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  1. Salve, galera! Esse é o resumo de um mochilão radical que fiz há alguns meses, espero que gostem. Caso queiram mais informações, podem acessar meu blog Rediscovering the World ou o livro que acabei de lançar (Trekking Extremo no Himalaia: Acampamento Base do Everest + Gokyo). Dia 1 Em 17 de março de 2019, ao chegar ao aeroporto de Guarulhos, tomei uma sequência de voos pela Air China, cujo destino final seria Mumbai, na Índia. Compradas quase 5 meses antes, as passagens de ida e volta custaram 734 dólares. Dia 2 Após breve conexão em Madri, o avião grande seguiu até Pequim. Ambos voos foram bem-sucedidos. Como a espera até o voo final levaria o dia todo, decidi aproveitar que o visto não é necessário para permanecer até 144 horas na capital chinesa. Dessa forma, passei pela fila da imigração em uma hora, saquei yuans (1 real = 1,75 yuans) num dos caixas automáticos e deixei o aeroporto no metrô que me levou até o centro da cidade. O trajeto de meia hora custou 25 yuans. Deixei a linha do aeroporto para pegar outra, ao custo de 4 yuans. Logo me impressionei pelo desenvolvimento e pela limpeza de Pequim, tirando a névoa permanente que quase esconde o sol. Só a falta de educação dos chineses que seguiu conforme o esperado. O primeiro monumento visitado foi o do conjunto Templo do Céu (28 yuans). Numa área grande, fica um parque com as estruturas erguidas em 1420 para orar em busca de uma boa colheita. A construção principal é o maior templo redondo de madeira da China. Depois de uma boa caminhada, comprei 4 bolinhos (dumpling) de carne por 2,5 yuans cada, mesmo sem saber antecipadamente o que viria dentro. Segui então caminhando até chegar à sequência de postos de controle policial de onde ficam as principais atrações de Pequim. Primeiramente, o museu nacional. É em sua maioria gratuito, num prédio bastante amplo, mas com conteúdo quase todo em mandarim e poucas exposições realmente interessantes. Entre essas, os presentes recebidos pela China de todo o mundo. Em seguida, caminhei ao redor da Praça Tian'nanmen, a Praça Celestial. É famosa por um massacre que aqui ocorreu durante protesto da população. Também não se paga e há espaço de sobra, com um memorial a Mao Tse-tung e um monumento aos heróis chineses. Por fim, entrei na Cidade Proibida. Como estava faminto e o corpo já se entregando de cansaço, tive que almoçar ali mesmo, pagando 32 yuans num prato raso. Mais uma atração enorme: são dezenas de palácios, muralhas e portais. Para visitar em baixa temporada (agora), custou 40 yuans. Mesmo assim, é difícil conseguir uma foto boa, tamanha a quantidade de chineses que visitam o complexo. Na saída, tentaram me aplicar o golpe de bater um papo num bar e ser extorquido, mas como eu já sabia dessa, escapei. Esgotado, retornei ao aeroporto no final da tarde. À noite, voei num avião menos novo pra Mumbai, tirando um belo cochilo a bordo. Dia 3 Desembarquei já na madrugada seguinte. Passei pela imigração com o eVisa feito antecipadamente na internet e troquei dólares por rúpias (1 dólar = 66 rúpias) logo após a imigração. Por fim, pedi pra chamarem um Uber pra mim, pois o táxi até o hotel próximo custava 500 rúpias, enquanto o Uber saiu por 210. O problema foi achar o danado, escondido numa viela. Somente às 3 e meia eu entrei no Ahlan Dormitory. Pra ficar num quarto coletivo, gastei 250 rúpias por noite. Só que o lugar não era muito agradável, pois era barulhento, fedia, estava sujo e quase sem água. Algo me picou na cama e me deixou com marcas por semanas. Pelo menos o wi-fi, o ar e o guarda-volumes funcionavam. Pra piorar, fui acordado antes das 8h pelos hóspedes e funcionários, não conseguindo mais dormir - o que já tinha dado bastante trabalho antes, vide o jet lag. Levantei, tomei o “chai” (na Índia, o chá é misturado com leite) e parti pra luta. Caminhando um pouco já notei a diferença colossal na (falta de) limpeza, em relação a Pequim. Peguei o metrô recém inaugurado, com ar condicionado, a partir de 10 rúpias. Para começar a preparar meu estômago, tomei um suco natural por 40. Em seguida, entrei na estação de trem suburbano. Que caos! Gente correndo e se empurrando por tudo que é lado, pendurada nas portas dos vagões como nos filmes, e tal. Para vivenciar um pouco disso, e porque eu queria economizar, comprei um bilhete da 2ª classe de Andheri a Churchgate. Apenas 10 rúpias até ponto final, 22 km adiante! Ainda que estivesse bem quente, os indianos vestiam quase todos roupa social, nenhum (além de mim) de bermuda. Da estação, fui até o principal museu da cidade, de nome complicado: Chhatrapati Shivaji Maharaj Vastu Sangrahalaya. Construído pra homenagear o príncipe do País de Gales, hospeda hoje num edifício de arquitetura indo-sarracena uma porção de artefatos relacionados a Índia e além, contando sua história. Pena que o ingresso seja meio salgado: 500 rúpias + 100 pra usar câmera. Nessa hora, começaram a pedir pra tirar foto comigo, como se eu fosse famoso. O almoço foi no renomado Delhi Darbar. Fiquei com um picante mas apreciável prato de “angara chicken” por 550 rúpias. Saí cheio. Acabei optando por fazer um city tour de 3h por 3500 rúpias, bem mais do que eu deveria pagar. Nele, passei por vários locais interessantes, como uma lavanderia a céu aberto, diversos prédios públicos e privados com arquitetura colonial britânica, o museu-casa do Gandhi (Mani Bhavan), a orla de Marine Drive, a colina de alto padrão Malabar e o templo da religião jainismo. Depois, fiquei no mercado de rua, onde não consegui caminhar em paz, indo então de volta pro hotel através de outra linha de trem da estação central. Retornei pendurado na porta aberta do trem. Comi um negócio, antes de conhecer dois jovens ucranianos no dormitório. Fiquei papeando e dei uma volta com eles, pra conferir o movimento das ruas poluídas. Aproveitei para provar a sobremesa quase sem gosto chamada “falooda” (40 rúpias) e levar umas bananas (6 por 1 real). Dia 4 Com o feriado do Holi, o qual me gerou uma pintura facial, o transporte público ficou bem menos cheio, ainda que sua frequência também tenha diminuído. Peguei os mesmos 2 transportes da manhã anterior, mas quando cheguei à estação final, pedi um Uber até o monumento Gateway of India, de onde partem os barcos até Elephanta Island, por 200 rúpias ida e volta. A baía até a ilhota é entulhada de estruturas. O translado leva cerca de uma hora; no total da minha hospedagem até a ilha eu levei quase 4 horas de deslocamento! Ao chegar, peguei um trenzinho da alegria (10 rúpias). Almocei no restaurante Elephanta Port, escolhendo um prato de “biryani” por 275 rúpias. O “biryani” de frango viria a se tornar meu prato preferido no país. Depois, subi o morro em meio a inúmeras barracas de souvenires. Para acessar as cavernas de Elephanta, patrimônio da UNESCO, paga-se atualmente 600 rúpias. São 5 delas, entalhadas diretamente na rocha durante 1300 anos do século 6 até a invasão e destruição parcial pelos portugueses. Há colunas, santuários e muitas estátuas em homenagem à deusa Shiva. Pena que com a quantidade de visitantes, praticamente todos indianos, fica difícil sacar boas fotos. O guia local Krishna me encheu tanto o saco que acabei aceitando uma explicação de meia hora por 500 rúpias. Quando ele me chamou pra ir num bar depois, meu sensor de golpe apitou. E eu estava correto, pois ele tentou fazer com que eu pagasse a cerveja dele e ainda tomar meu dinheiro com a desculpa de que iria pagar minha parte, mas não teve sucesso quando eu o peguei fugindo… Essa cerveja Kingfisher, a mais popular da Índia, não é boa. Só poderia ser assim, já que leva açúcar e xarope de arroz e milho na fórmula. Depois desse fato lastimável, subi as escadarias até o topo do morro, com vista para o mar e cheio de macacos fofos (Macaca radiata) - até eles roubarem sua comida. Ali fiquei famoso de novo, visto a quantidade de gente que pediu foto comigo. Retornei à hospedagem, chegando após escurecer. Só comi algo salgado e repousei. Dia 5 Acordei cedo pra pegar uma condução até o terminal 1 do aeroporto (110 rúpias), onde voei de SpiceJet até Bangalore. Que bom que mesmo as companhias de baixo custo da Índia permitem despachar até 15 kg gratuitamente, já que meu mochilão cheio dificilmente passaria por bagagem de mão. Em Bangalore, embarquei logo num segundo voo da GoAir até Port Blair, a capital maior cidade do arquipélago isolado de Andaman e Nicobar. Como se já não estivesse quente o suficiente em Mumbai, a temperatura de Port Blair na chegada estava em escaldantes 34 graus. Peguei um tuk-tuk (100 rúpias) até a estação de ônibus principal. Como perdi o ônibus das 15h e o próximo partiria quase 2 horas depois (somente mais tarde eu descobri que havia mais ônibus no outro terminal chamado Aberdeen), aproveitei pra fazer um lanche ali e comprar mantimentos no supermercado Mubarak. O ônibus saiu cheio. Levou cerca de uma hora e 24 rúpias para chegar ao vilarejo de Wandoor. Lá me hospedei no Anugama Resort, numa suíte privada bem razoável. Só que de resort o lugar não tem nada, nem sequer uma piscina, bar ou internet funcionando. Ao menos, os funcionários são gentis. Na hora do jantar, em que fiquei com um curry de peixe (190 rúpias) no restaurante da hospedagem, conheci uma família de belgas e holandês, com quem bati um bom papo. Dia 6 Acordei várias vezes durante a noite e levantei pelas 6, sendo que já havia sol um bom tempo antes. Eu e um dos companheiros da noite anterior fomos a pé cedo ao escritório do Parque Nacional Marinho Mahatma Gandhi para tentar conseguir a permissão para adentrá-lo, mais especificamente na ilhota de Jolly Buoy. Lá, descobrimos que os barcos já estavam cheios, e que precisaríamos tanto agendar o passeio quanto conseguir a permissão no escritório de turismo em Port Blair. Sendo assim, barganhamos um táxi para nos levar, esperar e trazer de volta por 2 mil rúpias. Emiti a permissão (mil rúpias) e o bilhete do barco para Jolly Buoy (885 rúpias) na mesma hora. Detalhe é que é necessária uma fotocópia do passaporte - mas há um xerox próximo que o faz por míseras 2 rúpias! Depois, fomos ao píer de Phoenix Bay, fechado aos domingos, para comprar nossas passagens à ilha Neil (510 rúpias). Regressamos a Wandoor e eu almocei no próprio hotel. Meu prato de “biryani” de frango (240 rúpias) demorou pra ficar pronto, mas foi uma baita refeição. Em seguida, caminhei até a praia. No caminho, topei com algumas aves, como o martim-pescador. A praia de Wandoor é peculiar por um motivo ruim; não é permitido entrar na água devido à presença esporádica do crocodilo de água salgada (Crocodylus porosus), o maior do mundo. Há inclusive uma tela de proteção. Alguns quiosques vendem souvenires, alimentos e bebidas. Fiquei ali com o pessoal por umas horas, até que eles partiram enquanto eu esperava o pôr do sol. Logo depois, caminhei os poucos quilômetros de volta ao Anugama Resort. Banho, janta e cama. Dia 7 Às 7 e meia embarquei rumo a Jolly Buoy, no Parque Nacional Marinho Mahatma Gandhi. A duração do translado foi de pouco mais de uma hora, em meio a ilhotas desabitadas com floresta nativa intocada. Chegando em Jolly Buoy, tive um grande desapontamento. Não é mais permitido praticar snorkeling! Dá pra acreditar nisso? Se tivessem dito antes eu já estaria a caminho da ilha Neil, e não num lugar minúsculo onde você só pode se banhar num cercado minúsculo. Fiquei lá conversando com a única outra gringa do barco, uma húngara. A única atividade extra é um passeio de 1h num barco sujo e desconfortável, com vidro no fundo para ver os corais e peixes, a um custo extra de mil rúpias… Ao regressar pelas 13h, almocei e parti para Port Blair num ônibus musical. Ao chegar, fui atrás de algum hotel, já que minha reserva para essa noite seria para a outra ilha. Usando a internet de uma acomodação já cheia, encontrei um tal de Lalaji Bayview, com um quarto individual por 800 rúpias. Então fui até lá caminhando, pelo meio de uma comunidade. A internet é paga (60 a hora), mas ao menos existente. Já a suíte é a mais básica possível, enquanto que o restaurante no topo da edificação é bacana. Jantei um enroladão de camarão (250 rúpias) e fui pra cama. Dia 8 Seguindo a tradição de acordar cada vez mais cedo, peguei a balsa das 6:30h para a ilha Neil. Duas horas depois, aportei. Deixei a mochila na acomodação Kingfisher Hotel e fui caminhando até a praia do norte, chamada Bharatpur. Com um bocado de gente, um tanto suja e cheio de barracas vendendo conchas, passeio aquáticos e etc, não é bem o que eu pensava. Atravessei e tive que nadar certo tempo até localizar os recifes de coral. Aqui vi alguma qualidade, até mesmo havia corais que nunca havia observado antes. O ruim foi voltar desviando dos barcos e motos aquáticas. Para almoçar, tentei achar um restaurante que fosse um meio termo entre os dos hotéis chiques e os pés sujos. Acabei parando no Port Canteen, onde fiquei com um arroz frito com camarão (220 rúpias). Com o dinheiro acabando, precisei sacar no único ATM da ilha, que para variar estava indisponível no momento. Contando com que a máquina estaria operando novamente dentro de algumas horas, o próprio funcionário do banco me emprestou seu dinheiro para que eu pudesse pagar o depósito do aluguel da bicicleta! A respeito disso, escolhi uma magrela para me deslocar por essa pequena ilha. A velha bike era pequena demais pra mim, mas por apenas 100 rúpias a diária eu não podia querer muito. Uma scooter custava um pouco a mais (400 rúpias + combustível). Pedalando, cruzei o interior cultivável de Neil até a bonita praia Sitapur, famosa pelo nascer do sol. Ali eu mergulhei novamente, mas no ponto onde fui a visibilidade estava ruim, devido às ondas. Vi menos do que no snorkeling anterior. Consegui sacar grana ao retornar. Assim, segui para outra beleza natural, um arco de rocha que fica no oeste da ilha. Cheio de turistas indianos, para se chegar nele há de passar por cima de poças de maré. Vi o sol se pôr neste lugar e retornei. Peguei dois dos salgados fritos picantes “samosas” (20 pila) e um caldo de cana (30) na parte mais central, onde havia movimento naquela hora. De volta ao hotel, meio velho e sem internet, para dormir. Dia 9 Mesmo que quisesse, não poderia demorar muito a acordar, pois o check-out é às 7:30h! E esse parece ser um horário normal dos hotéis das ilhas Andamã. Definitivamente, não entendem de turismo para estrangeiros. Ainda com a bicicleta, toquei para a praia Lakshmanpur, onde também mergulhei. Só que nessa praia só havia dois pescadores, que logo foram embora, e mais ninguém. Fiquei quase 2 horas e meia me deliciando com a vida nos corais. De especial, vi o maior peixe não cartilaginoso que já presenciei na vida. O peixe-papagaio (Bolbometopon muricatum) era tão grande que pude até tocá-lo. Na volta, fui comprar o bilhete da balsa a Havelock, vendido só no mesmo dia e de forma presencial, tudo para dificultar sua vida. Almocei o prato típico indiano thali (180 rúpias) e peguei a balsa. Em Havelock, pensei em andar apenas de ônibus, mas a frequência é tão baixa (1 a 1:30h cada) que decidi alugar uma scooter (500 rúpias a diária) pela segunda vez na vida. Meio cambaleando, fui até o Emerald Gecko, hospedagem na praia nº5 onde eu fiquei. Paguei 1600 rúpias numa cabana rústica de frente pra praia. Aqui finalmente tive contato com vários estrangeiros, todos europeus. Saí para dar uma corrida na praia, de maré baixa durante o pôr do sol. Só que essa praia não é boa pra nadar. Jantei no restaurante da própria acomodação, um pouco mais caro do que estava pagando. Então fiquei com uma pizza de frutos do mar (300 rúpias). Para variar, a internet não estava funcionando, então depois de um papo fui dormir, em mais um colchão finíssimo padrão Andamã. Dia 10 Tive que esperar o café da manhã incluído pra depois pegar a estrada. Dirigi até o começo da trilha para a praia Elephant, assim nomeada devido aos bichões acorrentados na praia para satisfazer a vontade de turistas que querem passear neles. Só que não foi dessa vez que a conheci, pois ela estava fechada devido a um óbito no dia anterior! Assim sendo, continuei na estrada até a praia Radhanagar. Seguindo a dica de um indiano, parei em frente ao Hotel Taj, onde ficaria um belo ponto de mergulho. Com o tempo fechado, não havia ninguém na praia quando cheguei pelas 8 e meia. Caí na água calma e clara, sobre um fundo exclusivamente arenoso. Nadei mais de 200 metros, sem ver nada. Eis que quando pensava em mudar a localização, comecei a vislumbrar uma maravilha atrás da outra. Cansei de ir atrás de arraias, de contar quantos cardumes e corais enormes diferentes apareciam, assim como polvos e muitas outras criaturas. No final, ainda tive o prazer de ver algumas tartarugas-marinhas e de sofrer comensalismo por uma rêmora! No total, fiquei nadando por 3 horas! Parei na entrada principal da praia, cheia de indianos, para almoçar num dos diversos restaurantes. Fiquei com um “thali” de camarão a conta gotas, por 300 rúpias. Depois, caminhei pela praia no sentido contrário ao anterior, encontrando nesse caminho separadamente os dois casais que eu havia conhecido nessa ilha. Ê mundo pequeno. Com a chuva, a pista estreita ficou um sabão só. Voltei devagar pra não deslizar na moto como um cara que estava à minha frente. Guiei até Kalapathar, a praia mais ao sul acessível por estrada. Legal ela, mas nada de excepcional. Regressei e parei no restaurante Golden Spoon, para comer um prato de peixe e usar a internet. Depois disso, voltei a minha hospedagem. Dia 11 Um bando de infelizes começou a bater panela pelas 5 e pouco. Dormi mais uma hora, tomei o café e segui pro início da trilha da praia Elephant - que ainda estava fechada… Só me restou voltar ao ponto de mergulho do dia anterior. Só que dessa vez não vi nada de novo, além de estar me borrando de medo, agora que eu estava ciente que ali é território do maior crocodilo do mundo. Almocei em Vijay Nagar, no restaurante vegetariano Biswas. Pedi um “paneer butter masala” por 200 rúpias. “Paneer” é o tradicional queijo coalho indiano, enquanto que “masala” é uma mistura de temperos. Depois, devolvi a moto e fiquei matando tempo até a saída do barco para Port Blair. Acabei embarcando no navio errado, e só me dei conta quando ele tinha partido - ainda bem que o destino de ambos era o mesmo. Só que esse estava infestado de baratas. Ao desembarcar já era noite, então só me restou ir pro hotel Sunnyvale, pedir uma janta a tele-entrega, lavar minhas coisas e dormir. Exceto pela barata no banheiro, foi a melhor suíte até então. Dia 12 Café da manhã, seguido pelo voo da IndiGo a Chennai. O voo atrasou, então pude conferir todas as atrações do aeroporto: banheiro, bebedouro, caixa eletrônico, lanchonetes e 3 checagens de segurança obrigatórias. Fazia um inferno de 36 graus quando aterrissei. Do alto e pelas ruas se vê que o forte aqui é a arquitetura. Além de muitos prédios em estilo colonial britânico, as moradias são coloridas com diferentes cores, e há uma infinidade de templos de hinduísmo. Mas também se vê muita sujeira e pobreza no meio. Peguei o metrô até a estação central (50 rúpias). Já na estação de trem, provei o suco de um fruto novo pra mim, o marrom arredondado sapoti. Depois, embarquei no trem (5 rúpias!) para o famoso templo hinduísta Kapaleeswarar, cultuado a Shiva. Não se paga nada pra entrar, mas além de uma torre cheia de ídolos do hinduísmo, não há mais muito o que ver. Na saída do templo, um motorista me abordou com o intuito do famoso golpe do tour barato de tuk-tuk, conhecido em Bangkok. Aceitei a carona de 100 rúpias que me levou primeiro à Basílica de São Tomé, uma das 3 únicas no mundo erguidas sobre a tumba de um dos apóstolos de Jesus. Depois ele me levou a duas lojas caríssimas onde ele ganharia combustível grátis por me levar. Obviamente eu não comprei nada. Por fim, me deixou na Marina Beach, a maior e mais movimentada de Chennai, onde eu caminhei um pouco e tomei um caldo de cana (20 rúpias) naquele