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  1. Depois de conhecer as Prateleiras e também o pico das Agulhas Negras, meu próximo objetivo era o Morro do Couto. Assim como Agulhas Negras e Prateleiras, o Morro do Couto fica localizado no Parque Nacional do Itatiaia, no estado do Rio de Janeiro, sendo considerado o 8° ponto mais alto do Brasil com 2680 metros de altitude. A travessia aconteceu no dia 11/03/18. A intenção era subir o Morro do Couto, seguir até Prateleiras, e depois retornar para a portaria passando pelo Abrigo Rebouças, totalizando um percurso de 12 km. [emoji33] O quase planejamento da aventura começou na semana que antecedeu o domingo do possível passeio. Eu e o meu namorado Rafael, conversamos sobre o período sem trilhas que estávamos passando, e surgiu a ideia de voltar ao PNI. Itatiaia é cidade próxima de onde moramos, então, colocaríamos gasolina no carro, chamaríamos os amigos, e partiu. O valor da entrada por pessoa é tranquila, apenas R$17,00. O problema para ir começou quando nos dois dias que antecederam o dia 11, choveu bastante e a probabilidade de chuva para os próximos dias na região era muito grande. Procuramos em diversas fontes alguma forma de saber melhor qual a previsão mais aproximada para o PNI, mas todos diziam que a possibilidade de chuva era de 90% e em outros alertava até para tempestades. Ate que um site nos orientou melhor e conseguimos ver que iria chover nas cidades próximas a partir das 9:00 da manhã. Então, avisamos os amigos que sairíamos bem cedo e faríamos pelo menos parte do trajeto ate as 9:00. Mas, sábado a noite choveu, e choveu muito; quem estava interessado de ir, desinteressou. [emoji32] Mesmo morrendo de medo de ser uma furada, de sair pra estrada e acabar pegando chuva forte e melando todo passeio, decidimos ir. Arrumamos as coisas e combinamos de sair ate umas 5:30. Era umas 6:00 e estávamos na estrada. O tempo ainda não dava sinais de que rumo tomaria, mas nossa esperança era de que ate uma 9hrs ficaria tudo bem. Em uma parte da Via Dutra, vi um tempo fechado que me preocupou, mas eu já sabia, por idas anteriores, que o clima pode ser totalmente diferente lá em cima. Quando começamos a avistar os picos imponentes do parque, percebemos que o dia estava lindo, sem nuvens e com um lindo sol.[emoji41] Estávamos na portaria do parque as 8:15. Para fazer essa travessia, o horário limite de acesso é ate as 10. A travessia pode ser feita sem guia, mas, se você não conhece nada de trilhas, e ainda não se sente a vontade de encarar uma trilha sem um acompanhamento, o melhor é ir com alguém experiente. Nós fizemos sem guia, mas antes, coletamos informações suficientes sobre o que viria pela frente. O acesso para a trilha do Couto é uma estrada a partir do estacionamento. Subida bem íngreme, mas, conforme andávamos dava pra ver quão bonito estava a paisagem. Fomos ate uma antena e pouco depois começamos nosso primeiro ponto com subida nas pedras. Durante a caminhada conversamos sobre aquela ser uma trilha boa para levar crianças de uns 10 anos. Já na subida de pedras, aumentamos a idade devido ao tipo de desafio. Chegamos ao topo do Couto.[emoji3] A paisagem estava incrível, o lugar dá uma visão muito ampla do parque e nos deu uma sensação de liberdade sem igual. Não ficamos muito, pois íamos para o segundo desafio: chegar ate Prateleiras. São mais 4,5km de trilha. Na saída encontramos um pai com seu filho, que nos fez relembrar da nossa conversa anterior. Tivemos que perguntar a idade do menino, e imagine nossa surpresa ao ver uma criança de nove anos chegando lá em cima, com um sorriso no rosto e super empolgado. Tive duvidas se eu conseguiria concluir a caminhada. A partir do momento que começamos o trajeto ate prateleiras percebemos que aquela trilha seria um exercício de paciência, cooperação e humildade; digo que até de coragem. Nessa parte, os totens (pedrinhas empilhadas) encontrados no caminho foram de grande ajuda. Eles davam a dica de qual o próximo caminho a se seguir, porque em alguns momentos as trilhas sumiram e andamos mato afora, mantendo o foco no nosso objetivo. O terreno la é sem árvores e tem somente mato rasteiro, que devido a estação do ano estava um pouco maior em alguns pontos, e também havia água e barro (é, você vai sujar sua bota sim). Durante o trajeto você tem a opção de abortar a travessia utilizando a trilha sinalizada que leva até o abrigo. Fizemos pequenas pausas para comer, descansar e tirar alguma foto. A próxima foto é da vista do mirante que encontramos no caminho, fácil de identificar por causa de uma plaquinha. Em certo ponto mais na frente, passamos pela toca do índio; pedras enormes que formavam uma passagem. Vale lembrar que durante o percurso, a toca do índio foi o único local com sombra generosa. Durante todo percurso, as sombras são muito raras. Fora isso, tivemos sombra em algumas pedras que encontramos no caminho. É importante não esquecer o filtro solar, e se der, use até uma manga longa. Pegamos um dia bem quente, afinal, era verão e o tempo estava aberto. Não se esquecer de levar água e também lanchinhos rápidos. Prateleiras estava ficando cada vez mais perto. Estávamos chegando ao nosso objetivo, e insistir na travessia foi a melhor escolha que fizemos. A paisagem é gratificante e as histórias pra contar sempre serão muitas. [emoji6] Quando chegamos ate as Prateleiras, e dessa vez não fomos até a base, retornamos pela trilha até o abrigo. Passamos pela cachoeira das Flores que estava com um bom fluxo de água que a deixou ainda mais bonita. Chegando ao abrigo, fizemos nossa pausa maior com direito a uma sopa. [emoji3] Bem antes das 17:00 retornamos pela estrada a caminho da portaria. Chegamos ao posto Marcão as 17:15. No caminho de retorno podíamos ver ao longe, parte do que foi nosso objetivo e analisar um pouco do que tínhamos andado. Quando vamos ao PNI, sempre retornamos para casa já com vontade de voltar. Depois da travessia, pensei sobre não ter tirado uma foto que pudesse registrar a visão que se tem da paisagem ao longo do caminho, se é que isso é possível. Uma visão ampla e incrível de pedras, trilhas, subidas e descidas que te faz sentir um máximo por estar explorando aquele lugar sem igual. [emoji23]
  2. Olá a todos! Conforme diz o título do tópico, eu resolvi ir de bicicleta até a Parte Alta do Parque Nacional de Itatiaia, cuja entrada fica em Itamonte - MG. Escrevi um relato durante a viagem para compartilhar a experiência com vocês e quem sabe incentivar ou esclarecer dúvidas de outros que tenham interesse em fazer a mesma viagem. Infelizmente, sou muito prolixo, o que resultou em um relato de proporções bíblicas (tão grande que comecei a escrevê-lo em 30 de dezembro e só fui terminá-lo hoje; talvez eu tenha exagerado na procrastinação). Quem conseguir ler isso está de parabéns, mas se não conseguir, pelo menos há algumas fotos bonitas perdidas no meio de todo o texto. Planejamento (ou falta dele) Na empresa onde trabalho, temos férias coletivas no final do ano. Normalmente, eu passo as férias descansando em casa, talvez indo acampar em Paranapiacaba (na região cujo nome oficial é Serra do Mogi) em um fim de semana só para variar. Mas desta vez resolvi colocar em prática uma ideia que eu tinha na cabeça há algum tempo: viajar de bicicleta. Até então, eu não tinha um lugar em mente, mas há alguns meses eu havia descoberto por meio de uma amiga a existência do Parque Nacional de Itatiaia. Após passar algum tempo lendo o site oficial do parque e alguns blogs sobre aventuras, decidi que queria conhecer a Parte Alta dele, conhecida como Planalto do Itatiaia. Dia 18 de dezembro foi meu último dia de trabalho: eu só retornaria no dia 4 de janeiro. Tempo mais que suficiente para a viagem, segundo o roteiro de 17 h 49 min proposto pelo Google Maps. Só o que me faltava era a bicicleta. Após pesquisar na internet e em bicicletarias, descobri que uma bicicleta ideal para este tipo de viagem não me sairia por menos de R$ 2.000,00. Eu não tinha todo esse dinheiro e não estava disposto a passar os próximos 10-12 meses parcelando a bicicleta (até porque 10 vezes de 200 reais ainda é dinheiro demais para mim), então acabei comprando uma bicicleta mais básica: a Caloi Andes. Ainda no dia 19, no Carrefour perto de casa, eu a encontrei por R$ 619,90, parcelados em três vezes. Naturalmente, a bicicleta não inclui chaves para manutenção, cadeados, bagageiro, caramanhola ou alforjes, então eu tive que procurar pelas bicicletarias da região. Minha intenção era ter tudo pronto para partir segunda-feira, dia 21, mas algumas partes (especificamente, a bolsa de bagageiro) foram mais difíceis de encontrar. O lado bom é que eu aproveitei a busca para estrear minha bicicleta, já que eu não pedalava há cerca de onze anos. No fim das contas, consegui sair de casa na terça-feira, dia 22. Levei uma mochila cargueiro com roupas (apenas três mudas de roupa: para a ida, para a trilha e para a volta), lanterna, papel higiênico, escova de dentes, creme dental, sacolas e faca, um saco de dormir e uma barraca. Eu decidi comprar provisões em alguma cidade no caminho, para não sair com muito peso. Água, só da caramanhola, que eu reabasteceria em postos de gasolina. Com base no Google Maps, eu esperava chegar lá em dois dias, parando apenas uma vez para dormir na estrada. Custo da Bicicleta: Bicicleta _________________ R$ 619,90 Acessórios e ferramentas____ R$ 409,79 Capacete__________________ R$ 69,00 TOTAL__________________ R$ 1.098,69 Primeiro Dia: 22/12/2015 Ao invés de sair durante a madrugada, concluí que o melhor era sair descansado de casa e, portanto, não usei o despertador. O roteiro sugerido pelo Onisciente Google manter-me-ia circulando pelas ruas de várias cidades, exigindo que eu seguisse pela rodovia Presidente Dutra somente a partir do município de São José dos Campos.Eu gostei da ideia, já que seguir pelas ruas da cidade é muito mais seguro do que por uma rodovia cheia de caminhões a 90 km/h. Saí por volta das 9 h da manhã com a expectativa de chegar a Guaratinguetá ou Lorena ao anoitecer. Ygritte e Compadre Washington precisam ter uma palavrinha comigo. O início da viagem foi tranquilo. Eu moro na Penha, na zona leste de São Paulo, e meu primeiro passo era percorrer a ciclovia do Parque Ecológico do Tietê, que segue paralela à rodovia Ayrton Senna. Embora o Parque Ecológico esteja localizado a menos de uma hora de caminhada de minha casa, eu não o visitava há uns quinze anos ou mais. É um lugar bastante agradável, um pedaço de Mata Atlântica tão bem conservado que até faz você esquecer que o imundo rio Tietê corre ao longo do lado norte da ciclovia. A ciclovia, apesar de rachada e com um ou dois pontos parcialmente alagados (além de um carro sem rodas abandonado num ponto isolado, o que havia chamado a atenção de um grupo de ciclistas que eu suponho que estavam esperando pela polícia para remover o veículo), é surpreendentemente fácil de se percorrer. A ciclovia do Parque Ecológico do Tietê. As árvores ao redor abafam o barulho da rodovia Ayrton Senna, tornando o lugar agradavelmente pacífico. Só se ouvia o som dos pássaros. O rio Tietê e a rodovia Ayrton Senna estão além desta muralha de vegetação. Saindo da ciclovia, cheguei aos bairros mais orientais da cidade, como São Miguel Paulista e Itaim Paulista. São regiões as quais eu não conheço muito bem, então eu fui obrigado a consultar o roteiro do Google Maps frequentemente. Felizmente, havia uma ciclovia percorrendo um bom pedaço das ruas e calçadas (algumas sem guias rebaixadas, o que me levou a um solavanco que até inclinou meu selim para trás) do bairro de São Miguel Paulista e meu trajeto levava através dela durante algum tempo. Saindo da ciclovia, eu pedalei até chegar no município de Itaquaquecetuba onde as coisas desandaram. Cavalos em uma área rural em Itaquaquecetuba. O problema em Itaquaquecetuba é que muitas ruas não possuem identificação, ou possuem identificação em locais ilógicos (por exemplo, qualquer lugar que não seja a esquina). A princípio, o caminho foi fácil, já que passava por vias principais da cidade. Mas depois eu tive que entrar nas vias arteriais dos bairros suburbanos, onde eu era forçado a sair perguntando aos habitantes o nome da rua em que eu estava. E nem todo mundo dá informações certas. Eu aproveitei que estava na cidade para comprar provisões: biscoitos doces e salgados e amendoins. Quando já passava das 13 horas, alguns moradores garantiram que o caminho pelo qual eu estava seguindo era uma rua sem saída e eu decidi seguir pela rodovia Presidente Dutra a partir daí. Morrendo de sede e cansaço e com a pele ardendo por causa do sol (eu usei protetor solar, mas minha pele não aguenta muito sol), eu segui pela rodovia Mogi-Dutra (onde tive a sorte de encontrar um posto Ipiranga com bebedouro) até chegar à Presidente Dutra. Eu estava em Arujá, mas a partir daí a viagem transcorreu sem grandes dificuldades (eu ainda vou usar muito esta expressão em meu relato. Aproveitem para começar seu prórpio jogo de beber). Uma chuva apanhou-me em Guararema no fim da tarde, mas eu encontrei um pedágio desativado e aproveitei o abrigo para comer algo e pegar o agasalho que estava dentro de minha mochila cargueira. Quando já passava das 19 horas, eu estava em Jacareí, no km 165 da Dutra. Ali encontrei um posto de serviços grande, com restaurante e segurança 24 horas. A primeira coisa que fiz foi procurar um lugar para deixar a bicicleta. Eu a prendi a uma estaca de metal usando um cadeado de 1,5 m (com o qual travei a roda traseira e o bagageiro) e ainda travei a roda dianteira com outro cadeado. Depois, removi todos os alforges e partes não parafusadas e os prendi à minha mochila enquanto eu comia algo no restaurante. "Ninguém vai roubar essa coisa," pensei eu. "Ninguém." Felizmente, eu estava certo. Depois de comer um pouco (um sanduíche de frango e um litro de suco de laranja), comprar duas garrafas de 1,5 l de água (a R$ 5,80 cada, um verdadeiro assalto) e tentar sem sucesso encontrar um local para recarregar os créditos de meu celular (eu realmente sou o tipo que prefere remediar a prevenir), eu pedi permissão ao segurança para armar minha tenda no terreno do posto. Muito gentil, ele me disse que não haveria problemas e sugeriu um gramado atrás de uma sebe que costumava ser utilizado por viajantes em minha situação que passavam pelo local. E foi assim que terminou meu dia: com menos progresso do que eu esperava, mas ainda assim muito bem. A grama mais macia sobre a qual eu já dormi. Não estou exagerando quando digo que dormi melhor neste gramado do que durmo em minha cama. E a câmera que usei é uma porcaria para fotos noturnas, caso não tenha ficado claro. Custo do Primeiro Dia: Provisões para a trilha ________ R$ 30,30 Jantar e água________________ R$ 44,00 Bebidas durante o dia__________ R$ 8,00 TOTAL___________________ R$ 82,30 Distância percorrida: aprox. 90 km (cerca de 10 km desperdiçados procurando por ruas perdidas) Tempo de viagem: aprox. 10 horas Velocidade média: aprox. 9 km/h Segundo Dia: 23/12/2015 Após um café da manhã muito simples retirado de minhas próprias provisões, eu retomei a viagem às 8 h 30 min. Minha intenção no segundo dia era chegar à cidade de Cruzeiro, alguns quilômetros além de meu objetivo não concluído no dia anterior, Guaratinguetá. Eu estava me sentindo descansado e não cairia novamente na armadilha de seguir por dentro de cidades desconhecidas, então meu objetivo parecia fácil de cumprir. O sol foi tão impiedoso quanto no dia anterior, mas a paisagem compensava o sacrifício. Não aconteceu nada de realmente interessante na viagem, exceto pelas paisagens da estrada e um arco-íris que avistei em Guaratinguetá. A Serra da Mantiqueira, onde o Parque Nacional do Itatiaia está localizado, podia ser vista ao norte durante a maior parte de minha viagem. E meu maior erro foi não ter fotografado a linha do horizonte de Aparecida, com suas belas igrejas e torres. O arco-íris em Guaratinguetá. Já era possível vê-lo do município de Aparecida, mas não com tanta nitidez. Por volta das 18 horas, avistei o que seria a última parada pelas próximas três horas. E eu nem tive o bom senso de parar lá, já que não tinha ideia do que me aguardava: um longo trecho da Dutra (de Cachoeira Paulista a Lavrinhas, se não me engano) onde o acostamento dá lugar a uma faixa adicional exclusiva para caminhões. Para piorar, já estava escurecendo e eu estava cansado demais para pedalar nos trechos de subida. Eu passei boa parte daquele trecho andando o mais próximo da grama que podia enquanto caminhões passavam ao meu lado e ocasionalmente buzinavam em minhas orelhas. Confesso que considerei parar ali mesmo e armar minha barraca na grama, mas decidi que era mais sensato encontrar um lugar mais seguro para passar a noite. Acabei encontrando um posto de serviços em Lavrinhas, quando já era cerca de 21 horas. Eu estava tão cansado que quase não tive energia para jantar, mas acabei empurrando para dentro um prato de comida antes de dormir. Meu dormitório no segundo dia. Custo do Segundo Dia: Jantar___________________ R$ 40,88 Bebidas durante o dia______ R$ 55,00 TOTAL________________ R$ 95,88 Distância percorrida: aprox. 140 km Tempo de viagem: aprox. 13 horas Velocidade média: aprox. 10,8 km/h Terceiro Dia: 24/12/2015 Restando cerca de 50 km até a Garganta do Registro, que eu pensava ser a entrada da Parte Alta do Parque Nacional do Itatiaia, eu esperava concluir minha viagem de ida antes do fim da tarde, mesmo sabendo que metade do caminho seria subindo uns 1.600 metros de serra. Como o parque não permite a entrada de visitantes após certo horário (14 horas, se não me engano), eu sabia que não entraria no mesmo dia, mas eu esperava acampar do lado de fora enquanto esperava pelo dia seguinte. Lamentavelmente, a realidade mostrou-se mais complicada do que meu "planejamento" levou-me a crer. Eu estava pronto para continuar minha jornada às 8 h 10 min. Antes de partir, eu descobri que o posto onde eu estava possuía chuveiros que poderiam ser usados pelo preço de R$ 8,00. Sem banho há dois dias e pedalando debaixo de um sol escaldante, eu precisava desesperadamente de um banho, já que minha aparência estava nojenta e meu fedor, pior ainda (nem mesmo eu estava me aguentando). Mas eu não tinha shampoo, toalha ou sabonete e tinha esperanças de tomar um banho de cachoeira no dia seguinte, o que me levou a reconsiderar o uso dos chuveiros. Além disso, o custo daquela viagem, com as práticas criminosas de comércio dos postos de rodovia, estava me preocupando. Eu parti sem banho, decidido a tolerar minha imundície por mais um dia. E não, eu não costumo ser nojento assim em meu dia-a-dia. É incrível o que se pode descobrir a respeito de si próprio em um mochilão. O trecho da rodovia Presidente Dutra entre Lavrinhas e Queluz possui algumas das paisagens mais belas de toda a estrada. Ao sul da Dutra, eu podia ver o rio Paraíba do Sul, que cruza a região do Vale do Paraíba e é considerado o mais importante do estado de Rio de Janeiro. Assim como a maioria dos rios que passa por regiões habitadas por pessoas, o Paraíba do Sul é altamente poluído, mas é difícil acreditar quando você vê a vegetação e as aves ao redor dele. A placa o identifica como rio Claro, mas isto aí é o rio Paraíba do Sul, mesmo. Os mapas não mentem. Agora que eu estava chegando perto de meu destino, eu precisava sacar dinheiro para pagar pela entrada e pela área de camping. O Parque Nacional do Itatiaia aceita apenas dinheiro, o que significava que eu teria que achar algum banco 24 horas num dos poucos postos de serviços pelos quais eu ainda passaria ou perder tempo procurando por uma agência da Caixa na cidade de Queluz (em inglês: Whattalight City). Felizmente, acabei encontrando um terminal de auto-atendimento da Caixa no Graal Estrela, localizado num trecho da Dutra no município de Queluz. Um automóvel em exposição no posto onde saquei o dinheiro. Com isso fora do caminho, eu logo havia cruzado a fronteira para o estado de Rio de Janeiro e deixei a Dutra assim que surgiu a oportunidade, seguindo para o norte através da rodovia Sebastião Alves do Nascimento (BR-354). A BR-354 possui a distinção de ser a rodovia federal mais alta do Brasil, chegando a 1.670 m na Garganta do Registro, meu destino. Eu só fui descobrir este fato depois que cheguei em casa, mas o considero uma ótima notícia: significa que, não importa para onde eu vá em minha próxima viagem de bicicleta, nunca será tão cansativo quanto este trecho do trajeto foi. O cenário em toda a rodovia Sebastião Alves do Nascimento é incrível, além de o clima ser muito mais ameno do que na Dutra, graças à altitude e às árvores. Logo no início da BR-354, antes de a subida começar, encontrei uma área residencial com diversos estabelecimentos comerciais. Era cerca de 11 horas da manhã, então eu resolvi parar em um restaurante (Tempero da Roça, em Resende - RJ) para almoçar. Com apenas R$ 24,00, almocei mais do que meu estômago poderia suportar (mas ainda assim empurrei tudo para dentro: eu havia aprendido minha lição depois do que acontecera no dia anterior), bebi meio litro de suco de limão e ainda levei uma garrafa de meio litro de água. Foi o melhor negócio que fiz em toda a minha viagem. No decorrer da subida pela serra, eu quase não pedalei: embora não fosse uma rodovia íngreme, a BR-354 parecia não ter fim e minha bicicleta com a bagagem não é o que se pode chamar de leve. Havia longos trechos desertos, com apenas árvores à vista, mas sempre surgiam trechos com alguns sítios agrupados onde eu podia encontrar bares e mercearias. Eu sempre pedia água ou comprava sucos nestes trechos, pois meu organismo estava sendo desidratado em tempo recorde com aquela subida. Não era íngreme, mas parecia interminável. Lá pela metade superior da rodovia, comecei a encontrar canos de água de nascente pelo caminho, que foram minha salvação quando não havia mais estabelecimentos comerciais por perto. Os canos eram velhos e sujos, mas a água era fria e limpa, apesar de um ou outro grão de terra que vinha junto. Enchi minhas garrafas e minha caramanhola e bebi tanta água quanto pude. Ainda assim, eu estava cansado e minhas pernas estavam cobertas de arranhões causados pelos pedais da bicicleta. Andar ao lado da bicicleta quando se está cansado demais para seguir em linha reta não é recomendado quando se está usando bermuda. Parece nojento, mas quem garante que o encanamento da sua casa não está assim, também? Por volta das 17 horas, eu finalmente cheguei à Garganta do Registro, em Itamonte - MG. Fica a poucos metros da fronteira entre MG e RJ, com um pequeno povoado cheio de lojas e bares naquele ponto. Minha pressa em encontrar um lugar para armar minha barraca era tanta que eu nem parei para reabastecer suprimentos, até porque eu já tinha água o suficiente comigo. Mas eu não esperava pela péssima notícia que me aguardava: em uma placa na entrada do território do Parque Nacional do Itatiaia, havia um mapa indicando que o acesso à Parte Alta dava-se através do Posto Marcão, a verdadeira entrada para visitantes do parque. O problema é que o Posto Marcão fica no km 13 da BR-485, a Rodovia das Flores, cuja altitude é ainda maior do que a da BR-345 que eu havia acabado de subir. E isso não era o pior: assim que comecei a subir a Rodovia das Flores, percebi que a maior parte dela era de terra coberta de pedras soltas irregulares. Os poucos trechos asfaltados tinham rachaduras e pedaços faltando em toda a parte. Eu nunca tive a chance de viajar muito, mas posso dizer com certeza que nunca vi uma estrada pior em toda a minha vida, seja nas regiões mais carentes de São Paulo, seja nas mais afastadas do interior. A estrada parece ter saído de um filme de Sergio Leone. Como sempre nesta minha viagem, o cenário compensou quaisquer dificuldades que tive. Quando já passava das 21 horas, eu atingi o meu verdadeiro (e até poucas horas desconhecido) destino. No Posto Marcão, fui saudado por um guarda, que me indicou o banheiro e uma fonte de água potável. Ele também me deu algumas notícias piores do que todas as que eu havia recebido até então: em primeiro lugar, a área de camping do parque estava interditada. A notícia podia ser vista no site oficial do parque, mas eu não a havia percebido por alguma razão. Em segundo lugar, eu não poderia acampar nas proximidades do Posto Marcão ou no território do parque, o significava que eu teria que descer até o km 0 da Rodovia das Flores para dormir. E não, eu não poderia deixar minha bicicleta estacionada no posto, tampouco, embora o guarda tenha sugerido que eu tentasse falar com o pessoal do Instituto Chico Mendes (ICMBio - responsável por manter o parque) no dia seguinte, quando eu tivesse feito meu registro de visitante. Como já estava escuro e percorrer a Rodovia das Flores é um pesadelo, o guarda sugeriu que eu acampasse em uma pousada desativada uns três quilômetros abaixo. Apesar de proibido, eu estaria fora do caminho dos carros que viessem pela manhã. Eu parti, determinado a seguir a sugestão, mas meu cansaço era muito e o trecho final da estrada era o pior de todos, de tal maneira que eu perdi um pedaço do pedal de minha bicicleta ao tentar descê-lo. Derrotado, eu armei minha barraca em um gramado à beira da estrada, a menos de um quilômetro do Posto Marcão. Na pior das hipóteses, eu seria forçado a desmontar a barraca às 6 h 30 min, quando o pessoal do ICMBio subisse a estrada para abrir o parque. Meu acampamento à beira da Rodovia das Flores. Observe as maravilhosas condições da estrada na parte inferior da imagem. Até mesmo os motoristas que passavam precisavam ter cuidado com as pedras e buracos. Custo do Terceiro Dia: Almoço___________________ R$ 24,00 Bebidas durante o dia________ R$ 9,00 TOTAL_________________ R$ 33,00 Distância percorrida: aprox. 