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  1. Caminho da Fé – Pedra do Baú – Travessia da Serra Fina – Agulhas Negras e Prateleiras (PNI). Estou escrevendo este relato um ano depois que fiz esse passeio. Talvez eu esqueça alguma coisa. Eu estava precisando me desligar da vida que eu vinha levando. Estava precisando fazer o que eu mais gostava, caminhar bastante, travessias em trilhas, subir montanhas, me isolar do mundo “civilizado”. Tinha decidido que eu iria “largar tudo” e sair, sem saber até onde eu iria ou quando voltaria. Tinha uma grana guardada (cinco mil) e deveria ser suficiente para eu viver por pelo menos uns 3 meses. Falei com meu irmão que ele teria que se virar sozinho em nosso comércio. Falei com minha família que eu estava indo por não sei quanto tempo, mas que eu voltaria qualquer dia. Trabalhei até 31 de agosto, quase meia-noite. No dia 01 de setembro fui para um apartamento onde fiquei por 4 dias planejando lugares que queria conhecer, vendo preço de ônibus, tracklogs, etc. Na manhã de 4 de setembro parti para São Paulo e naquela noite para águas da Prata, onde minha jornada começaria. Como eu iria para vários lugares, diferentes um do outro, tive que levar muita coisa na mochila. Coisas que usaria em algum passeio, mas que seriam dispensáveis em outro. Ainda assim tentei levar o mínimo possível. Ítens que levei: - Mochila Osprey Kestrel 48 litros com Camel Back de 2 litros - Dois cantis de 900 ml. Um com caneca de alumínio. - Rede Amazon e tarp Amazon da Guepardo. - Saco de dormir Deuter 0º - 4 camisas dry fit - 2 blusas finas de fleece. - 2 calças quechua de secagem rápida - 6 cuecas - 3 pares de meia - 1 boné - 1 touca - 1 par de luvas (daquelas de pedreiro) - 1 par de sandálias Quechua - 1 par de botas La Sportiva - Kit Fogareiro + panela pequena - 2 isqueiros - 1 canivete - 1 colher plástica - 1 botija de gás Nautika pequena - GPS - Celular (para fotografias) - Caderneta e caneta - 1 Anorak - Corda e cordelete - Bolsa de nylon (para transportar a mochila no ônibus) Caminho da Fé. Águas da Prata até Aparecida. Caminho da Fé – 1º dia. 30Km 05-09-2018 Águas da Prata (SP) até Andradas (MG). Início 05:15 horas e chegada 12:55 horas Almoço : Pavilhão hamburgueria Jantar: bolachas e sanduba no hotel. Pernoite: Palace Hotel. Seguindo o conselho de um cara que desceu comigo e iria fazer o caminho de bike eu iniciei cedo para evitar o sol. Só que por esse motivo fui sem comida. Só comi uns pedacinhos de rapadura que ele me deu e uma banana que ganhei de um ciclista. Pelo longo tempo inativo, eu senti um pouco o peso dos 17Kg que estava levando na mochila. Caminho da Fé – 2º dia. 36 Km 06-09-2018. Andradas (MG) até Crisólia (MG). Partida às 08:00 horas e chegada às 17:40 horas. Almoço: salgadinho no Bar Constantino, comunidade da Barra. Jantar: miojo num banco ao lado da rede. Pernoite: rede Subidas cavernosas. Serra dos Lima, Barra, Taguá e Crisólia. Cheguei tarde, fui numa pousada carimbar a credencial e depois procurei duas árvores para esticar a rede, fazer o rango e dormir. Nesse dia não teve banho. Caminho da Fé – 3º dia. 38 Km 07-09-2018 Crisólia (MG) até Borda da Mata(MG). Partida às 07:30 e chegada às 18:00 horas. Almoço: pastel no Bar do Maurão em Inconfidentes Jantar: x-salada em lanchonete perto do hotel. Pernoite: Hotel Virgínia. Feriado da Independência. Fui acordado às 6 da manhã com queima de fogos e hinos. Passagem por Ouro Fino e Inconfidentes. Desfile cívico em todas as cidades. No hotel em borda da mata conheci um casal de cicloturistas que estava com um carro de apoio. Consegui que levassem um pouco das minhas coisas até Estiva. Foram 6 Kg a menos para carregar. Caminho da Fé – 4º dia. 17,5 Km. 08-09-2018. Borda da Mata(MG) até Tocos do Mogi (MG). Início às 08:00 horas e chegada às 12:40 horas. Almoço: um pouco de morangos colhidos no caminho. Jantar: Lanche na festa da padroeira. Pernoite: Pousada do Zé Dito. (muito boa e barata) Dia mais curto. A pousada ficava no calçadão principal, onde estava acontecendo a festa da padroeira. Estava difícil dormir. O jeito foi sair para a festa e tomar umas, apesar do frio que fazia de noite. Caminho da Fé – 5º dia. 21,5 Km 09-09-2018 Tocos do Mogi (MG) até Estiva (MG). Início às 09:00 horas e chegada às 14:20 horas. Almoço: moranguinhos (quase 1 Kg) e queijo fresco com caldo de cana. Jantar: Restaurante perto da pousada. Pernoite: Pousada Poka. Trecho muito bonito. Muitas plantações de morango. Muitos pássaros. Na pousada eu recuperei minhas coisas que haviam sido deixadas ali e já consegui ajeitar um novo transporte delas até Potim, já pertinho de Aparecida. Caminho da Fé – 6º dia. 20 Km 10-09-2018 Estiva (MG) até Consolação (MG). Partida às 07:30 e chegada às 12:45 horas. Almoço, jantar e pernoite: Pousada Casarão Destaques deste dia. Cervejinha gelada num bar onde um piá gordinho queria tirar uma selfie comigo. E também queria meu bastão de selfie de qualquer jeito. Também destaque para o canto da seriema, triste e ao mesmo tempo bonito, que se fez presente muitas vezes. Também tem a subida da serra do Caçador, cavernosa. Além disso, nesse trajeto é comum vermos carros de boi e também “canteiros”onde os agricultores esparramam o polvilho para secar. Caminho da Fé - 7ºdia. 22,5 Km 11-09-2018. Consolação (MG) até Paraisópolis (MG). Início às 07:00 e chegada às 12:30 horas. Almoço: Restaurante Sabor de Minas. Muito bom e barato. Comi pra danar. Janta: coxinha na praça. Pernoite: Hotel Central Foi um dia especialmente marcado pela presença dos pássaros ao longo do caminho, canários, sabiás, pássaros pretos, coleirinhas, gralhas, joões-de-barro, tucanos, maritacas. E aves maiores, como gaviões, seriemas e garças brancas. Também vale destacar a grande quantidade de flores, principalmente nos portões das casas dos sítios. Caminho da Fé – 8º dia. 28,5 Km. 12-09-2018 Paraisópolis (MG) até A pousada da Dona Inês, que fica 4 Km depois do distrito de Luminosa, município de Brazópolis. Início às 07:55 e chegada às 15:15 horas. Almoço: Salgadinho e coca numa mercearia em Brazópolis. Jantar e Pernoite: Pousada da Dona Inês. Foi o dia mais quente desde o início do caminho. Era meu aniversário de 52 anos e ficou marcado porque depois do jantar na Pousada, uma amiga de caminho, a Fabiana, puxou um parabéns a você, junto com as outras cerca de 20 pessoas que estavam ali. Fiquei bem emocionado. Caminho da Fé – 9º dia. 33 Km 13-09-2018 Pousada Dona Inês (Luminosa-MG) até Campos do Jordão (SP). Início às 05:45 e chegada às 18:45 horas. Almoço: Restaurante Araucária. Fica perto da placa que indica a entrada para a pousada da Dona Rose e da madeireira Marmelo. Comida muito boa. Jantar: Caldo de Mandioca com carne. NIX Caldos e lanches. Pernoite: Refúgio dos Peregrinos Na verdade, a quilometragem total desse dia foi de 51 Km porque no meio do caminho decidi que iria subir a Pedra do Baú. Isso me custou várias horas e me fez chegar em Campos do Jordão já de noite. Mas valeu muito a pena. O dia amanheceu lindo. Logo de cara a temida subida da Luminosa, mas que não é nada de tão difícil. Depois é asfalto até o fim do dia. A pousada Refúgio dos Peregrinos é bem diferente. Tem uma tabela de preços na parede. Você anota o que consumiu, faz as contas, paga e faz o troco. Tudo na base da confiança. Caminho da Fé - 10º dia. 52 Km 14-09-2018 Campos do Jordão(SP) até Pindamonhangaba(SP). Início às 06:00 horas e chegada às 17:45 horas. Almoço: Sanduíche em Piracuama. Jantar e pernoite: Pousada Chácara Dois Leões. Nesse dia todos os que estavam no refúgio dos peregrinos foram por Guaratinguetá, menos eu que fui por Pindamonhangaba. Descida pela linha do trem até próximo a Piracuama, com uma garoa fininha que de vez em quando virava um chuvisco. De tarde foi só asfalto e chuva. Cheguei na pousada já escurecendo. Foi o dia mais cansativo, pela quilometragem, pela chuva e principalmente pelo asfalto. Caminho da Fé - 11º dia. 24 Km. 15-09-2018. Pindamonhangaba(SP) até Aparecida(SP). Início às 09:00 horas e chegada às 15:15 horas. Almoço: Pesqueiro Potim. Comida muito boa. Comi feito um louco. Aqui eu recuperei o restante de minhas coisas que tinham vindo no carro de apoio de amigos. Pernoite: Hotel em Aparecida. Esse era o último dia no caminho. Um misto de ansiedade por chegar e de nostalgia antecipada das experiências vividas e das paisagens do caminho. A chegada na basílica é emocionante, não importa em que você acredita, ou se acredita em algo. Fica a saudade dos lugares. Dos amigos. Dos passarinhos. Fiquei em Aparecida até segunda-feira, quando fui ao correio e despachei para casa algumas lembrancinhas que tinha comprado e coisas que tinha levado e que vi que não ia usar. A calça jeans e a camisa de passeio. Umas cordas. Um dos fleeces