final de tarde. A seguir, tomei outro trem e tuk-tuk para chegar ao albergue Elliot's 11 Beach. Um leito no dormitório coletivo me custou 610 rúpias incluindo café da manhã. Dei uma volta na rua cheia que leva à praia. Curiosamente, estava ocorrendo uma missa católica em tâmil (idioma do estado) a céu aberto. Parei para jantar num restaurante barato, Classy - de classe não tinha nada. Provei o tal de frango “tandoori”, assado, marinado, apimentado e avermelhado (160 rúpias). Caminhada noturna breve no calçadão da praia. Ali me desfiz dos meus chinelos que não tinham mais conserto e comprei um par por 150 rúpias. Depois fui pro albergue relaxar. Dia 13 Acordei pro café e o recepcionista estava vestindo uma camiseta de Floripa! Dá pra acreditar que o indiano já morou em minha terra, e adorou? Uber até o terminal, e lá próximo peguei o ônibus #588 até Mamallapuram (43 rúpias), onde fica o conjunto monumental de Mahabalipuram, que é um Patrimônio da Humanidade. Aqui eu finalmente vi turistas estrangeiros. Me esquivei dos guias e vendedores e entrei no complexo, sob um sol de rachar. São diversos monumentos com motivos hinduístas entalhados em granito, como baixos relevos, cavernas, mirantes e templos. Almocei no Moonrakers uma porção de lulas fritas (350 rúpias) e um camarão-tigre (300 rúpias) que foi desnecessário, como eu já estava satisfeito. Saí de lá explodindo - e acho que foi esse almoço que me deixou mal depois. Caminhei até os dois templos pagos, sob um único bilhete de 600 rúpias. O que fica na praia se chama Shore Temple, enquanto o outro é o Five Rathas. Ambos interessantes. Prossegui pelo Sea Shell Museum, uma coleção de 40 mil conchas! Há de diversas espécies, formas, tamanhos e cores de várias partes do mundo. Pelo ingresso que combina uma seção especial das pérolas e outra com aquários (alguns pequenos demais pros peixes que os habitam), paguei 150. Continuando, vi o restante das ruínas na colina cheia de rochas do conjunto central de Mahabalipuram. Cansado, retornei de ônibus no final da tarde. Tomei um milk shake premium no Shakos e me retirei ao albergue. Dia 14 Já estava me acostumando com o tumulto na Índia, mas se tem uma coisa que me tira do sério é a falta de educação deles, tanto a respeito de jogarem lixo no chão e na água, dirigirem como loucos, atravessando em qualquer lugar e buzinando o tempo todo, e também furarem filas descaradamente. Voos de turbo-hélice da SpiceJet a Kochi e de lá a Malé, capital do arquipélago das Maldivas. Estavam me negando o embarque internacional porque eu não tinha como mostrar as reservas dos hotéis de cada dia que eu ficasse nas Maldivas. Só fui salvo porque um funcionário compartilhou sua conexão, já que meu chip estava sem sinal. Imigração tranquila, troquei a grana na parte de fora do aeroporto (15 rufias por dólar), bati um rango superfaturado e peguei o ônibus (10 rufias) que passa pela nova ponte que liga à ilha de Malé. Do ponto final, caminhei meio km até o terminal de balsas de Villingili, onde comprei meu bilhete pra Rasdhoo (53 rufias). De lá, caminhei mais meio km até a hospedagem Nap Corner. Paguei 28 dólares para dormir numa cápsula tecnológica futurista! Como estava me sentindo meio enjoado, não saí mais. Dia 15 Às 9h encontrei meu amigo Vinícius no terminal de balsas. Junto com outros poucos gringos, pegamos a barulhenta até Rasdhoo. Como leva 3 horas e ela foi quase vazia (assim como as seguintes), tiramos um cochilo no caminho até o atol. Fomos recebidos por um representante do Ras Village, hotel onde ficamos. Logo saímos para almoçar no Coffee Ole. Pedimos miojo de frango (fried chicken noodles), o prato mais em conta (55 rufias). À tarde, mergulhamos na praia ao sul da ilhota, destinada aos turistas. Só ali é permitido usar roupa de praia, já que Maldivas é um país islâmico e Rasdhoo é habitada. Com a maré baixa, tivemos certa dificuldade em atravessar o recife interno muito raso, até chegar ao externo, onde a beleza se fez presente. Não tanto pelos corais, pois eles estavam um tanto descoloridos, mas os peixes que os cercavam eram abundantes. Além de grandes cardumes, vimos alguns tubarões-de-ponta-negra-do-recife, uma arraia-chita, uma lula, dois peixes-leão e mais uns extras. Deixamos a água quase 3 horas depois, quando o sol já se punha. Uma pena que, saindo do lado oposto, descobrimos um depósito de lixo que termina no mar, bem desagradável. Vimos o belo pôr do sol no Oceano Índico. Depois, caímos na água novamente pra um mergulho noturno, coisa que nunca havia feito antes. Com lanternas à prova d'água, mergulhamos na escuridão completa. Dá um certo medo, pois é nessa hora que os tubarões saem pra caçar - e nós vimos vários deles! Para completar, também avistamos uma tartaruga e uma sépia, que evadiu com um poderoso jato de tinta. Os lírios do mar também ficam mais bonitos à noite, pois se abrem totalmente para captar os nutrientes. Uma das vantagens de se mergulhar à noite é que, letárgicos pelo sono ou ofuscados pela lanterna, os peixes te deixam chegar bem mais próximo que durante o dia. Curti a experiência. Finalmente, jantamos no mesmo lugar, que tocava umas músicas de reggaeton animadas. Mas nada de álcool, já que fora das ilhas privadas dos resorts é proibido. Dia 16 Após café da manhã razoável, meu amigo foi fazer um passeio de 30 dólares para um banco de areia próximo, enquanto eu fui nadar até o recife Giri, mais afastado do que do dia anterior. O caminho até lá são 300 metros de profundidade inalcançável. De novo, vi os tubarões-de-ponta-branca-do-recife. Também avistei um cardume de peixes-anjo. Almoçamos em outro restaurante, o Lemon Drop. O cardápio é parecido com o anterior, sendo alguns itens mais caros e outros mais baratos. Aqui não tem som, mas há um terraço pra compensar. À tarde, praticamos mais snorkeling ao redor do lado sudoeste de Rasdhoo. Uma arraia diferente, alguns tubarões, cardumes e um peixe-leão no raso foi o que vimos. De vez em quando se misturavam correntes extremamente quentes com as um pouco frias, gerando turbulência na visibilidade. Após, assistimos o pôr do sol, com peixes saltando e morcegos sobrevoando a área. Depois da janta, meu mal estar provavelmente adquirido na Índia revelou-se uma diarreia. Duas semanas de comidas típicas super condimentadas e pouco higiênicas não tiveram um bom resultado. Ainda bem que não durou mais de um dia, talvez devido às leveduras (Floratil) que tomei. Dia 17 Na manhã seguinte, tomamos a balsa de uma hora de duração para a ilha de Ukulhas (22 rufias). Ukulhas é mais limpa e sua praia tem uma areia tão branca que ofusca a vista e o mar tão claro que a visibilidade atinge dezenas de metros! Logo ao cairmos na água, percebemos o quanto esse lugar é especial. O recife externo, junto com o da ilha seguinte, é o melhor que presenciei nessa viagem. Cardumes variados, corais em melhor estado, tubarões, arraia e 3 tartarugas dóceis, das espécies de pente e verde. Nem se preocuparam conosco enquanto comiam as algas dos recifes. Mas como já estava com o sol a pino, fomos nos abrigar. Almoçamos na hospedagem em que dormiríamos, a Olhumati View Inn (55 dólares), com a suíte mais bacana. Para comer, escolhi um espaguete com peixe em estilo das Maldivas (6 dólares) e um suco natural de maracujá (2 dólares). Tirei umas fotos da praia enquanto o Vinícius dormia. Às 3h, mergulhamos uma vez mais, pelo resto da extensão do recife externo da ilha. Os corais na direção noroeste estão em melhor estado. Cansamos de ver tartarugas por lá. Trinta-réis pescavam os infinitos peixinhos que abundam. De espécies novas, vimos uma ou outra. Pena que o lado menos frequentado por turistas tenha sua parcela de lixo. Depois do pôr do sol, partimos pro terceiro snorkeling do dia, ou melhor, já era noite. Só que dessa vez foi curto, pois minha lanterna entrou em colapso, então ficamos usando só a do meu amigo. O mais interessante que vimos foram diversos tipos de plâncton. Quando desligamos as luzes, descobrimos que eram aqueles tais bioluminescentes, que brilhavam ao nosso toque! Um tempo depois, fomos jantar no SeaLaVie, restaurante um pouco menos em conta, mas com um som legal. Pagamos 8 dólares cada num prato razoável. Dia 18 Após o café de panquecas e suco, seguimos ao último mergulho nessa ilha. Na tentativa de vermos as gigantescas arraias-jamanta, voltamos ao ponto da manhã anterior. Não conseguimos, mas em compensação, vimos o dócil tubarão-enfermeiro-fulvo tirando um cochilo sob um recife. Escolhi um prato da comida típica “kotthu roshi” (6 dólares) de almoço, feito com pedaços de chapati. Em seguida, por 22 rufias, subimos na balsa até Rasdhoo e até Thoddoo, a ilha final. Essa é caracterizada por produzir a maior parte dos vegetais do país, principalmente mamão. Só a faixa central é ocupada pela área urbana. Fomos caminhando à praia do pôr do sol, para em meio a muitos turistas russos, observar o fenômeno. No caminho vimos as plantações e alguns dos animais nativos, como os morcegos gigantes, os lagartinhos coloridos e as aves terrestres. Há uma mesquita no centro que fica bonita iluminada à noite. Jantamos próximo a ela, no Maracuya. Mas não recomendo, pois os preços não são os melhores, não há música, a iluminação é fraca e eles ainda tentaram nos passar a perna na hora de pagar a conta. Antes de voltarmos ao hotel, demos uma volta para tirar fotos. Dormimos no Amazing View Guesthouse, um nível abaixo dos outros. Mas ao menos também conta com wi-fi e ar condicionado. Dia 19 Tomamos o café da manhã e saímos a mergulhar na praia do nascer do sol. Em Thoddoo o recife externo é mais distante, então é preciso nadar um pouco mais para atingi-lo. Mas vale a pena, pois os corais aqui são os melhores que vimos nas Maldivas. Começando por um pequeno nudibrânquio, atravessamos cardumes enormes de peixes-papagaio, um polvo, um grupo de arraias-chita, além do que já havíamos visto antes. Não tivemos sorte em encontrar um lugar aberto pra almoçar. Depois de uma bela pernada, é que sacamos que era sexta-feira, o dia sagrado do islã, então os restaurantes só abririam depois das 13:30h. Ficamos pelo Coffee Moon, onde nos deixaram assistindo TV trancados no restaurante, enquanto os atendentes iam rezar. Na hora marcada, pedimos o rango, aqui mais barato. Cinquenta mangos por um pratão de miojo com frango e a partir de 20 pelo suco natural. Só que não tenha pressa, porque aqui o negócio é meio devagar. À tarde, largamos do mesmo ponto inicial, mas seguimos mergulhando no sentido inverso. Só que não foi proveitoso, pois já fomos um tanto tarde e um temporal estragou o mar. Para compensar, vimos o melhor pôr do sol. Surgindo entre as nuvens, o círculo desceu até ser absorvido pelo mar. Jantamos no restaurante e café Seli Poeli, bem próximo da hospedagem. Com luzinhas de natal, toca um som legal, mas os preços não são tão bons - apesar de não cobrarem os impostos que chegam a 16% (e você só sabe se são cobrados na hora que vai pagar a conta). Dia 20 Ficamos boiando na linda praia pela manhã. Para o almoço, escolhemos outro restaurante, o Mint Garden. O ambiente é agradável e os preços também, mas (sempre tem um mas) os peixes que pedimos levaram mais de uma hora para ficarem prontos! À tarde, fizemos o último mergulho. Contando os que fiz nas Ilhas Andamã, totalizei 16 mergulhos! Dessa vez, fomos ao lado oeste de Thoddoo. Tivemos que nadar por quase meia hora para chegar ao fim do recife externo. Nesse caminho, vimos coisas novas, como camarões, outras espécies de arraias, além de espécies incomuns, como moreias marrons e poliquetas. Foi bem proveitoso, mas teve que se encerrar com o sol se pondo. À noite, voltamos ao Seli Poeli pra rangar. Depois, finalmente encontramos a loja de souvenir Ufaa aberta, já que os horários são meio bizarros nessas ilhas - essa fica disponível só das 20 às 21:30h! Dia 21 Acordamos bem cedo pra pegar a balsa das 6 e meia para Rasdhoo. A hospedagem nos fez a gentileza de adiantar o café da manhã e nos conseguir uma carona até o porto. Tivemos que aguardar umas horas até a seguinte de volta a Malé. Ficamos no café e restaurante Palm Shadow. Ao chegar à capital, almoçamos na praça de alimentação que fica bem em frente ao terminal de balsas. Em seguida, pegamos um ônibus até o aeroporto (10 rufias) e outro até Hulhumalé (20 rufias). Para pegar um ônibus direto custaria 20 pelo cartão não retornável + 20 pelo transporte (e não poderia levar bagagem). Hulhumalé é uma ilha mais nova onde mora a população de Malé - há inúmeros blocos de condomínio padrão. Demos uma volta por lá, incluindo o parque central, mas não vimos nada de tão interessante para turistas. Antes de ir para o hotel, tomamos um suco no Juice Corner (a partir de 20 rufias) e uns salgados. Nos hospedamos no Loona Hotel, em frente à praia urbana. Pagamos 50 dólares por um quarto com café e ficamos vendo TV. Tomamos o pequeno-almoço na correria e dividimos um táxi (100 rufias) com um indiano até o aeroporto. Vinícius trocou suas rufias restantes na mesma cotação da compra (15 por dólar). Voamos com a IndiGo até Bangalore, onde tivemos que aguardar mais umas tantas horas para o voo consequente de AirAsia a Jaipur. De volta à burrocracia indiana. Mesmo com o visto dentro do prazo de validade, vou precisar pedir um novo pra minha terceira entrada na Índia, ainda que seja pra ficar menos de 1 dia e não sair do aeroporto. Outra coisa, em Bangalore (e possivelmente nos demais aeroportos) não é possível sair depois que entrar nele, mesmo sendo no saguão do check-in. Meia hora, muita desinformação e uma permissão especial depois, conseguimos nos ver livres; caso contrário, passaríamos fome, já que havia onde almoçar lá dentro… Depois desse rolo, almoçamos na praça que fica bem na saída da área coberta do aeroporto. Escolhemos o Wok Shop Para a refeição principal e o Frozen Bottle para a sobremesa (249 rúpias por meio litro de milk shake). Depois de certa turbulência, descemos em Jaipur já com a noite surgindo. Seguimos diretamente ao albergue Jaipur Jantar Hostel de Uber por 190 rúpias, devido ao trânsito. No Uber daqui há opção até de moto ou tuk-tuk. No caminho, vi o quarto acidente de moto na Índia em 10 dias. O albergue é bacana, num prédio de arquitetura interessante. Largamos a mochila no guarda-volume do dormitório com triliches e fomos diretamente ao restaurante da hospedagem comer um prato variado de “thali”. Dia 22 Por 250 contos comemos e bebemos à vontade no café da manhã; valeu a pena. Depois, seguimos de Uber (190 rúpias) ao Forte de Amber, nas colinas áridas ao norte da cidade. A entrada individual para estrangeiro adulto é de 500 rúpias, mas escolhemos o ingresso combinado de 1000 para incluir outras atrações. É um baita complexo palaciano, cercado de muralhas longínquas que mais parecem as da China. No interior, pátios, mirantes e cômodos. Altamente turístico. Ao retornar de tuk-tuk, seguimos ao Museu Albert Hall. É um prédio de 2 andares em estilo indo-sarraceno, com arte indiana nas mais variadas formas, como estátuas, pinturas, moedas e armas. Almoçamos num lugar meio caído, o restaurante Ganesh, já dentro dos portões da rosada cidade velha. Pedi um “paneer butter masala” (190 rúpias) e um “onion naan” (95 rúpias). Continuando, caminhamos no sol infernal até o palácio Hawa Mahal. Famoso por sua fachada, também é permitida a visita em seu edifício de 5 andares. Em sequência, Jantar Mantar. Patrimônio da UNESCO, é uma série de instrumentos astronômicos antigos e grandes, incluindo o maior relógio de sol do mundo. Às 18h, na avenida do portão Tripoli, começou o desfile do Festival Gangaur, que tivemos sorte em presenciar com vista panorâmica da laje de uma loja. O desfile religioso foi composto por pessoas fantasiadas tocando instrumentos e dançando, bem como animais, incluindo um elefante. No caminho de volta, tomei na rua o caldo de cana mais barato do universo (10 rúpias, ou seja, 55 centavos de real!). À noite, jantei e fiquei conhecendo gente no albergue. Dia 23 Nos levantamos tranquilamente para pegar o trem das 11h. Compramos os bilhetes (75 rúpias cada) alguns minutos antes na confusa estação, e nos empurramos pra dentro do vagão do Ranthambore Express na hora em que ele chegou. Cerca de duas horas depois, descemos em Sawai Madhopur. Pegamos um tuk-tuk (150 rúpias) até a C. L. Saini Guesthouse, mas acabamos sendo despachados pra outra hospedagem, a Paridhi Niwas. Neste lugar, ficamos num quarto sem ar condicionado e com internet intermitente. Almoçamos lá mesmo, o melhor “thali” da viagem, por 250 rúpias. Depois, fomos conhecer o Forte de Ranthambore, que fica dentro do Parque Nacional Ranthambore, onde faríamos safáris no dia posterior. Pelo transporte até o forte, com a espera, tivemos que desembolsar mil rúpias. Só havia indianos lá, além de muitos macacos do tipo langur. Passamos mais tempo os fotografando do que as ruínas do forte em si, que em conjunto com os demais do estado de Rajastão, formam um Patrimônio da Humanidade. À noite fomos dormir cedo, pois teríamos que estar de pé às 5h da madruga! Dia 24 Apesar da reserva paga pela na internet (~1800 rúpias) afirmar a necessidade de se obter o bilhete no escritório do parque na noite anterior, ele fica fechado, então às 5 e meia já estávamos lá, os únicos estrangeiros entre várias dezenas de guias e motoristas, pois os turistas pagam pros hotéis fazerem essa função. Com mais 4 belgas de meia idade, fomos de jipe até a zona 10 do parque, bem distante. O caminho até lá exige uma máscara contra poeira. O ambiente é semidecidual, com morros e matas baixas, bastante seco nessa época. Vimos diversos langures, veados-sambar, veados-manchados, antílopes-azuis e aves, como pavões (nativos da Índia), no trajeto irregular. Estávamos chegando ao fim do safári de 3 horas e meia, quando atingimos o objetivo máximo, um tigre! Mais precisamente uma tigresa de 2 anos, estava deitada pegando um solzinho ardente. No máximo ela deu umas lambidas e fez umas caretas, mas mesmo assim foi muito legal ver. Almoçamos no próprio hotel mais um gostoso “thali”. A única coisa que não conseguimos comer/beber é a amarga coalhada. À tarde, mais um safári, das 3 às 6 e meia, desta vez na zona 4, mas em um veículo de 20 lugares. Essa zona possui paisagens mais belas que a outra. Quanto aos animais, vimos tanto quanto antes e até mais: chacais, outras aves, crocodilos. E no finzinho já com o sol se pondo, outra tigresa! Jantamos em nosso hotel. Depois, ficamos assistindo vídeo-clipes na MTV indiana até dormir. Dia 25 Café da manhã meio esquisito. Depois, seguimos à estação de trem. Para variar, só conseguimos comprar pra segunda classe (a pior), por 100 rúpias para um trecho de 4 horas e meia até Agra Fort. Como os compartimentos dessa classe estavam entupidos, seguimos caminhando em direção aos vagões posteriores, que são melhores. Passamos por vários com camas e ar condicionado, todas lotadas, até que chegamos à classe superior dos assentos, também sem uma vaga sequer. Como resultado, só nos restou ficar no limbo, no espaço apertado e fedido do banheiro entre vagões, numa mistura de ar quente de fora e frio de dentro. No fim, apareceu um fiscal querendo nos cobrar a diferença dos bilhetes, como se estivéssemos na classe 3AC, que custava 815 rúpias a mais cada! O cara não falava muito inglês, então foi bem difícil argumentar com ele. O melhor que conseguimos foi pagar metade desse valor cada, já que não estávamos em assentos adequados… Ao chegar em Agra, combinamos com um tuk-tuk para nos transportar até a hospedagem e de lá até o forte, depois ver o pôr do Taj Mahal e retornar, por 700 rúpias. O Forte de Agra, patrimônio UNESCO do século 16, ocupa uma área grande, só que há poucas construções no interior, pois os britânicos as destruíram. Mesmo assim, os detalhes e o tamanho da obra de arenito vermelho são impressionantes. Entrada de 600 rúpias. Alguns sikh pediram pra tirar foto, então aproveitei para aprender um pouco sobre essa religião. Para o pôr do sol, ficamos num jardim bem atrás do Taj Mahal, mas do outro lado