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  1. Boa Tarde. Em cima da hora um amigo meu me convidou e as pressas embarcamos com interesse em fazer a trilha e escalarmos o Pico das Agulhas Negras. Antes, entramos no site do Parque do Itatiaia, que faz a guarda da portaria de entrada, e imprimimos a ficha para acessar ao parque. O processo é sempre assim: Leva-se a ficha impressa (em anexo) ou preenche-se lá a ficha para dar entrada no parque. Recomendo muito mesmo que chegue bem cedo, por volta das 6 da manhã, pois a liberação se dá por ordem de chegada, tanto para entrar no parque quanto para estacionar dentro (caso contrário terá que andar em média 3KM a mais). Todo o caminho foi muito lindo e cansativo, e cada parada para descansar valia muito pelo visual deslumbrante do Pico das Agulhas negras e adjacências. Levamos cerca de 4 horas para fazer todo o trajeto, em um ritmo baixo. O que não sabíamos, pois nenhum relato diz sobre é preciso alguns conhecimentos de escalada e apresentar o equipamento básico pra entrar no Parque. Descobri isso num dia anterior no hostel e então procurei um guia para nos ajudar. Demos sorte de encontrar o Ivan (35) 99271676. Esta é uma informação que considero crucial. Se você não tem muita experiência com escalada PRECISA contratar um guia. Durante todo trajeto vimos diversas pessoas se arriscando, por falta de orientação e/ou por abuso mesmo. A subida é íngreme e não é raro ficar próximo a desfiladeiros altos, o que pode ser muito perigoso e qualquer erro pode ter consequencias bem sérias. Vi algumas crianças na trilha e eu não recomendo devido aos riscos, mas é algo pessoal e cada pai sabe o que é melhor... Segue abaixo o contato do Ivan, muito legal e prestativo mas, o mais importante, um cara extremamente experiente em escalada e que leva a segurança dos clientes ao extremo. Usa corda dupla com nós muito firmes e sempre fica "na cola" da gente em todas as situações que envolviam qualquer risco: Ivan (Guia turístico do Pico das Agulhas Negras): (35)99271676 - atende por WhatsApp Valeu muito a pena mesmo e espero voltar mais vezes! Ficha_de_Controle__de_Visitante_2018.pdf
  2. Caminho da Fé – Pedra do Baú – Travessia da Serra Fina – Agulhas Negras e Prateleiras (PNI). Estou escrevendo este relato um ano depois que fiz esse passeio. Talvez eu esqueça alguma coisa. Eu estava precisando me desligar da vida que eu vinha levando. Estava precisando fazer o que eu mais gostava, caminhar bastante, travessias em trilhas, subir montanhas, me isolar do mundo “civilizado”. Tinha decidido que eu iria “largar tudo” e sair, sem saber até onde eu iria ou quando voltaria. Tinha uma grana guardada (cinco mil) e deveria ser suficiente para eu viver por pelo menos uns 3 meses. Falei com meu irmão que ele teria que se virar sozinho em nosso comércio. Falei com minha família que eu estava indo por não sei quanto tempo, mas que eu voltaria qualquer dia. Trabalhei até 31 de agosto, quase meia-noite. No dia 01 de setembro fui para um apartamento onde fiquei por 4 dias planejando lugares que queria conhecer, vendo preço de ônibus, tracklogs, etc. Na manhã de 4 de setembro parti para São Paulo e naquela noite para águas da Prata, onde minha jornada começaria. Como eu iria para vários lugares, diferentes um do outro, tive que levar muita coisa na mochila. Coisas que usaria em algum passeio, mas que seriam dispensáveis em outro. Ainda assim tentei levar o mínimo possível. Ítens que levei: - Mochila Osprey Kestrel 48 litros com Camel Back de 2 litros - Dois cantis de 900 ml. Um com caneca de alumínio. - Rede Amazon e tarp Amazon da Guepardo. - Saco de dormir Deuter 0º - 4 camisas dry fit - 2 blusas finas de fleece. - 2 calças quechua de secagem rápida - 6 cuecas - 3 pares de meia - 1 boné - 1 touca - 1 par de luvas (daquelas de pedreiro) - 1 par de sandálias Quechua - 1 par de botas La Sportiva - Kit Fogareiro + panela pequena - 2 isqueiros - 1 canivete - 1 colher plástica - 1 botija de gás Nautika pequena - GPS - Celular (para fotografias) - Caderneta e caneta - 1 Anorak - Corda e cordelete - Bolsa de nylon (para transportar a mochila no ônibus) Caminho da Fé. Águas da Prata até Aparecida. Caminho da Fé – 1º dia. 30Km 05-09-2018 Águas da Prata (SP) até Andradas (MG). Início 05:15 horas e chegada 12:55 horas Almoço : Pavilhão hamburgueria Jantar: bolachas e sanduba no hotel. Pernoite: Palace Hotel. Seguindo o conselho de um cara que desceu comigo e iria fazer o caminho de bike eu iniciei cedo para evitar o sol. Só que por esse motivo fui sem comida. Só comi uns pedacinhos de rapadura que ele me deu e uma banana que ganhei de um ciclista. Pelo longo tempo inativo, eu senti um pouco o peso dos 17Kg que estava levando na mochila. Caminho da Fé – 2º dia. 36 Km 06-09-2018. Andradas (MG) até Crisólia (MG). Partida às 08:00 horas e chegada às 17:40 horas. Almoço: salgadinho no Bar Constantino, comunidade da Barra. Jantar: miojo num banco ao lado da rede. Pernoite: rede Subidas cavernosas. Serra dos Lima, Barra, Taguá e Crisólia. Cheguei tarde, fui numa pousada carimbar a credencial e depois procurei duas árvores para esticar a rede, fazer o rango e dormir. Nesse dia não teve banho. Caminho da Fé – 3º dia. 38 Km 07-09-2018 Crisólia (MG) até Borda da Mata(MG). Partida às 07:30 e chegada às 18:00 horas. Almoço: pastel no Bar do Maurão em Inconfidentes Jantar: x-salada em lanchonete perto do hotel. Pernoite: Hotel Virgínia. Feriado da Independência. Fui acordado às 6 da manhã com queima de fogos e hinos. Passagem por Ouro Fino e Inconfidentes. Desfile cívico em todas as cidades. No hotel em borda da mata conheci um casal de cicloturistas que estava com um carro de apoio. Consegui que levassem um pouco das minhas coisas até Estiva. Foram 6 Kg a menos para carregar. Caminho da Fé – 4º dia. 17,5 Km. 08-09-2018. Borda da Mata(MG) até Tocos do Mogi (MG). Início às 08:00 horas e chegada às 12:40 horas. Almoço: um pouco de morangos colhidos no caminho. Jantar: Lanche na festa da padroeira. Pernoite: Pousada do Zé Dito. (muito boa e barata) Dia mais curto. A pousada ficava no calçadão principal, onde estava acontecendo a festa da padroeira. Estava difícil dormir. O jeito foi sair para a festa e tomar umas, apesar do frio que fazia de noite. Caminho da Fé – 5º dia. 21,5 Km 09-09-2018 Tocos do Mogi (MG) até Estiva (MG). Início às 09:00 horas e chegada às 14:20 horas. Almoço: moranguinhos (quase 1 Kg) e queijo fresco com caldo de cana. Jantar: Restaurante perto da pousada. Pernoite: Pousada Poka. Trecho muito bonito. Muitas plantações de morango. Muitos pássaros. Na pousada eu recuperei minhas coisas que haviam sido deixadas ali e já consegui ajeitar um novo transporte delas até Potim, já pertinho de Aparecida. Caminho da Fé – 6º dia. 20 Km 10-09-2018 Estiva (MG) até Consolação (MG). Partida às 07:30 e chegada às 12:45 horas. Almoço, jantar e pernoite: Pousada Casarão Destaques deste dia. Cervejinha gelada num bar onde um piá gordinho queria tirar uma selfie comigo. E também queria meu bastão de selfie de qualquer jeito. Também destaque para o canto da seriema, triste e ao mesmo tempo bonito, que se fez presente muitas vezes. Também tem a subida da serra do Caçador, cavernosa. Além disso, nesse trajeto é comum vermos carros de boi e também “canteiros”onde os agricultores esparramam o polvilho para secar. Caminho da Fé - 7ºdia. 22,5 Km 11-09-2018. Consolação (MG) até Paraisópolis (MG). Início às 07:00 e chegada às 12:30 horas. Almoço: Restaurante Sabor de Minas. Muito bom e barato. Comi pra danar. Janta: coxinha