e a bolsa de transporte. A Vida e o Caminho da Fé. Durante esse derradeiro dia de caminhada me veio à mente uma analogia entre a vida e o “caminho da fé”. O caminho da fé cada um começa de onde quiser, mas todos com o mesmo destino. No caminho o destino é a basílica de Aparecida, na vida a gente sabe o destino. No caminho as pessoas vão chegando, amizades vão sendo feitas. Uns mais lentos outros mais apressados. Uns madrugadores outros nem tanto. Uns alegres e comunicativos, outros mais quietos e introspectivos. Muitos de bike, passam pela gente voando, só dá tempo para um “bom dia”. Assim também é a vida e os amigos que vamos fazendo. Uns continuam por perto, outros se distanciam, mas continuam amigos No caminho não importa sua classe social, sua cor, opção sexual, grau de instrução ou idade. O destino é o mesmo para todos. Assim também é na vida. No caminho a jornada é longa, alguns dias são mais difíceis, parecendo que não vão terminar. Outros passam leves e agradáveis, a gente nem queria que terminassem. Igualzinho a nossa vida Temos que superar o cansaço, as bolhas, os pés inchados, joelhos e tornozelos doendo, a mochila pesada que nos deixa com os ombros marcados. Enfrentar as subidas, as descidas, os buracos, as pedras, a fome e a sede em alguns momentos. Por mais difíceis que sejam esses obstáculos, eles são superados. Ficam para trás. Igualzinho na vida. O caminho também nos oferece muitas coisas boas. Simples, mas inesquecíveis. Os pássaros cantando ao lado da estrada. A beleza e o perfume das flores. Os riachos que nos permitem um banho refrescante depois de uma subida cansativa. As conversas com os amigos. O pôr do sol por trás das montanhas. A janta e a cama quente que nos restabelecem para o dia seguinte. O nascer do sol de um novo dia, nos lembrando que sempre nos é dada uma nova chance de sermos felizes. Assim também acontece na nossa vida. Seja no caminho da fé, ou na vida, o destino a gente sabe qual é. O importante é deixar para trás o que para trás ficou. E aproveitar ao máximo a jornada. Pedra do Baú. Eu sempre gosto de planejar meus passeios, travessias. Mas sobre a Pedra do Baú eu não sabia nada. Só de ouvir falar, de ler alguma coisa de relance. Mesmo assim era uma coisa que eu tinha vontade de fazer algum dia, se desse certo. Era o dia 13-09-2018, meu nono dia no caminho da Fé. Era de manhã e eu caminhava pela rodovia, junto com um peregrino de nome Donizete, que eu conhecera na pousada da Dona Inez. Passamos por uma placa que indicava a entrada para o Parque Estadual da Pedra do Baú. Eu falei para ele: - Donizete, vai em frente que eu vou subir a Pedra do Baú. Ele disse: - Cara, isso vai demorar. Você só vai chegar em Campos do Jordão de noite. Isso se der tudo certo. Daí eu disse:- Tem que ser hoje. Não sei se vou ter outra chance. Quem sabe eu nunca mais passe por aqui. Me despedi dele e entrei na estradinha que levava ao parque. Escondi minha mochila e fui só de ataque, levando água, uma rapadura, uma paçoca, o GPS e o celular para tirar as fotografias. Depois de uns 4 Km cheguei onde começavam as trilhas e entrei na que indicava Pedra do Baú, face norte. Passei por uns caras que eram guias e estavam levando equipamentos de escalada. Depois de um tempo cheguei num local que tinha uma escada amarela grande, fixada na parede de pedra. Não pensei duas vezes. Subi aquela escada e depois continuei uma escalaminhada, com misto de escalada em alguns pontos, até que já estava bem alto e não tinha mais para onde subir. Estava pensando até em desistir e voltar embora, quando avistei uns caras no cume de um morro que eu julguei ser o Baú, mas acho que era o Bauzinho. Gritei para eles e eles responderam de volta. Perguntei como chegava na Pedra do Baú e eles me disseram para descer de novo e seguir mais em frente. Desci e estava chegando ao ponto em que tinha começado a subida quando vi eles vindo. Esperei por eles. Conversamos por um tempo e eles me deram as informações sobre como chegar até onde a subida começava realmente. Segui em frente pela trilha e pouco depois eu chegava na base da Pedra do Baú, onde um guia estava terminando os preparativos para iniciar a subida com um casal de clientes. Capacetes, corda, mosquetões, etc. Eu estava ali de bermuda, boné e botina. Eu vi aquela parede enorme e aquela sequência de grampos na pedra que eu não sabia onde terminaria. Pensei: - vou esperar ele começar a subida e assim pego uma carona. Se o negócio apertar eu peço arrego para ele. Foi quando ele virou pra mim e perguntou: - Vai subir? Falei que sim e ele disse:- Pode ir na frente então. A gente ainda vai demorar uns minutos. Eu pensei:- já era minha carona. Era uma parede de pedra quase vertical e muito exposta, que devia ter mais de 300 metros de altura. O jeito foi encher o peito de ar, mirar para cima e começar a subida. Subi meio que com medo no começo, mas também com muita confiança Parei algumas vezes no meio para tirar fotos. Passei por mais dois guias com clientes antes de chegar ao cume. Um deles foi bem legal e me deu umas dicas sobre o percurso que faltava. Muitos trechos com vento forte e eu pensava: - se eu parar agora eu travo. E ia em frente. Os últimos grampos, quando se está chegando no cume são especialmente complicados, porque você tem que abandonar a “segurança” que os grampos te dão para poder chegar no cume. Mas depois de uns 20 minutos de subida, lá estava eu no cume da Pedra do Baú. Foi um momento mágico. Bem mais do que eu esperava. O visual era incrível. Tirei foto de tudo que é jeito. Deitado sobre a beira do abismo, em pé, etc. Aqui vou abrir um parênteses. Apesar de estar no caminho da Fé, um caminho católico, onde se passa por muitas igrejas, as únicas vezes na vida que eu senti realmente uma presença muito forte, do que alguns podem chamar de Deus, foi quando estive no cume de alguma montanha ou embaixo de uma cachoeira. Nunca em uma igreja. Deixei de frequentá-las faz muito tempo. Me lembro de ter me encontrado com “Deus”, no cume do Alcobaça (2013), em Petrópolis. Embaixo da cachoeira do Tabuleiro, literalmente, em 2013 (e agora em 2019 de novo). Nos Portais de Hércules, Travessia Petro-Tere, em 2014. No cume do Pico Paraná em 2015 (não encontrei quando retornei em 2017). Na base das Torres e no Mirante Francês, no Parque Nacional Torres del Paine, em 2016. E agora, na Pedra do Baú. É uma sensação difícil de explicar. É como se você se sentisse realmente parte de um todo, de uma coisa muito maior. Se sentisse nada e tudo ao mesmo tempo. Uma paz muito grande torna conta da gente. E em todas essas vezes eu senti a presença do meu pai, já falecido. Restava agora a descida, que metia mais medo que a subida. Principalmente os primeiros grampos, onde tinha que se virar de costas para o abismo para alcançar os grampos. A Mesmo assim a descida foi rápida e durou cerca de 15 minutos. Cheguei na base e peguei o caminho de volta pela trilha. Pouco tempo depois quase pisei em uma jararaca de cerca de um metro de comprimento. Ela estava junto a uma pedra onde eu iria colocar meu pé. Ela se mexeu e eu a vi. Consegui dar um pulinho e evitei pisar nela. Foi por muito pouco. Segui rápido pela trilha e tempo depois eu já estava de volta à rodovia, rumo a Campos do Jordão. A Pedra do Baú foi muito gratificante. Mais do que eu esperava. Mais do que eu merecia. Serra Fina. Fiquei em Aparecida até na segunda-feira, 17-09-2018 e daí fui para Passa Quatro (MG), onde cheguei já escuro na rodoviária local. Peguei um ônibus circular e fui para o hostel Serra Fina, do Felipe, onde fiquei até na sexta-feira quando comecei a travessia. Choveu na terça, quarta e quinta, mas na sexta a previsão era de tempo limpo que duraria tempo mais que suficiente para a travessia e por isso decidi esperar e aproveitar para descansar e ler. Mesmo assim fui até a toca do lobo, pra passear e conhecer o Ingazeiro gigante. Também fui conhecer o centro da cidade. A região estava em alvoroço. Dois rapazes cariocas estavam perdidos em algum ponto da travessia e vários bombeiros, guias e montanhistas estavam à procura deles. Por sorte conseguiram um ponto onde tinha sinal de celular e conseguiram passar a localização e foram resgatados. Se bem que já estavam próximos de uma propriedade rural. Passa Quatro é uma cidadezinha linda e é um lugar onde eu moraria tranquilamente. O Hostel Serra Fina também é muito bom e o Felipe é um cara nota dez. Eu me senti em casa. Todas as travessias que eu faço eu vou sozinho. Não que não goste de pessoas. É que eu gosto de ir no meu rítmo. Gosto de ficar sozinho. Andar sozinho. Pensar na vida, etc. A intenção era fazer essa travessia também de modo solitário. Mas na quinta-feira de noite chegou ao hostel uma gaúcha baixinha, menor que eu até, que iria começar