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  1. Em julho de 2.019, realizamos bate/volta nos 3 Picos mais importantes da Serra Fina (Mina, Capim Amarelo, 3 estados) A NOVELA: PEDRA DA MINA Para muitos o bate/volta na Pedra da Mina é um dos trekkings mais difíceis de se fazer em um dia, devido a quantidade de subidas e descidas fortes, tem dois lugares complicado, até pelos nomes já dá para preocupar: o "Deus me livre" e o "Misericórdia". Sem contar os relatos de pessoas que se perderam e tiveram que ser resgatados pelo corpo de bombeiros.Diante disso, esse trekking me consumiu muito tempo e estudo (coisa que geralmente não faço). Apesar de se preparar adequadamente, ainda assim, se perdemos justamente no início da trilha. Faz parte da aventura. Farei um relato diferente, é muito difícil pessoal que se perdeu em determinado lugar, explicar o que aconteceu depois. Vou procurar descrever o máximo possível para outras pessoas não errem o início da trilha para o Pico da Mina. Apesar de ser bate/volta no mesmo dia, tivemos que levar muita roupa de frio (na semana no pn itatiaia pegamos -4°), muita água (3 litros cada) e comida para 2 dias (se perdemos na trilha teríamos mantimentos até o resgate), nossas mochilas ficaram com +-10 kgs. CAPÍTULO 1: PEDRA DA MINA - Conhecendo o caminho até a fazenda Serra Fina, início da trilha. 16° dia - 13.07.2019 - Sábado 1° dia - Saída de Santana do Capivari-Mg de carro, ida até a cidade de Passa Quatro comprar lanternas (1 se cabeça a $9,90 e 1 de mão $12), luva de moto $10, pilhas, comida para subida da Pedra da Mina. Fomos até o Paiolinho/fazenda Serra Fina conhecer o caminho e ver se tinha onde ficar, descobrimos a casa do Zé, dono dum restaurante antes do paiolinho.. Para não se perder durante a madrugada de carro, na subida entre Passa Quatro e a fazenda Serra Fina(na nossa previsão iríamos dormir em PASSA QUATRO, acordaríamos as 02:30 da manhã e subiríamos até o início da trilha de carro). Tiramos o sábado para ir de carro até lá para gravar bem esse roteiro, quando se faz bate/volta longo e difícil, como a PEDRA DA MINA, tem que começar bem cedo, pois pode acontecer de se perder(FOI O QUE ACONTECEU). Saímos do centro de Passa Quatro-Mg e chegamos no trevo da rodovia asfaltada, atravessamos e pegamos estrada que começa neste local, não pega a Br(tem um restaurante do lado esquerdo da estrada asfaltada que vai para a fazenda Serra Fina, essa estrada começa do lado direito desse restaurante). Dirigimos +- 1 km, asfalto com muitos buracos, chegamos numa bifurcação (tem uma placa informando que são 12 kms até o Paiolinho) viramos à esquerda e pegamos estrada de terra em boas condições, mas subida forte, depois de uns 6 kms pegamos um pequeno trecho com pedras médias(devagar, passa tranquilo), após uns 100 metros chegamos numa bifurcação (do lado esquerdo tem uma casa amarela com piscina) seguimos reto - 1125msmm OBS.: Já fizemos esse trecho à pé várias vezes, no caminho dos anjos(2 vezes), na Estrada Real (4 vezes) e no CRER (1 vez), até essa bifurcação não teríamos problema na madrugada. Logo depois da bifurcação tem um pequeno trecho com muitas pedras. Continuamos sempre subindo, alguns trechos com algumas pedras(tem algumas entradas de fazenda) e quebra mola. Após um tempo chegamos numa bifurcação(tem uma casinha branca em cima dum morrinho à esquerda), SEGUE À ESQUERDA (tem uma plaquinha branca no início desse trecho) - 1185msnm. Começa trecho de descida e logo à frente subidas fortes, chegamos num entrocamento(tem um grupo escolar do lado esquerdo) continuamos reto, logo a seguir chegamos numa bifurcação que tem uma árvore bem alta, seguimos reto (NÃO vire à esquerda) (depois de umas casas - bairro PAIOLINHO) - 13 Kms desde Passa Quatro-MG - 1305msnm . A subida ficou mais forte, tem um quebra mola (CUIDADO) tem duas entradas à esquerda, CONTINUE RETO, chegamos numa virada e logo a seguir uma PONTE COM VÃO NO CENTRO (CUIDADO), depois de poucos metros chegamos na fazenda Serra Fina (muitos carros estacionados). Dona Maria, de Segunda-feira a sexta fica o dia todo. No sábado ela fica até meio dia, sai e fica no Paiolinho +- 3km(casa branca com um pé de maracujá, em frente a escola) até domingo no final da noite. Estacionamento $20. Se por acaso chegar na fazenda e não tiver ninguém, deixe o carro no estacionamento e na volta paga para dona Maria, sem problema ok Esporadicamente pode armar barraca no estacionamento da fazenda Serra Fina (não cobra, mas não tem banho nem refeição). Obs.: acredito que se tiver chovido nos dias anteriores, dificilmente carro sem tração nas 4 rodas conseguem subir até lá. No restaurante do Zé, +-4kms antes da fazenda Serra Fina: Tem camping: $20 por pessoa por dia (refeição +-$25 por pessoa, frango caipira $60 só o frango inteiro) porções à parte). Arroz $9 Feijão $9 Salada $8 (alface tomate cebola) Linguiça $15 Boi $10 Truta $30 porção Porções servem 4 pessoas. Tem hospedagem(na casa do Zé e da mãe) a uns 500 metros antes do restaurante: Casa pequena: $80 casal Casa grande: $80 casal Por pessoa: $40 por dia Só o banho: $10 cada Cozinha completa sem microondas tem fogão à lenha. Zé: 35 99934-6593 sem whattsap O sinal da operadora vivo não é constante na casa do Zé. Do restaurante a fazenda Serra Fina são aproximadamente 4 kms Se for chegar à noite tem que pedir para deixar refeição pronta para quem ficar hospedado na casa(eles deixam a comida pronta e você esquenta quando chegar, tem fogão à gás na casa que alugam). Negociamos com o Zé e pernoitamos na casa dele, e já deixamos encomendada a comida para o outro dia, pois chegaríamos tarde na volta do pico da Mina. Preço: $80 o casal sem caféda manhã. Jantar $25 por pessoa.
  2. Caminho da Fé – Pedra do Baú – Travessia da Serra Fina – Agulhas Negras e Prateleiras (PNI). Estou escrevendo este relato um ano depois que fiz esse passeio. Talvez eu esqueça alguma coisa. Eu estava precisando me desligar da vida que eu vinha levando. Estava precisando fazer o que eu mais gostava, caminhar bastante, travessias em trilhas, subir montanhas, me isolar do mundo “civilizado”. Tinha decidido que eu iria “largar tudo” e sair, sem saber até onde eu iria ou quando voltaria. Tinha uma grana guardada (cinco mil) e deveria ser suficiente para eu viver por pelo menos uns 3 meses. Falei com meu irmão que ele teria que se virar sozinho em nosso comércio. Falei com minha família que eu estava indo por não sei quanto tempo, mas que eu voltaria qualquer dia. Trabalhei até 31 de agosto, quase meia-noite. No dia 01 de setembro fui para um apartamento onde fiquei por 4 dias planejando lugares que queria conhecer, vendo preço de ônibus, tracklogs, etc. Na manhã de 4 de setembro parti para São Paulo e naquela noite para águas da Prata, onde minha jornada começaria. Como eu iria para vários lugares, diferentes um do outro, tive que levar muita coisa na mochila. Coisas que usaria em algum passeio, mas que seriam dispensáveis em outro. Ainda assim tentei levar o mínimo possível. Ítens que levei: - Mochila Osprey Kestrel 48 litros com Camel Back de 2 litros - Dois cantis de 900 ml. Um com caneca de alumínio. - Rede Amazon e tarp Amazon da Guepardo. - Saco de dormir Deuter 0º - 4 camisas dry fit - 2 blusas finas de fleece. - 2 calças quechua de secagem rápida - 6 cuecas - 3 pares de meia - 1 boné - 1 touca - 1 par de luvas (daquelas de pedreiro) - 1 par de sandálias Quechua - 1 par de botas La Sportiva - Kit Fogareiro + panela pequena - 2 isqueiros - 1 canivete - 1 colher plástica - 1 botija de gás Nautika pequena - GPS - Celular (para fotografias) - Caderneta e caneta - 1 Anorak - Corda e cordelete - Bolsa de nylon (para transportar a mochila no ônibus) Caminho da Fé. Águas da Prata até Aparecida. Caminho da Fé – 1º dia. 30Km 05-09-2018 Águas da Prata (SP) até Andradas (MG). Início 05:15 horas e chegada 12:55 horas Almoço : Pavilhão hamburgueria Jantar: bolachas e sanduba no hotel. Pernoite: Palace Hotel. Seguindo o conselho de um cara que desceu comigo e iria fazer o caminho de bike eu iniciei cedo para evitar o sol. Só que por esse motivo fui sem comida. Só comi uns pedacinhos de rapadura que ele me deu e uma banana que ganhei de um ciclista. Pelo longo tempo inativo, eu senti um pouco o peso dos 17Kg que estava levando na mochila. Caminho da Fé – 2º dia. 36 Km 06-09-2018. Andradas (MG) até Crisólia (MG). Partida às 08:00 horas e chegada às 17:40 horas. Almoço: salgadinho no Bar Constantino, comunidade da Barra. Jantar: miojo num banco ao lado da rede. Pernoite: rede Subidas cavernosas. Serra dos Lima, Barra, Taguá e Crisólia. Cheguei tarde, fui numa pousada carimbar a credencial e depois procurei duas árvores para esticar a rede, fazer o rango e dormir. Nesse dia não teve banho. Caminho da Fé – 3º dia. 38 Km 07-09-2018 Crisólia (MG) até Borda da Mata(MG). Partida às 07:30 e chegada às 18:00 horas. Almoço: pastel no Bar do Maurão em Inconfidentes Jantar: x-salada em lanchonete perto do hotel. Pernoite: Hotel Virgínia. Feriado da Independência. Fui acordado às 6 da manhã com queima de fogos e hinos. Passagem por Ouro Fino e Inconfidentes. Desfile cívico em todas as cidades. No hotel em borda da mata conheci um casal de cicloturistas que estava com um carro de apoio. Consegui que levassem um pouco das minhas coisas até Estiva. Foram 6 Kg a menos para carregar. Caminho da Fé – 4º dia. 17,5 Km. 08-09-2018. Borda da Mata(MG) até Tocos do Mogi (MG). Início às 08:00 horas e chegada às 12:40 horas. Almoço: um pouco de morangos colhidos no caminho. Jantar: Lanche na festa da padroeira. Pernoite: Pousada do Zé Dito. (muito boa e barata) Dia mais curto. A pousada ficava no calçadão principal, onde estava acontecendo a festa da padroeira. Estava difícil dormir. O jeito foi sair para a festa e tomar umas, apesar do frio que fazia de noite. Caminho da Fé – 5º dia. 21,5 Km 09-09-2018 Tocos do Mogi (MG) até Estiva (MG). Início às 09:00 horas e chegada às 14:20 horas. Almoço: moranguinhos (quase 1 Kg) e queijo fresco com caldo de cana. Jantar: Restaurante perto da pousada. Pernoite: Pousada Poka. Trecho muito bonito. Muitas plantações de morango. Muitos pássaros. Na pousada eu recuperei minhas coisas que haviam sido deixadas ali e já consegui ajeitar um novo transporte delas até Potim, já pertinho de Aparecida. Caminho da Fé – 6º dia. 20 Km 10-09-2018 Estiva (MG) até Consolação (MG). Partida às 07:30 e chegada às 12:45 horas. Almoço, jantar e pernoite: Pousada Casarão Destaques deste dia. Cervejinha gelada num bar onde um piá gordinho queria tirar uma selfie comigo. E também queria meu bastão de selfie de qualquer jeito. Também destaque para o canto da seriema, triste e ao mesmo tempo bonito, que se fez presente muitas vezes. Também tem a subida da serra do Caçador, cavernosa. Além disso, nesse trajeto é comum vermos carros de boi e também “canteiros”onde os agricultores esparramam o polvilho para secar. Caminho da Fé - 7ºdia. 22,5 Km 11-09-2018. Consolação (MG) até Paraisópolis (MG). Início às 07:00 e chegada às 12:30 horas. Almoço: Restaurante Sabor de Minas. Muito bom e barato. Comi pra danar. Janta: coxinha na praça. Pernoite: Hotel Central Foi um dia especialmente marcado pela presença dos pássaros ao longo do caminho, canários, sabiás, pássaros pretos, coleirinhas, gralhas, joões-de-barro, tucanos, maritacas. E aves maiores, como gaviões, seriemas e garças brancas. Também vale destacar a grande quantidade de flores, principalmente nos portões das casas dos sítios. Caminho da Fé – 8º dia. 28,5 Km. 12-09-2018 Paraisópolis (MG) até A pousada da Dona Inês, que fica 4 Km depois do distrito de Luminosa, município de Brazópolis. Início às 07:55 e chegada às 15:15 horas. Almoço: Salgadinho e coca numa mercearia em Brazópolis. Jantar e Pernoite: Pousada da Dona Inês. Foi o dia mais quente desde o início do caminho. Era meu aniversário de 52 anos e ficou marcado porque depois do jantar na Pousada, uma amiga de caminho, a Fabiana, puxou um parabéns a você, junto com as outras cerca de 20 pessoas que estavam ali. Fiquei bem emocionado. Caminho da Fé – 9º dia. 33 Km 13-09-2018 Pousada Dona Inês (Luminosa-MG) até Campos do Jordão (SP). Início às 05:45 e chegada às 18:45 horas. Almoço: Restaurante Araucária. Fica perto da placa que indica a entrada para a pousada da Dona Rose e da madeireira Marmelo. Comida muito boa. Jantar: Caldo de Mandioca com carne. NIX Caldos e lanches. Pernoite: Refúgio dos Peregrinos Na verdade, a quilometragem total desse dia foi de 51 Km porque no meio do caminho decidi que iria subir a Pedra do Baú. Isso me custou várias horas e me fez chegar em Campos do Jordão já de noite. Mas valeu muito a pena. O dia amanheceu lindo. Logo de cara a temida subida da Luminosa, mas que não é nada de tão difícil. Depois é asfalto até o fim do dia. A pousada Refúgio dos Peregrinos é bem diferente. Tem uma tabela de preços na parede. Você anota o que consumiu, faz as contas, paga e faz o troco. Tudo na base da confiança. Caminho da Fé - 10º dia. 52 Km 14-09-2018 Campos do Jordão(SP) até Pindamonhangaba(SP). Início às 06:00 horas e chegada às 17:45 horas. Almoço: Sanduíche em Piracuama. Jantar e pernoite: Pousada Chácara Dois Leões. Nesse dia todos os que estavam no refúgio dos peregrinos foram por Guaratinguetá, menos eu que fui por Pindamonhangaba. Descida pela linha do trem até próximo a Piracuama, com uma garoa fininha que de vez em quando virava um chuvisco. De tarde foi só asfalto e chuva. Cheguei na pousada já escurecendo. Foi o dia mais cansativo, pela quilometragem, pela chuva e principalmente pelo asfalto. Caminho da Fé - 11º dia. 24 Km. 15-09-2018. Pindamonhangaba(SP) até Aparecida(SP). Início às 09:00 horas e chegada às 15:15 horas. Almoço: Pesqueiro Potim. Comida muito boa. Comi feito um louco. Aqui eu recuperei o restante de minhas coisas que tinham vindo no carro de apoio de amigos. Pernoite: Hotel em Aparecida. Esse era o último dia no caminho. Um misto de ansiedade por chegar e de nostalgia antecipada das experiências vividas e das paisagens do caminho. A chegada na basílica é emocionante, não importa em que você acredita, ou se acredita em algo. Fica a saudade dos lugares. Dos amigos. Dos passarinhos. Fiquei em Aparecida até segunda-feira, quando fui ao correio e despachei para casa algumas lembrancinhas que tinha comprado e coisas que tinha levado e que vi que não ia usar. A calça jeans e a camisa de passeio. Umas cordas. Um dos fleeces e a bolsa de transporte. A Vida e o Caminho da Fé. Durante esse derradeiro dia de caminhada me veio à mente uma analogia entre a vida e o “caminho da fé”. O caminho da fé cada um começa de onde quiser, mas todos com o mesmo destino. No caminho o destino é a basílica de Aparecida, na vida a gente sabe o destino. No caminho as pessoas vão chegando, amizades vão sendo feitas. Uns mais lentos outros mais apressados. Uns madrugadores outros nem tanto. Uns alegres e comunicativos, outros mais quietos e introspectivos. Muitos de bike, passam pela gente voando, só dá tempo para um “bom dia”. Assim também é a vida e os amigos que vamos fazendo. Uns continuam por perto, outros se distanciam, mas continuam amigos No caminho não importa sua classe social, sua cor, opção sexual, grau de instrução ou idade. O destino é o mesmo para todos. Assim também é na vida. No caminho a jornada é longa, alguns dias são mais difíceis, parecendo que não vão terminar. Outros passam leves e agradáveis, a gente nem queria que terminassem. Igualzinho a nossa vida Temos que superar o cansaço, as bolhas, os pés inchados, joelhos e tornozelos doendo, a mochila pesada que nos deixa com os ombros marcados. Enfrentar as subidas, as descidas, os buracos, as pedras, a fome e a sede em alguns momentos. Por mais difíceis que sejam esses obstáculos, eles são superados. Ficam para trás. Igualzinho na vida. O caminho também nos oferece muitas coisas boas. Simples, mas inesquecíveis. Os pássaros cantando ao lado da estrada. A beleza e o perfume das flores. Os riachos que nos permitem um banho refrescante depois de uma subida cansativa. As conversas com os amigos. O pôr do sol por trás das montanhas. A janta e a cama quente que nos restabelecem para o dia seguinte. O nascer do sol de um novo dia, nos lembrando que sempre nos é dada uma nova chance de sermos felizes. Assim também acontece na nossa vida. Seja no caminho da fé, ou na vida, o destino a gente sabe qual é. O importante é deixar para trás o que para trás ficou. E aproveitar ao máximo a jornada. Pedra do Baú. Eu sempre gosto de planejar meus passeios, travessias. Mas sobre a Pedra do Baú eu não sabia nada. Só de ouvir falar, de ler alguma coisa de relance. Mesmo assim era uma coisa que eu tinha vontade de fazer algum dia, se desse certo. Era o dia 13-09-2018, meu nono dia no caminho da Fé. Era de manhã e eu caminhava pela rodovia, junto com um peregrino de nome Donizete, que eu conhecera na pousada da Dona Inez. Passamos por uma placa que indicava a entrada para o Parque Estadual da Pedra do Baú. Eu falei para ele: - Donizete, vai em frente que eu vou subir a Pedra do Baú. Ele disse: - Cara, isso vai demorar. Você só vai chegar em Campos do Jordão de noite. Isso se der tudo certo. Daí eu disse:- Tem que ser hoje. Não sei se vou ter outra chance. Quem sabe eu nunca mais passe por aqui. Me despedi dele e entrei na estradinha que levava ao parque. Escondi minha mochila e fui só de ataque, levando água, uma rapadura, uma paçoca, o GPS e o celular para tirar as fotografias. Depois de uns 4 Km cheguei onde começavam as trilhas e entrei na que indicava Pedra do Baú, face norte. Passei por uns caras que eram guias e estavam levando equipamentos de escalada. Depois de um tempo cheguei num local que tinha uma escada amarela grande, fixada na parede de pedra. Não pensei duas vezes. Subi aquela escada e depois continuei uma escalaminhada, com misto de escalada em alguns pontos, até que já estava bem alto e não tinha mais para onde subir. Estava pensando até em desistir e voltar embora, quando avistei uns caras no cume de um morro que eu julguei ser o Baú, mas acho que era o Bauzinho. Gritei para eles e eles responderam de volta. Perguntei como chegava na Pedra do Baú e eles me disseram para descer de novo e seguir mais em frente. Desci e estava chegando ao ponto em que tinha começado a subida quando vi eles vindo. Esperei por eles. Conversamos por um tempo e eles me deram as informações sobre como chegar até onde a subida começava realmente. Segui em frente pela trilha e pouco depois eu chegava na base da Pedra do Baú, onde um guia estava terminando os preparativos para iniciar a subida com um casal de clientes. Capacetes, corda, mosquetões, etc. Eu estava ali de bermuda, boné e botina. Eu vi aquela parede enorme e aquela sequência de grampos na pedra que eu não sabia onde terminaria. Pensei: - vou esperar