na praça. Pernoite: Hotel Central Foi um dia especialmente marcado pela presença dos pássaros ao longo do caminho, canários, sabiás, pássaros pretos, coleirinhas, gralhas, joões-de-barro, tucanos, maritacas. E aves maiores, como gaviões, seriemas e garças brancas. Também vale destacar a grande quantidade de flores, principalmente nos portões das casas dos sítios. Caminho da Fé – 8º dia. 28,5 Km. 12-09-2018 Paraisópolis (MG) até A pousada da Dona Inês, que fica 4 Km depois do distrito de Luminosa, município de Brazópolis. Início às 07:55 e chegada às 15:15 horas. Almoço: Salgadinho e coca numa mercearia em Brazópolis. Jantar e Pernoite: Pousada da Dona Inês. Foi o dia mais quente desde o início do caminho. Era meu aniversário de 52 anos e ficou marcado porque depois do jantar na Pousada, uma amiga de caminho, a Fabiana, puxou um parabéns a você, junto com as outras cerca de 20 pessoas que estavam ali. Fiquei bem emocionado. Caminho da Fé – 9º dia. 33 Km 13-09-2018 Pousada Dona Inês (Luminosa-MG) até Campos do Jordão (SP). Início às 05:45 e chegada às 18:45 horas. Almoço: Restaurante Araucária. Fica perto da placa que indica a entrada para a pousada da Dona Rose e da madeireira Marmelo. Comida muito boa. Jantar: Caldo de Mandioca com carne. NIX Caldos e lanches. Pernoite: Refúgio dos Peregrinos Na verdade, a quilometragem total desse dia foi de 51 Km porque no meio do caminho decidi que iria subir a Pedra do Baú. Isso me custou várias horas e me fez chegar em Campos do Jordão já de noite. Mas valeu muito a pena. O dia amanheceu lindo. Logo de cara a temida subida da Luminosa, mas que não é nada de tão difícil. Depois é asfalto até o fim do dia. A pousada Refúgio dos Peregrinos é bem diferente. Tem uma tabela de preços na parede. Você anota o que consumiu, faz as contas, paga e faz o troco. Tudo na base da confiança. Caminho da Fé - 10º dia. 52 Km 14-09-2018 Campos do Jordão(SP) até Pindamonhangaba(SP). Início às 06:00 horas e chegada às 17:45 horas. Almoço: Sanduíche em Piracuama. Jantar e pernoite: Pousada Chácara Dois Leões. Nesse dia todos os que estavam no refúgio dos peregrinos foram por Guaratinguetá, menos eu que fui por Pindamonhangaba. Descida pela linha do trem até próximo a Piracuama, com uma garoa fininha que de vez em quando virava um chuvisco. De tarde foi só asfalto e chuva. Cheguei na pousada já escurecendo. Foi o dia mais cansativo, pela quilometragem, pela chuva e principalmente pelo asfalto. Caminho da Fé - 11º dia. 24 Km. 15-09-2018. Pindamonhangaba(SP) até Aparecida(SP). Início às 09:00 horas e chegada às 15:15 horas. Almoço: Pesqueiro Potim. Comida muito boa. Comi feito um louco. Aqui eu recuperei o restante de minhas coisas que tinham vindo no carro de apoio de amigos. Pernoite: Hotel em Aparecida. Esse era o último dia no caminho. Um misto de ansiedade por chegar e de nostalgia antecipada das experiências vividas e das paisagens do caminho. A chegada na basílica é emocionante, não importa em que você acredita, ou se acredita em algo. Fica a saudade dos lugares. Dos amigos. Dos passarinhos. Fiquei em Aparecida até segunda-feira, quando fui ao correio e despachei para casa algumas lembrancinhas que tinha comprado e coisas que tinha levado e que vi que não ia usar. A calça jeans e a camisa de passeio. Umas cordas. Um dos fleeces e a bolsa de transporte. A Vida e o Caminho da Fé. Durante esse derradeiro dia de caminhada me veio à mente uma analogia entre a vida e o “caminho da fé”. O caminho da fé cada um começa de onde quiser, mas todos com o mesmo destino. No caminho o destino é a basílica de Aparecida, na vida a gente sabe o destino. No caminho as pessoas vão chegando, amizades vão sendo feitas. Uns mais lentos outros mais apressados. Uns madrugadores outros nem tanto. Uns alegres e comunicativos, outros mais quietos e introspectivos. Muitos de bike, passam pela gente voando, só dá tempo para um “bom dia”. Assim também é a vida e os amigos que vamos fazendo. Uns continuam por perto, outros se distanciam, mas continuam amigos No caminho não importa sua classe social, sua cor, opção sexual, grau de instrução ou idade. O destino é o mesmo para todos. Assim também é na vida. No caminho a jornada é longa, alguns dias são mais difíceis, parecendo que não vão terminar. Outros passam leves e agradáveis, a gente nem queria que terminassem. Igualzinho a nossa vida Temos que superar o cansaço, as bolhas, os pés inchados, joelhos e tornozelos doendo, a mochila pesada que nos deixa com os ombros marcados. Enfrentar as subidas, as descidas, os buracos, as pedras, a fome e a sede em alguns momentos. Por mais difíceis que sejam esses obstáculos, eles são superados. Ficam para trás. Igualzinho na vida. O caminho também nos oferece muitas coisas boas. Simples, mas inesquecíveis. Os pássaros cantando ao lado da estrada. A beleza e o perfume das flores. Os riachos que nos permitem um banho refrescante depois de uma subida cansativa. As conversas com os amigos. O pôr do sol por trás das montanhas. A janta e a cama quente que nos restabelecem para o dia seguinte. O nascer do sol de um novo dia, nos lembrando que sempre nos é dada uma nova chance de sermos felizes. Assim também acontece na nossa vida. Seja no caminho da fé, ou na vida, o destino a gente sabe qual é. O importante é deixar para trás o que para trás ficou. E aproveitar ao máximo a jornada. Pedra do Baú. Eu sempre gosto de planejar meus passeios, travessias. Mas sobre a Pedra do Baú eu não sabia nada. Só de ouvir falar, de ler alguma coisa de relance. Mesmo assim era uma coisa que eu tinha vontade de fazer algum dia, se desse certo. Era o dia 13-09-2018, meu nono dia no caminho da Fé. Era de manhã e eu caminhava pela rodovia, junto com um peregrino de nome Donizete, que eu conhecera na pousada da Dona Inez. Passamos por uma placa que indicava a entrada para o Parque Estadual da Pedra do Baú. Eu falei para ele: - Donizete, vai em frente que eu vou subir a Pedra do Baú. Ele disse: - Cara, isso vai demorar. Você só vai chegar em Campos do Jordão de noite. Isso se der tudo certo. Daí eu disse:- Tem que ser hoje. Não sei se vou ter outra chance. Quem sabe eu nunca mais passe por aqui. Me despedi dele e entrei na estradinha que levava ao parque. Escondi minha mochila e fui só de ataque, levando água, uma rapadura, uma paçoca, o GPS e o celular para tirar as fotografias. Depois de uns 4 Km cheguei onde começavam as trilhas e entrei na que indicava Pedra do Baú, face norte. Passei por uns caras que eram guias e estavam levando equipamentos de escalada. Depois de um tempo cheguei num local que tinha uma escada amarela grande, fixada na parede de pedra. Não pensei duas vezes. Subi aquela escada e depois continuei uma escalaminhada, com misto de escalada em alguns pontos, até que já estava bem alto e não tinha mais para onde subir. Estava pensando até em desistir e voltar embora, quando avistei uns caras no cume de um morro que eu julguei ser o Baú, mas acho que era o Bauzinho. Gritei para eles e eles responderam de volta. Perguntei como chegava na Pedra do Baú e eles me disseram para descer de novo e seguir mais em frente. Desci e estava chegando ao ponto em que tinha começado a subida quando vi eles vindo. Esperei por eles. Conversamos por um tempo e eles me deram as informações sobre como chegar até onde a subida começava realmente. Segui em frente pela trilha e pouco depois eu chegava na base da Pedra do Baú, onde um guia estava terminando os preparativos para iniciar a subida com um casal de clientes. Capacetes, corda, mosquetões, etc. Eu estava