57 km Tempo de viagem: aprox. 13 horas Velocidade média: aprox. 4,4 km/h Quarto Dia: 25/12/2015 O dia pelo qual eu esperara o mês inteiro: eu estava prestes a entrar no Parque Nacional do Itatiaia. Por volta das 7 h 45 min, eu estava de volta ao Posto Marcão. Um dos funcionários do posto lembrou-me de que eu havia acampado em local proibido, mas foi apenas um aviso: no fim das contas, o pessoal do ICMBio foi bastante compreensivo e ninguém tentou me acordar para eu desmontar minha barraca. Eu registrei meu nome para visitar o parque por 3 dias consecutivos e paguei a taxa de R$ 30,00 (R$ 15,00 pelo primeiro dia e R$ 7,50 para cada dia adicional). Sem saber exatamente qual trilha seguir no meu primeiro dia, acabei aceitando a sugestão de um dos guardas para seguir pelo Circuito dos Cinco Lagos até a Cachoeira das Flores. Além de ser uma trilha longa, eu encontraria alguns rios pelo caminho, os quais eu aproveitaria para tomar um banho. O Posto Marcão ainda podia ser visto durante os primeiros minutos de caminhada pelo Circuito dos Cinco Lagos. Logo no início da trilha, é necessário subir por um caminho bastante sinuoso. Apesar de não ser íngreme, a altitude da região é superior a 2 km, ou seja, o ar é rarefeito demais para alguém acostumado a viver 25 anos na cidade de São Paulo. Embora eu estivesse me sentindo descansado, tive de fazer várias pausas até me acostumar ao ar (e mesmo assim não cheguei a me acostumar completamente no decorrer de meus três dias). Mas o cenário era tão diferente de tudo o que eu conhecia (11% da flora local é endêmica, ou seja, não pode ser encontrada naturalmente em nenhum outro lugar do mundo), o aroma era tão agradável e os sons dos pássaros e insetos eram tão relaxantes que eu tinha a impressão de que estava sendo recompensado por minha falta de aptidão física. A foto não faz justiça à beleza da vegetação. E eu nem mostrei as flores mais interessantes do local. Minha favorita é a eryngium glaziovianum, embora não seja endêmica, até onde sei. Um detalhe curioso é que o som propaga-se por uma boa distância no Planalto do Itatiaia. Mesmo após vários minutos de caminhada (talvez até mais de uma hora), eu ainda podia ouvir vozes vindo do Posto Marcão e da Rodovia das Flores (a qual eu podia ver à distância. É uma rodovia inacreditavelmente sinuosa, a propósito). Foi assim que descobri que outros visitantes visitaram o local depois de mim. Aparentemente, passar o natal escondido no meio do mato não faz de mim o Diferentão dos Mochilões. Sabe o que é diferentão? Este rochedo. Eu não tentei subir nele por causa da grama alta no caminho, mas eu compensaria minha falha no dia seguinte, numa trilha mais rochosa (alerta de spoiler, desculpem-me). Não demorou muito para que tanto o Posto Marcão quanto a Rodovia das Flores saíssem de meu campo de visão. Um detalhe que não mencionei: na portaria do parque, há um guia de bolso disponível (cujo conteúdo pode ser visto aqui) contendo informações sobre a fauna, a flora, a história e o clima do parque, bem como mapas da região e de suas trilhas. Por razões desconhecidas (as quais eu não me preocupei em esclarecer: não seria uma aventura de verdade sem um elemento desconhecido, afinal de contas), o Circuito dos Cinco Lagos não aparece no mapa. De fato, nem mesmo a Cachoeira dos Cinco Lagos foi marcada. Até então, eu estava triangulando minha posição com base no Posto Marcão e na Rodovia das Flores, mas quando eu não pude mais avistá-los, só o que restava era usar as muitas formações rochosas como pontos de referência. Foi um fracasso, infelizmente: para um leigo como eu, era muito difícil saber qual delas era a Asa de Hermes, quais eram as Prateleiras, qual era o Morro do Couto, qual era o Pico das Agulhas Negras... Tudo o que eu sabia (com base na posição do sol, que esteve visível durante a maior parte do tempo) é que eu estava seguindo a nordeste, embora não fosse exatamente um caminho em linha reta. Uma espécie de brejo pelo qual a trilha passou. À distância, pensei que era um lago onde eu poderia tomar banho, mas a ideia acabou se mostrando equivocada. Uma foto que eu tirei com o auxílio de uma pedra e do temporizador da câmera. Acho que conta como selfie. Depois de umas duas ou três horas de caminhada, por volta das 11 h, eu comecei a ouvir o som de água corrente. Logo avistei uma nascente que se tornaria a Cachoeira dos Cinco Lagos. Eu comecei a me animar: finalmente, depois de três dias pedalando, eu teria a chance de tomar um banho (sim, é nojento, mas se eu quisesse conforto, estaria em casa ou viajaria pela CVC). Mas o ânimo não durou muito: a água era gelada. Alguém aqui já foi ao Lago de Cristal em Paranapiacaba/Serra do Mogi? A temperatura da Cachoeira dos Cinco Lagos estava mais ou menos no mesmo nível. Eu sou uma porcaria para lidar com temperaturas extremas, então só consegui me sentar dentro da água e molhar os braços durante alguns segundos. Não foi um banho de verdade, mas foi o bastante para que eu me sentisse melhor do que me sentira desde o início da jornada. Eu não sei que lugar é este. Se ao menos houvesse algum tipo de sinalização bastante óbvia... A propósito, este filete de água no canto inferior direito da foto é a "Cachoeira" dos Cinco Lagos. Engraçado, não é? Tentem entrar na água e vejam se é possível rir com os pulmões congelados, então. Depois de me secar ao sol (que estava agradavelmente quente naquele dia), continuei seguindo a trilha até chegar à uma região rochosa (em cujo início havia uma placa alertando sobre as pedras inclinadas e escorregadias) onde, ao invés da trilha, havia moledros e estacas vermelhas indicando o caminho. Se não fosse um dia sem neblina, eu poderia facilmente me perder ali, já que algumas estacas e moledros estavam muito distantes uns dos outros. Mas eu tive sorte com o clima, o que acabou me ajudando muito dois dias depois, quando eu voltaria a atravessar o Circuito dos Cinco Lagos sob uma neblina espessa (novamente, alerta de spoiler. Sou um péssimo contador de histórias). O que mais me chamou a atenção neste trecho, além do Pico das Agulhas Negras que estava cada vez mais próximo, foram os vários rochedos altamente escaláveis ao longo do caminho. Eu passei algum tempo andando em zigue-zagues para escalar todos eles, mas então percebi que já era quase meio-dia (pelas regras do parque, eu tinha que estar na portaria às 17 h) e comecei a me preocupar. Apertei o passo e parei de fazer desvios do caminho. Isto é um moledro. Se olharem atentamente, é possível ver uma estaca vermelha no horizonte, no canto direito da foto. logo ao lado da grama alta. Algum tempo depois, cheguei a outra placa indicando o piso inclinado e escorregadio, o que significava que eu estava saindo do rochedo. A propósito, a propaganda era enganosa: o caminho era inclinado, mas não havia nada de escorregadio, nem mesmo nos raros trechos onde a rocha estava molhada. Embora minhas botas certamente tenham ajudado no quesito "não escorregar." Talvez o caminho seja mais difícil quando as solas de seus sapatos não se ajustam tão perfeitamente às rochas ásperas do Planalto do Itatiaia. Poucos metros adiante, já na trilha e com vegetação por todos os lados, eu encontrei uma placa apontando o caminho para o Abrigo Rebouças, onde os visitantes podem passar a noite quando decidem pernoitar no parque e a fossa não está quebrada. Foi uma ótima notícia, na verdade: enfim eu tive a chance de confirmar minha posição no mapa e fiquei mais tranquilo com relação ao tempo restante para voltar ao Posto Marcão. A viagem transcorreu sem nada digno de nota (bebam um copo) durante algum tempo. Exceto pela paisagem (sim, este é o Pico das Agulhas Negras — e também é possível ver a Asa de Hermes no canto esquerdo da foto)... A todo o momento ela se mostrava digna de nota... Por vezes, digna até demais. Depois de cruzar a ponte de madeira da imagem acima, eu logo cheguei a um ponto no qual a estrada dividia-se em três. Não havia placa alguma indicando por onde ir, o que me obrigou a confiar nas minhas tentativas de triangulação e na orientação com base na posição do sol. Eu escolhi o caminho da direita, que acabou se mostrando o caminho certo. Pode parecer idiota, mas é uma sensação muito boa saber que você é capaz de se virar no meio do mato usando apenas seus conhecimentos, mesmo que para algo tão insignificante. Não levou muito tempo para eu chegar ao Abrigo Rebouças. Trata-se de uma casa de pedra muito bonita num local coberto de grama e ao lado de uma pequena represa. A área de camping também fica a apenas alguns metros de distância, com uma mesa de madeira e um banheiro externo. Em pleno natal e com a fossa quebrada, o lugar estava completamente deserto, então eu decidi fazer uma pausa para o almoço. Foi então que percebi que eu estava prestes a consumir os últimos doces em minha mochila. Nunca me senti tão desesperado: para que eu me sinta satisfeito, meu sangue deve conter açúcar o suficiente para que uma gota seja capaz de matar uma família de diabéticos. Mas não havia nada a fazer. A represa. O abrigo. A área de camping (normalmente, há espaços reservados para quinze barracas). Uma amizade que fiz na trilha. Era a ave mais corajosa da jornada: nem mesmo os carcarás que eu encontraria dias depois na rodovia Dutra aproximaram-se tanto de mim. Com as nuvens já começando a cobrir o sol, eu prossegui rumo à Cachoeira das Flores. O dia ainda estava claro e o sol ainda estava quente, então eu esperava tomar um banho de verdade desta vez. Do Abrigo Rebouças, eu só precisava retornar à Rodovia das Flores, no trecho que leva do Posto Marcão à Travessia Ruy Braga, e seguir em direção à Travessia Ruy Braga durante uns 20 minutos. Não levou muito tempo para que eu pudesse ver o rio Campo Belo ao norte, acompanhando a estrada. A Cachoeira das Flores podia ser alcançada através de uma trilha semi-oculta, sinuosa e íngreme no lado norte da rodovia. O rio Campo Belo e a Cachoeira das Flores vistos da Rodovia das Flores. Já na Cachoeira das Flores, descobri que a água era tão gelada quanto a da Cachoeira dos Cinco Lagos. Felizmente, as rochas no meio do rio estavam quentes e secas e as nuvens saíram da frente do sol durante alguns minutos. Eu consegui lavar a cabeça e entrar na água até a cintura e ainda tive tempo de me secar ao sol. Sem mais nada a fazer, eu retornei ao Posto Marcão. Ainda encontrei algumas paisagens interessantes no caminho, como dois rochedos que formavam duas pontes paralelas uma à outra sobre o rio Campo Belo (eu fiz questão subir em um deles) e a nascente do rio em questão. Também passei por uma área alagada da Rodovia das Flores, cujas poças são utilizadas pelos sapos-flamenguinho para reprodução. Por esta razão, o trecho final da rodovia é bloqueado aos veículos durante os meses de chuva no fim do ano. Quando eu cheguei ao Posto Marcão para registrar minha saída, o relógio marcava 16 h, o que significa que minha trilha durou 7 h 59 min. A nascente. Sim, o lugar inteiro está acima de 2.000 m de altitude. Seria a Machu Picchu brasileira se os incas tivessem passado pela região. As pontes naturais. Assim como a Ponte Octávio Frias de Oliveira, em São Paulo, estas pontes são grandes demais para o rio que cruzam. A natureza deve ter desviado verbas públicas durante sua construção. Um sapo-flamenguinho. Os maiores chegam a impressionantes (SQN) 3 cm. Eu tentei conseguir permissão para deixar minha bicicleta no Posto Marcão durante os três dias, para facilitar a jornada pela Rodovia das Flores, mas não consegui. Consequentemente, segui para o plano B (nunca houve plano A, a propósito): encontrar um lugar escondido ao lado da rodovia para passar a noite. Proibido, mas eu não acendo fogueiras em meus acampamentos e tenho o cuidado de guardar meu lixo numa sacola, então não foi tão ruim. Melhor do que subir e descer diariamente 13 km de estrada destroçada. Acabei encontrando uma trilha estreita cercada de grama muito alta onde eu poderia ficar longe do campo de visão tanto do posto quanto da estrada, embora ainda houvesse um trecho dela de onde eu poderia ser avistado por quem estivesse subindo para o Posto Marcão. A chance de detecção era muito baixa, então decidi arriscar: às 17 h 30 min eu já estava com a barraca armada, mais cedo do que eu jamais havia acampado durante toda a viagem até agora. Apesar de algumas pedras sob a barraca, eu consegui dormir bem. O "estacionamento." Dias depois, a ferrugem no selim e nas ferramentas dentro do alforje me fez perceber que talvez não tenha sido uma boa ideia. Meu dormitório. Por volta das 2 h, eu acordei com o som de alguma coisa se movendo do lado de fora da barraca. Soava como se fosse quadrúpede e pequeno, então eu imagino que tenha sido um gato-do-mato. Ou até um lagarto, embora seja improvável: eu não ouvi a barriga do réptil hipotético se arrastando pela grama. Custo do Quarto Dia: Entrada do parque_______________ R$ 15,00 Dois dias consecutivos adicionais___ R$ 15,00 TOTAL_______________________ R$ 30,00 Quinto Dia: 26/12/2015 Embora o chão não fosse dos mais confortáveis e o saco de dormir não fosse suficiente para manter meus pés aquecidos à noite (que aliás é muito fria no Planalto do Itatiaia), eu dormi bem e acordei com minha energia habitual (ou seja, hiperativo). Houve uma chuva forte à noite, então eu esperei um pouco para deixar o sol secar a minha barraca. Quando voltei ao parque, já passava das 9 horas. Conforme eu esperava, ninguém havia percebido que eu armei uma barraca no território do parque. Após usar o banheiro e reabastecer minhas garrafas de água, eu segui o conselho de um dos funcionários do parque e resolvi fazer a trilha até a base das Prateleiras, passando pelo Morro do Couto. Não só era um caminho que seguia por um lado do planalto que eu ainda não conhecia, como também já havia outros visitantes seguindo naquela direção, o que facilitaria a vida do pessoal do ICMBio caso houvesse necessidade de resgatar alguém. O lado ruim é que não havia rios naquele lado do planalto, mas isto não reduziu em nada a beleza da paisagem. No caminho eu devo ter passado por uns três grupos diferentes de visitantes, o maior deles com umas cinco pessoas. Havia também pelo menos um guia entre os visitantes, o que me fez pensar em como seria fantástico trabalhar assim. Já tentei pesquisar a respeito, mas só o que encontrei foi uma empresa em Paranapiacaba que afirma contratar apenas moradores da região. Mais um motivo para eu perceber que estou vivendo na cidade errada. Como eu havia mencionado anteriormente, o caminho pelo qual segui em meu segundo dia no parque era rochoso e oferecia várias oportunidades para escaladas. Muitos rochedos bons para se ter uma vista tanto do Planalto do Itatiaia quanto do Vale do Paraíba. O melhor destes rochedos foi uma formação de várias rochas empilhadas na beira de um penhasco. Era bem fácil de subir, mas o topo era uma rocha isolada das demais e "pendurada" acima de um abismo. Não havia como não sentir um frio na barriga na primeira escalada. Como sempre, não consegui tirar uma foto cuja perspectiva mostrasse o local como deveria ser mostrado. A ponta do penhasco, à esquerda, é a rocha isolada da qual estou falando. Entre ela e o restante da formação havia várias rochas menores. Depois de subir uma vez (um pouco mais devagar do que eu gostaria, devido ao supracitado frio na barriga), eu descansei um pouco (em outras palavras, comi alguma coisa, bebi água e atualizei meu relato de viagem, que aliás é muito mais completo em sua versão manuscrita), criei coragem e decidi tirar uma foto. Apoiei a câmera numa pedra, liguei o temporizador e subi feito um macaco para conseguir superar os dez segundos da câmera. Para minha alegria, o medo havia me abandonado. O resultado foi esta foto: A intenção era que o Vale do Paraíba aparecesse no fundo, mas a câmera estava num lugar muito baixo (só uns 2200 metros de altitude, eu acho). Esta era a vista que eu teria se olhasse para trás: Novamente, a perspectiva da foto não ajuda. Parecia muito mais alto ao vivo. E também parece uma imagem de Cyrodiil, a terra fictícia onde é ambientado o jogo de computador The Elder Scrolls IV: Oblivion. Depois de seguir em frente durante alguns minutos, eu ouvi vozes distantes e avistei um grupo de viajantes nos arredores do rochedo que eu acabara de escalar. Pelo que vi, eu fui o único a me empoleirar no penhasco, então estou esperando receber uma medalha do ICMBio pelo correio. Mas chega de falar da pedra na beira do abismo. A melhor parte da viagem (e a melhor foto, embora minha cara de neandertal a tenha arruinado um pouco) estava poucos metros adiante: o cume do Morro do Couto! Segundo a Wikipédia, "a nona maior elevação rochosa brasileira, com 2.680 metros de altitude." E também é ridiculamente fácil de escalar, o que não reduz em nada a diversão. Na base do morro há uma antena numa pequena área cercada. A cerca está cortada em alguns pontos, o que indica que alguns visitantes tenham tentado escalar a estrutura, mas para ser sincero a ideia nem me ocorreu na hora. Eu não viajei 300 km para ver uma estrutura feita por pessoas. Não quando posso ver várias do tipo em minha cidade. As pedras menores na área central do morro formam uma trilha para "escalaminhar" até o topo. Não parece grande coisa na foto, mas ao vivo as menores rochas tinham mais ou menos o meu tamanho. Há vídeos no YouTube de pessoas escalando o Morro do Couto. Recomendo que os assistam. O interessante é que a escalaminhada do Morro do Couto é parte da trilha: se vocês pretendem ir às Prateleiras por este caminho, precisam chegar quase ao topo do morro para depois descer por uma trilha de verdade: À direita da placa, havia algumas rochas que permitiam escalaminhar para o cume propriamente dito (e é coisa leve: não deve ser mais do que cinco metros acima da trilha). Naturalmente, eu não fotografei as tais rochas: estou começando a perceber que eu tenho uma péssima noção de prioridades na hora de fotografar. No cume do Morro do Couto, eu fui recompensado com uma vista espetacular não só do Vale do Paraíba, como também de boa parte do Planalto do Itatiaia. Eu poderia jurar que o céu ali é mais azul do que o céu daqui de São Paulo. De fato, todas as cores pareciam mais vivas no parque, coisa que minha câmera não foi capaz de mostrar com clareza. Ou talvez o fotógrafo seja o culpado. Ainda assim, eu acho que consegui acertar em pelo menos uma foto. Havia uma pequena rocha próxima à beira do abismo que era perfeita para apoiar a câmera. Eu usei novamente o método Peter Parker de fotografia para conseguir o que julgo ser a melhor foto de toda a viagem: Dá para ver o Vale do Paraíba nesta foto. E a vegetação do Planalto do Itatiaia. E eu. Mas acima de tudo (trocadilho digno de uma participação em A Praça É Nossa, eu sei), olhem para as nuvens. O contraste delas com o céu. Existe coisa mais bela do que o céu? Entretanto, por mais belo, atlético e viril que eu (não) seja, acho que vocês preferem ver fotos do cenário no cume do Morro do Couto. Aqui estão algumas: Eu pretendia mostrar o Planalto do Itatiaia, mas as nuvens não saíam do caminho. E, pensando bem, eu gosto de nuvens, então acho que a foto saiu perfeita. A base do Morro do Couto. Dá para ver a antena quase no meio da imagem. O trecho final da Rodovia das Flores, que percorre o parque durante uns 3 km até terminar no início da Travessia Ruy Braga. O Vale do Paraíba. É possível ver pelo menos uma cidade e algumas estradas espalhadas pela foto. Depois da sessão de fotos improvisada, resolvi descer pelo caminho que me levaria às Prateleiras. Novamente, havia muitos rochedos ao redor da trilha e eu estava me divertindo escalando todos aqueles que eram acessíveis o bastante, sem grama alta no caminho. Eu procurei evitar a grama alta durante toda a viagem porque o site do parque afirma que existem cascavéis e jararacas na Serra da Mantiqueira. Minha técnica favorita era saltar de rocha em rocha como um bode para chegar aos rochedos maiores, o que significa que eu treinei mais parkour nesta viagem do que em todo o ano de 2015 (eu meio que abandonei o parkour há tempos, mas estou tentando voltar a praticar). Um dos rochedos que encontrei estava ocupado por um abutre muito grande. Quando eu o vi, ele estava de frente para mim e de cabeça erguida, mas longe demais para eu tirar uma boa foto. Então eu comecei a andar devagar na direção dele, com a intenção de escalar o rochedo alto que aparece em primeiro plano na foto, à direita. Infelizmente, a ave virou as costas para mim e ameaçou levantar voo antes que eu pudesse dar cinco passos, o que me obrigou a usar o zoom da câmera para tirar a foto insatisfatória que vocês estão vendo agora. Olhando pelo lado bom, é possível ver ao fundo o Pico das Agulhas semioculto pela neblina e a Asa de Hermes alguns centímetros (na verdade, centenas de metros) à esquerda do Pico. Foi então que eu percebi que já passava das 14 horas. Menos de três horas para eu voltar até o Posto Marcão, pouquíssimo tempo, pelas minhas estimativas. Eu acelerei e parei de tentar subir em todos os rochedos que eu via, até porque eu havia chegado a uma área aberta e quase desprovida de rochedos e uma garoa começou repentinamente. Foi uma das poucas vezes em que precisei vestir a jaqueta que eu levava na mochila. Uma curiosidade que eu havia esquecido de mencionar: no dia anterior, meu primeiro dia no parque, um dos funcionários do ICMBio havia me alertado sobre a incidência de raios na região. Agora que eu estava andando por uma área descampada enquanto chovia, eu me lembrei do conselho e, admito, não fiquei muito contente com a possibilidade de ser atingido por um raio. Para piorar, embora a garoa não tivesse durado mais do que alguns minutos (o clima da Serra da Mantiqueira é bem variável, segundo dizem), os raios persistiram durante o resto do dia. Depois de um bom tempo descendo as encostas rochosas ao redor do Morro do Couto, eu cheguei a esta planície coberta de grama. No lado esquerdo, é possível ver uma trilha de grama em direção às Prateleiras (que também podem ser vistas no fundo, à esquerda). Mas não faço ideia do nome do rochedo no centro da imagem. Ao sair das planícies verdejantes, eu estava novamente caminhando entre formações rochosas. Foi então que tive a maior surpresa da viagem: uma espécie de túnel chamado Toca do Índio. É apenas um trecho curto da trilha que passa por baixo de algumas rochas imensas sustentadas por outras rochas tão gigantes quanto, mas é diferente de tudo o que eu havia visto até então no Planalto do Itatiaia. Mas imagens valem mais do que palavras, então vejam vocês mesmos: A Toca do Índio vista do lado de fora. O interior da Toca. Após horas ouvindo os ventos fortes do planalto, o silêncio da toca foi uma das melhores experiências de toda a viagem. Saindo da Toca do Índio. Eu deveria ter feito como a Liga da Justiça e acionado o Flash (eis aí outra sugestão de jogo de beber: um copo para cada piada infame que eu contar. Não há no mundo um fígado capaz de suportar algo tão extremo). A partir daí, eu tive que me apressar, pois já passava das 15 horas. Logo na saída da Toca do Índio, eu fui recompensado com uma vista incrível das Prateleiras, mas não havia tempo para eu me aproximar delas. Na verdade, eu acho que a Toca do Índio é a formação rochosa à esquerda. Não tenho certeza: estou escrevendo este trecho do relato em julho de 2016 (mais de seis meses depois da viagem) e já me esqueci dos detalhes da aventura. Preciso parar de procrastinar e terminar logo esta coisa. Apesar do horário, eu ainda não resisti à oportunidade de fazer uma última parada. Fora da trilha, havia um grande penhasco rochoso de onde eu podia ver boa parte do Planalto do Itatiaia. Eu tive que sair do trajeto e ver se não havia um caminho alternativo por ali. Não havia caminho algum, mas valeu a pena. OK, sem mais delongas, eu segui meu caminho de volta à Rodovia das Flores. O relógio já marcava mais de 16 horas quando eu cheguei ao final da estrada, o que significava que eu não conseguiria chegar ao Posto Marcão dentro do limite de tempo estabelecido. Eu acelerei meu passo (embora eu já caminhe bem rápido por natureza), mas já fui me preparando psicologicamente para ouvir umas reclamações merecidas dos guardas. Eu passei por vários pontos de referência no caminho, como a entrada da Travessia Ruy Braga, a Cachoeira das Flores, a trilha para o Abrigo Rebouças, as poças onde os sapos-flamenguinho procriavam e a nascente do rio Campo Belo. Aliás, eu já mencionei várias vezes a Travessia Ruy Braga, mas não expliquei até agora do que se trata. Trata-se de uma trilha com mais de 20 km que leva da Parte Alta à Parte Baixa do parque (e vice-versa). Do planalto para a mata. Deve ser uma aventura e tanto, mas eu não tinha tempo e nem provisões para isto, então decidi deixar para a próxima. Dependendo do seu ritmo, a travessia pode levar dois dias, motivo pelo qual há dois abrigos (Massena e Água Branca) em pontos diferentes do trajeto para que os viajantes passem a noite. Às 17 h 10 min, eu cheguei ao Posto Marcão. Felizmente, ao invés de uma bronca, acabei recebendo um elogio: aparentemente, eu estava indo muito bem em minha exploração do planalto, especialmente considerando que eu estava sozinho e nunca havia visitado o Parque Nacional do Itatiaia antes . Meus 10 minutos de atraso foram aceitáveis. Pronto para encerrar o dia, eu voltei ao meu "covil secreto do mal" da noite anterior e comecei a montar minha barraca. Uma charada para vocês: qual é a pior coisa que poderia acontecer quando se é um viajante dormindo em uma barraca? Se vocês responderam "chuva durante a armação da tenda," parabéns! Eu precisei montar a barraca às pressas, usando o sobreteto para protegê-la enquanto eu me atrapalhava com as estacas, as varetas e o frio. Quando eu terminei, eu estava encharcado e havia umas duas poças de água dentro da barraca. A solução? Peguei minhas roupas sujas de três dias pedalando pela Dutra e usei-as para puxar toda a água para um canto da barraca (sorte minha que o chão era desnivelado). Depois cobri a poça com as mesmas roupas para que a água fosse absorvida durante a noite. Também tive que tirar as roupas que usei durante o dia para que secassem. Pois é, para não passar frio, tive de dormir sem roupas. Esta é sua reação após ler as quatro últimas frases do parágrafo acima. ... — Tem uma barraca ali! — gritou alguém de algum ponto acima na rodovia. Vocês acharam que a chuva era a pior coisa que poderia ter acontecido? Eu vesti minha calça imediatamente e passei os próximos dez minutos paralisado, esperando para ver se eu seria obrigado a desmontar minha barraca e descer pela estrada até Itamonte. Felizmente, ninguém veio. Tenho quatro explicações prováveis: 1 - Eu me escondi tão bem que ninguém conseguiu achar a entrada de meu esconderijo. Improvável, mas talvez a escuridão tivesse atrapalhado a busca. 