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  1. LAGUNA 69 Ir ao Peru pôde ser uma das experiências mais incríveis que um Brasileiro poderá ter na vida e se você desembarcar em Huaraz, capital da província de Ancash, cidade de 140 mil habitantes situada a quase 400 km da capital Lima e imersa no meio da Cordilheira Branca, uma extensão da Cordilheira dos Andes, não espere nada menos que o surpreendente, um mundo tão diferente do nosso que irá fazer com que você perca o chão , sua cabeça vai rodar e talvez sentirá até náuseas , tanto pela diferença cultural, tanto pela altitude acima dos 3.000 metros . Eu já havia passado pelo Peru muito rapidamente em 2007, numa viagem alucinante até as ruínas de Machu Picchu, mas foi uma passagem tão rápida e tão conturbada que mal tive tempo de me deixar entrar na cultura peruana, mas desta vez havia separado muito tempo para me perder no país e agora arrastando minha mulher atrás de mim, o que para ela seria ainda mais devastador, já que era sua primeira vez. ( LIMA - PERU ) A Cordilheira Branca é algo realmente surpreendente, uma espécie de Patagônia Peruana, com uma centena de picos acima de 6.000 metros, geleiras, lagunas coloridas, glaciares, templos Pré –Inca, ruínas históricas, animais exóticos e uma infinidade de diferenças culturais e comidas diversas, trilhas e travessias de montanhas geladas são em números incontáveis e o melhor de tudo isso é que os preços são tão baixos que um brasileiro em economia de guerra vai se sentir rico lá. Na praça central de Huaraz , a Praça de Armas, meu pensamento voa longe enquanto nos deslumbramos com a magnitude de duas lhamas e as suas donas trajadas de chollas, que por algumas moedas, emprestam seus bichinhos para uma foto típica, mas meus pensamentos se elevam às montanhas gigantes cobertas de gelo e me imagino no topo delas, mas logo sou trazido a realidade e me lembro que desta vez a única coisa que poderei fazer é me portar como mero turista e não como aventureiro atrás de encrencas geladas e ser turista em Huaraz já é algo magnífico e me sinto feliz de poder compartilhar esse momento incrível com minha companheira de 30 anos. Mesmo como turista é possível passar meses na cidade sem repetir passeio e todos são grandiosos e espetaculares, alguns sem exigência física nenhuma, outros serão apenas para poucos ou pelo menos para quem não é totalmente sedentário, porque além de ter que pôr o pé na trilha ainda vai ter que superar o fator altitude, alguns passeios vão chegar a 5.100 metros e alguns acabam por ficar pelo caminho, mas outros passeio deixarão o turista já no local sem que ele precise dar um passo se não quiser. Geralmente quem vem à Huaraz acaba por separar uma semana ou pouco mais que isso e já vem com os passeios tradicionais muito bem definidos, não é regra, mas conhecer as atrações principais acaba por se tornar quase uma obrigação, isso claro para quem não vai com o intuito de fazer caminhada de alta montanha ou escalar, aí essa regra não vale nada e nem vou expor isso aqui porque seria necessário escrever uma bíblia para falar de tudo que se pode fazer na Cordilheira Branca e mais ao sul dela. Dos passeios mais tradicionais, talvez a LAGUNA 69 seja a principal atração, não só por ter uma paisagem grandiosa, mas porque também é preciso de uma superação tão grandiosa quanto a beleza da paisagem, porque de todos os passeios tradicionais, esse é o que requer um esforço físico para ser alcançado. Não que a trilha seja assim algo quase que para super-homens, mas com certeza é o fator altitude que vai determinar quem pode ou não subir ou quem aguenta ou não se expor nos 15 km de caminhada com o pulmão querendo explodir procurando um pouco de ar para respirar e esse seria o desafio que eu havia programado para tentar arrastar minha mulher atrás de mim, mesmo porque eu já sabia que meu organismo se adapta muito bem a altitude e com um condicionamento físico mais ou menos em dia para minha idade, tiraria de letra, mas minha mulher , quase que uma sedentária contumaz , teria que se preparar muito bem para aquela aventura e o principal a fazer, era não fazer absolutamente quase nada, dar tempo ao tempo e esperar que o organismo se adaptasse a altitude, então programei um roteiro de passeios com esse fim, deixando a LAGUNA 69 com mais de 4.600 metros de altitude para o final da viagem, seria a cartada derradeira, uma tentativa de fazê-la conquistar essa atração, talvez uma das mais belas da AMÉRICA DO SUL. Huaraz não é uma cidade grande, mas mesmo assim é bem movimentada, com um trânsito intenso e barulhento, onde quem buzina mais tem prioridade, mas essa característica é do país inteiro. No centro, perto da sua praça principal ou mais precisamente na avenida que passa em frente dela e uma abaixo é onde tudo se concentra, desde bancos, órgãos oficiais, lojas de equipamentos, casa de câmbio e as agências de turismo que fazem todo tipo de passeio, que eles chamam de tours. Infelizmente quando desembarcamos em uma das inúmeras rodoviárias, porque cada empresa de ônibus tem a sua, acabamos por entrar meio numa furada de aceitar uma oferta de hostel ou alojamento e com isso acabamos sendo levados a fechar todos os passeios com eles. Acontece que a oferta era tão barata, mas tão barata que ficamos deslumbrados com a possibilidade de gastar uma merreca comparada a nossa realidade no Brasil. Os caras nos ofereceram no pacote uma diária que acabou saindo 25 reais por dia, claro, numa hospedagem meia boca, mas com um quarto de casal com uma cozinha disponível, mas um pouco longe do centro. Depois descobrimos que poderíamos ter pago o mesmo valor para ficar mais bem localizados e no fim acabamos pagando mais caro pelos passeios, mas era tão barato que a gente pouco se importou, fica então a dica de não fechar nenhum pacote com hotel nenhum e negociar os preços direto nas agências e conseguir aquele desconto maneiro. Organizei um roteiro que pudesse então fazer com que a gente fosse se aclimatando para enfrentar as altitudes da Laguna 69 e no primeiro dia que chegamos, embarcamos para CHAVIN DE HUASCARAN, uma viagem de um dia inteiro, ida e volta cruzando por cima da Cordilheira até as ruínas Pré-Inca , com uma paisagem deslumbrante no caminho, subindo a mais de 4.600 metros de altitude, passando pela Laguna Querococha, uma introdução as maravilhas da Cordilheira. A viagem é meio cansativa, principalmente para quem