ali de bermuda, boné e botina. Eu vi aquela parede enorme e aquela sequência de grampos na pedra que eu não sabia onde terminaria. Pensei: - vou esperar ele começar a subida e assim pego uma carona. Se o negócio apertar eu peço arrego para ele. Foi quando ele virou pra mim e perguntou: - Vai subir? Falei que sim e ele disse:- Pode ir na frente então. A gente ainda vai demorar uns minutos. Eu pensei:- já era minha carona. Era uma parede de pedra quase vertical e muito exposta, que devia ter mais de 300 metros de altura. O jeito foi encher o peito de ar, mirar para cima e começar a subida. Subi meio que com medo no começo, mas também com muita confiança Parei algumas vezes no meio para tirar fotos. Passei por mais dois guias com clientes antes de chegar ao cume. Um deles foi bem legal e me deu umas dicas sobre o percurso que faltava. Muitos trechos com vento forte e eu pensava: - se eu parar agora eu travo. E ia em frente. Os últimos grampos, quando se está chegando no cume são especialmente complicados, porque você tem que abandonar a “segurança” que os grampos te dão para poder chegar no cume. Mas depois de uns 20 minutos de subida, lá estava eu no cume da Pedra do Baú. Foi um momento mágico. Bem mais do que eu esperava. O visual era incrível. Tirei foto de tudo que é jeito. Deitado sobre a beira do abismo, em pé, etc. Aqui vou abrir um parênteses. Apesar de estar no caminho da Fé, um caminho católico, onde se passa por muitas igrejas, as únicas vezes na vida que eu senti realmente uma presença muito forte, do que alguns podem chamar de Deus, foi quando estive no cume de alguma montanha ou embaixo de uma cachoeira. Nunca em uma igreja. Deixei de frequentá-las faz muito tempo. Me lembro de ter me encontrado com “Deus”, no cume do Alcobaça (2013), em Petrópolis. Embaixo da cachoeira do Tabuleiro, literalmente, em 2013 (e agora em 2019 de novo). Nos Portais de Hércules, Travessia Petro-Tere, em 2014. No cume do Pico Paraná em 2015 (não encontrei quando retornei em 2017). Na base das Torres e no Mirante Francês, no Parque Nacional Torres del Paine, em 2016. E agora, na Pedra do Baú. É uma sensação difícil de explicar. É como se você se sentisse realmente parte de um todo, de uma coisa muito maior. Se sentisse nada e tudo ao mesmo tempo. Uma paz muito grande torna conta da gente. E em todas essas vezes eu senti a presença do meu pai, já falecido. Restava agora a descida, que metia mais medo que a subida. Principalmente os primeiros grampos, onde tinha que se virar de costas para o abismo para alcançar os grampos. A Mesmo assim a descida foi rápida e durou cerca de 15 minutos. Cheguei na base e peguei o caminho de volta pela trilha. Pouco tempo depois quase pisei em uma jararaca de cerca de um metro de comprimento. Ela estava junto a uma pedra onde eu iria colocar meu pé. Ela se mexeu e eu a vi. Consegui dar um pulinho e evitei pisar nela. Foi por muito pouco. Segui rápido pela trilha e tempo depois eu já estava de volta à rodovia, rumo a Campos do Jordão. A Pedra do Baú foi muito gratificante. Mais do que eu esperava. Mais do que eu merecia. Serra Fina. Fiquei em Aparecida até na segunda-feira, 17-09-2018 e daí fui para Passa Quatro (MG), onde cheguei já escuro na rodoviária local. Peguei um ônibus circular e fui para o hostel Serra Fina, do Felipe, onde fiquei até na sexta-feira quando comecei a travessia. Choveu na terça, quarta e quinta, mas na sexta a previsão era de tempo limpo que duraria tempo mais que suficiente para a travessia e por isso decidi esperar e aproveitar para descansar e ler. Mesmo assim fui até a toca do lobo, pra passear e conhecer o Ingazeiro gigante. Também fui conhecer o centro da cidade. A região estava em alvoroço. Dois rapazes cariocas estavam perdidos em algum ponto da travessia e vários bombeiros, guias e montanhistas estavam à procura deles. Por sorte conseguiram um ponto onde tinha sinal de celular e conseguiram passar a localização e foram resgatados. Se bem que já estavam próximos de uma propriedade rural. Passa Quatro é uma cidadezinha linda e é um lugar onde eu moraria tranquilamente. O Hostel Serra Fina também é muito bom e o Felipe é um cara nota dez. Eu me senti em casa. Todas as travessias que eu faço eu vou sozinho. Não que não goste de pessoas. É que eu gosto de ir no meu rítmo. Gosto de ficar sozinho. Andar sozinho. Pensar na vida, etc. A intenção era fazer essa travessia também de modo solitário. Mas na quinta-feira de noite chegou ao hostel uma gaúcha baixinha, menor que eu até, que iria começar a travessia na sexta também, então decidimos começar juntos. A mochila dela era enorme e certamente tinha coisa que não precisava. Começamos o primeiro dia da travessia, 21-09-2018, uma sexta-feira, mais tarde do que eu queria. Saímos da toca do lobo já era meio-dia. Logo no começo da travessia, primeira subida, eu percebi que ela iria me atrasar, mas já que estávamos juntos, seguiríamos juntos. Foi quando ele me disse:- Vai na frente, você anda mais rápido. Eu disse que não, mas ela insistiu. Disse que ficaria bem. Eu então dei um até logo e disse que a reencontraria no Capim Amarelo..A subida é intensa e o ganho de altitude é rápido. Talvez pelo “treino” feito no Caminho da Fé eu não senti muito e passei por mais gente no caminho. Primeiro por 3 mineiros (que depois se tornariam grandes amigos) e depois por outros dois caras que pareciam ser militares. Cheguei ao cume do Capim Amarelo eram 15:15 horas. Praticamente 3 horas só de subida. Montei minha “barraca”, que era na verdade a minha rede estendida sob a lona que tinha sido disposta como se fosse uma barraca canadense. Fiz um rango e fiquei apreciando a paisagem. Como sabia da falta de água eu decidi que não levaria comida que precisasse de água no preparo, então comi basicamente tapioca de queijo, ou de nutella, ou de salaminho, paçoca, geléia de Mocotó e castanhas, durante toda a travessia. Os mineiros chegaram um pouco mais tarde e armaram suas tendas. Os militares chegaram quando já estava começando a escurecer. Eles não traziam barracas, dormiram de bivaque. Quando já estava quase escuro chegou um grupo que iria passar direto pelo Capim Amarelo e acampar no Maracanã. Perguntei pela gauchinha e me disseram que ela tinha montado acampamento em algum local no meio do caminho. Depois disso fiquei sabendo que ela desistiu e retornou para Passa Quatro. E que depois reiniciou a travessia na segunda-feira, tendo que ser resgatada de helicóptero no cume dos 3 Estados. E que depois disso voltou mais uma vez, acompanhada de um escoteiro, só que mais uma vez desistiram, abortando a travessia na Pedra da Mina, via Paiolinho. Estávamos a 2490 m de altitude e o pôr do sol e a noite foram lindos e gelados. Meu termômetro marcou a mínima de 3,5ºC. O dia 22-09-2018 era o segundo dia da travessia. A intenção era dormir no cume da Pedra da Mina. Depois do café da manhã, junto com os mineiros, desarmei e guardei toda a tralha e deixei o Capim Amarelo para trás às 10:20 horas. Logo no começo encontrei uma garrafa de uísque que tinha sido esquecida pelos militares. Voltei até onde os mineiros estavam e depois de bebermos uns goles eu retornei para a trilha, levando a garrafa para devolvê-la assim que encontrasse os rapazes. Não demorou muito para encontrá-los porque eles tinham pegado uma trilha errada logo na saída do Capim Amarelo. Depois de muito sobe e desce, mata fechada, bambuzal, escalaminhada, trepa pedra, cheguei na cachoeira vermelha e no ponto de abastecimento de água. Estava cedo e daria para pernoitar no cume. Foi o