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  1. Boa tarde. Tenho interesse em realizar a travessia da Serra Fina no feriado prolongado de 6 a 9 de julho. Por enquanto sou eu e minha esposa. Talvez mais 2 colegas. Encontrei algumas agências que já possuem pacotes, mas o valor está um pouco acima do planejado (acima de 1k), portanto caso alguém esteja formando um grupo, queira formar um grupo ou que conheça um guia experiente, mande um oi o/ *** Edit: conseguimos formar um grupo com guia especializado no local e possui 1 vaga. Valor bem mais em conta que por agência. Interessados me mandem msg. Abraços.
  2. Bom, depois de muitos anos acompanhando o fórum eu resolvi contribuir também com este relato de um dos lugares mais incríveis que eu já conheci! A pedra da mina é um pico de 2795m (5o mais alto do Brasil) localizado entre o estado de São Paulo e Minas Gerais e é um dos picos opcionais presentes na travessia da serra fina (quem começa a travessia pela toca do lobo chega lá no segundo dia). A trip começou a ser organizada no ano anterior (2015) pelo André, um dos fundadores do grupo Trilhadeiros e o Danilo, fundador do grupo Trilhas e Passeios (ambos de São Paulo capital). O Danilo costumava levar a galera para trekkings de um dia, ele é tão louco que fez o caminho do sal inteiro em um dia (+ de 50km)! Sendo assim o André se ofereceu para guiar o pessoal para uma trip um pouco mais longa e complexa e que exigiria um pouco mais de preparo físico e psicológico. No meio tempo em que a viagem começou a ser planejada e o dia em que ela ocorre, houveram diversas mudanças, inclusive de pessoal e algumas até de última hora, infelizmente o Danilo teve alguns contratempos e não pode nos acompanhar na empreitada e teve que abandonar a trip na última semana! Com a saída de última hora do Danilo o André convidou o Oscar, o Hermano de Santa Fe que não consegue nem falar GPS sem entregar sua gringoles hahaha! Enfim, com o grupo de 8 fechado mudamos uma última coisa que foi o transporte, todos cancelamos nossas passagens de ônibus e fomos divididos em 2 carros. Eu, o Vinicius e o André fomos no carro da queridíssima Carol e o Andy, A Marta e o Oscar foram com o William. Saímos de São Paulo por volta da meia noite e chagamos em Passa Quatro por volta das 3:30 da manhã do dia 16. Chegando lá, nos encontramos todos em frente a casa do Edinho que nos levaria até a entrada para a trilha (quem já fez ou já leu sobre serra fina conhece a figura), não arriscamos subir até a fazenda serra fina com nossos carros comuns por que ouvimos dizer que a estrada estava péssima (#dica: se não tiver chovido na semana da pra subir de carro normal sim, vai penar um pouco com os buracos e com as subidas íngremes mas vai conseguir chegar lá!). O traslado ficou em 300,00, divido em 8 não ficou pesado pra ninguém! Chegando na fazenda, uma senhora veio nos atender com um livro para que assinássemos e nessa parte eu já estava morrendo de frio, depois de 1 hora pegando vento na carroceria da bandeirante do Edinho eu já não estava sentindo nem minha alma, e aí não é que a tiazinha vem de saia comprida e camiseta, como se tivesse um calor de 30 graus quando na verdade estava na beira dos 12. Livro assinado e cargueiras nas costas era hora de partir para a trilha! A trilha para a pedra da mina via paiolinho é uma das mais diversificadas que eu já vi, você começa dentro de uma mata fechada com características de floresta tropical, e termina em uma montanha com muito pedregulho e vegetação rasteira e espinhenta típica de florestas de altitude. A trilha se inicia dentro da própria fazenda à aproximadamente 1570m de altitude, e começa com aproximadamente 1km de subida leve seguido por descida leve de 1km também, após percorrer esses 2km você chegará ao primeiro ponto de água, onde você vai ficar babando com os poços d'Água que a corredeira forma, sem brincadeira, é a água mais cristalina é mais pura que você vai beber na sua vida! (#Dica: sugiro que você comece a trilha com o mínimo de água possível e ande com o mínimo também até o terceiro e último ponto de água). Atravessando a pequena corredeira você continuará por uma trilha de mata fechada (nesse final de semana que escolhemos pra ir estava tendo uma competição de corrida de montanha, a KTR. Dessa forma, a trilha estava bem aberta e muito visível, mas eu acredito que normalmente seria necessário um pouco mais de atenção pra não se perder). Andando mais a frente você passará pelo segundo ponto, não pegamos água nesse. Após esse ponto a trilha começa a ficar mais íngrime e você começará a ganhar um pouco de altitude. Logo no final da mata e no início da montanha existe uma clareira que você pode usar pra comer uma barrinha ou tomar um carb up (confie em mim, você precisará de energia para a próxima etapa), mas cuidado com as abelhas. A melhor parte é que logo à frente dessa clareira está localizado o último ponto de água, é aí que você deve encher todas os seus reservatórios para não faltar água no resto da subida e no dia seguinte quando você retornar, pois os próximos pontos não são permanentes e podem não estar lá dependendo da época que você for, te sugiro a subir com no mínimo 4 litros para não ter problemas. Deixando o último ponto de água, você começará a subir para valer agora, a primeira parte ainda é leve e é caracterizada por ser coberta por um capim elefante (use roupas longas para não se arranhar), saindo da vegetação você se deparará com o "Deus me Livre" (lembra que eu disse que você precisaria de energia? Pois é aí mesmo que a maioria será gasta). O Deus me livre é uma ascensão bem íngrime pela rocha em que você escalaminhará até o cume da formação rochosa e ganhará nada menos que 500 metros de altitude em uma paulada só! Não subestimem esse morro, eu vi neguinho da corrida arregando no meio dele, tomando capote por causa de câimbra e passando mal de sede, até ajudamos alguns que estavam nessa condição, com sal e repositor de eletrólitos. Minha dica é que você suba devagar, no ritmo do mais lento (caso esteja em grupo) e sem pressa, assim quando você chegar ao cume você poderá prosseguir até a próxima área de descanso ao invés de ficar lá em cima tomando sol na cabeça. Lá de cima você conseguirá enxergar o falso cume da pedra da mina, que é uma montanha enorme que esconde nas suas costas o cume verdadeiro da pedra da mina, esse por sua vez ainda não é visível dessa perspectiva. Muito bem, prossiga pela trilha descendo e subindo os 2 morros entre o topo do deus me livre e o início da subida do falso cume (apelidado gentilmente pelo nosso amigo Will de "Puta que Pariu"). Ao chegar ao pé do falso cume você encontrará uma clareira bem agradável e sentirá até vontade de acampar por ali, dependendo do seu grau de cansaço. Nós paramos ali por aproximadamente uma hora para descansar, uns aproveitaram o tempo para almoçar, outros para dormir, (alguns dormiram tão profundo que alegam ter sonhado que chegaram no cume hahahaha). Como eu estava pilhado na adrenalina, resolvi parar por alguns segundos e subir a frente do grupo antes que meu corpo esfriasse e a dor no joelho aparecesse. Essa subida também não deve ser subestimada, ela é extensa e técnica (não tanto quanto a do deus me livre, mas ainda sim não é uma subida simples), então tome seu tempo, beba água, pare alguns minutos para retomar o fôlego se necessário. Muito bem, chegando lá em cima do falso cume você já começa a ter uma visão muito mais ampla, já consegue enxergar o vale do Paraíba, as montanhas do Itatiaia e ainda tem a visão de Minas Gerais. Após alguns minutos que eu atingi o topo, os últimos 2 competidores da corrida chegaram lá, exaustos mas maravilhados com a paisagem, assim como eu. Eram eles o Luiz, de Atibaia-SP e o Vitor, de BH. Conversamos um pouco, trocamos contatos e eles iniciaram seu retorno montanha abaixo. Abrindo um parênteses gigante aqui para relatar um fato que eu esqueci de mencionar, quando chegamos em Passa Quatro, na frente da casa do Edinho estava um cachorro de rua muito simpático, brinquei com ele um pouquinho antes de partimos. Pois bem, quem estava lá em cima da montanha? O tal do cachorro, desidratado e incapacitado até de se mexer! Tentei dar água pra ele mas ele só conseguiu mexer a cabeça pra beber após alguns minutos. Eu não sou aquele tipo de pessoa totalmente animal friendly e coisa e tal, mas ver aquele cachorro lá em cima abandonado (ele deve ter seguido os corredores e não conseguiu retornar com eles devido ao cansaço), me partiu o coração. Logo em seguida meus companheiros chegaram e eu decidi que levaria o cachorro conosco pra cima e o levaria de volta para cidade no dia seguinte. O problema é que o cachorro não conseguia nem andar de tão cansado, então eu o carreguei por boa parte do fim do trajeto, resultando em uma lesão no joelho que me atrapalhou muito no dia seguinte (já adianto que valeu muito a pena). Fechando o parênteses, continuamos rumo ao cume verdadeiro, caminhando montanha a baixo e acima até o acampamento base que fica no pé da pedra da mina. Lá paramos pela última vez antes de atingir o nosso objetivo. A última subida é inteira pela pedra e bem sinalizada por totens, não tem como se perder. Quando chegamos ao topo já era aproximadamente umas 3 da tarde e estávamos todos exaustos, mas a vista compensaria todas as gotas de suor, todos os músculos e ossos que estavam doendo, todo o esforço que fizemos para chegar naquele ponto. O vento lá em cima é extremamente forte e constante, nos agasalhamos bem e fomos assinar o livro do cume onde nos deparamos com mais 3 pessoas que estavam acampadas lá (uma inclusive era um morador de São José do Rio Pardo, cidade onde meus pais moram, que coincidência não?) Após assinar o livro, montamos as barracas e nos preparamos para jantar e dormir, já que o por do sol não poderia ser visto por conta da serração que tomou conta da montanha. Após jantar, montei uma espécie de abrigo improvisado pro nosso dog dormir um pouco mais confortável e protegido do frio. Como não conseguimos ver o céu estrelado, eu e o Oscar fomos pra barraca descansar e combinamos de acordar de madrugada pra contemplar as estrelas. Acordamos então as 3 da manhã e o céu estava tão iluminado pelas estrelas que não precisava nem de lanterna para andar em cima da pedra! Galera, eu sei que todos falam do céu do Atacama e tal, mas aquele céu é simplesmente maravilhoso, dava pra ver as marcas das estrelas que estavam mais distantes, as estrelas mais próximas brilhavam tanto que até ardia os olhos! Infelizmente o frio estava muito intenso e o vento castigava muito, então logo eu voltei pra me abrigar, mas o meu companheiro de barraca ficou lá tirando mais algumas fotos (as fotos de céu estrelado mais lindas que eu já vi). Quando entrei na barraca adivinha quem já estava lá dentro? O dog! Tomei um baita de um susto, mas fiquei feliz com a companhia e deixei ele dormir entre minhas pernas em cima do saco de dormir! Acordamos novamente as 05:45 para ver o sol que já estava quase nascendo. E se eu não fui enfático o suficiente com as outras paisagens que eu havia visto no caminho, vou ser agora, por que PU** QUE PARIU, QUE AMANHECER MAIS FO** DO MUNDO! Sério cara, o sol nasce atrás do parque nacional do Itatiaia em cima certinho de uma montanha e deixa você boquiaberto! Para finalizar, retornamos pelo mesmo caminho, sem maiores problemas, mas vale ressaltar que o dog ficou tão agradecido que eu cuidei dele que ele veio o caminho de volta inteiro cuidando de mim. Toda vez que ele se distanciava na frente ele me esperava e assim que eu passava por ele, ele me seguia! Para chamar ele eu só precisava assobiar uma vez e ele já estava no meu pé. Nunca vi um ser tão grato e obediente me toda a minha vida, foi de emocionar! Esse foi meu relato sobre uma viagem muito intensa, com um trekking bem forte e uma galera muito animada e alegre, sem eles nada daquilo teria acontecido! Gostaria de agradecer a cada um de vocês, por me aturarem e serem parceiros, e gostaria de agradecer em especial ao grande André e o Danilo que se prontificaram a organizar essa trip maravilhosa! Espero que vocês tenham gostado, segue abaixo o link do vídeo que eu fiz ressaltando os pontos cruciais da trilha!