a travessia na sexta também, então decidimos começar juntos. A mochila dela era enorme e certamente tinha coisa que não precisava. Começamos o primeiro dia da travessia, 21-09-2018, uma sexta-feira, mais tarde do que eu queria. Saímos da toca do lobo já era meio-dia. Logo no começo da travessia, primeira subida, eu percebi que ela iria me atrasar, mas já que estávamos juntos, seguiríamos juntos. Foi quando ele me disse:- Vai na frente, você anda mais rápido. Eu disse que não, mas ela insistiu. Disse que ficaria bem. Eu então dei um até logo e disse que a reencontraria no Capim Amarelo..A subida é intensa e o ganho de altitude é rápido. Talvez pelo “treino” feito no Caminho da Fé eu não senti muito e passei por mais gente no caminho. Primeiro por 3 mineiros (que depois se tornariam grandes amigos) e depois por outros dois caras que pareciam ser militares. Cheguei ao cume do Capim Amarelo eram 15:15 horas. Praticamente 3 horas só de subida. Montei minha “barraca”, que era na verdade a minha rede estendida sob a lona que tinha sido disposta como se fosse uma barraca canadense. Fiz um rango e fiquei apreciando a paisagem. Como sabia da falta de água eu decidi que não levaria comida que precisasse de água no preparo, então comi basicamente tapioca de queijo, ou de nutella, ou de salaminho, paçoca, geléia de Mocotó e castanhas, durante toda a travessia. Os mineiros chegaram um pouco mais tarde e armaram suas tendas. Os militares chegaram quando já estava começando a escurecer. Eles não traziam barracas, dormiram de bivaque. Quando já estava quase escuro chegou um grupo que iria passar direto pelo Capim Amarelo e acampar no Maracanã. Perguntei pela gauchinha e me disseram que ela tinha montado acampamento em algum local no meio do caminho. Depois disso fiquei sabendo que ela desistiu e retornou para Passa Quatro. E que depois reiniciou a travessia na segunda-feira, tendo que ser resgatada de helicóptero no cume dos 3 Estados. E que depois disso voltou mais uma vez, acompanhada de um escoteiro, só que mais uma vez desistiram, abortando a travessia na Pedra da Mina, via Paiolinho. Estávamos a 2490 m de altitude e o pôr do sol e a noite foram lindos e gelados. Meu termômetro marcou a mínima de 3,5ºC. O dia 22-09-2018 era o segundo dia da travessia. A intenção era dormir no cume da Pedra da Mina. Depois do café da manhã, junto com os mineiros, desarmei e guardei toda a tralha e deixei o Capim Amarelo para trás às 10:20 horas. Logo no começo encontrei uma garrafa de uísque que tinha sido esquecida pelos militares. Voltei até onde os mineiros estavam e depois de bebermos uns goles eu retornei para a trilha, levando a garrafa para devolvê-la assim que encontrasse os rapazes. Não demorou muito para encontrá-los porque eles tinham pegado uma trilha errada logo na saída do Capim Amarelo. Depois de muito sobe e desce, mata fechada, bambuzal, escalaminhada, trepa pedra, cheguei na cachoeira vermelha e no ponto de abastecimento de água. Estava cedo e daria para pernoitar no cume. Foi o que fiz e cheguei ao cume eram 16:40 horas. Chegando ao cume estendi a minha lona fazendo um teto que ligava uma parede de pedras empilhadas até o chão Estendi ali embaixo o isolante e joguei o saco de dormir por cima. Essa noite não teria o mosquiteiro. Deixei a rede guardada. Comi meu jantar, assinei o livro de cume e fui apreciar o fim da tarde, o pôr do sol e as estrelas aparecendo. A noite estava bem fria. Os 3 mineiros chegaram quando a noite já tinha caído. Ajudei eles a montarem as barracas e depois ficamos conversando até altas horas. Os militares chegaram ainda mais tarde e no dia seguinte abandonariam a travessia, descendo pelo Paioloinho. Essa noite teve como temperatura mínima 3,7º C, mas a sensação foi de que era uma noite muito mais fria que a anterior. Talvez pela exposição ao vento, o que não tinha acontecido pela proteção que o capim elefante fornecera na noite anterior. A noite foi linda, repleta de estrelas e prometia um amanhecer incrível, fato que aconteceu. O único porém foi a grande quantidade de pessoas que estavam na Mina, quase todos fazendo bate-volta, o que trouxe muito barulho até algumas horas da noite. Apesar disso dormi muito bem e acordei bem disposto. A água até aqui não tinha sido problema. O dia 23-09-2018 era o terceiro dia da travessia e amanheceu espetacular, apesar de muito frio. Acordei antes do sol nascer e escolhi um bom lugar para apreciar o espetáculo. Depois disso o café da manhã (sem café) e desmontar acampamento. A surpresa foi quando levantei o saco de dormir e vi que uma aranha bem grande tinha vindo se aquecer embaixo dele. Peguei a bichinha com cuidado e a levei para perto de uma moitinha de capim. A travessia começou mesmo já eram 10:50 horas da manhã e daí para frente decidi caminhar junto com os 3 mineiros, afinal a gente combinava bastante. E assim saímos nós 4 da Pedra da Mina, eu , o Vinícius (Vini), o Daniel (boy) e o Nelson (Bozó). E assim passamos pelo Vale do Ruah, onde abastecemos os cantis pela última vez, com água que deveria ser suficiente até as 16 horas do dia seguinte. Daí foi uma grande sequência de morros até chegarmos ao Pico dos Três Estados às 17:20 horas. Mais uma vez montei a lona no estilo canadense, dispus a rede com mosquiteiro dentro e esparramei minhas coisas. De noite nos reunimos junto ao triângulo de ferro que representa a divisa dos 3 estados para a janta. Os caras já tinham pouca água. Eu ainda tinha meus dois cantis cheios e mais um bom tanto no camelback. Dessa maneira cedi um cantil para que eles fizessem a janta e bebessem o que sobrasse. Essa noite foi a mais fria, com o termômetro marcando 2,7º C, mas o capim elefante nos protegeu bem dos ventos e deu para dormir muito bem. No dia seguinte pela manhã, o Bozó sugeriu que fizéssemos café. Lá se foram mais 500 ml de água. Mas foi muito bom aquele cafezinho e aquela vista que se tinha lá de cima. De lá dava para ver Prateleiras e Agulhas Negras, minha próxima empreitada. Era o dia 24-09-2018, nosso quarto e último dia de travessia. Deixamos o 3 Estados às 09:40 da manhã. Esse foi um dia bem sofrido. Uma sequência de morros. Sobe e desce. Muitos trechos de mata, e bambuzal. Mas o principal obstáculo era a falta de água. Minha água era para dar tranquilamente, mas depois da janta, café e dividir com os amigos, eu tinha deixado o 3 Estados somente com a água que restava no camelback, que era pouco mais de meio litro. Fomos racionando, mas quando chegamos no Alto dos Ivos, todos bebemos o que nos restava de água. Foram mais 3 horas até encontrarmos água de novo. A falta de água aliada ao esforço físico fez com que o Vini começasse a passar mal. Mesmo assim tocamos em frente.Chegamos inclusive a beber água acumulada nas bromélias. Eu e o Bozó, que estávamos melhor, seguimos mais rápido enquanto Daniel ficou para trás acompanhando o Vini. Chegamos ao ponto de água e enchemos os cantis e o Bozó voltou correndo para encontrá-los e matar a sede dos amigos. Já eram 16:50 horas quando chegamos na rodovia BR-354, onde o resgate que eles tinham combinado estava esperando. A Patrícia, que era a dona da caminhonete de resgate me deu uma carona até Itamonte, onde seria meu pernoite. Por coincidência, a Patrícia era o resgate dos rapazes que estavam perdidos quando cheguei em Passa Quatro. Como eles não chegaram no ponto de resgate no dia combinado, ela entrou em contato com os bombeiros e com a família dos rapazes. Era o fim da travessia. Uma das mais puxadas e mais bonitas que já fiz. Foi também a última vez que vi os amigos Daniel e Vinícius. O Bozó eu encontrei de novo em Belo Horizonte agora em maio de 2019. Foi uma travessia que exigiu muito, mas que ofereceu muito mais em troca. Alvoradas e crepúsculos inesquecíveis. Paisagens sem igual, amizade, companheirismo. E que deixou uma vontade enorme de retornar e fazê-la novamente. Parque Nacional de Itatiaia. Agulhas Negras e Prateleiras. Desde que eu estava no hostel em Passa Quatro, eu já estava procurando um guia para o Parque Nacional de Itatiaia. Sabia que se tudo desse certo eu terminaria a travessia na segunda-feira 24-09 e na terça-feira 25-09 queria ir para o PNI, para subir o Agulhas Negras e o Prateleiras. Durante os telefonemas para casa, eu vi que teria que voltar logo. Dessa maneira, eu teria que fazer os dois cumes no mesmo dia. Entrei em contato com vários guias, mas ninguém queria fazer os dois cumes em um único dia. Uns disseram que não dava. Outros disseram que não era permitido. Até que encontrei um cara. Tudo isso pela internet e pelo tal de whats app, que eu nunca tinha usado antes disso. Deixamos mais ou menos combinado. Ele me cobraria 300 reais pela guiada. Eu sabia que o PNI exigia equipamentos para a subida aos cumes. Eu