ele começar a subida e assim pego uma carona. Se o negócio apertar eu peço arrego para ele. Foi quando ele virou pra mim e perguntou: - Vai subir? Falei que sim e ele disse:- Pode ir na frente então. A gente ainda vai demorar uns minutos. Eu pensei:- já era minha carona. Era uma parede de pedra quase vertical e muito exposta, que devia ter mais de 300 metros de altura. O jeito foi encher o peito de ar, mirar para cima e começar a subida. Subi meio que com medo no começo, mas também com muita confiança Parei algumas vezes no meio para tirar fotos. Passei por mais dois guias com clientes antes de chegar ao cume. Um deles foi bem legal e me deu umas dicas sobre o percurso que faltava. Muitos trechos com vento forte e eu pensava: - se eu parar agora eu travo. E ia em frente. Os últimos grampos, quando se está chegando no cume são especialmente complicados, porque você tem que abandonar a “segurança” que os grampos te dão para poder chegar no cume. Mas depois de uns 20 minutos de subida, lá estava eu no cume da Pedra do Baú. Foi um momento mágico. Bem mais do que eu esperava. O visual era incrível. Tirei foto de tudo que é jeito. Deitado sobre a beira do abismo, em pé, etc. Aqui vou abrir um parênteses. Apesar de estar no caminho da Fé, um caminho católico, onde se passa por muitas igrejas, as únicas vezes na vida que eu senti realmente uma presença muito forte, do que alguns podem chamar de Deus, foi quando estive no cume de alguma montanha ou embaixo de uma cachoeira. Nunca em uma igreja. Deixei de frequentá-las faz muito tempo. Me lembro de ter me encontrado com “Deus”, no cume do Alcobaça (2013), em Petrópolis. Embaixo da cachoeira do Tabuleiro, literalmente, em 2013 (e agora em 2019 de novo). Nos Portais de Hércules, Travessia Petro-Tere, em 2014. No cume do Pico Paraná em 2015 (não encontrei quando retornei em 2017). Na base das Torres e no Mirante Francês, no Parque Nacional Torres del Paine, em 2016. E agora, na Pedra do Baú. É uma sensação difícil de explicar. É como se você se sentisse realmente parte de um todo, de uma coisa muito maior. Se sentisse nada e tudo ao mesmo tempo. Uma paz muito grande torna conta da gente. E em todas essas vezes eu senti a presença do meu pai, já falecido. Restava agora a descida, que metia mais medo que a subida. Principalmente os primeiros grampos, onde tinha que se virar de costas para o abismo para alcançar os grampos. A Mesmo assim a descida foi rápida e durou cerca de 15 minutos. Cheguei na base e peguei o caminho de volta pela trilha. Pouco tempo depois quase pisei em uma jararaca de cerca de um metro de comprimento. Ela estava junto a uma pedra onde eu iria colocar meu pé. Ela se mexeu e eu a vi. Consegui dar um pulinho e evitei pisar nela. Foi por muito pouco. Segui rápido pela trilha e tempo depois eu já estava de volta à rodovia, rumo a Campos do Jordão. A Pedra do Baú foi muito gratificante. Mais do que eu esperava. Mais do que eu merecia. Serra Fina. Fiquei em Aparecida até na segunda-feira, 17-09-2018 e daí fui para Passa Quatro (MG), onde cheguei já escuro na rodoviária local. Peguei um ônibus circular e fui para o hostel Serra Fina, do Felipe, onde fiquei até na sexta-feira quando comecei a travessia. Choveu na terça, quarta e quinta, mas na sexta a previsão era de tempo limpo que duraria tempo mais que suficiente para a travessia e por isso decidi esperar e aproveitar para descansar e ler. Mesmo assim fui até a toca do lobo, pra passear e conhecer o Ingazeiro gigante. Também fui conhecer o centro da cidade. A região estava em alvoroço. Dois rapazes cariocas estavam perdidos em algum ponto da travessia e vários bombeiros, guias e montanhistas estavam à procura deles. Por sorte conseguiram um ponto onde tinha sinal de celular e conseguiram passar a localização e foram resgatados. Se bem que já estavam próximos de uma propriedade rural. Passa Quatro é uma cidadezinha linda e é um lugar onde eu moraria tranquilamente. O Hostel Serra Fina também é muito bom e o Felipe é um cara nota dez. Eu me senti em casa. Todas as travessias que eu faço eu vou sozinho. Não que não goste de pessoas. É que eu gosto de ir no meu rítmo. Gosto de ficar sozinho. Andar sozinho. Pensar na vida, etc. A intenção era fazer essa travessia também de modo solitário. Mas na quinta-feira de noite chegou ao hostel uma gaúcha baixinha, menor que eu até, que iria começar a travessia na sexta também, então decidimos começar juntos. A mochila dela era enorme e certamente tinha coisa que não precisava. Começamos o primeiro dia da travessia, 21-09-2018, uma sexta-feira, mais tarde do que eu queria. Saímos da toca do lobo já era meio-dia. Logo no começo da travessia, primeira subida, eu percebi que ela iria me atrasar, mas já que estávamos juntos, seguiríamos juntos. Foi quando ele me disse:- Vai na frente, você anda mais rápido. Eu disse que não, mas ela insistiu. Disse que ficaria bem. Eu então dei um até logo e disse que a reencontraria no Capim Amarelo..A subida é intensa e o ganho de altitude é rápido. Talvez pelo “treino” feito no Caminho da Fé eu não senti muito e passei por mais gente no caminho. Primeiro por 3 mineiros (que depois se tornariam grandes amigos) e depois por outros dois caras que pareciam ser militares. Cheguei ao cume do Capim Amarelo eram 15:15 horas. Praticamente 3 horas só de subida. Montei minha “barraca”, que era na verdade a minha rede estendida sob a lona que tinha sido disposta como se fosse uma barraca canadense. Fiz um rango e fiquei apreciando a paisagem. Como sabia da falta de água eu decidi que não levaria comida que precisasse de água no preparo, então comi basicamente tapioca de queijo, ou de nutella, ou de salaminho, paçoca, geléia de Mocotó e castanhas, durante toda a travessia. Os mineiros chegaram um pouco mais tarde e armaram suas tendas. Os militares chegaram quando já estava começando a escurecer. Eles não traziam barracas, dormiram de bivaque. Quando já estava quase escuro chegou um grupo que iria passar direto pelo Capim Amarelo e acampar no Maracanã. Perguntei pela gauchinha e me disseram que ela tinha montado acampamento em algum local no meio do caminho. Depois disso fiquei sabendo que ela desistiu e retornou para Passa Quatro. E que depois reiniciou a travessia na segunda-feira, tendo que ser resgatada de helicóptero no cume dos 3 Estados. E que depois disso voltou mais uma vez, acompanhada de um escoteiro, só que mais uma vez desistiram, abortando a travessia na Pedra da Mina, via Paiolinho. Estávamos a 2490 m de altitude e o pôr do sol e a noite foram lindos e gelados. Meu termômetro marcou a mínima de 3,5ºC. O dia 22-09-2018 era o segundo dia da travessia. A intenção era dormir no cume da Pedra da Mina. Depois do café da manhã, junto com os mineiros, desarmei e guardei toda a tralha e deixei o Capim Amarelo para trás às 10:20 horas. Logo no começo encontrei uma garrafa de uísque que tinha sido esquecida pelos militares. Voltei até onde os mineiros estavam e depois de bebermos uns goles eu retornei para a trilha, levando a garrafa para devolvê-la assim que encontrasse os rapazes. Não demorou muito para encontrá-los porque eles tinham pegado uma trilha errada logo na saída do Capim Amarelo. Depois de muito sobe e desce, mata fechada, bambuzal, escalaminhada, trepa pedra, cheguei na cachoeira vermelha e no ponto de abastecimento de água. Estava cedo e daria para pernoitar no cume. Foi o que fiz e cheguei ao cume eram 16:40 horas. Chegando ao cume estendi a minha lona fazendo um teto que ligava uma parede de pedras empilhadas até o chão Estendi ali embaixo o isolante e joguei o saco de dormir por cima. Essa noite não teria o mosquiteiro. Deixei a rede guardada. Comi meu jantar, assinei o livro de cume e fui apreciar o fim da tarde, o pôr do sol e as estrelas aparecendo. A noite estava bem fria. Os 3 mineiros chegaram quando a noite já tinha caído. Ajudei eles a montarem as barracas e depois ficamos conversando até altas horas. Os militares chegaram ainda mais tarde e no dia seguinte abandonariam a travessia, descendo pelo Paioloinho. Essa noite teve como temperatura mínima 3,7º C, mas a sensação foi de que era uma noite muito mais fria que a anterior. Talvez pela exposição ao vento, o que não tinha acontecido pela proteção que o capim elefante fornecera na noite anterior. A noite foi linda, repleta de estrelas e prometia um amanhecer incrível, fato que aconteceu. O único porém foi a grande quantidade de pessoas que estavam na Mina, quase todos fazendo bate-volta, o que trouxe muito barulho até algumas horas da noite. Apesar disso dormi muito bem e acordei bem disposto. A água até aqui não tinha sido problema. O dia 23-09-2018 era o terceiro dia da travessia e amanheceu espetacular, apesar de muito frio. Acordei antes do sol nascer e escolhi um bom lugar para apreciar o espetáculo. Depois disso o café da manhã (sem café) e desmontar acampamento. A surpresa foi quando levantei o saco de dormir e vi que uma aranha bem grande tinha vindo se aquecer embaixo dele. Peguei a bichinha com cuidado e a levei para perto de uma moitinha de capim. A travessia começou mesmo já eram 10:50 horas da manhã e daí para frente decidi caminhar junto com os 3 mineiros, afinal a gente combinava bastante. E assim saímos nós 4 da Pedra da Mina, eu , o Vinícius (Vini), o Daniel (boy) e o Nelson (Bozó). E assim passamos pelo Vale do Ruah, onde abastecemos os cantis pela última vez, com água que deveria ser suficiente até as 16 horas do dia seguinte. Daí foi uma grande sequência de morros até chegarmos ao Pico dos Três Estados às 17:20 horas. Mais uma vez montei a lona no estilo canadense, dispus a rede com mosquiteiro dentro e esparramei minhas coisas. De noite nos reunimos junto ao triângulo de ferro que representa a divisa dos 3 estados para a janta. Os caras já tinham pouca água. Eu ainda tinha meus dois cantis cheios e mais um bom tanto no camelback. Dessa maneira cedi um cantil para que eles fizessem a janta e bebessem o que sobrasse. Essa noite foi a mais fria, com o termômetro marcando 2,7º C, mas o capim elefante nos protegeu bem dos ventos e deu para dormir muito bem. No dia seguinte pela manhã, o Bozó sugeriu que fizéssemos café. Lá se foram mais 500 ml de água. Mas foi muito bom aquele cafezinho e aquela vista que se tinha lá de cima. De lá dava para ver Prateleiras e Agulhas Negras, minha próxima empreitada. Era o dia 24-09-2018, nosso quarto e último dia de travessia. Deixamos o 3 Estados às 09:40 da manhã. Esse foi um dia bem sofrido. Uma sequência de morros. Sobe e desce. Muitos trechos de mata, e bambuzal. Mas o principal obstáculo era a falta de água. Minha água era para dar tranquilamente, mas depois da janta, café e dividir com os amigos, eu tinha deixado o 3 Estados somente com a água que restava no camelback, que era pouco mais de meio litro. Fomos racionando, mas quando chegamos no Alto dos Ivos, todos bebemos o que nos restava de água. Foram mais 3 horas até encontrarmos água de novo. A falta de água aliada ao esforço físico fez com que o Vini começasse a passar mal. Mesmo assim tocamos em frente.Chegamos inclusive a beber água acumulada nas bromélias. Eu e o Bozó, que estávamos melhor, seguimos mais rápido enquanto Daniel ficou para trás acompanhando o Vini. Chegamos ao ponto de água e enchemos os cantis e o Bozó voltou correndo para encontrá-los e matar a sede dos amigos. Já eram 16:50 horas quando chegamos na rodovia BR-354, onde o resgate que eles tinham combinado estava esperando. A Patrícia, que era a dona da caminhonete de resgate me deu uma carona até Itamonte, onde seria meu pernoite. Por coincidência, a Patrícia era o resgate dos rapazes que estavam perdidos quando cheguei em Passa Quatro. Como eles não chegaram no ponto de resgate no dia combinado, ela entrou em contato com os bombeiros e com a família dos rapazes. Era o fim da travessia. Uma das mais puxadas e mais bonitas que já fiz. Foi também a última vez que vi os amigos Daniel e Vinícius. O Bozó eu encontrei de novo em Belo Horizonte agora em maio de 2019. Foi uma travessia que exigiu muito, mas que ofereceu muito mais em troca. Alvoradas e crepúsculos inesquecíveis. Paisagens sem igual, amizade, companheirismo. E que deixou uma vontade enorme de retornar e fazê-la novamente. Parque Nacional de Itatiaia. Agulhas Negras e Prateleiras. Desde que eu estava no hostel em Passa Quatro, eu já estava procurando um guia para o Parque Nacional de Itatiaia. Sabia que se tudo desse certo eu terminaria a travessia na segunda-feira 24-09 e na terça-feira 25-09 queria ir para o PNI, para subir o Agulhas Negras e o Prateleiras. Durante os telefonemas para casa, eu vi que teria que voltar logo. Dessa maneira, eu teria que fazer os dois cumes no mesmo dia. Entrei em contato com vários guias, mas ninguém queria fazer os dois cumes em um único dia. Uns disseram que não dava. Outros disseram que não era permitido. Até que encontrei um cara. Tudo isso pela internet e pelo tal de whats app, que eu nunca tinha usado antes disso. Deixamos mais ou menos combinado. Ele me cobraria 300 reais pela guiada. Eu sabia que o PNI exigia equipamentos para a subida aos cumes. Eu não tinha esses equipamentos. Após o PNI eu teria que voltar para casa, minha jornada terminaria ali, portanto não precisaria mais ficar regulando a grana. Durante a travessia da Serra Fina a gente ficou sem contato. No final da travessia, o resgate dos mineiros me deu uma carona. Eu tinha planejado ficar no Hostel Picus, ou no Yellow House, mas ambos estavam fechados. Dessa forma fui com eles até Itamonte, onde me deixaram e seguiram rumo a Passa Quatro. Saí procurando hotel ou pousada e acabei ficando no Hotel Thomaz. O Hotel era bom e tinha um restaurante onde eu jantei. Só que fica bem na rodovia e eu peguei um quarto de frente para a rodovia e o barulho dos caminhões e carros freando durante toda a noite incomodou um pouco e prejudicou o sono. Na manhã do dia 25-09-2018, terça-feira, acordei bem cedo, tomei banho, preparei as coisas que levaria para o Parque, entrei em contato com o guia e desci para tomar o café da manhã no Hotel. Por volta das 7 horas o guia chegava de carro para me pegar e seguirmos para o parque. Durante o caminho fomos conversando e falei pra ele sobre a travessia e sobre o caminho da fé e pedra do Baú, que tinha feito recentemente. Ele também é guia na travessia da Serra Fina. Chegamos ao parque fizemos os procedimentos de entrada, onde um guarda-parque alertou que caso não começássemos a subida do Prateleiras até as 14 horas, não deveríamos continuar. Desse modo, às 08:45 da manhã iniciamos nossa caminhada rumo a base do Agulhas Negras. Ele apertou o passo, acho que querendo me testar. Eu fui acompanhando de boa. Paramos num riozinho para abastecer a água e fazer um lanchinho, já próximo da base. A conversa ia progredindo e ele me falou que achava que eu era um cara que parecia estar preparado e que normalmente ele guiava por uma via conhecida como Via Normal ou Via Pontão, mas que se eu quisesse a gente poderia tentar uma via diferente, pra se divertir um pouco. Falei pra ele que ele é quem estava guiando e que por mim tudo bem. Dessa maneira subimos por uma via menos utilizada, que passa por dentro de uma espécie de chaminé que é conhecida como útero. Na verdade quando você emerge dessa “chaminé” é como se você estivesse nascendo. Não levamos capacete, nem cadeirinha, apenas uma corda e uma fita. Usamos a corda somente duas vezes, uma delas para rapelar e depois subir um lance de rocha que fica entre o falso cume e o cume verdadeiro onde fica o livro de cume. Atingimos o cume verdadeiro às 10:40 horas. Comemos, descansamos um pouco, apreciamos a paisagem, tiramos várias fotos e depois iniciamos a descida. Dessa vez por uma via diferente, a Via Bira. No início da descida um rapel de uns 40 metros por uma descida bem íngreme junto a uma fenda e uma parede. Bem legal. Foi uma descida bem bacana. Uma via bem mais interessante que a tradicional. Eram 12:40 quando chegamos de volta ao ponto onde tínhamos iniciado a caminhada. Fizemos um lanche rápido e às 13:00 horas partimos em direção ao Prateleiras. Desta vez sem mochila, sem corda, sem água. Só levamos uma fita de escalada, que foi usada uma única vez. Achei bem mais tenso que o Agulhas, apesar de mais rápido. Muita fenda, muito lance exposto, muito salto de uma pedra para outra com abismos logo embaixo. No ataque final, nos últimos 15 minutos, o cara me salvou por duas vezes. A primeira em um lance de escalada livre onde se tem que fazer uma força contrária. Como não tem "pega", a gente sobe com os pés numa face da fenda, empurrando a outra face para baixo. Complicado. Eu tava a abrindo o bico de cansaço aí ele me deu a mão e a puxada final. Depois disso, num paredão bem inclinado, tinha que começar a subir quase correndo agarrando na pedra para conseguir chegar ao fim. Faltando um meio metro para o fim dessa rampa minha bota começou a escorregar na pedra e eu fiquei sem força. Gritei ele e novamente me deu a mão ajudando a chegar. Muito tenso. Atingimos o cume às 13:50 e depois de alguns minutos começamos a descida. Paramos para comer uma bananinha e paçoca e descemos mais tranquilos. Às 14:58 estávamos de volta ao local onde tinha ficado o carro. Daí o cara olha pra mim e fala: - Agulhas e Prateleiras em 6 horas. Nada mal. E rachamos o bico de dar risada. Tinha acabado de subir dois cumes que sempre tinha sonhado. Agulhas Negras e Prateleiras. Os dois em cerca de 6 horas. Eu estava muito feliz. O visual de cima dessas montanhas é incrível. Mas a experiência da subida é demais. A adrenalina a mil. Saber que um escorregão e já era. Isso não tem preço que pague. Acabei ficando amigo do guia e ele me deu uma carona para Itanhandu no dia seguinte, onde pegaria o ônibus de volta pra minha terra. Dormi mais uma noite no mesmo hotel, dessa vez num quarto de fundos e o sono foi muito melhor. Desci para comer um sanduíche de pernil numa lanchonete próxima e bebi uma coca-cola de 1 litro. Depois de todo aquele esforço eu merecia. VID-20180925-WA0004.mp4 VID-20180928-WA0014.mp4 VID-20180928-WA0014.mp4 vidoutput.mp4 Na manhã da quarta-feira, 26-09, eu parti de volta para Maringá, com uma parada longa em São Paulo, de onde saí de noite e cheguei em casa na manhã de 27-09-2018. Decidi ir pra casa a pé. Pra caminhar um pouco. rsrsrs. Logo depois do almoço eu estava em casa e na manhã do dia seguinte tudo voltaria à mesma rotina de antes. Mas eu não era o mesmo cara que tinha saído 23 dias antes. Eu tinha caminhado mais de 420 Km. Tinha estado em 3 dos dez pontos mais altos do país. Tinha visto o sol nascer e se por proporcionando espetáculos inesquecíveis. Tinha conhecido gente da melhor qualidade, o povo bom e humilde do interior de Minas Gerais. Dá para aguentar essa rotina por mais um tempo, numa boa.