do rio que corta a cidade. Há que se pagar 300 rúpias para essa vista, mas se você gosta de amoras e vier nessa época, dá pra recuperar a grana catando as infinitas frutas que estão nos pés do jardim. Jantamos no Bob Marley Café. É tão autêntico que, além da decoração e das músicas, a bebida deles vem aditivada com aquele ingrediente que vocês devem estar pensando. O Special Bob Marley Lassi ("lassi" é um tipo de iogurte indiano) custou 180 rúpias. Umas duas horas depois, começamos a sentir os efeitos da bebida. Foi uma comédia só. Dormimos no Yoga Guesthouse, só no ventilador e cercado de mosquitos, por 350 rúpias cada. O ambiente não é tão limpo, mas a pessoa que cuida não poderia ser mais solícita, visto que até levou os tênis do meu amigo para costurar sem cobrar. Dia 26 Taj Mahal pela manhã. Quanto mais cedo melhor, mas não fomos tanto. Pra chegar lá, só caminhando ou de riquixá. A entrada pra estrangeiros é abusiva: 1300 rúpias. Dentro, plantas, águas, mesquita, muita gente e o imponente mausoléu de mármore com a tumba da mulher preferida que foi presenteada pelo rei mugal. Na saída, compramos um souvenir, tomamos o café da manhã e corremos pro ônibus refrigerado da Ashok Travels, que nos levaria a Délhi por 400 rúpias cada. Três horas depois, desembarcamos na estação de metrô Akshardham, onde fica o maior templo hindu do país. Almoçamos umas misturas boas num restaurante da estação, seguindo então para a do albergue [email protected], por 30 rúpias. Deixamos as coisas lá, e como já era tarde e as atrações estavam fechadas, fomos às compras. Primeiro descemos no shopping Moments Mall, entrando no hipermercado More Mega Store. Lá eu pude comprar barras de proteína pro trekking no Nepal e o meu amigo alimentos típicos indianos (como a "chana") pra levar pro Brasil. Em seguida, o shopping Pacific Mall, para acessar a Decathlon (onde comprei meu calçado pra trilha) e jantar na praça de alimentação. Ao retornar pra dormir no quarto coletivo refrigerado de 635 rúpias cada, tive a maior ré da viagem. Meu voo para o Nepal com a porcaria da Jet Airways havia sido cancelado há alguns dias (falência da companhia) e eu nem tinha sido notificado! Para piorar, todos os voos de outras cias para os dias seguintes estavam absurdamente caros e não havia vaga nos ônibus que levam mais de um dia pra chegar! Acabei tendo que pagar uma fortuna no voo da IndiGo, caso contrário meu trekking no Everest ficaria comprometido... Dia 27 Havia levado minhas roupas na noite anterior pra lavanderia, ao custo de 30 rúpias por peça. Quase que fiquei sem elas, pois ficaram prontas no momento em que eu estava saindo, ainda que a lavagem tenha sido bem mal-feita. Para ir ao aeroporto eu fui de metrô, na linha expressa que custa 50. Na hora do check-in, conheci dois brasileiros (Lucas e Amanda) que fariam o mesmo trajeto que eu no Everest. Ao chegar em Catmandu, preenchi o formulário eletrônico, paguei o visto para um mês (40 dólares), passei a imigração e fiz o câmbio na cotação de 1 dólar pra 107 rúpias nepalesas. Estava chovendo ao deixar o terminal, mas isso não impediu que eu viesse caminhando até o hotel Sunaulo Inn, onde fiquei num quarto meia-boca por 1200 rúpias (doravante nepalesas). Jantei no próprio lugar, escolhendo um "biryani" de ovo por 280 rúpias. Apesar de ser mais barato que a Índia, cobraram sobre esse valor 23% de taxas! Depois das últimas pesquisas na internet, arrumei o mochilão pro dia seguinte e fui dormir cedo. Dia 28 Fui empolgado ao aeroporto, só pra descobrir que meu voo não sairia tão cedo. Cheguei às 9h e esperei… esperei… esperei, até que às 17h finalmente os voos para Lukla foram cancelados pelo tempo adverso e por um acidente fatal no dia anterior! Um dia inteiro perdido coçando o saco no saguão… Ao menos no final do dia consegui conhecer o complexo do templo hinduísta de Pashupatinath (mil rúpias). A arquitetura é interessante, com várias estupas e teto dourado. Ao longo de um rio, aqui ocorrem rituais de cremação como em Varanasi, na Índia. Tive sorte de presenciar uma dessas cremações, que começam com a cobertura do defunto com flores e o som de uma banda ao vivo. Em seguida, cobre-se de madeira e material inflamável e acende-se uma fogueira, que transforma o corpo em cinzas, que vão parar no rio. Meio macabro. Jantei um "chowmein" de frango, que é um macarrão chinês (250 rúpias), e repousei no mesmo hotel sujinho da noite anterior. Dia 29 Achei que não iria de novo, mas depois de 3 horas de tráfego aéreo (pra desafogar os atrasos dos dias anteriores), nos enviaram pro aviãozinho que recém havia pousado. E pensar que eu quase troquei por um caro helicóptero, como alguns dos turistas fizeram. Logo estávamos no ar, chacoalhando entre montanhas e terraços agrícolas. Pousamos uns 45 minutos depois, na pista minúscula e assustadora do aeroporto de Lukla. Dali já se vê um monte nevado. Comecei a caminhada às 13:40h pela cidade de Lukla a 2900 metros de altitude, onde se pode obter o que lhe faltou, como o dinheiro, que consegui sacar (ao contrário do aeroporto de Katmandu). Paguei as 2 mil rúpias pra entrar no parque rural de Khumbu, primeira etapa da trilha para o acampamento base do Everest. No começo, há muitos vilarejos, muitos turistas e carregadores (sherpas). E descidas, ao contrário do que se imagina. Essa região segue o budismo tibetano, então há muitos monumentos, como estupas, rochas com mantras e rodas "mani", além de alguns monastérios. Parei após duas horas, na metade do caminho que faria no dia, para pegar água duma bica e descansar por uns 10 minutos. Depois, foi só subida e descida. Suei um bocado. Algumas pontes pênseis cruzam um rio glacial turquesa lindo. Uma dessas, fica em Phakding, vilarejo badalado onde repousaram os demais trilheiros que largaram comigo. Eu prossegui até Monjo, onde cheguei no final da tarde, 4 horas depois do começo, e um tanto cansado. Fiquei com um quarto com banheiro, chuveiro quente e wi-fi por 500 rúpias, no Monjo Guesthouse. Estava vazio, então só encontrei um senhor francês pra conversar, enquanto esperava a janta vegetariana de "dal bhat", o prato mais típico nepalês, que consiste em arroz, lentilha, curry de vegetais aleatórios e um pedaço de algo salgado. É muito bem-servido, pois se pode repetir (500 rúpias). Após, continuei na sala comum com calefação, ouvindo músicas nepalesas e tomando "raksi", uma bebida alcoólica caseira de arroz e maçã, que o pessoal da pousada me ofereceu. Dia 30 Dormi relativamente bem. Comi uma barra de proteína e parti. Logo fica a entrada do Parque Nacional Sagarmatha. Mais 3 mil rúpias de pagamento. Depois de uma breve descida em Jorsalle, cercada por florestas de coníferas e cachoeiras, começa uma subida violenta até Namche Bazaar. Não há nenhum vilarejo no caminho. Quase 3 horas mais tarde, cheguei cansado da ascensão de 600 metros. Ao menos o tempo até então estava bom, tanto que eu ainda usava roupa de corrida - exceto pelo calçado. Namche Bazaar é a última cidade da trilha. No seu semicírculo de construções cravadas na montanha, há uma infinidade de hospedagens, restaurantes e lojas, onde se encontra de tudo para compra, a um certo preço. Entrei em 3 pousadas até encontrar uma que não estivesse cheia ou que cobrasse até para respirar. Fiquei na Pumori Guesthouse, por 500 rúpias, com banheiro compartilhado, recarga de aparelhos gratuita, bem como a internet. Só o banho é cobrado, mas nesse dia tomei na pia mesmo. Almocei ali uma pizza broto de cogumelo (550 dinheiros) e saí pra reconhecer a área. Só foi eu botar o pé pra fora que começou a chover e não parou mais. Rolou um fenômeno climático incomum também, uma precipitação monstruosa de granizo com neve! Enquanto isso, passei um tempo no bar The Hungry Yak, onde são transmitidos documentários sobre a montanha. Assisti a impressionante primeira ascensão do Everest, no filme "The Wildest Dream". Enquanto isso, tomei uma Nepal Ice, cerveja forte nepalesa, mas que chega aqui num preço salgado: 600 rúpias pelo latão de meio litro. Em seguida, passei por quase todas ruas, pelo Monastério Gomba, e, já escuro, voltei pra hospedagem para jantar. Ao comer meu bife de iaque (750 com acompanhamentos), gostoso mas meio fibroso, conheci um russo que quase chegou ao final da trilha com duas crianças de 8 e 6 anos! Fui dormir sob temperatura negativa, o que se repetiria até o retorno a Namche. Dia 31 Comi um omelete com pão tibetano (sem graça) e parti pra rua, para aproveitar o lindo dia ensolarado que fazia. Para ajudar na aclimatação, subi a íngreme rota que leva ao mirante do Monte Everest, mais de 400 metros acima de Namche. Lá em cima, coincidentemente, encontrei um grupo de trilheiros de Floripa, que estavam sendo guiados por nada menos que Waldemar Niclevicz, o maior montanhista brasileiro! Fiquei um tempo apreciando a vista do vale de Khumbu, por onde eu vim e para onde irei. Também estavam visíveis alguns dos picos mais elevados, como Ama Dablam e Lhotse. Infelizmente o Everest estava coberto por nuvens constantes. A temperatura não estava tão baixa, mas o vento estava de matar, então tive que descer. Visitei o Sherpa Cultural Museum & Mount Everest Documentation Center (250 rúpias). Há um modelo de residência Sherpa com seus utensílios típicos. Também há uma galeria com fotos, equipamentos e jornais a respeito das expedições ao Everest e sobre o povo das montanhas. Almocei lá mesmo um "dal bhat" (600 rúpias). A seguir, conheci o gratuito centro de visitantes do Parque Nacional Sagarmatha, onde fica essa trilha que estou seguindo. No centro há diversas informações a respeito do meio ambiente do parque. No final da tarde, fui em outro bar (Everest Burger & Steakhouse) para assistir outro filme, dessa vez "Everest". Também aproveitei pra provar outro prato típico, o "thukpa", que é uma sopa de macarrão com vegetais (450 rúpias). Jantei "momos" (bolinhos de massa fritos ou cozidos com recheio de vegetais ou carne em formato de meia-lua) em minha acomodação, agora cheia de chineses. Tomei um banho quente (400 rúpias), carreguei meus eletrônicos e fui dormir. Dia 32 Noite boa de sono, sinal da aclimatação funcionando. Café da manhã pago básico. Me livrei de 1 kg de roupa que não usaria adiante, deixando na hospedagem para pegar na volta. Às 9 e meia, comecei a leve subida e o contorno plano do vale de Khumbu, com vista pro Everest, Lhotse e picos vizinhos. Até aí tudo bem, mas quando o caminho desceu num bosque até a altura do rio no povoado de Phunki Thanga, começou uma subida chata de 550 metros em 2,4 km até Tengboche, onde pernoitei. Do final da subida, dá para ver uma morena, que são os detritos deixados por uma geleira que retrocedeu pelo aquecimento global. Já no topo, fica o pequeno povoado, centrado em um monastério interessante, que visitei. Lá reencontrei o grupo de Floripa, e troquei umas ideias com o Waldemar Niclevicz, um cara bem simpático e inspirador. Passei por 3 hospedagens até achar uma boa opção, pois a mais popular estava lotada, a que conta com uma padaria queria cobrar 1000 rúpias, mas a "teahouse" Tashi Delek cobrou 500 e até que era bacana. Para a internet, eu comprei um tal de Everest Link (2500 rúpias), que lhe dá direito a 10 GB em todas as hospedagens do caminho - e daqui pra frente o sinal do celular não pega. Dei um rolê pra passar o dia durante uma leve nevasca, e no final da tarde quando iria jantar em minha acomodação, encontrei um trio de brasileiros (Danniel, Samir e Felipe) descendo a montanha. Passei o resto do dia conversando com eles. Dia 33 Tomei o café junto, e logo nos despedimos, seguindo para lados diferentes. Às 9 e meia, desci um pouco dos 3860 metros até os povoados seguintes, ao redor do rio glacial Imja Khola. Fazia um baita frio, e às vezes o vento castigava. Botei um pano na cara para resolver essa questão. Ao passar Pangboche, que possui o monastério mais antigo da região, comi uma barra de proteína e recarreguei de água em Shomare, o vilarejo onde a maioria dos grupos almoçava. Com a diminuição de oxigênio disponível, meu ritmo de caminhada também decaiu. Outra coisa que decaiu foram as árvores. Ao passar dos 4 mil metros de altitude, só restaram arbustos. Passei por alguns campos só com plantas herbáceas e arbustivas até a bifurcação Pheriche-Dingboche, bem em frente aos restos de rochas brancas de uma geleira não mais visível. Após um esforço final de subida, cheguei 3 horas e 45 minutos depois na entrada de Dingboche, a mais de 4300 metros de elevação. Esse povoado é maior do que eu esperava. Novamente, minha hospedagem pretendida estava lotada, então acabei ficando com a Tashi Delek. Só que ao contrário desse hotel no vilarejo anterior, aqui não havia nem vaso sanitário… Paguei 500 mangos num quartinho duplo. Ainda bem que era duplo, pois precisei dos dois colchões, cobertores e travesseiros. Escolhi um restaurante aleatório para almoçar, e acabei me dando bem, pois os preços do Himalayan Culture Home Lodge, também hotel, são comparáveis com os de Namche Bazaar, um quilômetro abaixo em altitude. Tomei um chá de limão com gengibre e comi "momos" vegetarianos por 580 no total. Posteriormente, caminhei por Dingboche, só pra ver os campos marrons de plantação serem adubados com fezes. Tomei um banho quente no Tashi Delek (500 rúpias) e fiquei relaxando, já que a rua estava fria, com um neblina que impedia a visão de qualquer montanha, além do cheiro da bosta usada na calefação dos interiores já estar forte. Ao sol se pôr, jantei em meu hotel o clássico "dal bhat". Por fim fiquei debaixo das cobertas lendo um pouco em meu Kindle. Dia 34 Depois do café da manhã de pão, ovo e chá, usei meu dia de folga/aclimatação para subir o primeiro pico da viagem, o mais alto da minha vida. Sobre Dingboche, reina o árido Nangkartshang, com 5083 metros. Saí às 9 e meia como usual. O tempo estava bom, com algumas nuvens, mas não se via o cume por causa de uma névoa. A parte inicial é uma estupa, seguida de um mirante, numa altitude ainda não tão elevada. Depois, a inclinação fica severa. Entre rochas, poucas plantas miúdas, musgos e líquens. O vento aumentou a força, mas não incomodou tanto porque batia nas costas protegidas. Mais além, a fadiga muscular começou a bater, mas não pior que a respiração, já que o oxigênio estava bastante escasso. Conforme o gelo surgia no caminho, eu ia quase cambaleando para chegar logo ao topo. Duas horas e 15 depois, finalmente conquistei o cume! Só que meio atordoado pela falta de ar, acabei atirando minha GoPro ladeira abaixo! Ela bateu numa pedra e foi parar num banco de gelo em outro nível. E agora, perder todo registro da viagem ou arriscar minha vida? Ponderei o risco, e desci em direção à câmera, conseguindo recuperá-la. Ufa! Fiquei um tempo em cima tirando fotos, mas a névoa não deu muita trégua, então desci, faminto e sedento. Parei no Café 4410, que permite a recarga gratuita de aparelhos eletrônicos. Pedi um hambúrguer vegetariano, fritas e milk shake por 1200 rúpias. Enquanto aguardava a recarga, reencontrei um grupo de colombianos que havia conhecido no cume. Passei o resto da tarde conversando com eles; foram tão gentis que até me pagaram um lanche. Quem diria que eu comeria torta de maçã num vilarejo remoto desses! À noite, jantei "thukpa" (450 rúpias) no hotel, e relaxei. Dia 35 Café da manhã repetido. Parti para Lobuche. O início é um vale desolado e ventoso, cercado pela montanha que escalei e por outra nevada. Quando chegara o momento de cruzar o Rio Lobuche e começar uma inclinação foda, parei pra um lanche. Acontece que quando fui trocar o cartão de memória da GoPro, que estava cheio, ele se partiu no meio! Perdi a maioria dos vídeos e fotos que havia feito com ela, pois não havia feito backup. Parece que o que ocorreu na montanha no dia anterior foi uma premonição. Que lástima! Meio abatido, subi o caminho pedregoso com o fôlego no limite. Em cima, fica o memorial para os alpinistas mortos no Everest. Há dezenas de monumentos. Logo depois, já é possível ver um campo coberto de gelo. Mais além, fica o pequeno vilarejo de Lobuche. Aqui o preço mínimo é 700 rúpias. Consegui um quarto duplo e banheiro com privada, mas nada de pia (nessa altitude já não há encanamento), no Above the Clouds Lodge. Começou a nevar bastante, então parei na padaria mais alta do mundo para fazer outro lanche (doce+chá=550 rúpias). Em seguida, fui ao ar livre fotografar o cenário lindo que se formou com a neve acumulada. Até passarinhos estavam por lá. Com o tempo, a neve cessou e a névoa dissipou. Com isso, subi um morro para ter uma vista ainda melhor do vilarejo e do Glaciar de Khumbu, do outro lado. Com o fim do dia, o tempo piorou novamente, então voltei pra hospedagem, onde fiquei esperando um tempão pelo jantar, "dal bhat" (800 rúpias). O bom é que o refil tava incluído, então fiquei satisfeito. Banho de lenço umedecido e cama. Dia 36 Levantei mais cedo e tomei o café da manhã (omelete e chá - 750). Em seguida, subi até Gorak Shep, o assentamento mais elevado do mundo (5100 metros). O caminho estava com bastante trânsito e não foi tão fácil quanto pensei, pois há subidas e descidas sobre rochas. Quase na chegada, se vê o Glaciar de Khumbu, o pico Kala Patthar e o acampamento base do Everest. Em Gorak Shep, tive ainda mais dificuldade em achar um lugar pra ficar. Precisei dividir um quarto no Snow Land Highest Inn (500 rúpias pra cada). Deixei minhas coisas e parti pro acampamento base. O caminho é rochoso e passa ao lado da geleira. Entre as atrações, vi um casal da ave terrestre chamada de galo da neve tibetano, além de uma avalanche na montanha do lado oposto da geleira. Parecia um trovão o estrondo. Peguei ainda um tráfego de iaques carregadores. Ao chegar, há um marco com bandeiras onde todo mundo comemora. Mais uma etapa concluída com sucesso. Desci até a parte interior, lotada de barracas, onde os alpinistas ficam até um mês se aclimatando. Pisei no gelo e retornei, já que o tempo começava a piorar. Bati um rango violento quando voltei. O "dal bhat" da hospedagem veio com repetição, então fiquei cheio até a hora de dormir, a ponto de me deixar meio mal. Enquanto tentava fazer a digestão, um pessoal da Venezuela e Espanha sentou ao meu lado. Comecei a falar com eles; acabamos jogando cartas até a hora de se retirar - sem banho novamente, já que aqui custa mil rúpias! Também tive que recarregar o celular por 400 rúpias pra uma hora... Dia 37 Dormi mais ou menos, mesmo usando o saco de dormir pela primeira vez. Às 7 me levantei com leves sintomas de Mal de Altitude, mas isso não me deteve. Fui escalar o monte Kala Patthar. O começo é sobre terra, bem inclinado, cansa bastante. Depois que se contorna essa parte, percebe-se que o cume na verdade é mais distante e alto do que o que parecia ser visto de Gorak Shep. Continuei lentamente, agora sobre neve e rochas. Uma hora e meia depois, cheguei ao topo do ponto mais alto em minha jornada: 5650 metros! A vista do topo é sensacional. Ali fica o melhor mirante do imponente Monte Everest, bem como do Glaciar de Khumbu e diversas outras montanhas altas da região. Havia umas 10 pessoas essa hora no cume. Desci, almocei "momos" e, um pouco depois, segui o caminho de volta. A parte repetida até a bifurcação em Dughla foi meio monótona. De diferente, apenas um grupo que seguia na direção inversa em bicicletas! Quando atravessei o campo de gelo do acampamento base do Lobuche, não cruzei com mais ninguém. O trecho até Dzonghla é meio arriscado, pois segue à beira do precipício na maior parte do tempo. De vista compensa, pois passa em frente à baita montanha Cholatse e seu lago parcialmente congelado. Também vi uns tantos passarinhos. Quase na chegada, ultrapassei novamente o grupo de Cingapura cujo líder Saravanan foi até o EBC usando calçado minimalista. Na terceira tentativa, fiquei hospedado no Himalayan Lodge. Quinhentas rúpias pelo quarto duplo e banheiro com vaso, mas nada de pia. No mesmo lugar, ficaram os singapurenses e o espanhol Claudi, que eu havia conhecido em Gorak Shep. Jantei uma macarronada e