que fiz e cheguei ao cume eram 16:40 horas. Chegando ao cume estendi a minha lona fazendo um teto que ligava uma parede de pedras empilhadas até o chão Estendi ali embaixo o isolante e joguei o saco de dormir por cima. Essa noite não teria o mosquiteiro. Deixei a rede guardada. Comi meu jantar, assinei o livro de cume e fui apreciar o fim da tarde, o pôr do sol e as estrelas aparecendo. A noite estava bem fria. Os 3 mineiros chegaram quando a noite já tinha caído. Ajudei eles a montarem as barracas e depois ficamos conversando até altas horas. Os militares chegaram ainda mais tarde e no dia seguinte abandonariam a travessia, descendo pelo Paioloinho. Essa noite teve como temperatura mínima 3,7º C, mas a sensação foi de que era uma noite muito mais fria que a anterior. Talvez pela exposição ao vento, o que não tinha acontecido pela proteção que o capim elefante fornecera na noite anterior. A noite foi linda, repleta de estrelas e prometia um amanhecer incrível, fato que aconteceu. O único porém foi a grande quantidade de pessoas que estavam na Mina, quase todos fazendo bate-volta, o que trouxe muito barulho até algumas horas da noite. Apesar disso dormi muito bem e acordei bem disposto. A água até aqui não tinha sido problema. O dia 23-09-2018 era o terceiro dia da travessia e amanheceu espetacular, apesar de muito frio. Acordei antes do sol nascer e escolhi um bom lugar para apreciar o espetáculo. Depois disso o café da manhã (sem café) e desmontar acampamento. A surpresa foi quando levantei o saco de dormir e vi que uma aranha bem grande tinha vindo se aquecer embaixo dele. Peguei a bichinha com cuidado e a levei para perto de uma moitinha de capim. A travessia começou mesmo já eram 10:50 horas da manhã e daí para frente decidi caminhar junto com os 3 mineiros, afinal a gente combinava bastante. E assim saímos nós 4 da Pedra da Mina, eu , o Vinícius (Vini), o Daniel (boy) e o Nelson (Bozó). E assim passamos pelo Vale do Ruah, onde abastecemos os cantis pela última vez, com água que deveria ser suficiente até as 16 horas do dia seguinte. Daí foi uma grande sequência de morros até chegarmos ao Pico dos Três Estados às 17:20 horas. Mais uma vez montei a lona no estilo canadense, dispus a rede com mosquiteiro dentro e esparramei minhas coisas. De noite nos reunimos junto ao triângulo de ferro que representa a divisa dos 3 estados para a janta. Os caras já tinham pouca água. Eu ainda tinha meus dois cantis cheios e mais um bom tanto no camelback. Dessa maneira cedi um cantil para que eles fizessem a janta e bebessem o que sobrasse. Essa noite foi a mais fria, com o termômetro marcando 2,7º C, mas o capim elefante nos protegeu bem dos ventos e deu para dormir muito bem. No dia seguinte pela manhã, o Bozó sugeriu que fizéssemos café. Lá se foram mais 500 ml de água. Mas foi muito bom aquele cafezinho e aquela vista que se tinha lá de cima. De lá dava para ver Prateleiras e Agulhas Negras, minha próxima empreitada. Era o dia 24-09-2018, nosso quarto e último dia de travessia. Deixamos o 3 Estados às 09:40 da manhã. Esse foi um dia bem sofrido. Uma sequência de morros. Sobe e desce. Muitos trechos de mata, e bambuzal. Mas o principal obstáculo era a falta de água. Minha água era para dar tranquilamente, mas depois da janta, café e dividir com os amigos, eu tinha deixado o 3 Estados somente com a água que restava no camelback, que era pouco mais de meio litro. Fomos racionando, mas quando chegamos no Alto dos Ivos, todos bebemos o que nos restava de água. Foram mais 3 horas até encontrarmos água de novo. A falta de água aliada ao esforço físico fez com que o Vini começasse a passar mal. Mesmo assim tocamos em frente.Chegamos inclusive a beber água acumulada nas bromélias. Eu e o Bozó, que estávamos melhor, seguimos mais rápido enquanto Daniel ficou para trás acompanhando o Vini. Chegamos ao ponto de água e enchemos os cantis e o Bozó voltou correndo para encontrá-los e matar a sede dos amigos. Já eram 16:50 horas quando chegamos na rodovia BR-354, onde o resgate que eles tinham combinado estava esperando. A Patrícia, que era a dona da caminhonete de resgate me deu uma carona até Itamonte, onde seria meu pernoite. Por coincidência, a Patrícia era o resgate dos rapazes que estavam perdidos quando cheguei em Passa Quatro. Como eles não chegaram no ponto de resgate no dia combinado, ela entrou em contato com os bombeiros e com a família dos rapazes. Era o fim da travessia. Uma das mais puxadas e mais bonitas que já fiz. Foi também a última vez que vi os amigos Daniel e Vinícius. O Bozó eu encontrei de novo em Belo Horizonte agora em maio de 2019. Foi uma travessia que exigiu muito, mas que ofereceu muito mais em troca. Alvoradas e crepúsculos inesquecíveis. Paisagens sem igual, amizade, companheirismo. E que deixou uma vontade enorme de retornar e fazê-la novamente. Parque Nacional de Itatiaia. Agulhas Negras e Prateleiras. Desde que eu estava no hostel em Passa Quatro, eu já estava procurando um guia para o Parque Nacional de Itatiaia. Sabia que se tudo desse certo eu terminaria a travessia na segunda-feira 24-09 e na terça-feira 25-09 queria ir para o PNI, para subir o Agulhas Negras e o Prateleiras. Durante os telefonemas para casa, eu vi que teria que voltar logo. Dessa maneira, eu teria que fazer os dois cumes no mesmo dia. Entrei em contato com vários guias, mas ninguém queria fazer os dois cumes em um único dia. Uns disseram que não dava. Outros disseram que não era permitido. Até que encontrei um cara. Tudo isso pela internet e pelo tal de whats app, que eu nunca tinha usado antes disso. Deixamos mais ou menos combinado. Ele me cobraria 300 reais pela guiada. Eu sabia que o PNI exigia equipamentos para a subida aos cumes. Eu não tinha esses equipamentos. Após o PNI eu teria que voltar para casa, minha jornada terminaria ali, portanto não precisaria mais ficar regulando a grana. Durante a travessia da Serra Fina a gente ficou sem contato. No final da travessia, o resgate dos mineiros me deu uma carona. Eu tinha planejado ficar no Hostel Picus, ou no Yellow House, mas ambos estavam fechados. Dessa forma fui com eles até Itamonte, onde me deixaram e seguiram rumo a Passa Quatro. Saí procurando hotel ou pousada e acabei ficando no Hotel Thomaz. O Hotel era bom e tinha um restaurante onde eu jantei. Só que fica bem na rodovia e eu peguei um quarto de frente para a rodovia e o barulho dos caminhões e carros freando durante toda a noite incomodou um pouco e prejudicou o sono. Na manhã do dia 25-09-2018, terça-feira, acordei bem cedo, tomei banho, preparei as coisas que levaria para o Parque, entrei em contato com o guia e desci para tomar o café da manhã no Hotel. Por volta das 7 horas o guia chegava de carro para me pegar e seguirmos para o parque. Durante o caminho fomos conversando e falei pra ele sobre a travessia e sobre o caminho da fé e pedra do Baú, que tinha feito recentemente. Ele também é guia na travessia da Serra Fina. Chegamos ao parque fizemos os procedimentos de entrada, onde um guarda-parque alertou que caso não começássemos a subida do Prateleiras até as 14 horas, não deveríamos continuar. Desse modo, às 08:45 da manhã iniciamos nossa caminhada rumo a base do Agulhas Negras. Ele apertou o passo, acho que querendo me testar. Eu fui acompanhando de boa. Paramos num riozinho para abastecer a água e fazer um lanchinho, já próximo da base. A conversa ia progredindo e ele me falou que achava que eu era um cara que parecia estar preparado e que normalmente ele guiava por uma via conhecida como Via