  3. Bom, depois de muitos anos acompanhando o fórum eu resolvi contribuir também com este relato de um dos lugares mais incríveis que eu já conheci! A pedra da mina é um pico de 2795m (5o mais alto do Brasil) localizado entre o estado de São Paulo e Minas Gerais e é um dos picos opcionais presentes na travessia da serra fina (quem começa a travessia pela toca do lobo chega lá no segundo dia). A trip começou a ser organizada no ano anterior (2015) pelo André, um dos fundadores do grupo Trilhadeiros e o Danilo, fundador do grupo Trilhas e Passeios (ambos de São Paulo capital). O Danilo costumava levar a galera para trekkings de um dia, ele é tão louco que fez o caminho do sal inteiro em um dia (+ de 50km)! Sendo assim o André se ofereceu para guiar o pessoal para uma trip um pouco mais longa e complexa e que exigiria um pouco mais de preparo físico e psicológico. No meio tempo em que a viagem começou a ser planejada e o dia em que ela ocorre, houveram diversas mudanças, inclusive de pessoal e algumas até de última hora, infelizmente o Danilo teve alguns contratempos e não pode nos acompanhar na empreitada e teve que abandonar a trip na última semana! Com a saída de última hora do Danilo o André convidou o Oscar, o Hermano de Santa Fe que não consegue nem falar GPS sem entregar sua gringoles hahaha! Enfim, com o grupo de 8 fechado mudamos uma última coisa que foi o transporte, todos cancelamos nossas passagens de ônibus e fomos divididos em 2 carros. Eu, o Vinicius e o André fomos no carro da queridíssima Carol e o Andy, A Marta e o Oscar foram com o William. Saímos de São Paulo por volta da meia noite e chagamos em Passa Quatro por volta das 3:30 da manhã do dia 16. Chegando lá, nos encontramos todos em frente a casa do Edinho que nos levaria até a entrada para a trilha (quem já fez ou já leu sobre serra fina conhece a figura), não arriscamos subir até a fazenda serra fina com nossos carros comuns por que ouvimos dizer que a estrada estava péssima (#dica: se não tiver chovido na semana da pra subir de carro normal sim, vai penar um pouco com os buracos e com as subidas íngremes mas vai conseguir chegar lá!). O traslado ficou em 300,00, divido em 8 não ficou pesado pra ninguém! Chegando na fazenda, uma senhora veio nos atender com um livro para que assinássemos e nessa parte eu já estava morrendo de frio, depois de 1 hora pegando vento na carroceria da bandeirante do Edinho eu já não estava sentindo nem minha alma, e aí não é que a tiazinha vem de saia comprida e camiseta, como se tivesse um calor de 30 graus quando na verdade estava na beira dos 12. Livro assinado e cargueiras nas costas era hora de partir para a trilha! A trilha para a pedra da mina via paiolinho é uma das mais diversificadas que eu já vi, você começa dentro de uma mata fechada com características de floresta tropical, e termina em uma montanha com muito pedregulho e vegetação rasteira e espinhenta típica de florestas de altitude. A trilha se inicia dentro da própria fazenda à aproximadamente 1570m de altitude, e começa com aproximadamente 1km de subida leve seguido por descida leve de 1km também, após percorrer esses 2km você chegará ao primeiro ponto de água, onde você vai ficar babando com os poços d'Água que a corredeira forma, sem brincadeira, é a água mais cristalina é mais pura que você vai beber na sua vida! (#Dica: sugiro que você comece a trilha com o mínimo de água possível e ande com o mínimo também até o terceiro e último ponto de água). Atravessando a pequena corredeira você continuará por uma trilha de mata fechada (nesse final de semana que escolhemos pra ir estava tendo uma competição de corrida de montanha, a KTR. Dessa forma, a trilha estava bem aberta e muito visível, mas eu acredito que normalmente seria necessário um pouco mais de atenção pra não se perder). Andando mais a frente você passará pelo segundo ponto, não pegamos água nesse. Após esse ponto a trilha começa a ficar mais íngrime e você começará a ganhar um pouco de altitude. Logo no final da mata e no início da montanha existe uma clareira que você pode usar pra comer uma barrinha ou tomar um carb up (confie em mim, você precisará de energia para a próxima etapa), mas cuidado com as abelhas. A melhor parte é que logo à frente dessa clareira está localizado o último ponto de água, é aí que você deve encher todas os seus reservatórios para não faltar água no resto da subida e no dia seguinte quando você retornar, pois os próximos pontos não são permanentes e podem não estar lá dependendo da época que você for, te sugiro a subir com no mínimo 4 litros para não ter problemas. Deixando o último ponto de água, você começará a subir para valer agora, a primeira parte ainda é leve e é caracterizada por ser coberta por um capim elefante (use roupas longas para não se arranhar), saindo da vegetação você se deparará com o "Deus me Livre" (lembra que eu disse que você precisaria de energia? Pois é aí mesmo que a maioria será gasta). O Deus me livre é uma ascensão bem íngrime pela rocha em que você escalaminhará até o cume da formação rochosa e ganhará nada menos que 500 metros de altitude em uma paulada só! Não subestimem esse morro, eu vi neguinho da corrida arregando no meio dele, tomando capote por causa de câimbra e passando mal de sede, até ajudamos alguns que estavam nessa condição, com sal e repositor de eletrólitos. Minha dica é que você suba devagar, no ritmo do mais lento (caso esteja em grupo) e sem pressa, assim quando você chegar ao cume você poderá prosseguir até a próxima área de descanso ao invés de ficar lá em cima tomando sol na cabeça. Lá de cima você conseguirá enxergar o falso cume da pedra da mina, que é uma montanha enorme que esconde nas suas costas o cume verdadeiro da pedra da mina, esse por sua vez ainda não é visível dessa perspectiva. Muito bem, prossiga pela trilha descendo e subindo os 2 morros entre o topo do deus me livre e o início da subida do falso cume (apelidado gentilmente pelo nosso amigo Will de "Puta que Pariu"). Ao chegar ao pé do falso cume você encontrará uma clareira bem agradável e sentirá até vontade de acampar por ali, dependendo do seu grau de cansaço. Nós paramos ali por aproximadamente uma hora para descansar, uns aproveitaram o tempo para almoçar, outros para dormir, (alguns dormiram tão profundo que alegam ter sonhado que chegaram no cume hahahaha). Como eu estava pilhado na adrenalina, resolvi parar por alguns segundos e subir a frente do grupo antes que meu corpo esfriasse e a dor no joelho aparecesse. Essa subida também não deve ser subestimada, ela é extensa e técnica (não tanto quanto a do deus me livre, mas ainda sim não é uma subida simples), então tome seu tempo, beba água, pare alguns minutos para retomar o fôlego se necessário. Muito bem, chegando lá em cima do falso cume você já começa a ter uma visão muito mais ampla, já consegue enxergar o vale do Paraíba, as montanhas do Itatiaia e ainda tem a visão de Minas Gerais. Após alguns minutos que eu atingi o topo, os últimos 2 competidores da corrida chegaram lá, exaustos mas maravilhados com a paisagem, assim como eu. Eram eles o Luiz, de Atibaia-SP e o Vitor, de BH. Conversamos um pouco, trocamos contatos e eles iniciaram seu retorno montanha abaixo. Abrindo um parênteses gigante aqui para relatar um fato que eu esqueci de mencionar, quando chegamos em Passa Quatro, na frente da casa do Edinho estava um cachorro de rua muito simpático, brinquei com ele um pouquinho antes de partimos. Pois bem, quem estava lá em cima da montanha? O tal do cachorro, desidratado e incapacitado até de se mexer! Tentei dar água pra ele mas ele só conseguiu mexer a cabeça pra beber após alguns minutos. Eu não sou aquele tipo de pessoa totalmente animal friendly e coisa e tal, mas ver aquele cachorro lá em cima abandonado (ele deve ter seguido os corredores e não conseguiu retornar com eles devido ao cansaço), me partiu o coração. Logo em seguida meus companheiros chegaram e eu decidi que levaria o cachorro conosco pra cima e o levaria de volta para cidade no dia seguinte. O problema é que o cachorro não conseguia nem andar de tão cansado, então eu o carreguei por boa parte do fim do trajeto, resultando em uma lesão no joelho que me atrapalhou muito no dia seguinte (já adianto que valeu muito a pena). Fechando o parênteses, continuamos rumo ao cume verdadeiro, caminhando montanha a baixo e acima até o acampamento base que fica no pé da pedra da mina. Lá paramos pela última vez antes de atingir o nosso objetivo. A última subida é inteira pela pedra e bem sinalizada por totens, não tem como se perder. Quando chegamos ao topo já era aproximadamente umas 3 da tarde e estávamos todos exaustos, mas a vista compensaria todas as gotas de suor, todos os músculos e ossos que estavam doendo, todo o esforço que fizemos para chegar naquele ponto. O vento lá em cima é extremamente forte e constante, nos agasalhamos bem e fomos assinar o livro do cume onde nos deparamos com mais 3 pessoas que estavam acampadas lá (uma inclusive era um morador de São José do Rio Pardo, cidade onde meus pais moram, que coincidência não?) Após assinar o livro, montamos as barracas e nos preparamos para jantar e dormir, já que o por do sol não poderia ser visto por conta da serração que tomou conta da montanha. Após jantar, montei uma espécie de abrigo improvisado pro nosso dog dormir um pouco mais confortável e protegido do frio. Como não conseguimos ver o céu estrelado, eu e o Oscar fomos pra barraca descansar e combinamos de acordar de madrugada pra contemplar as estrelas. Acordamos então as 3 da manhã e o céu estava tão iluminado pelas estrelas que não precisava nem de lanterna para andar em cima da pedra! Galera, eu sei que todos falam do céu do Atacama e tal, mas aquele céu é simplesmente maravilhoso, dava pra ver as marcas das estrelas que estavam mais distantes, as estrelas mais próximas brilhavam tanto que até ardia os olhos! Infelizmente o frio estava muito intenso e o vento castigava muito, então logo eu voltei pra me abrigar, mas o meu companheiro de barraca ficou lá tirando mais algumas fotos (as fotos de céu estrelado mais lindas que eu já vi). Quando entrei na barraca adivinha quem já estava lá dentro? O dog! Tomei um baita de um susto, mas fiquei feliz com a companhia e deixei ele dormir entre minhas pernas em cima do saco de dormir! Acordamos novamente as 05:45 para ver o sol que já estava quase nascendo. E se eu não fui enfático o suficiente com as outras paisagens que eu havia visto no caminho, vou ser agora, por que PU** QUE PARIU, QUE AMANHECER MAIS FO** DO MUNDO! Sério cara, o sol nasce atrás do parque nacional do Itatiaia em cima certinho de uma montanha e deixa você boquiaberto! Para finalizar, retornamos pelo mesmo caminho, sem maiores problemas, mas vale ressaltar que o dog ficou tão agradecido que eu cuidei dele que ele veio o caminho de volta inteiro cuidando de mim. Toda vez que ele se distanciava na frente ele me esperava e assim que eu passava por ele, ele me seguia! Para chamar ele eu só precisava assobiar uma vez e ele já estava no meu pé. Nunca vi um ser tão grato e obediente me toda a minha vida, foi de emocionar! Esse foi meu relato sobre uma viagem muito intensa, com um trekking bem forte e uma galera muito animada e alegre, sem eles nada daquilo teria acontecido! Gostaria de agradecer a cada um de vocês, por me aturarem e serem parceiros, e gostaria de agradecer em especial ao grande André e o Danilo que se prontificaram a organizar essa trip maravilhosa! Espero que vocês tenham gostado, segue abaixo o link do vídeo que eu fiz ressaltando os pontos cruciais da trilha!
  4. Boa noite galera, tudo bem? Dia 18 de Maio estarei indo para Pedra da Mina, pela fazenda serra fina! Li alguns relatos por aqui mas alguém te mais alguma dica algo pra agregar? Alguém estará indo pra lá também nessa mesma data? Abraços!!