não tinha esses equipamentos. Após o PNI eu teria que voltar para casa, minha jornada terminaria ali, portanto não precisaria mais ficar regulando a grana. Durante a travessia da Serra Fina a gente ficou sem contato. No final da travessia, o resgate dos mineiros me deu uma carona. Eu tinha planejado ficar no Hostel Picus, ou no Yellow House, mas ambos estavam fechados. Dessa forma fui com eles até Itamonte, onde me deixaram e seguiram rumo a Passa Quatro. Saí procurando hotel ou pousada e acabei ficando no Hotel Thomaz. O Hotel era bom e tinha um restaurante onde eu jantei. Só que fica bem na rodovia e eu peguei um quarto de frente para a rodovia e o barulho dos caminhões e carros freando durante toda a noite incomodou um pouco e prejudicou o sono. Na manhã do dia 25-09-2018, terça-feira, acordei bem cedo, tomei banho, preparei as coisas que levaria para o Parque, entrei em contato com o guia e desci para tomar o café da manhã no Hotel. Por volta das 7 horas o guia chegava de carro para me pegar e seguirmos para o parque. Durante o caminho fomos conversando e falei pra ele sobre a travessia e sobre o caminho da fé e pedra do Baú, que tinha feito recentemente. Ele também é guia na travessia da Serra Fina. Chegamos ao parque fizemos os procedimentos de entrada, onde um guarda-parque alertou que caso não começássemos a subida do Prateleiras até as 14 horas, não deveríamos continuar. Desse modo, às 08:45 da manhã iniciamos nossa caminhada rumo a base do Agulhas Negras. Ele apertou o passo, acho que querendo me testar. Eu fui acompanhando de boa. Paramos num riozinho para abastecer a água e fazer um lanchinho, já próximo da base. A conversa ia progredindo e ele me falou que achava que eu era um cara que parecia estar preparado e que normalmente ele guiava por uma via conhecida como Via Normal ou Via Pontão, mas que se eu quisesse a gente poderia tentar uma via diferente, pra se divertir um pouco. Falei pra ele que ele é quem estava guiando e que por mim tudo bem. Dessa maneira subimos por uma via menos utilizada, que passa por dentro de uma espécie de chaminé que é conhecida como útero. Na verdade quando você emerge dessa “chaminé” é como se você estivesse nascendo. Não levamos capacete, nem cadeirinha, apenas uma corda e uma fita. Usamos a corda somente duas vezes, uma delas para rapelar e depois subir um lance de rocha que fica entre o falso cume e o cume verdadeiro onde fica o livro de cume. Atingimos o cume verdadeiro às 10:40 horas. Comemos, descansamos um pouco, apreciamos a paisagem, tiramos várias fotos e depois iniciamos a descida. Dessa vez por uma via diferente, a Via Bira. No início da descida um rapel de uns 40 metros por uma descida bem íngreme junto a uma fenda e uma parede. Bem legal. Foi uma descida bem bacana. Uma via bem mais interessante que a tradicional. Eram 12:40 quando chegamos de volta ao ponto onde tínhamos iniciado a caminhada. Fizemos um lanche rápido e às 13:00 horas partimos em direção ao Prateleiras. Desta vez sem mochila, sem corda, sem água. Só levamos uma fita de escalada, que foi usada uma única vez. Achei bem mais tenso que o Agulhas, apesar de mais rápido. Muita fenda, muito lance exposto, muito salto de uma pedra para outra com abismos logo embaixo. No ataque final, nos últimos 15 minutos, o cara me salvou por duas vezes. A primeira em um lance de escalada livre onde se tem que fazer uma força contrária. Como não tem "pega", a gente sobe com os pés numa face da fenda, empurrando a outra face para baixo. Complicado. Eu tava a abrindo o bico de cansaço aí ele me deu a mão e a puxada final. Depois disso, num paredão bem inclinado, tinha que começar a subir quase correndo agarrando na pedra para conseguir chegar ao fim. Faltando um meio metro para o fim dessa rampa minha bota começou a escorregar na pedra e eu fiquei sem força. Gritei ele e novamente me deu a mão ajudando a chegar. Muito tenso. Atingimos o cume às 13:50 e depois de alguns minutos começamos a descida. Paramos para comer uma bananinha e paçoca e descemos mais tranquilos. Às 14:58 estávamos de volta ao local onde tinha ficado o carro. Daí o cara olha pra mim e fala: - Agulhas e Prateleiras em 6 horas. Nada mal. E rachamos o bico de dar risada. Tinha acabado de subir dois cumes que sempre tinha sonhado. Agulhas Negras e Prateleiras. Os dois em cerca de 6 horas. Eu estava muito feliz. O visual de cima dessas montanhas é incrível. Mas a experiência da subida é demais. A adrenalina a mil. Saber que um escorregão e já era. Isso não tem preço que pague. Acabei ficando amigo do guia e ele me deu uma carona para Itanhandu no dia seguinte, onde pegaria o ônibus de volta pra minha terra. Dormi mais uma noite no mesmo hotel, dessa vez num quarto de fundos e o sono foi muito melhor. Desci para comer um sanduíche de pernil numa lanchonete próxima e bebi uma coca-cola de 1 litro. Depois de todo aquele esforço eu merecia. VID-20180925-WA0004.mp4 VID-20180928-WA0014.mp4 VID-20180928-WA0014.mp4 vidoutput.mp4 Na manhã da quarta-feira, 26-09, eu parti de volta para Maringá, com uma parada longa em São Paulo, de onde saí de noite e cheguei em casa na manhã de 27-09-2018. Decidi ir pra casa a pé. Pra caminhar um pouco. rsrsrs. Logo depois do almoço eu estava em casa e na manhã do dia seguinte tudo voltaria à mesma rotina de antes. Mas eu não era o mesmo cara que tinha saído 23 dias antes. Eu tinha caminhado mais de 420 Km. Tinha estado em 3 dos dez pontos mais altos do país. Tinha visto o sol nascer e se por proporcionando espetáculos inesquecíveis. Tinha conhecido gente da melhor qualidade, o povo bom e humilde do interior de Minas Gerais. Dá para aguentar essa rotina por mais um tempo, numa boa.
  2. Oi pessoal. Este é um relato dessa caminhada saindo de Tambaú (SP) até a Basílica de Aparecida com algumas dicas, informações e depoimentos em vídeo que fui fazendo ao longo do percurso. Iniciei sozinho a caminhada no dia 27 de Maio e fui terminar no dia 10 de Junho. Passei no meio de plantações de café, cana de açúcar, trilhas na mata, trilhos de uma linha férrea e no asfalto. Atualmente o Caminho sai de 3 lugares diferentes e sempre estão acrescentando mais cidades. Seguindo sempre as setas amarelas, o Caminho passa por mais de 20 cidades e vilas. Até a cidade de Paraisópolis fui caminhando sozinho e a partir dali continuei a caminhada com a minha esposa Márcia. Ao longo do Caminho encontrei outros peregrinos, alguns de bike e outros caminhando. Tem um trecho de uma música do Gilberto Gil que diz: “Andá com fé eu vou que a fé não costuma faiá”. Acho que reflete bem sobre o que eu passei em toda essa caminhada, que me fez reunir forças para caminhar 429 Km. Os primeiros dias foram os mais difíceis (muitas dores musculares). Começou a melhorar lá pelo 4º dia, quando caminhei 50 Km em 15 horas direto. Na maioria dos trechos eu saia por volta das 08:00 hrs e chegava na outra cidade no final de tarde. Alguns trechos cheguei já escurecendo. Para quem usa GPS, no wikiloc eu plotei toda essa caminhada: http://pt.wikiloc.com/wikiloc/view.do?id=945495 As fotos eu dividi em vários álbuns, sendo que para cada dia eu fiz um. No final de cada trecho eu também fazia uma filmagem em vídeo relatando sobre os problemas que passei, como foi o percurso e uma descrição de como é a pousada. O tempo médio de cada vídeo ficou entre 5 a 9 minutos. Aqui estão todos os vídeos: http://www.youtube.com/view_play_list?p=BEB6909BA9522A51 Abaixo um pequeno resumo dessa caminhada 1º dia: Tambaú/SP até Casa Branca/SP - 35 Km Trecho dos mais tranquilos, por ser plano e com poucas subidas e descidas. Ideal levar uns 2 litros de água (apesar de haver indicações e lugares onde pegar água pouco antes da divisa). Ao longo do trecho, o caminho passará por plantações de café, cana de açúcar, batata, feijão, laranjas e tangerinas. Ao passar pelo cemitério de Tambaú, logo à frente o Caminho sai da Rodovia à direita e segue por estradas de terra até chegar em Casa Branca. A divisa de municípios você chega depois de 11 Km, umas 3 horas depois. Cheguei em Casa Branca depois de pouco menos de 9 horas de caminhada. A Pousada na cidade fica em uma área da Igreja Nossa Senhora do Desterro e com café da manhã simples. Fornece jantar, mas é necessário reservar antecipadamente. Os quartos são coletivos e enormes (sem TV), mas um local bastante tranquilo. Fotos desse dia: Vídeo: 2º dia: Casa Branca/SP até Vargem Grande do Sul/SP - 31 Km Trecho bem desgastante e cansativo, sempre com o Sol incidindo. Leve água da pousada ou compre em algum bar da cidade, pois ao longo do trecho eu não achei. Só nos Kms finais. Logo que estiver saindo da cidade e passar embaixo da Rodovia, fique atento que o Caminho pega uma bifurcação à direita e segue cruzando outras Rodovias até chegar