Normal ou Via Pontão, mas que se eu quisesse a gente poderia tentar uma via diferente, pra se divertir um pouco. Falei pra ele que ele é quem estava guiando e que por mim tudo bem. Dessa maneira subimos por uma via menos utilizada, que passa por dentro de uma espécie de chaminé que é conhecida como útero. Na verdade quando você emerge dessa “chaminé” é como se você estivesse nascendo. Não levamos capacete, nem cadeirinha, apenas uma corda e uma fita. Usamos a corda somente duas vezes, uma delas para rapelar e depois subir um lance de rocha que fica entre o falso cume e o cume verdadeiro onde fica o livro de cume. Atingimos o cume verdadeiro às 10:40 horas. Comemos, descansamos um pouco, apreciamos a paisagem, tiramos várias fotos e depois iniciamos a descida. Dessa vez por uma via diferente, a Via Bira. No início da descida um rapel de uns 40 metros por uma descida bem íngreme junto a uma fenda e uma parede. Bem legal. Foi uma descida bem bacana. Uma via bem mais interessante que a tradicional. Eram 12:40 quando chegamos de volta ao ponto onde tínhamos iniciado a caminhada. Fizemos um lanche rápido e às 13:00 horas partimos em direção ao Prateleiras. Desta vez sem mochila, sem corda, sem água. Só levamos uma fita de escalada, que foi usada uma única vez. Achei bem mais tenso que o Agulhas, apesar de mais rápido. Muita fenda, muito lance exposto, muito salto de uma pedra para outra com abismos logo embaixo. No ataque final, nos últimos 15 minutos, o cara me salvou por duas vezes. A primeira em um lance de escalada livre onde se tem que fazer uma força contrária. Como não tem "pega", a gente sobe com os pés numa face da fenda, empurrando a outra face para baixo. Complicado. Eu tava a abrindo o bico de cansaço aí ele me deu a mão e a puxada final. Depois disso, num paredão bem inclinado, tinha que começar a subir quase correndo agarrando na pedra para conseguir chegar ao fim. Faltando um meio metro para o fim dessa rampa minha bota começou a escorregar na pedra e eu fiquei sem força. Gritei ele e novamente me deu a mão ajudando a chegar. Muito tenso. Atingimos o cume às 13:50 e depois de alguns minutos começamos a descida. Paramos para comer uma bananinha e paçoca e descemos mais tranquilos. Às 14:58 estávamos de volta ao local onde tinha ficado o carro. Daí o cara olha pra mim e fala: - Agulhas e Prateleiras em 6 horas. Nada mal. E rachamos o bico de dar risada. Tinha acabado de subir dois cumes que sempre tinha sonhado. Agulhas Negras e Prateleiras. Os dois em cerca de 6 horas. Eu estava muito feliz. O visual de cima dessas montanhas é incrível. Mas a experiência da subida é demais. A adrenalina a mil. Saber que um escorregão e já era. Isso não tem preço que pague. Acabei ficando amigo do guia e ele me deu uma carona para Itanhandu no dia seguinte, onde pegaria o ônibus de volta pra minha terra. Dormi mais uma noite no mesmo hotel, dessa vez num quarto de fundos e o sono foi muito melhor. Desci para comer um sanduíche de pernil numa lanchonete próxima e bebi uma coca-cola de 1 litro. Depois de todo aquele esforço eu merecia. VID-20180925-WA0004.mp4 VID-20180928-WA0014.mp4 VID-20180928-WA0014.mp4 vidoutput.mp4 Na manhã da quarta-feira, 26-09, eu parti de volta para Maringá, com uma parada longa em São Paulo, de onde saí de noite e cheguei em casa na manhã de 27-09-2018. Decidi ir pra casa a pé. Pra caminhar um pouco. rsrsrs. Logo depois do almoço eu estava em casa e na manhã do dia seguinte tudo voltaria à mesma rotina de antes. Mas eu não era o mesmo cara que tinha saído 23 dias antes. Eu tinha caminhado mais de 420 Km. Tinha estado em 3 dos dez pontos mais altos do país. Tinha visto o sol nascer e se por proporcionando espetáculos inesquecíveis. Tinha conhecido gente da melhor qualidade, o povo bom e humilde do interior de Minas Gerais. Dá para aguentar essa rotina por mais um tempo, numa boa.
  3. Travessia do Parque Nacional do Itatiaia - junho/2019 Foram aproximadamente 70 km m 5 dias de caminhada passando pelos seguintes pontos: Dia 1- Travessia Rui Braga subindo - Maromba (parte baixa PNI) – Abrigo Massena Dia 2- Travessia Couto Prateleiras – camping Rebouças Dia 3 – Agulhas Negras – Pedra do Altar – Camping Rebouças Dia 4 – Travessia Rancho Caído – Cachoeira do Aiuruoca – Ovos da Galinha – Pedra do Sino de Itatiaia – Rancho Caído Dia 5 – descida do Rancho caído até a cachoeira do escorrega do Maromba Nossa aventura começa na rodoviária Tiete com destino a Itatiaia. Saímos as 11h45 e por volta das 16h chegamos em Itatiaia. No caminho vim observando os contornos da serra do Itaguaré, Serra Fina e já imaginando a próxima aventura. Na rodoviária nosso anfitrião já nos esperava, passamos pela portaria do parque para o check in e pagamento de ingresso, porem já tinham fechado e falaram para que fizessemos todo o pagamento e check in no posto do Marcão. Fomos nos hospedar no quarto Gaia já dentro do PNI da parte baixa, uma casa dos anos 40 que hoje os moradores alugam os quartos para hospedagem. Um lugar muito aconchegante e bacana em total contraste com os próximos dias de trilha, uma noite bem dormida e corpo descansado. Inclusive a trilha começa ali mesmo, começamos as 7h30 e pegamos já um caminho por entre a mata passando pelas ruinas de uma imponente casa de outrora, seguindo pela rua de terra até o posto do Maromba onde chegamos as 8h e haviam nos informado que ali teria um guarda para checar a autorização da travessia Rui Braga. O homem não estava lá. Tinha um pessoal de colete amarelo do ICMBIO que estavam roçando a trilha e nos disseram para seguir adiante. Quarto Gaia Posto Maromba Começo da Ruy Braga E assim fomos, por uma trilha bem aberta no começo e recém roçada, em pouco tempo a trilha foi estreitando, mas ainda assim muito limpa, chamou a atenção alguns “guard rails” de concreto que encontramos no caminho, ali passou uma estrada antigamente, muito provavelmente para descer madeira que viraria carvão para os trens do Barão de Visconde de Mauá. Era um sigue zague de pouco aclive e fomos contornando as curvas de nível por entre a mata e passando por diversos riachos nas veredas que desciam. Ao meio dia em ponto chegamos no abrigo Macieiras, vários pinheiros europeus e araucárias o circundavam, uma casa de madeira bem antiga porem mal conservada, ainda assim se mantinha em pé, dava para imaginar que lugarzinho bucólico foi antigamente, com montanhistas e aventureiros se hospedando na casa. Ali fizemos nosso lanche do almoço e um breve descanso. As 12h45 seguimos adiante e logo mais alcançamos os campos de altitude e a primeira visão do Pico das Agulhas Negras e da serra das Prateleiras e para o outro lado do vale do Paraíba e da cidade de Resende. Abrigo Macieiras Mais um pouco de caminhada chegamos no Abrigo Massena as 14h45. Uma subida muito leve e tranquila. Imaginava que fosse mais pesada. O abrigo é imponente todo feito de pedra e muito deteriorado, sobrando somente as paredes de pedra maciça e uma parte do telhado do que deveria ser a sala principal do chalé, pois ali havia uma grande lareira em perfeitas condições. Tratamos de montar a barraca em frente e explorar a casa. Logo atrás subimos uma trilha até uma outra casa também abandonada no topo do morro que parecia ter tido uma antena pois havia uma base de ferro cortada e muito entulho de ferro em um buraco por ali. Atrás dela tinha uma linda vista do vale, da represa, da Serra do Mar e da Serra FIna. Eu havia lido em um relato aqui no mochileiros.com que tinha ainda uma terceira ruina em um morro aqui perto e por ali também seria a