  3. A TRAVESSIA DA SERRA LINDA - E FINA. Relato sobre a travessia da Serra Fina – MG, realizada por Julio Celestino Pedron Romani e Cristiano Cavanha. Dizem por aí que o nome Serra Fina foi inspirado nas estreitas cristas das montanhas que a compõe. Resolvi confirmar in loco e descobri outro significado: Fina, no dicionário, refere-se ao que expressa delicadeza; delicada; cortês; de excelente qualidade. Também contam que é a travessia mais difícil do Brasil. Se é não sei, não fiz todas e particularmente acho impossível comparação como esta quando o assunto é natureza e montanha. Mas que é difícil, isto é. Após ler um dos livros sobre as conquistas dos Senhores Arlindo Zuchello e Édio Furlaneto (Treze Cumes do Brasil), houve um processo de iluminação e decidi descobrir as montanhas do Sudeste. Partimos então eu e meu parceiro de fé meu irmão camarada Cristiano, de Curitiba com destino a Minas Gerais para andar 32 Km de Passa Quatro até Itamonte. Ansiosos para os últimos preparativos, fomos recepcionados pela também Finíssima Passa Quatro em um final de sábado azulado de julho. Nos deparamos com uma exposição de carros antigos em que os fuscas predominavam; com a maria fumaça manobrando na velha estação e a torre da igreja centenária ao fundo. Extasiados com a acolhedora muvuca da pequena cidade (naquele dia era a abertura do festival gastronômico local), em menos de uma hora estávamos conversando com o Seu Cipriano e acertando o transporte, após providenciarmos queijo, salame e cachaça mineira. Sem isto, não teria travessia. (Foto:Recepção em Passa Quatro) Sete da noite estávamos em um fusca de estado duvidoso (o que significa exatamente nada para um fusca...) rumo ao ponto de início da pernada. Conversa vai e vem, descobrimos que o Seu Cipriano do Fusca era o Edinho da Toyota, recomendado por muitos montanhistas e cujo número estava anotado desde Curitiba. Na pressa para resolver as últimas pendências, ao invés de ligar para ele pedimos indicações para os comerciantes e funcionários da Estação e por coincidência chegamos a mesma pessoa. Sendo tanto eu como o Cristiano proprietários e apaixonados pela baratinha, já curtimos o início da bagunça. Após 15 KM de aclive esburacada, sob medida para o Volks, o mineiro gente boa e contador de causos nos deixou na Toca do Lobo em uma noite estreladíssima, não sem antes recomendar a trilha via Paiolinho em caso de desistência e sobre a escassez de água. No início de nossa conversa ele pareceu um pouco espantado com os dois malucos indo para aquela empreitada pela primeira vez sem guia. Contou quando nos reencontramos que ficou preocupado com nossa ausência na terça, pois assim tinha entendido ele que seria o dia em que voltaríamos, quando na verdade programamos o retorno para quarta-feira. A noite estava seca e com céu limpo, propícia para um bivaque, mas decidimos montar as barracas a fim de termos mais conforto e nos recuperarmos da viagem. Abortamos a janta pois almoçamos um elefante em Aparecida as três da tarde. Ouvi três assobios finos e cadenciados ao longe e como não pareciam em nada com o som de algum pássaro conclui ser o Saci avisando para respeitarmos Pachamama. Após ver alguns meteoros rasgarem o céu, noite bem dormida. Oito da manhã estávamos com o pé na trilha e em menos de 40 minutos já tínhamos maravilhoso visual; pegamos água no Quartzito e tocamos rumo ao Capim Amarelo. Como Montanhistas Amadores Profissionais Contemplativos Raiz que somos, era vinte passos e dedo na máquina, mais vinte e olho no horizonte, nas montanhas, na vegetação, nas pequenas cidades lá embaixo, na imensidão... E assim foi o restante da Travessia: contemplação e imersão na paz e energia infinita lá de cima. Uma marcante característica da Serra Fina é o visual constante e de extrema beleza. Em pouco tempo já se atinge os dois mil metros, altitude esta que só baixará ao final da caminhada. Cada trecho realizado é fantástico e peculiar, sendo desnecessário tentar descrever com palavras pois resultaria em um livro e seria enfadonho. (Foto: Rumo ao Capim Amarelo) Calculo que ali pelas três da tarde, pelo sol, chegamos ao Capim Amarelo. Pernada exaustiva, mais ou menos o esperado. Desde que comecei a estudar sobre esta travessia, imaginava comparações com as familiares montanhas Paranaenses. Creio que é equivalente no mínimo a um Pico Paraná por dia em esforço e distância (porém a altimetria varia muito mais, especialmente entre o Capim e a Mina). Andando sempre acima de 2000 metros, não há a raizeira e os vales úmidos característicos das montanhas mais baixas . Diferente do que é muito propagado por aí de que o primeiro dia é o mais difícil, todos os trechos são de igual dificuldade, cada um com suas características. As distâncias são realmente muito grandes, a alternância de aclives e declives é frequente; some a isto a cargueira, que mesmo muito bem planejada, sempre será pesada. Além do mais, em 2.600/2800 metros o organismo já sente o efeito da menor pressão atmosférica de oxigênio. Não é um sorochi, mas a exigência cardiorrespiratória é maior, certamente. Consideração digna de nota: sujeira só encontramos no Três Estados. Quem frequenta a Serra Fina, cuida. Talvez pela dificuldade, farofeiros de plantão (ps.: o termo farofeiro pode servir para muitos que se auto intitulam montanhistas) portando vinho em garrafa de plástico e dispostos a quebrar o silêncio da montanha não se aventuram para deixar suas indeléveis marcas. Muito diferente do depósito de lixo que viraram as montanhas da Serra do Mar Paranaense, mas isto é outra história. Aproveitando dias de férias, conseguimos programar de maneira a evitar aglomerações e assim, até o Capim pegamos algum movimento, depois encontramos somente dois pequenos grupos fazendo a travessia inversa e um jovem casal no mesmo trajeto que a gente. Todo montanhista é um pouquinho egoísta e fica mais feliz se tiver a Montanha só para si… fato inegável. (Foto: parte da trilha percorrida no primeiro dia - vista do Capim Amarelo) Após montar acampamento, analisamos o percurso para chegar até a Pedra da Mina e fiquei apreensivo com a distância a ser vencida no dia seguinte. Me assolou um profundo sentimento de impotência que se evaporou após uma farofa de carne seca e um cochilo revigorante. Visual maravilhoso para todos os lados, contemplamos exaustivamente as demais montanhas da Serra Fina, o Marins, o Itaguaré e as cidades de Cruzeiro e Passa Quatro, mais ao longe Aparecida e Queluz. (Foto:Vista do alto do Capim Amarelo - Pedra da Mina ao centro) Ao cair da noite, Cristiano, cozinheiro oficial de nossas empreitadas, preparou aquela rica sopa para repor as energias. De rotina, café da manhã foi “rapidez” ou pão sírio com queijo e salame; sementes, barras, e glicose na caminhada e uma densa (e deliciosa) sopa todas as noites, além de algumas maçãs e cenouras. Acostumados a levar a despensa para os morros e voltar com metade para casa, nos policiamos e de excedente, só a quota de emergência. Assim conseguimos gerenciar bem a água e passamos muito bem alimentados, mas o gasto energético enorme me fez perder pelo menos 2,0 kg. Coberto pelo manto estrelado, muito cedo já estávamos nos braços de Orfeu, até porquê o forte vento e a temperatura baixa impediam muito tempo fora da barraca. Antes, aquela obrigatória sapeada no espetacular contraste entre o breu de noite de lua minguante e as luzes das cidades, mais parecendo brasas esparsas. Acordando junto com a claridade do dia, 8:00 estávamos descendo o Capim para subir o Melano (e muitos outros) e seguir à Pedra da Mina. Após o Maracanã há um ponto de água (não perene) em que completamos nossa hidratação e assim bebemos tanto quanto precisávamos e muito mais durante o percurso do dia. Tinha lido sobre este ponto, mas foi um camarada gente boa que estava guiando dois rapazes no sentido inverso que deu a letra, caso contrário não sei se teríamos encontrado. Fica a dica: passando o Maracanã, entre 5 a 10 minutos de caminhada, lado esquerdo (sentido Mina). (Foto: Aurora do alto do Capim Amarelo) (Foto: metade da trilha entre Capim Amarelo e Pedra da Mina - Capim Amarelo ao fundo) (Foto: Faces da Montanha) Vales, escarpas, montanhas, horizontes, vegetação e chegamos a cachoeira vermelha. Cruzamos um vale que lembrou paisagens Andinas – aliás, alguns trechos lembram os Andes Bolivianos – e na base da Pedra da Mina bebemos e nos abastecemos de puríssima e gelada água. Após contemplar o que suponho ser o Vale das Cruzes, em torno de quatro da tarde estávamos no alto da quarta montanha mais alta do país, para nós a maior altitude alcançada em terras Brasileiras. Despojada de vegetação, ao contrário do Capim Amarelo que recebe este nome pelos altos tufos em todo seu topo, o vento nos açoitava violentamente e a temperatura estava baixa. Chegamos ao cume com o tempo nublado e me pareceu que a chuva esperada para terça estava adiantada em um dia. Estávamos somente nós e o jovem casal que também estava fazendo a travessia, assim conseguimos encontrar um acamps razoável, protegido por muretas de pedra. (Foto: Suposto Vale das Cruzes. Vista da base da Pedra da MIna) (Foto: Pedra da Mina) (Foto: Mochila proseando com Apacheta) Fiquei preocupado com a possibilidade de chuva