2 - Quem me viu à distância era um visitante que estava saindo mais tarde. Ou tentando entrar na hora errada. Ou tentando fazer o mesmo que eu estava fazendo (camping ilegal — caramba, a que ponto a humanidade chegou para que haja a necessidade de proibir acampamentos em áreas naturais? É tão difícil assim não emporcalhar todos os lugares por onde passamos?). Seja como for, foi alguém que não me denunciou e por isso eu sou grato. 3 - Eu fui avistado durante a troca de turnos. A pessoa que me viu estava voltando para casa e não estava interessada em fazer hora extra, portanto, decidiu não tentar me encontrar. 4 - Assim como dois dias antes, quando eu estava cansado demais e dormi às margens da rodovia, a pessoa que localizou minha barraca foi simplesmente piedosa. Eu não estava prejudicando o meio ambiente e nem fazendo barulho, então alguém decidiu me deixar pernoitar em paz. Custo do Quinto Dia: ZERO! HAHAHAHA! Suelo, Heidemarie Schwermer, Mark Boyle, Peace Pilgrim, eu ainda me juntarei a vocês na busca pela vida sem dinheiro! Sexto Dia: 27/12/2015 "E no sexto dia eu conversei com um viajante. E vi que era bom." Há dias eu não dormia tanto. Acordei às 6 h 30 min, mas eu havia dormido por volta das 19 horas do dia anterior. Verdade seja dita, eu acordei algumas vezes durante a noite graças às pedras embaixo de minha barraca (e também porque eu costumo acordar durante a noite quando acampo. Deve ser a empolgação). Mas eu estava me sentindo perfeitamente descansado. Antes de tudo, eu precisava secar minha barraca. O lado de dentro estava em bom estado: meu macgyverismo da noite anterior com as roupas sujas havia funcionado melhor do que eu esperava e o saco de dormir havia secado o que restou de água no chão enquanto eu me remexia durante o sono (já disse que sou hiperativo, fazer o quê?). Mas o lado de fora estava ensopado (aliás, percebi nesta aventura que minha barraca é muito boa contra a chuva: nenhuma gota de água entrou depois que ela estava armada e fechada), o que me obrigou a esperar algum tempo para que o sol a secasse. Felizmente, a manhã do dia 27/12/2016 foi ensolarada no Planalto do Itatiaia, embora o vento estivesse mais forte do que nos dias anteriores. Desmontar a barraca foi bem mais complicado com a ventania, até porque eu sou desajeitado a ponto de parecer um personagem de desenho animado, às vezes. Quando terminei (pouco depois das 8 horas), o volume era grande demais para a bolsa da barraca, o que me forçou a guardar as estacas no alforje da bicicleta. Chegando ao Posto Marcão, eu fui tão bem recebido quanto nos dias anteriores e ninguém comentou nada a respeito da barraca avistada na noite anterior. O que me leva a uma quinta possível explicação: 5 - Havia outra pessoa ou grupo de pessoas acampando na região! É tão óbvio que nem consigo entender por que não foi a primeira ideia que veio à minha mente. Infelizmente, a pessoa/grupo ou não pensou em se esconder, ou não se escondeu bem o bastante. De volta ao relato, desta vez eu iria até a Cachoeira Aiuruoca (é, eu precisei dos meus três dias no parque para decorar este nome. É fácil de falar e escrever, assim como o nome Jarlyelson, mas é tão bizarro que você acaba se esquecendo, assim como o nome Jarlyelson). Registrei minha saída às 9 h 10 min. Por ser a trilha mais longa da Parte Alta (sem contar as travessias), eu esperava novamente voltar no horário limite. O início da trilha é também o caminho para o Pico das Agulhas Negras, ou seja, é o mesmo percurso que fiz enquanto voltava da Cachoeira dos Cinco Lagos para o Posto Marcão dois dias antes. Ainda assim, sempre há alguma coisa nova para se ver: um beija-flor azul-esverdeado espetacular que eu não consegui fotografar, borboletas de cores diversas que eu também não consegui fotografar, rochas anteriormente ocultadas pela neblina, as quais eu consegui fotografar, pois permaneceram imóveis o tempo inteiro (também aproveitei para subir em algumas que eu havia ignorado em minha corrida contra o tempo da última vez)... Esta árvore gentilmente segurou esta rocha para que eu pudesse fotografá-la sem dificuldades. Eu continuei andando por mais alguns quilômetros (passei novamente pela ponte de madeira de dois dias atrás, aliás. Eu gostei daquela ponte) até chegar à bifurcação Asa de Hermes/Pedra do Altar. Segundo o mapa que eu tinha em meu bolso, o caminho para a Cachoeira Aiuruoca saía de uma bifurcação pouco antes da Pedra do Altar. Portanto, foi para a Pedra que eu segui. Ao lado da Pedra do Altar, a trilha seguia pela encosta de um monte. Naquela encosta, descansando entre as rochas, eu conheci Elias, um morador de Resende que estava mostrando o parque a dois amigos da capital do Rio de Janeiro. Após dias apreciando a solidão, sem falar com ninguém que não fosse do ICMBio, eu fiquei surpreso ao perceber que eu estava gostando de conversar com outro viajante. Talvez Thoreau estivesse certo: a sociedade transforma os homens em monstros. Alguns dias longe dela e eu me tornei uma pessoa sociável (ou tão sociável quanto sou capaz de ser)! Elias estava descansando por causa do ar rarefeito (ao qual eu ainda não havia me acostumado completamente, devo ressaltar), então ficamos conversando sobre a Parte Baixa do Parque Nacional do Itatiaia, que ele conhecia bem. Mata Atlântica, vários lagos, rios e cachoeiras e fauna em abundância (especialmente macacos) são alguns dos diferenciais da região, que eu ainda pretendo visitar no futuro. Ele me recomendou principalmente a Cachoeira do Escorrega, que é exatamente o que diz o nome: um toboágua natural. Quando eu falei sobre minha viagem, Elias disse que esse tipo de coragem só se tem quando se é jovem e recomendou que eu pedalasse até Angra dos Reis quando tivesse a chance, pois também há uma serra a subir no caminho. Eu continuei meu caminho e, alguns metros adiante, encontrei os amigos de Elias retornando da Pedra do Altar. Conforme este havia dito, ambos haviam ido ao parque sem bagagem alguma, apenas com as roupas no corpo. O mais legal é que a intenção deles era subir o Pico das Agulhas Negras: eles só mudaram de ideia ao descobrirem que era necessário levar equipamentos de escalada para ter permissão de visitar a atração. Os dois me cumprimentaram, perguntaram se eu havia visto Elias e me alertaram sobre a neblina à frente, que realmente estava muito mais espessa do que o que eu havia visto até então. Eu gosto de neblina: o fenômeno é muito frequente na Serra do Mogi e dá um ar de mistério a qualquer lugar. Mas senti falta do céu azul e do sol radiante dos dias anteriores. Depois de alguns metros, encontrei a placa apontando para a Cachoeira Aiuruoca. A partir daí, eu estava num trecho ainda desconhecido por mim. Até a vegetação era diferente, com arbustos altos e algumas flores que eu ainda não via visto. Parecia um jardim. Vários tons diferentes de verde, mas dá para ver flores amarelas e até mesmo algumas avermelhadas perto do solo. Algumas partes da trilha também estavam alagadas. Na verdade, nem havia água o bastante para entrar nas minhas botas, mas o chão estava mole e eu aproveitei a oportunidade para ficar pulando feito um bode, a fim de não ter de reduzir meu passo. Foi neste novo trecho que encontrei a primeira e, até agora, única cobra silvestre que vi na vida (sou da cidade grande. Não me julguem). Na verdade, ela me encontrou: eu apenas ouvi a vegetação se mexendo à minha esquerda e olhei a tempo de ver a cauda dela. Era um animal não muito grande, talvez uns 50-70 cm, e com escamas de um verde meio acinzentado que lembrava muito a cor de algumas espécies de grama do local. Segundo a foto do guia de bolso do parque, não era uma jararaca (jararacas têm um padrão bem distinto em suas escamas e acho que a única subespécie na cor verde é a arbórea, que tem uma cor muito mais viva do que a cobra que eu vi) e nem tampouco uma cascavel (também têm um padrão distinto e não são verdes, além de eu não ter ouvido o som dos guizos que são marca registrada da espécie). Provavelmente não era venenosa, mas decidi continuar a evitar entrar na grama alta só por precaução. Saindo dos "Jardins Alagados do Itatiaia®," deparei-me com o bioma mais incrível até então. Uma região diferente de tudo o que eu havia visto em toda a minha vida. A trilha continuava alagada pelo mesmo curso de água, mas o solo era alaranjado (não parecia areia, entretanto. Era uma terra vermelha desbotada) e a trilha passava entre pequenos "planaltos" de terra escura com cerca de 1,7 m (minha altura. Sim, sou um mochileiro de bolso, sintam-se à vontade para me levarem em suas mochilas ou porta-malas) e cobertos de vegetação no topo. Eu tive a impressão de que a trilha havia sido um rio outrora, antes de a água baixar e transformar-se naquele filete de água que esteve acompanhando a trilha desde os Jardins Alagados do Itatiaia®. Sei lá, não sou geólogo. Imagens valem por mil palavras. Parece até uma versão HD de Final Fantasy IX. Infelizmente, o valor das imagens não me impede de escrever um relato que já passa das 11 mil palavras. Saindo do Rio Seco®, eu cheguei a uma área pantanosa que indicava que eu estava perto da cachoeira. A vegetação era alta (pensando bem, a vegetação é alta em todo o Planalto do Itatiaia. Acho que já passou da hora de eu me habituar a isto) e havia um rio (estava mais para uma nascente) passando entre as muralhas de grama alta e a trilha. Em alguns pontos, o rio cruzava ou até mesmo era a trilha (o que soa como alguma frase de mestre sábio de filmes de kung fu. "Não cluze a tlilha, seja a tlilha!"). Como vocês já devem ter deduzido, eu percorri a maior parte do trajeto pulando de uma margem do rio à outra. Infelizmente, houve um momento em que molhei minhas meias, o que deixou meus pés ensopados e enrugados, o que levou a mais bolhas. Baixa estatura, uma pele delicada demais para o sol e pés que se enchem de bolhas: este relato está fazendo maravilhas por minha imagem de homem viril. Mas poderia ser pior: pelo menos só está faltando eu ser forte e formal. O trecho pantanoso antes de ser dominado pelo rio. O momento em que vocês vão molhar seus pés, independentemente do que façam. E não, não há placas indicando o caminho. Sem sol nem pontos de referência visíveis, eu acabei seguindo pelo caminho errado aqui. Enfim, após vagar um pouco pelo pântano, a trilha saiu do curso do riacho e passou a acompanhar a margem de um rio. E era um rio de verdade, como aquele que eu havia visto na Cachoeira das Flores, com uma correnteza razoavelmente forte e muito mais água do que as nascentes que predominam no Planalto do Itatiaia. Eu não precisava de placas ou mapas para saber que a Cachoeira Aiuruoca estava mais à frente no curso daquele rio. Mesmo com a neblina, a vista era magnífica, com um vale bem largo em cujas paredes várias árvores cresciam. Havia também uma trilha ao lado da cachoeira, mas ela parecia não levar a lugar nenhum. Acho que o mato cresceu e escondeu o caminho para o fundo do vale. Como eu disse antes, a neblina dá um ar misterioso ao lugar. Mas imaginem como deve ser este rio com o céu azul de um dia ensolarado! A Cachoeira Aiuruoca. O abismo tem cerca de 20 metros de altura, mas as pedras são firmes o bastante para uma pessoa parar no meio do rio e tirar fotos. Eu nem pensei em entrar na água desta vez: estava frio demais e o vento estava muito forte. Pelo visto, o curso do rio segue até a Parte Baixa do parque. Pena que eu não tinha um barril. Ou a vontade de me molhar no frio. A trilha ao lado da cachoeira. A vegetação era a mesma do Circuito dos Cinco Lagos, a área mais florida do Planalto do Itatiaia. Sem mais nada a fazer ali, eu decidi fazer o caminho de volta. Como ainda era cedo, eu voltei pelo Circuito dos Cinco Lagos, mas não aconteceu nada interessante no caminho. Se eu não tivesse seguido por este caminho antes, teria vagado para fora da trilha em alguns lugares. Com toda a neblina daquele dia, alguns moledros e estacas de sinalização não eram nem de longe tão visíveis quanto os da foto acima. Como podem ver nesta foto, àquela altitude, a neblina era na verdade uma nuvem. Eu estava literalmente andando nas nuvens. Precisei descer para sair de dentro delas. Parece bobagem, mas é uma coisa muito legal quando você começa a pensar a respeito. Quando eu cheguei ao Posto Marcão, ainda era bem cedo. Registrei minha saída às 15 h 40 min e saí do posto às 15 h 57 min. Chegara o momento de enfrentar aquilo que eu temia desde a noite em que adentrei o território do Parque Nacional do Itatiaia: a descida pela Rodovia das Flores. Felizmente para mim, a Rodovia das Flores era muito mais fácil de se percorrer à luz do dia e sem o cansaço causado pela subida de quatro horas que eu havia feito três dias antes. Os primeiros 3 quilômetros realmente são um saco, mas a estrada fica bem melhor a partir do Km 10, desde que se mantenham os freios acionados. E eu pude ver a paisagem daquele trecho superior da estrada, que era muito bonita. Em alguns pontos, a vegetação tinha um cheiro muito bom que me fazia lembrar daquela barraca de ervas que acho que existe em todas as feiras livres de São Paulo. E eu ainda vi uma formação rochosa na qual eu nunca havia reparado antes: a Pedra do Camelo. Meu terapeuta me disse que eu devo manter distância de uma coisa chamada Teste de Rorschach, mas nunca entendi o porquê. Deve ser porque eu sou fã do Dr. Manhattan. E vejam só, eu acabei de demonstrar que uma imagem pode valer 305 palavras, ao invés das mil que o dito popular nos leva a crer que são necessárias. Saindo da Garganta do Registro e voltando à BR-354, fui recompensado com a melhor parte da cicloviagem: descer os 1670 m de altitude da estrada. Eu não precisei pedalar, mas mesmo assim consegui ultrapassar alguns carros. Acredito que eu tenha chegado a 50 km/h, mas nunca saberei ao certo. Um velocímetro faz falta. Seja como for, eu decidi manter a velocidade dentro dos limites de 40 km/h da rodovia. Para isto, usei como referência um caminhão que descia a estrada lentamente: eu o segui de perto durante um bom tempo, usando os freios para impedir minha aceleração. Mas eu me cansei daquilo depois de uns quinze minutos e continuei a descer como um maníaco normal. Na metade inferior da estrada, num trecho totalmente deserto, encontrei um carcará parado no acostamento. Descansando, talvez? Era um animal magnífico, com o corpo castanho-escuro, a cabeça branca e uma crista preta (ou talvez apenas castanho-escuro). Mas alçou voo antes que eu pudesse sacar meu celular. Na rodovia Presidente Dutra, logo depois de entrar no território do estado de São Paulo, conheci um ciclista chamado Vinícius. Ao saber de minha viagem, ele pediu para tirar uma selfie comigo (na qual eu tive a chance de ver o quão cansado, sujo e, acima de tudo, feliz eu estava) e pedalou comigo em direção ao Graal Estrela, onde eu pretendia passar a noite. Vinícius mora (ou morava; estou demorando tanto para escrever este relato que é possível que o Pico das Agulhas Negras seja nivelado pela ação do tempo antes de eu conseguir publicar esta coisa) em Queluz e tem o hábito de andar de bicicleta pela Dutra, o que explica sua bicicleta speed. Nem preciso dizer que minha mountain bike (ou seria monster bike? Hahaha, adoro piadas infames e trocadilhos prassistas) não atingia a velocidade necessária para acompanhá-lo e eu só consegui ficar perto dele porque ele estava indo devagar para me ajudar. No Graal Estrela, um guarda recomendou que eu jantasse no restaurante Retiro dos Caminhoneiros, que oferecia comida por quilo a preços razoáveis. Segundo ele, os outros restaurantes do posto eram armadilhas para turistas, com preços abusivos pela quantidade oferecida. Eu deveria ter seguido o conselho dele, mas havia um NYC Burger ali e eu estava desesperado por um hambúrguer e um milk-shake. Eu não comia nada doce há dois dias, afinal de contas. Depois do "jantar," eu pedi permissão para acampar no local. Demorou um pouco mais do que nos postos anteriores, mas deu certo no fim. Armei minha barraca num gramado afastado e deixei a bicicleta travada do lado de fora da barraca. Já passava das 20 horas, mas a noite estava muito quente: toda a umidade que eu não consegui tirar da barraca no planalto secou em poucos minutos em Queluz. Depois veio outra chuva e molhou tudo de novo, mas desta vez a barraca estava armada e só precisei estender o sobreteto para impedir que entrasse água. Eu me senti dentro de um forno, mas pelo menos não precisei secar a parte de dentro da barraca no dia seguinte. Custo do Sexto Dia: Jantar___________________ R$ 26,00 TOTAL_________________ R$ 26,00 Distância percorrida: aprox. 44,5 km Tempo de viagem: aprox. 3 horas Velocidade média: aprox. 14,8 km/h Sétimo Dia: 28/12/2015 Fui acordado à 5 h 50 min por um dos guardas, que me perguntou a que horas eu pretendia sair. Embora eu estivesse cansado e apesar do tom amigável do guarda, eu entendi a mensagem e disse que já estava me levantando. [sarcasmo]Espero ansiosamente pela oportunidade de me hospedar novamente no terreno do Graal Estrela.[/sarcasmo] Olhando pelo lado bom, o guarda disse que, se eu precisasse, ele e seus colegas poderiam tentar me ajudar a conseguir o café da manhã. Acho que eles pensaram que eu era um mendigo (com a aparência e o cheiro que eu tinha, não posso culpá-los) e eu pensei seriamente em me aproveitar da situação, mas concluí que não seria nada ético e fui pagar pelo meu café da manhã como um turista normal, mesmo não sendo um (se vocês soubessem a significância desta última frase para mim...). Após um café da manhã reforçado (sanduíche de bauru — embora Bauru estivesse a 550 km de distância (piada nível "é pavê ou pacumê?") — , suco de goiaba e um pedaço razoável de bolo de chocolate), eu saí às 7 h 20 min com a intenção de chegar a São José dos Campos. Não sei se foi pelo clima mais ameno daquela manhã (o sol não estava impiedoso como da última vez em que eu passara pela Dutra), ou se foi pela minha alimentação reforçada nas duas últimas refeições, ou se foi por eu ter me habituado ao ar rarefeito das montanhas, mas eu nunca havia tido tanta energia até então. Eu consegui subir pedalando todas as ladeiras no caminho, atravessei aquele trecho perigoso de meu segundo dia de viagem (sem acostamento, sinuoso e com faixa exclusiva para caminhões à direita) em menos de uma hora e, mesmo com as pausas para pegar água, eu percorri cerca de 160 km no total. Eu até consegui parar num posto por volta da 12 h 30 min para tomar um banho, o que se mostrou um de meus maiores arrependimentos na viagem (R$ 10,00 para usar o chuveiro durante seis minutos e R$ 25,00 pelo shampoo e pelo sabonete? Eu deveria ter aguentado minha imundície um pouco mais). A viagem transcorreu sem dificuldades (bebam outro gole!) até umas 17 h 30 min, quando eu passava por São José dos Campos (sim, eu havia alcançado meu objetivo e agora pretendia ultrapassá-lo). A rodovia passa por dentro da cidade, o que significa que eu teria de entrar nas ruas do município se eu quisesse parar (e eu não queria parar). Ademais, começou a chover justamente enquanto eu passava por um trecho sem acostamento. Havia saídas por toda a parte, com carros entrando a todo o momento. E meus freios já estavam quase completamente gastos, embora na hora eu tivesse pensado que fosse apenas a chuva interferindo na aderência dos v-brakes. A chuva estava forte o bastante para me obrigar a parar debaixo de um viaduto durante uns 20 minutos. Um motociclista morador de São José dos Campos puxou assunto comigo e alertou-me da criminalidade alta na região. Honestamente, se eu desse ouvidos a todo mundo que me alertou sobre o risco de ser assaltado na estrada, eu nunca teria saído de minha casa. Existe perigo em toda a parte, pessoal: não adianta viver a vida com medo. Seja como for, eu me conformei com a chuva e resolvi seguir viagem daquele jeito, mesmo. Infelizmente, a cidade não acabava nunca, o que significava que eu não encontraria um lugar para acampar naquela noite. Eu comecei a ficar de olho nos preços das pousadas, mas dentro da cidade elas eram muito caras (R$ 70,00 ou mais por noite). Depois de algum tempo, cheguei a um posto da Polícia Rodoviária Federal. Eu tinha esperanças de conseguir permissão para montar minha barraca no terreno deles, mas não precisei perguntar para perceber que não daria certo: os Federais eram tão indiferentes quanto funcionários de hospitais públicos. Ao invés disso, perguntei a que distância estava a próxima pousada (eu já estava saindo da área mais urbanizada da cidade). A resposta: três quilômetros, em frente a uma passarela. Apesar da chuva, dos freios e do selim frouxo que se inclinava para trás sempre que eu passava por um buraco ou lombada, eu ainda estava com energia. Os três quilômetros foram percorridos sem dificuldade (outro gole!). Eu atravessei a passarela e cheguei à Pousada da Dutra, no sentido Rio de Janeiro da rodovia. A pousada era agradável. Fui bem atendido e o preço não era ruim (R$ 60,00 por um quarto sem banheiro e com direito a café da manhã, sabonete e toalha). Deixei minha bicicleta num canto não muito longe do quarto e fui tomar banho. Se eu soubesse, nunca teria gasto aquela fortuna pelo banho de seis minutos naquele posto de serviços por onde passei na hora do almoço. Sério, até hoje me arrependo daquilo. Nunca superarei a decepção. O jantar, infelizmente, não estava incluso. Mas valeu a pena: R$ 21,00 por um prato de pedreiro lotado de arroz, feijão, mandioca, cebola e filé de frango, acompanhados de um suco de laranja (um copo de 500 ml, pelo que me lembro). E era uma comida saborosa. Por volta das 22 horas eu fui dormir. Eu tinha o direito de permanecer até o meio-dia, mas pretendia ir embora antes. A Pousada da Dutra fica em Jacareí, o que significava que no dia seguinte eu já estaria em casa. Custo do Sétimo Dia: Café da manhã______________________ R$ 26,59 Banho _____________________________ R$ 10,00 Shampoo e sabonete ________________ R$ 25,00 Doces e sucos no decorrer do dia___ R$ 37,80 Pousada da Dutra + Jantar _________ R$ 81,00 TOTAL_____________________________ R$ 180,39 (e assim, em um único dia, eu desfiz toda a evolução espiritual pela qual eu passara no dia anterior. Mesmo não acreditando em espiritualidade, eu fiquei decepcionado comigo mesmo) Distância percorrida: aprox. 160 km Tempo de viagem: aprox. 12 horas Velocidade média: aprox. 