe e nos ajudar a cruzar. E tivemos sorte, foi o que aconteceu. Um jipe de turistas mongóis tinha dado carona pros alemães que estavam atrás de nós, cruzaram o rio, deixaram os alemães, e voltaram pra nos levar de carro pra cruzar o rio, foram nossos salvadores do dia. Continuamos nossa trilha até o ponto de partida, onde nos esperava nosso motorista Gonchgoo com o jipe em perfeito estado. Tudo deu certo no final. Nos despedimos dos nossos salvadores alemães, e partimos. Como eu já disse, no oeste da Mongólia o povo é de etnia cazaque, e alguns deles usam águias para caçar no inverno, principalmente coelhos e raposas, para pele. Por mais que eu também ache o uso de casacos de pele por nós no ocidente algo lamentável e injustificável, acho que no caso deles é aceitável, faz parte da cultura centenária deles, e é um dos poucos recursos nas montanhas frias e áridas, e eles estão caçando animais que não estão em extinção, para um uso justificável, mas cada um tenha sua opinião nesse aspecto. Vejam no Youtube, tem vários vídeos interessantes mostrando os caçadores de águia mongóis/cazaques, talvez alguns já tenham visto o documentário sobre uma menina chamada Aisholpan, a primeira mulher a caçar com águias. O plano original era parar pra ficar hospedado em um ger com alguma família caçadora de águias, imagino que talvez fizessem demonstrações pra a gente, sei lá. Mas como perdemos um dia com o jipe quebrado, precisamos fazer uma mudança de estratégia. Passamos por umas povoações e nosso guia perguntava (imagino, estava falando em mongol) se tinha alguém que tinha águia. No fim conhecemos uma família, eles levaram a gente pra conhecer a águia, tirar fotos com a águia, vestir a roupa cazaque típica e foi isso. A espécie de águia que eles usam pra caçar é a majestosa e sensacional águia-real, com seus quase 10kg. Deu pra dar um gostinho de ver os famosos caçadores com águia, e quem sabe deixar a vontade de voltar pra cá um dia pra conhecer com calma. Depois voltamos pra Ölgii, a capital da província. Era o último dia da Jennifer com a gente. Falamos pro Chingis ficar à vontade, que não precisava fazer jantar pra a gente, e fomos comer num restaurante indiano, que descobrimos por acaso nem lembro como. Era escondido, no segundo andar de um prédio que parecia abandonado, ou em reformas. Mas o restaurante era ótimo, super limpinho e bem arrumado, e decorado no estilo cazaque. As garçonetes muito simpáticas, mas não falavam inglês, mas o cardápio tinha fotos, como é comum na Mongólia. E nada que o Google tradutor inglês-cazaque não ajudasse (o Google tradutor mongol funciona pessimamente). Fizemos questão de colocar uma avaliação positiva do restaurante no Google e no TripAdvisor (a 1ª e, por enquanto, única avaliação). D26 O voo da Jennifer saiu bem de madrugada de Ölgii, foi pra Ulaanbaatar e de lá foi embora da Mongólia. Nós tivemos um dia livre em Ölgii, ficamos passeando pela cidade... não tem muito o que se ver lá, vimos por fora a mesquita central da cidade, fomos ao mercadão deles, que não era nada pra turista, mas não deixa de ser interessante, e pela cidade várias lojas vendendo produtos de lã cashmere, e de lã de iaque e camelo, e artesanato cazaque. E vimos a famosa estátua de um herói local que morreu em 1939, uma das raras, se não a única estátua de alguém atirando para trás enquanto corre… almoçamos num restaurante, comida média, mas escolhemos lá por que a descrição no Google era que tinha os melhores (talvez únicos) milk-shakes de Ulgii. De fato tinham várias opções no cardápio. Se eram bons? Jamais saberemos, por que no dia estavam sem… isso era muito comum na Mongólia, metade das coisas nos cardápios não tinham no dia. D27 Acordamos super cedo e nos levaram para o aeroporto. Nos despedimos do nosso guia Chingis e do nosso motorista Gonchgoo e pegamos o voo, Hunnu Air, com escala em Ulaangom e destino Ulaanbaatar. Chegando na capital, fomos pro mesmo hostel. E fomos passear e comprar uns souvenires, e comer um hambúrguer (sem cordeiro por um bom tempo) e passeando sem rumo pela cidade. Fomos também numa cervejaria, as comidas e confortos da cidade estavam fazendo falta. Na praça principal da cidade estava tendo uma apresentação de música local, eram apenas senhoras, algumas cantando e outras tocando uns instrumentos de corda locais, e uma criança apenas. Ficamos olhando. Depois da música elas se juntaram pra tirar uma foto do grupo, continuamos observando