devido as condições do solo (compacto, repelia a água) e o leve desnível onde apertadamente montamos as barracas. Se chovesse, estaríamos em uma poça. Além disto, o vento e o frio eram insuportáveis, tornando um xixi uma atividade complexa, obrigatoriamente muito bem planejada e até perigosa: o vento exigia extremo esforço para se manter em pé. Porém o tempo abriu, pudemos apreciar o pôr do sol e mais uma noite viajamos pela via láctea, observando meteoros e as constelações, bebericando um chá quente e a ração de cachaça do dia, além de um espetacular palheiro mineiro. Lembrei dos meus colegas Xanxerenses e das adolescentes vigílias estudando o céu, contando meteoros e satélites, identificando planetas e cometas. Escorpião, cruzeiro do sul, Centauro… Ah céu da Mantiqueira, vontade de não sair mais debaixo dele. (Foto: Acamps no cume da Pedra da Mina) A manhã chegou sem o sol e o vento continuava intenso, o que nos fez demorar um pouco para levantar acampamento. Iniciamos a rápida descida ao Vale do Ruah, e o vento ficou para trás. Vimos que havia acampamento e ao nos aproximarmos fomos muitíssimos bem recebidos por quatro paulistas que estavam curtindo o Vale por alguns dias. Ao som de Pink Floid, tomamos um café com vodka, comemos granola e recebemos dicas de como atravessar o vale com menos estrago, ou seja, se molhando menos na nascente do Rio Verde – a mais alta do Brasil. Cristiano decidiu seguir o conselho de tirar as botas e preservá-las secas, eu preferi arriscar, escolhendo milimetricamente os tufos de capim onde pisar. Pensamos em fazer um caminho mais distante do rio, a direita, mas optamos por margeá-lo. No fim das contas, nenhuma decisão foi melhor que a outra. Quase no final do maravilhoso Vale, repentinamente houve uma precipitação de granizo e imaginei no frio que vinha junto. Dez minutos depois, além do frio, veio chuva e vento intensos. (Foto: Fantástico Vale do Ruah) Sob a intempérie saímos do Vale do Ruah rumo ao Cupim de Boi preocupados em chegar ao Bambuzal, local de acampamento muito bem sugerido pelos novos amigos paulistas, que nos demoveram da idéia de chegar ao Três Estados neste dia - mesmo com tempo bom seria besteira, constatamos depois. Como os dois Amadores Profissionais orientavam-se visualmente e por um mapa simples, além de uma bússola que pouco nos revelava naquele momento, o perrengue estava instalado. Não víamos mais de 10 metros a nossa frente, o vento empurrava-nos em direção aos precipícios e a chuva intensa encharcou tudo o que não estava protegido e também parte do que estava. Demos alguns perdidos, retornando a trilha sem muita dificuldade. Com visual quase zero e com a escassez de sinalização, agradeci aos colegas montanhistas que marcam a trilha com pequenos pedaços de papel metalizado e segui na frente olhando para baixo, até porque olhar para frente não fazia sentido... Subimos o Cupim de Boi sem saber que era ele; cheguei a pensar que tínhamos passado pelo bambuzal e estávamos subindo o Três Estados. Mesmo tendo encontrado e ultrapassado o casal que se adiantou enquanto paramos no Ruah e que portava um GPS, não houve alívio da tensão. Em determinado momento decidimos andar mais dez minutos e se são chegássemos ao bambuzal retornaríamos, pois a situação estava no limite. Nos encontrávamos em uma crista exposta sem nenhuma possibilidade de proteção e eu estava extenuado, sentindo o efeito do frio intenso. Jogava duas balas na boca por vez para ter alguma energia e mentalizava que não podia parar. Cheguei a pensar no pior quando sem esperar saímos do cume e penetramos em encosta protegida onde logo encontramos o Bambuzal, um local muito bem abrigado, excelente acamps. Lembro vagamente de montar a barraca e me livrar das roupas molhadas. Recobrei a consciência normal quando me enrolei no cobertor de emergência e, batendo o queixo, me vesti com roupa seca. As condições do tempo, a extenuação física mais a falta de um relógio (prometi a mim mesmo que será meu próximo investimento em tecnologia, um relógio de pulso de deizão do camelô), fizeram com que perdesse a noção de tempo. Pensei ser mais que 17:00, mas era em torno de 14:30. Com chuva e o saco de dormir parcialmente úmido, dormimos umas três horas após rapidamente comermos algo. A chuva lentamente parou e consegui ver algumas estrelas por meio dos bambus, prenúncio de frio e tempo bom no outro dia. Ao despertar as 6:00, percebi a vegetação totalmente seca. Estendi minhas roupas para esgotar um pouco a água e uma hora depois elas estavam congeladas, sob o frio de -2 graus como nos informou o gps do casal que também acampou no bambuzal. Então passei o segundo maior frio da minha vida (o primeiro foi a quase hipotermia do dia anterior), ao ter que calçar a bota e meias congeladas. Até botar o pé na trilha e esquentar, foi insuportável. Mas o sol estava lá e aos poucos foi secando – o que estava no corpo, porque o que estava na mochila chegou em Curitiba encharcado. Aliás, todo o peso que tínhamos aliviado com os mantimentos consumidos e gerenciamento de água foi substituído pelas roupas molhadas, e no último dia andamos provavelmente com o mesmo ou mais peso que no primeiro. Chegar ao Três Estados foi tranquilo, ao Alto dos Ivos também, mas a alternância de aclives/declives continuava. Após o alto dos Ivos, longo caminho em declive acompanhado da constante e maravilhosa paisagem, agora com destaque ao maciço de Itatiaia. Pudemos reconhecer o Agulhas Negras, Prateleiras, Pico da Antena, do Sino, etc., além do Picu, uma apacheta gigante que nos mostrava a rota a seguir. Se a Serra Fina não nos satisfizesse plenamente, meu plano desde o início era convencer meu parceiro a fazer o Agulhas na quinta-feira, mas resolvemos deixar para a próxima. (Foto: Vista do cume do Três Estados: Pedra da Mina a direita. O triângulo mais claro ao centro da foto é o Vale do Ruah - Dá para ter idéia das enormes distâncias!) (Foto: Cume do Alto do Pico Três Estados, tríplice fronteira - RJ/MG/SP) O final da travessia também é um Show. O Sítio do Pierre na verdade é uma fazenda maravilhosa e foi um prazer largar as mochilas sob as Araucárias e imaginar o que era aquele local, agora deserto. Seu Cipriano nos contou depois que ali já funcionou um Hotel; falando em nosso amigo, quando fizemos contato com ele recebemos a notícia de que deveríamos andar mais uns três quilômetros até a rodovia. Caminho maravilhoso também, mas inesperado; achávamos que o fuqueta subiria até a sede da fazenda. (Foto: Maciço de Itatiaia. Agulhas Negras a esquerda, Prateleiras a direita) (Foto: Picu e Araucárias: travessia concluída com sucesso!!) Reunimos forças e ao anoitecer fomos resgatados, com seu Cipriano encurtando caminho por uma estrada rural. Espremidos no Volks, esfomeados e felizes voltamos até Passa Quatro pelo poeirento caminho, onde pernoitamos em um hotel em frente à estação, suficiente para o que precisávamos. Creio que demos prejuízo, porque as toalhas brancas fornecidas passaram a coloração marrom mesmo após longo banho. Fomos prestigiar o festival gastronômico e devoramos um prato de leitoa à pururuca com tutu de feijão e aquele chopp para comemorar, além de degustarmos cachaças excelentes. Ainda curtimos os ares noturnos da pitoresca e maravilhosa cidadezinha antes de despencar na cama. Sinceramente, me senti desconfortável e não tive uma plena noite de descanso, pois senti falta da barraca, do isolante no solo duro e do amigo vento. Na manhã seguinte nos abastecemos de produtos mineiros no comércio da estação e arredores e, um pouco reticentes e já saudosos, partimos para o Paraná. Rasgo elogios a hospitalidade, educação e prestatividade do povo mineiro. Quem puder esticar um pouco após a montanha e curtir Passa Quatro e redondezas não se arrependerá. A travessia da Serra Fina é exigente, de modo algum recomendada para quem não tem alguma (e não mínima) experiência. Sem guia então, avalie as pernadas que fez na vida antes de assumir o risco e planeje muito, mas muito bem. Passei dez anos da minha vida imaginando se um dia iria usar o cobertor de emergência, e ele me salvou. A trilha é óbvia do início ao fim e muito bem marcada até a a Pedra da Mina, tanto pelo solo batido como pelas apachetas abundantes no caminho. Do vale do Ruah em diante os totens e outros sinais são escassos, mas se perder é difícil, só mesmo em caso de condições climáticas muito ruins ou inexperiência extrema. Sinal de celular é artigo de luxo e resgate também deve ser. Ter algum problema importante nesta travessia é preocupante. Creio ser pouco proveitoso fazer em menos de quatro dias, a menos que sua vibe seja chegar ao cume, sem priorizar o caminho. Fizemos a clássica Travessia de quatro dias e três noites, e achamos pouco! Assim, a volta ainda não tem data, mas já está certa, e o programa também: já decidimos subir a Pedra da Mina via Paiolinho e acampar alguns dias no Vale do Ruah, fazendo incursões a partir desta base; se repetirmos a travessia, e tenho certeza que sim, uns seis dias serão dedicados a esta porção da Mantiqueira. Como paixão te leva a algumas insanidades, dez dias depois estava com a família na Maria Fumaça de Passa Quatro e, sorrateiramente, fazendo juras para a Mina de abraçá-la novamente em breve.
