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  1. Tudo começou numa linda manhã de sol do dia 29 de setembro de 1986... Nasci 👶! E no meu DNA veio escrito o seguinte código genético EBC (confesso que, biologicamente falando, não sei se faz sentido, achava as aulas de biologia enfadonhas). Para quem não sabe, EBC, é como o Acampamento Base do Everest é conhecido pelos íntimos. Que ainda não é meu caso, mas em breve será. Diferente de todos os relatos de viagem que fiz até o momento, resolvi começar esse previamente, 33 dias antes da partida pra ser precisa. Pq? Quando descobrir conto! Mas suponha que seja a ansiedade, talvez seja uma forma de já está viajando e de acalentar a alma. Imaginava que essa viagem só fosse ocorrer após 2020, contudo, viagens sempre são um ótimo incentivo para entrar em forma, seja para se exibir nas belas praias da Tailândia ou para não passar vergonha durante um trekking pelo Himaláia. E eu precisava urgentemente entrar em forma, não que eu não tivesse uma forma definida, mas barril não é minha predileta. Então dei uma antecipada nos planos. Em janeiro de 2018 dei o ponta pé inicial (clichêzona 🙄), comecei com os treinos e em paralelo as buscas superficiais. Encontrei logo de cara o site da agência Morgado Expedições, engoli as dicas e informações contidas nele com a ferocidade de papagaio. Contudo o preço desanimava! Sabia que seria a melhor opção para mim, já que Morgado é um guia renomado, além disso, o público alvo da agência são os brasileiros, o que facilitaria muito minha vida já que não falo inglês. Ehhh pessoal, não falo nem entendo. Mas isso nunca me impediu de viajar, na verdade isso torna a viagem até mais interessante (para os outros rs não para mim, que se acabam de rir com algumas situações inusitadas que acabei relatado nas redes sociais). Melhor época do ano? 🔆 Confesso que me baseei nas datas do Morgado. Meu plano era, passear serelepe e pimpona pelas ruas de Carmandu, me esbarrar “acidentalmente” no grupo de brasileiros conduzido por ele. Mostrar toda minha simpatia e ser convidada a me juntar ao grupo por um preço acessível ao meu bolso. Mas para aqueles que não se baseiam em algo tão louco, informo que a primavera (março e abril) e o outono (outubro e novembro) são as melhores escolhas, já que a visibilidade é boa e a temperatura tb (na medida do possível, podendo chegar a -12°C). Compra das passagens ✈️ Gosto de comprar as passagens aéreas logo, isso me dá a sensação de inalterabilidade. Claro que sei que isso não passa de uma sensação, são vários os fatores envolvidos que podem jogar nossos planos no lixo. Percebi que os vôos direto para Catmandu estavam absurdamente caros, então coloquei alguns alertas de preço no Google Flight tanto para Catmandu quanto para Delhi. Esperei pacientemente uma oportunidade e ela surgiu em junho. O preço não era perfeito, mas não quis arriscar esperar mais. Ainda era possível fazer um stopover nos Emirados Árabes Unidos. Não pensei duas vezes, comprei! Aproveitei a deixa e comprei as passagens de ida e volta Delhi x Catmandu e Salvador x Guarulhos. Alguns custos: Passagens Salvador x GRU (ida e volta + bagagens): 684,72 BRL Passagens Emirates GRU x Dubai x Delhi (ida e volta): 4.136,79 BRL Passagem Jet Airway Delhi x Catmandu: 74 USD Passagem Nepal Airline Catmandu Delhi: 348,29 BRL Mala 🎒 Gosto de arrumar as malas, é tipo um hobby. Então comecei bem cedo dessa vez. Peguei a lista disponível no site da Morgado Expedições através desse link https://www.morgadoexpedicoes.com.br/trek-ao-everest/lista-de-equipamentos e usei como base para as compras. Boa parte das coisas eu já havia adquirido durante o trekking do Monte Roraima na Venezuela, reduzindo um pouco meu custo com as compras. Dei um pouco mais de atenção para as botas e não economizei com elas. Por sorte, achei um anúncio no Mercado Livre, cujo vendedor tinha o último par de uma bota Salomon, no modelo e tamanho que eu precisava e com o preço 20% abaixo das lojas brasileiras especializadas em produtos para trekking. Comprei com bastante antecedência, para poder amaciá-las. Aqui vão algumas fotos das malas já prontas, kkkkkkk já estão assim a mais de 5 meses, vou fazendo simulações de como arrumar e do que é possível retirar ou colocar. Dividi em 4 categorias: Vestuário: - 3 calças de trekking (Decathlon) - 1 Calça de moleton para dormir(Centauro) - 2 calças segunda pele (Decathlon) - 1 bermuda (Decathlon) - casaco pele de ganso (Decathlon) - 1 casaco moleton (made in China) - 2 casacos fleece (Decathlon) - 2 blusas segunda pele (Decathlon) - 5 blusas dry fit - 9 calcinhas - 1 par de botas impermeáveis (Mercado Livre) - 2 bandanas tubulares (Decathlon) - 1 Gorro (Decathlon) - 3 pares de luvas de diferentes materiais (Decathlon) - 6 pares de meias ( Decathlon, Pé na Trilha) - 5 Tops *Além do que pode ser visto na foto, levarei: sandália, chinelo, tênis, par de bastões de caminhada e cachecol. Percebam que não existe nenhum casado pesado na lista, isso pq a empresa que contratei fornecerá tanto o casaco quanto o saco de dormir apropriados para essa atividade. Higiene: - 1 necessaire - lenços umedecidos (também conhecidos como duchas) - lenços de papel - 40 pastilhas de Clorin (para purificar a água durante a trilha) - sabonete líquido - hidratante - shampoo - condicionador - cotonete e algodão - repelente - protetor solar - desodorante - enxágue bucal - creme dental - micropore (para minimizar as bolhas nos pés) - creme de pentear - escova de dente - pente - sabonete - suvacador - espelho - álcool - perfume *Além do que pode ser visto na foto, levarei: minâncora (para o chulé) Variedade: - 2 garrafas de 1 litro cada - caderninho e caneta para anotações - kindle - carregador portátil de 20.000mA - passaporte - adaptador universal de tomada - benjamim - balança - lente - pasta com documentos (reservas de vôos, agências, hospedagem, visto, seguro, contratos, etc) - bastão Gopro - fone de ouvido - 2 carregadores - óculos - cadeado - Gopro - relógio - lanterna de cabeça - acessório gopro - cabos - pilhas extras para lanterna - estojo para eletrônicos - pochete - saco impermeável - tapa olhos - kit costura - almofada inflável de pescoço - kit de primeiros socorros - mochila Curtlo de 63 litros (porter) - mochila Nautika de 40l (ataque) -mochila Curtlo de 17l (passeios) Esqueci de apresentar o mocinho aí do lado. Esse é o Grelhado, meu fiel companheiro de viagens. obs.: A quarta categoria está ainda em construção, será a de medicamentos. Na segunda semana do mês de fevereiro marcarei uma consulta médica para ver o que de fato levarei. Vistos 📜 Nepal: o visto de turista para o Nepal pode ser obtido no momento da chegada no aeroporto internacional de Catmandu. Bastando para isso o passaporte com validade mínima de 6 meses e pelo menos uma página em branco. Pagamento da taxa que varia de acordo com o tempo de permanência no país e permite entradas múltiplas. Preenchimento de formulário específico. Além de 1 foto 3x4. Índia: permite que o visto seja tirado eletronicamente (e-visa). Basta entrar nesse site https://indianvisaonline.gov.in/ e seguir as instruções desse outro aqui https://casalwanderlust.com.br/como-solicitar-o-visto-para-a-india-atraves-da-internet-passo-a-passo/ , escrito pela Camila e que está bastante didático! Já reserve uma foto com fundo branco e uma cópia do passaporte em PDF. Emirados Árabes Unidos: Desde 2018 não há mais exigência de visto de turista para brasileiros. Alguns Custos: Visto Nepal: 15 dias / 25 USD – 30 dias / 40 USD – 90 dias / 100 USD Visto Índia: 60 dias / 82 USD Seguro 👮‍♂️ Não estamos falando de qq viagem de “fundo de quintal” né galera? Logo, o seguro precisa estar à altura da façanha. Lendo bastante, percebi que a melhor opção nesse caso seria fazer o seguro da world Nomads, na modalidade Explorer que cobre resgate de helicóptero. Infelizmente só aceitam pagamento a vista! Alguns Custos: Seguro viagem (33 dias): 640 BRL Certificado Internacional de vacinação 📜 Alguns países exigem de seus visitantes um certificado internacional que comprove a vacinação contra a febre amarela. É o caso do Nepal e da Índia. Facílimo a obtenção. Basta se dirigir a uma unidade da Anvisa, após tomar a vacina e preencher um pré cadastro no site https://viajante.anvisa.gov.br , levando consigo a cartão nacional de vacinação e documento pessoal. Ahh, a boa notícia é que isso pode ser feito online também. Dá uma googlada pra saber mais!
  2. Queridos mochileiros, Esse relato é da minha primeira travessia, já havia feito trilhas difíceis e longas, mas uma trilha de dias de duração, foi a primeira. No ano novo de 2012/2013 fui de Trindade até Ponta Negra, acampando na Praia do Sono. Foi então que, encantada com a paisagem selvagem da região inserida em uma Unidade de Conservação, em 2015 eu e mais duas amigas resolvemos ir de Trindade até Pouso da Cajaíba. Gostaria de aproveitar e agradecer os relatos que li aqui no fórum, nos ajudaram muito nessa travessia, posso garantir que não nos perdemos nenhuma vez. Obrigada a todos que colaboram nessa rede. Saímos de São Paulo bem cedo no dia 26/12/2015 de ônibus, rumo a Paraty-RJ. Pedimos ao motorista para nos deixar na entrada da Vila de Trindade, lá esperamos o ônibus Municipal de Paraty para descer até a vila. Ponto de ônibus na beira da Rio-Santos, entrada da Vila de Trindade. Na foto da esquerda para a direita: Eu, ainda estudante na graduação de Engenharia Florestal, Angela, chilena, na de medicina e a Nara também na florestal. Pegamos o ônibus e descemos no último ponto, a Vila do Oratório. É lá que inicia-se a trilha para a Praia do Sono. Um sol forte, mesmo já tendo passado das 14:00, nos deixou bastante ofegantes, mas a trilha é bem demarcada e fácil. Chegando lá, nos aconchegamos num camping mais ao fim da praia, a fim de ficarmos próximas da trilha para a Praia dos Antigos, seguiríamos bem cedo no dia seguinte . Nem começou e já deu uma canseira kkkk. Na praia do Sono, depois de desarmar nosso camping. De manhã, como combinado, fomos rumo a Praia da Ponta Negra. A primeira parada foi na Praia dos Antigos, lá tem uma pequena queda d'água que desemboca na praia, ficamos lá um bom tempo, estava extremamente quente e o mar era um convite irrecusável nesse paraíso. Subida íngrime entre a Praia do Sono e a Praia de Antigos, já de manhã o sol castigava nossas cabeças! Como podem ver, a Angela resolveu levar seu violão para a viagem! No cantinho com sombra na praia, passamos um bom tempo curtindo a Praia dos Antigos. Paraíso, sem mais. Chegando a Praia de Ponta Negra, acampamos no Camping da Branca, resolvemos dormir cedo, pois no dia seguinte faríamos a trilha para a Cachoeira do Saco Bravo, a ideia era passar o dia lá e dormir novamente em Ponta Negra, para só então no outro dia seguir em frente na travessia para a Praia de Cairuçu das Pedras. A caminho da Cachoeira do Saco Bravo Ponta Negra vista de cima. Vista linda da trilha. Suando muito, mas tudo muito bem compensado com essa vista verde a perder-se no horizonte. É uma satisfação enorme ver a Mata Atlântica assim S2. Minhas queridas! Curtindo muito fazer a trilha sem o peso dos mochilões! A cachoeira do Saco Bravo é incrível, fiquei realmente impressionada com o lugar. A cachoeira fica no costão rochoso, desaguando portanto no mar. A única forma de acesso é por trilha, não há como ir de barco. Reparem na proporção, o tamanho da pessoa lá embaixo. Mais uma desse pico incrível. Na volta da trilha, nos deparamos com flores lindas na mata. Chegamos no fim da tarde em Ponta Negra, tomamos um banho, jantamos e fomos dar uma volta para se despedir do pico. Bateu uma saudade essa foto! Vista linda da Praia da Ponta Negra. Partimos pela manhã para Cairuçu das Pedras, a trilha é longa, mas escolhemos ir devagar e parando para curtir a trilha, demoramos cerca de quase 5 horas, com toda certeza dá pra fazer em menos tempo. Porém paramos para comer, curtir algum curso d'água que estivesse pelo caminho e cantar muito com o violão! Nessa foto, estamos ainda em Ponta Negra com mochilão e violão! Flor extraterrestre. Pelo caminho, só as belezas da Mata Atlântica. Reparem nessa bromélia! Chegamos em Cairuçu das Pedras ainda de dia. A praia é lindíssima e as águas límpidas. Acampamos no quintal dos caiçaras que nos receberam super bem, o camping fica no alto. De lá, a vista da praia com o céu estrelado é um show e serviu de palco para muitas canções com o violão na única noite que passamos por lá. Uma das fotos mais lindas da viagem!! No deck em frente a Cairuçu. Mais uma nessa praia maravilhosa. Nos munimos de banana para seguir viagem, agora, rumo a Martim de Sá para passar a virada de ano! Olhem a vista de Cairuçu!!! Bem cedinho, partimos para Martim de Sá, nosso objetivo era passar a virada de ano lá e também ficar alguns dias (mas acabamos estendendo até o dia 12 de janeiro). A trilha foi tranquila, quando chegamos lá, nos deparamos com o camping bem lotado. Depois de dar várias voltas, conseguimos achar um cantinho legal para armarmos nosso acampamento. Martim de Sá tem uma vibe e energia únicas, é fácil fazer amizades e logo todo mundo vira uma grande família. Nossa estada lá foi i-nes-que-cí-vel, é um verdadeiro paraíso na Terra. Parada para refrescar a caminho de Martim de Sá. Impossível não parar a trilha para curtir essa água doce transparente no meio da mata! A trilha também é atração principal, tanto quanto o destino final! Martim de Sá tem muita coisa pra fazer, não dá pra ficar entendiado! Tem o Encontro dos Rios, a cachoeiras, além de estar num local estratégico para ir até Cairuçu, Praia da Sumaca e Pouso da Cajaíba num tempo de trilha relativamente curto. O ano novo foi demais, foi feita uma fogueira na praia e todo mundo do camping se reuniu para celebrar a passagem do ano, vibe indescritível da galera, o céu "estralando" de estrelas, o clima perfeito! Curtindo a praia de Martim de Sá antes da grande virada. Um pouco do clima de Martim de Sá! Goró na mão pra não passar em branco! kkkk Feliz, feliz, feliz..... É disso que to falando! S2! Fogueira e música. Os dias transcorreram com muita alegria e aventura, como disse, acabamos ficando até o dia 12 de janeiro. Nesses dias fomos conhecer a Praia da Sumaca, voltamos a Cairuçu e íamos frequentemente para Pouso da Cajaíba para pegar mais comida e bebidas e dar um alô para nossa família. O camping, assim como em Cairuçu, é bem roots, o que pra mim não é problema algum, lá não tem energia elétrica e nem sinal de celular, é uma experiência única ficar REALMENTE desconectado do mundo moderno, posso afirmar que você curte sua viagem de maneira diferente e com certeza mais intensa. A conexão com a natureza nesse lugar é muito forte e logo começa a transparecer no nosso corpo físico. Eu me sentia extremamente bem lá, sempre disposta e com muita energia! Nosso mental/emocional fica muito ZEN e você se vê sendo gentil, amável e sociável com todas as pessoas. Lugar mágico! Cachu em Martim de Sá. Em dia de chuva em Martim, era comer e tocar violão. Camping esvaziando após a virada de ano. Um pouco mais do camping. Sossego em Martim. Eu no canto direito de Martim de Sá, por onde parte a trilha até o Encontro dos Rios. Bica no meio da praia Martim de Sá. Cachoeira do escorrega, mais conhecido como escorreguinha. 10 minutos de trilha. A caminho da Sumaca. Trilha para a Praia da Sumaca, já estávamos próximas. Na descida para finalmente chegar a Praia da Sumaca Morrendo de calor, mas estamos aí! Praia da Sumaca A Praia da Sumaca é ma-ra-vi-lho-sa. Dá para acampar também. Assim como em Martim, mora apenas uma família caiçara no local que dispõe de uma área para camping, também sem energia elétrica e sinal de celular: Roots! Eu e a praia da Sumaca S2 Outra grande atração de Martim de Sá é o Encontro dos rios. Um grande curso d'água que deságua direto no mar, para chegar até lá, basta pegar uma trilha rápida no canto direito da praia. Angela no Encontro dos Rios. Pescaria. Na dúvida de pular ou não! Vai que vai! Vários protelando o momento do salto! Com tantos dias em Martim, aproveitamos e retornamos num bate-volta até Cairuçu das Pedras com toda a turma do camping! Turma reunida para a foto, que lembrança! Após o bate volta para Cairuçu, começava a chegar a hora de partir de Martim de Sá. Aproveitamos nossos últimos dias no paraíso para então levantar acampamento até Pouso da Cajaíba, onde pegaríamos o barco para Paraty. Eu e minha irmãzinha Nara aproveitando os últimos dias em Martim. Hang Loose! Angela, mandando bem nos malabares. Abacaxi! Em Pouso da Cajaíba, aguardando a saída do barco até Paraty. Depois de muitos dias, tomando um guaraná geladíssimo! Pouso é uma delícia também, na próxima, pretendo acampar um dia lá antes de ir para Martim de Sá. Chegando em Paraty descobrimos que só tinha passagem para dali 2 dias, então aproveitamos duas noites super agitadas na cidade. O bom é que a despedida foi gradual, seria muito abrupto sair daquele lugar tão isolado, rodeado pela natureza, e já ir direto para São Paulo! Espero que tenham gostado do relato dessa odisseia. Recomendo muito esta aventura, estou a disposição para tirar dúvidas! Aliás, foi ótimo relembrar a viagem através desse breve relato, é o meu primeiro, então pode não estar bem estruturado, mas tentei passar um pouco da minha experiência com as fotos e os textos breves! No inicio deste ano (2019), fiz uma viagem de uma semana para a Praia do Puruba em Ubatuba, lugar mágico! Em breve farei o relato dessa trip! Abraços, mochileiros!
  3. Laguna de los Caballeros Início: Cuevas del Valle Final: Tornavacas Duração: 11 dias Maior altitude: 2394m em Pico La Covacha Menor altitude: 611m em Jarandilla de la Vera Dificuldade: média para quem está acostumado a longas travessias com mochila cargueira. Há grandes subidas e descidas quase todos os dias, com desníveis positivos (subidas) que chegam a 995m. A Serra de Gredos se estende no sentido leste-oeste cerca de 130km a oeste de Madri e está inserida nas comunidades autônomas de Castela e Leão e Extremadura (comunidades autônomas na Espanha são mais ou menos como estados no Brasil). Ela está dividida em Maciço Oriental, Maciço Central e Maciço Ocidental. Nesse trekking eu percorri de ponta a ponta o Maciço Central, que vai de Puerto del Pico a Tornavacas. Do 1º ao 9º dia eu caminhei dentro dos limites do Parque Regional de la Sierra de Gredos. O único problema dessa caminhada foi a época escolhida. Em final de junho e início de julho o calor chega próximo dos 40ºC, o que é bastante desgastante e inapropriado para o trekking. No início de junho há o risco de ainda haver bastante neve nos picos mais altos. Creio que a melhor época seja o outono (set, out), antes das neves do final do ano. É bom lembrar que o acampamento selvagem nos parques da Espanha é proibido, mas em todo o percurso eu montei a barraca no cair da noite (ou quase), desmontei logo cedo e não deixei nenhum vestígio do meu pernoite no local. Serra de Gredos 1º DIA - 25/06/19 - de Cuevas del Valle à crista da Serra de Gredos Duração: 4h (descontadas as paradas e erros) Maior altitude: 1839m na crista da Serra de Gredos Menor altitude: 844m em Cuevas del Valle Resumo: nesse dia encarei a subida inicial da Serra de Gredos a partir da cidade de Cuevas del Valle, com desnível de 995m desde essa cidade à crista da serra Na Estacion Sur em Madri tomei o ônibus da empresa Samar às 11h para a cidade de Cuevas Del Valle. Desci do ônibus às 13h52 e aproveitei que havia um restaurante a poucos metros para uma última refeição decente antes de entrar na trilha. Altitude de 844m. Iniciei a caminhada às 15h05 cruzando o asfalto da N-502 e depois a cidadezinha de Cuevas del Valle no sentido norte. Como era hora da siesta, o lugar estava completamente deserto. O calor ajudava a manter as pessoas dentro de casa, longe daquele sol forte. Há uma bica de água fresca num largo logo à entrada da cidade para abastecer os cantis já que não haverá muitas fontes nesse dia. Passei à direita da Capela de Nossa Senhora das Angústias e na bifurcação seguinte tomei a direita, subindo e seguindo a sinalização da GR 293 em direção a Puerto del Pico (para mais informações sobre as trilhas GR: es.wikipedia.org/wiki/Sendero_de_Gran_Recorrido). Esse caminho é chamado de Calzada Romana. Mas logo tive de fazer a primeira parada na sombra, por 30 minutos, pois o sol estava fritando. Continuando a subida, fui à direita na bifurcação e encontrei um cocho com água corrente, mas cheio de lama ao redor. Às 16h08 cruzei a N-502 e continuei subindo pelo calçamento de pedras da Calzada Romana. Parei mais três vezes na sombra. Às 17h34 cruzei mais uma vez a N-502 e 17 minutos depois parei na última água do dia para completar todos os cantis. O caminho faz um zigue-zague e já se avista Cuevas del Valle bem abaixo. Passo pelas ruínas do Portazgo (posto de pedágio do século 13) às 18h07 e 10 minutos depois termina a Calzada Romana junto à rodovia (altitude de 1371m). Esse lugar se chama Puerto del Pico (puerto em espanhol significa passo entre montanhas) e aqui entro nos limites do Parque Regional de la Sierra de Gredos. Puerto del Pico é o limite natural entre os maciços central e oriental da Serra de Gredos. Continuo por caminho paralelo à N-502 com a extremidade oriental do Maciço Central da Serra de Gredos à minha esquerda esperando para ser "escalada". Entrei no primeiro asfalto à esquerda e caminhei apenas 70m até um portão de ferro com mata-burro ao lado. Não cruzei o portão, entrei na trilha à esquerda antes dele às 18h25. Uns 170m depois entroncou uma outra trilha vindo da esquerda e a segui até encontrar uma cerca. Acompanhei a cerca subindo para a esquerda e ao final dela a trilha desapareceu por alguns metros. Segui os totens e a reencontrei. Já estava subindo a encosta da Serra de Gredos. Do outro lado de Puerto del Pico, a leste, avisto bem marcada a trilha de ascensão ao Pico Torozo, este já pertencente ao Maciço Oriental da Serra de Gredos. A subida pareceu ter fim aos 1622m, às 19h28, mas continuou. Procurei me manter à direita para chegar logo à crista. Novamente a subida pareceu ter fim aos 1749m, às 20h19, porém só atingi mesmo a crista da Serra de Gredos às 20h43, aos 1839m. Logo surgiu um aceiro vindo da direita e o tomei para a esquerda. Em 200m cheguei a uma estrada de terra bem no alto da serra (!?) e resolvi parar às 21h17 num lugar plano, abrigado do vento e sem tantas pedrinhas para montar a barraca. A primeira impressão da Serra de Gredos foi empolgante, com ampla visão em 360º. Há muitas formações rochosas de formatos curiosos, com grandes pedras equilibradas umas sobre as outras. Dali do alto também pude contemplar um belo pôr-do-sol às 21h45. Altitude de 1814m. Serra de Gredos 2º DIA - 26/06/19 - pela crista da Serra de Gredos até o Pico Peña del Mediodía Duração: 6h35 (descontadas as paradas e erros) Maior altitude: 2221m em Peña del Mediodía Menor altitude: 1810m Resumo: caminhada para oeste pela crista da Serra de Gredos, porém quase não há trilha definida. Procurar o caminho (ou abrir caminho) entre as moitas de piorno foi cansativo. Do local onde acampei na crista podia avistar toda a paisagem dos vales ao norte da Serra de Gredos e a continuação da serra para oeste, meu destino nos próximos dias. Deixei o acampamento às 10h42 e voltei a caminhar pela estrada no sentido oeste, mas quando ela fez uma curva para a direita (norte) subi à esquerda sem trilha seguindo totens para me manter na crista da serra. Às 11h39 um amontoado de rochas com uma coluna no topo me chamou a atenção e subi para conferir o que havia ali. Trata-se do cume La Fría, onde foi instalado um vértice geodésico. A visão para oeste se amplia bastante. Na continuação, me deparei com um grupo de cabras montesas que imediatamente fugiu, porém um filhote ficou para trás, no alto de uma pedra, apavorado com a minha presença. Ele saiu bem na foto, rs. A encosta norte da serra nesse ponto tem várias estradas de terra e há mais em construção, o que tira todo o "clima" de montanha do lugar. Às 12h25 cruzei uma fileira de mourões sem cerca (ainda) e 32 minutos depois encontrei uma bica de água quase seca, apenas um fio escorria, mas consegui coletar mais abaixo e bebi o máximo que pude pois as fontes são muito raras nessa serra (essa foi a única água desse dia). Um marco de madeira fincado tem uma plaquinha "Senda Puerto del Arenal". Continuei às 13h55 e 190m depois cheguei a uma placa em que se lê: Puerto del Arenal - Ruta Navarredonda-Puerto del Arenal PR-AV 45 (mais informações sobre as trilhas PR em es.wikipedia.org/wiki/Peque%C3%B1o_Recorrido). Nesse ponto chega uma trilha que vem da localidade de El Arenal pela vertente sul da Serra de Gredos e que serve como rota de fuga ou início alternativo a esse trekking. Já vinha avistando El Arenal lá embaixo no vale desde o Pico La Fría. Às 16h11 outra placa: Puerto de La Cabrilla - PR-AV 44, que é outro caminho de El Arenal a Navarredonda de Gredos. A partir daqui a serra começa a se mostrar mais florida pois surgem os grandes campos de piorno, que dá flores amarelas em abundância. A dificuldade era abrir caminho entre os piornos já que não encontrava trilha definida e contínua. Às 20h05 alcanço a maior altitude do dia no Pico Peña del Mediodía, de 2221m, também com uma coluna e um vértice geodésico. A partir desse pico aparece uma trilha ininterrupta, antes só pedaços de trilhas. Continuando para oeste, 400m depois do pico desvio alguns metros à direita até um marco de granito para fotos. A partir do marco a trilha inicia uma longa descida a um outro "puerto". Desconfiei que seria difícil encontrar um lugar plano para a barraca, então procurei nas imediações do marco, onde o terreno era plano e as moitas de piorno me davam alguma proteção contra o vento. Altitude de 2211m. Cabra montesa e ao fundo os picos Almanzor e La Galana 3º DIA - 27/06/19 - do Pico Peña del Mediodía ao Refúgio Elola Duração: 8h30 (descontadas as paradas e erros) Maior altitude: 2262m Menor altitude: 1948m na Laguna Grande Resumo: continuação pela crista da Serra de Gredos passando por dois refúgios em ruínas e descida ao Circo de Gredos, com a Laguna Grande e o Refúgio Elola Iniciei a caminhada do dia às 9h10, passei pelo marco de granito e comecei a descer ao Puerto del Peón. A decisão de acampar lá no alto se mostrou muito acertada pois encontrei um grupo enorme de jovens bivacando cerca de 300m antes do puerto. Como é proibido montar barraca eu teria no dia anterior que caminhar bem mais e me afastar deles para poder acampar. Às 9h42 passei pela placa que indica o Puerto del Peón, local que marca uma travessia no sentido sudeste-noroeste da Serra de Gredos e que provavelmente era o roteiro daquele grupo pois não os vi mais. Na continuação para sudoeste, a trilha cai por algum tempo para a vertente norte da serra e depois obriga a subir à crista outra vez. Cruzo mais campos de piornos floridos mas em seguida chego a uma região mais árida da serra, um local praticamente só de pedras, e ali, às 11h14, me deparo com as ruínas do Refúgio Los Pelaos, todo de pedras. Há bons espaços para pernoitar protegido do vento desde que você não se impressione com as paredes prestes a desabar. O local também é rota de uma travessia no sentido norte-sul da Serra de Gredos. Uma caminhada alternativa seria subir ao Pico La Mira, de 2343m (desnível de apenas 91m desde as ruínas), mas não encarei. O mais importante: tem água. Às 12h33 prossegui na trilha para oeste e 190m após as ruínas atinjo a maior altitude do dia, 2262m (alcançarei outra altitude igual ainda nesse dia). No horizonte a oeste já avisto uma cordilheira com os picos Almanzor, La Galana e o passo Portilla del Rey, pelo qual passarei entre a Laguna Grande e as 5 Lagunas. A trilha volta a cruzar o tapete amarelo de flores e a crista continua o seu sobe-e-desce. Caminho por alguns trechos com calçamento de pedras. Às 15h05 fui à esquerda (sudoeste) numa bifurcação seguindo os totens, sem trilha definida (à direita teria descido a um estacionamento chamado La Plataforma). Às 15h21 avistei a oeste o Refúgio del Rey, ainda bem distante. Desci e ao subir ao topo da colina seguinte visualizei a trilha à frente e abaixo. Desci novamente e a encontrei às 16h29. Com mais 8 minutos cheguei ao Puerto de Candeleda (com placas indicando ser a PR-AV 46), outra rota que cruza a serra de norte a sul. Parei para descansar e comer, e para meu espanto apareceu um outro louco solitário fazendo a travessia da serra com um enorme mochilão com não-sei-quantos litros de água. Conversamos um pouco e ele seguiu na frente. Às 17h22 continuei na direção oeste numa longa subida, percorrendo depois uma crista para o norte. Às 18h06 fui à direita numa bifurcação para ver de perto as ruínas do Refúgio del Rey. Ao lado fizeram um cercado com as pedras desabadas que serve como abrigo do vento para um bivaque. Perto do refúgio encontrei água quase parada mas 80m à frente (norte) havia uma ótima bica. Continuei para o norte por uma trilha larga às 18h55. Às 19h17 cheguei a uma cabeceira de vale com capim bem verde e bastante água, ao contrário da secura que vinha enfrentando até aqui. Seguindo os totens cruzei o riacho e subi por um caminho construído com pedras, passando por pequenas lagoas. Às 19h52 uma bonita visão para a esquerda (oeste) das montanhas pontiagudas próximas à Laguna Grande, meu destino nesse dia. Porém a laguna estava bem longe ainda e a descida direta para oeste não se mostrou animadora pela inclinação e ausência de trilha. O jeito foi continuar para o norte, dando uma volta bem grande, mas por trilha bem marcada e segura. Aqui atinjo também a maior altitude do dia, 2262m. Fui à esquerda na bifurcação e comecei a descer. Às 20h33 cheguei a uma bifurcação em T e continuei descendo para a esquerda. À direita se vai à Plataforma e esse é um caminho bastante usado para chegar ao Refúgio Elola. Passei por uma fonte de água e continuei no rumo sudoeste até as margens da Laguna Grande. Contornei toda sua margem leste e sul para enfim chegar ao Refúgio Elola às 21h36, quase no pôr do sol. Esse local é conhecido como Circo de Gredos. Este refúgio foi o único que encontrei guardado, ou seja, com guardas, que aliás estavam jantando e por sorte sobrou alguma janta para mim também. Dentro do refúgio deve-se usar apenas chinelos ou crocs, disponíveis em prateleiras na entrada. Há armários com chave. Os quartos são coletivos e têm beliches bem largas onde dormem muitas pessoas uma ao lado da outra, por sorte havia pouca gente e não precisei dormir espremido. A reserva costuma ser obrigatória mas pelo número pequeno de hóspedes não houve problema em não tê-la feito. O banheiro não tem vaso sanitário e sim uma peça de metal com buraco no chão, como no Nepal. Altitude de 1958m. Talvez o principal destino dos montanhistas que procuram esse refúgio seja o Pico Almanzor, o mais alto da Serra de Gredos, com 2591m.