passei o resto do tempo conversando com ambos. Todos foram dormir cedo para a travessia do dia seguinte. Dia 38 Pelas 5 da madruga os demais já estavam tomando café da manhã, enquanto eu pedi meu omelete e chá pras 6 e meia. Na primeira longuíssima subida, já passei um dos grupos. Tanto no dia anterior quanto nesse, alguns conhecidos tiveram que desistir da trilha pelos sintomas do Mal de Altitude. Um deles precisou até mesmo ser levado de helicóptero de volta. Estava com receio que tivesse que fazer essa travessia perigosa sozinho, já que a maioria vai cedo, mas acabei encontrando gente suficiente. Já cansou bastante a primeira elevação, que culminou em uma escalada entre rochas e neve. A paisagem, bem como as seguintes, fez valer a pena o esforço. O passo seguinte foi mais técnico do que cansativo - atravessar uma parede de neve sem proteção alguma contra o abismo que se seguia. Dei graças que Claudi me emprestou cravos para o tênis (crampons) na noite anterior, pois sem eles eu teria chance de despencar nessa etapa ou na seguinte. Passado o trecho sujeito a avalanches a nada menos que 5420 metros de altitude, veio a descida nesse meio escorregadio. Venci, chegando no vale seguinte, uma tundra alpina. Nova subida, seguida de nova descida, mais fáceis dessa vez. Por fim, seguindo o riacho originado numa dessas geleiras, cheguei no pequeno Dragnag, composto apenas de uns 7 alojamentos e nada mais. Desesperado por um banho, usei o próprio riacho para satisfazer meu desejo. Como eu estava aquecido da longa trilha de 6 horas, a temperatura não foi um grande problema. Aproveitei para lavar minhas roupas suadas também. Fiquei hospedado no Khumbi-la Hotel (500 rúpias). Tão básico quanto os demais. Almocei tardiamente "momos" fritos de batata (650 rúpias), botei minha GoPro para carregar (350 rúpias), e passei o resto da tarde entre conversas com os colegas e à toa. Jantei sopa, li um pouco e capotei. Antes, pedi quanto custava 1 mísero rolo de papel higiênico, já que o meu havia acabado: 550 contos! Dessa forma, peguei os guardanapos da sala de jantar pra resolver o problema... Dia 39 Comi e vazei em direção a Gokyo. O caminho é sobre a morena da maior geleira do Himalaia, a Ngozumpa, com 36 km! A caminhada dentro da geleira segue em ziguezague pra cima e pra baixo entre pedaços de rochas soltas, manchas de gelo e laguinhos congelados. Com uma subida final, chega-se a Gokyo. Meu corpo estava tão cansado que levei mais de duas horas para essa travessia, quando deveria levar menos. O povoado de Gokyo é único entre os da rota do trekking, pois fica na beira de um lago semicongelado lindo, cheio de aves e com montanhas nevadas próximas. Deixei minha mochila na Fitzroy Inn. São 500 rúpias, sendo que o banheiro possui vaso e pia, e o quarto é um pouco melhor. Comecei então a ascensão da última montanha da rota, a Gokyo Ri, com 5360 metros. Devido a meu estado precário, fui subindo a passos de tartaruga. Essa montanha é inclinada demais, pois possui 600 metros acima do lago, onde inicia. A paisagem do meio do caminho é sensacional, mas conforme eu subia o tempo ia fechando, pois já era o começo da tarde. De fato, fui o último a subir. Uma hora e 45 minutos depois, usando somente a força de vontade, cheguei ao cume. Lá em cima estavam uma argentina e meu colega Claudi. Descemos e fomos tomar um chá e conversar. Em seguida, jantei "dal bhat" em meu alojamento, com vista para o lago. Não estava me sentindo muito bem do estômago essa hora. Carreguei o celular (300 rúpias), comprei um rolo de papel higiênico (250 rúpias), um pão doce grande (600 rúpias), li um pouco e fui dormir cedo. Dia 40 Acordei com dor de garganta - também, todo esse tempo respirando ar frio e seco pela boca, só poderia acabar assim. Gastei minha última rúpia no check-out, mas pelo menos ganhei uns chocolates de brinde. Esse foi o dia mais longo de caminhada, pois tive que percorrer 24 km até Namche Bazaar. Ainda bem que em sua maioria, o trecho foi de descida. O começo foi passado ao lado dos lagos cênicos de Gokyo. Depois, acompanhando o rio glacial. Passei por alguns vilarejos, descansando, me hidratando e consumindo meus alimentos energéticos a cada cerca de 2 horas, sempre à beira de algum riacho. Encontrei meu colega Claudi nesse caminho, mas ele ficou em Dole, metade do trajeto que eu percorreria. Além desse povoado, as florestas começaram a ressurgir. Junto delas, uma parte lotada de cachoeiras. Já estava cansado, quando em frente a Phortse, uma elevação grande surgiu. Subi a passos lentos. Dali em diante, acelerei o possível no terreno irregular, quase torcendo meu tornozelo algumas vezes. Quase solitário, cheguei à bifurcação em Sanasa, quando entrei na trilha que já havia percorrido no quarto dia. Exausto, com dor nas costas, cheguei em Namche Bazaar às 16 horas, exatamente 8 horas depois de iniciar. Saquei dinheiro e fui pra hospedagem onde havia deixado uma pilha de roupas, a Pumori Guesthouse. Morrendo de fome, devorei uma macarronada (550 rúpias) enquanto carregava meus dispositivos. Por fim, apaguei. Dia 41 Acordei pior do que no dia anterior, dessa vez à dor de garganta, somou-se um resfriado. Não tive escolha; comi um omelete de queijo e tomate (400 rúpias) e vazei. O percurso inicial é de pura descida, mas isso não quer dizer que tenha sido rápido, já que há trânsito e o terreno é irregular. Em sequência, descidas e subidas intermináveis, enquanto atravessava de um lado do rio pro outro nas pontes pênseis. E o corpo reclamando. Mais além, passei pela vila de Phakding. Dali pra frente, foi o maior sofrimento: dor nas costas, nos ombros e nos pés. Eu ia cada vez mais devagar. O trecho final, majoritariamente de subida, foi um martírio, mas 6 horas e meia depois, cheguei ao portal de Lukla. Finalmente, 150 km de trilhas depois do começo, missão cumprida! Comemorei e fui pra alguma hospedagem, no caso a Alpine Lodge (500 rúpias). Tomei um banho (250 rúpias) e me joguei na cama, imprestável. Jantei outra macarronada e fui dormir. Dia 42 Comi uma panqueca com mel de manhã (400 rúpias) e fui cedo pro aeroporto. Precisei chegar lá às 7 e meia, mas não embarquei antes das 11… Me livrei dum dos aeroportos mais perigosos do mundo, descendo em Catmandu. Por 900 rúpias, tomei um táxi até o lar Laughing Buddha Home & Villa (5 dólares cada noite). No caminho pude constatar que o trânsito de Catmandu é do nível das cidades grandes indianas. E bem empoeirada. Desci pra conhecer as atrações recomendadas pela anfitriã, a começar pelo almoço na Army Canteen, lugar onde o exército vem rangar. Como o menu é em nepali, precisei apontar para o que havia na bancada: escolhi feijão, batata e cebola. Na hora de pagar a conta, fiquei de queixo caído… 50 rúpias (R$1,75)! O almoço mais barato da minha vida! Para a sobremesa, fui na padaria Best Choice. Realmente a melhor escolha, pois comi deliciosos doces a partir de 25 rúpias! Até levei uns pro café da manhã. Em seguida, entrei no museu de história natural (100 rúpias). É basicamente o depósito da seção biológica de uma universidade, contando centenas de animais empalhados, insetos, plantas e outros seres viventes no Nepal, com breves descrições. Prosseguindo, o templo do macaco (Swayambhunath). É um templo budista tibetano com algumas estupas, relíquias e muitos macacos sagrados. Entrei pela escadaria de acesso gratuito que os turistas desconhecem. Lá em cima há vendas de souvenires, mirante pra cidade toda e, na mata ao redor, bastante vida. Ao descer, mesmo sem muita fome, parei pra jantar no Chuden Shelzey. Optei por um "chowmein" de frango (120 rúpias). Para minha surpresa, um grupo de monges budistas estava ali jogando videogame! Retornei à tranquila hospedagem, onde fiquei à noite. Dia 43 Comecei o longo dia ingerindo meus doces da padaria. À continuação, pedi para que me chamassem um moto-táxi via Pathao, aplicativo tipo Uber. Até Bauddhanath custou apenas 170 rúpias. Já para a entrada desse Patrimônio da Humanidade, 400. Há uma grande estupa central, reconstruída após o terremoto de 2015, cercada de monastérios, templos, relíquias e lojas meio superfaturadas. Ao deixar o complexo budista que é o principal da capital, tomei um ônibus de 25 rúpias até Ratna Park, onde ficam as estações dos coletivos. Não quis pagar para entrar no parque, pois não me pareceu interessante, então segui até Ason, um bairro antigo central onde se vende de tudo a preços em conta. Aqui tentaram me aplicar o golpe do jovem aprendiz de inglês que quer treinar o idioma e o leva a um templo para benzê-lo e depois a uma loja de pinturas que só está aberta no dia do festival fictício que ocorria justamente naquele dia - não tiraram uma rúpia de mim. Almocei num muquifo um prato de "chowmein" vegetariano por somente 80 rúpias. Pensei em entrar na tradicional praça Durbar em seguida, mas o estado dos edifícios pós-terremoto e a exigência de que estrangeiros pagassem mil rúpias enquanto os nativos não pagavam nada, me fez mudar o rumo. Com o preço tão barato da comida, acabei tomando um caldo de cana por 30 rúpias e depois um "lassi" de banana por 100. Rapidamente adentrei o jardim Garden of Dreams, que cobra 200 pratas, mas é pequeno. Dessa forma, me embrenhei nas ruas apertadas e lotadas de comerciantes e turistas de Thamel. Procurava alguns equipamentos eletrônicos e pra trilhas, mas não encontrei nada de qualidade, já que aqui é quase tudo pirateado. Tomei um sorvete de Ferrero, que não era de Ferrero, e comprei em Ason dois souvenires (roda mani - 1500 rúpias e placa Namastê - 400). Me encontrei com Danniel, um dos brasileiros gente boa que conheci no caminho do Everest. Batemos um papo bom e tomamos um balde da cerveja artesanal Sherpa Red no bar Phat Khat. Depois jantamos "kebab" (225 cada) e eu peguei um táxi pra voltar à hospedagem (600 rúpias). Antes de dormir, conversei um pouco com o pessoal que se encontrava no Laughing Buddha. Dia 44 Acordei com os cães latindo e pessoas falando. Fui em direção aos museus, parando para ter um café da manhã no Vajra Café, já que o Chuden Shelzey não tinha nem ovo e nem vitamina naquela manhã. Acontece que esse café deixa bastante a desejar em comparação com a padaria de 2 dias atrás, além de estar cheio de moscas… Para meu desgosto, hoje era feriado do dia do trabalhador, então tanto o Military Museum quanto o National Museum estavam fechados! Não queria ir até a distante Bhaktapur, então caminhei até uma avenida onde pude pegar um ônibus à região central. Em Ason, fui às compras: relógio minimalista à prova d'água (3000 NPR=rúpias), carteira minimalista (375 NPR), boné minimalista c/ pescoceira (1000 NPR). Como os restaurantes turísticos de Thamel são meio caros, almocei numa birosca chamada Ravi Panipuri Chaat Shop. Fiquei com um tal de "papadi chaat" 70 NPR + "chicken egg roll" 100 NPR + Fanta amarela 40 NPR. Há uma infinidade de casas de câmbio em Thamel, mas como as raras que possuíam rial do Catar não tinham cotação boa, troquei o resto das minhas rúpias pelo famoso livro Into Thin Air na livraria Tibet Book Store (700 NPR). Enquanto procurava um transporte barato para retornar ao alojamento, tomei um suco de abacaxi grande (200 NPR). Depois, embarquei numa van (20 NPR). Me despedi e embarquei no voo da Nepal Airlines com destino a Doha. Havia lido que essa companhia era uma das piores do mundo, então fui sem expectativas, mas me surpreendi: avião grande e novo, entretenimento de bordo e alimentação decente - talvez eu tenha tido uma baita sorte, ou a companhia realmente melhorou. Dia 45 Com um pouco de atraso, desembarquei. A imigração sem visto foi ridiculamente rápida. Saquei dinheiro (1 rial do Catar = 1,07 reais), chamei um Uber até a hospedagem da vez (24 rials). O albergue Q Hostel, localizado num condomínio de casas de alto padrão, refrigerado, me custou 180 rials por 3 noites. Todos meus colegas de quarto eram de países islâmicos. Ao acordar, chamei um Uber pra me levar ao museu nacional (13 rials). A entrada individual custa 50 rials, mas o passe para 3 museus é 100, então o comprei no cartão de crédito. O Qatar National Museum já impressiona no exterior, inspirado na rosa do deserto. Por dentro, ainda mais. Com tecnologia de ponta, conta sobre a biodiversidade do país, bem como sua história, do passado remoto, passando pela conquista árabe, a era de ouro da coleta de pérolas e a atual do petróleo, que superdesenvolveu o Catar. Fiquei mais de 3 horas aqui. Almocei "chicken biryani" no Al Jazeera Kabab, bem em frente ao museu, por 12 rials. Há um ônibus gratuito rosa que passa uma vez a cada hora e leva aos dois outros museus. Peguei ele e desci no de arte islâmica. A construção é bem bacana também, mas por dentro não há tanto conteúdo. As obras de arte de várias localidades islâmicas são belas, mas nada excepcionais. Esperava um pouco mais. Uma hora depois, fui pro Mathaf, de arte moderna, que fica afastado dos demais. No caminho, pude notar as obras de infraestrutura e lazer pra Copa do Mundo de 2022. Havia apenas mais duas visitantes além de mim. Não consegui ficar nem uma hora vendo essas coisas estranhas que chamam de arte. Peguei o transporte de volta e fui passear pela Corniche, a avenida beira-mar. Ainda fazia calor pelas 5 e pouco, mas o sol já estava baixo no horizonte. Atravessei metade do semicírculo a lentos passos, admirando a arquitetura dos arranha-céus, que, assim como o resto da cidade, perdem pouco para Dubai. Tomei um "smoothie" meio caro de 25 rials no Costa Café, e segui por entre os prédios, que agora estavam com iluminação noturna variada. Entrei no shopping center City Center pra jantar (no Subway mesmo - 29 rials no Sabrina de 30 cm) e comprar mantimentos no completíssimo Carrefour, que só não tem cerveja com álcool. Gostei do preço do kiwi, 2,75 o kg. Voltei de ônibus #76 até o terminal de Al-Ghanim, onde pegaria outro busão até próximo da minha hospedagem. Um cartão para 2 viagens na cidade custa 10 rials e pode ser comprado com o próprio motorista. Pegaria, pois quando cheguei lá quase às 23h, já não havia mais linhas disponíveis para onde eu iria. Como não consegui sinal para chamar um Uber, convenci um táxi a aceitar a corrida por 15 rials. Dia 46 Como fui dormir tarde, acordei assim também. Tomei meu café da manhã de brownie + suco natural + frutas e tomei um Uber à estação de ônibus (12 rials). Chegando lá, fiquei sabendo que para embarcar no ônibus para fora de Doha, precisaria de um cartão ilimitado para 24 horas, ao custo de 20 rials. Então aproveitei para dar um rolê bom. Primeiro desci em Al Wakra. Como era o dia sagrado do islã, os "souqs" (mercados antigos) estavam fechados. Com isso, dei uma conferida na praia de água turquesa. Almocei logo no Alfanar Restaurant Yemeni Food, onde pedi um tal de "mandi chicken" por 25 rials, mesmo sem saber o que era - mas gostei. Caminhei mais um pouco e retornei à avenida, onde há uma estátua de ostra, uma mesquita bonita e um forte fechado ao público. A intenção era continuar pro sul até Mesaieed, mas eu acabei indo parar no ponto errado e só percebi quando o ônibus de volta estava passando, então decidi retornar ao centro. Fui então ao Souq Waqif, onde ficam as lojas tradicionais. Tentei comprar um souvenir decente, mas os feitos no Catar são caros demais. Ali também ocorria a feira internacional de tâmaras. Entrei e saí, pois eu nem gosto dessa fruta típica de países desérticos. Essa área revitalizada é a mais antiga da cidade. Visitei os museus Msheireb, que contam um pouco dessa história. Gratuitos, são 4 casarios antigos que também falam da escravidão na região e o desenvolvimento com a descoberta do petróleo. Fiquei algumas horas em seus interiores. Quando saí, já era noite. Fui à orla, um tanto escura, para admirar os arranha-céus coloridos do outro lado da baía. Ao retornar, parei num dos restaurantes/lanchonetes baratos ao lado da estação de ônibus para jantar. Comi um "biryani" de frango por somente 10 pilas no Taxi Land Restaurant. Depois, voltei à acomodação de ônibus. Doha tem um problema sério de trânsito no centro, mesmo a altas horas. Dia 47 Acordei uma vez às 4 e meia com o anúncio de Allah nos alto-falantes da mesquita mais próxima. Voltei a dormir. Fiz o check-out e deixei minha mochila na recepção enquanto passeava. Fui até a rodoviária, comprei outro cartão ilimitado e com o #104A através do deserto até Dukhan, o princípio da exploração petrolífera no país. O baita ônibus confortável é uma mudança e tanto pra caminhonete que levava os operários na caçamba. Em Zekreet, há umas formações geológicas tabulares interessantes. Pena eu não haver meio de explorá-las. Duas horas e meia depois, o ônibus parou na entrada de Dukhan, ao lado de uma refinaria. Almocei pizza na Domino's (29 rials pelo combo) enquanto aguardava o ônibus de retorno. Ao retornar, parei no Mall of Qatar, um shopping grandão e ligado à linha de metrô quase pronta. Aproveitei para a assistir o lançamento dos Vingadores. Acreditam que o ingresso mais barato pro cinema era de 45 reais o inteiro? Voltei com os ônibus. À noite, fui até o aeroporto, onde aguardei um bocado de horas até o voo das 4:40 com a IndiGo até Mumbai. Dia 48 Desembarquei sonolento, passei a imigração e peguei um Uber (180 rúpias) até a cápsula bacana onde eu passaria o dia, no Hotel Astropods Airport, por mil rúpias. De volta ao aeroporto, lanchei e embarquei na Air China para Pequim. Dia 49 Depois de umas 5 horas em voo, passei o resto do dia no aeroporto da capital chinesa, entre cochilos e eletrônicos. A comida é meio cara e há poucas opções de refeição, então fiquei à base de KFC e Costa Café. Dia 50 Na madrugada seguinte, fui com a mesma companhia para Frankfurt, onde desci para dar uma volta na cidade. Comprei um passe diário ilimitado pro transporte público (9,65 euros) e peguei o trem até a estação central. Como já conhecia a cidade, não mirei exatamente os pontos turísticos. Caminhei aleatoriamente, mas parei para fotografar a arquitetônica Römerplatz. Aproveitei o dia para ingerir algumas das delícias culinárias europeias, como queijos, cerveja, bagas e salsichão - a maioria comprado em supermercados. Fiz compras também: eletrônicos na Saturn, chocolates e outras comidas nos supermercados econômicos Penny e Aldi, e roupas na Primark. Final da tarde retornei e aguardei o bom voo da Lufthansa, que, junto com o trecho final da Gol até Floripa, concluiu a viagem, 3 dias depois!