  4. Travessia da Serra Fina em 3 dias – Achados e Malucos A ideia nasceu de um infortúnio feliz, vicejou nos longos meses entre uma temporada de montanha e outra, floresceu sob as incertezas do clima do início de abril 2019 e frutificou nos passos de 18 montanhistas que se tornaram amigos, ao longo de 3 dias e duas noites na Serra Fina. Explico a aparente contradição no início acima: dois jovens montanhistas, durante uma tentativa de travessia solo da SF em 2018, sob más condições visuais e climáticas, perderam a curva à esquerda, onde se deixa o Cupim de Boi e se desce para o bosque ao pé do Três Estados e desceram para o colo entre esse o Cabeça de Touro. Com o erro de navegação, uma travessia de 4 dias progrediu para uma operação de busca e resgate. Ficaram nas montanhas 7 dias no total, 4 deles em condições não previstas. O perrengue deles virou história, felizmente de final feliz. Um susto para familiares e amigos que serviu de lição para uns e outros. Mas não acabou aí: o Adilson, tocado pelas dificuldades da dupla, curioso das histórias e imbuído de um senso de montanhismo às antigas, em vez de criticar os jovens pela ousadia ou imprudência, parabenizou-os pela capacidade de lidar com as adversidades, de manter o otimismo e ainda, propôs ajudá-los a completar a travessia. Quando ele trouxe a ideia ao grupo de travessias que montamos, Malucos da Amantikir, (ou simplesmente, MDA) aderimos de imediato, convictos da pertinência da ação. Ficou ao seu encargo o planejamento, com o apoio pontual dos demais. Ano de poucos feriados mais longos, 2019 trazia a primeira oportunidade em abril. Marcada a data, começamos os preparativos, verificando equipamentos e buscando melhorar o condicionamento físico. Eu particularmente, acabei por abusar nessa busca e no dia 26 de fevereiro dei um mau-jeito na coluna mais sério que me deixou de cama por 3 semanas e convalescente cuidadoso por outras 5 semanas. A cada questionar do Adilson “vcs estão treinando?!?” eu respondia com um sonoro silêncio. Na verdade, não tinha nenhuma certeza de que conseguiria subir mais que os 4 lances de escada de casa com uma cargueira. Estudos e plano C, visão geral última aula de Fisio antes da travessia A uma semana da travessia, sentindo algumas dores ainda, comecei a fisioterapia recomendada. Sabia que não teria efeito relevante no mau condicionamento cardiorrespiratório resultante dos dois meses de doloroso sedentarismo, mas o objetivo era uma avaliação técnica das condições da minha coluna. Continuei mau condicionado, mas adquiri confiança para tentar a pernada. Durante a semana arrumei e revisei a arrumação da minha cargueira até obter o menor peso que já utilizei numa travessia de 3 dias, pouco mais de 8kg, com comida e guloseimas. Com agua, minha ideia era de que pesasse próximo dos 10 kg na primeira subida da travessia. Subiria o Capim Amarelo com 2 litros, e teria capacidade de levar até 5 litros. Se com os 10 kg na cargueira, minha coluna não suportasse a subida, com 13kg é que não o faria. Nesse caso, havia prometido a mim mesmo a jogar a toalha e desistir ainda na subida do CA. Chegado o dia, após o trabalho parti para São Paulo, para encontrar com o Douglas, seu filho Lucas, a Amanda e o Adilson. Atrasados devido ao trânsito na véspera de feriado e partimos em direção à Passa Quatro às 20h. Soubemos então que o Rodrigo não poderia ir, pois estava com a filha pequena muito mal, indo para o hospital. Como a coisa evoluíra de forma inesperada ao longo do dia, outros 3 colegas que seguiriam com ele, ficaram sem carona. Verificamos os ônibus para Passa Quatro, mas em véspera de feriado não havia mais vaga. Tristes com a notícia e preocupados com a filha de nosso amigo, seguimos em silêncio por alguns quilômetros até termos a informação de que o quadro da criança estava estável, apesar de ainda inspirar cuidados constantes. Apesar desse atraso inicial, pegamos menos trânsito que esperávamos e pouco depois da meia noite, chegamos a pousada do Guto, onde dormiríamos algumas horas, aguardando os colegas dos outros estados para pegarmos o transfer até o início da trilha. Entre jantar, fazer a revisão final da cargueira e tomar um banho, deitei para tentar dormir pouco antes das 2 da matina. Tentei, mas a sinfonia de roncos e a minha ansiedade não o permitiram, de forma que fui esperar fora do quarto, arrumando os arquivos do celular. Acabou que tomei café antes de todos, com direito a pão de queijo recém-saído do forno. 1º Dia O dia nasceu, os colegas chegaram, tomaram café e todos colocamos as cargueiras na van e na Kombi que substituiu uma van defeituosa de última hora. Para os que foram na Kombi, as emoções começaram mais cedo, ante a pouca habilidade ao volante do condutor. Cochilei até que os solavancos me acordassem, indicando que já havíamos deixado a rodovia e seguíamos pela estrada rural ganhando preciosos metros de altitude até a Toca do Lobo. A Kombi seguia na frente e, rapidamente o cheiro característico de metal aquecido nos alertou que algo não ia bem. A embreagem claramente estava sendo desgastada pelo mau uso, e logo a fumaça branca que se via passou a indicar o pior. Numa das subidas, o condutor jogou a toalha e ficou a aguardar que a van que nos levava nos deixasse próximo da trilha e voltasse para buscar os demais integrantes do grupo. Fizemos uma foto com todos na Toca do Lobo, abastecemos de água para o primeiro trecho e partimos para a primeira subida do dia, em direção ao Cruzeiro. Com todos esses imprevistos, atrasamos o começo da trilha em quase duas horas. De forma que o sol já estava brilhando sobre nossas cabeças assim que saímos do trecho de mata e passamos a caminhar pela crista. Caminhávamos admirando a paisagem, as orquídeas que florescem em quantidade nesse trecho e avaliando, cada um, o que poderia ter deixado para trás e que pesava agora e pelos próximos três dias pesaria ainda mais. Na partida, Toca do Lobo. Ansiosos, descansados e ainda asseados. A subida do Cruzeiro foi rápida e, em pouco tempo, passamos a ter visual das cidades nos vales. Andávamos tranquilos, conversando e admirando. Ao pé do Quartizito, peguei mais dois litros de água, de forma a poder “socorrer” alguém na subida do Capim Amarelo, mais longa e que pegaríamos sob o intenso sol da manhã... com o horário que partíamos, era provável que alcançássemos o cume apenas próximo ao meio dia. Subida do CA, PM ao fundo, à direira Douglas e Lucas, CA ao fundo Na subida do Quartizito, a Márcia começou a ter cãibras na panturrilha, que logo progrediram para a região anterior da coxa, tornando o caminhar doloroso. assagens, mel, sachê de carbogel e castanhas de caju ajudaram a contornar o problema, provavelmente originado na alimentação inadequada pela manhã. Com notável determinação e perseverança, ela continuou a subir e, pouco antes do meio dia, alcançamos o cume do Capim Amarelo. Fizemos uma pausa para registro no livro, descanso e lanche, enquanto aguardávamos os últimos elementos do grupo, também castigados pelas cãibras, pelo sol e pelo expressivo ganho de altitude imposto pela subida do CA. Flores nas montanhas, onde repousa o olhar, há beleza a se testemunhar Alimentados, hidratados e, tanto quanto possível, descansados, partimos em direção ao Melano, nossa última subida intensa do dia. Com cuidado e atenção, iniciamos a descida, sabedores de que, muito à esquerda e caminha-se na direção do Tijuco Preto, muito à direita, é um precipício que obriga o retorno. Como em tantos momentos na vida, a virtude não está nos extremos, mas no meio. Nesse caso, a virtude buscada é o caminho que segue pela encosta do CA até a mata em seu colo, por onde avançamos, segurando nos bambuzinhos da margem da trilha, no infindável descer que fazia o Melano se agigantar a cada metro de altitude perdida e que seria causa de muito suor para recuperarmos. Melano, Asa, Pedra da Mina e Tartarugão vistos do Capim Amarelo Do colo do CA viramos pouco à direita e começamos a buscar o acesso ao ombro do Melano, subindo e descendo pequenas elevações e entrando e saindo de bosques de arbustos e bambus. Pouco depois das 13 horas, passamos pela área de camping do Maracanã. Andamos mais um pouco e paramos para nos abastecer de água, antes de enfrentar a subida mais forte do Melano e a caminhada pela sua crista até a base da Pedra da Mina. Abastecidos, tocamos para cima, tomando a esquerda na bifurcação que surge pouco após o ponto de água e que deve levar a alguma área de camping, ganhando altitude de forma constante enquanto nos aproximávamos do trecho mais íngreme que marca o início da última subida intensa do dia. Ali, nos trechos de laje de pedras, não há segredo... é apenas manter o subir lento e constante. Com algumas pausas, alcançamos o ombro e por ali seguimos, ganhando altitude a cada falso cume que surgia. Pouco depois das 15 horas alcançamos a crista do Melano. Estávamos preocupados com a Stela e Amanda que haviam seguido na nossa frente, mas separados do grupo de ataque aos cumes extras, formado pelo Adilson, Alexandre, Anderson, Jorge e Paulo. O receio de