  5. Mais um feriado chegando, o de 9 de julho em SP, e Manoel e eu de novo naquele dilema do que fazer, tudo é tão longe, a previsão do tempo não ajuda, mas por fim pensamos na Pedra da Mina, projeto de 2014 que foi substituído pelo Pico dos Marins. Acompanhando a previsão do tempo, um dia tem chuva, um dia tem sol, um dia tem chuva, outro dia tem mais chuva ainda rs... O Feriado foi se aproximando e a previsão foi melhorando e finalmente tomamos a decisão de ir. Lemos novamente alguns relatos, e a maioria falava da dificuldade de subir a pedra, fiquei bastante insegura com a minha falta de preparo físico, mas, porém, todavia, a montanha chama! Lá vamos nós, juntamos as tralhas, tentando não esquecer nada, imprimimos um relato que achamos mais completo (ainda com trauma dos perdidos que tivemos no Marins rs), GPS, tracklog devidamente baixado e lá vamos nós. Dia 09/07 às 7:20 da manhã partimos de Rio Preto pra Passa Quatro/MG. Paradinha pra um café, pra um almoço e por volta das 16:30 chegamos a Passa Quatro. Seguindo as orientações do relato encontramos a entrada para a fazenda Serra Fina, mas continuamos pra abastecer o carro, comer um pão de queijo com café e aí seguir para a fazenda. Pessoas muito bem informadas que somos, começamos a contar 12km a partir da estrada de terra, quando vimos uma placa com setas amarelas ao lado da placa do Ibama nós sabiamente decidimos que ali era o caminho, afinal, na nossa cabeça ali não existia nada mais importante que a Pedra da Mina pra alguém marcar com setas kkk. Claro que estávamos errados, mas só descobrimos quando estávamos quase chegando em Itamonte rs. Voltamos e chegamos à placa, que agora sabíamos, tinha que continuar reto toda vida. Toda vida até chegar ao Paiolinho e depois andar mais. Depois do Paiolinho a fazenda está perto, mas estava um breu só, e eram 18h, e o caminho parecia interminável e muito escuro. Quando pedimos informação sobre a Serra Fina disseram que era só ir reto até o final da estrada. Só não disseram que tinha uma bifurcação, que muito rapidamente o Manoel decidiu que era pra direita (e felizmente acertou). Muito barro, e com o terreno bastante liso, finalmente chegamos no final da estrada e desconfiamos que era a Fazenda. Tudo totalmente escuro, só percebi que tinha alguém na casa que existia ali porque uma criança tossiu. Chamei e veio a D. Maria, não tinha mais nenhum carro ali na fazenda, um pouco antes de chegar à porteira havíamos visto um carro na estrada, mas achamos que era de pescadores, mas era de “subidores” que haviam começado a trilha durante a tarde. Pagamos os R$ 20,00 pra guardar o carro e começamos a procurar lugar pra armar a barraca. Mas tive a linda ideia de sugerir de dormimos no carro, afinal teríamos que desfazer as mochilas, armar e desarmar barraca guardar tudo de novo, demoraria muito. Nem precisei argumentar muito e o Manoel aceitou a “brilhante” ideia de jerico sem pé nem cabeça. Baixamos os bancos e ficamos ali, quietos. Isso 19h da madrugada, íamos acordar às 5h, isso se tivéssemos dormido. Crianças, a não ser que vocês tenham o carro mais confortável desse mundo, não façam isso, partimos quebrados pra trilha, sem dormir e sem se alimentar direito. E o que já é normalmente difícil, ficou muiiiiiiiiiiiiiiiito mais difícil rs. Estávamos nos preparando pra sair e chegaram dois carros com um grupo que também iria iniciar a subida. Eles têm um guia, e também um senhor de uns 60 anos e uma criança de 10 no grupo. Coragemmmm! E eu aqui já cansada sem começar a trilha rs. Às 06h30min pegamos nossas mochilas com muitos quilos e saímos. Logo eles nos alcançaram, no rio que cruzamos no caminho (o único), porque antes você passa um riachinho, um fio de água, e depois desse rio, o último rio passa ao lado da trilha. img] Saímos pesados, e já levando 6 l de água. Mas abastecemos um recipiente vazio neste rio, tiramos fotos, socializamos com o grupo e continuamos. Essa parte a trilha é sempre subindo, mas num terreno amigável e sob as árvores. Depois de uma hora e quarenta caminhando chegamos a uma clareira sombreada e o grupo, que havia seguido na frente, estava lá lanchando. Conversamos mais um pouco e eu resolvi tirar parte dos 125 casacos que usava. O Manoel já havia tirado os dele. Depois dessa clareira (que apenas na próxima clareira descobri que era a tal Panela Vermelha, pois ela não estava mais lá rs), a subida foi mais forte, a mata acabou e agora tínhamos uma “matinha”, uma subida constante, com pedra íngremes e eu que comecei cansada, estava mais cansada ainda. Uma hora e meia depois chegamos na outra clareira, e o grupo estava lá e aí soube que aquela subida que tínhamos acabado de fazer, era uma subida difícil que descreviam nos relatos, que começava logo depois da panela vermelha. Pensei: Ufa, menos uma (tão enganada eu estava). Logo depois dessa clareira, você anda um pouquinho e à esquerda estará o último ponto de água. Nós estávamos abastecidos então não pegamos água. Descansamos um pouco e continuamos. Pegamos um trecho de capim, encontramos uma clareira, que dá pra acampar, olhamos a vista, e fomos procurar o caminho. Aqui uma observação, algum anjo abençoado do Senhor passou por lá e marcou o caminho com refletivos grampeados na vegetação. Estávamos com GPS e até esse momento a trilha é clara. No entanto, estávamos traumatizados por termos nos perdido algumas vezes subindo o Marins, e esses refletivos nos trouxe um conforto psicológico imenso, apesar de estarmos com o GPS. Entramos no capim, tudo fica igual, a trilha dá uma sumida, a gente procura, e encontra e perde, mas logo ouvimos o grupo vindo lá atrás e os esperamos pra confirmar se estávamos no caminho certo rs. Caminhamos no capim, caminhamos, no mato, caminhamos, caminhamos e chegamos numa pedra inclinada (até aqui, foi um trecho de subida, com brejinhos e trepa pedra). Dessa pedra lembro que tinha um amarílis florido. Era cerca de 11 da manhã, 3,5 h de caminhada, e pelos relatos, na minha cabeça, tínhamos passado o trecho mais difícil. Então tá, vai vendo a “desgrameira”. Comemos um sanduíche, um biscoito e continuamos. Agora começa um trepa pedra sem fim, haja pernas. Nesse tempo o solado da bota do Manoel descolou inteiro, quando encontramos o grupo com guia, o Manoel pediu uma sugestão, e o guia falou pra ele continuar, amarrar uma corda e seguir, depois jogasse fora as botas, assim ele fez rs. Trepa pedra, passa na capim, trepa pedra de novo e por volta das 13h chegamos a um bambuzal, com uma sombra gostosa e deu vontade ficar ali e pedir resgate por helicóptero, ou cavalo, mula, iaque, lhama... qualquer resgate seria bem vindo. Mas a vontade de chegar ao cume era grande, lá fomos nós, achando que o mais difícil tinha ficado pra trás. Depois do bambuzinho, seguimos em frente, e encontramos mais capim, mais brejinhos, mais pedra pra subir e mais morro pra descer. Sinceramente, eu não li em lugar nenhum que tinha que subir e descer 254 morros antes de chegar à Pedra da Mina. Sério, porque pareceu que foi esse o número de vezes que subi e desci. Não tinha mais forças, quando avistei finalmente a Pedra da Mina eu achei que estava perto, mas faltavam 28 morros pra subir e descer até chegar lá. Depois que saímos do bambuzal encontramos o grupo do carro que estava na estrada, e eles voltaram sem subir até o cume, porque também tiveram a impressão que o cume nunca chegava rs. Pois é, não foi animador... Mas como somos muito teimosos continuamos, apesar das últimas forças terem ficado lá na pedra onde crescia o amarílis. Finalmente chegamos à parede que dava acesso ao cume da Pedra. Eu já muito emputecida, resolvi que não ia subir, mas o Manoel disse que eu ia subir sim, então subi (ele manda rs). A essa altura parte do grupo guiado ficou no bambuzinho, o senhor, o garoto, o pai e o tio do garoto, segundo informações. Bom, até o bambuzinho é uma longa jornada, o avô e o garoto foram muito longe. Legal uma criança começar esse tipo de atividade logo cedo, ainda mais em família. Do grupo ficaram 03 rapazes e o guia, os quais estavam caminhando com a gente. Juro que por pouco não pedi pra sair, mas aí subi aquela parede até a Pedra. Mas aquilo não era exatamente o cume, aquele onde fica o livro e tals. Bom, mas era quase. Subimos essa pedra e descemos até uma “cratera” e procuramos um lugar pra armar a barraca. Eram 16:20 da tarde, ou seja, 9 horas e 50 minutos depois que deixamos a Fazenda Serra Fina. Ainda era tarde, mas parecia noite, pois o tempo estava fechado e fazia muito frio. Fomos armar a barraca, “fomos” é muita gente, quem mais trabalhou foi o Manoel, meu macho Alfa rs. Barraca armada, colocamos todas as roupas de frio disponíveis, e fomos subir até o cume, o verdadeiro, aquele do livro, sem as mochilas pesadas. Ahhh que diferença. Mas lá fazia tanto frioooo, que vimos o pôr do sol, o que só foi possível porque o céu abriu um pouco, assinamos o livro e voltamos para comer nosso miojo no quentinho da barraca. Um miojo, um dorflex, e vamos tentar dormir. Fez muito frio à noite, e de madrugada sentimos bastante, apesar de estarmos bem agasalhados e ainda levamos aqueles cobertores de alumínio, que ajuda muito. Acordamos às 6h com uma ventania e com uma neblina tão densa que não se via um metro longe da barraca. Ficamos mais um pouco dormitando, e só por volta das 7h começamos a recolher as coisas pra sair. Enquanto subíamos, eu já pensava na descida, porque descer dói. Dói meus pés e dói os joelhos desgastados do Manoel. Começamos a descer às 8 horas, e às 16h, sim 8 horas descendo, chegamos finalmente à Fazenda Serra Fina. Descemos fazendo paradas mais longas, mas foi uma descida sofrida, sobe e desce de morros, capim, brejinhos, pedras soltas e assim fomos no nosso tempo, que foi muiiiiiiiiiiiito, mas muiiiito longo por sinal rs. Gente, se você é montanhista de semestre como a gente, vá consciente que a subida da Pedra da Mina é difícil, se você tiver preparo bem mais ou menos como o meu, prepare o psicológico, porque é uma subida exaustiva, principalmente se for pernoitar no cume, subir com peso faz muita diferença. Nós vimos muita gente fazendo bate volta, sem peso, em 5 ou 6 horas. Encontramos corredores de montanha que fizeram ida e volta em 3h. Nós dois praticamos atividade física, mas foi coisa de doido . E não esqueça o agasalho, porque teve muita gente passando frio lá em cima, muito frio. No final fica a experiência, a região da Pedra da Mina é linda, amo as montanhas, a natureza e o desafio de sair da rotina apesar do pouco preparo físico rsrs. Mesmo prometendo durante a subida que o próximo feriado será no resort, na descida a gente já começa a pensar na próxima montanha.
  6. Trilha feita em 30/08/2013. Álbum com todas as fotos: https://picasaweb.google.com/110430413978813571480/PicoPedraDaMina2797MetrosDeAltitude?authuser=0&feat=directlink Sem nenhuma trip marcada para o último fds de agosto e com a previsão meteorológica indicando sol e tempo seco, resolvo buscar no google earth e outras anotações pessoais, as trilhas, cachus e picos que deixei pendentes para explorar. Aproveitando ainda a temporada de montanha e já tendo pisado em vários outros picos na Serra da Mantiqueira, mais uma vez me vejo retornando a região, dessa vez para subir e conhecer o pico mais alto da Mantiqueira: A famosa Pedra da mina. Ao contrário do Marins, onde fui com um grupo, nesse eu resolvi que iria solo mesmo, já que por ter decidido muito em cima da hora, não haveria tempo habil para chamar alguém para ir comigo na empreitada. Então, comecei a buscar infos, como relatos, fotos, localização, etc. O percurso inicial pela rodovia, é a mesma para o pico do Itaguaré...segue-se até passa quatro, depois estrada de terra até o inicio da trilha. Coinscidência ou não, ambos os percursos possuem praticamente a mesma distancia: 14 a 15km de estrada de terra. O mesmo para quem vai para o Marins via fazenda saiqui. Com tudo em mãos, e já tendo lido outros relatos sobre a travessia da Serra fina e as opções de acesso ao Pico da Pedra da Mina, es que pelas infos coletadas, fico sabendo que há 3 caminhos de se chegar na Pedra da Mina: Uma pela travessia tradicional, com entrada pela Fazenda toca do Lobo por Passa Quatro; do outro lado por Itamonte; ou pelo tradicional bairro do Paiolinho também em Passa Quatro, via fazenda serra fina, caminho mais curto e para quem deseja a principio, apenas conhecer o Pico, em um trajeto que requer um batevolta com 1 pernoite. Obviamente que gostaria mesmo é de chegar lá pela travessia da Serra fina, mas sozinho e lendo relatos que sem equipamentos básicos e bons conhecimentos em navegação, as chances de se perder por ali é muito alta, então a principio, deixei para voltar lá com um grupo em uma outra ocasião. Roteiro decidido, no dia seguinte, salto da cama as 2 da manhã e após um rápido e mirrado café da manhã, as 3:40 me vejo ganhando a Dutra em direção a cidade de Cruzeiro, distante cerca de 217 km de SP, cidade que já estive outras 2 vezes, na investida ao Pico do Itaguaré. A rodovia, como era de se esperar, estava vazia e a lua minguante foi a minha compania durante boa parte da viagem até dar lugar ao astro-rei, na altura de Guaratinguetá, onde fiz uma parada em uma lanchonete e restaurante as margens da Dutra para um café da manhã reforçado. Após pegar a saída 34 para a cidade de Cruzeiro, segui direto até Passa Quatro, onde cheguei pontualmente as 8:00. Com as infos na mãos, segui por mais alguns quilômetros em busca do acesso para o IBAMA num trevo a direita, trecho inclusive asfaltado. Encontrado o acesso, entrei nele e segui por cerca de 1,6km. Após passar uma ponte, uma estradinha a esquerda com uma placa indicando "Paiolinho 12km" e Serra fina (pedra da mina) sugeria que o caminho a seguir era por ali. Após entrar a direita para o IBAMA, pouco antes de chegar a uma porteira, passará por aqui. Então, abandonei o asfalto em favor da estrada de terra a esquerda, por onde segui chacoalhando por cerca de 14 km até a fazenda Serra fina. Até o bairro Paiolinho, são 12 km. Nos 3 primeiros quilômetros, só sobe....a estrada de terra é boa e vou seguindo sem nenhuma dificuldade, cruzando com alguns carros no sentido contrário que me fizeram comer poeira. Depois de uma longa subida até atingir o vale no topo da serra, ela nivela e passa a contornar os morros a direita, num sobe e desce discretos. Nesse ponto, a estrada parecia asfalto de terra de tão bem batida que tava, o que permitiu seguir até de 3º e 4º marchas em alguns trechos retos. Estrada via paiolinho Ao fundo, Pico dos 3 Estados Algumas bifurcações aparecem pelo caminho, mas o sentido é obvio: Sempre pela principal e mais batida (a grande maioria das bifurcações levam somente a entrada dos sitios/fazendas). Após os 12 km, chego no acanhado bairro do paiolinho que tem algumas casas em volta da estrada. Após passar pelas casas, chega-se a uma bifurcação onde a estrada se dividia em 2 lados que não estava nas infos e relatos que trazia comigo. Então, perguntando para alguns moradores, me indicaram para seguir a direita. Após pegar a bifurcação a direita, segui por mais 2,5km em uma estrada de terra secundária, um pouco precária, mas tb bem batida, o que minha motoca de baixa cilindrada (XLR de 125 cc) venceu sem nenhuma dificuldade as subidas mais íngremes, que são curtas e a estrada, mesmo secundária, está bem batida. Creio que em dias de chuva carros com tração dianteira possam ter dificuldades para subir no trecho final. Mas em dias secos, sobe numa boa. Enfim, após quase 1 hora cachoalhando, es que as 8:48 finalmente cheguei a fazenda serra fina, após 15km desde a rodovia. Só para comparar, a distancia até o acampamento base Itaguaré é de 14km, e eu levei mais de 1 hora para chegar lá, por conta da estrada de terra não ser tão boa qto a da Serra fina. E segundo relatos, estava indo preparado para encontrar uma estrada de terra toda detonada e acessivel somente para motos de trilha ou veiculos 4x4. Que nada, na fazenda havia pelo menos uns 3 carros baixos estacionados. Na fazenda serra fina Após tirar a cargueira do bagageiro, uma senhora da fazenda veio me dar as boas vindas, me perguntou se eu ia subir a Pedra da mina e tão logo disse que sim, foi buscar o livro de presença para eu assinar, para fins estatísticos e também para saber quem estava na trilha. Após assinar o livro e pagar R$ 10 a ela para deixar a motoca em sua propriedade, es que finalmente as 9:20, adentro a trilha, onde uma placa logo no inicio me dá as boas-vindas com algumas recomendações e indicativos das altitudes tempo de caminhada e pontos d´agua. Incluindo o trecho da travessia da Serra fina. A placa Mapa ilustrativo da placa.... Iniciei a trilha que logo mergulha no frescor da mata e segue em nível. Passei por 2 porteiras e uma plantação a direita. A trilha nesse trecho inicial, segue dando voltas na serra enquanto nas frestas da mata, se avistava os picos da serra fina que de tão altos, pareciam estar espetando os céus. Cruzei com algumas bifurcações, mas o sentido é óbvio.....seguir sempre pela trilha mais batida. Minutos depois, cheguei em uma trifurcação, com birfurcação em ambos os lados sendo menores e menos batidas que a principal. Optei por seguir reto pela do meio, que era a que estava mais batida. Na dúvida, antes de iniciar a trilha, pergunte para os moradores da fazenda sobre as tais bifurcações do trecho inicial. Trecho inicial da trilha As 9:45, cruzei com um riachinho pequeno, que segundo infos, seria o 1º ponto de água da trilha. Sabendo que haveria outros mais a frente, optei por pegar água somente mais a frente, afim de economizar no peso na cargueira. Cerca de 8 minutos depois, cruzei com o 2º ponto de água, essa bem maior, de um rio pequeno e com alguns poções de água de cor azul cristal que me impressionou pela coloração diferenciada. Como nem tudo é perfeito, antes de cruzar o rio, um cidadão nada consciente fez suas necessidades fisiológicas numa das pedras bem no meio da trilha, ao lado do rio. Então, por precaução (e p/ evitar qualquer risco de contaminação por "coliformes fecais (merda))", é só pegar água alguns metros acima da trilha. Um dos 4 pontos de água, esse é o 2º ponto, fica a cerca de 30 minutos após o inicio da trilha. Sabendo que haveria mais 2 pontos de água até a metade do caminho, não me preocupo e me limitei a encher apenas parte do cantil, mas no geral, pegue somente o necessário para beber naquele momento, pois os 3 primeiros pontos de água são bem próximos uns dos outros. Então, a 1º hora de caminhada, da para andar só com 500ml, no máximo 1 litro de água, caso não esteja trazendo nada de SP. Eu vinha com 1 litro de gatorade, então só enchi metade do cantil que é de 2 litros com água. As 10:17, cheguei ao terceiro ponto d´agua, onde aproveitei para lavar o rosto e me refrescar, pois sabia que a partir dali, a coisa começaria a complicar. 