no acostamento de uma delas e aí seguir por 6 Km até um desvio à esquerda (fique atento a isso) que agora segue por inúmeros sítios e fazendas. Com varias paradas para descanso fui chegar em Vargem Grande do Sul depois de 10 horas de caminhada. Existe somente um Hotel na cidade para receber os caminhantes: Príncipe Hotel que fornece café da manhã. Melhor lugar para jantar na cidade é no Varanda´s Restaurante (próximo da Igreja Matriz). Existe outra Pousada a cerca de 10 Km da cidade, que o Caminho passa ao lado: é a Pousada Da. Cidinha. Fotos desse dia: Vídeo 3º dia: Vargem Grande do Sul/SP até São Roque da Fartura/SP - 27 Km Trecho inicialmente no plano com subidas leves e depois de passados uns 12 Km se iniciará a árdua e íngreme subida da Serra da Fartura (existe a Pousada da Da. Cidinha no início dessa subida). Já do outro lado da serra, o Caminho segue por um pequeno trecho de asfalto, de onde já se consegue ver São Roque da Fartura ao fundo e depois volta a subir a Serra da Fartura, como se fosse um desvio. É um trecho bem desgastante, pois é só subida (o visual lá da crista vale a pena). Levei 8 horas de Vargem Grande do Sul até São Roque da Fartura. A Pousada Cachoeira (que pertence Da. Cida) fica depois da Vila, cruzando a Rodovia e se localiza numa subida bem íngreme e oferece jantar. Se quiser fornece café da manhã também. Fotos desse dia:https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658134415908 Vídeo 4º dia: São Roque da Fartura/SP até Andradas/MG - 50 Km O trecho mais longo de todos - caminhei durante 15 horas direto até Andradas. Até o início da descida da serra em direção a Águas da Prata é quase todo no plano, passando por inúmeras nascentes e no meio de plantações de café. Saí de São Roque da Fartura pouco antes das 05:00 hrs e cheguei em Águas da Prata pouco depois das 09:00 hrs. Como encontrei a Pousada do Peregrino fechada, passei direto pela cidade. De Águas da Prata até Andradas o trecho segue por um imenso vale inicialmente no plano para depois só subida. Andradas se localiza em um grande vale entre 2 serras, por isso o trecho final é de descida íngreme e longa. Fiquei no Hotel Pastre, mas na cidade existe outro Hotel que é melhor: o Hotel Palace. Os dois fornecem café da manhã. Melhor lugar para comer é no Restaurante União. Fotos desse dia: Vídeo 5º dia: Andradas/MG até Crisólia/MG - 36 Km Esse trecho é dividido em vários outros: de Andradas a Serra dos Limas e depois até Barra e depois até Crisólia. O trecho de Andradas até a Serra dos Lima lembra um pouco a subida da Serra da Fartura por ser muito íngreme. De Serra dos Lima até distrito da Barra é plano e depois descida íngreme até o fundo do vale. Já de Barra até Crisólia é uma subida íngreme muito forte, uma parte plana e pequenas descidas. Na parte final é um longo trecho plano que parece nunca terminar. Não se vê Crisólia do Caminho. Ela aparece de repente, escondida entre os morros. Saí de Andradas por volta das 07h30min, chegando na Barra pouco depois das 12:00 hrs e por volta das 18:00 hrs em Crisólia. Na Serra dos Lima, a cerca de 10 km de Andradas fica a Pousada da Da. Natalina. No distrito da Barra, a cerca de 20 km de Andradas se localiza a Pousada do Tio João. Em Crisólia fiquei na Pousada da Da. Adelaide e que fornecia café da manhã. Atualmente em Crisólia só funciona a Pousada do Peregrino, que pertence a Da. Maria. Melhor lugar para comer em Crisólia é no Bar da Zéti. Fotos desse dia: Vídeo 6º dia: Crisólia/MG até Borda da Mata/MG - 38 Km Crisólia está próxima de Ouro Fino (7 Km). Esse trecho passa por dentro dessa cidade (passe no Supermercado Peg Pag e visite a Gruta de Nossa Sa. Aparecida) e depois chega a Inconfidentes (pare no Bar do Maurão – fica na entrada da cidade). Depois o Caminho segue por uns 2 Km pela Rodovia e logo sai para a esquerda, junto a um ponto de ônibus. Passa ao lado da Pousada Águas Livres e segue ora no plano, ora subidas leves. Nesse trecho, talvez você encontre o Seu Joaquim, ao lado da bica que ele fez (tem uma enorme placa em frente). O lugar é perfeito para descanso. O trecho final, de onde se enxerga a cidade de Borda da Mata é de descida e algumas partes planas, mas bem tranquilo. Saí de Crisólia as 07h30min e cheguei as 19:00 hrs em Borda da Mata. Se puder visite a Igreja Matriz de Borda da Mata, pois os vitrais internos são lindos. Fiquei no Hotel Village com café da manhã. Melhor lugar para comer em Borda da Mata: Restaurante San Diego onde também funciona um Hotel. Fotos desse dia: Vídeo http://www.youtube.com/watch?v=TyTeRQK1N5A 7º dia: Borda da Mata/MG até Tocos do Mogi/MG - 16 Km Um dos trechos mais tranquilos dessa caminhada. Saí de Borda da Mata por volta das 10:00 hrs e cheguei em Tocos do Moji por volta das 15h30min. Alguns aclives e declives bem fáceis e muita plantação de morango ao longo do Caminho (isso se estiver na época). Não deixe de ir à Pastelaria Zé Bastião, que vende pastel de fubá. Pouco antes de chegar na cidade encontrei o Ronald (colega de uma lista de trekking da qual eu participo) e que me acompanhou até Estiva (de lá ele retornou para São Paulo). Fiquei na Pousada do Peregrino (Da. Terezinha) que não oferece café da manhã e nem refeição. Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157656209632074 Vídeo http://www.youtube.com/watch?v=zrHN79M3ntY 8º dia: Tocos do Mogi/MG até Estiva/MG - 22 Km Li em alguns relatos de que esse trecho seria um dos mais difíceis, mas não chegou a ser. Depois de uma subida inicial, o Caminho passa pelo distrito de Fazenda Velha e depois uma longa descida e subida pelo Vale dos Teodoros. É um dos trechos mais bonitos de todo o Caminho. Muita plantação de morango também. Saí de Tocos do Moji as 08h30min e cheguei em Estiva pouco antes das 15:00 hrs. Fiquei na Pousada do Póka que se localiza sobre Padaria Santa Edwiges e ao lado da Igreja Matriz. Melhor lugar para comer: Nélios Restaurante Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157656220156963 Vídeo http://www.youtube.com/watch?v=9RLl3q9kO00 9º dia: Estiva/MG até Consolação/MG - 20 Km Trecho também bem tranquilo. Saí de Estiva as 09:00 hrs e cheguei em Consolação por volta das 15h30min. Depois de cruzar a Rodovia Fernão Dias, o Caminho segue no plano a sua maior parte. Cerca de 2 horas depois da cidade se inicia uma longa subida da Serra do Caçador por quase 1 hora. Chegando ao topo o trecho é todo no plano com descidas até chegar em Consolação. Fiquei na Pousada da Da. Elza, que oferece jantar e café da manhã. A cidade é bem pequena e não oferece muita coisa. Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658131337630 Vídeo http://www.youtube.com/watch?v=zPyrn6FpCcc 10º dia: Consolação/MG até Paraisópolis/MG - 22 Km Trecho também bastante tranquilo. Saí as 08h30min de Consolação e cheguei em Paraisópolis as 15h30min. O inicio dele é com leves descidas e todo no plano com uma ou outra subida leve. A longa subida não tão íngreme já tá quase no final, depois que o Caminho segue por uma estrada secundária. Chegando no topo é só descida até Paraisópolis, onde já se avista a Pedra do Baú de ângulo bem diferente. Fiquei no Hotel Central que oferece café da manhã. Melhor lugar para comer: Restaurante Choupana (simples, mas de qualidade) Fotos desse dia:https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157656209731114 Vídeo http://www.youtube.com/watch?v=26TQDEioe6U 11º dia: Paraisópolis/MG até Campista/MG - 41 Km Sem dúvida nenhuma um dos trechos mais difíceis de todos. Aqui eu já estava com a Márcia que se juntou a mim até a Basílica de Aparecida. Por não saber como era o trecho e não encontrar relatos de outros peregrinos, já que ele foi inserido em substituição ao trecho de São Bento do Sapucaí, Sapucaí Mirim e Santo Antônio do Pinhal, caminhamos cerca de 14 horas direto. Ao chegarmos ao Distrito de Luminosa, que fica em um imenso vale, imaginávamos que a subida da serra não fosse tão extensa. Foi um desnível de 1000 metros, tendo de subir um trecho muito íngreme e extremamente cansativo no final. Não recomendo fazer esse trecho se você não está preparado para uma longa subida. Já quem for fazer esse trecho, deverá estar passando por Luminosa no máximo até 12:00 hrs, para chegar no asfalto antes do anoitecer, senão terá problemas - sugiro ficar na Pousada N. Sra das Candeias (Da. Ditinha) que fica ao lado da Igreja de Luminosa ou na Pousada da Da. Inez, uns 4 Km depois de Luminosa, já na subida da serra. No final da subida da serra, o Caminho segue por um trecho de mata e sem qualquer vestígio de vida humana (só com lanterna para fazer esse trecho no escuro). A Pousada Barão Montês fica na Estrada do Campista (que liga Campos do Jordão à São Bento do Sapucaí) e tá no meio do nada. Por não saber onde ficava a Pousada, cometemos vários erros nesse trecho. Nem imaginávamos que a Pousada ficava longe de tudo. E para piorar nem avisamos ao proprietário da Pousada que íamos chegar durante a noite. Por isso avise com antecedência que você vai pernoitar na Pousada para ele preparar o jantar. Fornece café da manhã. Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658134904928 Vídeo 1 http://www.youtube.com/watch?v=lhWUQKTpd_8 Vídeo 2 http://www.youtube.com/watch?v=yjXA9ErDFWg Vídeo 3 http://www.youtube.com/watch?v=OBkPI-AHOoM 12º dia: Campista/MG até Campos do Jordão/SP - 21 Km Saímos de Campista as 09:00 hrs e chegamos em Campos do Jordão por volta das 15h30min. O trecho é tranquilo e segue descendo pelo asfalto durante uns 30 minutos e ao chegar na divisa São Bento do Sapucaí/Campos do Jordão, o Caminho segue por estradas de terra à direita, agora em aclive. Chegando na crista o visual compensa, mostrando alguns bairros de Campos do Jordão e passando próximo da Pedra do Baú, à direita. Existe um pequeno bar à esquerda, pouco depois de se avistar a Pedra do Baú. O ideal é parar aqui, pois ainda tem um longo trecho até a Pousada Refúgio do Peregrino, que oferece café da manhã. Campos do Jordão oferece inúmeras opções de alimentação, mas dependendo da época se tornam muito cara. Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658478799316 Vídeo http://www.youtube.com/watch?v=gxLkCskaDCM 13º dia: Campos do Jordão/SP até Pindamonhangaba/SP - 42 Km O trecho inicial ainda é pelo asfalto com algumas subidas e descidas, passando pelo ponto culminante ferroviário do país. O trecho mais chato é quando você caminha pela linha do trem (cuidado com o trenzinho, pois sempre tem algum descendo ou subindo). Chegando na Estação Eugênio Lefreve, em Santo Antônio do Pinhal, aqui é ponto final dos trenzinhos que saem de Campos do Jordão, por isso está sempre cheia - dizem que o bolinho de bacalhau do barzinho da estação é um dos melhores. No local tem um belo mirante de todo o vale e agora o Caminho sai da linha do trem e segue por uma trilha no meio da mata - tem a opção de continuar pela linha do trem, mas é bem mais cansativo. Terminando a descida chegamos no Bairro de Piracuama, onde existe uma estação de trem e 2 Pousadas, mas no dia nenhuma tinha vaga. Se quiser pernoitar por aqui em qualquer das pousadas é necessário reservar antecipadamente. Até o centro de Pindamonhangaba são uns 20 Km e lá existem mais 3 pousadas. Saímos de Campos do Jordão as 08h30min e chegamos no centro de Pindamonhangaba por volta das 20:00 hrs. Tivemos um pequeno problema nesse trecho. Veja no vídeo. Ficamos no Hotel Comendador, que oferece café da manhã. Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658134964888 Vídeo http://www.youtube.com/watch?v=O_2Kc4BSmqc 14º dia: Pindamonhangaba/SP até a Pousada Jovimar (Aparecida)/SP - 27 Km Saímos por volta das 08h30min e chegamos na Pousada Jovimar as 17:00 hrs. O percurso foi todo no asfalto, ao lado da Rodovia que segue para Aparecida. É bem entediante, monótono e barulhento e para piorar não existem trechos de sombra (foi Sol na cabeça o tempo todo). Como não pretendíamos chegar no final de tarde na Basílica ficamos em uma Pousada a 3 Km antes, de onde ainda não se consegue ver a Basílica. O legal é que durante todo percurso sempre vão passando bikers ou peregrinos de outras cidades e ao verem eu e a Márcia de mochilas passam incentivando. Fotos desse dia:https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157658478853556 Vídeo http://www.youtube.com/watch?v=6o8_9wGcKpw 15º dia: Pousada Jovimar até Basílica - 3Km Saímos da Pousada pouco antes das 09:00 hrs, já que pretendíamos participar da Missa das 10:00 hrs. Assim que nos aproximávamos da Basílica, percebíamos que estaria lotada, haja vista o número impressionante de ônibus de turismo. Fomos subir as escadas da Basílica as 09h40min e depois da Missa fomos pegar nossa Mariana (certificado de quem conclui o Caminho da Fé) e no final da tarde voltamos para São Paulo. Fotos desse dia: https://www.flickr.com/photos/augusto08/albums/72157656220376453 Vídeo http://www.youtube.com/watch?v=jZnqML264mg Por hora é isso. Abcs
  3. Salve amigos Não se assustem o título esta correto he he he Terminei ontem (19/08/2015) o caminho da Fé. Iniciei em Águas da Prata e foram + ou - 318 kms em 12 dias. Iniciei dia 08/08/2015 e a proposta inicial era terminar em 15 dias com um dia de folga. Meus amigos e familiares iriam de carro até Aparecida do Norte me buscar e já visitariam a Basílica. Como já cheguei iremos todos de carro dia 23/08/2015. Fui muito bem recebido pela Dna Tina em Águas da Prata e já fiz amizade com dois senhores que estavam na pousada. Dois outros chegaram de madrugada e as 6:00 hs saímos todos juntos. Na primeira subida terminei com o coração batendo na garganta e o pulmão implorando por oxigênio. Os outros quatro senhores pretendiam fazer o caminho todo em 8 dias e após a primeira descida e depois de te-los acompanhado no terço despedi-me e diminui meu ritmo. O primeiro dia foi marcado por uma tremenda falta de água e uma descida terrível até Andradas. Levem o mínimo de 2 litros de água e preparem-se para a descida até Andradas (tem subidas também, e bastante he he). Andei por 5 dias sozinho, de forma lenta e tranquila mas, com muitas dores no joelho esquerdo. As subidas são cansativas mas, são as descidas que podem lhe tirar da caminhada. Em Tocos do Mogi conheci um pessoal que estavam com uma caminhonete de apoio e ofereceram para levar minha mochila. Foi minha salvação já que estava decidido a voltar. Com muitas dores no joelho, cansado, com saudades de casa, quase desisti. Com o peso da mochila a menos a caminhada ficou mais "fácil" e pude seguir no caminho. Enfrentei muitas dificuldades mas a fé e os novos amigos (verdadeiros anjos) me incentivaram a continuar. A subida de Luminosa à Campos do Jordão tem um desnível de mais de 800 metros e separa o joio do trigo. Em Luminosa suba até a pousada da Dna Inês. São 4 kms após Luminosa morro acima. No dia seguinte saia cedo pois, ainda falta muito do morro para subir até Campos do Jordão. Em Campos do Jordão seguimos de ônibus até a estrada de Pedrinhas. Alguns podem achar que é uma "trapaça" seguir de ônibus um pedaço do caminho mas, a estrada que leva ao horto de Campos do Jordão é estreita, movimentada, sem acostamento e quando dois veículos grandes se cruzam não há espaço para o peregrino, ou seja, um perigo termendo que não aconselho a ninguém. O caminho por Pedrinhas também é fora da rota do Caminho da Fé mas, de Campos do Jordão à Pindamonhangaba e até Aparecida do Norte é praticamente todo por asfalto e por pedrinhas é de terra e arborizado com trechos pequenos de asfalto. Quase todos que conhecem os dois caminhos optam pelo de Pedrinhas. Estas informações nos foi dada pelo Sr. Pedro que já fez o caminho 13 vezes (treze vezes mesmo ok). O Sr. Pedro foi um dos 18 que fizeram o caminho no primeiro ano. De Pedrinhas à Aparecida do Norte são 19 kms, saímos as 6:00 hs e chegamos as 9:45 hs na Basílica. Como a missa das 9:30 hs já tinha começado resolvemos os "trâmites" na secretaria da basílica, visitamos a imagem de Nossa Senhora Aparecida (chorei um tantão he he). Assistimos a missa das 10:30 hs e voltei para Andradas de carona com os "anjos" que me ajudaram no caminho. Peguei um ônibus até São João da Boa Vista e meu filho, minha mulher e um casal de amigos foram me buscar em São João. Ás 21:30 estávamos comendo uma batata recheada já em Mococa. Não se enganem o caminho é difícil, principalmente para um cara de 52 anos, 1,85 mts e 100 quilos mas, não é impossível se for com calma e fé. Os amigos que me acompanharam depois de Tocos do Mogi são peregrinos experientes que já fizeram muitos caminhos no Brasil e no mundo. O Sr. João fez 1500 kms no Caminho de Santiago (estendeu até outros pontos na Europa). Com todo esse conhecimento afirmam que o Caminho da Fé é, talvez, o mais difícil de todos portanto, se terminar o caminho da fé muito provavelmente estará preparado para todos os outros. Em todo o caminho fui muito bem recebido e atendido pelos hotéis e pousadas mas, não deixem de passar pela pousada da Dna Natalina na Serra dos Lima onde fiquei no primeiro domingo e na pousada da Dna Inês em Luminosa. As recomendações em relação à calçados e roupas e o que levar já foi exaustivamente discutido em outros tópicos. Faça sua mochila com o mínimo possível, qualquer item deve ser muito bem pensado. Espalhem todos os itens e elimine o que achar desnecessário mas, sejam bastante criteriosos, um frasco de shampoo, mesmo para uma mulher de cabelos compridos, é totalmente desnecessário se você tiver que carrega-lo mas, uma lanterna não. Força, foco e muita fé em Deus e Nossa Senhora .