que tivessem pego uma bifurcação errada nos acompanhou naqueles passos. Ainda que a Stela tivesse o trajeto salvo no celular, um desencontro poderia ter graves consequências. Com o grupo fragmentado e ainda com isso feito em desacordo com o que havíamos orientado previamente, havia diversos desvios no planejado. No grupo que estava à frente, a Stela estava sem saco de dormir e sem comida. O Jorge sem barraca. No nosso grupo, após rápida verificação, concluímos que teríamos abrigo para todos, pois havia barracas com ocupação abaixo da capacidade. Forçamos o passo, buscando aproveitar os últimos minutos de sol para nos aproximarmos da base da PM, ponto de acampamento planejado para aquela noite. Com o pôr-do-sol se avizinhando, ficava cada vez menos provável que conseguíssemos descer a crista do Melano para a base da PM antes que escurecesse. Ainda que todos portassem as lanternas de cabeça, as chuvas dos últimos dias haviam deixado as descidas mais delicadas, como as escorregadelas ao longo do dia haviam evidenciado. Mesmo com as melhores condições para escolher onde pisar e onde se segurar, a Serra nos cobrava a passagem, não só em suor, como em tombos. Revisamos os planos e passamos a considerar avançar até a primeira área de acampamento, após o platô rochoso que havia logo à frente. Porém, como estávamos na área de sombra das encostas que descíamos, as condições de visibilidade se deterioram mais rápido que havíamos previsto e logo, nos dividimos entre acampar numa laje rochosa inclinada ou seguirmos até o platô à frente, em busca de uma área plana, ainda que irregular. Com o grupo cansado, acordamos que o Douglas e o Lucas seguiriam até o platô, para avaliar se era melhor opção do que a laje que em que estávamos, enquanto eu ficaria com os demais. Bastaram poucos passos para longe do grupo, que o grito aflito do Lucas nos gelasse o peito. Temeroso do que ocorrera, corri em direção à dupla, para constatar aliviado, que fora apenas a soma das emoções do dia ao cansaço da pernada e a lama em que se atolava, até os joelhos, naquele trecho. Procurei acalmá-lo, permitindo q o Douglas se recobrasse do susto, que com certeza lhe batera ainda mais forte que em nós e sem uma palavra sobre os planos de segundos antes, voltamos, confortando o pequeno trilheiro até o grupo. Com a decisão de pernoitar ali tomada, tratamos de escolher os lugares onde armaríamos as barracas. Procurando deixar os lugares mais amplos para as barracas maiores, escolhi um trecho de laje que permitiria alinhar a barraca com a inclinação da pedra e que, exceto o provável escorregar dentro dela, parecia bastante confortável. De experiências anteriores, sabia que dormir alinhado à inclinação, com os pés para o lado mais baixo era muito mais adequado que fazê-lo de transverso. A água que escorria pela lateral esquerda não parecia grande problema. Enquanto montava a barraca, tentei o contato via rádio, em hora redonda, conforme combinado. Foi um alívio estabelecer contato com o outro grupo, saber que estavam todos juntos. O Isaias se prontificou a levar o saco de dormir da Stela e os demais materiais do grupo que estava à frente que haviam sido transportados por nós até ali. Ajudei-o a atravessar a parte enlameada da trilha e o coloquei na subida para o platô, antes de voltar e terminar de armar meu abrigo. Durante a noite, com o luar parecendo a alvorada acordei diversas vezes. Pela manhã soube q a barraca do Douglas e do Lucas havia cedido, tendo que ser remontada, com nova ancoragem durante a noite. Apesar do frio da madrugada, próximo de 0C, a noite transcorreu sem maiores dificuldades. Nosso “lar” na primeira noite. Preparando a partida, 2 ºdia 2º dia Com o nascer do dia, desmontamos rapidamente o acampamento, enquanto preparávamos um café da manhã reforçado. Fizemos novo contato via rádio, com a troca das alvissareiras notícias de que a noite transcorrera de forma tranquila, em ambos os grupos, combinamos os próximos passos, com o grupo à frente fazendo um ataque ao Tartarugão. Nesse meio tempo, terminaríamos o café, arrumaríamos as cargueiras e partiríamos em direção a PM. Assim o fizemos, depois de verificar atentamente que não deixávamos marcas de nosso pernoite ali. Vivência de Montanha: tira-se o Sulista do Sul, nunca o Sul do Sulista. Durante nossa subida, nas pausas para recuperar o folego e admirar a paisagem, observávamos os demais integrantes do nosso grupo, ou seja, Adilson, Alexandre, Amanda, Anderson, Isaias, Jorge e Paulo caminharem pela crista do Tartarugão, extasiados com um dos melhores ângulos para se admirar a PM e o vale do Rio Claro. A Stela seguia conosco, cooptada durante nossa passagem pelo acampamento dos colegas, nas vizinhanças da Cachoeira Vermelha. O tubo de cume do Tartarugão foi pintado de amarelo, com spray de forma a aumentar sua visibilidade, e principalmente, sua resistência à degradação fotoquímica. Alcançamos o cume da PM, pouco antes do meio dia, fizemos um intervalo para lanche, recolhemos o livro de cume que estava quase completamente tomado de registros, anotamos nossa passagem no novo livro que trazíamos e partimos em direção ao Ruah, onde faríamos uma parada mais longa para lanche, coleta de água e banho. Descemos pela face norte da PM, admirando a beleza do vale, circundado pelo Ruah Norte e Leste. À frente, via-se o Cupim de Boi, à direita o Cabeça de Touro e o Três Estados à esquerda. Com as chuvas das últimas semanas, o Ruah tinha água em todas as trilhas. Água e lama. Sem melhor alternativa, seguimos no serpentear entre as moitas de capim até a cachoeira que existe na garganta formada pelos dois Ruah. Enquanto descíamos a PM, parte do grupo de ataque, nesse caso o trio composto pelo Kleiton, Vanderlei e Jorge, fez uma rápida incursão ao cume do Morro do Avião. Quando digo, rápido, entendam “corrida morro acima”... Jorge, nosso velocista-mor subiu a encosta em pouco menos de 9 minutos... a conclusão é óbvia e irrefutável: lidávamos com um ser com um par de pulmões extras. Revezando os jogos de pulmões, o camarada não apenas dispara morro acima, como conversa enquanto o faz... Os três registraram a passagem no livro de cume instalado em 2017 pelos amigos Douglas, João, Rodrigo e Adilson, foram até próximo das ferragens do avião que colidiu contra a montanha e desceram para nos encontrar na cachoeira. Foi bom saber que o livro se encontra em bom estado, dentro do tubo de cume que o Douglas idealizou. Enquanto o grupo coletava água e fazia a pausa para lanche, avancei um pouco à frente e abaixo, para tomar banho no pequeno poço que se forma após a cascata. Já havia adiado meu batismo na SF por diversas vezes, em função do horário em que passara ali antes. Entrar naquela água, próxima do congelar próximo ao fim do dia me pareciam mais insensato que divertido. Há quem leve roupa de banho e há quem o faça nú. Optei por um meio termo prudente: removi botas e meias (bobagem), assim como a camiseta e entrei na água de calças. A água estava menos fria que o esperado, o que me levou a fazer uma segunda incursão, mais demorada, com menos roupa. Saullus e Stela, Marins ao fundo Vanderlei e Márcia, cume do Quartzito Aproveitamos para curtir um pouco o visual e a sensação de superação de ter chegado até ali, deixando a primeira metade da travessia para trás e convictos de que todos lograríamos completa-la. Pouco após as 14 horas, com as reservas de água ao máximo, deixamos a Cachoeira e começamos a buscar a série de pequenos morreres que se interpõe entre o Vale do Ruah e o colo do Cupim de Boi. As subidas nesse trecho são breves, preponderando as descidas. Esse é um dos trechos em que os bambuzinhos mais marcam a memória do caminhante, cobrando a passagem em lanhos e pedaços de qualquer coisa que não estiver bem protegido dentro da mochila. Já ouvi, que ante as terras do Paraná, ali temos uma avenida de trânsito desimpedido... inquietante. À direita evidência das pressões geológicas na formação da rocha. Pouco após as 16h alcançamos a crista do Cupim de Boi e passamos a progredir mais rápido, considerando montar o acampamento ainda com luz natural. Nesse trecho, é importante manter-se sempre à esquerda na trilha, evitar qualquer brincadeira e zelar muito pela segurança. A trilha passa, em alguns lugares a menos de meio metro de um penhasco de pelo menos 300 m. Apesar do cansaço, não é trecho para se ficar descansando, ainda mais em grupo grande, de forma que mantivemos o ritmo, com pausas curtas para recuperar o fôlego, ingerir algo doce ou salgado, um ou dois goles de água, logo retornando ao caminhar. Com o sol a bordejar o horizonte, alcançamos o ponto em que a trilha faz uma curva à esquerda e deixa l Cupim de Boi para descer pela sua encosta em direção aos bosques que existem no sopé do Três Estados. Nesse ponto, nossos amigos do RJ, na tentativa de 2018, não notaram os totens que indicam a mudança de direção e seguiram pelo Cupim de Boi até seu derradeiro cume, de onde se desce para o vale entre o Três Estados, o Cabeça de Touro e o próprio Cupim de Boi. Cumpre ressaltar que a navegação visual, com