  2. Bangkok foi a nossa primeira parada e não sabíamos ao certo o que encontraríamos por lá. Cada canto daquela cidade nos encantou. Desde os templos até a culinária, Bangkok foi um acerto na nossa viagem. Também usamos Bangkok com hub para tudo que fizemos na região. Ficamos no total 2 dias inteiros por lá e mais um como ponto de partida e chagada para Ayuttaya. Como chegamos Chegamos de avião vindos de Montreal. Compramos os bilhetes pela United Airlines, com o trecho entre Tokyo e Bangkok feito pela empresa ANA. Recomendo fortemente ambas. O voo foi super tranquilo e o atendimento o melhor que tivemos em voos até agora. ✅ Dica: Peça a comida especial, por exemplo, sem glúten. Você vai receber a refeição primeiro do que os outros passageiros! Onde nos hospedamos Nos hospedamos no Rambuttri Village Plaza. O preço não incluía o café da manhã (250 bath à vontade). O bom desse hotel é a localização. Fica bem pertinho da Rambuttri Road e da Khao San Road. Fomos andando para todos os pontos importantes de Bangkok, incluindo o Grand Palace e a montanha dourada. O quarto era arrumadinho e suficiente para uma boa noite de sono. Recomendo. O que fizemos Fizemos um pouco de tudo em Bangkok. Visitamos templos, as badalas ruas do centro, um mercado flutuante, alguns restaurantes renomados e mais templos! Mercados Flutuantes Existem várias opções de mercado flutuante em Bangkok. Optamos pela menos turística e mais perto do centro da cidade. Escolhemos conhecer o mercado flutuante de Khlong Lat Mayom e não nos arrependemos em nada disso. MERCADO FLUTUANTE DE KHLONG LAT MAYOM Sáb e Dom (e feriados) - 8:00 às 17:00 - Gratuito O mercado fica uns 30 minutos de Bangkok. É acessível somente por táxi e se você for corajoso, transporte público. Lá, encontramos muita variedade de frutas, doces, carnes, peixes e comidas típicas. É um verdadeiro mercado gastronômico. Você também pode contratar um passeio de barco pelas redondezas. ✅ Dica: Usamos o aplicativo Grab para todos os deslocamentos mais distantes em Bangkok. Recomendo bastante. Diferente dos táxis comuns ou tuk tuks, você já sabe o valor da corrida no início, você sabe quem é o motorista e pode ler as recomendações. Entretanto, o melhor desse mercado é que ele é frequentado principalmente pelos tailandeses e fica um pouco fora da rota turística dos mercados flutuantes. Portanto, imersão cultural garantida aqui. Aconselho fortemente que você experimente um peixe feito na brasa com sal grosso. É uma delícia! Peixe assado na brasa e servido sobre uma folha de bananeira. Templos Marca registrada de Bangkok, visitamos os principais templos e alguns secundários. Evitamos visitar templos com arquitetura parecida. Focamos mais no inédito, na peculiaridade de cada um e funcionou direitinho. GRAND PALACE E O TEMPLO DO BUDA DE ESMERALDA Seg à Dom - 8:30 às 15:30 - 500 bath O Grand Palace não é mais a residência oficial do rei, mas ainda tem papel importante na espiritualidade do povo tailandês. Além do palácio real e das várias estátuas e edifícios ornamentados (cada um mais belo do que o outro), é nesse complexo que se localiza o Templo do Buda de Esmeralda, o mais importante templo do país, que abriga uma estátua de Buda feita de, claro, esmeralda. WAT PHO OU TEMPLO DO BUDA INCLINADO Seg à Dom - 8:00 às 18:30 - 100 bath O templo Wat Pho abriga uma das mais conhecidas estátuas de Buda da Tailândia: a famosa estátua do Buda inclinado e os seus incríveis 45 metros de comprimento. O que poucos sabem, entretanto, é que Wat Pho é o templo mais antigo de Bangkok. Imagem de Phra Buddha Theva Patimakorn, localizada na principal capela de Wat Pho. Aproveitamos também para depositar moedinhas nas 108 panelas que ficam ao lado do Buda reclinado e também visitamos algumas das 400 imagens de Buda enfileiradas no arredores do templo. Se você gosta de massagem, vai querer fazer uma na primeira universidade da Tailândia, dedicada a medicina tradicional e a massagem. Não fizemos, mas acho que vale a pena. WAT ARUN OU TEMPLO DO ALVORECER Seg à Dom - 8:30 às 17:30 - 50 bath Vista de Wat Arun do barco, atravesando o rio Chao Phraya. Pra mim o melhor e mais interessante templo de Bangkok. Os aplicativo do Instagram chora quando fotos desse lugar são publicadas. Wat Arun ou Templo do Alvorecer fica na margem oposta do rio Chao Phraya. As suas 5 prangs são revestidas com pedaços de porcelana chinesa e cerâmica vidrada, fruto do intenso comércio chinês que havia na época de sua construção. O templo é muito visitado e passou por reformas recentemente, sendo reaberto no final de 2016. Muitas pessoas se acumulam nos bares na margem oposta do rio para ter uma visão privilegiada durante o pôr do sol. A gente tentou, mas os bares cobram uma fortuna e desistimos. A sorte é que choveu durante o por do sol. Vingança divina? Acho que não. WAT SAKET OU TEMPLO DA MONTANHA DOURADA Seg à Dom - 7:30 às 17:30. - 50 bath Esse templo tem muita história e peculiaridades. O local onde hoje se localizada o templo Wat Saket foi construído no topo de uma colina artificial. No início do século 19, o rei Rama III ordenou a construção de uma enorme chedi no local. O solo pantanoso de Bangkok não suportou o peso e a estrutura desmoronou. Durante décadas de abandono, os escombros tomaram forma de uma colina natural. São 300 degraus em uma grande espiral. A subida não é tão difícil e existem vários pontos de parada para descansar. Lá de cima, tivemos uma visão de 360 graus de Bangkok. Vale a pena. OUTROS TEMPLOS Visitamos também o templo Wat Ratchanatda e passamos rapidamente por Wat Traimi e Wat Benchamabophit. Dos três, recomendaria somente Wat Ratchanatda e Wat Benchamabophit. O primeiro, pois abriga uma estátua de Buda super sagrada e envolta em mistérios e o segundo devido ao seu jardim externo e a sua forma, que é completamente diferente da maioria dos templos de Bangkok. Templo Wat Benchamabophit Khaosan road e Rambuttri Road Duas das mais populares ruas de Bangkok. Alguns dizem que a Khaosan Road é a mais agitada do que a Rambuttri Road, mas de verdade? Achei ambas muito parecidas. Muitos restaurantes, boates, lojas de massagem, casas de câmbio, música rolando noite a dentro, muita gente indo e vindo. Enfim, é um local a se visitar em Bangkok. Foi na Khaosan Road que fizemos a nossa primeira massagem tailandesa (prometo colocar o local exato). Foram 30 minutos de massagem nas pernas e posso dizer, descobri partes do meu corpo que não sabia que existiam no processo. A dica é pechinchar o preço. Se estiver acompanhado(a), ainda melhor! Chinatown Passamos rapidamente pela Chinatown em Bangkok, considerada a maior fora da China. A sensação é realmente que estamos mudando de país e entrando em outro. Várias lojinhas de produtos chineses, medicinais, alimentos secos, de tudo! Vale a pena a visita e se tiver tempo, pare em um dos restaurantes de rua para saborear uma comidinha chinesa de qualidade. Ayutthaya Localizada à 80 km de Bangkok, as ruínas mostram somente um pouco do que foi uma das mais cosmopolitas e vibrantes capitais do sudeste asiático. Ela foi a capital do reino de Sião, sendo destruída e saqueada em 1767. Os sinais da destruição causados pela invasão Birmanesa podem ser vistos até hoje, com centenas de estátuas de Buda decapitadas e marcas de fogo por todos os lados. ✅ Dica: A vestimenta apropriada é exigida para entrar em alguns dos templos (diria regra geral para todas as atrações religiosas da cidade). Se não tiver, eles não deixam entrar e não existe aluguel de roupas do lado de fora como no Grand Palace. Se você tiver tempo sobrando em Bangkok, sugiro fortemente uma visita. Fomos de trem (20 bath cada trecho por pessoa) e lá em Ayuttaya, negociamos um tuk tuk, 1100 bath por 5 horas de passeio. Visitamos os seguintes templos: Wat Yai Chai Mongkhon, Wat Maha That (famoso pela cabeça de Buda na árvore, Wat Phra Si Sanphet, Wat Lokkayasutharam (Buda reclinado) e Chai Watthanaram. Não consegui achar nenhum site confiável com os horários de funcionamento dos templos. O que pude ver nos fóruns por aí é que abrem pela manhã e fecham ao anoitecer, por volta das 17h-18h. Onde Comemos Fomos para Bangkok querendo conhecer 2 restaurantes de rua super famosos: o Thipsamai Phad Thai e o Jay Fai. Os demais foram escolhidos através do TripAdvisor. Segue a lista completa: Thipsamai Phad Thai: Melhor restaurante (na nossa opinião) pra comer Phad Tai em Bangkok. Fomos duas vezes e nas duas, saímos com um sorriso de satisfação estampado no rosto. Jay Fai: Restaurante de comida tradicional tailandesa com 1 estrela no Guia Michelim. Por causa disso, costuma ser cheio e o preço é bem salgado. Ama (pertinho do templo do Buda reclinado): Restaurante de comida tailandesa com influencias do reggae. Recomendadíssimo. The Sixth 6th: Se quiser tomar um chá gelado, café ou drinques diversos, esse é lugar. Fica perto do pier de embarque para Wat Arun. É bem pequeno, mas guarda um charme bem interessante Tubtim Bed&Breakfast: localizado na Rambuttri Road, é uma espécie de hostel com restaurante. O local é bem agitado e com preços convidativos. Assistimos à alguns jogos da copa do mundo lá. Conclusão sobre Bangkok Bangkok, uma cidade grande, com ar de capital, clima de cidade litorânea e com muita tradição, história, religião, modernidade e caos misturados. Voltaríamos sem nenhuma dúvida, melhor dizendo, voltaremos sem nenhuma dúvida, pois ainda temos muito pra ver e Bangkok será sem dúvida o ponto de chegada da nossa próxima visita à Tailândia. Quer ler mais sobre as nossas viagens? É só acessar o nosso site: www.feriascontadas.com
  3. Não sei se é possível descrever o que vivemos nesse dia. Planejamos ver o nascer do sol em Tikal sem saber muito o que esperar. Imaginava uma arquibancada, montada entre as ruínas, onde os visitantes poderiam se sentar e assim observar a estrela do show, o sol. Foi com esse espirito que fomos visitar uma das ruínas maia mais importantes. O espetáculo começaria bem cedo, por volta das 5 horas da manhã. Chegamos em Tikal, Guatemala, por volta das 4 horas, depois de 1 hora de transporte. Tudo estava indo como planejado. Até o clima resolveu ajudar. Se esperava chuva e tempo ruim durante toda a visita. Entretanto, ao sair do carro e olhar para cima, só dava pra ver a lua cheia, sozinha no céu. Só via algumas nuvens, mas nada de mais. O guia nos levou à entrada, onde os ingressos foram validados e depois, tivemos um pequeno e rápido café da manhã antes de começar a desbravar Tikal na escuridão. Seguimos por uma trilha em plena escuridão. A experiência foi algo difícil de descrever. Não havia mais ninguém ali, Tikal era só nosso e seria assim por mais algumas horas. Logo atrás do guia, o grupo seguia em silêncio, um atrás do outro. Silêncio esse que era interrompido por alguma explicação do guia sobre Tikal. Após alguns minutos de caminhada, o guia virou e apontou na direção da lua. Apontava para uma pirâmide maia imensa, que tampava a lua e criava uma sombra escura, era uma cena de filme. Esse foi só um aperitivo. Aquela era a entrada da praça central, local mais importante de Tikal. Tentei tirar fotos, mas a câmera fotográfica não foi capaz de capturar o que os nossos olhos estavam presenciando. Parecia que éramos os primeiros ali e que havíamos descoberto uma cidade abandonada no tempo. Ali do meio da praça central, o guia nos explicou tudo sobre os rituais maias, inclusive dizendo que Tikal ainda recebia descendentes de maias que usam o local para prestar culto aos seus deuses e antepassados. Foi definitivamente a melhor aula de história da minha vida. Rumo ao Templo IV Até ali não tinha muita ideia de onde nós iríamos ver o por do sol. Lembra da ideia da arquibancada na praça central? Não podia estar mais errado. Saímos de lá e seguimos em frente. Alguns minutos depois, estávamos subindo uma grande escadaria. Era imensa. No final, as escadas deram espaço a rochas e a uma grande arquibancada de pedra . Era o Templo IV, um dos maiores templos maia já descobertos até então. Algumas pessoas já esperavam sentadas aguardando o nascer do sol. Nos sentamos, olhamos pro céu e nenhum sinal de nuvem ou chuva. O cenário estava montado, tudo perfeito em seu devido lugar, agora era aproveitar em silêncio o espetáculo começar. Os raios de luz começavam a sair, se misturavam com a escuridão. Formavam a cada segundo uma nova pintura, com diferentes cores e com diferentes intensidades Nascer do sol do alto do Templo IV em Tikal. Fomos em Outubro, época de chuvas e olha o que presenciamos? Mas para quem pensa que o espetáculo era destinado somente ao nascer do sol, está muito enganado (como eu estava). O barulho da floresta se despertando era o verdadeiro espetáculo. Os animais acordavam e começavam a cantar por todos os lados. Macacos, pássaros e insetos entoavam suas vozes para de alguma forma agradecer o renascimento do sol. O silêncio também era parte do show, ali do alto do Templo IV em Tikal. Todos estavam perplexos com a beleza do instante e não se permitiam mover nem se quer um músculo, para evitar perder um segundo da experiência. Ficamos lá em cima por quase 2 horas entre fotos, olhares no horizonte e ouvidos na vegetação. No final, quando tínhamos que nos despedir, ficou a sensação de dever cumprido. Uma viagem inteira repleta de bons momentos e grandes experiências não poderia ter acabado melhor. Senti imediatamente minha mente se desligando por completo. Era como se quisesse dizer que já era suficiente, que eu já havia conseguido o que buscava. Agora era somente hora de lembrar. Lembrar de tudo que passamos, de todos os sois que vimos, nascendo e se pondo, de todos os vulcões que subimos e descemos, de todos os locais que chegamos e partimos. Desbravando o restante de Tikal Descemos e ainda não havia ninguém no parque. O guia nos levou em várias construções, nos explicou o significado de cada uma, nos mostrou piramides que ainda não foram restauradas (Templo III) e deu detalhes sobre os principais pontos da cidade de Tikal, até o retorno definitivo à praça central (Gran Plaza). Entretanto, o ponto forte do guia eram os animais e plantas do local. Ele descrevia todos os pássaros que via e nos mostrava plantas com características peculiares. A mistura de natureza e história não poderia ser melhor. No final, tivemos mais umas 2 horas para andar por conta própria. Aproveitamos o parque vazio para subir nos templos, sentar nas escadarias e explorar as áreas remotas, sem muito tráfego ou pessoas disputando para tirar fotos. Valeu muito a pena pena! Quer ler mais sobre as nossas viagens? É só acessar o nosso site: www.feriascontadas.com
  4. Depois de uma viagem cansativa de quase 4 horas, enfim estávamos na cidade de Otaválo. A cidade é famosa pelo seu mercado de artesanatos. Dizem até que é o maior mercado indígena de artesanato do mundo. Era tardezinha de sábado, dia de maior movimento e quando o mercado aumenta consideravelmente de tamanho. A nossa expectativa era de encontrar uma grande feira ao ar livre, muita gente e produtos variados. Não podíamos estar mais certos. A maioria das barracas eram de artesanatos típicos, casacos, camisas, ponchos e as famosas lembrancinhas coloridas característica dos países andinos. Pra nós particularmente, que gostamos de visitar mercados pra provar as frutas e culinária local, o mercado de Otaválo não era lá tão impressionante. Em algumas partes, era possível encontrar barraquinhas de frutas e algumas vendendo comidas típicas, mas nada além disso. As que mais chamaram a atenção foram a famosa barraquinha com um porco assado deitado em uma bandeja de metal (consumido com arroz e batatas) e um barraquinha que preparava um doce de figo que era comido dentro de um pão. Parecia gostoso, mas não provamos (não temos fotos pois tínhamos esquecido o cartão SD em casa). Pra não passar batido no quesito comida naquela tarde, paramos em uma venda de empanadas argentinas e nos deleitamos com empanadas de frango, espinafre e maçã com canela acompanhadas de um suco de graviola natural sensacional. Voltamos pra o hostel já prontos para arrumar as coisas e se preparar para o dia seguinte quando decidimos sair novamente para comprar o cartão SD e de quebra visitar novamente a Plaza de Los Ponchos. Quando chegamos, já bem no início da noite, tudo havia mudado. O mercado de artesanatos tinha virado um mercado noturno com várias barracas de comidas típicas e vendedores de quinquilharia. Parecia até mais movimentado do que durante o dia. A fome bateu e lá estávamos nós olhando barraca por barraca em busca do próximo prato a ser degustado. Paramos em uma barraquinha que vendia bolinhas de purê de batata com carne frita e ovos acompanhado de salada. Uma delícia! As tais bolinhas de purê de batata. Fala aí se não é uma verdadeira pamonha? Depois, vimos o que parecia uma pamonha mais fina. Com experiências passadas, sempre que provávamos algo que lembrava pamonha, o gosto não tinha nada a ver. Para a nossa surpresa, era uma verdadeira pamonha, que os equatorianos chamam de Humita. Foi uma experiência culinária de fato, daquelas que amamos viver quando viajamos. Voltamos pro hostel empanturrados e felizes. Otaválo guardou o melhor para o final e foi uma bela surpresa. Agora era descansar para o dia seguinte, quando faríamos a trilha em volta da Laguna Cuicocha, o primeiro passo rumo ao Cotopaxi. Como chegar ao Mercado Artesanal de Otaválo O objetivo é chegar ao Terminal Terrestre Carcelén ao norte da cidade de Quito. Do Centro Histórico, pegamos dois Trolebus (sistema de transporte que lembra o de Bogotá). Pegamos as linhas C1 (parando na estação El Ejido) e C5 (que tem como última estação o terminal de Carcelén). O preço da passagem do Trolebus era de USD 0.25 por pessoa (em 2018). No terminal, compramos as passagens para Otaválo (em torno de USD 2.5) por pessoa. A viagem de lá até Otaválo demorou umas 2.5 horas, mas foi relativamente confortável com direito até a filme. O ônibus para no terminal de Otaválo, que fica a algumas quadras do centro de da Plaza de los Ponchos. Quer ler mais sobre as nossas viagens? É só acessar o nosso site: www.feriascontadas.com
  5. WORLD NOMAD GAMES - QUIRGUISTÃO Nossa experiencia no pequeno país do Quirguistão, que fica na fronteira dos gigantes Cazaquistão e China fica para um próximo post, esse relato é sobre os Jogos Nômades, uma das experiencias mais increíveis que tivemos a oportunidade de participar em nossas vidas: Imagine jogos brutais, tribais realizados a seculos, em todos os países que tem o sangue nômade nas veias, todos reunidos em Cholpon-Ata, no lago Issyk- Kul, maior lago do país. Desde que ficamos sabendo da existência do World Nomad Games, que ocorrem a cada 2 anos desde 2014 no Quirguistão, a ideia de participar de um evento tão único e representativo da cultura nômade não saiu mais da nossa cabeça. Mas ainda estávamos no Cazaquistão e não queríamos passar correndo pelos lugares de natureza, então optamos por chegar apenas para os 2 últimos dias dos jogos. As competições esportivas são a atração central do evento, mas em paralelo, ocorrem diversas apresentações de teatro, música, dança e artes. Representantes de mais de 60 países se enfrentam em dezenas de modalidades, que giram em torno das provas sob o cavalo e de luta livre principalmente. Chegamos à tardinha e fomos direto para o Hipódromo, onde alguma coisa bem emocionante devia estar ocorrendo, considerando os gritos da plateia. Caímos no meio do jogo de Kok Boru, esporte nacional do país e, de longe, aquele que mais encanta as multidões. Imaginem a nossa expressão ao entender o que acontecia em campo: os jogadores, de cima de seus cavalos, perseguiam uma cabra morta, sem cabeça, e deviam arremeçá-lá nos respectivos buracos no fim de cada lado do campo. Na maioria dos arremessos, eles caiam com a cabra (ex-cabra) e tudo pra dentro do buraco, já que imagino a dificuldade de jogar um corpo de 45 quilos montado em um cavalo a galope e em plena velocidade. No meio do caminho, eles se batem e se espancam, visando dificultar o “gol” do adversário. Ficamos bastante impressionados com a brutalidade do esporte, desde o uso de um animal morto até a violência livre entre os jogadores. Mas quando se trata de tradição e cultura, aprendemos apenas a observar. O Kok Boru é jogado há centenas de anos pelos povos nômades, sendo ainda hoje para o Quirguistão e o Afeganistão o que o futebol é para nós. Ficamos desolados ao saber que as competições de caça com águia já haviam terminado. Outra tradição milenar dessas bandas, as águias caçadoras eram extremante importantes para o sustento das tribos nômades ao prover alimento e pele no rigoroso inverno da Ásia Central. Nos dias de hoje, existem pouquíssimos Berkutchi, os homens que ainda mantêm viva a tradição e fazem algumas exibições com suas águias douradas (nome dado devido à cor das penas em sua cabeça). O treinamento das águias caçadoras pode levar até 4 anos e requer práticas um tanto cruéis, como deixar a ave vendada durante a maior parte do tempo, pra que ela dependa inteiramente do seu treinador, e assim esqueça seus instintos selvagens. Durante os Nomad Games pudemos vivenciar de perto alguns esportes totalmente diferentes do que estamos acostumados no Ocidente, em que ficaram evidentes a brutalidade e a raiz primitiva ainda presentes nos povos dessa região da Ásia. Foram imagens pra não esquecer tão cedo. Mais posts e informação no nosso instagram: https://www.instagram.com/pandoraontheroad/