13,3 km/h Oitavo Dia: 29/12/2015 Desta vez, eu acordei às 6 h 30 min. Aproveitei para atualizar o relato de viagem. Depois, fui tomar o café da manhã, que valeu todo o dinheiro gasto até então. A mesa era tão farta que até parecia núcleo rico de novela das oito. Havia uns quatro sabores de sucos, além de café (que eu detesto) e achocolatado (que eu amo mais do que amo minha própria mãe). Também havia bolos, pães, mortadela, presunto, queijos, requeijão, margarina, frutas... Eu comi tudo o que consegui forçar goela abaixo, embora o foco tenha sido nos sucos, mesmo. A maioria dos camelos desidratados bebem menos água do que eu. Às nove da manhã, eu segui viagem. Infelizmente, minha energia do dia anterior havia sido esgotada: eu estava descansado, mas nem de longe tão elétrico quanto antes. Além disso, uma garoa muito chata cobria toda a região de Jacareí e da Grande São Paulo. Como eu nunca passo por uma desgraça sem um fator multiplicador (eu precisaria de um relato de mais de 20 mil palavras só para descrever o quão cagado eu sou), foi então que eu percebi que meus freios estavam gastos, ao invés de apenas afetados pela chuva, como eu pensara no dia anterior. Imagino que as sapatas dos freios não aguentaram a descida da Rodovia das Flores e da BR-354. Assim que a sinalização da Dutra indicou, eu segui por uma saída que levava à rodovia Ayrton Senna, sentido Mogi das Cruzes. Minha intenção era passar por Mogi, Suzano e Itaquaquecetuba para chegar ao bairro paulistano de Itaim Paulista, de onde eu pegaria a ciclovia do Parque Ecológico do Tietê novamente. Fechar a viagem como ela começou, por assim dizer. Muito poético, mas como eu disse anteriormente, sou um sujeito completamente cagado. Em um trecho isolado (sem carros nem construções. Diabos, nem mesmo animais podiam ser vistos ali) da rodovia Ayrton Senna, minha sorte começou a mudar: os freios começaram a funcionar! Entretanto, eu estava me sentindo estranhamente cansado: mesmo para descer ladeiras, eu precisava pedalar com força. E havia um barulho estranho vindo de algum lugar atrás de mim, mas eu não conseguia ver nenhum veículo que pudesse estar emitindo algum som. Foi então que somei dois mais dois e descobri o motivo das três ocorrências: a câmara do pneu traseiro estava murcha. Em minha defesa, eu aceitei o contra-tempo com estoicidade. Normalmente, eu rio histericamente quando algo muito ruim acontece a mim, mas naquela hora eu só estava interessado em seguir viagem, até porque eu já estava morrendo de sede. Eu desmontei da bicicleta e andei pelo acostamento em busca de um posto de serviços. Eu não tinha ideia de quanto faltava para chegar ao próximo posto, então resolvi pedir informações num telefone de emergência que encontrei à frente. O atendente mencionou duas alternativas para mim: um posto de serviços na rodovia, a 25 quilômetros, ou um na cidade, pegando uma saída a 12 quilômetros. Eu agradeci e comecei a andar, tentando desesperadamente me convencer de que 12 quilômetros não era uma distância muito longa. Após caminhar uns dois quilômetros (o que não deve ter levado mais do que 20 minutos, mas eu me sentia como se tivessem sido duas horas), a salvação surgiu. Em um deus ex machina digno das primeiras histórias do personagem Tintin (leiam Tintin na América se quiserem entender a referência), dois ciclistas voltando de Aparecida passaram por mim e me cumprimentaram. Eu perguntei se alguém poderia me emprestar uma bomba e eles pararam para me ajudar. Para minha tristeza, eles descobriram que minha câmara estava furada. Um corte bem na base do pino de entrada de ar, impossível de remendar. Mas um dos dois ciclistas (eu nunca peguei o nome deles; eu realmente preciso desenvolver minhas habilidades sociais) tinha uma câmara reserva e simplesmente a deu a mim, sem exigir absolutamente nada em troca. Eu até tentei pegar o telefone dele para poder pagá-lo quando eu chegasse em casa, mas ele não queria nem falar em pagamento. Eu mal consegui acreditar em minha sorte. Além disso, os dois ensinaram-me a trocar a câmara (eu tinha as ferramentas, mas nunca havia feito aquilo antes. Não é nenhum bicho-de-sete-cabeças, mas é muito melhor aprender com quem já sabe como se faz) e, nesse meio tempo, um terceiro ciclista passou por nós (um que eu havia cumprimentado horas antes, ainda na rodovia Presidente Dutra) e também nos ajudou. Terminada a manutenção, nós nos despedimos e seguimos viagem (na mesma direção, mas minha bicicleta é uma mountain bike, lembram? Parece que o Brasil inteiro prefere os modelos speed, então eu sempre fico para trás), mas não sem antes eu ganhar dois adesivos de reparo de câmara daquele terceiro ciclista que havia nos ajudado. A partir daí, eu continuei meu caminho sem problemas (mais um gole!) até chegar em Itaquaquecetuba. A não ser que as estradas de Suzano e Itaquá possam ser consideradas problemas (podem, sim). Ou a chuva repentina que caiu enquanto eu passava por ambos os municípios, atrapalhando minha visão enquanto eu tentava pedalar sem freios pelas ruas sinuosas e cheias de ladeiras e lombadas. Pensando melhor, acho que não foi totalmente sem problemas. Mas tudo bem: as adversidades foram algumas das melhores partes da aventura. Infelizmente, minha jornada teve um final triste. A meros 33 quilômetros de minha casa, ainda no território de Itaquaquecetuba, eu parei em um posto para pedir informações. Um dos frentistas percebeu que o pneu traseiro de minha bicicleta estava murcho. Eu pensei que seria algo simples de resolver, já que havia um calibrador de pneus naquele mesmo posto. Mas descobri que o pino da câmara que eu ganhara era diferente do padrão usado por automóveis e pelas câmaras que vieram com minha bicicleta: a tampa que era um tipo de parafuso que não saía completamente e não se encaixava no calibrador do posto. Para piorar, quando tentei abrí-la, o ar que restava na câmara escapou, o que me fez pensar que talvez eu não a tivesse tampado direito desde o início e foi isto que fez com que ela murchasse. Mas nunca saberei ao certo. Eu tentei ir a uma borracharia ao lado do posto, mas eles só trabalhavam com pneus de carros. Numa última tentativa, um frentista encontrou uma bomba na garagem de troca de óleo cuja mangueira se encaixava perfeitamente no pino da minha nova câmara. No entanto, descobrimos tarde demais que aquela bomba liberava ar em grandes quantidades: assim que a encostamos no pino da câmara, esta arrebentou-se como um balão. Desta vez eu ri, embora não de maneira histérica. Minha bicicleta ao final da aventura. Até hoje me sinto culpado por ter estragado a câmara que ganhei. Isto é que é cuspir no prato em que se come. Já dizia o alegre Caetano Veloso com seu ritmo contagiante (é claro que estou sendo sarcástico): Terra... Terraaa... Minha primeira ideia para terminar a viagem foi voltar até Suzano (que não estava muito longe) e pegar o trem da Linha 11 da CPTM, mas eu estava sem Bilhete Único e não queria sacar dinheiro. Além disso, era uma terça-feira, o que significava que eu só poderia entrar no trem com a bicicleta após as 20 horas. Os frentistas sugeriram que eu seguisse até a estação mesmo assim, pois havia uma bicicletaria na região. Mas eu já estava cansado de carregar a bicicleta e já havia gasto muito mais dinheiro do que queria, então apelei para um último deus ex machina: meu pai. Meu pai mora em Rio Grande da Serra, um município que muitos mochileiros paulistanos devem conhecer (de fato, ele mora numa rua quase no limite da região urbanizada da cidade, ou seja, a cerca de meia hora de caminhada da entrada da famosa — e ilegal — Trilha da Cachoeira da Fumaça de Paranapiacaba). Fica ao lado de Suzano, o que significa que ele estava relativamente perto do Posto Itaquano, onde eu estava esperando. Como ele possui um carro e estava de férias naquele dia, eu resolvi usar o que restava da bateria de meu celular para telefonar para ele. E foi assim que eu terminei minha viagem: um derrotado. Mas um derrotado feliz, mais feliz do que muitos vencedores. Meu maior arrependimento foi ter que voltar para casa e para a velha rotina capitalista à qual estou preso até hoje. Pois é, minha história tem um final triste. O que vocês esperavam de um relato cuja primeira imagem é uma captura de tela da série Game of Thrones? Custo do Oitavo Dia: Bebidas (uma parada em Suzano)_______ R$ 15,50 Sundae (enquanto esperava por meu pai)____ R$ 3,50 TOTAL____________________________ R$ 19,00 Distância percorrida: aprox. 75 km Tempo de viagem: aprox. 5,5 horas Velocidade média: aprox. 13,6 km/h Custo Total da Viagem: Bicicleta e acessórios_______ R$ 1.107,06 Dia 1______________________ R$ 82,30 Dia 2______________________ R$ 95,88 Dia 3______________________ R$ 33,00 Dia 4______________________ R$ 30,00 Dia 6______________________ R$ 26,00 Dia 7_____________________ R$ 180,39 Dia 8______________________ R$ 19,00 TOTAL_________________ R$ 1.573,63 Considerações Finais - Levem shampoo, chinelos e sabonete de casa. - Comprem o máximo de barras de cereais e amendoins (energia é essencial numa viagem dessas) que puderem e evitem gastar dinheiro com comida na estrada. Sugestão: estabeleçam um limite diário de gasto que seja suficiente apenas para uma refeição reforçada por dia. É o que pretendo fazer da próxima vez. - Mesmo que não estejam com sede, SEMPRE parem nos postos de gasolina para beber o máximo de água que conseguirem. Sério, às vezes a próxima parada está a horas de distância e a sede vem no meio do caminho. - Eu não encontrei um lugar para encaixar esta informação no relato, mas antes de eu pegar a rodovia Ayrton Senna, quando eu passava por Guararema, um segundo carcará voou sobre minha cabeça a uma altitude de uns 3 metros. - Apesar de eu ter incentivado um jogo de beber com base em meu relato, eu não bebo. Nunca consegui apreciar o sabor repulsivo do álcool. - Levem câmaras reserva, bomba, adesivos para câmaras, enfim, tudo o que é necessário para consertar/trocar pneus furados. FATO CURIOSO: uns dois meses depois, enquanto eu chegava ao trabalho de bicicleta, a câmara traseira estourou novamente. Eu estava a uns 2,5 quilômetros de distância de meu local de trabalho, mas à noite tive de voltar para casa a pé o caminho inteiro. A distância entre meu trabalho e minha casa? Exatos 20 quilômetros, segundo o Google Maps. Façam as contas: parece que era meu destino percorrer aqueles 25 quilômetros carregando minha bicicleta com a câmara furada. Nem preciso dizer que, desde então, eu comprei uma bomba e uma câmara reserva e eu sempre as carrego em meu alforje. Acima de tudo, se vocês estiverem pensando em fazer uma viagem do tipo, parem de pensar e apenas façam. - É arriscado? Sem dúvidas, mas tudo na vida é arriscado: não faz sentido viver com medo, até porque isso não é viver. Como podem ler no relato acima, eu não tive problemas com criminosos (exceto pelas práticas criminosas de comércio dos restaurantes de estrada), não caí da bicicleta uma única vez, mesmo estando há uns dez ou onze anos sem praticar (eu me distraí e fui parar no gramado além do acostamento umas três ou quatro vezes, mas consegui frear e me recuperar em todas as ocasiões) e não tive problemas para achar um lugar para dormir em nenhum momento (a pousada foi um capricho estúpido do qual eu me também arrependo até hoje. Eu deveria ter pedalado um pouco mais e enfrentado a chuva). - Nenhum de seus amigos quer ir? Problema deles. Admito que sou antissocial e realmente estava precisando de um pouco de paz nas férias, mas sempre havia a oportunidade de trocar histórias com os ciclistas que passavam pela Dutra e os turistas e trabalhadores dos postos de serviços. Há mais de 7 bilhões de pessoas no mundo: a não ser que vocês se enfiem no mato por três dias, nunca estarão completamente sozinhos. - É cansativo? Honestamente, quem estiver preocupado com isso nem deveria pensar em viajar. Fiquem em casa assistindo séries: eu considero isso uma forma perfeitamente válida de passar as férias. As duas melhores coisas no mundo são descansar e ficar cansado, afinal de contas. Eu ainda estou pensando a respeito de minha próxima viagem. Minha ideia original era conhecer o PETAR, mas descobri que é proibido entrar nas cavernas sem o acompanhamento de um guia, o que acaba totalmente com a aventura para mim (o desconhecido, lembram? É importante para mim). Depois pensei em ir ao Pico dos Marins. Agora estou pensando em ir à Serra do Cipó, que possui trilhas onde se pode andar de bicicleta. O único porém é a distância: é possível que, devido ao tempo curto de férias que eu recebo em meu emprego atual, eu tenha de voltar antes de chegar ao destino. Mas a própria viagem pode valer a pena, mesmo que eu não consiga sair da estrada. Sei lá, até dezembro eu pensarei em uma aventura interessante o bastante. Talvez eu siga o conselho de Elias e vá a Angra dos Reis. Ou não. Aceito sugestões. Para ver todas as fotos que eu consegui tirar antes de a bateria de minha câmera acabar, sigam o link abaixo para visualizar meu álbum no Facebook. As fotos estão com as cores originais, bem menos interessantes do que as versões publicadas neste relato. https://www.facebook.com/lucas.leite.1000/media_set?set=a.1033838183324396.1073741832.100000946730155&type=3
  3. PARQUE NACIONAL DE ITATIAIA - RJ Mapa do Parque Fonte: www.libreria.com.br Galera, Estou pra ir voltar para Itatiaia provavelmente em Maio, e dessa vez quero conhecer a parte alta do Parque, principalemente as Prateleiras e o Pico das Agulhas Negras. Já peguei diversos croquis, cartas topográficas e até waypoints pro local, porém uma coisa me deixa receoso: a tal estória da corda pro Pico verdadeiro. Em muitos relatos que li por ai o pessoal leva o seu próprio bouldrier e eventualmente uma corda pra cruzar este trecho e assinar o livro de cume. Até que ponto isso é realmente necessário? Se alguém já fez esse cume e puder dar dicas eu agradeço! Ps.: Outras dicas a respeito do local são sempre bem vindas. Abraços, Stink "Success is not the result of spontaneous combustion; you must set yourself on fire." - N.P. http://c.matarazzo.sites.uol.com.br
  4. Trilhas realizadas entre dias 15 a 18/06/2016. O Album com todas as fotos estão em: https://picasaweb.google.com/110430413978813571480/6311698533891046049?authuser=0&feat=directlink - Introdução - Esse é um relato de uma aventura decidida na doidisse de ultima hora, motivada pela paixão pela natureza e que inicialmente iria ser totalmente solo, mas que no final, o que começou sozinho, terminou em um trio. Eu fiz coisas lá que saiu totalmente fora do padrão de quem já conhece ou já fez as trilhas e travessias do parque. Fazia anos que tinha o desejo de fazer um circuitão solo meio que no modo "light and fast" ou pelo menos com um grupo bem reduzido no Parque nacional do Itatiaia, abraçando apenas os picos do entorno e parte das 2 travessias, acampando e deixando toda a tralha pesada no Abrigo Rebouças e assim, podendo andar mais leve que uma pluma o dia todo, apenas com agua e lanche. Tinha planejado para fazer em 3 dias, mas que acabou levando 4. O começo teve perrengues como uma noite quase toda sem dormir, depois bivacando em uma cidade fantasma em um frio de 05ºC típico de cidades do alto da mantiqueira e ainda indo fazer uma travessia logo de cara no dia seguinte. Já sabendo que logistica para o Parque Nacional do Itatiaia (PNI ou Parna Itatiaia) não combinam, fui com a cara e coragem para encarar uma pernada de 14 km desde a Garganta do Registro até a entrada da parte alta do parque. E no inicio dessa semana, veio a chance. Com a previsão do tempo 100% favorável, (céu limpo, sem chuva e totalmente ensolarado) não resisti, fiz um rápido planejamento da logística do transporte sem carro (só por ônibus) e saiu 2 opções: 1) Pegar um ônibus até Resende/RJ no horário das 18:15, e de lá, outro para Caxambu/MG (que passa pela Garganta do Registro, onde fica o inicio da estrada de terra que leva até a portaria da parte alta do parque) e Itamonte, que sai as 23:00hs da rodoviária do Graal de Resende/RJ. Ele sobe a serra e estaria passando pela garganta por volta da meia noite e meia. Dali, desceria na garganta e seguiria a pé no meio da noite até a entrada da parte alta do parque. # Considerando que a Garganta do Registro já está à 1.669 metros de altitude, seria meio caminho andado, sem precisar de suporte de veículo algum, já que para apenas uma pessoa, contratar um transporte dependendo, sai mais caro do que a ponte áerea Rio -SP...isso é, até lembrar das opções para grupos pequenos ou apenas 1 ou 2 pessoas. Mas...o problema é que a entrada do parque está a 14km dali. Então, calculei o percurso de acordo com meu ritmo em até 4 horas em subida constante da altitude de 1.669 até os 2.450 metros, onde fica o posto Marcão, chegando por volta das 5 ou 6 da manhã. Chegando pela manhã, teria o dia todo para aproveitar + os outros 2 dias, totalizando 3 dias. O sacrificio seria a caminhada no frio proximo ou abaixo de zero e uma noite inteira sem dormir. Só daria para dormir no onibus e olha lá. 2) A outra opção era pegar o 1º ônibus (que sai as 7h00 do Tietê) em direção a Itanhandu/MG, depois um circular local até Itamonte/MG. De lá, pegaria um taxi direto para a entrada da parte alta. Teria minha noite para dormir, mas teria que acordar cedo e perderia boa parte do dia só na viagem, pois seria 4 horas e meia até Itanhandu, 30 minutos até Itamonte e mais 40 até proximo da antiga Pousada Alsene, que fica proximo da entrada do parque. Não precisaria andar no meio da noite com lanterna debaixo de frio de 0ºC comum em altitudes elevadas. Caminhar no frio não seria problema para mim, já que estou indo preparado para temperaturas negativas. Então, pensando nos pós e contras de ambas as opções, acabei escolhendo a 1º opção. Escolha feita, lá estava eu, em uma bela tarde ensolarada da metropole paulistana, saltando do metrô na Estação Tietê as 17:30. Embarquei no ônibus das 18:15 em direção a Resende/RJ. A viagem foi tranquila e cheguei em Resende por volta das 22:25 e fui logo procurar o guichê da empresa de ônibus que vai para Caxambu, Viação Cidade do Aço. Na Rodoviaria de Resende - RJ Achado o guichê, não vi ninguém, mas logo apareceu um fiscal e ao perguntar pelo onibus das 23:00h, ele me disse que logo chega e eu já fui comprando a passagem. Ao perguntar sobre descer na Garganta do Registro, o fiscal me disse que por conta de queda de barreiras no trecho da Serra nas últimas chuvas, só veiculos de passeio estão podendo subir e descer. Todo veiculo pesado teria que subir por Cruzeiro, dando a volta pelo lado paulista. O problema é que essa rodovia não passa pela Garganta do Registro e consequentemente, no inicio da estrada de terra que sobe para o parque. E era o último do dia. E agora, José? Sem alternativa e o tempo passando, não me restou outra opção que pegar esse ônibus e descer em Itamonte/MG, onde decidiria o que fazer assim que chegasse lá. A viagem foi tranquila e cheguei em Itamonte por volta das 1:40 da manhã. E logo fui procurar um lugar para ficar, mas não encontrei nenhuma, pois a cidade tava deserta, sem uma alma-viva e com tudo fechado (parecia cidade fantasma). Quem acha que cidade fantasma (ou que só tem vida durante o dia) não existe, então...convido a conhecer Itamonte/MG entre 1:00 e 5:00h da manhã... Após bater perna por quase 1 hora na "cidade fantasma" sem sucesso, a temperatura diminuiu ainda mais e com o frio apertando, resolvo que o melhor é encontrar algum canto escondido para acampar ou então, bivacar em qualquer praça e esperar até o amanhecer...Tiro meu termômetro para fora e vejo marcando 08ºC. Encontro um descampado em um terreno abandonado, mas limpo e resolvo montar minha barraca. Porém, ao ver o horário (já tinha passado das 2:30 da manhã), vi que seria muito trabalho para apenas poucas horas. Então, tiro apenas o saco de dormir e o isolante termico, mas decido procurar outro canto melhor. Achado o local, me enfiei dentro do saco de dormir em um canto bem escondido da pequena cidade e como estava cansado, logo peguei no sono, mas quem disse que consegui dormir? 1º dia - Travessia Couto X Prateleiras + Pedra da Maçã, Tartaruga e assentada. A Quarta-feira amanheceu com uma pequena nevoa e após tirar pequenos cochilos que serviu apenas para descansar o esqueleto, levanto com a movimentação dos primeiros trabalhadores indo para o trabalho por volta das 5:30hs. A pequena e bucólica cidade ganha vida novamente... A termômetro registra temperatura amena de 06ºC e resolvo guardar tudo na mochila. Aproveito para esperar uma padaria ali próxima abrir, afim de tomar um café reforçado e depois encontrar um ponto de taxi para me levar até a portaria da parte alta do parque. Após o café, saio atrás de um taxi. Não demorou muito e logo encontrei um carro de um taxista e pergunto qto ele cobra para me levar até a Garganta ou a portaria do parque. Para a primeira opção (e ter que subir os 14km a pé) ele cobrou R$ 35 e até a portaria R$ 50. Claro que nem pensei 2 vezes e escolhi a corrida fechada até a portaria, já que não podia perder mais tempo. Como bom mineiro que se prese, a prosa foi ótima e fiquei sabendo que na noite anterior, tinha dado uma geada moderada na cidade e a temperatura havia caido abaixo de zero. Inclusive esse eram os mesmos comentários do pessoal lá na Padaria. E agradeci por não ter chegado aqui ontem. Senão, o que fazer num frio abaixo de zero sem local para ficar? e ao relento? Melhor nem pensar nisso! O trecho da rodovia foi rápido e logo chegamos a Garganta do Registro com o dia ainda clareando e começamos a subir. 20 minutos de subida desde a rodovia, alcançamos os 2.000 metros de altitude e por isso a vegetação típica da mata atlantica foi dando lugar aos de campos de altitude, com os primeiros trechos de geada aparecendo. Pico da Pedra furada vista de um trecho da estrada, próximo do Alsene. As primeiras vistas foram aparecendo, as nuvens haviam ficado abaixo e o céu claro e os primeiros raios de sol já cobriam o topo dos picos, o que me deixou bastante radiante. Mais 10 minutos e chegamos na antiga pousada Alsene na altitude de 2.320 metros as 7:25 e a vegetação ali já era exclusivamente de campos de altitude. Nesse trecho já se tem várias vistas do entorno e é claro que foram palco para os primeiros clicks. A forte geada e as nuvens cobrindo o vale do paraíba lá embaixo são um capitulo a parte e impressionaram até o taxista que é morador da região..... Trilha coberta de gelo Enfim, estão fazendo algo.... Trecho recem recapiado da estrada com concreto Devido as condições precárias do trecho final da estrada, desço pouco depois da Alsene e o restante do percurso tive que fazer a pé. A esperança está nas obras de recapiamento que vem sendo feitas em vários trechos da estradinha. No trecho final, uma bela vista Chegando ao Posto Marcão Fui subindo e cortando caminho por trilhas a esquerda afim de evitar as longas curvas da estradinha. Com isso, a caminhada foi bem mais rápida e pouco antes das 8:00hs, chego ao posto Marcão, entrada da parte alta do parque. Após o funcionário verificar a disponibilidade de vagas no abrigo e camping, preencho a papelada e após pagar as taxas devidas, logo sou liberado. Mas antes de começar a travessia, resolvo ir até o Camping Rebouças montar barraca e deixar toda a tralha pesada lá. Na estrada, seguindo em direção ao Abrigo Rebouças Gelo por toda parte, reflexo da mega onda de frio que atingiu SP e o Sul de MG na 1ºquinzena de Junho. Segundo os guardas, temperatura chegou a -08ºC essa madrugada e tinha até 2 carinhas que estavam acampados pedindo para mudar para o Abrigo. Durante o trajeto até a área de acampamento, um carro passa por mim e o motorista me oferece uma carona, que aceito na hora, claro. Afinal, a distancia entre o posto até o abrigo é de 3 km. E nessa carona que conheço o Marcos, uma figura. Ele tinha marcado com uns amigos de ir para lá, mas que deixaram ele na mão na última hora, então acabou decidindo por vir solo. Morro da antena Area de acampamento tão disputada durante os fins de semana, fica vazia e com muitas vagas sobrando durante a semana Após chegarmos no Abrigo Rebouças, me despeço do Marcos agradecendo pela carona, inclusive. Após montar a barraca e deixar toda a tralha pesada lá, retorno para a estradinha e volto para o Posto Marcão, onde inicia a trilha da travessia Couto X Prateleiras. E finalmente, após todo o perrengue da noite anterior, começo a pernada propriamente dito as 10:00hs em ponto. Trecho inicial segue pela estradinha que vai para o morro da antena O caminho começa por uma outra estradinha de terra secundária a direita da principal e que sobe em direção ao Morro da antena. Ela fica bem ao lado do posto Marcão e há uma placa indicativa, inclusive. Sigo por ela e após fazer uma curva a esquerda, passo por um ponto de água, que é uma pequena bica a esquerda. Sem saber se haveria mais pontos de água a frente, encho o cantil com 2 litros para a travessia toda, por precaução. Esse é o único ponto de água corrente e confiável da subida até o Couto. Portanto, pegue água aqui ou traga na mochila para esse primeiro trecho. Subindo.... Mais alguns minutos de caminhada desde a bica, vejo uma trilha a direita que dá num belissimo mirante. Nesse mirante, se tem uma vista deslumbrante do vale lá embaixo, com as escarpas rochosas da Serra Fina bem imponente a frente, em destaque, o que já dá uma ideia da vista que terei lá no topo do Couto. Após alguns clicks, retorno para a estrada e continuo subindo. Mais alguns minutos de subida e 25 minutos desde o posto Marcão, passo por outra bifurcação, onde encontro uma placa indicando "Couto" a direita. Então, abandono a estrada principal em favor dessa picada a direita que vai no sentido desejado e que marca o inicio da trilha da travessia Couto X Prateleiras. A estrada em frente continua subindo até o morro da antena. Trecho inicial da travessia Morro da antena ficando para trás Primeiras vistas durante a subida A trilha é bem aberta e segue subindo suavelmente, contornando a crista a direita, dando pequenas voltas e logo chego a base de um enorme rochedo. As 10:35 começo a subir em direção a primeira de 2 grandes bases do Couto, onde vejo uma outra antena. A subida aperta um pouco e logo começa a aparecer os trechos delicados na crista, onde subo com relativa cautela. Mais 15 minutos e chego a um trecho onde vejo água escorrendo pela trilha, formando alguns pequenos poções, mas que pode estar seco em épocas de estiagem. Não é bom contar com essa água. Por isso, colete a quantidade de água que for precisar para as próximas 3 horas lá na bica, pois o próximo ponto de água só na metade da travessia. Trecho com um filete de água escorrendo na lateral da trilha A vista durante a subida Após passar por um curto trecho de escalaminhada básica, a subida dá uma tregua e chego a um trecho plano, em um extenso costão rochoso que é a base do Couto e que formou um belo mirante, oinde também há uma antena. A altitude aqui é de pouco mais de 2.500 metros e o visual aqui é de impressionar. Faço uma rápida parada para descanço e exploro um pouco o entorno. Nesse ponto, se avista o enorme rochedo que compõe o pico do Couto bem a frente. Apesar do sol, o frio não dá tregua e com isso, nem tiro a blusa o dia todo. Chegando a base do Couto Não faltou sinal de celular.... Prateleiras ao fundo (foto com zoom) Após o descanço, retorno a pernada, agora para encarar um dos pontos mais tensos dessa travessia, que é a subida de ataque final ao cume do Couto. Olho para frente e vejo a trilha indo na direção de uma fina crista sobre um rochedo, que de longe parece ser tranquilo. Mas foi só começar a caminhar por ela para logo dar de cara com um trecho tenso, onde sou obrigado a pular de uma pedra a outra, com um enorme precípicio a direita. Visual fenomenal Couto logo a frente O ataque final ao cume se dá em uma subida pirambeira entre enormes rochedos, onde em um deles, tive até que subir de costas e com bastante cautela, afim de ganhar os patamares superiores com segurança. Mais 15 minutos de subida e após 1 hora e 40 minutos de caminhada desde o Posto Marcão, as 11:40 finalmente chego no cume do Pico do Couto, na cota dos 2.680 metros de altitude para um merecido descanso, é claro. Nem preciso dizer que a vista é de arrancar o fôlego de qualquer um. E mais clicks, é claro. Trecho tenso. Subida de ataque final ao cume vai por essa fina crista Mirante na base, durante a subida do trecho final ao cume O trecho das cristas a direita, por onde a trilha da travessia passa Do topo a leste, se avista todo o trecho da caminhada com o Prateleiras bem ao fundão. A Oeste, o morro da antena, as 2 estradas de terra que liga o posto marcão ao couto e abrigo Rebouças. A Norte, Pico do Papagaio,Pedra do Altar, Sino e mais a direita, Asa de Hermes e o imponente Pico das Agulhas negras, entre outros picos da parte alta do parque. Enfim, o cume Serra Fina ao fundo A Esquerda, Pedra do Altar. Mais para o centro, Sino e Asa de Hermes. E a direita, o Imponente Pico das Agulhas negras A estrada de terra que vem lá do Posto Marcão Ao Sul, a imensidão do vale do Paraíba, com a Serra da Bocaína bem ao fundão. É uma visão de arrepiar. Aproveito para fazer uma pausa mais longa para um lanche reforçado. Após forrar o estomago e molhar a goela, retomo a pernada, agora para a segunda parte da travessia, em direção ao Prateleiras. As 12:20, passo por uma placa indicando "Travessia somente com autorização" e inicio a descida, que segue por uma trilha totalmente calçada por enormes rochas que facilitam bastante a descida. A descida do topo segue bem ingreme ladeira abaixo, com alguns trechos de desescalaminhada, mas sem maiores dificuldades. Todo o trajeto que ainda iria percorrer até o Prateleiras Meio longinho ainda... 