  4. Olá pessoal, tudo bem? Tirando um seleto e sortudo grupo de nômades digitais, a maioria de nós sofre litros quando volta de um período de férias já em depressão à espera do próximo! Uma boa pedida para aguentar o sofrimento da espera, hahaha, é encaixar mini aventuras nos fds ou pequenos feriados. Eu já escrevi dois outros tópicos sobre estas pequenas aventuras de fins de semana pelo estado do Paraná (Pico Agudo e Morro do Gavião), e vou deixar mais duas registradas aqui hoje. Também pretendo utilizar este mesmo tópico para relatar outras ao invés de ficar criando tópicos novos! Bora lá! MORRO DA PEDRA BRANCA Este passeio é bem light, pode ser feito em esquema bate-e-volta de alguma cidade próxima ou mesmo se vc estiver passando pela estrada e tiver um tempinho sobrando. O acesso ao Morro da Pedra Branca se dá pela PR 376, (Rodovia do Café, liga o norte do estado à capital) entre Mauá da Serra e Ortigueira. Não tem placa nem indicação nenhuma do morro. No sentido Londrina > Curitiba lá pelo km 308 já dá pra avistar o morro, que tb é conhecido como “morro das antenas” por abrigar ali antenas de telefonia da Oi. Depois do km 310 vá reparando bem, à esquerda vai ter um comércio chamado “Restaurante e Lanchonete da Bica”. A entrada para o morro é cerca de 1km depois (dá pra ver melhor no print abaixo). Um portão tb à esquerda dá acesso à estrada que leva até o topo do morro. Este portão poderá estar fechado, mas é só bater palma que sai um senhorzinho que fica numa casinha ali na entrada cuidando. Foi cobrado 10 reais para cada um, João (filho, 11 anos) não pagou. Localização do Morro da Pedra Branca Dali daquele ponto começa uma estrada de terra. O senhorzinho indicou que a gente poderia subir de carro ou a pé. Optamos por ir a pé, afinal essa era a ideia. Quando fomos a estradinha estava bem boa, dava pra subir com qualquer tipo de carro, inclusive tem gente que vai lá tirar aquelas fotos pré-casamento... mas parece que tem ocasiões em que carro baixo não sobe. São 3km de estradinha numa subida bem tranquila, em que a gente vai observando bichinhos e plantinhas! Fomos bem cedo pq queríamos ver a neblina baixa, no vale abaixo de nós. As 8h30 estávamos no “cume”, mas a neblina estava em toda parte, hahahahauah! A gente não via nada, e tava bem frio (9 graus) pra pouca roupa que a gente tava usando. Mesmo assim ficamos perambulando pelas formações rochosas lá de cima e a espera valeu a pena, o tempo abriu uns 30 minutos depois da nossa chegada! Caminho pela estrada! Era tudo névoa! Minhas amadas plantas! Tem tanta beleza, tanta foto, mas prometo me conter! Só mais essa linda, rs! A torre de telefonia perdida na névoa! A imensidão verde ainda tímida! Abrindo! Descortinando!! Vento e descabelo! Vista bem bonita! Meu mini trilheiro! Fotinha da vista! Parece mais perigoso do que era ok? rs Céu azul! Depois de mais andar e admirar, descemos e ainda fomos uns 2km pra frente na estrada espiar uma linha férrea que passa por ali. Bonitinha. Linha férrea estilosa! Não é nada mega exuberante, mas vale a caminhadinha num fds que podia ter sido só de netflix, rs! Chegamos de volta em casa pouco depois das 14h. FIM
  5. Siete Picos Início: Cercedilla Final: Cercedilla Duração: 5 dias Maior altitude: 2427m no Pico Peñalara Menor altitude: 1027m na ponte sobre o Rio Manzanares Dificuldade: média para quem está acostumado a trilhar com mochila cargueira. Há muita subida e muita descida todos os dias, com desníveis positivos (subidas) que chegam a 1227m (4º dia) e 1435m (1º dia). A Serra de Guadarrama se localiza a cerca de 70km a norte-noroeste de Madri e é avistada tanto dessa cidade quanto da cidade de Segóvia. Há vários roteiros possíveis de caminhada pela serra, com durações que vão de um a vários dias, porém o acampamento selvagem é proibido no parque (bem como em toda a Espanha), sendo permitido apenas o bivaque acima dos 2100m e somente por uma noite. Eu escolhi fazer um trajeto de forma circular a partir da cidade de Cercedilla que percorresse seis dos cumes mais altos dessa serra: Peñalara (2427m), Cabeza de Hierro Mayor (2376m), Bola del Mundo ou Alto de las Guarramillas (2254m), La Maliciosa (2219m), Siete Picos (2117m) e Peña Águila (2011m). Essas altitudes parecem bastante modestas, inclusive se comparadas às montanhas mais altas do Brasil, porém todas ficam cobertas de neve no inverno, o que obriga ao uso de equipamentos apropriados. Vista do Pico Peña Águila 1º DIA - 17/06/19 - de Cercedilla a Puerto de Cotos com subida do Pico Peña Águila Duração: 8h05 (descontadas as paradas e erros) Maior altitude: 2011m no Pico Peña Águila Menor altitude: 1140m na ponte do Rio de la Venta, em Cercedilla Resumo: nesse dia encarei as primeiras subidas da caminhada com desníveis de 871m desde Cercedilla ao Pico Peña Águila, depois 149m até Puerto de la Fuenfría e 415m da rodovia CL-601 até Puerto de Cotos Na estação Chamartín, em Madri, tomei às 8h10 o trem Renfe com destino à pequena cidade de Cercedilla, aonde cheguei às 9h20. Demorei algum tempo para encontrar o início da trilha para o Pico Peña Águila pois não havia indicação e a trilha não era nada óbvia. O trajeto é o seguinte: saindo da estação do trem deve-se descer a rua à esquerda por 100m até sua guinada para a esquerda, onde passa num túnel por baixo da linha férrea - exatamente na guinada deve-se cruzar a ponte (Rio de la Venta) e o estacionamento em frente para encontrar sob as árvores a trilha com placas de Sendero Ródenas (toda pichada) e Camino Puricelli (com mapa). Outra alternativa é caminhar a partir da plataforma da estação ao longo da linha férrea para oeste e encontrar a mesma trilha num ponto acima das citadas placas. A partir das placas a trilha sobe em zigue-zague até uma rua de terra que deve ser tomada para a direita, subindo (a trilha que sai à direita antes da rua não serve). O casarão bem em frente à trilha funcionava como Albergue El Colladito, mas agora é uma escola infantil. Dali já avistei os Siete Picos, o Pico Bola del Mundo (Alto de las Guarramillas é o nome verdadeiro) e Pico La Maliciosa, meus objetivos para os próximos dias nesse trekking, todos a nordeste. Eram 10h20. Caminhei 640m por essa rua de terra (ignorando um caminho que sai para a direita logo no início dela) e às 10h32 entrei numa trilha à direita onde há uma placa de Parque Regional de la Cuenca Alta del Manzanares. É um atalho que me levou a caminhar entre muros de pedra e subir a uma clareira alta com a primeira visão ampla para as serras, com destaque para os Siete Picos. Caminhando na direção de uma casa vazia à esquerda reencontrei a estrada de terra e segui nela para a direita, mas por apenas 200m pois entrei na trilha à esquerda, subindo entre pinheiros. Ali há um cocho de pedra com água corrente. Nas árvores há marcações de PR (Pequeño Recorrido = Percurso Pequeno), que são duas faixas horizontais, uma branca acima e outra amarela abaixo. Para mais informações: es.wikipedia.org/wiki/Pequeño_Recorrido. Às 11h55 cruzei uma estrada de terra (com círculos vermelhos pintados nas árvores) e continuei subindo pela trilha. Alcancei enfim às 12h09 a crista da serra e nela uma bifurcação em T, onde fui para a direita (norte). Nesse ponto estou entrando na famosa e longa trilha GR 10, que vai de Valência a Lisboa (as marcações em tinta branca e vermelha vão aparecer mais acima). Não cruzo o muro de pedra da crista por enquanto. Deixo para trás a floresta de pinheiros e continuo paralelamente ao extenso muro de pedras. Já avisto o cume do Pico Peña Águila, com as encostadas tomadas pelo tapete amarelo das flores piorno. A trilha cruza finalmente o muro de pedras apenas 140m antes do cume, aonde cheguei às 13h17. Visão espetacular num dia de céu limpíssimo: La Pinareja e Montón de Trigo ao norte (cumes da Serra Mujer Muerta); Peñalara a nordeste; Siete Picos, Cabeza de Hierro Mayor, Cabeza de Hierro Menor, Bola del Mundo (esses três em Cuerda Larga) e La Maliciosa a leste. Altitude de 2011m e desnível de 871m desde Cercedilla. O vento estava forte e bem frio e usei o muro de pedra como proteção para tomar meu lanche. Pico Peña Águila com piornos floridos Às 14h iniciei a descida no sentido oposto ao que cheguei (nordeste) e em 12 minutos caí numa estradinha de terra muito chata. Caminhei por ela até um portão de ferro que cruzei às 14h42 e fechei com atenção seguindo a recomendação da placa (para o gado não fugir). Ali passava uma estrada tediosa de terra, mas procurei por trilha e encontrei uma no sentido nordeste, não muito óbvia no começo. A ela entroncou uma outra vindo da direita chamada Camino Viejo de Segovia. Atravessei uma ponte de madeira (água boa), outra ponte (quase sem água) e à direita surgiu a trilha conhecida como Calzada Romana. A Calzada Romana faz uma curva para a direita e eu preferi me manter no Camino Viejo de Segovia por ser mais direto, por isso segui à esquerda. Porém 190m depois fui à direita e passei a caminhar pela larga Calzada Romana, mas por menos de 100m pois alcancei uma estrada de terra às 16h06. Esse é um importante cruzamento de caminhos, inclusive de uma das rotas do Caminho de Santiago: Puerto de la Fuenfría. Observação: se tivesse caminhado à esquerda na estrada tediosa teria continuado na GR 10 e chegado a esse mesmo lugar. A partir dali a GR 10 toma a direção sul. Um dos significados da palavra puerto em espanhol é "paso entre montañas" ou "collado de montaña", portanto os puertos costumam ser lugares altos que dão passagem de uma vertente a outra da serra/montanha. Após a subida até esse puerto iniciaria uma suave descida. Há diversas placas nesse local indicando e explicando os muitos caminhos que por ali passam. Tantas placas que levei algum tempo para encontrar qual seria a continuação do meu caminho em direção a Puerto de Cotos. Mas era só continuar no meu sentido nordeste por uma estradinha de terra entre pinheiros. Um cocho de pedra tinha água corrente. Na primeira bifurcação fui à direita e na segunda, à esquerda. Às 16h44 a estradinha vira trilha e passo a caminhar pelo Carril del Gallo (sem placa mostrando essa informação). Às 17h41 cheguei a uma grande clareira usada como pasto e parei para descansar por 17 minutos com uma vista bastante ampla e bonita. Continuei no sentido sul (e depois leste) e reentrei na mata de pinheiros. Cruzei uma ponte de troncos e 130m depois alcancei uma estrada de terra, que tomei para a esquerda (norte) (aqui fui explorar uma alternativa à estrada mas não deu em nada, a trilha fechou; gastei 40min nisso). Desprezando as trilhas que nasciam dessa estradinha, às 19h11 cheguei ao asfalto da CL-601, exatamente num local chamado Las 7 Revueltas. Cruzei a cancela e desci à esquerda até uma cancela igual (à direita), onde tomei a estradinha de asfalto entre pinheiros. Altitude de 1409m. Parei para descansar por 22 minutos. Nas bifurcações continuei no asfalto até encontrar às 20h35 uma estradinha de terra à direita com placa de Puerto de Cotos a 3,2km. Passei por quatro riachos e alcancei as casas de Puerto de Cotos às 21h33, ainda com luz do dia (o sol estava se pondo às 21h45). Altitude de 1824m (desnível de 415m desde o asfalto da CL-601). Puerto de Cotos não chega nem a ser uma vila, o lugar se resume a uma estação de trem onde funciona um refúgio de montanha (El Refugio de Cotos), o Centro de Visitantes do Parque Nacional Sierra de Guadarrama e um bar-restaurante (Venta Marcelino). Como é proibido acampar de forma livre e não há camping pago busquei hospedagem no refúgio, onde fui o único hóspede da noite já que era uma segunda-feira (no final de semana estava lotado). Lá fui atendido pelo Carlos, que me preparou um saboroso jantar. O único problema ali foi o banho pois a água não esquentava de jeito nenhum. Além do trem há ônibus ligando Puerto de Cotos a Madri (veja nas informações adicionais). Laguna de los Pájaros 2º DIA - 18/06/19 - Pico Peñalara Duração: 5h20 (descontadas as paradas e erros) Maior altitude: 2427m no Pico Peñalara Menor altitude: 1816m na estação de trem de Puerto de Cotos Resumo: circuito passando pelo cume do Pico Peñalara a partir de Puerto de Cotos num desnível de 611m Após o café da manhã no Refugio de Cotos e uma boa enrolação saí às 11h36 para subir o Pico Peñalara com mochila de ataque apenas. Meu plano era subir pela crista do lado sul-sudoeste e descer pelo lado norte-nordeste, retornando pela face leste do pico. Passei pelo Centro de Visitantes Peñalara do Parque Nacional Sierra de Guadarrama para pegar informações e continuei no sentido nordeste por 370m. Logo após a curva do Mirador de la Gitana continuei pela trilha principal, a RV2, à esquerda (voltaria pela trilha da direita, a RV8). Após vencer um desnível de 611m desde o refúgio, com trechos em zigue-zague e grandes manchas de neve próximas ao caminho, alcancei o cume do Pico Peñalara às 13h34. Ele é o ponto mais alto da Serra de Guadarrama e das províncias de Madri e Segóvia. Dali se avistam Cabeza de Hierro Mayor, Cabeza de Hierro Menor, La Maliciosa e Bola del Mundo ao sul; Siete Picos, Peña Águila, Montón de Trigo e La Pinareja a sudoeste; Segóvia a noroeste. Iniciei o retorno às 14h46 seguindo a crista no sentido norte-nordeste. Cerca de 540m depois, num trecho com grandes blocos de pedra, desci pela face direita da crista, mas estava errado, o caminho foi sumindo e a descida se complicando. Voltei e desci pelo lado oposto, à esquerda da crista, onde havia uma trilha mais fácil. Observei depois que algumas pessoas continuavam pelo alto da crista, mas pelo que vi é preciso saltar grandes blocos de pedra bastante expostos. Desci por trilha bem marcada e alcancei às 16h45 a Laguna de los Pájaros, onde uma placa alerta para a proibição de banho e a permanência a menos de 3m da margem para evitar a mortalidade de anfíbios, entre outros motivos (porém poucos minutos depois encontrei vacas pastando livremente às margens de outras lagoas). Ali tomei a trilha da direita (sul) e efetivamente iniciei o retorno a Cotos. Cruzei com um grupo grande com mochilas cargueiras que pretendia bivacar no Peñalara sem nenhum medo do vento frio da noite. Às 18h13 parei para fotos no Mirador de Javier e tomei o atalho que sai à direita dele para alcançar em 12 minutos a Laguna Grande de Peñalara, que é cercada com um cabo de aço para evitar a aproximação. Saindo da Laguna Grande às 18h54 desci por uma passarela de madeira e depois trilha até a casinha de vigilância e continuei na trilha em frente (ignorando as trilhas da direita e da esquerda). Reentrei na mata, passei por uma bica e reencontrei a trilha da ida (RV2) às 19h38. Passei pelo Centro de Visitantes, pela Venta Marcelino (fechada) e estava de volta ao refúgio às 20h10. La Pedriza 3º DIA - 19/06/19 - de Puerto de Cotos a La Pedriza Duração: 7h50 (descontadas as paradas e erros) Maior altitude: 2376m no Pico Cabeza de Hierro Mayor Menor altitude: 1478m no acampamento em La Pedriza Resumo: subida de Puerto de Cotos ao cordão montanhoso Cuerda Larga num desnível de 560m e descida ao "parque" rochoso de La Pedriza num desnível de 898m Há dois caminhos possíveis para subir à crista de Cuerda Larga a partir de Puerto de Cotos. Um deles sai diretamente para o sul e passa próximo ao Albergue El Pingarron, o outro sai para leste e é 1,3km mais longo, porém foi o que escolhi (talvez tenha menos sobe-e-desce). Saí do refúgio às 10h53 no sentido leste e atravessei todo o estacionamento que fica ao longo da rodovia M-604. No final do estacionamento desci uma escada de madeira e encontrei na mata a trilha que me levaria a Cuerda Larga. Porém ao sair da mata, apenas 170m depois, a trilha sumiu. Cruzando o campo na direção sudeste, entrei em outra mata e reencontrei a trilha junto a uma pequena ponte de tábuas. Uma outra trilha entroncou nessa vindo da rodovia também. Um círculo amarelo pintado nas árvores confirma o caminho. Tomo o rumo sul e depois sudeste, direções que manterei por algum tempo. Cruzo um riacho pelas pedras e desemboco numa estrada, na qual vou para a esquerda, descendo. Atravesso a ponte sobre o Arroyo de las Cerradillas. Encontro outra estrada às 12h01 e desta vez vou para a direita, subindo por um vale com o Arroyo de las Cerradillas à direita. Surgem caminhos à esquerda que exploro tentando evitar a monotonia da estrada, mas foi só perda de tempo (apesar dos sinais vermelhos pintados nas árvores). Felizmente logo a estrada vira trilha (na bifurcação vou à direita), cruzo três pontes, a trilha dá uma guinada para o norte e chego a uma bifurcação com placas às 14h34. Da direita vem a trilha do Albergue El Pingarron, o outro caminho de Cotos. Eu sigo para a esquerda retomando o rumo sul. Cruzo quatro riachos em sequência, formadores do Arroyo de las Cerradillas. Alcanço o limite das árvores (1825m) e passo a subir por entre moitas de piornos floridos. Depois vem a parte mais inclinada da encosta da serra com a dificuldade de caminhar por um terreno chamado de canchal (em espanhol) ou scree (em inglês), uma ladeira de pedras desmoronadas. Cruzo um riacho para a direita às 15h26 e essa será a última água até descer para a outra vertente no final do dia. La Pedriza Às 16h40 alcanço enfim a crista de serra conhecida como Cuerda Larga. Desnível de 505m desde as placas. Dali avisto as formações rochosas de La Pedriza, a cidade de Manzanares El Real, meu objetivo deste dia, e bem distante no horizonte a capital Madri. Sigo para a esquerda (nordeste) na bifurcação em T às 17h02. O Pico Cabeza de Hierro Menor (2374m segundo a Wikipedia), segundo mais alto de Cuerda Larga, fica apenas 300m à direita dessa bifurcação, mas não fui até ele. Seguindo pela crista (PR-M 11), um desvio de apenas 40m à esquerda me leva ao cume mais alto de Cuerda Larga, o Pico Cabeza de Hierro Mayor, com 2376m de altitude pelo meu gps. Ele é o segundo em altitude da Serra de Guadarrama, perdendo apenas para o Peñalara. Avisto lá do alto o estacionamento de Puerto de Cotos onde iniciei a caminhada desse dia e também as montanhas: Peñalara ao norte; La Pinareja, Montón de Trigo, Siete Picos, Peña Águila e Bola del Mundo a oeste; La Maliciosa a sudoeste; La Pedriza e Manzanares El Real a sudeste; e ao sul-sudeste os prédios de Madri. Desnível de 560m desde o refúgio em Puerto de Cotos. Continuando pelo sobe-e-desce da crista no sentido leste passo pelos outros cumes de Cuerda Larga: às 18h08 pela Loma de Pandasco (2247m, segundo a Wikipedia, não fui medir cada um), às 19h06 por Navahondilla (2234m) e às 19h15 por Asómate de Hoyos (2242m). Nesse trajeto tive o primeiro contato com as cabras montesas e estavam em grande número, mas são mansas e ariscas. Cerca de 310m após o último cume sigo os totens e faixas pintadas à direita e abandono a crista de Cuerda Larga, que segue para nordeste, em favor de uma crista secundária a sudeste que me leva ao "parque" rochoso de La Pedriza. O lugar é incrível, com formações fantásticas de granito, algumas lembrando o nosso Parque Nacional de Itatiaia. Há inúmeros caminhos em La Pedriza, muitos deles usados por escaladores para acesso às pedras e suas vias. Vários outros levam ao vale do Rio Manzanares, o qual eu deveria percorrer para alcançar o Camping El Ortigal, a caminho da cidade de Manzanares El Real. Dos muitos caminhos ao Rio Manzanares optei pelo mais direto, passando pelo Refugio Giner de los Rios (PR-M 2). Após descer 330m (de altura) desde a crista de Cuerda Larga pela PR-M 2, às 21h02 chego a uma bifurcação em T em Collado del Miradero e vou para a esquerda (ainda PR-M 2), reentrando no bosque de pinheiros cerca de 100m depois. Voltam a aparecer as fontes de água e com elas os locais propícios para o bivaque para quem se aventura escalando as muitas pedras do entorno. Já estava começando a anoitecer (quase 22h) e o camping ainda estava muito longe, então parei no primeiro local plano que encontrei, na altitude de 1478m, para pernoitar. Sierra de los Porrones 4º DIA - 20/06/19 - de La Pedriza a Puerto de Navacerrada Duração: 8h10 (descontadas as paradas) Maior altitude: 2254m no Pico Bola del Mundo Menor altitude: 1027m na ponte sobre o Rio Manzanares Resumo: descida de La Pedriza ao Rio Manzanares, em seguida subida aos picos La Maliciosa e Bola del Mundo e descida a Puerto de Navacerrada. Diferença de 1227m entre os pontos mais alto e mais baixo do dia. Esse dia e o dia seguinte são de escassez de água. É preciso reabastecer os cantis nas poucas fontes encontradas no começo desse dia para durarem até a tarde do dia seguinte (a menos que se consiga água em Puerto de Navacerrada, que não foi o meu caso). De manhã fui explorar o entorno do local onde acampei e encontrei um lajedo com pedras de diversos formatos e tamanhos, uma miniatura do Lajedo do Pai Mateus de Cabaceiras(PB). É bom lembrar que o acampamento selvagem nos parques da Espanha é proibido, mas eu montei a barraca já à noite, desmontei logo cedo e não deixei nenhum vestígio do meu pernoite no local. Comecei a caminhar às 8h18 ainda descendo. Apenas 340m depois do local de pernoite, aos 1433m de altitude, encontrei um cruzamento de trilhas mas fui em frente pois era o caminho mais rápido ao Refugio Giner de los Rios e depois ao Rio Manzanares. Continuo na PR-M 2. Aos 1256m encontrei a primeira água do dia. Às 9h28, na altitude de 1179m, uma placa aponta para o refúgio à esquerda, num desvio de 150m da trilha principal. Cruzei uma pequena ponte e depois uma clareira para subir ao refúgio, que encontrei em bom estado porém trancado. A bica ao lado estava quase seca. A clareira tem espaço de sobra para acampar porém logo cedo já começam a passar os trilheiros e escaladores uma vez que há um estacionamento a 2km dali. Voltei à trilha principal às 10h08. Às 10h39 cheguei ao Punto de Información Canto Cochino, mas estava fechado (só abre de sábado, domingo e feriado das 9h às 17h). Esse é o ponto de convergência de pelo menos quatro trilhas que descem de La Pedriza e as placas indicam esses caminhos. Foi também o local onde vi mais gente. Dali tomei a direção sul por um calçamento e cruzei às 10h58 a ponte sobre o Rio Manzanares, encontrando do outro lado uma estrada e um pequeno estacionamento. Essa ponte é o ponto de menor altitude do dia e de todo o trekking (1027m) e a última água do dia. A estrada quebra para a direita e ao fazer uma curva para a esquerda encontro dois grandes estacionamentos e um ou dois bares (se fosse ao Camping El Ortigal teria que tomar a direção sul aqui). Ao final dos estacionamentos cruzo o asfalto e entro na trilha em frente (oeste). Na bifurcação uns 35m depois vou à esquerda (pois a direita morre no asfalto mais à frente). Cerca de 1,1km depois da bifurcação chego às 11h31 a um cruzamento de trilhas, onde vou para a esquerda, quase voltando. Meu objetivo é subir à crista da Sierra de los Porrones e descer à cidade de Puerto de Navacerrada para pernoite. Sierra de los Porrones Não percebi uma trilha saindo para a direita e subi até um muro de pedras que fui contornando para a direita até reencontrar a trilha no sentido oeste novamente. Às 12h21 cruzei uma estrada de terra e parei para descansar e me refrescar do forte calor. Os insetos também estavam incomodando um bocado. Nesse ponto há algumas placas e uma delas apontava para o Pico La Maliciosa, meu destino. Faixas amarelas e brancas pintadas indicam ser uma rota de Pequeño Recorrido, nesse caso a PR-M 16. Havia um cocho de pedras mas as bicas estavam secas. Às 13h05 retomei a caminhada agora subindo bastante. Nessa subida pela encosta norte da Sierra de los Porrones tive de fazer mais algumas paradas longas porque o calor estava me tirando a energia. Às 15h53 atingi a crista da serra e fui à direita na bifurcação, subindo, pois a trilha da esquerda desce pela vertente sul da serra. Às 17h22 avistei uma grande formação rochosa à frente e uma nítida trilha subindo ao seu cume: era o Pico La Maliciosa, uma dura subida ainda a enfrentar. As árvores desaparecem. Alcancei o cume de La Maliciosa às 18h57 e havia mais duas ou três pessoas. Conversei com um rapaz de Madri que veio fazer um bate-e-volta desde a capital até esse pico e já ia retornar! La Maliciosa é o pico mais alto da Sierra de los Porrones, com 2219m, e dali se avistam: Bola del Mundo e Pico Peñalara ao norte; Cabeza de Hierro Mayor e Cabeza de Hierro Menor a nordeste; La Pedriza a leste; Manzanares El Real e o reservatório Embalse de Santillana a sudeste; Madri ao sul-sudeste; Navacerrada a sudoeste (não é Puerto de Navacerrada, que fica mais acima e não se vê dali); Peña Águila e Siete Picos a oeste. Retomei a caminhada às 19h18 em direção a Bola del Mundo e suas horríveis antenas parecendo três foguetes prestes a ser lançados. Continuei pela crista da serra por mais 520m no sentido noroeste e tomei a direita (norte) na bifurcação onde a esquerda desce a vertente sul em direção à cidade de Navacerrada. Desci por um caminho de pedras com bifurcações mantendo a direita e cruzei na parte mais baixa uma outra trilha que corria no sentido leste-oeste. Subi a encosta oposta por caminho largo e cheguei a Bola del Mundo, ou Alto de las Guarramillas, às 20h32. Aqui retorno ao cordão montanhoso Cuerda Larga já que esse pico é o mais ocidental dele, com altitude de 2254m. Mas aquelas antenas causam tanto incômodo que não parei, segui para oeste, agora por estradinha concretada (350m a leste de Bola del Mundo se situa o Ventisquero de la Condesa, local onde nasce o Rio Manzanares, mas não fui até lá para conferir se seria fácil coletar água abaixo do nevado). Desci 850m pela estradinha e cheguei a um bar-restaurante que deve funcionar somente no inverno, quando a pista de esqui da face oeste da montanha entra em atividade. Ao lado do bar-restaurante fica a chegada do teleférico que parte de Puerto de Navacerrada, mas a inclinação e o terreno de pedras soltas dificultam a descida direta por ali. Tive de descer pela estradinha de concreto mesmo, com todas as suas curvas e zigue-zagues. Às 21h35 cruzei a cancela ao lado do ponto de partida do teleférico e com mais 5 minutos cheguei a Puerto de Navacerrada, cortada pela rodovia M-601. Altitude de 1862m. Procurei hospedagem no Albergue Peñalara, mas estava fechado. O único lugar aberto e funcionando era o Hotel Residência Navacerrada, porém a mulher fez uma cara de assustada quando me viu entrar de mochila cargueira nas costas e foi logo dizendo que o hotel estava lotado. Já era noite. A única saída era acampar. Procurei o início da trilha do dia seguinte, desviei para dentro da mata com lanterna e encontrei um lugar plano, espaçoso e muito discreto para montar a barraca a menos de 300m da rodovia. Há trem e ônibus ligando Puerto de Navacerrada a Madri (veja nas informações adicionais). Siete Picos 5º DIA - 21/06/19 - de Puerto de Navacerrada a Cercedilla Duração: 6h05 (descontadas as paradas) Maior altitude: 2117m no Pico Somontano, em Siete Picos Menor altitude: 1149m na ponte do Rio de la Venta, em Cercedilla Resumo: subida de Puerto de Navacerrada aos Siete Picos num desnível de 255m e descida a Cercedilla num desnível de 968m Desmontei acampamento e voltei à rodovia para ver se havia algum lugar aberto para tomar um café da manhã, mas continuava tudo fechado. Iniciei a caminhada do dia às 8h45 entrando na trilha sinalizada como "Sendero Arias" e "Estacion Ferrocarril" localizada entre o Hotel Residência Navacerrada e o estacionamento dos restaurantes/cafeterias mais acima. Após uma plataforma de teleférico à esquerda o caminho trifurca e fui para a direita. Cruzei uma cancela de ferro e subi à direita e depois esquerda na bifurcação. Cheguei a uma cerca de troncos finos que delimita uma pista de esqui pequena (talvez para iniciantes) e parei para tomar meu desjejum. Às 9h41 continuei subindo pela floresta de pinheiros e alcancei uma grande clareira com outro teleférico. À frente (oeste) já avisto toda a extensão dos Siete Picos. Percorro no sentido sudoeste por 230m um caminho largo que vem do teleférico mas o abandono para tomar um outro um pouco mais estreito à esquerda que me leva à formação rochosa com a pequena estátua da Virgen de las Nieves. Dali se avistam o Pico Peñalara, Bola del Mundo, Puerto de Navacerrada e La Maliciosa. A trilha continua a partir dali e corre paralela ao caminho largo que abandonei. Às 10h48 chego a uma grande clareira gramada onde caberiam muitas barracas, ainda com um lindo mirante uns 100m depois (porém não há água). Retomo às 11h07 o caminho largo que havia abandonado e ele começa a se estreitar ao cruzar uma outra trilha - continuo em frente (noroeste) e tomo a esquerda na bifurcação 45m depois. Começo a subir em direção aos cumes de Siete Picos. Nos 2109m de altitude vou à esquerda numa bifurcação em T e 165m depois já estou no ponto mais alto, o pico conhecido como Somontano, de 2117m, às 11h44. Desnível de 255m desde Puerto de Navacerrada. Porém uma forte neblina havia tomado conta do lugar, mal me deixando ver a formação rochosa do pico, o mais oriental do conjunto. Piornos floridos Às 12h12 continuo pela trilha da crista, que se divide em várias, mas tento sempre me manter na mais alta. Passo por mais um dos cumes, ainda com muita neblina, e às 12h38 surge uma bifurcação em que se deve continuar à esquerda pois a direita desce a vertente norte da montanha. Na bifurcação seguinte vou para a esquerda e passo por mais um dos cumes. A neblina começa a se dissipar e o dia volta a ficar perfeito para fotos. Paro por 46 minutos para almoçar e curtir o visual. Antes de descer a encosta sul da montanha faço um desvio de uns 50m para alcançar mais um dos cumes às 14h37. A partir desse ponto inicio a descida e aos poucos reentro na mata de pinheiros. Na altitude de 1906m saio da trilha principal para subir (escalaminhar) o Pico de Majalasna (1935m), o mais ocidental dos cumes de Siete Picos e um tanto afastado dos outros que se encontram na crista. Do seu alto, às 15h36, avisto La Maliciosa e Peña Águila (as nuvens não me deixam ver mais que isso). Só retomo a caminhada às 16h33. Continuando a descida passo por duas fontes de água mas com muito pouca vazão. Essas fontes são a primeira água que encontro desde o Rio Manzanares, na manhã do dia anterior. Às 17h46 cruzei uma estrada de terra com diversas placas e seguindo 120m para oeste encontrei uma bica com mais água sob um abrigo de pedras (Refúgio del Aurrulaque). Parei para descansar e beber bastante água. Ao cruzar essa estrada de terra estou cruzando novamente a GR 10. A partir do abrigo tomei às 18h35 a Vereda Alta: desci no rumo noroeste, cruzei outra estrada de terra e na bifurcação abaixo fui à direita (à esquerda um X pintado numa árvore). Às 18h59 parei em mais uma fonte de água. Surgem trilhas vindo da direita e sigo por 115m um muro de pedras, mas ele continua à direita numa bifurcação em que vou para a esquerda. Às 19h41 chego a uma clareira com muitos caminhos para todos os lados. Fica até difícil descrever em detalhe o que fiz, para resumir tomei a direção sudoeste e alcancei o Caminho del Agua, uma trilha bem larga em que há um cano semi-enterrado. Às 20h13 vou à direita numa bifurcação e já começo a marcar algum lugar discreto para acampar em caso de necessidade, porém logo encontro um portão de ferro e depois algumas casas. Às 20h30 chego à periferia de Cercedilla. Primeiro cruzo uma rua e continuo na trilha em frente. Mais abaixo a trilha termina no asfalto da M-966, onde vou para a esquerda. Com mais 290m, às 20h47, estou na estação ferroviária de Cercedilla, onde tudo começou cinco dias atrás. Ainda havia trens e ônibus para Madri mas eu não tinha reservado nenhum hostel lá e ia chegar muito tarde (o trem sairia 21h33 e deveria chegar a Madri às 22h37). Procurei hospedagem em Cercedilla mas só encontrei lugar caro. O jeito foi me meter na floresta de novo e encontrar um lugar afastado para montar a barraca. No dia seguinte peguei o trem das 8h30 e cheguei às 9h35 à estação de Chamartín, em Madri. Há opções de ônibus também (veja nas informações adicionais). Siete Picos Informações adicionais: . trens na Espanha: www.renfe.com . ônibus 680 - Madri-Cercedilla-Madri: www.crtm.es/tu-transporte-publico/autobuses-interurbanos/lineas/8__680___.aspx . ônibus 684 - Madri-Cercedilla-Madri: www.crtm.es/tu-transporte-publico/autobuses-interurbanos/lineas/8__684___.aspx?origen=2 . ônibus 691 - Madri a Puerto de Navacerrada e Puerto de Cotos www.crtm.es/tu-transporte-publico/autobuses-interurbanos/lineas/8__691___.aspx . Refúgio em Puerto de Cotos: 32 euros o quarto coletivo com café da manhã e jantar, banheiro no corredor. Mais preços no site elrefugiodecotos.com. . roteiro adaptado a partir das informações do guia Lonely Planet Walking in Spain, 3ª edição, 2003 Rafael Santiago junho/2019 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  6. Campo Base do Everest Algumas dicas e orientações para planejar seu trekking solo no Nepal MELHOR ÉPOCA . Outubro e novembro são o pico da temporada de trekking no Nepal. As chuvas trazidas pelas monções terminam em setembro e o céu fica mais limpo nesse período seguinte. Porém espere por trilhas e lodges lotados nos trekkings do Everest e Annapurna, os mais populares. Em dezembro, já perto do inverno, é possível fazer caminhadas também mas é melhor escolher altitudes mais baixas como o trekking do campo base do Annapurna. . Março e abril são o segundo período mais procurado. A grande atração desses meses é caminhar pelas florestas de rododendros em época de floração, o que deve ser um lindo espetáculo. HOSPEDAGEM E ALIMENTAÇÃO DURANTE O TREKKING Não há nenhuma necessidade de levar barraca para a grande maioria dos trekkings no Nepal. Ao longo do caminho dezenas de lodges e guest houses oferecem hospedagem simples e alimentação completa (café da manhã, almoço e janta). Para os trilheiros independentes é usual negociar o preço do quarto desde que se façam as refeições (café da manhã e janta) no próprio lodge, que sempre tem refeitório. Na maioria das vezes o quarto acaba saindo de graça (dependendo da negociação) uma vez que a comida custa duas ou três vezes o preço pago nas cidades. E o preço aumenta junto com a altitude e a distância das cidades. Para mostrar a variação de preços das refeições em cada povoado ao longo dos trekkings vou colocar nos relatos, ao final de cada dia, o preço do dal bhat e do veg chowmein, dois pratos bastante pedidos. Como referência esses pratos em Kathmandu custam por volta de Rs 250 (US$2,17) e Rs 160 (US$1,39), respectivamente. Em quase todos os vilarejos os moradores têm um pedaço de terra para trabalhar e cultivar os legumes e verduras para seu consumo e para suprir a demanda do restaurante. A dieta deles é basicamente vegetariana, inclusive pela dificuldade de armazenamento de qualquer tipo de carne. E para o trilheiro é bastante recomendável seguir essa dieta pensando no seguinte: os legumes são sempre frescos, a carne não. E ninguém quer ter uma infecção intestinal ou uma diarréia num lugar tão distante. Todos os lodges têm um caderno onde são anotados (pelo dono ou pelo hóspede) os pedidos para o jantar e café da manhã. Para o jantar costumam pedir que se anote até as 17h para eles se organizarem. Para o café da manhã geralmente pedem que se escreva o pedido no dia anterior, principalmente se houver necessidade de tomar o café muito cedo. Mesmo havendo refeição em todas as vilas do caminho é preciso ter algum lanche de trilha para os dias em que se sobe alguma montanha mais demorada (como o Tsergo Ri) ou se atravessa um passo de montanha, algo que leva bastante tempo e onde a distância entre os vilarejos é grande. CUSTOS DURANTE O TREKKING Os custos durante as caminhadas dependem diretamente do que se consome nos lodges pois a comida é bastante cara em comparação com o preço pago nas cidades, ao passo que a hospedagem pode ser negociada. Se você for econômico e pedir veg chowmein no café da manhã (você acostuma...), veg fried rice no almoço e dal bhat na janta, o custo diário com comida vai ser de US$8 a US$20 (o preço aumenta com a distância). Se for possível negociar o quarto sem custo, o valor acima vai ser a sua despesa diária durante o trekking. Um café da manhã completo com pão, geléia, omelete e café/chá vai aumentar bastante essa despesa. No meu trekking de 23 dias de Shivalaya ao Campo Base do Everest e Gokyo o custo total, seguindo o menu econômico acima e sempre barganhando o preço do quarto, foi de US$345. A média foi de US$15 por dia. Lembrando que eu não contratei nenhum serviço de guia ou carregador. Nessa conta entram apenas alimentação e hospedagem, não entram as permissões e as passagens de ônibus e avião. HOSPEDAGEM EM KATHMANDU O bairro mais conveniente para se hospedar em Kathmandu é o Thamel pois concentra todos os serviços que um trilheiro necessita: hotéis para todos os bolsos e exigências, restaurantes variados, casas de câmbio, padarias, mercadinhos, livrarias, farmácias, lavanderias, agências de trekking, lojas de equipamentos e roupas técnicas, etc. Além disso muitos atrativos turísticos da cidade estão a curta distância a pé a partir do Thamel. Mas prepare-se para dividir as ruas estreitas e sem calçada com muitas motos e carros buzinando o tempo todo. Sim, o Thamel é uma ilha da fantasia para turistas, repleta de lojinhas de todo tipo, e para ter a experiência de uma Kathmandu mais real vai ser preciso caminhar fora dali. Isso é verdade, mas o Thamel não deixa de ser o bairro mais conveniente para as necessidades de um viajante. Rua no Thamel ROUPAS E FRIO A temperatura interna durante a noite medida pelo meu termômetro chegou à mínima de -8,6ºC. Isso foi dentro do quarto em Gorak Shep. Normalmente ela está entre -3ºC e 3ºC à noite e de manhã dentro do quarto. Por isso é preciso ter um saco de dormir sempre na mochila pois o cobertor do lodge pode não ser suficiente. Eu levei um saco Marmot Helium (temperatura limite -9ºC) e usei em algumas noites apenas. Os quartos costumam ter duas camas com um cobertor bem grosso parecido com um edredom em cada uma. Como eu dormia sozinho no quarto podia pegar o outro cobertor e não precisava usar o saco de dormir. Para vestir recomendável levar uma blusa grossa de fleece, uma jaqueta de pluma (a única blusa que realmente esquenta naquele frio todo) e uma jaqueta impermeável que serve como corta-vento durante as caminhadas. Para as pernas importante levar uma calça de fleece ou ceroula térmica pois com frio nas pernas não se consegue dormir. Uma calça impermeável serve como corta-vento e eu usei em vários dias mesmo caminhando sob o sol pois o vento é gelado. Uma faixa para o pescoço que possa ser esticada para a boca e nariz também é fundamental para não expor tanto a garganta ao vento frio. Mesmo com isso eu tive infecção na garganta, tive que ir ao médico em Kathmandu e tomar antibiótico por 3 dias. Os lodges costumam ter um aquecedor no refeitório e esse é o único lugar para se refugiar do frio. Mas ele fica aceso somente do início da noite até os últimos hóspedes saírem do refeitório. Não é aceso de manhã, quando faz muito frio também (entre -3ºC e 3ºC, como disse). Para acender o aquecedor se usa lenha onde há árvores e esterco de iaque onde não há. O QUE PODE SER COMPRADO EM KATHMANDU Kathmandu tem ótimas livrarias onde se pode comprar mapas e guias de todos os trekkings do Nepal. E tem dezenas de lojas de equipamentos e roupas técnicas onde se deve pesquisar os preços pois variam muito de uma loja para outra. Há lojas de marcas famosas como The North Face e Mountain Hardwear que vendem produtos originais. Nas outras mil lojas vale o preço e não necessariamente a qualidade. Mas pelo que já li nos relatos é possível encontrar bons produtos a preços bem atrativos. Na hora da compra vale pechinchar também, e comprar vários itens na mesma loja (ao invés de um item em várias lojas) ajuda na negociação do valor total. Muitos itens podem ser alugados também. MAPAS Nas livrarias há mapas para todos os trekkings do Nepal, porém eu e outras pessoas encontramos muitos erros na marcação das altitudes, o que atrapalha um pouco o planejamento. Para ser mais prático, uma idéia é fotografar o mapa todo com o celular para ter acesso rápido a ele durante a caminhada sem ter que ficar dobrando e desdobrando o original toda hora. Dal bhat ACLIMATAÇÃO O Mal Agudo da Montanha (em inglês AMS, Acute Mountain Sickness) é um problema muito sério que não deve ser ignorado. Durante a caminhada do Everest eu soube que um japonês morreu em Gorak Shep porque não queria descer mesmo se sentindo mal em consequência da altitude (matéria aqui). É preciso ficar atento aos sinais do corpo e a melhor solução sempre é descer. Aconteceu comigo também. Fiquei quatro noites praticamente sem dormir, apesar de não ter nenhum outro sintoma, e precisei baixar dos 5160m aos 3800m para poder dormir, me recuperar do cansaço e dar um tempo maior para o meu corpo se adaptar à altitude. O Mal Agudo da Montanha atinge tanto atletas e esportistas de condição física perfeita quanto trilheiros de primeira viagem. E pode atingir também trilheiros já acostumados a caminhar na altitude. O processo de aclimatação é condição necessária para todos. Os sintomas mais leves a partir dos 3000m de altitude são dor de cabeça, tontura, náusea, perda de apetite, falta de ar, cansaço, irritabilidade e dificuldade para dormir. Nesse caso o corpo está dando sinais que não devem ser ignorados e o melhor é parar de subir, subir mais devagar (dormindo mais noites na mesma altitude) ou descer se não houver melhora. Do contrário pode-se desenvolver os sintomas mais graves do AMS. Os sintomas mais graves são perda de coordenação enquanto caminha e falta de ar mesmo em repouso. O primeiro sintoma pode levar a um edema cerebral e o segundo a um edema pulmonar. Nesse caso é preciso descer imediatamente. As regras básicas para que o organismo se adapte gradativamente à altitude (leia-se: aclimatação) acima dos 3000m são: . não dormir 500m acima do local onde se dormiu na noite anterior . fazer caminhadas de bate-volta até uma altitude superior àquela em que vai dormir (walk high, sleep low) . de preferência dormir duas (ou mais) noites na mesma altitude e fazer caminhadas a pontos mais altos durante o dia . beber no mínimo 3 litros de água por dia Por fim, a polêmica do Diamox. Alguns médicos são contra o uso desse medicamento para reduzir os sintomas da altitude, mas no Nepal quase todo mundo tem na mochila e até o médico em Kathmandu me receitou na consulta que fiz (sem eu pedir). Mas mesmo usando Diamox deve-se seguir as regras de aclimatação acima para não desenvolver os sintomas mais graves do mal de altitude. Muita gente faz uso mas não posso falar dos efeitos e benefícios porque não tomei. Quando tive quatro noites de insônia não tinha Diamox para testar se resolveria o meu problema. O que é consenso entre os médicos no caso de insônia