3º ponto de água. Depois que passa o 3º ponto de água, a trilha que seguia tranquilamente, como reles passeio de bosque, leve e em nível, começa sua longa subida serra acima, mas o trecho inicial da subida não dura muito e es que as 10:25, chego ao primeiro ponto de acampamento com a famosa panela vermelha pendurada nas árvores. Nesse ponto, cabem umas 2 ou 3 barracas do tipo "Iglu". A continuação da trilha segue a direita, onde uma fita vermelha amarrada nas árvores sugere que o caminho a seguir era por ali. 1º ponto de camping A tal panela vermelha Aproveitei para fazer um pit stop nesse ponto para forrar o estomago e molhar a goela seca com um belo gatorade geladão, afim de reduzir o peso da cargueira até chegar ao 4º e último ponto de água, onde de fato iria me abastecer para o final do dia e o seguinte. Lembrei de um relato que li que nesse ponto, uma outra bifurcação a esquerda (que estava mais fechada), seguiria até uma cachoeira e para o Pico dos 3 estados, mas não fui nela pra conferir. Após o lanche, retomei a pernada e após alguns minutos, a trilha começou a ficar mais íngreme, o que me deixou mais lento. Mais 30 minutos e passo por alguns trechos abertos, onde pude ter as primeiras visões do trecho percorrido e também do enorme paredão do "Deus que me livre" bem a frente, já próximo. A subida aperta mais um pouco e a trilha fica mais erodita, com muito cascalho, o que me obriga a redobrar a atenção....o sol já começa a castigar e percebo que vai ser bem complicado encarar o grande subidona do "Deus que me livre"com o sol a pino.... As primeiras vistas durante a subida Trecho erodito da trilha...subida apertando cada vez mais.... As 11:32 cheguei a um dos pontos do mapa, o acampamento base na cota dos 2.100 metros de altitude, onde resolvo parar para descançar um pouco. Ponto esse que segundo infos, seria a metade do caminho. Haviam 2 mochileiros descançando qdo cheguei lá, na qual trocamos algumas ideias e aproveitei para perguntar das condições da trilha a frente. Eles tinham subido no dia anterior, estavam descendo e me disseram que na minha frente havia um grupo grande de pelo menos 10 pessoas. Qto a trilha, e me disseram que o pior trecho estava logo a frente, mas tirando a pirambeira dos infernos, achei tranquilo até até o topo do pico da ASA por conta da trilha estar bem demarcada em todo o trecho. Só a partir do topo da ASA que complica um pouco, pois a trilha dá lugar a enormes costões rochosos e como é de praxe em campos de altitude a navegação passaria a ser pelos totens. Acampamento base. Clareira próxima ao acampamento base, ambas próximas do 4º ponto de agua. Próximo dali, há um ponto d´agua, o 4º e último até o topo. Para economizar no peso, deixe para abastecer toda a água que precisar a partir desse ponto. Leve pelo menos 2 a 3 litros de água, principalmente se for daqueles que costuma consumir muito líquido. Mas não extrapole no peso, senão terá uma dificuldade ainda maior para vencer os 2 trechos de subida extremos a frente. Não se preocupe qto a isso, pois embora seja o último ponto de água da subida, próximo a base da Pedra da Mina, há água no vale do Ruah, a cerca de 20 minutos de caminhada de um dos acampamentos na base. O Vale fica do sentido leste e é possível avistar o pequeno rio no meio dele. Me despedi dos 2 mochileiros e após caminhar pelos últimos minutos pelo frescor da mata fechada, passo por mais um descampado a direita onde cabe umas 2 ou 3 barracas, mas tem o problema de ser exposto ao ventos. Se for acampar, fique na base no meio da mata fechada, que é protegida e livre dos ventos. Após passar pelo descampado, alcanço o 4º e último ponto de água a esquerda, depois a trilha vira a direita e adentra de vez no meio de enormes tufos de capim elefante. Embora a trilha continue bem marcada, muita atenção aqui, pois ela se bifurca em algumas ramificações menores que podem enganar. Siga sempre pela mais batida. Uma boa referência é um trecho ruim que está bem enlameado e com várias pedras em cima (provavelmente colocadas por outros para facilitar a passagem pelo lamaçal). Nesse ponto, já é possivel ver o que me espera logo a frente: a enorme subida pirambeira do "Deus que me livre". Trecho de capim elefante Subidona pirambeira do "Deus que me livre" logo a frente Ao olhar para cima, vi o grupo mencionado pelos 2 mochileiros terminando a subida, já no topo, o que me deu um certo desânimo na hora.... As 12:00h comecei a subida e senti que agora sim, o bicho iria pegar de verdade. A mesma é puxada e muito íngreme, o que me fez parar várias vezes para recuperar o fôlego e descançar. O sol castiga e durante a subida pela trilha quase não há sombras, o que aumentou ainda mais o desgaste. Nesse ponto, se sobe pelo menos 400 metros de uma só vez numa subidona que parece interminável. Durante a escalaminhada, olhava para cima e não via o final dela. Não é a toa que é conhecida como "Deus que me livre". É pernas para que te quero! Vista que lembra a subida do Castelo do Açu na Serra dos Orgãos. Em destaque, Pico dos 3 Estados a direita A trilha seguia bem aberta e o auxílio das mãos para impulso nos troncos, rochas entre outros nunca foram tão exigidos qto antes. Estava ganhando altitude rapidamente e meu consolo é que embora o sol estivesse castigando, pelo menos a medida que ia subindo, mais fresco ia ficando o ar, principalmente nas poucos trechos de sombra que ia encontrando pelo caminho. Iniciando o subidão pirambeiro do "Deus que me livre" 1 hora e 10 minutos desde o descampado lá embaixo, chego no primeiro topo dela, onde havia uma clareira e nela aproveitei para descançar e relaxar os músculos das pernas. Mas ao olhar para frente, vejo que era só um colo serrano, não o topo propriamente dito, pois ainda havia mais um paredão a ser vencido. Pelo menos desse ponto, já era possível avistar o topo. Vista da fazenda e das plantações da fazenda serra fina, onde começa a trilha A clareira vista do topo do Deus que me livre (foto com zoom) Pequena clareira no primeiro colo serrano, onde da para descançar Trecho de trepa-pedra Mais 20 minutos de escalaminhada árdua e finalmente as 13:30, alcanço o topo do "Deus que me livre" já na cota dos 2.400 metros de altitude. E Logo encontrei uma pequena clareira para um merecido descanço. Do alto, pude me presentear com a visão de todo o trecho percorrido, com a fazenda e as plantações lá embaixo, a clareira onde fica o último ponto d´agua, a estradinha de terra, a pequena cidade de Passa quatro e o trecho que ainda iria percorrer. Nesse ponto, o grupo que havia visto lá embaixão estava no topo do terceiro cocuruto de altura semelhante a que eu estava, já descendo para um vale. A trilha vira a direita e passa a seguir pela crista dos 2 topos, com 2 pequenos trechos de subidas e descidas. Do topo do "Deus que me livre", a trilha segue pela crista dos cocurutos logo a frente A vista dava uma boa animada e um fôlego extra.... Subidão da misericórdia logo a frente.... Dos cocurutos, passei por algumas clareiras protegidas e outras expostas que podem ser usadas em caso de emergência, mas não há água próxima. Logo a frente se avistava a 2º grande subida, que segundo infos, seria a subidão da "misericórdia" até o topo do pico da ASA. Só de olhar cansava até a vista. Após passar pela crista do 3º morro, ainda iria descer até um pequeno vale na base do Pico da ASA, para então começar a subir. Nesse vale, há várias clareiras planas, protegidas do sol e do vento, mas assim como as pequenas clareiras do topo dos morrinhos, não há água próxima. Caminhada pela crista Ponto de acampamento no vale entre os cocurutos e o pico da ASA, na base. Após descer o trecho do pequeno vale, na base do pico da ASA, aproveitei a sombra e o frescor da mata ali para descançar e preparar os músculos para a subida da misericórdia. Misericórdia que faz juz ao nome, pois após vencer a árdua subida do "Deus que me livre", vc passa por ali já bem cansado, e ver que ainda tem um novo subidão pirambeiro logo a frente não é brinquedo não. Esses 2 trechos faz a temivel subida do ISABELOCA da Travessia Petro-Terê parecer uma subidinha de morro qualquer. Paguei todas as minhas promessas ali, literalmente! O Grupo que iria alcançar durante a subidona.... Durante a subida, alcanço o grupo com cerca de 10 pessoas que havia visto lá embaixão, qdo ia iniciar o trecho do "Deus que me livre". Como eles estavam mais lentos e a trilha era um pouco estreita, acabei tendo que ir no ritmo deles até chegar no topo, pois não consegui ultrapassar todos afim de continuar em frente. E eles estavam parando mais vezes do que eu. Então aproveitei para trocar idéia com alguns deles e fiquei sabendo que era de uma turma vindo por agencia de ecoturismo, sendo que estavam acompanhados de 2 guias. Alguns ficaram surpresos qdo eu disse que estava subindo sozinho, rs Topo do Pico da ASA e fim do subidão da misericórdia Enfim, após muita escalaminhada, trepa-pedra e até tendo que subir de costas em alguns trechos, finalmente depois de quase 3 horas (desde o último ponto d´agua), termino as 2 terríveis subidas e chego ao topo do Pico da ASA, na cota dos 2.600 metros de altitude, onde pude ter a primeira visão da imponente Pedra da mina bem a minha frente. Pausa para cliques e apreciação dos vários picos da cadeia montanhosa da serra fina, é claro. Do topo, a trilha vira a esquerda e passa a descer pela crista do pico da ASA até chegar em um vale, onde passo por lages de pedras. Nisso começam a aparecer vários totens que sugeriam que o caminho a seguir era em frente, sentido Leste. Ao fundão, Marins e Itaguaré. Um pouco abaixo, Pico do Capim Amarelo Pico do Tartarugão Os cocorutos por onde a trilha passa A Paisagem a partir daqui já é exclusivamente de campos de altitude. Estando próximo, resolvo fazer uma parada mais longa para relaxar os músculos e apreciar a paisagem, já que havia vencido um desnível muito grande em pouco tempo, o que deu certo e pude prosseguir direto até as areas de camping na base da Pedra da mina.. Seguindo os totens pela crista enfim, a imponente Pedra da Mina logo a frente Do topo do pico da ASA até a 1º grande area de acampamento, dá em torno de 20 minutos, seguindo os totens pelo alto das cristas a sua esquerda. Alguns trechos de trilha eram vistas entre os tufos de capim elefante nos pequenos vales, e nos trechos de rochas, me guiei pelos totens. Algumas bifurcações a direita surgem, mas o sentido correto a seguir é pela trilha a esquerda, que sobe um pequeno colo serrano e vai seguindo pela crista dos morrinhos a esquerda. Descendo o Pico da ASA Tive alguns perdidos nesse trecho por ser minha 1ºvez ali, mas fui seguindo os totens e logo encontrei o caminho. Minha maior surpresa foi saber que os guias que estavam levando o grupo não sabiam o caminho ou então estavam testando o grupo, depois fiquei sabendo que estavam dando é um curso de montanhismo aos seus integrantes....será? De qualquer forma, já havia passado na frente deles, então apertei o passo afim de chegar nas areas de acampamento antes e ter tempo de escolher o melhor lugar, para não ficar com o pior ou ter que procurar outras clareiras. Cheguei a uma grande area de acampamento na base da Pedra as 15:45h, seguido do grupo que chegou minutos depois. Qdo cheguei, não havia ninguém ali e logo encontrei um local bem protegido, onde armei a barraca. Mas qdo eles chegaram, vi que iria me arrepender de ter montado minha barraca ali. Estava cansado da exaustiva subida, com sede e só pensava em preparar um bom almoço e ficar de boa ali, já que ainda havia mais de 2 horas de claridade ainda. Montada a barraca, preparei meu almoço, bebi quase 1 litro de gatorade e após forrar o estomago, entrei na barraca e fiquei relaxando. enfim, após 6 horas de caminhada, na area de acampamento, na base-1 da Pedra da Mina. O grupo que chegou logo depois tb já haviam montado suas barracas e seus integrantes estavam reunidos com o guia. A area de camping onde eu estava, cabe pelo menos umas 7 a 8 barracas de pequeno/médio porte com folga. Ou 5 a 6 das grandes. Livro do cume Area de camping na base-1, vista do topo A leste das clareiras, se avista o belíssimo vale do Ruah e o rio verde no meio dele. Caso esteja com pouca água, ali é um dos pontos de água da travessia, mas precisa descer até o vale para alcançar o rio, coisa de uns 20 a 30 minutos de caminhada em média, bastando seguir os totens e vestígios de trilha. Após o breve cochilo e mais descançado, com menos de 1 hora de claridade ainda, subi ao topo para ver o por-do-sol e deixar minha contribuição no livro do cume. A visão do alto dos 2.797 metros de altitude da Pedra da mina é de arrancar o folego de qualquer um. De um lado, se avista os picos das Agulhas negras e prateleiras a leste, do outro, os picos do Marins, Marinzinho e Itaguaré, várias cidades do vale do paraíba, e as cidades do sul de MG, como Itamonte, Passa Quatro e outras. Subindo para o topo, seguindo os totens O Belíssimo vale do Ruah, o vale mais alto do Brasil Mega totem no topo da Pedra da mina. Simboliza o fim do 2º dia de caminhada para quem chega ali vindo da travessia da Serra fina. Dá para ver esse totem de longe A travessia da Serra fina continua por ali, virando a esquerda, seguindo o Rio verde. Durante a subida ao cume, que não leva nem 20 minutos, passa-se por uma outra "base" em um valezinho, em formado de cratera, onde existem outros descampados para 2 ou 3 barracas pequenas. No cume, só havia uma barraca de um casal de Itamonte que haviam chegado as 11 da manhã no topo. Curiosamente, os 2 rapazes que encontrei no acampamento base, haviam encontrado com esse casal de madrugada, e me disseram que eles começaram a subir as 4 da manhã. Ao fundo, (no centro) Pico das agulhas negras e Prateleiras a direita Por-do-sol no cume Após contemplar o astro-rei repousando no horizonte, deixei meu nome no livro do cume e fiquei conversando com o casal até que escureceu completamente e pude ver todas as cidades iluminadas lá no topo. O inicio da noite foi tranquila, sem ventos, só com um leve sereno, raridade em se tratanto de picos. Eles eram os unicos acampados no topo. Na "cratera" havia outras 2 barracas e o grupo maior ficou justamente onde eu estava, infelizmente. Topo da Pedra da Mina Vista que vale qualquer esforço Belíssima vista das cidades iluminadas a noite lá do topo As 20:00h, retornei para a barraca e como já havia jantado a tarde, belisquei uns doces com suco e fiquei fazendo mais um pouco de hora. O termômetro marcava em torno de 04ºC, a noite foi tranquila e sem vento algum. Porém, só fui consegui dormir mesmo depois das 22:00hs, qdo a galera do grupo com os guias finalmente fecharam a matraca...rsrs A noite fez muito frio. As 5:30, acordei com o dia começando a clarear, e subi novamente ao cume para ver o sol nascer por trás das prateleiras do Parque nacional do Itatiaia. Dei uma volta no entorno, fiquei observando o trajeto inicial de quem vem da travessia pela Toca do Lobo e o belíssimo vale do Ruah. 1 hora depois desci e fiquei fazendo um pouco de hora na barraca, antes de iniciar a descida de volta. Nascer do sol A cratera na base-2 da Pedra da Mina As 9h50, barraca desmontada e mochila pronta, iniciei a descida de volta para a fazenda serra fina, onde cheguei por volta das 13:30. Mesmo descendo, tive que redobrar a atenção nos trechos da misericórdia e deus que me livre, fui descendo e tendo que me segurar em galhos, troncos,rochas e toda vegetação disponivel várias vezes para não escorregar ou cair durante a descida....Nesse ponto, quem tem problema de joelho sofre um bocado, o que não é meu caso, felizmente. Mesmo assim, é bom fazer uns alongamentos para joelho e coxas, afim de mante-los relaxados durante o enorme esforço que será exigido deles na descida. Trecho de caminhada pela crista Trecho da travessia para quem vem da Toca do Lobo e Pico do Capim amarelo Já na fazenda, após ajeitar tudo no bagageiro da motoca, inicio a viagem de volta a SP, onde chego por volta das 19h30. ------------------------- Como chegar a Pedra da Mina: Para quem vem de SP ou RJ, pegue a saida 34 na rodovia Dutra para Cruzeiro e siga reto em direção a Passa Quatro / Itanhandu. Após a subida da serra, passar por uma placa de divisa de estados e um posto BR a esquerda, siga até passa quatro e entre na estrada do IBAMA a direita, cujo acesso fica em um trevo asfaltado. Siga por 1,5km e prestando atenção em uma estrada de terra onde há uma placa indicando: Paiolinho 12 km - Serra fina (pedra da mina). Entre nela e siga em frente até chegar ao bairro do Paiolinho. Lá, a estrada passará no meio de algumas casas do bairro e ao chegar ao fim, ela se dividirá em 2. Pegue a da direita e siga-a até o fim por mais 2,5km. Não tem erro. Vai cair na fazenda serra fina e o inicio da trilha é logo do lado de uma placa verde com algumas recomendações básicas,e um mapa dos locais de acampamentos, picos, pontos d´agua e outros. Na duvida, é só perguntar para moradores locais. É isso.
  7. Com o feriado de 7 de Setembro se aproximando, eu e mais 3 amigos começamos a nos preparar para fazer a subida à Pedra da Mina via Fazenda Serra Fina, não fazendo ideia do que nos esperava. Moramos em Barbacena, e a viagem de carro até o pacato município de Passa Quatro (MG) demora em torno de 4 horas, mas o acesso à fazenda é por uma estrada de terra que nos toma mais 1h15min...enfim, saímos de Barbacena por voltas das 3h50 minutos, enfrentamos as precárias estradas do sul de MG, paramos em Pouso Alegre para tomar um café da manhã reforçado e seguimos para enfrentar a mais precária ainda estrada de terra que dava acesso à Fazenda Serra Fina. A estrada é bem sinalizada, então não houve grandes dificuldades para chegar até a fazenda, principalmente usando o GPS. Chegando lá por volta das 9h30, pagamos R$20,00 à senhorinha que mora na fazenda, assinamos um livro que é para controle de quem entra e sai da trilha, nos arrumamos e iniciamos a trilha por volta das 10h. A placa que marca o início do caminho passa uma ilusão gigantesca de que a subida até o pico leva 5h, o que nós realmente acreditamos veementemente e achamos inclusive que dava para abaixar esse tempo (iludidos 😓). A primeira parte da trilha é muito tranquila, basicamente um caminho por mata fechada (bem fechada, alguns pontos é até difícil ver a trilha), com alguns pontos de lamaçal e riachos, mas todos com algumas pedras que auxiliam na passagem. Após 30 min de caminhada tranquila, chegamos à cascata, com uma água cristalina e um visual sensacional. Após atravessar pelas pedras, bem escondido no canto esquerdo da outra margem do rio, tem um acesso à uma cachoeirinha que nos brinda com esse visual SENSACIONAL. Perdemos uns 20 minutos ali descansando, tirando fotos, hidratando e checando a trilha no WikiLoc (app que recomendo muito, inclusive, baixamos a trilha antes de sairmos de casa e nos ajudou muito). Na cascata também existem muitas abelhas pretas, que não têm ferrão, mas grudam no cabelo e tem uma mordida muito doída. A trilha a partir daí começa a exigir muito mais do físico, já que começa uma subida já com traços de escalaminhada, muito íngreme e muito longa (realmente parece que nunca mais acabar). É válido lembrar para levar um calçado adequado, pois a terra e o capim tornam a trilha muito escorregadia. Após esse primeiro "susto" com a necessidade física da trilha, chegamos num primeiro local de acampamento, onde paramos para almoçar e abastecer nossos recipientes de água numa bica que tem por lá (a água é geladinha e tem um gosto sensacional, a vontade era encher algumas garrafas para levar para casa), já que segundo o WikiLoc e alguns relatos, ali é o último ponto de água antes do cume (e a informação realmente procede, a travessia toda se destaca pela escassez de pontos de água). Ali tinham alguns grupos de trilheiros que almoçavam e conversavam, e todos eles nos disseram que a pior parte da trilha estava logo a frente (o que muitos relatos também confirmavam). Após uma parada de mais ou menos 1h para almoço, descanso e abastecimento de água, seguimos viagem já preparando o psicológico para enfrentar o temido "Paredão do Deus Que Me Livre", e o paredão faz jus ao nome ! Estávamos animados com o horário, já que segundo o WikiLoc, fizemos praticamente metade da trilha em questão de distância em 2 horas, mas ao observar o que nos esperava, vimos que a trilha mal havia começado. O subidão é praticamente do começo ao fim uma escalaminhada muito pesada, em alguns momentos exigindo inclusive uma certa