15 minutos desde o topo do Couto, chego na base e a partir de agora, a caminhada passa a ser pelo alto das cristas. Prateleiras está visivel a maior parte do tempo a frente e parece estar estar perto, mas distante cerca de 1 a 2 horas de caminhada ainda. A esquerda visualizo o imponente Pico das Agulhas negras e a direita a imensidão do vale do Paraíba, com o Couto ficando cada vez mais para trás. Trecho de sobe morro/desce morro Caminhada pelo alto das cristas As 12:55, passo por 2 placas na sequencia indicando 2 trilhas a esquerda. A 1º placa indica um ponto de água, que é uma ótima opção para o caso de você chegar aqui sem água. Esse é o 2º e último ponto de água de toda a travessia. Portanto, se pretende continuar e estiver com pouca água, recarregue nesse ponto, pois não há nenhum outro ponto de água até o final. Na bifurcação, onde é possivel abortar a travessia e retornar... É só descer essa pequena pirambeira A 2º placa indica um atalho para o Abrigo Rebouças. Nesse ponto é possível abortar a travessia, para o caso de você ou alguém do seu grupo tiver algum problema durante a travessia. Seguindo em frente, continua a trilha da travessia por mais 1 hora e meia em direção ao Prateleiras e é para lá que eu sigo. Após a placa, a trilha inicia uma sequencia de sobe morro/desce morro em largos zig zags, afim de evitar grandes paredões ou precipicios. Começo a subir um pequeno morro e logo saio em um trecho de gramídeas, onde a caminhada passa a seguir no plano com trilha bem demarcada e sem maiores problemas de navegação. O traçado da trilha logo abaixo e bem ao fundo, o Pico do Couto, que vai ficando para trás As 13:10, chego a mais uma bifurcação com uma placa indicando "mirante" a esquerda. Curioso para saber onde iria dar, abandono temporariamente a trilha principal em favor da trilha a esquerda para ir conhecer o tal "mirante". Alguns minutos de caminhada e logo chego a um conjunto de 3 enormes rochedos que compõe o mirante. Sigo até a ponta de um deles e ao chegar, sou presenteado com uma bela vista do gigante rochoso do Pico das Agulhas negras bem imponente a minha frente, em um angulo diferenciado e único. Lá embaixo, visualizo a estradinha de terra que vem do Posto Marcão, passa pelo Abrigo Rebouças e dá acesso ao Pico das Prateleiras, Pedra da Tartaruga, Assentada e por fim, a Travessia Ruy Braga. Também visualizo parte do Abrigo Rebouças, a trilha que segue para o agulhas e sobe para o Altar. É uma visual bem bacana, pois te dá a sensação que vc se distanciou tanto tanto, mas ao mesmo tempo parece que nem saiu do lugar, pois o Abrigo Rebouças está "logo ali". Vale a pena parar ali para conhecer e curtir a vista do entorno. Volto para a trilha principal e pouco antes das 13:30, visualizo bem a frente, uma enorme gruta, com a trilha se enfiando dentro dela. Ao me aproximar, vejo uma placa com os dizeres: "Toca do Índio", o que de fato lembra uma toca mesmo. Chegando a Toca do Índio Trilha se enfia por baixo dela e sai do outro lado Passo por dentro dela e ao sair do outro lado, chego ao trecho final da travessia, com o Prateleiras bem a frente. Mais 10 minutos e chego ao pé de um morro, onde inicio a última descida em direção a base do prateleiras. Trilha segue descendo em largos zig zag para diminuir o desnível para quem sobe. Prateleiras logo a frente Descendo até a base A partir desse ponto o Prateleiras aparece com todo o seu explendor a tua frente, o que vale a pena uma parada para contempla-lo. Também já é possivel ver a discreta Pedra da Tartaruga logo abaixo, a esquerda. Pedra da Tartaruga visto do trecho de descida final da travessia Enfim, após quase 3 horas e meia de caminhada desde o Posto Marcão, chego a base do Prateleiras as 14:05. Final da travessia, mas não da caminhada. Como estava relativamente cedo para voltar ao Abrigo Rebouças, decido ir conhecer a Pedra da Tartaruga, Assentada e Maça. A bifurcação para as trilhas que leva a elas sai do trecho final da trilha do Prateleiras e não tem como errar, já que você passa obrigatoriamente por ela e ainda tem uma placa indicando. Do trecho final da trilha, na base do Prateleiras, desço por 5 minutos e chego na bifurcação. Entro na trilha a direita (esquerda para quem vem subindo para o Prateleiras) e sigo em direção a Pedra da Tartaruga e Maça. A trilha inicia uma curta descida e e logo chego a um trecho com um belo lago a frente. Na bifurcação O Trecho inicial da trilha apresenta pequenas bifurcações, mas a principal é bem demarcada, facil de identificar e é só seguir por ela. Água pode ser encontrada em um pequeno riachinho que desemboca no lago ou no próprio lago. Mais alguns minutos e chego ao lado da enorme Pedra da Tartaruga que realmente parece uma tartaruga. Ao lado dela, outra enorme pedra em formato de uma Maçã, que parece que foi colocada ali, bem ao lado. Pedra da Tartaruga logo a frente e Assentada no alto de um Pico mais ao fundo, a esquerda. Pedra da Tartaruga Pedra da Tartaruga a direita, Maça a esquerda Um belo lago e um ponto de água O Cansaço e a fome começam a dar os primeiros sinais, mas não estava afim de parar por enquanto. Então, tiro algumas fotos e sigo em direção ao último atrativo do dia: A Pedra Assentada, localizada no alto de um pico mais baixo que o Prateleiras. A partir desse trecho, estou sobre enormes costões rochosos e não há trilha, por isso a navegação passa a ser por totens. As 14:54, passo por um mirante com uma vista de um vale enorme lá embaixo, onde é possível visualizar as ruínas de um antigo posto meteorologico e o vale onde está o Abrigo Massenas, um visual em tanto. O Mirante Passo por um pequeno trecho de charco, onde encontro uma placa indicando o caminho para a pedra assentada e logo reencontro a trilha, que segue descendo em direção a base do Pico menor. Sigo descendo e logo chego a base do Pico, onde está a pedra assentada. Ao fundo, Pedra Assentada Olho para cima e vejo a trilha indo em direção a uma enorme subida pirambeira. Inicio a subida, mas logo resolvo abortar, pois já havia passado das 15:00hs e com a fome apertando e sem saber qto tempo ainda iria levar até lá, resolvo deixar para uma outra ocasião. As 15:20, inicio a caminhada de retorno ao Abrigo, mas não sem antes fazer uma pausa no mirante, para um lanche. Estomago forrado e fome saciada, retomo a caminhada e 20 minutos desde o mirante, estou passando pela bifurcação onde a trilha do Prateleiras encontra com a da Travessia Ruy Braga. Passando pela bifurcação onde termina/começa a Travessia Ruy Braga com a trilha que sobe até o Prateleiras Termino a descida e chego no tedioso trecho de estradinha de terra (que outrora fora a BR mais alta do país). A temperatura está diminuindo rapidamente e pouco antes das 16h30, chego ao Abrigo Rebouças para o merecido descanço desse primeiro dia do circuitão solo. Chego a área de acampamento e deixo as coisas, mas resolvo ficar um tempo do lado de fora, para curtir o belo final de tarde. Acampamento e Abrigo Rebouças visto do alto de um morro, no final da tarde Durante esse tempo que estava "a toa", conheci o Rodrigo, que havia chegado lá por volta do meio dia e também estava sozinho pelo mesmo motivo do Marco e eu. Conversamos por algum tempo, mas o frio intenso do final da tarde logo nos fez entrar nas barracas rapidão, deixando para continuar a conversa mais tarde. Depois das 17h30hs com os ultimos raios de sol no alto das montanhas, o termômetro já marcava 04ºC, o que me fez crer que a noite seria estupidamente gelada. Coloco as roupas mais pesadas e fico só relaxando dentro da barraca. Por volta das 19h30, saio da barraca para curtir as estrelas e preparar a janta. Vou para a area de refeitório e reencontro o Marco, que havia chegado de sua escalada na Asa de Hermes só de noite. O Rodrigo tb apareceu, a gente se juntou e fizemos nossa janta ao passo de muita conversa sobre os perrengues do dia, é claro. Após a janta e um tempo conversando, a temperatura cai ainda mais e fez que nossa tempo de permanencia no local fosse curto. Com isso, cada um se recolheu para seus devidos aposentos e uma sinfonia de roncos se fez presente pelo restante da noite no bucólico vale, a 2.350 metros de altitude. Continua no post abaixo....
  5. Cachoeira do Aiuruoca As fotos estão em http://lrafael.multiply.com/photos/album/135/135" onclick="window.open(this.href);return false;. A travessia Rebouças-Mauá é uma caminhada clássica do Parque Nacional do Itatiaia que permaneceu proibida durante cerca de duas décadas, até ser oficialmente reaberta em junho de 2011. Ela tem início no abrigo Rebouças, passa pela base da Pedra do Altar, desce ao vale do Aiuruoca, contorna os Ovos da Galinha, adentra o Vale dos Dinossauros (nascentes do Rio Preto) e desce pelo Mata-Cavalo até o Vale das Cruzes, entre Mauá e Maringá. Para mim essa caminhada tem um significado especial pois deveria ter sido a minha primeira travessia se o tempo tivesse permitido. Na ocasião, decidimos abortar no abrigo Rebouças devido à chuva, frio intenso e neblina depois de ter caminhado desde a sede do parque, na parte baixa. Isso foi em 1991. Logo depois as travessias no Itatiaia foram todas fechadas. No ano passado eu e alguns amigos quase fizemos essa travessia, mas novamente o tempo não ajudou e cancelamos a viagem. No final de semana passado essa pendência finalmente foi acertada, e em grande estilo. O Rodrigo ficou responsável pela autorização para a travessia (solicitada pelo e-mail [email protected]) e eu me incumbi de fechar um transporte para nos levar de Itanhandu à portaria do parque. 1º DIA: DO ABRIGO REBOUÇAS AO RANCHO CAÍDO Na sexta-feira partimos de São Paulo eu, Rodrigo, Gibson, Ronald e Amarildo no ônibus da Cometa das 23h30 em direção a Itanhandu, onde desembarcamos às 4h07. Às 4h45 chegou o nosso transporte, a kombi do Amarildo de Itamonte, que nos levou até a portaria da parte alta do parque, mas não sem antes termos uma parada numa padaria de Itamonte para um rápido dejejum. Chegamos à portaria do parque (Posto Marcão) às 7h15, preenchemos e assinamos a papelada e demos início à caminhada às 7h45 com muito frio pois o sol ainda não havia alcançado o começo da estrada que leva ao Rebouças. Na portaria o termômetro acusava 5ºC. A altitude é de 2444m. Uma pausa próximo ao abrigo, 3km depois, para pegar água e terminar de ajeitar as mochilas e partimos às 8h45 com sol mais forte, logo começando a dispensar as blusas grossas. O caminho é o mesmo que leva às Agulhas Negras até a bifurcação depois da ponte pênsil. Pouco mais de 100m depois da ponte toma-se a esquerda na primeira bifurcação (com placa) e à esquerda novamente na segunda bifurcação, 30m depois da primeira, essa mais sutil e sem placa (à direita se vai à Asa de Hermes). Na subida acentuada que se segue paramos para descansar e ver os vários grupos que se aventuravam na subida das Agulhas. Às 10h20, no final da subida, uma clara bifurcação leva à direita à Pedra do Altar. Mas nosso caminho era à esquerda, descendo. Observação: esse é o ponto mais alto de toda a travessia, 2575m. A trilha passa aos pés do grande rochoso que é a Pedra do Altar e logo inicia a descida ao Vale do Rio Aiuruoca. Uma curiosidade: nesse momento estamos saindo do estado do Rio e passando para terras mineiras. Logo se avista no fundo do vale, mais para a direita, a intrigante formação de pedras arredondadas sobrepostas a uma base conhecida como Ovos da Galinha. E à direita vai surgindo a bela Pedra do Sino (9ª montanha mais alta do Brasil segundo o Anuário Estatístico do IBGE), com sua encosta esquerda bem alongada, por onde se tem acesso fácil ao cume. Alcançamos o Rio Aiuruoca e o atravessamos sem dificuldade para chegar às 11h45 a sua bela cachoeira, caminhando pela margem direita. O dia de sol estava perfeito para fotos do verde e transparente poço, assim como para uma pausa para lanche e até um cochilo ao som relaxante da queda-d'água. Ali um grupo de oito pessoas que também estava fazendo a travessia nos alcançou e seguiu na nossa frente. Explorei por ali a trilha que vai para as Cabanas do Aiuruoca pois é na cachoeira que as travessias da Serra Negra e Rancho Caído se separam. A travessia da Serra Negra desce até as cabanas, passa pelo bairro da Serra Negra e termina na vila da Maromba. Partimos às 13h10 subindo de volta alguns metros a margem do rio e quebramos para a esquerda sem atravessá-lo, iniciando a aproximação e o contorno dos Ovos da Galinha pela esquerda. Paralelas à trilha atual, valas profundas registram o local exato do caminho original, carcomido pela erosão e pelo trânsito durante décadas. Estacas de madeira finas e altas pintadas de vermelho confirmam o caminho certo durante boa parte da caminhada a partir daqui. Terminada a subida que deixava o vale do Aiuruoca para trás, alcançamos às 13h57 um mirante aos 2507m que nos deixou boquiabertos com tamanha beleza. Bem à nossa frente, gigantes e magníficos, o Vale dos Dinossauros e uma longa crista culminando no imponente Pico da Maromba. À direita, a quase onipresente Pedra do Sino. À esquerda, mais distante, a Pedra Selada de Mauá. E mais à esquerda, ainda bem mais distante, o Pico do Papagaio. Uma visão realmente estonteante. A descida que se seguiu deu a impressão de que tomaríamos a direção direta para Mauá (nordeste), porém a trilha dá uma grande volta em forma de ferradura inicialmente pela borda do imenso Vale dos Dinossauros, passa pelo Rancho Caído e fecha no vale que corre paralelo à crista do Pico da Maromba. Só então alcança a longa ladeira conhecida como Mata-Cavalo e embica de vez para nordeste. Pois bem, descemos do mirante ao Vale dos Dinossauros às 14h15 e paramos para pegar água nas nascentes do Rio Preto às 14h43, num córrego que corria para nordeste e que lá embaixo forma o largo rio que atravessa as vilas de Maromba, Maringá e Mauá. Tanto aqui como lá ele marca a divisa entre Minas e Rio, ou seja, estávamos voltando ao território fluminense. Poucos metros depois uma grande rocha clara do lado direito da trilha chama a atenção pelo topo com quatro pontas, lembrando os quatro cumes do maciço das Agulhas Negras, que aliás está exatamente atrás dela. Passamos por um bom local de acampamento mas preferimos ir até o Rancho Caído para tentar pernoitar lá. Continuando, saltamos mais dois riachos e às 16h chegamos ao Rancho, porém o outro grupo já havia tomado conta dos melhores lugares e preferimos seguir até o próximo ponto de acampamento marcado no gps. Vale dizer que nada mais resta do rancho que dá nome ao lugar, dizem que ele existia ali há muito tempo, várias décadas atrás. Algumas araucárias fora de contexto, em pleno campo de altitude, são a marca registrada do local, a 2296m de altitude. Há bastante água por perto. Continuamos pela trilha menos de 500m e tivemos que nos acomodar de alguma maneira no capim mais baixo que encontramos à direita da trilha antes de uma descida. Montadas as barracas, procuramos um ponto um pouco mais acima para assistir ao por-do-sol, porém um morro alto bem na direção do sol nos impediu de vê-lo pousar avermelhado sobre o horizonte. Dali foi voltar ao acampamento e botar os fogareiros para trabalhar em meio a mais conversas e muitas risadas. Depois cada um para seus aposentos para dar início à sinfonia de roncos que se estendeu madrugada adentro. Nesse dia caminhamos 14,7km. 2º DIA: DO RANCHO CAÍDO AO VALE DAS CRUZES Pedra Selada de Mauá vista da descida do Mata-Cavalo O horário combinado de sair das tocas foi 7h. Desmontado o acampamento sem pressa, começamos a caminhar às 8h45. A trilha desceu até um riacho e subiu até um ótimo mirante que proporcionou visão das Agulhas e Pedra do Sino para trás (sudoeste) e Visconde de Mauá e Pedra Selada para a frente (nordeste). Desse mirante passamos para a outra vertente dessa serra e começamos aos 2310m de altitude a longa porém suave descida chamada de Mata-Cavalo, na qual avistamos também o Vale do Paraíba ainda coberto por um tapete de nuvens. Às 10h09 deixamos o campo de altitude e o sol forte para começar a caminhar na mata alta e fresca, na altitude de 1995m. Mais 5 minutos de descida e topamos com uma bifurcação que à esquerda morria numa clareira de acampamento que devia comportar bem umas três barracas apenas. Andamos alguns passos para a direita e paramos no riacho para um breve descanso e apanhar água. Às 10h30 uma bifurcação importante (1952m): para a esquerda a saída pela Cachoeira do Escorrega da Maromba, distante cerca de 4,7km; para a direita o caminho para o Vale das Cruzes, considerado a saída oficial, por onde continuamos. Seguiu-se um longo trecho de bambus sem nenhuma dificuldade, uma bifurcação em T onde fomos para a esquerda, um riacho que atravessamos pulando as pedras. Às 12h33 uma cachoeirinha e as primeiras casas marcam o fim da trilha, aos 1316m de altitude, desnível de 994m desde o início do Mata-Cavalo. Depois de uma porteira aberta caímos no final da estrada de terra do bairro Vale das Cruzes. Por ela bastou tocar mais 3,6km até a estrada que liga as vilas de Mauá, Maringá e Maromba. Ali às 13h30 me separei do pessoal pois tinha horário para chegar em São Paulo. Eles foram almoçar em Maringá, a 2km dali para a esquerda, para depois pegar o ônibus da Resendense que sai da Maromba às 16h45. Eu fui direto para Mauá (direita) comendo muita poeira por mais 3,5km na intenção de pegar o ônibus da viação São Miguel que saía de Mauá às 15h. Saía... faz meses que esse horário mudou para 17h. Como eu queria chegar logo em Resende, o jeito foi ficar plantado no ponto de ônibus pedindo carona. Quase 1h30 depois, já sem esperança, consegui uma carona... para São Paulo!!! Foi a sorte grande. Saímos de Mauá às 15h45 e com os congestionamentos de final de férias cheguei em casa às 21h40. Nesse dia caminhei 14,8km até Visconde de Mauá (o pessoal caminhou um pouquinho menos até Maringá). Total da travessia (desde o Posto Marcão até a praça central de Mauá): 29,5km. Dicas: . Assim que cheguei a Mauá fui à casa branca que fica do lado esquerdo da igreja (na entrada da vila, em frente ao campo de futebol) e depositei na caixa de metal da porta o canhoto da autorização da travessia, conforme orientação dada na entrada do parque. . O pedido de autorização para as travessias deve ser enviado no prazo mínimo de 10 dias úteis e máximo de 30 dias. Mais informações no site http://www.icmbio.gov.br/parna_itatiaia" onclick="window.open(this.href);return false;. Os e-mails são [email protected] e [email protected] (é melhor tentar nos dois e ainda ligar se eles não responderem). . No parque pagamos R$11 pelo primeiro dia e R$5,50 pelo segundo dia. Não é cobrado pernoite fora do abrigo/camping Rebouças. . O transporte de Itanhandu ao parque foi feito pelo Amarildo de Itamonte (celular Tim 35-9129-7522). Ele cobrou R$200 pelo frete em sua kombi. Para um grupo menor, pode-se contatar o sr Mauro no celular Tim 35-9176-3152. Ele tem um Fiat Uno. . A empresa que faz as linhas São Paulo-Itanhandu e Resende-São Paulo é a Cometa (http://www.viacaocometa.com.br" onclick="window.open(this.href);return false;). . Os horários do ônibus da viação Resendense (24-3354-1878) são: de Resende para Maromba: segunda a sexta: 5h30, 10h30, 15h, 15h30, 17h30 sábado: 5h30, 14h, 15h domingo: 8h, 14h, 16h de Maromba para Resende: segunda a sexta: 6h, 7h40, 11h, 13h, 17h45, 19h45 sábado: 7h40, 11h, 17h15 domingo: 9h, 10h15, 16h45 . Os horários do ônibus da viação São Miguel (24-3360-9351) são: de Resende para Mauá: segunda a sábado: 8h30, 13h40, 19h domingo e feriado: 8h, 19h de Mauá para Resende: segunda a sábado: 6h30, 10h15, 17h15 domingo e feriado: 6h, 17h . As informações de linhas e horários de ônibus acima foram obtidas no posto de apoio ao turista de Visconde de Mauá em 29/07/2012. Não estou reproduzindo informações desatualizadas da internet. . Algumas altitudes da travessia: Posto Marcão - 2444m Abrigo Rebouças - 2382m Cachoeira do Aiuruoca - 2363m Rancho Caído - 2296m início do Mata-Cavalo - 2310m fim da trilha e início da estrada no Vale das Cruzes - 1316m Visconde de Mauá - 1042m Rafael Santiago julho/2012