é não tomar remédios para dormir. Máscara para enfrentar a poluição e poeira de Kathmandu TRATAMENTO DA ÁGUA A água mineral é vendida no Nepal em garrafas de 1 litro ou menores. Essa água, que custa Rs20 ou Rs30 em Kathmandu, chega a custar Rs450 em Gokyo. Além desse preço absurdo, o grande problema é a acumulação de garrafas pet nos lixões dos vilarejos e ao longo das trilhas. Comprar água mineral é a pior das soluções para matar a sede. O que fazer? Tratar a água de torneira dos vilarejos ou a água dos riachos, ambas abundantes e de fácil acesso em todos os trekkings. Há várias maneiras: 1. ferver a água . vantagem: o gosto não é alterado, custo muito baixo . desvantagem: não é tão prático e rápido, a água demora a ferver e a esfriar para colocar nas garrafas pet; quanto maior a altitude, menor a temperatura de ebulição da água, por isso é preciso ferver por mais de 5 minutos em altitudes mais elevadas 2. filtro Sawyer ou LifeStraw . vantagem: o gosto não é alterado, muito mais prático que ferver . desvantagem: filtra bactérias e protozoários, mas os vírus passam; não pode ficar exposto a temperaturas muito baixas 3. pastilha de cloro (Clorin) ou dióxido de cloro (Micropur) . vantagem: muito mais prático que ferver . desvantagem: o gosto é horrível, demora de 30 minutos a 4 horas para purificar completamente dependendo do tipo de pastilha 4. Steripen . vantagem: método muito prático e rápido (leva apenas 90 segundos para purificar 1 litro de água), o gosto não é alterado . desvantagem: custo alto, a água deve ser cristalina, dependência de um aparelho eletrônico (que dá bastante problema segundo as críticas no site amazon.com) 5. pastilha de iodo: não acho esse método recomendável pois não é eficaz contra o protozoário Cryptosporidium, não pode ser usado por um longo período (mais que 6 semanas) e não pode ser usado por pessoas com problema de tireóide Minha experiência: eu não tenho Steripen, então usei os 3 primeiros métodos sempre combinando dois deles. Levei um fogareiro e comprei cartuchos de gás em Kathmandu. Toda noite eu filtrava a água, depois fervia e esperava esfriar durante a noite. Ou eu filtrava e usava a pastilha de dióxido de cloro (Micropur), mas isso apenas se eu não pudesse ferver pois o gosto final era de sabão. Levei um filtro Sawyer Squeeze e nos lodges onde a temperatura no quarto poderia ser abaixo de 0ºC eu dormia com ele junto ao corpo. Conheci trilheiros que estavam tratando a água apenas com filtro Sawyer ou LifeStraw e não tiveram problema. Geralmente as pessoas usavam apenas um dos métodos que mencionei. É possível também comprar água fervida nos lodges, mas o custo ainda é alto. Vaquinhas sagradas TELEFONIA E INTERNET Vou colocar em cada relato de trekking no Nepal o nome das operadoras de celular que funcionam na maioria dos vilarejos. As mais comuns são NCell (www.ncell.axiata.com), NTC/Namaste, Sky e Smart (www.smarttel.com.np). A NCell tem lojas próprias em Kathmandu onde se pode comprar o chip e fazer a carga pelos preços oficiais, bem mais baixos que nas lojas turísticas do Thamel. A loja que eu ia fica na Durbar Marg, mas há outra perto da Praça Durbar (segundo o site). Para comprar o chip é preciso levar passaporte, uma foto 3x4 e preencher um formulário na loja. Para fazer a recarga não necessita de nada disso. Eles mesmos configuram o celular, mas é bom conferir se o chip está funcionando antes de sair da loja. Eu paguei Rs 100 (US$ 0,87) pelo chip e Rs 355 (US$ 3,08) pelo pacote de 1,3 GB por 30 dias (há muitos outros pacotes). Para as outras operadoras não vi lojas próprias, mas segundo o site a Smart possui lojas (esta é uma operadora que funciona em pouquíssimos lugares). Muitos lodges e cafés ao longo dos trekkings têm wifi mas é sempre pago e vale a mesma regra: o preço sobe junto com a altitude e distância das cidades. Para recarregar as baterias, alguns poucos lodges têm tomada no quarto, na maioria deles é preciso pagar pela carga. Levar alguns power banks a mais é uma boa idéia para não gastar muito com recargas. Lembrando que o frio descarrega as baterias mais rápido do que o habitual, por isso eu costumava colocar o power bank dentro da blusa na hora de usá-lo para recarregar o celular. No trekking do Everest há dois serviços de cartão pré-pago que dão acesso ao wifi dos lodges em diversas vilas: 1. Everest Link (www.everestlink.com.np) - custa Rs 1999 (US$ 17,35) por 10GB em um período de 30 dias (há outros pacotes); segundo o site funciona nas principais localidades ao norte de Lukla, inclusive no Kala Pattar e no Campo Base do Everest 2. Nepal Airlink (www.nepalairlink.com.np) - custa Rs 1260 (US$ 10,94) por um período de 30 dias (há outros pacotes); o site estava fora do ar quando publiquei esse relato mas pelo que pude entender o Nepal Airlink funciona apenas no trekking Shivalaya-Lukla e só no trecho entre as vilas de Junbesi e Kharte, e também em Phaplu. Não cheguei a usar nenhum desses dois serviços porque não sabia da existência e já tinha comprado o chip da NCell. PERMISSÕES A seguintes permissões podem ser obtidas no Tourist Service Center, próximo ao Ratna Park, em Kathmandu: 1. TIMS card - levar passaporte, 2 fotos 3x4 e preencher um formulário (importante: segundo a funcionária desde 16/11/2018 é obrigatório ter seguro-viagem para obter o TIMS card e deve-se fornecer o número da apólice no formulário). Valor: Rs2000 (US$17,36). O TIMS card é necessário para todos os trekkings exceto para o Everest (desde outubro de 2017) e válido apenas para um trekking específico, ou seja, no meu caso tive de pagar o TIMS para Langtang e depois para o Annapurna, num total de Rs4000 (US$34,72). Para o Everest o TIMS card foi substituído em out/2017 por uma permissão local que pode ser obtida em Lukla ou Monjo (não em Kathmandu) pelo valor de Rs2000 (US$17,36) e sem foto. 2. permissão de entrada do Parque Nacional Langtang - levar somente passaporte. Valor: Rs3400 (US$29,51) 3. permissão ACAP para o Annapurna Conservation Area - levar passaporte, 2 fotos 3x4 e preencher um formulário. Valor: Rs3000 (US$26,04) 4. permissão de entrada do Parque Nacional Sagarmatha - eu obtive essa permissão em Monjo, durante o trekking do Everest, mas há um balcão no Tourist Service Center em Kathmandu que a emite. Pediram apenas passaporte, nenhuma foto.Valor: Rs3000 (US$26,04) 5. permissão de entrada do Gaurishankar Conservation Area - eu obtive essa permissão em Shivalaya, durante o trekking do Everest, mas há um balcão no Tourist Service Center em Kathmandu que a emite. Pediram apenas passaporte, nenhuma foto.Valor: Rs3000 (US$26,04) Horário do Tourist Service Center em Kathmandu: . balcão Annapurna, Manaslu e Gaurishankar: diário das 9 às 13h e das 14h às 15h . balcão Everest e Langtang: de domingo a sexta-feira das 9h às 14h . balcão TIMS card: não havia horário afixado Esses horários mudam frequentemente. Banheiro ao estilo "limpo" (os outros melhor não publicar) BANHEIROS AO ESTILO OCIDENTAL E ORIENTAL Durante todos os trekkings é mais comum encontrar o banheiro ao estilo oriental, quer dizer, uma peça de louça no chão com um buraco no meio e lugares para colocar os pés nas laterais. A descarga quase sempre é com um balde ou caneca que fica ao lado. Quando raramente se encontra um vaso sanitário, a descarga normalmente é com o balde ou caneca mesmo. Nos lodges de maior altitude é preciso ter cuidado com a água congelada de manhã no piso do banheiro e ao redor do buraco. Vale dizer que durante todos os trekkings o banheiro é sempre compartilhado, não existe banheiro privativo, e costuma haver apenas um ou dois para todos os hóspedes. Papel higiênico deve ser comprado e levado sempre na mochila pois os nepaleses não usam e não se encontra em nenhum banheiro. Prefira comprar nas cidades pois nos lodges é bem mais caro. BANHO É possível tomar banho de ducha em muitos lodges durante os trekkings. Se não houver ducha eles preparam um banho de balde. Em ambos os casos é preciso pagar à parte e o preço aumenta à medida que se distancia mais das cidades. A água da ducha pode ser aquecida a gás ou por energia solar. Se for a gás o banho é ótimo, com a água bem quentinha. Se for com energia solar a água fica morna ou quase fria no fim da tarde ou em dias de céu encoberto. VACINAS Nenhuma vacina é obrigatória para entrar no Nepal porém é bastante recomendável tomar/atualizar as vacinas de febre tifóide e hepatite A pois a transmissão dessas doenças se dá por água e alimentos contaminados. Nenhuma das duas está disponível na rede pública no Brasil, é preciso pagar em uma clínica particular. Eu aproveitei para atualizar todas as outras vacinas recomendáveis: tétano, difteria, hepatite B, gripe, antirrábica e febre amarela. EMPRESAS AÉREAS QUE FAZEM O TRAJETO KATHMANDU-LUKLA PARA O TREKKING DO CAMPO BASE DO EVEREST Somente essas quatro companhias aéreas fazem o trajeto entre Kathmandu e Lukla: 1. Nepal Airlines: www.nepalairlines.com.np (clique em Domestic Flight) 2. Tara Air: www.yetiairlines.com 3. Sita Air: sitaair.com.np 4. Summit Air: www.summitair.com.np VIAJANDO DE ÔNIBUS NO NEPAL Os ônibus em que viajei no Nepal eram genericamente chamados de "local bus". Parece que há os tipos express, super express, mas não sei dizer a diferença. Todos eram muito lentos, apertados e sem banheiro. A dica que quero dar aqui é sempre pedir um assento no meio do ônibus. Os bancos do fundo pulam demais por conta das estradas de terra cheias de buracos e pedras. O último banco é muito mais desconfortável que qualquer outro - evite! Os bancos da frente não são muito convenientes porque é um entra-e-sai constante de pessoas, bagagens, sacos, etc. São feitas algumas paradas para banheiro durante as longas viagens, mas é bom não tomar muito líquido para não passar aperto. Em todas as viagens a mochila sempre ia comigo, o que era também um transtorno. Ônibus para Jiri e Shivalaya no terminal do Ratna Park PEDINDO INFORMAÇÃO DURANTE O TREKKING Não quero generalizar sobre esse assunto mas vou falar da minha experiência. Concluí que não é muito útil pedir informação aos nepaleses durante a caminhada. Ao necessitar de informação sobre o caminho o melhor é perguntar aos trilheiros, melhor ainda aos trilheiros independentes pois estes estudaram os mapas e sabem o nome das vilas de onde vieram e para onde estão indo. Trilheiros com guia muitas vezes não sabem nada também. Por que não perguntar aos nepaleses já que vivem ali? Em geral eles são bem confusos na explicação, alguns dão informação errada, muitos não entendem a pergunta e falam qualquer coisa. Geralmente eles sabem só o inglês necessário para falar sobre o quarto e a comida, ao serem questionados sobre as condições do caminho não entendem e não sabem explicar. Além disso, nepaleses têm a tendência de responder sim a tudo por cortesia (um não pode ser considerado indelicado), portanto não se deve perguntar: o caminho para a próxima vila é este? pois eles provavelmente vão responder sim. É melhor perguntar: qual é o caminho para a próxima vila? nesse caso eles não podem responder simplesmente sim. Depois confira a informação com outras pessoas, não confie na primeira informação que obtiver. CALENDÁRIO O Nepal usa um calendário diferente chamado Sambat. Neste ano de 2018 do calendário gregoriano eles estão no ano 2075. Em algumas situações eles podem usar a data do calendário Sambat em lugar do gregoriano. Comigo aconteceu de preencherem uma passagem de ônibus com essa data. NAMASTÊ O cumprimento habitual no Nepal é a palavra namastê. Questionei algumas pessoas sobre o significado dessa palavra e eles respondem que é somente um olá. Mas namastê tem um significado mais espiritual e literalmente quer dizer: Eu saúdo o divino dentro de você, Eu me curvo ao divino em você, O sagrado em mim reconhece o sagrado em você, O divino em mim se curva ao divino dentro de você, entre outros significados. RELATOS DO NEPAL PUBLICADOS AQUI NO MOCHILEIROS . Trekking Langtang-Gosainkund-Helambu (Nepal) - out/18 . Trekking do Campo Base do Everest desde Shivalaya em 3 partes: .. Trekking Shivalaya-Namche Bazar (Nepal) - out/18 .. Trekking Namche Bazar-Campo Base do Everest (Nepal) - nov/18 .. Trekking Pheriche-Lukla (Nepal) - nov/18 . Trekking do Campo Base do Annapurna e Poon Hill (Nepal) - dez/18 Rafael Santiago dezembro/2018 https://trekkingnamontanha.blogspot.com.br
  7. Travessia feita em: 28/09/2019. Todas as fotos estão em: https://photos.app.goo.gl/sS4m5bB5wDXsYJNe6 - Introdução - Uma semana antes dessa caminhada, estava conhecendo o Morro do Saboó em São Roque. Do seu topo, comecei a reparar em outros picos bem maiores ao redor, qdo um em específico me chamou muito a atenção. Era uma enorme elevação com 2 picos enormes e outras menores se destacando no horizonte e estava com parte do topo encoberto pelas nuvens. Mas foi no final do dia, qdo a nebulosidade dispersou sobre o topo dessa montanha, que eu pude ver que é bem mais alta do que eu imaginava. E obviamente me atiçou a curiosidade de desbravar esse pico. Mas antes, precisaria buscar infos do nome, como chegar, qual é o ponto mais próximo de ônibus ou carro. Pois bem, na semana seguinte ao morro do Saboó, me debrucei no pc e olhando no google earth, descobri o nome da tal elevação: Serra do Voturuna. Outra coisa que me chamou mais a atenção ainda, é a altitude de seus picos: mais de 1.200 metros. Foi a deixa para descobrir como chegar lá. Buscando relatos aqui, ali e acolá, encontrei um do famoso colunista, montanhista e trilheiro conhecido: Jorge Soto, que já esteve lá algumas vezes e havia disponibilizado um relato de uma travessia que fez de ponta a ponta de toda a cadeia montanhosa da Serra de Voturuna. Pois bem, após ler todo o relato, onde ele diz em detalhes o percurso e como chegar, era hora de bolar a melhor logística possível para chegar lá, usando transporte público. 1º dia - Do centro de Araçariguama ao Topo do Pico do Morro Negro Para essa travessia, chamei várias pessoas, mas apenas 6 corajosos toparam ir na empreitada comigo: Marcio, Paola, Monike, Diego e a novata do grupo do Whats: Andréia. Eram 7:40 qdo saltei do trem na Estação Itapevi, cujo movimento estava tranquilo por ser um Sábado. Lá, encontrei o Diego que já havia chegado antes e me aguardava no ponto marcado. Aos poucos, a turma foi chegando, mas logo tivemos uma baixa: A Monike, que havia perdido a hora e não conseguiria vir. Caiu na armadilha de "ah, só mais 5 minutos" e se deu mal. Com isso, continuamos em 5. Com todos reunidos, fomos para o ponto de ônibus esperar o coletivo para Araçariguama. O tempo estava com cara de poucos amigos, uma fina garoa caia sobre nossos rostos ansiosos e nisso, vinha a pergunta que não quer calar: Será que sol vai aparecer e teremos algum visual? Sim, as previsões meteorológicas para o fds estavam favoráveis. Aproveitei para tomar um café da manhã reforçado em frente a estação e depois logo embarcamos no latão rumo a Araçariguama que passou as 10:00hs. Parte do trajeto é feito ao lado do antigo leito da Sorocabana e depois adentra uma estrada de terra que só por deus. Após muito chacoalhar, balançar e até pula-pula, finalmente chegamos ao trecho da Castelo Branco, onde não demorou muito e logo chegamos a pacata Araçariguama, após 1 hora desde a estação Itapevi. Ao longo do trajeto, o tempo abriu um pouco, corroborando a previsão meteorológica, para a alegria e o entusiasmo de todos. Ao lado esquerdo, ainda na Castelo Branco, a Serra do Voturuna aparecia em alguns momentos com todo seu explendor e seus 2 picos mais altos aparecendo em destaque, quase que rasgando os céus. Araçariguama é uma cidade bem montanhosa, cujas ruas são verdadeiras pirambeiras. Deve ser por isso que não vi nenhuma academia por lá...😂 Tão logo desembarcamos, a turma resolveu fazer um café da manhã reforçado e sem perder tempo, partimos em direção ao nosso objetivo: a Serra do Voturuna. O avião lá em cima, visto do centro da cidade. Munidos apenas do relato, infos e uma bússola, lá fomos nós em direção ao morro do Avião, onde há um avião da decada de 50, que visto de longe, parecia estar se equilibrando a meio caminho. O relógio já havia passado das 11:00hs e vi que precisávamos apertar o passo, já que nenhum de nós tinha noção alguma de quanto tempo iriamos demorar para chegar até a base, quiça o topo. Partindo do centro da cidade, chegamos a um enorme campo de futebol e uma praça, onde a partir dali, pega-se uma estrada de terra que sobe até o topo. Não demora muito e vem o primeiro trecho de subida forte, em direção ao topo do morro do avião, que segundo o relato, é a nossa referência do caminho em direção ao sopé da Serra do Voturuna. As primeiras vistas da Serra de Voturuna durante a subida No trecho inicial da estrada de terra, uma trilha a direita serviu de atalho e evitou uma grande volta que a estrada de terra dá em boa parte de sua subida. A medida que iamos ganhando altitude, já conseguíamos visualizar parte da Serra do Voturuna, com seus 2 maiores picos em destaque, para a animação de todos. A Subida é ingreme, mas não dura muito tempo e logo estamos no topo, onde pudemos ver o tal "avião" todo carcomido e enferrujado pelo tempo, repousando no alto do morro. Do topo, passa uma rodovia vicinal que segue na direção desejada. Do morro do avião, se tem um belo visual da cidade e do entorno, mas com o tempo passando, nos limitamos a algumas fotos, pois ainda tinhamos muito chão pela frente. Do mirante do avião, pegamos o caminho da direita pela rodovia e seguimos por cerca de 6 km até o sopé da Serra, onde parte a trilha que sobe. No mirante do avião Desse ponto, a Serra do Votoruna aparece com todo o seu explendor e imponência e vale até alguns minutos para contempla-lo. No trecho da Rodovia, após a mesma fazer uma grande curva a esquerda, ela inicia um longo trecho de descida até um grande vale. Nesse vale, passa um riacho e é o unico ponto de água disponível nesse primeiro dia. Nós não pegamos água nesse riacho e só fomos descobrir lá na frente que foi uma péssima decisão. Pegue água nesse ponto ou terá problemas! Na Rodovia, chegando próximo a base da Serra do Voturuna todo imponente a sua frente. 1 hora e 20 minutos desde o avião e 2 horas desde o centro de Araçariguama, finalmente chegamos ao ínicio da trilha que subia forte logo de cara e vimos que não seria nada fácil. As 13:35 começamos a subida da trilha, que começa em meio a trecho de grama baixa, com trilha meio precária, que hora aparecia e desaparecia constantemente, mas o sentido a seguir era obvio: sempre para cima, seguindo pela crista....30 minutos desde a Rodovia, chegamos a um ombro, onde a subida dá uma trégua e desse ponto, já era possível avistar todo o percurso a frente, com os 2 grandes picos do Voturuna à esquerda, parecendo estar perto, mas distante umas 2 horas de subida ainda. Trecho inicial da subida só com vestígio de trilha ou mesmo sem mesmo, porém de grama rala e por isso, a subida foi facil. As primeiras vistas do trecho onde ainda iriamos passar e os 2 principais picos do Voturuna a esquerda, ainda distantes. Aqui a trilha fica mais definida, o que ajudou nessa parte com o mato mais alto, composto em sua maioria por Samambaias. Felizmente o trecho mais fechado não dura muito tempo e logo saímos em um trecho onde parece que a grama foi cortada e com isso, a caminhada fica bem mais fácil e rápida. Com visual total de tudo a frente, vamos ganhando altitude e a medida que subíamos, o vento e o frio iam apertando mais. O sol ia e vinha entre muitas nuvens o tempo todo, o que foi um alivio, pois não há nenhum ponto de sombra e imaginei subindo com o sol castigando a todo momento. Subida segue pela crista acima Mais 30 minutos e chegamos ao primeiro dos 3 topos e aqui, a subida da uma trégua. Nesse ponto, se visualiza a imponente Serra do voturuna bem a sua frente, com seus 2 principais picos parecendo estar perto, mas ainda restava a descida de um vale até lá. Um Pinheiro solitário e fora do contexto chama a atenção, pois é o unico visivel no topo e aqui também encontro vestígios de acampamento, mas como o lugar é totalmente exposto aos ventos, é arriscado acampar aqui. As 14:47 inicio a descida do vale em direção a base do Pico do Morro Negro e logo a frente vejo o enorme subidão pirambeiro por onde ainda iria passar e vejo que não será nada facil, pois é uma subida bem íngreme. No primeiro topo, com visão total dos próximos 2 picos a sua frente. Trecho de descida até um vale A descida é tranquila e é feito por um trecho de estradinha de terra, o que me faz supor que aqui deve subir veículos motorizados vindos de alguma bifurcação a frente. A descida é rapida e nesse trecho, passo por 2 bifurcações, uma a direita e outra a esquerda e percebo que existe outro acesso ao Voturuna vindo lá da rodovia, de algum outro ponto posterior ao que eu entrei, provavelmente usados por quem vem de carro. Resolvo dar uma descansada aqui na base antes de começar a subir, pois só de olhar o paredão íngreme a frente, cansou até a vista. Olho para trás e vejo os demais se aproximando, mas com o vento gelado, nem consigo ficar muito tempo parado e logo começo a subida. Aqui, a trilha é bem marcada e definida, com isso, nosso avanço foi bem mais rápido. A medida que ia subindo, a trilha vai ficando mais íngreme e nisso, fui parando algumas vezes para retomar o fôlego ao mesmo tempo que curtia o visual e aguardava os demais me alcançar. Iniciando o segundo trecho de subidão pirambeiro em direção ao próximo pico A subida é árdua e com o peso da cargueira, esse trecho não é nada facil e vou seguindo em um ritmo lento. Vamos ganhando altitude rapidamente e felizmente, com o tempo encoberto, não tivemos o sol castigando, já que toda a subida é exposta e quase sem nenhuma area de sombra. Seguimos subindo em trilha bem demarcada e com vários trechos de pedrinhas soltas e rochedos, sem grandes dificuldades. 25 minutos desde o vale lá embaixo, chegamos ao topo do primeiro dos 2 picos e aqui, a trilha passa a descer entre os cocorutos do topo. A partir desse ponto, temos a visão total do trecho final até o Pico do Morro Negro, que aqui já se encontra bem próximo e bem visível a nossa frente. Trecho de vale após passarmos pelo topo do 2ºpico Vales enormes Descemos um pequeno vale e entramos definitivamente na subida final em direção ao cume. O relógio marcava 15:40hs e vendo que estamos relativamente próximo, resolvo fazer um pit stop para molhar a goela e mastigar algo, afim de forrar o estomago e também aguardar o pessoal que ficou para trás. O que preocupa aqui é que desde a rodovia, não passamos por nenhum ponto de água e sem expectativa de qdo encontrar um, aviso a turma para maneirar no consumo da água. 20 minutos depois, retomamos a caminhada e a medida que íamos nos aproximando do topo, o visual de todo o contraforte serrano do Voturuna ia se abrindo e se destacando cada vez mais, o que chamou bastante a atenção. Aqui também era possível ver todo o percurso que ainda falta e o que já passamos. Trecho final ao cume O trecho final de subida ao cume a partir do segundo pico é mais leve, já que as subidas mais íngremes acabaram. Mas mesmo assim, os músculos das pernas já estavam esgotados, pois toda a força foram dirigidas a eles. Os ventos estavam bem fortes, o que dificultou nosso avanço, mas continuar era preciso! O topo parecia estar bem próximo e as 16:00hs, com pouco mais de 3 horas cravadas de subida desde a rodovia, finalmente chegamos ao cume do Pico do Morro Negro, a mais de 1.200 metros de altitude, para literalmente, desabarmos ali. Chegando ao topo e todo o trecho percorrido atrás Enfim, barracas montadas e o merecido descanso no cume Não havia ninguém no cume e com isso fomos donos absolutos do lugar. Fomos em busca de um local protegido dos fortes ventos para montarmos a barraca e nem demorou muito para encontarmos um bom local, amplo, plano e com um pouco de proteção. Até há outros descampados, mas todos expostos aos fortes ventos. Enquanto montavamos as barracas, uma forte neblina bateu no topo e a visão ficou prejudicada, frustrando a expectativa de todos por algum visual e o por-do-sol. Com o tempo fechado, a temperatura diminuiu rapidamente e ficou próxima dos 10ºC. Após montada a barraca, exploro as laterais do topo, afim de encontrar a trilha que desce para Sudeste. Encontro algumas bifurcações levando a outros mirantes e até encontro a trilha que segue na direção desejada. Mas com a visão prejudicado pela forte neblina, deixo para fazer isso melhor amanhã, torcendo para que o tempo esteja melhor. Com o anoitecer, resolvemos fazer nossa janta, ficamos jogando conversa fora e fazendo um pouco de hora. Mas com os fortes ventos, a neblina e o frio, nem fico muito tempo fora da barraca e logo fui dormir. 2ºDia - Do topo do Morro Negro à Pirapora do Bom Jesus O domingo amanheceu ensolarado e com um tapetão de nuvens cobrindo os vales. Mas com a neblina do dia anterior e sem expectativa alguma de que abrisse o tempo antes do amanhecer, ninguém acordou para ver o nascer do sol. Acordei pouco depois das 7:00hs com os raios do sol batendo do lado de fora da barraca e ao colocar a cabeça para fora, vejo tudo aberto e as nuvens embaixo, o que me deixou bastante animado! A neblina da noite anterior tinha dissipado e na verdade, as nuvens estavam embaixo, o que deixou todos radiantes. Com o tempo aberto, deu para ver todo o caminho que viemos no dia anterior, com as cidades de Araçariguama, Pirapora do Bom Jesus, Santana do Parnaíba, dentre outras até onde a vista alcançada. É um visual de tirar o fôlego. Aproveitei para analisar melhor a trilha que desce para Sudeste em direção aos 2 outros picos da Serra, planejando o percurso de descida. Do topo, dava para ver boa parte do percurso por onde irei descer, com algumas pequenas subidas e vejo que será uma caminhada longa, mas relativamente tranquila. Volto para as barracas e vejo que boa parte da turma ainda estavam se fartando de clicks do topo. Afinal, o dia estava radiante e o sol brilhava forte em um céu estupidamente azul e sem vestígio de nuvem acima, só embaixo. Após os clicks, fomos fazer nosso café da manhã e em seguida, começamos a arrumar as coisas. Pirapora do Bom Jesus lá embaixo Barraca desmontada e mochila nas costas, começamos a descer sentido Sudeste pouco depois das 9:30 da manhã em uma pequena trilha que ora sumia, ora reaparecia. Seguindo sentido Sudeste/leste, a descida é tranquila e a maior parte feita só no visual. Nesse trecho, vestígios de trilha vão aparecendo e indo na direção de um pico mais baixo. 15 minutos desde o acampamento lá no topo, chegamos a um vale, onde a trilha reaparece mais definida a esquerda, no meio desse vale e indo na direção desejada. A trilha está bem demarcada e com isso, nosso avanço fica mais rápido. Aos poucos, vamos perdendo altitude, enquanto passamos por várias paisagens do alto da Serra do Voturuna, com inumeras vistas do entorno e uma vegetação diferenciada. Uma pecularidade dessa Serra é os cavalos selvagens soltos por vários pontos e suas fezes encontrados em vários pontos da trilha. A trilha principal tem algumas ramificações, mas vamos seguindo pelo trecho principal mais demarcada em direção Sudeste, a caminho de Pirapora do Bom Jesus, visivel algumas vezes lá do alto, mas ainda distante. A trilha segue descendo discretamente em direção a um grande vale a esquerda, onde avisto uns cavalos tomando agua. Primeiro ponto de água a mais ou menos 1 hora de descida do topo, mas impropria para o consumo, infelizmente Cume do Morro Negro ficando para trás As 10:05, chegamos ao vale que vimos lá de cima, mas por conta dos cavalos e seus dejetos, a água está imprópria para consumo e por isso, somos obrigados a continuar em frente em busca de outro ponto de água potável. Felizmente, a turma soube racionar bem a agua que dispunha e por isso, ainda tínhamos agua suficiente para chegar até o próximo ponto. Atravessamos o pequeno vale e começamos uma nova subida ao alto de um morro. Chegamos à uma bifurcação em "T" onde pegamos o caminho da direita sentido Sul. O da Esquerda parecia ser a tal "trilha norte". A trilha da direita segue pelo alto da crista do pequeno morro. 10 minutos após a birfurcação, a trilha começa a descer até uma grande planície, onde se dividiu em pequenas ramificações, mas que todas se encontravam. Aqui o caminho é um pouco confuso, mas a trilha principal se mantem bem demarcada e é só seguir por ela que não tem erro. Mais 20 minutos e chegamos a um enorme descampado plano e protegido para umas 10 barracas pelo menos. Descampado em um trecho bem amplo Continuamos em frente e as 10:45h chegamos a beira de um enorme precípicio. Ali, tivemos um perdido: A trilha termina ali e não tinha caminho a seguir em frente. Segui à esquerda, depois a direita e nada de trilha ou de um caminho visivel. A frente, só um enorme precipício intransponível, sem continuação. Diante dessa situação, pensei: E agora, José? Considerando as várias ramificações da trilha principal, resolvemos voltar e ver se encontramos alguma bifurcação que deixamos passar batido. Dito e feito, 10 minutos de retorno, demos de cara com uma bifurcação a direita (esquerda para quem está descendo) que ia na direção desejada. Resolvido o perdido, bora continuar a pernada. Pico que é a referência da bifurcação que desce/sobe por um vale A Referência dessa bifurcação, é um pico que fica bem a frente. Depois que entramos na bifurcação, ela logo mergulha na mata fechada e segue por dentro dela até encontrar uma pequena nascente de um corrego com água limpa. Enfim, após 1 dia e meio sem ver agua, finalmente encontramos o precioso líquido. Era uma nascente, então descemos mais um pouco até um ponto onde o corrego fica com mais vazão e paramos para coletar água limpa e corrente. Goela molhada e cantis cheios, retomamos à caminhada de descida em direção a Pirapora do Bom Jesus e a partir desse ponto, a trilha fica mais íngreme e vamos descendo com mais cuidado. Outro detalhe desse ponto são os carrapatos. Pegamos vários no trecho, então, muito cuidado nesse trecho de mata mais fechada. Use um bom repelente para evita-los, de preferência aqueles com ação forte contra carrapatos. As 11:40hs, saimos da mata mais fechada e a caminhada passou a bordejar a encosta direita do morro onde estavamos, com o sol castigando o tempo todo. Passamos por uma cerca e chegamos a um ponto onde demos de cara com uma família de bois e vacas com seus filhotes bem no meio da trilha. A trilha vem lá do meio do vale, entre os 2 picos Trecho final de descida pela trilha Tentamos passar, mas o macho, ao perceber nossa aproximação, deu uma bufada de aviso. Perdemos algum tempo aqui e tivemos que esperar, mas conseguimos passar, fazendo um desvio por cima e logo retomamos a trilha logo a frente. As 12:40, chegamos ao trecho final, onde a trilha desce e cruza um enorme campo de cerrado bem aberto. Aqui a caminhada fica mais tranquila. Passamos por uns trechos de mineiração e logo a frente já se vê as ruas da pequena cidade de Pirapora do Bom Jesus, com a trilha descendo para lá. Enfim, chegamos a cidade E finalmente, as 13:10, com mais de 3 horas de caminhada desde o topo do Pico do Morro Negro (incluindo os perdidos e as paradas), pisamos no asfalto da pequena cidade, para a alegria de todos. Andamos mais alguns minutos e logo estacionamos numa lanchonete para bebemorarmos o sucesso da empreitada e forrar o estomago com algo "gorduroso". Foram cerca de 21 km de pernada em 2 dias com 1 pernoite com perrengues, superação e muitos carrapatos. Mas tb com visuais e desafios para andarilho algum botar defeito. As 14:30 embarcamos no ônibus para a Estação Barueri e depois no trem da CPTM de volta para SP, onde cheguei pouco antes das 17:00hs, cansado, mas feliz. DICAS: -> Pontos de água nessa travessia são escassos. Só há um ponto de agua na rodovia, pouco antes de iniciar a subida até a base, onde começa a trilha. Não há nenhum outro ponto de agua durante toda a subida e no topo. Só fui encontrar água na metade da descida do dia seguinte, em um pequena nascente a mais ou menos 2 horas de caminhada do topo. Por isso, traga toda a água que for precisar da cidade ou pegue em um riozinho no vale ainda na rodovia, pouco antes de entrar na subida final até a base. O ideal é levar pelo menos 3 litros. -> A trilha no começo da subida é pouco demarcada. Mas a maior parte do percurso é só no visual, é só tocar para cima pela crista e mais a frente, ela aparece e depois adentra a um trecho de estrada de terra, onde a grama foi aparada e a caminhada fica bem mais fácil. -> Não há local para deixar o carro no começo da trilha, nem tem como parar, pois ela começa em um trecho da rodovia. -> A distancia de Araçariguama até o inicio da trilha é de 6,5km. Deve-se subir até o mirante onde tem um avião da decada de 50 exposto lá no alto e depois seguir pela rodovia a direita, até chegar na base da Serra, que é visível a maior parte do tempo. -> Os horários dos ônibus de Itapevi para Araçariguama são bem ingratos. Tem apenas 8 horários por dia e um dos horários é 7:45 e o próximo só as 9:50. Os onibus partem do lado da Estação de Itapevi, em um local reservado para paradas somente de ônibus intermunicipais e com o logo da EMTU. Na dúvida, informe-se com moradores. -> A Subida da rodovia para o topo do Pico do Morro Negro leva em média 3 horas com mochila cargueira e em um ritmo médio. Ela passa pelo topo de um dos picos vistos lá embaixo. É uma subida exigente e não é uma trilha recomendada para iniciantes. -> No Topo há vários locais para barraca, mas a maioria são expostos aos ventos. Mas há um ponto que fica dentro de um pequeno vale e é uma boa opção para montar barracas.com um pouco de proteção dos ventos. -> Não há água durante toda a subida, no topo e nem próximo dele. -> Só há 2 pontos de água e ambos ficam na descida para a cidade. -> O primeiro ponto de agua da descida é impróprio para o consumo humano, pois é usado pelos cavalos e bois, tendo vários dejetos deles lá. Só vai ter água potavel entre 30 minutos a 1 hora de descida após passar por esse ponto. -> Encontrei muitos carrapatos nessa travessia. Leve um bom repelente e passe várias vezes ao dia, mesmo em locais onde você achar que não vão picar. Os carrapatos costumam andar pela roupa e buscam locais quentes e escondidos. -> Em Pirapora do Bom Jesus, há linhas de ônibus direto para a Estação de Barueri. Só não sei os horários, mas pode ser consultado no site da EMTU. -> Sinal de celular pega no topo e na maior parte dos trechos da crista. Principalmente o da VIVO. É isso.🙂
  8. Em 1999, percorri o Caminho Francês de Santiago, partindo de San Jean em direção à Santiago de Compostela. Já naquela ocasião, eu ouvia falar que existiam 4 rotas sagradas do Cristianismo na Idade Média, que seriam o Caminho de Santiago, Jerusalém, Roma, e um quarto Caminho que eu nunca descobri qual era, num tempo em que a internet estava engatinhando e o acesso à informação era mais batalhada. Em 2018, decidido a refazer a peregrinação à Santiago de Compostela, comecei a investigar a respeito do Caminho do Norte, o qual fiz partindo de Irun (quase França) e percorrendo o norte da Espanha, novamente rumo à Santiago. E nessa pesquisa descobri acerca do caminho que faltava. Trata-se do Caminho Lebaniego, uma rota de peregrinação que possui seus anos jubilares desde 1512, e que tem como destino o Monastério de Santo Toríbio de Liébana, onde está depositado a Lignun Crucis, que reza a lenda, trata-se da maior parte ainda conservada da Cruz de Cristo, a qual foi confeccionada com o braço esquerdo da cruz original, e hoje é uma cruz menor acondicionada em um relicário de Ouro, prata e cristal. Esse caminho está situado no Parque Nacional Picos de Europa. Um lugar belíssimo, com várias outras trilhas e atrações aos caminhantes em busca de locais bucólicos. Porém em geral são trechos que exigem um certo preparo, pois o relevo é muito acidentado (vindo daí a beleza do local). O Caminho Lebaniego está localizado na Cantábria e é apenas uma das quatro rotas para chegar em San Toríbio. O interessante é que essas rotas podem ser conjugadas com o Caminho de Santiado, pois elas unem o Caminho do Norte ao Caminho Francês. Assim, em uma única viagem é possível fazer as duas peregrinações juntas. Em certos trechos inclusive encontramos juntas as setas amarelas (Caminho de Santiago) com as setas vermelhas (Caminho Lebaniego). O Caminho Lebaiego em si, constitue-se de 72 km, que unem San Vicente de La Barquera a Santo Toríbio de Liébana, podendo ser percorrido entre 3 a 5 dias. Eu particularmente sugiro partir de Santander, que é a cidade onde retiramos a Credencial do Peregrino, elevando assim em mais 76 km a viagem. Para quem pretende fazer o Caminho do Norte de Santiago, o trecho entre Santander e Muñorrodero já faz parte do Caminho, apenas se separando aqui no sentido sudoeste, podendo depois retornar ao Norte, ou seguir até o Francês. O Caminho Lebaniego conta com uma estrutura para os peregrinos, de albergues e rede wi-fi (que ao menos estava disponível no último ano santo). E para os amantes da culinária regional, não deixem de provar a truta e o Cocido Lebaniego.
  9. Em julho de 2.019, realizamos bate/volta nos 3 Picos mais importantes da Serra Fina (Mina, Capim Amarelo, 3 estados) A NOVELA: PEDRA DA MINA Para muitos o bate/volta na Pedra da Mina é um dos trekkings mais difíceis de se fazer em um dia, devido a quantidade de subidas e descidas fortes, tem dois lugares complicado, até pelos nomes já dá para preocupar: o "Deus me livre" e o "Misericórdia". Sem contar os relatos de pessoas que se perderam e tiveram que ser resgatados pelo corpo de bombeiros.Diante disso, esse trekking me consumiu muito tempo e estudo (coisa que geralmente não faço). Apesar de se preparar adequadamente, ainda assim, se perdemos justamente no início da trilha. Faz parte da aventura. Farei um relato diferente, é muito difícil pessoal que se perdeu em determinado lugar, explicar o que aconteceu depois. Vou procurar descrever o máximo possível para outras pessoas não errem o início da trilha para o Pico da Mina. Apesar de ser bate/volta no mesmo dia, tivemos que levar muita roupa de frio (na semana no pn itatiaia pegamos -4°), muita água (3 litros cada) e comida para 2 dias (se perdemos na trilha teríamos mantimentos até o resgate), nossas mochilas ficaram com +-10 kgs. CAPÍTULO 1: PEDRA DA MINA - Conhecendo o caminho até a fazenda Serra Fina, início da trilha. 16° dia - 13.07.2019 - Sábado 1° dia - Saída de Santana do Capivari-Mg de carro, ida até a cidade de Passa Quatro comprar lanternas (1 se cabeça a $9,90 e 1 de mão $12), luva de moto $10, pilhas, comida para subida da Pedra da Mina. Fomos até o Paiolinho/fazenda Serra Fina conhecer o caminho e ver se tinha onde ficar, descobrimos a casa do Zé, dono dum restaurante antes do paiolinho.. Para não se perder durante a madrugada de carro, na subida entre Passa Quatro e a fazenda Serra Fina(na nossa previsão iríamos dormir em PASSA QUATRO, acordaríamos as 02:30 da manhã e subiríamos até o início da trilha de carro). Tiramos o sábado para ir de carro até lá para gravar bem esse roteiro, quando se faz bate/volta longo e difícil, como a PEDRA DA MINA, tem que começar bem cedo, pois pode acontecer de se perder(FOI O QUE ACONTECEU). Saímos do centro de Passa Quatro-Mg e chegamos no trevo da rodovia asfaltada, atravessamos e pegamos estrada que começa neste local, não pega a Br(tem um restaurante do lado esquerdo da estrada asfaltada que vai para a fazenda Serra Fina, essa estrada começa do lado direito desse restaurante). Dirigimos +- 1 km, asfalto com muitos buracos, chegamos numa bifurcação (tem uma placa informando que são 12 kms até o Paiolinho) viramos à esquerda e pegamos estrada de terra em boas condições, mas subida forte, depois de uns 6 kms pegamos um pequeno trecho com pedras médias(devagar, passa tranquilo), após uns 100 metros chegamos numa bifurcação (do lado esquerdo tem uma casa amarela com piscina) seguimos reto - 1125msmm OBS.: Já fizemos esse trecho à pé várias vezes, no caminho dos anjos(2 vezes), na Estrada Real (4 vezes) e no CRER (1 vez), até essa bifurcação não teríamos problema na madrugada. Logo depois da bifurcação tem um pequeno trecho com muitas pedras. Continuamos sempre subindo, alguns trechos com algumas pedras(tem algumas entradas de fazenda) e quebra mola. Após um tempo chegamos numa bifurcação(tem uma casinha branca em cima dum morrinho à esquerda), SEGUE À ESQUERDA (tem uma plaquinha branca no início desse trecho) - 1185msnm. Começa trecho de descida e logo à frente subidas fortes, chegamos num entrocamento(tem um grupo escolar do lado esquerdo) continuamos reto, logo a seguir chegamos numa bifurcação que tem uma árvore bem alta, seguimos reto (NÃO vire à esquerda) (depois de umas casas - bairro PAIOLINHO) - 13 Kms desde Passa Quatro-MG - 1305msnm . A subida ficou mais forte, tem um quebra mola (CUIDADO) tem duas entradas à esquerda, CONTINUE RETO, chegamos numa virada e logo a seguir uma PONTE COM VÃO NO CENTRO (CUIDADO), depois de poucos metros chegamos na fazenda Serra Fina (muitos carros estacionados). Dona Maria, de Segunda-feira a sexta fica o dia todo. No sábado ela fica até meio dia, sai e fica no Paiolinho +- 3km(casa branca com um pé de maracujá, em frente a escola) até domingo no final da noite. Estacionamento $20. Se por acaso chegar na fazenda e não tiver ninguém, deixe o carro no estacionamento e na volta paga para dona Maria, sem problema ok Esporadicamente pode armar barraca no estacionamento da fazenda Serra Fina (não cobra, mas não tem banho nem refeição). Obs.: acredito que se tiver chovido nos dias anteriores, dificilmente carro sem tração nas 4 rodas conseguem subir até lá. No restaurante do Zé, +-4kms antes da fazenda Serra Fina: Tem camping: $20 por pessoa por dia (refeição +-$25 por pessoa, frango caipira $60 só o frango inteiro) porções à parte). Arroz $9 Feijão $9 Salada $8 (alface tomate cebola) Linguiça $15 Boi $10 Truta $30 porção Porções servem 4 pessoas. Tem hospedagem(na casa do Zé e da mãe) a uns 500 metros antes do restaurante: Casa pequena: $80 casal Casa grande: $80 casal Por pessoa: $40 por dia Só o banho: $10 cada Cozinha completa sem microondas tem fogão à lenha. Zé: 35 99934-6593 sem whattsap O sinal da operadora vivo não é constante na casa do Zé. Do restaurante a fazenda Serra Fina são aproximadamente 4 kms Se for chegar à noite tem que pedir para deixar refeição pronta para quem ficar hospedado na casa(eles deixam a comida pronta e você esquenta quando chegar, tem fogão à gás na casa que alugam). Negociamos com o Zé e pernoitamos na casa dele, e já deixamos encomendada a comida para o outro dia, pois chegaríamos tarde na volta do pico da Mina. Preço: $80 o casal sem caféda manhã. Jantar $25 por pessoa.