chegou de Lima numa viagem noturna de quase 8 horas, mas vai ajudar muito o organismo a ir se adaptando e na volta ainda tivemos a sorte de pegar uma nevasca que cobriu toda a rodovia de neve, mesmo no início do outono. No dia seguinte tiramos para descansar e para perambular pela cidade, nos enfiarmos nos guetos e bocadas e tentar compreender aquela cultura deslumbrante com um povo tão diferente do que estamos acostumados. Tudo nos faz cair o queixo, as mulheres com suas roupas coloridas e que vendem de tudo que se possa imaginar. Vemos uma pobreza gritante, mas também um povo trabalhador ao extremo e que gosta de comer muito bem. Aliás, a culinária peruana faz jus aos prêmios internacionais que vem ganhando ao longo dos tempos, uma diversidade gastronômica impressionante e o melhor de tudo, com preços baixíssimos, tanto que se podia comer até não aguentar mais por míseros 6 ou 7 reais nas dezenas de pequenos restaurantes espalhados ao redor do Mercado Central. Um dos pratos mais típicos do Peru é o CUY, uma espécie de porquinho da índia e o Ceviche Peruano, esse último eu comia quase todos os dias, mas o porquinho ficaria somente para outra oportunidade, já que minha mulher se recusava a dividir a mesa comigo para degustar essa iguaria local. No terceiro dia marcamos para ir a outra grande atração local, o GLACIAR PASTORURI, uma geleira que fica ao sul de Huaraz. A agência nos pegou no hotel às 8:30 com uma van coletiva com gente de toda parte do mundo. Subimos de novo a Cordilheira em pouco mais de 3 horas de viagem, com uma pequena pausa no caminho para um chá de folha de coca para ajudar na aclimatação. Esse é mais um passeio que leva o dia inteiro e vai custar pouco mais de 30 reais por pessoa e mais uns 30 pelo ingresso no Parque Nacional de Huascarán , pode sair bem mais barato se comprar já 3 ingressos , saindo pouco mais de 60 reais, já que iríamos usar para outros dias, fizemos isso. A van deixou a gente a 2 km da geleira. O tempo estava meio embaçado e ameaçava nevar, mas o grande problema ali é a altitude que beira os 5.100 metros e vai desafiar o organismo sem piedade. A caminhada tem pouco aclive, mesmo assim muita gente opta por alugar umas mulas por míseros 7 reais para subir por uns 15 ou 20 minutos, mesmo sendo algo para turista, quem é sedentário de carteirinha vai botar a língua de fora e minha mulher não fugiu à regra, dava um passo e já apoiava as mãos no joelho tentando procurar ar sabe-se lá de onde. Vendo o estado dela tentando vencer esses míseros 2 km, comecei a desconfiar da sua capacidade de conseguir fazer a trilha até a Laguna 69, mas enfim, era preciso deixar o tempo passar para ver como seu corpo reagiria nos próximos dias, se conseguiria se adaptar a altitude. No caminho para o glaciar o tempo virou de vez e a chuva que ameaçava cair desabou em forma de neve, o que foi muito bonito de se ver, mas também acabou por congelar nossas mãos antes de nos valermos de uma luva e um gorro quentinho. Devagarzinho e sendo quase que empurrada por mim, o Rose chegou, com a língua colando no chão, mas chegou e realmente valeu muito o esforço e a oportunidade de poder se postar de frente daquela montanha de gelo, num cenário sem igual. A volta sempre é mais tranquila, tanto a caminhada, quanto a viagem para a cidade, mas foi mais um dia desgastante, agora era hora de descansar e deixar o organismo trabalhar e ir se adaptando porque a regra é clara: Suba alto e durma baixo. No outro dia a gente queria descansar, mas como já havíamos comprado o pacote, tivemos que encarar o tour para a LAGUNA PÁRON. É uma viagem longa e interminável por mais de 3 horas, onde a van desafia a cordilheira e ascende a mais de 4.200 metros, numa paisagem espetacular, em meio à montanhas geladas. A Laguna tem uma cor azul escuro que chega a hipnotizar a gente e no fundo dela um pico em forma de pirâmide ( NEVADO PIRÂMIDE-5.885) faz a gente não se arrepender de ter ido, aliás, dizem que esse cenário magnifico com a composição laguna mais pico, serviu de palco para a empresa cinematográfica Paramount Picture gravar sua vinheta de abertura antes dos filmes. A van nos deixa as margens da laguna, mas quem quiser pode subir por mais uns 500 metros até um mirante do lado direito. Eu encarei essa subida, mas a Rose ficou lá embaixo contemplando a laguna, mas a subida não é tão puxada quanto pintavam, mas caminhar na altitude nunca é mole, mesmo assim subi correndo e desci também, tentando testar um pouco dos meus limites para a Laguna 69. Chegando lá embaixo fomos dar uma volta de canoa na laguna, uma água absurdamente limpa, tanto que bebemos dela. Voltamos para Huaraz e por causa de algumas obras acabamos por chegar bem tarde da noite, cansados, mas já tendo que nos organizar para o outro dia, quando iríamos enfrentar a caminhada turística mais temida da Cordilheira Branca. ( Laguna Parón) Os dias amanhecem sempre frios na Cordilheira dos Andes, mas por sorte naquele dia não havia uma nuvem no céu e isso por si só já me alegrou. Antes das 6 da manhã a van que nos levaria para a Laguna 69 nos apanhou na hospedagem. Ainda estávamos atordoados e cansados por causa do dia anterior, mas confesso que estava um pouco apreensivo, havia chegado a hora de saber se realmente o meu planejamento quanto a deixar minha mulher em condições de fazer a trilha iria dar certo. No transporte coletivo, mais uma vez se juntavam gente de diferentes países do mundo, a maioria não falava espanhol e como pouco aranhávamos no inglês, praticamente ficamos isolados e trocávamos algumas palavras com uns peruanos e com um belga que havia morado um tempo em Portugal e falava bem a nossa língua. Ao olhar o grupo já vi que o negócio iria mais complicado do que eu pensava, porque era composto na sua maioria quase que total de pessoas jovens, sendo eu e a minha esposa de longe os mais velhos, beirando quase os 50 anos e também o belga que parecia nos acompanhar na idade e esse foi um fato que fez logo a Rose ficar desconfiada dessa caminhada, mas eu desconversei, dei umas risadas e mudei de assunto antes que ela desistisse mesmo antes de começar. A Van segue sempre para nordeste, deslizando entre a Cordilheira Branca e a Cordilheira Negra, sendo do nosso lado direito as paisagens encantadoras das grandes geleiras e seus picos acima de seis mil metros e quando chegamos à Carhuaz, saltamos em frente a sua igreja principal para um café da manhã e experimentar