  6. Travessia realizada entre dias 06 e 07/09/2014. Álbum completo com todas as fotos da travessia estão em: https://picasaweb.google.com/110430413978813571480/TravessiaReboucasXMauaViaRanchoCaido?authuser=0&feat=directlink Esse é um relato da primeira travessia que fiz no Parque Nacional do Itatiaia (PNI) em setembro de 2014, mas que permanecia nos meus planos há muitos anos. A ideia inicial era fazer as travessias do Parque antes das mais pesadas, como Marins x Itaguaré e Serra fina. Porém, acabei fazendo elas primeiro, e até outras e a do PNI acabaram ficando para depois. Era minha primeira incursão nessa parte da Serra da Mantiqueira e ao contrário da maioria, que visita o parque apenas para conhecer os batidos picos da Agulhas negras e prateleiras e logo voltar, eu fui com o objetivo de fazer logo de cara uma das 3 travessias do parque + os picos que fosse possível conhecer pelo caminho. Para essa empreitada, convidei várias pessoas, mas por questão de logística, disponibilidade de dias e a distancia, só 4 puderam ir: Aline, Letícia, Clóvis e o Rogério (que esteve comigo na Serra fina). Escolhemos a Rebouças x Mauá por conta do número de atrativos pela qual a trilha passa e para conhecer melhor esse belo trecho do famoso e mais antigo parque nacional do país. Embora as outras 2 travessias reservam muitos outros atrativos que eu pretendo conferir in loco numa próxima incursão, escolher 1 das 3 era preciso. Eram 16h40 de uma bela tarde de Sexta feira, qdo lá estava eu no metrô com minha cargueira, rumo a Estação Tamanduateí da linha 2 do metrô, local do encontro, onde iria encontrar os demais. O metrô já estava relativamente cheio, anunciando que o horário de pico estava apenas no inicio e em meio a milhares de trabalhadores cansados e retornando de mais um dia de trabalho, um "doido" com uma mochila tamanho família nas costas e ocupando espaço de 2 pessoas foi a deixa para atrair olhares curiosos das pessoas presentes no interior daquele vagão lotado..... Provavelmente estavam se perguntando: como um cara magrinho como ele consegue ficar de pé com aquele chumbo nas costas? Cheguei na estação de Tamanduateí por volta das 17h10, a Aline já se encontrava a minha espera e ficamos aguardando a Letícia que ainda não havia chegado. Assim que ela chegou, descemos até o ponto de saída em frente ao Shopping Central Plaza onde ficamos esperando o Clóvis chegar. Não demorou muito e logo ele chegou, foi avisando que o Rogério iria atrasar, devido a um problema na linha de trem em que ele estava vindo. Combinamos de pega-lo na Estação Tatuapé, que já era caminho para a Marginal e a Ayrton Senna e ele só foi chegar quase 1 hora depois, as 18h30, por conta do atraso do trem e a lotação do rush no metrô. Com toda a trupe reunida e feitas as apresentações de praxe, pouco depois das 19h00, partimos em direção a Itamonte, cidade mineira no sul de Minas, próximo a divisa com SP, no alto da Serra da Mantiqueira. A viagem foi tranquila e chegamos a cidade mineira de Itamonte já tarde da noite, por volta das 22h30. Fizemos uma parada para Jantar na cidade e logo nos dirigimos ao "refúgio", onde iriámos passar a primeira noite. O refúgio do Clóvis é uma rústica cabana que ele construiu em um terreno que comprou anos atrás. É muito boa e ainda fica em um dos morros mais altos da cidade a 1.300 metros de altitude (quase a mesma altitude da Pedra Grande de Atibaia) no meio da mata e sua construção lembra muito aquelas cabanas no meio do nada que a gente vê nos filmes americanos. Na cabana do Clóvis, na manhã seguinte Já havia ficado nela em trips anteriores, qdo retornei a Pedra da Mina via Paiolinho para um batevolta treino. Como teríamos pouco tempo de sono nessa primeira noite, tratamos de ir dormir logo. Combinamos com o resgate de nos levar até a entrada da parte alta do Parque no centro da cidade as 6h30. Para isso, combinamos de todos acordar as 4h, mas o pessoal só começou a levantar mesmo depois das 4h30, por conta do pouco tempo de sono da noite passada. A temperatura do lado de fora estava por volta dos 05ºC com uma bela lua e um céu bem limpo. Com um pouco de atraso, partimos as 5h50 em direção ao encontro com o resgate previamente combinado, que iria nos levar até a entrada do Parque e nos resgatar no final, na Vila de Maromba. E vamos que vamos! 1º dia - Do abrigo Rebouças ao Rancho caído. Os primeiros raios de sol já coloriam a parte mais alta dos morros e uma fina camada de gelo cobria os vales, indicando que a temperatura na madrugada em alguns pontos de baixada, deve ter caído abaixo de 0ºC. De fato, ao passar por esses trechos, o frio era mais intenso e a névoa baixa chegou até a embaçar o vidro do carro. Chegamos no centro da cidade por volta das 6h20 com os primeiros raios de sol atingindo alguns pontos das ruas. A temperatura do termômetro do carro do Clóvis marcava 04ºC e aquele inicio de manhã de sábado estava estupidamente gelado mesmo, o que deu uma ideia do que nos esperava na noite seguinte lá nas altitudes acima de 2.300 metros. Após nosso resgate chegar, partimos em direção a Garganta do Registro, onde fica o acesso a estrada de terra que sobe até a parte alta do Parque. A sinuosa subida inicia-se na altitude de 1.660 metros e inicialmente segue em meio a floresta de mata atlântica, que logo dá lugar aos campos de altitude. A estrada estava bem esburacada, o que fez a Van do Amarildo andar em velocidade bem reduzida. São 14 km de subida quase constante de estradinha até a entrada do Parque, passando pela entrada da antiga pousada Alsene (hoje desativada, pois foi embargada pela justiça por despejar esgoto sem nenhum tratamento em um riacho ao lado) e o acesso ao Pico da Pedra furada (Altitude: 2.580m), acessível por trilha e que fica fora dos limites do parque. Garganta do Registro Foto by caco A subida levou em torno de 40 minutos e a medida que subia, a paisagem da mata ia mudando. Logo, as subidas mais íngremes terminam e a partir dai começa a aparecer as primeiras paisagens dos campos de altitude, sinalizando que já estávamos acima dos 2.000 metros de altitude. Aberturas em meio da mata, revelavam belíssimas vistas do vale do Paraíba totalmente tomada por um colchão de nuvens, o que deixou todos bem ansiosos. Tempo fechado mesmo, só lá embaixo, pois na serra, o astro-rei brilhava forte em um céu estupidamente limpo. A tediosa subida era compensado pelas belas vistas e as paisagens dos campos de altitude. Serra fina vista do trecho final da subida Após muito chacoalhar, enfim, chegamos a entrada do Posto Marcão, na parte alta do Parque, na cota dos 2.450 metros de altitude por volta das 8h10. Tivemos um atraso na liberação de nossa entrada, porque o Clóvis descobriu na hora que esqueceu de trazer o formulário de autorização impresso (e que contem o nº de protocolo da reserva). Para piorar, estavam sem sinal lá. E agora, José? Enquanto esperava, aproveitei para tirar várias fotos do entorno, pois mesmo na entrada do parque, a vista estrada abaixo era de tirar o fôlego. Ele resolveu ligar aqui em SP para obter o nº e entregar ao guarda do parque (Nisso, tivemos um atraso de quase 1 hora), mas ele conseguiu com um parente o número, entregou pro guarda e com isso, tivemos nossa entrada liberada. Eu no posto Marcão, entrada da parte alta do Parque Mapa com as principais trilhas e as travessias do Parque De lá, era possível avistar toda cadeia montanhosa da Serra fina, além do Pico da Pedra Furada e parte do traçado sinuoso da estradinha de terra. Mas pudera, estávamos a mais de 2.400 metros de altitude!!!! Trecho final da estrada de terra com o Pico da Pedra furada bem ao fundo Para compensar o atraso, nosso resgate nos poupou 3 km de pernada nos levando até o Abrigo Rebouças, um abrigo chalé que dispõe de quartos com cama, sala, banheiros e cozinha para o uso dos montanhistas durante sua estadia na montanha. Do lado de fora, um amplo descampado para umas 15 barracas estava a disposição para quem quiser acampar. O abrigo atualmente está passando por uma reforma, então pernoite ali só na área de camping. O Abrigo Rebouças é como se fosse um "marco zero" do Parque, pois é a partir dali que partem diversas trilhas para vários atrativos do parque, como Pedra do Altar, Asa de Hermes, Prateleiras, Agulhas negras, Cachoeira do Aiuruoca, das Flores, Pedra do Sino, além das 3 clássicas travessias do Parque: Ruy Braga, Serra Negra e Rebouças x Mauá, entre outras.... Abrigo Rebouças (Em Setembro de 2014 estava em reforma, não sei se já terminaram) Placa informativa do lado do abrigo com a altitude do local onde eu estava, e várias informações úteis... Chegamos no abrigo por volta das 9h15 e após ajeitarmos as cargueiras, fizemos uma votação para ver se iríamos fazer um ataque até o Prateleiras ou iniciamos a trilha da travessia diretamente, sem ir até lá. Por conta do atraso da liberação de nossa entrada lá na portaria, e a Aline ser iniciante em travessia de montanha (e consequentemente tendo um ritmo menor que o dos demais), Ela, Letícia e Clóvis resolveram abortar o ataque até as Prateleiras e iniciar a trilha da travessia diretamente, indo na frente, enquanto que eu e o Rogério decidimos ir primeiro no Prateleiras. Falei que poderiam seguir na frente sem nos esperar, embora disseram que iriam ficar um tempo lá no Abrigo e depois começariam a travessia. Pico das Agulhas negras, vista do abrigo Rebouças Entorno do Abrigo Rebouças O Rogério estava decidido a ir até o Prateleiras e eu também, ainda mais por conta do belo dia de sol e o céu livre de qualquer vestígio de nuvens. Eu não estava disposto a abrir mão do Prateleiras de jeito algum, ainda mais por ser minha 1ºvez ali. Fui decidido que faria ali e se tivesse que chegar no Rancho caído a noite, não teria problema, já que estava munido de 2 boas lanternas. Deixamos as cargueiras próximo do Abrigo e as 9h30, partimos em direção a base das Prateleiras, onde chegamos as 10h00. O Trecho inicial em direção a Prateleiras continua a direita, pela antiga BR-485, a rodovia federal mais alta do Brasil que foi desativada e hoje virou uma estrada de terra. Em alguns trechos, ainda há vestígios do asfalto, mostrando o absurdo e a irresponsabilidade de se construir uma rodovia em um lugar como esse. Seguindo pela antiga BR-485, foto by caco Ao final dela, inicia-se a trilha que leva a Prateleiras, como também as Pedras da Tartaruga, Assentada e Maçã sendo que só no trecho final em direção a base da Prateleiras que tem uma leve subida, com um calçamento de pedras. Não havia ninguém lá e fomos donos absolutos do lugar. Ainda no trecho da BR-485 no caminho, passamos por um grupo relativamente grande de turistas, que pelo ritmo que iam, só iriam chegar lá qdo já estivéssemos voltando. Prateleiras vista da trilha Trilha com calçamento (esse trecho e também o calçamento é novo, pois o antigo foi fechado por conta da erosão) O acesso ao cume do Prateleiras, de acordo com as normas de segurança do parque, só é permitido com guia ou se o grupo tiver equipamentos de escalada que são obrigatórios. Para quem não quer pagar guia (nem quer saber de ficar carregando equipamentos de escalada, que significa mais peso), exigidos pelo parque para ter acesso ao o cume do Prateleiras, existem boas opções de picos ao lado, onde se pode ter vistas ainda melhores que o do Prateleiras. A direita da trilha principal, há uma trilha bem batida que sobe até o cume do morro do Couto, com altitude de 2.680 metros, mais alto que o Prateleiras. Pouco tempo atrás, li uma noticia no site do Parque que eles abriram uma nova trilha que interliga o morro do Couto com o prateleiras, numa caminhada pela crista que leva em torno de 1 hora. Já a esquerda, bem próximo a base, parte outra trilha que dá acesso as Pedras da Tartaruga, Maçã e Assentada, seguindo por mais 480 metros. Em todas elas, o acesso é livre e não é necessário guia, nem equipamentos obrigatórios de escalada. Eu e o Rogério não trouxemos nada disso por conta que nosso objetivo era fazer a travessia. Então, nos limitamos a ir somente até a base e deixamos para explorar os demais picos e a trilha que segue até o Couto numa próxima oportunidade. Ainda mais porque eu tinha a intenção de subir até o cume da Pedra do Altar e Sino durante o caminho. Placa com informações básicas da trilha Passando pela bifurcação a Travessia Ruy Braga. Quem inicia essa travessia pela parte baixa do Parque em Itatiaia, termina exatamente nesse ponto algumas infos básicas da Travessia Ruy Braga Mesmo na base do prateleiras (situado na cota dos 2.430 metros de altitude), a vista é de encher os olhos. De um lado, a estonteante visão do Vale do Paraíba a perder de vista. Do outro, a cadeia montanhosa da Serra fina em destaque, onde é possível avistar a Pedra da Mina (2.797m), Cupim do Boi (2.530m) e 3 estados (2.665m), além de várias vistas para outros picos da parte alta do Parque. Serra fina vista da base do Prateleiras Pedra da mina a esquerda e 3 estados a direita Após vários cliques, aproveitei a parada para fazer um lanche rápido, afim de forrar o estômago e ficamos um tempo ali. Só resolvemos descer, qdo avistamos um grupo grande de turistas se aproximando (aqueles mesmos que ultrapassamos na ida). As 10:30 já estávamos de volta a trilha e passamos batido pela bifurcação da trilha que leva as Pedra da Maçã, Assentada, Tartaruga e a Cachu das flores, que assim como o Couto, ficaram para uma outra ocasião. Cachu das flores As 11:00h eu e o Rogério estávamos de volta ao Abrigo Rebouças, onde encontramos alguns montanhistas que iam fazer as travessias da Serra Negra e Ruy Braga e turistas de fim de semana que estavam acampados ali. Trocamos ideia rapidamente e após um breve pausa para coletar um pouco de água, pegamos as cargueiras e finalmente demos inicio as 11:10h, a travessia propriamente dito. Pico das Agulhas negras Nesse trecho inicial, a trilha da travessia é a mesma que leva ao Agulhas negras. Passa pelo leito do Rio Campo Belo e passa a seguir em leve ascensão em direção ao Pico das Agulhas negras, com a mesma bem visível a frente o tempo todo, toda imponente. 15 minutos de caminhada desde o Rebouças, chego ao trecho onde fica a famosa ponte pênsil, onde eu e o Rogério paramos rapidamente para alguns cliques, é claro. Mais alguns minutos e chego a primeira bifurcação da trilha, onde uma placa sugere que o caminho é a esquerda. Chegando na Ponte pênsil A ponte 1ºBifurcação - Travessia Serra negra e Rancho caído, virar à esquerda Com isso, abandono a trilha principal (seguindo reto, vai para o Pico das Agulhas negras) em favor da trilha a esquerda. Mais 5 minutos e dou de cara com outra bifurcação onde há mais uma placa. Fiquei em dúvida nesse trecho e resolvi espiar a trilha a direita, até que caiu a ficha e parei para consultar o mapa para ver se estava no caminho correto. Foi ai que percebi que estava no caminho errado e que a trilha correta da travessia é virando a esquerda, na placa que indica o caminho para a Pedra do Altar e cachoeira do Aiuruoca. Em frente, irá sair na Asa de Hermes sem passar pela Pedra do Altar. Portanto, se for sua primeira vez aqui e estiver fazendo as travessias Rebouças x Mauá ou a Serra Negra, muita atenção nas 2 bifurcações depois que passar pela ponte pênsil: O caminho correto é virar a esquerda nas 2, seguindo a placa que indica o caminho para a cachoeira do Aiuruoca e Pedra do Altar. Felizmente, andei apenas alguns poucos metros pela trilha da direita e logo voltei. 2º bifurcação - Virar a esquerda novamente As 11:45, após passar pelas 2 bifurcações, a trilha inicia uma subidão íngreme com vários trechos de cascalho em direção a base da Pedra do Altar, dando voltas em formato de "S" para diminuir o desnível da subida. Porém, olhando para cima, vejo que não será tão fácil assim, pois o sol já estava castigando e com isso, acabei parando algumas vezes para poupar energia e recuperar o fôlego. Felizmente, ela não dura muito e logo o terreno nivela, para o nosso alívio. A partir dai, a trilha passa a contornar pela direita e logo em seguida dobra a esquerda, evitando um grande morro ao lado esquerdo. E olhando para trás, se via o paredão imponente do maciço das Agulhas negras em destaque. Trilha bem demarcada Atrás, o Maciço das agulhas negras As 12:12, chego a bifurcação da trilha da travessia com a da Pedra do Altar, onde há uma placa que indica a mesma virando a direita. Seguindo reto na trilha principal, continua a travessia em direção a cachoeira do Aiuruoca. Resolvo virar na trilha a direita e ao passar por um monte de pedras logo a frente, escondo a cargueira e sigo só com a máquina digital para o ataque ao cume. A caminhada não dura nem 10 minutos e as 12:20, chego ao cume da Pedra do Altar, a 2.665 metros de altitude e ponto culminante da minha travessia. Chegando na bifurcação Trilha subindo à Pedra do Altar Vale do Rio Aiuruoca vista do topo da Pedra do Altar. Nem preciso dizer que a vista do topo é literalmente FANTÁSTICA. Uma visão de 360 graus de toda a parte alta do Parque com o pico das prateleiras mais baixo, sendo possível ver parte do vale do Paraíba por cima dele, o abrigo Rebouças, a portaria do posto Marcão, os contrafortes serranos da Serra fina, além de praticamente todos os imponentes picos do Parque ao redor, como a Pedra preta, Sino, Asa de Hermes, couto, entre outros, além de todo o caminho da travessia por onde ainda iria passar. É como se fosse uma torre de observação, pois a Pedra do Altar fica no centro da parte alta do parque. Uma visão em tanto e vale muito a pena conhecer! Agulhas negras vista do cume da Pedra do Altar Serra negra e bem ao fundo, Pico do Papagaio Bem ao fundo no centro, Prateleiras A esquerda: Pedra do Sino, a direita: Asa de Hermes Olhando mais a leste, bem ao fundão, se avista o Pico do Papagaio. O vale do Rio Aiuruoca, assim como a parte alta da cachoeira e ovos da galinha também são vistas dali e parecem estar bem perto, mas ainda estão a pelo menos 2 horas de caminhada. Permaneci por um tempo ali e pouco antes das 13:00hs, desci de volta para a bifurcação da travessia, peguei a cargueira e voltei para a trilha principal, continuando a caminhada por trilha bem demarcada em direção as nascentes do Rio Aiuruoca. Descendo em direção ao vale do Rio Aiuruoca A partir desse ponto, não há mais subidas e a trilha passa a contornar a pedra do altar, na direção do vale do Rio Aiuruoca, tendendo para direita e descendo discretamente. Água não é problema nessa travessia, já que segundo as infos que dispunha, há vários pontos de água pelo caminho e a trilha passa por várias delas, o que eu constatei de fato. Então, nem me preocupei em encher os cantis. Tanto é que fiz a travessia toda carregando apenas 1 litro de água e fui renovando a medida que ia acabando, economizando assim, no peso na cargueira. Campos de altitude Após terminar o contorno da Pedra do Altar, cheguei ao vale das nascentes do Rio Aiuruoca, trecho esse que fica a cachoeira de mesmo nome e também a bifurcação onde as travessias da Serra Negra e Rebouças/Mauá se separam. As 13:30, paro em um ponto d´agua para descansar e recarregar os cantis, aproveitando uma sombra que havia ali. Nessa travessia, quase não há trechos de sombra, por isso um chapéu ou boné são indispensáveis se não quiser sofrer com o sol forte....Após o breve pit-stop, retomo a pernada e 15 minutos depois, as 13:45, mais de 2 horas de caminhada desde o Abrigo Rebouças (já descontado as paradas e a ida até a Pedra do Altar), chego na bifurcação onde as 2 travessias se separam. Nessa bifurcação, seguindo a esquerda, você está na travessia da Serra Negra. Indo pela direita, na Rebouças x Mauá, que passa pelo Rancho caído. Também estou próximo da cachoeira do Aiuruoca. Como meu destino era o Rancho caído, segui pela trilha a direita e após passar por um trecho de charco e o Rio Aiuruoca, encontro outra bifurcação com uma placa indicando a cachoeira a esquerda e a continuação da travessia a Direita. Segui pela esquerda e cheguei na cachoeira as 13:50h, onde reencontrei os demais do meu grupo e mais 2 montanhistas, a qual cumprimentei cordialmente e trocamos algumas ideias. Se não me falha a memória, eles estavam fazendo a travessia da Serra Negra e iriam descer pela bifurcação a esquerda. Aproveitei para fazer um pit stop ali para contemplar uma das cachoeiras mais altas do Brasil, afinal, a cachoeira do Aiuruoca fica a mais de 2.300 metros de altitude. E não é em qualquer lugar que se encontra uma cachoeira nessa altitude, embora na Travessia da Serra fina, há uma pequena cachoeira no Vale do Ruah, onde fica o Rio Verde que está numa altitude maior que o do Aiuruoca. Porém, a cachoeira do Aiuruoca é bem maior e ainda dispõe de uma bela piscina natural. Nem preciso dizer que a cachu foi palco para vários cliques e contemplação, é claro. Rio Aiuruoca Na cachoeira, comentei com os demais sobre o visual muito louco do cume da Pedra do Altar. E nisso, o Rogério se arrependeu de não ter subido a Pedra e então decidiu esconder a cargueira e voltar até lá para ver o visual....que doido, mas para quem fez a travessia da Serra fina, aquilo não era nada perto do que ele iria deixar passar batido...E sem perder tempo se despediu da gente e se mandou, pois não queria deixar passar batido...Enquanto isso, Aline, Letícia e Clóvis me avisaram que iriam indo na frente e como eu tinha chegado a poucos minutos, decidi ficar descansando mais um pouco na cachoeira....depois os alcançaria.... Cachoeira do Aiuruoca Mas com o horário avançando (eram 14h) e sem saber qto tempo ainda iria gastar até o Rancho, retomar a pernada é preciso. As 14:15, descansado e revigorado, retomei a caminhada, agora em direção aos Ovos da Galinha. Visualizei os demais bem na frente e tratei de seguir em ritmo forte para alcança-los antes de chegarmos aos ovos....A trilha vai seguindo bem batida e em nível pelo belíssimo vale do Aiuruoca, com a face oposta da Pedra do Altar ficando para trás, pedra do Sino ao lado direito e logo a frente, o conjunto rochoso denominado Ovos da galinha no alto a minha frente. Pedra do Sino Ovos da galinha A partir desse ponto, a caminhada fica bem mais suave e 20 minutos desde a cachoeira, chego nos ovos da Galinha, alcançando inclusive, os demais. E mais paradas para cliques, claro! Um fato curioso nessa formação rochosa em formato de um dedo, é que ele parece saber exatamente a direção onde devemos seguir, que é exatamente aonde a trilha segue.....Desse ponto, há uma bifurcação que segue até a Pedra do sino, segundo li em outros relatos. Mas nem lembrei de procura-la e só me dei conta que esqueci disso qdo estava chegando no Rancho caído, infelizmente. Pessoal descendo Também já li em outros relatos sobre uma trilha que sai do alto da Pedra do Altar e vai até a do Sino, o que seria bem interessante, já que corta um belo caminho e poderia ser uma alternativa para reduzir o tempo de caminhada e chegar em menos tempo ao Rancho caído. Mas assim como a Pedra do Sino, também não me lembrei de verificar qdo estava lá.... Pedra do Sino a esquerda As 15h00, os ventos de altitude já sopravam fortes e na sombra, o frio se fazia presente, anunciando que o fim da tarde estava próximo e a temperatura estava baixando. Já era hora de retomar a pernada, pois ainda tínhamos a subida de um pequeno morro e uma descidona meio pirambeira até o vale dos dinossauros. Por conta do ritmo diferente do grupo, acabei disparando na frente, enquanto que o Clóvis e a Letícia foram ficando para trás, pois estavam acompanhando o ritmo da Aline. Depois que sai dos ovos da galinha, a trilha começa a subir um pequeno morro logo a frente até chegar ao topo, para então virar a esquerda e vai seguindo pelo alto de sua crista. Logo em seguida, inicia-se uma longa descida em largos zig-zags em direção ao vale dos dinossauros. Lá do alto do morro (que pela carta indicava altitude de 2.500 metros, sendo o ponto mais alto que se passa durante a travessia), se bem uma bela vista do vale dos dinossauros lá embaixo, além dos Picos do Maromba e Marombinha em destaque a frente. Caminhada pela crista Vale dos dinossauros Também dá para ver o local onde fica o Rancho caído que parecia estar perto, mas ainda restava a descida e a travessia de 2 grandes vales até lá. Comecei a sinuosa descida e cerca de 40 minutos desde os ovos da galinha, termino a descida e agora novamente no plano, me vejo caminhando ao lado do misterioso e belíssimo vale dos dinossauros, com a face oposta do imponente Pico das Agulhas negras ao meu lado direito. Vale dos Dinossauros Face oposta do Pico das Agulhas negras Aproveito para fazer uma pequena parada qdo passo ao lado de uma curiosa formação rochosa em formato de 2 seres pré históricos, na qual rendeu alguns cliques....No meio do silêncio absoluto daquele vale, ouço vozes e ao olhar para cima, em direção ao morro que desci, vejo o Clóvis, Aline e Letícia bem distantes, descendo....incrível como dava para ouvir eles conversando, por conta do eco proporcionado pelo vale. Voltei a caminhada e fui seguindo em frente por trilha bem demarcada, que vai seguindo ao lado do vale e depois virando a direita, contornando-o. Passei por uma pequena bifurcação, mas nem cheguei a entrar nela para ver para onde ia. Curiosas formações rochosas que dão o nome ao vale... As 16:05, passo por um descampado plano e protegido, onde encontro vestígios de acampamento recente e com espaço para pelo menos umas 4 barracas, que é uma boa opção para o caso de você estar chegando aqui no escuro. O problema é essa área não é o local de camping permitido pelo parque e ainda tem o problema de não haver água próxima (pelo menos eu não vi nenhuma). Tenho lá minhas dúvidas se há fiscalização nessa parte do parque a noite, ainda mais pela distancia da Portaria. Descontando as paradas e dependendo do ritmo, leva-se entre 3 a 4 horas de caminhada (só de ida) do Abrigo Rebouças até aqui. Mais 20 minutos desde o descampado lá atrás, cheguei ao alto do morro, onde visualizei a última descida de vale e o local do Rancho lá embaixo a esquerda, numa pequena área de mata atlântica e algumas rochas. Comecei a íngreme descida e após atravessar 2 pequenos riachos, cheguei finalmente ao local denominado "Rancho caído" as 16:40, com pouco mais de 5 horas de caminhada desde o abrigo Rebouças só para constatar que não havia rancho algum ali.. Trecho final do primeiro dia. Como não havia ninguém, pude escolher o melhor lugar para montar a barraca. A área de camping é bem plano e protegido, fica no interior da mata fechada e ainda no meio de um vale. Não poderia haver melhor proteção contra os fortes ventos. E de quebra, com um riacho passando bem ao lado... Após montada a barraca, exploro o entorno para ver por onde seguia a trilha que iria percorrer no dia seguinte. Clóvis, Letícia e Aline chegaram meia hora depois de mim, mas nada do Rogério chegar. Ele só chegou qdo já estava escurecendo. Com toda a trupe reunida novamente, preparamos a janta e ficamos só apreciando a bela noite estrelada naquele belo vale em meio as montanhas, a 2.300 metros de altitude. A temperatura já havia diminuído bastante após o pôr do sol e o inicio da noite estava bem gelado (estando abaixo de 05ºC), obrigando a todos a vestir jaquetas, toucas e cachicol.Tudo indicava que a madrugada seria bem gelada. Após a janta, entrei na barraca, me enfiei dentro do saco de dormir e logo peguei no sono. A noite foi tranquila e como vim bem preparado para isso, não tive problemas com o frio, mas foi difícil sair de dentro do saco de dormir de madrugada, qdo acordei com vontade de ir ao banheiro..... Continua no post abaixo...