  6. Salve, colegas mochileiros! Esse relato é o resumo de uma viagem econômica bem recente ao Oriente Médio. Quem quiser mais informações, poderá conferir em meu blog Rediscovering the World Dia 1 Em 6 de novembro de 2018 parti à tarde de Floripa ao Rio-Galeão pela Gol. Lá encontrei meu colega Mailton, que havia conhecido pelo fórum Mochileiros, e com quem viajaria junto. Usando meu cartão de crédito Smiles Platinum, pudemos aguardar o voo na sala VIP da Gol, comendo e bebendo à vontade. À noite, embarcamos com a TAP até Porto, onde faríamos uma conexão gratuita de quase 2 dias. Cada trecho do voo custou uns 850 reais, comprando com meses de antecedência. À bordo, o avião meio velho não reclinava quase nada, então foi difícil conseguir umas horas de sono. Dia 2 A janta foi boa, o café da manhã nem tanto. Descemos em Portugal de manhã cedo, passando tranquilamente pela imigração. Deixando o terminal, pegamos o metrô até a nossa hospedagem. O valor varia com a distância, mas fica em torno de 2 euros + 60 centavos pelo cartão recarregável que pode ser usado ainda nos bondes e ônibus. Ao chegarmos no estiloso albergue Rivoli Cinema Hostel, deixamos as mochilas e ainda pudemos aproveitar o café da manhã de graça, antes de sairmos para conhecer a cidade histórica que é patrimônio da UNESCO. A pé, vagamos pelos caminhos de pedra, adentrando construções antigas e importantes, como a Câmara Municipal do Porto. Passamos por diversas edificações, incluindo igrejas e a estação de trem de Bragança, que apresentam os famosos azulejos azuis portugueses em suas paredes. Em seguida, contornamos a Sé do Porto, onde a vista ao interior da cidade é bonita, para então chegar à fascinante Ponte Luís I. Do alto dela se pode admirar o que se eleva às margens do Rio Douro, sendo construções clássicas (ainda que parte delas lembre um pouco uma favela). Mais alto ainda, do outro lado da ponte, fica o Mosteiro da Serra do Pilar, com a vista sobre toda a região. Para isso não se paga, somente se quiser vê-lo de dentro (2 euros). Descemos tudo até a beira do rio. Diversos barcos ficam por lá, alguns para passeios turísticos e outros carregando barris de vinho. Tentamos achar um lugar para almoçar, mas estava meio caro nos restaurantes e até no Mercado Municipal da Beira-Rio, com diversas opções. Ficamos com o rodízio de pizza da Pizza Hut, por 11 euros. Só que saímos de lá meio arrependidos, pois ainda que tenhamos enchido nossas panças, a qualidade da comida deixou a desejar. Atravessamos à outra margem, mais interessante do ponto de vista arquitetônico. Nesse lado, andamos um tanto seguindo o rio, passando em frente a alguns museus. A certo ponto, pegamos um ônibus até a foz do rio, onde fica uma praia e um forte. Descemos lá a fim de ver o espetáculo das ondas atingindo com força total o molhe e o Farol de Felgueiras que lá se encontra. Ficamos até o sol se pôr e levamos um banho das ondas grandes. Caminhamos em direção norte por um calçadão com vários corredores e ciclistas, até um supermercado, onde jantamos uns salgados baratos. Para não dizer que não comi nada local, um deles era de bacalhau. Logo mais, voltamos de metrô até a hospedagem. Pagamos os 15 euros e nos retiramos, bastante cansados pela falta de sono da noite anterior. Dia 3 Tomamos um belo dum café da manhã no albergue. Depois disso, caminhamos sob chuva pela Rua Santa Catarina, onde fica o comércio. Pegamos algo para comer no caminho, indo de metrô até a última estação no norte, Póvoa de Varzim. Ao passar por um aqueduto, cerca de uma hora depois chegamos. A primeira parada na cidadezinha foi a Praça de Almada, que é a central. Depois de umas fotos, vimos a Igreja Matriz, também bonita. Em sequência, entramos no Museu Municipal de Etnografia e História da Póvoa de Varzim. A entrada normal é de apenas 1 euro, mas naquele dia não pagamos nada. Há uma dezena de salas retratando a arqueologia e a história da região, bem como os costumes mais recentes dos povoanos (gentílico de Póvoa de Varzim).. Por fim, adentramos na Fortaleza de Nossa Senhora da Conceição, que mantém apenas a estrutura externa, do alto da qual se pode ver a bela orla da cidade. Compramos uns doces numa pastelaria (pastelarias não vendem pastéis em Portugal) e aguardamos o metrô para regressar e chegar no aeroporto. Com um pouco de atraso, decolamos na TAP ao aeroporto de Malpensa em Milão, um voo de 2 horas sem nem telas de vídeo. Na chegada, esperamos o transfer incluído da hospedagem em que ficamos (Bosco Gadda Bed & Breakfast - 49 euros o quarto duplo), bem próxima desse aeroporto. O quarto e o banheiro são impecáveis, e o local, no meio do mato, silencioso. Dia 4 Tomamos um café razoável e voltamos ao terminal aéreo, dessa vez para voar a Atenas com a Aegean (57 euros até a Turquia). Ganhamos um lanche a bordo. Ficamos esperando por 4 horas no aeroporto até o voo seguinte à Turquia. Há um pequeno museu gratuito com as descobertas arqueológicas na área do aeroporto. Comprei uma pasta de húmus e pão num mercado grego para almoçar. Fui espremido por um turco obeso no turboélice até Istambul, já à noite. No aeroporto Atatürk, compramos o cartão de transporte Istanbulkart (6 liras turcas ~ 4 reais), que serve pros dois, carregamos ele (só dinheiro é aceito) e o usamos no metrô (2,6 liras independentemente da distância + 1,85 a cada mudança de linha). Assim, chegarmos um tempo depois na Koçak Pansiyon. Foi lá onde dormimos, a 18 euros por um quarto razoável pra dois sem café. Dia 5 Pegamos o metrô até a estação Yenisahra. Na saída, fizemos um lanche na confeitaria Nuga. Comi um salgado com queijo e um smoothie por 16 liras, que puderam ser pagos com cartão de crédito. Em frente, tomamos o ônibus Havabus (14 liras), que parte a cada meia hora até o outro aeroporto (Sabiha Gökçen). Nada mal esse caminho. De lá, voamos a Diyarbakir com a cia de baixo custo turca Pegasus Airlines. O aeroporto de Diyarbakir é novinho, assim como uma parte da cidade por onde passamos no táxi superfaturado de 40 liras até a cidade velha. Descemos no portão Urfa e atravessamos as muralhas parcialmente erodidas da parte histórica. Caminhamos pela rua principal, cheia de comércios, aos olhos de todos que passavam pelos únicos turistas. Almoçamos no Mesopotamya, um café com música ao vivo. Um pratão de frango com molho apimentado, acompanhado de vegetais verdes e pães, custou 25 liras pra cada + 5 de couvert. Depois da substancial refeição, desviamos por uma das vielas, mas não achamos uma ideia muito boa, pois os becos são um pouco sinistros. Ao pôr do sol, entramos na mesquita Ulu Cami, a principal. É bonita por dentro e não se paga para conhecer. A presença da polícia nas ruas é marcante. De vez em quando se vê algum portando uma arma de guerra ou um veículo blindado. Por fim, subimos as muralhas da Fortaleza de Diyarbakir. Patrimônio da UNESCO, está preservada, ao contrário da zona a sua volta, que mais parece que foi atingida por um míssil. À noite, as muralhas, o jardim interno e a mesquita ficam iluminados, incrementando o visual. O museu já estava fechado, mas descobri que o complexo começou a ser erguido pelos romanos, passando a outras civilizações até os otomanos. Pegamos um táxi até a rodoviária (Otogar) por 28 liras. Organizada, bastou recolher nossos bilhetes comprados na internet, e aguardar até às 20h para a saída a Erbil, no Iraque. O custo foi de 150 liras num ônibus VIP, com tela de vídeo, tomada e líquidos. Só que faltou banheiro, espaço e inclinação maior nos assentos - não que esses últimos itens façam diferença, já que é impossível dormir. Dia 6 As paradas, inclusive policiais, foram várias. À 1 da manhã, jantamos uma refeição de 25 liras num restaurante bem na fronteira com a Síria, um lugar bom pra relaxar, só que não. Se não bastasse isso, o motorista guiou o ônibus dali até chegar no Iraque pela contramão, visto a fila quilométrica de caminhões que bloqueava a via correta. Deixamos a Turquia pela fronteira de Ibrahim Khalil. Nessa hora, entramos na sala onde conseguiríamos o visto para o Curdistão (que é diferente do iraquiano) ou não. Os oficiais nos fizeram algumas perguntas, olharam algumas listas atrás de informações, e a tensão ficou no ar… Mas felizmente nos deram um visto para 30 dias! Felizes com o sucesso, seguimos o resto do caminho, conseguindo dormir praticamente nada até a chegada a Erbil, com o sol já de pé. Isso foi às 7 da matina, ou seja, a viagem durou nada menos que 11 horas! Compramos a passagem de retorno (25 dólares) no terminal e vagamos que nem uns zumbis por quase 6 km até o hotel de Erbil. Nesse caminho não vimos absolutamente nada de interessante. Mas nos chamou a atenção a quantidade de câmeras de segurança e guardas armados com fuzil, o lixo jogado em qualquer lugar, bem como a alta proporção de fumantes, que praticam o ato até mesmo em lugares fechados. Conseguimos aproveitar ainda o exótico café da manhã do hotel Altin Saray, onde fizemos check-in. Teoricamente é 4 estrelas, mas de forma alguma eu o consideraria com mais de 3, visto seu estado de conservação e amenidades. Ao menos possui wi-fi. A diária custou 50 dólares, dividido em 2. Com o sol já quente, deixamos o quarto para nos aventuramos nos arredores. Trocamos dólares na cotação padrão (1200 dinares iraquianos por dólar) em uma das bancas na rua - Erbil é segura o suficiente para isso e os curdos são honestos. Depois, prosseguimos à cidadela, patrimônio da UNESCO que fica em um monte no meio da cidade. Apesar de ter uma história antiquíssima, com habitação contínua por cerca de 6 mil anos, as muralhas e demais construções em barro estão decadentes, e a restauração está deixando tudo muito artificial com itens modernos. Não se paga nada a entrar, somente os museus internos. Fomos nos 2 que estavam abertos: o têxtil (mil dinares) e o de geologia (1500 dinares). Fora isso, há uma mesquita e a vista dos 2 lados dos portões, mas a maior parte da estrutura interna está inacessível. Descemos do outro lado e um pouco depois achamos um lugar pro almoço. Com 8000 dinares cada, recebemos uma infinidade de comida no restaurante Ranya. O principal era o kebab, mas os acompanhamentos foram excessivos. Que nem bolas, rolamos até a parada seguinte, a majestosa mesquita de Jalil Khayat. Pegamos umas paradas no Carrefour do shopping ao lado, e em meio ao trânsito caótico, voltamos. Enquanto o Mailton foi pro hotel descansar, eu fui na cidadela assistir o sol se pôr e o chafariz da praça se elevar. Acabei fazendo amizade lá com um curdo e um árabe, que me pagaram um chá enquanto conversávamos. Depois disso me retirei ao hotel e desmaiei. Dia 7 O conforto do quarto estava bom, pois dormimos em torno de 12 horas! Depois do café, saímos a caminhar. Primeira parada: Erbil Civilization Museum. É um museu gratuito, com 3 salas, onde ficam diversos artefatos das civilizações que viveram no Curdistão no passado, principalmente os povos da Mesopotâmia. Enquanto vagávamos em direção aos parques, fomos repreendidos por tirar fotos que não deveríamos, uma paranóia só. Entramos em 4 parques, todos eles quase vazios, com a maioria das lanchonetes fechadas e dos chafarizes desligados. Aqui é tão seco que a água evapora dos lagos artificiais de uma hora pra outra. O primeiro parque foi o Gilkand, cujo destaque é uma cascata artificial. Depois, o Shanadar, que tem um mirante. Também é cruzado por um teleférico (que não estava ligado) até o seguinte, Minare Park. Seu nome é devido a um minarete antigo que se encontra dentro dele. Almoçamos em seguida no Supass, lanchonete onde comi um prato de saladas e tal por 3 mil dinares. Me deu uma zica no estômago, mas não tive onde me aliviar, pois nem ali e nem os parques eu poderia usar o banheiro, a não ser que fizesse de cócoras e limpasse o traseiro só com água - costume local que eu fiz questão em não aderir. O último parque (Sami Abdulrahman) é o maior deles, mas igualmente vazio e desprovido de grandes atrações. Nem os jardins são muito bonitos. De lá, tomamos um táxi ao Syriac Heritage Museum por 5 mil contos. Só que ao chegarmos lá, tivemos o desapontamento dele estar fechado. Não obstante, fomos ao sítio arqueológico vizinho de Qasra Knoll, onde foram achadas evidências de uma ocupação fortificada desde o tempo dos assírios. Apesar disso, não há controle e proteção alguma; os buracos das escavações estão cheios de lixo, como a maior parte de Erbil. Com uma procura básica, conseguimos até mesmo encontrar uns pedaços de cerâmica encravados na terra. Com o sol descendo, voltamos ao centro, mais precisamente no Bazar, o mercadão coberto. Provamos uns doces gostosos enquanto atravessamos os becos que vendem vários artigos, mas quase nada de souvenires. Ainda assim, levamos pedaços de tapetes curdos por 5 mil. Tiramos umas fotos da iluminação noturna ao redor e voltamos ao hotel. Dia 8 Tentamos alugar um carro, mas de última hora estava caro demais, então fomos até o terminal de ônibus. Lá, logo conseguimos um táxi compartilhado até Shaqlawa, ao preço de 20 mil dinares pelo carro ou 5 mil por passageiro. O veículo seguiu para as montanhas, passando pela pequena fortificação Khanzad, alguns vilarejos e checkpoints, até chegar em nosso destino uma hora depois. Descemos do veículo ao pés do santuário cristão e muçulmano Raban Boya, que fica quase no alto de um morro. No começo há um cemitério, depois alguns mirantes. Mas nada além, só pedra e lixo. Cruzamos por uma única pessoa até chegarmos na escadaria final, que atravessa um portal no paredão rochoso. Só que dentro dele, onde deveria haver o tal santuário, não há absolutamente nada. Para não perdermos a viagem, decidimos escalar ao topo do morro, só que nessa parte não há trilha, é realmente necessário escalar entre as rochas e árvores do vale. Foi duro e perigoso, mas poucas horas depois chegamos a um ponto 400 metros acima, onde encontramos vestígios de armas de guerra. Nessa hora, apreciamos um pouco a vista e decidimos descer, já que não queríamos virar alvo do Estado Islâmico. Continuamos descendo entre as ruas da cidade, com algumas belas moradias, por sinal, até acharmos um restaurante. Pedimos arroz e frango, mas como quase ninguém fala inglês nesse país, recebemos tudo quanto é vegetal menos arroz, além do frango. A refeição custou apenas 5 mil dinares para cada um. Por fim, chegamos ao movimentado centro. Entre as diversas lojas de guloseimas disponíveis, provamos crepes, milkshakes e sorvetes, incluindo o sabor romã, que é a fruta mais típica da região. Preços entre 1000 e 2500 dinares. No centro mesmo dividimos um táxi para voltar a Erbil, mas dessa vez tivemos que esperar um pouco. Na chegada, perambulei pela rua para, entre uma dezena de carrinhos de comida de rua, encontrar uns sanduíches de mil dinares para guardar para a janta. Dia 9 Partimos às 9 e meia na mesma companhia, mas num ônibus pior dessa vez, e vazio. Minha poltrona não reclinava, o ar não funcionava, nem o wi-fi e a tela de vídeo idem. E dá pra acreditar que o motorista foi fumando dentro do ônibus enquanto dirigia? No trajeto todo, da janela só se viu paisagens semi-desérticas monótonas. O que não foi monótono foi o interrogatório pesado que nos fizeram na entrada da Turquia, achando que éramos terroristas. Por muito pouco não nos negaram a entrada… Novamente a jornada durou 11 horas. Pegamos um táxi na chegada até o portão norte da cidade velha, onde ficamos no hotel Kaya. Um quarto decente pra 2 com café custou 15 euros no total. Ficamos vendo um pouco de TV na Al Jazeera e dormimos em seguida. Dia 10 O café do hotel foi um pouco fraco, mas pelo preço não deu pra reclamar. Caminhamos ao redor de toda a muralha da cidade antiga de Diyarbakir. Ao sul ficam os jardins de Hevsel, também incluídos no Patrimônio da Humanidade. Com a volta completa, paramos no museu da fortaleza. A entrada é de 6 liras, mas nos deixaram entrar de graça. Há algumas construções modernas que abrigam em seu interior peças e informações históricas e arqueológicas de períodos antigos desde os povos da Idade da Pedra da região da Anatólia. Há também um castelo e uma mesquita em ruínas. Bacana. Almoçamos numa das muitas lanchonetes de kebab, pagando 5 liras num sanduba desses. Depois negociamos a ida ao aeroporto por 30 liras no total. Lá aguardamos o voo de retorno a Istambul pela Pegasus. Com um bocado de horas até o embarque do voo seguinte a Teerã, passamos o tempo no shopping Viaport Outlet que fica próximo do aeroporto Sabiha Gökçen (20 liras de táxi). Quase virando o dia, embarcamos mais uma vez com a Pegasus, até a capital do Irã. Dia 11 O voo foi uma droga. Além das poltronas não reclinarem absolutamente nada (como em todos os voos da Pegasus), a descida foi de uma turbulência tremenda. Ao desembarcar, precisamos comprar o seguro de saúde (14 euros ou 16 dólares) e pagar pela emissão do visto (80 euros ou 92 dólares), cujo formulário havia sido preenchido e pré-aprovado no sistema de eVisa. Enfim, consegui entrar no meu país/território de número 100! Comemoração sem álcool, já que no Irã é totalmente proibido. A troca de dinheiro foi outra saga. No guichê de câmbio na área de retirada de bagagem a cotação era baixa, então fomos recomendados a trocar no câmbio da área externa no andar acima. No caminho, fomos interceptados por cambistas que tentaram nos enganar, dizendo que a cotação da tal casa de câmbio era pior, o que não era verdade, pois conseguimos 110 mil rials (ou 11 mil tomans, mais usado no comércio) por cada dólar, muito melhor que a cotação oficial de 42 mil! Essa cotação atualizada diariamente pode ser conferida no site Bonbast. Certifique-se de estar levando dinheiro suficiente, pois no momento não são aceitos cartões de crédito internacionais nem pra pagamento e nem pra saque. Como o metrô só abriria às 6 e 50, e a distância até a cidade é longa, negociamos com um táxi para nos levar por 10 dólares até o terminal doméstico de Mehrabad, já dentro de Teerã, onde voamos com a Mahan Air até Shiraz, no Sul do Irã. Pagamos 260 reais cada para comprar a passagem pela internet. O voo foi num BAE-146, mesma aeronave que vitimou o time da Chapecoense. Há um baita espaço interno nesse avião antigo. Também serviram um lanche e uma revista. Ao pousar com sucesso, não foi dessa vez que usamos metrô, pois ele fecha no dia sagrado do islã (sexta-feira). Um táxi (200 mil rials) nos deixou no hotel Niayesh, onde nos hospedamos por míseros 5 dólares a cama com café. É bem organizado e limpo. Almoçamos no próprio restaurante do albergue, num tapete no chão. Escolhi o prato típico “kalam polo” com arroz, repolho e temperos e um suco. A comida deu 220 mil, ou seja, apenas 2 dólares. Caminhamos em seguida pelas atrações ao redor, sob chuva moderada. Primeira visita foi guiada gratuitamente no santuário Islâmico Shah Cheragh. É um espaço grande preenchido por pátios, mesquita e uma sala que contém o túmulo do homenageado pelo conjunto. A decoração de todo conjunto é bela e interessante como as demais iranianas, mas a sala do túmulo é especial, pois é toda preenchida por micro espelhos. Visitamos depois o Naranjestan, que contém um jardim de laranjeiras, o casario antigo de Zinat Al-Moluk e um museu de antiguidades arqueológicas persas. Vale o investimento de 200 mil. Algumas das atrações estavam fechadas, então seguimos pra última do dia, a Cidadela de Karim Khan. As muralhas restauradas e iluminadas à noite em uma área agradável de Shiraz são impressionantes. O seu interior, ao custo de 200 mil rials, nem tanto. Jantamos frango com arroz numa lanchonete por somente 160 mil e voltamos para o hotel. No primeiro dia já me senti bem seguro, ainda que a presença policial e militar fosse menor que no Iraque. As pessoas olham bastante pro alemão aqui e até cumprimentam, pedem foto e fazem perguntas, mas é mais por curiosidade mesmo, e não interesse. Dia 12 Às 7 tomamos o café, que nos surpreendeu pela qualidade, pois meia hora depois começamos um tour pelas cidades antigas do Império Persa. Reservando com a própria hospedagem e executado pela agência Key2Persia, custou 30 euros com transporte, um bom guia, entradas, lanche e refeição. Sessenta quilômetros separam Shiraz de Persépolis, a principal capital dos persas durante o período Aquemênida. Ela está em ruínas