os sabores exóticos de uma sorveteria local e para comprarmos água e algum lanche de trilha. Seguimos , mas agora tendo como companhia o monstruoso HUASCÁRAN , simplesmente a maior montanha do Peru e uma das mais altas do nosso continente com 6.789 metros de altitude e foi justamente a encosta desse pico que veio a baixo no terremoto de 1970 que devastou a região de Huaraz, fazendo que a cidade de YUNGAI quase fosse varrida do mapa, dizem que ao todo foram mais de 50 mil mortes, uma catástrofe quase sem precedente se levarmos em conta que isso se deu há quase 50 anos atrás quando a população era bem reduzida. Chegando em Yungai, viramos para nordeste e começamos a subir a Cordilheira Branca, uma viagem interminável, mas plasticamente encantadora, passando por pequenos amontoados de casas e construções rurais, gente que sobrevive a quase 4.000 metros em meio ao ar rarefeito e as agruras da altitude. Vamos subindo pra valer, mas ainda nos valendo de uma crista com um vale do nosso lado direito e quando chega a hora de deixar a crista e entrar de vez no vale que vai nos levar para o coração da Cordilheira, é hora de dar uma parada na ENTRADA DO PARQUE NACIONAL HUASCARÁN para nos identificarmos e comprarmos nosso ingressos (30 soles). Resolvidos os problemas burocráticos, nos lançamos para dentro dos paredões e fomos singrando de um lado para o outro sem tirar os olhos da janela e por vezes tendo que limpar a baba que escorria de nossas bocas do qual o queixo não conseguia se fechar, querendo cair diante da explosão de belezas sem igual. Seis ou sete quilômetros depois da entrada do Parque somos apresentados à LAGUNA LHANGANUCO a mais de 3.800 m de altitude, um azul hipnotizante, num cenário de sonhos. Nos detivemos ali por uma meia hora, o suficiente para prever que hoje nos faltariam adjetivos para narrar as belezas que estavam por vir. Mais à frente a LAGUNA ORCONCOCHA desmonta nossa capacidade de avaliar o que é mais belo e apenas ficamos a admirar àqueles cenários que vão surgindo no nosso caminho até que o nosso transporte motorizado para de vez, é chegado a hora de botar o pé na trilha, o coração já vai disparando e aquela ansiedade toma conta da gente, a aventura vai começar, voltar já não é mais possível e agora sou eu contra a altitude, minha missão : Levar minha mulher a uma das grandes paisagens da América do Sul, fazendo com que ela, mesmo um pessoa sedentária, consiga caminhar por 15 km no ar rarefeito montanha acima, numa altitude superior a 4.600 metros. O guia dá as explicações finais, mas todos nós sabemos que ali guia não serve para muita coisa, a não ser para encher o saco de quem não se mantiver no tempo estipulados por eles para retornar, inclusive para barrar os que não tiverem condições físicas de seguir, fazendo-os desistir. E o tempo estipulado é cruel para os que não tem experiência em longas caminhadas em altitude e muitos ficarão mesmo pelo caminho se não tiverem condições de fazer o percurso até a LAGUNA em no máximo 3 horas para ir e 2 horas para o retorno, então sempre acaba caindo sobre os ombros de todo mundo a responsabilidade de se manterem no tempo previsto. Rapidamente apanho as duas mochilinhas com alimentos, água, agasalho e outros equipamentos de segurança e somos os primeiros a nos lançarmos floresta a dentro, perdendo altitude até um riacho cor de leite. Mas não passa apenas de uma língua de mata que é cruzada em pouco mais de 5 minutos até atingirmos o vale plano, que iremos acompanhar por um bom tempo cercado por uma paisagem estonteante. A minha estratégia é fazer com que a Rose só se preocupe em caminhar e poupar energia, tanto que as 2 mochilas são carregadas por mim, deixando tranquila para que possa andar livre, respirando a maior quantidade de ar possível, mesmo numa altitude superior a 4.000 metros. O cenário inicial é algo que impressiona, vamos bordejando um rio que corre à nossa esquerda, aguas do degelo de picos gigantes que já podemos observar no horizonte. Vou pedindo para que a Rosa respire fundo e se concentre em colocar um pé à frente do outro, numa estratégia de ganhar terreno nessa parte plana e tomar bastante distância do pelotão principal que é composto pelo guia, porque enquanto tivermos à frente deles, é a garantia de podermos ter uma tranquilidade para irmos mais devagar quando a parte íngreme se apresentar e bicho pegar de vez. Me concentro em falar palavras de incentivo e em abastecer de água minha esposa e em dar-lhe algo para repor as energias, mas já vejo logo que ela começou a ferver o radiador e já me parece que começa a diminuir o ritmo e quando uma placa me indica que não andamos nem 2 km, trato logo de desviar sua atenção para que não veja que até agora não andou absolutamente nada. Um pouco mais à frente, umas construções parecendo umas casinhas de duendes nos chama a atenção, mas quando retornamos nossos olhares para o vale de onde viemos é que nos damos conta de onde estamos e do tamanho da paisagem que nos cerca: sobre nossas cabeças se eleva o monumental HUSCARÁN , na verdade com 2 cumes distintos com 6.786 metros a nos assombrar, mostrando que ali naquela cordilheira ele é quem manda , senhor soberano das altitudes, não só da Cordilheira Branca, mas o teto do próprio Peru e do seu lado esquerdo o Nevado Chopicalqui ( 6.354) fecha a parede e nos deixa boquiabertos , nos impedindo de prosseguir sem que desgrudemos os olhares destes monstros feito de rocha e de gelo, um cenário para guardar na memória por uma vida inteira. (Huascarán - o teto do Peru) Tudo era lindo, mas ainda na minha cabeça eu tinha a esperança de conseguir levar minha esposa até a laguna e a todo momento, mesmo sem tirar o olho das grandes paisagens, ia atrás dela dando uma de personal trainer, dando aquele incentivo, contando umas lorotas, inventando que faltava pouco e quando cruzamos uma pontinha sobre um afluente do rio principal, vi que começamos a nos aproximar de uma grande cachoeira de onde suas águas saltavam dos degelos das montanhas gigantes do nosso lado esquerdo, que ao fazermos a curva que iria nos fazer começar a ganhar altitude, seria a hora de botar a prova toda minha capacidade de convencimento, se ela vencesse aquele trecho crucial, pensei que poderíamos ter êxito. Havíamos vencidos cerca de um terço do caminho, mas até então foi uma caminhada apenas no plano, o que poderia parecer praticamente nada, mas estamos falando de altitude, onde