  10. Travessia da Serra Fina Full – 3 dias Sabe aquela sensação de que “faltou algo”? Então... havíamos concluído uma grande travessia, que intitulamos de Travessia da Serra Fina Full, acrescendo à travessia tradicional o cume de todas as montanhas próximas. Subimos, de ataque, o Tartarugão, o Ruah Menor (ou Ruah Leste – conforme relato de um montanhista que nos precedeu ali), os Camelos 1, 2, 3 e 4, o São Joao Batista (ou do avião), o Cabeça de Touro...mas não ascendemos ao cume do Ruah Maior (ou Ruah Norte – conforme o relato desse mesmo montanhista precursor). Ou seja, faltara algo. Na incursão anterior, cogitamos entre o subir ou não aquela montanha pelo horário em que começaríamos a ascensão, pois sendo inverno e passando pouco das 15h, seríamos obrigados a descer a noite, com visibilidade quase zero pela neblina que ameaçava formar, por uma região desconhecida, sem trilha e com a temperatura abaixo de 0C. A prudência prevaleceu e não fomos. Terminamos a travessia, mas o não acumear do Ruah Maior nos ficou atravessado... então, quando o Douglas propôs no grupo, que retornássemos à SF e repetíssemos o feito, dessa vez, com o Ruah Maior, não lembramos do cansaço, da fome ou do frio... topamos na hora. A questão agora não era “se”, mas “quando”. Temporada de montanha findando, os compromissos profissionais de cada um conduziram para a única data viável para 2018 ainda: aproveitar o feriado do Dia da Independência, 7/9, que cairia numa sexta. Sairíamos de SP assim que possível, para iniciar a subida à noite e aproveitar o enregelante frescor noturno para caminharmos mais leves, poupando peso e pernas. Só que isso nos traria outro desafio: o feriado cairia na sexta, de forma que teríamos apenas 3 dias nas montanhas: sexta, sábado e domingo. Daríamos conta?!? Procuramos nos lembrar da caminhada anterior, das sobras de tempo, das dificuldades, do cansaço.... Acreditávamos que sim, mas sabíamos bem como subir montanha no papel, na fala, difere da realidade... o somar dos infindáveis passos, o perseverar, independente da falta de folego... balançávamos entre o tentar ou não, quando notamos que seria Lua Nova. Se na travessia anterior a Lua Cheia tudo iluminava, ao ponto de trilharmos com as lanternas apagadas nos trechos de crista... dessa vez teríamos o mar de estrelas por testemunhas do feito. Foi o que bastou para nos decidirmos. Já éramos conhecedores das incríveis fotos da via láctea a partir da PM, e sabíamos, também que as fotos não faziam jus a real beleza que veríamos. Ao grupo original (Douglas, Marinaldo, Rodrigo e Rogério) somaram-se alguns amigos que acreditávamos darem conta da empreitada: Leonardo, Adilson, Zagaia. Compromissos familiares, complicações de saúde prejudicaram a participação do Adilson e do Rodrigo. Sob recomendação do Zagaia, passamos a contar com a Areli, que apesar de nunca ter feito trilha de montanha aqui, tinha na bagagem larga experiência em ambientes frios e estava treinando para uma corrida de aventura de 300 km. Não nego que a qualificação do grupo me intimidava... todos em excelente forma física e eu apegado ao meu sedentarismo... ante os insistentes (e pertinentes) alertas do Marinaldo quanto ao esforço físico que nos esperava, deixei minha habitual inércia e me obriguei a duas semanas de academia, com frequência quase perfeita. A posteriori, posso dizer que foi isso que evitou um constrangedor pedido de resgate, por total exaustão física. Nos encontramos nas catracas do metro Barra Funda às 15h, demos cabo do primeiro desafio dessa jornada, acomodando 5 cargueiras, uma dama e 4 marmanjos num (modelo do carro?) e partimos para Passa Quatro. Na estrada, o Leo nos informou de que o conserto da Kombi ainda se arrastava. Procuramos otimizar os tempos previstos e concluímos que iniciar a trilha após as 23h colocaria em risco o êxito do primeiro dia. Então, se o Léo não conseguisse estar em Passa Quatro a tempo de partirmos para a Toca do Lobo até as 22h30, partiríamos sem ele; com a possibilidade dele nos alcançar pelo Paiolinho e seguirmos juntos. Com o avançar das horas, ficou claro que o Léo não poderia nos acompanhar, pelo menos nesse primeiro momento, de forma que acordamos com a Patrícia (que faria nosso resgate) que iríamos direto para a casa dela e partiríamos assim que possível. Primeiro dia A Patrícia nos deixou perto da Toca do Lobo, pouco antes das 23h e, rapidamente, nos equipamos e nos colocamos a caminhar. Mochilas leves, a maioria com um litro de agua apenas, em pouco tempo chegamos à Toca do Lobo onde fizemos a primeira foto, ajustamos as cargueiras e iniciamos a travessia, pouco após as 23h. Subimos a passo as encostas que nos levariam ao Cruzeiro e, ao pé do Quartzito fiz o primeiro reabastecimento de água, completando meu inventário para 1 litro. Enquanto eu buscava água (e tirava minha primeira foto dessa travessia, uma “flor de maio”, avistada ainda em botão na travessia da SF com meu filho, há pouco mais de um mês, se mostrava agora perdendo o viço em consonância com o findar da temporada). Os amigos aguardavam, lanchando e curtindo o visual na brisa gélida da crista e assim que retornei, recomeçamos a ascensão. Em pouco tempo, caminhávamos pelo encantador Passo dos Anjos, onde a SF revela a origem do seu nome...mesmo sob as luzes da lanternas, não deixa de impressionar como a crista se estreita naquela parte...aproveitávamos os trechos de ascensão mais suave para retomar o folego, já que nossa intenção era prosseguir sem paradas até o alto do Capim Amarelo. Subíamos pouco ansiosos, confiantes do planejamento e validando a estratégia de caminhar à noite e minimizar o peso nas cargueiras. Encontramos um pedaço de bastão de caminhada e passamos a levá-lo conosco, certos que em pouco tempo encontraríamos seu dono. De fato, não tardou, e num dos pontos de acampamento dos falsos cumes do CA, encontramos dois colegas montanhistas acampados há pouco, ainda com chocolate quente nas panelas... restituímos a parte perdida, conversamos um pouco, tomamos uns goles de chocolate quente e retornamos a caminhada. Pouco depois das 2h alcançamos o cume do CA. Fizemos uma breve parada, substituímos o livro de cume, que já não apresentava espaços em branco e após a devida preparação do livro, identificando o nome do cume, sua localização, data, responsáveis pela guarda, etc, registramos a composição do grupo, objetivo e horário de partida, descansamos alguns minutos, procurando não perturbar muito aos montanhistas acampados ali e retomamos a caminhada, buscando assegurar a descida do CA pela trilha correta, bem à esquerda. Sem grandes dificuldades, descemos o CA, notando ao passar pelo Maracanã que havia pelo menos mais sete barracas armadas.... de fato, o último feriado dessa temporada prometia que a SF estaria lotada de caminhantes... não nos afetava, já que estaríamos quase que todo o tempo fora da trilha mais batida. Havia uma remota possibilidade de termos algum contratempo com a lotação da serra, no acampamento do primeiro dia, no Vale do Ruah. Para essa eventualidade, cogitávamos acampar aos pés do Ruah Leste, o que exigiria atravessar o capim à noite. No Maracanã, nos abastecemos com o suficiente para a caminhada até o Rio claro, na base da Pedra da Mina. Flor na encosta do Quartzito Foto: Rogério Alexandre Cristais de gelo Melano: Foto: Rogério Alexandre De forma geral, partimos com pelo menos dois litros, sabedores que, com o nascer do Sol, o consumo de água aumentaria. Com poucas paradas, em breve estávamos começando a longa ascensão do Melano, um dos desafios propostos quanto à regularidade da caminhada, já que queríamos apreciar a alvorada em sua crista, de forma a permitir registrarmos o nascer do sol com a lua minguante ainda visível no céu. Caminhávamos compenetrados, procurando aproveitar os trechos planos para trocarmos ideias e retomarmos o folego. Talvez pela adrenalina do desafio, a caminhada transcorreu rápida e alcançamos a crista do Melano perto das 5h30, passando sobre diversas poças de agua congeladas nas encostas. Fizemos uma parada para um rápido lanche e retomamos a caminhada, agora em passo mais tranquilo, apreciando o dia que nascia. Nascer do Sol e Lua Minguante visto na crista do Melano. Silhueta da PM contra o sol nascente. Fotos: Douglas Garcia Tocamos em frente pelo sobe e desce da crista do Melano, ganhando altitude devagar, na diferença entre as subidas e descidas infindáveis desse trecho. Aproveitávamos para apresentar para a Areli, as montanhas que havíamos passado desde o início da caminhada, as montanhas que subiríamos antes de acamparmos, nominá-las, fazer comentários e contar causos de pernadas anteriores por aquelas plagas. Isso nos distraia, e, quase sem perceber, alcançamos a base da cachoeira vermelha, às 8h. Preparamos as mochilas de ataque com material para emergência, lanches e água, guardamos as cargueiras nas moitas, atravessamos a cachoeira vermelha, buscando a trilha que começa bem próxima da sua queda. Fomos ganhando altitude aos poucos, pelo ombro do Tartaruguinha, quase que sem nenhum vara-mato e em pouco tempo estávamos aos pés do Tartarugão. Seguimos a mesma técnica da vez anterior, avançando meio que em paralelo, para minimizar a possibilidade de um acidente com as pedras soltas, que são abundantes nessa face da montanha Com as inevitáveis paradas para descansar, levamos cerca de meia hora para alcançar o cume da primeira montanha fora-da-rota da travessia planejada. Fizemos uma pausa, contemplando a paisagem, retomando o folego e lanchado. Verificamos que haviam poucos registros no livro de cume, uma incursão de um colega de montanha, desbravador de ambos os Ruah Norte e Leste. Registramos os nomes do grupo, algumas impressões da caminhada e das nossas intenções, horário de partida e destino, acrescemos dois saches de mel no kit perrengue deixado antes, guardamos tudo no tubo de cume e partimos para explorar parte dos ombros do Tartarugão, avaliando possíveis alternativas para uma travessia a partir da face sul da PM, subindo a partir do Vale do Paraíba. Essa avaliação acabou por consumir um tempo precioso pois descemos o Tartarugão em direção a PM e na face sudeste bem à direita de quem está de frente para a PM encontramos um ponto de agua corrente, onde nos hidratamos. Por outro lado, essa investigação nos causou considerável transtorno para retornar, pois os trechos de lajes na base são intercalados com trechos de vegetação o que exigia varar o mato, com considerável dispêndio de energia e tempo. Procurando manter a altitude, fomos costeando as encostas do Tartarugão e do Tartaruguinha, buscando a direção da Cachoeira Vermelha, onde chegamos às 12h. Pedra da Mina vistas do Tartarugão. Foto: Marinaldo Bruno Contemplando o Vale do Rio Claro. Foto: Douglas Garcia Retomamos as mochilas e seguimos para a PM, passando pelo Rio Claro, onde nos hidratamos e coletamos água apenas para a subida da pedra, uma vez que acampando no Ruah, teríamos fartura de água. Apreciando o visual, fomos ganhando altitude e, perto das 13h estávamos a 2978m, no cume da PM. Encontramos o Rafael preparando o acampamento para um grupo que o Cainã, ambos guias na SF e amigos de outras caminhadas, que fizeram a gentileza de cuidar das nossas cargueiras enquanto descíamos em direção ao acampamento da base da PM, no sentido do Paiolinho, por onde atacaríamos o Ruah Norte. Sabe aquela história de barraca voando? Então, por pouco não conseguem alcançar uma delas a tempo, rs... Do acampamento base, fizemos uso do tradicional trepa-pedra para descermos a encosta da área de acampamento na base da PM em direção ao Ruah, na sua extremidade NO. Atravessando o vale pelas lajes de pedra, cruzamos com um pequeno curso de água, avaliamos a direção pela qual faríamos o vara-mato da subida e tocamos para cima, com o Douglas abrindo a passagem e os demais procurando facilitar a volta, quase consolidando uma trilha... mas a verdade é que a passagem de 5 pessoas por ali, sem outros que a repitam, talvez não seja perceptível na próxima temporada. Sob sucessivos alertas de “caminho errado” e “voltem” dos companheiros de montanha que chegavam na PM via Paiolinho, com pouco mais de 40 minutos de vara mato, para total deleite da Areli, alcançamos o cume. Sob congratulações mútuas, entre respirações ofegantes, apreciamos por uns minutos o visual que se descortinava... ângulos incomuns da travessia, detalhes de ambas as faces da PM e das montanhas ao redor enchiam nossos olhos. O sentimento de respeito, ante a enormidade do que propúnhamos fazer, grassava em nosso peito, dividindo espaço com a sensação de superação e ineditismo. Verificamos no livro de cume, colocado pelo Douglas pouco mais de um mês antes, a ausência de outros registros, acrescemos ao “kit perrengue” um cobertor de emergência e dois saches de mel. Tomamos o último lanche do dia, descansamos um pouco e lembrando que ainda precisaríamos de duas horas para estarmos com o acampamento montado, iniciamos a descida do Ruah Norte procurando refazer o caminho trilhado na subida. Pegamos um pouco de água no pequeno curso que escorre na passagem e voltamos sob os nossos passos até a parede quase vertical do acampamento base. Usando a já consolidada estratégia de ataque em rotas paralelas fomos tocando para cima até atingir a área de acampamento na base da PM, onde nos reagrupamos antes de subir a PM, na rota tradicional de quem chega pelo Paiolinho. Havíamos cogitado descer a PM com as cargueiras, para depois cortar pela trilha que ouvimos existir na encosta da PM, ligando a área do acampamento base com o Ruah, mas abandonamos essa ideia pela segura, ainda que mais cansativa, opção de descer e subir a PM de ataque, pelo caminho já conhecido. Subimos em passos largos, recuperamos as mochilas e seguimos para o vale do Ruah, onde acamparíamos. Iniciamos a segunda descida da PM com o sol buscando o horizonte, e pouco antes do anoitecer, estávamos com as barracas prontas para a noite. Como cuidados adicionais, ante a afamada geladeira que o Ruah se transforma à noite, colhemos porções de palha para colocarmos sob as barracas, dando preferência para as folhas mais secas, que por conterem menos água são mais eficazes como isolamento térmico. Cedi meu cobertor de emergência ao Marinaldo, que, apesar da minha insistência não aceitou ficar com o saco de bivaque de emergência. Fizemos a primeira refeição quente, conforme o cardápio que escolhemos e que nos foi fornecido, abaixo do preço de custo, pela Livre Adventure Tour. Agradecemos muito pelo apoio, todas as refeições juntas não somavam 2 kg, o que contribui significativamente na redução de peso das cargueiras. Optei pelo espaguete com frango e legumes, porção individual, e que pelas menos de 85g de peso que faziam na mochila constituiu uma excelente refeição, após hidratado com os 240g de água quente recomendados. O processo de liofilização, preserva muito da textura dos alimentos, assim como do sabor e do seu valor nutricional. É sempre recomendável, para quem inicia no uso desse tipo de alimento, planejar com alguma folga, para verificar como se adapta aos tamanhos das porções, principalmente naquelas que servem duas porções. Cansados pela pernada do dia, alteramos os planos de vermos o sol nascer no cume do Ruah Leste, optando por estendermos um pouco o repouso e nos recuperarmos para o segundo dia, que prometia ser tão exaustivo quanto o que se findava. A temperatura caiu rapidamente, meu relógio marcando 8C pouco mais de uma hora após o pôr do sol, e todos se recolheram às barracas, não saindo para nada, após o jantar. Ante a previsão de 2C para a PM, esperava dormir bem tranquilo com o que levava de equipamento: saco de dormir para -4C, meias de trekking, segunda pele leve para as pernas e duas mais fortes para o tronco, luvas e gorro. Por praticidade e cansaço adormeci com ambas as segundas-peles, luvas e gorro... imaginava que acabaria por acordar de madrugada com calor, mas aí já teria recuperado um pouco das forças... e estava tão agradável daquele jeito, usando quase toda roupa que tinha disponível... dois isolantes, um de espuma e outro inflável acresciam conforto e luxo ao necessário. A camada de palha sob a barraca fazia as vezes de colchão e mesmo fora dos isolantes, o contato com o piso da barraca era agradável. Segundo dia Realmente dormi muito bem, acordando apenas às 5:00 como de hábito, quando na montanha ou muito ansioso com algo. As surpresas começaram ao constatar a condensação congelada dentro da barraca, por sobre minha cabeça... pequenas estalactites de gelo pendiam do teto da barraca... curioso, fui verificar a temperatura em meu relógio, que apontava -6C. Isso dentro da barraca... lá fora estaria ainda mais frio! Fiquei no saco de dormir, curtindo o ineditismo do Ruah... Pouco depois, ouvia-se o alarido normal de quando se desmonta acampamento, ainda às escuras e um pessoal acampado próximo de nos informou que o termômetro levado por eles havia marcado -9,6C às 23h e outro pessoal falar em -11,7C. Meus dedos do pé doíam de frio e, vencendo a preguiça com algum receio, saí do saco de dormir para verificar o estado em que eles se encontravam. As pontas dos dedos estavam muito avermelhadas, e temi que estivessem queimados de frio... fiz uma massagem vigorosa em ambos os pês e mesmo a cor não normalizando, senti-me um pouco melhor. Como não sairíamos em seguida e não curto ficar à toa na cama, vesti calca, calcei botas, coloquei o saco de dormir dentro de um estanque e sai da barraca para caminhar e ver o sol terminar de nascer. A esperança de que, caminhando os dedos parassem de gritar de frio não se concretizou, mas a beleza do sol nascendo entre o Ruah Leste e a PM compensava o desconforto. Pouco depois, o sol incidia sobre a encosta da PM e, após despir a segunda pele das pernas, peguei a mochila de ataque, preparada na véspera e avisei aos amigos que iria esperá-los tomando um pouco de sol. Subi um pouco e fiquei admirando o vale do Ruah, branco pelo gelo que cobria o capim ainda que as moitas superassem a altura de um homem. No ano anterior, em minha primeira travessia ele estava ainda mais branco, com o gelo no capim subindo as encostas. Talvez seja isso que encante tanto na natureza, nas montanhas... tudo está lá, nada mudou... mesmo assim, a experiência sempre é inédita, a vista sempre é outra. A viagem não é apenas pelo exterior, mas trilha-se para dentro também... para a alma. Agrupamos e partimos, às 6h30 para o ataque ao Ruah Leste, que com 2640m de altitude faz o limite leste do Vale do Ruah e fica à direita de quem, na travessia caminha em busca do Cupim de Boi. As mochilas de ataque continham além dos kits de perrengue, de primeiros socorros, água e lanches, os materiais que usaríamos nos livros de cume que iríamos passar antes de retornar ao acampamento: o próprio Ruah Leste, os Camelos 1, 2, 3 e 4, o do Avião e o São João Batista. Alcançamos o primeiro cume do dia às 8h10, fizemos uma parada para café da manhã com as frutas liofilizadas, chocolates, queijos e guloseimas trazidas, curtindo os diferentes ângulos das montanhas da Serra Fina. Verificamos não haver registros no livro de cume desde nossa incursão anterior, apontando que, mesmo tão próximo a concorridíssima trilha da travessia, ainda há montanhas tranquilas, bastando ter a disposição de ousar um pouco mais e fugir do convencional. Acrescemos alguns itens (mel e cobertor de emergência) ao tubo de cume, considerando que possam ser de grande valia para algum colega num eventual perrengue explorando os arredores da trilha tradicional. Pouco depois, 8h20 iniciamos a descida em direção ao Ruah, onde um vara-mato nos aguardava, mirando alguma laje que abreviasse o sofrimento. Pouco antes das 9h, passamos pela lata de sardinha deixada por algum excursionista pioneiro, dessa vez não confabulamos entre leva-la ou não... o estado de corrosão apontava algo muito antigo e estando colocada sobre uma parte mais elevada da laje, ela claramente tinha a intenção de marcar um ponto de passagem, e na caminhada anterior já havíamos deliberado mantê-la ali, pelo menos enquanto seus restos fossem reconhecíveis. Curiosos com a história que havia ali, condensada naquelas poucas gramas de folha de flandres, subimos buscando o colo entre o Pico do Avião e o primeiro dos camelos. A partir dali, viramos em direção norte e tocamos para cima, chegando aos 2550m de altitude do cume em pouco mais de 30 minutos de caminhada. Mantendo a mesma direção, descemos em direção ao colo entre os Camelos 1 e 2, atravessamos com cautela pela maior exposição do trecho e tocamos para o cume do Camelo 2, quase tão alto quanto o anterior. A diferença de altitude entre os dois não ultrapassa 20 m. Nesse cume, havíamos deixado, na incursão anterior um tubo de cume, cujo o único registro era o da nossa passagem, na travessia full anterior. Da esquerda para a direita: Três Estados, Cupim de Boi e Cabeça de Touro, vistos a partir do Camelos 2. Foto: Douglas Garcia Ali registramos nossa passagem, acrescemos o mel ao material de emergência deixado anteriormente, retomamos um pouco o folego e partimos para o Camelos 3, alcançando às 10h15 os 2480m de altitude do seu cume. Para o Camelos 4, o caminho começa pela lateral direita descendo a encosta íngreme e seguindo o vara-mato desbravado na passagem anterior, à esquerda. Apesar de já haver palmilhado a passagem, ainda havia o receio de buracos e fendas e, paradoxalmente, exatamente no momento em que eu alertava a Areli e o Zagaia da possibilidade de haver buracos escondidos na vegetação e da necessidade de cautela, encontrei um deles e sumi, diante dos olhos dos dois, quase como em um passe de mágica... enquanto caía, esperava que a vegetação me freasse a queda, como isso não aconteceu, tratei de agarrar o que tinha à mão, e, às custas de dois cortes maiores nas luvas (de couro, grossas) que não se aprofundaram muito nas mãos, freei minha descida e me vi de ponta cabeça a uns 4 m abaixo dos pês do pessoal. Gritei informando estar tudo bem, e procurei me firmar antes de escalar a encosta, usando a vegetação como apoio. Nesse momento meu receio era que os tufos de capim e os poucos bambus que me via aqui e ali, não suportassem mais peso que apenas o meu e cedessem, caso alguém buscasse me ajudar ou caísse também. Refeitos do choque do susto, retomamos a caminhada com mais cuidado, uma vez que os trechos seguintes são de exposição bem maior e uma errada como a de poucos minutos antes, quase certo de que teria consequências graves. Passamos pelas partes de exposição com bastante zelo, procurando não dedicar mais que um olhar de relance à paisagem por mais espetacular que fosse. Da mesma forma que na vez anterior subimos pela direita de forma a evitar ter que dar um “salto de fé” para cima. Com maior cautela, alcançamos o totem que erguemos na vez anterior, às 11h20, fizemos uma parada maior, registramos a passagem pelo livro de cume, aproveitando para revestir duas pedras maiores com parte de um cobertor de emergência danificado. Acrescentamos os saches de mel ao material de emergência, descansamos um bocado e partimos explorar os arredores... a crista dos camelos tem um quinto cume, cerca de 30 metros inferior em altitude ao Camelo 4. Aproveitamos bem o tempo observando o PNI, o Cupim de Boi, o Três Estados e curtindo a pausa maior, fizemos um lanche mais substancial apreciando o que havíamos caminhado e o que ainda o faríamos antes de dar o dia por encerrado. CT visto do 5 Camelo. Foto: Marinaldo Bruno Retornando dos Camelos “Toca para cima”. Foto: Douglas Discutimos as alternativas para acampamento entre a base do CT e o bosque na descida do Cupim de Boi. A expectava de descer a encosta do Cupim, à noite e com cargueiras era um pouco apreensiva e concordamos, que se, encontrássemos um lugar, por pequeno e ruim que fosse, acamparíamos no bambuzal e partiríamos de madrugada para ver o sol nascer instalados no alto do CT. Aproveitamos o horário pouco avançado e esticamos até o próximo cume da crista, que seria o “Camelos 5” e curtimos um pouco o visual da SF a partir dali, com vistas inéditas para nós. Iniciamos o retorno com o sol brilhando forte, o que consumia nossas reservas de água, e eu aproveitei todos os filetes de água que encontramos para me hidratar, por fraco que fosse o correr de água, em quase todos consegui uns goles. Já na subida do Morro do Avião, encontramos uma poça maior, onde eu, a Areli e o Zagaia nos fartamos de beber. Continuamos a subir, buscando o cume do pico do Avião, alcançado pouco antes das 14h. Estávamos dentro do planejado, então fomos até os destroços do avião monomotor na encosta antes de retornamos ao acampamento e arrumarmos as cargueiras para o restante da pernada do dia. Seria o trecho que faríamos com o inventário de água totalmente ocupado, pois não teríamos agua até o final da tarde do dia seguinte. Com as cargueiras arrumadas, partimos para nos abastecer de água na cachoeira que o Rio Verde faz, na parte em que o vale se estreita entre o Ruah Norte e Ruah Leste. Procuramos nos hidratar bastante considerando a previsão de mais um dia sem nuvens, sem disponibilidade de termos acesso a outro ponto de água antes das 17h, já na saída da trilha. Ficamos quase meia hora na pequena queda, alguns de nós aproveitando para tomar um rápido banho nas frescas águas. Eu, levando em conta que o sol já ameaçava deixar o vale, optei por postergar mais uma vez meu banho naquelas águas. Nesse ponto, nos abastecemos de toda água possível nas mochilas e no corpo, buscando a melhor condição para a pernada final. Caprichamos nos ajustes das cargueiras, que agora fariam valer sua capacidade de transferir a maior parte do esforço para os quadris. Com 4l de água, minha mochila pesava pouco mais de 14kg, e, com os benefícios da observação à posteriori, devo dizer que 4l eram “pouco”. Imaginava terminar o último dia com água contada, carregando o mínimo de peso e administrando o consumo. Houve quem pegasse 6l e nenhum de nós imaginava esbanjar o precioso líquido. Com os últimos raios de sol se perdendo atrás da PM, deixamos o Ruah para a derradeira caminhada do dia, com destino ao bosque de bambus à direita do Cupim de Boi. Com as mochilas em seu peso máximo dessa travessia, caminhávamos de forma tranquila, procurando preservar o fôlego e as forças para o dia seguinte. Pouco antes das 21h estávamos no bosque, com as barracas montadas, nos preparando para dormir algumas horas, já que o planejado era partirmos antes das 4h para acompanharmos o nascer do sol a partir do cume do CT. Tranquilizamos o pessoal de outro grupo que já estava ali, e que havia se dividido ao longo do dia. Parte dos montanhistas desse grupo tinha chegado ao ponto em que acampamos na véspera, no Ruah, aos pés da PM e ficara no aguardo de alguns retardatários. Estimamos que eles tardariam no máximo duas horas, porém, com o cansaço e a progressão à noite pouco confortável, eles optaram por armar acampamento antes do Cupim, numa área de acampamento alternativa. A expectativa de um visual inédito nos inebriava, e com o cansaço do segundo dia apoiando, rapidamente adormecemos. Decidi não cozinhar e poupar água para o dia seguinte, decisão que se mostraria bastante oportuna. Apesar de não estar com fome, já que passara o dia com diversos petiscos, me obriguei a comer pelo menos uma barrinha de cereais; ou melhor, tentei me obrigar... o sono e o cansaço venceram e adormeci com a barrinha na mão... rs... a noite foi muito agradável e dormi direto, sem interrupções, depois que desisti de utilizar o isolante inflável... o saco de dormir teimava em escorregar de sobre ele, mesmo ante a suave inclinação em que minha barraca fora montada. Felizmente, era uma questão de luxo, de forma que apenas coloquei o isolante inflável de lado e adormeci sobre o bom e velho isolante “casca de ovo”. Terceiro dia Confirmando a fama de ser um dos melhores lugares para pernoite na travessia, a temperatura amena no bosque e o abrigado do vento, possibilitaram uma noite de sono espetacular. Acordei 3h30, revisei a arrumação da mochila de ataque feita na véspera e sai da barraca para esticar as pernas enquanto os amigos faziam os últimos preparativos. Por mais que procurasse, não consegui encontrar o estojo com os óculos, e como não queria colocar a lente de contato ainda, para dar um período maior de descanso para as pupilas, coloquei o estojo de lentes na mochila de ataque, junto com soro e um pequeno espelho de sinalização, revisei a mochila, verificando se os itens críticos estavam lá e me preparei para iniciar a caminhada. Partimos no horário previsto, subindo rapidamente o Cupim e virando à esquerda, para alcançar seu cume e voltar a descê-lo, agora agarrando nas pedras e na vegetação. A descida naquele trecho é bastante íngreme, e após alguns minutos tensos, alcançamos a grande rocha que serve de totem natural para os que atravessam o colo entre as duas montanhas. Não deixamos de notar o quanto o caminho estava batido, pela passagem de sucessivos montanhistas. A montanha do começo do ano, nesse aspecto diferia demais daquela que alcançávamos de forma tão desimpedida. Na minha primeira incursão naquela montanha, ainda no início da temporada de montanhas de 2018, foi necessário dispender um tempo considerável para avaliar por onde passaríamos equais pontos de referência teríamos ao estar no colo e depois varando o mato que apresentava, apenas aqui e ali, marcas de já ter sido desbravado anteriormente. Eu caminhava em passo mais lento que os demais, já que a minha visão era bastante limitada. Quando o Zagaia comentou ter visto água próximo à trilha, lembrei-me de que, no vara-mato do começo do ano, eu havia visto uma pequena lagoa, à esquerda da trilha. Com a trilha mais aberta, avançamos mais rápido do que havíamos planejado, e seguindo a velha estratégia de ataques paralelos, visando minimizar o risco de uma pedrada amiga, alcançamos o cume 6h30, a tempo de ver o nascer do sol na direção do Agulhas Negras. Fizemos uma pausa para um lanche à guisa de café da manhã. Aproveitei a parada mais longa para colocar, sem pressa, a lente de contato... com 5,25º de miopia, garanto que os contornos das montanhas mudam sensivelmente. Um arrepio me passou pela espinha, lembrando da descida do Cupim, tateando cada passo no que o colega da frente fazia, quase que às cegas. Curtimos bastante o cume, exploramos rapidamente duas de suas cristas, passando pelos destroços do bimotor e instalamos um novo tubo de cume num pico mais afastado à 2580m de altitude, após os destroços do avião. Junto com esse livro de cume, colocamos um kit perrengue minimalista, haja vista que ali não se pode contar com a chegada providencial de outro montanhista para lhe “safar a onça”. Nascer do sol a partir do Cabeça de Touro Sombra do CT na Pedra da Mina Fotos: Marinaldo Bruno Após estudar brevemente com o Marinaldo, a crista sudeste do CT, eu e o Douglas encontramos com o Zagaia e Areli que retornavam para o cume vindo da parte onde estão os destroços do avião. Combinamos de iniciar a descida do CT no mais tardar às 8h e nos apressamos com a instalação do tubo complementar, buscando iniciar a descida com o restante do grupo ou pouco atrás. Com o cansaço da subida, parte do grupo iniciou a descida pouco antes de nós, porém como desciam mais devagar nos aproximamos deles rapidamente. Novamente, utilizamos a estratégia de descer em linhas paralelas, cuidando para que alguma rocha eventualmente deslocada não atingisse ninguém abaixo. Com isso, em pouco tempo estávamos à margem do colo entre o Cupim de Boi e o Cabeça de Touro. Marinaldo, Areli e Zagaia, já estavam no colo, buscando a lagoa vista a partir da trilha de ida. A questão é que não encontraram o caminho da ida e estavam varando mato, na busca das referências: peladona e peladinha. Confiando na impressão e no que lembrava da ida, esquecendo que a fizera quase que às cegas, busquei a trilha que havíamos passado pouco antes com a intenção de coletar um pouco de água na lagoa que existe ali. Com a informação de que o pessoal que havia descido antes não estava voltando por ela, supus que a trilha estaria mais para a esquerda e fui no vara-mato buscando interceptar a trilha. Acontece que, por causa da pouca visão na ida ou não, a trilha estava à minha direita. Quase que certamente a trilha estava ali, entre a minha posição e a posição dos 3 (Marinaldo, Areli e Zagaia). Como segui à direita, conforme varava o mato, me afastava cada vez mais da trilha correta e o vara-mato ficava cada vez pior. Sem perceber eu descia, por entre as moitas de capim que, superavam os três metros de altura. Em pouco tempo, do chão eu não conseguia mais nenhuma referência visual, e apesar de estar com GPS ainda queria fazer a navegação visual. Para conseguir ver por sobre o capim e me orientar, escolhi duas moitas próximas e tratei de “escalar” elas até ter um panorama do entorno. Do alto das moitas, tudo que eu via era capim, o CT e o Cupim, de forma que ajustei o rumo para a encosta do Cupim, pois sabia que costeando a base havia grandes lajes de pedra que fariam o avançar menos custoso. Gritei “oi” buscando que a resposta indicasse a posição dos outros e não logrei escutar nenhuma resposta... apesar de saber que estavam lá, foi muito inquietante... Procurei avançar por cima das moitas, e por certo tempo se desenhou como solução ... Posso dizer que “nadei” no capim, ali... pois apesar de todo o esforço parecia que eu não avançava “nada”.... encontrei uma rocha que se destacava no mar de capim e tentei galgá-la num pulo, mas o capim sobre o qual eu me equilibrava cedeu quando dei impulso, me fazendo errar o pulo e acertar a borda da pedra com a canela esquerda... a dor excruciante me fez crer que havia me machucado, mas naquele momento, eu só queria saber de sair dali... dei a volta na pedra, por sob o capim e encontrei um lado que me permitiu galgá-la com êxito. De sobre ela, gritei novamente o “oi” e ouvi a resposta do Douglas perguntando onde eu estava, levantei os bastões e escutei um “estou vendo” muito alvissareiro. Pedi que levantasse as mãos, já que ele não estava com bastões e vi um movimento no capim ... acertamos de irmos um em direção ao outro para depois retornamos pelo caminho que ele abria em minha direção...ainda que o vara-mato ali não fosse tão ruim quanto o que eu havia passado pouco antes, o avanço era muito moroso. Para efeito de comparação, no caminho que percorri através do capim consumi 32 minutos enquanto na ida, atravessamos o mesmo colo em 8 minutos. Estar na trilha, só com o tradicional e cansativo “toca pra cima” da íngreme subida do Cupim de Boi, foi um grande alivio, rs... Com calma e fôlego, parando algumas vezes para que o Douglas apreciasse as Amarilis que cresciam em um jardim escondido,, numa quantidade que ainda não havíamos visto pela SF. Numa das pausas para recuperar o folego, ele comentou que elas seriam o tema provável de seu trabalho de conclusão de curso... identificar habitat, mecanismos de dispersão, a exigência do frio intenso para quebrar a dormência da gema, etc. Achei muito legal, e continuamos a debater o que poderia ser estudado, eu sempre procurando que fosse algo de cunho prático, talvez alguma aplicação fitoterápica. Chegamos ao acampamento no bosque às 10h e rapidamente começamos a arrumar nossas cargueiras para a última pernada do dia. Uma vez que eu, para poupar água e por falta de apetite, não utilizara minha segunda refeição liofilizada, a cedi para o Zagaia e para Areli. Partimos para a última pernada da travessia, às 11h, com o sol rachando tudo e a todos. Alcançamos o cume do Três Estados pouco antes das 12h30, ficamos cerca de 10 minutos recuperando o folego e descansando na deliciosa sombra dos arbustos que insistem em sobreviver ali, apesar de todos os maus tratos que montanhistas menos afeitos à política de minimizar o impacto na natureza lhes impõem. Aproveitei para fazer uma cata dos lixos escondidos em algumas moitas de capim, à exemplo do que encontrara quando ali estive, atravessando a SF com meu filho, pouco mais de um mês antes. Sem muito procurar, acresci à minha bagagem, uma lata de sardinha, uma embalagem de macarrão instantâneo e outras duas de barrinha de cereais. Antes de partir, registramos a passagem no livro de cume, batemos um pouco de papo com um colega de montanha que chegara pouco depois e que iria esperar o resto do grupo em que estava. O sol não dava trégua e como a descida do Três Estados é toda à descoberto, desci procurando poupar a agua, respondendo com monossílabos e procurando manter a respiração controlada. Levamos pouco mais de uma hora para atingir o cume do Bandeirante.... ainda que progredíssemos bem, o sol abrasador fazia parecer que levávamos várias horas ao invés de minutos entre cada cume. No meu caso, a sede era uma presença constante, dominada com curtos goles de água a cada parada para recuperar o folego ou apreciar a paisagem. No Alto dos Ivos, fizemos nova parada e contatamos a Patrícia para programar nosso resgate. Consideramos que levaríamos cerca de 4 horas, a partir dali, para alcançarmos a estrada, colocamos uma margem de segurança de cerca de meia hora, de forma a permitir que andássemos sem pressa e agendamos o resgate para as 19h. Nesse momento eu tinha pouco mais de 1l de água. As poucas nuvens que surgiam no horizonte não bastavam para nos proteger do sol. Decidi que consumiria toda (ou quase) toda a minha agua no trecho mais exposto ao sol, deixando uma eventual sede para o trecho de trilha que percorre a floresta. Dessa forma, considerei levar três horas até o próximo ponto de água, imponto como meta, tomar 300 ml por hora, 5ml por minuto ou 75 ml a cada 15 minutos. Como resultado, o tempo não passava, mas a sede ficou bem administrada, permitindo chegar próximo do ponto de água com cerca de 300 ml que, já sob o abrigo das árvores, tomei em generosos goles. Eu e o Marinaldo seguíamos um pouco à frente, chegando no ponto de água com alguma vantagem em relação aos amigos e, após esperar o grupo que nos precedia se reabastecer, preparamos uma limonada que caiu perfeita: doce e gelada. Dali, segui em frente com a Areli, enquanto os outros procuravam se recuperar e matar a sede com a escassa vazão de água que se apresentava. Fomos perdendo altitude de forma lenta e contínua pela estradinha até o Sitio do Pierre e depois até a estrada, onde chegamos 18h30. Aproveitamos o embalo e subimos um pouco pela estada para tomar sorvete caseiro. Cada um escolheu a parte do gramado que mais lhe agradava e procurou relaxar enquanto esperávamos o resgate, rememorando a caminhada, as paisagens, petiscando o delicioso biscoito de polvilho, avaliando os estragos nos pés e as dores nas pernas. A Travessia da Serra Fina Full, foi a concretização de um sonho antigo... inserir livros e caixas de cumes em alguns dos principais cumes no entorno da PM.... onde, após várias tentativas, mapeando e explorando, avançando a partir dos relatos dos montanhistas percursores, conseguimos realizar. Nesse processo cumulativo de aprendizado e desenvolvimento, percebemos o quanto alguns trechos demandam maior cuidado, até por estarem longe de tudo e de todos, sem sinal de celular ou a passagem ocasional de outro montanhista por diversos dias. Na esperança de apoiar algum irmão de montanha que se veja numa fria nessas partes da SF, tomamos a iniciativa de acrescer aos livros de cume, um material básico para “safar a onça”. Se você que lê essas linhas, precisar utilizar esse material, pedimos que nos avise para que possamos planejar a reposição. Claro que, pelas dificuldades logísticas, consideramos o uso “kits perrengue” na necessidade, não para conforto. Cabe a cada montanhista, novato ou experiente, preservar e cuidar da Mantiqueira, Amantikir para os índios, nascente de inúmeros rios que suportam a vida nas cidades, nas vilas e nas fazendas ao seu redor e ainda mais, a muitos quilômetros de distância. Com certeza, a Serra da Mantiqueira, em sua imponência, é um dos fatores determinantes para o clima que experimentamos no Sudeste. Se você que lê essas linhas, já for montanhista experiente, vá preparado, pois em alguns dos picos fora da rota tradicional, você poderá entrar numa grande “fria” se não tomar as devidas cautelas. Esteja sempre com alguém experiente também, evite se aventurar solo ou considere na preparação eventuais imprevistos. Não descuide do “e se”... há trechos em que não são necessários três erros para um acidente mais grave. Como registrei acima, fizemos parte da caminhada à noite, mas ainda que estivéssemos voltando sobre nossos passos em vários locais, evitamos os trechos menos frequentados à noite, por perder algumas paisagens e pelo risco de algumas passagens. Enquanto escrevo essas linhas, relatando a travessia da SF Full em 3 dias, comentam comigo que há montanhistas que pretendem fazê-la em 2 dias... me perguntam o que acho, e depois de refletir um pouco me vem a resposta: amigo, a montanha não é minha nem sua, ela é de todos que a amam e cuidam, seja do sitiante que planta ao pé da serra, ou do turista "modinha" que posta no Instagram, ela é uma obra de Deus seja você materialista ou espiritualista. Você que lê essas toscas e mal traçadas linhas, saiba: se estiver na montanha e precisar, um bom montanhista vai ajudá-lo no que puder, apenas por estar lá e poder. Vejo isso naqueles irmãos de montanha, que buscam ajudar e orientar desconhecidos, nos guias que, pesados, sobem rindo aquelas encostas que tantos outros se arrastam chorando... e ainda encontram forças para apoiar as equipes de resgate daqueles menos afortunados, seja por que motivo for e independente de sua forma de pensar ou ver a vida... Forte abraço! Nos vemos por essas trilhas desse mundão de Deus!