fonte de água próxima do Massena. Seguimos a trilha adiante e uns minutos depois achamos um fio de água que cruzava a trilha. Fomos em busca das ruinas seguindo a trilha mas não encontramos, quando resolvemos voltar vejo a ruina logo acima de um morro com uma araucária solitária visto de quem desce a Rui Braga. E para lá seguimos. Toda de pedra e tijolo maciço sem o telhado e todas as paredes em pé, havia ainda uma pia e parte do fogão a lenha. Estava aos pés das Prateleiras. Massena outras ruina com as prateleiras ao fundo Serra Fina Depois da exploração retornamos ao acampamento. Preparamos nossas coisas para jantar e com alguns galhos fizemos uma pequena fogueira na lareira. A fome apertava e fizemos a nossa janta. Com a noite veio o frio e as estrelas que brilhavam além de uma lua cheia intensa no céu. Tinha algumas nuvens, mas nada que incomodasse. Deitamos cedo. No dia seguinte acordamos as 5h a barraca estava coberta por uma fina camada de gelo, na hora de desmontar chegou a doer as mãos de frio para enrolar a lona. Café tomado e mochila pronta saímos as 6h30 subindo ainda mais um pouco até alcançar o vale do Rio Campo Belo tendo sempre as Agulhas Negras nos acompanhando, essa na realidade foi uma constante, pois a imponência deste Pico era vista de todo o parque em todas as trilhas que fizemos. Nessa altura do vale nos encontramos com talvez a continuação da estrada, isso se elas se encontrassem no passado, ali havia até alguns trechos com asfalto e diziam ser a BR mais alta do Brasil mandada construir por Getulio Vargas. Passamos pela placa que marcava o inicio/fim da Rui Braga (seriam 21km entre este ponto e o posto do Maromba) e o acesso a base das Prateleiras, logo adiante a cachoeira das Flores e enfim o camping Rebouças onde chegamos as 9h, aproveitamos e já escolhemos um bom lugar para montar nossa barraca e deixar nossas coisas. Fomos conhecer o abrigo e os arredores do camping. Abrigo Rebouças camping Rebouças E logo partimos em direção ao posto do Marcão, passamos pela nascente do Rio Campo Belo. Ali na entrada fizemos os procedimentos de check in, o pessoal do PNI falou que havia abaixado de zero a noite anterior, e também pediu para guardarmos bem a comida pois havia um Logo Guará que estava rondando o camping durante a noite. Feito o pagamento de ingresso, fomos comunicar as trilhas que iriamos fazer, já passava das 11h e o pessoal do ICMBIO não autorizou fazermos a travessia do Couto-Prateleiras, somente o Morro do Couto, ficamos um pouco decepcionados. Ainda pela posto do Marcão tentamos fazer umas ligações para avisar a família que pela aquela área era a única que pegava celular. Falamos com a família para dizer que tudo estava bem e que ainda teríamos 3 dias sem celular pela frente. Lá pelo meio dia começamos nossa subida ao Morro do Couto, levamos mais ou menos 1h, chegando lá fizemos nosso lanche com a companhia dos tico tico sempre rodeando por uma migalha de pão. Ali decidimos seguir para as Prateleiras, mesmo sem autorização. Fizemos a travessia em 1h30min passando pelo Mirante, toca do índio, até a base do Prateleiras a 2450m, curtimos o visual por ali, apesar da neblina que vinha e ia. Depois uma esticada até a pedra da maça e da tartaruga próximo a pedra assentada. Depois retornamos e descemos a trilha para o camping Rebouças. Essa mesma trilha que tínhamos cruzado hoje cedo pela manhã. Passamos novamente pela cachoeira das Flores, mas agora descemos até ao poço e o Bernard arriscou um mergulho. Tava muito friiiio!! Eu me contentei com um banho de gato na quedinha de água. Morro do Couto Toca do Indio Base das Prateleiras Pedra Assentada e da Maça Cachoeira das Flores De volta ao acampamento nos preparamos para o jantar e de nos aquecer com algumas camadas de roupa. Fomos ate o quiosque e começamos a fritar o bacon e preparar um delicioso arroz com curry, cogumelos, tomate seco e claro BACON. Junto no quiosque conhecemos três caras muito bacanas de Passa Quatro – MG o Igor, Natanael e a esposa dele. Eles trabalhavam como guia de montanha no Itatiaia, Itaguaré e Serra Fina. Estavam fazendo um verdadeiro banquete, e junto bebemos uma pinga com mel para esquentar. O papo tava bom e ficamos um bom tempo contando os causos de montanha. Depois fui dormir, pois o dia seguinte estava reservado para o Agulhas Negras. A noite foi fria beirando os zero grau. De manha cedo acordamos e tomamos nosso café tínhamos combinado com o Guia Willian Gammino as 8h, ele iria nos levar para o Pico das Agulhas Negras já que não tínhamos equipamento e não conhecíamos a via. Logo que ele chegou partimos rumo ao 5° maior pico do Brasil. Uma trilha leve e bem bonita, passamos pela famosa ponte pênsil, logo depois a trilha bifurcava sendo a esquerda o caminho para a Travessia do Rancho caído que passava pela Pedra do Altar e Asa de Hermes, a direita seguia nosso caminho, logo em seguida um riacho para abastecer nossos cantis e mais adiante já começava a subida. Primeiro uma rampa de laje inclinado onde ia seguindo pelas “agulhas” canaletas de água, passamos por um degrau grande onde os guias colocavam uma corda para subir, outra rampa íngreme e depois passamos por uma fenda de uns 3 metros de largura com muitas pedras caídas e fomos escalaminhando até uma pequena gruta e subimos no topo desta. Ali os guias armaram uma corda guia para ir subindo, apesar de bem fácil havia uma certa exposição. Prateleiras visto das Agulhas Primeiro ponto de corda E logo acima já estávamos no topo das Agulhas Negras, uma visão de 360° de toda a região sendo possível avistar o vale do Paraiba, as cidades lá embaixo, a serra do mar, as Prateleiras, Pedra do Sino a nascente do Airuoca, vale dos Dinossauros, Rancho Caido, Serra Negra... porem ali ainda não era o ponto culminante, para chegar lá tinha que descer um rapel de uns 8 metros numa fenda se apoiar numa pedra e escalar outro monólito de pedra até o cume do Itatiaçu com seus 2791,50m de altitude, ali estava o livro cume. Levamos menos de 3h no total para subir. No topo fizemos nosso lanche, como era sábado tinha muita gente, nós fomos uns dos primeiros a subir, isso é uma vantagem muito grande, pois quando começamos a descer de volta havia uma fila enorme esperando para subir, nosso guia foi bem esperto e bacana e montou um rapel para desviarmos a galera e ir descendo ate a fenda que formava o corredor de acesso. Depois só descida livre chegamos no córrego devia ser umas 13h30min, como tínhamos a tarde toda, resolvemos ir até a pedra do Altar que estava ali a uns 30 min, um visual e tanto lá de cima e sua posição estratégica era possível avistar longe, inclusive o caminho do Rancho Caido que iriamos fazer no dia seguinte, e a Pedra do Sino de Itatiaia. Ficamos pensando se não teria como fazer a travessia pela crista, demos uma olhada, aparentemente sim daria para fazer, mas isso vai ficar para uma próxima tentativa. Subida do Itatiaçu Cume das Agulhas Negras Retornamos para o acampamento e o mesmo já estava lotado, bem diferente da noite anterior. Naquele momento vimos um resgate vindo das prateleiras, uma menina parece que havia quebrado o pé e estava sendo descida de maca da montanha. Nesse dia o banho foi de chuveiro do camping, mas pensa numa água fria, meu Deus!!! Foi aquele banho de gato, só para tirar o grosso mesmo. E em seguida vesti todas as roupas que tinha. O frio pegou neste dia. Nos reunimos novamente com os amigos de Passa Quatro, tudo que ofereciam e não oferecesse o Bernard aceitava, virou o tico-tico só rodeando e beliscando um pouco de cada