você puxa o ar e não encontra nada, onde o pulmão parece que vai explodir a qualquer momento. Eu me sentia muito bem, mas já sabia que meu organismo de adapta bem e rápido na altitude, mas entendia muito bem o que minha esposa estava passando. Agora o caminhar é lento, um passo e logo as mãos vão para as pernas, tentando se segurar para não cair. O terreno, a trilha, vai ziguezagueando montanha acima e cada metro vencido é uma conquista. Ela sofre, é um sofrimento que acaba sendo compartilhado por mim, que tento mentalmente empurra-la para cima: “ Vamos só mais um pouco, outro passo, respira, bebe água, não está longe o próximo patamar, vamos “. O sofrimento nos olhos dela é visível, começa a diminuir o ritmo consideravelmente e vamos sendo ultrapassados por todo mundo e é nessa hora que tenho medo de que o guia comece a pegar no nosso pé e ela desista de vez. Por sorte o próprio guia se deteve por um instante para auxiliar uma jovem que parece ainda estar pior que a Rose e foi a deixa para eu arrasta-la até que atingíssemos o grande patamar, estava vencido mais uma etapa, pelo menos por enquanto teríamos um refresco e poderíamos caminhar por mais algum tempo no plano. Aliás, a entrada desse novo vale é marcada por uma pequena e bonita lagoa que alguém me sopra ser a LAGUNA 68, mas parece ter outro nome também. (Laguna 68) Fizemos uma breve parada ali na laguna de não mais de 5 minutos, só o tempo básico para uma respirada mais profunda e para engolir alguma coisa energética. Nosso caminho segue agora em nível, numa paisagem incrível de onde a nossa frente desponta o não menos incrível PICO CHACRARAJU ( 6.108) e é com essa companhia que nossos passos vão deslizando pelo vale florido e 600 metros depois da pequena lagoa, nos deparamos com uma placa que indica uma trilha para outra laguna à direita, mas infelizmente não será dessa vez que nossos pés tocaram a Laguna Brogui, é preciso nos concentrarmos no objetivo principal porque estamos no tempo limite e ao trombarmos com uma placa onde dizia que a Laguna 69 estava a míseros 1000 metros, comemorei pensando que daqui para frente seria moleza e o sucesso estava garantido, ledo engano. Nesse 1 km final é onde o nosso organismo vai ser testado de verdade. Para quem já vinha buscando ar para os pulmões, esse pequeno trecho de subidas intensas poderá marcar definitivamente o final da caminhada, porque é aqui que muita gente passa mal e em alguns casos tem de ser ajudada a voltar para baixo, esse é o trecho que separa quem vai vencer e quem vai fracassar, pelo menos para os turistas ou até para montanhistas que não conseguem se adaptar as altitudes e já vinha capengando nas etapas anteriores. A Rose agora se arrasta de vez e só não anda de quatro pé para não passar vergonha e mesmo com o vento gelado acima dos 4.500 metros, sua em bicas. Enquanto ela vive seu calvário pessoal, caminhando feito uma tartaruga paraplégica, me contento em incentivar e também em apreciar a grandiosidade da paisagem que vai se descortinando enquanto vamos ganhando altura naquele ziguezague derradeiro. A cada passo, a cada metro ganho, nossa ansiedade vai aumentando. Sobre nossas cabeças agora localizo o que imagino ser a ponta do Nevado Pisco, montanha que já foi eleita a mais bonita do mundo, mas é um ângulo diferente e me concentro em botar meus olhos mesmo é na laguna, na esperança de vê-la ao longe. Nessa hora eu nem sei mais para onde foi parar o tal guia e pouco me importo em saber, já tenho a certeza que vamos chegar, muito porque o terreno se estabiliza e o sofrimento da subida já ficou para trás e é hora de encher os pulmões de ar ou o que conseguir, obviamente, e bater continência para uma das maiores atrações da América do Sul. O paredão gelado já está no nosso raio de visão, a geleira derretendo e deixando cair uma cachoeira e logo o azul, ainda uma pequena pontinha da laguna, desponta à nossa frente e a magia vai crescendo num dos cenários mais surpreendentes do mundo. O cérebro demora a processar o que olhos vão captando e nessa hora nem mesmo sei para onde foi parar minha mulher, só me lembro de ter sido arrastado pelo deslumbramento, quase hipnotizado pelo azul celeste. Gastamos menos do que as 3 horas limites para chegar. A Rose quase desmaia de cansada e senta-se à beira da Laguna 69 (4.604 m) e por lá fica comemorando em silêncio essa vitória pessoal, mas eu ainda estou pilhado e enquanto todo mundo, umas 50 pessoas, ficam aos pés da laguna só na contemplação, tomo o rumo do morro a nossa direita e sozinho vou ganhando altitude, galgando esse ombro rochoso até que atinjo o topo de onde se descortina uma visão inteira e completa de toda a Laguna, a mais de 4.650 metros de altitude. A grandiosidade da paisagem ao redor é coisa que me emociona e talvez esse tenha sido o lugar mais longe de casa que já estive na vida. Fico ali entregue a minha própria solidão e me esqueço completamente do tempo e da vida, apenas inerte, parado, estático, captando aquela cena do qual guardarei para o resto da vida, mas logo descubro que não é possível ser feliz para sempre e começo a descer e no final da descida surpreendo-me com uma vaca querendo chifrar, vejam só, um grupo de brasileiros, na verdade a vaquinha queria apenas matar sua curiosidade, mas os brazucas não estavam a fim de pagar para ver , então correram bem para longe dela. Quando cheguei perto, todo mundo do nosso grupo já havia partido, inclusive minha esposa, então só me restou fazer um carinho na vaquinha e desembestar montanha à baixo na tentativa de acompanhar o grupo. Às bordas de completar 50 anos, ainda me surpreendo com a facilidade que tenho de adaptação às altitudes e como carrego apenas 2 mochilinhas leves, é correndo que desço esse km inclinado, tomando cuidado para não derrapar nas curvas e despencar morro à baixo e rapidamente alcanço minha esposa e o guia, que é um dos últimos e logo quando voltamos ao plano, vamos ultrapassando boa parte dos integrantes do nosso grupo e antes mesmo de voltar ao laguinho intermediário, nos encontramos novamente com o Belga que fala português e numa conversa informal, descobrimos que o cara tinha apenas 40 anos, muito menos do que os mais de 50 que pensávamos ter e ai nos demos conta de que eu e minha esposa éramos os anciões daquele grupo multe estrangeiro, verdade mesmo que não havia ninguém mais velhos do que nós naquela caminhada e naquela montanha. O próximo