  4. Realizamos no período de 31.01 a 19.02.2016 o caminho da fé invertido (de Aparecida a São Carlos a pé ), foram aproximadamente 540 kms Breve relato completo! No nosso relato focaremos em informações sobre pessoas, pousadas, dificuldades, histórias e estórias. Para aquelas pessoas que querem informações mais detalhadas melhor ler o excepcional relato do Augusto abaixo. Disparado o melhor relato sobre o MELHOR caminho do Brasil : caminho-da-fe-429-km-em-15-dias-de-caminhada-relato-dic-t29158.html
  5. CAMINHO DA FÉ Mapa do Caminho Fonte: www.estiva.mg.gov.br Moçada, Estou estreando aqui. Tenho interesse em fazer o Caminho da Fé em março/2004, depois do Carnaval. Alguém conhece, pode dar dicas, tem interesse em ir junto?? Silvio. -------------------------------------------------------------------------------------- Postado pelo usuário Renato Batista Pereira em 25/07/2005 : 15:56:07 Mensagem: São aproximadamente 400km. atravessando a Serra da Mantiqueira por estradas vicinais de terra, trilhas, bosques, pastagens e asfalto Objetivo Proporcionar às pessoas: - momentos de reflexão e fé. - saúde física e psicológica através do exercício da caminhada. - integração do homem com a natureza. História O Caminho da Fé (Brasil), inspirado no milenar Caminho de Santiago de Compostela (Espanha), foi criado para dar estrutura às pessoas que sempre fizeram peregrinação ao Santuário Nacional de Aparecida, oferecendo-lhes os necessários pontos de apoio. Em seu caminhar, seguindo sempre as setas amarelas, o peregrino vai reforçando sua fé observando a natureza privilegiada, superando as dificuldades do Caminho que é a síntese da própria vida. Aprende que o pouco que necessita cabe na mochila e vai despojando-se do supérfluo. Exercitando a capacidade de ser humilde, compreenderá a simplicidade das pousadas e das refeições. Em cada parada, estará contribuindo para o desenvolvimento econômico e social das pequenas cidades e propiciando a integração cultural de seus habitantes com a dos peregrinos de diferentes partes do mundo. Com a adesão das prefeituras e paróquias, o Caminho da Fé foi inaugurado em 11.02.2003 na cidade de Águas da Prata/SP. Teve a seu primeiro prolongamento até a cidade de Tambaú/SP, em 16.06.2003. Dando continuidade, seu traçado será sempre alterado, visando agregar outras cidades. INFORMAÇÕES O trajeto todo é sinalizado com setas amarelas em postes, mourões e cercas, pedras, muros, pistas, placas. - menor de 18 anos somente acompanhado pelos pais ou com autorização do Juizado de Menores; - a credencial é emitida a pessoas a partir de 14 anos de idade; - não formamos grupos e as saídas são diárias. O peregrino é livre para escolher a forma de caminhar - sozinho ou em grupo de pessoas com o mesmo propósito e/ou pensamento filosófico; - o Caminho foi concebido para peregrinação A PÉ, porém emitimos credencial a ciclistas; - não estão previstas áreas de camping; - duração da jornada, de 14 e 16 dias, caminhando entre 25 e 30km/dia. - gastos em torno de R$30,00 (refeição e pernoite) pagando-se no local onde utilizar os serviços; - custo da credencial R$ 5,00 (cinco reais) RECOMENDAÇÕES- Resistência física para enfrentar aclives e declives. - Seguir as setas amarelas ao longo de todo trajeto. - Recomenda-se não caminhar sozinho, pois todos estamos sujeitos a imprevistos. - Não jogar lixo ao longo do Caminho. Porte sempre uma "sacolinha" plástica. O QUE LEVAR Mochila com presilhas no peito e quadris, com menos de 6kg, incluso o peso da mochila, é possível levar tudo o que o peregrino necessita. Exemplo - 2 mudas de roupas além da que está no corpo (leve e de fácil secagem); - capa de chuva que cubra também a mochila; - chinelo; - material de higiene pessoal (sabonete; creme, escova e fio dental; papel higiênico, etc.); - primeiros socorros (esparadrapo, pomada contra assadura, anti-séptico, etc); - canivete; - toalha (de preferência tipo fralda de pano) - agulha e linha (para drenar bolhas que possam se formar nos pés) Cajado:serve de apoio e defesa contra animais hostis. Poderá ser adquirido nos locais de credenciamento. Calçado: já adaptado aos pés, resistente e macio. Chapéu: de pano com abas, tipo pescador. Água: levar apenas o que for consumir em cada trecho. Protetor solar e repelente contra insetos. Paz para os homens de boa vontade. Visitem o site: http://www.caminhodafe.com.br[/b]
  6. Distância: 416km (ida e volta) Início: Santo André-SP >>> Aparecida-SP >>> Santo André-SP Quando: Julho / 2013 Equipamento: Bicicleta Dobrável Porto Seguro 16" Alforge traseiro Pannier 13 litros Mochila 10 litros e Barraca de Camping Iglu (2 pessoas) LINK DA VIAGEM (fotos - relatos - carta - mapa interativo...) http://joaozinhomenininho.blogspot.com.br/2013/07/brasil-caminho-da-fe-parcial-aparecida.html Faz muito tempo que não acessava o mochileiros.com e fiquei muito feliz com a evolução do fórum de discussão!!! Posteriormente procuro postar outras viagens de bicicleta... Espero fazer muitas amizades aqui e quem sabe pedalamos juntos no futuro próximo!!! Cicloabraços Joãozinho
  7. Já que o sono não vem, vamos mandar o relatinho de nossa ultima trip, foi feita semana passada, o Caminho da fé, partindo de Águas da Prata x Aparecida. Na verdade esse caminho tem varias saídas, Tambaú, Cravinhos, Mococa, São João da Boa Vista, São Carlos e outros ai, resolvemos fazer o tradicional e partir de Águas da Prata, assim rodaríamos a km certa para dar o tempo que tínhamos livres, 5 dias. Eu e meu parceirasso Nilton, estavamos planejando uma Cicloviagem a tempos, a principio seria a Estrada Real, mas não tava rolando tempo suficiente para fazer os 1800km dessa blz, então pensamos em fazer metade dela, mas acabou não rolando na época, eis que conseguimos uns dias e acabamos marcando o Caminho da Fé Antes de partir, tínhamos em mente o seguinte, independente da KM, se iriamos conseguir terminar ou não o importante era curtir a viagem e aproveitar ao máximo cada cidadezinha que passaríamos, sem correr, sem se esgotar, sem ficar no limite. Tudo acertado peguei o bus na no Tiete as 0:30 da Segunda, chegando em Águas da Prata as 4:00, esse bus passa por outras cidades, faz varias paradas no meio da madrugada, o que não deixou eu ter uma boa noite de sono.. Outro detalhe importante é que ao chegar em Águas da Prata o motorista simplesmente deu uma encostada e partiu, não avisou nem nada, eu como não sabia se era ali mesmo resolvi ir perguntar, e ele falou: Acabamos de sair de Águas da Prata, como tinha acabado de sair da rodoviária ele foi mt gente boa e voltou para me deixar na rodoviária mesmo.. Nilton já estava na cidade e foi me recepcionar na Rodoviária, "isso sim é parceria" ele havia ficado em uma pousada próxima a rodoviaria, diária de 35k + café manhã, nessa pousada pegamos as credenciais com referencias das pousadas, cidades, etc.. 1º Dia - Aguas da Prata x Ouro Fino Mapa da Credencial Relação de Pousadas Relação de Pousadas Acertamos os ultimos detalhes na bike e partimos, a ideia era percorrer o quanto aguentar, mas como disse, sem se esgotar tanto, acabamos fazendo no 1º dia até Ouro Fino, foi uma pernada boa. Saímos cedinho e pegamos a friaca da manhã e o Sol nascendo 1º dia Águas da Prata - Ouro Fino Umas vaquinha no pasto Passamos por muitas cidadezinhas pelo caminho, isso é muito bom, pois não tinhamos que carregar tanta água, nem comida, andando assim mais leve e conseguindo parar para abaster a cada 20, 30km, as vezes até menos, isso ajudou muito. No caminho encontramos com um grupo de 18 Bikers e vários Peregrinos fazendo o caminho, grupos diversos espalhados de 10, 5, 2 e alguns Solo.. Pessoal mt gente boa que encontramos pelo caminho E assim termina o primeiro dia. Chegamos em Ouro Fino umas 18:20, já era noite, foi o único dia da trip que usamos as lanternas Chegando na cidade ligamos para as pousadas para ver qual teria vaga e assim não ficar rodando por ela, apesar de serem próximas umas das outras, já estávamos bem cansados e queríamos ir direto para a certa, acabamos ficando no Hotel Caiçara a 30k + Café da manhã. A noite fomos almoçar em um restaurante próximo a cidade, Self Service + Carne por 11k 2º Dia - Ouro Fino x Tocos do Mogi Acordamos umas 8am e fomos tomar o café, na sequencia resolvi passar na bicicletária para dar uma olhada na bike, numa das descidas o freio traseiro começou a fazer mt barulho, resolvi trocar as pastilhas, acabei pagando 50k cada jogo + troca, preço normal aqui em SP sai a 45k nada muito fora do comum, aproveitei e peguei um Óleo legal que achei para a corrente, Finish Line - Wax Lubrificant, ótimo para o tipo de terreno q estavamos enfrentando, 40k 120ml, aqui em sp custa 37k. Voltamos uns 2km para fazer umas fotos no Menino da Porteira e encontramos com o grupo de 18bikers que saiu de Águas da Prata conosco no dia anterior, porém ficaram em Barra. Toda vez que eu viajava pelas estradas de Ouro Fino .... Algumas fotinhas e partimos Passamos por Borda da Mata, era feriado na cidade, tudo lotado e fechado ao mesmo tempo, rs nossa ideia seria ir para Tocos do Mogi, se conseguisse esticar até Estiva melhor ainda, mas não rolou, as subidas eram muitas e nesse dia conseguimos ir apenas até Tocos. Esse dia foi pesado, a partir desse dia é só paulada no gato sem massagem, é serra atras de serra. Tocos do Mogi, cidadezinha muito show com pessoas muito acolhedoras, chegamos eram 15:40 + ou - fomos para a pousada do peregrino o valor se não me engano foi 15k e 20k com TV, acabamos pagando 15 com TV, os preços estão um pouco fora da referencia, pois é antigo e todas pousadas tiveram um pequeno aumento de R$2 a R$5. Não deixe de ir na Pastelaria da cidade, a massa é muito boa e o pastel alem de pequeno é muito recheado e vale e muito os R$1,50 gastos A noite fomos jantar no restaurante próximo a pousada, R$8 self service + carne Fomos descansar sabendo que ao próximo dia seria puxado, mais serras pela frente a a altimetria só subindo. 