o tempo aberto como estava, em tudo difere das condições em que eles passaram por esses mesmos pontos no ano anterior. Com neblina, nada se vê de referência de longa distância. Não é difícil, se não se estiver muito focado, desaperceber-se de que o caminho, em laje de pedra e, portanto, guardando poucas marcas de passagens anteriores começou a descer, sem a curva à esquerda. Depois disso, uma “desescalada” na encosta nordeste os levou para o vale e a cada passada se afastavam da rota. Pode-se dizer que a travessia deles começou a “dar ruim” quando acamparam no Ruah e acabaram com os equipamentos de dormir molhados. A partir dali, não lhes pareceu “prudente” acampar e esperar o tempo melhorar, uma vez que com os equipamentos molhados, o risco de hipotermia lhes parecia muito presente. Descemos pela encosta do Cupim de Boi, no contra fluxo dos que, acampados no bosque em seu colo, subiam para ver o pôr do sol. Agradeço a cada um que nos deu passagem, freando sua subida, de forma a maximizar nosso tempo de luz para montar acampamento. Avançamos até o segundo bosque, ocupado apenas pelo Jorge, que nos informara das melhores condições para acampamento ali, enquanto levava seus 4 pulmões para curtir o pôr do sol no Cupim. O lugar é espetacular. Abrigado do vento e ainda assim com algumas aberturas que permitiam ver o céu. Escolhi um canto plano, afastado da mata e, portanto, sem raízes superficiais. Discutimos um pouco sobre a conveniência/oportunidade de subir o CT de ataque na madrugada para ver o sol nascer lá, e concluímos por alternar isso para fazer a subida ao Três Estados, de forma a minimizar a exposição do grupo ao sol no último dia de pernada. Para quem faz a TSF pela primeira vez, ver o sol nascer atrás das Agulhas Negras é mágico e imperdível. O ataque ao CT resultaria no inevitável privar da maioria desse espetáculo, além de colocar todos a subir os três cumes finais (Três Estados, Bandeirantes e Alto dos Ivos) sob o sol mais forte. Com a anuência compreensiva dos colegas do “grupo de ataque”, combinamos de acordar às 3:20 para partir às 4:00. Todos fizeram suas refeições, conversaram um pouco, trocando experiências, angústias e impressões e, pouco depois das 20h estávamos dormindo. 3º dia Acordei 3:20 e 3:40, estava de cargueira pronta para seguir. Fiquei fazendo hora, ajudando aqui e ali e mexendo para aquecer e motivar aos hesitantes para o último dia. Partimos com pequeno atraso, às 4:10 e em pouco tempo o frio deixava de ser um incômodo, ante o fôlego que fugia a cada vez que a subida tinha o grau aumentado. Mesmo assim, subimos tranquilos, sentindo os músculos responderem aos comandos, no terceiro dia em que os demandávamos de forma intensa. O trecho final do acesso ao Três Estados é uma escalaminhada com rochas recobertas de escorregadia lama, com algum grau de exposição. Sabedores disso, fizemos uma parada de 10 minutos em sua base, suficiente para todos retomarem bem o fôlego e sentirem o frio se aproximar. Nada como a autopreservação para motivar as pessoas. Começamos a subida do trecho final com atenção e sem pressa, enquanto a aurora cedia lugar ao arrebol do dia que nascia. Nesse momento, a Márcia que seguia à minha frente deslanchou mais por habilidade e determinação que por força e passei a ajudar mais a Stela que lutava contra seus temores a cada passagem mais exposta. Em pouco tempo, alcançamos o cume e atravessamos os acampamentos, para nos aboletarmos junto ao livro de cume (inexistente). Como bom montanhista, fiquei feliz em ceder os 230g de caderno que carregara nos últimos dois dias para a caixa de cume. Identificamos o livro, fizemos os devidos registros e passamos o livro para os amigos da pernada, assim como aos colegas de montanha. Foi uma grata surpresa ver o Cainã, o Duque, a Raposinha lá em cima. Aquela serra é a casa deles aos fins de semana, ao que parece, dado o número de vezes que já os encontrei por ali. Na última TSFF, em 3 dias, eles fizeram a gentileza de cuidar das nossas coisas enquanto atacávamos o cume do Ruah Leste (maior). Vista da PM: Três Estados, Cupim de Boi e Cabeça de Touro Nossa testemunha silenciosa. Enquanto esperávamos o sol surgir por detrás das Agulhas Negras, nossos corpos esfriavam e logo os aprazíveis 13C que fazia lá em cima levavam nossas pernas a tremerem. Por preguiça de abrir a mochila eu permanecia apenas com a blusa de caminhada no tronco, e sentia desconforto com o vento, procurando me abrigar como dava, mas sem perder o visual. Com o nascer do sol, a temperatura (sensação apenas?) caiu um pouco mais e, vencendo os pruridos, vesti as duas segundas peles, e o fleece. Senti-me muito melhor assim, o calor foi quase imediato e me dei ao luxo de ficar curtindo a brisa, agora apenas refrescante. Nascer do sol, por detrás das Agulhas Negras visto dos Três Estados Combinamos de partir às 7h10, para não pegar mais sol que o necessário. De forma que pouco antes do horário combinado, vestimos as cargueiras e começamos a descida para o colo do Bandeirantes. Conversando nas descidas, apreciando a paisagem nos trechos planos enquanto recuperávamos o fôlego e nos arrastando nas subidas, fomos progredindo sem muito notar e “em pouco tempo” estávamos no alto do Bandeirantes. Fizemos outra breve parada para comer algo rápido, tomar água, descansar e admirar as montanhas ao redor e, cuidando de não deixar os músculos esfriarem, partimos para buscar o Alto dos Ivos. Pausa para respirar: Oscar, Saullus, Eu, Márcia Stella, Saullus, Oscar, Jennifer, Márcia, Eu Na ascensão para esse cume, a derradeira subida “mais séria”, há um curto, mas intenso trecho de escalaminhada. Ali, o melhor é tomar um gole d’água, respirar fundo e tocar forte pela lateral direita até não ter mais o que subir, como notei q estavam estudando por onde subir e inclinados para fazê-lo pela esquerda (mais complicado), pedi licença e dei o exemplo, chegando lá em cima com meus dois pulmões a gritarem do castigo que lhes infligira, como se estivesse em forma. Depois de recuperar 1/6 do fôlego, peguei o celular e me posicionei para as fotos do progredir dos amigos na ascensão. Particularmente, gosto dessas fotos onde o “empilhar” das pessoas permite avaliar melhor o obstáculo. Stella no último “toca pra cima” mais sério da travessia No falso cume do Alto dos Ivos, fizemos um grande lanche coletivo, com ovos mexidos, linguiças e ervas estranhas. Também teve enroladinho de queijo e presunto. Essa galera carrega peso, mas faz gastronomia “Ogra” na montanha. Nada de emulsões de sabores, prato decorado, etc... apenas a boa, velha e nutritiva comida caseira em fartura. Descansados (mais ou menos), mais leves e determinados, retomamos a caminhada, perdendo altitude sem muito notar, já que as subidas, embora curtas, são frequentes nesse trecho ainda. Mesmo assim, não tardou para a subirmos um morro pela metade e virarmos à direita, chegando, enfim, na parte do trajeto com vários trechos de capoeiras e fragmentos de bosque, indicando que a altitude já havia decrescido substancialmente. Pouco antes do meio dia, alcançamos o ponto d’água. Dado o excelente estado de hidratação com que chegamos, fizemos apenas uma breve parada e tocamos para enfrentar a estradinha, que liga o Sítio do Pierre com a rodovia. Eu seguia em passo apertado, buscando os morangos e amoras silvestres que abundam por ali nos meses de julho e agosto. Encontrei poucos, mesmo assim é algo que ocupa a mente e ajuda a não ansiar demais pela última curva da pernada. Chegamos ao final da travessia com 1h30 min de antecedência ao acordado com o resgate. Forçamos mais um pouco o caminhar até a vendinha onde fomos muito bem atendidos pelo “seu” Advir, um produtor rural muito humilde e simpático. Uma alegria ajudar a gerar renda diretamente ao produtor daquelas terras. Dessa vez, trouxe doce de leite, geleias e queijo defumado. Tudo muito saboroso. Uma das vans que nos levaria, fora levar outro grupo até Passa Quatro, já que não sabia que nos anteciparíamos. Aproveitara e levara dois colegas que chegaram ainda mais cedo (4 pulmões explicam muita coisa) até a pousada para o ansiado banho antes do retorno até Curitiba. Como não tínhamos pressa, nos oferecemos para esperar essa van voltar, já que ainda havia dois amigos na travessia, à caminho. Fizemos uma foto de “todos”, nos despedimos e fomos ficar de bobeira, à sombra, conversando com os grupos que chegavam. Com a chegada deles, pouco antes do horário previsto, às 15h estávamos na van, à caminho de Passa Quatro. Chegada: suados, cansados e doloridos; mas orgulhosos e alegres. Na pousada, após um banho revigorante, entregamos o caderno da PM ao Guto, fizemos nova seção de despedidas e pegamos estrada para casa. Na viagem, vínhamos, eu, Douglas e Adilson rememorando o caminhado, fazendo planos e contando causos. Lucas e Amanda dormiam o merecido sono. Cheguei em casa às duas da matina de segunda, dormi um pouco, arrumei barraca, roupas e botas e pedalei para o serviço. Outros foram virados para o trabalho, em função da maior distância. Porém todos compartilhávamos da mesma sensação de