  11. Esse é um relato de uma volta quase completa por Ilha Grande. Primeiramente, queria agradecer o @Augusto por fazer o guia definitivo das trilhas de Ilha Grande (https://www.mochileiros.com/topic/1171-volta-completa-de-ilha-granderj-uma-caminhada-inesquec%C3%ADvel/). Salvei o relato e não tivemos problemas em realizar as trilhas. Então, esse relato não tem nenhuma pretensão em ser mais preciso ou descrever minuciosamente as trilhas, isso já foi muito bem feito pelo @Augusto . A ideia aqui é tentar transmitir as sensações que tive ao realizar a minha volta por Ilha Grande e tentar acrescentar algumas informações. Na minha visão, é possível realizar a volta (isso falando apenas da orientação no percurso) pela Ilha Grande tendo em mente apenas três coisas. A primeira é levar o relato do @Augusto , ele descreve muito bem as passadas das trilhas, os lugares e tudo mais. No meu caso, salvei o relato no celular e foi muito útil, principalmente nos dois primeiros dias, quando ainda não estávamos familiarizados com as trilhas. A segunda dica: no caso de dúvida siga à rede elétrica. A terceira, a mais importante, é interaja com as pessoas locais, em todas as comunidades da ilha haverá pessoas e todas elas conhecem as trilhas de acesso a comunidade em questão. Todas as pessoas que tivemos contato ajudaram-nos com informações e detalhes valiosos sobre as trilhas. Agora vamos ao relato! Desde a minha última viagem vinha pensando em qual seria o meu próximo destino, pois a data da viagem iria ser pelo final de ano. Queria algo não muito longe. Pensei na Serra da Canastra, Serra da Bocaina, Parque do Itatiaia e Paraty. Confesso que estava pendendo pelo Itatiaia, mas algumas lembranças vieram a tona e fizeram-me mudar de decisão. Agora estava decidido, seria Ilha Grande o destino e iria dar a volta na ilha. Das lembranças que alteraram o rumo da viagem, foram apenas vozes de uma amiga que sempre dizia-me para fazer a volta na ilha e naquele momento essas vozes me soavam como um chamado. Fazia alguns anos que eu viajava sozinho e mal planejava minhas viagens, apenas me deixava ir. Porém, final de ano é complicado, todos os destinos são invadidos por centenas/ milhares de pessoas, tudo fica mais escasso e os preços são todos mais altos. Ano passado já tinha me frustrado por não me organizar nessa data do ano e tive que mudar de última hora o meu destino. Dessa vez não cometeria o mesmo erro e teria que voltar a fazer algum planejamento antes de sair de casa. Como teria que me planejar porque não ter companhia? Fiz-me essa pergunta. A primeira pessoa que conversei sobre a viagem foi com o Vinicius, amigo que conheci no mestrado, e logo percebi que ele estava afim de fazer esse rolê por Ilha Grande. Depois entrei em contato com duas amigas que no primeiro momento tiveram interesse, mas com o tempo e outros planos não iriam conseguir embarcar nessa. Matheus é um velho amigo e está fazendo um mochilão de longa data pelo Brasil, falei com ele sobre a viagem e ele também animou de fazer parte da trupe. Assim, estava fechado o grupo: Eu, Vinicius e o Matheus. Dias antes de embarcar, pesquisei (no mochileiros.com) se haveria mais alguém fazendo a volta na mesma data e meio sem querer encontrei a Jordana. Ela estaria na ilha nas mesmas datas e estava procurando companhia para dar a volta na ilha. Entrei em contato com ela e consequentemente o grupo tinha mais uma nova integrante. Agora, éramos quatro. Confesso que não houve um super planejamento. O plano resumiu-se a levar comida para os primeiros dias, comprar as passagens para Angra com antecedência e ler alguns relatos. No entanto, é importante comentar que a decisão de fazer a volta na semana do Natal foi a mais acertada de todas, pois na semana entre o Natal e Ano Novo a maioria dos campings estavam trabalhando com pacotes e os preços aumentavam substancialmente devido a grande procura. Em questão de economia acho que o maior acerto da volta foi ser realizada entre os dias 20-27 de dezembro e não dos dias 27-02 como pensado inicialmente. Era uma terça-feira. Acordei cedo. Organizei minhas coisas, aprontei minha mochila e o relógio ainda marcava 09:00. A passagem para São Paulo era só para as 16:00. A ansiedade para mais um trekking era grande. Ouvi música, vi televisão e o tempo passava devagar. Às 13:30 decidi que era hora de partir, caminhei até a rodoviária. Lá fiquei esperando o tempo que restava. Sentei no ônibus que estava praticamente vazio. Li um pedaço do livro que eu levava comigo. Cochilei. Quando a marginal Tietê se tornou a paisagem na janela do ônibus percebi que, enfim, a viagem tinha começado. Na rodoviária de Sampa, logo encontrei o Vinicius. Vinícius é um amigo que conheci no meu mestrado. Ele faz parte do mesmo laboratório no qual eu trabalho e já está no final do seu mestrado. Essa viagem seria a primeira dele nesse estilo. Ficamos esperando e conversando até o Matheus chegar. O Vinícius e o Matheus não se conheciam até então. Foi feita as formalidades e saímos para achar algum lugar para jantar. Matheus é um amigo de longa data. Fizemos graduação, estágio e nossos primeiros mochilões juntos. Hoje em dia ele está em um período sabático viajando pelo Brasil e relata suas aventuras em seu blog (http://fazeraquelasuaviagem.com.br/). Às 22:00 embarcamos no ônibus. Eu, como sempre, levei um livro que eu sabia que não iria ler durante o percurso na ilha. Comecei a lê-lo e dez minutos depois desisti. Estava ansioso. Tentei dormir e não consegui. Depois me senti em viagem escolar, por causa que quase todos os outros passageiros do ônibus se conheciam e a viagem foi seguindo com música e violão. Isso até despertar a ira dos passageiros restantes. Enfim, mal dormi naquela noite. Quando consegui cochilar o ônibus tinha adentrado Angra dos Reis. Ficamos um tempo na rodoviária. Depois seguimos para TurisAngra e assim conseguimos a autorização para acampar na praia de Aventureiro. Logo em seguida pegamos um barco e navegamos até a ilha de codinome grande. Informação 1 - A TurisAngra fica no caminho para o porto. Saindo da rodoviária é só virar a esquerda e seguir caminhando na calçada até chegar na TurisAngra e depois no porto. Angra dos Reis Indo para Ilha Grande Já no barco ficamos fascinados pela cor da água, um verde bem escuro. Logo depois fomos margeando o trajeto de Saco do Céu até Abraão, que seria o percurso inverso do nosso primeiro dia. Atracamos no cais. A nossa espera estava a Jordana que havia chegado um dia antes. Antes da nossa chegada ela havia tentado a autorização no Inea para cruzarmos as praias do Sul e Leste para conseguirmos sair de Aventureiro e chegar em Parnaioca caminhando. Ela não havia conseguido a autorização e isso deu uma desanimada na hora. Jordana é uma guria tocantinense, estudante de medicina em Brasília e seria o seu primeiro trekking. Até aqui era tudo que eu sabia sobre ela. Conhecemos a Jordana e jogamos algumas conversas fora. Tomamos um café coado e logo seguimos para iniciar as trilhas (T01 e T02) até o Saco do Céu, onde iriamos dormir naquela primeira noite. O sentido do percurso foi determinado pelos relatos que consultamos antes de ir, pois todos falavam que o sentido anti-horário era mais tranquilo. Na minha opinião não existe muita diferença não, o principal ponto é entre Aventureiro e Provetá, onde no sentido horário a subida é numa tacada só, mas em compensação a maior parte do trajeto é descida. Enfim, acho que o sentido da volta não faz muita diferença na dificuldade do percurso. Informação 2 - Site com as informações oficiais das trilhas e suas nomenclaturas (http://www.ilhagrande.com.br/atrativos/atividades/trilhas-da-ilha-grande/) Bem-vindo a Abraão Nos primeiros metros vimos que seria difícil completar o dia. Levamos muita comida, o suficiente para uns quatro/cinco dias e assim, economizar o máximo com alimentação. Pra piorar fui na frente e segui a passos largos, sem perceber que estava forçando a passada do restante do pessoal que faziam algo do tipo pela primeira vez. Até o Aqueduto tudo estava tranquilo. Depois no caminho para a Cachoeira da Feiticeira o pessoal foi desanimando, até que o Matheus passou mal. Descansamos e depois fomos devagarinho. O clima entre nós era pesado, creio eu que ninguém além de mim estava curtindo caminhar naquele momento. A umidade também maltratava-nos. Quando chegamos na cachoeira da Feiticeira tudo mudou. Banhar naquelas águas renovou a energia de toda a trupe. Foi bom demais. À partir daí, começamos interagir como um grupo. Seguimos para a Praia da Feiticeira. A praia é bem bonita e muito movimentada. Tirei minha camiseta, torci ela e jorrou suor, parecia que havia acabado de lavar a camiseta. Ficamos por ali por um tempo, tomamos o primeiro banho de mar da viagem e depois seguimos caminhada. Aqui é importante ressaltar, voltando na trilha até uma bifurcação siga para onde continua a rede elétrica. Enfim, sempre siga a rede elétrica. A primeira foto do grupo - Matheus, Eu, Jordana e Vinicius Abraão Abraão Aqueduto Trilha T2 Mirante antes de chegar na Cachoeira da Feiticeira Cachoeira da Feiticeira Praia da Feiticeira Continuamos a caminhada. No meio do caminho tinha a indicação da Praia do Iguaçu, não fomos e seguimos adiante. A trilha desembocou na primeira praia da Enseada das Estrelas, a Praia da Camiranga. Já era final de tarde e a maré estava alta. Descansamos um pouco. Ao passar num trecho que a areia era toda coberta pelo mar, achei que conseguiria passar ileso (sem molhar o tênis) no momento em que a onda do mar recuasse, ledo engano, o trecho era grande demais para passar dessa forma. O resultado foi todos os tênis encharcados. Caminhamos descalços pelas praias de Fora e Perequê. A ansiedade de chegar logo no Saco do Céu era grande, caminhávamos lentamente e todas previsões de tempo que os nativos indicavam nunca confirmava-se em nossa passada. Chegar na Pousada Gata Russa foi um alívio. Próximo de Saco do Céu Eu tinha feito um pré contato com a Rilma, dona do lugar. O valor do camping é R$60 com café da manhã e R$40 sem café da manhã, logicamente ficamos sem o café e ainda demos aquela chorada básica e reduzimos o valor para R$35. Destruídos armamos as barracas e tomamos o merecido banho. Depois, como seria de praxe, cozinhamos bastante comida. Convidamos a Rilma para o jantar. Deitamos por um tempo nas redes. Fomos no cais tentar ver o céu, mas o tempo nublado não deixou as estrelas aparecerem. Logo depois fui para a barraca e desmaiei de sono. Gata Russa Gata Russa Na trilha até o Saco do Céu encontramos um bugio preto morto no meio da trilha. Foi meio chocante, nunca tinha visto um bugio e na primeira vez que vejo, vejo um morto. O Vinícius achou que era uma cobra que havia matado ele, mais especificamente uma jararaca. Eu fiquei preocupado com febre amarela. No entanto, comentei sobre isso com a Rilma e ela disse que o pessoal da comunidade havia falado que o bugio havia morrido eletrocutado. Isso deu um certo alívio. Não sou perito em coisa nenhuma, mas o bugio estava muito perfeitinho para ter morrido eletrocutado. Enfim, o que eu sei que foi triste ver aquela cena. Saco do Céu Na manhã seguinte, tomamos um café da manhã reforçado e assim aliviamos nossas costas com menos peso pra caminhada. Alongamos. Um pouco atrasado partimos, pois já tinha passado metade da manhã. Seguimos pela trilha T03 rumo a Freguesia de Santana. No início da trilha, do lado do campo de futebol, avistamos a diferente Praia do Funil. Particularmente, eu gostei bastante dessa praia, pois nunca tinha visto nada do tipo até então. O restante do pessoal não se encantou muito por ela. Acho que com a maré mais alta e o sol de fundo essa mini praia iria ficar demais. Praia do Funil Matheus e a Praia do Funil Depois seguimos para a Praia do Japariz e logo em seguida para a Praia de Freguesia de Santana. E assim, acabamos a trilha T03 que foi das mais tranquilas do percurso. Ficamos um tempo na praia. Mergulhamos. Tomamos uma coca gelada e descansamos. Praia de Japariz Praia de Japariz Trilha T03 Beleza de vista Trilha T03 Trilha T03 Trilha T03 Praia de Freguesia de Santana Preparando-se para partir de Freguesia Seguimos por detrás da igrejinha. Caminhamos um pouco e logo avistamos a placa indicando a trilha T04 sentido Bananal. A trilha começa com uma subida forte, porém nessa subida encontrei com a Dona Maria, ela mora na subida, e pedi algumas informações que ela prontamente respondeu e depois ela me disse que vendia sucos. Compramos os sucos. Escolhemos o de acerola. Cada um era R$5 e veio estupidamente gelado. Naquele momento senti que era o melhor suco que havia tomado na vida, era incrivelmente bom. Eu com minha mania de supor coisas, supus que haveria diversas Dona Maria pela volta da Ilha Grande, grande inocência a minha. Não surgiu em nenhum momento mais uma Dona Maria com seus sucos milagrosos. Não teve um dia que em nossas conversas não lembrássemos daquele suco de acerola gelado. Continuamos a caminhar. A trilha é cansativa. Quando avistamos o mar a nossa frente achamos que havíamos chegado em Bananal, mas era Bananal Pequeno. Paramos e descansamos um pouco. A praia de Bananal Pequeno é muito bonita e deserta. Voltamos a caminhar e depois de uns cinco minutos chegamos em Bananal, final da trilha T04. A igrejinha A Trilha T04 Bananal Pequeno Bananal Pequeno Chegando em Bananal Chegamos em Bananal - Na vendinha Bananal era um ponto de interrogação. Não sabíamos se passaríamos a noite aqui ou se seguiríamos para Matariz ou até mesmo para Maguariqueçaba. Resolvemos olhar o camping da Cristina, o espaço que ela tem no quintal da casa é bem bacana, mas o senhor que nos atendeu parecia meio confuso, dava informações contraditórias e resolvemos não ficar ali. Paramos numa casa para pedir informações e o dono da casa disse que poderíamos acampar no quintal da sua casa por R$30 (mesmo preço do camping da Cristina), ele com sua filha pareciam bem receptivos e então ficamos ali na casa do Juca Bala, na companhia do próprio e de sua filha Josi. Nos livramos das mochilas e fomos logo cozinhar o almoço. Pela primeira vez comi macarrão, molho de tomate e bacon. A fome é um bom tempero, mas estava muito bom esse rango. Depois fomos a beira mar. O Vinicius ficou no mar sozinho, como se fosse a primeira vez dele e o mar. Juntamos-se a ele e ficamos até a chuva nos expulsar do mar. Ficamos abrigado na vendinha. A chuva não cessava. A Jordana foi até a casa do Juca Bala e fez pipoca. Ficamos assistindo a chuva, que não tinha fim, debaixo da vendinha, de frente pro mar, comendo pipoca e bebendo as primeiras cervejas da viagem. Bananal Bananal Bananal A noite foi boa. Conversamos sobre tudo. Rimos demais. A Josi fez companhia por toda noite. Ela jantou conosco e a janta foi arroz com seleta de legumes, farofa e calabresa frita. A chuva não parou. Pedimos ao Juca se podíamos estender os sacos de dormir na área e dormir por ali mesmo, no relento. O Vinicius que estava sem saco de dormir montou a barraca na área e nós outros estendemos o sacos de dormir e dormimos com aquele ventinho frio que fazia na noite. Diferentemente do primeiro dia, nesse dia conseguimos desfrutar de todo o percurso, das praias, da comunidade, da nossa amizade e tudo mais. Esse dia foi um ótimo dia. A varanda Levantamos às 06:00. Tomamos o café e partimos para a trilha T05 rumo a Sítio Forte. A primeira parada seria a Praia de Matariz. Não sei ao certo o que aconteceu nesse percurso, foi o único no qual nos perdemos por um instante maior, apesar de ser pouco tempo. Seguíamos pela trilha e depois o caminho começou margear um mangue. O chão cada vez mais tinha buracos com ninhos de cobra. Quando os ninhos eram muitos decidimos voltar. Fomos voltando pela trilha e depois de uns cinco minutos avistamos uma ponte e a orla de Matariz. Creio que foi uma cegueira de olhar apenas pro chão que não nos deixou ver aquela ponte que estava logo ao nosso lado. Aliviados paramos um pouco em Matariz que estava deserta naquela hora do dia. Saindo de Bananal Rumo a trilha T05 Rumo a trilha T05 Trilha T05 Praia de Matariz Seguimos rumo a Praia de Passaterra. Cruzamos com uma gangue de cachorros. Quando chegou na bifurcação não fomos para a Praia de Jaconema e seguimos pela trilha principal. Chegamos em Passaterra e descansamos um pouco. O dia hoje seria o de maior quilometragem até então. Não perdemos tempo e seguimos a caminhada até Sítio Forte. Passamos pela Praia de Maguariqueçaba que estava vazia. Para mim Passaterra e Maguariqueçaba são praias bem parecidas. No final da praia seguimos pela trilha. Caminhamos por mais algum bom tempo e chegamos no final da trilha T05. Enfim, Sítio Forte. O lugar me agradou bastante, com um gramado amplo, alguns poucos moradores, um mar tranquilo, mas o melhor é o contorno da serra o fundo a quilômetros de distância. Ficamos abrigados em um sombra. Comemos, descansamos e enchemos as garrafas de água. O tempo parado ali foi grande. Trilha T05 Trilha T05 Praia de Passaterra Trilha T05 Trilha T05 Sítio Forte Sítio Forte Com as energias renovadas partimos para a trilha T06 com destino Araçatiba. Logo no início cruza-se a Praia da Tapera. Seguimos em frente. Caminhamos por mais uns trinta minutos e chegamos na Praia de Ubatubinha. Paramos só um pouco para descansar as costas e continuamos a caminhada que estava muito agradável. O dia estava nublado, em alguns momentos saiu algumas chuvas finas, mas sempre por pouco tempo. O clima facilitava a caminhada. O trecho entre as praias de Ubatubinha e do Longa é bem mais extenso e mais chato de caminhar. Porém, nada muito complicado. A trilha desemboca numa vendinha. Sentamos na vendinha e tomamos uma Coca 2 litros (R$10) bem gelada. Uma fato na Ilha Grande é que todas as bebidas, em qualquer lugar, vem muito gelada e isso me agradou muito. Ficamos descansando e vendo a bela Praia do Longa. Tínhamos combinado que de acordo com o horário e o clima seguiríamos ou não para a Lagoa Verde. Creio que era umas 13:00, portanto, tínhamos tempo de sobra e as nuvens de chuva tinham dado uma trégua. Resolvemos ir para a Lagoa Verde antes de ir para Araçatiba. Vendinha na Praia do Longa A trilha para a Lagoa Verde é tranquila. Acho que levamos uns quarenta minutos saindo da Praia do Longa. Chegar na Lagoa Verde é chegar em um paraíso. Desde do início do trekking já havíamos passados por muitos lugares de belezas ímpares, lugares muitos bonitos, mas agora a percepção de beleza estava num nível mais elevado, enfim, a Lagoa Verde é um paraíso. O verde da lagoa, principalmente pelo alto é encantador. Dentro de suas águas límpidas é possível ver cardumes e cardumes de peixes tão nitidamente como se estivessem em nossa palma da mão. Os peixes por lá são tão coloridos. Uma belezura de momento. Apesar de haver algumas pessoas no local somente nós estávamos nadando, portanto, por alguns minutos a lagoa foi nossa. Em certo momento fui queimado por uma água viva e o Vinicius pisou em um espinho. Assim, eu, ele e o Matheus resolvemos sair um pouco da lagoa enquanto a Jordana mergulhava com seu snorkel. Na saída, caminhando distraído eu pisei numa pedra. No ínicio achei que não havia cortado, mas depois de ver a poça de sangue que se formava debaixo de mim fiquei preocupado. Nesse momento surge o anjo, um anjo de dreadlocks, de nome Mari. Antes de eu esboçar qualquer reação ela já estava com o algodão na mão pressionando o machucado. Foi um corte bem grande na sola do pé. Com toda a paciência do mundo ela ficou ali esperando o sangue estancar. Ela me contou que é de São Paulo e sempre vem com seu pai e seu simpático irmãozinho para a Ilha Grande, mais especificamente a Praia do Longa. A Ilha Grande é sua segunda casa. Limpou o ferimento com álcool, aplicou os remédios que o Vinicius havia levado, fez o curativo e ainda ficou um tempo conversando conosco. Quanta gratidão. Fiquei tão feliz com aquela situação que nem mesmo lembrava do ferimento. Nunca irei esquecer a prontidão, a solidariedade e a doçura da Mari. Nunca é demais agradecer: Mari, muito obrigado! Lagoa Verde Lagoa Verde Lagoa Verde Lagoa Verde Depois de todo o ocorrido e a presença de nuvens carregadas decidimos partir. Ao colocar o tênis vi que seria difícil caminhar daquele jeito, mas seria suportável. Nos despedimos da Mari e fomos embora. Voltamos a trilha e na bifurcação subimos rumo a Araçatiba. Esse trecho de trilha é tranquila, porém pra mim foi difícil. A cada pisada do meu pé direito uma pontada de dor subia no corpo. O andar era complicado. Chegamos em Araçatiba. Iriamos ficar no camping Bem Natural. A praia de Araçatiba é bem grande e o camping fica no final da praia. Assim, caminhamos por mais uns vinte minutos debaixo de uma chuva forte até chegar no camping. O preço do camping é R$45 (caro!) sem café da manhã, mas é a melhor estrutura que encontramos em toda viagem. Ótima cozinha, muitos banheiros, alguns chuveiros quentes, locais cobertos para armar a barraca e tudo muito limpo. Conseguimos reduzir o valor para R$40. Montamos nossas barracas. Tomei o melhor banho da viagem. Chuveiro a gás com uma boa regulagem de temperatura, consegui massagear bem as costas. A Jordana refez o curativo do meu pé. Preparamos macarrão com molho de tomate, atum, bacon, milho e ervilha, fizemos suco e ainda ganhamos queijo parmesão ralado do Alexandre, um cara gente boa demais que estava acampado por lá também. Foi uma boa janta. Conversamos bastante com o Alexandre. Depois o Vinicius foi dormir. Eu, Matheus e a Jordana fomos beber umas cervejas num bar suspenso no mar. Antes das onze da noite estávamos de volta ao camping. Acordamos bem cedo porque queríamos chegar em Aventureiro o mais cedo possível. Fizemos café da manhã. Conversamos mais um pouco com o Alexandre e partimos para a trilha T08 rumo a Provetá. A trilha é bem agradável e as mochilas nesse momento já estavam bem leves em relação ao primeiro dia. Fomos em um bom ritmo. Chegamos em Provetá. Aqui é uma autêntica vila de pescadores. Não lembro de nenhum turista por lá. Paramos numa vendinha perto da igreja e compramos muitas frutas, destaque para a melancia que devoramos em instantes. Depois de uma dieta sem frutas era hora de comer frutas por todos os outros dias. Descansamos em uma sombra e por lá ficamos por quase uma hora. Finalzinho da trilha T08 Foto do grupo Provetá Provetá Provetá Provetá De Abraão até Araçatiba, caminhamos pela parte oeste da ilha que está voltada para o continente. O mar nesse trecho é caracterizado por suas águas plácidas e de coloração verde escura. Ao chegar em Provetá esse cenário muda drasticamente, pois agora inicia-se a caminhada pelo lado leste da ilha que está voltada diretamente ao mar aberto. O mar de Provetá até Lopes Mendes é mais bravo, com muitas ondas e sua coloração pende mais para o azul clarinho. Esse é um dos encantos de dar a volta na Ilha Grande conhecer dois tipos distintos de mar em um trecho tão pequeno de terra. Provetá Vinicius em Provetá Das muitas histórias que já ouvi nessa vida, talvez a melhor seja do João, morador de Provetá. João, um pescador com brilho no olhar e de fala mansa salvou um pinguim-de-magalhães, na qual deu o nome de Din Din, que encontrava-se machucado na orla de Provetá. Depois de meses juntos, Din Din partiu rumo a Patagônia. Depois disso, todo ano Din Din volta a Provetá para visitar o João pela gratidão e amizade, isso já ocorre por seis anos. Não tive o prazer de conhecer o João, mas teria sido imensamente gratificante dar um abraço nesse grande homem. Vou deixar o vídeo com ele contando a história que é muito melhor que minhas palavras: Gostamos bastante da Praia de Provetá, o clima menos turístico favorecia isso. Queria ter ficado mais tempo, talvez pernoitado, mas naquele dia queríamos chegar em Aventureiro. Pegamos a trilha T09 e seguimos a caminhada. No início da trilha é uma subida bem chata e sem vegetação, então há outro castigo aqui, além da subida, que é o sol. Difícil aquele trecho, e justo nesse dia o sol apareceu com toda a sua cara. Depois a trilha volta para a mata mais fechada, mas a subida nunca cessa. Sempre subindo. Com toda certeza, essa trilha é a mais pesada de todas. No final da subida, tem uns quatros bancos de madeira que de longe parecem troféus. Ficamos ali deitados por algum tempo. Resolvemos acabar logo com aquela caminhada e partimos para a descida. Nesse momento se desce em zigue-zague. Alguns escorregões e tombos. Descida até o fim. Víamos o mar, a descida estava no final e no fim estavam nossas energias. Depois de Abraãozinho, Bananal Pequeno e Araçatibinha, só faltava haver a praia de Aventureirinho antes de Aventureiro, falava o Vinicius enquanto dávamos risada, mas aquela risada com responsabilidade pois tínhamos um certo medo de haver mesmo uma praia de Aventureirinho. Pra nossa sorte não havia e pra melhorar o camping do Luís ficava bem do lado do final da trilha. Jogamos as mochilas no chão e pela primeira vez nos permitimos não cozinhar. Pedimos um PF (R$30) no camping. Início da T09 - Vista para Provetá Início da T09 - Vista para Provetá O fim da subida e a cara da derrota O início da descida Camping do Luís Camping do Luís Camping do Luís Camping do Luís Caminhei em direção ao coqueiro deitado que é o cartão postal da Ilha Grande. Não sei, coqueiro deitado não me parece um bom nome, o coqueiro está mais para sentado do que para deitado. Prefiro chamá-lo de coqueiro degrau. Entretanto, uma coisa que não tem como discordar que ele é lindo demais, merece o título de cartão postal. Aquele pequeno trecho de praia onde ele se esconde é de uma beleza ímpar. O coqueiro deitado O coqueiro deitado O coqueiro deitado Eu eu o coqueiro Jordana e o coqueiro Depois do almoço o Vinicius se sentiu mal. Ele ficou pelo resto do dia amoitado tentado recuperar-se. Fomos pro mar, ficamos nos divertindo com as ondas do mar que até então era novidade nessa viagem. O Matheus desfilou seu estilo de nado que mais parecia com um afogamento. A tarde naquele mar foi gostosa. Eu estava com certo receio de pisar em algo e abrir o pé novamente. Com isso sai do mar mais cedo que gostaria. Tomei banho. No resto do dia me encostei numa rede. Que delicia. Ficar de bobeira deitado numa rede me lembrava os dias viajando de barco pela amazônia. A noite veio e o lual em Aventureiro não aconteceu. O vento chegou e deixou a noite na rede mais delicia ainda. Só o Vinicius montou a barraca. De resto ficamos todos pelas redes do camping. Dormir na rede naquele cenário foi bom demais. No fim, até o Vinicius desistiu da barraca e se arranjou numa rede para dormir. Aventureiro Aventureiro Aventureiro Matheus e Aventureiro Matheus e Aventureiro Acordei, ainda tudo tava escuro. Caminhei a beira mar e fiquei ali a espera do nascer do sol. A Jordana juntou-se a mim. Pouco a pouco o sol ia erguendo-se e dando brilho aquela praia tão especial e de um mar de cor tão peculiar. Eu e o nascer do sol O nascer do sol em Aventureiro Jordana e o sol Senti muita vontade de passar o resto da viagem em Aventureiro. Desistir da volta e ficar ali em paz. Se algum dia eu voltar para Ilha Grande, será para ir direto rumo Aventureiro e ficar uma semana inteira ali, acampado à beira mar. Entre o céu, o mar, a areia da praia e uma sombra pra descansar. Que saudades de Aventureiro. Que saudades. Aventureiro O resumo de Aventureiro O Vinicius tinha acordado renovado. Tomamos um café da manhã reforçado com direito a pão e queijo deixado por um família que conhecemos no dia anterior. Tentamos uma conexão de internet (no camping tem wifi) para antecipar os votos natalinos com nossas famílias. Tentativa bem sucedida. Saímos era tarde da manhã. Fomos querendo ficar. Não tínhamos a permissão do Inea para atravessar as praias do Sul e Leste, mas fomos mesmo assim. Afinal, não tinha barcos para Parnaioca naquele dia. Logo no inicio da caminhada, no trecho em que caminha-se entre rochas até a Praia do Sul o momento de maior tensão da viagem. O Matheus distraído pisou na parte da pedra que tinha tipo uma cachoerinha, portanto estava molhado. E assim, foi descendo em direção do mar, escorregando pelo pedra que parecia um tobogã. Na hora que olhei bateu um desespero grande. Já estava tirando a mochila pra pular no mar quando o Matheus milagrosamente conseguiu travar-se num trecho inclinado da rocha. Fomos em sua direção, pegamos sua mochila. Ele saiu tranquilo, na visão dele ele nem tinha passado por nenhum perigo. Porém, eu e o restante do grupo ficamos em choque. Foi um grande susto. A caminhada infinita pelas também infinitas praias do Sul e do Leste foi de tensão inicialmente, mas a beleza do lugar logo nos fez esquecer do ocorrido. O Matheus ganhou o apelido de Quase Morte e a sobrevida que ele ganhou nesse dia fez ele disparar no percurso. Ele caminhou na nossa frente pela primeira vez e assim foi até não ser mais visível aos nossos olhos. Esse trecho judia, pois só se caminha pela areia e o sol estava forte demais. Eu me encantei pela travessia entre a praia do Sul e do Leste, na parte que atravessa-se pelo mangue. É de uma lindeza indescritível. Depois foi caminhar e caminhar debaixo de um sol escaldante, mas a beleza do lugar tornava tudo mais fácil. O trecho de pedra Praia do Sul Praia do Sul Belezura O Mangue O Mangue Praia do Leste Praia do Leste Fim de caminhada Praia do Leste Beleza é relativo. Direto eu digo que esse ou aquele lugar é o mais bonito que já vi em minha vida, para mudar de opinião cinco minutos depois. Sobre as praias de Ilha Grande isso também era uma verdade. Toda hora falava que essa ou aquela era a praia mais bonita da ilha. Porém, a verdade que para mim as praias do Sul e do Leste são as mais bonitas. Areia branquinha e mar límpido. Enquanto caminhávamos molhando os pés consegui ver uma raia que nos acompanhou por instantes nadando no rasinho. Lindeza. Naquela situação fiquei feliz demais em ver uma raia. A parte final da Praia do Leste em contraste com a vegetação é lindo demais e é a imagem que eu lembro quando recordo da ilha. Matheus no paraíso A imagem que grudou na retina - Praia do Leste Todas as trilhas que fizemos em nenhuma tivemos problemas com água, exceto essa. O trecho que caminha-se pelas praias do Sul e Leste era de se esperar que não haveria água. São quase duas horas exposto ao sol, então o consumo de água é alto. Ao chegar no trecho que liga a Praia do Leste a Parnaioca volta-se a caminhar em vegetação fechada. Entretanto, nesse trecho não há rios para encher as garrafas. No ínicio da trilha já estávamos sem água. Completar esse percurso foi um martírio, perdíamos muito água pelo suor e a boca estava seca. Quando avistamos o fim da trilha foi um alívio. Chegamos em Parnaioca não era nem uma hora da tarde, tínhamos todo o resto do dia para nós. Nesse dia era véspera de Natal. Seguimos para o camping do Silvio. Não tivemos o prazer de conhecer o Silvio que estava no hospital se recuperando de alguma enfermidade. Fomos recepcionados por seu filho Célio e sua família. Almoçamos. Organizamos nossas coisas e levantamos acampamento. Descansamos nos colchonetes do camping. Depois ficamos na praia. O dia estava ensolarado e Parnaioca estava linda demais. Pena que quase não registramos Parnaioca em fotos. No descer do sol voltamos ao camping. Tomamos banho e pedimos um PF para nossa ceia de Natal. Depois fomos convidados para uma fogueira à beira mar. Aceitamos. Ficamos pouco tempo, não entramos em sintonia com o outro grupo que estava em outra vibe. Voltamos para o camping e ficamos o resto da noite conversando e rindo. Foi boa demais aquela noite. Antes de irmos dormir, como um presente de Natal, o céu se abriu pela primeira vez durante a noite nessa viagem. Curto demais ver o céu estrelado e naquela noite o céu estava bonito de se ver. Fiquei admirando as estrelas até o cansaço me dominar. Parnaioca Parnaioca Acordamos cedo. Alongamos. Tomamos um café da manhã fraquinho, pois já não havia muitas coisas nas mochilas. Seguimos para a trilha T16 rumo a Dois Rios. No caminho para a trilha tirei as únicas fotos de Parnaioca que naquela hora do dia não estava nada bonita em comparação com a tarde anterior, na qual aproveitamos a Praia de Parnaioca. Essa trilha é chatinha apenas nos primeiros vinte minutos, mas depois é quase toda plana. Delicia de caminhar assim. A T16 é a trilha mais longa de Ilha Grande. Porém, nem de longe é a mais difícil. A trilha é cheia de bugios e ao atravessar algumas áreas de posse deles, eles gritam para espantar os invasores e os gritos de um bando de bugios é assustador, principalmente a primeira vez. Não consigo nem fazer um paralelo ou comparação. Acredite é assustador. Na terceira ou quarta invasão no territórios deles você acostuma com o barulho e começa até aproveitar aquele som peculiar. Quando avista-se a Toca das Cinzas a trilha está no final. Essa toca diz a lenda que era usada para deixar os presos mal vistos do presídio de Dois Rios apodrecendo até a morte. O final da trilha é em uma vegetação rasteira diferente de toda vegetação vista na ilha, não consegui identificar qual era essa vegetação, mas era bem bonita. O fim da T16 anuncia-se no mesmo momento que avista-se o presídio de Dois Rios. A trilha T16 A trilha T16 A Trilha T16 A Trilha T16 A Trilha T16 Comunidade de Dois Rios Dois Rios O presídio de Dois Rios é uma tentativa de isolamento e de dificultar a fuga dos detentos, como feito na ilha de Alcatraz nos Estados Unidos. Esse presídio abrigou alguns célebres prisioneiros. O caso mais famoso foi do traficante Escadinha que fugiu de helicóptero do presídio no seu banho de sol. O presídio era de segurança máxima e tal fuga vive até hoje no imaginário da sociedade, inspirando contos, livros e filmes. Porém, o preso mais famoso com toda certeza foi, o fora de série, Graciliano Ramos. Graciliano foi preso por subversão acusado de ser comunista no ano de 1936 no governo Vargas, que na época namorava com os regimes fascistas da europa. Como admitiu posteriormente, Graciliano na época não tinha afinidade com o comunismo, algo que foi só acontecer no pós guerra em 1945. Em Dois Rios, Graciliano terminou de revisar, que para muitos é seu melhor livro, o livro Angústia. Quinze anos depois (e pouco tempo antes de falecer) da sua prisão ele publicou Memórias do Cárcere em que conta seus dias na prisão em Dois Rios. Eu curto demais literatura e antes de embarcar nessa viagem li atentamente o livro Angústia do qual ainda não sei se gosto. Graciliano entrou na minha vida na época que eu prestava vestibular. Tive que ler pela primeira vez Vidas Secas nessa época. Esse foi dos melhores livros que já li. O livro foi muito importante na formação do meu caráter e na minha forma de ver e conceber o mundo em que vivemos. Portanto, estar de frente aquele presídio era estar de frente com uma parte da história de alguém que é importante em minha vida. Não foi especial estar ali, mas tinha que estar naquele lugar e ver um pouco da história. Hoje, resta apenas o paredão da entrada principal do presídio que foi implodido em 1994. O presídio O presídio Desde da caminhada até Aventureiro tomar uma água de coco gelada virou nossa obsessão. Não encontramos em Aventureiro e nem em Parnaioca. Chegamos em Dois Rios e tínhamos a certeza que naquele lugar conseguiríamos, por fim, tomar o coco gelado. Não rolou, nos lugares em que procuramos nada de coco. A comunidade estava meio deserta, afinal era dia de Natal. Tomamos outra Coca de dois litros estupidamente gelada e estupidamente cara, R$14. A comunidade de Dois Rios é bem estilo vilinha de cidade de interior. Eu gostei bastante, porque as casas ficam bem distante das praias. A comunidade é cheia de gramados, isolando a overdose de areia de todas as outras praias, areia que fica apenas na orla. Fomos pra praia e encontramos uma boa sombra. Ficamos na sombra. Dormimos. Almoçamos por ali. Passamos toda a tarde naquele lugar. Surgiu a ideia de montar acampamento, afinal aquela paisagem era demais. Mais uma vez o mar surpreendia por sua cor. Dois Rios não deve em nada em questão de beleza para nenhuma outra praia da ilha. No fim da tarde, o tempo já anunciava chuva. Já havíamos desanimado da ideia de seguir a volta da ilha por Caxadaço, Santo Antônio e Lopes Mendes e com aquele tempo decidimos cortar a pontinha norte da ilha e seguimos para a trilha T14 rumo a Abraão. Praia de Dois Rios Praia de Dois Rios Praia de Dois Rios Descanso na Praia de Dois Rios O almoço Cozinhando O contorno da Ilha Grande seria completo se seguíssemos pela T15 rumo a Caxadaço e terminasse a volta pela ponta norte da ilha. Para fazer isso teríamos que fazer um camping selvagem em Caxadaço. Não tínhamos informação de como era o reabastecimento de água por lá, a chuva viria muito forte naquela noite, tinha a questão da trilha entre Caxadaço e Santo Antônio que parece ser confusa e nossos corpos já começavam dar sinais de esgotamento. Decidimos assim, seguir a trilha T14 e ir direto para Abraão, e no dia seguinte faríamos esse trecho sem mochilas. E assim, partimos para nosso último trecho com nossos mochilões. A T14 na verdade é uma pista, a única que transita carros autorizados na ilha. A primeira metade é de subida e a outra metade é só descida. Já na descida tem um mirante bem bonito. A alegria do sucesso já dominava-nos e o cansaço parecia secundário. Demos bastante risada nesse trecho de caminhada. A maior parte dos assuntos eram recordações da volta. Quando chegamos em Abraão o alívio era o sentimento da vez. Agora era hora de comemorarmos. Fomos até o camping Cachoeira. Eu tinha feito contato, antecipadamente, com a Noé e conseguimos a diária de R$25 no camping, um achado por ser a semana dos preços caros. Arrumamos nossas coisas no camping e logo começou a chover. Chuva forte. Chuva que impediu de sairmos das barracas. Chuva que impediu nossa comemoração do final da volta. A chuva ficou até a manhã do dia seguinte, de maneira intensa. O que fez que a nossa decisão de cortar a ponta norte da ilha fosse acertada. O Vinicius nessa noite resolveu antecipar sua partida. Logo ao amanhecer ele partiu. A trilha T14 O mirante O grupo no mirante Abraão Abraão Volta completada O dia amanheceu chuvoso. Agora éramos três. Demoramos mais que o normal para sairmos das barracas, afinal, a volta estava dada e o descanso era merecido. Tomamos o café da manhã reforçado preparado pela Jordana e saímos caminhar por Abraão. O sonhado coco gelado surgiu nessa manhã, mas de forma melancólica veio em um copo plástico e não diretamente da fruta. Enfim, estava bom demais. Ficamos a olhar o finito mar com Angra ao fundo. De chinelos nos pés resolvemos ir até Lopes Mendes. Vinte minutos depois de entrar na trilha T10 bateu o arrependimento de ir, pois começou a chover e toda hora meu chinelo se desfazia, e ainda tinha a preocupação em machucar o machucado novamente (ou seria remachucar o ferimento existente?). Caminhamos em frente. Depois de uma hora de caminhada estávamos na praia de Palmas. A chuva cessou com a nossa chegada, avistamos umas espreguiçadeiras e ficamos por lá. As espreguiçadeiras em Palmas Almoçamos. Decidimos não mais avançar até Lopes Mendes, o tempo estava fechado e o sol já estava baixo. Ficamos por ali o resto da tarde. Quando a chuva iniciou-se, novamente, partimos rumo a Abraão. Apesar da chuva, essa trilha foi a mais tranquila, sem peso nas costas e por ser o último trecho de trilha que eu iria fazer naquele ano que se encerrava. Tive prazer em cada passo que dei nos últimos sessenta minutos de caminhada. A trilha escorregadia e a chuva incessante não atrapalhava em nada. E assim que avistei os primeiros telhados na enseada de Abraão a sensação de missão cumprida me dominou juntamente com a felicidade. Praia de Palmas Praia de Palmas O Pico do Papagaio é o segundo ponto mais alto da Ilha Grande com 982 metros. O ponto mais alto é o Pico da Pedra D’Água com 1035 metros. Porém, o Pico do Papagaio é acessível por trilha (T13) e sua vista é incrível. A trilha é considerada a mais difícil da ilha em questão de preparo físico. Queria fazer a trilha de madrugada para ver o nascer do sol de cima do pico. Não sei explicar a minha relação com as montanhas. Quando digo montanha, excluo a definição literal e jogo no mesmo significado morros, serras, pedras ou qualquer elevação territorial que se destaca no horizonte. Nasci numa cidade plana e por isso, que até onde eu saiba, tinha dos maiores índices de bicicleta per capita do país. Fui conhecer montanhas tardiamente, talvez isso fez eu ter essa fascinação. Só sei que do alto de algum pico, de onde a imensidão domina a paisagem, d'onde faça eu ver o quão pequeno sou é onde sinto-me melhor. Ali do alto é que eu acho o meu equilíbrio de tempos em tempos. Entre o mar e a montanha sempre irei ficar com a montanha. Por isso, o Pico do Papagaio para mim era o ponto alto dessa viagem. No início do dia quando tive a certeza que não daria para subir o pico naquele dia e nem no próximo (por causa das chuvas e da falta de visibilidade), achei que iria ficar frustado. A frustração não veio. Os dias a beira mar haviam compensado e de certa forma o mar me trouxe esse equilíbrio. Inicialmente iria partir no próximo dia no final da noite, mas com o tempo ruim decidi partir no início do próximo dia. Com ressalvas tinha conquistado o objetivo de dar a volta na Ilha Grande, estava satisfeito com tudo que eu havia vivido. Agora sobrava uma noite e era hora de comemorar. Saímos prum bar, comemos bem e bebemos até o inicio da madrugada. As recordações e as risadas deram o tom da despedida. A comemoração No outro dia acordei cedo. No escuro caminhei por Abraão rumo ao cais. O relógio marcava 06:00, sentei no cais e esperei. Na outra ponta havia um grupo - que imagino eu - que havia pernoitado lá e tocava alguma música. Me aproximei. Não reconheci a música. No momento que o sol se levantava acabei dormindo. Dois caras me acordaram e um deles me perguntou se eu estava procurando hospedagem, eu disse que estava partindo. Corri e consegui alcançar o barco que já estava saindo. Sentei no barco e dormi de novo. Acordei no porto. Novamente com pressa fui até a rodoviária. Subi no ônibus e mais uma vez dormi. Assim, me despedi de Angra e sua Ilha Grande, que facilmente poderia ser chamada de Ilha Bela ou, para evitar o plágio, melhor seria Ilha Linda. A última foto da ilha Para mim essa viagem foi muito especial. Reencontrar o Matheus foi muito bom, amigo que dividiu comigo tantas experiências, desde das aulas da época da universidade, passando pelo companheirismo nos projetos sociais nos quais nos envolvemos, nos dias de estágio no qual também dividimos o mesmo teto até chegar na nossa iniciação em mochilões, no mochilão pela América do Sul. Passar dias com o Vinícius fora do ambiente, por muitas vezes carregado, do laboratório e conhecê-lo de uma forma mais real também foi legal demais. Conhecer a Jordana de uma forma tão casual também foi muito bom, ela deu o toque feminino que faltava no grupo. Acho que formamos um belo grupo. Contornar cada canto da ilha foi surpreendente. Cada nova praia era uma beleza diferente. As trilhas são todas cheias de charme. Beleza não falta nesse trekking. Claro que existem os pontos altos como Lagoa Verde, Aventureiro e Parnaioca em que as belezas são mais gritantes e a paz prepondera nesses lugares tornando-os mais especiais ainda. Porém, caminhar esses dias sem a companhia da Jordana, Matheus e Vinicius fariam com que esses lugares não fossem tão belos. A soma dos lugares, do nosso grupo e das pessoas que cruzaram nosso caminho nessa jornada fizeram dessa viagem, uma grande viagem. Só tenho agradecer aos céus por mais essa oportunidade. Jordana, Matheus e Vinicius obrigado pela companhia e, principalmente, pelas boas memórias que teremos desses cansativos, porém incríveis dias. Muito Obrigado! E agradeço também os pacientes leitores que conseguiram chegar ao fim desse longo relato. Obrigado! Nos vemos pela estrada. Abraços, Diego Minatel