lance de descida é a rampa inclinada, de frente para a grande cachoeira, mas agora a descida é constante e sem maiores pausas, apenas para uma ou outra foto da paisagem ao nosso redor e não demora muito atingimos o vale final, o ultimo estirão, agora totalmente plano, ás margens do rio do degelo das montanhas e vamos aos poucos nos despedindo do próprio Huascarán e o teto do Peru vai ficando para trás e duas hora e meia depois de abandonarmos a Laguna, emergimos da matinha e finalizamos junto à estrada, onde nossa Van foi estacionada e ali nos atiramos ao chão para um demorado descanso até que todo o grupo se juntasse e partíssemos novamente para Huaraz, onde chegamos já tarde da noite. Ainda inebriados pela caminhada do dia anterior, acordamos tarde e fomos perambular por Huaraz, nos perdemos em tudo quanto é beco e já que havíamos decidido ficar por lá mais uns dois ou três dias, resolvemos nos mudar para um hotel no centro, o que não nos custou mais que 30 reais. O choque de cultura é tão grande que ás vezes nos faz até perdermos o rumo e já que era para perder o norte, decidi que aquele seria o dia de experimentar uma das maiores iguarias da cozinha Peruana. Entramos em um restaurante popular e enquanto minha esposa experimentava mais um Ceviche, pedi logo um PORQUINHO DA INDIA, havia chegado a hora de provar o tal do CUY, mas antes mesmo que a iguaria tocasse nossa mesa, fui expulso a pontapés pela minha esposa que aos gritos disse logo: “VAI COMER ESSA MERDA LONGE DE MIM” (rsrsrsrrsrsr). Lá estava ele, nosso mascote, bonitinho e peludo, mas agora ali jaz, duro e à pururuca. Num primeiro momento não foi agradável ver aquele cadáver parecendo um rato seco sobre a mesa, mas o ser aventureiro que habita o meu corpo me dizia que aquela era talvez a única chance de experimentar um prato típico inusitado. O estômago deu um embrulhada, principalmente quando os dentes saltaram aos olhos, mas o demônio na minha cabeça insistia: “ Come aí, num dá nada, vai lá, só um pedacinho miseraviiii” Fechei os olhos, peguei um pedacinho, enfiei na boca. Minhas papilas gustativas foram se abrindo e o sabor do coitado do porquinho foi adentrando no meu corpo, tomando conta do meu ser e o animal carnívoro veio à tona e me portei como o diabo das Tasmânia, não deixei sobrar nem os ossos, só os dentes permaneceram no prato, melhor o do porquinho do que os meus. Os dias passaram e foi preciso deixar aquele lugar de sonhos para trás e a nossa volta para Lima foi como a ida, tranquila e sem nenhum percalço porque a maioria das viagens são à noite. De volta à capital do Peru embarcamos imediatamente para o sul do país, era chegada a hora de respirar o ar em abundancia do litoral e como minha proposta era a de conhecer paisagens diferentes, fomos nos perder no grande Deserto de Ica, lá onde o vento faz a curva, lá para as bandas do oásis de HUACACHINA, onde as maiores dunas do continente reinam absolutas, mas isso é uma outra história, de um outro capítulo de um livro chamado : AS HISTÓRIAS QUE AINDA NÃO CONTEI SOBRE O PERU , mas que um dia vou contar, num momento oportuno. (Huacachima) (Paracas) Essa não foi só uma história de uma caminhada por uma das maiores paisagens do continente, essa foi a narrativa de uma superação, onde o principal objetivo foi mostrar que uma pessoa sedentáriapode vencer aquilo que num primeiro momento pode parecer impossível. Me lembro que anos atrás, na subida do Vulcão Vilarica no Chile, minha esposa me fez prometer que nunca mais a faria enfrentar tais desafios. Daquela vez ela fracassou, desistiu antes do cume, mas desta vez consegui trabalhar bem a parte psicológica dela, provando que as vezes um desafio é vencido com a cabeça e não só com as pernas. Voltamos do Peru simplesmente maravilhados, um tanto chocado com a cultura totalmente diferente da nossa, mas assim mesmo, trazendo na bagagem a certeza de ter vivido o bastante para conhecer um dos países mais espetaculares do mundo, um aprendizado para uma vida inteira. Divanei-Abril/2019
  2. Fala galera. Eu e meu marido estamos nos organizando para ir para Huaraz no final de maio, queremos fazer o circuito huayhuash , cordilheira branca, de 8 dias. Para que o grupo saia precisamos de no mínimo 6 e máximo 8 pessoas. Estamos procurando interessados, a saída para cordilheira seria dia 29/05 a princípio , se alguém tiver interesse chama aí!! Ahh estamos vendo para ir com a agência akilpo.
  3. Oi pessoal! Do dia 15 a 26 de julho estivemos num dos lugares mais famosos para trekking no mundo, a Cordillera Blanca no Peru, ao norte de Lima. Depois de voltar dos trekkings em El Chalten (Argentina) e Torres Del Paine (Chile) que fizemos em janeiro de 2011, queríamos aproveitar nossa forma física e disposição e encarar mais alguns trekkings. Encontrei o blog Natureza Adentro na net e me apaixonei pela Cordillera Blanca e decidimos que seria nosso primeiro destino no Peru. Infelizmente, por causa da altitude, o cardiologista do meu pai achou melhor ele dessa vez não nos acompanhar na aventura... Ele ficou chateado, mas temos que respeitar o limite de nossos corpos, não é verdade? Eu mesmo antes de encarar os mais de 5.000m de altitude fui a um cardiologista ver se meu coração e pressão estavam em bom estado, só para garantir... Aqui no mochileiros.com os tópicos Huaraz – Perguntas e Respostas e Huaraz – Verdades e Mentiras e os amigos Peter Tofte e Bruno Albuquerque me ajudaram muito. Obrigada! Dia 1 – 15/07/2011 Chegamos no Aeroporto de Guarulhos as 6h da manhã, pois nosso vôo seria as 8:25h e a empresa TAM nos presenteou com uma Contigência Operacional... Tentamos argumentar de todas as formas, mas não teve jeito, embarcaríamos apenas no vôo do dia seguinte. Mesmo a TAM nos levando a um hotel com todas as refeições pagas até o dia seguinte, nos sentimos lesados, pois toda a programação com a agência de turismo em Huaraz já estava programada a dias e perderíamos um dia de trekking. A vantagem é que conseguimos mudar a data de retorno para 26 de julho... Dia 2 – 16/07/2011 - Lima Conseguimos embarcar, mas o vôo 8066 da TAM saiu com 1 hora de atraso. Infelizmente ao chegarmos em Lima não conseguimos pegar o ônibus para Huaraz das 13:30h e o jeito foi conhecer um pouquinho da cidade. Trocamos alguns dólares por Soles no próprio aeroporto, antes mesmo de sair da sala de desembarque. Cotação de U$ 1,00 por S$ 2,65. Atrasamos nossos relógios em duas horas e começamos