experiência com escalada. É bom sempre ficar atento aos totens e às marcações reflexivas, pois alguns pontos da subida possuem várias bifurcações e é realmente muito fácil se perder. Sempre que possível, parávamos em algum lugar para descansar e hidratar, mas o cansaço bateu forte do começo ao fim, pensamos em desistir algumas (muitas) vezes. Terminando o subidão da Deus Que Me Livre, demos de cara com o Morro da Misericórdia, que era igual ou pior ao anterior. A essa altura, o psicológico bate forte, muitas pessoas montam equipamento ali mesmo, ou um pouco mais a frente, dentro da mata no vale, aonde tem uma área de acampamento em uma área de mata fechada; mas resolvemos continuar. Após chegar ao fim do Morro da Misericórdia, com as pernas e os ombros pedindo arrego, nos deparamos com mais uma caminhada considerável até chegar no pé do morro da Pedra da Mina, aonde montaríamos acampamento. Andamos devagar, ainda nos recuperando das duas subidas absurdas que havíamos acabado de vencer, mas chegamos à área de acampamento por volta das 17:10, montamos acampamento rapidamente e subimos ao morro sem mochila para acompanhar o por do sol, o que com certeza valeu muito a pena. Lá de cima é possível ver claramente o belo Vale do Rhua, o Pico das Agulhas Negras e alguns vários municípios da região, a vista é DESLUMBRANTE, por um instante até se esquece o esforço feito para chegar até ali. Após ver o por do sol, descemos para nos alimentar e ir dormir. Colocamos algumas roupas secas, já que as da trilha estavam encharcadas de suor e o frio já estava começando a dar as boas-vindas, fizemos um macarrão com frango desfiado usando o fogareiro a álcool, apreciamos o belíssimo céu estrelado com direito até a chuva de meteoros e fomos dormir. Nosso "rango", que deu uma sustância muito boa e ficou pronto rápido Acordamos por volta das 5:30, desmontamos acampamento e andamos um pouco até o pico do Morro da Misericórdia, para afastar-nos um pouco do frio. Lá no pico, tomamos café com uma vista deslumbrante do vale, e por volta das 7:00 começamos a descida da trilha, que é tão doída quanto a subida. O joelho dói muito na descida, já que boa parte da trilha é escalaminhada e descidas muitos íngremes, um bastão de caminhada é ESSENCIAL para a volta. Chegamos até a área em que almoçamos na subida, descansamos por mais ou menos 1h e repusemos a água na bica para continuar a descida. Chegamos à fazenda exaustos por volta das 11:30 e embarcamos no carro para a volta para casa e o merecido descanso. Nossa vista do vale durante o café da manhã A trilha exige MUITO preparo físico, equipamento bom (principalmente calçado, bastão de caminhada,barraca, isolante térmico e saco de dormir para -10ºC) e exige também muito preparo psicológico, mas com certeza valeu muito a pena. A vista durante toda a trilha é sensacional, o céu noturno no alto do pico é inexplicável e a experiência como um todo é sensacional. Da próxima vez, pretendemos fazer a travessia de 4 dia da Serra Fina, começando pela Toca dos Lobos, mas até lá ainda vamos nos recuperar por um bom tempo 😅😅😅. O frio castigou durante a noite ! ❄️❄️
  8. Aventura solo pela 1ª vez na Pedra da Mina Eram 4:10 da manhã coloquei tudo dentro do fiestinha e peguei a estrada em direção a Fazenda Serra Fina em Passa Quatro/MG, viagem tranquila chego lá por volta das 8:10, converso com a senhora assino o livro pego a mochila e oito e meia começo a trilha. A Subida Uns 40 minutos chego no riacho, faço um lanche bato umas fotos dou uma descansada e pego a trilha novamente, não me lembro se foi antes ou depois do rio que peguei uma trilha errada que deu em um lugar fechado tive que voltar um pouco pra pegar a certa, passo pelo segundo ponto de água, bebo um pouco a água geladinha da montanha, muito boa encho a garrafinha e continuo subindo, vai ficando mais íngreme e passo na bifurcação aonde tinha uma panela vermelha, não sei porque alguém tirou e deixou uma leiteira ali, peguei a direita continuo subindo ainda mais dando algumas paradas para descanso por volta das uma e meia da tarde chegou no acampamento base e último ponto de água, foi aí que tive um segundo imprevisto o fogareiro não funcionava direito, ficava apagando e o macarrão não ficou legal e demorou para ficar pronto, depois até lavar e guardar tudo ja eram quase três horas, levei 2 litros e meio de água a mochila ficou muito pesada e continuei a subidona bem lentamente, admirando a paisagem até o sol se por e dar lugar a lua cheia que ja estava lá desde a tarde, quando ja estava quase de noite dei mais uma perdida, tive que voltar um pouquinho para pegar a trilha certa, andei de noite mesmo, teve uma vez que cai que fiquei com as duas pernas pra cima no capim elefante kkkkk o celular caiu do bolso, achei que estava perdido, continuei andando achei totens fiquei felizão, toda vez que descansava tentava achar a rota no gps do celular sem sucesso, pedia pra Deus me mostrar o caminho e continuei andando, quando de repente colocam uma luz em mim e perguntam e ae de boa, na hora parei muito feliz de ter encontrado alguém, eram três mochileiros de Niterói eles estavam acampando no bambuzal para ir embora no outro dia, descansei um pouco me deu um ânimo de estar no caminho certo, eles falaram que ainda faltavam duas horas e era bem difícil, perguntei as horas, eram oito horas, como a lua estava iluminando tudo decidi continuar subindo, as vezes ficava quase meia hora sem ver toten,quando via ficava muito feliz e continuava, descansava um pouco, e continuava subindo e pensando caramba não chega nunca, como os caras fazem em oito horas kkk, quando cheguei na área de camping bem legal e aquela imensa pedra a ser vencida, estava muito cansado mesmo e desisti de subir com a mochila e dormir la em cima, montei a barraca, tentei arrumar o fogareiro sem sucesso, comi um lanchinho e dormi, parecia que estava dentro da geladeira, era só mudar de posição que estava tudo gelado, sai de madrugada para fora da barraca tava tudo branco iluminado pela lua cheia, toque na barraca estava dura congelada incrível, dormi mais um pouco pois ainda estava escuro e quando começou a clarear o dia, peguei o básico com o café da manhã, coloquei na mochila e decido subir a montanha e...por onde é o caminho mesmo, como estava escuro não dava para ver os totens e fui para uma direção achei estranho porque estava indo na direção do vale do ruah voltei dei uma olhada direitinho e vi o caminho certo, comecei a subir vi mais alguns totens fui seguindo com muita atenção, apreciando aquele amanhecer fantástico, acredito eu que em menos de uma hora cheguei no cume, foi tranquilo pois estava com menos peso e descansado, mesmo assim é uma subidona, ainda bem que eu não tentei subir aquela hora. Quando vi que não tinha mais onde subi, comecei a gritar lá em cima uhuuuuuuuuuuu, consegui [email protected]%%$##, obrigado meu Deus, percebi que tinham algumas barracas e fiquei meio com vergonha, putz acordei o pessoal. Fiquei sentado nas pedras admirando o sol nascendo por trás de outras montanhas altas coisa linda de se ver, aquele tapete de nuvens é incrivel só de lembrar emociona, os outros picos como os agulhas negras ficam parecendo ilhas no mr de nuvens muito lindo, daqui a pouco sai da barraca o Guto guia, muito gente boa estava com duas pessoas fazendo a travessia da serra fina, dois caras firmezas também, assinei o livro ficamos conversando la em cima muito legal, tomamos um café eles arrumaram as coisas deles e me despedi daquela maravilha de lugar, queria ficar mais a caminhada era longa para voltar aproveitei que eles estavam saindo e também fui. A descida Pra descer é difícil também tem partes muito ingremes, desci uma meia hora, quarenta minutos, parei na minha barraca, deu uma preguiça de arrumar tudo, fiz bem devagar coloquei tudo dentro da mochila e comecei a caminhada de volta, prestando bastante atenção no caminho para não errar, quando cheguei no bambuzal aonde os caras de niteroi estavam acampados, parei para fazer um lanche e descansar, mochila no lombo comecei andar daqui a pouco saio em um ladeirona sem saida, procurei a continuação e nada, subi em cima da pedra e nenhuma saida, tenho que voltar um pouco até achar a trilha certa quando achei dei mais uma descansada e continuei, andei uma meia hora, tava achando estranho aquele caminho voltando pra pedra, quando de repente saio no bambuzal de novo, essa hora foi [email protected], deu um sentimento meio estranho, pensei em descansar mas achei melhor voltar por onde tinha vindo cansado mesmo, um tempo depois estava eu naquela ladeirona sem saida, não acredito, essa hora tirei a mochila pensei com calma, voltei devagarinho para a trilha certa, quando achei fiquei mais atento ainda e achei o caminho certo eram bem proximos, ufa. Continuei descendo, ja estava conhecendo o caminho, pois quando passei ali ja estava de dia, descidona braba com um pesão nas costas e as perna e o joelho sofre tomei, minha última água começo ouvir vozes, depois de uns vinte minutos encontrei com 3 mochileiros subindo, um inclusive é aqui do site, trocamos umas idéias e continuei descendo ja dando uma sede. Tem que ficar esperto nessa descida para não torcer o pé e nem se machucar principalmente se tiver sozinho, cheguei no acampamento base, tirei a mochila tomei muita água, enchi apenas uma garrafinha de meio litro deu uma disposição e como o sol já estava se pondo acelerei o passo quando chegou na trilha com o piso mais regular, só queria fazer uma refeição direito e tomar um banho, por isso queria chegar logo no carro, acelerando o passo chego na bifurcação aonde tinha a panela vermelha nem paro continuo descendo, quando parei para descansar dei falta da blusa que estava amarrada do lado de fora da mochila e o celular estava na blusa, aí foi o desespero número dois, comecei a voltar como estava muito peso fiz a loucura de deixar a mochila na trilha e voltar andando para achar a blusa, subi bastante passei de novo na bifurcação subi mais um pedaço, por ali tem umas vegetações altas que cobriam a trilha subi mais um pouquinho ai deu medo de não achar a blusa nem a mochila voltando, pois ja estava ficando escuro essa hora, decidi voltar para pegar a mochila e ir para a fazenda para no outro dia cedo voltar de novo, acreditem ou não, nem eu acreditava, desci meio que xingando eu mesmo com medo de não achar a mochila na trilha pois minha lanterna era bem precária, na verdade era aquele isqueiro que vem com uma luz, eu sabia que estava após um fiozinho de água, mesmo assim fiquei com medo de passar por ela e não ter visto, cheguei até pensar que a blusa poderia estar dentro, o cansaço me deixou meio confuso, graças a Deus achei a mochila, ja pensou ficar sem a mochila de noite, não ia dar nem pra entrar no carro. Continuo a descida,pensando só vou descansar no riozinho mas acabei pisando em falso tomei um rola e aproveitei para descansar ali mesmo kkkkk, foi meio difícil passar pelo rio a noite, mas passei de boa com cuidado, continuei andando exausto com fome, passo a portinha quando eu abri caiu no chão deixei assim mesmo, estava sem força pra abaixar e sabia que amanhã seria o primeiro a passar por ali, cheguei na fazenda comi uma bolachinha sem graça doce, eu queria era comida quase que eu bato na casa pedindo um prato de comida kkkkkk, coloquei aquele monte de blusa que tinha levado as três calças me cobri e dormi no carro mesmo, é ruim pra caramba sem jeito um frio quase igual lá de cima, um pouco menos. Bonus No outro dia acordei umas 6:20 arrumei uma mochilinha com o básico e subi de novo, me perdi no mesmo lugar do primeiro dia, ficar esperto, voltei continuei subindo tomei uma água no rio, enchi a garrafinha subi até la em cima depois da bifurcação e das vegetações que cobre a trilha, estava lá ela, se eu tivesse subido um pouquinho mais tinha conseguido achar, mas tudo bem estava muito feliz que achei a blusa e o celular e dei mais um gritão na montanha Obrigado meu Deus. Desci tudo encontrei uns cavalos achei que já tinha chegado mais ainda demorou uns vinte minutos e dez e meia estava eu no carro dando a partida para ir embora, agradeci a senhora e peguei a estradinha de terra, fui um pouco depressa porque estava com muita fome e no caminho depois de uma curva dei um susto em algum motorista que até buzinou com medo desculpa se for alguem ai, comi uma bela de uma comida mineira eu estava morrendo de vontade antes de ir, e fui de dia mais descansado, esse foi o lado bom de ter que voltar tudo, depois do almoço lá chegando na rodovia em Passa Quatro foram duas horas e meia até em casa, dando uma chinelada. Foi muito legal valeu muito a pena, fiquei descansando o dia inteiro quando cheguei para me recuperar. Abraços
  9. Olá a todos amigos Mochileiros! Como prometido ao nosso novo e bom amigo Peter Tosh, segue relato de nossa nova aventura ao cume da Pedra da Mina. Relato também em filme no youtube para os interessados: TRIO COM DOIS SEXAGENÁRIOS NO CUME DA PEDRA DA MINA VIA PAIOLINHO RELATO: Como já sobejamente divulgado, a trilha do Paiolinho para a Pedra da Mina, é muito exigente, portanto requer preparo físico e psíquico em boa quantidade. O aspecto psíquico é tão importante quanto o físico, pois para se ter sucesso na empreitada é imprescindível ter consciência de que está mesmo determinado a lançar-se a um grande desafio de resistência física e emocional, haja vista as condições naturais da trilha, com obstáculos difíceis de serem transpostos, que associados ao grau de declividade oferecem muitas resistências à caminhada. As restrições impostas pela idade, como baixa velocidade e necessidade de períodos mais longos de descanso, requerem sobretudo um bom planejamento. Fizemos a trilha com sucesso, obedecendo a seguinte sequência planejada: 1) - Escolhemos 3 dias do período compreendido entre 15 de julho e 15 de agosto (período que nos pareceu promissor de tempo firme, sem chuva) e ficamos acompanhando a previsão meteorológica para os dias desse período, até que a sequência dos dias 29, 30, 31 de julho e 1º de agosto estavam dentro da previsão da Freemeteo, como dias ótimos, para nós, sem chuva. 2) – Preparamos individualmente uma mochila cargueira que pesou em média, 15 kgf, inclusos 4l d’água. 3) – Sempre iniciamos a caminhada, descansados e bem pela manhã. 4) – Nosso objetivo, sem alternativa era o topo da Pedra da Mina. Assim, no dia 29/07/2015 pernoitamos em Passa Quatro, na pousada Ponto 4 (boa pousada – tel.: (35) 3371 3007. No dia 30/07/2015, chegamos às 7h30min no início da trilha, P1(513.613m E – 7.523.742m N) na “Fazenda Serra Fina”. Deixamos o carro, pagamos a importância de R$ 20,00 para a Dona Maria, assinamos o livro de presença apresentado por ela e iniciamos a caminhada: eu João e o amigo Facco, sessentões e meu filho Gustavo na faixa ainda dos vinte. Já eram 07h40min e começamos a caminhar sem transportar água. Cada mochila tinha 2 garrafas pet de 2l vazias, pois até o acampamento base +/- 5 km se tem 3 travessias de água. Alcançamos a 1ª às 8h20min, ignoramos, pois em seguida já se tem a 2º P2(514.818m E – 7.523.318m N) – aqui é bom pegar um pouco d’água, pegamos pouco mais de 0,5l cada um. O acampamento base ainda está bem longe e a trilha até lá, já apresenta algumas exigências. Ás 11h40min, chegamos ao acampamento base P3(515.755m E – 7.521.920m N), onde nos alimentamos bem, descansamos bastante, abastecemos as garrafas com água, pois este é o último ponto de água e demos início às 15h10min à subida do “Deus me livre” é uma tarefa dura de se realizar, pois a trilha é muito agressiva, mas é o que há de bem razoável a ser feito, pernoitar no fim dessa subida, que tem +/- 01km e um desnível de 400m. Chegamos ao topo desse morro, às 18h20min, já no crepúsculo, frio de 3 graus, cansadíssimos, mas com um bom atenuante, tínhamos a noite inteira para descansar. Encontramos um bom espaço para armar nossas barracas (2) P4(515566 m E – 7521159 m N), apesar de ser topo de morro, há uma certa proteção do vento, oferecida pelo capim amarelo, ali abundante. Se julgar mais conveniente uma proteção maior, caminhando um pouco mais se encontra outros espaços fora do topo. Ressaltamos que no percurso do “Deus me livre”, não há um único espaço adequado para se armar barraca. Após as barracas armadas, fizemos uma refeição quente, apreciamos um indescritível luar, noite de lua cheia e por cima, lua azul, acontecimento raro. Nos recolhemos para o conforto das barracas e sacos de dormir e a noite transcorreu gelada, com o termômetro digital registrando a mínima de 0,5 graus. Deste ponto à Pedra da Mina, ainda faltam .....km. Pela manhã, dia 31/07/2015, não obstante o frio intenso, fomos comtemplados com um belíssimo nascer do sol, saboreamos um bom café quente, pegamos apenas 2l d’água cada um de nós e lanches para retomarmos a caminhada rumo à Pedra da Mina. Começamos a caminhar às 07h30min, num percurso composto de 7 cocurutos, incluso o famigerado morro conhecido como “Misericórdia” – é uma encosta que faz jus ao nome – meu Deus do Céu. Vencida essa encosta, se tem uma grande recompensa, o vale do Ruah se apresenta com suas formações de cursos d’água, ficando a Pedra da Mina, nesse trecho, à margem esquerda do curso d’água principal. Nesse trecho os cursos d’água são secos, apenas drenagens de águas pluviais. Seguindo a trilha, sempre atento aos totens que indicam seu local, começa uma longa descida até a base da Pedra da Mina, onde se encontram bons espaços para se armar barracas P5(515951 m E – 7520354 m N). Fizemos uma pausa para descanso e contemplação do vale que nesse local dá para se observar as formações de 2 bacias hidrográficas, uma em São Paulo (rio Claro) outra em Minas Gerais (rio Verde). Após, esse razoável descanso, iniciamos o ataque ao cume. Tarefa exaustiva, em meio a um sol calcinante e um vento gelado. Após +/- 45min chegamos nós ao destino estabelecido, às 11h20min. Grande alegria em sentir que nossos esforços foram compensados além do que esperávamos. É muito gratificante e indescritível a sensação de se estar no centro de uma imensa circunferência que dali se avista como horizonte. É um visual único, uma vista de volta completa impossível de ser registrada com instrumentos. Bom! Feitas as devidas contemplações, registradas as presenças no livro de cume (caderno guardado com canetas em uma caixinha feita com chapa de inox), tomadas fotográficas, gravação de vídeo etc., retomamos a caminhada de volta, às 12h40min. Reiniciamos a caminhada de volta com uma expectativa mais animadora devido a velocidade de deslocamento ser bem maior. E às 15h30min, chegamos ao local em que ficaram nossas barracas. Cansados, já no prenúncio do crepúsculo, mas com a confortável expectativa de se poder descansar a noite toda. Fizemos um lanche reforçado, ficamos observando o adejar da imensa lua cheia e por fim nos recolhemos, para aguardar o transcorrer de mais uma noite gelada. Acordamos na manhã do dia 1º de agosto de 2015, com as barracas salpicadas de gelo e um sol grandioso rasgando a neblina a nos aquecer. Tomamos um café bem quente, alçamos às mochilas às costas e pernas pra que te queremos encosta abaixo. Encontramos vários montanhistas à caminho da Pedra e às 10h20min, chegamos ao acampamento base. Ali estavam várias pessoas com a pretensão de chegar à Pedra da Mina. Umas alegres dispostas e outras tristonhas e desacorçoadas. Fizemos um descanso e retomamos a trilha até a Fazenda Serra Fina, onde estava nosso carro. Chegamos lá às 13h45min, cansados mas muito satisfeitos pelo êxito alcançado na atrevida aventura que a despeito de nossa idade encaramos com naturalidade. Espero que tenham gostado! Um grande abraço e até o próximo relato!