achando que fossem tocar mais. Dai a mãe da criança chamou a gente pra tira foto com a criança, depois vieram todas as senhoras tirar fotos com a gente, e o fotografo oficial do grupo alinhou todos nós na escadaria na frente da estátua do Gengis Khan pra tirar foto, nós e o grupo. Por quê? Sei lá, não entendemos nada, só falavam em mongol. Turistas não são tão frequentes na Mongólia, mas também não somos tão raros a ponto de sermos atração, vai saber... D28 Fechamos uma excursão de 1 dia para conhecer o Parque Terelj e a estátua de Gengis Khan. Primeiro fomos pra estátua, é a maior estátua equestre do mundo, você entra dentro do cavalo e vai subindo uma escada até que sai em cima do pescoço do cavalo, é gigante. Foi construída mais ou menos recentemente, e ao redor da estátua tem várias estátuas menores (mas ainda assim bem grandes) de soldados mongóis. Se você quiser, você pode doar dinheiro para esse projeto e ter seu rosto numa das estátuas. Depois fomos pro parque Terelj, é um parque bastante popular entre os moradores de Ulaanbaatar e por turistas estrangeiros, principalmente os que ficam na Mongólia por poucos dias, como os que vem pela Ferrovia Transiberiana. Dá pra fazer um bate-volta de um dia ou dormir lá em gers, fazer um mini-experiência mongol pra quem não tem tempo de viajar o país afora. O parque tem umas montanhas e formações rochosas, sendo a mais famosa a que parece uma tartaruga. E tem também um templo budista muito bonito no alto de uma escadaria. Voltamos pra capital, e fomos assistir uma apresentação de música mongol, com contorcionistas também. Apresentaram vários estilos de musicas locais, foi bem legal. Como jantar de despedida, o Richard que mora na Noruega queria comer carne, que é caríssimo pros lados dele lá. Fomos jantar num restaurante super chique, comemos um bifão bem bonito e gostoso, US$11,00, caríssimo pra uma refeição na Mongólia, mas ótimo preço mesmo com real desvalorizado, e uma pechincha pro meu amigo que mora na Noruega. D29 Dia seguinte saí de manhã pro aeroporto, mais uma vez escala em Bishkek no Quirguistão e em Istambul, Turquia, e enfim GRU. E fim dessa viagem sensacional. Esse relato foi superficial, só pra terem uma noção do que é uma viagem num lugar tão diferente. Obviamente têm muito mais histórias, causos, aventuras e curiosidades que faltam contar. Algumas considerações: Visto: há uns anos a Mongólia não exige mais visto de brasileiros (não preciso nem falar pra confirmar se não mudou antes de ir né?) Segurança: em momento algum nos sentimos inseguros, mesmo andando sozinhos pela cidade, com máquina fotográfica no pescoço. E a Mongólia é considerada um dos países politicamente mais estáveis da Ásia. Os riscos potenciais seriam o clima extremo, temos que estar sempre preparado para o frio, mesmo no verão. Dinheiro: eles usam o tugrik ou tögrög (MNT). Nossa viagem estava com todas as estadias e alimentações da excursão incluídas, então os gastos ocasionais era algum sorvete, chocolate, refrigerante, quando passávamos por um vilarejo. E obviamente os gastos em Ulaanbaatar nos dias antes e depois da excursão. Trocamos $ no aeroporto na chegada, não troquei muito, não lembro quanto foi. Compramos um chip de celular na capital logo no primeiro dia, valeu a pena. Saindo da capital não tivemos wi-fi em lugar nenhum, nem mesmo em Ölgii ou Mörön, que eram cidades maiores. Tínhamos acesso à internet do celular quando passávamos por vilarejos pequenos, em geral perto da hora do almoço, e nem todos os dias. Nos lugares turísticos, que eram remotos, e nos gers, sem sinal nem internet. Se não fosse o SIM-card, teriam sido 25 dias sem internet, que também seria bom, por um lado, depende da sua interpretação. Mas achei válido pra avisar “olha, mãe, to vivo”. Comunicação: na capital, tem pessoas que falam inglês em lojas e restaurantes. No interior, sem chance. Tínhamos o guia pra traduzir. Mongol é um idioma bem difícil, consegui decorar só meia dúzia de palavras, você pode ler uma palavra mas não reconhece na hora que eles falam, eles falam muito rápido, parece que comem as vogais. As primeiras vezes que você escuta mongol, lembra um pouco coreano (pra quem não fala coreano obviamente), tirando o jeito estranho que os mongóis pronunciam a letra L, mas são línguas sem relação alguma. Achei que pela influência da União Soviética, os mais velhos talvez falassem alguma coisa de russo. Mas pelo que vi, não, nada. Daí vai a mímica e