principalmente devido à invasão de Alexandre. São 200 mil rials de entrada para se ver portais, colunas, pavilhões e murais adornados dos palácios que compunham a cidade da auge do Império Persa, quando era formado por 28 povos da Líbia à Índia. Além disso há um museu e as tumbas dos imperadores Artaxerxes II e III, que ficam num morro de onde se vê toda a capital. Em seguida, visitamos a necrópole próxima, chamada Naqsh-e Rostam. Por mais 200 mil se vê o exterior das impressionantes tumbas dos demais imperadores persas, entalhadas na montanha. Abaixo delas ficam murais em alto-relevo do período Sassânida e o “cubo” do zoroastrismo, religião oficial que foi a primeira monoteísta no mundo. Almoçamos no restaurante e hospedagem tradicional Ojag Seyyed. A decoração é autêntica e os diversos pratos típicos deliciosos. À tarde, paramos em Pasárgada, a capital anterior. Aqui já não há tanto para se ver como em Persépolis, e as ruínas estão mais espalhadas. A principal é o mausoléu de Ciro, o Grande, mas também há palácios menores. Na entrada ficam lojas com souvenires. Comprei uma estátua do homem alado representante do zoroastrismo por 200 mil rials. Tomamos um chá ali perto e voltamos com o sol se pondo atrás das montanhas áridas da região de Fars. Descemos direto no Vakil Bazar, mercadão coberto. A exemplo do Irã em geral, os preços aqui são bem baratos. Compramos alguns tapetes pequenos estilosos em torno de 150 mil cada. Se tivéssemos espaço suficiente eu levaria pra casa toda. Tomei um gostoso suco natural de romã (100 mil), antes de voltarmos pro hotel para jantar. Comi um tal de “tahchin” de frango por 220 mil. Dia 13 A noite foi bem dormida nesse quarto bacana. O café bem aproveitado sem pressa. Em sequência, fomos à mesquita rosada (Nasir Al-Mulk), assim nomeada devido à refração da luz solar sobre vitrais coloridos num salão interior. Esse efeito só ocorre pela manhã, e quanto mais cedo melhor - tanto pela intensidade quanto pela lotação. Tiramos uma fotos e seguimos de táxi (150 mil) ao portal Qoran Gate, na saída de Shiraz. Ele estava em reforma, mas ainda deu pra ver algo. Além disso, subimos as escadarias do morro ao lado para termos a vista da cidade inteira. Ao descer, passamos pelo Jahan Nama Garden, que não vale nem o tempo e nem o dinheiro. Caminhamos em frente ao mausoléu de Hafez, também nada de mais pra turistas. Poderíamos voltar de metrô, mas o táxi é tão barato que quase não compensa. Almoço típico no hostel e check-out, visitamos o Eram Garden antes da partida. É um jardim botânico que faz parte de um patrimônio da UNESCO. Não obstante, é pouco interessante. Vi alguns passarinhos no jardim; praticamente a única fauna nativa até então. Passando mais tempo no trânsito, percebemos como ele é frenético e, ao contrário do Curdistão Iraquiano, os carros aqui são bem velhos. Na rodoviária pegamos um ônibus espaçoso até Yazd. Compramos antecipadamente pela internet por quase 10 euros, mas poderíamos ter deixado para comprar na hora por menos da metade do preço. Seis horas depois, descemos na rodoviária da outra cidade, onde seguimos pela noite num táxi possivelmente clandestino (200 mil) até o Dalan-e Behesht (4 euros a diária com café). No check-in já aproveitei para usar a máquina de lavar roupa de graça, enquanto jantei uma baita refeição de apenas 155 mil. O quarto ficou só pra gente novamente. Por 6 euros por pessoa, não é tão bonito quanto o outro. Dia 14 O café da manhã foi fraco. De barriga não totalmente cheia, caminhamos pela cidade de adobe (barro+palha). Todo a parte antiga, com alguns milhares de anos, é feita desse material, o que lhe rendeu o título de Patrimônio da Humanidade. Descobrimos o que parece ser um cemitério abandonado ou bombardeado. Chamado Imam Zadeh Jafar Fateh, num pavilhão no meio da cidade velha estavam mausoléus caindo aos pedaços, com lápides espalhadas a esmo. De volta à rua, comprovamos a hospitalidade iraniana ao ganharmos laranjas ao passarmos em frente a uma fruteira. Um pouco além, conhecemos uma construção típica de Yazd, o reservatório de água Rostam-e Giv, que é uma semiesfera com quatro torres exteriores com aberturas que servem para refrigerar o ambiente, e realmente funcionam. Logo depois fica o templo de fogo da religião Zoroastrismo (Zoroastrian Fire Temple), cuja entrada custa 150 mil rials. Há uma estrutura que mostra um pouco sobre essa religião e que contém o fogo sagrado, que segundo contam, é mantido aceso há milhares de anos. Pegamos um táxi até uma das bordas da cidade, onde ficam dois dos montes funerários chamados de Tower of Silence (150 mil). Os seguidores da tal religião sepultavam os defuntos de uma forma diferente, levando-os ao topo de um morro e colocando eles numa vala aberta para, com o uso de ácidos e aves saprófagas, decompor os corpos. Com o comércio quase todo fechado no começo da tarde, tivemos que caminhar um tanto para acharmos um que servia kebab azerbaijani por 250 mil. Descobrimos que a cidade praticamente para das 13 às 17 horas. Visitamos brevemente a praça do Amir Chakhmag Complex, antes de vagarmos por quase meia hora até outro do conjunto de jardins tombados pela UNESCO. Esse se chama Dowlat Abad Garden, sendo que paga-se 150 mil pra entrar, mas também não nos convenceu. Tirando uma pequena mata seca, há um canal de água com fontes em frente à maior torre de vento de Yazd. Uma coisa boa desse município é que há bebedouros espalhados pela cidade, imprescindível com a baixa umidade do ar que faz. Com o sol sumindo e o comércio reabrindo, tomamos na praça anterior sorvetes deliciosos. Estava tão barato (40 mil) que peguei 5 bolas. As mesquitas são iluminadas à noite. Passamos por algumas delas até que eu entrei na Jameh Mosque (80 mil), enquanto Mailton voltou ao hotel. Na saída, fui abordado por um grupo de estudantes iranianos que queriam praticar o inglês. Foi bacana o papo. Terminei o city tour pelos becos sem problema algum de segurança, até achar novamente o Dalan-e Behesht. Por fim, jantamos o mesmo da noite passada. Dia 15 No check-out paguei em euros, pois a cotação estava ainda melhor que antes (1450 rials). Em seguida, negociamos no hotel um tour privado pras cidades vizinhas por 15 euros no total. Só foi deixarmos Yazd que o deserto árido e montanhoso tomou conta da paisagem o dia todo. A primeira parada foi em Kharanagh. Aqui ficava um vilarejo de adobe até uns 50 anos atrás, quando todos deixaram o local devido à falta de recursos. Hoje em dia pode ser visitado de forma completa, inclusive escalando pulando sobre os telhados que estão se desmanchando. A vista das construções arruinadas é de outro mundo. Não se paga nada aqui. Já no caravansarai em frente, 50 mil. É uma das mil unidades desse tipo espalhadas pelo país que foram construídas há centenas de anos para abrigar os viajantes e seus animais. Nas retas intermináveis ao ponto seguinte, o motorista chegou a insanos 170 km/h. Chak Chak (100 mil) é outro local sagrado do zoroastrismo, onde os seguidores se refugiavam dos árabes. Fica escondido entre montanhas ferrosas, e seu nome é devido ao gotejamento de água que há nesse local e que propicia a vida. Há vários mirantes, mas o melhor é um monte que fica de frente ao complexo, mas fora da rota. O final foi em Meybod, uma cidade antiga. Entrei no Narein Castle (150 mil), fortificação de adobe, e vi de fora a torre onde se coletava fezes de pombo e o salão onde se mantinha o gelo sem eletricidade. Finalmente, entramos no caravansarai, que não se paga, onde ficam lojas e museus. Almoçamos bem ali por 180 mil, incluindo um buffet de saladas. Experimentei uma cerveja local (somente sem álcool); entre os ingredientes inusitados, ácido ascórbico, ácido lático e água carbonatada. Ao invés de voltarmos a Yazd para pegar o ônibus a Isfahan, nosso motorista achou melhor tentarmos dali mesmo. Acontece que ônibus após ônibus estavam todos cheios, e a noite foi chegando. Até que por 250 mil conseguimos um lugar nada usual. Não havia mais assentos disponíveis, então ficamos na escada. Até que não foi tão ruim, considerando que outros dois coitados tiveram que ficar no bagageiro! Viemos conversando com um grupo de estudantes iranianas no trajeto de 2 horas. Ao descer no terminal de Soffeh, pegamos um táxi ao Annie Hostel, um albergue de verdade. Ficamos num dormitório coletivo por 5 euros, sendo que a limpeza dos ambientes não é o ponto forte. Pedimos um rango vegetariano de tele-entrega para comer antes de dormir. Dia 16 O café de 1 euro foi pão chato em metro com um molho branco que o Mailton comeu e um marrom de lentilha que eu escolhi. Decidimos não repetir no dia seguinte. A longa caminhada pela metrópole de Isfahan começou por palácios e praças bonitas. Pagamos 150 mil no Hasht Behesht, um palácio pequeno com teto de ouro, mas com as pinturas das paredes necessitando seriamente de restauração. Atravessando o agradável Rajayi Park, entramos no museu do palácio Chehelsotoon (200 mil). A construção aqui é alta, com piscinas de água, e com quadros bonitos no interior, mas os andaimes do exterior estragam a paisagem. Bagh Homayoun foi o restaurante típico onde almoçamos. Por 300 mangos pedi o prato iraniano chamado “dizi”, que é uma mistura doida de carne, batata e vários vegetais num molho. Gostei. A grande praça de Naqsh-e Jahan é frequentada pela população local, mas também é turística, então fomos abordados continuamente. Entramos em uma de suas alas laterais e só saímos quilômetros depois. Os corredores são um bazar infinito! Vimos a luz do dia novamente na grande mesquita de Isfahan (Jameh Mosque). Por 200 mil, visitamos seu interior, de arquitetura interessante. Em seguida, estreamos o metrô. Assim como as demais cidades grandes do Irã, Isfahan possui um moderno sistema de trem subterrâneo. Nos deixaram usar de graça. Descemos numa estação ao sul da cidade, uma área bacana. Resolvemos entrar na confeitaria Amooghannad, que descobrimos ter doces bonitos, bons e muito baratos. Por menos de 1 dólar comi 8 deles - fora as amostras grátis que nos ofereceram. Perdemos a visita às igrejas próximas por já estar no pôr do sol, mas nem nos importamos. Seguimos ao ponto turístico seguinte, melhor visto à noite. É a ponte Si-O-Se-Pol, com diversos arcos, que atravessa um leito de rio largo absolutamente seco! Passamos mais um tempo à toa no movimentado centro, comendo, até voltar ao albergue, onde conhecemos uma chinesa. Dia 17 Esse dia foi intenso. Eu, Mailton e a chinesa pegamos um ônibus de manhã até o terminal de Soffeh (10 mil rials, ou 5 mil se comprar um cartão de 50 mil), de onde caminhamos até a entrada do Soffeh Park. Aos pés da montanha de mesmo nome, pegamos o teleférico até o alto, ao custo de 300 mil pela ida e volta. É possível subir a pé também, por um caminho que passa por um zoológico mixuruca. A estação de teleférico fica a 2040 metros de altitude, enquanto que o topo da montanha está 200 metros acima. A partir dali não há um caminho fácil para seguir ao cume, pois é preciso escalar rochas sem proteção alguma. Por isso, os dois decidiram ficar por lá, enquanto eu fui sozinho. O trajeto é apenas de pedras e solo, nenhum animal ou árvore. Só que a vista lá de cima compensa, pois é possível ver de longe em 360 graus. Além de toda cidade de Isfahan, vislumbra-se montanhas e desertos. Fiquei um pouco no topo, onde tomei um chá com iranianos. Um caminho lateral leva até as ruínas de uma fortificação antiga e algumas cavernas. Como eu precisaria pegar um ônibus para Teerã às 16 horas, comecei a descida às 13:45h. Cheguei à estação 5 minutos depois que ela havia fechado (14h), mas ainda me deixaram descer. Lá em baixo, corri até a estação de ônibus de Soffeh, onde penei pra achar o ônibus certo até retornar ao albergue e pegar minha mochila. Cheguei no Annie Hostel esbaforido, onde reencontrei Mailton. Por sugestão dos anfitriões, pegamos um táxi de aplicativo tipo Uber que saiu por 50 mil, dividido entre nós dois. Enfim, paramos no terminal de Kaveh, trocamos os bilhetes e subimos no ônibus quase no minuto em que ele estava partindo! A viagem, que incluiu um lanche, durou 6 horas com a parada, até a chegada ao terminal sul de ônibus. Só que nós perdemos o ponto e só conseguimos descer no terminal norte. Quando entramos na estação de metrô, o último vagão do dia estava chegando. Pura emoção! Nao precisamos pagar de novo. Descemos algumas estações depois e dormimos no Seven Hostel. Há um banheiro com chuveiro em cada quarto compartilhado de 2 beliches. Dia 18 O café da manhã vem num pacote fechado e é suficiente. Do terraço dá para se ver a montanha nevada ao fundo. Mailton foi pra montanha, então sozinho eu peguei o metrô, que custa 10 mil, independente da distância ou troca de linha, até um dos parques que visitaria no dia. As estações de metrô são decoradas e limpas, ao contrário de certos países desenvolvidos. Desci no ponto do parque Chitgar. Tinha escolhido atravessá-lo em direção ao jardim botânico, uma longa caminhada, pois pensei que escaparia da muvuca da cidade grande, mas acontece que nos finais de semana e feriados os parques lotam, e aqui não foi diferente. Carros com som alto, piqueniques com fogueiras e muitos olhares tiraram minha paz. Só vale a pena passar por aqui se você alugar uma bike pra usar os caminhos designados a elas. Uma dezena de quilômetros depois, almocei uma vitamina doida (180 mil) e prossegui ao National Botanical Garden of Iran. A entrada custa 120 mil, e aqui também estava bem movimentado. Em cerca de 150 hectares (metade das quais com acesso restrito), há uma dezena de jardins de diferentes temáticas, com elementos paisagísticos e espécies das regiões. Só que no outono poucas flores estão coloridas, então não foi tão interessante assim. Voltei de metrô até a estação do albergue, para procurar um lugar para comer de verdade. O melhor que achei foi um self-service de falafel (bolinho frito de grão-de-bico e especiarias), onde comi uma baguete com isso e cheia de salada e mais uma samosa por apenas 85 mil rials! O resto da noite passei no Seven Hostel. Mailton voltou da montanha com uma clavícula quebrada, devido a uma queda no snowboard. Por isso teve que ficar usando um imobilizador e restringir o movimento pelo resto da viagem, que azar! Dia 19 Acordei empolgado pra esquiar na montanha. Tomei o café, peguei uma hora de metrô até a estação final Tajrish e arranjei um táxi compartilhado (20 mil) até a entrada do parque. Subi os 1,5 km finais até o teleférico, só pra descobrir que hoje o parque estava excepcionalmente fechado devido a um feriado! Que balde de água fria na minha animação.. Pra não perder a viagem, desci até o complexo de palácios e museus Saad Abad. Num baita terreno florestado ficam antigas residências importantes, transformadas agora em museus de diversos tipos. A entrada em cada um deles é 80 mil, e nos jardins e porção exterior do complexo é 150 mil. Na praça Tajrish fica também um pequeno bazar e uma mesquita que eu visitei. Voltei de metrô até Park-e Shahr, onde ficam 2 dos principais pontos turísticos: Palácio de Golestão e Museu Nacional do Irã. O museu custa 300 mil e conta através de vestígios a história do Irã durante a antiguidade, dos povos pre-históricos ao fim do Império Persa com a conquista dos árabes. Há um material interessante, mas pra quem viu na prática, parte disso perde a importância. O palácio já estava fechado quando passei na frente, mas acabei reencontrando um chileno que eu havia conhecido em Yazd e que, como descobri ali, é um famoso cinegrafista (Jorge Said). À noite, repeti o rango e fiquei de boa. Dia 20 Mais uma frustração quando fiquei sabendo que a estação de esqui estava fechada devido ao mau tempo. Aqui se foram minhas chances de esquiar num dos lugares mais baratos do mundo (1,5 milhões de rials). Com isso, só me restou dar um giro aleatório pela cidade sob chuva e frio. Acabei descobrindo junto ao parque Taleghani, que tem uma ponte bacana sobre a floresta e a rodovia, que há um museu militar (Holy Defence Museum - 250 mil). Não cheguei a entrar nele, mas na área aberta ao público há a maior coleção que já vi de veículos militares, como tanques, aeronaves e mísseis. Depois disso, passei debaixo da enorme Torre Azadi. Assim como nos demais dias em Teerã, não consegui achar comida decente para almoçar. Retornei ao albergue e esperei o tempo passar até pegarmos o confuso metrô no começo da noite para o aeroporto distante, por 75 mil rials. Ali acabou nosso dinheiro. Dia 21 Tivemos que virar a noite para aguardar o voo seguinte a Istambul pela Pegasus às 4 da madrugada. Ainda bem que o fundo estava meio vazio, pois assim consegui uma fileira pra deitar no avião. Ao desembarcar, pegamos o ônibus Havabus (14 liras) e o metrô para chegarmos ao centro em Sultanahmet, onde nos reencontramos com Jorge Said. Ele nos pagou um café da manhã em agradecimento a uma tarefa que fiz pra ele. Nesse dia caminhamos um bocado por essa região. Vimos algumas mesquitas esplêndidas no exterior, como a Mesquita Azul, Hagia Sophia e Suleymaniye. Os interiores não foram legais, pois o dessa última não era tão bonito, da anterior teria que pagar absurdas 90 liras pra ver e da primeira estava em reforma. A praça onde ficam as duas mesquitas principais é bem turística. Possui ainda alguns monumentos da época do Império Bizantino, e a muralha que cercava a cidade. O Grande Bazar também é outro atrativo. Cheio de opções para todos os gostos, só é preciso negociar bem para conseguir um souvenir bacana. Ainda mais pra quem acabou de voltar do baratíssimo Irã. Depois de uma espreitada no movimentado Estreito de Bósforo, comemos e retornamos ao aeroporto. O último voo da Pegasus foi para o Líbano. Sem problemas, entramos no novo país, pegamos libras libanesas (400 por real), retiramos o carro alugado na Budget (59 dólares com desconto, para 4 diárias) e seguimos a Beirute, que estava com o trânsito tranquilo àquela hora da noite. Ficamos hospedados num apartamento simples pelo Airbnb, fora do centro, mas na zona portuária, portanto meio barulhento. Dia 22 Recuperamos o sono perdido. Ainda pela manhã, fizemos um rancho no supermercado Co-op logo após deixar Beirute. A comida aqui não é nada barata. Seguimos pelo litoral rumo ao sul num dia ensolarado e quente, passando por muitas plantações. A primeira parada foi na cidade de Sidão. Foi fundada pela civilização marítima Fenícia, mas sobraram poucas ruínas para contar a história. A cidade velha agora é um pequeno labirinto usado no comércio e moradias. Uma das ruínas que possui um pavilhão interno estava sendo palco de um evento político em defesa da Palestina. Com minha cara de gringo, achei melhor não permanecer. Já o pequeno castelo marítimo vale a foto gratuita de longe, mas não chegamos a pagar as 4 mil libras libanesas para vê-lo de perto. Mais ao sul, passado um posto de controle militar, estacionamos em Tiro, outra cidade bíblica. Aqui ficam ruínas consideradas como Patrimônio da Humanidade. Uma parte dela fica à beira-mar e pode ser vista de fora ou pagando entrada. Outra fica cercada a um quilômetro dali, mas no lado oposto da bilheteria há um buraco na cerca por onde entramos. Há colunas, arcos e arquibancadas de um antigo hipódromo romano. Fomos em seguida pelo interior, subindo as colinas libanesas. Em Qana fica uma gruta sagrada para os cristãos. Há uma estrutura para o turismo, mas quando chegamos à portaria não havia ninguém. Novamente, passamos por um buraco na grade. Na borda de um vale cheio de rochas, há uma pedra com corpos esculpidos e uma pequena gruta com uma cruz e uma imagem santa. Nada além disso. Tentamos continuar pelo interior, mas a poucos quilômetros da fronteira com Israel fomos barrados e tivemos que retornar. Como o sol já estava se pondo, voltamos a Beirute e ao hotel. Percepções do dia: depois do árabe, o inglês e o francês são igualmente compreensíveis; há muitos guardas armados e cartazes com incentivo à luta armada; o trânsito é meio caótico e os motoristas impacientes. Dia 23 Através de incontáveis postos de checagem