um. Tomamos uma pinga com mel e neste dia saiu uma macarronada a carbonara. Neste dia não nos demoramos muito pois estávamos cansados e o dia seguinte prometia muita caminhada. Já na barraca fomos dormir, estava muito frio. Lá pela meia noite tive que ir regar uma moita, quando sai da barraca quase congelei, a lua brilhava no alto. Enquanto estava ali na moita escutei um barulho de panela em uma barraca próxima, percebi que não havia ninguém e vi um rastro de lixo espalhado, pensei, será que o tal do Lobo? Não deu outra vi um vulto saindo dos vassourões e mexendo de novo na tralha de cozinha, dei a volta para tentar interceptar o “gatuno” ou seria o canino? Não o vi, fui pelo outro lado e me abaixei e assim vi na contra luz da lua umas pernas indo e vindo, derrepente ele parou a uns 3m do outro lado da moita de vassouras, pensei se eu estiver abaixado e o bixo vir e der um bote, então levantei e dei de cara com o Lobo Guara, ficamos nos encarando, ele era enorme quase do meu tamanho, umas orelhas grandes, arredondas e apontadas para cima, permanecemos uns minutos assim até que ele rosnou para mim, ai pensei: “pode crê mano, vou te deixar em paz...” kkkkkkkk e voltei para minha barraca para dormir. Passado mais uns 30 minutos o Lobo começa a uivar, na realidade parecia um latido engasgado e lá de longe se ouvia outro responder, nisso acordou o acampamento inteiro, levantei novamente e o cara da barraca do lado havia sido “assaltado” e ficou preocupado, começou a conversar, fez fogo, ficou fazendo barulho... e eu voltei ao meu leito. Havia um casal com 2 crianças pequenas e os meninos começaram a chorar, pensa num choro. E assim foi nosso restante de noite.... uivos, choros, conversas... Acordamos cedo com todo o acampamento, havia uma fina camada de gelo nas barracas, tinha feito 1 grau negativo. Desmontamos a barraca com dificuldade pois ela estava congelada e gelava os dedos da mão. Logo depois fizemos uns pães de queijo de frigideira, um café nos arrumamos e as 8h com certo atraso do previsto começamos nossa trilha, na mesma direção das agulhas depois viramos a esquerda no rumo da Pedra do Altar e depois mantivemos a esquerda para o Aiuruoca. Ainda pegamos gelo na trilha e lá pelas 9h30 passamos num pequeno riacho e as 10h30 chegamos na cachoeira do Aiuruoca, tiramos umas fotos e já saímos 11h15 já estávamos nos Ovos de Galinha uma formação rochosa muito curiosa e interessante, exploramos o complexo de pedra, tiramos umas fotos e deixamos nossas cargueiras por ali e partimos rumo a Pedra do Sino de Itatiaia. Fomos subindo suas rampas de pedra seguindo os vários totens pelo caminho em menos de 1h alcançamos o topo. Tiramos as fotos de praxe, fizemos um lanche e já iniciamos nossa descida até a base para resgatar nossas mochilas e seguir rumo ao Rancho caído. Airuoca Ovos da Galinha Pedra do Sino de Itatiaia Logo subimos uma crista e no topo estava todo queimado, percebi que era um acero, fogo controlado, pois dava para ver que se estendia por toda a crista com uma largura de uns 20m e as laterais estavam roçadas. Logo abaixo estava o vale dos dinossauros, o pico do Maromba a frente as Agulhas a nossa direita. Fizemos uma curva em direção a Serra Negra e fomos descendo e contornando o grande vale abaixo, pois parecia um grande banhado. Passamos por uns charcos e encontramos um formoção rochosa muito curiosa que emoldurava o Pico das Agulhas Negras e parecia uma miniatura dela. Mais uma pequena subida e uma descida por entre bambus e uma matinha nebular, havia uma trilha bem erodida pela agua. Logo abaixo a nascente do Rio Preto, e logo ali o Rancho Caido, pensamos em pegar agua, mas ouvimos mais adiante mais barulho de água e decidimos ir até o acampamento. Lá procuramos por um bom lugar para acampar. Era 15h30 achei que estávamos bem adiantados do previsto. Barraca montada, saímos atrás do barulho de água e encontramos uma pequena gruta onde o riacho passava por baixo. Cantil cheio, decidimos explorar o local e ir um pouco adiante na trilha. O Rancho caído esta num pequeno morro numa área de mata com algumas araucárias perdidas naquela área. Logo acima do morro havia algumas grandes pedras e fomos até lá. Quando voltamos para a barraca, fizemos uma pequena fogueira, preparamos nossa janta. Logo depois o Bernard foi dormir, fiquei ainda um tempo por ali curtindo o fogo e a lua cheia. Logo fui dormir. Acordamos as 5h e 6h30 com café tomado e acampamento desmontado iniciamos nossa trilha, ainda caminhamos por uma mata na lateral abaixo da crista do Maromba e Marombinha até a crista conhecida como mata cavalo e de lá vimos o vale abaixo do Rio Preto e a Serra Negra. Começamos a descer, depois já alcançamos uma mata nebular e por fim uma mata mais densa com grandes árvores, passamos algumas vezes por um rio até que a trilha foi alargando como uma estrada e achamos uma casa. Mais uns minutos pela estrada chegamos na cachoeira do escorrega do maromba as 10h e ali terminava nossa travessia oficial. O ônibus saia as 11h da Vila da Maromba, perguntamos aos hippies que estavam ali vendendo seu artesanato e disseram que tinha mais 30min de caminhada até a vila. Não pensei duas vezes e resolvi tomar uma banho de cachoeira antes de continuar. Pensa num banho delicioso, agua gelada, mas foi ótimos para relaxar e se lavar bem antes de enfrentar o ônibus para são Paulo e Posteriormente para Itajai, ainda mais depois de 5 dias de banhos de gato. Enfim aqui termina nossa jornada. Foram 5 dias incríveis que superaram minhas expectativas em relação ao Itatiaia. Tive uma parceria muito bacana do Bernard, altos papos durante a trilha e um ótimo companheiro. Escalamos várias montanhas, sendo que algumas delas estão entre as 10 maiores do Brasil. Pegamos muito frio a noite e calor de dia, muito sol. Encontro com Lobo e conhecemos pessoas bacanas no caminho. Agora já estou planejando voltar e fazer os picos secundários e curtir um pouco mais deste lugar.
  4. Nossa aventura começou na madrugada do dia 21/03/18, depois de muito se discutir decidimos fazer um bate volta. Iriamos ao parque fazer o Agulhas e retornar no mesmo dia. Antes de ir pesquisei com amigos que já fizeram a respeito da trilha, além de ver diversos vídeos no youtube e relatos aqui no blog mesmo. Apesar de ser um pouco orgulhoso e já ter alguma experiência em trilhas já quero ressaltar no começo do relato a importância de um guia para subir o agulhas. Explicarei mais durante o relato. Saímos de São Paulo as 3 da madrugada, a ideia era algo em torno de 4 horas de viagem podendo mudar um pouco de acordo com o tempo e as paradas. Para quem também tiver pensando em fazer um bate volta, trabalhe sempre com uma margem, mesmo que vá de madrugada, pois pegamos um engarrafamento na estrada que sai da Dutra em direção ao parque com vários caminhões em marcha lenta que nos atrasou pelo menos 40 minutos. O caminho não tem segredos, você seguirá pela Dutra, e assim que entrar no Rio pegará uma saída a direita, se não me engano é a saída 317 em direção a Itatiaia. Você fará uma espécie de balão por cima da Dutra, como se fosse voltar para São Paulo, mas assim que pegar esse retorno entrará a direita em direção ao Parque Nacional. Você seguirá em torno de 26 quilômetros por essa estrada até a garganta do registro, nesse ponto todos os celulares pararam de funcionar, porém será difícil de errar, marque no hodômetro do carro, e em 25/26 km você verá muito bem sinalizado a "Garganta do Registro" e a indicação de entrar a direita para a parte alta do parque. Dai mais 14 km e você