a criatividade. Tinham uns aplicativos de dicionário mongol-inglês-mongol que eram muito bons, mas eram só dicionário mesmo. O tradutor do Google para mongol não funcionava bem, a gente colocava um frase simples e direta, pra evitar ambiguidades, mostrava pra pessoa e elas ficavam olhando com cara de ??? Aprender o alfabeto cirílico não é difícil e ajuda bastante. Clima: temporada turística é no verão deles, o inverno é inviável. O clima típico era sol (Mongólia é chamada da Terra de Céu Azul), temperatura durante o dia variando de um calor gostoso no sul, e friozinho leve mais ao norte. À noite esfriava até que bem viu, não saberia dizer a temperatura exata mas coisa de 5°C talvez. Tem que levar roupas em camadas, por causa da continentalidade, a temperatura vai variar bastante, de clima de camiseta, pra clima de moletom e um casaco por cima, luva e gorro. Levar chapéu e protetor solar. Existem alguns eventos turísticos pontuais em meses mais frios, como o festival das águias em outubro, corrida de camelo no alto inverno, e o festival do gelo, no Lago Khövsgöl congelado. Boa sorte pros que forem. A comida eu já falei, ninguém vai pra Mongólia pela gastronomia. Para os vegetarianos deve ser mais difícil ainda, importante avisar com antecedência a empresa ou guia, mas mesmo assim, pode ser que não adiante muito. O lado bom de uma comida sem graça e sem condimentos é que ninguém teve nenhum problema de intoxicação alimentar, como diarreia etc. Na capital tem bastante restaurante de comida ocidental, além de chinesa, coreana e japonesa. Tem shopping centers também em Ulaanbaatar. Obviamente parte de uma viagem é conhecer a cultura e comer a comida local, mas depois de vários dias comendo cordeiro gorduroso com cenoura e batata ou então khuushuur, que é tipo um pastel recheado com, adivinhe, cordeiro gorduroso, cenoura e batata, ninguém vai te criticar por querer comer um hambúrguer, pizza ou macarrão. Algumas atrações turísticas que acabamos não conhecendo: 1- Parque Khustai (ou Hustai): perto da capital, dá pra conhecer em passeio de um dia, é onde estão os famosos cavalos takhi, conhecidos no ocidente por cavalo-de-przelwalski, que são os únicos cavalos selvagens, não é uma raça de cavalos, são uma espécie diferente. Tinham sido extintos na natureza mas foram reintroduzidos a partir de indivíduos de zoológicos, uma rara história de sucesso em conservação. 2- Em Ulaanbaatar tem vários templos budistas, não deu pra conhecer. Mas vimos vários no interior do país. 3- Lá também tem um mercado chamado de Naran Tuul, conhecido pelos turistas como mercado negro. Apesar do nome não é nada ilegal, é um mercadão gigantesco que vende de tudo, roupas, alimentos, artigos de viagem e camping, souvenirs, tralhas em geral, etc. É meio afastado do centro. 4- petroglifos, no oeste da Mongólia existem vários petroglifos espalhados no meio do nada, são como pequenos postes ou esculturas de pedra com textos ou imagens entalhados, de mais de dez mil anos. Acabou que talvez por termos perdido 1 dia acampados quando a roda do jipe quebrou, que não vimos nenhum. Deve ter muito mais coisa, mas não lembro, afinal não fui né… Escrevi esse relato mais de um ano depois da viagem, e vou dizer que dá saudade viu. As coisas ruins a gente esquece, e fazem parte da aventura mesmo. É um lugar para que voltaria com certeza. Se quiserem ver belas fotos da Mongólia no Instagram, alguns perfis que eu sugiro são @mongoliaz e @mongolia.explore e dois fotógrafos @erdenebulgan_photographer e @gencophotographer Tem também vários vídeos no Youtube de viajantes que foram pra lá, mostrando o dia-a-dia. Eu vou colocar mais uma fotos da Mongólia ao final desse texto, fotos gerais… obviamente fico à disposição pra qualquer dúvida. E era só isso. Agradecimentos: Ao meu amigo Richard, amigão desde os tempos de colegial; Jennifer, nossa companheira sino-canadense que chegou preocupada e insegura de viajar por um mês com um monte de homens desconhecidos, mas se tornou nossa amiga; Chingis, nosso guia e cozinheiro; Gonchgoo “George”, nosso motorista; Tsigi, a guia mongol que nos resgatou; Peter, Paolo e Anna, os turistas alemães que nos receberam em seu jipe; Khandmaa, Batukaa e todas as outras simpáticas crianças mongóis; A todos os mongóis que nos receberam em suas casas, sejam elas casas de madeira, gers ou tendas. Em especial a tia do Chingis, a família dos guias de cavalo e a família tsaatan. Баярлалаа, Монгол Улс!