  7. Buenas Mochileirosss ... Neste ultimo feriadinho, estivemos em Itatiaia, so que desta vez na parte alta do parque, na verdade ate fomos para a parte baixa rever as cachoeiras, a previsão de tempo não era muito boa para o feriado, então fomos para Itatiaia, pois caso nao estivesse legal o tempo iriamos partir para São Thomé das letras, mas ocorreu tudo certo ;] (com muita neblina) ... Fomos em 6 pessoas ... da esquerda pra direita, Eu, Adriele, Keity, Leandro, paloma, Taylane ... A princípio ficamos no Camping / Pousada Ypê Amarelo, lugar muito aconchegante, e proximo à tudo, com um porém ... se você for para a parte alta do parque, onde se encontra os cumes, vc tem que pagar o pedágio que fica ao lado da cidade toda vez q for sair e entrar na cidade (sentido são paulo) ... O Parque Nacional de Itatiaia, se divide entre Parte Alta (onde se encontrar os cumes) com acesso por Itamonte, e Parte Baixa (onde estao boa parte das cachoeiras) com acesso por Itatiaia ... Existe uma taxa a ser paga ao entrar no parque, sendo esta regressiva ... Se vc for brasileiro funciona assim: 1 dia - R$ 11,00 por pessoa 2 dias (onde o segundo dia é ou fim de semana ou feriado) - R$ 16,50 por pessoa 2 dias (onde o segundo dia é dia de semana) - R$ 12,10 por pessoa Idosos a partir de 60 anos e crianças com até 12 anos têm direito a visitação gratuita. Se você conseguir vaga também existe a possibilidade de se hospedar dentro do Parque, (Acampar também) ... deve ser muito maneiro, pois o ceu é lindo visto la de cima anoite ;] ... "Tarifas de hospedagem: Abrigo Rebouças: R$ 10,00 por pessoa/dia Camping Rebouças: R$ 6,00 por pessoa/dia" O cadastro deve ser feito no site "https://sites.google.com/a/abrigoreboucas.com.br/reserva/" E interessante também caso queira chegar ao cume contratar um guia, ou ter conhecimento de vertical ... pois alguns pontos é necessário utilizar corda (inclusive para se chegar ao livre do Pico dos Agulhas e Prateleiras) ... Nos contratamos o guia Marco Aurélio (24) 9834-7164 ... Vamos agora à nossa tripzinha ;] ... Á estradinha que vai de itatiaia para a entrada a parte de cima do parque, é bem sinuiosa mas sem muitas dificuldades, qualquer carro chega la (o meu chegou ) ... logo ao chega rno parque preenche uma ficha, no caso como estavamos com o guia ele fez td essa parte burocrática, indicando o destino (Prateleiras, Pico dos Agulhas Negras, Morro do Couto e outros ...), nosso destino seria no primeior dia as Prateleiras, a trlha em sí é simples, não muito extensa, bem demarcada com placas e tudo mais, mas os trechos de escalaminhada até o cume é um pouco mais puxado, pelo fato de em muitos pontos você ficar exposto, tanto que do nosso grupo somente 2 pessoas chegaram até o livro (a neblina deixou muito mais complicado tudo) ... não aconselho ir ate o cume sem auxilio de um guia ou com alguém que conheça e tenha conhecimento de vertical, alguns locais é necessário o auxílio de cordas ... (a base das prateleiras é de facil acesso) Prateleiras ao fundo enquadrada pelas neblinas Proximo à base das prateleiras Cume das Prateleiras No dia seguinte, um pouco cançados ainda pelo dia anterior, fomos para o Pico dos Agulhas Negras... Pico dos Agulhas Negras ao fundo ... ... este ja é bem mais complexo, a trilha é bem puxada com muitos trechos de escalaminhada, pelo fato de ser mais escalaminhada que trilha não aconselho ir sem alguem que conheça o local ou um guia ... alguns pontos é realmente necessário o uso de cordas e técnicas de vertical (inclusive para ir ao livro) ... a trilha se inicia bem ao lado do Abrigo rebolsas, após passar aponte a trilha começa ficar um pouco mais ingrime... pontezinha rumo ao agulhas ... ... ate chegar os pontos de escalaminhada, onde há 2 rampas um pouco extensas, ao final da ultima rampa, existe um ponto onde é necessário "escalar", depois desse ponto a escalaminhada fica mais ingrime e com maior dificuldade com varios pontos de solavanco exige um maior esforço fisico ... e asism se segue até chegar à garganta e se avistar uma planice linda entre as montanhas ... uma das rampas Trecho de escalada Trecho entre rochas Entrando na Garganta Planice no cume da montanha ... Após esse ponto so existe um trecho de subida e ja se chega ao cume ... só que para assinar o livro (se nao engano existe mais de 1 livro) ... é necessario mais alguns trechos de rapel e escalada ... só que por nos demorarmos muito para chegar nao deu para ir ate o livro =[ ... Mas o visual ja compensa e mtooooo ... sem neblina deve ser ainda melhor ... Trecho de corda ... Ta chegnado ;] Cume \o/ Depois foi so descer ... fizemos a trilha no escuro sem lanterna, mas o guia conhecia como a palma da mão dele então deu tdo certo ... Se estivessemos acampando no Abrigo ia ser linda a noite ... pois o ceu estava mto estrelado ... massss nao foi dessa vez =[ ... Então bora pra proxima ... OBS: - Ficar em itatiaia e mais comodo por ter uma infra estrutura melhor ... e poder ir a penedo curtir a noite, mas cada vez que vc vai sair e entrar na cidade sentido são paulo se paga um pedagio de R$ 10,00 isso doi no coração e na alma ... - Segue arquivos do GPS ... Pico dos Agulhas Negras _ Prateleiras - Itatiaia.gdb
  8. Eu nem lembro direito quando foi a última vez que fiz um relato e larguei aqui... acho que até sei... foi um relato que eu fiz quando fiz a trilha em Salkantay, mas eu voltei pro Brasil querendo voltar e acho que acabei fazendo o relato por "osmose". Mas eu acho que faz teeeeeempo que senti esse "ziriguidum" louco dentro do meu peito! Sabe aquela agitação toda que você não se aguenta consigo mesmo? Voltei pra casa feliz da vida! Cheguei no trabalho gritando feito uma louca em plena segunda-feira "BOM DIA PESSOAS!!! EU TÔ VIVA!!!" e agora tô aqui... enquanto não "vomitar" toda essa explosão de sentimentos, acho que não vou conseguir voltar pro meu estado normal. Eu não sou muito boa para passar informações técnicas, até por que existem outros relatos aqui com essas informações. Acho que a minha intenção é mostrar que existe muita coisa além da nossa zona de conforto. muita coisa além da rotina casa-trabalho ... enfim... acho que a minha intenção é fazer com que outras pessoas se encantem pelo Parque Itatiaia assim como eu me encantei! Eu já falei um zilhão de vezes isso aqui e quem acompanha os meus insanos relatos já tá mais que acostumado... sempre uso o mochileiros.com como o meu "queridinho" para tirar dúvidas sobre os roteiros que fico bolando... e quando volto... gosto de contar as atrapalhadas pra todo mundo dar risada! Como desgraça pouca é bobagem... SENTA QUE LÁ VEM HISTÓRIA! haha Minha primeira viagem sozinha foi pra Chapada Diamantina. Lá eu conheci a Pamela! Trocamos face e nos falávamos com frequência, mas nunca mais conseguimos fazer uma trilha juntas. chapada-diamantina-primeira-viagem-sozinha-com-mala-de-rodinhas-e-levando-maquiagem-na-bagagem-t79207.html em uma das minhas "andanças pelo facebook" comecei a trocar ideia sobre trilhas e equipamentos com um cara e comecei a acompanhar os videos dele... achei bacana e tal. dai eu descobri que ele era namorado da Pamela! Pronto! Já conclui na hora : ela é legal! ele tb deve ser! Marcamos de ir pra Agulhas Negras! Sonho de qq maluco, né?! Não queríamos contratar guia. conseguimos equipamentos emprestados pq já tinham me avisado que existe "um cume falso" e o "cume verdadeiro" onde fica instalado o livro. Nunca usei equipamento de rapel. mas eu tinha a certeza que não era nada mega impossível. Só prender as cordas no lugar certo e tava tudo lindo! SÓ QUE NÃO! kkk Bom... consegui fazer as reservas pro camping do abrigo rebouças nesse link. Fiz com 1 mês de antecêdencia! Ficamos a semana inteira acompanhando a previsão do tempo... Fiquei um tempão xavecando São Pedro pra ver se ele colaborava! O FDS foi incrível! Pedrão merece até um beijo na boca http://www.icmbio.gov.br/parnaitatiaia/reservas.html Mochila prontinha... era só cair na farra! feriado do dia das crianças no parque Itatiaia! Chegamos no parque por volta das 7h da matina no sabado. Tivemos uma desistência e paguei a multa equivalente ao valor da estadia de uma pessoa fora o ingresso. Isso tem tudo detalhadinho no site. eu não vou ficar entrando muito em detalhes pq eu mesma me perco na minha própria explicação! Decidimos fazer couto e prateleiras no sabado (dia 12/10) dia e agulhas no domingo (13/10). Perna pra que te querooooooooooooooooo Posso falar? A vista do Couto é incrível e a subida é mamão com açúcar! Dizem que o Couto é o 9º pico mais alto do Brasil. Charmoso a beça! eu fiquei apaixonada! Depois de barrinhas e sessão fotos... hora de descer a pirambeira, né?! daí você olha essa foto e pensa "por favor... defina mamão com açúcar!" Passeio sussa!!! De meio dia!!! vale a pena e super recomendo!!! Seguimos para prateleiras! Bom... aqui começa a minha saga! Prateleiras é lindo! Uma graça! Um charme! Encantador!!!! Ela lá e eu aqui! hauahauhauhauahauhauahauhauhauhauah Eu tenho um amigo que diz "quando a Montanha chama, você tem que ir!" Na boa? Eu não ouvi a Imponente Prateleiras me chamar! Fui de bedelhuda! Eu queria muito subir Agulhas, Couto e Sino. Pico do Sino ficava inviável pra gente... muito distante e como Couto era passeio de meio dia, topamos ir pra prateleiras. Mas eu não ouvi em nenhum momento o som da Montanha me chamar. Subimos! Subimos! Subimos! Era pedra que não acabava mais! Um frio que me matava! odeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeio frio! que fiquei bem claro! kkk Dai você começa a olhar pra um lado e não tem nem ideia de como "montar" naquele amontoado de pedras! Olha pra outro e só pensa no giro do macgyver. Cara! nunca apanhei tanto! ou talvez já tenha apanhado o suficiente pra esquecer de tudo! kkk Imagina a seguinte situação.... você precisa passar pro cima de uma pedra grande... beeeeeem grande e seu pé não alcança. Você meio que dá um pulinho e não alcança e volta pra dar impulso. Você olha pra baixo e vê um vão enorme. Um monte de pedras ... uma em cima da outra... TRAVEI! Meu irmão.... posso falar? acho que mais um pouquinho eu me borrava ali mesmo! meu olho encheu d´agua! Dai eu falei que não queria continuar. Não sei... não queria, parei e comecei a chorar! Dali mais uns pouquinho eu pensei "poxa! todo mundo vai e a vista de lá de cima deve ser incrível". A Pamela voltou, me buscou. O Samuel me ajudou a descer da tal pedra que eu tava empacada e grudada feito mula e continuamos. Eles já tinham ido até o cume umas duas vezes. Mas em um determinado trecho "nos perdemos". Não estávamos sozinhos lá... tinha uma galera escalando. Eu olhava pra cima.. naquele paredão que não via fim e de repente a pessoa sumia no meio das nuvens. Cara! quase me borrei - parte 2! hauahauhauahauhaauhauahuahauh Samu pediu pra gente esperar um pouquinho pra tentar achar o acesso. eu e a Pamela ficamos um tempinho lá batendo papo e eu .. me acalmando...kkk Uma outra pessoa que tava lá escalando com o grupo ajudou a encontrar o acesso e seguimos. Cruzamos o caminho com outros grupos que estavam voltando, batemos papo... aquela coisa de sempre que todo mundo que se enfia nessas roubadas tá mais que acostumado...kkk Continuamos a subir! Subir! Subir! na boa... não sei o que aconteceu comigo... eu olhava pra um lado e via um monte de pedras gigantes amontoadas. Eu não tinha nem coragem de tirar foto. Eu só ficava pensando como aquelas pedras tinham parado lá "Desmoronamento. é óbvio" Daí meu brilhante raciocínio chegou a uma não tão brilhante conclusão: "se desmoronou uma vez, pode desmoronar novamente!" grudei na pedra e chorei! chorei! chorei! "Deus!!!! nunca matei! Nunca roubei! sou muito nova pra morrer!!!" O bagulho ficou tenso pro meu lado! Dai eu acalmava e subia! faltando 100 metros para atingir o cume (detalhe importante... parece que lá em cima tem um trecho chamado de pulo do gato e precisa de equipo de rapel) eu comecei a ficar nervosa! Faltou ar! sentei! e tremia mais que vara verde! Dai o Samuel e a Pamela decidiram voltar pq viram que eu tava com medo de verdade... até então... eu não tinha dado conta que estava assustada com tudo aquilo! Na minha cabeça eu só estava impressionada... atolada com um monte de problemas pessoais e só tava precisando relaxar, descansar! Tava achando um pouco de frescura e que logo, logo tudo aquilo ia passar! Daí o Samu falou "Carol! A montanha estará aqui pra sempre. E você só tem uma chance com a sua vida! Você não tá legal... você tá com medo! Depois quando vocÊ pegar mais confiança a gente volta!" E descemos... ai gente... fiquei me sentindo uma frouxa, sabe?! A 100 metros do cume e eu desço? Mas o Samu veio conversando de boa comigo "não é competição... você não é melhor ou pior que ninguém! você não precisa provar absolutamente nada! A gente só tá aqui pra curtir!" Fiquei frustrada, mas quando comecei a descer senti um alivio que vocês não tem ideia! Pegamos o caminho da roça e voltamos pro camping! Ah! posso falar? Aquela história que pra descer todo santo ajuda... BALELA! maior mentira do mundo! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Armamos a barraca correndo pq tava quase na hora de anoitecer. no camping não tem iluminação, mas tem a área de banheiro + cozinha! Bem bacana e dá pra descartar o lixo lá também! jantar? CACHORRO QUENTE DE SOJA!!!! Eu e a Pamela somos vegetarianas... mas o Samu não reclamou! hauahauhauhauahauhauahauhauhauahauha aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!! eu já ia me esquecendo!!!!!!! tenho que contar..... rasguei minha calça toda! hauahauhauhauahauhauahauhauahuah Eu sentava na pedra pra poder apoiar e descer, né?! Gente... não deu outra! só comecei a sentir um ventinho! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Lembrei agora pq ia comentar... um frio do Mal! frio mesmo! frio a beça, sabe?! Chegou a negativo no camping.... daí antes de dormir... tava lá com todas as roupas do mundo, enrolada no saco de dormir e costurando as calças! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk Então minha gente... dica preciosa que aprendi com uma amiga querida (que AINDA não conheço pessoalmente): kit reparo (linha, agulha e silver tape) de repente eu só escuto o Samu falando : "Cara! olha o tamanho desse rato?! Ele tá aqui olhando pra mim e não vai embora!" kkkkkkkkkkkkkkkkkk bom... depois do rato, depois da calça costurada igual a minha cara, depois do susto.. dormi feito uma criança... SÓ QUE NÃOOOOOO! que frio era aquele???? eu tava com muita roupa! nem conseguia me mexer direito. tava com um coberto ainda e um saco de dormir bom e mesmo assim o frio não me deixava em paz! de manhã acordei com a claridade! o solzinho gostoso tava invadindooooo a minha barraca. mas ainda não tava esquentando...kkk mas mesmo assim... eu tava tão feliz por ver o solzinho!kkk Deixamos tudo bem arrumadinho no carro e partimos para o "ataque" Posso falar? Essa trilha é pra gente grande! Agulhas Negras chega a ser apavorante em alguns trechos, mas eu tava bem mais tranquila que Prateleiras. Claro que a Pamela e o Samuel estavam de olho em mim a todo tempo pq eles devem ter percebido que tenho um certo "medinho de altura", mas até então... a minha ficha não tinha caído. Usamos a corda que o Samu tava carregando pra subir um trechinho "canaleta" que não dava aderência alguma...kkk E em seguida esperamos o Samu guardar a corda para continuarmos. Quando eu vi o que estava esperando a gente, comecei a suar frio de novo! Naquele momento eu tinha percebido que tinha muito medo de altura! Imagina a cena: Do meu lado direito um imenso paredão. Do meu lado esquerdo uma pedra bem baixa e bem ingrime (acho que se eu rolasse ali, não morreria, mas daria um certo trabalho...kkk) dai no meio do caminho uma fenda de aproximadamente um metro. Só que você tem que passar essa fenda em pé pq do outro lado entre o tal paredão e a tal pedra baixa tem um vão de aproximadamente uns 15 metros. Samuel com toda paciência do mundo estendeu a mão e falou "vem Carol! Tamo juntos! Vai ser tranquilo!" Ai gente... só de lembrar meu olho enche d´agua de novo! kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk passinho por passinho! Samuel falava pra eu não olhar pra baixo. Dai a Pamela já começava a rir : "se ela não olhar pra baixo, como ela vai saber onde tem que pisar!" Ai eu não sabia se ria ou se chorava! Meu coração acelerou! Comecei a suar frio! Meu olho encheu d´agua e fui andando de ladinho... passinho por passinho! Respiração completamente ofegante! Quando consegui atravessar o tal trechinho cabuloso, sentei no chão e fiquei.... fiquei... fiquei.... Voltamos pra trilha... subimos... subimos... subimos... era pedra que não acabava mais! E depois de todo o sacrifício.... O tão desejado PICO DAS AGULHAS NEGRAS!!! ebaaa!!! Estávamos tãooooooo felizes!!!!!!! tão felizes!!!! tão felizes!!!! que nem cabia na cara o sorriso de tão largo! Mas daí a gente começou a caminhar (o que é bem difícil) lá em cima e percebemos que o livro estava no outro cume! Nossa! Naquele momento tudo fez sentido! Lembra que eu tinha falado que o meu amigo tinha me avisado? Tinha o tal "cume falso" e o "cume verdadeiro" onde o livro estava instalado? Na hora o sorrisão largo sumiu da minha fuça! kkk Quando eu olhei o tamanho da fenda, vi o trecho que precisaria ser percorrido com o equipamento de rapel, falei "Aqui é meu limite! Se vocês quiserem ir até lá pra assinar.. eu fico aqui esperando bonitinha! Mas eu não arredo o pé daqui!" kkk A Pâmela também não tava muito confortável com a ideia de ir até o outro cume. Samuel olhou, olhou e disse que tava tranquilo até ali! hahahahaha Sinceramente... eu não sei se eles queriam ir até lá. Claro que eu queria, né?! Mas os cumes tem aproximadamente 1 ou 2 metros de diferença de altura! Eu precisei infelizmente reconhecer minhas limitações e entender que morro de medo de altura pra não colocar em risco a minha vida! mas posso falar? Me senti vitoriosa quando cheguei lá em cima! Olhei pra baixo... fiquei admirando tudo que estava ao redor! Eu acho que posso ficar falando aqui durante dias.... mas eu não vou conseguir explicar o "ziriguidum" louco que bate dentro da gente! Eu tava tão feliz... tão contente com tudo o que estava vendo... tava me sentindo plena! realizada! Eu só gritava.. agradecia a Deus mais uma vez por ter conseguido chegar no cume com segurança! Pamela e Samuel foram meus anjinhos da guarda! Sempre tenho "alguns deles" me ajudando, me estendendo a mão pra que eu nunca me esqueça que nunca chegaremos a lugar nenhum sozinhos! O dia tava lindo e irradiante... e a previsão do tempo tava dizendo que ia rolar nuvens durante o dia... bobagem! São Pedro foi parceirão e não nos deixou na mão! kkk Eu acho que não existe explicação lógica pra tentar entender pq subo ou desço montanhas... mas quando escuto o som delas chamando... apenas vou.... cantarolando .. feliz da vida... as vezes passando perrengue... as vezes sento pra chorar no caminho... mas sempre tenho um amigo no caminho pra me estender a mão, me levantar e me ajudar a continuar. Toda vez que eu chego lá em cima (não importa se é o 6 maior do Brasil ou uma pirambeira louca que tá no caminho) lembro do quão feliz sou por estar viva e poder aproveitar tudo isso! Toda vez eu lembro da importância de ser grata a tudo o que me acontece e principalmente.. me lembro o quanto é bom poder conquistar tudo isso ao lado dos meus amigos!!! Pamelita !!!! Samuuuu!!!! AMO VOCÊS!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Nem preciso falar que o caminho de volta pra casa nem foi tão facil assim, né?! Tô com a perna roxa até agora por causa de um tombo! mas tudo bem! eu tô feliz porque Agulhas me chamou e eu fui!!!!!!!! Esse pico (apesar de não ter conseguido assinar o livro) foi a minha vitória, sabe?! E essa eu vou dedicar ao meu sobrinho lindo que sempre me recebe com um sorriso lindo no rosto! Apesar de nem ter completado 3 anos é a pessoinha que mais me ensina que a vida é simples e não precisamos chorar por causa das pequenas bobagens! Se ele estivesse lá comigo, com certeza ele faria como sempre faz comigo.. me puxado e falado "Titia.. não chora! tá tudo bem!" rsrsrsrsrs Super recomendo Agulhas, viu gente! Mas só subam se ela chamar...rsrsrs Próxima parada? Ainda não sei, mas tô escutando o som do Pico da Bandeira me chamar!!!! beijão a todos!!! Carol Montoaneli https://www.facebook.com/CarolDeMochila