3º Dia - Tocos do Mogi x Paraisópolis A próxima cidade seria Estiva, famosa pela plantação de morangos, foi o dia inteiro passando por fazendas de plantações de morangos e degustando dessa maravilha, como sabem as pessoas são muito receptivas, é só vc encostar que eles já mandam entrar nas plantações e provar uns moranguinhos.. - O quanto pudessemo comer Disse o lavrador Quebra Canela Tiozinho com um Carro de Boi em Consolação, ele tinha falado algo de ter viajado o brasil inteiro..só não sei se foi com os Bois..rs Faltando alguns km para chegar em Paraisópolis percebo que não estava entrando a ultima marcha, desde o começo da trip já estava achando a relação pesada na subida, mesmo na mais leve, mas como estava carregado, nao tinha reparado esse detalhe, olhando mais a fundo o problema percebo que o cabo do cambio traseiro estava se partindo, tendo sobrado apenas 2 "fiozinhos" do mesmo, pensei, vai ferrar mesmo e vou ficar apenas com a pesada, vou embora e vamos ver no que vai dar..Quando faltava apenas 6km para chegar em Paraisópolis o cabo resolve estourar, tranquilo, fiquei com a mais pesada, mas o resto era só reta e descida, com algumas subidas leves que deu para encarar no embalo, algumas foi empurrando, assim que entramos na cidade, procurei a bicicletaria mais proxima, um sujeito muito gente boa nos atendeu e fez a troca do cabo do cambio, R$2,00 se foce na "quebrada" aqui de casa tenho certeza que iria morrer uns 10k com a troca Pegamos algumas referencias com o caboclo e enquanto ele trocava o cabo, fomos ligando para as pousadas e acabamos ficando no Hotel Central, por 35k diária + café da manhã. O dono da bicicletaria nos informou que tinha um restaurante que servia janta, mas que havia um quiosque na praça em frente ao nosso hotel, onde serviam uns lanches cabulosos, gigantescos e baratos.. como precisavamos de uma boa alimentação muito bem balanceada, fomo para o restaurante, chegando lá não curtimos muito, nada contra, mas a comida dos outros parecia muito mais"saborosas" decidimos ir experimentar o lanche.. Logo de cara já pedi o X-Bacon, tava precisando de um pouco de gordura extra..rs ainda pedi para acrescentar ovo, um pouquinho de proteina para balancear a dieta O mestre Nilton pediu o X-Tudo, quando ele começou a fechar o lanche do Nilton não acreditei, era giganteeee Deu trabalho, eu pensei, vou pedir um X-Bacon, depois peço outro X-Calabresa, a fome era grande.. Mau conseguimos comer o nosso lanche...kkkkk realmente o lanche do brother da praça é muito bom, muito bem feito e saboroso, não é por nada não, mas na minha opinião o melhor lanche que já comi na minha vida..da baile em muita Hamburgueria de burgusinho espalhado aqui pela capital, que cobram um absurdo e o lanche nem sempre enche a barriga.. O lanche saiu a 7k X-Bacon+Ovo e 11k X-Tudo cabulosomasterblastermotherfucker do mestre Nilton.. Estomagos forrados, voltamos para o Hotel, que ficava a uns 300m do quiosque, assistimos um pouco de TV, mas para nossa sorte o controle estava sem pilha...e a preguiça para mudar de canal... kkkkkkk Todo castigo pra Corno é pouco.. Descanso em Paraisópolis 4º Dia - Paraisópolis x Campos do Jordão Acordamos cedo, tomamos o super café da manhã do hotel e partimos rumo a Campos do Jordão, saberiamos que seria mais um dia forte e exalstivo, devido a grande altimetria, mas vou lhe contar, na minha opinião foi a mais bela parte da viagem, na verdade cada dia tem seu toque especial, com seus atrativos naturais e belezas unicas, mas esse dia nos chamou a atenção a pequenina cidade de Luminosa, que fica em um vale, entre montanhas, um charme de cidade, não tem como explicar a sensação, nem com imagens, mas segue algumas dessa beleza.. 4º Dia Paraisopolis x Campos do Jordão Chegando em Luminosa Manifique Apesar da simplecidade e qualidade de uma foto de celular, essa merece.. Capa de Revista.. Chegando em Luminosa Passamos pela cidade, paramos um pouco e seguimos caminho, sabendo que o resto era só subida e das bravas, após sair de Luminosa uns 4km subindo tem a Pousada da Dna Ines, onde paramos e resolvemos almoçar, 10k almoço com direito a sobremesa, suquinho natural e um cafézinho Pessoal muito gente boa, gostei deles, depois posto uma foto que fico na DSLR do mestre Nilton, a diária lá é 25k a 30k com direito a café da manhã e o visual da pousada é o melhor, principalmente no nascer do sol, as nuvens embaixo de nós, aquela sensação boa que sentimos na montanha ao amanhecer que todo bom montanhista conhece.. NÃO ficamos nessa pousada, sei do visual da manhã pois nela tem muitas fotos no mural e já havia visto outras pela internet. Continuamos nosso caminho e sobe, sobe sobe sobe sobe sobe.. No meio da Subida, um visu show Chega-se na divisa de estados SP-MG, ali as subidas param um pouco, mas continuam com uma inclinação menor, mas segue assim até o bairro Campista de Campos do Jordão Em Campos do Jordão, ficamos na pousada da Bianca, uma super recepção com janta, café da manha e um delicioso vinho a 53k adorei o estilo dessa pousada, nos lembra muito os Albergues da Europa, lá conhecemos um casal de peregrinos que estavam fazendo o caminho a pé, muito gente boa, bebemos e rimos muito a noite toda, junto com a Bianca Dna da Pousada, adorei esse dia, ainda sobrou um tempo para o Nilton dar umas arranhadas na viola que tinha lá.. 5º Dia - Campos do Jordão x Aparecida 5º e ultimo dia da trip, seria a descida para Aparecida, esse dia saberiamos que era light, pois seria 28km de descida e o resto no plano, completando assim 75km, acordamos cedo, tomamos o belo café da manhã e partimos. Vista Chinesa - Campos do Jordão Chegamos em Pindamonhagaba rapidinho, de pinda para aparecida eis que temos a nossa primeira baixa do Nilton, um pneus furado. Trocado rapidamente, seguimos viagem. Divisa Enfim chegamos no nosso tão esperado destino Catedral de Aparecida, entramos para pegar nossa credencial fizemos umas fotos e partimos para o rodoviariaa. Pegamos o Bus para SP as 13 em ponto, chegando na cidade grande estava garoando. Tudo bem, nosso caminho inteiro foi tão maravilho e regado de um belíssimo sol que nem nos importamos com a frente fria e chuvosa que chegava em São Paulo naquela Sexta - Feira. Roupas + Equipamentos - Bagageiro ferro simples para pouco peso - 2 Bermuda Bike c/ Forro - 2 Camiseta Bike - 1 Segunda Pele Fina - 1 Segunda Pele Média - Corta Vento - Pernito - 3 meias - 3 cuecas - Sapatilha - Havaiannas - calça/bermuda compacta - Chave Corrente - Câmera de Ar - Remendos - Cola - Pincel - Oleo para relação - GPS - Smartphone - Pilhas Extras - Lanterna Bike - Caramanhola 580ML - Streaer 3L, utilizado muito pouco - Mochila SpeedLite Deuter 20L - Barra Cereal, Bolacha integral, Amendoim Então fica assim, essa foi nossa CicloTrip pelo Caminho da Fé.. Qualquer dúvida estou aqui para ajudar, se precisarem tenho o tracklog Abraços e Boas Trips
  8. Há alguns anos eu planejava fazer o CdF, que por uma razão ou outra acabava não dando certo. Este ano, eu e meu irmão programamos de fazer uma versão resumida, em 4 dias, que chamamos de Filé do Caminho da Fé. Com o tempo que tínhamos, resolvemos sair de Águas da Prata (AdP) e acabar em Campos do Jordão (CdJ), já que não tínhamos nenhum objetivo religioso de chegar a Aparecida e a parte de terra e montanha acaba em CdJ. Apesar de não ter uma conotação religiosa, fiquei bem tentado em chegar até Aparecida pela sensação de cruzar a linha de chegada e cumprir o Caminho. Entretanto, alguns amigos que já tinham feito disseram que teríamos diversão suficiente neste trecho da AdP até CdJ, o que foi a mais pura verdade. Aproveitamos o feriado paulista de 9 de julho (segunda) e matamos a sexta-feira anterior para fechar os quatro dias. Na quinta a noite peguei a Viação Cometa de Campinas até AdP e encontrei meu irmão que vinha de Ribeirão Preto já na Pousada do Peregrino, sede do CdF. Além de nós, tinham outros 3 ciclistas. Além destes, somente encontramos mais um durante os 4 dias de caminho. Imaginei que encontraria mais bicicleteros (como dizem os moradores das cidadezinhas do CdF). O planejamento de roteiro foi: Dia 1: AdP até Inconfidentes, 85 km, 2.100 m de ascensão. Dia 2: Inconfidentes-Estiva, 58 km, 1.900 m de ascensão. Dia 3: Estiva-Luminosa (Pousada da Dona Inês, já na subida da serra), 65 km, 2.000 de ascensão Dia 4: Pousada da D. Inês-CdJ, 35 km, 1.400 m ascensão O clima estava perfeito, seria difícil melhorar. Dias de céu azul, quase sem nuvens, clima fresco (20-25 graus) e chão compactado, sem poeira ou barro. A viagem foi muito melhor do que eu poderia esperar em termos de paisagens, pessoas e a experiência de ficar 4 dias somente pedalando, distante das preocupações cotidianas. Foi uma verdadeira terapia mental e física. As cidadezinhas do roteiro são muito bacanas e tem também muitos bairros rurais, onde a vida segue num ritmo de muitos anos atrás. Tivemos quase nenhum problema durante os 4 dias, somente 2 pneus furados (na minha bike) e meu irmão perdeu o ciclocomputador dele. Outra dica de um amigo que já fez o CdF foi se poupar nas grandes subidas, empurrando a bike logo no começo. Aliás, subida é que não falta no CdF, para citar as maiores: Serra dos Limas, Serra de Tocos do Moji, Serra do Caçador e, a mais temível, Serra de Luminosa. Se você conseguir subir todas elas pedalando, parabéns! Nós empurramos bastante nessas e em outras também. No penúltimo dia chegaríamos e dormiríamos em Luminosa, mas decidimos continuar além do vilarejo e dormir na Pousada da Dona Inês, uns 4 km após Luminosa, já subindo a famosa serra. O objetivo foi dividir a subida em duas partes, o que foi muito acertado. Em termos de gastos, a viagem é barata. Para dormir custa entre R$ 30 e R$ 40 por pessoa e as refeições ficam abaixo de R$ 10. Além disto não tem muito mais onde se gastar. Ou seja, por dia você gastará uns R$ 70. Todos os 3 ônibus que peguei levaram a bike no bagageiro sem problemas ou taxas extras. Seguem algumas fotos: https://picasaweb.google.com/106721644794220114823/CaminhoDaFe2012
  9. Abaixo segue o relato completo dos 13 dias de bike pelo Caminho da Fé, em março último. Caso queria ver mais fotos, acesse meu blog no endereço: http://vanderdissenha.wordpress.com/ As postagens sobre o Caminho da Fé vão do dia 21/03 até 08/04, é só procurar no Blog, onde postei quase 200 fotos da viagem.
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