  12. Fala Viageiros!!!!! Voltei de uma viagem sensacional para a Patagônia e vou compartilhar aqui com vocês um pouco dessa experiência! Mas antes, quem puder, segue a conta do meu blog no Instagram: @profissaoviageiro E vai lá no www.profissaoviageiro.com que tem mais detalhes e fotos desse rolê! Segue lá no blog que sempre tem coisa nova por lá!!!! Bom, hoje além de passar minhas impressões de Torres del Paine, vou tentar deixar algumas informações básicas para quem quer ir e ainda está cheio de dúvida, como eu estava quando ainda planejava a viagem. Tem coisa que parece óbvia quando se conta de uma viagem para as outras pessoas, mas que no fundo se você não sabe o funcionamento das coisas no lugar, fica impossível saber se seu roteiro vai dar certo ou não… E foi nisso que eu esbarrei na montagem do roteiro. Como sempre em meus roteiros, eu tenho pouquíssima margem de erro e isso me fez perder um bom tempo na pesquisa. Vou tentar deixar algumas informações aqui para quem quer visitar esse lugar maravilhoso! Vamos lá! O que é? O Parque Nacional de Torres del Paine foi criado em Maio de 1959 e está localizado na Pataônia Chilena, na região de Magallanes. As suas torres principais dão nome ao parque, que são imensas torres de granito modeladas pelo gelo glacial. Mas as belezas do parque não se resumem a suas torres. O lugar inteiro é sensacional! Como chegar? Existem dois aeroportos próximos de Torres del Paine: – Um fica em Puerto Natales, que é a cidade base para a maioria das pessoas que visitam Torres del Paine. A cidade está localizada a 80km do Parque. O problema é que só existem voos para Puerto Natales no verão, e mesmo assim não é todo dia. Isso faz com que contar com um voo para lá seja praticamente descartado logo de cara. – A melhor opção então é voar para Punta Arenas. Existem voos regulares de Santiago para Punta Arenas. Inclusive, se não me engano, lá é destino mais barato para se chegar na Patagônia (Argentina ou Chilena) Eu fiz isso. Saí de São Paulo em um voo com conexão em Santigo e chegada em Punta Arenas. Tudo bem tranquilo! -Para quem não for utilizar avião, tenha Puerto Natales como sua referencia de destino. Onde ficar? – Punta Arenas: A porta de entrada da maioria das pessoas que vão para TdP via o próprio Chile (Muitas outras pessoas vão para TdP via El Calafate, na Argentina) Cidade grande, com vida própria. Possui muitas atrações turísticas, shoppings, hotéis, hostels, restaurantes e tudo mais. Fica a 3 horas de ônibus de Puerto Natales. – Puerto Natales: Cidade pequena que gira em torno do turismo de TdP. Muitos turistas o ano inteiro por lá, consequentemente muitos restaurantes e vendinhas para as compras da galera que vai fazer os trekings. Como já falei é a base para a maioria das pessoas, pela sua proximidade e preços acessíveis. Comparado às hospedagens dentro ou ao lado do parque é muito mais barato ficar em Puerto Natales. – Hospedagens dentro do Parque: Existem muitas opções de hospedagem dentro do Parque, desde áreas de camping onde você é responsável por ter com você absolutamente tudo que vai usar e comer, até luxuosos hotéis com vistas deslumbrantes. Tudo dentro do parque é caro. Transporte, hospedagem, comida… Tudo! São três “empresas” que possuem hospedagens dentro do parque, e para dormir lá dentro você precisa ter reservado antes de chegar (mesmo que esteja levando todo equipamento com você e queira apenas reservar um espaço de camping), pois não se pode entrar sem reserva prévia. As empresas são: CONAF; Fantástico Sur; e Vertice. Quando ir? Torres del Paine pode ser visitado o ano inteiro, mas a alta temporada é no verão, quando as temperaturas estão mais agradáveis e as paisagens mais coloridas. Eu fui na primavera. Dei muita sorte com o tempo e achei que valeu muito a pena. Não estava lotado e não passei nenhum perrengue de frio ou vento a ponto de transformar algum rolê em algo penoso. Se tem alguma coisa que eu mudaria no meu rolê para deixar ele ainda mais perfeito, é que eu preferia ter visto o lago no Mirador Base de Torres del Paine descongelado. Quando eu fui ainda estava congelado. Não que eu ache isso um problema, mas acho que descongelado seria muito lindo também. Quanto custa? Caro! Não é um passeio barato. Mesmo fugindo o máximo que pude das hospedagens dentro do parque, é um passeio caro. Mas não é nada que não se possa dar um jeito. Aqui alguns exemplos de preços aproximados: – Entrada no Parque, válida por 3 dias de entrada: US$ 35,00 (se já estiver dentro do parque, não tem problema, pode ficar mais que 3 dias) – Aluguel de barraca completa no parque: US$ 70 – para 2 pessoas, por noite – Catamarã para Paine Grande: US$ 35,00 por pessoa, por trecho (Comprando ida e volta junto fica um pouquinho mais barato). IMPORTANTE: Não aceita cartão! Só dinheiro. – Ônibus interno do Parque: US$ 10,00 ida e volta – Ônibus Puerto Natales – Torress del Paine: US$ 25,00 ida e volta E por aí, vai… O que fazer??? Bate e volta, Circuito W, ou Circuito O? Eu escolhi o W! – No circuito W estão as principais atrações do parque na minha opinião. Claro que quem faz o Circuito O vê muito mais coisa, mas para isso é necessário muito mais tempo e preparo, pois as partes do parque que estão fora do W, são bem menos estruturadas, então depende muito mais de você e do equipamento e mantimento que você carrega. – No bate e volta de Puerto Natales, você consegue fazer o Mirador Base, que é a vista mais famosa de lá, mas depois que se faz o W, você vê que aquilo é só um pequeno pedaço das belezas daquele lugar. Também dá para fazer o lado do Glaciar Grey, ou até um trecho da trilha beirando o lindíssimo Lago Nordenskjold. IMPORTANTE! Nesses casos de bate e volta, você sempre vai ter seu tempo limitado ao horário dos transportes internos do parque, seja do ônibus ou do catamarã. Então controlar o tempo e seus objetivos no dia será algo muito importante. Os horários são fixos e limitados, não deixando margem para erros. – Uma outra opção, que eu jamais faria, é um bate e volta de El Calafate, como muitas agências de lá oferecem… Me parece um grande programa de índio. – Fazer um mix disso tudo aí também é possível! É só estudar direitinho o roteiro e partir para cima!!!! Bom, esse é o básico. Vou contando agora como foi o meu rolê e tentando explicar como tudo funcionou para mim! Vamos lá!!!!!!!! Dia 1: Bom, eu decidi fazer o W da seguinte forma… Fazer as 2 pernas externas no esquema de bate e volta, e a parte central do W dormindo uma noite no camping Francês. Dessa forma faria o rolê em 4 dias, que é bem puxado. A maioria das pessoas faz em 5 dias o W, que depois eu entendi o por quê! Como a entrada do parque vale por 3 dias, eu fiz as 2 pontas primeiro, e depois a parte interna, que daria certinho os 3 dias de entrada no parque. Para mim não fazia diferença por onde começar, então deixei o dia que a previsão do tempo estava melhor para fazer o Mirador Base e fui no primeiro dia, que o tempo estava pior, na perna do Glaciar Grey. E a parte interna eu fiz saindo de Las Torres e chegando no outro dia em Paine Grande. No final, deu tudo certo!!!! Como comentei, eu cheguei em Puerto Natales vindo de Punta Arenas. Como não sabia da estrutura da cidade, acabei fazendo compras do que iria comer no parque no dia seguinte em Punta Arenas mesmo. A viagem de ônibus entre Punta Arenas e Puerto Natales demora 3 horas. A passagem é bem fácil comprar. Os ônibus que fazem esse trajeto têm seus terminais no centro da cidade e todo mundo lá sabe indicar onde ficam esses terminais. Existem diversos horários de saída, então não precisa de stress quanto a reserva antecipada ou qualquer coisa. Em Puerto Natales as coisas são perto da rodoviária. A maioria dos lugares nem precisa de taxi… Dá para chegar andando. Já aproveitei que estava na rodoviária na chegada e comprei a passagem de ônibus para o dia seguinte de ida e volta para o parque. São algumas empresas que fazem o trajeto e todas fazem mais ou menos no mesmo horário, pois os transportes internos no parque são sincronizados com as chegadas dos ônibus de Puerto Natales. O horário de saída é por volta das 7 da manhã e o retorno por volta das 7:30 da noite saindo da Laguna Amarga (entrada do parque). São quase 3 horas de trajeto entre o parque e Puerto Natales. No dia seguinte estava lá bem cedinho na rodoviária aguardando meu ônibus sair. Chegando em Torres del Paine, a primeira coisa a se fazer é comprar o ticket de entrada. Havia uma pequena fila mas não demorou muito todo o tramite. Eles aceitam Pesos Chilenos e Dólares. Talvez aceitem Euros também, mas não tenho certeza. Depois é aguardar o ônibus interno que vai te levar para o Refúgio Las Torres (De onde sai a trilha para o Mirador Base e também a trilha em direção ao Refúgio Francês) e depois segue para Pudeto, de onde sai o Catamarã para Paine Grande (Onde começa a trilha para o Glaciar Grey). Como fui em direção ao Glaciar Grey nesse primeiro dia, segui no ônibus até Pudeto. Cheguei lá por volta das 10:30 e o catamarã só sai as 11hs. Assim aproveitei e tomei um reforço do café da manhã por lá enquanto aguardava a saída para Paine Grande. O catamarã é espaçoso e possui um deck em cima para quem quer ver a paisagem e tirar umas fotos. Duro é aguentar o frio, mas vale a pena! O trajeto é curto e em pouco mais de 20 minutos já estava em Paine Grande Muitas pessoas se hospedam no refugio, então já entram para seu check in. Eu não ia ficar lá, então só me arrumei, usei o banheiro e saí. Primeiro grande desafio da viagem: Aprender a usar os sticks de caminhada! Eu sei que parece ridículo, mas no começo é difícil coordenar! Mas depois de alguns minutos, vai que vai! Não sei como eu consegui voltar a andar sem eles quando voltei de viagem! Esse treco é bom demais!!!!! Bom, foi nesse primeiro dia que eu entendi por que a maioria das pessoas faz o W em 5 dias e não em 4… É porque o refúgio Grey é longe que dói! Eu tinha o meu tempo de trekking limitado pelo horário do catamarã. Não podia estar de volta depois das 18:30hs, que é o último horário de saída do catamarã no dia. As pessoas normalmente dormem no refúgio Grey e depois voltam no dia seguinte. Ou também vão até o refugio Grey e voltam para dormir em Paine Grande, sem grandes compromissos com o horário. Aí tudo faz mais sentido. No meu caso eu tive que ir até onde o relógio permitiu, e não consegui chegar até o refugio. Mas isso não tem muita importância… Pude apreciar a beleza do glaciar durante minha trilha sem nenhum problema! A trilha desse trecho não foi das piores do W. Existem outras partes com muito mais subidas e descidas. Isso foi bom, pois estava ainda aquecendo os motores! Eu que já tenho dois joelhos completamente destruídos, que me impedem de fazer algumas coisas, estava, para piorar, vindo de uma lesão no ligamento. Consequentemente minha condição física não era das melhores, vindo de um período de um mês sem poder exercitar minhas pernas. Bora caminhar!!!! A primeira parada, já para o almoço, foi na Laguna Los Patos. Uma lagoa bonita, que apesar do nome, não tinha tantos patos assim quando passei por lá! Sigo então em direção ao glaciar, tentando aproveitar o máximo essa paisagem linda! Daí a recompensa… O Glaciar Grey!!! Encontro um lugar para parar e apreciar essa vista! Depois de um tempo por lá o relógio me lembra que era preciso voltar, sem grandes possibilidades de paradas. A volta foi bem tranquila e cheguei a tempo inclusive de fazer um lanche e tirar umas fotos antes de embarcar Na fila do embarque percebo esse cara indo para um mergulho bem tranquilo nesse lago de degelo!!! Um mergulho com uma vista dessa não é nada mal!!!! Daí foram só mais uns 30 minutos de catamarã até Pudeto e já o imediato embarque no ônibus para Laguna Amarga. Dalí peguei o ônibus de volta para Puerto Natales. Chegando em Puerto Natales, foi só o tempo de passar em uma vendinha para comprar os mantimentos para o dia seguinte e correr para tomar banho, comer e dormir, pois sobram poucas horas de sono para quem tem que pegar o ônibus no outro dia as 7 da manhã!!! Dia 2 E lá vamos nós!!!! Acorda de madrugada, toma banho, toma café, corre para a rodoviária e tenta descansar um pouco no ônibus no caminho… No parque foi só mostrar que já tinha o ingresso e aguardar pela saída do ônibus para Las Torres. Lá em Las Torres se faz um breve registro de entrada para controle e já pode sair para a caminhada. Esse dia era o primeiro grande desafio. São 20km ida e volta, com muita montanha, incluindo um trecho matador no último quilômetro que faz você pensar seriamente que não vai conseguir! Mas consegue!!!! A caminhada começa com 2km bem tranquilos e planos ainda em uma área dentro do complexo de Las Torres. Depois…… Bom, depois é bom estar com a saúde em dia, porque não é fácil a brincadeira. O que sempre te dá forças em um lugar como esse são as paisagens… Elas vão nos lembrando por que estamos lá!!!! Vale cada gota de suor! E vai subindo… Subindo… Subindo mais… Até que chega no Km 9 e eu já estou esgotado, com muita dor e cansaço. E aí o negócio começa a ficar sério. A subida é bem no limite entre caminhar e escalar, inclusive passando pelo espaço onde a água do degelo desce, para ajudar ainda! Pelo menos quando dava sede era só abaixar e beber água! Eu acho que eu bobeei… Acho que tem um lugar para deixar o peso extra ali no km 9 antes de começar a subida. Eu não fui atrás disso e acabei subindo com tudo nas costas… Foi treta! Como eu não tinha forças nem para tirar foto, tenho poucos registros desse dia. Uma pena, porque o lugar é maravilhoso. Essa subida é terrível, e quando se acha que acabou você descobre que ainda falta um tanto! Todos os lugares por lá são assim… Você acha que chegou no final, mas não chegou!!!! Para de reclamar e continua andando!!!!! Realmente nem acreditei quando cheguei lá!!!! Mas o visual vale qualquer esforço!!! Infelizmente cheguei lá 15 minutos depois do horário que tinha que iniciar a descida! Isso limitou muito o quanto eu pude aproveitar lá em cima. Foi o tempo de comer alguma coisa, tirar meia dúzia de fotos e sair desesperado para baixo, quase com a certeza que não daria tempo. Isso foi a pior parte do rolê… Não consegui aproveitar quase nada a descida, forcei meus joelhos de um jeito que não poderia ter forçado e fiquei horas no stress de não ter ideia do que iria fazer se perdesse o transporte. Não sei explicar como, arrumei forças não sei da onde para sair em uma disparada nos últimos 2 quilómetros para tentar chegar no ônibus… E não é que consegui!!!!!!! O pessoal já estava quase todo embarcado! Aí pedi para o motorista para esperar uns 2 minutos até a Tati chegar e ele falou que beleza! Nossa, foi por pouco! Eu sentia tanta dor no meu corpo depois disso que nem sei explicar… Doía pé, tornozelo e principalmente meus joelhos… Achei que tinha comprometido todo o rolê… Chegando em Puerto Natales foi só a correria para deitar logo, depois do mercadinho, banho e janta. Dia 3 Esse dia tinha a ideia que seria mais tranquilo, pois além da distancia a se caminhar ser menor, não precisava me preocupar com horário, pois poderia chegar a qualquer hora no Camping Francês. Mas eu me enganei… Foi mais um dia puxado que no final minhas pernas já estavam esgotadas. Já no refugio Las Torres, comecei a caminhar para o Acampamento Francês. O inicio é tranquilo e ainda estava com a sensação que seria um dia de recuperação, e não de grandes esforços. Começo a encontrar alguns morros, mas nada de mais… A caminhada ainda está sob controle. Passados alguns quilômetros eu encontro um novo caso de amor!!!!! Se trata do Lago Nordenskjöld! Que visual maravilhoso! Andar com esse lago ao seu lado o dia inteiro foi lindo demais! As paradas para comer sempre eram em pontos estratégicos para comer apreciando aquele azul espetacular! O problema é que esse trecho tem muita montanha, subindo e descendo toda hora… Eu fui me cansando e já ficava perguntando pra galera que cruzava no caminho se estava muito longe ainda! Isso é claramente sinal de desespero!!!! E então já no final do dia chego no Acampamento Francês! O acampamento é bem bacana. O banheiro é bom e a água para tomar banho bem quente! Isso foi maravilhoso! Lá eles também têm um pequeno restaurante e uma “vendinha” que você pode comprar um refrigerante, por exemplo. Na recepção do camping eles tinham ovos para vender. Não estava tão caro. O problema é que eu não tinha onde cozinhar os ovos, pois não estava carregando um fogareiro comigo. A menina que estava lá foi bem gente boa e ofereceu de cozinhar os ovos para nós no fogareiro dela! Então já fechei negócio e consegui comer algo quente nessa noite, que estava programado apenas comida fria. Então depois de um ótimo banho já fui jantar meu sanduíche, ovos e um vinho que estava carregando para saborear na noite! A barraca estava montada. Não tive trabalho nenhum. É chegar, pular para dentro do saco de dormir e até amanhã!!!!! Dia 4 Depois de uma boa noite de sono que não passei nenhum tipo de problema na barraca, me preparei para partir. Nesse dia os objetivos eram Mirador Francês, Mirador Britânico e a chegada em Paine Grande para tomar o catamarã de volta no final da tarde. Então tomei meu ziriguidum e pé na estrada! Até o acampamento Italiano o caminho é curto mas já com algumas subidas chatinhas. No acampamento Italiano você pode deixar seu equipamento para fazer a subida para o Mirador Francês e Britânico só com o necessário. A subida até o Mirador Francês é de um nível médio… Dá para ir na boa. Acabei me perdendo um pouco no caminho… Ainda bem que olhei para trás e vi umas pessoas passando por outro lugar. Percebi que o errado era eu e voltei para a trilha certa! Lá é um lugar bem interessante. Existe uma geleira com pequenas avalanches a cada 10, 15 minutos… É muito legal ficar um tempo por lá vendo as avalanches e principalmente escutando os estrondos do gelo se rompendo. É um barulho de trovão bem alto! Muito bacana! Fiquei lá um tempo, fiz meu lanche e olhei para o caminho do mirador Britânico………… Que caminho???? O tempo fechou e não dava para ver nada lá para cima….. Então após algumas considerações decidi desistir de ir até o mirador Britânico. Ainda faltava uma boa pernada até lá e eu não queria gastar esse tempo e essa energia para ir até um mirador de onde não haveria nada para “mirar”. Bom, com isso pude desfrutar mais algum tempo no mirador Francês e fazer meu caminho de volta sem stress por conta do horário do catamarã. De volta ao acampamento Italiano não estava muito bem… Não sei bem o que era, mas preferi ficar por lá um tempo até me recuperar. Daí peguei minhas coisas e segui… O caminho a partir de lá é bem mais tranquilo. Não me lembro de ter nenhuma montanha bizarra para subir e descer depois de lá. Isso foi ótimo… Já estava cansado! (Calafate) Um dos pontos altos desse trecho da caminhada é o Lago Skottsberg! O mirador do lago tem uma vista que chega a ser indecente! Depois dessa parada, já estamos quase lá! É um trecho cheio de emoções boas! De que consegui cumprir o objetivo… De que vou completar o W! Isso parecia tão longe na minha vida há 6 meses atrás…. Pensar em cada pedra, cada montanha, cada arbusto, cada pássaro, cada lago, cada pessoa que cruzei, cada parte do meu corpo que doía, cada gole de água de cachoeiras de degelo, e cada sentimento delicioso de conquista com o visual que se abria na minha frente por tantas e tantas vezes nesses dias…….. Foi bom demais! Então a última parada antes da chegada triunfante! Dessa vez para admirar o Lago Pehoé, a poucos metros de chegar em Paine Grande. Não tem lugar melhor para comemorar a vitória!!!!!! E então a chegada! Exausto; Com dor; Realizado!!! Consegui, po**a!!!!!! Daí foi o roteiro já conhecido… Catamarã de Paine Grande para Pudeto, ônibus interno de Pudeto para Laguna Amarga (com parada em Las Torres), ônibus para Puerto Natales, pousada e cama! Hora de descansar, mas não muito, porque no dia seguinte embarcaria para El Chaltén pela manhã. Mas essa história fica para depois! É isso!!!! Quem quiser qualquer ajuda, pode escrever aqui que vou ajudar com todo prazer no que for possível! Críticas e elogios também são bem vindos!!!!! Não esqueçam de seguir lá no Instagram! @profissaoviageiro Valeu!!!!!!!!!!!!! Abraço, Felipe
  13. O Ausangate é a montanha mais alta da Cordilheira Vilcanota, com 6.384 metros de altura, faz parte dos Andes Peruano, Região de Cusco. Existem várias possibilidades de trekkings na região, mas o mais tradicional é o que da a volta no Ausangate, levando em média de 04 a 08 dias, dependendo do tempo disponível e o que se quer conhecer. Depois de conhecer vários circuitos de caminhada no Peru chegou a vez de conhecer este lugar mágico. Realizei a viagem no início de agosto de 2019, na melhor época para conhecer a região, pois embora frio, não tem chuvas. O trekking pode ser realizado entre maio e outubro e é considerado de moderado a difícil por conta da altitude, pois se está praticamente todo tempo acima dos 4.500 metros de altitude. Depois de muito pesquisar na internet, decidi contratar uma agência somente em Cusco, o que se revelou uma boa decisão. Acabei fechando o passeio de 5 dias e 4 noites com a Sonnco Tours. 1º Dia No dia programado um representante da agência veio nos buscar no Hostel, às 08:30 horas da manhã, e nos acompanhou até o terminal de ônibus del Corredor. Tomamos um ônibus da empresa Saywas com destino ao povoado de Tinky, em Ocongate. A viagem dura 3:30 horas e tem ônibus de 30 em 30 minutos, entre as 9:00 e 18:00 horas. A estrada até lá é a Interoceânica Sur que chega até Rio Branco, no Brasil. O caminho passa pelo “Vale Sagrado Sur” e por Urcos. Depois de Urcos a estrada vai subindo em caracóis até o Passo ou “Abra Cuyuni” a 4.185 metros de altitude. A partir daí já se pode vislumbrar o majestoso complexo do Ausangate e já dá uma emoção sentir que logo mais estaremos caminhando por entre seus vales. Chegamos em Tinky, a 3.850 metros de altitude, as 12:30 da manhã. Descemos em frente ao Mercado Público do povoado onde nos aguardava nosso simpático guia local Felipe. Tinky é um pequeno vilarejo, bastante simples, que recentemente tem recebido alguma projeção turística por conta dos viajantes que querem fazer o Trekking do Ausangate, mais recentemente um passeio menos pesado, de um dia apenas, que é o das “Siete Lagunas do Ausangate”. Felipe nos levou para almoçar e depois fomos a um mercadinho onde ele comprou os mantimentos para a travessia, nos permitindo escolher o cardápio, inclusive frutas e verduras. Seguimos caminhando por cerca de três horas até a cada de Felipe, em Upis, montanha acima superando um desnível de cerca de 400 metros. Neste trecho se vislumbra sempre o Ausangate (masculino) à esquerda e Cayangate (feminino) à direita, por um caminho de terra batida usada pelos moradores locais, passando pelas propriedades com suas casinhas sempre de adobe, alpacas e alguns cavalos, e campos sendo preparados para a plantação de papas (batatas) e capim verde amarelado nesta época do ano, pois já está tudo bem seco. É nesta parte do caminho que se passa no Posto de controle e paga a entrada de 10 soles. Felipe tem uma casinha onde, no segundo andar, aloja os turistas (4 camas) com um bonito visual do Vale e das montanhas Ausangate e Cayangate (ou Callangate). O lugar é um pouco empoeirado, mas bem quentinho. Logo em frente há outra construção que é a cozinha, construída em adobe chão de terra batida. A família morra no outro extremo do terreno. Um pouco depois de chegarmos percebi que estávamos sendo espiados por quatro pares de olhinhos tímidos, mas curiosos. Eram as filhas de Felipe. Com jeitinho puxei conversa com elas e aos poucos elas foram ficando mais confiantes e, em meio a risadinhas, iam responde às minhas perguntas. A mais velha tem 12 anos e, a mais pequena, cerca de seis anos. Todas vão à escola e Felipe quer que elas sigam estudando após terminar o que seria o equivalente ao primeiro grau. Ali tivemos o mais bonito pôr do sol a iluminar o Ausangate de frente, em lindos tons amarelo alaranjados. A noite foi bem fria, mas iluminada por uma lua fantástica, quase cheia. Embora tivesse vontade de ficar na rua admirando aquele espetáculo, não fiquei muito tempo, pois estava muito frio. A estreia de Felipe como cozinheiro foi satisfatória. Preparou uma sopa de verduras, arroz, papas fritas e frango. 2º Dia Levantamos às 6:30 horas da manhã com o sol já despontando no horizonte e nos deparamos com uma forte “helada” (geada). Felipe preparou o café da manhã e depois organizou tudo nos cavalos. Iniciamos a caminha perto das 08:30 da manhã, ainda com a geada e todos os pontos de água não corrente congelados. Seguimos ainda por algum tempo seguindo a estradinha de terra (poeirenta) e depois passamos para uma trilha. Depois de cerca de duas horas, sempre subindo, chegamos a uma bonita “Pampa” (em quechua significa região plano), literalmente aos pés da montanha, com alguns moradores e muitas alpacas, ainda em Upis, a 4.400 metros de altitude. É neste local que costuma ser o acampamento para quem não fica na casa dos guias. Ali tem uma fonte de águas termais, mas não tem sido usada turisticamente, pois seguindo Felipe não é constante. Reiniciamos a subida, não tão íngreme, mas incessante, por quase duas horas, com o Ausangate e seus glaciares, sempre à esquerda até o Passo Arapa, a 4.780 metros de altitude. A A partir do Passo Arapa, caminhamos por cerca de meia hora na parte alta, por um visual quase lunar, sem praticamente nenhuma vegetação, apenas areia e pedras. Depois começados a descer, por cerca de uma hora, até o vale Huayna Ausangate e um pouco antes de chegar a Lagoa Hucchuy Puccacocha paramos para o almoço. Ali deliberamos que deixaríamos de lado o Vinicunca, que pretendíamos “atacar” na madrugada do dia seguinte, pois estávamos sentindo a altitude e a inclusão do Vinicunca tornaria o dia seguinte pesado demais. Após a “sesta” de meia horinha seguimos a caminhada passando pelas lagunas Hucchuy Puccacocha, Hatum Pucaccocha e Comerocconha, sempre com o Ausangate à esquerda. Foi um caminho lindo, com tempo perfeito, casinhas de adobe dos moradores locais, que se ficam nesta região somente durante esta época do ano, para cuidar dos rebanhos de alpacas. Neste trecho visualizamos dois acampamentos, geralmente utilizados por quem pretende ir ao Vinicunca no dia seguinte. Um fica à direita, na base do Ausangate, bem pertinho das lagunas e outro o acampamento Sorinama, fica em frente à montanha do mesmo nome, à direita do caminho, mas seguimos sempre subindo até o Passo Ausangate, a cerca de 4.800 metros de altitude, onde chegamos já com os últimos raios de sol. A partir do passo se desce quase vertiginosamente em zig zag até o acampamento da Laguna Ausangatecocha, em um desnível de cerca 250 metros. Chegamos ao acampamento já ao escurecer e com a lua despontando no horizonte. Este acampamento está localizado bem pertinho da Laguna Ausangatecocha, que fica em frente a um enorme glaciar. Conta com bons banheiros e lugar para lavar roupa e louça. O vento estava bem gelado, mas a noite com lua cheia estava divina. Felipe falou que o vento iria parar pelas 22 horas e acertou. Não sei a temperatura, mas foi uma noite muito fria. 3º Dia Novamente o dia amanheceu com “helada”. Levantamos com o despontar do sol e logo após o café da manhã fui dar uma espiada na Laguna Ausangatecocha bem de pertinho. Suas águas são muito verdes e cristalinas, resultado do degelo do glaciar logo em frente. Segundo Felipe há 12 anos, quando começou a ser guia na região, não havia a laguna ali, o que demonstra que o glaciar está perdendo espaço. Após conhecer a laguna de pertinho iniciei a subida um pouco antes dos outros, pois estava caminhando mais devagar, por causa da altitude. Nesta parte do caminho se sobre SEMPRE, com muitos zig zags de 4.650 metros de altitude até chegar em 5.200 metros de altitude, no Passo Palomani. É considerada a parte da mais difícil do caminho, por motivos óbvios. Mas, fazendo o caminho com calma, com direito a muitas fotos do “Valle Rojo” (vale vermelho), se vence sem grande sacrifício. A chegada ao Passo é bem bacana, pois a vista para os vales, dos dois lados, é muito bonita e, além disso, de um lado há uma pequena lomba, que parece um mini vinicunca, com suas areias coloridas, e do outro está a encosta de um glaciar. Certamente este passo é um dos pontos altos da caminhada. Ficamos ali bastante tempo apreciando a paisagem única. Reiniciamos a descida e cerca de 20 minutos depois começados a enxergar uma pequena laguna de laranja avermelhadas, aos pés do glaciar, à esquerda, que segundo Felipe, existe apenas a cerca de quatro anos. Mais a frente, se vislumbra um bonito trecho da montanha vermelho arroxeada. Seguimos sempre descendo até uma pampa muito bonita com visual espetacular daquele setor do Ausangate. Descemos mais um pouco e chegamos a outra pampa, bem mais ampla (Vale de Chilca), onde em frente a uma “loma” de pedras muito rosas, Felipe preparou nosso almoço. Após o almoço, seguimos adentrando o vale, sempre à esquerda e, depois de uma subida não muito íngreme, chegamos a Huchui Phinaya a cerca de 4.650 metros de altitude. Lugar muito lindo com um rio muito azul serpenteando o vale com rebanhos de alpacas, com o Puca Punta e seus dois picos ao fundo. O acampamento fica no extremo da pampa, do lado esquerdo, e dispõem de banheiros, pias e tanques, como o do dia anterior. Neste dia chegamos cedinho e pudemos apreciar o pôr do sol. Porém, para o lado do Santa Catalina estava bem nublado e tivemos o interessante efeito de estar vendo os raios do iluminando o Puca Punta em frente enquanto caiam flocos de neve sobre o acampamento e estar bem escuro na montanha às nossas costas. Mas a neve não durou muito e noite foi de lua cheia.Neste acampamento tivemos o prazer de encontrar um valoroso casal de brasileiros, de Passo Fundo, que estava fazendo o trekking de forma totalmente independente. 4º Dia Levantamos com o despontar do sol, como nos outros dias, e logo depois do café da manhã retomei a caminhada. O caminho segue pelo Vale em frente, sempre à esquerda, contornando o Santa Catalina e o Puca Punta à direita. Estava muito frio, com os pequenos riachinhos estavam congelados, e até mesmo as margens do rio. A subida não é muito íngreme, mas intermitente até o Passo Jampa ou “Abra Qqampa”, a cerca de 5100 metros de altitude. É uma região que se destaca pelo colorida das rochas, com destaque para os quartizitos de cor rosa, vermelho e verde. A localização do passo é interessante, pois está de frente ao Nevando Jampa, que lhe dá o nome, e muito pertinho dos glaciares. Reiniciamosa descida em um trilha bem estreita e pedregosa, avistando ao longe três lagunas Alcacocha . Depois de cerca de uma hora de caminhada há uma bifurcação com uma placa e se pega a trilha da esquerda (Jhampa). Neste ponto perdido no meio do nada, haviam três senhoras vendendo bonitos artesanatos de alpaca. Não resisti e tive que comprar. Um pouco depois da bifurcação fica o acampamento Paschapata. Após caminhar por mais alguns minutos passamos a avistar uma pampa e várias bonitas lagunas de águas muito lindas, sendo a maior e de águas mais claras a Laguna Pucacocha. Este trecho é conhecido como Siete Lagunas do Ausangate e tem passeios de um ou dois dia saindo de Cusco para a região. Ai fica o acampamento Pucacocha embora não fosse nosso destino do dia, me deu muita vontade de acampar ali, pois o visual das lagoas é fantástico. Neste dia tive o prazer de almoçar de frente ao pico do Ausangate. Privilégio para poucos e que faz valer muito a pena a caminhada. Neste setor tem sete lagunas e uma das que mais impressiona é a Laguna Azulcocha, pequena, mas profunda e com águas de um azul surpreendente. Após atravessar a pampa segue a descida para Pachamta, localizada a 4.300 metros de altitude. Chegamos perto das 17 horas e nos instalamos em um hostel, da familiares do Felipe, bem em frente as termas, pagando 10 soles por pessoa. É bem simples, mas de acordo com o que se encontra na região. Ficamos no segundo andar, com vista para as termas e o Ausangate. Fomos nos banhar nas termas já com o sol se pondo, pagando 5 soles. Fiquei até escurecer alternando entre a piscina de água super quente, direto da fonte, e a de água morninha resultante da mistura com água fria. A parte ruim que para tomar banho com sabonete e lavar o cabelo com shampoo você tem usar uma ducha que fica 100% ao ar livre. Como estava noite e muito frio amarelei e não lavei os cabelos. A estrutura é super básica, mas o visual é fantástico. Sai da piscina direto para o hostel e me troquei no quarto.Depois descemos para o primeiro andar onde Felipe preparou nosso ultimo jantar. 5º Dia Levantei cedinho e meu companheiro de caminhada já estava na piscina esperando o sol nascer. Não me animei, pois estava bem frio e esperei o café da manhã, que neste dia consistia de panquecas feitas na hora, com doce de leite. O trajeto do último dia é bem mais tranquilo, pois se segue sempre por uma estradinha de terra, passando por diversos pequenos povoados, até chegar em Tinki. Como era bem cedinho passei por diversas crianças indo para a escola e camponeses trabalhando nas plantações de papas ou lindando com alpacas. Já mais perto de Tinki aparece um outro carro, o que levanta muita poeira da estrada. Chegamos em Tinki peças 10:30 da manhã e após nos despedirmos de Felipe tomamos o ônibus das 11 horas com destino a Cusco, onde chegamos perto das 15 horas. Contratei o passeio com a Soncco Tours, por USD 230,00, incluindo passagem de ida e volta, refeições, guia/cozinheiro/arriero (Felipe), barracas, cavalo para equipamentos comuns e mais 5 quilos de bagagem individual. Não incluído o saco de dormir, café da manhã do primeiro dia, almoço do último dia. Custos extras: 10 soles na entrada, 10 soles acampamento Ausangatecocha, 10 soles acampamento Huchuy Pinaya, 10 soles hostel em Pachanta e 5 soles nas termas de Pachanta. Eu realizei o passeio com a agência Soncco Tours, com Evelin +51 964-289453, por USD 230,00 (base duas pessoas). Recomento ainda a Qorianka Tour +51 974-739305 ou direto com Renato no watts +51 986-960796 e Inkapal, com Rubens, +51 931-325 810 (USD 280,00), ambas ótimas agências que me atenderam super bem em outros roteiros, porém com preços mais salgados(em torno de USD 350 a USD 400,00). Mas deixo a super recomendação de contratar direto o nosso excelente e muito confiável guia Felipe, watts +51 974 513-747, que cobra somente 480,00 soles por pessoa (base duas pessoas) e foi quem fez tudo em realidade. Somente será necessário comprar a passagem em Cusco e encontrá-lo no dia e horário combinado em Tinki. Além de ser mais barato é uma forma de remunerar melhor e diretamente os moradores locais. Outro guia muito prestigiado na região é o Cirilo watts +51 941 005 350. Cheguei a contá-lo, mas ele já estaca com saídas agendadas para o mesmo período. Para quem faz questão de conhecer o Vinicunca tem uma opção que achei interessante, que a faz o caminho no sentido contrário: Tinki- Pachanta, Pachanta - Hunuy Pinaya, Hunuy Pinaya –Ausangatecocha, Ausangatecocha - Ananta (Lagunas coloridas), no último dia Ananta a Montanha Siete Colores / Vinicunca e retorno a Cusco desde o vilarejo de Pitumarca – Checacupe. O Renato da Qorianca Tours me ofereceu esse passeio por USD 380,00. Dicas: Verifique antes a qualidade da barraca e isolante oferecidos e do saco de dormir, acaso vá alugar. Em geral o equipamento é por conta do guia local e como é uma região bem pobre, pode deixar muito a desejar. Se tiver equipamento próprio que vale a pena levar o seu. - atentar que por causa da altitude as noites são bem frias. Eu fui com meu saco de dormir ­ -7 º conforto e mais um cobertor fininho, tipo liner e ia dormir com as roupas polartek da Solo e não passei frio, apesar das noites bastante frias; - protetor solar e manteiga de cacau ou protetor para os lábios também são importantes, pois o sol é forte e o vento bem frio; - levar papel higiênico e saquinhos ou sacolas para acondicionar o lixo; - mesmo que contrate agência levar soles para pagar acampamento/alojamento/termas e algum artesanato local, em especial os texteis de alpaca que são mais baratos do que em Cusco; - para quem tem bom condicionamento físico, está bem adaptado na altitude, não quer/pode gastar muito, ou quer uma aventura mais raiz, é perfeitamente possível fazer o passeio por conta. O caminho é bem marcado, mas um GPS é fundamental, pois pode chover nevar, ou a noite pode chegar sem que tenha chegado ao acampamento. Altitudes e distâncias aproximadas, pois não usei GPS: 1º dia: Tinki – 3.850 m – Vilarejo de Upis (casa do Felipe) – cerca de 4.200m – 8 km; 2º dia: Upis – 4.200 m, Passo Arapa – 4.780, Passo Ausangate – 4.800, Ausangatecocha 4.650 m – 18 km; 3 º dia – Ausangatecocha – 4.650m, Passo Palomani – 5.200m, Huchuy Pinaya – 4.660 – 13 km 4º dia – Huchuy Pinaya – 4.660m, Passo Jampa – 5.100m, Pachanta – 4.330m – distância 18 km 5º dia – Pachanta – 4.330m, Tinki – 3.850 m – 12 km.
  14. Esse relato é dividido em duas partes: A primeira foram mais de 900 kms (da página 1 até a 6), trechos de picos, travessias e alguns trechos no entorno de cidades; A segunda parte, mais de 300kms, só teve uma travessia e muitos picos, começa na página n° 7. Vários amigos e familiares nos indagavam sobre nossas travessias, segundo eles, tudo era muito repetitivo(as fotos eram parecidas, repetimos várias vezes os mesmos caminhos, até pela falta de outros. Até tem, mas caminho particular, não faremos mais). De certa forma eles têm razão, visto que a visão do picos e montanhas não tem comparação com fotos de estradas e, tem um detalhe mais importante: as principais atrações das cidades(tirando algumas) não estão dentro delas, mas nos arredores (cachoeiras, picos, morros. ..). Nesses 2 meses, caminhamos mais de 900 quilômetros é quase 10.000 kms de carro. Conhecemos pessoas maravilhosas por onde passamos, experimentamos emoções que nunca tivemos, comidas deliciosas, não tivemos nenhum problema mais sério, tudo muito tranquilo. O BRASIL É SIMPLESMENTE SENSACIONAL! E mais bonito visto de cima. Diante disso e, até para comemorar meus 60 anos de vida (ingressei na melhor idade), neste verão resolvemos fazer algo um pouco diferente : fomos conhecer e rever alguns parques nacionais /estaduais /municipais e privados, subir alguns picos/montanhas e alguns circuitos desses locais, região de cachoeiras, e Brumadinho(Inhotim), poderíamos estar no dia do rompimento da barragem, para nossa sorte desistimos em cima da hora. LOCAIS VISITADOS: Extrema - Mg (subida as base dos pico do lopo e do lobo) Munhoz - Mg(subida ao pico da antenas, caminhos) São Bento do Sapucaí - Sp(pedra do baú e roteiro) Marmelopolis -Mg(subida ao morro do careca, mirantes, pedra montada, roteiros e subida ao pico Marinzinho) Aiuruoca - Mg(subida ao pico do papagaio, matutu, cachoeiras) Visconde de Mauá-Rj - (subida a Pedra Selada) PN Ibitipoca - Mg (Janela do céu, pico, circuito das águas e grutas) São Tomé das Letras - Mg (cachoeiras e roteiros) Carrancas - Mg(cachoeiras e circuito serra de carrancas) Ouro Preto - Mg (centro histórico e subida ao pico do Itacolomi) Mariana-Mg: Bento Rodrigues, local destruído por outro rompimento de barragem da Vale. Serra do Cipó - Mg(todos circuitos dentro do parque e travessão) Conceição do Mato Dentro - Mg: cachoeira do Tabuleiro (base e mirante) Lapinha da Serra - Mg(subida aos picos da Lapinha e Breu, cachoeira Bicame e Lajeado, parte travessia Lapinha x Tabuleiro) Brumadinho - Mg(Inhotim) PN de Itatiaia - parte alta - Mg(base do pico das agulhas Negras e prateleiras, cachoeira Aiuruoca, circuito 5 lagos, subida ao pico do couto) Piquete - Sp(subida ao pico dos Marins) Infelizmente, por excesso de chuvas, não fizemos os picos do Itaguaré e da Mina( motivação da viagem). Entrou uma frente fria na semana que antecedeu o carnaval, tivemos que abortar por questão de segurança, pois não utilizamos guias e fazemos somente Bate/volta - fica para a próxima. As surpresas da viagem: Inhotim, Lapinha da Serra e Serra do Cipó. Pois não conhecia nenhuma delas. Algumas fotos Subida ao pico dos Marins - SP Pico do Itacolomi - Ouro Preto - Mg Cachoeira Bigame - Lapinha da Serra-Mg Subida para pico do Breu e Lapinha - Lapinha da Serra-Mg Vista desde o pico da Lapinha Cachoeira do espelho - travessão - Serra do Cipó -Mg A incrível JANELA DO CÉU flora exuberante Cachoeira do Tabuleiro - Mg Pico da Bandeira - ES Pedra do Altar - Mg
  15. Choquequirao – 4 dias e 3 noites Saída do hostel as 5:30 da manhã, com destino a São Pedro de Cachora. Embora se possa iniciar a caminhada já em Cachora, realizando um percurso de 12 km em uma estradinha “pendurada” nas montanhas, a trilha propriamente dita começa mesmo em Capulyoc, onde tem um posto de controle em que se registra a entrada junto ao Guarda Parque, paga a entrada (60 soles para brasileiros) e, se quiser, eles carimbam seu passaporte. Capulyoc se localiza a 2.915 metros de altitude e é muito lindo, pois de um lado se abre um amplo vale em que se vislumbram as típicas plantações em terraços dos moradores locais e em frente se pode admirar um bonito grupo de nevados do complexo Salkantay “o Padreyok”. Cerca de 500 metros após o vilarejo de Capulyoc é que inicia a descida, no “Camino de Herradura”, que desce em zig zag e já permite vislumbrar o Rio Apurimac, com suas águas muito verdes, no fundo do cânion. “Apurimac” em quechua significa “Deus que fala” em razão do rumor de suas corredeiras muito audível quando se começa a chegar mais perto do rio. Seguindo a descida, no KM 16 fica o acampamento Cocamasa que pode ser uma opção de estadia para quem inicia a caminhada no final da tarde. Mas nós seguimos a caminhada até o KM 19, ao acampamento Chikisca, que está localizado a 1.950 metros de altitude. Iniciamos a caminhada em Capulyoc cerca de 10:30 horas da manhã e chegamos em Chikisca perto das 13 horas. Caminhada tranquila, com muitas paradas para fotos, mas muito quente nesta época do ano (agosto) e com muita poeira. No acampamento, que é uma espécie de oásis verde, com muitas árvores frutíferas, como manga, abacate, limão, chirimóia e outras, e se destaca em meio à vegetação do vale muito mais seca nesta época do ano, nos refrescamos em uma ótima sombra e aguardamos o almoço, que foi preparado por moradores locais. Ali tem um pequeno mercadinho com itens básicos de higiene, bebidas e comidas. Como estava muito quente almoçamos e aguardamos até as 15 horas para retomar a caminhada. Dali se descemos em zig zag por mais 400 metros de desnível, cerca de uma hora de caminhada, até chegar a Playa Rosalina, as margens do Rio Apurimac, a 1.560 metros de altitude. Descemos até as margens do rio para molhar os pés em suas aguas geladas e ficamos curtindo o visual por cerca de uma hora. Reiniciando a caminhada, atravessamos a bonita ponte suspensa e iniciamos a subida pelo outro lado do vale, num interminável zig zag até o acampamento Santa Rosa,no KM 25,5 e a 2.115 metros de altitude. Chegamos já quase escurecendo. Neste acampamento tem água, banheiros, banho frio, mercadinho básico, local para cozinhar e bonitos platôs de frente para o vale, onde se acampa. Noite de lua quase cheia propiciando um vista espetacular do vale em frente. No segundo dia iniciamos a caminhada ainda no escuro, cerca de 4 horas da madrugada, até o Caserio Marampata, no KM 28,5 a 2.910 metros de altitude. É uma subida bem puxada, com altimetria de cerca de 800 metros e na parte final já se sente um pouco os efeitos da altitude. Em Marampata, sentido o vento frio daquela altirude, tomamos nosso café a manhã preparado por uma moradora local e as 8 horas da manhã partimos para a parte final da caminhada até Choquequirao, no KM 36, a 3.033 metros de altitude. A partir de Marampata a trilha deixa de ser íngreme e vai alternando entre trechos com retas, subidas e descidas e, após 500 metros de caminhada já se começam a divisar terraços “pendurados” nas encostas e a choquequirao muito ao longe. Cerca de um quilometro antes de chegar às ruínas há um desvio para o camping Raqaypata, que também é uma boa opção de estadia. A chegada às ruínas já impressiona pela grandiosidade dos terraços com suas pedras extremamente bem alinhadas. Choquequirao trem 12 setores, nem todos reconstruídos / escavados: Praça principal – local onde o pessoal costuma para descansar; Colcas – onde eram armazenados produtos alimentícios e vestuário; Terraços ou “andenes” – onde eram realizadas as plantações, com destaque para o setor de “llamas” com seus 440 degraus; Habitações dos sacerdotes – localizada na parte alta; Cemitério inca Kallancas – edifícios retangulares que serviam como oficinas, centro administrativo, espaço para reuniãos, etc. Ushnu – plataforma cerimonial no topo da colina. Chegamos às ruínas pelas 10 horas da manhã, não sem antes nos impressionarmos com dois setores de terraços já recuperados “pendurados” nos penhascos e visíveis de vários pontos do caminho. Chegando na Plaza Central descansamos alguns minutos na sombra de uma “arbol papel” ou polilépis, no meio de uma gramado muito verdinho curtindo o astral do local com apenas outros três turistas que estavam ali naquele momento. Depois, subimos por uma trilha a esquerda até o “Ushnu” ou platô cerimonial, de onde se tem uma bonita vista do cânion formado pelo Rio Apurimac, das ruínas e das montanhas nevadas, ou quatro “Apus” que cercam Choquequirao. Após, voltamos a Plaza Central e atravessamos para a parte de trás e seguimos a trilha que conduz ao setor de Llamas, numa descida com desnível de cerca de 200 metros até chegar a um mirante que permite ver este setor de frente. Na verdade o setor de “Llamas” se trata de terraços que “despencam” da montanha abaixo de forma quase vertiginosa, que tem em suas paredes de pedra incrustados desenhos de llamas em uma rocha branca, provavelmente quartizito branco. No retorno, ao invés de seguir a trilha, subimos a escadaria original, com infindáveis 440 degraus em meio aos terraços. Na parte alta dos terraços está incrustado desenho de a uma serpente. Após a cansativa subida retornamos a Plaza Mayor onde nosso cozinheiro nos esperava com uma marmita de almoço bem quentinho. Sentamos no gramado em uma área um pouco mais afastada para almoçar e descansar / cochilar um pouco. Depois fomos visitar o setor de colcas e o da residência dos sacerdotes, bem como observar o sistema hidráulico do complexo. Após as 16 horas iniciamos o retorno para o acampamento Marampata e na descida pudemos apreciar um lindo pôr do sol. Já no acampamento descobri que pagando 10 soles eu teria direito a um banho quente, em chuveiro a gás, o que vale ouro depois de tanta caminhada e do vento frio da noite. Tivemos outra noite fantástica, bem fria, mas agora com a lua um pouco mais cheia. No terceiro dia saímos cedinho, despencando cânion abaixo por cerca de 1400 metros de desnível. Após atravessar o Rio Apurimac reiniciamos a subida pelo outro lado e após 400 metros de desnível, chegamos em ChiKisca já com muito calor. Aguardamos o almoço e esperamos por bastante tempo, até as 15 horas, para reiniciar a caminhada, pois fazia muito calor. Chegamos ao final da tarde em Capulyoc. O acampamento fica num lugar sensacional, um platô com vista privilegiada do vale e dos nevados em frente. Consegui um banho quentinho, a 10 soles, num sistema de água aquecida no fogo. O jantar foi oferecido pelos donos do acampamento e a noite estava belíssima com a lua cheia e o visual montanhoso completamente iluminado. No quarto dia pudemos dormir um pouco mais e após o café da manhã, também oferecido pelos anfritriões, ficamos curtindo o visual em uma sacadinha de frente para as montanhas enquanto aguardamos o nosso transporte de retorno que chegou as 10 horas da manhã. E levou quase cinco horas para chegar em Cusco. Eu realizei o passeio com a agência Qorianka Tour – 084 505959, cel: +51 974-978771 e +51 974-739305 ou contato direto com Renato no watts +51 986-960796 e paguei USD 230,00 com tudo incluído (transporte de ida e volta a Cusco, alimentação, guia, mulas para levar equipamentos comuns e mais cinco quilos de bagagem individual, acampamento em barraca com isolante). Não incluído o saco de dormir, café da manhã do primeiro dia, almoço do último dia e bebidas adquiridas nos acampamentos. Recomendo ainda: Soncco Tours, com Evelin +51 964-289453 (USD 245,00) e Inkapal, com Rubens, +51 931-325 810 (USD 280,00), ambas ótimas agências que me atenderam super bem em outros roteiros. Querendo contratar direto se pode fazer contato com Choquequirao Wasi (tem página do facebook), watts app: +51 974-555258. Quando estive lá os valores eram os seguintes: 50 soles por dia para o cavalo; 50 soles por dia para o “ariero” (condutor do cavalo ou mula);10 soles por acampamento; de 30 a 40 soles pra retorno a Cusco nas vans que trazem os turistas das agências (sempre tem lugar) ou 60 soles em transporte local (táxi) até ramal de onde se pode pegar o ônibus para Cusco por cerca de 10 soles. A única coisa que não consegui verificar é como conseguir um transporte de van privado a partir de Cusco, mas o pessoal da Choquequirao Wasi deve ter essa informação. Se for de ônibus tem que pegar ônibus para Abancay e depois para Ramal e de lá conseguir transporte para Cachora ou Capuliok. Ou seja: é um trajeto que pode ser feito de várias maneiras. Com agência contratada em Cusco, se tem menos preocupações e está tudo incluído. Contratando cavalo/mula e ariero local é mais em conta e se privilegia a distribuição de renda aos efetivos moradores da região. Fazendo 100% solo é bem mais barato, mas é preciso atentar para o preparo físico, pois o desnível do percurso é de mais de 1500 metros, o que torna a caminhada bem pesada. Mas a distribuição dos acampamentos também permite fazer o caminho com mais calma, utilizando mais dias. Recomendações: tome muita água, pois o clima é muito seco e quente e procure organizar a caminhada para não estar na trilha nos horários mais quentes do dia. Os acampamentos de altitude (primeiro e último dia) são bem frios, então leve uma roupa bem quente. Observação: A partir de Cachora é possível fazer o Trekking até Machupichu. Ou seja, você vai até Choquequirao e não volta, mas segue até Santa Tereza / hidroelétrica e de lá pelo trilhos do trem até Águas Calientes. Me pareceu um maravilhoso passeio, mas leva de 07 a 08 dias e requer um bom planejamento, pois se precisa mais comida e não tenho informação acerca de possibilidades de comprar no caminho entre Choquequirao e Santa Tereza.