gratidão às montanhas e à vida. Quando perguntam porque faço essas travessias, me é difícil traduzir em palavras, mas a resposta repousa no brilho no olhar de quem se supera, no sorriso de quem vê, pela primeira vez, as nuvens lá embaixo. O caminhar me desopila a mente e me recarrega a alma de energia, não só da mata, da montanha, mas d’Ele, seja Ele spinozano ou convencional. Aqui, antes de concluir o relato, farei um registro: tivemos a “honra” de acompanhar os passos do Lucas Torres Garcia, com 9 anos, o mais novo a atravessar a SF em 3 dias. E isso não é pouco... ainda que o físico seja cobrado no subir e descer incessante, que o frio congelante faça tremer ou mesmo a carestia de agua se faça presente no rachar dos lábios, o desafio da travessia, em si, é muito mais um lidar consigo mesmo, com suas dificuldades, suas dores, seus anseios e temores. E isso aprendemos e desenvolvemos com o passar dos anos, o que nos colocava em um patamar muito mais confortável. Parabéns, Lucas! Mandou muito bem. Concluindo: Pernada de responsa!! A superação de limites, físicos para uns, emocionais para outros ou aquele amálgama em que ambos se fundem me alegram no lembrar. Se foram muitas as risadas, foram poucas as lágrimas e quase infindáveis as paradas para caçar o fôlego que fugia a cada metro que galgávamos. O brilho no olhar de todos com o esplendor das paisagens e o orgulho de uns no perseverar de outros. Poder ajudar a desfazer, com segurança, a má fama da SF para certos pais. Foram tantas as alegrias, que só posso agradecer. Agradecer ao Adilson pela ideia e oportunidade. Agradecer à cada um/uma pela companhia e confiança. E, claro, à Deus por tudo ter transcorrido como transcorreu, na medida exata de angústias e doçuras. Travessia SF Malucos e Achados.pdf
  5. Travessia da Serra Fina Full em 3 dias. Subimos, de ataque, aos cumes das montanhas próximas. Relato com fotos e tempos gastos, para ajudar quem quiser a fazer a pernada! Abraço! Travessia da Serra Fina Full - 3 dias.pdf
  6. Olá Pessoal, encontrei esse artigo no site do Alta Montanha e acho que vai ajudar muita gente a encontrar o equipamento certo para fazer a travessia sem se dar mal, segue o link do artigo e o vídeo abaixo: http://altamontanha.com/guia-completo-de-equipamentos-travessia-da-serra-fina/
  7. Com o feriado de 7 de Setembro se aproximando, eu e mais 3 amigos começamos a nos preparar para fazer a subida à Pedra da Mina via Fazenda Serra Fina, não fazendo ideia do que nos esperava. Moramos em Barbacena, e a viagem de carro até o pacato município de Passa Quatro (MG) demora em torno de 4 horas, mas o acesso à fazenda é por uma estrada de terra que nos toma mais 1h15min...enfim, saímos de Barbacena por voltas das 3h50 minutos, enfrentamos as precárias estradas do sul de MG, paramos em Pouso Alegre para tomar um café da manhã reforçado e seguimos para enfrentar a mais precária ainda estrada de terra que dava acesso à Fazenda Serra Fina. A estrada é bem sinalizada, então não houve grandes dificuldades para chegar até a fazenda, principalmente usando o GPS. Chegando lá por volta das 9h30, pagamos R$20,00 à senhorinha que mora na fazenda, assinamos um livro que é para controle de quem entra e sai da trilha, nos arrumamos e iniciamos a trilha por volta das 10h. A placa que marca o início do caminho passa uma ilusão gigantesca de que a subida até o pico leva 5h, o que nós realmente acreditamos veementemente e achamos inclusive que dava para abaixar esse tempo (iludidos 😓). A primeira parte da trilha é muito tranquila, basicamente um caminho por mata fechada (bem fechada, alguns pontos é até difícil ver a trilha), com alguns pontos de lamaçal e riachos, mas todos com algumas pedras que auxiliam na passagem. Após 30 min de caminhada tranquila, chegamos à cascata, com uma água cristalina e um visual sensacional. Após atravessar pelas pedras, bem escondido no canto esquerdo da outra margem do rio, tem um acesso à uma cachoeirinha que nos brinda com esse visual SENSACIONAL. Perdemos uns 20 minutos ali descansando, tirando fotos, hidratando e checando a trilha no WikiLoc (app que recomendo muito, inclusive, baixamos a trilha antes de sairmos de casa e nos ajudou muito). Na cascata também existem muitas abelhas pretas, que não têm ferrão, mas grudam no cabelo e tem uma mordida muito doída. A trilha a partir daí começa a exigir muito mais do físico, já que começa uma subida já com traços de escalaminhada, muito íngreme e muito longa (realmente parece que nunca mais acabar). É válido lembrar para levar um calçado adequado, pois a terra e o capim tornam a trilha muito escorregadia. Após esse primeiro "susto" com a necessidade física da trilha, chegamos num primeiro local de acampamento, onde paramos para almoçar e abastecer nossos recipientes de água numa bica que tem por lá (a água é geladinha e tem um gosto sensacional, a vontade era encher algumas garrafas para levar para casa), já que segundo o WikiLoc e alguns relatos, ali é o último ponto de água antes do cume (e a informação realmente procede, a travessia toda se destaca pela escassez de pontos de água). Ali tinham alguns grupos de trilheiros que almoçavam e conversavam, e todos eles nos disseram que a pior parte da trilha estava logo a frente (o que muitos relatos também confirmavam). Após uma parada de mais ou menos 1h para almoço, descanso e abastecimento de água, seguimos viagem já preparando o psicológico para enfrentar o temido "Paredão do Deus Que Me Livre", e o paredão faz jus ao nome ! Estávamos animados com o horário, já que segundo o WikiLoc, fizemos praticamente metade da trilha em questão de distância em 2 horas, mas ao observar o que nos esperava, vimos que a trilha mal havia começado. O subidão é praticamente do começo ao fim uma escalaminhada muito pesada, em alguns momentos exigindo inclusive uma certa experiência com escalada. É bom sempre ficar atento aos totens e às marcações reflexivas, pois alguns pontos da subida possuem várias bifurcações e é realmente muito fácil se perder. Sempre que possível, parávamos em algum lugar para descansar e hidratar, mas o cansaço bateu forte do começo ao fim, pensamos em desistir algumas (muitas) vezes. Terminando o subidão da Deus Que Me Livre, demos de cara com o Morro da Misericórdia, que era igual ou pior ao anterior. A essa altura, o psicológico bate forte, muitas pessoas montam equipamento ali mesmo, ou um pouco mais a frente, dentro da mata no vale, aonde tem uma área de acampamento em uma área de mata fechada; mas resolvemos continuar. Após chegar ao fim do Morro da Misericórdia, com as pernas e os ombros pedindo arrego, nos deparamos com mais uma caminhada considerável até chegar no pé do morro da Pedra da Mina, aonde montaríamos acampamento. Andamos devagar, ainda nos recuperando das duas subidas absurdas que havíamos acabado de vencer, mas chegamos à área de acampamento por volta das 17:10, montamos acampamento rapidamente e subimos ao morro sem mochila para acompanhar o por do sol, o que com certeza valeu muito a pena. Lá de cima é possível ver claramente o belo Vale do Rhua, o Pico das Agulhas Negras e alguns vários municípios da região, a vista é DESLUMBRANTE, por um instante até se esquece o esforço feito para chegar até ali. Após ver o por do sol, descemos para nos alimentar e ir dormir. Colocamos algumas roupas secas, já que as da trilha estavam encharcadas de suor e o frio já estava começando a dar as boas-vindas, fizemos um macarrão com frango desfiado usando o fogareiro a álcool, apreciamos o belíssimo céu estrelado com direito até a chuva de meteoros e fomos dormir. Nosso "rango", que deu uma sustância muito boa e ficou pronto rápido Acordamos por volta das 5:30, desmontamos acampamento e andamos um pouco até o pico do Morro da Misericórdia, para afastar-nos um pouco do frio. Lá no pico, tomamos café com uma vista deslumbrante do vale, e por volta das 7:00 começamos a descida da trilha, que é tão doída quanto a subida. O joelho dói muito na descida, já que boa parte da trilha é escalaminhada e descidas muitos íngremes, um bastão de caminhada é ESSENCIAL para a volta. Chegamos até a área em que almoçamos na subida, descansamos por mais ou menos 1h e repusemos a água na bica para continuar a descida. Chegamos à fazenda exaustos por volta das 11:30 e embarcamos no carro para a volta para casa e o merecido descanso. Nossa vista do vale durante o café da manhã A trilha exige MUITO preparo físico, equipamento bom (principalmente calçado, bastão de caminhada,barraca, isolante térmico e saco de dormir para -10ºC) e exige também muito preparo psicológico, mas com certeza valeu muito a pena. A vista durante toda a trilha é sensacional, o céu noturno no alto do pico é inexplicável e a experiência como um todo é sensacional. Da próxima vez, pretendemos fazer a travessia de 4 dia da Serra Fina, começando pela Toca dos Lobos, mas até lá ainda vamos nos recuperar por um bom tempo 😅😅😅. O frio castigou durante a noite ! ❄️❄️