  2. O Charyn Cânion se estende por 90 km ao longo do rio de mesmo nome, a 200 km de Almaty no sul do Cazaquistão e quase na fronteira com a China. Há 12 milhões de anos que o vento, a areia e as águas do rio vêm esculpindo as mais diferentes e intrigantes formas nas pedras avermelhadas do Cânion, formando um dos locais de natureza mais exuberante que visitamos no Cazaquistão. Chegamos tarde e tivemos que acampar no topo do Cânion, tendo sido surpreendidos no meio da noite por uma ventania das mais severas que já enfrentamos, que nos obrigou a fechar a barraca que ameaçava voar pelos céus e nos deixar desabrigados em pleno deserto, tendo ido dormir dentro do carro. Nos próximos 2 dias acampamos na beira do rio, dentro do Cânion, num local que mais parecia um oásis em meio àquela aridez toda, com muita vegetação e pássaros coloridos. Subíamos e descíamos os paredões e ficávamos horas admirando as formações rochosas e tentando adivinhar com o que se pareciam. Os cânions são mesmo surpreendentes, tendo ganhado o apelidado de “little brothers” do pop star Grand Canyon, no Arizona. Um lugar imperdível na sua visita ao Cazaquistão.
  3. WORLD NOMAD GAMES - QUIRGUISTÃO Nossa experiencia no pequeno país do Quirguistão, que fica na fronteira dos gigantes Cazaquistão e China fica para um próximo post, esse relato é sobre os Jogos Nômades, uma das experiencias mais increíveis que tivemos a oportunidade de participar em nossas vidas: Imagine jogos brutais, tribais realizados a seculos, em todos os países que tem o sangue nômade nas veias, todos reunidos em Cholpon-Ata, no lago Issyk- Kul, maior lago do país. Desde que ficamos sabendo da existência do World Nomad Games, que ocorrem a cada 2 anos desde 2014 no Quirguistão, a ideia de participar de um evento tão único e representativo da cultura nômade não saiu mais da nossa cabeça. Mas ainda estávamos no Cazaquistão e não queríamos passar correndo pelos lugares de natureza, então optamos por chegar apenas para os 2 últimos dias dos jogos. As competições esportivas são a atração central do evento, mas em paralelo, ocorrem diversas apresentações de teatro, música, dança e artes. Representantes de mais de 60 países se enfrentam em dezenas de modalidades, que giram em torno das provas sob o cavalo e de luta livre principalmente. Chegamos à tardinha e fomos direto para o Hipódromo, onde alguma coisa bem emocionante devia estar ocorrendo, considerando os gritos da plateia. Caímos no meio do jogo de Kok Boru, esporte nacional do país e, de longe, aquele que mais encanta as multidões. Imaginem a nossa expressão ao entender o que acontecia em campo: os jogadores, de cima de seus cavalos, perseguiam uma cabra morta, sem cabeça, e deviam arremeçá-lá nos respectivos buracos no fim de cada lado do campo. Na maioria dos arremessos, eles caiam com a cabra (ex-cabra) e tudo pra dentro do buraco, já que imagino a dificuldade de jogar um corpo de 45 quilos montado em um cavalo a galope e em plena velocidade. No meio do caminho, eles se batem e se espancam, visando dificultar o “gol” do adversário. Ficamos bastante impressionados com a brutalidade do esporte, desde o uso de um animal morto até a violência livre entre os jogadores. Mas quando se trata de tradição e cultura, aprendemos apenas a observar. O Kok Boru é jogado há centenas de anos pelos povos nômades, sendo ainda hoje para o Quirguistão e o Afeganistão o que o futebol é para nós. Ficamos desolados ao saber que as competições de caça com águia já haviam terminado. Outra tradição milenar dessas bandas, as águias caçadoras eram extremante importantes para o sustento das tribos nômades ao prover alimento e pele no rigoroso inverno da Ásia Central. Nos dias de hoje, existem pouquíssimos Berkutchi, os homens que ainda mantêm viva a tradição e fazem algumas exibições com suas águias douradas (nome dado devido à cor das penas em sua cabeça). O treinamento das águias caçadoras pode levar até 4 anos e requer práticas um tanto cruéis, como deixar a ave vendada durante a maior parte do tempo, pra que ela dependa inteiramente do seu treinador, e assim esqueça seus instintos selvagens. Durante os Nomad Games pudemos vivenciar de perto alguns esportes totalmente diferentes do que estamos acostumados no Ocidente, em que ficaram evidentes a brutalidade e a raiz primitiva ainda presentes nos povos dessa região da Ásia. Foram imagens pra não esquecer tão cedo. Mais posts e informação no nosso instagram: https://www.instagram.com/pandoraontheroad/
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