  16. A região do Complexo do Baú é uma das mais conhecidas de toda Serra da Mantiqueira, situada próximo a Campos de Jordão e São Bento do Sapucaí. A região atrai milhares de turistas ao ano, que procuram desde o turismo convencional até ao turismo de aventura. O Complexo do Baú é uma grande formação de rochas de 360 m de altura, 540 m de comprimento, com encostas de até 180 m de altura. Ele é formando por três montanhas: a Pedra do Baú (1.950 m), A pedra do Bauzinho (1.760 m) e a pedra da Ana Chata (1.670 m). A Pedra do Baú no centro, ao lado esquerdo da foto, atrás do ramo de folha, o Bauzinho O trajeto até a pedra do Bauzinho pode ser realizada de carro e tem uma linda visão para a Pedra do Baú. Já o trajeto da Pedra do Baú e para a pedra da Ana Chata só por trilha, que podem levar de 03 a 06 horas dependendo do ritmo de cada um, a nota especial é que na Pedra do Baú você tem que encarar 600 grampos. (recomendado fazer com um guia e equipamentos de segurança). O desafio da Pedra do Baú é encarar a altura e os famosos grampos. Os grampos são totalmente seguros, instalados na pedra desde os anos 40. Muitas pessoas contratam guia com os devidos equipamentos de segurança, mas existe a possibilidade de você fazer por conta própria, não tem muito erro, é só você ir com calma, de grampo em grampo sempre mantendo 03 pontos de apoio fixo. São 600 grampos ate o topo da Pedra do Baú - Como chegar Usando o Waze ou Google Maps coloque a localização Restaurante Pedra do Baú, de São Paulo dá em torno de 200 km. O local é bem estruturado, oferecendo estacionamento, banheiro, restaurante, hospedagem e dá acesso à trilha Pedra do Baú e da Ana Chata. A diária do estacionamento custa R$20,00 e o uso dos banheiros esta incluso nisso. A trilha tem em torno de 05 a 06 km, sendo 1,5 km de seu trajeto de subida, depois mais 600 grampos ate o topo da Pedra do Baú, então as pernas acabam ficando doloridas no retorno. Para se ter uma ideia, fiquei mais cansado nessa do que na de 25 km que fiz pela região de Biritiba Mirim. Bauzinho ao fundo A trilha é bem demarcada, com totens indicando a distância que falta até o inicio dos grampos. Quando chegar ao inicio dos grampos, terá um responsável controlando o acesso, caso você não opte fazer a subida com algum guia, será necessário assinar um termo de responsabilidade. Nesse mesmo ponto você verá o acesso para a trilha da Ana Chata. A subida pela FACE SUL da Pedra do Baú esta INTERDITADO, houve um deslizamento de pedra que acabou arrancando 03 grampos, porém mesmo sem eles, as pessoas estavam se arriscando com cordas para pular a parte sem grampos, os responsáveis do parque acabaram tirando mais alguns grampos tanto no meio como no começo para que nem com corda fosse possível. Tudo isso foi feito pela sua segurança, a face Sul não é tão firme quanto a Face Norte. Logo evite. Visão da Serra da Mantiqueira Como o mesmo lugar para subir é a mesma via para descer e não cabem 02 pessoas no meu grampo, ai você pensa "e como faz com o congestionamento de pessoas?" Bem, o Parque disponibiliza 04 funcionários que ficam um no começo, dois no meio e um no fim, controlando o transito de pessoas, isso ajuda muito. A Pedra do Baú é muito bem cuidada, não há lixo na trilha, é bem demarcada, gostei muito de conhecer a região, os grampos são firmes e estão em um espaço muito confortável entre um e outro, assim não dificultando para quem tem a perna curta. O medo sempre ira surgir, mas qual seria a graça da vida se a gente não encarar nossos medos né? O que posso recomendar é pensar em um degrau por vez, devagar, sem pressa e sempre da forma mais segura possível, caso tenha muito medo ainda, é possível contratar guias locais que vão te acompanhar e irão fornecer os equipamentos de segurança. - Dicas Leve: 2 Litros de água no mínimo. Lanche e frutas Boné e lanterna Óculos Protetor solar Blusa de Frio ou corta vento Protetor Labial Um calçado adequado para a trilha Sempre deixe avisado para familiares para onde você esta indo Planeje a trilha antes de fazê-la pela primeira vez, saiba o que você ira enfrentar durante o dia. Melhor época é sempre no outono/inverno, época que dificilmente terá incidência de raios e trovões, e muito menos chuva, mas sempre fique atento a meteorologia do dia. Não se esqueça de sempre trazer seu lixo de volta, ajude a cuidar e preservar a natureza. Espero que tenham gostado do relato, para qualquer dúvida só mandar mensagem pelas minhas rede sociais, estou presente no Instagram no rafacarvalho33 e no Facebook no Follow The Portuga. **** Aos amigos do blog que vão viajar e reservar sua hospedagem, peço para usarem minha caixa de pesquisa na página inicial do site, assim o Booking repassa uma parte da comissão para mim, ajudando eu a seguir com o trabalho aqui no blog, isso não gera nenhum custo adicional para você. Valeu =] **** Follow me
  17. Saudações meus queridos! É com muito prazer que começo esse relato. Afinal, relatar não é apenas descrever, mas é REVIVER! Bom. A história da travessia começou no Mirante da Serra do Rio do Rastro, onde eu, @darlyn e @Dionathan Biazus encontramos o senhor Miguel. Fizemos 6 horas de estrada desde Chapeco até o Mirante. O Miguel é o proprietário das terras onde a travessia acontece, então é com ele que tem que combinar as paradas. Cara super gente fina, de uma simplicidade enorme. O próprio mirante já é um ponto de partida (mas longe de ser o ápice da trip). Mirante da serra do rio do Rastro: o mirante tem um murinho onde as pessoas ficam contemplando o visu da estrada da serra, cercada por suas montanhas. E tem sempre visitas dos quatis... É bom pontuar que aqui é sempre cheio de pessoas, se você quer ficar em contato com a natureza, não apenas olhe a mata, mas entre nela. Não só olhe a montanha mas vá até o topo! Seguindo então, encontramos nossos outros dois parceiros dessa empreitada @dumelo39 e o Lucas, que vieram do Rio de Janeiro! Assim juntou toda a piazada haha. Fomos com o Miguel de 4x4 até a primeira fazenda. Ele cobra cerca de 150 pila o transfer (total) e 30 por dia pra acampar nas terras. Pra entrar nessa primeira fazenda mais 10 pilinha por cabeça. Começamos então a subida até o primeiro destino: canyon Laranjeiras, daí foi cerca de 2 horas. O caminho é relativamente tranquilo, apenas umas partes com barro (fichinha perto do que viria a frente). Canyon Laranjeiras: maravilhosamente lindo, o canyon tem 3 pontos principais pra parar. A parte mais do fundo é onde fomos pra descansar um pouco e comer. Estávamos nessa função quando do nada o tempo se armou e caiu um mundo de água. Ainda bem que deu tempo que fazer uma casinha com uma lona grande que o querido Dihonatan levou. Ficamos um tempo ali até que passou a chuva e seguimos. Nos tracklog tem uma parte que direciona pra fazer a borda do laranjeiras. Mas como estava muito úmido resolvemos seguir a dica de um guia que estava por ali, e cortamos reto saindo do laranjeiras. Nessa primeira parte já tivemos contato com nossos amigos que apareceram muito nessa travessia: OS CHARCOS! Isso mesmo, lemos tanto sobre eles nos relatos que já chegamos meio preparados. Mas quando começou de verdade, que o pé afundou no barro ou na água que nos demos conta do que eram esses caras. Foi só até acostumar. Chegamos então na entrada de uma floresta, onde começou uma trilha punk. Íngreme, floresta fechada, terreno encharcado (a mochila ficando presa nos galhos uhuuull) coisa linda! Depois de atravessar e subir pelo mato conseguimos ver uma abertura e chegamos a uma plantação de pinheirinhos americanos. Dali passamos uma cerca e entramos na pior parte de charcos. Apareceu outro desafio. A Viração, que é uma neblina densa que cobre tudo. Decidimos acampar ali na plantação mesmo. Arrumamos as coisas, fizemos nosso super miojo e descansamos o corpo pro outro dia, nesse primeiro dia fizemos uns 7 kms. O dia amanheceu com um sol tímido e seguimos viajem, andamos uns 10 kms nesse dia, passando por vários picos de tirar o fôlego. Chegamos ao canyon do Funil cedo, as 15:30, e resolvemos ficar por ali pra aproveitar a vista e continuar no outro dia. Armamos acampamento e logo veio a chuva. Mas já estávamos preparados, ali perto tem um córrego que da pra tomar um banho massa. Era umas 18 e a gente já estava dormindo, porque o corpo estava pedindo. Umas 2 da manhã olhamos pra fora esperando ver uma chuvarada, que o barulho lá fora tava de arrasar, mas era só o vento chegando. O céu estava limpando e lua deu seu espetáculo. Depois de um bom chá /café deu pra olhar as estrelas um tempo até o sono voltar. Aí dormimos até umas 5 e pouco, quando o vento aumentou e o sol começou a chegar. Demos muita sorte, porque o amanhecer foi coisa de outro mundo. Começamos a desmontar o acamps umas 8 e demoramos porque o vento tava do caramba. Caminhamos mais uns 8 kms pelas bordas dos canyons até o final da travessia onde chegamos na porteira final saindo no asfalto, perto da sub estação. Mais alguns kms no asfalto uns 3 e voltamos ao Mirante... Super cansados, mas já querendo voltar e começar tudo de novo. Tivemos um almoço dos deuses lá no Mirante. Depois de quase três dias a base de miojo, uma lasanha caiu super bem. É muito difícil traduzir em palavras o que é uma travessia ou trilha com montanha. Porque o sentimento só pode ser sentido, todo o desafio, desde o peso, o cansaço, o medo, até ficar deslumbrado olhando a imensidão e tendo um pouco de consciência de como somos pequenos nesse universo e como a natureza é perfeita, com respeito, prudência e amor pela natureza, concluímos com sucesso a travessia. Super recomendado. 🙏👏🌲🌲🌲
  18. Olá amigos mochileiros. Hoje vou compartilhar com vocês um relato sobre a travessia das 7 quedas da Chapada Dos Veadeiros com eventos que podem ajudar todos que quiserem realizar a travessia, ou estejam pensando em fazer a primeira trilha com camping. Todo mundo que ingressou nesse mundo de trekking passou por perrengues que acrescentou grande vivência e amadurecimento, conhecimento dos limites do corpo, aprendizados valiosíssimos que carrega-se para o resto da vida. Esse fim de semana eu e a Nanda realizamos a famosa travessia das 7 quedas pela segunda vez junto com quem nunca havia feito e com quem já fez, mas não adquiriu muita noção ainda. E essa experiência me inspirou a contar para vocês como faz diferença ter um bom planejamento, conhecer o corpo e saber tomar boas decisões. São 23 quilômetros de caminhada feita em dois dias e conhecer a trilha (tipo do terreno, clima, fauna e flora) é fundamental antes mesmo de iniciar a aventura, pois é a partir daí que começamos a montar a mochila com as coisas mais essenciais, e isso faz muita diferença, pois previne de levar coisas desnecessárias que se transformaria em peso e previne de esquecer coisas extremamente necessárias. Primeiro vou fazer uma breve explicação sobre esse pequeno trekking. A Chapada dos Veadeiros se situa no estado de Goiás, é uma região muito extensa no coração do cerrado, região essa que é predominada por árvores baixas, vegetação rasteira e clima extremamente seco, a travessia só é permitida ser realizada no período da seca, de julho a setembro, período este que o clima é mais duro ainda. O percurso tem ao todo 23 quilômetros (não é uma trilha longa) que se inicia na entrada do parque nacional da Chapada Dos Veadeiros na cidade de São Jorge e acaba na beira da estrada a 11 quilômetros da cidade. Normalmente a travessia é realizada em dois dias e no final tem-se 3 opções: alguém deve estar esperando os trilheiros para serem resgatados na rodovia, ou os trilheiros pedem carona para voltar para São Jorge, ou voltam a pé pela beira da estrada. Voltando a trilha, ela é iniciada seguindo as setas vermelhas, caminho para os Canions, até encontrar com as setas laranjas que são as especificas das 7 quedas, nesta trilha há contato com com o rio em 3 ocasiões, uma quando se encontra o acesso aos Canions I (Não recomendado), outra quando tem que atravessar o rio e a última no camping. Agora que vocês ja conhecem o básico, vamos ao relato: Organizamos a travessia com um grupo que a princípio seria de 12 pessoas, mas ao final restaram apenas 6. Como só há 30 vagas no camping e é necessário agendar a travessia pela internet, se a pretensão é ir no fim de semana, o recomendado é que faça a reserva logo no dia que é aberta a temporada de reserva, pois elas acabam muito rápido. A reserva custa 18 reais. Vou apresentar os integrantes dessa aventura: - Eu (Andrei) e Nanda: os experientes do grupo, já tendo realizado a travessia das 7 quedas e outras trilhas de longa distância com camping. - Sônia (minha mãe) e Gabi (minha sobrinha): Já haviam realizado a travessia das 7 quedas uma vez e outra trilhas pequenas sem camping. - Kleber e Livia (amigos): Já realizaram trilhas pequenas sem camping. Como falei anteriormente, conhecendo para onde vamos é que podemos montar a mochila. Em uma trilha que, apesar de curta, é no cerrado em época de seca e com poucos pontos de água, devemos levar um reservatório de água de no mínimo 2 litros por pessoa, lanches leves com grande fonte de energia, uma farmacinha completa também não deve faltar (com no mínimo anti-séptico, álcool, algodão, bandaid, comprimidos para dores musculares, dores de estômago, problemas intestinais, problemas alérgicos, soro, sal e açúcar, pinça, etc). Como a caminhada é com muito sol, tem que ter protetor solar fator 50 no mínimo, repelente, camiseta de manga comprida, calça leve tipo tactel, tênis apropriado e amaciado. Como terá camping, temos que pensar também na barraca, saco de dormir, colchonete ou isolante (algo para não dormir no chão duro) fogareiro (pois é proibido fazer fogo), panela, copo, talher e comidas que não pesem muito na mochila, pois caminhar com muito peso nas costas de baixo de um sol quente não é fácil e lanternas. Por último, roupas leves para mais um dia, roupas para entrar no rio, bonés ou chapéu que cubram o pescoço. Nesta época faz muito calor, então é dispensável roupas de frio. Fomos sexta-feira em dois carros para São Jorge as 16:00hs, saindo de Brasília. Já com reservas feitas em uma pousada com o nome de Pousada Refúgio. Decidimos ficar em uma pousada e não em camping para descansarmos melhor, tomar café, poupar tempo para sair e as 8:00hs estarmos iniciando a trilha. A informação que tinha era que o parque abria as 8:00hs, então levantamos as 7:00hs, nos arrumamos e colocamos as mochilas no carro. Fui verificar a equipe, todos ja estavam acordados, fui no quarto de minha mãe e parecia que tudo ja estava pronto, as mochilas pareciam arrumadas, faltando pequenos itens. Dei bom dia e fui pegando uma das mochilas que entendi estar pronta, perguntando se ja podia levar, elas me deram um ok e eu levei. Aquele quarto tudo parecia certo, já eram 7:20hs. Depois fui no quarto do Kleber e da Livia e parecia que as mochilas também estavam prontas, o Kleber estava com uma nas costas dizendo estar testando, olhei a mochila de relance e parecia uma mochila de trilha com alças de peito e barrigueira e não dei muita atenção para a outra. Como tudo parecia ok falei que ia tomar café e que aguardava todos lá. Eu, a Nanda e a Gabi estávamos no horário tomando café, minha mãe chegou um pouco depois, mas o Kleber e a Livia se atrasaram um pouco e acabamos demorando e se atrasando em meia hora. Chegamos no parque por volta das 8:20hs e como da última vez, deixaríamos os carros em um chácara ao lado que tinha parceria com o pessoal do estacionamento do parque, mas surgiu o primeiro imprevisto, não havia mais parceria, se fôssemos deixar o carro no estacionamento além de ter que pagar 15 reais por dia, não teríamos segurança a noite. Minha mãe então resolveu falar com um funcionário do parque que ofereceu carona para que pudéssemos deixar os carros na pousada, levar os carros para a pousada e voltar de carona para o parque foi mais atraso. Ao entrarmos no parque, tivemos outro imprevisto, agora além de pagarmos a reserva da pernoite no camping, temos que pagar 17 reais de entrada para uma empresa nova que administra o local. Ainda ficamos sabendo que para os que vão realizar a travessia o parque abria as 7:00hs, falha nossa. Para resumir, iniciamos a trilha ad 9:30hs. O que aprendemos foi sempre se atualizar com todas as informações novas que possa ter e sempre sair no mínimo 30 minutos antes do planejado. A trilha: Começamos a caminhada seguindo as setas vermelhas. Como estávamos atrasados não tiramos fotos. A Nanda puxava o grupo e eu seguia atrás com os mais lentos. Ao andarmos alguns metros percebi um problema, a Livia estava com uma mochila muito grande para a altura dela, a barrigueira ficava folgada e as alças também, isso iria prejudicar seus ombros. A mochila que minha mãe utilizava também não era apropriada, mas se encaixava bem nas costas. Não falei nada, mas sabia que mais na frente teríamos problemas. Apesar do atraso resolvemos passar nos Canions II e relaxar lá por uns 30 minutos. Todos entenderam e tudo foi conforme o planejado, a trilha, incluindo o Canions, aumentou em 3 quilômetros, totalizando 19 quilômetros até o camping. Neste dia tivemos a sorte de estar nublado o tempo todo, minimizando o efeito dos raios do sol. A caminho dos Canions II a Nanda, que puxava o grupo, não percebeu a planta angiquinho, uma planta nativa do cerrado que tem uma flor linda, e acabou batendo o rosto e se cortando toda, foi a primeira necessidade da farmacinha, limpamos o rosto dela e batemos anti-séptico e passamos pomada. Quando estávamos no lago dos Canions II, acabei colocando minha mão em uma rocha cheia de minúsculo espinhos que só consegui tirar com pinça, utensílio indispensável na farmacinha. A Nanda estava sentindo dor na virilha e a Gabi estava com dor de cabeça, então a farmacinha novamente entrou em ação com comprimidos para dor. Seguimos caminho, voltando dos Canions II para seguir as setas laranjas, a partir deste ponto surgiram novos imprevistos: caminhamos por mais 3 quilômetros e a Gabi começou a passar mal do estômago, com náuseas e dor, paramos na sombra de uma árvore para dar um tempo e analisar a situação, então o Kleber aproveitou para urinar ali perto, foi ai que surgiu a primeira preocupação séria. O Kleber havia feito uma cirurgia para retirada de pedras no rim e estava com um catéter na uretra e só ficamos sabendo naquele momento, pois ele havia urinado sangue e estava preocupado. A história era que o médico do Kleber havia liberado ele para realizar a travessia, mesmo com a informação de que seriam dois dias de caminhada com mochila pesada nas costas. Pelo ponto que estávamos, ou ele e a Livia voltavam 7 quilômetros, ou seguiam por 9 quilômetros até o camping. Ai vai uma dica, nunca pense em fazer alguma trilha logo depois de qualquer tipo de cirurgia, pois seu corpo precisa se recuperar muito bem. Voltando a história, Kleber acabou por assumir o risco e resolveu seguir em frente, a Nanda para ajudar resolveu carregar a mochila do Kleber por um tempo para evitar que ele fizesse muito esforço, a Gabi se recuperou um pouco comendo uma barrinha de cereal e nós seguimos para o camping, eram 11:30 da manhã e foi ai que a Livia começou a sentir o desconforto da mochila, era impossível regula-la em seu corpo, então dei a idéia do Kleber trocar de mochila com ela, não ficou 100%, mas melhorou muito, uma mochila no tamanho ideal para o corpo e bem ajustada nunca irá prejudicar a lombar. Seguimos viagem e por algumas vezes precisei abastecer os cantis da Gabi e de minha mãe, pois a garrafinha que elas levaram era apenas de 500ml e para caminhar em um cerrado na seca não era suficiente, ai mais uma dica, nunca leve menos de 2 litros de água para uma trilha de mais de 20 quilômetros. Como estávamos um pouco atrasados e sem fome, decidirmos não almoçar ao meio dia e seguir em frente. Ao chegarmos no cruzamento do rio, um ponto onde é necessário atravessar o rio para seguir do outro lado do seu leito, resolvemos dar uma paradinha para encher as garrafinhas de água, ai tivemos mais um probleminha, minha mãe e a Gabi não haviam levado pastilhas de clorin (purificadora de água), por essa razão acabamos compartilhando as que nós tínhamos e isso iria fazer falta, nova dica: se quiser tomar água mais segura sempre tem que levar clorin. No rio resolvemos também dar uma pequena pausa para comer o que minha mãe tinha levado, ela havia preparado charutos de carne enrolados na couve, já prontos e congelados que, com o tempo, foram descongelando, como não era necessário preparar, foi essencial para não perder tempo, comidas rápidas podem poupar muito tempo em uma trilha. Após atravessarmos o rio começamos o trajeto mais difícil do dia, pois seriam 8 quilômetros de trilha subindo sem água, com pouca sombra e muito calor e seca. Não sei se aquelas plaquinhas que indicam a distância do camping mais ajudam ou mais atrapalham: Só sei que quando encontrávamos com uma era uma alegria e um desespero misturados. Fomos caminhando e tivemos que parar novamente, pois a Gabi não estava muito bem, acabou passando mal do estômago novamente, com dores de cabeça e náuseas, estava cansada e próximo de estar naqueles dias. Nada que a farmacinha não possa ajudar, dei para ela um comprimido de buscopan e a Nanda novamente se prontificou em carregar a mochila da Gabi até a plaquinha de 3 quilômetros, demos um tempo para o remédio fazer efeito e seguimos. Depois de passarmos a plaquinha de 3 quilômetros, a Gabi já se sentia muito melhor e pode levar sua bagagem, mas logo na subida do morro na metade do trecho minha mãe sentiu o cansaço da subida e precisou parar. A Wonder Woman, Nanda, agiu novamente e resolveu levar a mochila de minha mãe, um detalhe, quando ela levava mochila dos outros era carregando a dela nas costas e a dos outros na frente, fazia isso puxando o grupo ainda. Minha mãe precisou de um tempo para se recuperar e eu fiquei com ela, depois que se sentiu melhor emprestei meus bastões de caminhada para que ela pudesse caminhar melhor, mas uma dica para os que sentem o peso da mochila nas pernas e pés, o bastão de caminhada é essencial e ajuda a distribuir o peso do corpo. Mesmo sem a mochila, foi difícil para ela chegar, mas quando chegou foi uma alegria só. Chegamos por volta das 16:30hs e a dica era montar as barracas antes de qualquer coisa no camping. Depois de devidamente instalados fomos curtir o rio das sete quedas, relaxar as costas, tomar um banho sem químicos, pois é proibido utilizar shampoo e sabonete no rio, abastecer nossas garrafas e fazer o almoço. Foi nesse momento que tivemos outro contratempo, pois para um grupo de 6 pessoas nós só tínhamos o meu fogareiro. Isso não foi um problema, mas quando o grupo é grande o ideal é ter no mínimo um fogareiro para cada duas pessoas, ou fazer um jantar bem coletivo de uma panela só, se não acaba gerando fila. Para nós isso foi facilmente resolvido pois fizemos um almoço que deu para todos. Mais tarde resolvemos tirar fotos das estrelas, relaxar mais um pouco e depois ir pra cama. Como resultado da trilha a Lívia acabou com o pé cheio de bolhas, pois o tênis era muito novo e não fora amaciado direito, iria ser um problema para o dia seguinte. A dica aqui é sempre amacie o tênis muito bem antes de realizar uma trilha longa, assim diminui o atrito no pé e evita as bolhas. O Kleber e a Lívia não tinham levado nada para deitar, então para eles a noite foi um pouco mais dura pois dormiram apenas em cima do saco de dormir. É sempre bom levar pelo menos um isolante térmico para não deitar diretamente no chão. No dia seguinte acordamos as 6:00hs da manhã, mas o problema de ter apenas um fogareiro acabou por alongar demais o tempo do café da manhã e eu também acabei perdendo a noção do tempo no rio, fazendo com que fôssemos sair as 10:00hs da manhã. É sempre importante deixar todos os horários bem definidos com o grupo, pois ai todo mundo aproveita o dia e não atrasa ninguém. Por causa disso minha mãe acabou que entrou na água das sete quedas por 10 minutos apenas e a Lívia nem entrou, uma pena. A trilha final é bem puxada, são 7 quilômetros onde, metade é subindo o morro e o resto é por uma estrada de chão. Na subida a Gabi novamente passou mal e ficou pra trás comigo, foi preciso tomar outro buscopan e esperar um pouco, no meio do caminho ainda teve uma farpa imensa entrando em seu dedo e adivinhem, tinha na farmacinha álcool, anti-séptico, algodão, pinça, agulha e bandaid, tudo que precisamos para tirar qualquer farpa do dedo. Após ela melhorar ainda acabamos por alcançar a Lívia e o Kleber algumas vezes, pois devido as bolhas nos pés da Lívia ela andava com dificuldade, mas no final todos se encontraram na casinha da torre de celular. Dali para frente seriam mais 3 quilômetros de estrada de terra. Minha mãe emprestou um chinelo para a Lívia e ela conseguiu seguir a caminhada mais aliviada. Na torre liguei para os resgates nos pegar na rodovia e todos se superaram e chegaram bem as 12:40hs. Fomos agraciados pelo Célio com uma maravilhosa ducha e uma sauna para relaxar os músculos na pousada Refugio. Espero que esse relato ajude todos os trilheiros de primeira viajem a estarem mais preparados. Um grande abraço!
  19. Depois de conhecer as Prateleiras e também o pico das Agulhas Negras, meu próximo objetivo era o Morro do Couto. Assim como Agulhas Negras e Prateleiras, o Morro do Couto fica localizado no Parque Nacional do Itatiaia, no estado do Rio de Janeiro, sendo considerado o 8° ponto mais alto do Brasil com 2680 metros de altitude. A travessia aconteceu no dia 11/03/18. A intenção era subir o Morro do Couto, seguir até Prateleiras, e depois retornar para a portaria passando pelo Abrigo Rebouças, totalizando um percurso de 12 km. [emoji33] O quase planejamento da aventura começou na semana que antecedeu o domingo do possível passeio. Eu e o meu namorado Rafael, conversamos sobre o período sem trilhas que estávamos passando, e surgiu a ideia de voltar ao PNI. Itatiaia é cidade próxima de onde moramos, então, colocaríamos gasolina no carro, chamaríamos os amigos, e partiu. O valor da entrada por pessoa é tranquila, apenas R$17,00. O problema para ir começou quando nos dois dias que antecederam o dia 11, choveu bastante e a probabilidade de chuva para os próximos dias na região era muito grande. Procuramos em diversas fontes alguma forma de saber melhor qual a previsão mais aproximada para o PNI, mas todos diziam que a possibilidade de chuva era de 90% e em outros alertava até para tempestades. Ate que um site nos orientou melhor e conseguimos ver que iria chover nas cidades próximas a partir das 9:00 da manhã. Então, avisamos os amigos que sairíamos bem cedo e faríamos pelo menos parte do trajeto ate as 9:00. Mas, sábado a noite choveu, e choveu muito; quem estava interessado de ir, desinteressou. [emoji32] Mesmo morrendo de medo de ser uma furada, de sair pra estrada e acabar pegando chuva forte e melando todo passeio, decidimos ir. Arrumamos as coisas e combinamos de sair ate umas 5:30. Era umas 6:00 e estávamos na estrada. O tempo ainda não dava sinais de que rumo tomaria, mas nossa esperança era de que ate uma 9hrs ficaria tudo bem. Em uma parte da Via Dutra, vi um tempo fechado que me preocupou, mas eu já sabia, por idas anteriores, que o clima pode ser totalmente diferente lá em cima. Quando começamos a avistar os picos imponentes do parque, percebemos que o dia estava lindo, sem nuvens e com um lindo sol.[emoji41] Estávamos na portaria do parque as 8:15. Para fazer essa travessia, o horário limite de acesso é ate as 10. A travessia pode ser feita sem guia, mas, se você não conhece nada de trilhas, e ainda não se sente a vontade de encarar uma trilha sem um acompanhamento, o melhor é ir com alguém experiente. Nós fizemos sem guia, mas antes, coletamos informações suficientes sobre o que viria pela frente. O acesso para a trilha do Couto é uma estrada a partir do estacionamento. Subida bem íngreme, mas, conforme andávamos dava pra ver quão bonito estava a paisagem. Fomos ate uma antena e pouco depois começamos nosso primeiro ponto com subida nas pedras. Durante a caminhada conversamos sobre aquela ser uma trilha boa para levar crianças de uns 10 anos. Já na subida de pedras, aumentamos a idade devido ao tipo de desafio. Chegamos ao topo do Couto.[emoji3] A paisagem estava incrível, o lugar dá uma visão muito ampla do parque e nos deu uma sensação de liberdade sem igual. Não ficamos muito, pois íamos para o segundo desafio: chegar ate Prateleiras. São mais 4,5km de trilha. Na saída encontramos um pai com seu filho, que nos fez relembrar da nossa conversa anterior. Tivemos que perguntar a idade do menino, e imagine nossa surpresa ao ver uma criança de nove anos chegando lá em cima, com um sorriso no rosto e super empolgado. Tive duvidas se eu conseguiria concluir a caminhada. A partir do momento que começamos o trajeto ate prateleiras percebemos que aquela trilha seria um exercício de paciência, cooperação e humildade; digo que até de coragem. Nessa parte, os totens (pedrinhas empilhadas) encontrados no caminho foram de grande ajuda. Eles davam a dica de qual o próximo caminho a se seguir, porque em alguns momentos as trilhas sumiram e andamos mato afora, mantendo o foco no nosso objetivo. O terreno la é sem árvores e tem somente mato rasteiro, que devido a estação do ano estava um pouco maior em alguns pontos, e também havia água e barro (é, você vai sujar sua bota sim). Durante o trajeto você tem a opção de abortar a travessia utilizando a trilha sinalizada que leva até o abrigo. Fizemos pequenas pausas para comer, descansar e tirar alguma foto. A próxima foto é da vista do mirante que encontramos no caminho, fácil de identificar por causa de uma plaquinha. Em certo ponto mais na frente, passamos pela toca do índio; pedras enormes que formavam uma passagem. Vale lembrar que durante o percurso, a toca do índio foi o único local com sombra generosa. Durante todo percurso, as sombras são muito raras. Fora isso, tivemos sombra em algumas pedras que encontramos no caminho. É importante não esquecer o filtro solar, e se der, use até uma manga longa. Pegamos um dia bem quente, afinal, era verão e o tempo estava aberto. Não se esquecer de levar água e também lanchinhos rápidos. Prateleiras estava ficando cada vez mais perto. Estávamos chegando ao nosso objetivo, e insistir na travessia foi a melhor escolha que fizemos. A paisagem é gratificante e as histórias pra contar sempre serão muitas. [emoji6] Quando chegamos ate as Prateleiras, e dessa vez não fomos até a base, retornamos pela trilha até o abrigo. Passamos pela cachoeira das Flores que estava com um bom fluxo de água que a deixou ainda mais bonita. Chegando ao abrigo, fizemos nossa pausa maior com direito a uma sopa. [emoji3] Bem antes das 17:00 retornamos pela estrada a caminho da portaria. Chegamos ao posto Marcão as 17:15. No caminho de retorno podíamos ver ao longe, parte do que foi nosso objetivo e analisar um pouco do que tínhamos andado. Quando vamos ao PNI, sempre retornamos para casa já com vontade de voltar. Depois da travessia, pensei sobre não ter tirado uma foto que pudesse registrar a visão que se tem da paisagem ao longo do caminho, se é que isso é possível. Uma visão ampla e incrível de pedras, trilhas, subidas e descidas que te faz sentir um máximo por estar explorando aquele lugar sem igual. [emoji23]
  20. Esse é meu primeiro relato e minha primeira Travessia solo em um lugar que nunca tinha feito, já havia feito algumas outras Travessias mas em grupo, então vou tentar compartilhar um pouco do que aconteceu e como é o caminho. Pico do Pão de Açucar no Saco do Mamanguá, Paraty-Rj. Serra da Bocaina ao longo - Foto: Pedrogabrielmaciel / Wikimedia Commons A Travessia ocorreu entre os dias 16/01 a 20/01 de 2018, o percurso foi Saco do Mamanguá + Pico do Pão de Açúcar e Travessia da Ponta da Joatinga + Cachoeira do Saco Bravo Embarquei 22:40hrs no Tiete/SP sentido Paraty via Viação Reunidas 1º Dia - Paraty a Praia Grande da Cajaíba Cheguei na Rodoviária de Paraty +/- 5:20hrs o primeiro ônibus para Paraty-Mirim saia as 5:30hrs deu tempo de pegar a mochila, ir ao banheiro e já embarcar. Achei que seria o único a descer em Paraty por ser um Terça-feira, mas engano meu porque 80% do bus desceu por que da rodoviária também saem os ônibus para Trindade. Chegando em Paraty-Mirim deu tempo de pegar aquele amanhecer fantástico do céu com várias cores, aproveitei a vista para comer algo e passar repelente porque ‘pqp’ como tem uns mosquitinho chato e eu não sou alérgico nem nada mas eles incomodam muito. Café tomado borá começar a travessia, a trilha começa ao lado do posto da polícia ambiental, uma subidinha chatinha, ainda mais para quem tinha vestido a cargueira em Outubro na Travessia da Serra dos Órgãos, a trilha para atravessar até o Saco do Mamanguá é bem marcada e não há bifurcações, quando você sentir o cheiro ou ver vários pés de Jaca quer dizer que você já acabou a parte da trilha na “floresta” ou também quando você ver postes de energia elétrica é só seguir eles que você irá chegar na casa de algum morador, seguindo os você passara sempre por trás das casas dos caiçaras. A minha “meta” era chegar até a Praia do Curupira e conseguir alguém barco para atravessar para a outra costa, porém quando eu cheguei na Praia Grande do Saco do Mamanguá encontrei uns funcionários do hostel/hotel/pousada que tem por lá e consegui um barco para atravessar a para a Praia do Cruzeiro por R$30, para min foi perfeito porque estava sozinho pelas pesquisas que eu havia feito os barcos lá custam em média R$100~200. Chegando do outro lado (10min de barco) no camping/restaurante do Orlando, na Praia do Cruzeiro, de lá é possível ir para Cachoeira do Rio Grande - 5,5km ou subir o Pico do Pão de Açúcar - 1,5km, como estava sozinho, não sabia como era a trilha e “pretendia” acampar na Praia do Engenho me contentei em somente subir o Pão de Açúcar (dica se você estiver de cargueira converse com o pessoal do camping para deixar a mochila por lá ou esconder na matar o que eu fiz ahahah) subidinha tranquila e quando se chega no topo da pra se ver todo Saco do Mamanguá e se o dia estiver bom é possível ver as usinas nucleares de Angra dos Reis bonito demais. Voltado para trilha da P. Cruzeiro até P. do Engenho 3,6km, a trilha segue contornando as casas de praia de pessoas que devem ter enriquecido com negócios escusos, só acho. Seguindo o Wikiloc a trilha as vezes some, as vezes surgem cercas e etc, não é possível seguir pela praia porque ela está “ocupada” pelas casas, mas passando esse perrengue da trilha cheguei na placa que indicava a Praia do Engenho, Cadeia Velha e Praia Grande da Cajaíba, a minha intenção era acampar na Praia do Engenho porém ao descer para praia, para minha surpresa estava cercada, de volta para placa encontrei um caiçara que morava por ali e ele me informou que não havia camping por ali perto somente na Praia Grande. Borá então mais 4,5km montanha acima, com cargueira pesada e cansado até a P.G., se você tiver dúvidas do caminho é só seguir os postes e fios de alta tensão porque acho que a companhia elétrica deve ter utilizado a trilha já aberta para coloca-los ao invés de abrir novos caminhos “palmas”. Cheguei na P.G. da Cajaíba quase a noite e peguei o primeiro camping que eu achei na praia camping da Dona Dica - R$20 e Coca R$5 (coca mais barata da travessia) nesse dia cheguei na praia morto só queria tomar um banho e dormir e foi o que eu fiz. 2º Dia Praia Grande da Cajaíba a Praia Martim de Sá Começando o segundo dia da minha “loucura pessoal” acordei por volta das 5:30hr varado de fome ahahah então como bom aventureiro preparei aquele café caprichado que foi arroz carreteiro Tio João, feijão e linguiça rs enquanto o “café” ficava pronto fui tomar aquele banho de mar. Com a mochila arrumada e me preparando para partir ganhei aquele cafezinho coado fresquinho, aproveitei o convite e já fiz minha lição de casa perguntando sobre o caminho e quanto tempo levava e etc, aquelas perguntas de sempre. Nesse meio tempo entre o primeiro café e segundo café fiz amizade com o melhor amigo e companheiro de trilha que um homem pode querer dois cachorros vou chamá-los de Prestigio e Chokito porque eu esqueci o nome deles. Quando estou partindo vejo os dois partindo na frente, pensei que eles devem ter ido dar uma volta ahahah mas não eles foram na frente me mostrando o caminho. A primeira praia que você do dia é a Praia de Itaoca, recomendo muito acampar nessa praia, é +/-20min da P.G. da Cajaíba, sabe aquela prainha pequena, sem ondas e de água cristalina - o meu tipo de praia. Seguindo o caminho até a próxima praia encontrei um curso de água que fica bem no meio do caminho que aproveitei para tomar banho de canequinha para refrescar, o sol lá é muito forte e não venta para dar aquela refrescada então qualquer oportunidade que eu tinha eu aproveitava. Nessa pausa encontrei um cara que estava fazendo o percurso inverso do meu ele tinha ficado 11 dias acampado na Martim de Sá, descobri que tinha várias cachoeiras ali na região. Na segunda praia do dia Praia de Calhaus havia uma vila de pescadores, descobri que meus companheiros de aventuras tinham nome rs e é normal eles acompanharem as pessoas até Martim de Sá e não tem problema nenhum porque eles sabem o caminho de volta e etc. Próxima praia do caminho era a Praia de Itanema logo após a Praia do Pouso da Cajaíba o caminho até aqui é bem tranquilo subidas e decidas normais, é dessa praia que geralmente as agencias começam a Travessia da Joatinga, nessa praia tem uma estrutura maior, mercadinho/padaria, passeios de escuna e onde tem uma vila de caiçaras grande se comparado as outras que eu passei. A trilha continua no meio da praia subindo o morro, quando você passar acabarem, começam a aparecer vários Teiu na trilha, encontrei muitos, as vezes tomava alguns sustos porque estava andando sozinho e não havia ninguém na trilha e vinha aquele barulho da mata aahhaha. Mas continuando subindo as vezes encontrará um mirante que é possível ver a praia e os barcos. Quando você chegar no topo +/- 2km você vai encontrar a bifurcação para Praia da Sumarca de onde é possível ir até o Farol da Joatinga - 2,9km – ficou para próxima e Martim de Sá 2,2km meu destino do dia, até Martim de Sá é bem tranquilo no caminho há algumas bifurcações a partir da placa porque há cachoeiras na região e trilha de caçadores. Chegando em Martim de Sá no camping do Sr Maneco o único da praia e mais famoso da região da Joatinga, diária R$20 e Coca R$7, servem refeição e tem cozinha comunitária, o camping é bem limpo e organizado, estava bem cheio. Aquele banho de mar na tardinha para relaxar e depois ficar curtindo relaxado na areia esperando escurecer, banho e jantar. Final do segundo terminado, Chokito e Prestigio chegaram em segurança também. 3º Dia Martim de Sá a Ponta Negra Acordei cedo e tomei aquele banho de mar para energizar, porque o dia iria ser punk conforme me falaram. A trilha para Cairuçu das Pedras é bem tranquila mesmo rapidinho se chega em uma placa com ums bifurcação para Cairuçu e outro que segue pela trilha, descendo na praia tem uma banheira de água doce que os moradores fizeram que dá pra ficar relaxando olhando o mar. Seguindo sentido a Praia da Ponta Negra começa acho que a pior parte da trilha porque é uma subida sem parar na mata e tipo fica um forno. Nesse dia conheci dois casais que estavam indo sentido a Ponta Negra, um casal iria fazer o mesmo que eu, acampar na Ponta Negra e fazer a Cachoeira do Saco Bravo no dia seguinte e terminar a travessia na Vila do Oratório o outro iria acampar na Ponta Negra porém não fariam Saco Bravo e terminariam a Travessia em Trindade. No caminho eu encontrei umas 5 pessoas indo sentido a Martim de Sá acampar acho que é o mais comum, porque dá para ir da Vila do Oratório até Martim de Sá pegando somente uma subida grande. Mas voltando nesse dia estava muito quente e abafado e alinhado ao cansaço dos dias anteriores eu estava muito devagar parando toda hora para tomar aquele ar para continuar ahahah, no caminho quase chegando a Toca da Onça encontrei 2 caçadores com cachorros no caminho. Chegando no topo do morro tem um mirante que chama “Vista da ....” que eu esqueci o nome, a partir daí é só uma descida sem fim até a praia, quando você chegar na primeira casa abandonada de pau-a-pique quer dizer que você está “chegando” um pouco antes das outras casas há um quedinha d’água que dá para se refrescar e também você vários canos que descem o morro para levar água até a praia. Nesse dia fiquei no camping do Leleco, diária R$20 e R$6 a Coca na ponta negra tem algumas pousadas então é possível dormir em uma cama de verdade rs. Nesse dia também resolvi me dar o presente de não fazer o jantar resolvi comer comercial de peixe na praia R$36 bem servido. Dica não pergunte se é possível dividir porque estava acontecendo havia uma moça inconformada que não poderia pedir 1 refeição e dividir em 2 pessoas ahahah achei engraçado. Descobri também o porquê Brasil ser considerado o pais do futebol, no final da tarde os moradores puxam os barcos mais para dentro da praia e rola um futebol ali na areia até o sol se por, é maneiro demais ver a cena o sol se pondo lá no fundo naquele tom laranja enquanto os últimos barcos do dia passam no mar e o povo jogando futebol na praia até escurecer. 4º Dia Praia da Ponta Negra a Praia do Sono Nesse dia acordei cedo tomei meu café e parti em direção a Cachoeira do Saco Bravo, a trilha começa no mesmo caminho para quem está indo em direção a Praia do Sono ou quem vem da Martim de Sá só muda a bifurcação que você pega, segundo uma placa que havia no caminho o tempo até a cachoeira era de 2:30hr, a trilha até a cachoeira é bem marcada com algumas subidas, pelo caminho da trilha encontrei um grupo 6 pessoas que estavam indo para lá, eles estavam acampados na Praia do Sono +/- 1hr da Ponta Negra. Chegando na Saco Bravo já havia um cara lá e era cedo ainda 8hr acho, a cachoeira fica bem na encosta onde forma uma piscina natural que desagua no mar e que marzão da porra. Na volta encontrei a segunda cobra da travessia toda uma cobra-cipó que estava a +/-1m do meu rosto ahahah, também encontrei várias pessoas indo em direção a cachoeira umas 15 pessoas para uma sexta não eram nem 10hrs. No caminho aproveitei que tinha visto um pé de limão rosa e peguei uns 2 para fazer uma limonada rs, também no caminho tinha pés de mexerica e pitanga mas estavam todos verdes. Voltei para Ponta Negra tomei aquele banho de mar arrumei minha coisas e parti para Praia do Sono, a primeira praia a se passar é a Praia das Galhetas uma prainha pequena cheia de pedras, mas subindo um pouco o rio que desagua nela você chega na Cachoeira das Galhetas. A próxima praia a se passar é a Praia dos Antiguinhos depois Praia dos Antigos para assim chegar a Praia do Sono, o caminho até a praia do sono é como se fosse um passeio no parque não tem dificuldade, no caminho também encontrei um povo indo para a Saco Bravo e estranho que eu respondi algumas vezes se “Vale a pena?” a ida até lá, para mim tudo vale a pena. Antes de chegar na Praia do Sono fiz uma pausa grande na Praia dos Antigos para tomar um banho de mar porque o Sono estava logo atrás do morro, chegando na Praia do Sono você fica espantado porque tem muitaaaa gente e até a mente assimilar demora um pouco rs, possuem vários campings a média de preço também R$20, no camping que eu fiquei o Camping do Claudinho era bem legal tinha umas coisas de reciclagem nas paredes, compostagem do lixo orgânico, cozinha comunitária e banho quente. Nesse camping também conheci uma moça nome dela era “Arara” sério isso ela estava lá desde o dia 26/12 e iria ficar até depois do Carnaval, ela me disse que todo ano faz isso para desestressar, nossa eu não conseguiria ficar tanto tempo parado em um só lugar assim. Nesse dia também caiu a tão esperada chuva, porém no camping tinha lona de cobertura então tranquilo. 5º Praia do Sono a Vila do Oratório Acordei cedo tomei banho de mar, que por sinal estava bem forte acho que era por causa da chuva da noite anterior, mas mochila nas costas despedidas feitas e agora era só chegar na Vl. do Oratório +/-1hr e pegar o bus sentido Paraty e voltar para SP. Como sendo minha primeira Travessia solo em um lugar desconhecido percebi que é uma vibe totalmente diferente do andar em grupo, mesmo com grupo de conhecidos e etc. Acho que essa travessia me serviu de inspiração para algumas outras Travessias maiores que quero fazer nos próximos anos. Mas também quero voltar a faze-la em grupo para ter uma ideia da vibe de fazer com grupo compartilhando as coisas boas e ruins que uma aventura traz.