  10. Data da viagem: 13-08-2016 Como vão mochileiros? Este é o meu primeiro relato para o site, espero que gostem. Bate/Volta pedra da Mina – Ótimo treinamento para outras montanhas. Bom, começamos nossa viagem saindo da pequena cidade de Santa Rita do Sapucaí-MG. Saímos à 0:10 em 8 pessoas - Esron Samuel (eu), Tiago (bananeira), Leandro (Nandão), Luiz Eduardo (Dú), Zé Renato (Guia e Fotógrafo), os gêmeos (Luiz Eduardo e Gabriel) e Wallace. Quem nos levou até a cidade de Passa Quatro foi o Edson, motorista da Van. Chegamos em Passa Quatro por volta das 3h da manhã e seguimos direto para a estrada de terra. Após meia hora, percebemos que pegamos a estrada errada e tivemos que voltar, o que fez perdermos um pouco de tempo, mas faz parte. No caminho certo, a van nos deixou um pouco abaixo da fazenda Serra fina, pois estava muito difícil de subir. Chegamos à fazenda e começamos a caminhada exatamente às 4h53min da manhã. Estava muito frio, então tratamos logo de ligar a lanterna e partir pra caminhada. Dica: Pra quem for fazer trilha, tanto bate/volta quanto acampar, vá à noite, pois andar de madrugada rende muito - créditos ao nosso parceiro Nandão. Nossa primeira parada foi na famosa Panela Vermelha, onde paramos para tomar água e comer algo. Logo depois de sairmos do camping da Panela Vermelha vimos um paredão, onde decidimos esperar pelo o resto da turma. O cartão de visita da pedra da mina é de tirar o folego. Recomendo um bom preparo físico, pois o pior ainda estava por vir...rsrs. Segue foto da primeira parada: Logo depois de agruparmos, começamos uma subida bem chata, cheia de pedregulhos. O sol já havia nascido e estava quente, continuamos caminhando e logo depois avistamos o morro chamado “Deus me livre”. Não entendia o motivo do nome Deus Me Livre, fui entender quando estava subindo. Sinceramente, o nome faz jus. Quando terminamos a subida do Deus Me Livre, imaginei que teríamos uma trégua e que andaríamos por uma trilha plana, mas me enganei. Subimos mais um pouco e, depois de 20m de caminhada, avistamos os Cocurutos - a vista é deslumbrante e dá pra ganhar um folego extra. Fôlegos retomados, descemos um pouco e passamos pelo acampamento que fica entre os Cocurutos e o Pico da Asa. Logo depois, começou a subida da “Misericórdia”. Confesso que nesse momento eu estava com câimbras e pensei em desistir de alcançar o topo. Eu e meu amigo Tiago estávamos exaustos. Fiz alguns alongamentos e retomei a subida junto ao meu parceiro. Quando terminei, avistei a turma à minha frente. Foto do topo do Pico da Asa: Enfim, depois disso cheguei à base da Pedra da Mina e avistei um pessoal subindo outra montanha. Mais uma foto: Nesse momento apertei o passo pensando que finalmente alcançaria o topo. Quando estava subindo, avistei o belíssimo vale do Ruah - o vale mais alto do Brasil, confesso que fiquei emocionado em vê-lo. Depois de várias fotos, continuei subindo e, finalmente, avistei a imponente Pedra da Mina. Nessa hora veio aquele alívio e também aquela gratidão. Chegando lá em cima, não sentia dor nem cansaço, só queria prestigiar o momento e a vista maravilhosa. Seguem mais algumas fotos: Minha Turma: Gostaria de agradecer a todos que foram nessa aventura, faço minha as palavras de todos. Foi com muito esforço e garra que subimos e chega certo momento em que você só consegue subir com muita força de vontade e determinação, o psicológico conta muito nessa hora. Se fosse para descrever o grau de dificuldade em palavras, eu não conseguiria. Quando eu estava para desistir, pedia força a Deus para me ajudar. Como li num relato aqui no Mochileiros... “A cada dia percebo que o bom montanhista não é aquele que melhor escala, que tem os melhores equipamentos, ou que percorre longas distâncias em menos tempo, mas sim aquele que compartilha suas experiências com outros amigos, divide o prazer de cada passo com seus companheiros e que enfrenta as dificuldades da montanha em equipe com o mesmo prazer de quem sorri ao ver o sol nascer por de cima dos altos cumes”. Até a próxima. Considerações finais. Chegada no Paiolinho: 04:50 Chegada no Cume: 09:48 Inicio da volta 10:50 Chegada no Paiolinho: 15:15
  11. Aos colegas que pretendem enfrentar o desafio de chegar ao cume da 4ª montanha mais alta do Brasil, elaborei um relato em vídeo sobre a trekk. O documentário pode ser considerado um tanto quanto extenso (28 minutos), porém, é um passo a passo com dicas importantes para quem pretende desbravar esse difícil cume brasileiro. Pedra da Mina - Passa Quatro - MG A Pedra da Mina é o 4º maior pico do Brasil e também ponto culminante do Estado de São Paulo, sendo considerada a melhor Travessia do pais. Fica localizada na Serra Fina, que é o maior conjunto de montanhas do Brasil, com 12 picos acima de 2.600 metros. O acesso à Pedra da Mina é de nível difícil. O montanhista pode optar pela subida a partir da Fazenda Serra Fina (conhecida como Trilha do Paiolinho) ou pela travessia da Serra Fina, que tem duração de 4 dias (96 horas), com trajeto que passa pela Pedra da Mina. Nessa primeira experiência, optei pelo trajeto mais curto, com trekking iniciada pelo “Paiolinho”. Mesmo sendo um trecho menor, a indicação é para pessoas com um bom condicionamento físico. De nível intenso, o bom condicionamento físico é importante, assim como os equipamentos adequados para media montanha. Esta caminhada exige espírito de equipe, motivação e superação. Espero que o vídeo ajude os colegas pretendentes nesta dura escalaminhada!! Boa Sorte, amigos! .
  12. PEDRA DA MINA UM DESAFIO VENCIDO PELA DETERMINAÇÃO Desde os primórdios de minha existência, as montanhas sempre me exerceram um grande fascínio. Nasci entre montanhas, numa variante da Mantiqueira, a Serra da Cantareira, no Município de Nazaré Paulista – lá pelos idos de 1952. Após um período de convivência com toda sua majestosa beleza, a Serra da Bocaina, na região das cidades históricas do Vale do Paraíba - SP, tive minhas atenções voltadas para a Serra da Mantiqueira, logo pela sua expressão máxima, a PEDRA DA MINA. E assim, no dia 23/08/2013, numa aventura solo, saí de minha cidade Guarulhos, e às 9h45min, iniciei a caminhada, pela trilha do Paiolinho, no quintal da sede da Fazenda Serra Fina – Município de Passa Quatro – MG, no ponto de coordenadas 513615 m E – 7523743 m N. Dia ensolarado, mochila com 19 kgf às costas, inclusos 4l d’água. A caminhada segue tranquila, duas porteirinhas de arame farpado à frente, área de algum cultivo, e lá vou eu. Seguem coordenadas tomadas aleatoriamente pela trilha 514725 – 7523425 e 514756 – 7523179. Agora uma matinha legal e a trilha segue pela sombra, até a chegada da primeira travessia de água, após 45 min. É uma água pequena, mas logo à frente já se cruza uma outra travessia d’água, bem mais volumosa no ponto de coordenadas 514823 – 7523170. Seguem coordenadas tomadas aleatoriamente pela trilha 514917 – 7523291 e 515379 – 7523017. Continuando, ainda em meio à mata, já são mais de 11 h e cheguei noutra travessia de água, um riacho muito bonito (515439 – 7522940). É bom tomar muito cuidado na transposição dessas travessias de água, pois as pedras são extremamente escorregadias e um tombo pode significar o fim da trilha. Outra recomendação: ao se apoiar em troncos de árvores preste muita atenção onde vai colocar as mãos, espinhos ou insetos venenosos também podem por fim à caminhada. Bem, a caminhada que até aqui vinha maneira, começa a mudar de feições e a subida começa a ficar mais agressiva com a trilha talhada por água de chuva e com pedras soltas, ainda que sob árvores. E agora avisto, pendurada numa árvore, a sempre lembrada panela vermelha, que já está esverdeada (515647 – 7522938), são exatamente 11h33min. Se já estiver a fim de armar a barraca, este ponto é um bom lugar. Seguem mais coordenadas da trilha 515487 – 7522624; 515555 – 7522479; 515705 – 7522274 e 515755 – 7521925. Daquela última travessia de água até aqui, meu amigo, ponto do acampamento base (515753 – 7521920) a coisa é brava, a trilha mostra com seriedade, o que ela reserva à frente. Bem, este local, chamado de acampamento base, é muito agradável. Tem lugar ajeitadinho para umas 4 barracas de 2 ou 3 pessoas, uma bela água, proteção sob árvores e até um fogão improvisado de pedras, tudo muito limpo e é bom que assim seja mantido, para que a alegria das pessoas educadas que, também, somos nós montanhistas, seja ainda mais abrilhantada, lembrando que aqui é o último ponto com água até a Pedra da Mina. Sabe que horas são? Eu te falo 14h40min – quase com exatidão 5 horas de caminhada serra acima, eu estou bem cansado e como não conheço as possibilidades de descanso mais à frente, vou armar minha barraca e pernoitar por aqui. 24/08 sábado, despertei às 5h30, dei uma olhada no termômetro fora da barraca e a temperatura estava em 3 graus. Me levantei assim que o dia clareou bem , fiz um café, enquanto um belíssimo canto de sabiá coleira embalava a manhã. Ajeitei a bagagem, com uma expectativa muito equivocada do que me esperava. Primeiro achei que chegaria no cume no máximo em 3,5 horas, não dei muita importância para as descrições que havia lido sobre as dificuldades da trilha, e assim, procurei levar na mochila apenas o de uso necessário e imediato: 2l d’água, sanduíches, câmera fotográfica, GPS, gravador digital de voz uma faca na cintura e por Deus, uma caixa de fósforo, que por acaso estava no bolso inferior da calça. 07h20min comecei a caminhar serra acima. Ando uns 80 m e me deparo com mais um lugarzinho ajeitado para armar uma barraca, no lado direito da trilha. Continuo subindo e a coisa vai ficando brava. O capim amarelo começa a ficar abundante oferecendo dificuldade ao caminhar e a subida vai se inclinando cada vez mais. Seguem coordenadas aleatórias da trilha 515635 – 7521797. Neste trecho, a subida tem o nome de Deus-me-livre e tem mais ou menos 400 m, segundo li. E subindo por entre o temido capim amarelo, cheguei num charco (515594 – 7521765), que na verdade é um discreto afloramento d’água que vai gerar um córrego mais para baixo. O sol já é bem forte e agora a trilha deu numa laje de pedra (515564 – 7521631). Deve-se continuar sobre a laje, pela direita, logo a trilha volta a ficar clara e dura de prosseguir. Após essa laje, da prá se assustar, uma verdadeira parede de pedra desponta à minha frente (515565 – 7521612). Não há outra maneira a não ser escalar. Vencida essa barreira, uma nova laje de pedra tenho que transpor (515556 – 7521564) e aí a trilha desaparece de vez, deve-se ficar atento na identificação de totens que indicarão a retomada da trilha – nesse trecho a altitude ainda é 2241 m e caminhar é necessário. A subida é de uma inclinação absurda, para se caminhar com segurança fico meio arcado para frente o que permite um equilíbrio maior. Nesse trecho também não se tem mais árvores, só capim amarelo e espécies de campo de altitude e na trilha muita pedra, exigindo muito cuidado com possíveis tombos (515567 – 7521530) segue coordenadas aleatórias 515620 – 7521434. Agora estou nas coordenadas 515630 – 7521407 e a altitude é de 2343 m, tenho uma belíssima vista do sul de Minas com 3 grandes aglomerados urbanos que devem ser pequenas cidades. Consulto o relógio e me alegro por ser ainda meio cedo. Continuo subindo, tracionado e reduzido, numa marcha extremamente vagarosa. Estou num ponto (515616 – 7521313) que se deve ter muita atenção para com os totens, pois a trilha some entre as pedras numa área muito grande. Logo à frente, nas coordenadas 515617 – 7521265 a trilha também some e é necessário observar o totem, que indica a retomada da trilha no meio do capim amarelo. Muito bem, estou finalmente em um cocuruto (515540 – 7521150), digo finalmente, porque há muito que não via uma descida na trilha. Vou adiantar que esse cocuruto, além de marcar o fim da subida do Deus-me-livre, é o 1º de uma sequência de 7 cocurutos uns mais altos que os outros. Deste 1º cocuruto vislumbro uma paisagem inefável e na sequência ponto na trilha 515448 – 7520998. Estou agora num ponto (515448 – 7520934) onde há uma ótima abertura para barraca, continuando o sobe e desce, estou agora em outro cocuruto (515445 – 7520878) e a altitude é de 2535 m, observe que estou andando pouco e subindo muito. Continuando a subida, estou noutro lugar bom para barraquear (515438 – 7520853) e continuando, agora estou numa matinha interessante, um misto de bambu com capim amarelo, onde há fortes sinais de que o lugar é usado para acampar (515494 – 7520724). A todo momento acho que já estou vendo a Pedra da Mina e nada, é mais um cocuruto desanimador, como este que vou ter que subir agora (515569 – 7520619) tá mais parecido com uma parede descascada do que uma encosta de montanha, ponto na trilha 515596 – 7520584. Parei no topo para descansar dei uma olhada no relógio do GPS são 11h33min, já se vão 4 horas de escalaminhada, e nada de se avistar a Pedra da Mina. Eu que achava que faria o percurso em 3,5 horas, já estou ficando preocupado. O sol é inclemente e a água já está minguando. A altitude aqui é de 2605 m (515594 – 7520532) isto quer dizer que ainda tenho que caminhar muito, pois ainda falta subir 193 m. Continua o sobe e desce e mais uma encosta terei que encarar, e assim cá estou eu em mais um cocuruto (515664 – 7520424). Neste trecho, agora vou descer para depois subir para mais um cocuruto, só observando os totens, não existe trilha demarcada . E agora, me encontro em outro e último cocuruto (515702 – 7520358). Agora sim, dei uma animada boa, pois não tenho dúvida de que estou diante da Pedra da Mina, porque avisto lá em baixo o curioso, sinistro, belo e exótico Vale do Ruah. Aqui tem um totem extraordinário, artístico e meio monumental. Olhando para a essa face da Pedra da Mina, deve-se seguir para a esquerda, acompanhando os totens. Eu estou fazendo isso, até que passo por um, aparentemente último totem, e a trilha me parece claramente que segue pelo capim amarelo, por onde acabo seguindo, meio desconfiado. Desconfiado porque eu tinha lido em relatos de outros montanhistas, que seguindo os totens, não haveria erro e o cume seria alcançado com facilidade. Erroneamente, insisto pelo campim amarelo, pois a encosta da pedra está à minha frente e a tentação de logo alcançá-la é enorme. Não faça isso, perdi mais de 40 minutos para caminhar uns 100 m, num sufoco atroz. Após vencer o capim amarelo chego no leito seco de um córrego (515990 – 7520182), cuja cabeceira é bem próxima. Esse córrego, segue margeando o sopé da pedra em direção ao vale do Ruah. Seguem pontos aleatórios na trilha 515982 – 7520126 e 516050 – 7519985. Bem, ainda meio desconfiado, começo a escalar a encosta da pedra, continuo desconfiado porque a altitude aqui é de 1600 m, faltando ainda 198 m o que me parece muito pelo visual que daqui tenho do topo. Estou decidido a voltar, dar por encerrada essa trip, caso essa encosta não seja a da Pedra da Mina. Continuo subindo e olha só o que me espera: um novo totem ( 516092 – 7519916) – que alegria. Agora sim estou avistando a fileira de totens, lá na frente, fazendo uma trilha que contorna exatamente a cabeceira daquele córrego de leito seco a que falei agora pouco. É que não tenho tempo, mas eu acho que até água ali na localidade da cabeceira desse córrego deve ter. Então, naquela hora do último totem, no fim da descida e começo do capim amarelo por onde optei, eu deveria seguir em frente, margeando o capim amarelo, sem perder de vista o córrego que serve muito bem de orientação. Neste momento, são 13h36min, me encontro no topo da Pedra da Mina. Levei 6 horas escalaminhando. Um grupo de 5 pessoas também acaba de chegar, vindo da Toca do Lobo. Muito bem, se eu não estivesse lutando contra o relógio, iria fazer um descanso e explorar esse local com mais tempo, mas não posso, tenho que descer antes que escureça. Assinei o livro de cume, fiz algumas fotos, me despedi dos rapazes e perna bamba para baixo. Inicio a volta pelo mesmo caminho, passando de novo pelo capim amarelo, pois deixei na trilha que fiz por ele, papéis branco sinalizando a trilha e volto agora recolhendo-os, antes disso, fiz um lanchinho rápido economizando o resto da água. A trilha se mostra muito difícil neste início, estou extremamente cansado e tenho uma longa subida pela frente, até aquele totem monumental que sinaliza o Vale do Ruah, para depois começar a sucessão de cocurutos, antes do início da descida do Deus-me-livre. Esse sobe e desce dos cocurutos, é uma verdadeira prova de resistência e o sol já começa a me dar sinais de que não vai me esperar. Começo a descida o Deus-me-livre a passos largos, embora a minha resistência esteja comprometida. Tenho que caminhar muito ainda e a descida é tão exigente quanto a subida. Tenho que ficar de 4 em muitos lugares e descer de ré com muito cuidado para não me machucar. Agora tomo o último gole d’água e continuo com uma sede enorme. Continuo descendo com as pernas já bambas pedindo repouso e o sol se pondo, à minha esquerda, com grande rapidez. Está escurecendo e a descida não tem fim, mas a trilha aqui ainda é razoavelmente visível. Continuo descendo, sem nenhum tipo de dúvida, de repente, meu Deus, estou diante de uma mata fechada, onde está a trilha? – Eu sabia que estava na mata onde estava armada minha barraca. Estou em meio a uma clareira, e a trilha, passando por esta clareira vai só até a mata, uma trilha usada para outras necessidades. Tentei voltar, mas já não aguentava mais caminhar. Neste momento estou meio atônito, tomando medidas automaticamente. Tirei o colete, a camiseta encharcada de suor, vesti a camisa de mangas comprida e descobri, por uma ação verdadeiramente milagrosa, que tinha uma caixa de fósforo no bolso inferior da calça. Estou tremendo muito de frio, um tremor incontrolável, as pernas estão bambas sem nenhuma firmeza Me arrasto até um lugarzinho meio protegido, numa espécie de barranco, limpei um pouco o chão com a faca, enquanto um ratinho tentava me roubar o lanche de salame. Não tive forças, nem prá olhar no GPS, onde estava, pois eu havia ativado o track back lá na Pedra. Nessa pequena área que limpei, fiz uma fogueirinha, que alimentei com folhas e ramos verdes a noite inteira. A mochila, que é grande, posicionei-a nas costas, o que as protegia um pouco do frio e me curvei como um camarão, mantendo-me bem próximo da fogueirinha. De tempo em tempo tinha que fazer um esforço enorme pra me levantar, e meio cambaleando providenciar mais folhas e ramos para queimar. Nesse ritmo presenciei o nascer e o por da Lua em meio a um céu pejado de estrelas, de uma noite muito fria no seio da Serra da Mantiqueira, localmente conhecida como Serra Fina. Muito bem, o sol já começa despontar para o amanhecer do dia 25 de agosto de 2013 (Domingo). Me levanto, ainda bem cansado, mas bem mais animado. Olho para o GPS e noto, como havia previsto, que estou a 15 m da saída correta da trilha e a uns 80 m da barraca. Começo a retomada, uma pequena subidinha, acho que foi isso que não me animou a voltar, e a trilha meio camufladinha ali está, sigo um pouco e começo a ouvir o barulho de água da pequena cachoeirinha, agora já avisto minha barraca azul e branca, coberta de sereno gelado em cujo interior se encontra todo meu equipamento capaz de me oferecer conforto em situações extremas. Pensei até em fazer um descanso no conforto do saco de dormir dentro da barraca, mas de novo estou preocupado com o tempo, pois tenho uma longa caminhada ainda pela frente até o carro lá no quintal da fazenda Serra Fina. Fiz de conta que estava com grande disposição, desmontei a barraca, enrolei tudo mais ou menos na mochila, antes comi um pouco meio sem querer, tomei bastante água, pois passei a noite inteira sonhando com água. Alcei a mochila ás constas, despedi-me do local com um profundo gesto de gratidão e parti para a última etapa dessa desafiadora trip. Fiz algumas paradas para descanso e após 3h20min, chego ao quintal da Fazenda Serra Fina às 11h20min do dia 25 de agosto de 2013, cansado, mas feliz. F I M. As coordenadas aqui informadas, estão referenciadas no Datum WGS 84, o mesmo do GOOGLE EARTH Joao vanes (VANINHO) [email protected]