chega no parque. A estrada não é nenhuma Brastemp rsrs, mas se você pegar um tempo razoavelmente bom não tem motivo para se preocupar, diferente do Pico dos Marins kkk. Obs: Durante o caminho já é possível ver toda a beleza dessa região ! Você chegará então no Posto Marcão, lá você fará o registro de entrada no parque, encontrará seu guia provavelmente, e também irá parar o carro. ( Para quem pretende ficar hospedado no abrigo rebouças, possivelmente poderá ir mais 3km de carro até o abrigo, eu esqueci de perguntar, mas um amigo ja chegou a ir de carro até o abrigo, para quem não for se hospedar lá, o carro fica no Posto Marcão ). No posto tem bons banheiros, hora de trocar de roupa se for o caso, passar o protetor, apertar a mochila e começar a aventura. A primeira caminhada é de 3 km até o abrigo Rebouças, a estrada é larga e a caminhada sem muita alteração de nível ou qualquer dificuldade. Durante essa caminhada você pode ver outras atrações do parque como as prateleiras, o início da trilha dos cinco lagos, etc... Depois que você passar do abrigo Rebouças, mais uma pequena caminhada e inicia a subida de 800 metros para o Pico, durante o trajeto você poderá ver algumas plaquinhas no chão que marcam de 100 em 100 metros até o a plaquinha 8. A subida para o agulhas até a parte de pedra é bem tranquila, quando você chega na parte de pedra já existe um ponto onde será necessário a corda. Os mais corajosos podem tentar subir sem corda, como os guias fazem, porém, existe uma séria chance de um braço quebrado, ou algo do tipo, mesmo os guias tem uma certa dificuldade nessa parte. Admito que nessa parte quis tentar subir sem o auxílio de equipamento, porém travei na metade, e precisei me apoiar pela corda para subir o resto. Óbvio que a galera não perdoou e tive que ouvir bastante zuação nessa hora, hahahaha. O resto da subida é relativamente tranquila, se você já está acostumado, ou já subiu alguma montanha com certa exposição, e subida em pedra, não irá ter grandes surpresas, alguns trechos com bastante exposição, aqueles pedaços que você precisa subir meio que engatinhando para conseguir se fixar bem na rocha, ou usando fendas para fixar bem o pé. Alguns outros pontos de corda em que o uso é relativo. Mas tem o ponto para fazer a segurança. A subida para o Agulhas não é tão demorada, em torno de 2 horas e meia a 3 horas. Se seu grupo é pequeno, e você não quiser fazer muitas fotos, é possível iniciar bem cedo e quem sabe ainda curtir algum outro atrativo do parque. Porém se estiver com um grupo grande ou quiser aproveitar o passeio ao máximo, reserve um dia inteiro para fazer essa caminhada, até porque você provavelmente estará bem cansado no final. OBS: Fomos durante a semana, era uma terça feira, e éramos os únicos privilegiados no parque, durante todo o tempo que ficamos lá, ninguém entrou e nem havia ninguém de saída, se você for final de semana chegue cedo, pois com certeza encontrará muitos grupos e o parque tem um controle de números de pessoas que eles liberam para fazer a subida ao pico. Então vá cedo para garantir um passeio bem agradável. Enfim... O CUME Todo o esforço, arranhões, medo, obstáculos e toda a subida compensa automaticamente assim que você chega ao cume, a vista é realmente sensacional sem contar a satisfação por ter completado essa jornada, você ficará realmente orgulhoso por ter enfrentado tudo isso e ter tido a força para chegar até o final... OU QUASE... O cume ainda não é o cume !! Como assim ? Haha, é isso mesmo, ao chegar ao pico, é possível ainda atravessar um desfiladeiro para um segundo cume, onde se encontra o famoso Livro. Existe um livro lá, para que você deixe sua assinatura, mensagem ou registro dessa passagem por aquele lugar maravilhoso. É importante dizer mais uma vez, até aqui, é muito indicado o guia, porém pessoas bem experientes (bem experientes mesmo) em subida em pedra podem tentar se aventurar. Porém, para fazer a passagem para o livro, é fundamental o uso de equipamentos e conhecimento de técnicas além do conhecimento de como lidar com os equipamentos. Isso não é brincadeira, e o risco nesse ponto é extremamente alto. Sei que estou sendo chato, porém antes de ir eu cogitei várias vezes ir sem o guia, e fazer eu mesmo a passagem por esses trechos, com alguns equipamentos que um amigo me emprestaria, por fim achamos por bem contratar o guia. Já tive o prazer de fazer algumas travessias como Petro x Tere, Marins x itagaré, subir o pico dos marins, pedra da gávea. Em todas essas ocasiões fizemos por nossa conta, e isso me levou a ter uma falsa ilusão de que eu tinha o conhecimento necessário, por isso estou falando bastante desse ponto, subir montanhas é realmente algo incrível e que te embarca em sentimentos maravilhosos de superação, auto conhecimento, alegria. Porém devemos estar ciente que nosso esporte é radical e de risco. Então temos de conhecer nossos limites também ! Voltando ao foco, a passagem para esse outro pico onde tem o livro é feita com os equipamentos, a descida deve ter em torno de uns 7, 8 metros para depois subir também com a cadeirinha para o livro. Aproveite o momento, registre sua passagem da melhor maneira e comece a segunda parte de subir a montanha que é DESCER. A hora que estávamos assinando o livro o tempo mudou repentinamente, e começou a chover e ventar bastante, mesmo que você pegue um dia de sol, leve algum tipo de agasalho e se possível um poncho ou capa de chuva. Assim que voltamos para o cume principal o sol saiu, hehe, assim é o tempo na montanha. Tiramos uns minutos para fazer uma boquinha e iniciamos a descida. A via para voltar é mesma para subir e você pode aproveitar a volta para ter outros ângulos e fazer mais fotos. Com todas as paradas, fotos e tudo mais levamos em torno de 7 horas no passeio. E confesso que a caminhada do abrigo Rebouças até o Posto Marcão acaba se tornando infinita rsrsrs. Voltamos para São Paulo satisfeitos e com sensação de quero mais. O parque de Itatiaia é simplesmente sensacional, e tem as mais diversas opções de passeio, desde cachoeiras, travessias na parte baixa como a Ruy Braga, Couto-Prateleiras entre outras. Espero que todos tenham a oportunidade de ir lá um dia que seja ! CONSIDERAÇÕES FINAIS 1 - Quantos aos valores, o guia nos cobrou R$ 80,00 por pessoa e mais R$ 15,00 por pessoa a entrada no parque. Nosso grupo era de cinco pessoas e o total saiu menos de R$ 250 por pessoa, mesmo considerando os gastos com comida. Então ressalto que mesmo que as coisas estejam apertadas, existem belas possibilidades de passeio que valem muito pena, sendo que as vezes gastamos esse valor num final de semana que não nos trará tantas lembranças positivas ! Nosso Guia foi o IVAN, pessoa muito gente fina, profissional e ótimo guia, vou deixar aqui o contato dele: (35) 9927 - 1676 2 – Antes de entrar no Rio, já no final da Dutra SP, tem um graal que é uma boa opção para comer antes de entrar em Itatiaia. 3 – Eu tentei ser bastante didático no texto pensando em pessoas que nunca fizeram nenhuma trilha parecida que possam ler. Foi mal se fui repetitivo hehe. 4 – Quem ainda não conhece use o app WIKIROTA ( Esse faz todos os cálculos de combustível e pedágio para o seu destino), outro app muito bom é o WIKILOC que serve para gravar e seguir trilhas. Aqui está a minha gravação dessa trilha: https://pt.wikiloc.com/wikiloc/spatialArtifacts.do?event=setCurrentSpatialArtifact&id=23392290 5 - https://www.instagram.com/joaopaulosarja/?hl=af Valeu até a próxima !
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