a tomar o remédio Diamox, para diminuir os problemas com soroche (mal da altitude) para quem sobe acima dos 3.000 m de altitude. Ao sair do aeroporto pegamos um 'Taxi Gren' até a Paseo de la República no Terminal da Movil Tours para comprarmos nossas passagens para Huaraz. A corrida deu S$ 55,00, dentro do esperado que tínhamos pesquisado na net (de S$ 45,00 a S$ 60,00). Gente, quase batemos umas 30 vezes... Como eles andam mal nas ruas... E sem contar que buzinam pra tudo!!! No Terminal da Movil Tours compramos o acento semi-cama (equivale ao semi-leito nosso) por S$ 50,00 das 10:30 da noite. Depois pegamos outro taxi na rua e pedimos para o motorista nos levar até o Shopping Larcomar em Miraflores, por S$ 15,00. Que lugar lindo! De frente ao Oceano Pacífico, com a praia de pedras escuras que ao quebrar as ondas fazem um barulho estranho e você fica olhando tudo por cima das 'falésias' de mais ou menos 100 m de altura. Ainda aparecem voando pelo céu alguns malucos de Parapente que quase batem nos paredões. E o céu, como já tinha lido em outros relatos, sempre nublado Almoçamos no shopping bem na hora do jogo do Peru x Colômbia. Como eles vibram! Não vou mentir que comecei a torcer pelo Peru e me emocionei quando eles ganharam... Depois foi só festa... Outra coisa que achei lindo foi o patriotismo deles. As ruas repletas de bandeiras do Peru. Perguntei a um peruano e ele disse que é por causa da semana pátria (sua independência foi em 28 de julho de 1821). Fiquei mais admirada ainda, até que ele me confessou que se as empresas e casas não fizerem isso, pagam multa!!!!!! Daí não dá, né? Depois fomos andando até o Parque Central de Miraflores a 7 quadras do Shopping. Que região LINDA! Quem for ficar em Lima deve se hospedar mesmo em Miraflores, tem de tudo, ótimos restaurantes e a vida noturna também ferve. Fizemos um passeio com o ônibus de dois andares da Mirabus por Miraflores e passamos pelo Sítio Arqueológico de Huanca Pucllana, igrejas, parte residencial do Bairro e avenida costaneira. Pagamos S$ 10,00 por pessoa. Saindo dalí fomos em uma rua que só tem restaurantes e depois de muito escolher fomos comer pizza. Mas não gostamos da pizza deles... Pouco recheio... Voltamos ao Terminal da Movil Tours de taxi (por S$ 10,00) e embarcamos no ônibus das 10:30h, para encarar 8 horas de viagem e a subida do nível 0 a 3.200 m de altitude de Huaraz para dali sim começar uma aventura de verdade! Dia 3 – 17/07/2011 – Chavin de Huantar Chegamos em Huaraz as 6:45 da manhã. A viagem no ônibus foi boa, deu pra dormir bastante. Sofri um pouco com dor de cabeça, mas tomei um remedinho e logo passou. Assim que desembarcamos na rodoviária de Huaraz, a Rut da agência de Trekking Artizon Adventure estava nos esperando com uma placa 'CARLA'. Nos apresentamos e fomos de taxi até o Albergue Churup, nossa pousada nesta cidade. Da rodoviária até o Albergue deu S$ 4,00. O Albergue Churup é lindo, uma decoração para gringo, mas a localização não é das melhores (Bairro La Soledad). Fizemos nosso check-in e fomos tomar café da manhã, super simples, com pães (muito gostoso), café com leite, chá, sucos, manteiga e geléia de morango. Ao esperarmos na recepção nosso transfer para Chavin, uma gringa entrou aos prantos, tinha acabado de ser assaltada... Bem que falei que a localização não era das melhores... Mas a vista do terraço é linda! As 9:00h chegou o micro-ônibus que nos levaria a Chavin, nosso guia foi o Atilho, professor aposentado de história, então nem preciso dizer que ele nos deu uma bela aula sobre o Peru, as civilizações Pré-Incas e Incas. Foi ótimo! São 4 horas de estrada zigue-zagueando a Cordillera Blanca. No caminho paramos na maravilhosa Laguna Querococha, aos pés de um pico nevado muito belo que nos rendeu várias fotos... O ponto de maior altitude que chegamos foi 4.500 m ao cruzar um túnel (Kaihuish) que passa para o outro lado da cordilheira. Depois é só descida, também em zigue-zague, com vista no fundo do vale a cidade de Chavin. Paramos para almoçar em um restaurante super simples. Comemos uma truta frita com arroz e batatas maravilhosa, por S$ 15,00 por pessoa. O interessante foi tomar Coca-Cola quase sem gás, uma vez que estávamos a 0,6 atm e como o gás nos refrigerantes ficam em equilíbrio com a pressão atmosférica ao abrirmos a garrafa ela perde quase todo o gás em alguns segundos. Viu como foi bom prestar atenção nas aulas de física? Depois de saciada a fome fomos ao Museu Arqueológico da Cultura Chavin. É interessante visitá-lo antes de ir ao sítio arqueológico para você entender melhor o que verá ao vivo, uma vez que uma avalanche em 1945 destruiu 80% do sítio e ainda não conseguiram restaurar tudo. Depois fomos ao Sítio Arqueológico de Chavin de Huantar, uma civilização Pré-Inca de 1000 anos antes de Cristo. Visitamos suas praças de adoração ao deus Sol, Lua e onde os sacerdotes moravam. Impressiona a inteligência da arquitetura, execução das obras sem nenhum maquinário e o seu conhecimento da astronomia para definirem as épocas do ano. Eram apaixonados pelo número 7 e seus múltiplos e eram também muito ricos. Mas, assim como as demais civilizações antigas também faziam sacrifício humano, o lado triste da história. Saímos de Chavin e regressamos a Huaraz, chegando às 8 horas da noite. O nosso guia Atílio nos deixou na porta do Albergue Churup. Mais tarde a Rut da Agência Artizon Adventure foi nos dar a programação de todos os trekkings e tours da semana e nos apresentou o Ivan, nosso guia que nos guiaria nos próximos 8 dias. Isso mesmo: um guia só pra gente! Incrível não? Por isso alguns amigos do mochileiros.com me escreveram e disseram que eu tinha negociado caro demais pelos passeios... É que eles foram com agências que levam de 15 a 20 pessoas e se você sente dificuldade pelo meio do caminho é largado pra trás... Com essa agência é guia particular... Dia 4 – 18/07/2011 – Laguna Churup Saímos às 8 horas da manhã do hostel e seguimos para a Laguna Churup... Huaraz está a 3100m de altitude e fomos de carro até 3800m no povoado de Pitec. Dalí em diante é a pé mesmo... São só 4 km mas uma subidona que sai do 3800m e chega a 4540m. Desnível de 740m em 4 km é bem puxado... Nosso guia Ivan nos acompanhou devagar desde o início, mas quando cheguei a 4154m de altitude, comecei a passar muito mal: eu não conseguia respirar direito e o ar que entrava doía no peito, a cabeça doía bem perto da nuca, meu