  9. Na real esse é um relato pessoal e subjetivo que provavelmente não ajudará ninguém, só vou contar minha experiência pra não esquecer, rs. Decidi essa viagem de última hora pois percebi que algumas folgas no trabalho, feriado prolongado e final de semana davam uma boa combinação para uma viagem curta. Após pesquisar os lugares próximos de SP capital, encontrei o Parque Nacional do Itatiaia- RJ na divisa com o estado de São Paulo. Decidi ficar apenas na parte baixa do parque, devido à minha dificuldade de mobilidade (sem carro), além de que as cachoeiras estão localizadas ali. Saí de casa umas 4h30 do dia 18 de junho para pegar um ônibus no terminal Tietê às 6h. Esse ônibus me levaria até Arujá, uma cidade próxima e ao lado da Rodovia Dutra. O motorista me deixou num posto de gasolina, aproximadamente 7h30 da manhã, e então começou a aventura... Eu já havia feito uma plaquinha com o escrito “RJ” no dia anterior, falei com alguns caminhoneiros no posto de gasolina porém nenhum iria para o Rio de Janeiro, por conseguinte, decidi ficar na beira da estrada com a bendita plaquinha. Andei um pouco e acredito que tenha se passado uns 15 minutos até eu alcançar uma Kombi que estava parada no acostamento, com o pisca ligado. Perguntei pra onde estavam indo, e o motorista disse que iria para Taubaté realizar alguns serviços de montagens. Pedi carona e consegui, ufa... XX, super gente boa, gritava pra caramba (rs), contou da filha e da sua aventura de ter saído do nordeste pra vir pra SP sem conhecer ninguém, sem lenço e sem documento. Devo ter chegado em Taubaté umas 9h30, e fiquei num ponto bem x da estrada, meio afastado da cidade. Empunhei a plaquinha e me preparei pra esperar a carona. Passado uns 2 minutos, um caminhão parou mais a frente, no acostamento. Fui correndo para que ele não desistisse da carona e subi de uma forma bem desajeitada! O nome desse carona é Adriano, faz esse trajeto todos os dias e vive no Rio (quando possível). Conversamos bastante no caminho, até paramos pra tomar um café e o Adriano pagou um pão-de-queijo pra mim. Ele me deixou em Itatiaia, em frente a uma passarela, umas 11h30. Agradeci e passei meu número, caso rolasse mais alguma carona (ele disse que me levaria pra Brasília pro Encontro de culturas da Chapada). Cruzei a passarela e andei umas 5 quadras rumo ao parque, até que eu consegui mais uma carona, na rua principal mesmo... O senhor que me deu carona trabalhava num hotel do parque e, após eu pagar a taxa de ingresso do parque, ele me deixou na entrada do camping. No momento em que eu estava descendo do carro dele e pondo minha mochila nas costas, um outro carro parou ao meu lado e uma senhora se ofereceu pra me levar até o camping Aldeia dos Pássaros, lá embaixo. Nossa, que descida do caramba! Aliás, um detalhe: aquele parque e só subida (e descida)! Que exercício para as pernas! Enfim, conversei com essa senhora, Eliana, no pequeno trajeto e ela me disse que tem uma propriedade lá, ao lado do camping, e me convidou para tomar um chá e conhecer o filho dela, já que ele conhecia as trilhas por ali e poderia ir comigo. Fui para o camping Aldeia dos Pássaros, montei minha barraca e fiquei um pouco no riacho atrás do local, li um pouco do meu livro e entrei na água. Aproximadamente umas 13h eu decidi tentar conhecer alguma cachoeira e aproveitar que o dia estava lindo. Subi, subi, subi e subi mais um pouco (devo ter andando uns 5 km) até conseguir uma carona com um casal até o museu. Lá era bem próximo do lago Azul e eu passei um tempinho por ali... Eu soube que um ônibus desceria pelo parque às 17h, porém decidi voltar mais cedo porque o tempo ficou meio fechado. Eu levei uns 40 minutos descendo do museu até o camping, tranquilo. Tomei banho, tive problemas com lagartixas, cozinhei algo pra comer e começou a chover, umas 18h. Depois disso, fui dormir... No dia seguinte, acordei bem cedo e fui para as cachoeiras mais distantes (Maromba, véu da Noiva e Itaporani). Consegui duas caronas pra subir e, chegando lá fiz amizade com um guardaparques chamado Alex, que tirou várias fotos minhas nas cachus. A água estava geladíssima, mas eu entrei no Véu da Noiva e na Itaporani. Itaporani véu da noiva Na volta, consegui uma carona com um pessoal que estava no camping tb, então foi bem fácil. No momento em que eu saí desse carro, um rapaz veio falar comigo: era o filho da Eliana, a senhora que me deu carona no acampamento, que disse que iriam me ajudar e me convidou pra fazer uma trilha ali perto. Neste dia mesmo, passamos um tempo conversando nas pedras do riacho, eu , ele (Giovanni) e uma amiga dele, Marcela. Depois, nada mais aconteceu, fui dormir bem cedo. Terceiro dia, 20 de junho, acordei cedo, fui para as pedras e encontrei o Giovanni por ali logo cedo, que me convidou para tomar um chá na casa dele. Colhemos as ervas para o chá e entramos para conversar com a mãe dele. Eliana foi uma grande dançarina e conhece quase o mundo todo, até conversamos um pouco em francês. Foi incrível! O dia estava bem feio e chuvoso, então Eliana me convidou para conhecer Penedo, a cidade mais próxima dali. Passamos um dia bem agradável, almoçamos num restaurante barato por ali, comprei um licor de pimenta (delícia!) e voltamos para o parque ao anoitecer... No dia 21, eu fui acordada pelo Giovanni, que bateu na minha barraca me convidando para tomar café na casa dele. Fui, logo em seguida nos preparamos pra fazer uma trilha secreta beirando o riacho. Acho que andamos por aproximadamente 40 minutos, até que decidimos parar numa pedra pra comer umas frutas. Ficamos lá por uns 15 minutos, até que surgiu uma galeeera! Levei um susto no primeiro momento, mas depois descobri que eram estudantes de engenharia florestal e estavam fazendo umas coletas na região para uns projetos no parque. Eles sentaram com a gente e comeram algumas coisas antes de cruzarem o rio. Eles realmente eram muito legais e combinamos de nos encontrar à noite para beber o meu licor de pimenta. À noite, Giovanni e eu fomos ao alojamento desse pessoal e passamos um tempo bem agradável por ali. Eles me convidaram para participar da coleta do dia seguinte e eu decidi adiar a minha partida por mais um dia, para poder participar dessa expedição. No dia seguinte, foram me buscar na entrada do camping 7h30, fomos ao alojamento e terminamos de organizar tudo para a trilha. Esse foi um dia muito interessante pois eu aprendi muita coisa sobre as plantas e as técnicas usadas na floresta. A galera subia em árvores de 20 metros, usávamos perneiras, cruzamos o rio várias vezes, etc. Foi realmente incrível! Nos despedimos à noite, quando o motorista da UFRRJ foi busca-los no alojamento e eu fui para o camping. Nessa noite eu tive medo à noite, pois eu era a única pessoa no camping e consegui queimar uma lâmpada que apagou todas as outras. Ou seja: sozinha, no escuro, na floresta, com barulhos estranhos. No dia seguinte eu fui embora, peguei o ônibus das 7h45, que me deixou na mesma passarela pela qual eu cheguei. Atravessei a passarela e fui a um posto de gasolina do lado do pedágio. Um caminhão parou, perguntei para onde o motorista ia... Ele respondeu que estava indo para o Paraná e passaria por São Paulo. Pedi uma carona, consegui! Seu nome era Donizete, muito firmeza também, me deixou na marginal Tietê e até saiu da rota por um momento para me deixar em segurança na calçada. Enfim, como eu escrevi antes, esse foi mais um relato pessoal e subjetivo que provavelmente não ajudará ninguém. Talvez o único proveito que se tira disso é o de que é possível viajar de carona, e que provavelmente assim se conhecerá pessoas incríveis. Muito eu ouvi para não fazer essa viagem, por ser mulher e sozinha nas estradas e na floresta, por isso espero que esse relato incentive as mulheres a viajarem sim, a se libertarem. Quando você abre sua janela para o mundo, ele mostra quão lindo é e quanta coisa boa há. Gratidão!
  10. Falae pessoal, tudo blz? Após me inscrever no site, e encontrar por aqui grandes parceiros de viagens, chegou minha vez de entrar pra turma dos relatos, começando pela travessia mais recente que fiz, agora na Páscoa (Serra Negra + Rui Braga juntas). Preparativos: Para que essa travessia seja bem sucedida, alguns pontos são essenciais. Vamos a eles: - Obter autorização prévia do PN de Itatiaia para realização das Travessias, através do site http://www4.icmbio.gov.br/parna_itatiaia/ - Obter informações com o PNI sobre as condições das trilhas e locais de acampamento; - Definir se a trilha será feita com ou sem guia; - Procurar seguir todo o cronograma definido, respeitando principalmente os horários; - Levar kit de primeiros socorros, mochilas cargueiras (para distribuição correta de peso), roupas de frio e alimentação leve; Nessa etapa, gostaria de deixar meu grande agradecimento ao Augusto, que me ajudou com todas as dicas possíveis sobre essas travessias, já que nos baseamos basicamente em seu relato (e no relato do Sandro também) para concluirmos as travessias. Como fizemos as travessias sem guia e sem GPS, nos baseamos nos relatos e mapas da região (levamos impressos para consulta). A viagem: Dia 1: Eu e Wagner saímos do RJ na quarta à noite (na companhia do meu amigo Washington, que teve a árdua missão de nos levar até Maromba e retornar com meu carro para o RJ – isso pq, como a Val e o Marcelo não encontraram mais passagens para Itatiaia ou Resende, e para chegar em Maromba via ônibus é bem complicado, vendi a minha passagem e do Wagner e optamos por “resgatar” a Val e o Marcelo em Cachoeira Paulista, e de lá seguir pra Maromba). Chegamos em Maromba às 04:30hs, e acampamos na Fazenda Santa Clara (R$ 15,00/dia), local de encontro com os outros companheiros que fariam a trilha (Marcelle, Emílio, Estela, Michelle e Eduardo). Dia 2: Acordamos e aguardamos a chegada do pessoal, o que atrasou um pouco o início da nossa caminhada, pois o carro do Emílio apresentou alguns problemas no trajeto até Maromba. Às 13:30hs iniciamos a caminhada, na pousada onde a mãe da Marcelle ficou hospedada, seguindo em direção a Cachoeira do Escorrega. Na bifurcação de subida da Cachoeira, seguimos à direita pela ponte, seguindo pela bifurcação da direita por um pequeno trecho de estrada de terra e uns 50 mts antes do término dela, que vai dar em uma casa, saímos à esquerda até cruzar uma cerca de arame e dali para frente foi só seguir morro acima. Após 30 minutos de subida, encontramos um ponto de água, o que só aconteceu novamente 3 horas depois (um ponto de água fora da trilha, indicado por uma placa). Após um longo percurso de subida, por mais 1:30hs, optamos por acampar em um grande descampado que encontramos, de frente a face norte da Serra Negra, já que pelo horário avançado que iniciamos a trilha não conseguiríamos chegar ao nosso destino pretendido para o primeiro dia, que eram as Cabanas do Aiuruoca. Montamos acampamento, fizemos o jantar com a água que tínhamos disponível e fomos descansar para o segundo dia, pois teríamos uma grande diferença para tirarmos no dia seguinte. Dia 3: Acordamos sendo brindados com um magnífico nascer do Sol, pois estávamos a uma altura bastante elevada do nível do mar, e o Sol foi nascendo por baixo das nuvens....visão espetacular!!! Logo desmontamos acampamento e seguimos viagem rumo as Cabanas. Após 30 minutos encontramos uma fonte de água, onde limpamos nossos utensílios, fizemos nosso café da manhã e nos reabastecemos para continuarmos a jornada. Após mais um trecho de subida (onde encontramos com o Felipe e um amigo, que fizeram a trilha no sentido do parque), e de termos seguido pela esquerda quando encontramos uma placa em uma bifurcação, chegamos à Ladeira da Misericórdia. Após descermos a Ladeira passamos por algumas cercas contornando o morro, até chegarmos a uma casa onde havia mais um ponto de água. Ao final da descida chegamos em uma estrada larga de terra, onde seguimos novamente à esquerda, em mais uma subida, rumo a Pousada do Sr. Rangel. Encontramos mais um ponto de água, próximo a uma casa de alvenaria, onde logo após fizemos uma pausa para descanso “forçado” devido a um grupo de bois que nos encarava no meio de nossa trilha... ãã2::'> Após contornarmos os bois seguimos pela estrada, que após uma entrada à direita no leva a Pousada do Sr. Rangel. Após mais uma pausa para descanso e bate-papo com o Sr. Rangel, seguimos viagem rumo as Cabanas do Aiuruoca, onde decidimos que passaríamos nossa segunda noite. Continuamos nossa subida, passamos por uma casa de madeira com um curral, onde deixamos parte dos alimentos em excesso que estávamos levando, para aliviar nosso peso, e no final da tarde finalmente chegamos as Cabanas do Aiuruoca, duas rústicas construções de madeira utilizadas pelos boiadeiros como abrigo quando na lida com o gado praqueles lados da serra, agora também é possível alugá-las ligando para o telefone (24)33871433. Montamos acampamento próximo às Cabanas, nos lavamos da maneira possível nas águas congelanteS da Cachoeira e fizemos o jantar felizes da vida por termos água em abundância dessa vez... Após o jantar ficamos proseando por um bom tempo na barraca gigante em que dormiram Estela, Michelle e Eduardo, e após isso fomos dormir para o terceiro dia de caminhada que nos aguardava. Dia 4: Acordamos, tomamos café e levantamos acampamento para o longo caminho que nos esperava, pois já era o quarto dia de viagem e ainda tínhamos a Rui Braga pela frente. Como nosso cronograma estava muito apertado, resolvemos seguir a dica que nos foi dada pelo Sr. Rangel e seguimos direto para a Pousada Alsene, ao invés de seguirmos a trilha original do PNI, que passa pela Invernada e segue rumo ao Abrigo Rebouças (com esse atalho, fizemos em meio dia o que levaríamos mais de um dia para fazer). Para seguirmos direto para o Alsene, tivemos que pegar uma trilha que se inicia do lado contrário do rio Aiuruoca onde estávamos, então começamos o dia passando por dentro das gélidas águas do Aiuruoca, em um local bem próximo as Cabanas, onde uma trilha a direita nos leva em direção ao Alsene (a trilha original segue próxima aos Apiários que se encontram próximos as Cabanas). Seguimos pela trilha, que se dividia em trechos de mata fechada e trechos de estrada aberta (sempre em subida) onde encontramos, após 2:30hs de caminhada um ponto de água (cheio de sanguessugas!!!) Por volta de meio-dia chegamos enfim a Pousada Alsene (fechada pelo IBAMA por contaminar os rios da região com esgoto), onde descansamos um pouco e decidimos se iríamos continuar a travessia até a parte baixa do PNI (Rui Braga). Após nossa pausa, seguimos rumo ao Posto Marcão, pela estrada que liga Itamonte ao Posto (estrada em péssimas condições para tráfego de veículos de passeio). Por volta das 14:00hs chegamos ao Posto Marcão, onde algumas pessoas resolveram não seguir a trilha, por falta de condições físicas (a Marcelle teve uma virose estomacal) ou equipamentos adequados(Estela, Mi e Edu). Nos despedimos de nossos companheiros e, às 14:40hs, devidamente autorizados, seguimos a difícil missão de fazermos a Rui Braga em um dia praticamente (nosso resgate nos esperaria em Itatiaia às 13:00hs do dia seguinte) eu, Wagner Marcelo e Val. Após uma hora de caminhada por uma estrada larga, que apresenta até alguns pedaços de asfalto, iniciamos oficialmente a travessia Rui Braga. O início da Rui Braga é bem marcado por totens (pedras menores colocadas em cima de pedras maiores, para indicar que estamos no caminho certo). Porém, ao decorrer da trilha, a vegetação se encontra bastante densa, a trilha está muito mal marcada e passamos por alguns percalços para conseguirmos chegar ao nosso objetivo do dia, que era o Abrigo Massena. Após nos perdermos um bocado em uma região onde havia um charco (onde a Val afundou até a altura da coxa), passarmos por uma mata fechada ao anoitecer, e por capim elefante que nos cobria completamente já na escuridão da noite, foi com grande alívio que avistamos o Abrigo, às 19:15hs, mas praticamente sem estoque de água. Montamos acampamento dentro do Abrigo, comemos o que foi possível sem água e fomos dormir para o último longo dia que teríamos pela frente. Dia 5: Acordamos bem cedo, e após avaliarmos o local à luz do dia, vimos que fizemos um caminho totalmente diferente do Augusto e do Sandro, pois não passamos (nem avistamos) as ruínas do posto meteorológico que eles relataram. Pelo menos nosso objetivo foi alcançado... Seguimos por uma trilha ao leste, em direção ao Abrigo Macieiras, que eram nosso caminho para a parte baixa do parque. Esse trecho apresenta uma trilha muito fechada, com charcos no início, depois mata bem fechada com taquaruçu e muitos espinhos pelo caminho, o que dificultou bastante esse último dia de trilha. Após alguns machucados e muitos rasgos na roupa, chegamos ao final da travessia às 14:30hs, onde Washington já nos aguardava para nosso resgate. Considerações Finais: - Seguir os relatos do Augusto e Sandro se mostrou uma boa opção, principalmente na Serra Negra, onde a trilha está em condições muito melhores que a Rui Braga, mas, ao nos basearmos no tempo que eles gastaram para concluir cada trecho da travessia nos equivocamos, e se não fosse pelo atalho sugerido pelo Sr. Rangel, dificilmente teríamos conseguido concluir a Rui Braga. - A Rui Braga, apesar de ter sido reaberta pelo PNI parece estar ainda abandonada, principalmente o trecho final, onde os espinhos tornam muito difícil a travessia. - O PNI agora cobra por acampamento também na travessia (R$ 6,00/noite).
  11. Oi pessoal. Abaixo segue o relato dessas 2 travessias. Por muitos anos qualquer travessia no PNI era proibida; muita gente fazia, mas sempre na surdina. Para muitos a Serra Negra era a única opção, já que não passava pelo interior do Parque Nacional e contornava ele pelo norte, mas em 2007 o PNI reabriu a Travessia Rui Braga que liga a parte alta à parte baixa e oficializou a Serra Negra, mas seguindo pelo trecho: Rebouças - Aiuruoca - Serra Negra - Mauá. E com isso, reles mortais como nós pudemos realizar travessias com autorização do Parque e com isso no mês de Julho marquei com o Sandro (do Fórum Mochileiros) fazermos as 2 travessias juntas e com quase 1 mês de antecedência solicitei ao PNI a Autorização para fazer a Rui Braga. Antes de chegar na Vila de Maromba, íamos subir a Pedra Selada. Fotos da Pedra Selada: Eu, a Márcia, a Sophia (nossa filha) e o Sandro seguiríamos de Sampa em direção à Visconde de Mauá e enquanto eu o Sandro iríamos sair de Maromba na caminhada em direção ao PNI pela travessia da Serra Negra e depois emendar com a Rui Braga, a Márcia e a Sophia iam ficar hospedadas em Maromba por 4 dias para depois nos pegar no final da travessia da Rui Braga, já na parte baixa do PNI. Nosso plano era chegar no Domingo, 11 de Julho em Maromba a tempo de ainda assistir a final da Copa do Mundo, mas como o técnico Dunga não ajudou, assistir Espanha x Holanda não estava nos planos. A prioridade agora era subir a Pedra Selada só para dar uma aquecida nos músculos. Por volta das 07:00 hrs saímos de Sampa e com algumas paradas pela estrada, chegamos em Visconde de Mauá pouco antes das 13:00 hrs e logo fomos procurar um lugar para comer. Saciados da fome, seguimos por uns 12 Km por uma estrada de terra, sentido leste em direção à base da Pedra Selada, margeando o Rio Preto e pouco depois das 14:00 hrs cruzamos o pequeno bairro de Campo Alegre e de lá já era possível avistar a Pedra Selada em todo o seu esplendor à frente. Chegamos pouco antes das 14h30min chegamos na bifurcação que leva à sede da Fazenda e aqui não tem como errar, pois existe até uma placa indicativa da Pedra Selada. Já na sede é cobrado uma taxa para se fazer a trilha e estacionar o carro. As 14h40min eu e o Sandro iniciamos a subida e por razões óbvias a Márcia e a Sophia ficaram na sede, já que o desnível é de mais de 700 metros e o total da trilha chega a uns 2,5 Km. Ao longo da subida a trilha segue um trecho de descampado para depois entrar na mata fechada e ao longo dela vamos encontrando algumas placas de cachoeiras e altitudes. Cruzamos com um riacho e passamos próximo dele várias vezes, sendo possível descansar em alguns bancos estrategicamente colocados em alguns mirantes. A trilha é bem demarcada e segue pelo lado direito da Pedra até atingir a crista e de lá o ataque até o topo por uma subida muito íngreme. Poucos metros antes do cume encontramos vestígios de acampamento na trilha, mas que não eram muito confortáveis e as 16:00 hrs alcançamos nosso objetivo. A altitude aqui é de 1755 metros e o visual é de 360º. A Pedra tem mesmo o formato de uma sela de cavalo por isso o nome que recebe. Estávamos de um dos lados do cume e pudemos perceber que no outro lado o acesso ao topo só é feito com equipamento de escalada. Existe aqui um livro de assinaturas onde deixamos as nossas também e as 16h40min iniciamos a descida. Ainda passamos por um abrigo semi-abandonado próximo da trilha, que vimos do topo. Ao chegarmos na sede ficamos um pouco mais de tempo, pois naquele momento estava acontecendo o jogo da final da Copa do Mundo e estava ainda em 0 x 0 e somente quando já estava escuro seguimos para a Pousada em Maromba. A estrada até lá é toda de terra e somente pequenos trechos são asfaltados, mas de péssima qualidade e depois de passarmos as Vilas de Visconde de Mauá e de Maringá chegamos na Praça da Igreja em Maromba por volta das 20:00 hrs. Ficamos em pousadas diferentes, mas em frente à Igreja Matriz de Maromba e depois de deixar as coisas nas pousadas fomos procurar algum restaurante que ainda estivesse aberto naquele Domingo. Pelo horário (por volta das 21:00 hrs) só fomos encontrar um restaurante funcionando próximo da Igreja e junto ao Rio Preto. A comida era boa e farta, mas o rio, que passava nos fundos do restaurante, exalava um cheiro de esgoto que incomodava quando chegávamos perto. Não era um Rio Tietê, mas parece que estão querendo chegar lá; uma pena. Depois do jantar marcamos de se encontrar no dia seguinte por volta das 08h30min em frente à Praça para seguirmos em direção ao início da trilha. Continua no 2º dia
  12. Fala Galera, iniciei este post, pois quero dividir com vocês minha ansiedade sobre a programação do final de semana. A parada é a seguinte: No dia 30 de junho eu e um grupo de amigos subiremos as PRATELEIRAS, desceremos e começaremos a caminha até o antigo abrigo Massenas. Acamparemos neste local e no dia 01 de julho continuaremos a nossa caminhada. Quando retornar posto fotos. Até lá.
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