  8. Olá Mochileiros, como vão? Espero que bem, aqui estou eu novamente escrevendo meu segundo relato do ano de 2018. Ano passado fizemos a travessia da Serra Fina em 17h, se quiserem ler o relato segue o link: O propósito para esse ano seria fazê-la em 2 dias para podermos aproveitar mais a montanha e o companheirismo da turma. Como de costume, o Nandão plantou a ideia de fazer a travessia em 2 dias e nós aceitamos de cara. Nosso parceiro Breno deu ideia de fazermos a travessia ao contrário, pois assim passaríamos no Vale do Ruah à tarde e não de madrugada. Escolhemos uma data que fosse melhor para todos e reunimos a turma. Aquele medo de fazer a Serra fina já não era tão grande como foi da primeira vez, o medo agora era de tentar terminá-la com o peso da mochila. Como sabíamos da dificuldade da travessia, treinamos por vários meses e, depois de adiarmos o passeio por 2 vezes por conta do tempo, nos dias 18 e 19 deu tudo certo. Confesso que torci para chover novamente porque estava com muito medo de fazer a Serra fina, ainda mais no sentido inverso, mas como eu havia prometido aos meus amigos que eu iria, eu fui. Estávamos em 5 pessoas: Samuel (eu), Nandão, Breno, Zé Renato (Fotógrafo oficial) e Jonas (primeira vez na SF). Saímos da Cidade de Santa Rita do Sapucaí-MG às 23h com o nosso motorista oficial Edson, chegamos até a entrada do Sítio do Pierre às 2:20 da manhã, fizemos uma oração e partimos rumo ao nosso objetivo. Passamos pela trilha, chegamos no primeiro ponto de água e já atacamos o Alto dos Ivos. Chegamos lá por volta de 7h14min, onde esperamos nosso companheiro Jonas que demorou cerca de 1h para chegar. Enquanto isso, deu pra fazer um café para dar uma aquecida - o café saiu sem açúcar porque nosso companheiro Breno esqueceu de trazer...hehe, mas faz parte. Saindo do Alto dos Ivos fomos direto para o Pico dos Três Estados. Até antes de chegar nesse pico eu estava animado e pensei “Até que o meu treino fez efeito, estou me sentindo muito bem”. Doce ilusão, mal sabia que a subida dos 3 Estados era difícil e ao contrario mais difícil ainda. Subindo aquela montanha enorme pensei em abortar a travessia, mas segui firme até o pico. Zé Renato e Nandão como sempre subiram primeiro, esses dois sem sombra de dúvidas são de outro planeta. Quando eu e o Breno chegamos os dois já estavam dormindo e nós aproveitamos para também tirar um cochilo e esperar o Jonas (esse cochilo rendeu viu?!). Chegada nos 3 Estados 10h21 Saindo dos 3 Estados, fomos para o Cupim do Boi. Lá tiramos algumas fotos, paramos para fazer um lanche e esperar o Jonas...rsrs. Nesse momento, nosso amigo Zé Renato deu a Ideia de criarmos uma #cadeojonas...hehe, e não é que pegou?! Logo depois disso, partimos para o Vale do Ruah. Chegada no Cupim do Boi 12h58. O caminho até o Vale do Ruah é relativamente mais tranquilo, a única coisa que enche o saco são os Capins Elefantes que seguram, dificultando a caminhada. Lá pegamos água, molhamos os pés e fomos atacar a Pedra da Mina. Chegada no Vale do Ruah 14h51 A subida da Pedra da Mina é muito cansativa, quando eu a vi lá debaixo bateu um desanimo, é muito alta. Quem já fez a travessia ao contrário sabe do que eu estou falando, é uma subida que não tem fim. Eu várias vezes sentei e comentei com o Breno que queria chorar e abortar a travessia. Sentamos umas 3 vezes para descansar e toda vez que sentávamos cochilávamos por um tempo. Quanto mais a gente subia, mais cansado a gente ficava e nunca chegava, sinceramente, nesse momento eu queria ter um amigo rico, mais bem rico com um helicóptero pra eu poder ligar e ele vir me buscar..rsrs Depois de todo o sofrimento, chegamos no topo. Ufa! Pensei que não chegaríamos. Montamos nossa barraca, fizemos aquela feijoada ao som de Sorriso Maroto e Thiaguinho (créditos ao Nandão), comemos e fomos dormir. Dentro da barraca eu tive vontade de chorar, pensei que no outro dia não daria conta, mas dormimos. Na madrugada fez -4°C, nossa barraca congelou. gelo.MP4 No outro dia levantamos para ver o sol nascer - que espetáculo gente! Coisa linda demais. É um espetáculo da natureza ver o sol subir por cima do Agulhas Negras. Vejam as imagens: Depois do espetáculo, arrumamos as coisas, assinamos o livro e partimos com o objetivo de terminar a travessia. Nosso ânimo estava renovado e, apesar da noite mal dormida, estávamos todos bem, nesse momento esquecemos dos problemas do dia a dia e demos várias risadas pelo caminho. Isso me fez lembrar de uma frase que o grande Maximo Kausch (Gente de Montanha) disse na entrevista com o Danilo Gentili “Quando a gente está na cidade a gente segura uma máscara tentando ser outra pessoa e quando estamos na montanha, longe do conforto do dia a dia, você realmente vê quem é quem”. Eu particularmente gostei dessa frase e ela retrata muito bem os amigos que eu fiz na montanha, eles são demais. Descemos a Pedra da Mina e paramos no primeiro ponto para pegarmos água. O Sol estava bem quente e teve um parceiro nosso que queria ir de cueca, pois já não aguentava mais. Pedimos pelo amor de Deus para que ele não fizesse isso, por fim, todos reabastecidos, fomos rumo ao Camping Maracanã. Camping Maracanã às 09h44. Passamos rapidamente pelo Camping e paramos um pouco acima para comermos. tirar umas fotos e esperar o Jonas. #cadeojonas Descemos um pouco mais e logo depois avistamos o Pico do Capim Amarelo - o último pico dessa travessia. Que felicidade gente! Nem acreditava que não teríamos que subir outra montanha. Apertamos o passo, chegamos lá em cima às 12h43min e Zé Renato fez um time lapse animal lá de cima. time capim.mp4 A subida até o Capim Amarelo é pesada. subida capim.MP4 Nesse momento ligamos para a pessoa que iria nos resgatar e a mesma disse que iria nos buscar às 17h30min da tarde, pois estava saindo para fazer outro resgate, detalhe que nós havíamos conversado com ela anteriormente e cantamos a pedra que chegaríamos na Toca do Lobo por volta de 15h30min – 16h. Nesse momento lembrei do Sr. Edinho (uma ótima pessoa que todos que fazem a travessia já devem ter ouvido falar dele) e na mesma hora ele disse que iria nos resgatar, isso foi um alívio. Esperamos o #cadeojonas chegar e descemos às 13h30min do Capim Amarelo, rumo à Toca do Lobo. Estávamos ansiosos para passar no Caminho dos Anjos, pois na primeira vez que fizemos a travessia, não deu para tirarmos fotos, pois estava de madrugada ainda. Chegamos lá e as fotos ficaram incríveis (Creditos José Renato). Gostaria aqui de fazer uma pausa no relato e falar de uma pessoa que realmente é nota 10: José Renato Ribeiro - ele é uma pessoa que não mede esforços para tirar uma fotografia. Além de ser um ótimo profissional e humilde, ele é feliz fazendo o que gosta. Carregando a mochila pesada, cheia de acessórios, ele é capaz de ir na frente da turma e parar em um certo lugar só pra tirar fotografias da galera e das belas paisagens. Sinto-me privilegiado de conhecer essa grande pessoa e ser seu amigo. Além disso, agradeço ao Nandão por ter nos apresentado a ele. Obrigado por tudo Zé. Os créditos pelas fotos desse relato é seu. Chegamos na Toca do Lobo às 16h, tiramos mais algumas fotos, tomamos um meio banho na cachoeira pra tirar o cheiro de urso e fomos ao encontro do Sr. Edinho. Considerações finais: a travessia da Serra Fina no sentido normal já é bruta, no sentido inverso ela fica mais bruta ainda. Pensei em desistir várias vezes, mas a vontade de terminar, o encorajamento dos amigos e o desejo de não desistir falaram mais alto e isso me fez criar forças para concluir essa travessia tão linda e ao mesmo tempo tão dificultosa. É difícil colocar em palavras o quão difícil é subir uma montanha. Às vezes as pessoas acham que estamos exagerando e que não é tão difícil assim, pra essas pessoas eu digo e sempre vou dizer: vá lá e veja como é. A briga com o psicológico é constante, mas com um jeitinho e incentivo de todos a gente chega lá, lembrando que quando eu digo “eu”, eu me refiro ao grupo todo. Gostaria de agradecer de coração aos que foram nessa mega aventura - Nandão, Breno, Zé Renato, Edson (nosso motorista oficial, que todo ano está com a gente e dessa vez não foi diferente), Jonas (mesmo sofrendo para andar e acompanhar a turma, concluiu a travessia e foi até o final #cadeojonas). Muito obrigado a todos, espero que ano que vem nós possamos fazer outras travessias. Apesar de difícil ela se tornou extremamente divertida por conta de vocês. Estava lendo um blog um tempo atrás e vi uma frase que não sei se é da blogueira, mas eu achei que essa frase faria todo o sentido para terminar esse relato, que ficará marcado nas nossas memórias por um bom tempo. “E então é o seguinte: Não desista. Não deixe que um sentimento de incapacidade cresça e tome conta de você. O melhor impulso para a falta de coragem é meter a cara e sair do lugar mesmo! Porque sempre há uma chance da gente tropeçar em algo maravilhoso. E é impossível tropeçar em algo enquanto estamos sempre sentados no mesmo lugar.” Até a próxima. 1º dia: 18,2km Ganho de elevação: 1.972m Tempo: 14h21m 2º dia: 11,6km Ganho de elevação: 531m Tempo: 8h 5m Elevação maxima: 2798m Dados do Strava.
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