  13. Conforme prometido aqui vai meu relato sobre nossa subida a Pedra da Mina. De início já digo o que a maioria já sabe ou ouviu falar, foi a trilha mais difícil que já fizemos...rs. Além do problema da água, as subidas são fortes e tem trechos com escalaminhadas que contando o cansaço e o peso da mochila, podemos considerar até perigosos. Primeiro algumas dicas: - Levem água, o máximo que conseguirem, não economizamos ao levar, mas penso que deveria ter carregado mais. Chegou horas que senti muita sede e ficar só dando golinhos não ajudava. Não sei se foi por conta do sol, os dias nem foram tão quentes assim, ou por ter ficado um pouco mais úmido, mas transpirei bastante e ao final do primeiro dia de caminhada me senti "seca". E mesmo pegando água no segundo dia e bebendo bastante no riacho mesmo, cheguei ao terceiro dia com a impressão de estar desidratada. A sorte que dormimos no hotel serra azul, e bem em frente a ele, tinha uma mina de água. Acordei de madrugada várias vezes pra beber água. - Vá de blusa com mangas longas, as várias passagens pelos campos de capins e também pelo meio da mata, podem e vão te cortar. Veja a foto..haha - Pegamos uma semana sem chuva e quase nenhuma neblina, mas se chover antes ou tiver neblina, redobrem a atenção, tem muitas lajes de pedras e subidas com locais escorregadios. E Algumas vezes só conseguimos nos orientar por ver totens ao longe. Bom ai vai. 1° Dia - Toca do Lobo ao Avançado (acho que foi lá mesmo que acampamos) Saímos da pousada um pouco antes das 8h da manhã, e fomos começar a trilha por volta das 9h. A estrada é bem complicada, está até bem conservada, mas para chegar lá de carro comum não se pode ter apego ao carro. Contratamos uma "empresa" para nos levar até o início da trilha (depois explico as aspas na empresa). O início da trilha é tranquilo, uma estrada pouco frequentada e de fácil caminhada, depois que chegamos ao rio, ao qual temos que atravessar, é que começa realmente a trilha e a subida. É uma subida forte, porém fácil de levar mesmo com as mochilas pesadas (eu levei 5L entre água e gatorade e o André levou 6L de água). Depois dessa primeira subida chegamos ao Quartizito e é ai que começa a parte mais bonita da caminhada, é legal de ver sua trilha lá na frente, sempre por cima das cristas. Só que também começa um sobe e desce infernal...haha. Chegamos ao Capim Amarelo e decidimos andar um pouco mais, apesar do cansaço. Iamos tentar acampar no Maracanã. Erramos na saída do capim Amarelo, onde todo mundo fala pra prestar atenção..haha, tinha uma fita "xterra" e uma vermelha descemos e chegamos a um amontoado de bambu impedindo a passagem, tivemos que subir tudo e seguir por uma trilha mais a esquerda. Vale ressaltar que nessa primeira parte existem fitas amarelas marcando o caminho e totens, foi até fácil de se orientar, a partir desse momento é que complica um pouco. As fitas amarelas somem e aparecem pequenos durex amarelos ou brancos, é sempre importante olhar pra frente, pro alto e pra baixo, uma hora você acaba vendo os sinais. Chegamos até onde achamos ser o Avançado, e como o cansaço bateu forte resolvemos acampar ali mesmo. Achamos o melhor local e colocamos nossa barraca. Por ser um local bem abrigado não tivemos nenhum problema com vento ou frio. Para todo esse trajeto levamos por volta de 6h e meia, fomos bem tranquilo parando para tirar foto e tudo mais. Descansamos e nos alimentamos para enfrentar o segundo dia. 2° Dia - Avançado - Pedra da Mina Começamos a caminhar tarde nesse dia um pouco antes das 10h, houve muita formação de geada nossa barraca estava congelada e com o sol ficou molhada. Colocamos tudo no sol para secar e só depois começamos a caminhar. Foi um dia de difícil caminhada, mais sobe e desce e pouca água. Estava sentindo o peso da mochila e como fomos no meu ritmo demoramos bastante. Na verdade só lembro disso mesmo nesse dia...haha...A orientação nesse dia foi feito praticamente só por totens e um app muito bom chamado EveryTrail, pra quem tem Android compensa baixar, nos ajudou bem em vários momentos que achei que estávamos perdidos. Praticamente nem tem foto desse dia, porque a moral estava muito baixa pra tirar fotos...haha. Quando chegamos ao Rio Claro, por volta das 15h, melhorou um pouco, podemos beber água e tomamos um banho de gato naquela água congelante..haha. Isso Ajudou um pouco com o cansaço, deu uma revigorada. Ficamos quase uma hora no riacho e retomamos a caminhada. Nessa parte tem muitos totens e como é uma trilha mais aberta a orientação fica bem mais fácil. Olhávamos a Pedra da Mina logo a frente e pensávamos "estamos quase lá", mas esse quase lá demorou mais uma hora e meia, chegamos ao cume bem a tempo de subir acampamento e ver um rápido pôr do sol. Nessa hora que a gente pensa "só mais um passo, só mais um passo" Assim que entramos na barraca, começou uma ventania das boas, achei que íamos ter problemas. Mas com o cansaço acabei dormindo e acordei por volta da uma da manhã, numa calmaria só, sem vento algum. Saímos da barraca e fizemos algumas fotos (estão na câmera do André, ainda nem vi se ficaram boas). Depois de uma lanche voltamos a dormir para descermos no dia seguinte. 3° Dia - Pedra da Mina - Fazenda Serra Fina (ou era lá que deveríamos chegar..haha) Ahhh...a descida, chegamos ao objetivo, aquela sensação boa de missão cumprida, pensando em voltar pra uma cama, ter água a vontade...é a melhor parte #not hahaha Ô descidinha "dus inferno" é pior que a subida (isso é normal, mas essa é muito pior), que isso tem partes que só desescalando mesmo, sem condições de ir de frente. E vale dizer, é IMPOSSÍVEL, descer da Pedra da Mina a Fazenda Serra Fina em 3h30min, como diz os mapas, de mochila então é algo mais que impossível. E ai começou nossa "aventura", primeiro erramos a trilha, quase chegando ao Base, pegamos a trilha da direita, um pouco mais aberta e acabamos saindo abaixo da Fazenda Serra Fina. A "empresa" contratada para o resgaste disse que o normal era o resgate por volta das 16h, falei que íamos acordar cedo e descer, tentando chegar o mais cedo possível. Ela me disse "ok, não sou eu que vou fazer o resgate e sim meu funcionário, ele tem que levar umas pessoas na fazenda por volta das 11h e ele vai esperar vocês. Mas o normal é por volta das 16h, essa descida é difícil." Ainda chegamos uma hora antes do previsto por ela, chegamos na estrada por volta das 15h. Como estava muito cansada e com um pouco de medo (achei que estávamos perdidos) sentei e chorei...brincadeira...haha, sentamos pra descasar. Ficamos uns 20 min sentados e não passou uma alma viva, resolvemos deixar a mochila e subir até a Fazenda (vi pelo everytrail que ela estava um pouco acima de onde estávamos). Encontramos dois trabalhadores que confirmaram que a Fazenda era um pouco mais acima e perguntamos se eles viram alguém, eles disseram que não viram ninguém e que ninguém perguntou sobre a gente. Fomos até a Fazenda e não encontramos nada nem ninguém. Como falaram que o normal era chegar as 16h, voltamos para onde deixamos as mochilas e aguardamos, ficamos de 15h até as 17h esperando e nada. Passou outro trabalhador e disse que se fossemos até o Paiolinho conseguiríamos alguém para nos levar a Passa Quatro. Descemos e conversamos com uma senhora chamada Silvana, ela nos cobrou 100 reais para levar até a pousada. Aceitamos no ato (outro tinha nos cobrado 200 reais). Achei um absurdo, pois eles simplesmente nos abandonaram lá. Se tivéssemos machucado ou precisando de ajuda íamos estar lá até hoje. Não vou reclamar muito, porque a raiva já passou e também porque foi muito divertida a viajem com seu Sérgio, uma das melhores parte da viagem...haha. Bom é isso...quero agradecer ao pessoal que ajudou com as dicas, foram muito úteis. E espero que sirva pra alguém que pretenda fazer esse cume. É cansativo, é difícil, mas compensa é uma trilha linda com paisagens de tirar o folêgo.
  14. Salve Galera !!!! Relato da subida até a “Pedra da Mina” pela Fazenda Serra Fina, (rota de Fuga, “Paoilinho”) cidade de Passa Quatro-MG no dia 01/05/2010. Marcos e Manoel. Conhecemos a região da “Serra Fina” no ano passado (Agosto/2009) quando realizamos a travessia completa, sentido tradicional “Toca do Lobo-Pierre” - travessia-serra-fina-2009-t36640.html . E nesse ano vamos realizar novamente a Travessia. E no dia 28 de abril estávamos combinado alguma Trip pra fazer no feriado de 1º de Maio e surgiu a idéia de subir a te a Pedra da Mina pelo Paiolinho. E fomos nós..... Saímos de Campos do Jordão-SP por volta das 18:30h. do dia 30/04, e seguimos para Passa Quatro-MG. Chegamos lá sem maiores problemas, depois fomos até o posto e combustível para pegar orientações como chegar até a Fazenda Serra Fina. Pra variar os frentistas do posto deram as informações um pouco equivocadas (temos azar com informações com mineiros); disseram que do centro da cidade até a fazenda tinha 60 km, ficamos pensativos, mas descobrimos que tinha uns 12 km, erraram por pouco né..rsrsrs o acesso é bem fácil, chegando em Passa Quatro nem precisa entrar na cidade, passa a 1ª entrada seguindo uns minutos chega-se ao trevo da cidade, vire para direita seguido a placa do “IBAMA”. Após +ou- 2 km no máximo acaba o asfalto, antes do Alambique (não me lembro o nome) vire para esquerda e é só seguir, logo a frente é possível ver algumas plaquinhas brancas com o nome do Bairro e também se referindo a “Serra Fina” elas estão por toda a estrada mais é bom ficar atento, daew sobe, sobe, sobe..... e sobe mais um poquinhu, até enjoa de subir. Nota: se tiver chovido alguns dias antes por ser íngreme a estrada fica muito escorregadia, e lá no topo quase chegando na Fazenda fica meio para carros de passeio por isso tem de tomar cuidado. Nós pegamos barro mais por sorte e conseguimos chegar sem problemas. Chegamos era umas 22:00h. eu acho, ficamos meio perdidos se poderíamos armar o acampamento antes de conversar com o Senhor que toma conta da fazenda, o povo da roça dorme cedo né. Daew com os cachorros latindo feito loucos apareceu o Sr. José, conversou conosco e perguntamos onde poderíamos armar as barracas, tiramos algumas duvidas a respeito de onde começava a trilha. Comemos algo e fomos dormir para acordar cedo e aproveitar o dia. Amanheceu o dia já acordamos com o barulho dos cavalos da fazenda andando em volta das barracas. Fomos preparar algo pra comer e logo levantamos acampamento e nos arrumamos. O senhor José apareceu com um livro nas mãos, era uma daqueles para registrar que sobe a trilha, e nos contou uns causos de uma galera que teve que ser resgatada por helicóptero, pois se perderam na trilha. Mas é aquele esquema, tomar muito cuidado porque não parece, mais há alguns lugares muito fáceis de perder. Agradecemos e pagamos a ele R$ 10,00, para a estadia do carro, e seguimos a trilha. A 1ª parte não é difícil, anda numa trilha de cavalos que fazem o transporte das batatas cultivadas lá. Mais à frente passamos por dois pontos de água, não era hora de se carregar de água, só o suficiente para se hidratar um pouco. A trilha atravessa um rio no caso esse é o penúltimo ponto de água que encontrará pegue no máximo hidratação para +ou – 1h à 2h.de caminhada, para subir leve. Mais a frente chega um ponto da trilha que há uma bifurcação, tem umas fitas amarradas nas árvores e também uma lata, cuidado, siga para direita. Subindo mais chegamos até o lugar da 1ª área de camping, descansamos um pouco, a trilha segue para direita, subindo. Ali já dá pra ouvir o barulho de água que fica a esquerda da trilha, é chegada a hora de virar um “camelo”, para não passar por apuros, tem de se carregar de água, nós enchemos uma garrafa PET de 2L. cada e mais duas garrafinhas de 500ml. para garantir a volta também (há alguns relatos, arquivos de GPS, mapas, etc, que mostra mais alguns pontos de água depois desse trecho, mais dependendo da época é possível que eles não estejam lá, chamam de água de verão). Desse ponto em diante a trilha fica difícil, é um “trepa pedra”, “escalaminhada” (chamem como quiser porque é osso) que não acaba mais, a trilha é muito em pé, e segue por meio das pedras, que serão sua companhia por todo o percurso, importantíssimo é sempre ficar atento aos tótens de pedras, são uma mão na roda para não se perder. Paramos num topo de um morro era umas 11:00h. para comer algo e descansar para vencer a subida. O tempo deu uma fechada, a neblina pegou feio ficamos apreensivos e tocamos em frente. Cada hora que vencíamos um morro, avistamos outro a frente maior ainda, desce e sobe, desce e sobe. Enfim avistamos a “Pedra da Mina”, na verdade o Manoel, porque eu até duvidei, tava perdido no meio de tantas montanhas. Os dois morros que nos separavam do objetivo final eram bem complicados de subir, mas a vontade de chegar era maior. E enfim chegamos ao topo a 2.797 metros de altitude (media oficial pelo IBGE, no nosso GPS marca exatos 2.800m.), no total gastamos 06:30h. de caminhada. Curtimos o visual descansamos um pouco e descemos numa área um pouco abaixo para armar o acampamento. Comemos algo e ficamos tirando fotos e admirando o lugar. O sol começou a desaparecer no horizonte era umas 18:00h. a temperatura era por volta dos 10ºC, e não ventava nada, quando se pôs por completo o bicho pegou, a temperatura caiu muito rápido, entramos nas barracas para por mais uma camada de roupa, ficamos um tempo dentro das barracas , quando fui sair da barraca reparei que a condensação na parte interior da minha barraca estava congelada, fui dar uma olhada no termômetro que tinha deixado do lado de fora marcava -5ºC às 19:40h., daew pensei “Puts, vai ser uma noite daquelas frio até”, ficamos “encurujados” dentro dos sacos de dormir, depois de algum tempo começou a ventar e com isso a temperatura subiu ficando na média de 3ºC. Aproveitamos e subimos até o topo da pedra pra ver as cidades iluminadas (na 1ª vez que estivemos no ano passado não vimos nada por causa da neblina e do vento). Ficamos enrolando para que o sono aparecesse, descemos de volta ao acampamento comemos algo e fomos dormir para o regresso no outro dia. Acordamos bem cedo para ver o sol nascer do topo da “Pedra da Mina”, tiramos fotos e descemos para começarmos a arrumar as coisas para a descida de volta. Comemos bem e desmontamos as barracas, foi nessa hora que percebemos a formação de gelo que estava ao nosso lado, nunca tinha visto igual, parecia que o gelo brotava do solo, muito estranho e bonito também, tiramos fotos mas só vendo ao vivo pra ter uma idéia real da coisa. Começamos a descida... Dizem que “para baixo todo Santo ajuda”, vou ser sincero descer é a pior parte, pelo menos pra mim, no meio do trajeto meus joelhos reclamaram muito. É mais difícil descer aquelas pedras do que subi-las. Gastamos por volta de 3horas. para chegar até a fazenda, mais pelo esforço parecia umas 12 horas......rsrsrsr. Chegando colocamos a mochila no carro tiramos as botas, e nos despedimos da fazenda, o Sr. José não estava lá mas os cachorros sim, latindo sem parar. Pegamos a estrada morro abaixo na 1ª vila que passamos vimos o Sr. José na beira da rua, agradecemos a hospitalidade conversamos um pouco e acabamos de descer. E seguimos de volta a nossa cidade. Espero que gostem do relato. Abraços Marcos Link com algumas fotos http://marcosrsantos.multiply.com/ Abaixo esta o video que eu fiz com s fotos espero que gostem. Sobe o som...
  15. salve!!!! olhando a previsão do tempo o feriado não ajudava muito!! fiquei em casa marcando , ja na sexta a noite olhei a previsaõ e uhuuuuu 5%de chance de chuva ai ja animei , mas agora ir pra onde?acordei 6hs de sabado falei com minha esposa se ela queria ir fazer um trekking , por causa do frio ela não se animou , peguei o tel e liguei pro brother TC e falei ow vamo subir a mina o TC nem pensou topou ai falei daqui 30 min chego ai arruma a mala pegamos o carro e fomoss rumo a Passa Quatro mas preciso pedra da mina!Entramos na estradinha de terra que leva ate a fazenda serra fina a tava um barreiro a caranga ia de lado heheehe!! ate que chegamos no bairro do paiolinho e uma kombosa no meio do caminho não conseguia subir , derrepente veio uns 12 caras e puseram a kombi pra cima ate o bar , agora era nossa vez embalei e..... vrummm passamos aquele trecho ,mas pra frente ainda teve trecho piores chegamos num certo ponto e nada de conseguirmos sair do lugar patinava tudo ja estava quase desistindo a ai foi na ultima 1º...2º .. patinando muito mas conseguimos uhuuuuuu!!!!!! chegamos na fazenda e o tiozinho ja veio disse que tinha chovido bastante nos dias anteriores e uma turma tinha acabado de retornar perto do rio pois a trilha tava com bastante barro!! fomos subindo e .. passa 1 ..2 ..4..8..todos falando que passaram aperrto la em cima e nois fomos subindo 9..10...14.. nesse grupo uma mulher quebrou o tornozelo fizeram os 1socorros e colocaram bastões para imobilizar , ela tava sofrendo tinha trechos que ela vinha de bunda arrastando na trilha outros trechos o pessoal carregava ela foi uma descida ardua mas o importante era tirar ela do local continuamos subindo e ..17.. 22...31.... ate que chegamos no ultimo ponto de agua e tinha uma turma eles falaram que foi complicado acampar la em cima muito frio teve pessoas que precisaram de atenção subimos o primeiro espigão e resolvemos acampar por ali , fizmos nossa janta e o frio tava rachando tava ate batendo queixo kkkkk resolvemos entrar na barraca .A noite olhamos a temperatura tava -1 acordamos 6 olhei pra cima na barraca as goticulas que se formam dentro tava tudo congelado!! caraca!! sai da barraca e o chão tudo empedrado a agua na garrafa virou uma pedra!! deixamos tudo la e fomos so no ataque ate o cume , la em cima a agua que mina da pedra tava tudo congelado !! tava um friooooo!!! ficamos por 2 horas la em cima e fomos descendo o sol do meio dia batendo e tudo congelado ainda!! falow bruno
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