  21. RELATO DE AVENTURA Já havia algum tempo que eu gostaria de levar minha filha para fazer trilhas mais selvagens. Com 8 meses de vida, na "carcunda" do papai, já estava alguns conhecendi alguns caminhos pela Ilha Grande, no estado do Rio de Janeiro. Aos 2 anos e meio colocou as perninhas pra trabalhar na trilha que leva à Piscina Natural de Caxadaço, em Trindade/RJ. Uma caminhada um tanto quanto longa para uma criança dessa idade. Ainda mais por se tratar de uma boa parte da caminhada ser sobre o solo arenoso e fofo das praias que antecedem Caxadaço. Mas, observando com atenção, notei que a parte onde a trilha segue por mata fechada, com chão repleto de raízes sobre a terra e folhas caídas formando tapetes, minha pequena sorria ao tocar e deslizar seus pequeninos pés descalços sobre a lama que havia pelo caminho. Ela segurava em minha mão e seguia sem medo de cair nas subidas e descidas escorregadias, enquanto crianças da mesma estatura chovavam querendo o colo de suas mães. Isso já era um grande sinal de que ela adorou e adoraria qualquer contato com a natureza a partir daquele instante. Seria pedir demais, para ela voltar caminhando. Cansada, retornou todo o percuso no colinho de papai, rs. Por conta dessas, e outras vivências, meu desejo era de levá-la logo para um acampamento selvagem, mas, era minha obrigação ter o bom senso de saber esperar o momento oportuno para isso. Pois, a cada pensamento de estar na mata com ela me deixava receoso... "Alergia causadas por picadas de insetos poderiam aparecer, medo por estar em um ambiente conhecido por ter animais de todas as espécies e peçonhas, estranheza, fadiga, frio durante a noite, etc e tal." Mas, algo me tranquilizava: toda vez que eu saia de casa para fazer alguma trilha, ou travessia, minha pequena pedia para que eu a levasse comigo para o mato. Eu sempre respondia que estava indo para lugares perigosos e difíceis de caminhar, mas, que algum dia eu a levaria para acampar na mata junto comigo. E essw dia chegou. Era Julho de 2019, o ápice da temporada de montanhas no Brasil, que se inicia em Abril e se estende até Setembro. As temperaturas baixíssimas no sul e sudeste do país (as vezes abaixo de zero) proporcionavam lindos dias de sol, e, longas noites geladas pelos pontos mais altos de cada região. Eu estudava a melhor maneira de como fazer uma "atividade pesada" se tornar divertida para uma criança de 4 anos e 9 meses. Primeiro, escolhi para qual montanha gostaria de levá-la. Em seguida, trabalhei uma forma de atrair seu interesse pelo lugar, monstrando fotos de vezes que estive na Pedra. Eu contornava o formato do sapo com a ponta do dedo para aguçar sua imaginação. E, quando lhe fiz a pergunta decisiva: filha quer que o papai leve você na Pedra do Sapo? A gente faz a trilha, escala as cordas e acampa do lado do Sapo. Quer? SIIIMMMMM!!!! foi a resposta que ela deu, com o sorriso mais radiante que ela poderia estampar no rosto. - onde a gente vai fazer cocô e tomar banho, papai? - indagava dando risada kkk A partir daí foi só ansiedade até chegar a data de nossa aventura, que ainda não estava com data definida. Parecia que eu era a criança que sairia para seu primeiro passeio. Cheio de nervosismos, receios e expectativas fui cuidando para não despertar os mesmos sentimentos nela. Eu fazia e refazia a lista de itens que deveria, ou não, levar para garantir o conforto, a segurança e a alegria dela. Decidi que o acampamento seria feito no final de semana do Dia dos Pais (10 e 11 de Agosto/2019). No sábado, às 14h, após a aula de Ballet, onde foi feita uma homenagem paternal que me fez suar pelos olhos, saímos às pressas para trocar de roupas e seguir a viagem de 1h30 até o Rancho da Dona Maria - estrutura base para quem vai caminhar pelas trilhas da região. Chegando lá às 15h50, só tivemos tempo para papear pouco tempo com a simpática senhorinha, que havia levado uma mordida de seu próprio cachorro, que causou um ferida enorme, e se encontrava sentada segurando uma bengala. Pude ver o medo se desennhando no rosto da Cristal, quando um bicho passou correndo entre nós, à mil por hora. Dona Maria mencionou ser um Preá. Cristal se enfiou entre minhas pernas e perguntou. - o que era aquilo, papai? - disse - é um Preá, filha. Igual a um coelhinho. Ele é bonzinho e não faz nada com a gente. - respondi sereno para tranquilizá-la. Coloquei minha cargueira de 70L nas costas, ela vestiu sua mochilinha de alça, cabendo apenas sua blusa de frio e sua garrafinha d'água, vestiu a lanterna de cabeça se sentindo pronta, e começamos a caminhada pela estrada de chão batido, às16h em ponto. Calculei que gastaríamos, entre paradas para descanso, lanches, beber água e fazer xixi, algo perto de 1h30 até o topo da Pedra. Tive medo de ela não gostar de adentrar a mata, chorar, fazer manhas e querer dar meia volta pedindo para retornarmos até o carro e ir embora dalí. Algo que seria muito comum vindo de uma criança daquele tamanho. Ao invés disso, ao primeiro sinal de insegurança, ela me pediu: segura na minha mão, papai. E, ao longo de todo o percurso, poucos foram os momentos em que sua pequenina mão não estava grudada na minha. Ela caminhava tranquila e alegre, questionando o porquê de os passarinhos não virem pousar em nossos dedos, igual nos fimes e desenhos. Ela desejava muito ver passarinhos voando perto de nós. Expliquei que para isso seria necessário ficarmos em silêncio, mas a matraquinha não parava de falar 1 minuto se quer, rs. Ela apontava as direções dos sons, querendo que eu varasse mato, pois, os cantos de passarinhos vinham de todos os lados, mas, o máximo que conseguimos foi avistar um pardalzinho há uns 10 metros a nossa frente. Logo em seguida paramos para beber água no riozinho que cruza a trilha. Sabendo que ali era nosso último ponto de coleta, fui obrigado a subir com 2,5 litros para passarmos a noite. Quando acabou o trecho mais estreito da estradinha, a trilha afunilou de vez, ganhado uma inclinação forte logo de cara. Começava ali o nosso desafio. Onde a subida rasga uma floresta de eucaliptos e segue forte. Uma subida que nos faz tropeçar em galhos que se escondem sob as folhas secas que estalam sob nossos pés, nos obrigando a andar mais devagar e parar para descansar mais vezes. A alegria da Cristal ainda seguia na mesma sintonia, mesmo estando na parte mais exaustiva da trilha (subir com o auxílio de cordas) que, consequentemente, seria a parte mais lúdica para ela. Minha pequena já foi metendo as mãos na corda e me olhando com a maior felicidade do mundo. Teve dificuldades para se equilibrar nos primeiros metros da ascensão, mas, com as orientações que passei, logo se familiarizou com a escalada, e pôde se equlibrar com facilidade. Se apoiva em raizes e pedras, debruçava sobre as rochas, escorregava vez ou outra, mas se sentia forte e confiante a ponto de não pedia ajuda. Quando se cansava, sentava em algum degrau da ladeira, pedia água e algo para comer. Bolinhos recheados e suco de caixinha eram seus "belisquetes" preferidos. Foram três paradas estratégicas, a quarta pausa foi feita no mirante, depois de não haver mais subidas fortes. Sentamos para puxar um pouco de fôlego, adimirar a linda vista de um final de tarde, com o sol colorindo de laranja as Pedras da Forquilha e do Sapo. Faltavam mais ou menos 15 min até o alto da Pedra. Expliquei para ela que dali pra frente não teríamos grandes dificuldades, a não ser as duas pequenas rampas cravejadas de raízes que servem de degraus. A quinzena de minutos passou rápido, pois apostamos corrida na parte plana da trilha, e, claro que ela ganhou, rs. Novamente escalando as raízes que saltam do solo, Cristal continuava animada, olhava para trás para saber se eu ainda estava por perto, pois a mata havia ficado um pouco escura no trecho mais fechado. E ela percebeu. Enquanto eu gravava pequenos vídeos, ela não perdia o pique, e me acelerava: AAANDA, Pai (rs). Quando a última ascensão permitiu um clarão de luz do sol mais à frente, ela bradou: CHEGAAAMOS o/ - uaall, que lindo. - disse. Estávamos aos pés do Sapo, onde há uma pequena clareira que comporta, bem juntas, duas barracas. Caminhamos mais uns 40 metros até o alto da Pedra, onde pude ouví-la dizer novamente: que lindo, papai. E não era pra menos! O sol já começaria seu espetáculo em instantes, mas já deixava o horizonte alaranjado sob um céu sem nuvens, e refletia seu brilho sobre as águas da Represa de Taiaçupeba. Ventava forte, mas, era um vento com ar quente - devido aos 29°C que fez naquele sábado. A vista de 360° para toda a região, possibilita avistar até o litoral de Bertioga. Eram 17h30, e, até o final do poente nos sobrou tempo para comer, beber, brincar e fotografar tudo. Ela, sentadinha na rocha, se encantou quando a bola de fogo que se deitou lentamente por trás das montanhas. E, quando a última pontinha de luz não pôde ser mais vista... - tchau sol. - disse minha pequena, balançando a mão. Quando começamos a montar a barraca, ela entrou em eudoria total ao ver que três gaivotas planavam sobre nós, há uns 4 metros de altura, no máximo. Quando terminamos, ela já me pedia para entrar e brincar com ela, mas, ainda havia muita coisa a ser organizada pelo lado de fora da casinha. Mas, não tardou, logo me vi lá dentro brincando com as massinhas e moldes de modelar que separamos para levar. Fizemos uma infinidade de bonequinhos, flores, bichinhos, montanhas e lanches, tudo de massinha. Ela me disse que queria ver as estrelas, mas, ainda não era possível. Não passava das 19h, e o crepúsculo ainda era predominante. Toda hora ela colova a cabeça para fora da barraca e perguntava: - Papai, já dá para ver as estrelas? Tem umas bolinhas aparecendo no céu. Tive que responder por umas quatro vezes que ainda não dava para vé-las, rs. Fiz macarrão para ela, depois fritei hambúrguer e preparei um lanche por que ela estava faminta. Quando bateu 21h, lá estávamos nós, trilhando o curto caminho até a parte mais alta. Dessa vez a surpresa se deu por conta das luzes das cidades vizinhas. Eram centenas de milhares de luzinhas acesas, na terra e no céu. A lua crescente nos iluminava a ponto de não usarmos nossas lanternas de cabeça. Fizemos do lugar nosso palco de apresentações. Cantamos e dançamos músicas infantis que tocavam no celular. Fizemos a festa. Quando paramos um pouco a figura deita no chão com as pernas dobradas, cruza as mãos na nuca e solta: - Papai, "tô de boa" vendo as estrelas e a lua. Eu ri demais, e fui obrigado a me juntar à ela nesse momento de relaxamento e contemplação, pois a noite estava perfeita, e eu tinha a melhor companhia. Por volta das 22h já estávamos dentro da barraca, ela brincando, eu fazendo seu "tetê com chocolarte." Meia hora depois já estávamos em sono profundo (eu, nem tanto). Acordei várias vezes para verificar se ela estava coberta e dormindo bem. Às 2h20 da chegou um pequeno grupo (talvez três), comemorando a chegada na Pedra àquela hora da madrugada. Fiquei em alerta, ouvi meia hora de conversas, depois o silêncio voltou a reinar. Deveriam estar fazendo bate e volta com navegação noturna para treinar, ou superar algum desafio pessoal. Sei lá. Com a intenção de ver o nascer do sol, programei o celular para despertar às 06h00, mas a previsão me pregou uma peça, e o que eu pude ver ao abrir o ziper da barraca foi muita neblina e garoa fina molhando o solo. Às 6h23, Cristal se espreguiçou como nunca, e acordou de prontidão pulando sobre meu peito, me abraçando e desejando bom dia. Em casa ela não acorda antes das 10h, rs. - Papai, vamos levantar pra brincar lá fora. Eu já acordei. - disse, toda animada, com os olhos cheios de remela, rs. Preparei o café da manhã, depois ficamos brincando por um longo tempo, lá dentro mesmo. Não dava para sair. Às 09h00, enquanto ela permanecia abrigada, comecei a ajeitar as coisas na mochila para poder iniciar logo o nosso retorno, que se deu 30 minutos depois. A descida foi menos cansativa, porém, muito divertida por conta dos escorregões sem quedas que dávamos. Ela sorria a cada um deles, tropeçava em tudo que era galho pelo chão e dizia que era engraçado, rs. Ela também estava mais atenta aos detalhes na volta. Apontava teias de aranha cobertas pelo orvalho, formigueirosem plena atividade, flores e pedras de cores e formatos diferentes ao seu conhecimento, e pedia para tirar foto de tudo. Às 11h00 chegamos ao Rancho da Dona Maria. Cuidei de trocar nossas roupas molhadas, que enxugaram a chuva que caiu sobre a mata da trilha. A levei ao banheiro, e, comemos mais algumas coisinhas antes de dar como encerrada nossa aventura do dia dos pais. Ao volante, olhando pelo retrovisor interno do carro, eu olhava minha pequena, cansada, dormindo toda torta em sua cadeirinha, com a cabeça balançando feito um pêndulo (coitadinha) estava super cansada)) Mas, acima de todo aquele cansaço, eu estava crente de que, a partir daquele momento, brotava um novo gostar no coraçãozinho de minha filhota. Pois o contato direto com a natureza só poderia estar fazendo dela uma criança ainda mais feliz e saudável, agregando valores e conhecimentos super válidos para lhe fazer crescer uma pessoa de bem. Eu, como papai coruja, pude sair de lá com o coração transbordando felicidade. Me sentia orgulhoso e satisfeito em ver que "minha continuidade" pôde me proporcionar um momento tão emocionante/marcante: o acampamento mais feliz de toda minha vida
  22. Olá pessoal, gostaria de compartilhar a experiência que tive durante a Travessia da Cordilheira Huayhuash no Peru. O ponto de partida pra nossa aventura foi a cidade de Lima, lá reunimos alguns integrantes do grupo e seguimos para a cidade base da Cordilheira, chamada Huaraz. Em Huaraz ficamos hospedados em um hostel próximo ao centro e lá tratamos dos detalhes para o trekking. A 1º dia de aclimatação - Glaciar Pastoruri e Hatun Machay - ( 5.100 mts de altitude ). Antes de partimos pro trekking, seria necessário fazer algumas atividades de aclimatação. No 1º dia seguimos pro Glaciar Pastoruri, já chegando aos 5.100 mts de altitude, é importante ir com passos curtos e sem esforçar muito. Depois de lá seguimos pra Hatun Machay, uma FLORESTA PETRIFICADA!!! Um lugar SURREAL, dava impressão daqueles lugares de filmes fantasmas....kkkk e o clima ajudou pra deixar com um jeitão bem TENEBROSO. 2º dia de aclimatação!!! Mais um dia EXTREMAMENTE surreal!!! - Laguna 69 - ( 4.600 mts de altitude ) Não foi fácil chegar até a Laguna 69, trekking curto, porém a altitude e subida forte cansou bastante a galera, mas a recompensa foi essa..., no final começou chover bem leve e esfriou pra caramba. 3° e último dia de aclimatação. Laguna Churup - ( 4.800 mts de altitude ) É simplesmente incrível!!! Inacreditável!!! "COICE DE MULA"!!! Expressão usada por praticantes de trekking para expressar trekkings curtos mas com extrema dificuldade e inclinação. Mas o prêmio é um mais lindo que o outro. Após os exercícios de aclimatação seguimos para o Grande Circuito Huayhuash, já no primeiro dia enfrentamos chuva, granizo, neve, muito frio e 5 mil mts de altitude. Mas todo esforço foi válido e recompensador, ver os Condores voando sobre o topo das montanhas foi de brilhar os olhos. Um dos milhares de cartões postais existente dentro do Circuito Huayhuash, a Laguna Carhuacocha. Eu sonhei e rezei por muitas noites pra que nós tivéssemos um dia lindo assim. Foi de encher meus olhos de lágrimas. Parecia um sonho sem fim, a cada amanhecer era algo EXTRAORDINÁRIAMENTE surpreendente. Outro "cartão postal" dentro do Circuito Huayhuash são as 3 Lagunas ( Paso Siula ). Saindo cedinho pela manhã, contornamos a grande Laguna de Carhuacocha, no início a trilha estava bem fácil e agradável, mas talvez meu pior momento na Travessia estava prestes a vir. De muito longe já avistava o Paso Siula, e a medida que eu ia me aproximando a montanha ia cada vez mais crescendo diante de mim. Após avistar a primeira Laguna iniciou-se uma subida muito tensa, a altitude já começava me deixar bastante fadigado, dores cabeça surgiram, quando cheguei ao ponto onde puder avistar as 3 Lagunas, achei que era o final da subida. ENGANO MEU!!! Tinha muito mais subida pela frente, minhas pernas "queimavam" de dor e isso afetou também meu psicológico, entre uma oração e outra, passos curtos, exercícios respiratórios, fui subindo e consegui chegar ao topo!!! E TAVA BEEEEMMMM FRIO LÁ EM CIMA...., tiramos algumas fotos, fizemos um lanche e seguimos em direção á Huayhuash. A subida até o Mirador da Cordilheira também não foi muito fácil, mas o clima estava nos favorecendo bastante após os dois primeiros dias de chuva. O Rafa disse que Condores são indícios de bom presságio, foi dito e feito, depois que avistamos uns 4 ou 5 os dias ficaram mais perfeitos ainda. Como esquecer Viconga? Tinha sido um dia de longa caminhada, um sobe e desce montanha que deixou o pessoal um pouco cansado. Já quase no final, passamos pela grande Laguna Viconga ( que na verdade é uma represa ), ao passo que íamos descendo, cachoeiras e lindas corredeiras começaram á surgir. Quando chegamos no acampamento avistamos os tanques de água termal ( água quente ). Não demorou muito pra gente cair na água pra relaxar e o clima de descontração tomou conta da galera. Um dos dias que mais me marcaram durante a Travessia. Estávamos animados e contentes em chegar em Huayllapa, pois seria a única noite que teríamos banho quente, cama pra dormir e também poderíamos comprar cerveja e vinho. Huayllapa é um vilarejo bem humilde e com mil habitantes no máximo ou nem isso. Assim que chegamos nos instalamos no albergue e compramos cerveja pro almoço, teve pastel de queijo. Depois do almoço sai com dois amigos pra dar uma volta pelo vilarejo. Descendo uma das ruas vi quatro crianças sentadas, parei e perguntei se queriam tirar uma foto, eles disseram que sim e que queriam chocolate. Tirei uma foto e corri na bodega pra comprar os chocolates, mas o dono disse que não tinha, porém ele tinha "chupitos coloridos" ( doce que as crianças de lá adoram ). O pacote com 50 chupitos custava 6,50 Soles...coisa de R$ 10,00. Quando cheguei no local onde estava as quatro crianças dei 2 chupitos pra cada uma, nisso começou aparecer crianças por todos os lados e em segundos eu me vi cercado por dezenas delas, algumas "espertinhas", ganhavam chupitos e escondiam no gorro ou no boné e depois pediam mais alegando não terem ganhado...rsrsrs. Eu fiquei em estado de ecstasy com tantas crianças em minha volta. Sai andando pelo vilarejo e um monte de crianças iam me seguindo por onde eu ia, todas já sabendo que eu levava um pacote de doces e todas com os rostinhos queimados pelo Sol. Muitas sentiam-se envergonhadas com a nossa presença, o mesmo acontecia com os adultos, fato que achei estranho. Assim distribui todos os doces que tinha. Chegando no quarto do albergue eu pensava como tão pouco poderia ter feito tantas crianças felizes. Assim que iniciamos o último dia da Travessia os meus sentimentos se misturaram, eu me sentia realizado, agradecido, forte, em paz, com saudade de casa e do meu cachorro "maluko"....rsrsrs. Chegamos em Llamac, cumprimentei os amigos e comemoramos a conquista. Eu e alguns deles seguimos pra uma igreja, lá agradeci pela força, proteção, pelos grandes amigos que fiz e pela oportunidade de estar realizando algo que talvez tenha mudado minha vida. Espero poder de alguma forma ter contribuindo com minha experiência para que outras pessoas possam se "encorajar" e ingressar nessa mesma aventura. O relato não está muito detalhado, mas quem quiser mais informações é só me chamar. Valeu!!!
  23. A cidade de Quito, capital do Equador, está situada no planalto andino, em um vale rodeado por montanhas e vulcões. A 2.850 metros sobre o nível do mar, é a segunda capital mais alta do mundo (na verdade, é a primeira considerando que La Paz não é a capital da Bolívia, apenas a sede do governo). Quando fiquei sabendo que havia um vulcão na capital que apresentava um lindo panorama da cidade e de muitos vulcões do Equador, eu quis subi-lo imediatamente. Este vulcão é o Pichincha, o qual é dividido em dois cumes principais: o Guagua e o Rucu. O Guagua Pichincha é a cratera principal, porém coloquei o Rucu Pichincha como meu objetivo. Isto porque, o Rucu pode ser alcançado em apenas 1 dia e eu não tinha os dois que são necessários para fazer o Guagua. Segue abaixo mapa mostrando ambos os cumes e as trilhas para chegar neles, bem como o Teleférico e a cidade de Quito. Este relato apresentará os detalhes para você atingir o cume do Rucu Pichincha (trilha amarela do mapa acima), mas se você quiser se aventurar ao Guagua, há duas opções: · Realizar a Integral Pichinha, uma trilha bem extensa para alcançar ambos os cumes e aí o recomendado é acampar no refúgio que está na beira da cratera do Guagua. Total: 11 km e 1500 metros de ascensão por trilha (trilhas verde e amarela do mapa). · Subir de carro a estrada que sai do povoado de Lloa, bem próximo de Quito. Total: 16 km e 1900 metros de ascensão por estrada de terra (trilha azul do mapa acima). O meu tracklog do Rucu Pichincha foi postado na página do Wikiloc e pode ser encontrado neste link aqui. Se você quiser realizar a Integral Pichincha, recomendo que siga a descrição do Santiago González, a qual se encontra neste link. PROGRAMAÇÃO Como Chegar Antes de iniciar a trilha para o topo do Rucu, é preciso ir ao Teleférico de Quito, que fica no Bairro La Mariscal. Fui de taxi e paguei 4 dólares até o teleférico. Os táxis no Equador, no geral, são baratos e compensam muito se você estiver viajando em grupo. Além disso, a Uber também funciona muito bem nas ruas de Quito. O horário de funcionamento do teleférico é de segunda a quinta das 09:00 às 20:00 e de sexta a domingo das 8:00 às 20:00. O trajeto até o Mirador Los Volcanes dura 20 minutos. Este mirante, além de apresentar uma maravilhosa vista de Quito e seus arredores, também coincide com o ponto de início do trekking. Neste link você poderá ver informações detalhadas sobre o Telefériqo de Quito. Para retornar ao meu hostel após descer do pico, paguei 1 dólar de van até a Calle Mariscal Sucre, que é a avenida que atravessa a cidade de norte a sul. Daqui procurei táxis que me cobrassem os mesmos 4 dólares da ida, porém estavam me pedindo 10 dólares ☹. Me disseram que era por causa do trânsito, mas provavelmente foi por minha cara de gringão mesmo. Lembrando que a distância até minha hospedagem era de apenas 3 km. Pra minha sorte havia um ônibus que passava a 100 metros dali e que ia até a Avenida Cristóbal Cólon, a qual estava próxima da minha hospedagem. Tomei o bus de número 67 e paguei somente 25 centavos de dólar. Bem melhor que os 10 dólares do amigo taxista. Quando Ir A época de seca nos Andes equatorianos vai de junho a novembro. Fiz a trilha para o Rucu Pichincha em setembro e o tempo estava excelente. É recomendável fazer a trilha bem cedo, já que pela tarde é comum que as montanhas ao redor de Quito sejam encobertas por nuvens. O Que Levar · Calça de trekking · Camiseta · Bota ou tênis de trilha · Jaqueta corta vento · Leve segunda pele e blusa de fleece para o caso de fazer frio · Mochila pequena (< 30L) · Boné/chapéu · 3 L de água · Snacks para trilha · Protetor solar · Câmera fotográfica RESUMO DE GASTOS (2017) · Água e comidas para a trilha = US$ 7,00 · Táxi ao teleférico = US$ 4,00 · Valor de subida e descida do teleférico = US$ 8,50 · Van do teleférico até a Avenida Calle Mariscal Sucre = US$ 1,00 · Ônibus até Cristóbal Cólon com Amazonas = US$ 0,25 GASTOS TOTAIS = US$ 20,75 O RELATO Numa quarta-feira de setembro, acordei às 7:00, tomei café e peguei um táxi do Bairro La Mariscal até o Telefériqo de Quito. Ele é o meio de acesso para o Mirador Los Volcanes, ponto inicial do trekking para o cume do Rucu Pichincha. Cheguei no Teleférico às 8:40 e, pra minha surpresa, ainda não estava funcionando. Como já disse, de segunda a quinta funciona das 09:00 às 20:00 e de sexta a domingo das 8:00 às 20:00 e só descobri isso ao chegar lá. Mas foi bom porque nessa espera conheci o Gal, um israelense extremamente simpático que queria fazer a mesma trilha. Pensei em perguntar da Mulher Maravilha, mas não tive coragem. Ele só me disse que é um nome comum no país (a atriz que interpreta a personagem no universo da DC é uma israelense chamada Gal Gadot. Nunca pensei que fosse falar da Mulher Maravilha num relato de viagens). Voltando pro que interessa... Ele me disse que não estava seguro em como seria seu desempenho em altitude, já que como o Brasil, Israel não possui altas montanhas. Então ele resolveu aproveitar o meu embalo e disposição para me acompanhar nesta empreitada. Compramos os bilhetes do teleférico por 8,50 dólares, que servem para subida e descida da montanha. Não perca o bilhete que você receberá, pois o mesmo também serve como comprovante de descida. Caso perca, terá que pagar mais 8,50 para descer. O trecho dura cerca de 20 minutos até o Mirador Los Volcanes, um mirante na cota 3.950 m que apresenta lindas vistas de Quito e dos principais vulcões do Equador. O céu estava completamente azul e a visibilidade era tremenda. De lá se podia ver lindamente os vulcões Cotopaxi, Cayambe, Antisana, Rumiñahui e Illinizas. Inclusive, é possível enxergar o topo do Chimborazo, a montanha mais alta do país, com 6.268 m de altura, e que está a 140 km de Quito!! Para que você possa contemplar este visual, recomendo que comece a trilha o mais cedo que puder. Explicarei o porquê mais adiante. Gal e eu tiramos algumas fotos do cenário e partimos para iniciar a trilha. Em poucos minutos de caminhada, pode-se contemplar o belo cume proeminente do Rucu Pichincha. Os primeiros 3,7 km são de aproximação à montanha e possuem um grau menor de dificuldade, já que a inclinação da subida não é tão acentuada. Porém, enquanto caminhávamos nos questionávamos por onde subiríamos até o topo, já que não era possível visualizar uma possível rota de subida. Isto porque a face que se vê do começo da trilha é de pura rocha. Assim que nos aproximamos da montanha, notamos que a trilha a contorna pela sua direita, por trás daquela face rochosa que vimos de longe. A partir deste ponto, a trilha está menos marcada, mas não há como se perder. Seguimos caminhando por detrás do pico por um terreno com uma inclinação um pouco mais elevada. Após cerca de 500 metros de distância, há um ponto que parece que a trilha acaba, mas é um lance em que é preciso subir uns 2 metros pela rocha mesmo. É um trecho um pouco delicado, mas não se preocupe, pois não é escalada. Mas a parte tensa do trekking só ia começar 500 metros mais pra frente. Neste ponto, a altitude já é um fator determinante (4.500 msnm) e é bem quando o terreno fica bem inclinado e bem arenoso, dificultando o rendimento da caminhada. Aqui, Gal e eu fizemos várias paradas para controlar os batimentos cardíacos e o ritmo respiratório. O visual era ainda mais espetacular, com a cidade de Quito lá embaixo e aquele cenário vulcânico bem característico por todos os lados. Deste ponto em diante, tem que tomar mais cuidado com a orientação, já que por vezes ela não é tão óbvia. E iniciamos a investida final para o cume. Caminhamos por meia hora por trilha bem inclinada até chegar numa placa. Daqui é preciso tornar para a esquerda para a investida final. Agora, percorre-se a última meia hora para o cume num terreno rochoso um pouco exposto e não muito marcado. É preciso tomar cuidado. Finalmente, após mais de 800 metros de desnível acumulado e 5,7 km percorridos em 3 horas, atingimos o cume do famigerado Rucu Pichincha. O cume do Rucu está na cota 4.784 msnm e é bem pequeno, o que proporciona um lindo visual 360º do panorama da região. A vista era deslumbrante. Pode-se ver todo o visual da cidade de Quito e do vale em que a cidade está situada. Também se vê todos aqueles famosos vulcões equatorianos acima citados, só que daquela perspectiva que só topos de morros podem proporcionar. Do cume, também se pode ver o imenso vulcão Guagua Pichincha, que fica a 4 km do Rucu. Como explicado na INTRO, o Guagua é a cratera principal e o Rucu é a cratera velha do mesmo vulcão, o Pichincha. Aqui no topo podem aparecer carcarás sociáveis. Acredito que os turistas devem alimentá-los. Eles são selvagens, porém é impressionante ver o quão perto eles podem chegar. Ficamos por uma hora contemplando o incrível cenário e iniciamos a descida. Se para subir foram 3 horas, a descida se deu em apenas 1h30min. Chegamos de volta ao teleférico próximo das 14h. Neste momento o dia já tinha mudado completamente. Se de manhã o céu estava completamente limpo, agora havia muitas nuvens no Rucu Pichincha e nem era possível ver a montanha. Ao longe também havia uma névoa que impossibilitava contemplar os vulcões dos arredores de Quito. E, claro, bem nesta hora tinham mais turistas, porque não são todos que preferem acordar de manhãzinha. Mas garanto que recompensa muito mais levantar cedo, mesmo se você não for subir o vulcão. Este é um padrão que se repete frequentemente em Quito: manhã de céu azul e tarde com muitas nuvens. Aqui, Gal se despediu de mim e desceu de teleférico primeiro, enquanto fui tirar mais algumas fotos. Peguei uma filinha de uns 20 minutos para tomar o teleférico da volta. Imagino que aos finais de semana deva ser bem caótico. E foi isso. Foi um dia delicioso, muito recompensador e bem barato. Espero que tenham desfrutado. Seguem abaixo algumas fotos deste dia. Rucu Pichincha visto da trilha Lindo vale a a cidade de Quito lá embaixo Vista do Vulcão Cotopaxi do Mirados Los Volcanes Próximo ao cume do Rucu Vulcão Guagua Pichincha visto do cume do Rucu Vista de Quito do topo do Rucu Postei este relato no meu blog. Você pode acompanhá-lo no link http://trekmundi.com/rucu-pichincha/ Beijos e abraços!
  24. Travessia feita entre dias 24 e 25.08.2019. Todos as fotos estão em: https://photos.app.goo.gl/66XjHffMpRPdHuqA8 - Introdução - Tempos atrás, tinha ouvido falar que na região de Jundiai tinha a Serra do Japi que outrora cheguei a tentar uma investida, mas sem sucesso. Isso pq é proibido o acesso as trilhas em boa parte da Serra. Mas nunca imaginei que na cidade vizinha, Varzea Paulista, houvesse uma simpática serra com um belo visual e 3 picos com facil acesso e sem restrições. Um amigo me falou de uma tal Serra da Mursa e como chegar lá. E é claro que fui conhecer em um reles batevolta sem muita pretenção de ver algo lá "grande coisa". Mas acabei me surpreendendo e depois de conhecer um dos seus acessos principais por Varzea Paulista, fico sabendo que há outros acessos e até de uma travessia, a tal travessia do Mursa. E curioso como eu sou, planejo a logística e retorno novamente a Serra do Mursa, mas dessa vez para fazer uma travessia, entrando por um lado e saindo pelo outro. 1ºdia - Da Estação de Botujuru ao topo do Mursa Passava das 11 da manhã qdo saltei do trem na Estação de Botujuru da linha 7 da CPTM em companhia do Marcio, Paola, Felipe e Adriano e lá ainda esperaríamos a Suzana e o Diogo que não haviam chegado ainda. A pacata estação, localizada em um bairro de Campo Limpo Paulista, mas parecia uma estação fantasma. O Sol tentava aparecer timido entre muitas nuvens, mas o vento gelado e o friozinho da manhã insistiam em permanecer no comando. 15 minutos depois, Suzana e Diogo chegaram e com toda a trupe reunida, saimos da estação e fomos para uma lanchonete em frente fazer um rapido café da manhã reforçado. Estação Botujuru Saciados, as 11:40hs, demos inicio enfim a travessia em direção a Serra da Mursa, descendo a ladeira da rua a esquerda que fica em frente a estação até chegarmos ao inicio da "Estrada do Botujuru". Nela, seguimos até o trecho onde acaba a parte asfaltada e começa a de terra. Bem no inicio da estrada de terra, chegamos a uma bifurcação, onde abandonamos a estrada principal em favor de estrada a direita que vai no sentido desejado e inicia uma forte subida morro acima. E dá-lhe pirambeira!!! Chegando ao final do trecho asfaltado Trecho inicial da estrada de terra bem íngreme As casas do pequeno bairro de Botujuru e o movimento constante dos carros vão ficando para trás, dando lugar a calmaria e ao silêncio da pacata estradinha, para alivio de todos. Durante a caminhada, alguns poucos carros passavam pela gente, nos fazendo comer poeira. Na paisagem, só se via pequenos sítios e chácaras. Ao passar ao lado de uma delas, um cãozinho solitário late a nossa passagem. A Estrada segue alternando entre subidas e trechos planos com o sol castigando a todo momento. Olhava para a galera e as vezes perguntava como estavam e a expressão era de bufadas e mais bufadas, por causa das subidas constantes. A região é cheia de morros e já tínhamos a visão de todo o entorno, com a estação de trem e o pequeno bairro de Botujuru ficando cada vez mais para trás. 30 minutos de caminhada desde a Estação, chegamos ao alto de um morro e a subida dá uma trégua. A partir de agora, passamos a caminhar em meio a várias arvores de eucaliptos em meio a sombra, com o sol dando uma aliviada. Trecho mais plano com sombra Ignoramos 2 bifurcações a esquerda e só viramos na 3ºbifurcação, que fica praticamente no alto do morro, depois de já ter subido tudo que já tinha que subir. O caminho a seguir é em direção a Rodovia SP-354 pela "Estrada do Moinho". Se caso tiver dúvidas qto ao caminho, pergunte a moradores dos sítios do entorno o caminho para chegar a rodovia que não tem erro. Mais 30 minutos e chegamos ao ponto mais alto do morro, onde já é possível avistar a Serra da Mursa com suas cristas bem imponente a sua frente. A partir desse ponto, a estada de terra que antes só subia, inicia uma longa descida pirambeira até chegar a Rodovia. Pouco antes das 13:00hs, terminamos a descida e chegamos enfim na SP-354, onde o caminho a seguir é virar para a esquerda. Seguimos por cerca de 1,5 km e ao passarmos por uma placa marcando Km 51, andamos mais por mais uns 10 minutos até chegarmos a um trecho plano da rodovia e lá, se avista outra placa amarela do lado direito, que é a referência que a trilha está próxima. A entrada da trilha fica a uns 50 metros a direita ANTES dessa placa em meio a um capinzal fora de contexto. É preciso olhar bem, já que a entrada é meio discreta. No ponto mais alto dos morros, a Serra do Mursa fica visível a maior parte do tempo Trecho de caminhada final pela SP 354 Enfim, após quase 2 horas de caminhada desde a Estação, finalmente chegamos ao inicio da trilha, para a alegria de todos. Esse trecho inicial segue quase que em nível, sem grandes dificuldades. Ela dá uma longa volta pelo sopé da Serra do Mursa antes de começar a subir e logo em seguida, inicia-se os primeiros trechos de subida, mas dando algumas voltas afim de reduzir o desnível para quem sobe. A medida que vamos avançando pela trilha, os sons dos carros vão ficando para trás, dando lugar ao silêncio e a calmaria da mata fechada, para a alegria de todos que não viam a hora de chegar lá no topo. 15 minutos desde a rodovia, resolvo fazer um pit stop em um descampado no meio da trilha afim de molhar a goela seca e forrar o estômago, após 2 horas de caminhada desde a estação. Trecho inicial da trilha bem tranquila Descansados e revigorados, retomamos a caminhada, e mais trechos de subidas a frente. Vamos ganhando altitude rapidamente e a trilha vai dando voltas no vale para diminuir o desnível da subida. O suor começa a escorrer do rosto de cada um, mas não demora muito e logo emergimos no trecho de capim ralo e exposto do Mursa, sinal que estávamos nos aproximando do trecho final e mais aberto da trilha. Aqui, nos presenteamos com todo o visual do entorno, deixando em euforia a turma da primeira vez. A partir desse ponto, a antena de um dos 3 picos do Mursa, fica bem visível a nossa frente. As 14:00hs, alcançamos o trecho final, onde a trilha termina em uma estrada de terra concretada e o restante da subida agora segue por essa estrada. O trecho de subida final acaba se revelando uma pirambeira daquelas e por isso, acabo parando pelo menos 2 vezes para retomar o fôlego. Felizmente o trecho não dura muito tempo e logo chego ao topo, para o merecido descanso. Em seguida, chega a Susana e os demais. Já no topo, não vimos ninguém em praticamente toda a extensão. Trecho final da subida pela estradinha concretada Com toda a trupe reunida, damos um tempo aqui, enquanto alguns se fartavam de clicks de 1ºvez. Depois, partimos para o trecho final da travessia, que é a caminhada pela crista do Mursa até a outra ponta, onde estão localizados os descampados protegidos dos ventos. Atravessamos o primeiro vale e após um pequeno trecho de subida com uma leve escalaminhada, chegamos ao ponto mais alto do Mursa, com 1.080 metros de altitude onde fizemos mais um pit-stop para clicks e apreciação da paisagem de 360 graus. Daqui, é possível ver até o Pico do Jaraguá, a serra da Cantareira, as cidades de Jundiaí, Campo Limpo Paulista e várias outras no entorno. É um belo visual. Caminhando pela crista Aqui encontro vestígios de acampamento, o que mostra que muita gente acampa aqui por ser o ponto mais alto dos 3 picos do Mursa. Mas como o local é exposto aos ventos, acho arriscado acampar aqui e por isso vou para outro ponto com descampados protegidos dos fortes ventos na outra extremidade e perto do primeiro pico. Ele não é longe e leva-se em torno de 15 minutos até lá. Não havia ninguém no local e é claro que fomos donos absolutos do lugar. Enfim, o merecido descanso 🤗 O belíssimo pôr-do-sol do topo do Mursa Após cada um montar seus respectivos aposentos, aproveitamos para fazer um rápido desjejum e depois fomos a um dos picos para ver o pôr-do-sol. Após ver o Astro-rei repousar no horizonte, voltamos para as barracas e preparamos nossa janta, que foi arroz, feijão e picadinho de bife em pedaços, uma delícia! O Marcio preparou um chá que foi ótimo para reidratar e esquentar o corpo e ficamos só de boa jogando conversa fora! A temperatura diminuiu bastante a noite e com os ventos gelados, nem fiquei muito tempo fora da barraca e logo fui dormir. ___________________ 2ºdia - Dos descampados do Mursa a Estação Varzea Paulista Nascer do sol Cidade de Jundiaí vista do topo do Mursa O domingo amanheceu com um pouco de névoa e sem vestígio de nuvem alguma. A temperatura estava em torno de 07ºC e só se ouvia os ventos batendo forte nas copas das arvores. O Silêncio imperava no local e só alguns corajosos como eu, o Marcio, Felipe, Paola e o Adriano saímos para ver o nascer do sol. Depois retornamos e preparamos nosso café da manhã que foi com pão de leite e café quentinho para espantar o frio. Depois, começamos a desmontar as barracas e ficamos esperando os demais. Barraca desmontada e mochila nas costas, as 9:00hs, iniciamos a caminhada de descida pelo lado oposto do Mursa no lado de Varzea Paulista. A descida foi tranquila e de volta a estradinha de terra, caminhamos por cerca de uma hora até chegarmos ao trecho de asfalto. As 11:00hs, chegamos à uma lanchonete, onde fizemos uma parada para um lanche reforçado, antes de pegarmos o trem de volta para SP. Cheguei em casa pouco antes das 14:00hs um pouco cansado como de praxe, mas feliz. _________________ DICAS: --> A Serra do Mursa possui vários acessos e é possível acessa-la tanto pela Estação de Várzea Paulista, qto por Boturuju. Em ambas, a distancia média é de 1 a 2 horas de caminhada da Estação a trilha mais próxima, dependendo do acesso. --> Não há água em nenhum ponto da trilha e no topo. Por isso, traga toda a água que for precisar de casa ou encha os garrafas em algum dos sítios do entorno, ANTES de adentrar a trilha. Recomendo iniciar a trilha com pelo menos 2 a 3 litros, caso contrário, corre o risco de ficar sem água. Utilize aquelas garrafas PET. --> O tempo médio de subida na trilha varia do acesso escolhido. Do acesso via Botujuru, a subida da trilha é tranquila e levamos pouco mais de 40 minutos da Rodovia até o topo. --> Não há áreas de sombra em toda a extensão do topo, por isso protetor solar e um boné são itens indispensáveis para proteger do sol forte. --> Não existem linhas de ônibus que partem da estação até a entrada de qualquer um dos acessos, mas por Varzea Paulista, é possível ir de Uber até a entrada de uma das trilhas, a mais longa. Mas só se o motorista ou você já souberem o caminho. --> Por Botujuru, a caminhada (quilometragem) é menor, mas só da para ir a pé. Não existem linhas de ônibus e não acredito que Uber leve por estradas de terra. --> Se for acampar e não tiver uma barraca apropriada para ventos, acampe nos descampados protegidos que ficam na ponta do Mursa, no ponto onde há várias arvores no topo. Há uma bifurcação que sai do topo e leva até os descampados. É um local bem amplo e que cabe várias barracas do tipo "iglu" --> Por Varzea Paulista, há 2 acessos. Um mais longo e íngreme, que deixa no pico mais alto do Mursa e que tem água bem no comecinho da trilha, mas é o acesso mais distante da Estação, com cerca de 7km de caminhada até lá e é tb a trilha mais longa... --> Para acessar a trilha que sobe o Mursa pela Estação Botujuru, deve-se descer pela estrada do Botujuru pelo lado esquerdo da Estação até chegar ao fim do Asfalto. Logo que começar a estrada de terra, vire a direita na estrada que sobe morro acima. Na duvida, pergunte a moradores dos sítios do entorno de como chegar a Rodovia SP 354. --> Assim que se chega na SP 354, deve-se virar à esquerda e seguir por cerca de 1,5km até chegar a um trecho reto da rodovia. Qdo ver uma placa amarela do outro lado da rodovia, é sinal que está bem próximo a entrada da trilha. A mesma começa a uns 100 metros antes da placa, em um capinzal amarelo. Uma vez adentrado a trilha, é só seguir reto nela até o fim. Não tem erro. --> Não gravei tracklog, pois há vários tracklogs disponíveis dessas trilhas no Wikilog e em outros. É isso 🤗
  25. Fiz uma viagem sozinha, por conta própria às Cinque Terre italianas, vilazinhas cravadas no penhasco com vista pro mar. Reuni informações pelo mundo (virtual e dicas italianas) e aqui deixo um relato com informações úteis A viagem foi em abril/2019, e o clima estava perfeito; um pouco friozinho, mas lindos dias de sol. Bastantes turistas por ser a semana da Páscoa, mas ainda assim muito menos que no verão. Saí desde Florença, no esquema day-trip, o que foi um pouco cansativo, mas era o que dava. A cidade base pra explorar as Cinque Terre é La Spezia, cidade um pouco maior que tem trens de Pisa e Florença, entre outros. Talvez uma opção interessante seria ir pra lá na noite anterior, dormir e começar os passeios cedinho. (Existem hostels a preços bacanas) Paguei €13,80 no trem de Florença até La Spezia, que demorou umas 2:30h. Comprei o bilhete nos totens da Trenitalia (Estação S.M. Novella em Firenze) mas é possível comprar online também. Acredito que, exceto em alta temporada, não seja necessário comprar com antecedência (comprei no dia anterior). Uma dica interessante: você compra o bilhete com o seu origem-destino, e dentro da mesma tarifa, pode pegar qualquer horário. (O meu trecho tinha aproximadamente de hora em hora, desde umas 5 da manhã até pra voltar umas 21 da noite) -Só não esquecer de validar o bilhete antes de entrar nos trens! Saí de Florença às 6am e pouco e cheguei antes das 9 em La Spezia, justo que as 9h abre o escritório de informações e vendas de Cinque Terre. Paguei €16 no Cinque Terre card, que dá direito a fazer as trilhas e andar nos trens entre as Terre durante o dia todo. Existem muitos trens entre todas as cidades o tempo todo, e os trechos são bem rápidos (são praticamente viagens de metrô rs) O card também dá direito a usar os banheiros e wi-fi de todas as estações de trem das Terre. Junto com o card é dado um guia com os horários de trens e mapinha das cidades. Existem algumas trilhas entre uma e outra cidade, mas aparentemente elas fecham de vez em quando para reparos etc. Verificar no centro de informações qual é a situação de cada trecho. Uma das estações de trem nas terre Vernazza vista do começo da trilha Comecei minha caminhada de Vernazza aproximadamente umas 10h e não vi muito da cidade. Quando fui, o único trecho aberto de trilha era entre Monterosso-Vernazza, um caminho subindo e descendo penhasco, que fiz em umas 2:30h os 4,5km. É uma trilha com muitos, muitos degraus e trechos estreitos e cheios de pedras, então não é muito simples de andar. Ainda assim, várias velhinhas européias estavam encarando a caminhada com seus walking pole rs. Achei chatinho que, por ser muito estreito, vários momentos tem que ficar parando pra dar passagem pras pessoas que vem no caminho contrário. As partes com vista bonita são principalmente o começo e o final, então fica a questão se vale a pena o esforço rs. Vista da trilha, e a cidade de Vernazza ao fundo A cidade de Monterosso é a maior delas e com melhor estrutura, com uma prainha, um centrinho com varias lojas e restaurantes etc. A propósito, achei bem caro pra comer em todas as Terre. Chegada à cidade de Monterosso, vindo da trilha Minha Terre favorite foi Manarola; os caminhos são bem fáceis e curtos e a vista é mais bonita. São as fotos mais famosas das Terre. Riomaggiore achei um pouco confusa de andar; não consegui achar um caminho específico pra algum mirador. Tem um castelo em cima de alguma viela perdida rs. Existe uma trilha muito curta beirando o mar entre Manarola-Riomaggiore, chamada Via Dell'amore, mas estava fechada para reparos quando fui. Fico devendo informações sobre Corniglia, que não passei Voltei pra Florença umas 18:30h, tive que fazer uma baldeação de trem na cidade de Pisa. Em geral, foi um bate-volta bem cansativo, por causa da viagem de trem desde cedinho, e o dia inteiro de sobe-desce montanha, mas valeu a pena conhecer esse lugar tão lindo e diferente. Manarola, vista de algum dos vários miradores (Mapa retirado da internet; todas as fotos foram feitas com meu celular Galaxy S8 e são #nofilter)
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