militar, subimos a serra até o Vale de Beqaa, onde predominam plantações e ruínas. Fomos atrás da segunda opção. Para entrar no patrimônio da cidadela de Anjar, fundada por árabes no século 8, pagamos 6 mil libras, ainda que poderíamos ter entrado de graça pelo lado oposto do portão. As ruínas daqui se resumem a paredes, colunas, arcos, mosaicos e outros elementos rasteiros. De mais legal, vi uma aranha buraqueira e um camaleão. Na entrada de Balbeque, algumas dezenas de km adiante, paramos para almoçar. Pedimos esfirras, mas para nossa desilusão, vieram apenas trouxinhas minúsculas de carne, ao custo de 1 real e pouco por cada. O sítio arqueológico de Balbeque tem uma entrada nada barata (15 mil), mas que vale a pena. É um dos mais completos que já vi. Foram erguidos templos para os deuses romanos Júpiter, Baco e Vênus, sendo que o de Baco está bastante preservado. Também há outras estruturas religiosas e defensivas que foram sendo construídas conforme a cidade passava de mãos entre cristãos e muçulmanos. Um pequeno museu completa o todo. Ao sair, tomamos um sorvete bom e barato (500 libras por bola) na frente, e seguimos estrada ao escurecer do céu. Quando já estava preto, atravessamos a nebulosa montanha coberta de neve. Dormimos no Vale de Qadisha, no vilarejo de Bcharré, na hospedagem Tiger House. Pagamos 15 dólares cada por um quarto compartilhado sem café. Foi legal que conhecemos outros viajantes, mas o lugar não disponibiliza cozinha e fede, pois a dona fuma na sala de estar dos hóspedes. Dia 24 Acordamos cedo, pegamos o carro e entramos num dos vilarejos nos penhascos, onde subimos numa laje para admirar o visual do vale. Essa região é dominada por cristãos, então há igrejas e cruzes por todos os lados. Em seguida, conhecemos a floresta protegida de cedros-do-Líbano (Cedrus libani), espécie de pinheiro ameaçada que é bem bonita. A entrada é mediante doação. Ao redor, há um bocado de quiosques vendendo souvenires de cedro. Atravessando estradas pelo meio das montanhas, nós dois e mais o indiano Rishal chegamos numa maravilha da natureza. Por 4 mil cada, acessamos um lugar onde fica uma comprida cachoeira que atravessa um sumidouro em uma rocha parcialmente perfurada, como nunca vi antes. Lá encontramos outros colegas da hospedagem, com quem fomos juntos ao mirante da cruz de Jesus. Subimos e apreciamos a paisagem. Depois nos separamos e paramos pra comer num restaurante no caminho ao litoral. Gastamos 6 mil cada por um tipo de sanduíche típico. Enquanto o sol se punha, bem cedo como de praxe, descemos a serra até Biblos. Apesar de já estar escuro, vimos de fora a iluminada cidade velha (patrimônio da UNESCO e uma das mais antigas do mundo). A região portuária pareceu ser bem agradável. Enchemos o tanque (1240 libras por litro) do carrinho e pegamos a rodovia movimentada em ambos sentidos próxima da capital, onde ficamos novamente no apê do Airbnb. Dia 25 Reservamos o dia para conhecer Beirute. Há barricadas militares por todos os lados, o que dificulta o acesso. Para estacionar, em alguns momentos conseguimos nas ruas de graça, enquanto em outros precisamos pagar no parquímetro (250 libras por 15 minutos). Existem prédios religiosos por todos os lados, mas por incrível que pareça, as igrejas estão em maior número. Há um bocado de prédios bem modernos também, principalmente ao redor da marina de Zaitunay Bay. Ainda, ruínas romanas estão concentradas numa área, mas não bem cuidadas. No litoral, há uma praia e uma dupla de rochas que se elevam no mar e são chamadas de Raouche. Conhecemos também o museu nacional (5 mil). Em três andares, é uma rica coleção de peças arqueológicas dos períodos de ocupação do Líbano desde a pré-história, passando pelos fenícios, gregos, romanos e otomanos. É interessante. Almocei em dois lugares diferentes, pois no primeiro deles (Zaatar W Zeit) a comida estava meio cara e insuficiente. Já no segundo (The Hunger Game, o ponto baixo foi a demora no atendimento. Sem muito mais o que fazer, demos uma volta pelos vilarejos no interior, até chegar no decorado castelo de Moussa. De lá, com o sol se esvaindo, retornamos à rodovia do litoral, onde paramos em uma das diversas casas especializadas em doçuras. Comi sorvetes deliciosos (1000 por bola) e tomei um suco natural (3000 por meio litro). Nosso voo demoraria a sair, mas como já era noite, retornamos o carro e esperamos no aeroporto. O voo curtíssimo nos levou de Cyprus Airways até Lárnaca, no Chipre, por 48 euros. Retiramos o carro alugado (56 dólares pra 3 diárias) e seguimos pro hotel Mariandy, onde dormimos num quarto para 2 por 30 euros. Como eu descobriria no dia seguinte, meu leito provavelmente estava infestado de percevejos de cama. Dia 26 Como perdemos um dia no Chipre devido à falência da Cia aérea Cobalt, tivemos que correr para conhecer o país em apenas 2 dias. Tomamos o bom café da manhã do hotel e partimos. A ilha de Chipre tem influência e é dividida entre 3 grupos. Os britânicos ocupam algumas bases militares e os territórios de Acrotiri e Deceleia, além de repassarem um dos idiomas, o padrão de tomada e o sentido de condução veicular. Os turcos invadiram quase metade da porção superior da ilha e lá usam sua moeda e idioma. Já os gregos, esses colonizaram no passado e deixaram sua marca na maior parte cultural, como no idioma principal do Chipre. Depois de atravessar as bases militares, entramos na praia mais badalada da ilha, a Nissi. Só que nessa época de quase inverno o litoral do Chipre fica abandonado, com pouca gente e a maioria dos estabelecimentos fechados, então a praia estava meio morta. Mesmo assim, é bem bonita. Mais adiante, paramos em um arco de calcário sobre o mar. Junto dali, havia uma exposição ao ar livre de estátuas de vários tipos e artistas de diversos países. A praia seguinte conhecida foi Fig Tree Bay. Dizem que ela é uma das mais bonitas do mundo, mas, além de ter a Bandeira Azul, não achamos nada de especial nela. Perdemos tempo no trânsito bloqueado por uma maratona e pela impossibilidade de cruzar a fronteira para o Chipre do Norte (turco) de carro, já que teríamos que pagar um seguro extra de 20 euros. A linha de fronteira ao longo da rodovia foi toda desocupada à força, então mais parecem vilarejos fantasmas. Meu almoço foi num restaurante típico (Avra) na turística Agia Napa. Paguei 8 euros por um frango com batata, salada grega e pita com tzatziki, saindo de lá estufado. Vimos um baita pôr do sol nas 4 e meia da tarde sobre o promontório do Parque Nacional Cabo Grego, que protege uma área de restinga endêmica. Peguei a rodovia pela noite até a capital Nicósia, dividida ao meio entre o Chipre e o Chipre do Norte. Estacionamos o carro antes da fronteira e a atravessamos a pé. Ao contrário da parte do sul, aqui as ruas são meio escuras e abandonadas. Há alguns prédios antigos a serem visitados, como mesquitas, museus, moradias e ruínas venezianas. Por 5 liras eu comprei uma cerveja turca num mercadinho, que surpreendentemente aceitou cartão de crédito, e vaguei com o Mailton pelas ruas. Cerca de uma hora depois, jantamos e retornamos. Passamos a noite na Lima Sol House, um projeto de albergue que precisa de umas melhorias. Pagamos 27 euros por um quarto duplo. Dia 27 Pela manhã, caminhamos através da cidade velha até a orla. Lá fica um calçadão e uma marina, num ambiente atrativo. Atravessamos um mercado de rua, mas que não vendia souvenires. Havia apenas uma loja aberta aquela hora para tanto. Com o carro, passamos pelo castelo Kolossi e depois por Acrotiri, outra área britânica com um conjunto sinistro de antenas ligadas por redes. Dentro dessa área fica uma laguna salina, com seu ecossistema típico que inclui flamingos. Em seguida, entramos no sítio arqueológico de Kourion (4,5 euros). Com vista privilegiada pro Mar Mediterrâneo, ficam ruínas greco-romanas que incluem casas, santuário, praça, teatro e banhos. É interessante e bastante visitada. Dali, subimos para as montanhas Troodos. No pé delas, almoçamos na Kouris Tavern. Queria experimentar o típico “meze”, que consiste em duas dezenas de pequenos pratos diferentes, mas como precisa de pelo menos 2 pessoas e o meu colega não gosta de comer nada diferente, fiquei só na vontade. Num ziguezague interminável, chegamos ao topo da floresta de pinheiros e visitamos algumas das igrejas antigas que são patrimônios da UNESCO: Archangelos Michail, Panagia tou Moutoulla, Agios Ioannis Lambadistis. De pedra e madeira no exterior, possuem belas pinturas em seu interior, num estilo diferente do que se vê em igrejas modernas. Na última delas, que é um mosteiro, compramos uma garrafinha de vinho licoroso (3 euros) produzido localmente. Quando retornamos já era noite completa, e o GPS nos mandou por umas estradas bem sinistras. Com a cia de um nevoeiro, o caminho foi emocionante. Passamos o dia tentando achar um lugar para imprimir os cartões de embarque da Ryanair, pois senão teríamos que pagar uma taxa bem desagradável no aeroporto. O problema é que não havia lugar nenhum aberto no domingo pra isso. Foi só ao chegar em Pafos, que conseguimos num mercadinho por 50 centavos a folha. Ficamos no Panklitos Apartments, num apê completo de 22 euros por 2. Pena que não pudemos aproveitar muito, já que teríamos um voo cedíssimo. Dia 28 Morrendo de sono e com o tanque completamente vazio, fomos ao aeroporto da cidade, embarcando no voo até a Jordânia por apenas 18 euros! Na imigração nem precisamos abrir a boca, só mostramos o Jordan Pass (70 dinares jordanianos = 370 reais) que o visto foi concedido. Alugamos um carro na Green Motion, com um preço exclusivo pela Easyrentcars que custou 17 euros pra 2 dias! O Kia Picanto parece ser o carro mais popular do Oriente Médio, pois foi a terceira vez que ficamos com um. Primeiro visitamos o sítio arqueológico de Madaba (3 dinares pra quem não tem o Jordan Pass). Aqui foi descoberta uma antiga cidade bizantina, rica em mosaicos. Mas além disso, não há muito o que ver. Seguimos pela infinita rodovia do deserto. São 300 km até Wadi Rum, com nada mais que areia e pedra em praticamente todo trecho. Até que isso não seria um problema, só que a estrada está toda em obras, com limite de 60 km/h nessas partes, e com vários radares fixos e da polícia! Resumindo, levei um tempão pra guiar o carro até o patrimônio da Humanidade de Wadi Rum (5 dinares sem o Jordan Pass), onde chegamos no vilarejo ao pôr do sol. Um tempo depois, a empresa Bedouin Traditions, com quem havíamos reservado, nos levou de caminhonete sobre as areias até o acampamento isolado. À noite nos serviram em uma tenda um buffet livre de comidas típicas que estava muito bom! Fazia tempo que não comia algo decente assim. Depois da janta, houve cantoria, instrumentação e dança com o pessoal. A maioria se retirou em seguida para suas cabanas individuais, mas eu fui explorar o deserto. Não achei escorpiões, apenas insetos, mas aproveitei bem o céu estrelado. Vi um meteorito cair bem próximo dali. Também consegui fotografar a galáxia de Andrômeda. Enfim, dei uma averiguada no banheiro e fui repousar solo. A limpeza não é o forte do estabelecimento, mas pelo menos há cama coberta, luz e banheiro ocidental. Dia 29 O café da manhã também estava incluso no pacote, mas não cheguei a provar tudo. Depois dele, esperamos pelo passeio de veículo na cia de mais gente pelas belas formações geológicas do vale desértico elevado de Wadi Rum. Foram quase 2 horas entre um cânion, uma duna e uma nascente. Todas as atividades e comidas nos custaram 35 dinares cada. Ao deixarmos o vilarejo, pegamos um almoço bom num posto Total (3 dinares cada quentinha) para devorarmos na estrada. Enquanto um dirigia, o outro comia. A rota até Petra é bem mais interessante que a outra, pois aqui a paisagem é variada e a estrada em melhor condição. Com o Jordan Pass, não precisamos pagar a tarifa absurda de 50 dinares para entrar numa das maravilhas do mundo moderno. Tivemos 4 horas para explorar a área das ruínas. Foi o suficiente, mas se quiséssemos ver tudo, um dia inteiro seria necessário. Petra é a capital do povo árabe nabateano, fundada no século II a.C, escavada no arenito de um vale. Apesar de ter sofrido terremotos, a fachada dos templos e tumbas é estonteante. Há uma certa variedade nas obras, o que vai se notando conforme se desce os 4 km até o final da parte principal. Há uma porção de vistas interessantes das montanhas rosadas. Fomos e voltamos a pé, mas quem quiser pode pagar por veículos a tração animal. Com o sol se pondo, dirigi até a reserva de Dana, onde ficamos à noite. Por 8 dinares cada, ficamos com quartos individuais no hotel de pedra e exageradamente decorado que se chama Dana Tower. Ponto negativo pro chuveiro, wi-fi e barulho. Dia 30 Levantamos cedo para chegarmos ao Mar Morto antes de devolvermos o carro. A estrada por esse lado é mais cênica e verde. Chegamos a uns 400 metros abaixo do nível do mar lá! De volta ao aeroporto, pegamos o ônibus de 3,5 dinares que nos largou na estação norte de ônibus de Amã, Tababour. Lá dividimos um táxi até o hotel no centro, que saiu por 11 dinares no taxímetro. Almocei no Sara Seafood Restaurant. Pedi um risoto de frutos do mar que saiu por 8,8 dinares. Mas o almoço estava delicioso e foi tão volumoso que saí de lá passando mal de tanto comer. Segui pra cidadela, que custa 3 dinares pra quem não porta o passe. Fica num monte de onde se vê todo o centro. Há um pequeno museu com artefatos e bastante história. Fora isso, as ruínas romanas e árabes das ocupações anteriores. Saí de lá quando fechou no pôr do sol. Depois só dei uma volta pelo centro, usei meu último dinar pra comprar comida pra noite e fiquei no hotel, que foi o Nobel (7 dinares). Até o momento não tinha do que reclamar. Dia 31 Fomos de táxi até a fronteira de King Hussein Bridge (25 dinares por 2). Chegando lá, tivemos que pagar uma taxa de saída de 20 dinares. Depois disso, tivemos que dar mais 7 pro ônibus Jett que atravessa os 5 km até a entrada de Israel. O responsável pela hospedagem anterior nos assegurou que o táxi nos levaria, o que não foi verdade. E não é permitido ir a pé. Teria saído mais barato se fôssemos de ônibus ou Uber. Depois de um interrogatório leve na imigração, pagamos 42 shekels + 5 por bagagem para ir de “sherut” (van) até Jerusalém, tendo que esperar o veículo encher para sair. Eles aceitam moedas estrangeiras no pagamento, mas a cotação não é das melhores, assim como a casa de câmbio na saída da imigração. O shekel vale o mesmo que o real. A van atravessa a Palestina até a entrada em Jerusalém, controlada por Israel. O ponto final, onde descemos, é o Damascus Gate. Almoçamos ali um prato de comida por 25 shekels no restaurante Amir, mas como não tínhamos o dinheiro, o vendedor nos passou a perna na conversão. Fizemos o câmbio ao lado, mas ainda assim a cotação não foi como a oficial que, como descobrimos depois, é oferecida dentro da velha cidade murada. Lá dentro é como um labirinto. Há comércio de alimentos, souvenires e outros bens por todos os lados. Em toda parte há algum tipo de edificação, templo ou monumento religioso, tanto cristão, quanto judaico e Islâmico. Entramos na prisão de Jesus, no jardim Getsêmani onde foi capturado, no Monte das Oliveiras onde ficam infinitos túmulos, no Muro das Lamentações e no Santo Sepulcro. Na parte muçulmana onde fica a Cúpula da Rocha, não nos deixaram entrar. Estava uma chuva danada que alagou tudo. Retornamos ao albergue Hebron Youth Hostel para o jantar grátis. Já a diária, essa foi de 41 shekels por cama. Lá conversei com o pessoal, que incluiu o manauara judeu Alan. Dia 32 Arranjamos alguma comida perto pro café da manhã e seguimos de ônibus (6 shekel) para Ramallah, capital cultural da Palestina. Como era sexta-feira, o dia sagrado dos muçulmanos, só conseguimos o ônibus n° 274 que para no check-point de Qadisha. Ficamos surpresos com o muro de concreto que impede os palestinos de se locomoverem como querem em sua própria terra. De lá, tomamos uma van até o centro da cidade (3,5 shekels). Estava um tempo horroroso e todo o comércio fechado quando chegamos. Felizmente, o Museu do Arafat (5 shekels) não. Moderno, conta a história trágica da Palestina desde a instituição de Israel e relaciona os fatos com o principal, Yasser Arafat, envenenado pelos judeus em 2004. A construção fica bem onde jaz a morada e local de trabalho final de Arafat, bem como seu mausoléu. Ao sair, seguimos pela avenida principal, organizada como o resto da cidade em geral, muito diferente de Gaza. Num mercadinho dessa via, comprei barras grandes de Milka, meu chocolate preferido, por 9 shekels cada, preço melhor que do país de origem. Como aceitava cartão de crédito, almoçamos alguns salgados no descolado Zeit ou Zaatar, que tocou umas músicas brazucas pra gente. De sobremesa, fomos às sorveterias. Mailton foi na primeira que apareceu e pagou caro, enquanto eu tomei um cremoso na Baladna ao custo de 4 bolinhas por 8 shekels. Depois, adentramos a casa histórica de Dar Zahran. De graça, ali fica uma galeria de arte e o dono gosta de conversar. Com o sol se pondo, voltamos ao muro e ao check-point. Acabamos nos perdendo a princípio, devido a informações desencontradas, mas passamos de volta a Israel. Enquanto meu amigo foi quase xingado ao retornar, na minha vez a agente de imigração até flertou comigo! Voltamos no mesmo ônibus, ingerimos o jantar grátis do albergue e ficamos conversando com Alan até a hora de tentar dormir, ao som de altos roncos. Dia 33 Ainda chovendo, nós 3 subimos o Monte das Oliveiras, passando os simplórios cemitérios judeus. Lá de cima, tivemos a melhor vista da cidade velha de Jerusalém, com seus múltiplos templos religiosos, claramente destacando-se a dourada Cúpula da Rocha. Perto do mirante, também visitamos a Tumba dos Profetas (5 shekels). Descemos e atravessamos até o quarteirão judeu, limpo e pouco movimentado, já que era dia de descanso para eles. Vimos lá a Sinagoga de Hurva. Em seguida, almoçamos. Os árabes nos meteram a faca na refeição de carne e salada. Nos despedimos de Alan e pegamos uma van árabe até Tel Aviv, por 35 shekels. Queria ter pego o ônibus que custa metade, mas como era sábado, nada que seja judeu funciona de dia. Uma hora depois chegamos na cidade moderna. Caminhamos 2 km, nos quais praticamente só vimos pedestres e comerciantes africanos, até que chegamos no Florentine Backpackers Hostel. Foi nesse agitado albergue que dormimos, por 76 pilas a cama com café. Saí pra jantar nas redondezas, usando meus últimos 27 shekels numa satisfatória refeição de pão, batata, salada e húmus. Dia 34 Pela manhã, tomamos um trem (13,5 shekels) até o aeroporto, onde voaríamos de easyJet para Milão-Malpensa. No entanto, a informação da estação de trem estava incorreta e o processo de emigração ridiculamente longo, então acabamos perdendo o voo! Tivemos que comprar um voo da Turkish com conexão em Istambul por absurdos 280 dólares, para que pudéssemos pegar a conexão seguinte. Só que esse voo atrasou, e na hora de transferir para o voo a Milão, tivemos que correr para não perdê-lo. Ao menos os voos da Turkish foram de qualidade. Ao desembarcar, fomos levados ao Aer Malpensa Hotel, onde mal pudemos passar a noite. Se desse pra cancelar o pagamento de 41 euros por 2, eu dormiria no aeroporto mesmo. Dia 35 Acordamos às 5 para pegar o voo da TAP a Porto, com conexão em Lisboa. Passei o dia no Mar Shopping, fazendo compras - principalmente na enorme loja Decathlon que fica ali. Por um acaso, o metrô estava em greve nesse dia, mas só me afetou pelo trânsito que o ônibus (n° 601) pegou em direção ao centro na hora do rush. Pernoitamos novamente no Rivoli Cinema Hostel. Dia 36 De metrô, segui ao aeroporto. Tive um voo com a TAP para Rio-Galeão, que lá chegou no final da tarde. Fui de frescão até Botafogo (17 reais), onde me encontrei com meus ex-colegas de trabalho num bar. Depois, dormi na casa de um deles. Finalmente, na manhã seguinte voei de Azul até Floripa e cheguei em casa!
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