coração estava com uns 120 batimentos por minuto e estava começando a ficar enjoada... Sentei em uma pedra e verbalizei minha desistência... Eu amo andar na natureza, mas preciso respeitar os limites do meu corpo. Pedi pro Elio e o guia continuarem que eu ia ficar por ali mesmo esperando eles... Eles prosseguiram! Tomei meu remédio para dor de cabeça, bebi água, deitei na pedra e fechei os olhos... Fiquei uns 15 minutos me recuperando e quando abri os olhos eu já estava melhor! Resolvi ir andando devagarinho e tirar umas fotos pelo caminho (já que amo flores de altitude). Então fui devagar, devagarinho, parando a cada 50 passos e sentando para descansar... Os outros trekkings foram me passando, passando... E eu só curtindo a natureza! Foi o trecho que mais tirei fotos e curti por estar alí, no meio daqueles nevados! De repente dou de frente com o temido paredão que se tem que 'escalar' para chegar na Laguna Churup. Quando lí na internet que esse paredão era f... e que muitas pessoas desistiam alí eu tomei por mim que o meu final do trekking seria ali mesmo... E foi isso que fiz. Sentei e esperei os meninos descerem. Logo em seguida meu esposo e o guia chegaram e olhei no GPS que marcava 4380m de altitude. Faltava apenas 60m para a laguna. Mesmo assim não arrisquei! Tomamos um lanche preparado pelo nosso guia, ví as fotos na máquina do Elio e comprovei que realmente essa laguna é linda! Meu esposo disse que na subida do paredão tem 3 fases com cabo de aço. Na net vimos que a maioria das pessoas acham a terceira fase a mais difícil, mas o Elio disse que para subir ele achou a segunda fase mais complicada e para descer a primeira fase pior... A descida foi light, fizemos em 1h30min. O motorista do taxi estava nos esperando e voltamos a Huaraz em 1h. Eles nos levaram a agência da Movil Tours para comprarmos nossas passagens de Huaraz para Lima no dia 25 de julho. Pagamos o super cama por S$ 65,00 por pessoa (equivalente ao leito nosso). Voltamos a pousada, tomamos banho e saímos para jantar. Comemos um mignon maravilhoso no 'Encuentro' e pagamos S$ 28,00 por pessoa. Depois a Rut e o Ivan da Artizon Adventure foram até a pousada para nos falar do passeio do dia seguinte. Nos mostraram o mapa do caminho que vamos fazer e disseram que sairíamos às 6 da manhã para ganharmos tempo (na verdade eu sei, eles querem ganhar tempo pois eu sou muito lenta para subir, mas eles são super educados e não vão me dizer isso....). Continua...
  4. Fala, viajante!! No último post escrevi como foi ter “Um dia de peruano no Callao”, participando de um evento beneficente e, de quebra, falei “Um pouquinho de Miraflores”, onde saímos para comer e curtir a noite de Lima. Clique aqui para ler o post: http://www.viajanteinveterado.com.br/um-dia-de-peruano/ O post de hoje relata nossa saída de Lima com destino a Huaraz, onde encaramos a subida da Cordilheira Branca até a Laguna 69 com apenas algumas horas de aclimatação à altitude. Que saber o que aconteceu? Confere aí!! Trekking – Laguna 69: desafiando a Cordilheira Branca (Huaraz, Peru) Era um manhã de domingo, 17 de abril de 2016. O despertador tocou, levantei-me enquanto todos os outros ainda dormiam. Lá fora, o dia amanhecia em Lima carregado por uma névoa branca e densa que mal me deixava enxergar pela janela. Aos poucos, todos iam despertando e arrumando a bagagem para nosso primeiro deslocamento no Peru. Nosso anfitrião, Israel, muito gentilmente nos levou até o terminal da empresa de ônibus Moviltours – importante destacar que por lá cada empresa tem seu próprio terminal, não existindo um terminal rodoviário único que atenda a várias empresas, como estamos acostumados aqui no Brasil. Quando chegamos ao terminal, fomos retirar os bilhetes que havíamos comprado pela internet por S/. 40,00 cada um – o procedimento levou bastante tempo devido a algum problema no sistema, por isso foi importante chegarmos cedo. Com os bilhetes em mãos, fomos à uma outra sala para despachar as bagagens, mais ou menos como funciona no embarque aéreo. Em seguida, fomos tomar café da manhã em uma barraquinha de rua que fica na esquina do terminal. Dentre as opções, escolhi um sanduíche: pão com ovo e presunto. Para tomar, experimentei a Avena: leite com aveia e canela – uma delícia! Agradecemos e nos despedimos de Israel e voltamos ao saguão do terminal onde assistimos às notícias sobre as consequências terríveis do terremoto que, na noite anterior, havia destruído a cidade de Pedernales, no Equador. Como iríamos para lá em alguns dias, ficamos bastante atentos e comovidos com a situação do país. Não demorou muito para que nosso embarque fosse anunciado. Eram 9h da manhã quando deixamos a capital. O ônibus era confortável e não seria difícil permanecer ali por cerca de oito horas até Huaraz. Durante a viagem, as paisagens se contrastavam, à esquerda, o Oceano Pacífico dava o ar da graça e, à direita, enormes dunas pareciam querer invadir a rodovia – que aliás, não tinha um buraco sequer. Na parada para almoçar pedimos “pechuga a la plancha” e limonada. Em poucas horas, a velocidade do ônibus diminuía à medida em que subíamos a serra. O dia ensolarado ia ficando pra trás enquanto o frio chegava e os vidros se embaçavam rapidamente. Eram 18h quando chegamos, uma hora mais tarde que o previsto, à cidade de Huaraz. Conseguimos um mapa, driblamos os taxistas e seguimos a pé em busca do nosso albergue. Tudo ia muito bem até que descobrimos que havia duas ruas cujo o homenageado tinha o mesmo sobrenome: Mejía. No mapa, o primeiro nome abreviado causou nosso engano. Por sorte, as ruas não ficavam tão distantes e precisamos caminhar por “apenas” mais 10 minutos – com a mochila nas costas em uma cidade a 3.052 metros de altitude. Chegamos cansados ao albergue Monkey Wasi e logo conhecemos Gustavo, o proprietário gente boníssima. O local é simples e bastante frequentado por montanhistas. Seu grande diferencial é uma parede de escalada que os hóspedes podem utilizar gratuitamente para treinar suas técnicas – ou tentar aprender. A diária custa a partir de S/. 20,00 (sem café da manhã). Pedimos algumas dicas e ajuda para o Gustavo e ele conseguiu nos encaixar, já para o dia seguinte, em uma expedição para a Laguna 69 por S/. 35. Sabíamos que ainda não estaríamos 100% aclimatados, mas resolvemos encarar esse desafio por nossa conta e risco. Com o sentimento de termos feito a coisa certa, seguimos até o centro para conhecer um pouco da cidade. Fomos diretamente à Plaza de Armas, bonita e bem cuidada, onde alguns músicos peruanos tocavam suas canções com flautas e tambores. Atravessando a rua, fica a Feria Artesanal La Plaza repleta de suvenires com bons preços e, ao lado, a Catedral de Huaraz, com uma arquitetura peculiar. Na rua de trás, Calle Simón Bolívar, encontramos uma Chifa – restaurante cuja especialidade é a fusão das gastronomias chinesa e peruana, com alguma influência equatoriana –, onde pedimos um Chaulafán de carne e um de frango por uns S/. 8 cada. Bem alimentados, voltamos ao albergue e fomos dormir cedo, pois teríamos um pesado compromisso para o dia seguinte. O despertador tocou, o céu ainda estava escuro, eram 5h da manhã. Pegamos tudo o que precisávamos e, quando eram 5h30, a van já nos esperava do lado de fora. Seguimos por um caminho bonito, um vale entre as Cordilheiras Negra e Branca. Foram duas horas de viagem até Huashao, onde paramos para tomar o café da manhã – o café continental custa S/. 7, um lanche custa S/. 3, o chá de coca e o chocolate custam S/. 2 e um saquinho com folhas de coca S/. 1. A segunda parada foi na entrada do Parque Nacional Huascarán, onde cada um desembolsou mais S/. 10 pelo ingresso. E a terceira parada foi rápida, apenas para tirar fotos, na bela Laguna Chinancocha. Na quarta parada, desembarcamos aos 3.950 metros e começamos a caminhada rumo à Laguna 69 (que fica a 4.650 metros de altitude). O pico mais alto é o próprio Huascarán que chega a cutucar o céu, atingindo incríveis 6.768 metros. Nosso guia comentou que, ao contrário do que muitos pensam, os nomes Cordilheira Branca e Negra, não se dão pela neve e pela falta dela, respectivamente, mas sim por suas formações rochosas. Pesquisei bastante mas até agora não encontrei nada para reforçar essa hipótese. Por enquanto fica a dúvida! Logo nos primeiros passos ficamos pra trás do grupo para tirar algumas fotos e nos reencontramos após 40 minutos de caminhada no primeiro ponto de descanso. Nesse momento já sentíamos cansaço físico (pela falta de preparo, pois a trilha não requer muito esforço), mas nenhum sintoma da altitude se fazia presente. Quando atingimos os 4.200 metros, conversei com o guia e o que ele me disse repercutiu muito no meu psicológico. Eu disse que estava sentindo sonolência e ele alertou que a pressão poderia baixar e levar a um desmaio. Caso isso ocorresse, eu teria que ser levado para baixo o mais rápido possível para que meu estado não se agravasse, caso contrário, eu poderia não voltar – em outras palavras, sem eufemismo, eu poderia morrer ali mesmo. Obviamente, esse comentário entrou como uma bomba em meus ouvidos, mas resolvi seguir adiante. Após duas horas de caminhada eu me sentia bastante cansado e já estava evitando falar muito. Para aumentar o desconforto, caía uma chuva fina. Porém, a sonolência já não estava tão forte quanto antes e decidi continuar. No último contato que tivemos com o guia ele orientou, ao Marcelo e a mim, que voltássemos pois estávamos muito cansados e não conseguiríamos chegar à Laguna 69. Enquanto isso, o Carioca também já se distanciava de nós, subindo em um ritmo mais forte. Ficamos torcendo por ele. Foi quando atingimos a Laguna Negra que decidimos que aquele seria nosso ponto final. Arregamos. Queríamos muito chegar à Laguna 69 mas jamais nos arrependemos dessa decisão. Desistimos porque realmente não tínhamos condições de atingir nosso objetivo. Estávamos fisicamente despreparados e, além disso, o soroche (o mal da altitude) nos pegou em cheio. Não vou negar que aquelas palavras do guia me assustaram bastante, afetaram meu psicológico e me faziam pensar, o tempo todo, em minha família caso o pior viesse a acontecer. Dramático demais? Talvez. Mas aprendi que com a natureza não se deve brincar e obedeci aos meus instintos. Por acharmos que não teríamos problemas com a altitude, tomamos a decisão precipitada de encarar a montanha sem, ao menos, nos aclimatar do forma razoável. Vinte e quatro horas antes disso ainda estávamos em Lima… Pisamos na bola, de fato! Subimos 5 dos 7 km até a Laguna 69. Mas, se a subida não dava pra encarar, da descida não dava pra escapar! E tínhamos um longo caminho pela frente. No caminho encontrávamos muitas pessoas subindo e quase todos perguntavam, já cansados, quanto tempo faltava. Após 4h40 de caminhada, chegamos novamente àquela primeira parada onde havíamos reencontrado o grupo durante a subida. Ficamos animados pois sabíamos que faltava pouco. E com pouco mais de 5h encerramos, sãos e salvos – e exaustos – nossa aventura. Entramos na van e dormimos. Acordávamos quando um ou outro chegava da caminhada. A van completou-se quando chegaram o guia e o Carioca, cansado mas feliz da vida! Ele, por sorte, estava fisicamente bem, superou a altitude e alcançou, com muito esforço, a Laguna 69 aos 4.650 metros. Depois de tudo isso, acredito que deixo pra você as duas dicas mais preciosas desse post: esteja com seu físico em dia e aclimate-se bem!! Com todos embarcados, retornamos para Huaraz. No caminho decidimos, por unanimidade, que não iríamos fazer outro trekking no dia seguinte e resolvemos partir naquela mesma noite para Trujillo. Chegamos no albergue, tomamos um banho relaxante, arrumamos as mochilas e pegamos um táxi (não dava pra caminhar!) até o terminal da empresa Línea (seguindo conselho do Gustavo). E conseguimos um ônibus ótimo: semileito com serviço de bordo e poltronas revestidas de couro para as 21h15. A passagem custou S/. 50 e a viagem duraria pouco mais de sete horas. Sete horas teríamos pela frente… Para descansar e dormir ou, quem sabe, pensar e sonhar com a Laguna 69. Não me arrependi do que fiz, de jeito nenhum. Mas gostaria de tê-la conhecido. A única certeza que tenho, no entanto, é que ela continuará lá, linda e bela, para um dia, quem sabe, finalmente me encontrar!! No próximo post vou contar tudo o que fizemos em Trujillo: desde as visitas aos seus incríveis sítios arqueológicos, até a praia de Huanchaco com seus caballitos de totora. Leia o post original com fotos e informações detalhadas sobre as atrações: http://www.viajanteinveterado.com.br/trekking-laguna-69-desafiando-a-cordilheira-branca-huaraz-peru/ Este post faz parte da série Mochilão América do Sul II: http://www.viajanteinveterado.com.br/category/grandes-viagens/mochilao-na-america-do-sul-ii/
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